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6. Duelo Fraudado


Fic: Memórias do Escudeiro . CAMARA SECRETA . Série pelo ponto de vista do RONY .


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 6 – Duelo Fraudado



“Comendo sua última refeição, Harry?”, ele perguntou, cruzando os braços e dando um sorriso maldoso, “Quando é que vai pegar o trem de volta para a terra dos trouxas?”

‘Olá, Ronald, eu odeio a sua família’, ‘Olá, Ronald, suas roupas estão ainda mais esfarrapadas do que ontem ou é impressão minha?’... Eu não sou digno de atenção nem mesmo para um insulto?

Merlim, isso é deprimente.

“Você está bem mais corajoso agora que voltou ao chão e está acompanhado pelos seus amiguinhos”, Harry retrucou, tranqüilo; o que me fez perguntar se ele não precisa ajustar o grau do óculos dele. Se alguém colocasse o Crabbe nos ombros do Goyle, os dois, provavelmente, conseguiriam superar a Muralha da China.

O comentário atingiu Malfoy.

“Enfrento você a qualquer hora sozinho. Hoje à noite, se você quiser. Duelo de bruxos. Só varinha, sem contato”, Harry piscou os olhos, aturdido, e Malfoy percebeu, “Que foi? Nunca ouviu falar de duelo de bruxos, suponho?”

“Claro que já”, intrometi-me para que Harry não desse o braço a torcer. Bom, e também para que eles percebessem que eu estava lá, e não era parte dos móveis, “Vou ser o padrinho dele, quem vai ser o seu?”

Draco analisou os amigos.

“Crabbe, meia-noite está bem?”, perguntou, “Nos encontramos na sala de troféus, está sempre destrancada”, os três deram as costas e saíram andando.

Assim que o trio saiu da nossa vista, Harry voltou-se para mim.

“O que é um duelo de bruxos? E o que você quis dizer quando se ofereceu para ser meu padrinho?”

“Bom, o padrinho fica lá para tomar seu lugar quando você morrer”, respondi, distraído, dando uma mordida no meu pastel que já estava frio. Foi então que notei a expressão horrorizada de Harry, “Mas as pessoas só morrem em duelos de verdade, sabe, com bruxos de verdade. O máximo que você e o Draco conseguirão fazer será atirar fagulhas um no outro. Nenhum dos dois conhece magia o suficiente para fazer estragos. Mas aposto que ele esperava que você recusasse”

Harry não parecia ter se acalmado com isso.

“E se eu agitar minha varinha e nada acontecer?”, perguntou, pálido.

“Jogue a varinha fora e meta-lhe um soco na cara”, respondi com simplicidade, dando uma nova mordida.

“Com licença”, uma voz muito familiar veio das minhas costas.

Ah, não.

Suspirei.

Erguemos os olhos para encarar Hermione Granger.

“Será que as pessoas não podem comer sossegadas nesse lugar?”, rosnei, apoiando o queixo na minha mão.

Hermione revirou os olhos e voltou-se para Harry.

“Não pude deixar de ouvir o que você e Draco estavam dizendo...”, ela começou, num tom de repreensão.

Foi a minha vez de revirar os olhos.

“Aposto que podia”, resmunguei, baixinho, mas ela me ouviu, porque me lançou um olhar veemente, antes de continuar com o seu discurso.

“...e você não deve andar pela escola à noite. Pense nos pontos que vai perder para a Grifinória se for pego, e você vai ser. É muito egoísmo da sua parte”, concluiu, lançando um olhar superior para ele.

“E, para falar a verdade, não é da sua conta”, Harry replicou. Hermione cruzou os braços.

“Tchau”, eu disse, dando mais uma mordida no meu pastel, antes de me voltar para Harry, “Se você quiser, eu posso tentar te ensinar o feitiço do trem”, comentei, “Você podia transformar o Malfoy em uma enguia amarela. Ou uma fuinha. Ele parece mais com uma fuinha, não acha?”, franzi o cenho.

Harry soltou um grunhido angustiado.

“E se eu não conseguir?”

“Já falei, joga a varinha fora e dá um soco”, dei mais uma mordida, “E depois corre. Simples assim. Isso é, se ele não te alcançar nem nada do tipo”

XxXxX


“Certo... e se ele jogar um feitiço em mim?”, Harry perguntou pela quinta vez.

“Ele vai jogar um feitiço em você. É um duelo de bruxos, Harry, o que você esperava que fosse? Um concurso de dança?”, sacudi a cabeça, “Olha, se ele tentar jogar um feitiço, tente desviar”, aconselhei, “E ele nem deve saber feitiço nenhum”, acrescentei, “Tem certeza que não quer que eu te ensine...”

“Rony, eu tenho quase certeza de que um feitiço que foi feito para deixar ratos amarelos não funciona com pessoas”, sibilou.

Dei de ombros.

“Bom, eu posso pedir umas bombas de bosta emprestada do Fred e do Jorge, se você quiser...”, sugeri, incerto.

Harry negou com um aceno de cabeça.

“Isso só aumentaria as chances do Filch nos encontrar”, lembrou.

Olhei para o relógio.

“Onze e trinta”, cochichei, para não acordar Dino nem Simas, “É melhor irmos”

Vestimos os robes por cima dos pijamas e começamos a descer as escadas. O Salão Comunal estava escuro, deixando tudo em sombras indistintas. Estávamos quase alcançando a entrada, quando uma voz – aquela voz – se pronunciou de uma das poltronas.

“Não posso acreditar que você vai fazer isso, Harry”, uma lâmpada se acendeu e Hermione Granger surgiu, envolta por um robe cor-de-rosa e uma cara de poucos amigos.

Deveria ter um limite diário de vezes que uma pessoa pode se intrometer na vida dos outros. De verdade.

Você!”, sibilei, irritado, “Volte para a cama!”, enfático, apontei para as escadas, enquanto rangia os dentes.

“Quase contei ao seu irmão”, Hermione se levantou, “Percy, ele é monitor, ia acabar com essa história”, comentou, obstinada.

Escondi o rosto nas mãos e soltei um berro abafado.

“Vamos!”, empurrei o quadro da Mulher Gorda com força e passei pela passagem.

Mas, é claro que ela não ia desistir. Não, lógico que não. Enquanto Harry e eu apertávamos o passo, ela nos seguia, sibilando coisas desconexas das quais eu só consegui ouvir ‘Grifinória’, ‘com vocês mesmos’, ‘Sonserina’ e ‘perder todos os pontos que eu ganhei’.

Irritado, girei nos calcanhares para fitá-la.

“Vai embora”, sibilei.

Ela me encarou, perplexa, depois desviou os olhos.

“Tudo bem, mas eu preveni vocês, lembrem-se do que eu disse quando estiverem amanhã no trem voltando para casa, vocês são tão...”, mas ela não completou a frase, porque a Mulher Gorda tinha saído do seu retrato e ela tinha ficado trancada para fora, “Agora o que é que eu vou fazer?”, perguntou, a voz esganiçada graças ao desespero.

“O problema é seu”, dei meu melhor sorriso cínico, “Nós temos que ir, senão vamos nos atrasar”

Mal tínhamos dado dez passos, quando ela nos alcançou.

“Vou com vocês”, disse, em tom definitivo.

Encarei-a com os olhos esbugalhados.

“Não vai, não”, disse, horrorizado.

“Vocês acham que eu vou ficar parada aqui, esperando o Filch me pegar?”, eu desejava, de verdade, que sim, “Se ele encontrar os três, conto a verdade, que estava tentando impedir vocês de saírem e vocês podem confirmar”

“Mas que cara de pau!”, soltei, indignado, muito mais alto do que queria.

“Calem a boca, vocês dois”, Harry sussurrou, bruscamente, “Ouvi uma coisa”

Lancei um olhar contrariado para Hermione, mas me calei. Então, ouvi o barulho, era como algo farejando.

“Madame Nor-r-ra?”, cantarolei, baixinho, enquanto apertava os olhos para conseguir enxergar no escuro. E, foi então que vi. Se era mesmo a madame Nor-r-ra ela tinha engordado pelo menos cinqüenta quilos. E ganhado dedos.

“É o Neville!”, Hermione sussurrou, espantada, enquanto nos aproximávamos.

Ele acordou e sentou-se, alegre em nos ver. Tagarelou alguma coisa sobre ter esquecido a senha. Harry lhe perguntou sobre o braço, que ele mostrou alegremente, vangloriando a eficiência de Madame Pomfrey. Harry, então, deu-lhe a senha e disse que tínhamos que ir.

E, é óbvio que ele quis ir junto.

Draco Malfoy vai estar lá com um padrinho e Harry e eu vamos chegar com o circo de aberrações da Grifinória. Exatamente o que eu precisava nesse momento. Lancei um olhar irritadiço ao relógio e constatei que era meia noite.

“Se formos pegos por causa de vocês, não vou sossegar até aprender aquela poção do Morto-Vivo que Quirrell falou e vou usá-la contra vocês”, ameacei, voltando a caminhar. Hermione deve ter tentado falar alguma coisa, mas Harry mandou que ela ficasse quieta e começou a me seguir.

Por sorte, não encontramos com Filch ou com a Madame Nor-r-ra no caminho até a Sala dos Troféus. Quando Harry abriu a porta, soltei o ar, aliviado, ao reparar que os sonserinos ainda não estavam lá. Começamos a observar os troféus, enquanto esperávamos pela chegada deles.

Quando finalmente ouvimos um barulho, Harry sacou sua varinha, achando que fosse Malfoy, mas era Filch, incentivando a gata a farejar por nós. Harry gesticulou para que o seguíssemos e, silenciosamente, corremos em direção à porta mais distante.

Neville mal passara pela porta quando ouvimos Filch resmungar algo.

“Por aqui”, Harry moveu os lábios, sem fazer som algum. Começamos a atravessar uma sala cheia de armaduras. Enquanto corríamos, Neville tropeçou no próprio robe e tropeçou.

E me derrubou.

Sabe quando você tem a sensação de que não devia ter saído da cama naquele dia?

Soltei um guincho irritado, porque a queda fez com que acordou o castelo.

Harry berrou para que corrêssemos e o seguimos por diversos corredores que eu nunca tinha visto na minha vida. Só sei que, no final, tínhamos acabado perto da sala de Feitiços, que ficava muito distante da Sala dos Troféus.

“Acho que os despistamos”, Harry apoiou-se na parede e enxugou o suor da testa, enquanto eu me recostava contra a parede fria e me deixava escorregar até sentar no chão, tentando recuperar o fôlego.

“Eu... disse... a vocês”, Hermione resmungou, sem fôlego, “Eu... disse... a vocês”

“Temos que voltar à Torre da Grifinória o mais rápido possível”, lembrei, colocando-me de pé com dificuldade.

“Draco enganou você”, Hermione falou para Harry, “Já percebeu isso, não? Não ia enfrentar você. Filch sabia que alguém ia estar na Sala dos Troféus. Draco deve ter contado a ele”

Harry soltou o ar, lentamente.

“Vamos”, disse.

Mal voltamos a caminhar, uma porta nas proximidades se abriu e Pirraça saiu de lá de dentro. Gemi internamente. Definitivamente, eu devia ter ficado debaixo das cobertas.

Por mais que tivéssemos suplicado que ele não nos delatasse, ele fez justamente o contrário – OK, talvez o fato de eu acidentalmente ter dado um soco nele não tenha ajudado muito.

Enquanto ele berrava – “ALUNOS FORA DA CAMA! ALUNOS FORA DA CAMA NO CORREDOR DE FEITIÇOS!” -, nós voltamos a correr pelo corredor até que encontramos uma porta. Trancada.

Frustrado, chutei a porta.

“Acabou-se!”, gemi, irritado, empurrando a porta, procurando por algum milagre, “Estamos ferrados! É o fim!”

Ouvimos o barulho de passos e eu deixei minha cabeça encostar contra a porta, já tentando ensaiar o discurso que faria para minha mãe. Bem, tendo em vista que eu provavelmente seria expulso, acho que o melhor é começar a trabalhar o meu epitáfio.

“Ah, sai da frente”, Hermione me empurrou, pegou a varinha de Harry e murmurou, “Alorromora!”. O cadeado deu um estalo e, quando empurrei a porta, ela cedeu. Entramos correndo lá dentro, os ouvidos atentos para qualquer movimento de Filch.

Ouvimos quando ele chegou e perguntou por nós, e Pirraça fez uma piadinha péssima sobre ‘por favor’ – os gêmeos falaram que, em geral, as piadas do poltergeist fazem você sacudir a cabeça e implorar para que as suas piadas nunca cheguem a esse nível. Filch começou a xingar e, para nosso alívio, seus passos começaram a se afastar.

Harry comentou alguma coisa, mas meu coração batia tão rapidamente, que eu tinha a impressão de estar com um zumbido estranho nos ouvidos. Mas percebi quando Harry se virou e sua expressão de irritação tornou-se uma de pavor.

Hermione e eu nos viramos ao mesmo tempo para encarar um cão gigantesco. Com três cabeças. E muitos, muitos, muitos dentes. Engolimos em seco. Era claro pelo modo como o cão nos olhava perplexo, piscando os olhos (os seis olhos) – provavelmente tínhamos acabado de acordá-lo -, mas ele estava rapidamente voltando a si.

E, para ele, nós éramos comida.

Harry tateou em busca da maçaneta, abriu a porta e todos nós saímos. Voamos pelos corredores e não esbarramos com Filch – embora qualquer coisa depois daquele cachorro soasse como lucro – e, quando finalmente chegamos na Mulher Gorda, a sensação que tinha é que meus pulmões iam explodir.

Nos arrastamos para o Salão Comunal e nos jogamos cada um em uma poltrona, ofegando. Ficamos em silêncio por alguns minutos – tanto porque estávamos aterrorizado demais para falar qualquer coisa quanto porque estávamos tentando fazer com que a nossa respiração voltasse ao normal.

“Que é que vocês acham que eles estão querendo com uma coisa daquelas trancafiadas numa escola?”, perguntei, perplexo – só esperava que ele não seja um dos muitos métodos de tortura do Filch, “Se existe um cachorro que precisa de exercícios é aquele”, acrescentei, perguntando-me como aquela montanha com três cabeças exercitava as pernas numa sala tão pequena.

Bom, se Hermione Granger não respondesse à pergunta, ela não seria Hermione Granger.

“Vocês não usam os olhos, vocês todos, usam?”, perguntou, com rispidez, enquanto revirava os olhos perante a nossa ignorância, “Vocês não viram em do que ele estava?”

“No chão?”, Harry sugeriu, erguendo as sobrancelha, “Eu não fiquei olhando para as patas, estava ocupado demais com as cabeças”

Que eram três, se você não percebeu, Esquila-Esquisita.

“Não, não estou falando do chão. Ele estava em cima de um alçapão. É claro que está guardando alguma coisa”, levantou-se, lançando um olhar de desgosto na nossa direção, “Espero que estejam satisfeitos com o que fizeram. Podíamos ter sido mortos, ou pior, expulsos. Agora, se vocês não se importam, eu vou me deitar”

Primeiro: ‘ou pior, expulsos’? Essa garota precisa de um analista. Com urgência.

“Não, não nos importamos”, soltei, perplexo, “Qualquer um pensaria que nós a arrastamos conosco, não é mesmo?”, voltei minha atenção para Harry, mas ele estava com uma expressão distante, “Harry, que foi?”

Harry voltou sua atenção para mim, depois balançou a cabeça.

“Nada, vamos dormir”, disse, pondo-se de pé.

Puxei Neville pelo cotovelo – ele estava em alguma coisa próxima a um estado de choque – e subimos as escadas.

Mas aquela expressão pensativa não deixou o rosto de Harry.

Continua...


N/A: Aqui está mais um capítulo!
Espero que estejam gostando! :D
Nesse não teve cena inédita nenhuma... Mas espero que esteja legal mesmo assim! ^^”
Fiquei muito emocionada com os comentários. Se estão gostando da fic, passem para um amigo e se detestaram... passe para os inimigos! =D
Comentários:

Tailana Schereiber - Fico feliz que você sempre quis ler uma fic do ponto de vista dele! ;D Eu também quero chegar no RdM! *-* O que achou do novo capítulo?
Primo Barney - Obrigada, Barney! Estou traduzindo o capítulo novo da fic da Gina! :D E o novo capítulo vem antes do Domingo que vem, porque vou viajar... :/ O que achou desse capítulo?
Mylla Fox - Hey, moça! Obrigada por todo o apoio nas comunidades do orkut! ;D Gostou do novo capítulo?
Renata Nofal - Puxa, obrigada pelo elogio!! :D Aqui está o novo capítulo! Gostou?!?

Próximo capítulo pode ser que venha antes do fim da semana! :D
Um beijo,
Gii.

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