Cap. 11 Desculpa?
- Rony... Rony... RONALD!
- Quê? Ahn... Que foi? – o ruivo parecia que tinha se perdido um pouco em pensamentos, apesar de ainda estar olhando para sua redação, que não tinha passado do primeiro parágrafo.
- O que está fazendo? – ele pareceu aborrecido pelo susto.
- Você me assustou desse jeito só pra perguntar isso? – Hermione corou e voltou a encarar a própria redação. “A revolta dos elfos de 1595”, por incrível que pareça também não tinha passado do título. E olha que estamos falando de Hermione Já Sei Granger.
- Não é isso... É que...
- Hermione seja rápida, eu preciso voltar a me concentrar na redação. – Agora foi ela quem se irritou.
- Ronald Weasley não seja ridículo. Você sequer começou. Nem eu estou conseguindo pensar direito. E você sabe por quê? – ele fez cara de quem ia retrucar, mas Hermione estava com cara de poucos, pouquíssimos, amigos.
- Sim Ronald, você sabe. Estamos assim por causa do Harry. E não me interrompa até eu terminar. O que você fez, o que eu fiz, foi horrível. E eu sei que você também está se sentindo mal. Não negue você também sabe que foi errado. Foi absurdo. – ela que tinha tomado ar e se levantado agora aos poucos retornava a sua poltrona. Rony perdeu a vontade de protestar, mais uma vez ele teve que admitir, Hermione estava certa.
- E você sugere que a gente faça o que? – tinha certa urgência misturada com ironia nessa pergunta. Hermione fingiu não perceber.
- O que você acha? Vamos falar com ele Rony. É o certo, é o melhor. Nós estamos errados nessa história. – ele deu de ombros, e voltou a encarar a redação.
- Hermione, não é tão fácil pra mim sabe. Você acha que eu não pensei em tudo isso? Em tudo que eu disse? Você acha que eu não tenho vontade de pedir desculpas? Hermione, Harry é um irmão pra mim! Mas eu penso, nele... Com o Malfoy. Com aquele infeliz que a gente odiou sempre. E tudo que ele fez à gente? Fora o fato de ele ser um garoto. Mione, desde quando o Harry... Gosta de garotos? Quantas outras coisas sobre ele que agente não sabe? Depois de tanto tempo nós não somos dignos de confiança?
Ele bufou, e voltou a olhar a redação. É tinha sido difícil, mas finalmente ele desabafou com algo que lhe perturbasse, e é verdade, ele estava bem mais leve. Porém não menos confuso. Estava magoado é verdade, mas o que ele fez, tinha sido bem pior, muito pior do que a atitude de Harry de esconder um segredo. E se ele fosse o moreno, teria se arrependido de ter contado, afinal quando o fez, seus amigos “lhe deram as costas”. É Rony sabia que era isso que eles tinha feito, abandonado o amigo quando ele mais precisava.
- Ah Rony! – ela abraçou o garoto. Rony tinha se afastado por um sobressalto, mas logo correspondeu ao abraço da garota.
- Rony, vamos falar com ele, é o certo. – disse ela ao ouvido do garoto. Ele se arrepiou. Como estava precisando dessa aproximação de Hermione. Só não esperava que fosse desse jeito. Ele não resistiu, e capturou os lábios da menina em um beijo.
Foi um longo e quente beijo apaixonado. Cúmplice, culpado. Mas pareceu que nessa união, a mente deles clareou. O absurdo daquilo que fizeram se tornou ainda mais óbvio, mais evidente. E agora crescia uma necessidade de pedir perdão.
- Vamos sair daqui primeiro. Estou me sentindo sufocado nessa sala. – ela sorriu, e concordou. As mãos agora não resistiram em ficar entrelaçadas.
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- Vocês ouviram o que estão comentando?
- Lá vem, de quem é a fofoca agora Lino? – o garoto fez cara feia.
- Que fofoca que nada! Eu não faço fofoca, só repasso informação. – os amigos rolaram os olhos.
- Essa é velha hein Lino! – ele somente resmungou.
- Ta não importa Jordan! Desembucha! – o grifinório sorriu malicioso.
- É tão falando mais tão doidos pra saber da novidade né? Você é o pior Simas! Cara de pau que só você.
- Desenrola! Agora que você atiçou conta logo! – insistiu uma das garotas, que parecia a mais histérica.
- Sabem, estão dizendo por aí... – ele abaixou o tom de voz querendo fazer suspense – Que Potter, ultimamente, andou um tanto, digamos... “Inspirado”, no Patrono dele.
Simas e as duas garotas corvinais que estavam com ele caíram na gargalhada. Lino pareceu satisfeito que sua “informação” tenha surtido tanto efeito.
- Não vão espalhar hein? E ah! Eu nunca disse isso. – disso o garoto fazendo uma fingida cara de santo. Os amigos voltaram a rir.
- Qual é a piada dessa vez Jordan? – O tom de voz de Rony deixou clara a sua desaprovação, aliais, o garoto teve a ligeira impressão de que Hermione parecia estar segurando o ruivo.
- Piada? – ele voltou-se para os amigos fazendo sinal de interrogação, eles novamente riram. – Nenhuma!
- Estão rindo de bobos que são decerto? – Hermione também partiu na defensiva. Lino estava particularmente patético ultimamente. Essa mania de fofoqueiro estava realmente irritando.
- Qual é a vítima da vez? – Uma das garotas não resistiu.
- Seu amiguinho Weasley. Um veadinho convicto! – O restante riu, Lino disfarçou uma risada irônica.
- Sinto muito amigão... É o que estão falando por aí... Sabe boatos correm... – Rony retirou a mão de Lino que tinha sido colocado como quem lamenta.
- É sei. Sua vida deve estar chata não é? Realmente é a saída que todos com essa rotina monótona encontram. Vamos falar de Harry Potter! Francamente, esperava mais de você Lino. – Hermione pareceu realmente chateada. E agora ninguém falou, um certo rubor, identificado como “vergonha na cara” surgiu no rosto de Lino.
- Vamos, vamos embora Rony. Essa gente que não tem mais o que fazer me irrita. – Ela puxou Rony pela mão, olhando todos com absoluto desprezo.
- Ah Lino, isso é pra você não se meter mais na vida dos meus amigos. – Rony reuniu toda a raiva e irritação que algum dia já sentiu na vida, formando com eles um soco, que atingiu em cheio o rosto de Lino, que cambaleou para trás. E então eles foram embora, agora definitivamente, Rony estava mais leve.
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Onde ele estaria? Em Hogwarts o que não falta são lugares para estar, e se alguém está realmente disposto a se esconder, bem, é mais fácil desistir. Mas eles não precisaram procurar sequer perguntar se alguém o tinha visto. Logo ao chegar aos jardins sua figura já podia ser avistada pensativa, solene, sozinha.
Harry estava matutando com os seus botões. Ele realmente tinha grudado chiclete na cruz, não é possível. Porque tudo tinha que ser tão difícil pra ele? Não é possível, sua felicidade parecia que tinha prazo de validade. Ele riu do próprio descaso, não estava muito afim de fazer nada. Em pouco tempo ele tinha perdido amigos, e uma pessoa que se tornara tão importante pra ele. É tava na hora de rever os conceitos, o que vale a pena afinal?
- Harry? – ele estava tão distraído que se sobressaltou com o chamado. Era uma voz conhecida, uma voz amável. Alguém que ele sentia tanta falta... Hermione.
- A gente pode falar com você Harry? – ele ainda nem tinha se mexido. A garota havia se ajoelhado ao seu lado. Rony ainda tinha se mantido uns passos atrás. Como resposta somente um dar de ombros.
- Bem... Eu, quer dizer... Nós, hm... - tentou começar.
- Desculpe! – interrompeu. Ele disse mais alto do que queria, ou que realmente precisava. Harry que até então tinha fingido não notar sua presença virou-se para encará-lo. E pôs-se de pé.
- Desculpe?... Diz-me você se isso é o suficiente depois de tudo que você me disse. – respondeu friamente. Rony encarou os próprios pés.
- Harry, por favor. Não fique assim... Também foi difícil pra nós. – ela tentou se aproximar. Tudo o que Harry mais queria era os amigos de volta, mas não podia ser tão fácil. Não seria tão fácil. Ele tinha se machucado demais.
- Pra vocês? E qual foi o problema? Consciência pesada? Vergonha na cara? – eles emudeceram. – É os argumentos não estão muito forte não é? – as lágrimas chegaram aos olhos de Hermione. Rony tinha se calado, e Harry ainda mantinha a mesma postura.
- Argumentos? Harry! Eu não quero saber de argumentos! Nós fomos horríveis com você, e estamos arrependidos. E se fosse só por isso pode ter certeza que nós não estaríamos aqui. Harry nós te amamos, precisamos de você. Isso não é um argumento válido? – agora foi a vez do moreno se calar.
- E-eu realmente não queria ter dito tudo aquilo. Fui um completo idiota. – ele agora encarou bem os olhos do amigo, tentava assim provar para ele o quanto estava arrependido.
- É foi mesmo. Pelo menos você admite. – disse Harry dando de ombros. Mas sorriu, de maneira discreta depois. Hermione não resistiu à tentação de abraçá-lo.
- Harry! Perdoe-nos, por favor... Nós nunca queríamos deixar você sozinho! Por favor! – a menina dizia entre soluços, Harry estava sem graça, mas retribuiu o abraço no mesmo calor, afagando os cabelos volumosos da garota.
- Eu perdôo, senti muito a sua falta Mione. E a sua também Rony. – o amigo sorriu para o ruivo, que parecia aliviado. Hermione soltou-o enxugando as lágrimas, sorria também. Rony se aproximou abraçando o amigo também, com muito mais cordialidade, porém não menos carinho. Aquele gesto valia mais do que qualquer pedido de desculpas.
Eles sentaram-se, e começaram a conversar. Como se aquela briga nunca tivesse existido. Tudo tinha um clima maior de descontração, de brincadeira. Finalmente pensou o não-tão-menino-que-sobreviveu, um pouco de felicidade. Com os amigos de volta agora só falta uma “coisa” para se sentir totalmente feliz. Coisa essa com nome, sobrenome, e um lindo cabelo loiro.
- Mas vocês estão namorando mesmo? – ele perguntou, os amigos ficaram visivelmente sem graça, mas uma troca de olhar foi o suficiente para Harry saber a resposta antes mesmo de ela ser dita.
- Na verdade ainda não foi oficializado. – começou o ruivo.
- Ah Ronald! Chega de burocracia, nós estamos e pronto. – os garotos riram, ela inclusive o fez. Agarrando a bochecha do ruivo dando-lhe um beijo rápido. Harry riu ainda mais com a cor rubra que invadiu as orelhas do grifinório.
- E você com o Malfoy, Harry? – Rony pareceu ficar sem graça. Harry também, porém seu olhar tinha uma espécie de mágoa que ele tentou esconder.
- Ah Mione, não sei se agente chegou a ter alguma coisa. Se teve, acabou. – a garota fez uma bizarra cara de espanto.
- Por que? – até Rony parecia surpreso.
- Ele achou que assim, me causaria menos problemas. – ele sorriu fraco – E bem, que vocês voltariam, e me pediriam desculpas. Não posso dizer que ele errou não é?
- Não fale isso. A gente nem sabia! – Hermione sentiu quase como uma ofensa.
- Eu sei que não. – ele suspirou. – De verdade, deixa pra lá. Pra mim era desculpa.
- Mas pra que Harry? – agora fora Rony quem perguntou o tom de preocupado até impressionou o amigo.
- Digamos que ficar com Harry Potter tem seu preço. Ele achou caro demais.
- Harry você não é uma mercadoria! – Hermione parecia estupefata, Harry apenas deu de ombros.
- Não posso culpá-lo. Ele deve ter tido grandes motivos. Eu sei disso, está certo. – os amigos não pareciam concordar. – Ah esqueçam isso está bem? – e antes que a amiga dissesse qualquer coisa ele interrompeu mais uma vez. – Já tenho vocês, por hora, isso é o suficiente. Vai vamos mudar de assunto, não quero atrapalhar a felicidade do recém casal.
Os amigos sorriram, e por consideração mudaram de assunto. Continuaram a conversar como se à anos não se falassem. Foi realmente bom para o garoto cicatriz. Apesar da felicidade os amigos conseguiam perceber certo ar de tristeza no moreno. Era quase óbvio, apesar de ele tentar disfarçar. Estava na hora deles se mostraram dignos desse perdão de Harry. E interferir de um jeito benéfico nessa relação.
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