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1. Capítulo Único


Fic: Part Of My Past


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/A: Esse vídeo aí não é meu. Só coloquei aqui porque foi ele que me fez escrever a fic, e vocês podem ouvir a música e tal. ;D






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O fogo da lareira era o suficiente para aquecer o pequeno chalé naquela noite de outono. A chuva açoitava a janela e trazia um aroma de flores do campo para dentro da casa. O que era estranho, pois o cheiro se misturava com resina de madeira – o aroma natural do lugar – e café. Estranho e agradável.

As chamas que crepitavam confortavelmente também eram a única fonte de luz no chalé. Era com a ajuda daquele fogo que Ron relia o que acabara de escrever no pergaminho em suas mãos.

Com dedos trêmulos, enrolou a carta, mesmo que a tinta ainda não estivesse seca por completo. Suspirando decididamente, levantou-se e arriscou um olhar para a porta entreaberta do quarto que dividia com sua amada. Sentiu-se hesitar, mas caminhou firmemente até a porta, esticou a mão e empurrou-a de leve.

Ali estava ela, dormindo graciosamente. Para Ron, ela era perfeita e ele deixou seus olhos viajarem por cada traço, cada curva da mulher. Hermione estava deitada entre lençóis e cobertores espalhados, respirando lentamente, dormindo tranqüila, mesmo com o temporal que fazia lá fora.

Ron aproximou-se e a admirou. Seus olhos procuraram por cada pedaço de pele à mostra. Cada pedaço de pele macia, que ele já havia tocado, sentido e amado. Ajoelhou-se ao lado da cama e colocou seu rosto no mesmo nível que o dela sobre o travesseiro. Estudou cada centímetro de sua face branca e rosada. Deixou seu olhar se hipnotizar por aquela boca, por aqueles lábios fortes e macios. Admirou seus olhos, mesmo que fechados. Acompanhou a curva dos cílios e fechou suas próprias pálpebras, lembrando-se demoradamente daquele olhar castanho e doce.

Doce, como era seu cabelo, com cor e aroma de chocolate. Abrindo os olhos, Ron admirou os cachos espalhados sobre todo o travesseiro, sentindo uma dor no peito ao se lembrar dos momentos em que seus dedos passeavam na nuca dela e se enrolavam naqueles fios.

Rapidamente se levantou, balançando a cabeça, tentando afastar lembranças e sentimentos. O que ele ia fazer tinha que ser feito. Relanceando Hermione mais uma vez, colocou o pergaminho sobre a mesa de cabeceira, juntamente com um anel dourado que tirara da mão direita. Sentiu seus olhos arderem e respirou lentamente tentando ignorar qualquer tipo de emoção.

Inclinou-se para que seus lábios tocassem uma última vez aquela mulher, mas antes que pudesse beija-la virou as costas e saiu do quarto, sabendo que era melhor assim.

Pegou a varinha que deixara sobre a mesa, colocou-a no bolso e abriu a porta do chalé. Poderia aparatar, mas sabia que não tinha rumo e não queria pensar nisso naquele instante. Uma boa chuva talvez lavasse sua alma, levando com suas águas todo e qualquer sentimento que o estava inundando no momento.

Saiu da casa e fortes e grossos pingos d’água bateram em seu rosto dolorosamente. Ron abaixou a cabeça e fitou o chão lamacento, andando sem olhar pra trás, seguindo firme e rezando para que a chuva levasse o sentimento que ele mais temia que o tomasse: o remorso.


Make this ride as fast as I can
Tonight this road home feels a little longer



Ele sabia que o que estava fazendo era o certo. Talvez não tão justo para com seus sentimentos, mas era em Hermione que ele pensava. Seria justo com ela e faria de tudo para que ela fosse feliz, mesmo que para isso ele sacrificasse sua própria felicidade.

Ron e Hermione moravam naquele chalé há cerca de três meses. A pequena casa abrigava-se aos pés de uma montanha nas redondezas de Hogsmeade. Era um pouco isolada, um tanto longe do povoado, e para chegar nela por meios não-bruxos, uma longa estrada se fazia presente. Estrada pela qual Ron caminhava, ora firme, ora vacilando, mas sempre decidido.

A tempestade caía impiedosamente sobre as costas do ruivo. Eram gotas fortes, pedrinhas de gelo e folhas secas do outono, que se misturavam num vendaval, por onde Ron passava indiferente.

Completamente encharcado, o rapaz distanciava-se da casa até ela se perder de vista, enquanto era castigado pela chuva e por seus pensamentos. Tentando ignorar o frio que se impregnara em todo seu corpo, ele concentrou-se na atitude que a pouco tomara, convencendo-se a si próprio de que não se arrependeria.

Ron e Hermione eram noivos há tanto tempo quanto moravam no chalé. Há três meses, o rapaz lhe dera uma aliança fazendo Hermione sorrir e chorar de alegria. Foram três meses de cumplicidade e amor, risos e abraços, três meses em que Ron se sentiu completo e realizado. Ele amava tanto Hermione que por vezes tinha certeza que amava mais ela do que si mesmo. Foi em alguma época entre esses três meses que uma pontinha de dúvida brotou no rapaz, fazendo-o repensar suas atitudes e enxergar sua vida com outros olhos.

Quem era ele afinal? Que direito ele tinha de tomar Hermione só para si? Logo Hermione, a criatura mais perfeita que jamais pisou na Terra. Ron amava cada traço, cada gesto, cada sorriso daquela mulher. Perfeito era o modo como os cachos de Hermione caíam sobre seus ombros, o modo como ela o beijava todas as manhãs quando acordavam lado a lado. Perfeito era o jeito que suas sobrancelhas iam para o meio da testa quando ficava irritada e o jeito que seus olhos brilhavam quando ficava feliz. Perfeito era o tom de voz que ela usava para dizer “te amo”. Perfeito era seu corpo nu estendido na cama, pedindo, desejando que Ron o amasse.

Como ele poderia tê-la só para si? Hermione merecia alguém muito melhor e ele não iria privá-la disso. Um ato egoísta foi pedi-la com casamento. Um ato egoísta foi morar com ela fazendo-a feliz, enganando-a, fazendo-a acreditar que com ele, ela era completa.

Hermione merecia outro alguém. Não Ronald Weasley. Ele não era bom o bastante para ela. Foi por isso que decidiu desfazer o que havia feito e o único modo que encontrou foi deixando-a para trás. Deixou Hermione e seu coração, que onde quer que estivesse – no fundo ele sabia que ainda estava com sua amada – doía e sofria de culpa, de amor e insegurança.

Ron continuava a andar, não tão rápida e bruscamente como antes, mas ainda assim firme, com a chuva batendo-lhe forte, desejando que Hermione não sofresse como ele sofria e que o entendesse e fosse feliz. Feliz como ele sabia que jamais iria ser.


I hope you know that you were my best friend
Tonight I said goodbye, but I should have said more
Thanks for the best time of my life



A chuva estava mais forte que nunca. Ron, mesmo contra seus esforços, tremia de frio. Gotas geladas escorriam por sua nuca e desciam suas costas, por dentro de sua camisa encharcada, grudada no corpo. Sua respiração irregular fazia seu peito arfar descompassado, enquanto seu cabelo molhado atrapalhava-lhe a vista, escorrendo pela testa.

O ruivo começou a fraquejar sob a tempestade e depois de uma longa caminhada, andava mais devagar, tomado pelo cansaço e pela confusão de suas emoções. Foi com o tempo e a exaustão que ele começou a pensar em Hermione, com uma dor de saudades, e o arrependimento lhe tomou os olhos, transbordando em forma de lágrimas. Lágrimas salgadas que atravessavam-lhe a face, misturando-se com a chuva e caindo sobre seus lábios entreabertos. Soluços foram abafados por trovoadas enquanto Ron lembrava-se de cada bom momento vivido no chalé. Lembrava-se de como Hermione o amava.

O sorriso da garota tomou conta da mente de Ron, e ele mais nada enxergava a não ser aqueles lábios estendidos e aqueles olhos quase fechados. A lembrança de quando ele a pediu em casamento lhe veio à tona, não restando dúvidas quando a felicidade de Hermione, quando ela atirou seus braços ao pescoço de Ron dizendo um belo “sim”, chorando de alegria e beijando-o ardorosamente. Ron lembrava-se bem de quando passaram a viver no chalé e no quão bela estava sua noiva na primeira noite na casa deles.

Lembranças de outras noites chuvosas apareceram sem permissão, fazendo Ron lembrar-se de como Hermione gostava de ser aquecida por seus braços. Recordara-se também das belas tardes que passavam juntos no campo, estendidos na grama, fazendo juras de amor como adolescentes de quinze anos. As palavras de Hermione, assopradas pelo vento, entraram num sussurro da noite pelos ouvidos de Ron, dizendo que ela o amava e que ficaria ao seu lado por todo o sempre.

Sem perceber, ele havia parado. Estava sozinho, no meio da estrada, no meio da noite, no meio da chuva, no meio do nada. Sozinho e sentindo-se culpado. Que diabos estava fazendo? Hermione o amava e isso era o suficiente para fazê-la feliz. O sentimento que havia entre eles era maior que qualquer diferença e capaz de qualquer coisa. Ele não iria e nem queria mudar aquilo. Por que fora tão estúpido? Hermione não precisava de ninguém melhor que ele. Ela precisava dele, só dele, apenas dele.

Mais um raio caiu pela negritude do céu. O que ele ainda estava fazendo ali?


Come home, now that you’re gone,
I’ve finally realized that you were the best
Come home, I won’t forget the times that we had
I’m whishing that you weren’t a part of my past



Ron corria como nunca correra antes. Corria sem se importar com a chuva, com o frio, com o cansaço. Corria com a visão embaçada pelas lágrimas de arrependimento. Corria de volta pra casa, de onde nunca devia ter saído, na esperança de que Hermione não tivesse acordado nem visto a carta.

Cada célula de seu corpo gritava por isso. Desejava que Hermione ainda estivesse dormindo em seu sono tranqüilo. Tudo o que Ron queria era chegar em casa, colocar a aliança no dedo, jogar a carta na lareira e abraçar sua noiva para nunca mais soltar. Nunca mais sairia de perto de Hermione. Nunca.

A chuva agora batia de frente, com mais força e intensidade que antes. Ron sentia seu rosto gelado arder e amaldiçoava a tempestade que o impedia de chegar mais depressa. O ar frio da noite entrava por sua boca entreaberta e rasgava seus pulmões a facadas, enquanto o cansaço vencia o rapaz fazendo uma dor aguda despontar sob suas costelas.

Mas ele corria. Continuava independentemente de dor, cansaço ou tempestade. Corria desesperadamente, alimentado pelo remorso e pela culpa. Em sua ânsia em voltar para casa, esquecera-se de magia, que era bruxo e capaz de aparatar. Simplesmente seguia em frente, frustrado por não ter noção do quanto havia se distanciado e de quão longe o chalé estava.

Ele amava Hermione. Ele a amava mais do que qualquer coisa e agora ele via que a idéia de deixá-la para trás era completamente inviável e sem sentido. Como ele pôde fazer uma coisa dessas? Sair na calada da noite, deixando uma carta apenas?

Não. Ele tinha que impedir aquilo. Ele tinha que voltar antes que fosse tarde demais. Ele poderia ter estragado tudo. Ela era a Hermione, eles eram um casal, tinham passado por tanta coisa, se amavam por tanto tempo, demoraram tanto para se acertarem...

Ron corria mesmo que todos os seus músculos protestassem. Era movido apenas pelo coração que tinha o único objetivo de chegar no chalé. Nada o impediria. Nem a chuva, nem a dor, nem o cansaço.

Ao menos sua própria mente.

Ele diminuiu o ritmo e aos poucos foi parando, ainda respirando depressa, deixando a chuva bater forte sem se importar. Parou por completo, sem ver nada à frente, além de estrada, campos e trovoadas. A visão foi novamente embaçada por grossas lágrimas que escaparam perdidas numa confusão de escolhas, pensamentos e sentimentos.

Por que ele estava fazendo aquilo? Ele já havia tomado uma decisão e agora a seguiria e não era um momento de fraqueza que o faria desistir. Ele amava Hermione, essa era a única certeza que tinha na vida. Ele a amava incontestavelmente. Mas não podia voltar. Se ele saiu, agora iria até o fim, seja ele qual fosse.

Ron deu meia volta, com todas as forças esgotadas e andou devagar, respirando com dificuldade, lutando contra si mesmo, segurando as lágrimas e deixando Hermione para trás, como a poucos momentos jurara que nunca faria.

Andou sem confiança, com o coração apertado e a garganta sufocada. Sentiu gota por gota castigar suas costas. Cambaleava, andava trôpego, cheio de incertezas e com medo de suas próprias decisões. Sentia-se preso, mesmo que andando livremente na calada da noite. Sentia-se sufocado, mesmo que o ar batesse forte em seu rosto.

Ron deixou as lágrimas caírem e uma a uma rolou por seu rosto contorcido, dolorido, sofrido. Ele deixou toda a frustração, medo e vergonha se esvaírem por seus olhos e por seus soluços. Queria Hermione, amava Hermione. Mas não voltaria.

O rapaz parou, mais uma vez. Andava tão desanimado que entre andar e parar mal havia diferença. Encarou os próprios pés enlameados sentindo a chuva bater na nuca e deixando as lágrimas caírem direto na terra. Seus ombros murcharam e com mais um aperto no coração ele virou a cabeça e encarou a estrada às suas costas.

Virando-se para a direção onde o chalé ficava, Ron perdeu-se em sentimentos, lembranças e indecisões, por fim desabando no chão, chorando e sentindo-se fraco física e emocionalmente.

Ele gritou com as poucas forças que lhe restavam, tentando livrar-se de tudo aquilo, tentando acabar com tudo que o angustiava. O grito soou forte e perdeu-se na noite, levado pelo vento e engolido pela escuridão.


Emptiness swallows this town
From now I will be alone for good
Will you remember my name?
I hope that I will hear from you soon



Dor. Era dor que o possuía. Sentia seu peito contorcer-se, seu coração lutar contra aquilo, mas era inútil. Dor o tomava por completo e por mais que seu coração se esquivasse, fugisse agonizado, a dor vencia e o coração, derrotado, acabava bombeando sofrimento e desespero para cada célula, irrigando cada fibra de esperança e sanidade com dor. Apenas dor.

Ron abraçou seus joelhos e ficou sentado, vencido pela chuva. Sua boca pressionava um dos braços, numa inútil tentativa de abafar os soluços, os lamentos, os gemidos de desespero. Por debaixo de seus olhos fechados, lágrimas desciam por seu rosto. Ele apertava os dedos contra as palmas de suas mãos, tentando conter as emoções que lutavam para sair.

O frio se espalhava pela noite, atingindo-o sem piedade, fazendo cada músculo de seu corpo arrepiar e tremer. Ele estava esgotado, fraco. Seu corpo e sua mente trabalhavam juntos para puni-lo, para fazer ele ganhar tudo o que merecia por ter tomado aquela decisão estúpida, para castiga-lo por ter deixado Hermione. Mais uma onda de remorso varreu seu corpo, descendo por suas costas e fazendo-o se encolher, covarde perante si mesmo.

Era isso que ele era: Um covarde. Não voltaria para casa. Hermione poderia ter acordado e visto a carta com a aliança. Ron nunca seria perdoado, e mesmo se fosse, não suportaria ver o olhar de decepção de sua noiva toda vez que lembrasse que um dia ele havia a deixado. Ron não seria capaz de olhar nos olhos de Hermione e ver tristeza quando ela o mirasse. Ela nunca mais confiaria nele. Nada seria como era antes. Por outro lado, mesmo que ela ainda estivesse dormindo, mesmo que ela nunca visse a carta, Ron saberia de sua covarde tentativa de deixá-la. Mesmo que Hermione nunca soubesse sobre aquela noite, Ron saberia e sua consciência iria doer toda vez que Hermione sorrisse para ele. Ele se acharia indigno de seu amor, sabendo que um dia a deixara. Ou pelo menos tentou deixá-la não tendo coragem o suficiente.

Ele estava num beco escuro, num lugar sem saída, preso. Daria tudo para estar com Hermione, mas sua culpa o atormentava, dizendo que isso nunca mais aconteceria.

Ron deixou que todas as lágrimas de dor, arrependimento, paixão e vergonha fossem embora, caindo de seus olhos até que não restasse mais nenhuma. Passou segundos, horas, semanas sentado sob a chuva. O tempo não tinha importância. Passava sem ser percebido, sem fazer diferença. Nada mais importava. Aos poucos foi tomando consciência de cada célula de seu corpo. Sentiu os pés molhados, frios, cansados. As pernas sem força, o peito arfante, os ombros caídos. A nuca gelada, o cabelo encharcado, os olhos inchados. As mãos trêmulas, os lábios comprimidos, o coração pesado. Sentiu cada batida de seu coração, cada pulsar de sangue nas veias. Sua respiração voltara a ficar calma. Os primeiros raios de sol bateram em suas costas, fazendo-o perceber que a noite ia embora. Logo, foi tomando consciência que a chuva aos poucos se acalmava, não acabando de vez, mas apenas diminuindo o ritmo. Ron aspirou o cheiro de terra molhada, de flores do campo e aos poucos inclinou sua cabeça para o céu, deixando a chuva brincar em sua face e apreciando a coloração alaranjada que lentamente as nuvens tomavam. Soltou o ar devagar por seus lábios. Ouviu um pássaro ao longe.

Ele deixou que seus pensamentos e emoções fluíssem, saíssem dele, como se estivessem se evaporando pelo tímido sol que surgia ao longe. Deixou qualquer tipo de sentimento se esvair, ficando apenas com a tranqüilidade. Clareou sua mente, deixou-se respirar. Sentiu a chuva passar por sua nuca e ombros. Levantou-se, de olhos fechados em direção ao sol, deixando que seus raios o aquecessem. Talvez tudo não estivesse perdido. Talvez as coisas não estivessem tão ruins assim.

E não estavam.

-RON!

Um arrepio percorreu as suas costas, fazendo-o estremecer e respirar apressadamente. Abriu os olhos, com o coração na mão e olhou ao redor, temendo que estivesse ouvindo coisas. Talvez estivesse maluco, talvez estivesse sonhando. Ou talvez, aquilo fosse real.

Não sabendo se seria bom ou ruim, o rapaz andou apressadamente em direção a sua casa. Sentia-se tonto com a velocidade de sua respiração, ao mesmo tempo que se sentia eufórico, esperançoso, enquanto seu coração batia rapidamente em algum lugar, talvez próximo a sua garganta.

Ele sentiu as mãos suadas e as pernas tremerem no momento em que ouviu mais um grito. Aquilo era real, ele não tinha dúvidas. Começou a correr, enquanto todas as suas emoções o atingiam novamente, fazendo seu rosto contorcer-se na indecisão entre rir e chorar.

O sol subia cada vez mais no horizonte, quando ele ouviu o terceiro grito. Seu coração queria sair pela boca, ou explodir de vez, ele não sabia. Com a respiração descompassada, parou de repente, ao avistar um pequeno ponto frágil e molhado a dezenas de metros de distancia.

Ron não conseguia ver, mas pôde sentir, de algum modo inexplicável, um sorriso aparecer nos lábios de Hermione. Ele próprio sorriu, não sabendo o que o esperava dali para frente, mas tendo a certeza de que o que ele mais queria era poder sentir Hermione mais uma vez. Ouviu, mesmo naquela distancia, seu nome escapar dos lábios dela, numa voz embargada, enquanto sorriso e lágrimas disputavam um lugar na face de sua amada.

Correram de encontro um ao outro, ansiando e temendo o momento onde seus corpos se encontrariam.

“Hermione”, Ron sussurrou quando ela se atirou em seus braços, chorando, gemendo, abraçando-o com determinação e amor. Ele deixou suas mãos percorrerem toda a extensão das costas dela, enlaçando sua cintura, para depois subirem novamente e afundarem em seus cachos molhados. Ele a apertou contra seu corpo, assim como ela fez, ficando inteiramente colados sob a chuva, se tocando e se sentindo. A emoção tomou conta de Ron, se libertando por um gemido que o ruivo tentou sufocar. Esqueceu-se de tudo e simplesmente apertou Hermione contra si, não cogitando possibilidades de soltá-la. Abraçou sua noiva, a amando e deixando o turbilhão de sentimentos que o sufocava saírem aos poucos, tomando consciência do ambiente ao seu redor.

Hermione o apertava decidida, chorando silenciosamente. Ron notou a carta que escrevera horas atrás caída aos seus pés, ilegível, molhada pela chuva. Contra suas vontades, desaproximou-se de Hermione e segurou seu rosto entre suas mãos, fazendo ela o encarar.

Ron viajou dentro de seus olhos, tentando decifrar o que se passava na mente e no coração de sua mulher. Um misto de felicidade e apreensão, insegurança e indecisão, amor e medo transbordava do olhar dela. Ela o encarava decidida para no segundo seguinte, desabar em lágrimas.

-R-Ron, e-eu... me diz... diz que não... que não é... verd-dade... – Sua voz estava embargada pelo choro, ela mal conseguia pronunciar as palavras, sentindo-se fraca por deixar que a emoção a tomasse daquele jeito. Mas era Ron. Com Ron sempre era assim; ela não conseguia ter controle sobre si mesma, sobre suas emoções. – E-eu senti su-sua falta e... acordei e vi... aquela carta. Aquela carta... E-eu... não sabia... n-não... Eu... E-eu....

Ron a abraçou, não suportando ver Hermione sofrendo, tentando se explicar em desespero. Ela afundou a cabeça em seu peito, enquanto tentava se acalmar. Lágrimas desceram pelo rosto de Ron quando mais uma vez ele a olhou nos olhos.

-Hermione... – Sua voz saiu tão embargada quanto a dela. Ele queria se desculpar, ficar de joelhos e lhe implorar perdão. Ele queria prometer, jurar que nunca a deixaria. Ele queria se explicar mesmo sabendo que não havia explicação. Ele queria ela, apenas isso. – Hermione, eu... – Ron percebeu que não precisava daquilo. Não precisava pedir perdão. Hermione havia o perdoado, não com palavras, mas com o coração. De algum modo que ele não conseguia explicar, ele sabia que Hermione o perdoara e que ela sabia o quanto isso significava. No meio do caminho, as palavras de Ron mudaram. – Eu te amo.

-Eu sei – Respondeu ela num sussurro fraco, estendendo suas mãos ao seu pescoço.

Seus lábios se encontraram lentamente. Hermione beijou o canto da boca de Ron. Ele a apertou mais contra seu corpo, abraçando sua cintura. Hermione beijou o outro canto, sentindo a respiração de Ron bater prazerosamente contra a sua. O ruivo subiu as mãos pelas costas de Hermione, tocando sua pele molhada, sentindo o sol sobre seus corpos, assim como sentia a chuva. Ele beijou Hermione docemente, sentindo a chuva entre suas bocas, segurando seus cachos, pressionando seus lábios contra os dela. Ela o beijou novamente, envolvendo com suas mãos seu pescoço, para depois mordiscar seus lábios e beijar seu rosto, descendo aos poucos pelo pescoço, até chegar em seus ombros, onde repousou a face, o abraçando em silêncio, sentindo ele beijar a região embaixo de sua orelha.

A chuva se fora e o sol se erguia majestosamente no céu, quando Hermione tirou algo do bolso do casaco que vestia sobre a camisola – Isso é seu. – E colocou no dedo de Ron um simples anel de ouro que ambos sabiam que só sairia dali no dia em que passasse para a mão esquerda, onde ficaria eternamente.


Thank you for everything






N/A: Falem o que quiser, eu ainda acho que essa fic não passa de um clichê melodramático. u.ú
De qualquer jeito, obrigada a quem leu, eu quero um comentário. Ou dois, ou três, ou mais, tanto faz. =D
E também agradeço a Nani, por ter hospedado o vídeo.
Entrem na comunidade que minhas fics ganharam: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=17192807

E aqui vai a tradução da letra da música, pra quem quiser:



Part Of My Past - Daphne Loves Derby

Faço esse percurso o mais rápido que eu posso.
Essa noite essa estrada para casa parece um pouco mais longa
Eu espero que você saiba que você foi meu melhor amigo
Essa noite eu disse adeus, mas eu devia ter dito mais
Obrigado pela melhor época da minha vida
Venha para casa, agora que você se foi
Eu finalmente percebi que você foi o melhor
Venha para casa, eu não esquecerei os momentos que tivemos
Estou desejando que você não fosse uma parte do meu passado
O vazio engole esta cidade
A partir de agora eu ficarei sozinho para sempre
Você vai lembrar meu nome?
Eu espero ouvir notícias suas logo
Obrigado por tudo

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Comentários: 1

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Enviado por NathyFawkes em 04/04/2011

Linda :D

Nota: 5

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