Gina estava feliz por Harry ter mostrado bom senso com relação a partir da estalagem. Ela sentia os olhos se movendo sobre ela, a despindo. Um homem com a aparência de Harry e com mãos que nunca conheceram a vida dura não inspirava confiança em suas habilidades de proteção. Suas habilidades de sedução eram outro assunto. Resistir a elas no quarto no andar superior tinha pouco tão apelo para ela quanto os problemas que ela sentia ferver na pequena taverna.
Ela terminou o cozido e o pão antes de Harry, mas controlou a língua para não apressá-lo. Como as feras nas florestas que sentiam o medo e reagiam atacando a presa mais fraca, ela não queria que os homens presentes percebessem que ela estava aterrorizada. Nem queira que Harry soubesse de sua falta de confiança em sua habilidade de protegê-la.
Finalmente, ele afastou a comida, colocou uma moeda sobre a mesa e a ajudou a se levantar. Um coro de sons de apreciação masculino os seguiram através da taverna e porta afora. Harry olhou com raiva para os homens enquanto saía, mas graças a Deus não desafiou ninguém.
O ar noturno estava duas vezes mais doce depois dos cheiros de suor masculino e cerveja rança da taverna. Gina respirou profundamente, agora conseguindo relaxar conforme se dirigiam aos fundos da taverna em direção às cocheiras.
Eles estavam quase chegando à segurança relativa da cocheira onde o condutor e o lacaio dormiam na carruagem, quando cinco sombras surgiram na noite e bloquearam o caminho deles. Gina prendeu a respiração. Harry a pegou pelo braço o a puxou para detrás dele.
- Nós queremos a mulher. – uma das vozes quebrou o súbito silêncio.
- Eu a quero, também. – Harry falou lentamente. – O problema é que a escolha é da dama, e acho que ela prefere a mim, seu marido, do que cinco de vocês.
- Nós desejamos fazer com que ela mude de idéia. – outro homem disse, os outros soltaram risos abafados.
- Somente sobre o meu cadáver. – Harry disse, sua voz agora baixa, mortal.
Uma faca surgiu na escuridão, brilhando sob a luz da meia lua acima.
– Isso pode ser arranjado. – o que segurava a faca garantiu a Harry.
- Deixe-nos em paz. – Gina disse ao redor de Harry, encarando as sombras. – Eu sou uma bruxa e os amaldiçoarei a todos se nos fizerem algum mal.
Harry a puxou para detrás dele novamente.
- Não posso responder pelos outros. – o que segurava a faca disse. – Mas eu encararei minhas chances com a bruxa. Me parece que pelo que ela tem debaixo do vestido vale a pena ser amaldiçoado.
O estômago de Gina deu nó. Harry atacou.
Sua ação rápida a pegou de surpresa, e obviamente aos homens nas sombras também. Ele chutou a faca da mão do líder, seguido de um golpe na cabeça que fez com que o homem cambaleasse para trás. Um rosnado soou na escuridão, mas Gina não sabia se partiu de Harry ou de uma das sombras. Como um bando de animais, as sombras atacaram Harry. Ela quase gritou quando eles o jogaram no chão. Os homens caíram sobre ele antes dela conseguir expressar seu terror. De algum modo, Harry conseguiu ficar em pé novamente.
Se ela achou a força dele não natural, os homens nas sombras eram mais devagar em suas considerações. Eles partiram para cima de Harry novamente. E novamente ele os afastou com os pés e os punhos. Na escuridão, uma sombra em um grupo de seis destacava-se claramente. Ela via o brilho esverdeado nos olhos de Harry. Movidos agora pela sede de sangue, seus atacantes pareciam não perceber que sua vitima não era um homem comum.
Harry lutava com graça e sutileza e Gina pensou como ela pudera duvidar de suas habilidades para protegê-la. Era, talvez, o resto da humanidade que precisava de proteção... contra ele. Distraída pela luta, ela não notou que uma sombra tinha se deslizado para longe das outras. Ela sentiu o cheiro dele antes de ele tampar sua boca com uma mão suja.
- Vamos nos divertir enquanto os outros estão ocupados. – ele sussurrou cruelmente na orelha dela. Gina reconheceu a voz do homem como sendo a do líder. No começo ela estava muito abalada para lutar, mas quando o homem tentou afastá-la dos outros o instinto superou o choque. Ela tentou chutá-lo, seus esforços impedidos pelo longo vestido. Ele tinha um braço ao redor dela, bem debaixo dos seios, quase a impedindo de respirar. Ela viu Lorde Malfoy em sua mente e permitiu que toda a raiva que fermentava dentro dela viesse à superfície. Ela não pôde lutar contra ele quando ele a estuprou, mas ela podia lutar agora.
- Não. – ela disse. – Nunca mais!
Ela arranhou o braço do homem com as unhas. Ela chutou para trás e conseguiu atingir a perna dela, o que não foi tão eficiente por causa de seu sapato delicado. Ainda assim, o homem afrouxou o aperto, lançando um palavrão na orelha dela. Gina quase escapou antes de ele se aproximar e agarrá-la pelo ombro, e rasgar o vestido dela na tentativa de puxá-la para ele novamente.
Um rosnado baixo soou atrás dela. A mão do homem caiu de seu ombro. Ela não conseguia ver o que estava atrás dela, mas viu o branco dos olhos do homem que a atacara quando ele arregalou os olhos.
- Mãe de Deus – ele sussurrou, tropeçando para trás. – O que é ele?
Bem devagar, Gina se voltou para encarar o que provocara o medo nos olhos e voz do líder. Harry estava parado na frente dela, seus olhos estranhos ardendo na escuridão, suas presas brilhando a luz da lua. Ela sabia a intenção dele. Sabia pela expressão transtornada em seu rosto. Ele pretendia matar o líder. Ele pretendia rasgar a garganta do homem com os dentes. Embora Gina não sentisse grande compaixão em ver poupado um homem que planejava estuprá-la, ela sentia compaixão por Harry. A fera o comandava agora, mas o homem teria de encarar as conseqüências das ações da fera.
Ela se encaminhou para ele.
– Não, Harry. – ela disse calmamente. – Deixe-o ir. - Ele rosnou a ela em resposta, mas ela ficou firme. – Você é um homem – ela continuou. – não uma fera sem condições de raciocinar. Volte para mim.
Atrás dela, ela ouviu os passos do homem que a atacara enquanto ele fugia deles. A cabeça de Harry voltou-se naquela direção. Ele começou a persegui-lo, mas novamente Gina se colocou entre Harry e o homem que fugia.
- Preciso de você aqui comigo, agora. – ela ordenou. Corajosamente ela deu um passo para frente e passou a mão no rosto dele. Suavemente ela começou a cantar. Uma canção de ninar que ela frequentemente cantava para James para acalmá-lo. Harry estava claramente dividido, seu olhar brilhante fixo nela, depois vagando atrás dela onde ele sem duvida ainda via e ouvia o homem fugindo na escuridão.
Gina continuou a cantar, a atrair seu olhar até que a luz começou a diminuir nos olhos dele. Seus dentes voltaram aos poucos ao normal. O corpo dele reagiu violentamente – tremores súbitos percorrendo todo o corpo dele como se uma batalha entre homem e fera estivesse ocorrendo dentro dele. Ele caiu de joelhos, e Gina foi até ele. Lá à luz da lua, ela o envolveu em seus braços e o segurou até que os tremores passassem.
Ela não percebeu que também estava tremendo até que ele se levantou, a puxou para bem perto do calor do corpo dele e a carregou de volta até a estalagem. Ela queria protestar por entrar novamente naquele lugar, mas seus dentes estavam subitamente batendo tanto que ela não conseguia falar. Dois homens tropeçaram para fora, permitindo a Harry deslizar facilmente para dentro da taverna no piso inferior enquanto carregava Gina nos braços.
Um silêncio mortal caiu sobre os fregueses quando viram Harry e Gina parados lá. Ele, como um verdadeiro lorde, simplesmente os ignorou, lançando ordens por cima dos ombros enquanto subia as escadas que conduziam ao quartos no andar superior e, sem duvida, esperando que suas ordens fossem obedecidas. Ele entrou em um quarto aberto, uma lâmpada queimava sobre uma mesa arranhada e marcada como as do andar inferior como um sinal de boas vindas. Ele carregou Gina para uma cama cheia de grumos e gentilmente a deitou sobre ela.
Levantando-se ele tirou seu refinado casaco, que não parecia mais tão refinado quanto antes. Ele gentilmente colocou o casaco sobre ela, e ela se aninhou no calor do corpo dele que permanecia nele.
A garçonete de antes apareceu com um jarro e uma bacia, panos para lavagem nos braços.
– Disse que tinha problema se formando. – ela murmurou. – Os dois têm sorte de não estarem esticados nos fundos da taverna com as gargantas cortadas.
- Deixe a bacia aqui. – Harry indicou a mesa. – Traga um copo de brandy aquecido.
A mulher começou a bufar de raiva, mas Harry a interrompeu.
– Por favor, - ele acrescentou. – Você será recompensada pelo trabalho.
A mulher acenou com a cabeça e se apressou em fazer o que foi ordenado.
Gina observou Harry despejar água na bacia, molhar um pano, torcê-lo. Ele voltou para perto dela, gentilmente umedecendo seu rosto e pescoço.
- Você precisa mais disso do que eu. – ela conseguiu dizer através dos dentes que batiam. – Seu lábio está ensangüentado.
- Não é nada. – ele disse. – Estava com tanta raiva de pensar que um deles pudesse tocar em você que nem senti os golpes que conseguiram aplicar em mim.
- Eu lhe devo uma desculpa. – ela disse,
Ele levantou uma sobrancelha.
- Eu não pensei... quer dizer... não tinha muita confiança em você. Estava errada.
- Confiança é uma emoção que eu raramente inspiro nas pessoas. – ele disse. – Nunca deveria ter lhe trazido aqui. Devíamos ter seguido direto para casa como você sugeriu na paróquia.
A garçonete e um homem, que pelo jeito parecia ser o proprietário da hospedaria, entraram. A mulher colocou um copo com um liquido dourado na mesa, então foi até uma pequena lareira e se ajoelhou defronte a ela, com a intenção de acender o fogo.
- Fiquei muito aflito ao saber que foram emboscados por alguns dos meus rudes fregueses da taverna – o homem disse. – Por favor, aceite minhas sinceras desculpas.
- Nenhum mal realmente aconteceu. – Harry disse secamente. – A dama, minha esposa, contudo, ficou muito nervosa com o incidente. Uma boa noite de sono e nós partiremos pela manhã.
Harry caminhou até a cama, pegou sua bolsa de moedas no bolso do casaco, e entregou ao homem uma boa soma.
– Confio que seja o suficiente para não sermos mais perturbados essa noite.
Os olhos do homem se acenderam com óbvio prazer.
– Colocarei meu melhor homem no pé da escada para garantir que ninguém suba. – ele disse. – Embora, - ele acrescentou franzindo a testa - Será difícil se alguém desejar um quarto para passar a noite.
Harry despejou mais umas moedas e as entregou para o homem.
– Você não tem quartos disponíveis. Isso deve pagar pelo andar inteiro. Também, envie alguém de confiança até minha carruagem e traga nossa bagagem aqui em cima e a deixe na porta.
O homem inclinou a cabeça.
– Como desejar, milorde.
Ambos, o dono da estalagem e a garçonete, saíram do quarto. Harry pegou o copo de brandy. Ele girou o brandy no copo e o cheirou. Gina quietamente aguardava que ele bebesse o conteúdo. Ela não podia culpá-lo pelo lapso em sua disciplina considerando o que eles passaram. Ele caminhou até a cama e sentou-se ao lado dela.
- Não tem a qualidade que eu esperava, mas beba mesmo assim. Vai eliminar o tremor. – Ele estendeu o copo na direção dela.
- Para mim? – ela estava surpresa.
- Você não pensou que era para mim, não é? – ele provocou. – Eu não bebo.
Ela deveria recusar, pois Gina jamais ingeriu bebida alcoólica, mas como poderia? Além disso, ela temia que se recusasse daria a ele razão para beber ele mesmo. Não seria bom se ficasse ali, tentando-o. Ela se esforçou para se apoiar nos cotovelos, afastando o casaco para pegar o copo que ele oferecia. Ela trouxe o copo até os lábios e bebeu um golinho. O licor desceu queimando pela garganta e a fez engasgar.
- É bom, não é? – Harry continuava a provocar.
- É horrível. – ela conseguiu arfar.
- Mas vai aquecê-la. – ele lhe garantiu. – Beba tudo.
Gina se apressou e bebeu o copo todo. Ela passou vários minutos tossindo depois, mas ele estava certo; um calor agora queimava em seu estômago. Harry pegou o copo vazio, levantou-se, e caminhou até a mesa onde o jarro e a bacia estavam. Ele olhou para o copo por um momento, e ela meio que esperou que ele o espremesse para que saísse uma gota, mas ele o colocou de lado. Ele foi até a porta, a abriu, e saiu, voltando um segundo depois com as valises dele e dela.
- Você trouxe uma camisola?
Ela sacudiu a cabeça.
– Não. Pensei que voltaríamos direto para Londres após a cerimônia.
Ele se dirigiu até a mesa em que estavam o jarro e a bacia, então tirou a camisa pela cabeça. Gina engasgou, não por causa da quantidade de carne firme e musculosa que se mostrava para ela, mas porque ele tinha vários arranhões e machucados que já estavam ficando roxos em seu torso. Ela jogou o casaco dele de lado e levantou-se, indo até ele.
Ela pegou o pano que ele havia mergulhado na bacia e o torceu.
– Deixe-me ajudá-lo.
- Você deveria estar na cama – ele argumentou. – Isso não é nada. Uns poucos arranhões e alguns machucados.
Gina ignorou os protestos dele. Ela foi até o sangue nos lábios dele. Tocando leve e gentilmente, os olhos dela focalizados na boca dele, ela mais uma vez ficou intrigada por quão perfeitos eram os lábios dele. O pensamento de seus dentes expandidos anteriormente ela tentou ignorar. Ele comentou o assunto.
- Está acontecendo com mais freqüência. – ele disse mansamente. – O que significa? A fera me tomará completamente logo? O homem se perderá?
Gina tinha uma teoria sobre o assunto.
– Só posso presumir que suas emoções estão simplesmente mais entrelaçadas. – ela respondeu. Ela olhou para ele e para a preocupação que se refletia nos olhos escuros. – O homem ainda é o mais forte dos dois. Você provou isso hoje à noite.
- Mas mais forte por quanto tempo?
A pergunta era dirigida mais a si mesmo do que a Gina, então ela não disse nada. O quarto subitamente ficou mais quente enquanto ela esfregava o pano úmido sobre a pele dele. Sua cabeça estava leve. A bebida, ela compreendeu. Não era um sentimento completamente desagradável, ela admitiu. Ela sentiu suas inibições sumindo, e uma vez se esqueceu de usar o pano para molhar a pele dele e ao invés disso, correu as mãos pelas inclinações e contornos do peito dele.
- Você está tentando me seduzir, Gina? – ele perguntou suavemente.
O olhar dela subiu para o rosto dele.
– Não. – ela revelou, talvez muito defensivamente. – Eu estou... eu estou bêbada! – ela subitamente compreendeu, balançando levemente até que ele a estabilizou. Suas mãos quentes queimando os ombros dela, um completamente despido, ela percebeu, seu atacante tinha arrancado completamente o tecido.
- Vamos despir você e a levar para cama. – disse Harry.
Ela se afastou, ainda cambaleando um pouco.
– Você gostaria disso, não é? – ela lançou as palavras. – Entorpecer meus sentidos com a bebida e conseguir me possuir enquanto não consigo me defender? Você é igual a todos os homens.
Harry se aproximou e a estabilizou novamente.
– Não sou como todos os homens e você sabe disso. – ele disse. – Já levei muita mulher alcoolizada para cama, Gina, mas elas sempre me fizeram saber que queriam ter intimidades antes de nós...
- Que história para contar à esposa na noite de núpcias – ela interrompeu. – Não me admira que sua amada não aceitou se casar com você.
- Não é uma noite de núpcias de verdade, Gina. - Harry a relembrou. – Não a menos que você queira que seja.
- Você sabe que eu não quero. – ela tentou caminhar, mas tropeçou. Ele a estabilizou novamente. – Você pode ter seduzido muitas mulheres com essa sua língua sedutora, mas a mim você não derrotará com ela.
Ele suspirou como se ela lhe tirasse a paciência. Subitamente ele se inclinou e a pegou nos braços, carregando-a para a cama.
– Você não faz idéia do que posso fazer com minha língua. – ele disse, e então a depositou sobre a cama.
Pra compensar a demora. 2 Capítulos, até porque o 12 é minusculo.
Só para adiantar, o próximo capitulo é hiper emocionante.
Bjus
17-03-2008 |