Um zum, zum, zum absurdo podia ser ouvido em toda Ordem naquela noite. Assim como era prioridade, absoluto sigilo foi exigido por Gui quando este recebeu a coruja de seus companheiros avisando que tinham encontrado Harry, logo todos estavam sabendo da boa notícia. O jantar havia sido inevitavelmente interrompido. Todos comentavam, opinavam e apostavam em que estado Harry estaria e quem estaria vindo com ele, já que a informação de que não voltariam sozinhos também havia vazado.
Uma chave de portal foi aberta diretamente na ala hospitalar, que foi fechada para que nenhum curioso chegasse até lá. Apenas os curandeiros, medi-bruxos e algum possível paciente poderiam freqüentar o lugar a partir daquele dia. As visitas seriam também proibidas. Eles estavam ainda preocupados com o traidor desconhecido e não queriam correr o risco de que ele tentasse fazer alguma coisa contra Harry já que ele se encontrava indefeso. Apenas um auror de confiança teria permissão para permanecer ali já que havia o risco do espião ser da parte dos funcionários da saúde também. Todos estavam visivelmente exaustos. Se chegar até ali estando sãos já era difícil, sair da caverna com uma pessoa inconsciente foi pior ainda. Eles também passaram por exames na enfermaria antes de serem liberados, embora apenas Neville e Luna tenham realmente saído de perto do rapaz. Hermione e Rony permaneciam um de cada lado da cama do amigo enquanto Gui, o Sr e a Sra Weasley, Carlinhos, Lupin e Tonks conversavam com os três que cuidaram dele aquele tempo todo.
_O que será que fizeram com ele? Eu já estava acostumado a visitar o Harry na ala hospitalar, mas nunca o vi desse jeito! Nunca o haviam deixado tão baqueado... – Rony comentava preocupado com a aparência fraca do amigo.
_Rony, cair da vassoura ou levar um balaço na cabeça não se compara a ser atacado por comensais. – Hermione falou enquanto segurava a mão de Harry entre as suas. – Ele está suando frio. Pelo menos a febre cedeu...
_O que você acha que aconteceu? – Rony perguntou. – Eu não entendi nada. O Harry não disse que o Snape havia matado o Dumbledore?! Agora ele aparece vivo e junto com o seboso?!– ele falou tomando o cuidado de manter a voz baixa. Apesar de já não ser mais aluno do professor de Poções ele não ousava fazer comentários sobre ele correndo o risco de ser ouvido.
_Eu não sei, mas aposto que tem alguma boa explicação. Já estava mesmo desconfiada de que era Dumbledore quem estava com o Harry... – Hermione falou com seu ar seguro ainda com a mão de Harry entre as suas. Ela sentiu um toque em seu ombro e se virou.
_Querida, por que não vai chamar o Malfoy? Aposto como a mãe dele vai ficar contente em vê-lo! – a Sra Weasley se aproximou dos dois e falou docemente.
_Chamar o Malfoy aqui?! Você ficou louca, mãe! – Rony se exaltou.
_Olha lá como fala comigo, Rony Weasley! Chamá-lo aqui sim! Ainda não temos certeza se ele é o traidor e essa pobre mãe merece rever o filho! Ela acha que ele está desaparecido, coitada! Eu odiaria que fizessem isso comigo.
_Sua mãe tem razão, Rony! – Hermione concordou. Na verdade agora que Harry havia aparecido ela se sentia mais leve e a menção do nome de Draco fez seu coração acelerar. Ela estava com saudades. Há dias não vinha dando atenção suficiente para ele. – Eu já estou indo, Molly. – ela se levantou sorridente e saiu.
Já no andar inferior da casa Hermione teve dificuldades de encontrar Draco, já que a cada dois passos era abordada por alguém querendo saber novidades sobre Harry. Ela dizia rapidamente que ele estava bem e tentava continuar, mas era novamente interrompida. Então resolveu responder a todos de uma vez. Ela subiu em uma das mesas e falou:
_Gente, nós encontramos e Harry, ele está na enfermaria, está desacordado, mas está bem... Eu não posso dar mais nenhuma informação, então, se vocês me derem licença eu preciso achar uma pessoa! Obrigada! – o recado foi entendido por todos. Eles voltaram as suas mesas para terminar o jantar, o que não quis dizer que os comentários haviam diminuído. Durante seu pequeno discurso ela aproveitou para ver se Draco se encontrava no refeitório, mas ele não estava lá. - Só pode estar no porão... - pensou. - Espero que esteja lá... - ela desceu da mesa preocupada com a possibilidade de não encontrá-lo lá.
_Draco? – ela entrou no porão e chamou por ele baixinho. – Draco, você está aí?
_Estou aqui... – ele falou sem emoção, sentado sobre colchonetes e com um pesado livro apoiado sobre os joelhos dobrados.
Hermione abriu um grande sorriso para ele. Correu em sua direção e o abraçou fazendo-o se surpreender. Ela mesma se surpreendeu com a velocidade com que seu coração batia agora e com quão bom era aquele abraço. Draco colocou o livro de lado para poder abraçá-la direito. Aproveitou o ensejo para beijar aqueles lábios dos quais ele tanto sentia falta. Foi um beijo apaixonado, carinhoso, cheio de saudade e desejo.
_O que deu em você? – Draco perguntou sorrindo ao fim do beijo.
_Saudades! – ela respondeu contente beijando-o novamente. – Tenho uma surpresa para você! Você tem que ir até a enfermaria. – ela o puxou pela mão empolgada. Nem notou que o livro havia caído, o que realmente surpreendeu Draco.
_Que surpresa? Vocês encontraram o Potter? Não está achando que eu estava com saudade dele, né?
_Muito engraçado! Nós o encontramos sim, mas não é isso...
_Ah bom! Porque eu definitivamente não senti falta do testa rachada, senti falta de você, mesmo quando você estava aqui! – ele a fez parar e a beijou novamente. Dessa vez um beijo ardente. Ele a encostou na porta de saída, que bateu e fez um barulho alto, já que não estava bem fechada. Eles pararam por instantes para ter certeza de que ninguém havia notado o barulho. Eles se olharam carinhosamente por um tempo e então Draco depositou-lhe um beijo leve sob seus lábios, depois um na base do pescoço, que a fez gemer baixinho. Ele voltou a beijar-lhe a boca e aproveitou para passear carinhosamente suas mãos pela cintura dela.
_Draco... – ela falou quase sem voz. – Draco... Espera... – ela o afastou delicadamente. Ele parou insatisfeito. – Depois... – ela sorriu. – Agora é melhor você subir...
_Espero que a surpresa valha a interrupção, Granger! – ele disse tentando parecer bravo. Os dois se recompuseram e saíram separados do porão para não chamarem atenção.
Eles seguiam pelo corredor mantendo uma distância apropriada entre eles. O burburinho que havia diminuído aquela altura voltou com toda força quando Hermione apareceu acompanhada de Draco.
_Primeiro o Harry aparece, agora a Hermione vem buscar o Malfoy? Isso não ta me cheirando bem... – alguém comentou em um canto do refeitório.
_Será que confirmaram que era ele? – outro dizia.
_Não seja burro! Se fosse isso não teriam mandado a Granger, e sim uma equipe inteira! – alguém opinava.
_Não ligue para isso... – Hermione dizia discretamente para Draco.
Quando já estavam bem próximos da enfermaria encontraram Lilá Brown vindo da direção oposta com uma cara nada satisfeita. Sua expressão mudou rapidamente para um sorriso acusador ao ver os dois ali.
_Soube que encontraram o Harry... Que bom, não é, Hermione?!
_Sim, sim... Ótimo. – Hermione respondeu fria sem dar-lhe maior atenção, deixando a garota para trás.
_Ei, Hermione!
Ela foi obrigada a parar para ouvir o que a garota queria.
_Você não se importaria de chamar o Rony para mim, não é? – perguntou com o sorriso mais cínico do estoque. Hermione a encarou com olhos flamejantes. – Ah... É claro que não se importaria! Pede para ele vir falar comigo? To com tanta saudade! – ela colocou as mãos juntas como que implorando sem nunca tirar o sorriso provocador da face.
_Claro, Lilá! Eu chamo! – Hermione girou sobre os calcanhares com o rosto em chamas! – Garota insuportável! – falou para si mesma. Draco a observava de esguelha.
Quando a garota já estava bem distante Draco comentou sério: - Eu acho que ela sabe...
_É. Eu notei... – Hermione respondeu séria.
_Não seria melhor...
_NÃO!
Draco se surpreendeu com a resposta imediata. Os dois haviam chegado à porta da enfermaria. Ela parou impedindo a passagem do rapaz e disse: - Draco... Ainda não é a hora... Acho melhor esperarmos isso tudo acabar...
_E se não acabar nunca?! E se demorar demais, Hermione?!
_Uma hora isso tem que acabar. E aí, quando provarmos que você não é o traidor e os ânimos estiverem tranqüilos a gente conta para todo mundo, ok? Só precisamos ter um pouco mais de paciência... – ela tentou sorrir tranqüilizando-o, mas no fundo não sabia se algum dia teria coragem de contar aquilo aos amigos. Não sabia se resistiria a uma rejeição da parte de Harry e Rony. – Agora não é hora de pensar nisso... – sorriu. – Ainda tem a sua surpresa!- ela abriu a porta na esperança de que o assunto se encerrasse ali.
Draco entrou na sala curioso a respeito da surpresa, embora insatisfeito com a resposta evasiva de Hermione. Na sala todos se viraram em direção à porta quando esta se abriu. Narcisa Malfoy olhou para o filho com lágrimas nos olhos.
_Mãe?! – Draco se surpreendeu. Narcisa foi ao seu encontro e o abraçou ternamente. Draco ficou sem reação. Depois de alguns segundos desnorteado ele finalmente retribuiu o abraço da mãe. Também estava emocionado, embora não o demonstrasse muito bem.
_Ah, Draco! Tive tanto medo de que ele tivesse feito alguma coisa com você! Onde você esteve, querido? Por que não me avisou, não me mandou notícia nenhuma! Eu fiquei tão aflita! – ela disse tudo isso fitando-o demoradamente, como que analisando se aquele era mesmo seu filho, ou se estava inteiro.
_Mãe! Onde você esteve?! Eu achei que você estivesse com Lucius! – ele perguntou espantado.
_Sua mãe estava comigo, Draco! – Snape respondeu no lugar da mulher.
Draco se espantou. Pela primeira vez notou a presença de seu antigo professor, aliás, de seus dois antigos professores. A visão de Dumbledore o fez empalidecer. Por um instante achou que estivesse sonhando.
_Como vai jovem Malfoy? – Dumbledore o cumprimentou com seu habitual sorriso bondoso. – Não fique tão espantado. Tudo tem uma boa explicação.
_Eu espero que tenha mesmo! – ele disse mais pálido que uma folha de papel e com os olhos completamente arregalados.
_E tudo será explicado no seu devido tempo! – Gui interrompeu. – Senhores, acho melhor irmos para a sala de reuniões. Lá conversaremos mais à vontade e não incomodaremos o Harry. Ele precisa de cuidados e aqui nós apenas atrapalhamos. – ele se virou em direção à porta e a abriu fazendo sinal para que todos saíssem.
Apenas naquela hora Draco se lembrou de Harry. O viu ali deitado naquela cama de hospital, como tantas vezes havia visto em Hogwarts. Não sabia se sentia pena, raiva ou se não sentia nada. Um leve toque em seu braço o fez despertar de seus devaneios. Guiado pelas mãos carinhosas da mãe ele seguiu para fora daquele lugar, não sem antes lançar um olhar discreto para Hermione, que ficou para trás esperando por Rony.
_Rony! – ela chamou.
_Que foi? Mione, você... Você estava chorando?! – ele perguntou assustado.
_Ah, Rony! Você sabe que eu choro a toa! Fiquei emocionada com o reencontro de mãe e filho...
_Ai, Mione! Só você mesmo! Não se esqueça que...
_Eu sei, eu sei! – ela interrompeu. – Ele pode ser o traidor! Ok, ok! Mas não foi para isso que eu te chamei! Sua namorada está te esperando. Ela está com saudades! – ela disse a última frase imitando a voz fina e a expressão sonsa do rosto de Lilá, o que fez com que Rony risse e sustentasse um fiozinho de esperança em relação aos sentimentos dela.
_Rony! – eles foram interrompidos por Gui. – Vamos?
_Claro! – ele respondeu puxando Hermione pela mão.
_Mas antes, desça e peça para um dos gêmeos, ou os dois, já que eles não se largam, ficarem aqui com Harry, de vigia!
_Ok!
_Depois vá até a sala de reuniões.
_Tá legal! – ele deu um sorriso carinhoso para Hermione, que retribuiu. O gesto não passou despercebido por Draco, nem por Gui, que sorriu maliciosamente para Hermione fazendo-a corar levemente.
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Um silêncio aterrador pairava naquela sala de reuniões. Todos estavam ansiosos por explicações. O ruído da porta se abrindo e dando passagem para Rony assustou alguns dos que estavam mais distraídos. Como de costume o rapaz adquiriu sua coloração rubra ao perceber que só estavam esperando por ele.
_Bem... Acho que já podemos começar e, se não se importam, gostaria de ser o primeiro a falar. – ninguém fez objeção nenhuma. – Muito bem. Para começar, jovem Malfoy, devo dizer que sempre soube dos planos que Voldemort tinha para nós dois. Como você deve estar imaginando agora Snape era um agente duplo. Ele me avisou desde o começo sobre as tentativas que você foi obrigado a fazer. Confesso que no dia em que eu voltei da caverna com Harry cheguei a acreditar que você cumpriria sua missão, mas não faz parte de sua natureza. Alimentar sentimentos ruins em relação aqueles de quem você não gosta é normal, mas daí a matar uma pessoa. Por sorte sua mãe obrigou Severo a fazer um voto perpétuo prometendo terminar sua missão caso você falhasse. Era com isso que nós contávamos: você falha, Severo assume e me mata. Nós tivemos o ano inteiro para planejar tudo de modo que convencesse a todos, inclusive a Voldemort. Parece que deu certo. – ele sorriu satisfeito.
Hermione levantou a mão, o que fez com que Snape tivesse a impressão de que havia voltado a dar aulas. Ele revirou os olhos e não fez a menor questão de disfarçar. Dumbledroe sorriu e disse: - Pois não, Srta. Granger.
_Desculpe, professor, mas, se o Snape fez um voto perpétuo e não cumpriu, porque ele não está morto?
Snape olhou para o professor pedindo permissão para responder. Este meneou a cabeça afirmativamente.
_O caso, Granger, é que o conhecimento de magia negra, embora não seja bem visto, é muito útil às vezes. O voto que eu fiz com Narcisa não foi verdadeiro. Foi uma versão não tão drástica deste feitiço.
_Nós sabíamos que a minha morte faria Voldemort se sentir mais forte. Precisávamos que ele se revelasse para podermos saber de que lado nos defenderíamos. – Dumbledore completou. – Peço desculpas pelo sofrimento que causei, mas foi necessário.
_Desculpe, professor, mas, como foi que vocês encontraram o Harry? – Rony tomou coragem para participar da conversa.
_Você deve se lembrar que Severo estava lá com os comensais no dia do ataque...
_Sim... Me lembro.
_Eu me afastei quando a luta começou. – Snape tomou partida na narração. - Tentei manter distância da batalha e ajudar de alguma maneira os aurores que estavam lá sem ser descoberto pelos comensais, o que não foi nada fácil. Eu notei que muitos deles não estavam ali no meio da confusão. Procurei por Harry e vi que ele estava muito afastado dos demais. Ele estava sendo cercado. Então corri em seu encontro, mas foi tarde. Ele foi atacado por uma série de feitiços que vinham de várias direções. Usando oclumência eu me aproximei e estuporei alguns dos comensais e consegui tirá-lo dali. Então o levei para a caverna.
_Então vocês sabiam que os comensais estariam nos esperando?! – Carlinhos perguntou incrédulo.
_Infelizmente não, meu rapaz. Se tivéssemos sabido antes avisaríamos, mas parece que desde que Snape fugiu de Hogwarts escondendo Draco Voldemort perdeu a confiança nele...
_As informações são passadas de última hora! Ao contrário do que acontece aqui, lá eles não confiam nem na própria sombra. Quando Lucius me avisou que emboscaríamos vocês no galpão já não dava mais tempo de alertá-los. Restou-me chamar a atenção de vocês antes que entrassem no saguão, ou teria sido muito pior... – Snape explicou.
_Espera um pouco! – Rony se exaltou. – Quer dizer então que você sabe quem é o traidor?! – todos se mexeram desconfortavelmente na cadeira. Hermione e Draco trocaram olhares expressivos.
_Não, Weasley! Será que você é surdo? Eu acabei de dizer que não há confiança lá dentro! Apenas Malfoy sabe quem é o informante! Apenas ele tem contato com a tal pessoa...
Apesar de tentarem disfarçar todos olharam para Draco naquele momento. O clima ficava cada vez mais pesado, insuportável para ser mais precisa. Hermione mudou de assunto.
_Porque a Sra Malfoy estava com vocês?
A mulher se assustou ao ouvir o próprio nome, embora tenha se sentido aliviada pela mudança no rumo da conversa. Ela se virou para Hermione dispensando-a um sorriso agradecido e falou: - Eu estava escondida em uma das masmorras da mansão Malfoy, mas quando soube que os comensais estavam atrás do meu filho e que Lucius não estava fazendo nada para impedir não pude continuar. Procurei o Severo para saber de Draco e dizer que estava disposta a contar tudo que eu sabia dos planos de Lucius em troca de notícias sobre ele. Foi então que Severo me levou até a caverna e me contou sobre Dumbledore, mas ele não sabia que Draco estava aqui.
_Nós passávamos informações para Ordem, mas não recebíamos informação nenhuma em troca. Tudo era feito por meio de legilimência. – Dumbledore afirmou. – Através de sonhos.
Neste instante foram ouvidas leves batidas na porta. Ela se abriu e Fred Weasley entrou por ela: - Desculpe interromper, mas o Harry piorou. Os medi-bruxos não sabem o que fazer. – falou preocupado.
_Você o deixou sozinho, Fred? – Gui perguntou sobressaltado.
_Não, Jorge está lá. Os medi-bruxos queriam que avisássemos vocês porque... – ele parou sem coragem de encarar os demais. – eles estão pouco otimistas...
Um murmúrio de lamentação foi ouvido ali. Hermione sentiu seus olhos se encherem de lágrimas. Rony segurou firme em sua mão para confortá-la. Draco sentiu uma raiva enorme crescer dentro dele, mas não podia fazer nada a respeito. Seu ciúme perdeu espaço em sua mente quando ouviu a voz de sua mãe.
_Desculpem-me, mas tenho para mim que Harry está fisicamente bem. – ela se levantou para chamar a atenção dos demais. - Devem ter usado nele algum feitiço para prender a sua mente em algo muito triste. Durante esses dias em que eu cuidei dele... – nesta hora Draco sentiu seu ciúme voltar com toda força. - ...eu notei que ele sempre repetia o mesmo nome: Gina... Quem é Gina? Talvez ela pudesse ajudar...
A Sra Weasley soltou um suspiro emocionado. Com a voz embargada respondeu: -É minha filha, Sra. Malfoy. Ela é namorada do Harry. Será que usaram a imagem da minha menininha para prender o coitadinho num pesadelo? – ela começou a chorar descontroladamente. – Será que aconteceu algo com ela e nós não estamos sabendo?! Arthur! – ela olhou apavorada para o marido.
_Acalme-se, Molly! A Gina está muito bem! Eles seriam incapazes de fazer alguma coisa com ela em Hogwarts! Ela está segura lá!
_Se me permitem opinar acho que seria bom trazê-la para ver o rapaz... Quem sabe, se ele ouvir a voz dela, porque ele entende o que falamos. Ele sempre reagia quando eu tentava falar com ele e perguntava quem era essa pessoa. Era como se ele tentasse desesperadamente se comunicar, mas não conseguisse...
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Gina andava aflita pelo seu quarto jogando em uma mochila tudo que achava que seria útil na sua estadia na Ordem. Ela estava aliviada com a notícia de que haviam encontrado Harry, mas preocupada com a urgência com que seu pai e seus irmãos vieram buscá-la.
_Ai meu Deus! O que será que aconteceu? Por que ninguém nunca me explica nada? - ela fechou com dificuldade o zíper da mochila muito cheia e desceu correndo as escadas do dormitório.
No salão principal Arthur, Rony e Carlinhos esperavam impacientes por Gina. Rony se exaltou quando a viu correr em direção a eles.
_Que demora, Gina!
_Ninguém vai me dizer o que está acontecendo?! O Harry está morrendo, não está? Digam-me de uma vez! – ela gritava com lágrimas nos olhos, chamando a atenção dos estudantes que almoçavam ali.
_Acalme-se, querida. O Harry não está muito bem, mas com certeza não vai morrer... – Arthur tentou tranqüilizá-la.
_Mas então... – ela foi interrompida.
_No caminho explicamos, Gina. – Carlinhos encerrou a conversa colocando nas mãos da irmã um pedaço de pergaminho. Os outros também seguraram o pergaminho e sumiram do salão principal.
Hermione estava exausta. Há horas estava ali na enfermaria sentada ao lado de seu amigo. Era sua vez de fazer a vigia. Apenas ela e os Weasley tinham permissão de ficar ali. Ela tentava inutilmente conversar com Harry nas poucas horas em que ele apresentava alguma reação, mas de nada adiantava. Para se distrair ela começou a ler alguma coisa, mas nem isso adiantava. Ao contrário dos planos que fizera com o aparecimento de Harry ela não estava conseguindo dar a atenção que havia prometido a Draco. Era no que ela pensava depois de receber a visita de uma coruja das torres.
“Venha me ver no porão depois que acabar o seu turno. Precisamos conversar e não invente desculpas! Sei que você não vai ficar aí a noite toda!
D.M.”
_É... Parece que eu vou levar uma bronca... – falou sozinha. Em seguida encostou a cabeça na parede e começou a refletir sobre o que deveria fazer. Estava cansada, mas tinha medo do que Draco poderia fazer se ficasse com raiva. Ela fechou os olhos e começou a se lembrar do beijo que eles haviam trocado no dia anterior quando ela havia acabado de chegar da missão. Um suspiro a fez perceber que sentia tanta falta dele quanto ele dela. – É... Eu vou!
_Vai aonde, Mione?
Ela quase pulou da cadeira. – Gui! Que susto!
_Desculpe... Vai aonde?!
_Ãh?! Aonde? Dormir ora!
_Dormir, Hermione?! – ele a encarou incrédulo.
_Eu estava pensando se deveria ir dormir ou ficar na biblioteca até mais tarde, mas decidi que vou dormir mesmo. – ela se levantou da cadeira dando lugar ao seu substituto.
_Concordo! O que você ficaria fazendo na biblioteca há essa hora?! – ele se sentou.
_Ué?! Estudando!
_Ah, Hermione! Por favor! Estudar?! Vá dormir! Você deve estar cansada. Estudar para quê?!
_Não acredito! Eu entenderia ouvir isso do Rony ou do Harry, mas de você!
_Você me entendeu. Vá dormir logo porque eu acho que todo esse estresse está te fazendo mal. - ela pensou em responder, mas não teve tempo. Gui a dispensou com um gesto breve. – Boa noite!
Ela apenas grunhiu em resposta. Saiu daquele lugar e sentiu o ar ficar mais leve. Incrível como a ala hospitalar estava carregada. - Ai, não vejo a hora de a Gina chegar! - pensou. Ela se espreguiçou e o movimento fez o bilhete de Draco cair do bolso da blusa. Ela o pegou rapidamente e sorriu. Dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho demorado, passou hidratante na pele, umas gotinhas de um perfume leve, vestiu um pijama florido, mas que não levantasse suspeitas se a pegassem no meio do caminho. Colocou um robe e desceu sem fazer barulho.
_Até que enfim! Achei que não viria! – Draco a abordou rispidamente.
_Me desculpe. O Gui se atrasou e eu fui tomar um banho. Queria tirar aquele cheiro de enfermaria. – ela jogou os braços em volta do pescoço dele. – Queria estar bem cheirosa para encontrar você. – ela o beijou.
Draco correspondeu fervorosamente ao beijo. Trouxe-a para mais perto de seu corpo mantendo-a firme entre seus braços. Aos poucos foi levando-a até o conhecido canto do porão onde poderiam ficar mais a vontade. Ele a deitou nos colchonetes e parou para observá-la, para estudar a reação dela. Ela sorriu acariciando o rosto dele e ele voltou a beijá-la. Beijava a boca, descia para o pescoço, para o colo, sempre prestando atenção a cada reação dela. Hermione respondia com gemidos baixos e com carícias em sua nuca. Ele resolveu ousar um pouco mais, levou uma das mãos até a cintura de Hermione e desamarrou o robe. Começou a subir vagarosamente a mão, levando com ela a parte de cima do pijama. Percebeu a pele da garota se arrepiar com o seu toque, voltou a beijá-la nos lábios com mais furor, fazendo-a entrar completamente no clima. Com a ponta dos dedos tocou um dos seios da garota. Ela se assustou e ele parou. Olhou-a novamente esperando uma nova manifestação, ela o beijou. Foi um sinal para que ele continuasse. Ele terminou o movimento acariciando-lhe o seio. Com a ponta dos dedos brincou com seu mamilo enquanto com a outra mão tentava tirar de uma vez seu robe. Quando conseguiu se posicionou entre as pernas de Hermione fazendo-a sentir o peso de seu corpo. Hermione sentiu a excitação de Draco crescer e travou.
_Desculpe, Draco... – ela falou sem coragem de encará-lo. Estava vermelha de vergonha. – Desculpe, mas não dá!
_O que foi Mione? Eu achei que você queria tanto quanto eu!- ele falou espantado tentando não parecer ansioso demais.
_Eu quero, mas...
_Mas o quê? – ele se reaproximou tocando-lhe a face.
_Eu... Eu não consigo... Não aqui... Desse jeito... Desculpe! – ela se levantou rapidamente arrumando a blusa do pijama e vestindo o robe.
Ela se preparava para abrir a porta, mas Draco a segurou pelo braço. – Hermione você não precisa ficar assustada. Eu jamais faria nada que te machucasse!
_Eu sei, Draco... É que... É que eu queria que nossa primeira vez fosse especial... Num lugar especial... Ai! Eu não sei! Não sei se estou preparada! Não sei! – ela escondeu o rosto com as mãos.
Draco suspirou decepcionado e um pouco impaciente, mas tentou compreender. – Vai ser sua primeira vez?
_Vai... – ela respondeu quase sem voz e sem olhá-lo.
Ele a abraçou. – Eu quero que saiba que para mim vai ser especial de qualquer jeito, Mione. Mas se você prefere esperar eu entendo...
Ela retribuiu o abraço, mas ainda não tinha coragem de encará-lo.
_Filho... Filho acorda! – Gui acordou assustado com alguém cutucando seu braço. Abriu os olhos e deu de cara com o pai. Olhou para a cama em que Harry estava e se deparou com sua irmã caçula ajoelhada ao seu lado segurando a mão do namorado e tentando conter as lágrimas. – Pai, Gina, quando foi que vocês chegaram?
_Ontem à noite. Não viemos antes porque a enfermaria estava trancada. Deu um baita trabalho explicar para sua irmã que ela teria que esperar amanhecer. – Arthur explicava.
_Gina. Como vai? – ele tocou a mão da irmã.
_Mais ou menos. – disse com a voz embargada. – Estaria bem melhor se nada disso estivesse acontecendo.
_Eu entendo... Mas ele vai ficar bom! Já passou por coisas piores! – sorriu.
Ela tentou retribuir o sorriso, mas só conseguiu chorar mais ainda.
_Venha, filho. Vamos deixar os dois aí. Você precisa comer alguma coisa. Quem vai ficar aqui agora?
_O Carlinhos. Vou pedir para ele ficar do lado de fora.
_Faça isso... – os dois saíram deixando Gina ao lado do namorado inconsciente.
Ela se levantou do chão e sentou na cama. Acariciou a face do rapaz, notou que ele estava com febre. Tentou conter o desespero que se apoderou dela diante daquela cena. Imaginou se um dia aquilo acabaria e eles poderiam viver felizes, ou se tudo acabaria com ela chorando sobre o corpo do rapaz que tanto amava. Ela secou uma lágrima que insistia em cair. Levou a mão novamente ao rosto de Harry e falou baixinho: - Harry... Harry você pode me ouvir? Acorda... Você precisa acordar. Precisa reagir! Você não tem nada! Seu corpo está são! Eu não sei o que fizeram com você, mas se tem a ver comigo saiba que eu estou bem! Acorda Harry! – nenhuma reação... Ela chorou de novo. Dessa vez não fez questão de se conter. Chorou tudo o que queria. Precisava desabafar. Não agüentava mais segurar toda aquela tristeza. Suas lágrimas molhavam a colcha que cobria Harry. Ela apoiou a cabeça em seu peito e continuou chorando por algum tempo. Quando conseguiu se controlar olhou novamente para o rapaz. Depositou-lhe um beijo na face e resolveu se deitar. Envolveu-o em um abraço, apoiou a cabeça em seu peito e fechou os olhos. Podia sentir o calor do corpo dele passando para o seu. Podia sentir as batidas fracas do coração dele. Tentou não pensar em nada. Mais tarde tentaria falar com ele de novo. Adormeceu... Adormeceu como há dias não conseguia. Não dormia direito desde que soube que ele havia sumido. Não conseguiu dormir na noite anterior tamanha era a sua ansiedade. Dormiu...
_Hum hum... Ehr... Srta? Srta Weasley? - Gina sentia alguém tocando seu braço. Ouvia alguém repetindo seu nome, mas não tinha forças nem para abrir os olhos. Sentia-os pesados, assim como todo seu corpo. Estava mole e com um frio inexplicável. – Srta Weasley, por favor acorde.
Ela fez um esforço e abriu os olhos. Viu um jovem senhor ao seu lado, ele tinha um rosto bondoso, usava roupas verdes, só podia ser um dos medi - bruxos. – Ah?! O que aconteceu? – ela virou a cabeça rápido demais e sentiu a sala rodar. Levou uma das mãos a testa. – Nossa!
_A srta está bem? – o homem perguntou.
_Não sei. Estou meio tonta...
_Desculpe incomodá-la, mas a Srta não pode mais ficar aqui. Precisamos fazer os exames de rotina no jovem Harry.
Ela se lembrou onde estava. Olhou para o lado e viu Harry adormecido, exatamente como ela havia visto antes de adormecer. Seu coração ficou apertado, mas parecia que ela não tinha mais forças nem para chorar. Ela se levantou da cama e quase caiu. Se apoiou no medi - bruxo.
_Você está bem? Venha, sente-se aqui. – ele puxou a cadeira para perto dela. – Com licença. – ele tocou a testa da garota com as costas da mão. – Meu Deus do céu! A srta está queimando em febre! – ele logo se virou para medir a temperatura de Harry. Suspirou. – Como imaginei! A febre de Harry cedeu totalmente. Ela passou para a srta. Fique sentadinha aí que eu já volto. – e saiu da sala. Voltou logo em seguida acompanhado da Sra. Weasley. A mulher veio correndo em direção a filha e tocou-lhe a testa. – É como eu disse, Molly. A febre do rapaz passou para ela, mas não se preocupe. Tenho certeza que um bom banho morno fará a febre dela ceder também, mas eu recomendaria que ela comesse alguma coisa, se distraísse um pouco. De preferência volte aqui só amanhã.
Gina pensou em protestar, mas o olhar severo de sua mãe a fez recuar. Saiu da enfermaria emburrada e foi direto ao banheiro feminino para tomar banho. Em seguida desceu para o refeitório já que a idéia do homem sobre comer alguma coisa lhe pareceu bem atraente agora que estava mais despertada. Lá ela encontrou Hermione e Draco dividindo uma mesa.
_Gina! – a garota correu em direção à amiga e a abraçou. – Que bom que você chegou! Onde você estava?!
_Estava com o Harry.
_Você estava até agora com ele?! – Draco se intrometeu.
Gina olhou para ele com espanto, mas se limitou a responder: - Sim. Eu acabei adormecendo. Ontem não consegui pregar o olho depois que eu cheguei. – falou agora se dirigindo a Hermione. – Aliás, eu vi a hora que você chegou. Onde você estava?
_Eu? Quando?! – Hermione perguntou tentando ganhar tempo para pensar em alguma resposta. Draco apenas fingiu se distrair com seu chá.
_Como quando?! Ontem! Eu fiquei um bom tempo acordada. Vi quando você veio dormir, só não falei nada porque estava chateada por não me deixarem ver o Harry ontem mesmo. – ela se sentou e apreciou o prato com bolachinhas e torradas que surgiu a sua frente, assim como uma bela xícara de chá quentinho.
_Ah! É que... Eu também estava sem sono! Estava preocupada... Não consegui dormir! – ela se sentou ao lado de Draco. Um sorriso irônico era visível nos lábios dele. Gina notou.
_Hum... Sei... E você, Malfoy?!
Ele se assustou engasgando-se discretamente com o chá: - Eu o quê?!
_Você está bem? – Gina pegou despreocupadamente uma torrada e a levou a boca.
Draco olhou duvidoso para Gina, mas respondeu: - Estou muito bem... – os dois ficaram se encarando por alguns segundos, como se estivessem se estudando.
_Vocês já tem alguma pista de quem é o traidor?! – ela mudou de assunto de repente.
_É claro que já! O Malfoy! – Rony chegou de repente sentando-se ao lado de Hermione. – Como está o Harry, Gina?
_Oi para você também Rony! – ela sorriu com a chegada repentina do irmão.
Ele roubou uma torrada da irmã e ele e Draco trocaram olhares letais. – Está mais calminha?
_Estou... Respondendo a sua pergunta ele está na mesma, mas o medi - bruxo disse que a febre cedeu... Passou para mim... – sorriu.
_O que?! – Rony se exaltou.
_Mas já passou também! Não se preocupe...
Draco terminou seu chá das cinco e fez menção de se levantar. Hermione acompanhou-o com o olhar, preocupada, mas não saiu do lugar. Ela, Rony e Gina ficaram ali conversando, Gina matava a saudade dos dois contando os últimos acontecimentos em Hogwarts. Juntos os três relembravam as aventuras e desventuras dos anos anteriores.
O tempo passou rápido, tanto que eles nem notaram que já era hora do jantar. Eles ficaram tanto tempo comendo as torradas que não paravam de aparecer nos pratos a sua frente que agora não tinham mais fome. Resolveram ir até a enfermaria para ver como Harry estava. De lá, visto que nada havia mudado na situação do menino – que – sobreviveu, foram para os seus respectivos dormitórios.
_Por que você e o Malfoy estão sempre juntos, Mione? – Gina perguntou.
Hermione sentiu o coração dar cambalhotas em seu peito. Pensou rápido e respondeu: - Eu aposto que seu irmão preferiria colocar outra pessoa, mas desde que o Malfoy chegou aqui eu tenho sido a mais paciente com ele... Rony e Harry são hostis demais. O Gui queria que alguém ficasse de olho nele.
_Hum... – Gina não pareceu muito convencida.
_Você sabia que o Harry quase matou o Malfoy ano passado? – ela tentou.
_O quê?! – Gina arregalou os olhos para a amiga.
_É sério! O Malfoy falou logo que chegou aqui? – Gina fez uma careta. - Eu também não acreditei no começo, mas depois o Harry admitiu...
_Ah, não! Você está brincando!
_Não estou não! Isso porque o Harry é muito mais calmo que o Rony! Imagine o que ele faria?!
_Caramba!
_Pois é... – Hermione observou a amiga por um tempo para averiguar se a desculpa havia colado. Ficou mais tranqüila quando Gina parou de fazer-lhe perguntas.
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Gina foi a primeira a se levantar naquele dia. Se trocou rapidamente e dirigiu-se logo para a enfermaria. Abriu silenciosamente a porta e se deparou com Jorge dormindo de boca aberta com a cabeça encostada na parede ao lado da cama de Harry. Ela chamou o irmão e pediu para que ele fosse descansar. Ela tomaria seu lugar. O rapaz não pensou duas vezes. Se despediu da irmã e foi direto para seu dormitório. Gina tomou o lugar dele, Harry parecia bem melhor, parecia que estava apenas num sono profundo. Ela sorriu e tocou o rosto do namorado para averiguar se ele estava com febre, nada... Ela se sentou na cama dele e começou a chamá-lo baixinho, como se estivesse tentando acordar uma criança dorminhoca.
_Harry... Acorda! Já passou da hora você não acha?! – ela sorriu quando percebeu que estava falando exatamente como sua mãe. – Harry... – seu coração acelerou. Pela primeira vez em dias Harry se virou na cama, exatamente como faria uma criança preguiçosa. – Harry... Acorda meu amor! É a Gina... Levanta daí! - ele se virou de novo e resmungou alguma coisa sem nexo. Gina sentia as lágrimas brotarem de seus olhos, mas desta vez não eram de tristeza... – Harry... – chamou com a voz embargada.
_Hum?! – Harry resmungou, se espreguiçou e abriu lentamente os olhos. Estranhou a luz forte que havia no quarto àquela hora. - Como eu não acordei antes com toda essa claridade? - ele esfregou os olhos e só então notou que havia alguém na cama com ele. Procurou os óculos, mas não os achou, e nem precisaria: ele reconheceria aquelas madeixas vermelhas em qualquer lugar. – Gina... – falou num suspiro, sorriu. – GINA! – ele se levantou de repente, fechou os olhos quando sentiu a sala inteira dar uma volta em frente a eles. Ele os abriu novamente e notou que era ela mesma. Estava imóvel a sua frente. Ele notou que ela estava com as mãos na boca, espantada, mas não conseguia enxergar as lágrimas que escorriam de seus olhos. Ela se jogou em cima dele num abraço apertado. Ele não entendia nada. – Gina?! O que aconteceu?! O que você está fazendo aqui?! Você não estava com Vold...
_Não fala nada, Harry! Não fala nada... É uma longa história... – ela o abraçou novamente. Harry desistiu de tentar entender o que estava acontecendo. Apenas aproveitou o abraço apertado que Gina lhe dava.
A porta da enfermaria se abriu, os dois ouviram a voz de Hermione dando bronca em alguém: - Vocês não ouviram o que o Gui falou?! Não era para deixá-lo sozinho!
_Mas a Gina está aí com ele, Mione! – alguém se justificou.
_Mesmo assim! Ai! Vocês não aprendem mesmo! – ela entrou na enfermaria vermelha de raiva. Este sentimento se transformou logo em espanto quando ela deu de cara com Harry olhando para ela confuso. Ela ainda demorou alguns segundos para assimilar o que estava acontecendo. Quando a ficha caiu ela foi ao encontro dos amigos. Gina deu espaço para ela que deu um abraço forte no amigo. Ao contrário de Gina que continha melhor o choro, ela soluçava, o que deixou Harry realmente preocupado.
_Será que alguém poderia me explicar o que está acontecendo?! – Gina não conteve a emoção e deu a volta na cama para abraçar de novo o namorado. – Pelo amor de Deus! Vocês estão me assustando!
As duas o soltaram e enquanto tentavam controlar a emoção explicaram tudo que havia acontecido até aquele dia. Durante a conversa dos três alguns medi - bruxos e curandeiros que passaram por ali cumprimentavam Harry e logo saiam para avisar a todos que ele estava de volta. Logo a porta da enfermaria estava lotada, mas apenas os Weasley e os aurores mais velhos tinham permissão para entrar. Harry nunca havia recebido tantos abraços como naquele dia, também nunca havia se sentido tão bem. Até o abraço sufocante da Sra Weasley foi muito bem vindo depois de saber de tudo que eles haviam passado. Harry ainda passara aquele dia na enfermaria para fazer novos exames e para exercitar as pernas que haviam ficado fracas depois de tanto tempo dormindo, só a noite ele pode sair e depois de um bom banho ele desceu ao refeitório e foi recebido com muita festa pelos demais aurores. Foi uma verdadeira festa, uma algazarra digna de uma comemoração de Taça de Quadribol. Draco era o único que parecia alheio a tudo.
No dia seguinte uma reunião foi marcada para que Harry explicasse o que havia acontecido. Não é preciso falar do choque que ele levou ao ver naquela sala seu querido ex- diretor e seu odiado ex- professor de Poções, assim como Narcisa Malfoy. Passado o primeiro susto e depois de mais uma leva de explicações ele começou sua narração.
_Eu não me lembro exatamente do que aconteceu. Está tudo muito confuso em minha mente. Eu me lembro de cheiros, mais precisamente do mesmo cheiro enjoado que eu senti na caverna no ano passado.
_É normal, Harry! Você foi levado para lá depois do ataque dos comensais. – Dumbledore respondeu. – Mas porque você não acordava? Você ficou semanas desacordado.
_Pois eu achava que estava acordado. Tinha plena certeza disso, mas pelo jeito eu estava sonhando. Foi estranho! Por isso eu me assustei quando eu vi a Gina. No meu sonho eu a estava procurando... – ele parou para colocar em ordem todas as lembranças que tinha. – Eu me lembro de estar lá no campo onde iríamos emboscar os comensais. De repente eu fui atacado por vários deles, caí e fiquei sozinho por algum tempo, logo um deles voltou... – ele sorriu. – Como eu não notei que era um sonho! O comensal que falou comigo, uma mulher, estava encapuzada... A mesma roupa que eles usaram no ataque durante a Copa Mundial. Vocês se lembram?! – ele se dirigiu a Rony e Hermione. Os dois responderam afirmativamente. – Aquela comensal me disse que eles haviam invadido Hogwarts novamente e que haviam levado a Gina embora... disse que a levariam a Voldemort... – uma reação coletiva àquele nome o fez se arrepender de tê-lo falado tão naturalmente.
_Então a Sra Malfoy tinha razão. Eles o prenderam num pesadelo para que você não acordasse. – concluiu o Sr Weasley.
_Parece que sim... Todo esse tempo eu estava tentando encontrar a Gina. Foi cansativo... Eu passei por lugares que eu nem conhecia, que eu só havia visto na penseira... – ele olhou para Dumbledore que retribuiu com um sorriso confortador. Todos estavam em silêncio. Ninguém sabia o que dizer a respeito, ninguém queria dizer nada a respeito. Harry parecia concentrado em tentar se lembrar de mais alguma coisa. – Só teve um problema nisso tudo, um problema para eles! – todos prestavam atenção nele. – Eu descobri qual é a última horcruxe! – todos se espantaram.
_Mesmo Harry?! E qual é?! – Rony perguntou aflito.
_O caldeirão que a mãe usava para preparar a poção que enfeitiçava o pai dele... Agora só precisamos descobrir onde está!
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Gina e Harry passaram o dia seguinte inteiro juntos, não se largavam por nada.
_Caramba! Eu queria conversar um pouco com ele também! Mas a Gina não larga do pé dele! – Rony reclamava para Hermione.
_Claro Rony! É natural, não é?! Fazia um tempão que eles não se viam, agora estão matando a saudade! – ela respondia divertida com o ciúme do amigo, enquanto fazia o relatório da última missão.
_Espero que não se empolguem demais nessa matança! Onde é que eles estão, aliás?! – Rony esticava o pescoço a procura do amigo e da irmã.
Hermione ria da situação. – Calma Rony! Eles não vão fazer nada de mais!
_Como você sabe?! Lugar tem!
_É mesmo?! Onde?
_Por que o interesse, Hermione?! – ele perguntou ficando com as orelhas vermelhas.
_Sei lá! É sempre bom saber desses lugares... Vai que eu precise usar, né?!
_É mesmo?! – ele bateu na mesa nervoso. – Com o Vitinho?!
Hermione revirou os olhos e voltou sua atenção ao relatório. Rony a encarava esperando uma resposta.
No jardim dos fundos da Ordem Harry e Gina trocavam beijos apaixonados. Os dois estavam deitados sobre a grama trocando carícias e juras de amor. Apesar da vontade louca de ter Gina completamente, Harry se continha. Gina tentava provocá-lo, mas quando achava que ele não resistiria mais ele parava.
_O que foi, Harry? – ela perguntava.
_Você acha isso certo, Gina? – ele dizia se afastando um pouco dela para tentar se livrar do calor que se espalhara pelo seu corpo.
_Isso o quê?!
_Isso que estamos fazendo? Sua família está toda aí, a casa está cheia e ainda nem escureceu!
_Hum... – ela se aproximou mais dele. – Quer dizer que depois que escurecer não tem problema? – ela beijava seu pescoço fazendo-o se arrepiar.
_Não foi isso que eu quis dizer... – ele sorria.
_Harry, eu não tenho dúvida nenhuma de que eu te amo e de que quero ser sua... – ela beijou carinhosamente seus lábios e se sentou colocando uma perna de cada lado do corpo dele.
Harry sentiu que não conseguiria resistir por muito tempo. – Eu também quero, mas não vou me sentir muito bem sabendo que sua mãe, seu pai e seus irmãos estão todos aí, sabe? Você tem irmãos demais e, todos são maiores que eu, você já reparou? – ele tentou se distrair.
_Péssima desculpa, Potter! Todos os meus irmãos adoram você e eu duvido que eles estejam imaginando que isso só vai acontecer depois que nos casarmos... Do que você tem medo? De não voltar mais? – eles ficaram sérios. – Eu tenho certeza de que você vai voltar, mas se não voltar eu quero ter uma lembrança sua... Uma boa lembrança. Eu quero que você seja o primeiro, o segundo, o terceiro... É bom também porque se você gostar tenho certeza que vai fazer de tudo para voltar para mais depois, não é? – ela brincou.
_É... Até que este é um bom motivo para tentar voltar! – ele fez cara de quem pensava no assunto.
Ela deu um tapa no ombro dele e depois o beijou. Os dois caíram deitados na grama e ele se virou para ficar por cima dela: - Você tem certeza?
_Absoluta!
_Hoje a noite?
_Onde?
_Hum... Você sabe onde é o sótão?
_No sótão?!
_Você quer o que?! Que eu chegue no dormitório e diga: Rony e Malfoy, caiam fora porque eu vou precisar do quarto para dormir com a Gina hoje!
_É! Não vai ser muito legal, né?
_Não! Você tem duas opções: o sótão ou o porão presidencial. Qual você prefere?
_Hum... Eu não gosto muito de porões...
_Ok! 00:00 então?
_Tá bom... – os dois se beijaram novamente.
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_Onde vocês estavam o dia todo?!!! – foi a primeira coisa que Rony perguntou aos dois quando os encontrou.
_Oi Rony! Tudo bem com você também? Que bom!
_Se eu fosse você tomava cuidado, Harry. Ou o Rony vai colocar você para dormir de novo! – Lilá pendurada no braço de Rony comentou.
_Eu é que vou colocá-lo para dormir se ele ficar com gracinha! – Gina falou olhando ameaçadoramente para o irmão.
_Nós estávamos no jardim, Rony. – Harry respondeu logo.
_Sei...
Eles ouviram o bater de um talher em uma taça. Todos se viraram para o patriarca da família Weasley. – Hum, hum... Antes de servir esse jantar para comemorar a volta de Harry e nos despedirmos da Gina, eu gostaria de dar uma notícia muito boa. – os quatro que conversavam longe da mesa logo tomaram seus lugares. Além de toda a família Weasley e dos amigos mais chegados, faziam parte da mesa Draco, Narcisa e Snape. – Gui...
Gui se levantou e segurando uma taça que logo se encheu com um espumante falou: - Eu gostaria de anunciar neste jantar a chegada de mais um membro à família Weasley! – todos se levantaram com taças na mão e celebraram a boa notícia.
_Finalmente um momento alegre em meio a tudo isso! Eu gostaria de propor um brinde a Gui, Fleur e ao bebê! – Lupin falou puxando o brinde.
O jantar seguiu muito alegre. Todos estavam muito felizes e queriam aproveitar ao máximo aqueles raros momentos em que as preocupações eram deixadas de lado. Muito quieto, de seu lugar na mesa Draco observava aquilo sem compartilhar daquela alegria. Nunca gostou dos Weasley e a chegada de mais um deles não lhe significava nada. Ele até tentava se sentir bem com aquele clima festivo, principalmente quando via que Hermione parecia contente como nunca, mas simplesmente não conseguia compartilhar daquilo. Os olhares dos dois se cruzaram brevemente e Hermione lançou-lhe um sorriso sincero. Ela notou que ele não estava a vontade. Quando o jantar terminou e todos estavam distraídos conversando ela saiu da sala.
_Onde você vai, Mione? – Gina a segurou pelo braço e perguntou.
_Eu... Eu vou ao banheiro. – ela sorriu.
_Ah... – Gina observou a amiga sair da sala. Reparou que minutos depois Draco saiu também. Lilá também notara. As duas se entreolharam e Lilá dispensou-lhe um sorriso irônico. – Será? – pensou.
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O silêncio era total na casa. Todos dormiam. Gina chegou cedo ao sótão. Saiu assim que percebeu que Hermione e as gêmeas haviam dormido. Estava ali há algum tempo. O lugar até que era limpinho. Ela ficou imaginando se Harry havia dado um jeito no sótão mais cedo. Ela havia esvaziado um canto do sótão e conjurou ali uma cama. Teve que ser uma de solteiro mesmo, já que o lugar era apertado. Ela começou a imaginar se Harry havia desistido, ou se Rony havia desconfiado e não o estava deixando sair do quarto. Ela resolveu se deitar e estava quase pegando no sono quando ouviu a porta se abrir.
_Você demorou! Achei que não viria mais. – reclamou com as mãos na cintura.
_Desculpe! Acho que o Rony bebeu um pouco demais. Ele não parava mais de falar. Só parou depois que o Malfoy reclamou e os dois quase se bateram. Aí ele pegou no sono. – explicou.
_Hum... Não deve ser fácil dividir quarto com o Malfoy. – ela perguntou fazendo sinal para que ele se aproximasse.
_Eu achei que seria pior, mas até que ele não enche muito. Ele anda bem calado de uns tempos para cá. Dificilmente encrenca comigo e com o Rony e nunca mais ofendeu a Mione.
_Por que será, não?
_Quem sabe... – ele se sentou ao lado dela. Ela se aproximou e começou a beijá-lo. Ele enlaçou-a pela cintura. – eles interromperam o beijo e se olharam por um tempo. Harry sorriu e falou: - Você tem aí alguma coisa para evitarmos um novo integrante da família Weasley?
_Até que não seria má idéia!
_Gina!
_Brincadeira! A Parvati me deu uma poção.
_Você contou para ela?
_Contei!
_Mas ela é namorada do seu irmão!
_Por isso mesmo! Ela não vai falar nada. Relaxa, Harry. – sorriu maliciosa.
Ela repetiu a posição que tomara mais cedo colocando uma perna de cada lado do corpo dele. Começou a beijá-lo enquanto tirava a camisa dele. Harry começou a passear suas mãos pelas costas dela, primeiro por cima da fina blusinha de alcinha do pijama que ela usava, depois colocou as mãos debaixo daquela roupa sentindo a pele de Gina se arrepiar sob suas mãos.
Ela o empurrou e o fez deitar-se, começou a beijar seu pescoço, desceu para o peito sempre acariciando-o e admirando-o. Ela desceu pelo seu tórax e abdômen ouvindo-o gemer mais quanto mais ela descia. Ela parou voltou a beijar-lhe a boca com um sorriso maroto diante da cara de decepção de Harry, então ela se levantou e tirou a blusa do pijama deixando os seios a mostra. Harry se sentou na cama e começou a acariciá-los suavemente. Gina fechou os olhos como que para sentir melhor seu toque. Ele logo beijou-lhe o pescoço o colo e devagarinho foi chegando seus lábios aos seios dela. Ele passou a língua sobre seu mamilo arrancando-lhe um gemido mais alto. Ela agarrou seus cabelos em resposta. Ela sentia a reação do corpo de Harry àquilo tudo.
Ele a deitou na cama e se pôs em cima dela. Beijou-a demoradamente enquanto suas mãos tentavam tirar o shorts que ela vestia. Logo ela estava apenas com a calcinha de lacinho. Harry parou para observá-la. Sorriu quando percebeu que Gina começava a ficar vermelha. Ela sorriu também e se sentou na cama. Beijou-lhe novamente o peitoral, o abdômen, sentindo os músculos de Harry se contraírem sob seu toque. Começou a acariciar as costas dele e aos poucos desceu as mãos levando consigo a samba - canção que ele usava. Harry estava nu a sua frente e ela começou a admirá-lo também. Foi a vez dele ficar sem graça. Ele começou a deitá-la novamente enquanto acariciava a parte de dentro das pernas dela, subindo lentamente sua mão até tocá-la sobre sua calcinha. Ela fechou os olhos e apertou o lençol sob seu corpo.
Harry continuou acariciando-a fazendo-a gemer cada vez mais, então subiu sua mão lentamente e começou a tirar sua calcinha. Gina enlaçou o pescoço de Harry e o beijou puxando o corpo dele para perto do seu. Ela colocou as pernas em volta do corpo de Harry e apertou mais o abraço quando o sentiu penetrar nela delicadamente. Logo o sótão se encheu com os sons dos gemidos e beijos dos dois, acompanhados pelo ranger da cama improvisada. Os dois terminaram aquele momento chegando juntos ao ápice de sensações até então desconhecidas por eles. Suas respirações ofegantes assinalavam a satisfação que sentiam. Eles permaneceram imóveis por algum tempo, aproveitando o calor dos corpos um do outro. Ainda ficaram por um tempo no sótão antes de voltarem a triste realidade que os separaria novamente na manhã seguinte.
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