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3. Capítulo III


Fic: Black Love


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Harry Potter © J.K. Rowling



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Lílian Evans.

Capítulo III



Potter aparatou nos degraus de sua casa, em Godric’s Hollow. Respirou fundo o ar frio, aprovando a calmaria e a paz que aquele vilarejo trazia. O vento sussurrava alto, as copas das arvores balançavam, fazendo aquele conhecido barulho característico. Encarou o chalé em que vivia com Lílian. O lugar o agradava, as janelas pequenas, traziam cortinas brancas, leves.

A rua estava escura, e ele via uma pequena luz vinda de dentro do chalé. Suspirando e sorrindo levemente, entrou.

Ele encontrou Lílian Evans sentada numa poltrona, na aconchegante sala de estar. Ela saboreava um vinho tinto enquanto lia algum romance a luz de uma pequena vela na mesinha ao seu lado. Tiago encostou-se na beirada da porta, analisando que ela devia estar ali absorta há horas. O romance grosso, estava nas paginas finais. E ela ainda levava o chapéu verde oliva com estilo parisiense na cabeça, que provavelmente usara essa tarde para proteger-se do sol.

A mulher tinha as pernas cruzadas em forma de índio, e ele sorriu ao notar que ela vestia apenas uma das camisas dele, que caiam grandes demais nela. Mordia os lábios, nervosa, provavelmente vivendo o que o personagem principal estaria vivendo, fosse o que quer que fosse. Ele permitiu-se um momento para admirar o tom único dos cabelos dela, a vela crepitante deixava-os brilhantes, cor de fogo assim como o fogo que provinha da vela, longos e levemente repicados, o que fazia com que as pontas flamejantes sempre estivessem viradas maravilhosamente para cima. Ele suspirou. Apenas sua Lílian possuía aqueles cabelos. Assim como apenas sua Lílian possuía aquele jeito doce.

-- Você tenta se proteger exatamente de que sol, minha linda? – ele finalmente resolveu falar, com o rosto levemente franzido de riso.

Diferente do que ele esperava, ela não se assustou, apenas abandonou a taça e o livro e ergueu-se rapidamente, os olhos demonstrando surpresa e êxtase.

-- Você voltou! – ela exclamou, entreabrindo os lábios e sorrindo levemente. Sua voz parecia café com leite, daquele tipo escuro e rico que só se toma no norte de Londres.

-- Claro que voltei. Você acha que não ia voltar pra você? Lílian, eu te quero pra sempre. Entendeu? Pra sempre. – ele aproximou-se e colocou as mãos no rosto da mulher, encarando seus olhos verdes.

Wondering if the world would be so beautiful...
Imaginando se o mundo seria tão lindo...
If I had not looked into your eyes.
Se eu não tivesse olhado dentro dos seus olhos.


-- Onde é que você estava? – ele sentiu os olhos dela se anuviarem, quase como se relaxasse quando o viu de volta em casa.

-- Eu quero conversar com você, Lily. – ele passou a mão pelos cabelos dela, que tanto os fascinavam. Em seguida, tirou o chapéu de sua cabeça, rindo e completando: -- E não está mais sol, ruivinha.

Ela sorriu, e eles caminharam até a cama, onde sentaram na borda. Tiago ficou sério e encarou-a nos olhos novamente, brincando com os dedos entre seus cabelos acaju.

-- Lembra de Narcisa?

-- Aquela prima terrível de Sirius?

-- Bem... – ele sorriu enviesado – A segunda terrível, Belatriz está fora dos limites humanos.

-- Lembro delas. O que tem Narcisa? – perguntou, levemente temerosa.

-- Bom, eu estava na casa de verão de Sirius. Da família dele, pra falar bem a verdade. Ele me pediu companhia, e eu aceitei. Você sabe como...

-- Como o que? –- ela estreitou os olhos e arrancou as mãos dele de seus cabelos. -- Como Narcisa o idolatra?

Ele suspirou, rindo levemente. Sua noiva era extremamente nervosa. Mas, não é a toa que as placas de perigo são vermelhas, não é?

-- Nos beijamos.

Ele parou de chofre, provavelmente pensando o que deveria fazer em seguida.

-- Você me faz falta, Lílian Evans. – disse, antes de ela poder falar alguma coisa. – Eu interrompi tudo antes de virar algo mais, sabe por quê? Porque eu a via sendo você. E eu estou te contando isso, quando poderia esconder. E sabe o que eu disse a Narcisa? Que eu amo você. Porque eu amo, e pateticamente. Não dá mais pra viver sem você, Lílian. Não dá. Não foge mais, entendeu? – ele tinha agarrado novamente o rosto dela, segurando-a firmemente e próxima a ele.

E when you touch me I can hardly move,
E quando você me toca eu quase não consigo me mover,
You take my breath away
Você tira meu fôlego.


-- Eu não dou a mínima para o que você fez. Porque sei que não vai acontecer de novo, porque eu não vou mais te largar. – ela sorriu, beijando-o levemente nos lábios enquanto passava as mãos em seu peito largo.

-- E, tem mais uma coisa. Preciso de um favor seu.

Seus olhos verdes amendoados se estreitaram novamente.

-- Sirius me pediu a companhia dele por algum tempo por lá. E você sabe como levo em conta um pedido de Sirius.

-- Ah, você acabou de chegar! Já vai embora?

-- Não. – os olhos dele brilharam por trás dos aros redondos. – Quero que você venha comigo. – completou, sorrindo e beijando seu nariz cheio de sardas.

Nobody ever tell you,
Ninguém jamais te falou que,
You're the best thing that has ever been?
Você é a melhor coisa que já existiu?


-- Você quer o que? – repetiu ela, meio rindo, achando que entendera errado. Mas então viu a expressão de seu noivo. – Tiago, eu não posso ir. Lembra como é a família de Sirius? O que eles mais amam é o sangue-puro. – ela suspirou, lembrando-se levemente de seu amigo de infância, Severo Snape. – E eu sou nascida-trouxa. Eles me matariam! – riu ela.

-- Os Black não sabem que você não veio de família bruxa. Sirius me garantiu que tem tudo sob controle. – disse, rapidamente. -- E eu não vou sem você.

Lílian bufou. Sirius era o melhor amigo dos dois. E era como um irmão para Tiago desde que eram garotinhos, ela sabia o quanto valia para Tiago realizar um pedido de ajuda vindo de Sirius, principalmente levando em conta que ele não era lá homem de se pedir alguma coisa. Ainda mais no que dizia respeito a sua família. Ele nunca falava do assunto, e ninguém nunca soube por quê.

-- Lilly... – Tiago acariciou seu rosto. – Eu confio em Sirius, você não?

-- Certo, eu confio. Mas mesmo assim, ele tem aquelas primas horríveis, e uma delas é louca por você! O que te leva a crer que ela não contaria que tenho o chamado sangue impuro para eles? – encarou-o apreensiva.

Ele ergueu as sobrancelhas.

-- Eu confiaria minha vida a Sirius.

Ela assentiu, compreendendo. Se Sirius dizia estar tudo bem, tudo estava bem. E ela tinha que se garantir. Não acreditava que aceitara aquilo.

-- Tudo bem, vamos. – então acrescentou rapidamente -- Mas quando amanhecer. – ela sorriu, um sorriso maravilhoso, de alma. – Nessas horas que restam da madrugada, você é meu.

Ele riu.

-- Tolamente seu. E não só nessas horas restantes. – ele riu de leve novamente e sussurrou: -- Para todo sempre.

Ela sorriu e beijou-o rapidamente de novo.

-- Alias, devo dizer que você fica imensamente sexy nessa camisa enorme.

Ela riu, revelando o conhecido franzido delicado em seu nariz e deferiu-lhe um leve tapa no braço.

Eles deitaram-se na enorme cama, ele sobre ela, ficou encarando-a fixamente. Tentado a contar as sardas de seu nariz.

-- Como você consegue isso? – sussurrou ela, quebrando o silencio.

-- Isso o que?

Lílian sorriu, as mãos indo e vindo nas costas dele, do quadril aos ombros, entrando nos cabelos negros e despenteados.

-- Você me olha como se não me visse há anos.

-- De fato, faz algumas semanas que não te vejo. – ele franziu as sobrancelhas, num gesto pensativo que a fez rir. – Graças a sua teimosia, Potter. – ela adorava quando ele usava o próprio sobrenome para se referir a ela.

Então, também rindo, ele finalmente beijou-a, sorvendo o gosto do vinho que ela bebia ainda a pouco, e sentindo que era exatamente ali que ele queria estar.

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Ele era um ladrão.

Isso era o que ninguém no mundo sabia. Seu maior segredo.

Ele sempre gostara de jóias, relembrou enquanto apagava o cigarro e continuava a encarar o céu pela janela. Nas festas em que a família dava, ele sempre se pegava admirando os pescoços e orelhas das mulheres, cheios de diamantes, rubis, esmeraldas e safiras. Mais tarde, ia até suas casas e roubava-lhes dos cofres. Discretamente. E nunca ninguém o pegara.

Trocava as jóias por dinheiro, em um fornecedor. Nunca acreditara que aquilo era errado, as pessoas de quem roubava eram mesquinhas e nadavam em dinheiro. Vez ou outra ainda doava parte do dinheiro para bruxos órfãos de instituições. Recortou-se na beirada na janela, sorrindo. Sempre tivera jeito de ladrão, passos silenciosos, altivez, percepção aguçada.

Sirius levou o copo aos lábios e sorveu um gole da bebida, pensando que talvez fosse por isso que apreciasse Belatriz. Cobiçava os diamantes pelo fogo interior, rubis pela chama arrogante, safiras pelo brilho de calor frio. Em Bela, encontrava todas as qualidades que frequentemente só descobria em pedras preciosas que roubava daqueles que lhe roubaram por tantos anos, a liberdade.

Suspirou, chegando a conclusão ao encarar o relógio de pulso, de que Tiago deveria ter-se perdido em meio a Lílian. Voltariam apenas de manhã, pensou ele, não conseguindo evitar um sorriso malicioso.

É, Sirius Black. Tem alguém se dando bem melhor do que você nesse exato momento., pensou. Soltando o ar com força dos pulmões.

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Belatriz acordou com uma vozinha chamando-a de cima, pertíssimo de seu nariz. Ela sentiu que o hálito era doce feito bala.

-- Mamãe, acorde! Já são onze horas, e veja o que tia Narcisa me deu.

A primeira reação dela foi uma careta de desgosto, para então virar-se e cobrir a cabeça com o travesseiro. Rezando para apenas mais alguns minutos de sono.

Reza essa que foi interrompida pelo colchão balançando violentamente, o que indicava que Lucca pulava sobre ele.

-- Pelo amor de Merlin, Belatriz. Faça alguma coisa com esse menino. – resmungou Rodolfo, com a voz áspera, do outro lado esquerdo da cama.

Ela suspirou e sentou-se na cama, erguendo o filho nos braços e rumando para o banheiro do quarto.

-- Olá, meu amor. – Bela sorriu para o garotinho entretido em um algodão-doce cor-de-rosa. – Cissy está te enchendo de porcarias?

Ele riu enquanto ela colocou-o sentado sobre a privada, e passou a observar a mãe com olhos atentos enquanto ela arrumava-se junto ao espelho.

-- Não brigue com ela. – pediu ele, apreensivo. – Ela é boazinha.

-- Oh, não. – os olhos da mãe brilharam enquanto encontraram os dele pelo espelho. – Ela não é tão inofensiva quanto parece.

Para um garotinho de quatro anos aquelas palavras não foram compreendidas, mas foram arquivadas em sua mente.

Belatriz optou por uma saia muito justa até os joelhos que lhe modelava as pernas, e uma camisa vermelha. Um cinto grosso e negro apertava e destacava a cintura fina. Colocou um chapéu estilo francês na cabeça, tão vermelho quando a camisa.

Lucca observava tudo atentamente e concluiu que a mãe estava maravilhosa.

-- Mãe, quem são aqueles homens que estavam aqui ontem?

Ela, terminando de se arrumar, virou-se para ele e sobre os saltos altíssimos, foi até o menino, ainda sentado na privada e balançando as pernas.

-- Por que a curiosidade? – ela abaixou-se, ficando no mesmo nível dos olhos dele.

-- Porque vocês pareciam se conhecer bastante. –- ele pareceu desconfortável ao pronunciar aquelas palavras. – Papai não gostou de ver você com aqueles homens.

Ela silenciou por um momento, passando os dedos finos entre os fios de cabelo do filho, enquanto observava atentamente seu rostinho.

Lucca tinha cabelos escuros e lisos, olhos ainda mais escuros e um rosto que prometia ser perigoso e elegante assim que acabasse a infância. No momento, estava terrivelmente grudento de açúcar cor-de-rosa.

-- Não ligue para seu pai, vez ou outra ele não diz coisas com coerência. Um daqueles homens foi meu primo, o outro é amigo dele.

-- Ele não é mais seu primo? – seus olhos arregalaram-se, surpresos.

-- É complicado, querido. Digamos que ele fez coisas ruins, e a família não o quis mais por perto.

Ela sorriu enquanto ele silenciou, assentindo com a cabeça e parecendo pensar profundamente. Ela chegara à porta do banheiro quando a voz pequenina dele falou novamente:

-- Gostei dele.
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-- E o que é que ela está fazendo aqui?! Essa família perdeu todo o juízo?! – Bela apontou com a cabeça para o canto do salão. Canto esse, em que Lílian Evans ajudava Sirius e Tiago a ergueu enfeites de cristal até a janela, para o grande baile que haveria ali aquela noite.

Narcisa jogou os cabelos platinados para o alto, afastando-os do rosto que refulgia de raiva, enquanto colocava fitas nas velas.

-- Não é uma infâmia?

-- O que? Ora, é muito mais que isso!

Belatriz estava estupefata. Soltou o ar com força, arrumou o chapéu e pressionou os lábios.

-- Vou até lá, e você vai contar a vovó imediatamente.

-- Não vou. – Narcisa prendeu mais uma fita em uma vela e a fez flutuar até uma mesa cheia delas.

-- Como assim, não vai? Cissa...querida. Eu não estou pedindo, eu estou mandando.

Quando Narcisa ergueu os olhos, o olhar da irmã era frio. E ela ainda era muito boa em dar ordens. Mas a loira aprendera a ser dura na queda.

-- Pode mandar o quanto quiser, eu é que não vou contar que a cenoura é sangue-sujo.

-- E por que isso? – ela estreitou os olhos azuis-escuros, tentando extrai tudo possível da mente da irmã mais nova. – Oh. – exclamou quando percebeu. – Por causa dele, não é? Potter. – a voz dela foi extremamente conspirativa quando ela sussurrou o nome.

-- Por que diz essa besteira? – Narcisa foi rápida no rebate, mas não o suficiente para Belatriz Lestrange.

O salão enorme e brilhante estava vazio, apenas mesas em todos os cantos e entulhos pertinentes a uma grande arrumação. Bailes grandes eram comuns vindo dos Black. E vovó adorava bancar a anfitriã para as melhores famílias bruxas da Grã-bretanha. O teto era tão alto que mal era avistado, mas pendurado a ele, ficava um enorme lustre de cristais, que cintilavam a luz do sol de tarde que entrava pelas janelas compridas.

-- Porque você deve ter se oferecido ontem à noite, e ele deve tê-la recusado em prol de sua namoradinha. Foi buscá-la, e como você está totalmente apaixonada por ele. -- ela observou a expressão de derrota surgir e desaparecer muito rápido no rosto da loira. – Não quer prejudicá-lo.

Narcisa ficou em silencio, não ousando encarar Bela nos olhos. Concentrou-se nas velas, como se fossem a coisa mais interessante do mundo.

-- Oh, Cissy. Que tola. – Belatriz suspirou, encarando os três estranhos ao salão. – Bem... – quando o sorriso de gata apareceu no rosto da morena, Narcisa sentiu o sangue gelar. – Acho que pode ser divertido.

-- Em que está pensando, Bela? Por favor, não faça nada!

-- Não irei, irmãzinha. – tranqüilizou ela. – Vamos apenas nos divertir por enquanto, ver como Lílian Evans age em meio a bruxos de verdade. – completou ela, observando a ruiva rir com os cabelos feito labaredas sendo acariciados carinhosamente pelas mãos masculinas de Sirius Black.

-- Minhas queridas, menos conversa e mais trabalho se quisermos terminar isso antes da noite chegar. – a voz fina, trazia consigo um delicado sotaque francês. Aquele timbre era conhecido pelas mulheres, o que fê-las sorrir.

-- Oi, mamãe. Nem sabia que já tinha chegado! – exclamou Belatriz, com obvio prazer em sua voz.

Ela aproximou-se da mulher recém chegada, que carregava uma bandeja com tanto equilíbrio sobre seus saltos finíssimos que as taças do mais fino cristal sobre elas nem ao menos oscilavam.

Druella Rosier retribuiu o beijo, com vontade de abraçar a filha mais velha. Sorriu, revelando dentes homogêneos e tão brancos quanto os das filhas. Era uma mulher magra e alta, elegante. Os olhos verdes tinham um tom frio e cortante, embora fossem levemente opacos e desfocados. Olhos de quem teve uma vida difícil.

Os cabelos muito loiros, embora não tão brancos quanto o da filha caçula, estavam presos em um elegante coque no alto da cabeça. O rosto pálido e charmoso estava a mostra, revelando nas orelhas, brincos compridos do melhor diamante e lábios finos, mas bem desenhados. Ninguém que visse aquela mulher poderia dizer que era avó.

Após beijar Belatriz, beijou Narcisa. Suspirou, certa de que aquelas duas foram as melhores coisas em sua vida. E a única coisa boa que o casamento com Cygnus Black lhe trouxera.

-- Cheguei há pouco. – com uma das mãos, ela arrumou os fios que escapavam do copo. – Naturalmente Irma e Walburga já me colocaram para trabalhar.

Belatriz pressionou os lábios, não gostando nada da maneira com que as duas exploraram sua mãe. Ela sempre fora fria, mas não com pessoas próximas como sua mãe. Amava-a mais que tudo no mundo, exceto agora, Lucca. Druella nunca lhe contara muito do casamento com seu pai, mas sabia da tendência que os Black tinham de explorar e maltratar suas mulheres, acreditando que eram sua propriedade.

-- Quem são aqueles? – os olhos de Druella já focalizaram um homem e a mulher pequena e graciosa que ria junto a ele, de um jeito incomum aquela casa.

-- Amigos de Sirius Anthony Black. – comentou Narcisa. – Acredite se quiser.

-- O que o rapaz faz aqui?! Walburga não deve ter gostado nada disso.

-- Realmente não gostou. – Belatriz quase sorriu a lembrança que evocou a sua mente. – Fez um bom escândalo hoje de manha, quando não estava bêbada o suficiente para a presença dele passar despercebida.

Druella balançou a cabeça, como se indignada.

-- E quem seria esse amigo?De suéter branco?

-- Tiago Potter. Lembra-se dele? Passou alguns dias no Largo alguns anos atrás.

O comentário de Bela fez com que ela se lembrasse dele. O garoto magricela que costumava fazer seu sobrinho rir, como ninguém nunca conseguira.

-- Está mudado. – exclamou, admirada.

As duas mulheres assentiram.

-- A cenoura é Lílian, noiva de Potter. – a voz de Narcisa esganiçou-se levemente ao pronunciar a palavra noiva. O que não passou despercebido por sua mãe, que estreitou os olhos.

-- E isso a incomoda, Cissy?

-- Não. – limitou-se a loira, pegando mais uma vela. – Mamãe, acho melhor levar essas taças pra onde estiver indo que eu e Bela temos que acabar aqui antes da chegada dos convidados.

-- Ah, claro. – Druella pareceu lembrar-se da bandeja em suas mãos.

Mas antes que pudesse fazer qualquer movimento, ouviu pequenos passinhos e uma vozinha gritando:

-- Vovó!

Ela sorriu e largou a bandeja com Belatriz enquanto abaixava-se e abria os braços para o neto.

-- Lu, morri de saudades suas! – sussurrou ela baixinho em seu ouvido, porque era uma afronta a frieza dos Black demonstrar afeição aquela maneira.

Sorveu o cheirinho gostoso de sol da pele do menino e depois se ergueu, pegando novamente a bandeja e desaparecendo a passos largos.

-- Onde tem estado, Luc? – questionou Bela, retomando o trabalho com as fitas prateadas.

-- Nos jardins. – ele sorriu. – Mãe, vou lá. Ele está me esperando.

Quando as palavras dele chegaram a seu cérebro, o garoto já corria em direção a porta. Os tênis fazendo um barulho delicado no assoalho.

-- Ele quem, filho? – gritou ela, curiosa.

-- Sirius. – gritou o menino de volta.

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Sirius Black sentia o sol da tarde esquentar sua pele, provocando cocequinhas divertidas nos locais em que alcançava. Ele havia dobrado a camisa branca até os cotovelos e aberto alguns botões na frente, devido ao calor. Fechando os olhos, virou o rosto em direção ao sol, esperando Lucca voltar do salão.

O menino era uma doçura só. Ele gostou de ver a forma com que ele mexia na terra, perguntando a Sirius toda vez que achava um bicho desconhecido. Era curioso e tinha um riso de criança que encheu os ouvidos dele.

Nada tinha a ver com o pai, nem com a mãe, pensou ele. Era alegre e cheirava a bala. Ele suspirou triste, ao pensar que daqui a alguns anos o garoto seria modelado para ser um Black. Frio, calculista, egoísta, mesquinho, arrogante. Sirius percebeu, tristemente, que em poucos anos o cheiro de bala desapareceria. Assim como os dentinhos de leite e a liberdade.

-- Sirius! – ele virou a cabeça ao chamado, e sorriu para o garoto, assim que o viu correndo disparado em sua direção.

Os cabelos negros estavam grudados na testinha suada, a pequena camisa fora para fora da calça e um dos tênis estava desamarrado. Lucca se jogou nos braços do homem, sem temer a queda.

Sirius segurou-o e rodou-o nos braços, fazendo-o rir.

-- Aonde vamos agora? Quero ver a estufa! – pediu ele, os olhos negros brilhando para Sirius.

Era impossível dizer não para aqueles olhinhos.

-- Certo, mas antes me deixe amarrar esse cadarço antes que você caia e quebre esse lindo narizinho.

-- Não é para isso que existe a magia? – rebateu ele, enquanto Sirius agachava-se e amarrava manualmente o cadarço.

Sirius riu, o garoto era espirituoso. E muito mais inteligente do que uma criança de sua idade deveria ser.

-- Deve ser, nunca entendi bem isso. – comentou o homem, dando a mão para a mãozinha que lhe era estendida. – Vamos as estufas ver algumas daquelas flores horríveis e espinhentas que sua família tanto adora, e depois vou devolve-lo a sua mãe. Ela não vai gostar nem um pouquinho de vê-lo todo melequento de suor.

-- Mamãe adora aquelas flores. Diz que lembra papai.

Sirius riu não pela piada de Belatriz, mas pela ingenuidade que aquilo lhe foi contado. Ele assustou-se com a rapidez que se apegara aquele nanico ao seu lado.

-- E você, o que acha? – questionou enquanto rumavam para a enorme estufa cristalina.

-- Das flores?

-- De seu pai.

Lucca franziu as sobrancelhas, pensativo. Aquela era uma pergunta difícil de responder.

-- Não sei. – ele deu de ombros. – Ele não é de todo mal. Mas não parece gostar muito de mim.

Sirius sentiu um aperto no coração pelo pequeno. Era tão fácil cativar-se por ele! Uma raiva fria por Lestrange percorreu sua coluna, era absurdo que aquele garoto não crescesse com o amor de um homem.

Surpreendendo-se a si mesmo, porque nunca tinha mentido para ninguém a fim de deixar a pessoa sentindo-se melhor, Sirius viu-se falando:

-- Tenho certeza de que não é verdade. Ele deve ser louco por você. – mentiu ele, sentindo a mãozinha tensa do menino se anuviar diante daquela certeza. Em seguida, Sirius acrescentou uma verdade: -- Não tem como não ser louco por você.

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Nota da Autora:

Eu amo esse capitulo. Simplesmente estou amando escrever sobre o delicia do Lucca e como é sua infância num mundo em que a afeição publica é praticamente proibida. Aproveitem, é um dos melhores capítulos, mas é apenas o começo de uma relação Lucca/Sirius que vai deixar nossa Bela enlouquecida.

Alias, desculpe a demora delo capitulo. A falta de tempo me mata. ._.

Mas saibam que amo os comentários, e continuem com eles!

Até o próximo!

Stay beautiful!

P.

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