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"O mal que os homens praticam sobrevive a eles;
e com eles o bem quase sempre é sepultado"
W.S.
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A reunião durou horas e Dumbledore, Snape, Ava e McGonagall retornaram a Hogwarts pela rede Floo, saindo da lareira do diretor. Snape, cuidadosamente, foi o primeiro a descer pelas escadas para observar se não havia espiões pelos corredores. O silêncio que perdurava confirmou que estavam a sós. Com um movimento mínimo da cabeça, Minerva se despediu do diretor e dos outros, descendo pelas escadarias e, lá embaixo, se transfigurou em um gato, pondo-se a correr pelo comprido corredor. Ava foi logo em seguida e, acompanhada de Snape, encaminhou-se aos seus aposentos, guiando-se pela fraca luz da varinha do professor.
-Ava, amanhã nos falaremos... sim? – perguntou Snape hesitante, apagando a luminosidade ao chegarem à porta da professora.
A bruxa divisou com dificuldade a expressão dele, tentando ler alguma emoção oculta ou confirmar as suas impressões pela pergunta.
-Claro... – respondeu com fio de voz. – Acho que está tudo bem, agora... só vai demorar um pouco, creio... para nos acostumarmos a isso novamente… a amizade...
Ela ouve um suspiro leve do professor e um sopro de boa noite, seguido por passos que foram ficando cada vez mais distantes, até ficar somente a calma da madrugada. Ao adentrar em sua saleta, ela ouve o ressonar leve de seu afilhado no quarto. Nesse momento ela sentiu um grande cansaço e sono, e logo foi a sua cama, adormecendo quase imediatamente.
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-NÃOOOOO!!
Harry despertou em desespero, tateando em sua volta em busca de algo na escuridão. Ava acordou com o grito e pegou sua varinha, “lumos!”, se aproximando dele assustada. – Harry, o que houve?
O garoto olhou para ela confuso, aparentemente sem consciência das coisas ao seu redor. Sua madrinha conjurou uma toalha e secou o rosto dele, que estava suado. – Harry, se acalme... acho que você teve um pesadelo...
Ele olha para ela com mais calma e fechou os olhos por uns instantes: - É, acho que tive... mas não consigo me lembrar... só sinto que foi horrível...
Ava o abraçou, balançando o menino suavemente – Shhh... já passou... já passou, querido... Ninguém vai lhe fazer mal... – murmurou calmamente, até sentir que o garoto estava totalmente tranqüilo. Ela controlou seu impulso de vasculhar a mente dele, a fim de averiguar o que atormentou seu sono. “Não, Harry não gostaria...”
-Obrigado, Ava... – o garoto estava novamente sonolento.
-Deita e dorme... – e Harry se deitou, com sua madrinha o cobrindo até os ombros. – Eu fico aqui até você dormir... – ele deu um sorriso suave, adormecendo rapidamente. Sua madrinha deu-lhe um beijo na testa e retornou a sua cama, se sentando pensativa.
A luz fraca da varinha refletiu o rosto preocupado da bruxa. A reunião daquela noite teve várias determinações instituídas por Dumbledore e que foram aprovadas por todos. Muitas delas relacionadas a ela.
-Ava, - disse Dumbledore - havíamos acordado em reunião anterior sobre os treinamentos de combate, creio que Remus, Tonks e Sirius tinham se prontificado a recebê-los. Gostaria que realmente começassem o mais breve possível. O motivo dessa minha pressa Moody relatará. – ele olhava seriamente para a bruxa. – Sei também que as buscas na biblioteca não estão ocorrendo diariamente, como deveria ser feito.
-Andei investigando os Imortais durante vários dias. – disse Moody, iniciando seu relato - Dias alternados, é claro, para o Ministério não desconfiar de minhas atividades. Encontrei um grupo em Skye (1), próximo a costa. Apresentei-me como auror, pois achei, acertadamente, que a verdade seria melhor, ganharia confiança. Conheci o líder desse grupo, Uther MacLean, um sujeito bastante curioso. Ele disse-me que tem cerca de quatrocentos anos, é uma estimativa dele, e os lidera há cem, pelo menos.
Tonks assobiou assombrada.
-MacLean garantiu-me que ele e seu pessoal não estão unidos a Você-Sabe-Quem, apesar de saber que muitos outros estão. – Moody faz uma pausa, pensativo – Eu não acreditei. E nem deixei de acreditar. O caso é que ele me forneceu nomes e localidades dos possíveis aliados do bruxo das trevas. Desta vez, pedirei que um grupo vá lá investigar, um grupo preparado para combate.
-Temos que aguardar, - disse Dumbledore - primeiramente, que a Srta. Sheppard prepare um grupo para luta. Não iremos para combater, mas não quero ninguém despreparado para essa missão.
Nox! E a luz de sua varinha se apagou, e ela se cobriu, vendo que agora Harry ressonava tranquilamente. O que deixou realmente Sirius nervoso foi saber que Snape acabou sendo indicado, também, para investigar a Biblioteca dos Sheppard com ela. Toda noite, se pudesse. A bruxa pensou que seu noivo fosse lançar alguma maldição imperdoável no professor.
-Sirius... é para nosso próprio bem, lembre-se disso. – murmurou a bruxa no ouvido dele.
-Espero que sim... - rosnou Black - espero que ele se lembre disso...
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-Harry, acorde!
O garoto se espreguiçou, abrindo os olhos com uma expressão feliz no olhar: nunca tinha dormido tão bem em sua vida, parecendo que o pesadelo não havia deixado marcas. Naquele momento Ava pensou que estivesse vendo o olhar verde de Lily.
-Olá, Ava... por que está me acordando tão cedo?
-Hoje é o dia de você voltar às aulas... – e a madrinha apontou para o braço do garoto – Veja, você está normal novamente!
Harry olhou para sua pele e sua aparência estava sólida, normal. Ele deu um pulo na cama ao perceber que Ava estava arrumada, com capa de veludo escura. – Caramba, estou atrasado!
Ela deu risada – Não, não está! Quer dizer, só um pouco... Suas roupas estão aqui – e mostrou um jogo completo do uniforme escolar, que estava na cama – Tome um banho rápido e vista-se. Sua mochila deixei na saleta e depois veja se tem tudo que você precisa para hoje. Ãnh... consegue fazer isso em meia hora? – e obteve como resposta um garoto correndo apressado ao banheiro.
Quando estavam descendo as escadarias, rumo ao Salão Principal, Harry comentou – Estou morrendo de saudades de meu quarto, na Grifinória... mas adorei ter ficado com você... – e o garoto corou.
-Que bom, Harry... também gostei muito de sua companhia. Dumbledore autorizou que você viesse sempre aos meus aposentos, mas preciso de uma autorização por escrito... vou falar com McGonagall. Você gostaria?
O rosto do garoto se iluminou – Vou adorar!
Enquanto continuavam a se dirigir para o Salão, ouvindo o burburinho distante dos jovens, Ava sorriu interiormente, pensando o quanto era bom ter Harry consigo, o quanto era bom ter uma família novamente. Vagueou num futuro em que Sirius e o garoto estavam nele, e haveria uma confortável casa bruxa, talvez com um lago próximo. Sirius não precisaria mais se esconder e Harry e ela não teriam mais que tomarem cuidado com bruxo das trevas nenhum.
Quando chegaram à porta do Salão Principal, Harry hesitou um pouco para entrar. – O que foi, Harry? – perguntou Ava.
-Eu... eu menti para você. – o garoto estava com expressão constrangida.
Ava franziu o cenho – Quando?
-Ontem, quando tive o pesadelo. – e ele olhou rapidamente para sua madrinha - Eu sei sobre o que sonhei.
-Então... – ela estava em expectativa - foi sobre o quê?
-Era sobre ele... – disse baixinho - sobre Voldemort. – Ava sentiu um baque em seu coração. Como assim, sonhar com o bruxo das trevas?
-HAAARRY!
A voz era de Rony, que chegou até ele dando um tapinha nas costas do amigo. Hermione o abraçou forte, sorrindo alegremente. – Vamos, Harry, você deve estar com muita fome... Oi, Ava! Vamos levar o Harry para nossa mesa! – e foi arrastando o grifinório.
-Oi, Ava! – disse Rony, sorrindo – Quer dizer, Profa. Sheppard... levarei o Sr. Harry James Potter a mesa, para desfrutar do seu desjejum!
Hermione estancou de repente, com expressão pasma: - Nossa, Ron... quando você quer...
-O quê? – perguntou o ruivo, piscando para o amigo.
-Nada, vamos, vamos! – e Hermione continuou a arrastar Potter.
-Até mais, meninos... – murmurou Ava, ainda sob o efeito da revelação do afilhado, enquanto via os garotos quase na mesa de grifinória.
Harry foi recepcionado por seus amigos, sob os olhares de todos os alunos de todas as casas, que cochichavam abertamente e que também muitos apontavam.
–Acabou a moleza, - disse Ron - agora vai ter que estudar pra caramba!
-Você está muito bem – uma voz tímida foi ouvida: era Ginny.
-Que nada, continua muito feio. Mas fazer o quê... – disse George, sorrindo.
-Como fantasminha não aparecia tanto os defeitos... – completou Fred.
-Cara, você perdeu as aulas da sapa.. – disse Seamus em voz baixa.
-Depois a gente conta o que ela falou – avisou Dean.
Ao longe, na mesa da Sonserina, um garoto loiro não tirava os olhos da mesa dos grifinórios enquanto esmigalhava uma panqueca com o garfo e faca.
-Draco, sua panqueca não merece isso... – disse Pansy, irônica, comendo delicadamente um pedaço de bolo. – Poupe suas energias para quem merece.
Ele ergueu uma sobrancelha – Perguntei algo? – indaga ríspido.
-Isso não foi uma resposta, isso foi um conselho – e a garota de cabelos castanhos escuros e compridos deu um gole em seu leite. – Não haja como um garoto mimado, contamos muito com você. – e olhou significativamente para o colega. Blaise Zabini, que estava observando o diálogo, acenou com a cabeça, em concordância.
E o sonserino bufou e tornou a comer seu café-da-manhã aborrecido.
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Era quase hora do almoço quando Ava, sozinha na sala de aula, se preparava para ir ao Salão Principal. Com um olhar, todas as suas coisas se auto-organizaram na sua maleta e esta começa a flutuar, se dirigindo para a saída.
Um elfo doméstico surge à porta, quase a atropelando: - Perdão, srta.! Mensagem do Diretor Dumbledore! – disse estendendo um pergaminho, que a professora logo pegou e o abriu. O elfo aparata imediatamente.
“Querida Ava,
Venha a minha sala com urgência.
Dumbledore.”
“Ok, senhor. Lá vamos nós...” Ela enfeitiçou sua maleta para se dirigir sozinha para seus aposentos, enquanto subiu apressadamente pelas escadarias.
-Ava! - era Hermione, que corria em direção a professora. – Posso falar com você uns instantes? Vai ser rápido...
-Se for rápido, sim... – respondeu Ava, parando no meio da escada - tenho um compromisso urgente agora.
-É sobre o Harry... ele pegou detenção com a Umbridge!
-Como? Por quê?
Hermione suspirou: - Ele insiste em falar pra todos que Você-Sabe-Quem voltou! Ele não fica quieto!
Ava se calou por uns instantes, avaliando a situação. – Hermione, eu falarei com ele a noite ou quando der. Agora tenho realmente um compromisso. Mas peça para o Harry ficar calmo, sim?
-Certo... Ele deverá ir para seu dormitório, hoje, depois das aulas?
-Bem... – ela pensou rapidamente – hoje terei que fazer algo, não vai dar... eu irei até ele, é melhor. Só não deixa o Harry ficar fazendo besteiras novamente.
Hermione esboçou um sorriso fraco – Não vou deixar, mas ele é teimoso.
Ava sorriu e, com um aceno da cabeça, tornou a subir as escadarias apressada. “Melhor eu cortar caminho...” E entrou por um corredor deserto, pouco utilizado pelos alunos e, pelo que ela podia notar, mal cuidado pelos elfos e por Filch.
No meio do local, balbuciando algo incompreensível, estava Trelawney, que vez ou outra olhava para o céu e para algumas cartas em suas mãos. Ao visualizar Sheppard, a professora de Adivinhação soltou um grito de exclamação, correndo até Ava.
-Oh, que bom que a encontrei! Os astros me beneficiaram!
Ava ergueu uma sobrancelha, decididamente assustada com Sibila. – Anh... algo que necessito saber? – indagou, já temendo as tragédias que a professora iria proferir.
Trelawney endureceu o rosto, concentrada: - Sim, as cartas me revelam muitas coisas ocultas... – disse com voz impostada e mostrando uma carta, com um homem pendurado de ponta cabeça – Esse é o enforcado e essa carta me revela você, Ava Sheppard.
-O que isso quer dizer? – Ava franziu o cenho, incrédula e impaciente. – Não entendo nada de cartas adivinhatórias...
-Eu explico... veja – e ela mostrou novamente a carta. - O Enforcado (2) é o homem que se submete ao sacrifício, a fim de receber recompensas no plano espiritual. Quando essa carta aparece, indica sacrifício voluntário e necessidade de esperar um momento oportuno para agir. – e Sibila fez uma pausa, hesitante - Seus aspectos negativos são a imobilidade, a autopunição e as perdas.
Ava analisou a carta e sentiu um arrepio em seu corpo. “Sacrifício voluntário... Imobilidade, autopunição e as perdas...”. Quem mais ela iria perder? Não, não iria pensar nisso... “Deve ser uma metáfora...”
Sibila pigarreou um pouco enquanto mostrava outra carta, em que aparecia um esqueleto em pé de uma pessoa. – Não, não tema... apesar que essa carta representar A Morte. Ela significa o fim de um ciclo em sua vida. Virá outro, muito melhor... – e a Trelawney, de repente, estreitou os olhos para Ava - Mas cuidado com o medo das perdas. Elas são necessárias... – e novamente a professora olhou para cima, e Ava pensou que ela temesse, talvez, que o teto desabasse.
E foi assim, pensativa, que Ava entrou no escritório de Dumbledore, notando que estava faminta. “Pena que não se pode conjurar comida...”
-Entre, minha filha – disse o diretor, estendendo a mão para ela. – Já almoçou? – e analisou a professora.
-Não, senhor. Ainda não... e confesso que estou faminta! – e sorriu fracamente
-Tudo bem, Ava?
Ava forçou um sorriso mais radiante – Tudo ótimo, só pensando umas coisas...
Foi providenciado com os elfos o almoço no gabinete. E, enquanto almoçavam, Dumbledore foi relatando o que tinha de urgente.
-Ava, não é uma notícia boa para se dar em um almoço, mas nosso tempo é muito curto. – disse o diretor, entre uma garfada e outra – Lucius Malfoy tem agido e creio que com a ajuda de Umbridge.
A bruxa ergueu a sobrancelha e parou o garfo no ar – Como assim?
-Malfoy já havia marcado aquela reunião do Conselho, para tratar de sua demissão. Mas agora ele juntou mais fatos, que talvez a desabone – ele disse, aguardando a reação de Ava.
-Oh... certo, então.
-Depois da intoxicação de Harry e de Umbridge ter sido atacada por um gigante, receio que o Conselho delibere a favor de Malfoy.
Ava pousa os talheres no prato, e ficou pensativa. Sim, poderia ser a estada mais rápida de um professor em Hogwarts. O problema é que ela estaria longe de Harry, seu principal motivo por estar lecionando. Como poderia impedir a ação de Malfoy e de Umbridge?
-Estou numa encrenca, senhor?
-Sim, receio que sim – o diretor a analisou. – Mas sei que você é criativa e inteligente. Conto que conseguirá uma solução para isso.
-Quando será a reunião? Deverei participar dela?
-Oh, sim, vai ser convocada. – e o diretor sorriu – Daqui a duas semanas, numa quarta. Esteja preparada.
-Vou estar. – e Ava continuou seu almoço, agora sem apetite nenhum. – Preciso falar algo ao senhor. – Dumbledore esperou em silêncio – O Harry teve pesadelos com Voldemort. O senhor acha isso normal?
O diretor deixa seu garfo cair no prato enquanto olhava fixamente para a Ava, deixando transparecer certo nervosismo. – Não, não se preocupe. Ainda. Estou investigando algumas coisas... quando tiver algo definitivo relatarei a você e aos membros da Ordem. Portanto, procure tranqüilizar Harry nesses momentos. Conto com você.
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Snape olhou o relógio na parede (3) e pegou seu longo casaco preto. Ao vesti-lo, sente uma dor próxima a seu pulso, o fazendo gemer levemente. Não, mais tarde iria verificar o que o Lord necessitava. Adivinhava que eram mais relatórios sobre Ava Sheppard, sobre Harry Potter, Dumbledore... Ou talvez mais... Voldemort odiava Sirius Black, Snape sentia todo o ódio do bruxo das trevas que era emanado... e era um ódio familiar. “Não sou igual a ele... Não posso ser...” O professor saiu de seus aposentos, andando apressado pelos corredores, que possuíam vários trechos de opressiva escuridão.
Em seus aposentos, Ava esperava pela visita de Snape, andando de um lado para o outro, pensativa. Foi até a varanda, observando a escuridão do vasto campo de quadribol, olhando também para as janelas iluminadas das outras torres. A professora sentia-se inquieta, Snape a deixava um pouco assim. A alegria inicial de vê-lo redimido havia passado, sobrando novamente as velhas desconfianças. “Minha mente trabalha contra mim, só pode ser isso...”.
Ela também refletia sobre Harry. Talvez o convidasse para dormir com ela amanhã, e assim teriam tempo para conversar sobre o “perigo Umbridge”. Estava refletindo essas coisas quando alguém bateu a porta. -Deixa que eu atendo, Kairi. – avisou Ava, se dirigindo para a entrada.
Snape surgiu logo, com sua habitual expressão séria.
-Ava, boa noite... – principiou Severus, que foi entrando e retirando seu casaco.
-Boa noite, Severus... – respondeu desanimada, pegando o casaco do bruxo.
-O que houve? Algo ruim aconteceu?
-Não, não me pergunte. – ela havia fechado os olhos, impaciente – É algo sobre meu afilhado, que resolverei quando for a hora.
-Ah, sobre Potter – e ele deu as costas a ela, se sentando no sofá e Ava não pode ver o sorriso mínimo nos lábios do professor – Saiba que ele desrespeitou uma professora em sala de aula. Isso é reprovável, Ava.
-Por dizer a verdade? – perguntou indignada.
-Ele é teimoso, pelo que me consta. – falou Snape friamente – Você deveria aconselhá-lo a ser mais... comedido.
Ela suspirou fortemente, enquanto se sentava. – Droga, você tem razão. Também andei fazendo minhas besteiras...
Ele olhou para ela com expressão concentrada – Não foi nada prudente, Ava. – disse ele em voz baixa – Desculpe-me o que vou dizer... mas às vezes sua arrogância ultrapassa o bom senso.
Ela arqueou a sobrancelha, ofendida – O quê?
Ele sorriu – Você sabe que sim. Pensou que pudesse ignorar Umbridge e sair incólume disso tudo.
-Eu sei, Severus. – ela olha para ele com olhar desconsolado. – Agora terei que pensar o dobro para me livrar disso tudo. – e ela suspirou. Kairi apareceu na saleta, observando os bruxos. – O senhor Snape quer um chá, o senhor quer? Kairi prepara imediatamente, sim, prepara! – o bruxo negou com a cabeça.
-Pode se retirar, Kairi – avisou Ava – Qualquer coisa eu te convoco. – a elfa fez uma mesura e aparatou.
Ava olhou para o professor: – Então vamos entrar na biblioteca?
Ela se levantou, retirando de dentro da camisa a chave pendurada pelo colar. No meio da sala, entoou mentalmente os versos mágicos, sob o olhar atento de Snape. Ava não revelou os versos para ele, ainda temendo alguma traição. A porta verde se materializou na frente deles e a bruxa coloca a chave na fechadura. – Vamos.
Ela entrou primeiro, achando o ambiente um pouco diferente, mas não sabia dizer o quê. Um simples candeeiro aceso flutuava sobre a mesa, indiferente aos visitantes. Uma escuridão tomava conta dos corredores das estantes.
Snape observava a tudo com bastante interesse, verificando os volumes das primeiras prateleiras, onde ainda se conseguia enxergar os títulos.
-Não estava assim... – murmurou Ava, que ergueu uma de suas mãos: Lumos Máxima! Uma luz muito forte surgiu no ambiente, espantando todas as sombras. – Essa biblioteca tem vida própria... gostaria de saber dos feitiços que têm aqui.
-Precisamos é de uma estratégia de leitura, senão nunca acabaremos de ler. – explicou Snape, divisando a quantidade quase infinita de livros – Isso aqui é dez vezes maior que a biblioteca de Hogwarts, pelo que vejo. - ele fez uma pausa – Eu sugiro que marquemos cada livro que lermos e que não nos interessar de vermelho, talvez. Os que servirem as nossas pesquisas marcaremos de verde.
-Boa idéia, Severus! Vou marcar o que já verificamos. – e iniciaram as investigações.
Ela marcou diversos volumes, riscando a grande maioria de vermelho com a varinha. Os dois professores permaneceram cerca de quatro horas em pesquisas na biblioteca, formando uma tímida pilha de livros riscados em verde, que deixaram em cima da mesa separados. Livros de leis, biografias de pessoas esquecidas, botânica, feitiços incomuns, azarações, toda sorte de assuntos eram encontrados por eles. Snape separara alguns de leis antigas, que ele desconfiava conter algo sobre casamentos e alianças. O professor também tinha esperança de encontrar algo sobre o dom de Ava, algo que explicasse sua raridade, sua existência.
-Melhor encerrarmos por hoje – disse Snape, observando o cansaço da bruxa. – Amanhã continuaremos, e durante toda semana, à noite, se você quiser, como foi determinado na reunião.
-Claro que eu quero! Eu preciso de ajuda, e muita. – ela olha para o professor seriamente – Obrigada, Severus. Não sabe o quanto isso significa para mim.
-Sei, claro que sei. Se acharmos o contra-feitiço...
-Não, não. Sobre você me ajudar. – e ela abaixa os olhos – Obrigada.
Um sorriso despontou nos lábios do bruxo, mas não houve resposta, pois não precisava. Ao saírem da biblioteca, Snape faz um gesto de pegar seu casaco, mas Ava se aproximou dele e deu-lhe um longo abraço – Que bom que você está aqui. – e beijou-lhe a face.
O bruxo ficou constrangido, pegando seu casaco e saindo rapidamente. Andando pelos corredores, por uns instantes não soube bem por onde andava. “Peguei o caminho errado, tsc!” Ele retorna para direção de seu dormitório, observando a escuridão com satisfação.
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Um garoto andava pela beira do lago da escola, com ombros caídos, chutando algumas pedras no caminho. Estava sozinho, com aparência tristonha. Olhava de vez em quando para as torres da escola e suspirava profundamente. Seu olhar vagueava também para os lados da cabana de Hagrid. “Onde ele estará? Preciso tanto dele...”
Ele observou uma jovem mulher ao longe se aproximando, indo em direção a ele. Seus cabelos loiros ao sol eram inconfundíveis para o garoto: era Ava.
-Harry, vamos almoçar juntos?
O garoto olhou para sua madrinha com expressão séria no rosto. Ela notou que ele parecia extremamente abatido e mal-humorado. – Eu quero ficar sozinho, se não se importa. Não quero conversar com ninguém...
Ava suspirou, olhando para ele. Havia três dias que tentava falar com o garoto. – Às vezes conversar ajuda. Se isolar é duplicar nossos problemas, sabia? – Harry rolou os olhos, resistente a qualquer comentário razoável. – Não faça essa cara e me escute: você tem duas escolhas para lidar com seus problemas. Uma é se isolar, ficando de mal com todos que poderiam lhe ajudar e morrendo de tédio, aqui, a beira desse lago. Outra é contar com o auxílio de seus amigos, que lhe querem bem, e se distrair com a companhia deles, o que alivia e muito o peso das situações que passamos. – ela faz uma pausa, tentando verificar o efeito de suas palavras. Harry continuava impassível – O que você escolhe?
O garoto olhou para ela e Ava percebeu que o garoto cedia um pouco. – Está bem, eu vou almoçar com você. Mas... vou avisando que estou muito chateado com tudo! Não estou muito a fim de conversar...
-Tudo bem, meu querido. – e ela passa a mão nos cabelos dele – Almoçar já é um bom começo.
Almoçaram na saleta do dormitório da professora. Harry comia devagar, parecendo estar sem fome. Ava observou o afilhado em silêncio, sabendo que não adiantava insistir. Mas ela não tinha certeza do que o aborrecia: seria simplesmente pela detenção de Umbridge?
Quando estavam terminando o almoço, e ela iria pedir para Kairi recolher os pratos, a voz dele é ouvida: - Quando Hagrid volta?
-Eu não sei, querido. Ele está em missão.
-Onde?
-Não posso dizer. – respondeu rapidamente.
Ele suspira, aborrecido: - Por que não? Não sou mais criança!
-Isso não tem a ver com a sua idade, e sim porque é algo sigiloso. – Ava se munia de muita paciência.
-Meus amigos não acreditam muito em mim, sabia? – disse ele, jogando o guardanapo de pano com força na mesa – Seamus concorda com Umbridge, Thomas também. E... penso que Hermione e Ron não acreditam em mim, iguais a todos! Sabe, sou mentiroso pra todo mundo!
-Isso não é verdade, Harry. Ron e Hermione acreditam em você.
-Não acreditam, eu sei, eu sinto.
-Eles falaram isso?
-Nem precisa...
-Harry, isso não é lá muito justo com eles, não? – o garoto ergueu uma sobrancelha – Você os acusa, os condena e eles não têm chance nenhuma de se defender!
-E-eu não quero... escutá-los...
-Por quê?
Harry olhou para as suas mãos, achando algo interessante em suas unhas. – Porque não.
-Você... tem medo?
-Eu não tenho medo de nada! – disse indignado.
-Está bem... vamos tentar outra frase: você acha que eles falarão o quê para você?
Ele fechou os olhos por uns instantes, e depois voltou a sua atividade de olhar as unhas. Ava tenta novamente – Você acha que o que eles falarão confirmará seus pressentimentos? É isso?
Após alguns segundos ele confirmou com a cabeça, ainda com olhos baixos. Ela se aproxima dele, pegando nas mãos do garoto: - Olhe para mim. – o garoto a encarou - Harry, eu entendo seu medo, isso é normal. Há muitas coisas ruins acontecendo. Mas... eles são seus amigos! Sempre foram. Quantas coisas vocês passaram juntos? E desde o primeiro ano, não foi? Isso não se consegue tão facilmente, por aí. E por que, agora, você desconfia deles? O que eles fizeram para desmerecer sua confiança?
-N-nada... na verdade, eles tem tentado falar comigo... mas estou chateado... não sei...
Ava sorriu – Fique perto deles, querido. Converse com eles, divirtam-se... não deixe que as mentiras das pessoas atrapalhem a amizade entre vocês. Isso tudo, essas calúnias, vão passar, porque as pessoas ainda saberão que Voldemort voltou. Ele cometerá um erro, estamos apostando nisso, e aí será desmascarado - e ela acariciou os cabelos espetados dele. - Só tenha paciência.
Harry voltou a sorrir, um sorriso tímido. – Tudo bem... acho que vou falar com eles, se eles quiserem ainda falar comigo.
Ava se segurou para não rolar os olhos. –Vão querer sim... eu não tenho dúvidas. Bom, então acho que precisamos voltar às aulas – e ela se levantou. - Vamos.
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Ava bocejou após verificar mais de duzentos livros naquela noite, poucos com a marca verde. O livro em suas mãos era de História, de muita utilidade para suas aulas, mas ela sentia que as letras dançavam no papel e um sono começou a tomá-la. – Severus, vamos parar por hoje...
-Mais meia hora, Ava – pediu o professor, sem levantar os olhos do livro que lia. – Esse livro possui poções muito peculiares, farei uma cópia de algumas páginas. – com alguns gestos da varinha, foram surgindo papéis que iam copiando sozinhas as páginas do livro. Snape esboçou um sorriso – Muito prático.
Ava rolou os olhos, voltando-se para seu livro com letras dançantes... ou que sua visão fazia dançar... “Vou procurar outro...” – e ela lançou um risco verde na capa. Ela caminhou até a uma estante mais ao fundo, onde possuía livros mais estranhos ainda, de alguns podia-se ouvir gemidos e gritos abafados. Havia um que estava firmemente fechado com corrente e se debatia, querendo liberdade. “Melhor deixar esse para o Grande Severus Snape, o mestre dos feitiços...” E deu uma risadinha sonolenta, retirando da prateleira um livro imenso, de capa negra e lisa. Ela fez o volume flutuar até a mesa, mas percebeu que era muito pesado para o móvel.
-Enfeitice a mesa, para ela agüentar. Quer que eu a ensine, Ava Sheppard? – perguntou Snape, irônico.
-Não, Severus Snape, obrigada pela gentileza, sei fazer isso! – a bruxa tornou a mesa de madeira em mesa de aço e depositou com estrondo o imenso livro. Avaliou o material e pegou uma de suas extremidades, tentando abrir com força, mas ele parecia selado. “Droga, como abre isso?”
De vez em quando o professor olhava por cima de seu livro, observando visivelmente divertido as tentativas infrutíferas da amiga. – Quer uma ajuda, Sheppard?
Ava bufou, virando-se irada para Snape: - Mais uma palavra, e eu juro...
-Vejamos... – e ele se debruçou sobre o livro de Ava, observando as laterais. – Ele tem provavelmente trancas invisíveis. “Revelare!” – mas o livro se manteve quieto. Snape tentou mais uma dúzia de feitiços diferentes, todos sem sucesso.
-Melhor tentarmos mais amanhã. – disse Ava, bocejando mais uma vez. – Deve ser madrugada agora. Vamos, vamos... – e ela pegou na mão do bruxo, o arrastando para fora da biblioteca.
Após trancar a porta verde, gentilmente vai dirigindo Snape para a saída. – Vou dormir, boa noite...! – e fechou sua porta rapidamente.
“Sono... sono...” – e ela retirou suas roupas, se ajeitando debaixo das cobertas. “Sirius, nossa conexão de hoje ficará para amanhã... não fique bravo...” Suas pálpebras pesadas cerravam qualquer visão do mundo ao seu redor, e ela sentia entrar num sonho bom, onde seu noivo estava novamente em Hogwarts, muito jovem, sorrindo para ela.
Ava Sheppard!
“O quê?” – ela se ergue rapidamente, olhando ao seu redor. “Lumos!” e uma frágil luz ilumina ao redor, onde só ela estava. “Deve ter sido no sonho...” – e ela riu de si mesma, tornando a se deitar. Mas quem no sonho a chamaria? Não era voz de ninguém conhecido...
Ava Sheppard!
-Droga! – e ela se levanta, colocando seu pijama e iluminando todo o ambiente com magia. – Quem está aí? - a voz parecia de alguém muito perto a ela, mas ao mesmo tempo muito distante.
Sheppard! Venha até nós...
Ela correu até a saleta e lá não havia ninguém. – Quem está aí? – sussurrou, temendo respostas.
Somos nós... – e após isso ficou incompreensível.
-Quem? Onde vocês estão?
Aqui... na biblioteca... – e novamente a frase ficou pela metade.
Ava olha para sua estante e de repente fica paralisada: era na biblioteca oculta. O chamado era de lá. Ela pega a chave e fica observando o material – Vocês estão na biblioteca dos Sheppard?
Sim. Entre, temos algo a lhe falar, somente para você...
A mente da bruxa fervilhou de pensamentos: quem estaria lá? E se ela entrasse e houvesse pessoas lá dentro, pessoas perigosas? Não seria melhor chamar Snape? E, além de tudo, como sabiam o nome dela?
-Não acho conveniente entrar agora, seja lá quem vocês forem... – disse ela para a chave. – Vamos marcar para amanhã? Meu amigo adorará conhecê-los...
Amanhã... Isso não existe mais para nós. Só o agora e o para sempre.
A bruxa franziu a testa. Como assim? Seriam prisioneiros da biblioteca? Ela suspirou tristemente: será que o pai dela foi capaz de aprisionar pessoas para sempre naquele lugar?
-E-eu não posso entrar agora, sinto muito. Preciso dormir...
Não sabemos mais o que é dormir... – e o restante ela não conseguiu escutar.
-Por que não? Vocês estão prisioneiros? O Sr. Alphard Sheppard os colocou aí?
Um silêncio, e a voz de uma mulher foi ouvida:
Não. Não foi por causa dele que ficamos aqui. Somos pessoas mortas.
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Várias batidas fortes na porta e, em alguns instantes, ela se abre, saindo um Snape bastante assustado, ainda colocando seu robe de flanela. – O que houve, Ava?
-Snape, tem pessoas mortas na biblioteca! – disse a bruxa ansiosa.
-Como assim?
-Venha – e ela o puxou pela mão – Eu deixei o colar e a chave na minha gaveta, eu não ia ficar com aquilo pendurado e um monte de vozes falando comigo!
O olhar de Snape transpareceu confusão, porém ele resolveu não perguntar muitas coisas e se deixou levar pela amiga até os aposentos dela.
-Aqui! - e ela pega novamente o colar e a chave, colocando em volta de seu pescoço. As vozes tinham se calado. Ela entoou rapidamente os versos mágicos:
sabedoria dos antepassados
guardados e repassados
na angústia e sofrimento
mas findou-se o tormento
eis a nova geração
usufruindo dessa erudição
A porta verde retorna a aparecer e Ava olha para Snape: - Eu não sei o que tem dentro.
-Não acho prudente, Ava. – retrucou Snape - Talvez... esperar por Dumbledore.
-Ele não está aqui, ele está na Finlândia, não é isso? E, se forem moradores dessa biblioteca, eles podem me falar se há algum feitiço que Voldemort pegou para ele!
-Dumbledore retorna no fim de semana... – murmurou Snape, indeciso. Ele acabou por erguer sua varinha, concentrado – Então abra, mas não entre de imediato. Vamos ver primeiro se não há algum ataque ou truque.
Ava abriu cuidadosamente a porta, se afastando um pouco, temendo uma emboscada. Alguns segundos depois, Snape concluiu que não haveria perigo. Por enquanto. – Eu entrarei primeiro, verei se está seguro e que magias estão atuando na biblioteca. Espere-me aqui.
Ele entrou sorrateiramente, observando tudo ao redor e lançando, não verbalmente, feitiços reveladores. –Quem está aí?
Silêncio.
-Não vim lhe fazer mal. Apenas diga seu nome. – tentou novamente.
E outra vez silêncio.
Snape sai da biblioteca, encarando uma bruxa confusa, que perguntou: – Ninguém responde?
O bruxo balançou a cabeça – Não foi imaginação sua? Não há nada aí.
-Eles disseram que são pessoas mortas, Severus! Tem gente morta aí dentro, eu não imaginei nada!
-Vamos fazer o seguinte: não coloque mais o colar, a não ser quando for entrar na biblioteca. Guarde-o em um lugar muito seguro, não o confie a ninguém. E principal: não entre sozinha.
Ava suspirou profundamente e concordou com o amigo. Ela fechou a porta verde e a trancou. Assim que desapareceu, a bruxa retirou o colar do pescoço. – Vou guardar em um lugar seguro. Obrigada por ter vindo e desculpe... por ter acordado você.
-Não há problema... vou dormir agora. Boa noite... – e ele se virou, indo embora para seu dormitório.
Ava ainda ficou um bom tempo acordada, olhando para a escuridão a sua volta.
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-Onde vai ser? Onde? – perguntou Tonks, muito sorridente e animada
.
-Aqui vai ser impossível, não tem espaço! – reclamou Lupin, fazendo muxoxo.
Ava estreitou os olhos para os dois, acompanhada por Sirius – Sirius, eu respondo com educação ou sem nenhuma educação mesmo? – e bocejou, cansada.
Sirius deu sua risada, semelhante a latidos – Nem parecem bruxos, por Merlim! Deixe-me contar umas novidades para vocês: tem como fazer feitiço, sabiam? E há uns muito bons para estender salas, essas coisas.
-Puxa, é mesmo! A criatividade e a varinha é o limite, não? – comentou Tonks, ainda sorrindo.
-Amigos – recomeçou Ava, esforçando-se para sorrir também – Vamos começar nossos treinamentos nesse lindo fim-de-semana ensolarado. Primeiro, colocaremos umas roupas confortáveis, como as minhas. Os trouxas usam esses moletons, o que seria ideal para nossos exercícios.
Sirius e Remus se entreolharam, enquanto Tonks já corria para sua mochila, retirando algumas roupas de lá. – Eu trouxe! Vou me trocar, já volto! – e subiu escadaria acima.
-Nem vem, Ava, não tenho e não colocarei nenhum motolons. – reclamou Lupin, emburrado.
-Está bem, Lupin. E é mo-le-tons. Foi só uma sugestão – afirmou a professora. E ela ficou muito séria, de repente – Bom... eu preciso falar com vocês sobre uma coisa.
-O quê? Aconteceu alguma coisa? - perguntou Sirius, assustado – Você está muito abatida... Foi algo com você? Com Harry? Ele pegou outra detenção?
-Não, Sirius. É sobre a biblioteca. Aconteceram umas coisas estranhas.
Remus franziu o cenho – Como assim? Vocês descobriram alguma coisa?
-Ei, aconteceram com Ranhoso? – Sirius endureceu o rosto.
-Sirius, ele não estava comigo...
-Não estava? – e o animago se levantou, enfurecido – Ele foi incumbido para isso, como ousa ter deixado você sozinha...
-SIRIUS! Me escuta! Snape não tem culpa de nada! – o noivo de Ava volta a se sentar, ainda aborrecido – Eu estava dormindo e ouvi pessoas me chamando. Chamando pelo meu nome.
-Havia pessoas no seu quarto? – questionou Remus.
-Pensei que estivessem. Mas não havia ninguém. Quando percebi, vinham da biblioteca. – Sirius iria falar algo, mas Ava o impede – Essas vozes diziam ser de pessoas mortas.
Um silêncio assombrado pairou na cozinha de Grimmauld Place.
-Pessoal, já estou pronta! – disse Tonks, descendo apressadamente as escadas, já de moletom cinza e camisa branca. – Vamos!
-Er... vamos! – disse Ava, se levantando – Vamos àquela sala de estar que quase não foi usada, só tem um sofá, não é? Sirius?
-Oh, sim! – e ele se levanta indo em direção a tal sala – É só tirar aquele móvel...
Com a sala livre de qualquer objeto, Sirius enfeitiçou o local com um simples movimento da varinha. A sala aumentou consideravelmente de tamanho, ficando ideal para os treinamentos.
-Bom, vou conjurar umas espadas, mas elas serão de madeira, por enquanto. Não quero que ninguém se machuque, não é?
Após distribuir as espadas, Ava iniciou o treinamento: - Há alguns movimentos básicos, que é o que vocês aprenderão hoje. Fiquem eretos e levantem a espada por cima do corpo... – e a professora ajeita a posição de Tonks – O golpe reto é o mais comum. Isso, Remus. Golpeiem com força, isso poderá derrubar o adversário mais fraco. – e os alunos ensaiaram os golpes – Um golpe de diagonal é o ideal para barrar o contra-ataque, caso o adversário não tenha cedido da primeira vez.
-Estou fazendo certo? – perguntou Tonks, arfando.
-Está sim. Aliás, uma coisa importante: vocês devem treinar bastante, pois lutar com espadas requer resistência. Eu mesma estou sem treinar a meses. Não vai adiantar nada sabermos desferir os golpes, se em meia hora nos cansarmos. Creio que os Imortais ou quem quer que sejam logo perceberiam isso e se aproveitariam da situação.
Aquele primeiro treinamento durou três horas, com os alunos muito cansados. Remus apresentava hematomas em muitas partes do corpo, visto que Tonks o acertava diversas vezes por acidente.
-D-desculpe, Remus... machucou?
-Só estou quase sem braço, mas não tem importância... – e ele sorriu. –Por hoje chega, Ava – pediu Lupin, se apoiando em uma parede – Estou morto!
-Eu gostei! – disse Tonks, dando pulos animados – Quando teremos o próximo?
-Daqui a quatro anos! – respondeu Sirius, que estava deitado no chão, muito suado, olhando para o teto. – Por Merlim, não vou entrar num combate que dure três horas! Decidirei a situação em questão de minutos!
-Sim, Sr. Convencido, o Sr. é extraordinário! – disse Ava, rindo, enxugando o rosto – O único que derrota qualquer adversário em míseros minutos! – e todos riram - Pessoal, então por hoje chega. Semana que vem tem mais, mas treinem, por favor!
-Sim, senhora! – disse Tonks, batendo continência – Agora vou tomar um banho e me trocar! Posso, Sirius?
-A casa é sua, fique a vontade! – respondeu o animago, sorrindo, ainda no chão. – Além do mais, não quero que minha prima vá reclamar do tratamento que lhe dispenso...
Tonks riu e saiu, subindo as escadas em direção ao banheiro. Remus, discretamente, se retirou também, fazendo com que Ava e Sirius se entreolhassem. – Aí tem coisa...! – disse a bruxa, estreitando os olhos de brincadeira.
-Pior que tem, mas não vou te contar... sou um bruxo discreto...
-O quê? Nada disso, não pode ter segredo com sua noiva... – e ela se aproximou dele, fingindo-se de brava.
-Segredos nossos não, mas dos outros... aí é outra história. Não vou te contar como foi a conversa da Nymphadora e de Moony... não, não vou contar... – provocou o animago, rindo.
Ava sentou-se em cima dele – Ah, é? Então sentirá minha fúria, meu caro Sirius Black... – e começou a fazer-lhe cócegas - tome bastante cócegas, muitas e muitas...
Com um movimento só, Sirius segura as mãos dela e a vira contra o chão, ficando por cima da bruxa. Ele já não ria. Olhou para ela fixamente, observando cada detalhe do rosto da bruxa que ainda dava risadas. Ele se aproximou lentamente e deu-lhe um beijo demorado, o qual ela não ofereceu resistência, antes o puxando mais para perto de si. As cartas adivinhatórias, morte, enforcado, conselho da escola, pessoas estranhas na biblioteca... tudo isso fugiu da mente de Ava naquele momento, e o mundo foi resumido a eles dois, ancorados no amor que tinham um pelo outro, e mais nada. Não souberam dizer por quanto tempo ficaram assim, só se deram conta que havia mais alguém no recinto algum tempo depois.
-Monstro! – gritou Sirius furioso, se levantando do chão – Saia daqui, vá para cozinha! AGORA!
E o elfo resmugou: - Ela pertence a outro, Monstro sabe. A prometida. – e foi se arrastando, jogando pragas contra seu dono.
Sirius olhou para Ava, que ainda estava no chão, muito vermelha, e olhando para o nada. Ele estendeu a mão para ela – Venha.
-Precisamos achar logo o que procuramos, Sirius. – e ela olhou séria para ele, após se levantar – Não quero que ninguém mais me chame de “a prometida”.
Sirius não respondeu, se limitando a balançar a cabeça. – Vamos tomar um banho também e se trocar. Depois veremos essa biblioteca e seus moradores.
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-Essas vozes falaram comigo quando eu estava sozinha. – disse Ava - Com Snape elas se calaram.
-Tem certeza que não era sua imaginação? – questionou Remus.
-Moony, não cheguei nessa fase ainda da minha vida. Por enquanto ainda sou sã.
-Crianças, vamos ver logo essa biblioteca. – interveio Sirius – Quem sabe ainda dá tempo hoje de jogarmos xadrez bruxo. - e o animago piscou para Ava.
-Xadrez nada, eu não irei dormir aqui. – avisou a bruxa, vendo que não a levavam a sério – Preciso voltar a Hogwarts. – e ela juntou as duas mãos, concentrada, e as separou, surgindo o colar com a chave – Vamos lá.
A conhecida porta apareceu e Sirius se prontificou a ser o primeiro a investigar o que havia lá dentro. – Sei alguns truques com minha varinha. - Remus balançou a cabeça, enquanto ia atrás do animago, com a varinha a postos.
Sirius ergueu a voz: - Ava Sheppard pergunta se há alguém aqui, vivo ou morto! Não iremos lhe fazer mal.
Ainda o silêncio. Remus limpa a garganta e disse em voz baixa para Sirius: - Que tal Ava vir aqui e perguntar? Eles parecem confiar nela.
E isso foi feito. A bruxa caminhou pela biblioteca, escoltada pelos seus amigos. Alguns segundos após chamar os habitantes do local, Ava pensou ter ouvido gemidos.
-Gemidos? – sussurrou o animago.
-É, Sirius... – sussurrou a bruxa - silêncio!
Ava Sheppard!
-Estou aqui! – disse a bruxa em voz alta, olhando tudo em sua volta, procurando o dono da voz rouca, agora mais audível.
Ava Sheppard, abra o livro. Faz muito tempo que não olhamos nossos leitores...
-Que livro? Onde ele está?
Você sabe, você nos tirou... não sabemos onde estamos.
Remus havia se aproximado da mesa, observando o imenso livro ali depositado. – Ava, que livro é esse?
-Eu não sei... eu não consegui abrir... nem Severus.
Sirius sorriu e se aproximou do volume, fazendo gestos complicados com a varinha. – Pronto!
Ava ergueu uma sobrancelha: - Pronto o quê?
-Isto! - e ele abriu o livro com uma das mãos.
Ela correu em direção a ele, observando o que havia dentro. – Não há nada aqui!
Sirius franziu o cenho, analisando as folhas em branco do livro. Remus se aproximou mais e tocou em uma página. Naquele instante, ele sentiu-se mal. – Estranho, estou ficando zonzo.
-Sente-se na cadeira – disse Ava, o segurando pelo braço. – Isso, fique aí. – e ela se virou para o livro – Vocês estão aí, no livro? Revelem-se para mim! – e ela depositou as suas duas mãos nas páginas.
Lentamente, algumas letras foram se formando em cada página, e algumas iluminuras foram surgindo em cada canto, dançando nos espaços em branco, revelando em cada uma seus registros.
Ava virou o livro e olhou sua capa. Também iam surgindo letras trabalhadas, nomeando a obra antiga. Ela esperou que a transformação acabasse e conseguiu, finalmente, ler o título do livro: - Librimortus!
-Livro dos mortos(4)? – disse Remus, espantado.
-O que foi? – perguntou Sirius.
-Esse é o livro dos mortos! Era dado como desaparecido! – e ele se levantou, excitado – Pensei que fosse uma lenda... – e ele observou com cuidado o livro, sem tocá-lo. – Cada morte de um bruxo é registrada imediatamente aqui, em suas páginas. Acho que desde... desde antes do século I. - e o bruxo ficou pensativo – Devia ser um livro bem maior...
-Maior? – perguntou Sirius.
-Claro! Morreram muitos bruxos desde então, não acha? – e murmurou para si mesmo: - Eu não acho que ele deva fazer distinção entre mestiços e abortos... não sei...
Ava virou a capa, observando a primeira página. Havia um desenho estático estranho, muito antigo, de um senhor com túnicas. Ao lado havia algo escrito em outra língua, que Ava suspeitou ser em árabe. Abaixo havia outros desenhos, também estáticos, de outros senhores e senhoras, com roupas muito antigas e escritos estranhos. A bruxa foi virando as páginas, vendo cada vez mais pessoas e mais legendas.
-Todos mortos, Moony? – o olhar de Ava estava desconsolado.
-Todos. – e Remus balançou a cabeça - Avance bem mais, até chegar em 1700, mais ou menos...
A bruxa virou quase todas as páginas do livro, e observou que, agora, algumas estavam escritas em inglês. – Melinda Scott... 1560-1671. – o desenho da bruxa estava estático. E ela disse em voz firme: – Onde estão vocês, que me chamaram?
O livro, então, sozinho, começou a virar apressadamente suas páginas, tentando alcançar seu final. Mas tanto Ava como Remus e Sirius notaram que o livro mesmo assim não terminava. – Mas é claro, ele não deve ter volume 2... – disse Remus – ou volume 3... É único!
-Onde estão vocês? – perguntou a bruxa em voz alta.
O livro parou de repente, caindo em uma página de 1870. Uma pintura de uma mulher alta e imponente despontava em um canto da página. Era uma pintura que se mexia e a mulher estava visivelmente incomodada com alguma coisa. – Olá, minha cara. Tenho imensa alegria em conhecê-la, uma Sheppard! Infelizmente, em tais circunstâncias, jogada em um papel de quinta...
Ava leu a legenda ao lado da pintura falante: Condessa Marie de Nisy. – Foi a Condessa que falou comigo?
A condessa se empertigou mais ainda: - Não, foi mais atrás...
-Onde estão vocês? - chamou Ava novamente.
As páginas retornaram, caindo em uma página estranhamente suja, com manchas em suas bordas. Havia a imagem de um senhor de óculos, com trajes antigos, aparentando impaciência. Abaixo dele havia uma senhora também ansiosa, ajeitando seu vestido.
Ah, muito prazer! – disse o senhor, com voz arrastada e rouca – Sou Daniel Gloucester. Eu tenho ouvido sua voz, senhorita, e percebido o que procura. – e ele sorriu.
Sou Lauren Gloucester! – se apresentou a senhora logo abaixo – Confesso que não acho prudente aparecer assim, você sabe, mas Daniel, meu marido, não teme as lembranças passadas. Por mim ficaria escondida por toda eternidade!
“O que eles temem?” Ava franze o cenho. – Sr. Gloucester, sabe o que procuro?
Ah, sei sim. E também sei onde encontrar o que quer.
Os três amigos se entreolharam, assustados: - O Sr. o quê?
Sei sim, está num livro de capa preta. Tem umas letras douradas nele. Agora... o nome que me escapa!
Daniel, as letras do livro eram prateadas! – e ela se vira para Ava – Ele sempre esquece os detalhes!
-O livro está... aqui? – Ava sentiu um nó na garganta.
Eu não sei. Houve muitas pessoas aqui, sempre pesquisando. – disse Gloucester, melancólico. – Mas uma coisa é certa: os livros nunca saem, ou quase nunca.
-Houve um momento em que um livro tenha saído? – perguntou Sirius.
Não sei dizer. Mas eles se escondem, ah, sim, muitos. Tem que saber como descobri-los.
-Por que vocês querem me ajudar? – questionou Ava - Eu não entendo...
Daniel olhou para baixo, para a figura de sua mulher e suspirou. – Por causa deles. Antes de eles irem embora.
-Eles quem?, por Merlim!
Gloucester faz um gesto com a mão e as páginas viram freneticamente, até chegarem numa folha simples, branca, com fotos de bruxos. Algumas estavam estáticas, mas duas em particular chamaram a atenção dos três amigos. Em uma havia um rapaz, com seu sorriso congelado no tempo, de cabelos desalinhados. Na segunda tinha uma moça ruiva pensativa.
-Lily... James! - exclamou Ava num fio de voz.
Ao lado da foto do rapaz, uma legenda: James Potter, 31 de outubro de 1981. Da moça havia a mesma data, com o nome de Lily Potter.
-Por que eles não se mexem como vocês? – questiona Sirius - O que aconteceu?
Eles partiram, como quase todos. O que tinham que fazer aqui fizeram. Esse livro é como uma passagem.
-O que eles fizeram? – gritou Ava.
Parecem que tinham uma missão. – disse a voz da mulher – Partiram para outra etapa, creio eu. Não sabemos para onde, nunca saímos daqui.
-Mas que MISSÃO? – agora quem gritava era Sirius, visivelmente abalado.
Eu conversei muito com nossos amigos. Pessoas simpáticas, porém muito preocupadas e tristes. Deixaram muitas pendências em vida, acho que devido a idade, tão jovens! Eles se preocupavam com algumas coisas, vejamos...
Remus sacudiu a cabeça, incrédulo. Sirius bufou impaciente.
...Uma delas é com o filho deles, não me lembro o nome. Parece que era um bebê... Mas eles só comentaram, não me instruíram em nada... Outra é em relação a um amigo deles, que se transforma em lobisomem... pelas calças de Merlim! Minha esposa quase desmaiou quando soube disso... Aqui tem um livro sobre a cura de um...
Lupin ficou lívido, sendo amparado por Sirius. – C-cura? – e Remus tocou novamente no livro, sentindo outra vez tonturas.
Não é prudente um lobisomem tocar no livro dos mortos! Somente bruxos puros! – reclamou Gloucester indignado. E acrescentou, aborrecido – Apesar que todos acabam passando por aqui... uma lástima. - E ele continuou: - Estavam preocupados também com a srta. e com seu noivo. Uma magia antiga foi-lhe lançada, não? Ah, essa eu ouvi uma vez... não sei precisar o tempo, pois para mim ele não passa mais – e a voz suspirou – Os Potters me instruíram para contar para alguém sobre isso, e que esse alguém contasse a srta. Mas, vejam como é a vida... ou a morte, enfim... Ava Sheppard em pessoa, aqui!
-Já estávamos pensando que nunca iríamos encontrá-la, ou encontrar quem quer que seja – comentou a voz feminina– O Sr. Sheppard foi o último que ouvimos por aqui... antes todos nos consultavam... principalmente em guerras...
-Estou confusa... e muito! – retrucou Ava – Como eles podem entrar no livro e depois saírem? Como o senhor sabe tanto desses feitiços antigos? Para onde foram meus amigos?
As páginas retornaram até chegar a página de Gloucester, que continuou: – Só permanece quem quiser. Não me pergunte por que, não fiz o livro e desconheço a magia que nele existe. Mas desde que estou aqui, com minha esposa, escuto muita coisa e aprendo. Os bruxos que freqüentavam aqui ditavam os feitiços, para outros copiarem. E não foi por poucas vezes. Anos e anos de aprendizado involuntário, pelo que me consta.
Quando seus amigos vieram fazer parte deste livro, logo descobriram, por meio desta pessoa que vos fala, onde estavam. Ficaram maravilhados e logo abriram o coração sobre a situação dos que ficaram. Não preciso dizer que minha esposa chorou copiosamente. Mas me lembrei de como o Sr. Sheppard obteve o feitiço.
-Então... – o coração dela batia descompassado – o senhor sabe como eu me desfaço do feitiço?
Gloucester riu: - Não todo, partes... mas sei qual livro... ou melhor dizendo, sei a capa... ele deve estar oculto, em algum lugar...
Naquele momento, várias páginas se acrescentaram ao final, tornando o livro ainda maior.
-Esse livro é muito estranho... – comentou Sirius, um pouco incrédulo.
Sempre que bruxos morrem, há acréscimos nas páginas. E isso acontece diversas vezes.
-Deve ser muito triste ficar aqui. – disse Ava incomodada.
No começo era muito angustiante. Mas agora eu e minha esposa apostamos quantas páginas acrescentará enquanto contamos até o número cem. Ás vezes eu ganho, outras é ela. Mas há períodos que os dois perdem. Enfim...
-Comovente – ironizou Sirius.
Ava perguntou: - Como fazemos para aparecer um livro oculto?
Gloucester sorriu muito satisfeito, como se esperasse por essa pergunta: - É muito simples: vocês devem trocar por um visível, é claro!
-E qual o feitiço utilizado?, pelas barbas de MERLIM! – perguntou Sirius, impaciente.
Ah... isso é algo que também não sei... Vocês terão de descobrir. Mas algo é certo: o que procuram está tudo aqui. A cura para o lobisomem... e a cura para você, Srta. Sheppard. E era isso que James e Lily Potter queriam tanto que soubessem e já fiz a vontade deles. Que assim seja.
Ava se afastou do livro, andando em direção a parede da biblioteca. Então estava perto... então tudo pode mudar, realmente... a esperança não era vã... A bruxa se encosta, escorregando lentamente até o chão, com o olhar distante. E Lily e James... mesmo depois, mesmo além, eles olhavam pelos amigos. Insensivelmente lágrimas quentes desceram pelo rosto dela e seu coração se aqueceu involuntariamente, e uma alegria desconhecida entrava em sua alma.
Sirius e Remus se aproximaram dela, entusiasmados: - Precisamos achar Dumbledore imediatamente! – disse Sirius, se agachando perto de sua noiva - Tenho certeza que ele saberá exatamente o que fazer para localizar os livros ocultos!
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Nota da autora:
(1) Skye fica na Escócia, ao noroeste...
(2) O enforcado e a morte são nomes reais das cartas de tarô e eu me baseei livremente no significado de cada uma. ok?
(3) Não sei se os bruxos têm relógios (cucos), mas enfim... optei por Snape ter um!!
(4) O livro dos mortos existe, mas não da forma q está na fic. Veja uma definição no wikipédia:
“Livro dos Mortos é a designação dada a uma colectânea de feitiços, fórmulas mágicas, orações, hinos e litanias do Antigo Egito, escritos em rolos de papiro e colocados nos túmulos junto das múmias. O objetivo destes textos era ajudar o morto na sua viagem pelo mundo subterrâneo, afastando eventuais perigos que este poderia encontrar na viagem para o Além. Embora não tenha sido escrito como livro de síntese teológica, constitui uma das principais fontes para o estudo e compreensão da religião egípcia.”
Próximo capítulo: O que ele não entende
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