Capítulo IV
Calor.
Depois do calor, formigamento.
Hermione não conseguia distinguir qual das duas sensações predominava em seu corpo, enquanto colava-se ao príncipe durante o beijo.
Ela já enroscara os dedos nos cabelos espessos e negros de Harry, e também começara a devolver as carícias que recebeu na língua pela língua dele. Aliás, quando ela começou a responder ao beijo, por um momento, o mundo parou de girar, e tudo silenciou.
E então ela só queria mais. Mais proximidade, mais intimidade, mais contato. Mais alguma coisa desconhecida. Cravou as unhas no couro cabeludo e no pescoço do moreno puxando para si, querendo aliviar tudo aquilo que ela sentia e não compreendia.
Harry já não pensava. Agia por puro instinto. O cheiro perturbador que o inebriava, o gosto tão desejado que alcançava, a resposta ávida daquela boca maravilhosa. Ele gemeu quando ela o puxou para si, e em resposta, a empurrou contra a parede mais próxima apertando-se contra a mulher.
Foi quando ouviu um pequeno lamento de dor. Aquilo ecoou longe em sua mente e em reposta ele lembrou que a armadura devia estar machucando a curandeira. Afinal por que, diabos, estava com a armadura, pensou ele enquanto diminuía a pressão do corpo, e passava a acariciar a jovem a sua frente.
A resposta veio com um raio: a INVASÃO, a BATALHA.
Naquele instante, o príncipe afastou-se e foi se escorar na parede contrária, ficando frente a frente com Hermione. Ele tentou controlar a respiração e a ereção, que doía pressionada contra as camadas de metal que lhe revestiam a pele. Nunca, em todos os seus vinte e sete anos de vida, sentira tamanho desejo por alguém em especial.
Ele olhava para aquela mulher-menina, levemente desfalecida contra a parede, com a touca branca torta por cima dos belos cabelos revoltados, que se lhe caíam pelos ombros, os olhos semi cerrados e a boca inchada tamanho o fervor do beijo, e sentia a necessidade de tomá-la ali mesmo. O príncipe queria tirar aquela armadura que o impedia de sentir plenamente o corpo macio contra o seu e se afundar nele até que arrancasse gritos de êxtase da morena. Sensações perigosas, sentimentos perigosos demais.
Enquanto isso Hermione tentava retomar o comando de seu corpo e de sua mente. Primeiro, racionalizou ela, era preciso conseguir respirar. Depois, parar de tremer e por fim, forçar os olhos para ver através da névoa que a circundava. Porque era apenas essa a explicação lógica para enxergar tudo borrado.
Finalmente, depois de quase cinco minutos em que ambos tentavam controlar os próprios sentidos errantes, os dois se encararam hesitantes. Embora desvanecidos, os sentimentos confusos ainda se espelhavam nos olhos brilhantes deles. Era desejo, e também algo mais. Porém nenhum dos dois saberia identificar o algo mais.
Hermione ia abrir a boca para dizer qualquer coisa que acabasse com aquele silêncio constrangedor, quando o Capitão Dino Thomas apareceu na entrada do corredor dizendo:
— Príncipe Harry! Eles estão vindo!
O príncipe acenou e desencostou-se da parede gelada. Era o momento do combate, não de sedução. Dino Thomas já havia sumido novamente e Harry caminhava rápido até as escadas. Lá ele parou e disse:
— Mulher, o que houve aqui, ficará aqui. Se meu irmão e minha cunhada acreditam em você, eu também acreditarei. Mantenha meu sobrinho em segurança. Não me desaponte.
Dito isso ele desapareceu nas escadas, indo à direção da morte e da glória.
Hermione ainda estava escorada contra a parede em silêncio. Ela sorriu ante o pedido do príncipe, pois ela jamais descumpriria com um voto de honra. Não, ela não iria desapontá-lo.
Do lado de fora o estardalhaço feito pelos soldados de Voldemort zumbia nos ouvidos dos soldados do castelo. Dennis Creevey, o escudeiro do príncipe, apertava a armadura dele com perícia.
Ares resfolegava e pisoteava impaciente. Os barulhos, os cheiros, tudo o lembrava das experiências passadas. Ele fora coberto com a manta púrpura bordado com a árvore amarela, símbolos da família real de Atalaia. Sua proteção, feita de ferro fundido, brilhava ao sol. O cavalo já se sentia pronto para a batalha.
Dennis correu de um lado para outro até deixar todo o equipamento do príncipe Harry preparado. Ele ouvia, ao longe, ordens gritadas e o som infernal das armaduras se chocando. O escudeiro sabia que, em alguns reinos, os soldados mal conseguiam suportar o peso das próprias armaduras. Mas ali não era o que acontecia. Além do preparamento físico que o Chefe da Guarda Real exigia, Hagrid, o ferreiro real, aperfeiçoara, ao longo dos anos, a preparação e a fabricação de armaduras mais leves e mais resistentes. Ele melhorara inclusive a cota de malha metálica que revestia o corpo dos guerreiros por baixo da armadura.
Estava, finalmente, tudo pronto.
Harry se aproximou do escudeiro, com passos largos e decididos, e disse, no tom de comando habitual:
─ Você, jovem Dennis, ficará perto dos estábulos. Sua obrigação é impedir que o feno que os recobre pegue fogo sob o ataque inimigo. Estamos entendidos?
─ Sim, Alteza ─ respondeu ele estufando o peito, afinal, também tinha uma função.
O príncipe apenas acenou a cabeça, antes de se ouvir o silvo da primeira flecha inimiga, que se cravou na armação de madeira que cobria o poço central.
A batalha iniciara.
Capitão Thomas gritou para os arqueiros:
─ Disparos nível três.
Eles iniciaram a série de disparos intercalados. Eram apenas trinta arqueiros e eles disparavam alternadamente, fazendo com que sempre houvessem flechas cortando o ar.
Harry galgou os degraus e subiu nas ameias, a fim de visualizar o inimigo.
Voldemort havia organizado o exército de forma clássica. Na frente, os soldados de infantaria, cobertos com seus escudos estilo romano e deslocando-se em blocos de vinte homens. Alguns destes soldados empurravam três torres de ataque, com as quais planejavam invadir o castelo. Mais atrás, quatro fileiras de lanceiros marchavam. A cavalaria estava destacada ao sudeste, mas provavelmente não atacaria antes do castelo ser invadido. E por fim, a pouco mais de três quilômetros estavam eles, os arqueiros, com seus arcos de distância e flechas de curvatura longa. Eram os infames arqueiros quem enegreciam o céu e escondiam o sol com suas flechas mortais.
Voldemort pretendia fazer um ataque maciço contra as alas sul e leste, uma vez que a ala norte tinha apenas um pequeno portão de ferro e a ala oeste fazia divisa com o bosque, e, dois metros dentro da mata fechada, havia um profundo precipício.
No sudeste, onde ficava a vila de Atalaia, grandes labaredas de fogo brilhavam e a fumaça negra espiralava, subindo em direção ao azul do infinito. Harry trincou os dentes pensando em todas as famílias que ficariam desabrigadas por causa de atos como aquele. Se eles não conseguissem conter a ameaça do Lobo de Penedo, outras vilas e aldeias sofreriam ataques semelhantes, com a diferença de que não teriam um plano de fuga como os habitantes de Atalaia tiveram.
Os grupos de infantaria aproximavam-se ritmados. Um, dois, três...
─ Atirar Galena 1 ─ gritou Dino Thomas.
Há muitos anos, já na época do Rei James, davam-se nomes às espadas, às lanças, e neste caso, às catapultas. A ordem foi seguida à risca e Galena 1 disparou uma bola flamejante que caiu precisamente em cima de um grupo da infantaria desmantelando-o. Os soldados que não foram esmagados pela pedra corriam para apagar o fogo que se lhes prendia nas roupas debaixo da armadura. O óleo que usavam era especial e quem manejava as catapultas deveria ter um cuidado redobrado, porque ele penetrava com fluidez entre as malhas e grudava-se à pele e às roupas de tal forma que demorava tempos até sair. Além de ser altamente inflamável, obviamente.
Depois desta primeira ordem, várias outras catapultas começaram a entrar em funcionamento alternadamente. Além de Dino, outros dez soldados orientavam a posição das catapultas para que pudessem atingir seus alvos com maior precisão. E aquele seria apenas o começo.
Os arqueiros continuavam sua batalha contra os guerreiros, mas agora não eram mais os duzentos que se deslocavam em blocos. Os blocos tinham sido desfeitos e os soldados de Voldemort atacavam de qualquer forma. Mas erraram feio quando avançaram sem organização para o castelo. As flores de lis (pequenas estacas de madeira que eram enterradas na terra de forma parecida com a flor de lis) de metal, preparadas especialmente por Hagrid, se lhes fincavam no solado dos pés. Os lanceiros que haviam ficado para trás, num primeiro momento, avançaram para ajudar a infantaria e viram-se presos na mesma armadilha engenhosa e cruel.
Pouco a pouco, o campo de batalha começava a tingir-se de vermelho, os gritos de ataque se confundiam com os gritos de agonia daqueles que eram atingidos. Fumaça e cinzas poluíam o ar com um cheiro forte de carne queimada. Dentro das muralhas mais de doze pessoas haviam sido atingidas, duas fatalmente. Não poderiam ter muitas baixas, senão o castelo sucumbiria. Os soldados de Atalaia moviam-se com graça e agilidade, evitando as flechas inimigas, como se evitassem pequenos insetos.
Harry já havia descido das ameias e preparava-se para sair com mais sessenta soldados. Eles iriam lutar fora dos muros. As torres de invasão haviam sido destruídas graças à precisão dos soldados que disparavam as catapultas, mas ainda haviam aríetes que poderiam por os portões do castelo abaixo. Além de uma maioria considerável entre as colunas de Voldemort.
Porém, antes de montar Ares, Harry fitou todos os seus homens. Tinha que encontrar alguém de confiança, que protegesse a jovem curandeira e o príncipe. Ele percorreu com os olhos todos os soldados. E seu olhar pausou em uma figura miúda, encolhida contra os muros, que disparava flechas certeiras.
Sem esperar mais, Harry dirigiu-se com suas passadas largas e rápidas até o soldado e lhe disse:
─ Apresente-se agora nos aposentos da Rainha. Estou agora lhe nomeando Guardião Real do Príncipe. Irá com ele aonde ele for, e o protegerá acima de tudo, bem como a sua guardiã. Não posso lhe dizer mais nada. Mas saia imediatamente da batalha e aguarde instruções.
─ Sim, alteza.
Harry acenou positivamente e voltou à atenção para o cavalo. Já montado ele completou:
─ Pode ser que não nos vejamos por muito tempo, soldado. Espero que cumpra com seu dever. Seu pai se orgulharia disso.
Depois disso, o príncipe acenou para os demais cavaleiros, que o seguiriam para fora dos muros do palácio, para que começassem a ir. Todos eles cônscios de quais caminhos usar entre as flores de lis. O treinamento fora rigoroso e meticuloso, nesse ponto, e eles dependeriam deste treinamento para sobreviver.
Agora é que a carnificina começaria, pensou Dino Thomas, enquanto acenava para seu príncipe. A morte andaria lado a lado com cada um dos soldados de cavalaria que passavam pelo portão pequeno da ala norte. Quando o último soldado passou para fora das muralhas, o pequeno e pesado portão foi fechado e lacrado. Os cavaleiros apenas retornariam à noite, quando a batalha se encerrasse, e, aqueles que sobrevivessem, entrariam pelo portão principal.
No exato momento em que o portão fora lacrado, o Rei surgiu ao lado do Capitão Thomas e indagou:
─ Harry já foi?
─ Sim, Majestade, acabou de sair.
─ Como estamos?
─ Até agora nossas defesas foram impecáveis, Majestade.
O Rei concordou com um aceno. Ele observou o campo de batalha. Já haviam soldados caídos. Ouvia os gritos daqueles que tiveram seus pés perfurados pelas flores de lis, além daqueles que estavam queimando vivos por causa das bolas de fogo arremessadas pelas catapultas. Ronald sentia-se frio por dentro. Ver seu adorado reino ser atacado daquela forma e ter que se afastar de seu único filho estava lhe roubando a alma. A dor da despedida ainda queimava-lhe no peito, mas não tivera forças para ver Hermione levando a criança. Preferiu ocupar seu lugar de direito e de dever na defesa do castelo.
Seu irmão partia para mais um combate. Quanto sangue se derramaria antes que Voldemort fosse detido? Estes pensamentos negros o abatiam ainda mais. Com um suspiro ele tomou seu lugar no combate.
Do lado de fora, os cavaleiros erguiam suas lanças e as arremetiam contra os soldados de infantaria que conseguiram escapar das flores de lis. O choque entre as lanças de metal e os corpos, produzia um estalido engraçado, e depois que a lança perfurava a armadura, ela afundava-se com facilidade na carne dos oponentes. Ao retirá-las dos cadáveres os cavaleiros de Atalaia destroçavam ainda mais os corpos uma vez que estavam montados e seus atos eram velozes.
Quando a cavalaria de Voldemort percebeu o que acontecia, pôs-se a caminho com velocidade. Os cavaleiros de Atalaia gritaram envolvidos na energia da batalha.
Minutos depois, os duzentos cavaleiros de Voldemort chocavam-se contra os sessenta de Atalaia, numa confusão brilhante de armaduras e lanças. Os cavalos relinchavam, alguns caíram e esmagaram os próprios cavaleiros. A cena caótica tinha uma beleza selvagem para quem assistisse.
Príncipe Harry não pensava em mais nada. Quando ultrapassara os portões de Atalaia, esqueceu lá a família e a mulher que lhe provocava sensações estranhas. Ele era, acima de tudo, um guerreiro, e um guerreiro apenas pensava na batalha. Era assim que ele vivia.
Ainda montado em Ares, que cavalgava com perícia entre os corpos, as flores de lis e os oponentes, Harry parecia um espírito vingador. Sua armadura não mais reluzia sob a luz do sol, ela estava amassada e respingada de sangue. Os movimentos da lança o atrapalhavam, então ele a lançou contra um cavaleiro inimigo que caiu, atravessado por aquele grande pedaço de madeira e metal.
O príncipe defendia-se dos golpes com o escudo e atacava com sua espada, Camulus (o Deus guerreiro). As rédeas estavam soltas e ele segurava-se apenas com as pernas na montaria. Ares não o deixaria cair.
Um novo golpe, mais um e outro ainda, as horas escoavam como o sangue daqueles que caíam. As espadas produziam um som parecido com tinidos de metal das ferrarias quando se entrechocavam.
Harry acabava de enfiar sua espada dentro de outro adversário e de retirá-la com perícia, quando ousou olhar para a floresta.
Um reflexo azul e outro prata foram em direção às árvores sumindo de vista, mas acompanhados de flechas inimigas. A curandeira acabava de escapar.
Este pequeno momento de distração, que deve ter durado no mínimo um segundo e meio, fez com que um inimigo acertasse Harry nas costas lançando-o no chão. Com reflexos de tigre, o príncipe ergueu-se num pulo e lançou seu escudo contra o inimigo arrancando-lhe a cabeça, e fazendo-o tombar para o lado, caindo da montaria.
─ Ares, companheiro, vá para o castelo, agora ficarei no solo ─ falou Harry para seu cavalo que resfolegou e galopou para o castelo.
Segurando sua espada longa e larga, Harry passou a desferir golpes precisos e curtos nos guerreiros que estavam a sua volta. Adiante ele viu os gêmeos lutando em solo, cada um com uma espada e um machado, machado este símbolo da família Weasley. Ele ouviu uma conversa animada entre os dois:
─ E então George, era assim que pensaria que os soldados de grande bigodinho lutassem? ─ Indagou Fred com um sorriso maroto enquanto cravava o machadinho no pescoço de um dos adversários, a lâmina afiada do machado havia ultrapassado a cota de malha.
─ Sabe que não Fred. Eu achei que eram guerreiros treinados ─ retrucou George entre um golpe e outro. ─ Chega a ser decepcionante, sabe. A gente se prepara para morrer em batalha e tal. Alcançar a tal da… ─ um novo golpe e mais um soldado inimigo no chão ─ glória. Mas que glória há contra um inimigo assim? Aliás quantos, Fred?
─ Não sei, dez, talvez? Não tenho contado.
─ Pois nem eu, me esqueci de arrancar os dedos para nossos colares. Papai ficaria desapontado conosco, Fred.
Os gêmeos gargalharam de forma sádica enquanto distribuíam golpes poderosos.
Agora os cavaleiros de Voldemort começavam a temer aquele exército pequeno e eficiente. Mais de cinqüenta soldados haviam caído de seus cavalos e perecido, mas os cavaleiros poderosos de Atalaia continuavam a distribuir golpes e em pé.
O suor e o sangue cobriram a todos. Braços e cabeças decepados cobriam o chão, enegrecido do sangue. A luta era sangrenta e agora não havia mais volta.
Noutro canto, no meio de soldados inimigos, Colin Creevey e Cormáco Mclaggen, discutiam seriamente entre um golpe e outro:
─ Eu ainda não acredito que Ana tenha lhe dito que preferia você ─ gritou Colin enfiando a espada na abertura de um elmo. ─ Ela sempre me disse que me amava.
Cormáco riu enquanto girava sobre si mesmo e, com o impulso ganho, decepava mais uma cabeça. Essa era sua marca. Os Mclaggen arrancavam cabeças, era uma tradição de família.
─ Pois disse, amigo. Conforme-se, ela é minha.
─ Nós lutaremos por ela, Cormáco, deixe só vencermos a guerra que lutaremos pela honra de cortejá-la ─ afirmou Colin acertando mais um inimigo.
─ Feito ─ gritou Cormáco enquanto fazia uma nova cabeça rolar.
Eles sorriram entre si. Mas o sorriso do soldado Mclaggen morreu no rosto enquanto ele berrava:
─ Colin, cuidado!
Mas o aviso veio tarde demais. Colin ainda sorria quando um soldado de Voldemort lhe enfiou a lança pelas costas atravessando-o pelo abdômen. Cormáco, enfurecido, correu até eles e arrancou a cabeça do inimigo com um golpe apenas, e então se ajoelhou do lado do amigo e companheiro de luta:
─ Colin, seu desgraçado, não morra agora. Ainda não matamos o suficiente, e temos que lutar pela Ana, sua morte me pertence.
Colin abriu os olhos e deu um sorriso antes de retrucar:
─ Ana lhe pertence, amigo, foi bom lutar a seu lado. Cuide bem dela.
E o jovem soldado morreu com um sorriso, enquanto os olhos de Mclaggen escureciam de ódio e raiva, pouco extravasados pelo grito inumano que ele lançou. O soldado olhou ainda mais uma vez para o amigo e levantou-se. Iria vingar a morte de Colin.
Agora os inimigos que se cuidassem. Cabeças iriam rolar, literalmente.
Harry havia enfiado Camulus em mais um inimigo quando se viu frente a frente com o Marquês Lestrange. O príncipe deu um sorriso irônico e arqueou a sobrancelha antes de girar Camulus na mão, com perícia. O Marquês segurava sua espada com as duas mãos numa posição bélica, de medo.
─ E então Marquês, nos encontramos de novo? ─ Indagou o moreno com a voz macia e perigosa.
─ Temo que sim, general ─ retrucou o Marquês com a voz confiante de quem iria matar.
Harry deu mais um sorriso e partiu para o ataque, golpes circulares e exatos. Lestrange usava a técnica de golpes curtos e firmes. Entre eles havia silêncio. Para Harry tudo estava quieto a não ser pelo choque das espadas, o príncipe não ouvia mais os gritos e a luta a sua volta. Toda a atenção estava no oponente.
Marquês Lestrange lutava como se não houvesse amanhã. E não havia mesmo. Soube no momento em que viu sua esposa na cama do rei, que ele era apenas um peão disponível no tabuleiro de Voldemort. Se fosse para morrer, preferia morrer pela espada de um inimigo honrado como Harry de Atalaia, e não apunhalado pelas costas como aconteceria em Penedo.
Voldemort já dera ordem de recuar, uma vez que anoitecia rapidamente e ele fora surpreendido pela selvageria e força dos soldados de Atalaia. Ele usaria o plano B, era uma questão de tempo. Os noventa cavaleiros que sobreviveram ao ataque recuaram apressados, enquanto as flechas cessavam dentro dos muros do castelo.
Apenas Lestrange e Harry lutavam como se nada tivesse acontecido. Um golpe, da direita em diagonal de Harry foi perfeitamente defendido por Lestrange, que contra-atracou com violência da esquerda para cima. Harry sorriu enquanto se defendia. Um novo golpe, as espadas estavam dentadas por causa da força empregada pelos oponentes.
Aquele combate não demoraria muito. Harry estava cansado depois de cinco horas de combate, mas agüentaria ir noite adentro guerreando. Seus instintos não se cansavam nunca. Deu um novo golpe, meio cego pelo suor e pela escuridão que dominava o campo. E então, ouviu-se um gemido.
O príncipe arregalou os olhos sem crer no que acontecera. Num golpe cego e sem qualquer perícia, ele acertara o oponente na virilha.
─ Obrigado, príncipe, por uma luta justa ─ agradeceu Lestrange com um sorriso.
O príncipe piscou mais uma vez enquanto sentia a espada sair do corpo e então viu o Marquês estirado a sua frente, como um boneco de pano.
Finalmente voltou a atenção para o campo e viu-se cercado de braços, pernas, cabeças e corpos, que desapareciam rapidamente na escuridão da noite. Viu seus homens se recolhendo ao castelo e praticamente todos os homens de Voldemort recolhidos ao acampamento.
O príncipe tirou o elmo e baixou a cota de malha enquanto voltava ao palácio. Sem crer que, pela primeira vez em toda a sua vida de guerreiro, tinha sobrevivido graças à sorte e não à perícia. No momento em que fechara os olhos e dera o golpe final em Lestrange, Harry poderia ter sido atingido, pois estava indefeso. Mesmo assim, ele se livrara da morte certa. Bem dizia sua mãe que, às vezes, era bom ter mais sorte do que juízo.
Quando estava próximo dos portões, Harry percebeu que Atalaia tinha vencido a primeira batalha da guerra, e sorriu. Eles deveriam comemorar. Então, lembrou-se de que a única mulher com quem, pela primeira vez, gostaria de compartilhar a vitória havia partido horas antes. Ele ainda lembrava do reflexo azul de sua capa. Esperava que tivessem conseguido. Seu amigo com certeza cuidaria bem dela e do príncipe.
Depois de entrar no castelo, o príncipe foi ovacionado pelos soldados que batiam com os cabos das armas contra as armaduras e gritavam:
─ SANGUE E MORTE! INIMIGOS DE ATALAIA TEMAM SEU NOME!
O Rei caminhou até o irmão com toda a sua majestade e o abraçou. Então, disse com um sorriso triste:
─ Conseguimos vencer a primeira. Outras virão. Mas, agora, todos devem se lavar, alimentar e descansar. Amanhã, um longo dia de guerra nos espera.
Os soldados concordaram. Antes de descansarem fizeram o sorteio dos vigias e em pouco mais de duas horas o castelo ficava em silêncio total. As tochas eram poucas, para que os inimigos não vissem onde as sentinelas se escondiam e quantas eram elas.
Antes de se retirar, Harry aproximou-se de Mclaggen que cavava um túmulo para Creevey, dentro do cemitério real. Havia deixado que o jovem cavaleiro fosse sepultado lá, ante o pedido insistente do cavaleiro Mclaggen e do escudeiro do príncipe e único irmão do falecido, Dennis.
─ Ele foi um soldado honrado, Mclaggen. Foi uma pena que tenha morrido. Entretanto, foi uma morte em glória. Seus feitos serão cantados por gerações.
O soldado grunhiu algo em resposta. Concentrado em cavar mais fundo.
─ Quem sabe você não deveria descansar e deixar este trabalho para o coveiro? ─ Insistiu o príncipe.
─ Não, Alteza, eu devo isso a ele. A última coisa que ele disse foi uma benção ao meu relacionamento com a mulher que ele amava. Eu devo a sepultura a ele, Alteza. É uma questão de princípios.
Harry concordou e apertou firme o ombro de um de seus cavaleiros mais corajosos, então, deu as costas e entrou no castelo, passando por uma criada de faces lavadas de lágrimas, que ele reconheceu como sendo a famosa Ana, objeto de disputas entre os dois amigos.
A guerra fazia vítimas muito jovens, ponderou ele ao entrar nos aposentos e se despir para um merecido banho.
Harry estava preparando-se para dormir, quando ouviu uma batida leve na porta e o Rei entrou.
─ E então, irmão. Meu sobrinho partiu em segurança? ─ Indagou Harry terminando de arrumar a atadura na perna, onde fora atingido durante o combate com Lestrange.
Ronald suspirou e concordou:
─ Creio que sim. Nossos arqueiros lhes protegeram a retaguarda. Hermione salvará o menino. Mas e seu guarda? Tem certeza que é hábil o bastante? Achei-o um tanto quanto jovem.
Harry deu um sorriso esperto e respondeu:
─ Parkinson parece frágil, mas é mais forte que uma muralha. Corajoso e hábil o suficiente com o arco e flecha pra fazer nossos arqueiros mais antigos se envergonharem e sabe manejar a espada também. Não se preocupe. Se existe algum soldado que morreria antes de se entregar, este homem é Parkinson. Agora me diga, como está Luna?
Ronald sorriu ante a preocupação sincera de seu irmão. Luna realmente conquistava a devoção daqueles que a cercavam, mas ver Harry, o frio guerreiro, se preocupar com o bem estar de alguém o chocava. E apenas não tinha ciúmes do irmão, porque sabia que a devoção de Harry à Luna era puramente fraternal. O Rei respondeu:
─ Fisicamente, Luna está bem. Mas, emocionalmente não está sendo fácil se separar da melhor amiga e de nosso filho. Acho que Luna é mais forte do que supúnhamos.
Harry concordou com um aceno, enquanto mantinha seu rosto impassível. Queria que Guilherme, Percival e Carlos chegassem logo. Batalhar em terras estrangeiras era muito diferente de encharcar de sangue o solo de sua terra natal. Ali havia muito mais coisas a perder do que a própria vida. Havia a vida de pessoas que ele amava.
Os dois irmãos ficaram se encarando por um tempo, num silêncio contemplativo e íntimo, que poderia dizer mais que muitas palavras. Por fim, o rei acenou com a cabeça e deixou os aposentos do irmão. Aquela seria uma longa noite.
Hermione havia dormido boa parte da tarde. Estava exausta e realmente poderia cair do cavalo como sugerira intolerantemente o príncipe se seguisse desperta. Quando acordara, já refeita, vestiu a capa, prendeu a trouxa contra o corpo e dirigiu-se ao quarto da Rainha. Era quase o momento de partir.
Ao chegar ao corredor, frente à porta dos aposentos reais, a morena viu um jovem soldado, de aparência suave e belos olhos escuros, sentado contra a entrada, como se aguardasse instruções.
─ Quem é a senhorita e o que faz aqui? ─ Indagou o soldado com a voz esganiçada de adolescente, enquanto se punha de pé numa atitude defensiva.
Hermione simpatizou de pronto com o rapazola e lhe sorriu antes de responder:
─ Sou a curandeira da Rainha. Estou aqui pra vê-la. E quem é você, senhor?
O soldado relaxou a postura e disse:
─ Eu sou o soldado Parkinson, Guardião Real do Príncipe e irei escoltá-los até um local seguro.
Hermione o olhou com dúvida, mas naquele exato momento Lady Minerva saía do quarto da Rainha e dizia:
─ Os dois já se conheceram? ─ Antes que qualquer um dos dois se manifestasse ela assentiu: ─ Ótimo, isso nos poupa tempo. Hermione, entre no quarto e se despeça da Rainha, eu darei as instruções finais ao jovem, conforme me foi ordenado por sua Majestade.
Ainda que não costumasse receber ordens, Hermione concordou com a velha senhora. Lady Minerva era uma dama de grande apreço dos Atalaia e devia saber tudo sobre o plano. Apenas o casal real, o príncipe, Lady Minerva e ela sabiam os detalhes, e agora, o tal soldado que parecia mais um menino, que um homem de guerra e que, supostamente, iria defendê-los.
O sorriso no rosto da curandeira só não se concretizou porque ela viu a Rainha Luna chorando e beijando o filho repetidas vezes, enquanto dizia-lhe palavras cheias de carinho. Hermione sentiu um nó na garganta e seus olhos marejaram-se de lágrimas, porém ela conseguiu conter o pranto que se aproximava. Havia dado sua palavra que manteria o menino a salvo, no entanto, quem cuidaria de Luna?
─ Majestade, a hora se aproxima ─ disse a morena em voz baixa.
Luna concordou com a cabeça, entre lágrimas, enquanto apertava o filho contra os seios.
─ Sim eu sei. Maldito seja Voldemort. Maldita seja sua semente. O fogo do inferno será pouco para ele.
Hermione concordou com acenos e manteve-se calada. Sabia que seria melhor para Luna deixá-la exorcizar sua dor através das maldições. A morena queria desistir, queria encontrar outra forma de salvar o príncipe. Qual seria ela? Haviam pensando em tudo, e o mais seguro continuava a ser tirar o bebê de Atalaia.
Com suavidade, a curandeira dirigiu-se até a cama da amiga e recebeu o bebê em seus braços. Ela beijou demoradamente sua Senhora na testa, controlando as lágrimas.
─ Cuide bem dele, Mione. Fale sempre de mim e diga que eu o amo muito e sempre o amarei. Já sabe o nome que ele terá, mas não o pronuncie até estar em local seguro. Eu confio em você, minha irmã.
Hermione sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto, mesmo que fizesse força para não chorar. E com a voz embargada, retrucou:
─ Eu amo a senhora, Vossa Majestade, é, e sempre será, minha única irmã. Cuidarei do príncipe e lhe contarei sobre o amor dos pais. E logo estaremos de volta.
Luna concordou com um aceno, pois não conseguia falar, tal a força de suas lágrimas. Lady Minerva entrava no quarto naquele momento e apertou o braço de Hermione dizendo:
─ Confiamos a você nosso futuro. Vá com Deus, minha filha. Eu cuidarei bem da Rainha.
Hermione concordou com um novo aceno e saiu do quarto ouvindo os soluços da Rainha e as palavras de conforto de Lady Minerva. Fora do quarto, encontrou com o soldado Parkinson que parecia nervoso, e, ainda sim, firme em suas obrigações.
─ Siga-me, soldado ─ instruiu Hermione. ─ Sairemos pela passagem do estábulo, por onde podem passar os cavalos. Nosso tempo é limitado.
O jovem soldado concordou com um aceno e eles desceram pelas passagens tão usadas por Mione. Em questão de cinco minutos, encontravam-se no pátio central ouvindo os barulhos do combate e vendo as flechas voarem por suas cabeças. Parkinson, com sua perícia de treinos táticos, levou a curandeira e o príncipe com rapidez até os cavalos preparados para a fuga. Ninguém se lhes prestava atenção, todos muito ocupados em suas funções. O jovem Creevey apagava mais um pequeno foco de incêndio num dos cantos da estrebaria quando Hermione, o príncipe, Parkinson e dois cavalos sumiram por um dos muros. Bastava apertar a pedra certa e empurrar a parede.
Depois de terem entrado no túnel, escuro como breu, Hermione acionou as travas impedindo que qualquer um, que desconhecesse a seqüência correta, de abrir a passagem. Apenas ela e o Rei poderiam desbloquear a passagem.
─ Como, diabos, vamos sair deste buraco? ─ Resmungou Parkinson.
─ Confie em mim, jovem soldado. Eu conheço estes túneis muito bem e nunca precisei de iluminação. Vamos, leve os dois cavalos, pois tenho de segurar o jovem príncipe. Eu vou cantarolar uma música, siga o som da minha voz.
E Hermione começou a cantar uma música muito antiga, que ela ouvia quando era apenas um bebê, nas cozinhas do castelo dos pais de Luna. A música contava a história de uma estrela que havia perdido o caminho e havia caído na terra, e da luta entre os homens que a queriam por sua beleza e aqueles que queriam levá-la de volta ao céu. O final era trágico, porque a estrela morria de tristeza por amar um homem ambicioso que a queria apenas por sua beleza, e ela não tinha mais vontade de brilhar.
Quando terminou a música estavam próximos da saída e a luz parcial do entardecer os cegava.
─ Acho que sabe o nosso plano, verdade? ─ Indagou Hermione enquanto prendia o bebê contra si com um pano, fazendo-o parecer uma trouxinha de roupa.
Parkinson concordou enquanto ajudava a curandeira a montar:
─ Sim, cavalgaremos até o coração da mata, onde um guia nos espera. É com este guia que teremos de ficar até sermos chamados de volta ou... ─ Hesitou o soldado.
─ Ou até nosso jovem príncipe ter forças para lutar ─ completou Hermione com firmeza. ─ Vamos, o Rei me instruiu a aproveitar o momento em que os cavaleiros atacassem, porque as atenções seriam desviadas.
Parkinson concordou. A saída daquela passagem ficava a, mais ou menos, dois quilômetros da mata. Eles teriam de galopar a toda velocidade antes de ficarem protegidos pelas árvores. Uma vez que ambos estavam montados, iniciaram o galope.
Parkinson erguia-se com majestade sobre o cavalo, enquanto disparava flechas contra os inimigos, protegendo as costas da curandeira. Ele gritou num dado momento:
─ Não importa o que aconteça, não olhe para trás.
Hermione nem pensava em fazer isso. O silvo das flechas que passavam a seu lado era suficientemente assustador para impedi-la. Embora lhes parecesse muito, eles não deviam ter demorado mais que poucos minutos para entrar na mata. Mesmo com os galhos das árvores lhes arranhando o rosto, os dois não diminuíram a velocidade antes de estarem na escuridão da mata e não ouvirem mais os barulhos da luta.
Finalmente, Hermione relaxou, olhando com admiração para o bebê, que não acordara ou chorara por todo o trajeto. Ele ressonava tranqüilo contra o peito da morena, como se estivesse aconchegado e seguro. A curandeira olhou para o jovem soldado que permanecia alerta, porém parecia estar sofrendo.
─ O que houve? ─ Perguntou ela.
─ Nada, Senhorita. Não se preocupe comigo. Como está o jovem príncipe?
─ Bem, eu nem acredito que ele esteja dormindo ─ comentou ela. ─ Logo estaremos no ponto de encontro, e, provavelmente, terei de alimentá-lo.
O soldado concordou com um gesto da cabeça, mas não disse nada, o que surpreendeu Hermione. O jovem era muito fechado, pensou ela. Teria que tentar descobrir mais coisas quando estivessem fora de perigo.
Depois de duas horas na mais completa escuridão, Hermione ousou indagar:
─ Estamos indo na direção correta? Está escuro e não vejo as estrelas para nos guiar.
O soldado respirou forte e respondeu:
─ Estamos, senhorita. O falcão real está nos guiando, eu o estou seguindo. A ave nos levará até o guia.
Hermione franziu a sobrancelha ante a voz fraca do soldado. Algo estava muito errado. O bebê começou a inquietar-se e logo choraria. Ansiosa, a curandeira esperava chegar logo no ponto de encontro, onde eles descansariam uma hora antes de seguir viagem.
Pouco depois, ela viu uma fogueira pequena e que não fazia fumaça. Ao lado dela, um homem estava displicente deitado, no entanto, quando aproximaram-se mais, ele saltou com agilidade, empunhando uma espécie de espada longa com a ponta curvada e recortada de forma perigosa.
─ Quem vem lá? ─ Indagou a voz forte e harmoniosa.
─ Somos a voz da tempestade e o sussurro do mar ─ disse o soldado com a voz ainda mais vacilante.
─ Somos o calor do sol e a suavidade da chuva ─ completou o homem que agora baixava a espada e se aproximava.
─ Enfim somos Atalaia ─ terminou Parkinson com um sorriso débil.
O homem sorriu de volta e aproximou-se rapidamente, enquanto ajudava Hermione descer do cavalo.
─ Eu já estava preocupado. O príncipe Harry chamou-me de meu retiro e garantiu que viriam duas horas após o descer do sol e já passaram três. A propósito, Meu nome é Malfoy. Draco Malfoy.
Hermione sorriu ante o homem alto, loiro e atraente que se apresentava. Ele tinha a mesma aura de poder do Rei de Atalaia e do príncipe Harry, aquela energia que subjugava a todos e o charme de conquistar a lealdade.
─ Eu sou Hermione Granger e este é...
A apresentação foi suspensa, porque o soldado escorregara para o lado e caiu com força no chão duro.
─ Parkinson! ─ Exclamou a morena fazendo o bebê acordar e chorar a altos brados.
O caos estava instalado. Malfoy olhava o soldado e o bebê alternadamente, sem entender o que deveria fazer. Quando Harry lhe cobrara um favor, retirando-o de sua peregrinação espiritual, não falara nada em mulheres bonitas e soldados que desmaiavam, ou de bebês chorões. Falou de escolta do jovem príncipe, e ele nunca imaginara que o príncipe seria tão jovem assim.
Hermione, acostumada a agir rápido, prontamente assumiu o controle dizendo:
─ Por favor, Senhor Malfoy, ajude o soldado Parkinson, ele deve ter sido atingido durante nossa fuga. Retire a armadura e a cota de malha, enquanto eu alimento o príncipe. Depois haverá tempo para as conversas.
Atordoado com a rapidez com que a curandeira falara, Draco prendeu os cavalos numa árvore, e arrastou o soldado até a tenda que armara durante o dia de espera, e, enquanto o despia da armadura, notou uma flecha cravada na omoplata esquerda do jovem soldado.
A morena tirara um dos odres de leite e alimentava o bebê que, em princípio, recusara, com certeza preferindo os seios de sua mãe, mas depois sugava com violência, afinal a fome fora mais forte.
Ela suspirava aliviada quando ouviu Malfoy soltar uma exclamação de surpresa e sair rápido de dentro da tenda.
Então o homem loiro a encarou com os olhos esgazeados de surpresa, antes de balbuciar:
─ É melhor a senhorita continuar.
─ Por quê? ─ Indagou ela surpresa.
─ Pela minha honra, não posso fazer mais nada. É melhor a senhorita ajudar o, a... bem, Parkinson.
Hermione o olhou sem entender e concordou com um aceno. Levantou-se e se aproximou de Malfoy, colocando o príncipe em seus braços, e o odre de leite numa das mãos. O bebê prontamente chorou por ter sido afastado da comida, e o loiro pareceu apavorado com a situação.
─ Basta manter a cabeça do bebê firme com o corpo num de seus braços. Coloque a ponta do odre na boca dele e tudo acontecerá naturalmente. ─ Vendo-o confuso ela explicou: ─ Eu não posso atender o Parkinson alimentando o bebê não é? Voltarei daqui a pouco. Lembre-se que depois de alimentá-lo, terá de fazê-lo arrotar. Me chame caso tenha alguma dificuldade.
O pobre homem ficou olhando aturdido para o bebê que chorava e para a mulher pequena que sumia dentro da tenda levando consigo uma trouxa. Sem ter o que fazer, ele tentou, com suas manoplas ajeitar o bebê, tão pequeno, em seu braço direito, enquanto com a mão esquerda aproximava o odre do bebê, logo o choro silenciava e o príncipe se alimentava satisfeito.
Harry lhe pagaria muito caro, pensou Draco rabugento enquanto dava de mamar para o príncipe. Ah, aquele safado lhe pagaria por esta situação absurda e bizarra.
Hermione entrou na tenda querendo saber o que assustara o guia daquela forma. Foi quando viu o que surpreendera Draco. Com os olhos arregalados, Mione viu que o soldado Parkinson na verdade era a soldado Parkinson. Sob a camisa encharcada de sangue, desvendavam-se as formas de seios arredondados e firmes.
Sem se deter em detalhes, a curandeira virou a mulher e viu qual o ferimento que estava enfraquecendo-a. Com perícia, quebrou a parte de trás da flecha e sussurrou para a paciente inconsciente:
─ Isso vai doer.
Então empregando força, empurrou a flecha até que ela saiu logo abaixo da clavícula da moça, que gritou e pinoteou por causa da dor. Hermione acostumada a tratar de pacientes ainda mais fortes que a jovem, a segurou com firmeza enquanto puxava a flecha ensangüentada pela frente.
Hermione tirou a camisa suja da mulher que atendia e passou um ungüento de cor avermelhada no furo que a flecha causara, depois, aproveitou-se da roupa branca que levara para si e rasgou algumas faixas, que usou para recobrir o local do ferimento. Por fim, vestiu Parkinson com sua própria camisa e a deixou descansar.
Só poderiam sair no outro dia, quando a mulher acordasse, ela perdera muito sangue e estava fraca demais para seguir viagem naquele exato momento. Dando seu serviço por encerrado, Hermione apertou bem túnica de lã sobre os próprios seios sem a proteção da camisa, rezando para que pudesse adquirir algumas roupas logo.
Quando saiu da tenda, sorriu ante a figura que o loiro fazia enquanto segurava o pequeno ruivo no colo. Ele parecia grande demais para segurar um ser tão pequeno. Como delicadeza, Hermione tomou o bebê nos braços e o colocou verticalmente contra si, encostando o rostinho dele no próprio ombro para fazê-lo arrotar.
─ Meu anjo, vamos, que logo poderás dormir ─ sussurrou ela ao bebê.
Malfoy pareceu meio acabrunhado e indagou:
─ Como ela está?
A curandeira sorriu e respondeu:
─ Ela via ficar bem. Não atingiu nenhum órgão interno ou veia importante. Vai doer algum tempo, e ela não poderá usa o arco e a flecha por um ou dois meses. Mas amanhã poderá seguir viagem.
Malfoy franziu o cenho e retrucou:
─ O mais seguro seria sairmos daqui o mais rápido possível. E, por acaso, a senhorita sabia que era uma mulher que a escoltava?
─ Não, não sabia. Mesmo que seja mais seguro, não acredito que a senhorita Parkinson consiga cavalgar. Depois de duas ou três horas de descanso, provavelmente o corpo dela agüentará a viagem até o porto.
Malfoy conteve uma risadinha debochada, enquanto falava cheio de ironia:
─ É uma mulher, não um soldado. Na certa levará uma semana para se recuperar.
Ele encolheu-se quando Hermione o encarou com frieza. Jamais conhecera uma mulher tão intimidante. A curandeira falou, antes de se recolher na tenda com a mulher ferida e o bebê adormecido:
─ Ela é uma boa soldada, senhor Malfoy, nos salvou de um ataque e cavalgou sem se queixar por três horas. Amanhã iremos sair ao amanhecer, fique certo disso.
Enquanto Draco resmungava baixinho por ter que dormir em guarda, do lado de fora da tenda, cuidando de duas mulheres e de um bebê, Hermione aconchegava o príncipe em sua capa e sentava entre ele e a senhorita Parkinson, preparando-se para uma nova vigília. Assim que estivessem seguros, com certeza dormiria por três dias, prometeu-se bocejando.
O dia amanheceu cinzento de névoa. A curandeira ouviu o choro do bebê e o puxou contra sim, esquentando-o com o calor do próprio corpo. Ela mantivera o odre de leite junto ao corpo para mantê-lo quente também, e assim que o choro começou a aumentar de volume, satisfez a fome do pequeno príncipe.
Quando olhou com cuidado para a senhorita Parkinson, viu que ela já estava sentada, muito ruborizada, colocando a armadura de qualquer forma sobre a semi nudez que a camisa transparente proporcionava.
─ Como está, soldado? ─ Perguntou Hermione com um sorriso compreensivo.
A mulher engoliu a seco e pressionou os lábios antes de responder, com uma voz muito feminina:
─ Estou bem, obrigada. Deviam ter seguido sem mim ontem. Sua alteza e a senhorita estariam mais seguros.
A curandeira negou com um aceno, e replicou:
─ Não ficaríamos seguros sem a presença do Guardião Real do Príncipe. Ou devo dizer, Guardiã.
Parkinson ruborizou-se ainda mais e baixou os olhos, sem saber como encarar a jovem a sua frente. Finalmente, depois de dois anos, fora desmascarada. Pensara que seria desmascarada antes, muito antes de ser designada a uma tarefa tão importante. Sentia os olhos interrogativos da pequena mulher a sua frente e ficou com medo do que ela diria.
─ Quer me contar o que houve, senhorita Parkinson? ─ indagou Hermione.
Engolindo a seco, Pansy Parkinson resolveu revelar a verdade antes que fosse tarde demais:
─ Meu nome é Pansy Parkinson, senhorita. Sou a filha única do Duque Parkinson. Meu pai morreu há mais de dois anos. Minha mãe já era morta faz muito tempo. Eu e meu pai seguíamos para a corte, onde ele planejava me casar com algum cortesão iminente. Eu tive a educação de um menino, senhorita. Aprendi a ler e escrever, a manejar armas, a montar, enfim, tudo o que um herdeiro deveria saber. Meu pai só se preocupou em me casar quando eu já tinha dezessete anos, e a doença o corroía por dentro. Ninguém na corte sabia se o Duque possuía um filho ou uma filha, mas ante a contínua ida e vinda de professores a nossas terras, todos presumiam ser um garoto. No caminho de Atalaia, fomos atacados e escapei como que por milagre. Resolvi que não iria deixar o Rei me condenar a um casamento qualquer, de acordo com as conveniências do reino e me apresentei como P. Parkinson, único filho e herdeiro do Duque Parkinson. Desde então tenho sido homem.
Pansy parecia aguardar uma grave recriminação, ou ainda as palavras que um padre diria de si, falando de heresia e danação, uma vez que ela ousara cortar os cabelos e se travestir de homem, e encolheu-se escondendo o rosto nos joelhos. Mas sentiu apenas um carinho nos cabelos negros.
Ao erguer os olhos, viu a curandeira lhe dedicar um olhar cheio de afeto e compreensão e nenhuma recriminação. As lágrimas contidas por dois anos, subiram aos olhos daquela jovem guerreira, quando ouviu:
─ Eu a admiro, jovem Parkinson. Tem o seu destino nas próprias mãos. Eu confio na senhorita para garantir a mim e a meu afilhado a segurança devida. Agora, aguarde um minuto enquanto eu alcanço o jovem príncipe para o senhor Malfoy, e já virei ajudá-la com sua armadura.
Enquanto a jovem soldado absorvia aquelas palavras, viu a curandeira sair da tenda decidida.
Hermione encontrou Draco em pé, apagando os últimos vestígios da fogueira, e preparando os cavalos para sair.
─ Senhor Malfoy, por favor, segure o jovem príncipe que preciso ajudar a senhorita Parkinson. Em alguns minutos estaremos prontas.
O loiro ficou sem ação, enquanto a pequena curandeira empurrava em seus braços o embrulho contendo o bebê e voltava para a tenda, sem dar margens para uma discussão. Ele ficou olhando o bebê em seus braços, amaldiçoando a milésima geração de Harry de Atalaia. Aquele cretino lhe cobrava muito caro por ter salvado a vida dele. Talvez fosse melhor ter morrido, pensou Draco suspirando.
Minutos depois, a curandeira e a soldado apareciam prontas e Hermione lhe tomava o bebê dos braços enquanto Pansy começava a desmontar a tenda. Draco, resmungando, afastou a jovem e ele mesmo desmontou tudo. Cinco minutos depois, parecia que ninguém havia passado a noite ali, exceto pelas marcas dos cascos dos cavalos.
─ Estão todos prontos? Então vamos prosseguir, que estamos longe da segurança ─ falou ele olhando mal humorado para a mulher vestida de soldado.
Agora, a luz do dia, ele verificava os traços firmes do rosto da senhorita Parkinson. Seus olhos negros e levemente amendoados, de cílios compridos e curvilíneos, tinham um brilho altivo e feroz. As maçãs firmes e rosadas do rosto, a boca de lábios finos e bem desenhados, davam um ar romano à jovem e os cabelos eram negros e finos, parecendo plumas ao vento. E ele ainda não esquecera da aparência que a mulher tinha sob a armadura. Aquela seria sua punição, pensou ele. Depois de tanto procurar uma penitência, servir de guia para as duas mulheres mais belas que ele já vira e a um bebê com certeza seria a pior de todas. E ele merecia.
Pansy não se intimidou com o olhar irritado do homem loiro a sua frente. Ele era belo, másculo e alto. Seus cabelos loiros resplandeciam entre a névoa e seus olhos, que pareciam feitos do mesmo material das nuvens, cinzentos e brilhantes, lhe perfuravam a alma. A boca fina estava apertada numa atitude que demonstrava raiva impotente. Altiva como uma boa Duquesa, ela montou seu garanhão olhando-o com firmeza. Iria cumprir com a ordem dada por seu superior, e não seria um camponês qualquer que a intimidaria.
Hermione amarrara o príncipe contra si novamente e observou a cena com um sorriso matreiro. Aqueles dois ainda a divertiriam muito durante a viagem. Sem dizer uma palavra, montou o cavalo e seguiu Draco Malfoy pela floresta. A nova vida começava.
A batalha começou cedo no dia seguinte, havia uma sede de morte estranha, vinda de ambos os lados. Os cavaleiros ainda não tinham ido para fora das muralhas e a luta se resumia, basicamente, aos arqueiros e aos acionadores de catapultas, de ambos os lados. A estrebaria havia sido desmontada por uma pedra imensa atirada pelo exército de Voldemort, pouco antes do sol raiar.
Foi quando Rei Ronald recebeu uma mensagem que o empalideceu. Harry percebeu que algo acontecera a seu irmão e prontamente se materializou junto dele.
─ O que houve, Ron?
─ É uma mensagem de Voldemort ─ respondeu ele com frieza.
─ Como este desgraçado conseguiu mandar uma mensagem para dentro do castelo? ─ perguntou Harry com fúria contida e os olhos verdes em chamas.
─ Fomos traídos, meu irmão. Voldemort pede que nos rendamos e que você seja preso ou...
─ Ou? ─ Insistiu Harry com o coração batendo furiosamente.
─ Ou Lady Vector matará a Rainha ─ concluiu o Rei esmagando o bilhete entre as mãos.
De todos os que poderiam ser “o famoso espião” do Rei Voldemort, Lady Vector seria uma das últimas colocadas. Ela era viúva e não tinha mais filhos, que morreram numa batalha contra Voldemort. Ela fora a criada pessoal da Rainha Lílian e agora servia à Luna.
Harry apertava os dentes tentando controlar a raiva. Não podiam colocar a vida de Luna em risco.
─ Vou avisar os soldados, Majestade. Não podemos colocar a Rainha em perigo ─ ele disse com a voz tremida de ira.
Antes de o irmão sair de seu lado, Ronald o segurou pelo braço e disse muito sério:
─ Eu o prenderei, bem como a seus soldados mais fiéis no calabouço quinze. Perdoe-me meu irmão.
Os olhos dos dois brilharam de malícia ante aquela informação. Mesmo se houvessem outros espiões ali, nenhum entenderia mais do que aquilo que havia sido dito. Mas para os irmãos, o calabouço quinze significava mais que uma simples cela. Harry concordou com um aceno e, em dez minutos, todos pararam as ofensivas, sabedouros da situação.
O soldado que cuidava da guarda pessoal da Rainha estava morto, e Lady Minerva seriamente ferida. Lady Vector estava com uma faca na garganta de Luna, que não chorava, mas mantinha-se régia, como uma verdadeira Rainha deveria ficar. Lady Vector contava com mais seis soldados baixos, que recém haviam sido alistados.
Esta situação foi verificada enquanto Harry avisava a todos que seria preso e que o Rei entregaria as armas. Um dos soldados que acompanhava Lady Vector na traição, acompanhou a prisão de Harry, dos irmãos Weasley, de Mclaggen, de Finnigan, e do jovem Creevey. Dino Thomas apresentou-se para ser preso quando viu Harry lhe fazer um sinal negativo, imediatamente ele compreendeu que deveria ficar e proteger o rei e se retirou. Dois dos soldados traidores ficaram fazendo a guarda junto ao calabouço quinze.
Após a prisão e o recolhimento das armas, Ronald voltou ao quarto da Rainha com um dos soldados infiéis.
─ Pronto, Lady Vector, o príncipe e seus principais subordinados estão presos no calabouço. Fomos acompanhados por este soldado e...
─ Sim, o jovem Crabbe ─ concordou ela com os olhos brilhantes de malícia. ─ Jovem Fletchey, vá avisar ao nosso senhor que o castelo está de portas abertas aguardando-o.
O rapazola fez uma reverência à mulher e saiu rapidamente. Rei Ronald permanecia de pé, com o olhar inabalável fixo nos olhos azuis de sua esposa que não vacilava.
Lady Vector tinha um sorriso vencedor no rosto e falou:
─ Afinal consegui o reino para meu Senhor. Foi difícil, por um momento pensei que nada daria certo, principalmente porque aquela curandeira de quinta categoria não saía daqui. Se ela não existisse, estazinha que se faz de Rainha já estaria morta há muito tempo. Mas tive paciência, desde que Voldemort me chamou para seu lado, onde receberei títulos e honras, eu planejei cada passo da tomada de Atalaia. Agora serei recompensada. E vocês serão fantoches nas mãos do meu senhor.
O Rei e Rainha não contestaram ou provocaram a mulher. Os dois sabiam que, fosse o que fosse, Lady Vector jamais receberia qualquer recompensa, e, no momento, os dois estavam de mãos atadas.
Vinte minutos depois, entrava no quarto da Rainha a figura mais odiosa de todos os reinos. Rei Voldemort ostentava sua armadura de ouro fulgurante e dava um sorriso deformado ao Rei Ronald.
─ Então, Ronald, acabou perdendo o reino por uma mulher? Que vergonha. Os Atalaia sempre foram fracos mesmo. Agora que reconhece que sou seu superior, vamos falar sobre a rendição.
Rei Ronald apertava os punhos controlando a ira. As juntas dos dedos ficaram brancas de tensão, enquanto ele se esforçava para não avançar naquele velho horroroso e perverso que ousava invadir o recanto mais íntimo de sua esposa.
─ Primeiro, vamos recompensar minha ajudante ─ disse Voldemort com sua voz sibilante antes de trespassar a mulher com sua espada.
Lady Vector teve apenas um engasgar antes de cair sobre a cama da Rainha, encharcando os alvos lençóis com o sangue rubro que saía de si. Voldemort usou uma ponta do lençol para limpar a espada antes de embainhá-la. Luna apenas fechou os olhos, mas permaneceu firme, sentindo o sangue quente da traidora umedecer-lhe a camisola.
─ Bem, passada esta primeira fase, vamos para a próxima ─ continuou Voldemort como se nada tivesse acontecido. ─ Você vai me ofertar gentilmente a sua fidelidade e continuará sendo o Rei de Atalaia, ninguém notará a diferença. Mas quem comandará sou eu! Os impostos virão para mim, assim como todo o tesouro de Atalaia irá para o castelo de Penedo. Sua jovem esposa, muito corajosa por sinal, ficará como minha adorada hóspede. Ela garantirá que você me obedeça plenamente. Vocês têm dois minutos para se despedirem. Depois disso, a linda Rainha virá comigo.
Voldemort encaminhou-se para a saída do quarto e olhou para a senhora caída, porém alerta, ela era uma guerreira, pensou ele. Já na porta, ele acrescentou:
─ Ah, e antes de ir embora quero pessoalmente executar seu irmão. Ele me custou os melhores soldados e tem sido uma pedra no meu caminho já há algum tempo. E você, velha, quero que acompanhe sua Rainha, vista-a e a prepare para a viagem.
Dito isso saiu a passos largos.
Ronaldo correu para a esposa e a estreitou nos braços, enquanto a beijava repetidamente. Então, olhou-a como se quisesse gravar cada traço de seu rosto em sua memória, e disse coma voz dolorida:
─ Vamos resistir, meu amor. Fique firme, que eu também ficarei. Hermione protegerá nosso bem mais precioso.
Luna tinha lágrimas nos olhos e concordou beijando seu marido mais uma vez.
─ Aconteça o que acontecer, querido, lembre-se que eu te amo. Vou te amar para sempre.
─ Eu também te amo, Luna, minha Rainha. Estaremos juntos novamente, acredita em mim.
Ela concordou entre beijos cheios de paixão contida.
─ Majestade tenho que vesti-la, logo os soldados voltarão para nos levar ─ falou Lady Minerva com a voz fraca.
Rei Ronald afastou-se a contra gosto, enquanto Minerva ajudava Luna a ficar de pé e com a rapidez que traía uma longa prática, vestiu-a com uma camisola nova, antes de colocar o vestido e a túnica real. Lady Minerva prendia a capa, quando os soldados apareceram para escoltar a Rainha. Rei Ronald deu um último beijo em sua amada esposa, e a viu sumir pelo corredor, amparada por Minerva e guardada por seis soldados inimigos.
O Rei rezou pela primeira vez em muitos anos. Pediu paciência e acima de tudo sabedoria para lidar com tantas perdas num dia apenas. Rezou pela segurança de seu filho, pela segurança de sua mulher e pela vida de seu irmão.
Finalmente, Ronald abriu os olhos e abandonou aquele quarto. Quando sua esposa voltasse, ele a manteria com ele no mesmo dormitório e aquele quarto ficaria esquecido, assim como a dor que vivenciavam naquele momento.
Mal o Rei pisava no Salão Principal, Voldemort surgia furioso e encostava a espada contra a garganta de Ronald.
─ Onde está o imbecil do teu irmão, Atalaia? Ele não deveria estar preso? Quer que eu mate sua preciosa esposinha aqui e agora?
Ronald engoliu a seco e respondeu com a voz firme:
─ Harry devia estar preso. Ele e seus homens foram desarmados e trancafiados por soldados leais a você.
Voldemort e Ronald travaram um duelo de olhares até que o Rei de Penedo soltou o ruivo e baixou a arma, irritado.
─ Os idiotas estavam desacordados. Quero que se espalhe que Harry é inimigo número um dos reinos de Penedo e Atalaia, e, se por qualquer razão, eu pensar que você é responsável pela fuga de seu irmão, ou o ajudou de qualquer forma, sua esposa morre. Ficamos entendidos.
─ Sim ─ respondeu Ronald seco.
─ Muito bom, agora acompanhe-me até os cofres reais, quero saber quanto dinheiro eu tenho ─ sibilou o rei com um sorriso malicioso.
Ronald concordou com um aceno e por dentro sorria. Voldemort jamais encontraria Harry, e ele e os demais soldados resgatariam a Rainha e o reino. Era apenas uma questão de tempo.
N/A Carla Ligia: E então meus amores??? *+* ??? Eu prometi um capítulo grande não foi??? =P ???? É, mas nem eu esperava um tão grande assim... ahsuhasuhasuhaushaushaush. O que vocês acharam???oO??? A batalha ficou boa???*-*??? Teve e sangue e morte como eu prometi???OO??? Finalmente eu pude matar alguém.. hehehehehehehe. Pobre Colin... Mas eu tinha que matar alguém... Já tava sem graça assim, sem morte nenhuma... ahsuahsuahsuashuashaushau. Sim, eu sei, sou uma corvinal do mal...kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk=P... Viram como o Cormáco gostava dele??? Eles eram amigos, eu sempre disse isso durante a fic. Fiquei com muito dó do Ronald, eu fui bem má com ele neste capítulo... Mas eu tinha que ser má com alguém não tinha??? hasuhasuhasuhasuhasuhuashaush. E o que acharam da fuga da Mione e da Pansy????*+*???? Foi meio surpreendente para o pobre Draco não foi??? Ai.. Draco...*suspiros*... ele não apareceu muito mas aparecerá mais. Ele tem um destino muito interessante, mas ainda não decidi se o matarei ou não no final... õÔ... ai, ai... Taaaaantas mortes... ahsuahsuashuashaushuashuashuash. Vocês poderão me dizer se querem que ele viva ou não, mas não garanto que vou seguir os conselhos.. kkkkkkkkkkkkk. Eu sou a escritora, eu posso tudo, matar ou fazer viver!!!! Isso é que é ter poder... ashuahsuashuashuashuashuash. E agora???oO??? Voldemort tinha um plano B, viram só. Ele conseguiu tudo o que queria... A questão é: por quanto tempo??oO?? Aliás, para onde o Harry e o pessoal dele foram???oO??? Como foi que eles escaparam??oO?? Onde a Mione e o príncipe se esconderão??oO?? Como ficarão??oO?? Quem é Draco na verdade, camponês ou realeza??oO?? Opa.. daí já falei quase demais... ahsuahsusahuashusasusauasu. Tantas perguntas.. Ai, ai.. Espero que vocês tenha adorado este capítulo. Eu demorei em escrevê-lo, mas quando comecei não quis mais parar... Bem, se nota pelo tamanho, não é???*+*??? Hasuhasuhsuhsuhsa. Vou ficar por aqui. Capítulo imenso e N/A pequena, mas é que me esgotei escrevendo, tá, não me critiquem muito.. hsuahsuashuashuashushuash. Vocês não fazem idéia de como fico vermelha de vergonha e de orgulho quando leio os comentários gentis e entusiásticos de todos. Eu só tenho a agradecer. Beijocas estreladas a todas as pessoas fabulosas que sempre comentam, e apóiam e me deixam paranóica; beijinhos pros mudinhos que nunca comentam e sempre me deixam paranóica, e até o próximo capítulo, com menos sangue, menos mortes e poucos beijos também.
Teresa: Que bom que pulastes bastante...oO... Espero que tenha sido numa cama elástica, sabes, os problemas nos joelhos só aparecem depois dos trinta e... Ok vamos voltar ao comentário...=P.. Não sabes como fico toda inchada de orgulho quando me dizem que estão adorando a fic...*-*... Muito emocionada mesmo. Eu leio D/H também, tem fics fantásticas, mas esta é H/H mesmo. E é puro, nada de R/H ou D/H.. ahsuhasuhasuhuah. Que bom que o beijo ficou bom também... Nossa eu o reescrevi três vezes.. ahsuhasuahsuashuah. Eu sou meio maníaca mesmo. A mente é fértil sim, pode perguntar pra qualquer amigo meu... ahsuahsuashuahasuh. É ótimo que estejas adorando, espero que este capítulo seja mais um adorado, então. Muito obrigada pela inspiração colorida. Ajuda muito. Beijocas estreladas.
Binks: *Vermelha*.. Beijo que dá para sentir o calor é??? hsuahsuahsuash. Que bom... *+*.. E meu Harry é assim muito másculo.. ahsuhaushasuhasuh. Mas ele será suave quando for o caso.. Não posso revelar mais nada porque senão estragaria a fic né???*+*??? Fiquei louca com o capítulo passado sim, e enlouqueci todo mundo junto, eu já disse sou meio maníaca.. hasuhauahuashaushuash. Como vistes, o Ron e a Luna não morreram, ainda... hehehehehehehe... Ainda não decidi todos que vou matar..oO... Adoro matar uns personagens pra dar um drama sabes... ahsuhasuahushuah. Adorei o comentário e realmente comentários duplos é o que há, mas este slogan é meu... hsushaushuashaushaushau. Vai se apropriar não...*+*... Espero que este capítulo renda muita inspiração...*+*... Beijocas estreladas.
Rhaíssa: Obrigada pelo comentário minúsculo.. ahsuhauahsuahauhasuhs. Espero que o limbo não seja muito solitário...oO.. Eu vi que andastes roubando as estrelas de meus beijos, viu?? Ahá, eu leio Vodox, eu sei tudo... kkkkkkkkkkkkkkkkkk. Espero que consigas tempo para ler o capítulo, que ficou muito grande... *+*.. Adoro seus comentários. Beijocas estreladas.
Alais: Minha Florrrrr.. Andei pelas tuas fics né???*+*??? Ahsuahsuahsuahsuash. Eu fico tão feliz que tenhas achado o beijo caliente... Era esta a intenção.. hehehehehehe. Não tem problemas a demora no comentário. O importante é comentar.. *+*... Vamos ver.. Quem sabe um dia... Mas daí terei que pensar em nomes apropriados para os personagens não é? Quanto à Hermione domar o Harry veremos.. vai demorar um pouquinho... ahsuahsuahsaushusah. Os Accios são muito bons, esta semana veremos se o Harry virá...*suspiros impacientes*...kkkkkkkkkkk. A frase que gostastes foi num momento único de inspiração... Não acontece sempre, kkkkkkkkkk. Porém, eu devo ter me baseado em algo que li ou algum filme que assisti, afinal hoje em dia nada se cria, tudo se copia e se transforma... ahsuahsuashuashushasu. Aqui está o capítulo. Aproveite-o bem. Beijocas estreladas.
Diany Paula: Amada, fico tão feliz que estou mantendo o padrão de qualidade Carla Ligia... *gatinho que faz o sim e que me surrupiastes no MSN*. E eu não sou autora do mal que deixar-vos-á em recesso de beijo.. Mas é que a história pede um pequeno tempo sem beijos H/H.. Mas depois... ahsuhasuhasuhasuahs. Entretanto, haverão outros beijos, de outros shippers, não se preocupe. Viu só como sou boazinha... o bigodinho ganhou até apelido especial dos gêmeos.. Ahh, os gêmeos...*suspiros safados*. Eles são ótimos, vistes como eles são guerreiros poderosos???OO??? E pobre da tua avó, nem lembrei dela. Ahsuhsuashushuashusahuash. O beijo foi isso tudo mesmo, os dois não quiseram se soltar.. Bem, teve uma pequena continuaçãozinha neste capítulo...*-*... E que bom que valeu a pena, porque o capítulo passado quase deixou-me de cabelos brancos... hsuashuashauhaushasuhasu. Quanto às mortes.. Bem, não matei o fracote, quanto ao corno, sem comentários, tu podes te surpreender... ahsuahsuahsuhauahs. Matei o Colin, coitado, mas ele precisava morrer... Enfim.. O Harry se estatelando foi ótimo mesmo...=)... Quanto à parte triste, bem este capítulo foi mais triste ainda pro Ron. Nossa eu to sendo má com ele. Pelo menos o Ron não é um panaca como é descrito em outras fics.. ahsuhauhasuhasu. Mas ele sofre muito... Bem, não posso falar mais senão estraga a surpresa. E estou mesmo assumindo minha porção maligna... Afinal a Jan já me chama de MD há muito tempo... ahsuahsuashuashushs. Chocoholic é maníaca por chocolate, segundo a Jan. Minha história tem flores e romance, mas tem sangue e luta e desespero e braços e pernas arrancados... Tem que haver um equilíbrio... ahsuahsuahsuahsuashuas=P... Estou toda rubra só por ler que dizes que a fic transporta a ti para a época, a idéia principal é esta, sabes...*+*... Continues apaixonada. Morde o Harry quanto quiseres, mas depois terás de te acertar com a Mione, e a Mione da segunda fase é perigosa.. ahsuahsuhsuashuash. Que bom que gostastes da frase, lê o que falei pra Alais dela.. ahsuhauhasu, preguiça de escrever tudo de novo... ai, ai... E o capítulo quase veio com cinqüenta comentários, portanto...=)... Beijocas estreladas.
Jessi: Hihihihihihi. É flor, me acompanhas na batalha de escrever... Pelo menos este capítulo foi mais fácil... ahsuhasuashuashuashuasaush. Comentários são sempre bem vindos, atrasados ou não... *+*... Eu estou realmente orgulhosa de receber tantos elogios, em especial das minhas amigas e companheiras de fic, como tu e a Dy. Este capítulo foi triste pra Luna, coitada, vai ser prisioneira do Voldinho e tudo mais... Mas dias melhores virão...*-*... Podes rir de mim, ser desnaturado e sem compaixão... ahsuhasuahsuahsu. Mas este capítulo não foi tão paranóico... Por enquanto... ahsuahsuahsuashasuh. Que bom que gostastes do beijo... Será um longo caminho sem beijos H/H. Beijocas estreladas.
Amor: Seja bem vinda a fic... Nossa, que bom que eu estava nas preferidas, mesmo sem ser lida e tal...=)... Meu ego anda sendo muito bem alimentado pelas minhas leitoras, sabes... hasuhasuhasuhsuahsuahuah. Que bom que a fic está sendo tão agradável de ler. Foi a proposta desde o início. Espero que realmente tenhas um tempinho para BeH, eu realmente tenho tido cuidado com a qualidade dos capítulos e por isso, além de minhas obrigações pessoais, é claro, não tenho atualizado mais rápido. Mas tenho mantido a média de duas semanas, então... ahsuhaushaushaushaush. Conto com a compreensão de vocês todas.. =).. Espero que este capítulo esteja a altura da sua ansiedade. Fico feliz que sejas minha fã, uma vez que somos fãs de muitas fics em comum. Beijocas estreladas.
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