Festas de aniversário são sempre legais pra quase todo mundo. Claro que podem ter exceções, mas na maioria das vezes todas as pessoas se divertem, não só o aniversariante. Por exemplo, só o Harry ganhou presentes, é claro, mas tá todo mundo aparentemente bem satisfeito, comendo bolo de damasco, suco de abóbora e tudo mais.
Ou seja, todas as pessoas são capazes de se divertir sem beber. Álcool, quero dizer. Por que é então que todo mundo quer fazer dezessete pra poder beber legalmente? Ou pior, porque é que todo mundo quer beber? Eu nunca realmente bebi pra valer. Muitas vezes a partir do quinto ano Seamus Finnigan levou Firewhisky pro dormitório, ele sempre dizia que era uma safra escocesa das boas, e chamava a mim, ao Harry e ao Neville de ‘frouxos’ por não bebermos. Ficavam lá, ele e o Dean Thomas, mamando na garrafa e cantando alto. Isso quando não vomitavam no carpete. Claro que eu tinha vontade de tomar, mas eu era monitor e menor de idade. Mesmo que não ligue muito pra essas regras idiotas, sempre soube que Hermione ficaria louca se soubesse. Então só dei uns golinhos aqui e ali, nunca o suficiente pra me deixar nem rindo um pouco a mais.
Isso tá passando pela minha cabeça agora por causa da festa que o Harry mencionou. Sendo algo que Fred e George bolaram, é claro que vai ter muito Firewhisky, vinho dos elfos e todas as outras coisas alcoólicas possíveis. E pela primeira vez vou poder beber legalmente, e meus pais não estarão lá, ou seja, poderei beber a vontade mesmo. E o mais vergonhoso é que não vejo a hora de fazer isso. Quero dizer, é vergonhoso porque qual a graça de ficar todo mole dando risada e não lembrar o que você fez depois?
É, eu não sei qual a graça, mas deve ser bem divertido. E eu vou descobrir hoje à noite. Queria que Hermione pudesse ir, eu gostaria de vê-la tomando uns bons goles dessas coisas mais fortes – porque cerveja amanteigada não dá pra nada -, mas é claro que ela não tomaria mesmo se pudesse ir. E não entendo como ela aceitou tão bem, quero dizer, ela não foi convidada para a festa de aniversário do melhor amigo dela! E eu sei o que os gêmeos querem dizer com esse negócio de “não cabe mais ninguém”, é claro que é uma desculpa e eles não querem as meninas lá. São meio machistas, os dois, mas no fundo até que é bom. Reunir os homens da família pelo menos uma vez, assim. Sem contar meu pai, é claro, que acho que já está meio velho pra essas coisas. Mas Fred e George, eles me pagam. Porque quando eu fiz dezessete eles não organizaram nenhuma festinha pra comemorar. Eu sei que Harry é como se fosse da família, mas eu sou da família realmente, acho que eu mereceria no mínimo algo parecido. Às vezes eu acho que eles implicam tanto comigo que nem gostam muito de mim, meus irmãos.
Estou esperando Harry terminar o ‘social’ da festa. Hermione está no canto conversando com a Tonks, que parece ter mudado de cabelo desde o início – estava rosa meio desbotado, e agora está vermelho bem escuro, quase vinho. Não dá pra ouvir daqui o que elas estão falando, tanto porque as pessoas estão conversando alto em volta como porque elas não estão falando muito alto. Não chega a ser um cochicho, eu reparo, mas elas certamente não querem ser notadas. Hermione tem a feição concentrada no que a Tonks fala, e de vez em quando faz uma cara de indignação.
“Ron, que tal um pouco que quadribol?” Ouço a voz animada do Harry e me viro. Ele já está com a vassoura na mão. “Cara, você é rápido heim? Eu ainda nem disse que sim!”, respondo.
“Ronald, depois de seis anos de convivência, eu aprendi que tem algumas coisas que você jamais recusa. Quatro, pra ser mais preciso.” Quatro coisas? Olho pra ele intrigado enquanto a gente se dirige para o jardim e para o armário de vassouras.
“A primeira delas é comida” , ele diz com um tom de voz irônico. “A segunda não poderia deixar de ser quadribol, é claro. A terceira” , ele pigarreia, “é xadrez. E a quarta... você não consegue imaginar a quarta, Ronald?”
Até consigo, Harry, mas você não faz idéia. “Não. Qual é?”
Ele olha pros lados e fala baixo. “A quarta é a Hermione. Ahn, as quatro coisas não vêm necessariamente nessa ordem, ok?” , ele termina rindo, monta na vassoura e sai voando por cima da sebe, atravessando o jardim até o outro lado. Cretino! Eu não estou acostumado a ouvir o Harry fazer piada sobre minha... sobre como eu me sinto em relação à Hermione. Ele não tem esse costume, mas as coisas estão tão tensas entre mim e ela que até ele deve ter decidido tirar sarro. Mas eu não ligo – se o meu melhor amigo não puder brincar comigo, quem é que vai poder?
“Você me paga, Potter! Tá engraçadinho hoje, heim?” Pego a vassoura dentro do armário, monto e subo atrás dele – até onde é possível com esses pedaços de madeira velha que a mamãe insiste em dizer que são nossas vassouras. O Harry foge de mim pelo ar com facilidade, não só porque ele voa bem, mas principalmente porque a Firebolt dele dá um pau na minha Cleansweep 800. Essa vassoura era do Bill quando ele foi pro 2º ano em Hogwarts, e ele se casa amanhã, ou seja, ela é provavelmente mais velha do que eu.
Depois de alguns minutos de vôo nós descemos, exaustos. Voar cansa, todo o movimento do corpo e tudo mais. Ele pousa e eu chego logo atrás, socando seu ombro. Ele se defende, ofegante. “Ow, Weasley! Só uma brincadeira, não precisa ficar bravo. Ela nem está aqui pra ouvir.” Eu rio porque meu senso de humor ainda permite, mas mesmo assim a idéia de Hermione ouvir uma coisa dessas me assusta. Sento-me com o Harry na grama, enquanto ele usa uma flanela para polir a vassoura. O mais curioso é a mudança de humor dele. Ele chegou na Toca normal. Não estava muito bem-humorado mas também não era daqueles dias em que ele azara todo mundo. Agora ele parece melhor, bem de uma maneira que eu não via há muito tempo, desde a morte de Dumbledore e de tudo mais.
“Ron, sabe a festa de aniversário hoje à noite? Que seus irmãos vão fazer pra mim?”
Hum, sei, claro. Sei também que eles não fizeram uma pra mim. “Hum. Que é que tem?”, eu digo, fingindo desinteresse.
“É que não é exatamente uma festa de aniversário... Quero dizer, também é uma comemoração do meu aniversário, mas a idéia oficial é que.. é uma festa de despedida de solteiro pro Bill!”
Uau, eu nunca fui a uma dessas. Dizem que tem muita bebida e mulheres! Deve ser realmente divertido! E então é por isso que Hermione e Gin não foram convidadas! E também é por isso que no meu aniversário eles não fizeram festa! Não justifica totalmente, mas nesse caso, eles só estão aproveitando que o Harry faz anos hoje também – justo.
Sorrio maliciosamente pra ele. “Cara, isso é brilhante. Idéia de Fred e George, suponho?” Ele confirma com a cabeça.
“É, eles me convidaram e explicaram tudo quando eu subi para pegar o caderno prá Hermione, foi por isso que eu demorei. Nós iremos a um pub em Sutton e depois ao apartamento deles” , ele termina, tão feliz que não consegue se conter e dá uma pequena gargalhada, como se tivesse contado uma piada muito engraçada. A situação é tão idiota e engraçada que eu rio também.
Essas festas são tradicionais na comunidade bruxa, pelo menos aqui no Reino Unido. Uma vez eu soube que também são populares entre os trouxas. Normalmente, quando um bruxo se casa, a parte masculina da família organiza a festa de despedida de solteiro. Normalmente mulheres não vão, e eu não sei se é machismo ou se é tradição, ou seja, machismo – mas o que eu estou falando? Estou andando muito com a Hermione. Bom, nessas festas normalmente o noivo bebe até cair, os padrinhos também, enfim, todo mundo bebe até cair, e tem os famosos jogos, aqueles do tipo “Eu nunca”, “Verdade ou desafio”, entre outros. Vai ser a primeira festa realmente legal da minha vida, e mesmo que eu realmente gostasse que a primeira festa realmente legal da minha vida tivesse a Hermione, tudo bem que ela não vai, porque se ela fosse não ia permitir que eu bebesse nada mais alcoólico que Cerveja Amanteigada.
Ah, é claro, e como eu poderia me esquecer. Tem as mulheres... Fred e George jamais fariam uma despedida de solteiro sem chamar uma daquelas sensacionais strippers. E isso vai ser realmente algo a se ver.
Depois de alguns segundos de silêncio, nos quais o Harry provavelmente se perdeu em pensamentos sobre álcool e mulheres assim como eu, nos olhamos e sorrimos bobos, como se estivéssemos trocando palavras com o olhar. Aliás, esta cumplicidade é uma das coisas que os anos de amizade nos permitiu conquistar, e não apenas com o Harry, mas com a Hermione também - o que é assustador. Porque se ela tivesse lido minha mente agora, provavelmente teria um colapso, já que minha imaginação estava bem ilustrada, por assim dizer, pela atividade das strippers da festa de hoje. E eu teria vergonha, é claro, porque a Hermione ia achar que eu sou um insensível e, bem... eu posso ser um pouco, mas não nesse caso. Ver essas revistas de sacanagem, tipo “Wicked Witch”, ou mesmo ver essas mulheres que costumam fazer shows em despedidas de solteiro, essas coisas não significam nada emocionalmente – quero dizer, eu tenho 17 anos, se não puder ver foto de mulher pelada estou ferrado. Mas ela jamais entenderia que eu jamais faria nada com essas mulheres... e mesmo que fizesse jamais significaria nada, e que se eu a tivesse eu jamais ia querer saber dessas fotos ou de strippers ou o que fosse.
“Você acha que ela ficou muito brava?”, eu digo a ele.
“A Hermione?” , ele pergunta de volta.
“É, se coloca no lugar dela. Você não é convidado para a suposta festa de aniversário do seu melhor amigo. Ela deve estar louca”, eu digo, e busco o olhar dele.
“Cara, é muito legal que você se importe, de verdade. Mas ela deve compreender, quem organizou a festa foi os gêmeos e se eles não querem... Bem, de qualquer forma, é uma despedida de solteiro. Você conhece a Hermione, acho que ela não seria a primeira a ir numa festa com mulheres seminuas e bebidas. E a gente só tá mentindo porque... ela ficaria muito mais brava se soubesse a verdade, não é?”
É, por esse lado ele tem razão. Acho melhor eu desencanar disso. “Certo, Harry. Acho que você tem razão. Que tal tirarmos uma de apanhador?”, digo, e tiro o pomo do bolso. A gente sempre faz isso jogando em dupla, já que não dá pra fazer muita coisa a não ser isso e arremessarmos um pro outro, mas sem aros por aqui, o que nos resta é soltar o pomo, se virar, contar até cinqüenta e ver quem pega primeiro. Pode parecer chato, mas esse pomo é pra jogos caseiros mesmo, então ele não vai muito longe e se esquiva muito bem. O Harry ganha na maioria das vezes, mas eu não me importo, até porque o apanhador é ele e não eu. “Será um prazer te derrotar mais uma vez, Weasley!” , ele desafia.
“É o que veremos, Harry. Estou com reflexos excepcionais hoje.” Solto o pomo e nos viramos para dar à bolinha tempo para subir o suficiente. No “cinqüenta”, nos viramos e damos impulso atrás do pomo dourado, que já sumiu de vista. Eu subo atrás do Harry (sempre atrás, por causa da vassoura), mas no alto vamos cada um prum lado, olhando pra baixo atrás do pomo. Passo os olhos atrás da sebe e... o que a Ginny tá fazendo agachada atrás da sebe? E o que o Fred.. ou o George, de longe não dá pra ver, tá fazendo sentado sozinho no banco?
Ginny olha pra cima e me vê. Ela acena e eu desço um pouco. “Oi, Ginny. Que tava fazendo aí?”, eu pergunto. “Ah, ontem eu joguei quadribol aqui e perdi um negócio que estava no meu bolso. Aí vim procurar” , ela diz
“O que é?”, eu indago, e ela parece hesitar em responder.
“É um... pingente, um que mamãe me deu há muitos anos. Ela me mata se souber, então não conta nada pra ela Ron, por favor.” Eu concordo com a cabeça. Mesmo com as brigas ocasionais, sempre nos demos muito bem, eu e Ginny. E ultimamente temos brigado menos ainda, pro nosso espanto. “Se eu vir o pingente, guardo pra você.” Sorrio pra ela e faço menção de subir, não sem antes ouvir a voz do Harry, debochado. “Pois é, Ronald. Ficou enrolando aí e eu já tô com o pomo na mão. Vai mais uma?”
Ginny me olha como se estivesse pedindo desculpas, mas eu balanço a mão e digo que não tem problema. “Não vale, Harry, vai de novo! Eu tava falando com a minha irmã!” Dou mais impulso na vassoura e subo a tempo de ver que Fred ou George, sei lá quem o cara era, já tinha se levantado e estava quase dentro de casa. Nunca vi nenhum dos dois vir aqui pra fora e sentarem sozinhos no banco da sebe. E não preciso conhecê-los bem como eu conheço pra dizer que eles não dão ponto sem nó, então até eu que sou mais bobo sei que tem alguma coisa aí. Será que tem a ver com a festa de hoje à noite?
“Tonks, se depender de mim, eu não vou. Só que você sabe como a Ginny é, ela vai dar um jeito. Pode ficar tranqüila, contudo; ela é meio desastrada mas é leal. A Ginny não vai te envolver na história, vai dar um jeito de fazer as coisas sem te complicar”, eu digo pela vigésima vez a uma Tonks superpreocupada. Ela me olha e a expressão dela parece suavizar. “Ah, Hermione, quer saber? Você está certa. No fim das contas, não tem nada de mais eu ter contado pra vocês. Não devo nada pro Fred e pro George e se eles ficarem sabendo que o Remus me contou, duvido que vão repreendê-lo ou algo assim. E vocês têm mais é que dar um jeito de ir, mesmo!”
Ahn? Há cinco minutos ela tava dizendo pra gente deixar isso pra lá, agora tá assim? Deve ser coisa de Metamorphomagus mudar de personalidade tão rápidamente. “Ué, Tonks, não era você que tinha dito pra gente desencanar dessa história? Não tô entendendo onde você quer chegar...”, eu digo, desconfiada.
“Hermione, se vocês forem, eu vou também e pronto. Assim nenhuma de nós três se sente tão deslocada. Mas já vou te avisando, porque sei que você é mais..” Mais o quê? “Recatada, sem ofensas.” Ainda tenho que ouvir isso. Torço o nariz mas não falo nada porque sei que a Tonks não falou por mal. “Se a gente for, não teremos apenas que agüentar homens bêbados falando asneiras a noite inteira, como se isso não fosse o bastante. Lembre-se que toda festa de... desse tipo que se preze conta com strippers. E pode ter certeza que Fred e George não vão decepcionar nessa parte.”
O quê? Mulheres peladas? “Ah, não, você não tá falando sério, tá? A gente vai ter que ver uma mulher tirando... a roupa ou algo assim?”, eu pergunto, aflita. Ela ri. “Eu não apostaria em uma só, até porque eles são gêmeos. E a gente pode até ir pra outro cômodo, mas te garanto que o problema maior não será nós vermos as mulheres tirando a roupa.” Como assim? “O pior não é vê-las tirando a roupa, é ver o seu namorado vê-las tirando a roupa.”
Namorado? Mas eu não tenho namorado. “Ok, isso é um problema pra você Tonks, mas eu não namoro, caso você tenha se esquecido.” Ela sorri novamente, desdenhosa, e isso me irrita levemente. “Pode não namorar, mas estou certa que você não vai ficar exatamente satisfeita se um certo Weasley não tirar o olho da lingerie da stripper...”
Como ela... sabe? Ousa? Devo ter ficado mais que vermelha de vergonha, porque ela riu de novo e me deu um tapinha no ombro. “Fica tranqüila Hermione, foi uma brincadeira. Seu segredo tá guardado comigo, mesmo que eu não chamasse isso de ‘segredo’, não mais.” Ela parece estar se divertindo e isso me deixa mais indignada. “Como assim, não é segredo?”
“Ahá, então você admitiu que há um segredo?”, ela ri mais e prossegue. “Hermione, querida, é meio... óbvio pra todo mundo o que se passa – quer dizer, o que não se passa – entre vocês dois. Só não é pra vocês, ainda, mas todos esperamos que essa situação logo se resolva.”
Ahn, droga, isso não é bom. Fico ruborizada só de pensar na idéia de todos os Weasley saberem como eu me sinto a respeito do Ron. A Tonks fala disso como se fosse absolutamente... claro que eu gosto dele. Acontece que se eu ficar pensando em quem sabe e desconfia e quem não faz idéia eu não vivo. E mesmo que ainda soe estranho falar sobre isso com alguém além da Ginny, não adianta mais negar pra Tonks, adianta? Afinal, já me entreguei com o negócio do segredo. Além do mais, a Tonks é confiável, exceto quando ela deixa escapar as coisas, mas não parece ser o caso. Até com a Ginny, quando eu falo sobre o Ron, é meio estranho, porque eu não me sinto à vontade – primeiro por causa da situação e segundo porque ela é irmã dele. Mas por que não a Tonks? Ela é mais velha, tem mais experiência nessas coisas... Talvez ela possa me ajudar.
“Ah. Eu... eu não fazia idéia que eu era tão,... transparente”, eu digo, absolutamente tímida. “Não, você nem é tanto. Quero dizer, se a pessoa prestar atenção em você ela acaba percebendo eventualmente, mas você é mais discreta. Estamos falando do Ron aqui. Ele nem disfarça, o coitado” , ela ri, e a idéia soa tão bem pra mim que eu rio também. Logo em seguida percebo que a Tonks deve estar delirando. Se é tão óbvio porque eu nunca tive certeza? Quer dizer, eu desconfio, mas... pensando melhor, se a Tonks também acha, então talvez eu não esteja tão maluca assim.
“Ah é? Quero dizer, por que você está dizendo isso? Que tipo de coisa ele faz... o Ron faz pra você pensar assim?”, e eu não poderia disfarçar minha ansiedade na pergunta. Ela, é claro, nota isso. “Merlim, Hermione, você nem esconde a empolgação. Você está pateticamente apaixonada.” Torço o nariz pelo adjetivo, mas foi engraçado então eu rio. “Brincadeira” , ela diz. “É adorável, na verdade” , e eu sorrio de novo, cada vez mais sem graça. Não sei de onde fui tirar a idéia de falar disso com a Tonks, mas no fundo parece que eu estou gostando. Quero dizer, parece bom falar tão abertamente de algo que eu nunca falei com quase ninguém. É como se tornasse o que eu sinto mais sólido, mais real, por estar falando em voz alta.
“Você não percebe a maneira como ele olha pra você? Ou como fica absolutamente desconsertado quando você está por perto?” , ela fala, pra minha surpresa. “Hum... não?”, eu digo.
“Ah. Deve ser por isso que dizem que o amor é cego. Deixa de ser sonsa, Hermione. Ele não tira os olhos de você. Até ele que é mais idiota” , e eu dou risada, “já teria percebido se estivesse no seu lugar. Vocês nunca... conversaram a respeito de nada disso?”
Eu dou uma gargalhada, como que para deixar claro o quão absurda é essa possibilidade. “Conversar sobre isso com ele? Você está louca, Tonks. Isso está fora de cogitação. Além disso, eu já fiz minha parte em relação a... ele. Agora é a vez dele tomar uma atitude”, eu explico, e uma firmeza que eu não sabia ter surge na minha voz. É impressionante como eu falei naturalmente sobre algo que pra mim até pouco tempo era tão... oculto e pessoal. “Uau. Não imaginava que você era do tipo de mulher que toma iniciativa. É, eu tenho notado vocês e se você diz que já fez sua parte, então você vai ter que esperar o tempo dele. O problema é até quando você vai agüentar.”
Ela me olha incisivamente. Eu retribuo com um leve desespero no olhar, porque quando paro pra pensar que eu e ele poderíamos estar juntos há muito tempo eu me desespero. Desespero-me ao pensar que nós estamos em guerra eu posso morrer amanhã sem ter estado junto com ele, e que estamos perdendo um tempo que podemos não ter depois. E me desespero mais em pensar que algo pode acontecer com ele, porque aí eu realmente não sei o que faria. “Fique tranqüila, logo ele não vai agüentar mais também. Impressionante, o cara luta destemidamente contra comensais e dementadores e não tem coragem de chamar uma garota pra sair - vai entender os adolescentes. Hermione, querida, eu vou subir para resolver umas coisas com o Remus. Assim que vocês tiverem uma novidade sobre a festa, me avisem. E... eu sei que você não se sente muito à vontade mas se precisar falar sobre... isso... de novo, é só me procurar, ok?”
“Obrigada, Tonks”, eu digo e sorrio pra ela. Ela se levanta, não sem derrubar uns pratinhos de plástico no chão. Tonks sobe e eu a perco de vista, pensando em festas de despedida de solteiro, em jovens ruivos e me perguntando onde estaria a Ginny, que se levantou assim que cantamos ‘parabéns’ para o Harry. Saio da cozinha e vou até o jardim, onde ouço risadas e olho pra cima; vejo Harry e Ron correndo atrás de um pomo dourado, a mais ou menos uns trinta metros de altura. De trás da sebe, uma Ginny com cara de assustada vem andando. Eu vou até ela.
“Que foi, Ginny?” Eu mal termino de falar e ela me puxa pra dentro da casa. “Vem, vamos subir. Lá dentro eu te explico tudo.” Seguimos em direção ao quarto dela. Ela entra e se senta na cama, lança um ‘Imperturbatus’ na porta e então solta o ar que ela parecia ter prendido há algum tempo. “Que foi, Ginny? Você tá me assustando, o quê aconteceu?”, e quando eu digo isso ela me olha e sorri. Sorri assim, largamente, quase como uma risada em alto e bom som. “Você está louca? Primeiro está toda preocupada e depois ri assim, de forma doentia? O que é isso, você está sob ‘Imperius’?”, eu digo, revoltada. Ela vem e se senta ao meu lado. “Hermione. Me diga. Você não acredita em destino, acredita?”
Não é uma boa hora pra filosofar, mas não posso evitar. Se acredito em destino? Aquelas aulas da Trelawney me irritavam, mas não posso deixar de lembrar da profecia e da história do Harry, então... “É, acho que eu acredito sim. De certa forma, acredito. Por quê?”
“Naquela hora em que eu saí da casa, logo depois da festa pro Harry, fiquei pensando como eu faria pra conseguir que nós fôssemos à festa. Não poderia simplesmente confrontar os gêmeos, porque eles não saberiam como eu descobri e mesmo que isso fosse improvável a culpa poderia recair sobre a Tonks. Eis que estou caminhando pelo jardim, tentando me inspirar, e o que eu vejo?” Eu fico quieta, porque espero que a pergunta seja retórica, mas ela insiste. “Heim, Hermione, o que eu vejo?” , ela exclama, empolgada. Percebo que não tenho saída.
“E eu lá sei, Ginny? O que é que você vê? O Harry de cuecas?” Tento tirar com a cara dela, aproveitar pra fazer uma piada, mas ela não se abala e rebate, mais ácida: “Não, não foi, mas se fosse, não seria nada que eu já não tivesse visto antes.” Eu me assusto, não com a ousadia, porque estou acostumada a esse humor desbocado da Ginny e tudo mais, mas com a rapidez mental dela, pra dar uma resposta tão boa e tão rápida. Rimos juntas e ela continua. “Vi o Fred sentado no banco perto da sebe, e ele falava com alguém através de um amuleto ou alguma coisa parecida. Era uma mulher, chamada Katie, e prepare-se Hermione, porque agora vem a bomba. O Fred está namorando essa Katie e está escondendo isso de todo mundo!”
Legal, que satisfeita estou de saber sobre a vida amorosa do Fred, agora posso realmente dormir tranqüila... Ahn, já entendi. Ela vai usar isso contra ele. Coitado: hora errada, lugar errado. “E você vai chantagear ele com isso, imagino?”, pergunto, abismada com a sagacidade com que a mente dela funciona. “É, eu não tive culpa de ouvir” , ela diz, como se quisesse se redimir, “não tenho culpa se ele falou quando eu estava perto e eu tinha as orelhas extensíveis à mão. Ele mesmo inventou a arma que eu usei contra ele, olha a ironia!” , ela diz, e eu realmente não posso deixar de rir. Pobre Fred.
“Se tudo der certo quanto a irmos na festa, Ginny”, eu digo, “seria bom avisarmos à Tonks. Ela vai conosco.”
“Tudo bem. Desde o começo eu achei que ela quisesse ir, mesmo. Vai ver deixou escapar essa história pra mim só porque ela não tem coragem de armar alguma pra gente ir na marra.” Nossa, não sabia que a Ginny podia ser tão paranóica. Faço pra ela uma cara de ‘não delira’ e ela termina. “É, to exagerando. Hermione Jane Granger, prepare suas melhores vestes e não se esqueça da dose de ‘ebrius finite’. A noite de hoje promete. Vou procurar o Fred e conversar com ele, bem sutilmente. Quem vai ditar o tom da barganha, por assim dizer, vai ser ele.” ‘Ebrius finite’? Ela tá louca se acha que vou beber hoje. Nunca aprendi a fazer essa poção, que cura bebedeira, porque eu nunca achei que eu fosse precisar – e ainda não acho. “Ginny, não sei fazer essa poção. E a senhorita não vai beber hoje à noite, você é menor de idade ainda.”
Ela me lança um olhar resignado. “Não vou discutir com você agora. Não vai me agradecer pela diversão de hoje à noite?” , ela completa e sorri. “Você está muito precipitada, Weasley. Vá falar com seus irmãos mas pegue leve com eles, você sabe melhor do que eu que pressão não funciona muito bem com os dois. Assim que você tiver certeza da nossa presença na festa, eu te agradeço pelos esforços.”
Não sei de onde vem essa obsessão dos jovens por bebida. Eu li tudo a respeito, e entendo que as pessoas ficam mais desinibidas, e isso é realmente.. útil na nossa idade, quando as coisas são difíceis de serem ditas. Mas acho louvável quem é capaz de se divertir sem beber. Por Merlim, é uma droga, pode até viciar. A Ginny é menor de idade e isso piora ainda mais as coisas, porque é contra a lei e tudo mais. Eu ficaria realmente desapontada caso visse Harry e Ron tomando um porre, mas não há nada que eu possa fazer, há? Além disso, não acho que eles beberiam até cair; não é do feitio deles, e se eles quisessem ter feito isso, teriam bebido em Hogwarts, porque eu sei que toda semana o Finnigan contrabandeava Firewhisky para o dormitório deles e sei que eles não bebiam.
Alguns segundos de silêncio se passam e Ginny se levanta num pulo. Me deixa sozinha no quarto, pensando na roupa que vou usar e olhando pela janela um Ron alegre e suado jogando quadribol no jardim.
Eu jogaria quadribol pro resto da vida. Poucas coisas são mais relaxantes e divertidas do que se deixar levar pela vassoura, o vendo batendo no rosto, a velocidade aumentando e você cada vez mais alto, cada vez mais longe dos problemas que ficam lá embaixo. É claro que é uma metáfora idiota, mas no fundo é assim que eu me sinto. E vou aproveitar bem esses momentos de jogo com o Ron nos próximos dias, porque eu sei que não vou poder jogar por um bom tempo. É um saco ter que ficar pensando que tem muita coisa que não vou poder fazer nos próximos... meses, anos quem sabe, e ficar querendo fazer tudo em uma semana. Mas eu não tenho opção, e são essas pequenas coisas que me restam.
Olho lá pra baixo e vejo Hermione vindo de encontro à Ginny, e logo em seguida sendo puxada por ela para dentro da casa. Não sei porque, mas a cena me lembrou a noite em que eu beijei a Ginny, nós saindo do salão comunal de mãos dadas, e depois os jardins à beira do lago, tudo que a gente falou e tudo mais. Sim, porque a gente falou bastante, fizemos outras coisas também, mas conversamos bastante. Rimos da loucura de eu tê-la beijado na frente de todo mundo (“Por isso eu adoro Grifinórios”, ela disse), da cara de assustado do Ron, falamos sobre todo o tempo que ela me esperou e sobre como eu a notei depois de tantos anos. E foi incrível, quero dizer, nunca em toda minha vida eu me senti tão à vontade pra falar sobre o que eu sinto com alguém como aquele dia. É como se ela me trouxesse de volta, quando eu começasse a ir longe demais dentro da minha cabeça e das minhas preocupações. É, o mundo não é justo. Quero dizer, o quão azarado um cara pode ser? Eu só queria ter uma vida normal. Jogar quadribol com o Ron no jardim pelo resto das férias, depois voltar às aulas-
“É, Potter”, ele grita, com o pomo na mão, e me acorda dos pensamentos, “depois eu é que fico enrolando né? Acorda prá vida, você está olhando pro nada já faz dez minutos!” Ele vem ao meu encontro e dá risada. “Você tá bem, cara? Viu um testrálio, o que é que houve?”
“Só pensando na vida, Ron. Me distraí. Quer continuar a jogar?”, eu pergunto e faço menção de pegar o pomo da mão dele. Ele não oferece resistência. “Cara, acho que por enquanto tá bom, né? Eu já tô meio cansado, acho bom irmos tomar banho porque já deve ser umas seis e meia, ou mais” , ele conclui. Eu concordo e descemos devagar até o chão. Eu o acompanho até o armário, onde ele guarda a Cleansweep e o pomo amador. “Quem diria, né” , ele diz, e chama minha atenção, “que estaríamos nos divertindo tanto depois de tudo.”
Ele suspira tristemente. “Ron, acho que nós podemos nos divertir mais ainda antes de... começarmos. Começarmos a busca e as pesquisas, quero dizer. É nosso pacto, ok? Viver esses dias como se fossem os últimos. Nada de loucuras muito grandes, só o suficiente pra gente esvaziar a mente durante algum tempo. Como se nossa vida fosse a vida de jovens normais de dezessete anos. Topa?”, eu pergunto, e ele me olha com um olhar estranho, como se gostasse do que eu falo mas não me reconhecesse. “Ok” , ele diz, finalmente. “Se é você quem está dizendo... eu topo. Nada de brigas, preocupações nem estudos até depois do casamento do Bill.” Caminhamos lado a lado em direção à casa, e é nessas horas que eu sinto que o Ron é quase o irmão que eu nunca tive. Empurro ele contra a parede da cozinha, e ele tropeça e quase cai. “Eu tomo banho primeiro, Weasley!”, eu grito, e o ouço xingando e sendo repreendido pela Sra. Weasley logo em seguida. Eu fiz isso porque sei que ele quer tomar banho logo, assim como eu, porque estamos ambos molhados de suor e exaustos das partidas. Se fosse numa situação normal, estou certo que não brigaríamos pela ordem do banho. Entro no quarto, pego uma toalha e corro pro banheiro. Ele me pega ainda no corredor e desarruma meu cabelo. “Dessa vez passa, Harry, mas só porque é seu aniversário. Não demora!” , ele diz, e eu entro no banheiro e fecho a porta.
A primeira coisa que faço é ligar o chuveiro, o feitiço que esquenta a água só ativa quando a torneira é aberta, então demora um pouco pra esquentar. Tiro os óculos e a roupa, lavo o rosto na pia e entro no box – vai parecer meio pervertido, mas meio que gemo assim que a água quente toca meu corpo, porque estava precisando de um banho desses há não sei quanto tempo. Não que eu não tomasse banho a eras, mas esse banho tem uma simbologia. Meu primeiro banho depois dos dezessete anos, o banho antes da minha primeira despedida de solteiro. Ok, isso foi idiota, mas realmente eu precisava da água quente caindo sobre as minhas costas. Tem horas em que nada é melhor que isso.
Depois de um tempo debaixo da água, termino de me lavar a saio do banho. Após me enxugar um pouco e olhar pra ver se não tem ninguém, saio no corredor de toalha. Entro no quarto e lá está Ron, deitado na cama, quase dormindo. Pego meu travesseiro e jogo na cara dele. “Acorda, Ronald! Como você consegue dormir sujo assim? Vai, eu já saí do banho.” Ele resmunga algo, pega uma toalha e sai do quarto. Eu enxugo meu cabelo, pego uma cueca – uma nova, porque eu vou sair e agora arranjei um motivo bom pra usar uma das minhas cuecas novas – e abro o malão em busca de uma roupa legal.
Eu nunca fui muito ligado em visual e nessas coisas; eu nunca ando com roupas rasgadas, mas também não tenho ânimo pra ficar comprando roupas caras e nem ligo muito pra isso também. Mas hoje é a primeira vez na vida em que me visto pro meu aniversário então tento ficar arrumadinho. Visto uma camiseta cinza que ganhei do Lupin no Natal passado e uma calça jeans, uma que costumo usar sempre, porque acho que não faz muita diferença. Coloco as meias e meu tênis, o único par que eu tenho e serve pra todas as ocasiões, ao menos eu acho. Pego uma jaqueta no malão, pro caso de fazer frio, e nem me dou o trabalho de pentear o cabelo porque ele nunca para no lugar. Só arrumo os fios com a mão e pronto. Sento na cama pra arrumar o malão, que eu acabei deixando bem bagunçado.
A porta se abre e um Ron todo molhado, com uma toalha na cintura, entra no quarto. Ele me olha da cabeça aos pés. “Harry, quem te visse hoje até diria que você liga pra essas coisas de moda. Mesmo com essa calça meio surrada.” Eu dou risada e ele pega umas roupas e começa a se vestir. Eu continuo a arrumar o malão.
“Harry” , eu ouço, e olho. “Você prefere esta aqui” , ele diz, apontando uma camiseta azul escura na mão esquerda, “ou esta aqui?” , ele termina, apontando a camisa branca na mão direita. Eu gargalho. “Ron, isso é meio... gay.”
Ele me olha assustado. “Eu sabia que essa camisa era meio duvidosa, mas quando a mamãe me deu ela disse que era moda e eu que estava paranóico...”
Eu dou risada mais alto. “Não a camisa, seu idiota. Você pedindo conselhos de moda pra mim, isso é meio gay. Vá, vista-se logo, e eu acho que a camisa, a branca, fica realmente melhor.” Ele me olha desconfiado, mas coloca um cinto ( “as calças tão meio largas, sabe como é, eram do George, mas já estão quase boas em mim, eu cresci bastante esse verão” ) e veste a camisa. “Vamos descer, já? Que horas são?”, eu pergunto.
“São quase nove horas, Harry, então a gente pode enrolar por aqui mais um pouquinho. Olha, você sabe fazer alguns daqueles feitiços para... pessoas bêbadas ficarem sóbrias?” Eu sorrio diante da pergunta dele. Nunca aprendi nenhum desses, dizem que existem vários, mas os efeitos colaterais são indesejáveis. Finnigan uma vez fez um desses feitiços em Dean Thomas, que ficou sóbrio na hora mas com soluços por três dias inteiros. Até onde eu sei, o meio mais eficiente de curar um porre é uma poção chamada ebrius finite, mas não daria pra preparar ela agora. Só não sei por que ele tá preocupado com isso. “Cara, a gente vai do pub pro apartamento dos seus irmãos. Você não precisa se preocupar em estar sóbrio hoje.”
“É, eu sei. Mas é porque dizem que... é bem ruim né, se você bebe muito e não está acostumado. Digo, as pessoas têm náuseas, desmaios... e eu não queria...” Ok, entendi. Mas essas coisas fazem parte da diversão, não? Me levanto e dou um tapinha nas costas dele. “Ron, deixa de ser frouxo. Você tá andando muito com a Hermione. Essas coisas estão incluídas no pacote, você não pode querer ficar bêbado sem os efeitos colaterais.”
Ouço alguém bater na porta. Ron diz murmura um ‘entra’ e a porta se abre, revelando Hermione atrás dela. Ela está, aliás, muito bem vestida, um pouco maquiada até, como se fosse sair ou algo assim. Como se fosse... com a gente?
A voz do Ron sai meio esganiçada, como uma cobrança. “Aonde você vai?” , ele demanda, antes que ela possa dizer ‘oi’. Ela não perde a tranqüilidade, nem diante do cabeça-dura do Ron, o que é um milagre e provavelmente significa que o humor dela está ótimo. “Ahn, os gêmeos não contaram? Eles resolveram nos convidar de última hora. Eu, Ginny e Tonks, quero dizer.” Ela sorri alegremente e provavelmente espera que nós devolvamos o sorriso.
A minha primeira reação é olhar para o Ron com uma cara de quem não entende nada, e ele faz o mesmo comigo. Fred e George as chamaram? Tem algo estranho aí. Como assim, eles convidaram as mulheres para uma festa de despedida de solteiro? Ainda mais eles, que frisaram tanto que ‘mulheres não entram’? Não é que a presença delas não me agrade, só tô achando estranho. E eu queria uma festa só com homens. Por outro lado, Hermione é minha melhor amiga e fico feliz que ela vá, então sorrio de volta. Parece que Ron chegou à mesma conclusão porque balbucia um “legal” , e os dois ficam se olhando feito idiotas – eu me sinto sobrando e pigarreio. “Bom, já que todos vamos, vamos descend-“
“Calma, me esperem, só falta a maquiagem” , eu ouço aquela voz familiar dizer apressada. Ela pára na porta. “Hermione, eu desisto. Dá pra me ajudar com esse feitiço aqui? No livro diz que ele faz a maquiagem completa, mas eu estou com problemas no lápis de olho, eu já tentei e fica parecendo que eu tenho olheiras!”
Oh não, a Ginny.
Eu acho que se a Hermione fosse menos “mãe” as pessoas iriam gostar mais dela. Não estou dizendo que ela é chata ou que as pessoas não gostem dela; não é o caso, realmente. Ela é uma pessoa fantástica, a melhor amiga que eu poderia conseguir, embora tenha um gosto esquisito para homens (meu irmão, argh). É que às vezes ela parece querer se meter em coisas com as quais ela não tem nada a ver. Se eu quiser beber, porque ela tem que ficar me impedindo? Quero dizer, qual a preocupação real? O problema é que eu acho que ela já faz essas coisas mais por força do hábito do que por preocupação em seguir as regras. Digo isso porque ela melhorou muito – ela costumava ser muito mais tensa e preocupada, e muito mais reservada, também. No 6º ano, as demonstrações óbvias de ciúmes do Ron que ela deu – ela jamais teria feito isso antes, seu orgulho não permitira. Mas acho que a gente vai crescendo e algumas coisas vão mudando, não é? Veja o Potter cabeça-dura; ele continua cabeça-dura, mas ao menos hoje ele pensa umas três vezes antes de dar aqueles ataques onde ele se culpa pelas desgraças do mundo e acusa a todos de não o compreenderem. Ou meu irmãozinho, que mesmo ainda sendo um pouco irresponsável, sem dúvida já está bem mais... consciente da importância de certos assuntos, e mais atento pra certas coisas também. O curioso é se dar conta como a gente pode mudar tanto em tanto tempo – mas acho que é coisa da nossa idade, afinal.
Muitos diriam, no entanto, que fazer chantagem é uma coisa infantil. E eu não nego; as pessoas crescem, eu cresci, mas cada um cresce de um jeito – alguns são mais infantis em certos aspectos, outros em outros aspectos. De qualquer maneira, ainda não consegui enxergar outro jeito de ir à festa – e meu direito de ir àquela festa é legítimo – do que esse, e nesse caso, o fim justifica os meios. Eu me aproximo da porta do quarto dos gêmeos e bato, esperando encontrar o Fred sozinho, porque falar tudo na frente do George já é sacanagem. Bato na porta.
“Quem é?”
“Sou eu, Ginny.”
“Entre, irmãzinha!” , a voz diz. Do outro lado da porta não dava pra saber de quem era, mas eu entro e fico extremamente satisfeita em encontrar o Fred sentando numa cadeira embalado umas caixinhas pequenininhas que eu não sei o que é. George aparentemente não está na sala. “Onde o George tá?” , pergunto. Ele nem levanta a cabeça pra me responde parece realmente concentrado no que está fazendo.
“Ele aparatou até a loja porque tivemos um problema com o último lote de doces de fadas mordentes. Não queira saber o que aconteceu”, ele completa assim que eu lhe dou um olhar curioso. É engraçado perceber como eles, Fred e George, perdem o brilho sem o outro ao lado. Não que não sejam divertidos sozinhos, pois eles são, mas ficam muito melhores quando estão juntos. Trabalham melhor, pensam melhor em piadas boa e também articulam e debatem melhor – o que significa que tê-lo sozinho aqui pode tornar as coisas um pouco mais fáceis.
Não é exatamente agradável chantagear tão descaradamente seu irmão. E mesmo considerando que ele não teria problema em fazer o contrário comigo, eu me sinto mal e por algum tempo só fico o observando trabalhar – o que complica tudo, já que quando você observar alguém de quem gosta só consegue lembrar de coisas boas e que aumentam sua afeição. Não sei se abordo o assunto de forma direta ou indireta – com eles não faz muita diferença, até porque os dois são sempre bem sinceros. Mas acho que prefiro a sutileza; se não funcionar, parto pra linha de fogo.
“E então, Fred. Essas caixas, são pra festa de hoje à noite?”, eu pergunto, fingindo desinteresse. As caixas não parecem ter nenhuma relação com a festa, eu só perguntei pra poder introduzir o assunto. Ele me olha. “Ah, então até você já está sabendo? Eu devia desconfiar, Ginny. As notícias correm. Bem, na verdade elas são prá loja. Uns pedidos especiais” , ele diz, e volta a se concentrar nas caixinhas.
“Legal, e o que tem dentro delas?” Tento dar continuidade à conversa, mas ele parece bem concentrado no trabalho. Fred ri e começa a falar, sem me olhar. “Você acha que se você pudesse ver eu as estaria embalando, irmãzinha? Não seja bisbilhoteira...”, e esse ‘bisbilhoteira’ doeu particularmente, porque parecia que ele sabia porque eu estava ali – o que era impossível, mas tive a impressão.
“Fred,... será que você não poderia chamar eu e a Hermione, para a festa, quero dizer? A gente vai ficar aqui hoje à noite sem fazer nada, e além disso, somos amigas do Harry...”
O desdém no olhar dele foi tão intenso que imediatamente perdi todo o afeto adquirido minutos atrás e tenho vontade de socá-lo na cara agora. “Ginny, o apartamento já está cheio, e além disso, é uma festa pra homens. Sinto muito” , ele diz, mas não parece sentir.
“Se a gente quisesse ir, haveria algo que a poderíamos fazer?”
“Olha” , ele continua, o sorriso maliciosamente estampado, “uma alternativa seria virar homem, mas esses encantamentos de troca de sexo nunca funcionam muito bem, você sabe, porque independente do que aconteça, a pessoa sempre fica com peitos e isso pode se tornar estranho dependendo do que-”
“Ok, Fred, já entendi. Vou direto ao ponto. Acontece que eu sei que você está com... que você,... digo”, eu engasgo, com medo, e ele me olha com descrença. Isso me encoraja e eu cuspo tudo de uma vez. “EuseiquevocêestásaindocomaKatie”
Poucas vezes vi meu irmão surpreso em toda minha vida, com cara de “me pegaram”. E mesmo que a expressão tenha durado alguns milésimos de segundo, eu tive certeza que a vi passar pelo rosto dele. “Não sei do que você está falando, mas sua criatividade é bem fértil, Ginny. Eu poderia até te arranjar um emprego no departamento de criação da Gemialidades”, ele diz, absolutamente seguro.
“Fred, não se faça de idiota. Eu sei que você não quer que ninguém saiba e não imagino porque, mas eu não vou contar pra ninguém.” Olho pra ele com cara de penalizada. Essa armadilha sempre funciona.
“Não?” , e ele cai, o que é raro – ou seja, ele está realmente preocupado. “Ahá”, eu digo. “Fred, eu não gosto de fazer isso, mas cada um usa as armas que tem; imagino que seja realmente importante pra você manter isso em sigilo e eu não gostaria que o contrário acontecesse. Não vou contar pra uma alma viva, mas eu e Hermione vamos à festa hoje. Eu diria pra você chamar a tal Katie, mas aí a história perderia todo o sentido, suponho...”
Meu irmão me olha durante alguns segundos. Parece ponderar, e quando abre a boca, não tem uma expressão de derrota – pelo contrário, eu diria que ele demonstra orgulho, mas isso seria discutível. “Como assim, Ginny? Não é assim que as coisas funcionam, você não pode simplesmente-“
Eu o interrompo e mando todas as palavras de uma vez. Procuro não demonstrar irritação, só firmeza na voz. “Se vocês podem fazer uma festa de despedida de solteiro e não contar pra ninguém, então eu posso tentar... digamos, barganhar com você. Você tem uma coisa que eu quero e eu tenho uma coisa que você quer. É bem simples, na verdade.”
Ele parece ponderar novamente e dá um longo suspiro, do qual eu não consigo extrair a intenção (real resignação ou ironia, como ele sempre faz). “É, eu não deveria me surpreender. Você é nossa irmã, afinal - o que eu posso dizer, se você teve os exemplos em casa. Muito bem, Ginny, vocês podem ir, mas você não pode abrir a boca sobre... sobre o que você soube, seja lá como foi ou o que foi. Temos um trato: vocês podem ir à festa hoje e ninguém fica sabendo sobre nada a respeito de... você sabe o quê.”
“Só mais uma coisa; tem como você falar com a mamãe que nós vamos, que nos convidou e tudo mais?” Ele confirma com a cabeça e volta a embrulhar as caixinhas. Que coisa chata, não sei como ele agüenta.
Nunca, em nenhum momento, eu achei que seria tão fácil. O mais curioso é que ele realmente não quer que ninguém saiba desse namoro e isso é muito estranho – quero dizer, qual o problema das pessoas saberem que ele está namorando? Ele trocou a ‘incrível festa de só homens’ dele pela informação, ou seja, deve valer muito. Abro um sorriso e o abraço, porque sei que ele não ficou bravo justamente porque é algo que ele faria. “Obrigada irmãozinho, desculpe pelas... maneiras, mas você se conhece bem, não teria outro jeito, teria?”
Ele me abraça de volta, de uma maneira meio engraçada. “Não tem nada, Ginny. Fica tranqüila, porque vai ter volta.” Ele me sorri maldosamente, e eu sei que realmente estou ferrada mais cedo ou mais tarde. Ele não vai deixar barato, mas, por enquanto, o trato é esse. Levanto para sair do quarto e já na porta digo: “Você vai querer saber como eu descobri, suponho?”
Ele suspira. “Ah, eu imagino. Orelhas extensíveis, é claro – eu devia ter me prevenido. Eu sabia que ainda ia me arrepender de alguma invenção...” , termina de forma falsamente triste. Assim que eu fecho a porta o ouço desaparatando. Deve ter ido contar a ‘novidade’ ao George.
Tem umas coisas que eu ainda não to entendendo. A primeira: o que é aquele objeto estranho que ele usou pra falar com a tal Katie? E a segunda é, por que diabos ele quer tanto esconder esse namoro das pessoas? A ponto de não resistir quase nada a uma chantagem envolvendo esse tipo de informação – isso já soa estranho, quer dizer, ‘o Fred foi chantageado’ acho que é uma das poucas frases que jamais foram ditas antes na face da terra. Quero dizer, existem outros Freds, mas digo que a frase não foi dita com relação ao Fred, meu irmão – ah, de qualquer forma, essas coisas ainda estão martelando na minha cabeça.
Tenho a impressão que tem algo errado na história. Que ele me enganou, que na hora vai paralisar nós duas com um ‘Petrificus Totalis’ e dizer “trato é trato, vocês podem ir: eu gostaria de saber como”. Isso seria bem a cara deles. Mas que tem algo errado aí, sim, tem. Preciso alertar a Hermione e a Tonks para eventualidades como essas. Ah, esqueci de avisar que a Tonks ia, mas acho que uma a mais ou a menos não vai fazer diferença pra eles.
Vou ao quarto e explico à Hermione tudo o que aconteceu. Ela ouve atentamente e não parece confiar muito no sucesso da história. Não pasou de dizer “Ginny, cuidado com eles...” . Combinei com ela que eu seria a primeira a tomar banho, então pego uma toalha e vou até o banheiro. Depois de tomar uma ducha rápida, o suficiente pra esfriar minhas idéias, volto pro quarto e encontro Hermione... cochilando. À tarde. Ela não está lendo, não está brigando com meu irmão, não está fazendo pesquisa – ela está largada na cama numa posição estranha, dormindo pesadamente. É, as coisas estão mudando. Acordo-a com cuidado e ela vai pro banho, meio sonolenta – peço pra que no caminho ela avise à Tonks que vamos. Procuro uma roupa legal – nada muito refinado, mas também nada das roupas que costumo usar em casa, naturalmente. Já vestida, abro o livro de feitiços de beleza da mamãe. Preciso de um que faça maquiagem completa, e esse aqui, ‘Vanitatis’, parece dar conta do recado. Após sete tentativas mal sucedidas, percebo que Hermione já está no quarto colocando uma roupa. Poderia pedir ajuda pra ela, mas o que ela pensaria de mim? Quero dizer, é um feitiço idiota de maquiagem. Se eu não puder fazer isso é melhor pedir pra ser expulsa de Hogwarts. Ela termina de se trocar e me chama.
“Ginny, você quer ajuda aí? Parece que essa sombra saiu em cada olho de uma cor diferente.” Ela fala com certo escárnio, como se fosse muito engraçado que eu parecesse uma palhaça agora.
“Desculpe, senhorita ‘melhor bruxa da sua idade’. Foi só um erro de percurso, mas pode deixar que eu me viro aqui.” Ela levanta os ombros, se vira para o espelho e balança a varinha, murmurando algo que eu não consigo distinguir. Na mesma hora, os cabelos dela, antes molhados, se secam e ganham cachos perfeitamente modelados. Ela faz mais alguns feitiços pra sei lá mais o quê e sai do quarto, dizendo que me espera lá embaixo.
Desfaço o feitiço pela nona vez e tento de novo. Não é possível, eu devo estar lendo errado. Aqui, achei. Você deve pronunciar a cor da sombra antes da cor do batom, e não depois. Faço e... droga, agora o lápis de olho parece mais com um... giz de olho ou algo assim. Não adianta, vou precisar dela. Desfaço o feitiço, abro a porta e vejo, no fundo do corredor, Hermione parada na porta do quarto do Ron. Ouço a voz do Harry dizendo que eles já vão descendo.
“Calma, me esperem, só falta a maquiagem”, eu grito no corredor. Saio correndo e paro na porta. “Hermione, eu desisto. Dá pra me ajudar com esse feitiço aqui? No livro diz que ele faz a maquiagem completa, mas eu estou com problemas no lápis de olho, eu já tentei e fica parecendo que eu tenho olheiras!”, eu digo, para logo depois notar um Harry levemente boquiaberto olhando pra mim. Não tem nada demais na minha roupa pro idiota ficar me olhando assim, tem? Claro que eu estou bem vestida mas não é pra tanto, e não que eu não goste, mas me irrita novamente, porque eu lembro que ele não está comigo só porque quer bancar p heróizinho barato que ele sempre quer ser.
Hermione me olha com ternura. Balança a varinha três vezes para a direita, de maneira ritmada, e murmura o feitiço, seguido de algumas cores. “E aí. Como estou?” pergunto assim que ela termina. “Bom” , ela diz, um sorriso triunfal estampado na face, “eu gostei. Mas pergunte a eles. Harry, que tal a maquiagem?”
Ele arregala os olhos e eu tenho vontade de rir pela cara de desesperado dele – a Hermione pegou pesado com o coitado. Mas a brincadeira dela me deixou um pouco desconfortável, também; porque qualquer coisa que ele disser vai me deixar chateada. Harry pigarreia e abre a boca, mas nada sai. Ele tenta de novo. “É, bem. Está ótimo, realmente, muito... bom, acho que... está ótimo.”
Hermione sorri e Ron tem uma expressão estranha na cara. Descemos os quatro em direção à sala. Lá estão Fred e George, devidamente prontos, e Charlie. George nos olha e não fala nada, mas eu noto que ele está levemente contrariado.
“Bom, vamos indo então. Bill já foi na frente. Harry, você aparata comigo; Ron, você vai com o Charlie.” Senti falta de mim na contagem. Ainda sou menor de idade e não posso aparatar. “E eu?”, pergunto.
“Irmãzinha” , e a maneira como Fred me olha ao dizer isso já demonstra que estou ferrada. “O combinado foi que vocês ‘têm permissão’ pra ir. ‘Como’ vão não estava no pacote.”
“O QUÊ? Você só pode estar brincando. Além do mais, a Hermione pode aparatar e-“
“Não precisa gritar, Ginny. Estamos aqui do seu lado. Sim, ela pode aparatar, mas aparatação conjunta exige um pouco de prática, mesmo para bruxos brilhantes como é o caso da nossa cunhadinha aqui – aposto que ela conhece muito bem os riscos da aparatação conjunta mal-feita. Além disso, não me lembro de vocês saberem exatamente o lugar aonde vamos.” Olho em volta e percebo que Ron e Harry olham dele pra mim, estupefatos. Charlie tem um cara de ‘não posso fazer nada’ e Hermione parece congelada, olhando pra mim com uma cara de ‘eu sabia que isso ia acontecer’, que aliás me irrita profundamente. Suspiro fundo e reconheço, por ora, a derrota. Não posso culpar o Fred porque ele está cumprindo o trato; além disso, lidar com eles prevê esse tipo de contra-tempo.
“Tudo bem”, eu digo. “Podem ir.” Isso só vai atrasar a gente um pouco, porque eles não sabem, mas a Tonks também vai. Ela aparatou de volta pra casa dela para tomar banho e tudo mais, a gente só precisa entrar em contato com ela a tempo. Eles sorriem um pro outro, satisfeitos, e gritam ao mesmo tempo um “Tchau, mãe!” Da cozinha, mamãe responde um “Tchau pra todos, boa festa! Divirtam-se e juízo!” Charlie pega Ron pelo braço e eu ouço um crack alto. George faz o mesmo com Harry. Fred me dá um tchauzinho animado e desaparata, nos deixando plantadas no meio da sala com cara de idiotas.
“Então”, eu digo, “o que acontece se você aparatar errado com outra pessoa?”
Ela respira fundo. “Além dos riscos normais aumentarem, há também a chance de fusão entre partes dos dois corpos. Ou seja-“
Ela e a mania de querer explicar tudo a todo mundo. “Eu sei o que quer dizer, Hermione. Você avisou a Tonks quando eu te pedi?”
“Calma, Ginny, você não deve ficar impaciente, deveria ter previsto isso. Claro que eu avisei, e ainda pedi pra que ela nos encontrasse aqui, porque imaginei que isso pudesse acontecer. É só esperar que em alguns minutos ela deve-”
A fala é interrompida por um crack alto ao nosso lado. Olho para ver Tonks, claramente pronta para ir. “Cadê todo mundo?” , ela diz, depois de olhar em volta.
“Eles já foram” , Hermione diz, “e deixaram a gente aqui. Mas não tem problema, porque você pode aparatar a Ginny pra lá, não é, Tonks?”
Ela faz uma cara de preocupação e eu percebo que temos problemas. “Meninas, pra aparatar até lá eu preciso saber onde é. E eu não sei, realmente.” Hermione bufa, senta no sofá e afunda a cabeça nas mãos. “Ginny” , ela diz entre os dedos, “não é pra gente ir, lembra do negócio do destino? Vamos ficar em casa, eu até faço um esforço e jogo snaps explosivos com você...”
Derrotada. “Você desiste muito fácil, Hermione. Tonks, e o Lupin? Ele não sabe onde é?” Ela me olha com piedade. “Sabe sim Ginny, mas ele já foi. Dentro de algum tempo ele vai ficar preocupado e vai voltar pra ver o que aconteceu, mas por enquanto nós só podemos... esperar. Fiquem calmas, ainda são nove e meia, a noite é longa.”
Sento-me no sofá ao lado da Hermione e afundo a cabeça nas mãos, como ela. É, parece que as coisas não deram tão certo assim. Acho que perdi a vontade de ir – talvez Hermione tenha razão e não seja pra nós irmos, mesmo.
Ouço a voz de Tonks, parada de pé ao nosso lado. “Já sei”, ela diz. “Que tal um aquecimento?”
N/A: Capítulo longo e etc. Agradecimentos especiais à, vejamos... minha beta, sempre sensacional, à Marina (a moça de portugal) que leu antes e deu suas impressões e aos meus leitores que, embora sejam extremamente imprestáveis por não comentarem direito, lêem a fic e isso que importa, não é? É, mas pelo amor de deus, será que eu vou precisar chantagear vocês? Que custam cinco minutinhos de críticas construtivas?
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