Harry e Tiago foram levados até uma tenda onde os campeões ficariam após a tarefa e poderiam ter atendimento médico. McGonagall estava muito irritada, mas deixou o sermão pra depois, deixando-os na tenda e pedindo pra que a enfermeira cuidasse dos dois, pra não os deixar brigar de novo. Tiago foi pra perto dos campeões de Beauxbatons e Harry foi atendido pela enfermeira, que rapidamente fechou o corte em seu lábio e depois lhe deu uma poção pra evitar que seu rosto inchasse.
Não passou nem dez minutos até que Hermione e Lílian chegaram à tenda e puxaram Harry e Tiago pelo braço até um canto afastado dos outros, que viam a recém iniciada prova dos campeões de Durmstrang.
-O que vocês dois tinham na cabeça pra brigarem daquele jeito? –Lílian fala olhando pros dois severamente.
-Foi ele quem me bateu. –Harry responde contrariado ao ver que Hermione sustentava o mesmo olhar que Lílian.
-Você me entenderia se tivesse ouvido o que ele me disse. –Tiago responde ignorando o comentário de Harry e olhando pra namorada.
-E você por acaso esqueceu que eu sou o cara frio e mau? –Harry fala surpreso com o que Tiago disse.
-Mas estávamos sozinhos na arena! –Tiago retruca sustentando o olhar reprovador.
-Podíamos ser os únicos na arena, mas a imprensa estava de olho em nós, fora as pessoas que nos cercavam e a pessoa que entraria na arena pra nos pegar! Eu não poderia dizer que sentia muito ou chorar abraçado ao macaquinho! –Harry responde meio irritado e apontando os fatores como se fossem óbvios.
-Seminviso. –Hermione o corrige, mas tanto Harry quanto Tiago a olham sem entender. –Era um Seminviso, um animal protegido pelo ministério, por ser raro e seus pêlos serem usados pra fazer capas de invisibilidade. –Hermione explica aos dois que apenas acenam em concordância.
-Opa, mas se isso é verdade, talvez possamos ficar com ele e usar o pêlo pra fazer uma capa! –Harry fala como se houvesse tido uma idéia genial. –Não que eu o tenha matado de propósito, afinal não tinha como eu saber que a cobra ia matá-lo, mas já que aconteceu, damos um destino nobre a ele! –acrescenta ao ver o olhar confuso que os três lhe dirigiram.
-Realmente me parece uma boa idéia, quer dizer, já que aconteceu. –Hermione o apóia e Lílian concorda com ela. Tiago apenas continua o olhando desconfiado.
-Pai, eu sei que pareceu muito rude e frio da minha parte, mas é o papel que estou desempenhando, porque é lógico que eu não queria ter matado o bichinho e se pudesse teria evitado. –fala sinceramente, olhando nos olhos de Tiago.
-Tudo bem, eu não devia ter te acertado de qualquer jeito, mas você sabe como eu sou cabeça quente. –Tiago fala meio sem jeito, pedir desculpas não era o seu forte.
-Eu sei, mas agora está tudo bem! –Harry fala mais aliviado e abraçando Tiago que corresponde meio sem jeito, logo depois o afastando.
-Garotos! –Lílian fala pra Hermione que apenas acena. –Agora, me deixa dar os parabéns ao meu filho! –Lílian fala já não se agüentando mais e o abraçando. –Mesmo com aquele incidente você foi incrível, ganhou dez de Dumbledore e de Haynes, nove do Delacour e oito do Stanishev! Estou muito orgulhosa de você, meu filho! –fala emocionada e muito feliz, abraçando-o bem apertado e o deixando levemente emocionado.
-Ei, por que só ele? Eu também estava lá! –Tiago visivelmente com ciúmes.
-Realmente, você fez um ótimo trabalho ficando sentadinho e não atrapalhando. –Harry fala em tom convencido e levando um tapa de Tiago na cabeça, antes do grifinório sair a passos firmes de lá. Lílian revira os olhos e vai atrás do namorado depois de dar mais um beijo no rosto de Harry.
-Acho que é minha vez de dar os parabéns, não é? –Hermione fala o abraçando e beijando demoradamente.
-Também está orgulhosa de mim? –pergunta charmosamente, ainda bem perto dela.
-Claro, você pensou rápido, teve uma idéia inteligente, ousada, criativa, objetiva e muito eficiente, foi quase perfeito! –fala com um grande sorriso e depois lhe dando mais um beijinho.
-Será que os pombinhos podem namorar depois e vir assistir a prova dos búlgaros? –Tiago fala nitidamente implicando com Harry que lhe dirige um olhar de “vai ter volta”, enquanto Hermione já o puxava pra onde os outros estavam vendo a prova.
Passaram-se cinco horas até que os búlgaros conseguissem pegar o Seminviso ateando fogo por toda a arena, obrigando-o assim, ao animal pular sobre eles pra se proteger. Claro que a tática suicida não rendeu boas notas, fazendo-os ganhar 4 de Dumbledore, 3 de Haynes, 4 de Delacour e 8 de Stanishev, sendo as notas baixas pela demora, pelas queimaduras que os campeões sofreram e pelo estrago feito. Claro que o oito do diretor de Durmstrang foi altamente criticado e injusto ao ver de todos, que não paravam de falar da prova dos campeões de Hogwarts, apesar da mais divertida ter sido a dos franceses de Beauxbatons que ficaram fazendo armadilhas e tentando atrair o Seminviso com frutinhas, além da perseguição cega e patética de Fabien, mas que rendeu um 7 de Dumbledore, um 5 de Haynes, um 6 de Delacour e um 4 de Stanishev.
-Eu não sei por que escolheram essa prova, mas foi muito legal, eu não ria assim a muito tempo! –Rony fala entre os amigos grifinórios que estavam em seu salão comunal.
-Eu também, mas o que mais gostei foi ver aquele francês metido a gostosão bancando o idiota! Ele nunca vai esquecer aquilo! –Sírius fala rindo tanto quanto Rony e as meninas.
-O que houve, Pontas? Achei que seria o primeiro a achar graça de tudo já que você e Harry foram os melhores. –Lupin pergunta a Tiago, vendo que ele parecia sério.
-É que eu ainda não entendo o Harry, quer dizer, tudo bem que ele disse que não matou o bichinho de propósito, mas era de se esperar que uma serpente, ainda mais daquele tamanho, fosse matar o bicho, não é? –fala a pergunta que ecoava em sua mente desde aquela manhã.
-Você não devia se importar com isso. –Rony fala surpreendentemente sério.
-Como não? Se ele mata por nada, imagine em uma guerra? Ele nunca me pareceu tão sonserino antes. –Tiago fala não gostando da mudança de Harry, que parecia estar sendo influenciado pelos sonserinos.
-Ele não matou por nada, Tiago. –Hermione se manifesta, chamando a atenção de todos pra ela. –Harry precisava não só vencer a prova, mas também impressionar, ou você acha que Voldemort chamaria pra sua equipe um garoto que toda hora caía ao perseguir um animal invisível ou que se queimou pelo próprio feitiço? Sei que parece cruel, mas se vocês soubessem o que é estar em batalha, não achariam isso um fato tão relevante assim. –Hermione fala não só de modo sério, como também com um olhar um pouco sombrio, como se estivesse se lembrando de algo.
-Hermione tem razão, vocês não conhecem Voldemort e nunca viram como os comensais agem, portanto antes de condenar um ato de Harry, pense em tudo que vocês leram sobre ataques nos jornais e multipliquem as cenas descritas por no mínimo cinco vezes mais crueldade e destruição e então irão entender. –Rony fala parecendo um tanto desconfortável.
-Vocês realmente não se sentem bem falando sobre isso, não é? –Sally pergunta depois de ver o olhar distante de Hermione e sentir o corpo de Rony se enrijecer junto ao seu, assim como a respiração dele se tornar mais pesada, além de sentir um tom levemente frio na voz dele.
-E por que deveríamos se isso nos lembra diversas pessoas mortas, minha família, meus amigos e professores. Todos caídos e sem vida na minha frente, seus gritos ainda ecoando em minhas mais negras lembranças. –Rony fala sentindo uma pontada forte no peito, os olhos sem vida da irmã haviam deixado uma grande e incurável cicatriz.
-E imagino que isso pese ainda mais nos ombros do Harry, que se acha o grande responsável por acabar com a guerra. –Anne comenta olhando discretamente pra Lílian.
-Harry é forte, vai saber levar as coisas enquanto estivermos ao lado dele. –Hermione fala em tom tranqüilizador.
-Então, vamos jantar? Estou morrendo de fome! –Sírius fala pra descontrair o ambiente, ao que todos começam a se levantar pra ir ao salão principal.
Harry, que fora arrastado por Slughorn pra uma conversa chata e monótona, entra no salão principal e dirige seu olhar pra mesa da Sonserina, achando seus “amigos” e caminhando até eles. Todos pareciam cochichar sobre ele, talvez falando da prova ou ainda sobre a “briga” com Tiago. Sentou-se no lugar vazio ao lado de Snape e a frente de Rodolfo.
-Até que enfim o nosso campeão apareceu! –Rodolfo fala empolgado.
-O Slughorn me prendeu na sala dele, estava falando um monte de coisa inútil! –Harry fala aborrecido, enquanto se servia.
-Você teve uma grande idéia, Harry, realmente genial! Mas como você pensou na serpente? –Snape pergunta curioso.
-Eu não poderia ver aquele animal e isso me lembrou Diana. Aquele Seminviso era uma presa e como tal poderia ser encontrada não só pela visão, mas também por outros sentidos, os quais eu logicamente não tinha, já que não sou um caçador natural. –Harry fala o mais racional que pode. –Como usar Diana poderia ser ilegal, eu invoquei uma serpente, pra usar os sentidos dela ao meu favor.
-Excepcional! Você tinha razão ao dizer que seria o único capaz de ser o campeão de Hogwarts e que irá vencer o torneio! –Belatriz fala alegremente, olhando-o encantada.
-Não fique tão convencida, os franceses pareceram bons, a idéia até foi muito boa, senão Dumbledore não tinha dado 7 a eles. –Snape fala de modo sensato, olhando pra Belatriz de modo repreensivo.
-Eles até podem ser bons, mas estão arrasados, o tal Fabien então! –Rodolfo fala entre risos, apontando os campeões de Beauxbatons na mesa da Corvinal. Angélique estava cabisbaixa e séria, enquanto Fabien estava emburrado e mal humorado.
Harry não falou nada, mas observou Snape olhar de forma interessada pra Angélique, como se estivesse sentindo por ela ter ido, relativamente mal na prova. Havia algum tempo que Harry reparara que Snape parecia nutrir certo interesse pela francesa, apesar de nunca ter comentado nada com ele ou Rodolfo.
Ao terminarem de jantar, Harry voltava com os sonserinos pra sala comunal, quando pede a Snape que o acompanhe aos jardins, pra que pudessem conversar em particular. Os dois se separaram dos amigos e andaram até perto do lago, mas ainda sem entrar no assunto que Harry queria, comentando sobre as tarefas escolares e amenidades.
-Então Harry, o que queria comigo? –Snape pergunta já curioso com o motivo daquela conversa particular.
-Eu andei pegando você observando discretamente a Angélique...
-Que isso, é imaginação sua. –Snape fala nervosamente o interrompendo.
-Calma, cara, eu queria saber se você realmente está interessado nela, porque eu podia te dar uma ajuda. –Harry fala tentando tranqüilizar o amigo, que fica em estado de choque com a proposta.
-Você está falando sério? –pergunta incrédulo.
-Claro! Eu estive pensando e acho que Hermione poderia coletar umas informações, tentar se aproximar dela, até o fim de semana, já que é dia de visita a Hogsmeade. Poderíamos sair eu e Hermione, você e Angélique. O que acha? –Harry fala em tom cúmplice para Snape, que o olhava sem saber o que fazer ou o que pensar.
-Eu agradeço sua boa intenção, mas eu não tenho chance, deve ter uma fila de garotos atrás dela! –Snape fala desanimado e um pouco corado, analisando as mãos que se moviam nervosamente.
-Ei, cadê o espírito vencedor sonserino? –Harry fala dando um tapa nas costas de Snape que o faz dar dois passos cambaleantes pra frente, antes de Harry passar um braço pelos ombros dele e apertá-lo amigavelmente. –Aquela garota já é sua, eu e Hermione só vamos fazê-la perceber isso! Você confia em mim? –pergunta olhando pra Snape que estava completamente confuso com o jeito de Harry, mas que sem saber o que fazer apenas assentiu. –Ótimo! Mas você vai ter que fazer tudo o que eu disser, tudo bem? –Harry fala em tom cúmplice e sorrindo marotamente.
-Certo, se você acha que pode funcionar. –responde parecendo mais otimista com a confiança do amigo.
-É claro que vai! Eu vou conversar com a Mione amanhã e no sábado vocês terão um encontro! –Harry fala conseguindo arrancar um sincero sorriso de Snape.
Os dois voltaram ao castelo conversando sobre Angélique e trocando idéias sobre o que poderiam fazer em Hogsmeade pra que Snape pudesse se aproximar dela. Era óbvio que eles não poderiam esperar que ela aceitasse namorar com ele de cara, mas poderiam dar um passo muito importante, portanto não poderia haver falhas.
No dia seguinte de manhã, Harry e seu grupinho iam ao salão comunal, quando um garoto que Harry julgou ser do primeiro ou segundo ano se aproximou correndo e chamando-o timidamente.
-Será que o senhor poderia me dar um autógrafo? –o menino pede estendendo-lhe uma foto, tirada no dia anterior durante a prova, mostrando ele sentado e depois a serpente lhe entregando o seminviso, cena que o deixou um pouco enjoado, mas disfarçou.
-Qual o seu nome? –Harry pergunta tentando não reparar na foto, não querendo se lembrar daquela cena.
-Bartolomeu Crouch Jr., senhor Potter. –o menino fala nervosamente, ao que Harry pára seu olhar nele, vendo como ele parecia tímido e seu olhar brilhava ao vê-lo, talvez o tivesse como a um herói ou algo assim.
-Aqui está, Crouch, obrigado pela torcida. –Harry fala o mais simpaticamente possível, entregando a foto autografada ao menino e bagunçando-lhe os cabelos gentilmente.
-Obrigado, senhor Potter. –fala olhando a foto admirado.
-Me chame de Harry, amiguinho! Agora me deixe ir que estou morrendo fome. –fala o cumprimentando com um aceno e sorrindo pra ele antes de ir pro salão principal.
-Por que foi tão simpático com ele? –Rodolfo pergunta desconfiado.
-E por que não deveria? Por acaso eu saio por aí tratando todo mundo mau? –responde com certa ironia, mas logo parando e acenando com um grande sorriso pra sua namorada, que estava com os amigos.
-Deixa de implicar com ele Rodolfo, vamos logo comer que temos um dia cheio hoje! –Snape fala se dirigindo com os outros pra mesa da Sonserina.
-Sua garota parece melhor hoje. –Harry sussurra pra Snape, vendo Angélique de onde estava sentado.
-É, afinal não tem porque ficar se culpando, os búlgaros foram bem pior. –Snape comenta com um sorriso desdenhoso, afinal os búlgaros pareciam cantar vitória antes da primeira prova.
-Então vamos falar com ela depois, dar uma palavra amiga. –Harry fala com um sorriso cúmplice, mas fazendo Snape gelar e empalidecer.
-Eu não posso, não vou ter coragem! –murmura nervosamente.
-Você vai ter coragem sim, nem que eu tenha que lhe lançar a maldição imperius! –Harry fala entre dentes, dando a conversa por encerrada. Snape apenas se voltou pro seu prato, torcendo pra que o tempo parasse e ele não precisasse fazer nada.
As corujas do correio matinal entraram com suas correspondências e Harry pôde perceber uma grande quantidade de corujas que traziam o Profeta de Diário. Uma delas entregou o jornal a Snape e logo na primeira página, havia uma foto de Harry sentado em seu trono, com um olhar superior, falando algo com uma enorme serpente que se curvava pra ele e saía da foto, deixando-o com um sorriso vitorioso e confiante. Acima havia a manchete: A supremacia do Rei das Serpentes ; em baixo a frase em menor destaque: Harry Potter realiza a primeira tarefa em cinco minutos e deixa espectadores surpresos e encantados!
-Parece que você terá mais autógrafos a dar, Harry. –Snape comenta passando os olhos pelas demais mesas e vendo que alguns liam à matéria e lançavam olhares furtivos ao moreno.
-Eu não gosto muito de ficar “famoso”, mas não posso condená-los por me achar o melhor. –fala tentando ser humilde, mas não muito, apenas o suficiente pra ser discreto.
Durante a leitura do jornal, Harry se forçou a não corar com os diversos elogios de bruxos de alto escalão, ao passo que não conseguiu evitar risos sobre os comentários feitos por Christopher ou outros que viram a tarefa, sobre as atuações dos campeões de Beauxbatons e de Durmstrang. O nome de Tiago mal foi citado e o incidente do soco totalmente abafado por alguma razão que Harry não poderia imaginar qual. Viram Fabien discutir com Angélique e a loira sair a passos apresados do salão principal com cara de poucos amigos. Imediatamente Harry se levantou e puxou Snape dizendo que havia esquecido de terminar um trabalho de poções.
Ao saírem da sala viram Angélique correr furiosa pelo jardim, a varinha em suas mãos faiscava em vermelho. Harry puxava com toda força Snape, fazendo-o acelerar o passo até a alcançarem perto do Salgueiro Lutador. A garota estava tentando descontar a raiva na árvore, que tentava atingi-la com seus galhos.
-Angélique, eu acho melhor você parar, a direção da escola gosta muito do Salgueiro Lutador. –Harry fala tentando parecer bem humorado, ao que a francesa se vira com os olhos estreitos e uma expressão assustadora.
-Por que me seguiu, Harry? –pergunta tentando se controlar e ser simpática, enquanto ajeitava os cabelos.
-Pra levar vocês até Diana, o Snape me pediu pra dar uma volta nela com você, pra você se acalmar um pouco. –Harry fala apontando o amigo, que ficou muito corado e um pouco trêmulo.
-Diana? O que seria isso? –ela pergunta olhando pra Snape, que vê Harry apontando a varinha discretamente pra ele.
-Um belíssimo animal que Harry tem na floresta proibida. –fala com muito esforço, apesar de sua voz ter saído muito baixa.
-É, venham comigo! –Harry fala puxando Snape e Angélique, que ficara curiosa, vai junto.
Eles andam até a orla da floresta proibida, onde Harry chama Diana com seu apito, o que deixa a loira ainda mais intrigada. Alguns segundos depois as folhagens começam a se mover e Diana aparece alegre em ver Harry.
-Olá querida! Como vai? –Harry pergunta fazendo um carinho na testrálio.
-Com o que você está falando? –Angélique pergunta confusa ao não enxergar nada.
-Ela é um testrálio, por isso você não pode ver. –Snape fala ao sentir a varinha de Harry cutucá-lo.
-Nossa, não acredito que você tem um testrálio como bicho de estimação! Você também pode ver Snape? –pergunta animada, parecendo esquecer completamente da discussão com Fabien.
-Sim, eu posso ver. –responde se sentindo um pouco mais confiante, afinal ela havia falado com ele.
-Então vocês podem ir, eu tenho que falar com Hermione antes da aula. –Harry fala animado, passando as rédeas a Snape. –Eu disse pra ela ir devagar, não se preocupe. –murmura pra que só Snape ouça. –Bom passeio! –ele se despede, deixando Snape e Angélique a sós.
-Me ajuda a montar? –ela pede ansiosa, tentando adivinhar onde o animal estava.
-Claro... er... eu vou montar, aí você tem uma idéia, certo? –ele fala tentando não gaguejar, mas sentindo que suava frio.
-Tudo bem. –ela fala alegre, vendo-o montar com facilidade em Diana e logo depois fazendo o mesmo, surpreendendo-o por sua agilidade. –Onde vamos? –ela pergunta animada.
-Ver a escola de cima. –ele fala incerto, muito nervoso por ouvi-la tão junto a si e senti-la o abraçar.
Diana, ao sentir Angélique montar, começou a levantar vôo suavemente, se erguendo sobre a floresta proibida e começando o vôo em direção ao castelo. Angélique estava encantada com a vista e o vôo suave, apesar de se segurar forte a Snape, parecia não se sentir muito à-vontade com altura. Já Snape segurava firme nas rédeas sem nenhum controle de pra onde iam, na verdade ele só estava atento à francesa, no perfume dela, na sua respiração, no contato de seus corpos.
“Se isso der mesmo certo, pode acreditar, Harry, você será como um irmão pra mim!” –Snape pensa, aproveitando a maior segurança do momento pra segurar uma das mãos dela, fazendo uma suave carícia em seus dedos.
Pra surpresa de Snape, e uma muito agradável, Diana chegou a sobrevoar Hogsmeade, passando por locais muito bonitos, provavelmente era o roteiro que Harry usava pra passear com Hermione.
Ao final da aula de transfiguração, Harry alcançou Hermione que estava indo com as meninas pra biblioteca antes da aula de poções.
-Oi, eu preciso roubar Hermione um pouquinho, será que vocês podem ir na frente? –Harry fala pra Lílian, Sally e Anne que sorriem maliciosamente e saem cochichando e dando risadinhas, o que deixou Hermione bastante corada.
-Eu espero que seja importante, não sabe como eu tenho escutado comentários desagradáveis daquelas lá. –fala contrariada e apontando as amigas.
-É sim, eu preciso que você se aproxime da Angélique! –ao ver a expressão confusa da namorada, ele continua. –Quero que você descubra sobre os gostos dela e que a convide pra ir com nós dois e Snape a Hogsmeade. –fala com um sorriso maroto que faz Hermione cobrir a boca com a mão livre.
-Ele está interessado nela? –pergunta surpresa, mas se segurando pra não rir.
-Está, mas não ri, eu preciso saber se você me ajuda. Então, posso contar com você? –pergunta ansioso, encarando Hermione que parecia pensar.
-Bom, será uma missão difícil, mas eu vou tentar de tudo pra ajudá-lo, assim eu afasto aquela francesinha de você. –fala se lembrando do interesse de Angélique em Harry, que cora com o comentário.
-Deixa de ser boba, eu não tenho olhos pra ninguém! –Harry fala se aproximando e a beijando carinhosamente.
-Eu acredito, mas agora eu tenho que ir, depois nós falamos melhor sobre isso! –fala se despedindo com um selinho.
-Só quero que guarde segredo! –ele fala pra ela que já se afastava, ao que Hermione apenas acena positivamente.
Assim que o passeio acaba e Diana pousa no mesmo lugar de onde levantara vôo, Snape desmonta e ajuda Angélique a desmontar.
-Esse passeio foi maravilhoso! Confesso que não gosto muito de altura, mas a vista era tão bonita, que fez valer a pena! –fala com um grande sorriso pra Snape, que quase entrou em transe com aquele gesto.
-Que bom que gostou, porque se quiser fazer outros é só falar, tenho certeza que o Harry empresta a Diana pra gente. –fala juntando toda a coragem que possuía, conseguindo evitar gaguejar ou falar muito baixo.
-Então nos falamos depois, eu não quero que perca mais nenhuma aula por minha causa! –Angélique fala com um leve sorriso, que o fez desejar que não houvesse mais aulas naquele dia, só pra poder passar mais tempo com ela.
-Ok, até mais! –fala se despedindo dela, que já seguia em direção a carruagem de Beauxbatons, enquanto ele seguia a frente, na direção do castelo.
Snape foi correndo até seu quarto, onde pegou seus materiais pra aula, depois saiu correndo até a sala de poções, onde entrou discretamente e foi se sentar ao lado de Harry.
-Oi, como foi o passeio? –Harry pergunta assim que Snape se sentou a seu lado, ainda um pouco ofegante.
-Magnífico! Acredite, Harry, você está sendo como um irmão pra mim, eu não sei como te agradecer por tudo isso! –fala sorrindo sinceramente pra Harry, que se sente aliviado.
-Não precisa fazer nada, afinal amigos ajudam uns aos outros! Mas fico contente ao saber que me considera um irmão e que confia em mim. –Harry fala sinceramente, estava feliz por estar conseguindo se aproximar de Snape e talvez salvá-lo.
Snape apenas sorriu e os dois se voltaram pra frente, onde Slughorn explicava o preparo de uma poção que curava uma série de enfermidades.
Depois das aulas, Hermione estava passando pelas estantes a procura de um livro, quando viu Angélique concentrada na leitura de umas anotações, parecendo ter um pouco de dificuldade em entendê-las.
-Olá, está com dificuldades em algo? –Hermione pergunta a Angélique, que olha em volta para ter certeza de que a morena se dirigia a ela.
-Não sou muito boa com herbologia e poções. –a francesa fala soltando um suspiro frustrado.
-Talvez eu possa te ajudar, posso ver? –Hermione pergunta apontando as anotações.
-Estão em francês, o livro também. –Angélique fala sem jeito.
-Tudo bem, sou fluente em francês. –Hermione fala simpaticamente, pegando as anotações e lendo rapidamente, sob o olhar surpreso de Angélique.
Ao final de duas horas de explicações, Angélique já estava sabendo toda a matéria e conversava animadamente com Hermione, assim que saíram da biblioteca, em direção ao salão principal, onde jantariam.
-Então, Angel, você já tem planos pro fim de semana? Aliás, já ouviu falar do povoado de Hogsmeade? –Hermione pergunta animada.
-Sim, parece ser um lugar formidável, os alunos de Hogwarts estão muito animados com o passeio. –comenta pensando no passeio que tivera aquela manhã e na vista da cidade que teve do alto.
-Então, se você não tiver planos, o que acha de ir comigo, Harry e um amigo dele, Snape, não sei se você conhece. –Hermione fala incerta, mas tentando captar a reação dela.
-Sim, eu o conheci hoje, parece ser um ótimo rapaz. –fala meio sem jeito.
-Então você topa ir conosco? Sabe, seria bom ter uma garota por perto pra conversar. –Hermione fala tentando não passar a impressão de um encontro ou passeio de casais.
-Eu sei como é, mas eu vou ter que ver com Fabien, ele anda me aborrecendo com a segunda tarefa, diz que temos que apagar a má impressão da primeira! –fala com um tom levemente aborrecido.
-Não se preocupe tanto com a segunda tarefa, você tem que descansar um pouco a mente e nada melhor que um passeio a Hogsmeade pra isso! –Hermione insiste e Angélique parece tentada.
-Certo! Eu vou falar com Fabien e vou com vocês a Hogsmeade! –fala com um grande sorriso retribuído por Hermione.
As duas passam a conversar animadamente sobre os melhores lugares de Hogsmeade e ao chegar ao salão principal, Hermione convida Angélique pra sentar-se à mesa da Grifinória, ao que a francesa aceita prontamente, causando um grande furor entre os grifinórios.
Na mesa da Sonserina, Harry cutuca Snape e mostra, discretamente, Hermione e Angélique conversando animadamente na mesa da Grifinória.
-O plano começou a dar certo! –Harry fala em tom cúmplice pra Snape, que olha a tudo nervosamente.
-Mas você acha que Hermione pode fazê-la se interessar por mim? –Snape pergunta ainda muito inseguro.
-É claro que não! Você vai fazê-la se interessar por você. –Harry fala com um tom levemente enigmático.
-O que você está planejando? –Snape pergunta sentindo um tremor passar por seu corpo.
-Tudo a seu tempo, meu amigo. –Harry fala misteriosamente, se voltando pro seu prato.
N/A: Desculpem a demora, mas além das outras fics tem o fim de semestre na facul, que significa muitos trabalhos!
N/A²: Esse cap num teve muita ação, mas o próximo vai surpreender todo mundo! *risada maléfica*
N/A³: O que acharam do Snape? Acham que ele tem chances com a Angel? Comentem respondendo!
Próxima Atualização: Príncipes do Apocalipse