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15. Pavor Noturno


Fic: Aventura no Brasil - Pós Horwarts... Ação e Mistério!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAP-15 - Pavor Noturno







CAP-15 - Pavor Noturno





Xingu,





Harry acordou no meio da noite. Não conseguia dormir, pensava em Hermione no hospital, e na conversa com Lina sobre a batalha dos Atiais contra o Iagura. Pensou no Ministro, no Sr. Vaques, No Vice Ministro, No Diretor Ferraz e em Virgílio... Todos envolvidos de alguma forma com a Guerra contra os Guarapakas. Todos envolvidos, direta ou indiretamente, também nessa expedição. Justamente quando o Iaguara reapareceu.



O rapaz resolveu se levantar. A barraca era bem maior por dentro do que por fora Emílio e Rony estavam dividindo um beliche, enquanto ele dormia numa cama comum. O piso era forrado com tapete macio e a temperatura lá dentro era bastante agradável. Harry procurou seu cantil e bebeu um pouco d'água.



Saiu pela porta da barraca para observar o exterior. Sentiu o choque da diferença de temperatura, o ar úmido lhe invadiu os pulmões, parecia não ventar nunca naquela floresta. Mesmo na pequena clareira um pouco mais aberta que a trilha, mal se podia ver o céu. A luminosidade era muito fraca apesar da lua cheia.



Harry viu uma pequena luz laranja perto de uma árvore, resolveu verificar o que era, pegou a varinha e foi caminhando lentamente. Aos poucos foi percebendo, no meio das sombras escuras, uma figura sentada e recostada no caule da árvore, a luz alaranjada a iluminava levemente. Era um homem. Harry estendeu a varinha, deu mais alguns passos e por azar pisou sobre um galho fazendo barulho.



O homem se levantou num salto, estendeu o braço direito levantando a varinha na direção de Harry, que fez o mesmo simultaneamente.



Era Virgílio, seu rosto estava iluminado pela luz laranja que vinha de uma bola de cristal, que ele agora segurava sobre o peito com a mão esquerda, o braço direito esticado na direção de Harry, com a varinha na mão. Sua expressão era tensa e aos poucos foi se relaxando.



- É você Sr. Potter? Chegou tão silencioso que quase me surpreendeu. - Virgílio voltou a sorrir, baixando o braço. Harry fez o mesmo.



- Logo acaba meu turno de vigília, mas acho que era para o Sr. Weasley me render. Vocês resolveram trocar? - Perguntou Virgílio se sentando novamente nas raízes da árvore.



- Não trocamos, estou apenas um pouco sem sono. Isso é uma Ma'enduara?



- Sim... É para eu me lembrar do meu pai. - Virgílio arremessou a esfera para cima, sua luminosidade diminuiu sutilmente, depois agarrou-a novamente enquanto caia de volta, fazendo ela se acender de novo com seu toque - Posso chama-lo de Harry? Aqui no Brasil temos um certa dificuldade com formalidades. - disse sem retirar os olhos do cristal. Harry concordou com a cabeça.



- Pois então Harry - Virgílio continuou - Meu pai era um grande homem, um grande bruxo. Que infelizmente não está mais entre nós.



- Eu sei, ele morreu combatendo o Iaguara não foi?



Virgílio apertou a Ma'enduara com força e fechou os olhos. A luz brilhou um pouco mais intensamente.



- Foi isso mesmo, ele morreu naquela batalha. Resolveu colaborar com Tingué que vivia insistindo para que meu pai se juntasse a ele. E na derradeira batalha meu pai foi mais uma vítima. - Fez uma pausa e continuou - Não gosto de políticos Harry, não gosto de Tingué, Eu sinto um certo receio dele pela morte de meu pai. Não o acho confiável, sempre com aquele ar sábio. Vive se escondendo, não quis ser ministro, mas adotou o cargo de vice ministro colocando o Omar como o Ministro e governando através dele. Aqui no Brasil o Vice Ministro não assume o governo em caso de morte do titular, ele apenas governa por uma semana até o conselho de bruxos se reunir e eleger um novo ministro. Mas o vice ministro é o principal conselheiro do ministro. E é nomeado diretamente pelo ministro eleito. Omar é popular todos gostam dele e todos o julgam medíocre, foi fácil coloca-lo no poder agradou ao povo, e amenizou as brigas no conselho. Era um candidato neutro. Mas todos se surpreenderam quando Osmar Fernandes convidou Tingué para ser vice ministro e ele aceitou.



- Política e mesmo complicado – concordou Harry



- Eu quero distancia disto! A burocracia do ministério me irrita as vezes. Mas essa politicagem, o jogo de poder me irrita ainda mais... tento me manter longe disso tudo e apenas fazer meu trabalho, assim como fazia meu pai. È necessário reformular o ministério, mas sempre vão haver os políticos para atrapalhar tudo.



- Virgílio? – Uma voz sussurrante chamava. O som vinha de trás, da direção das barracas, os dois se levantaram.



- Virgílio? Harry? - A voz disse novamente e Harry a reconheceu.



- É o Rony! Ei cara, estamos aqui!



Rony apareceu, saindo da escuridão, estava sonolento esfregava muito os olhos.



- Está na hora do meu turno na vigília, vim render Virgílio, e não te vi na cama.



- Eu estava sem sono, então levantei e acabei aqui de papo com Virgílio.



Um som estranho como um uivo agudo veio da mata, interrompendo a conversa.



- Já tinha ouvido esse barulho antes, mas ele estava longe, agora está bem mais perto. - Disse Virgílio guardando a Ma'enduara.



O som se repetiu ainda mais perto, e depois novamente mais duas vezes.



- Seja lá o que for parece haver mais de um. - Disse Virgílio.



- Lumus - Rony acendeu a ponta de sua varinha, iluminado a mata na frente deles.



- Não sei se é uma boa idéia - Disse Virgílio.



O Mato iluminado por Rony se moveu, havia algo lá, ouviram som de passos à direita deles. Ele virou a luz para lá, viram apenas as folhas balançando.



Virgílio e Harry também acenderam suas varinhas. Eles então perceberam que havia esfriado, o calor diminuía e a cada instante sentiam mais frio. Viravam as luzes ao seu redor, mas não viam nada, apenas as folhas balançando por alguma coisa oculta.



O uivo agudo saiu do mato de novo dessa vez extremamente próximo, seu som tocou suas almas e elas gelaram, Harry nunca sentiu um medo assim. Era irracional, anormal e intenso, sua mão tremia.



- Acho que sei o que é isso, disse Virgílio preocupado. - Mas foi interrompido, nesse momento, uma grande massa negra saiu do mato iluminada pelos fachos de luz das varinhas. Tinha a forma de um cavalo com pelos negros, um cavalo atarracado, com as pernas bastante grossas, a cauda lembrava o rabo de um rato com uma chama na ponta, uma chama que não emitia calor, e sim sugava-o. O mais incrível no entanto, era o fato de que o cavalo não possuía cabeça. Apenas um vazio acima do pescoço e de dentro do buraco onde devia se encaixar a cabeça emanava uma luz sinistra.



- O-o-o q-que é isso? - Perguntou Rony.



- Acalmem-se, não se entreguem ao medo, ela se alimenta dele, ela aumenta e potencializa nosso medo e depois suga nossas energias através dele. Por isso tentem se manter calmos e seguros, utilizem toda a sua concentração, deixem as mentes fechadas e as mãos firmes na varinha - Disse Virgílio como um instrutor.



Três outras criaturas, um pouco menores, saíram do mato e se colocaram atrás da primeira, depois foram se movendo lentamente ao redor deles, fechando um cerco.



- Só ataquem ao meu sinal, nenhum ataque descontrolado por favor - pediu Virgílio. Harry e Rony concordaram com a cabeça.



Os bichos uivaram novamente, primeiro o maior e depois os outros o acompanharam. Cada uivo parecia espetar seus corações como uma agulha gelada.



Lina e Miranda saíram correndo da barraca, Um terror irracional invadia a mente das duas, Quando viram as criaturas caíram no chão tremendo, Lina logo se colocou de pé novamente mas não conseguia se concentrar, a mão tremia muito, mas ainda conseguia segurar a varinha. Um dos animais avançou na direção das garotas.



- Ao meu sinal vamos atingir as três mais próximas, mas prestem atenção, executem feitiços estuporantes e mirem bem na marca branca que elas tem logo abaixo do pescoço. Nenhum dos dois teria percebido esse detalhe se não fossem alertados por Virgílio. Cada um escolheu seu alvo e tomou posição. As criaturas se moviam lentamente ao redor deles, vagarosamente fechando o cerco, eles acompanhavam seus movimentos com as varinhas apontadas. O quarto animal se aproximava, também lentamente das duas garotas.



- Agora! - berrou Virgílio.



Os três feitiços estuporantes partiram ao mesmo tempo e atingiram as criaturas bem no alvo. Duas delas foram arremessadas para trás, e voltaram correndo para o mato, a maior recuou mais continuou rondando de longe.



Instantaneamente após o ataque, uma labareda tenebrosa saiu do buraco no pescoço do bicho que se dirigia para Lina, Miranda berrou e desmaiou e Lina ficou paralisada pelo medo.



Julião e Emílio saíram das barracas disparando feitiços na criatura, que uivou voltou para trás onde encontrou Rony Harry e Virgílio prontos para ataca-la.



- Harry acertou a marca branca do animal e ele foi arremessado de volta ao mato.



A criatura maior avançou galopando na direção dos três uivando loucamente, saltou sobre eles, que tiveram que se abaixar, assim que o monstro tocou o solo, acertou um poderoso coice em Virgílio, que foi arremessado longe batendo de costas em uma arvore.



Harry se jogou no chão se esquivando, Rony tentou estupora-la, acertou-a mas não na marca branca, a criatura uivou novamente fazendo Emílio e Julião caírem de joelhos. A labareda saiu de seu pescoço, Rony sentiu um frio agudo e caiu sentando, estava difícil se concentrar naquelas condições, já disparava feitiços a esmo. Harry rolou no chão se colocando entre as patas frontais da criatura e acertou-a de baixo para cima bem na marca branca. O monstro deu uma cambalhota no ar caindo desajeitadamente de costas no chão, quase sobre Miranda e Lina, que disparava desesperada vários feitiços no corpo do animal. Esse por sua vez se levantou do chão, uivou, Empinou sobre as patas traseiras, levantado as labaredas do pescoço. Todos ficaram a ponto de desmaiar. Virgílio já estava de pé novamente e a acertou, era o terceiro disparo certeiro que levava, e monstro cambaleou, caiu sobre as patas traseiras, Lina ainda disparava, desesperada, vários feitiços sobre ela. O monstro logo se levantou e voltou aos galopes, derrotado, para o mato.



Todos ficaram onde estavam, Lina deixou o corpo cair no chão, exausta.



Emílio e Julião estavam ajoelhados e paralisados.



Aos poucos o calor foi voltando, e se reuniram em frente as barracas.



- Que criatura era aquela? - perguntou Harry.



- Os trouxas a chamam de mula sem cabeça, nós temos outro nome, mas achamos essas criaturas tão terríveis que não gostamos de pronuncia-lo. Tivemos muita sorte hoje. - Disse o senhor Vaques saindo da barraca, com os olhos esbugalhados e tremendamente pálido.



- Sorte coisa nenhuma! Tivemos foi calma e coragem para lidar com esses monstros – Disse Virgílio – Se não Fosse por Harry, Weasley e Eu, Todos estaríamos perdidos. Agora ou dormir, pois meu turno de vigília terminou – E saiu mancando em direção a sua barraca, evidentemente tinha perdido a paciência com o Sr. Vaques.



- Enervate! - Harry tentou fazer Miranda despertar. Ela estava gelada, mas acordou muito atordoada. Lina a levou para a cama.



Julião observou a mata por alguns instantes, coçou a barba, estava com uma expressão preocupada e o medo nos olhos dele era evidente. - Vamos voltar para a cama e torcer para não acontecer mais nada até o sol nascer.



Harry e Rony ficaram com Emílio e o Sr. Vaques. Emílio estava mudo, chocado. O senhor Vaques folheava seu pequeno livro. Rony pediu para vê-lo, o Sr vaques o estendeu a ele.



Era um pequeno Livro com uma capa de couro desgastada pelo uso. "Pequeno catálogo de criaturas mágicas das matas sul-americanas", Era o Título e o autor deixou Rony surpreso, leu em voz alta: - Autor, Roberto Garcia Vaques. É o senhor?



- Sim - respondeu o senhor Vaques com certo orgulho.



- Mas, se o Senhor é o autor, por que precisa consulta-lo a todo momento? Não conhece as informações contidas em seu próprio livro?



- Ahhh, meu jovem... Eu o escrevi ha muito tempo, sabe. Eu era praticamente outra pessoas, já não me lembro direito do que escrevi aí. - Disse, agora meio encabulado o Sr. Vaques. Logo depois inventou uma desculpa e se retirou para a barraca.



- Vou levar Emílio para a cama e tentar dormir um pouco, vai ficar bem sozinho?



- Pode ir, é o meu turno na vigília. Qualquer sinal de perigo envio um aviso luminoso para as barracas - Disse Rony tentando se manter seguro, mas por dentro estava ainda apavorado e sentia calafrios.



Harry acompanhou um Emílio ainda catatonico até a barraca, antes de entrar viu Rony apagando sua varinha e se sentando na frente das barracas.





 





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