Naquela manhã, Draco fez certo esforço pra acordar cedo e descer pra ver o treino que Gina disse que fariam naquela manhã. Não esperava muito de um bando de adolescentes que se achavam adultos e queriam se meter numa guerra sem ao menos saber o que era realmente um duelo, no entanto precisava se distrair e poderia também conhecer um pouco mais das habilidades de cada um.
Ao chegar à cozinha, pôde ver que todos estavam um pouco sonolentos, mas pareciam dispostos a treinar. Entrou e logo recebeu o olhar feio dos rapazes Weasley entre outros menos evidentes.
-O que você acha que está fazendo aqui? –Rony pergunta se levantando, mas Gina faz um sinal pra ele sentar.
-Eu convidei o Malfoy pra observar nossas atividades hoje, portanto não quero que vocês sejam hostis e não quero argumentações em contrário! Agora se sentem e comam, que teremos um treino muito duro hoje! Isso vale pra você também, Malfoy. –Gina fala em seu tom de comando fazendo a maioria baixar os olhos.
-Mas Gina, não podemos confiar nele! –Fred fala tentando apelar pro bom senso de Gina.
-Devíamos consultar o Lupin ou a McGonagall antes de aceitá-lo. –Jorge fala encarando seriamente o loiro.
-Em primeiro lugar nós não estamos aceitando ninguém, ele é apenas um observador e eventual participante. E em segundo, eu achei que vocês sabiam que acima de mim, só estão o Harry e a Hermione, portanto eu não tenho que perguntar nada a ninguém. –Gina fala de modo firme, mas sem se exaltar, depois olha pro sorrisinho irritante de Draco e vai até ele. –Quanto a você Malfoy, saiba que eu não tenho só a autoridade que me deram eu faço por merecê-la e conquistá-la a cada dia que passa, então não tente me desobedecer ou não reconhecer meu comando, porque senão eu serei forçada a te mostrar o porque eu tenho a patente de Tente-Coronel e você não vai gostar. –fala baixo e o olhando de forma séria e depois ameaçadora pra ele, antes de voltar ao seu lugar na mesa.
Alguns minutos depois, Gina comandara uma sessão de alongamento e aquecimento, e agora observava os membros da AD correrem num grande círculo no quintal da mansão. Draco estava em pé, apenas observando a todo o treinamento recostado numa árvore.
-Então Malfoy, está gostando do treino? –Gina pergunta se aproximando dele.
-Por enquanto está até direitinho, quase me sinto num exército! –fala em tom divertido.
-Então o que acha de me mostrar que eu estou certa quanto ao homem que eu acho que você é, indo se juntar a eles? Ou você tem medo de estragar a sua pele sensível ou despentear o cabelo? –Gina o provoca e depois se afasta pra não escutar nenhuma resposta atravessada, que com certeza viria pelo olhar assassino que ele lhe lançara.
Draco bufou irritado e se dirigiu a fila que corria ordenadamente, disposto a mostrar pra ela que não era tão “delicado” quanto ela estava imaginando.
Os treinos físicos foram bem pesados, Gina exigiu que se exercitassem em um ritmo cadenciado e forte, o que deixou Draco impressionado, principalmente por todos parecerem acompanhar o ritmo, mesmo com alguma dificuldade.
No treino de defesa pessoal e duelo, Draco ficou apenas observando. Gina comandava o treino e passava as instruções, demonstrando os golpes ou feitiços com algum de seus irmãos. Depois ela ficou andando pela sala, observando os duelos e lutas das duplas escolhidas por ela, corrigindo os que estavam errando ou ajudando os que tinham dificuldade. Trabalharam vários golpes e feitiços, sendo liberados meia hora antes do almoço pra tomarem banho e almoçar.
No almoço, Arthur e Lupin conversaram sobre como o ministério estava naquele dia, comentaram sobre algumas notícias do Profeta Diário e depois Lupin passou algumas coisas decididas pela Ordem pra Gina e Rony, que agradeceram e se comprometeram a retribuir. Gina e Rony também receberam cartas de membros que não iriam se juntar a eles, pois tinham funções mais importantes em seus postos atuais.
Na retomada dos treinos, estudaram uma poção de cura para lesões internas e hemorragias, no que Draco ajudou bastante, mostrando que Snape não o protegia tanto, apenas sabia do que o loiro era capaz. Ele apontou algumas alternativas de ingredientes e modos que podiam acelerar o preparo, o que fez os descontentes com a presença dele, terem que aceitar que o sonserino poderia realmente ser útil.
No estudo avançado de feitiços Gina trabalhou um feitiço muito útil contra lobisomens, o que deixou Draco impressionado, no estudo de transfiguração Rony começou a trabalhar feitiços pra disfarce, mudança da cor dos cabelos, olhos, e alteração do cumprimento de cabelos e barba. O mais interessante, porém, foi o estudo avançado de DCAT, onde Gina pediu que Draco apresentasse um feitiço de Arte das Trevas e ela apresentou o contra-feitiço, deixando a aula mais interessante e o duelo mais visível aos que assistiam.
Depois do lanche, Gina dispensou Draco e seguiu pra biblioteca, onde o grupo já a esperava. Rony estava à frente com um quadro e os demais sentados, com pergaminho, pena e tinteiro, olhando compenetrados pro ruivo. Gina se dirigiu pro lado dele, ficando de frente pro grupo.
-Esta reunião marcará o início das nossas missões enquanto organização secreta e como especialista em estratégia, Rony irá conduzi-la. –Gina fala passando a palavra a Rony, que mesmo estando um pouco nervoso, dá um passo a frente e toca o quadro negro com a varinha, fazendo aparecer alguns nomes.
-Bom, hoje nós estamos dando inicio as nossas investigações, que consistirão em primeiro plano na espionagem de nossos inimigos e coleta de informações que serão de vital importância pra nós e pro ministério. Aqui estão os nomes de todos os comensais e também dos aliados e colaboradores de Voldemort, nós temos os endereços de alguns, os quais o grupo de animagos irá espionar. –Rony fala seriamente, começando a mostrar esquemas de seguranças das casas nos quadros.
Rony passou as duas horas seguintes explicando cada esquema, mas dando destaque especial a um, em que dois do grupo entrariam no ministério e invadiriam um escritório, de um bruxo suspeito de estar aliado a Voldemort. Seria uma operação arriscada, mas de vital importância pra missão.
Assim que discutiram as linhas de ação, começaram a realmente treinar separadamente até a hora do jantar, quando comeram em silêncio, fazendo-se parecerem cansados, quando na verdade estavam extremamente concentrados.
A casa estava escura e silenciosa, quando Draco entrou na biblioteca, trajando seu pijama e um robe, e surpreendentemente, viu Gina pegando um livro na estante e folheando-o parecendo procurar algo. Sorriu observando as belas pernas da ruiva, deixadas descobertas pela curta camisola coberta por um fino e quase transparente penhoar.
-Não devia estar descansando, tenente-coronel Weasley? –sussurra no ouvida dela de forma provocante, após se aproximar em silêncio.
-Quer me matar de susto, Malfoy? –Gina fala sobressaltada, não sabia se era pela presença dele ou pelo jeito que ele falara, nunca imaginara que as palavras “tenente-coronel Weasley” pudessem ser tão sexy’s. –O que você está fazendo aqui? –pergunta se recompondo.
-Eu perguntei primeiro! –ele fala sorrindo satisfeito com o efeito que causou nela, mantendo-se bem perto da ruiva.
-Eu estou me preparando pra amanhã, além de não ser muito de dormir. –fala saindo de perto dele e indo se sentar num dos sofás. –E você não vai dormir? Se quiser passar a fazer parte dos treinos a partir de amanhã precisará estar descansado. –fala seriamente.
-Amanhã vou ao St. Mungus ver minha mãe. –fala secamente, sentando-se no sofá em frente a ela.
-Tudo bem então, mas eu tenho que estudar. –fala se voltando pro livro.
-Eu posso ficar aqui? Queria pensar um pouco e aqueles roncos não me ajudam muito! –Draco fala fazendo uma careta ao se lembrar dos roncos dos garotos e se deitando no sofá em frente a Gina.
-Por mim, desde que não me atrapalhe. E se for pra roncar, faça isso com seus amigos. –ela fala indiferente, mas deixando claro que queria ler em silêncio.
-Eu não ronco, Weasley! –fala ofendido.
-Ok, Malfoy, vou fingir que acredito! –fala entre risos.
Draco apenas se virou para o teto e se deixou levar por seus pensamentos. Gina abriu o livro de feitiços avançados e começou a ler, estava tentando se concentrar enquanto não recebia um comunicado dos membros da AD de que estavam voltando em segurança, pois em caso de emergência seria ela a receber o sinal.
Na cabine em frente ao ministério, Daniel digitou os números de acesso e deu um nome falso, pegando o cartão e aproveitando o caminho de descida pra se transformar num belo e colorido beija-flor. O pássaro voou discretamente até o vigia do hall de entrada, foi pra trás dele e em silêncio voltou à forma humana, pegando a varinha e fazendo-o ficar inconsciente com um feitiço não-verbal.
Após um minuto, um cão muito parecido com um lobo, entra vindo do elevador ao que o garoto faz sinal para eles seguirem. Daniel volta a se transformar em beija-flor e os dois entram no elevador seguindo pro 5º andar. Ao chegar os dois seguem pelo corredor até chegarem ao Departamento de Cooperação Internacional de Magia, onde o beija-flor novamente se transformou em garoto e abriu a porta com um feitiço, enquanto o cão farejava para garantir que não seriam vistos.
Os dois entraram e se dirigiram até o escritório do chefe do departamento, que substituíra Bartô Crouch. Chegando lá, o garoto pegou um orbe fluorescente e pressionou-o na fechadura, ouvindo um leve click na porta. Ambos entraram cautelosamente, fechando a porta atrás de si.
O cão farejou todo o escritório sem deixar de ficar atento à porta e ao corredor, enquanto o garoto revirava as gavetas atrás de algum documento. Depois de quase dez minutos sem achar nada, o cão rosnou para um pergaminho que caiu perto de si.
Daniel se abaixou e pegou o pergaminho com cuidado, parecia apenas uma ata normal, mas o jeito como o cão o olhou o fez entender do que se tratava. Pegou sua varinha e murmurou um feitiço, como se acreditasse que as paredes poderiam ouvi-lo.
O pergaminho brilhou fracamente e as letras começaram a se mover em várias direções se misturando e depois se reorganizando, formando um outro documento. Leu e notou que era uma guia de importação de um objeto suspeito e que não passou por verificação, sendo classificado como secreto e do ministério, apesar dos nomes na nota serem de alguns suspeitos de colaborar com Voldemort.
-Fareje esses documentos, vamos separar todos os que tem cheiro de magia negra. –Daniel fala e o cão se aproxima dele farejando os pergaminhos.
Quase meia hora depois, os dois saem da sala e se encaminham pro corredor principal, mas o cão pára e rosna indicando a presença de alguém vindo do corredor à esquerda. Daniel rapidamente se transforma em um beija-for e voa na direção do guarda, que encantado com a ave se vira pra olhá-lo fazer gracinhas no ar, enquanto isso o cão correu até o elevador e o acionou, apertando o botão térreo. Ao ouvir o som das portas do elevador se fechando, o pássaro se apressou a alcançá-lo, entrando no último segundo.
Chegando ao térreo Daniel voltou ao normal e antes de sair por onde entraram, lançou dois feitiços no guarda, um pra lhe alterar a memória e o outro pra despertá-lo.
Gina boceja longamente e olha pro anel vendo-o piscar conforme o código de segurança combinado. Sorri ficando feliz por tudo estar bem, deixa o livro sobre o sofá e se espreguiça longamente, para compensar o tempo que ficara sentada e lendo. Nesse instante, olhou pro sofá e viu Draco dormindo, encolhido no sofá à frente.
- “Ele realmente não ronca!” -Gina pensa se aproximando do loiro e observando-o mais de perto. - “Ele está encolhido, como se estivesse com medo, a respiração é silenciosa, como se não quisesse incomodar ou denunciar sua posição ou condição, os braços estão dobrados e postos próximos aos rostos, as mãos fechadas.” –Gina pensa observando-o atentamente, não deixando passar nenhum detalhe. - “Ele está com medo, o que aquele monstro queria fazendo isso com o próprio filho... transformá-lo em um monstro como ele!” -pensa abismada, chegando a conclusão de que Draco realmente tinha uma vida muito mais difícil do que ela imaginava.
“Por isso gosta tanto de sua mãe, não é? Provavelmente ela foi a única que gostou de você sem pedir nada em troca, te aceitou como era, que realmente seria e foi capaz de dar a vida por você sem nenhuma outra intenção, que não fosse garantir seu bem estar.” -Gina terminou seu raciocínio fazendo um leve carinho nos cabelos de Draco e depois se levantando, não querendo incomodá-lo.
No dia seguinte de manhã, Gina voltou a comandar os treinos físicos, enquanto examinava os relatórios feitos durante o café da manhã. Haviam conseguido uma boa quantidade de informações inclusive a confirmação de que o chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia era de fato um colaborador de Voldemort, basicamente um fornecedor de galeões e informações sobre artefatos valiosos que entravam e saíam do país.
Um pouco depois do almoço, Gina foi chamada pela mãe, para ir até a cozinha, e deixou Rony comandando os treinos. Ao chegar a viu servindo um pouco de chá em uma xícara, que estava em uma bandeja, mas o que mais a surpreendeu foi o semblante preocupado da mãe.
-O que houve? Foi um ataque? Alguém morreu? –Gina pergunta aflita, vendo que os olhos da mãe estavam úmidos.
-Não, querida, ainda não. –a mulher fala com ar cansado, parando e olhando a filha seriamente.
-Você está me deixando preocupada, o que houve? –Gina já estava pensando em diversas desgraçadas, até num ataque de Voldemort ao ministério.
-Acabaram de trazer o Draco do St. Mungus, a mãe dele está muito instável, os medi-bruxos estão fazendo o máximo possível, mas está difícil de mantê-la viva. –Molly faz uma pausa olhando nos olhos da filha, tentando ver se ela entendia a gravidade do assunto e, logo depois, continua. –Se Narcisa morrer, penso que Draco ficará tão louco que acabará fazendo uma besteira. Você entende?
-Sim, eu imagino que ele se sentirá culpado e verá como único objetivo matar o pai, a qualquer custo. –fala seriamente, numa postura bastante madura.
-Então eu quero que você fale com os outros, percebi que você tem uma posição de liderança diante deles e gostaria que usasse isso pra acabar com as rivalidades. Draco precisa de apoio nesse momento difícil, principalmente se o pior vier a acontecer. –fala demonstrando sentir muita pena do garoto.
-Pode deixar, aliás, posso servir? –Gina pergunta apontando a bandeja.
-Claro, mas não tenho idéia de onde Draco esteja. –fala para a filha, feliz por ver que a menina a entendera.
-Tudo bem. –Gina fala pegando a bandeja e depois olhando ao redor, como se procurasse algo. –Dobby! –amenina chama o elfo, que aparece com um estampido, bem a frente dela.
-A senhorita Gina chamou? –o elfo pergunta feliz em poder servir a garota.
-Sim, eu estou querendo falar com Draco, você sabe onde ele está? –Gina pergunta ao elfo que parece ficar um pouco assustado.
-Sim, Dobby sabe! Menino Malfoy está lá em cima, num quarto escuro, quebrou várias coisas. -o elfo fala com certo medo, provavelmente não queria entrar num quarto com um Malfoy furioso.
-Obrigada, eu vou até lá... Ah, Dobby, por favor, leve um pouco de suco pro pessoal que está treinando. –Gina fala antes de sair, ao que o elfo, sorridente, começa a pegar os copos, o que deixou Molly bastante contrariada, estava se sentindo inútil com os elfos ali.
Gina ignorou a reação da mãe e seguiu para as escadas, tentando se concentrar no que falar pra Draco. Era certo que não sabia muito sobre a vida em família dele, apesar de na noite anterior ter notado que não era muito fácil e que a ligação com sua mãe devia ser muito forte. Ele sempre agira friamente como um sonserino, mas sabia que se o pior acontecesse, toda aquela aparente calma e frieza daria lugar a uma raiva incontrolável, como uma erupção vulcânica que destruiria tudo ao seu redor, inclusive ele mesmo.
Chegou ao quarto onde ficava bicuço, a porta estava fechada e ao se aproximar não ouviu som algum, imaginando que ele já deveria ter descontado a maior parte da raiva ou simplesmente já não encontrara mais nada pra quebrar. Respirou fundo e entrou no quarto sem fazer barulho, vendo-o sentado em uma mesa em frente a uma pequena janela, que mostrava um pouco da rua. Seu olhar estava perdido, o semblante sério, sua respiração controlada e lenta.
- “Controle, deve ser a primeira lição pra se tornar um Malfoy.” -Gina pensa balançando a cabeça negativamente, emoções reprimidas nunca geravam boa coisa.
-Minha mãe fez chá pra você, deve ser algo calmante ou relaxante. –ela fala chamando a atenção dele e pondo a bandeja na mesa onde ele estava. –Mas eu creio que não seja bem isto de que você esteja precisando, não é? –Gina fala observando o rosto do loiro, que não demonstrava emoção alguma.
-Como assim, o que você quer? –pergunta ríspido, mas ainda sem demonstrar nenhuma emoção no rosto.
-Eu não quero nada, mas acho que você quer pôr alguma coisa para fora, então pode vir, eu estou disponível. –Gina fala dando dois passos pra trás e abrindo os braços, esperando que ele viesse.
-Está me desafiando Weasley? Ou é só uma tentativa de demonstrar quanta pena sente de mim? –pergunta mordaz.
-Eu não tenho pena de você. Não conheço sua mãe, mas sei que mãe é sempre mãe, então só posso dizer que estou torcendo para que os medi-bruxos encontrem um jeito de salvá-la, e acredito que você deva confiar neles. Quanto a minha oferta, eu só não vejo porque perder a chance de bater um pouco em você. –fala primeiro seriamente, mas depois mudando pra um tom divertido e superior.
-Você se acha, não é tenente-coronel Weasley ? –Draco fala com ar debochado, se levantando e indo pra frente dela.
-Me mostra do que você é capaz Draco, quero ver se você é tão forte quanto imagina. –fala mantendo o tom superior, sem ao menos ficar em posição de defesa.
Draco não responde, apenas fecha o semblante de modo determinado, dando passos rápidos na direção de Gina e desferindo um rápido soco na direção do rosto da ruiva, que rapidamente gira, desviando no último segundo, conseguindo pegar o braço, que ele usou pra golpear, impulsionando-o pra frente com a ajuda do quadril e derrubando-o no chão. Sem dar tempo pra ele reagir, ela se deita perpendicularmente a ele, com suas pernas sobre seu peito, uma a cada lado do braço dele, que estava esticado e virado com a palma da mão para cima, preso pelas mãos dela.
Draco ficou ainda mais irritado com o contragolpe, ainda se lembrava bem da luta com Hermione e não perderia de novo para uma garota. Rolou rapidamente na direção dela e usou sua força pra pressioná-la, ao que ela usava suas pernas pra fazer força no sentido contrário. A disputa de forças favoreceu Draco que conseguiu afastar as mãos dela e montar sobre Gina, levando suas mãos ao pescoço dela, que rapidamente, prendeu as mãos do loiro e girou, ficando entre as pernas dele, que uniu seus pés, prendendo-a pela cintura.
Gina pôs as mãos no abdômen de Draco, pressionando a região pra que ele não se levantasse, ao que ele acabou se rendendo e deitando, procurando uma forma de puxá-la para si, enquanto Gina não perdeu tempo e com os cotovelos pressionou as coxas fortes de Draco, fazendo-o abrir as pernas o suficiente para ela passar e montar nele, antes que ele conseguisse evitar.
Ela direcionou as mãos hábeis pro colarinho da camisa dele, começando um estrangulamento, ao que Draco tentou evitar, girando e ficando na guarda de Gina, invertendo a posição que ambos mantinham antes. Ela pressionava as costelas dele com suas pernas fortes ao mesmo tempo em que tentava o estrangular com as mãos, ao que ele apenas pôs a mão entre o pescoço e os braços cruzados dela.
Nesse instante os olhos dele se cruzaram com os dela, onde ele viu não só determinação como também divertimento, ela possuía um sorriso maroto nos lábios, mesmo fazendo tanta força e aquilo o fez sorrir também. Gina estava o surpreendendo cada vez mais. Imerso naquelas sensações e pensamentos, não se deu conta que aproximava seu rosto do dela até que seus lábios se tocaram.
Gina estava concentrada na batalha, estava quase vencendo, ele estava deixando sua cabeça se aproximar da dela, o que lhe daria ainda mais vantagem, julgava que ele estava perdendo as forças, quando sentiu os lábios úmidos e macios de Draco tocarem os seus. Depois de um segundo de choque, ela sentiu que ele a beijava e, mesmo sem saber o porquê correspondeu.
Hesitante, Draco começou a beijá-la, queria sentir a textura e o sabor dos lábios da ruiva e, quando a sentiu corresponder, tornou o beijo urgente e agressivo. Os braços dela envolveram o pescoço dele e uma de suas mãos se perdeu nos cabelos loiros, enquanto as pernas deixaram de fazer pressão, dando liberdade para ele se mover, apesar dele não ter reparado nisto. Ele apenas queria unir mais seus corpos, beijá-la mais intensa e profundamente, uma de suas mãos percorrendo a extensão do corpo dela.
Quando as coisas pareciam que iam sair do controle, Gina o empurrou fortemente, se levantando rápido e indo a direção da porta, deixando-o confuso e sem saber o que fazer.
-Tome o chá, mamãe não vai gostar de saber que a desobedeceu. –Gina fala antes de sair, como se quisesse fingir que nada havia acontecido.
A ruiva desce rapidamente até seu quarto, onde se encaminha pro banheiro e lava o rosto com bastante água, sem se importar se estava ou não molhando os cabelos.
“Porque pensei nele? Porque não consigo tirá-lo da minha cabeça?” -pensa com ódio de si mesma, jogando a toalha de rosto sobre a pia e indo pra sua cama onde se joga pesadamente, chorando como se quisesse expulsar aquele sentimento que a consumia junto as lágrimas.
Depois de meia hora, Gina se recompõe e volta a comandar os treinos, mas antes fazendo uma pausa para conversar com todos sobre Draco, passando o que sua mãe havia pedido e os pedindo para tratar Draco com o mínimo de cortesia, principalmente se ele se juntasse ao grupo. Quando encontrou Draco durante o lanche, tratou-o como se o beijo não houvesse acontecido e ele fez o mesmo, ambos tinham seus problemas em que se concentrar.
Na semana que se passou, Draco se uniu a ao grupo para treinar, mas não foi incorporado a AD, afinal precisariam avaliá-lo melhor, além de consultar Harry e Hermione. Por isso, Draco não participava dos treinos de grupos antes do jantar e nem sabia qualquer coisa sobre as missões, não gostando muito da exclusão, pressentia que eles estavam aprontando, mas resolveu não insistir tinha seus próprios planos para trabalhar. No entanto, durante algumas horas, Draco e Gina conversavam na biblioteca, enquanto ela esperava os avisos de segurança de quem estava em missão e ele esperava o sono.
Um pouco depois do almoço, Gina estava saindo do seu quarto e se encaminhando para próxima sessão de treinamento, quando Draco a intercepta ofegante e sorridente.
-Recebi uma carta do St. Mungus, minha mãe não corre mais risco de vida! –Draco fala ofegante e sorridente.
-Que bom, Draco! Você veio me avisar que vai vê-la agora? –pergunta vendo que ele parecia ansioso.
-Também, na verdade eu gostaria muito que você viesse comigo, afinal você me deu tanto apoio antes, me fez confiar nos medi-bruxos, acreditar que eles conseguiriam. –Draco pede um pouco corado e sem conseguir olhar pra ela.
-Claro que eu vou, fico feliz por querer minha companhia. –Gina fala sorrindo para ele que se sente mais calmo. –Eu vou trocar de roupa e te encontro lá em baixo.
-Ok, eu também vou me trocar. –ele fala e segue pro quarto dele, ao que ela retorna pro dela.
Assim que chegam ao hospital, Draco a leva pro andar em que ficava o quarto onde a mãe dele estava, mas ambos param ao encontrarem o medi-bruxo que estava cuidando de Narcisa.
-Olá Draco, vejo que trouxe a namorada pra visitar sua mãe. –o medi-bruxo fala tentando ser simpático.
-É, recebi uma carta dizendo que ela melhorou. –ele fala ansioso, não querendo perder tempo explicando que Gina era apenas uma amiga.
-Então entre, eu já estava entrando para dar um dos remédios a ela. –ele fala abrindo a porta pros jovens passarem e depois entrando. –A poção já está pronta? –pergunta a enfermeira que estava ao lado da cama, mexendo um pequeno caldeirão.
-Sim, o senhor já pode dar a paciente. –ela fala prestativa, se afastando um pouco para que os três se acomodassem perto da cama.
Ao se aproximar, Gina pôde ver melhor a face de Narcisa, ela parecia bem mais velha, havia uma expressão sofrida em sua face e sua pele estava muito branca. No entanto, Gina foi forçada a parar pelo cheiro que tomou o quarto, o medi-bruxo havia posto algo no caldeirão que agora possuía uma fumaça rosada. De repente, ela sentiu-se fraca e zonza, sua vista ficou turva e só pôde ver Draco a amparando antes de desmaiar.
Quase meia hora depois, Draco terminou de falar com o medi-bruxo sobre o estado de sua mãe e os cuidados que tomariam com ela, saindo do escritório dele e encontrando Gina, que estava sentada em frente da sala.
-Oi, como você está se sentindo? –Draco pergunta a ela que estava de cabeça baixa e pensativa.
-Bem, eu tive uma reação alérgica, mas ainda me sinto um pouco indisposta. –ela fala se levantando, ainda estava um pouco pálida.
-Eu te levo para casa, vem. –fala atenciosamente a abraçando e caminhando com ela até onde usariam a lareira para voltar pra mansão.
Assim que chegaram Gina subiu dizendo que queria descansar, ao que Draco foi avisar Molly e depois se trocar para voltar aos treinos, estava animado e queria por um pouco de energia para fora.
Algumas horas depois, Draco prepara uma bandeja com um lanche e vai até o antigo quarto de bicuço, levar o lanche pra Gina, que havia se trancado lá e não queria falar com ninguém.
-Trouxe um lanche para você, a Wink ajudou a preparar. –Draco fala entrando e a vendo sentada na cama de solteiro que havia ali, abraçava os joelhos e tinha o olhar perdido.
-Pode deixar aí, depois eu como. –ela murmura sem deixar de olhar o ponto fixo.
-Sei que está com um problema, só queria ajudá-la, assim como me ajudou antes. –fala seriamente, tentando parecer prestativo. Como não recebe resposta, apenas deixa a bandeja na mesa no canto da parede e se volta para sair.
-Espera! –Gina o chama, fazendo-o parar a meia distância da porta. –Você quer mesmo resolver meu problema? –pergunta o olhando nos olhos, enquanto se aproximava dele.
-Sim, se eu puder, eu gostaria. –fala sem entender o jeito da ruiva, que sorriu de uma forma que variava do maroto ao malicioso.
No entanto ele não teve tempo de perguntar nada, pois ela já o havia puxado e beijado intensamente, ao que ele correspondeu prontamente. Ela comandava o beijo e os guiava para a cama, alguns passos atrás deles.
-Então os boatos que corriam sobre você eram verdadeiros! –Gina fala preguiçosamente, se ajeitando sobre o peito nu de Draco.
-Que boatos? –pergunta a abraçando e tirando um pouco dos cabelos ruivos da face dela.
-De que você saía com todas as garotas. Porque para alguém fazer tudo o que você fez, tem que ser muito experiente! –ela fala sorrindo marotamente e levantando um pouco a cabeça pra olhá-lo.
-É, já saí com muitas, mas nunca tinha sido assim. –fala sinceramente, fazendo-a se levantar um pouco pra olhá-lo nos olhos.
-Está tentando massagear meu ego? –pergunta não acreditando que ele poderia estar falando de sentimentos.
-Não. Eu sei que é um tanto sentimental e esse com certeza não é meu estilo, mas foi especial. –fala acariciando-lhe a face ternamente, sem desviar seus olhos dos dela.
-Onde está querendo chegar, Draco? –pergunta pela primeira vez ficando incerta.
-Quer namorar comigo, ruivinha? –responde com uma pergunta que nunca imaginaria fazer a uma Weasley, mas havia saído de forma muito fácil e espontânea.
-Não acredito que estou derretendo o gelo do seu coração! –Gina fala surpresa com a atitude dele, fazendo o rir levemente.
-Talvez um pouco, eu diria que o suficiente para você poder entrar. –fala sorrindo de um jeito que só ele sabia e ela adorava.
-Adoro quando sorri assim... –comenta antes de beijá-lo –Sempre odiei seu jeito “sonserino”, mas agora acho que apenas odiava a mim mesma por no fundo saber que achava isso um charme. –sussurra ainda com as bocas próximas.
-Então você aceita namorar comigo? –pergunta ainda incerto.
-Não, eu estou só afim de uns encontros casuais. –fala ironicamente, mas conseguindo deixá-lo em dúvida. –Claro que eu aceito! Mas saiba que de agora em diante se olhar para outra eu te mato. –ela aceita e logo depois muda o tom para um sério, advertindo-o com um olhar que só usava durante os treinos.
-Sim senhora, tenente-coronel Weasley ! –fala em tom divertido, mas sem deixar de usar um tom provocante ao falar da patente dela.
-Adoro quando me chama assim! –Gina fala sorrindo maliciosamente antes de beijá-lo de modo possessivo.
Na manhã seguinte, Draco acordou um pouco tarde e chegou à cozinha em cima da hora, encontrando o pessoal da AD já terminando o café e Molly e Arthur começando o deles.
-Dormiu mais que a cama Malfoy? Saiba que não toleramos atrasos! –Rony fala rispidamente, ao ver o loiro entrar e se sentar à mesa.
-Eu não preciso me entupir de comida como você Weasley! –responde irritado, não estava nos planos dele se atrasar e dar motivo para falatórios.
-Olhe lá como fala conosco, porque...
-Porque nada, Jorge! –Gina interrompe a ameaça do irmão mais velho se levantando e levando umas torradas com geléia pra Draco. –Tenha cuidado para não levantar tão tarde, porque acabará ficando sem café da manhã para treinar. –Gina fala seriamente, mas com um discreto sorriso.
-Obrigado pelas torradas, eu não vou me atrasar mais. –ele responde com outro discreto sorriso e surpreendentemente recebe um selinho da namorada.
-Eu sei. –ela fala com um sorriso, sob o olhar surpreso de todos, inclusive de Draco que não imaginava que abririam sobre os dois pra todos.
-O que foi isso? –Fred pergunta furioso, assim como os outros dois irmãos se levantando e batendo na mesa.
-Eu e o Draco começamos a namorar ontem, só isso. –Gina explica resumidamente, mas não olhando pros irmãos e sim para os pais.
-Eu pretendia falar com o senhor depois, Sr. Weasley, quero que saiba que eu gosto muito da Gina. –fala tentando manter uma postura confiável, afinal uma das lições que aprendera com o pai é a de nunca parecer ter sido pego de surpresa, apesar de estar surpreendido.
-Isso é um absurdo! Malfoy deve ter algum planinho ridículo! –Jorge se manifesta contrariado.
-O pai dele deve tê-lo mandado se infiltrar aqui e ganhar nossa confiança. –Fred completa em apoio ao irmão.
-Depois arrancar informações de Gina e facilitar um ataque dos comensais. –Rony o acusa fazendo Draco se levantar vermelho de raiva, pois todos ali sabiam que ele odiava que se quer falassem de Lucio Malfoy, e acusá-lo de estar o ajudando era uma ofensa ainda pior.
-Parem já com isso! Não sou mais nenhuma garotinha ingênua, sei muito bem me cuidar e em quem devo ou não confiar, portanto não admito que façam ameaças ou acusações a Draco ou tenham essa postura protetora. –Gina fala de modo controlado mais sério e determinado, olhando-os duramente.
-Você deve ter sido enfeitiçado por esse cara... –Rony começa, mas é interrompido por Arthur, que não deixa Gina ou qualquer outro de seus filhos falar.
-Já chega de discussão! Gina já nos provou ter bastante maturidade, claro que ainda não conheço bem o Draco, nem pude conversar com ele durante estes dias, mas se ela confia nele não nos custa dar um voto de confiança. –Gina e Draco sorriem aliviados um pro outro ao ouvir aquilo, mas logo se viram novamente pra Arthur. –Agora fique claro Draco, que eu e você conversaremos seriamente para que eu possa ter certeza de que é merecedor de nossa confiança. –fala com uma postura dura, assumindo o papel de pai protetor.
-Claro senhor, eu entendo e garanto de que mereço sua confiança. –Draco fala de modo firme, segurando a mão de Gina discretamente.
-Mãe... –Rony tenta apelar para a mãe, mas Molly o corta com um gesto.
-Você já ouviu o seu pai, então comportem-se e esperem que ele decida. –fala em apoio ao marido, que apenas sorri de volta.
-Então pessoal, hora de escovar os dentes pro treino, vamos! –Gina fala e todos se levantam um pouco mal humorados.
-Eu vou tentar comer um pouco mais, mas não vou me atrasar. –Draco fala para a namorada, a beijando brevemente depois.
-Tudo bem, você tem dez minutos. –ela fala com ar sério, mas piscando para ele antes de sair.
N/A: Oi, sei que demorou pra vir o cap, mas é que andei ocupada com a faculdade e encontrei uns caps complicados pra escrever de outras fics, me desculpem, tentarei não demorar tanto de novo.
N/A²: Antes que perguntem, não que isto me incomode, o Harry e a Mione voltam pra terra com o Ryan no cap 8, ou seja, no próximo!
N/A³: O que acharam da parte DG? Será que alguém aqui vai descobrir o pequeno mistério crucial pra DAS 3 que surge neste cap?
Próxima Atualização: O sucessor, vou escrever os dois últimos caps que faltam pra terminar a fic!