Harry esperou Hermione um bom tempo no salão comunal, até que a garota apareceu não apressada como deveria, mas bem sonolenta apesar dos óculos escuros não o deixarem ver seus olhos.
-Você demorou! Estava quase indo te buscar. –fala a abraçando e a sentindo relaxar completamente apoiada nele. –Rony já está tomando café, vamos nos juntar a ele? –pergunta sentindo que ela não estava muito a fim de sair dali.
-Eu odeio as manhãs! –resmunga baixinho, levando um pouco o rosto pra olhá-lo. –O que acha da proposta de fazer as aulas começarem e terminarem duas horas mais tarde? –fala apoiando sua testa na dele, acariciando a nuca do namorado.
-Seria bom, quem sabe a Minerva não aceita. –responde aproveitando pra beijá-la. –Bom dia! –fala com um grande sorriso.
-Bom dia! –responde correspondendo ao sorriso e depois “devolvendo” o beijo.
-Vamos descer? –Harry pergunta se afastando um pouco, apesar da hipótese de ficar ali lhe parecer mais interessante que a de descer pro salão principal.
-Temos que descer não é? –fala soltando a mão dele e andando, mas ele logo volta a buscar a mão novamente.
-Não quer andar de mãos dadas comigo? –pergunta sem entender.
-Não é isso, mas acho que ninguém deva saber sobre nós, quer dizer, você não contou a ninguém, não é? –Hermione pergunta a Harry um pouco receosa.
-Não, queria que fizéssemos isso juntos. –fala seriamente. –Mas porque não quer que ninguém saiba?
-Porque não quero ouvir as fofocas, não quero nos ver no Profeta Diário, não quero ouvir todo mundo dizendo o quão maluco você é por estar namorando uma assassina que pode te matar a qualquer momento, porque eu quero te proteger. –fala parecendo muito preocupada com as pressões que enfrentariam.
-Mas eu não me importo com o que sai no Profeta Diário, nem com o que possam falar. Não tenho vergonha e nem medo de você, ao contrário, faço questão que todos saibam que nos amamos. –Harry fala firmemente, certo de sua decisão.
-Não é tão simples, Harry. Não é como a Tonks que está namorando um lobisomem, eu sou uma meia vampira, represento perigo 24h por dia e todos os dias do ano e não o perigo das noites de uma semana. Nem mesmo nossos amigos vão apoiar uma coisa assim, os Weasley e Lupin, a primeira será a professora McGonagall. Será que você pode imaginar isso? –pergunta tentando parecer compreensiva diante da postura deles.
-Meus amigos têm que querer minha felicidade e eu só serei feliz com você! Se eles forem contra, receio ter que me afastar de todos eles. –fala se mostrando decidido a enfrentar tudo pelos dois.
-Você não sabe do que está falando, não pode abdicar de seus amigos, que no fim são a única família que você já teve...
-Você será minha única família quando nos casarmos! – a interrompe olhando-a profundamente nos olhos, apertando a mão que segurava contra seu peito pra que sentisse seu coração acelerado. –Entenda, Mione, eu sabia dos riscos, dos problemas e das barreiras que enfrentaríamos, não estou me lançando no escuro. Se eu estou querendo me envolver com você é porque te amo e se quero assumir isso diante todos é porque te respeito, então nós vamos entrar juntos no salão principal, e nada vai me impedir de fazer isso. –fala determinado, mas com carinho, logo depois a guiando até o buraco guardado pelo retrato da mulher gorda.
Em silêncio, os dois seguem rapidamente até o salão principal de mãos dadas, onde Harry pára a porta apenas pra lançar um olhar encorajador a Hermione, que tenta corresponder, entrando de mãos dadas com ele, que sorria feliz enquanto andava até onde Rony estava. Foi impossível não perceber os burburinhos aparecendo isoladamente e depois começando a crescer e tomar o salão principal.
-Ei, vocês demoraram! Você precisa acordar mais cedo Mione! –Rony fala com a amiga, que se surpreende com a leve bronca que levara e com toda razão.
-Eu não preciso acordar mais cedo, as aulas é que precisam começar mais tarde! –retruca surpreendendo Rony e Neville que estavam de frente pra ela e Harry.
-Você vai mesmo levar essa idéia adiante e propor a McGonagall? –Harry pergunta surpreso, ao que ela apenas assente, enquanto se servia de café.
-Não acho que ela aceitaria porque, de certa forma, acabaríamos perdendo tempo livre entre o fim das aulas e o jantar, tempo que os alunos usam pra estudar e fazer as lições. –Neville comenta pensativo, surpreendendo os amigos.
-Não havia considerado essa hipótese, talvez precise pensar mais a respeito. –Hermione fala parecendo decepcionada consigo mesma.
-Eu ainda acho que o Rony tem razão e se você quiser, posso ir te acordar todos os dias! –Harry propõe com um sorriso maroto e depois dando um selinho nela.
-Sem vergonha! –fala dando um tapinha nele, mas logo depois parando ao ouvir o som de vidros quebrando atrás deles.
Ao se virarem pra trás, viram os sonserinos parecendo muito zangados, limpando o que deve ter escapado dos vasilhames quebrados, Pansy Parkinson saía correndo e aos prantos, enquanto nas outras mesas diversas garotas lançavam olhares nada amigáveis na direção de Hermione.
-Cara você ganhou uma inimiga mortal! –Rony fala entre risos e Hermione joga uma torrada nele.
-A Parkinson não gostava do Malfoy? –Neville pergunta boquiaberto.
-Ela gosta de quem tem mais “aura negra”, assim como todos os sonserinos. Aliás, Harry, você que já não era muito popular, por lá, agora virou o inimigo número 1! –Rony fala em tom divertido pra Harry que só balança os ombros sem se importar.
-Pois eu acho que a Mione que tem que se cuidar, as meninas parecem que vão fazer cursinho com Hellsing de como matar uma vampira! –Neville fala observando a agitação das meninas, que pareciam se agrupar ameaçadoramente.
-Está aberta a temporada de caça as vampiras! –Hermione fala tomando um grande gole de café, mas deixando um sorriso visível.
Alguns minutos depois, Rony, Hermione e Harry se sentavam lado a lado nas masmorras pra aula de poções, sendo acompanhados atentamente por todos os outros colegas, que pareciam querer uma confirmação do “caso” entre Harry e Hermione.
-Eles não cansam de ficar olhando não? –Rony pergunta cansado da constante observação.
-Eles não vão sossegar até terem uma confirmação de que eu e Harry estamos juntos, talvez esperem algum anuncio oficial ou um flagra de nós dois aos amassos em algum corredor! –Hermione fala revirando os olhos.
-Se é isso que eles querem, é fácil! –Harry fala abraçando a namorada e segurando seu rosto, antes de beijá-la carinhosamente.
-Onde você acha que está Potter? Menos 40 pontos pra Grifinória! –Snape, que acabara de entrar, abafa os burburinhos e interrompe o casal.
-Mas o senhor não pode fazer isso! –Harry fala irritado ao se separar de Hermione, que assim como todos os grifinórios estava indignada.
-Mas é claro que posso, não admito ninguém aos amassos em minhas aulas! E menos 15 pontos por querer me desautorizar! –fala determinado, mas Harry se levanta completamente irado.
-Sua aula ainda não havia começado e o senhor não estava em sala! –fala tentando manter o tom normal.
-Pegue o material e se retire, Potter. Receberá uma coruja informando o dia e horário de sua detenção. –Snape fala impassível, apesar de olhar mortalmente pro garoto.
-Harry, é melhor ir, senão vai acabar piorando. –Hermione fala puxando o namorado pra baixo.
-Tudo bem, nos vemos depois. –fala apanhando sua mochila e se encaminhado pra saída.
-Guardem seus livros, faremos um teste valendo metade da nota do trimestre. –Snape fala propositalmente na hora em que Harry abria a porta, observando o garoto parar por um momento, mas depois seguir e fechar a porta calmamente e sem olhar pra trás.
-Eu cuido disso. –Hermione sussurra pra Rony que se levantava pra protestar. –Com licença professor Snape, será que eu poderia me aproximar pra falar algo com o senhor? –Hermione pergunta ao professor que já se encontrava em sua mesa.
-Claro senhorita Granger, se for breve. –fala se mexendo desconfortável na cadeira.
Hermione respirou fundo, fixou o olhar em Snape e praticamente fez do corredor que levava sua mesa no fundo da sala à mesa do professor, uma passarela. Seus cachos delicados balançavam com seu movimento e junto ao seu uniforme, muito comportado, davam um ar inocente a ela, que tinha no olhar um brilho que mostrava o contrário, como se os olhos cor de mel transbordassem de malícia e sensualidade.
Snape não era o único que acompanhava seus passos, todos os garotos, com exceção de Logan, pareciam completamente perdidos nos mínimos detalhes dela.
-Professor Snape, eu não tenho nada contra o senhor aplicar um teste hoje, visto que eu além de gostar da matéria e estudá-la com freqüência, consigo de uma maneira extraordinária acompanhar sua linha de raciocínio, que deve ser muito parecida com a minha. No entanto, como o senhor tem pleno conhecimento, este fim de semana haverá o jogo entre a Sonserina e a Lufa-Lufa, o que me faz pensar que os sonserinos estejam um tanto ocupados com este jogo e não tiveram muito tempo pra estudar a matéria, mas se o senhor adiar o teste pra semana que vem, tenho certeza de que eles terão tempo pra estudar após comemorar a vitória. O senhor entende o que quero dizer, não entende? –Hermione fala bem baixo ao se aproximar do professor, que levantara pra falar com ela. Os olhos castanhos prendendo os negros e um de seus pés, discretamente tocando o dele.
-Claro, a senhorita tem total razão, eu jamais prejudicaria os meus alunos. Então, dessa forma, eu vou aceitar sua sugestão, até porque como observou astutamente, temos uma linha de raciocínio muito próxima. –fala um pouco nervosamente, Hermione podia sentir o cheiro do medo misturado à excitação.
-Então, obrigada por me ouvir. Com licença. –Hermione se despede educadamente, logo depois girando pra voltar ao seu lugar, fazendo o perfume de seus cabelos chegar bem próximo a Snape, que rapidamente se sentou atordoado. Os outros garotos a acompanharam atentamente em seu caminho de volta, quando se sentou ao lado de Rony, que parecia completamente enfeitiçado. –Sou namorada do seu melhor amigo. –ela sussurra no ouvido de Rony que logo se recupera, apesar de adquirir uma cor mais vermelha que o tom de seus cabelos.
-Como observado pela senhorita Granger, a primeira partida de quadribol do ano é nesse fim de semana e por isso não seria correto aplicar um teste surpresa, portanto peguem suas anotações e o livro pra que eu possa fazer uma aula de revisão e retirar suas dúvidas pro teste da semana que vem. –Snape fala em um tom um pouco mais gentil que o normal, chamando a atenção dos alunos que ainda olhavam pra Hermione.
Após o final da aula, Hermione e Rony saíram rumo à aula de DCAT, onde Harry devia se encontrar com eles, no entanto foram interceptados por Logan, que os seguira assim que o sinal tocara.
-Hermione, te devo uma! –Logan fala a abraçando rapidamente. –Eu ia me dar muito mal no teste do Snape! Nunca achei que pudesse dizer isso, mas viva o charme vampírico!
-Você não ia ser o único a se dar mal, se aquele seboso desse aquele teste, eu ia tirar o meu primeiro T de Trasgo! –Rony fala voltando a andar com os amigos, arrancando algumas risadas de Logan.
-Ok, ok, rapazes não precisam me agradecer! –Hermione fala fazendo charminho. –Mas eu não poderia o deixar fazer uma injustiça dessas com o Harry. –fala seriamente.
-Realmente ele não podia ter feito nada do que fez. –Logan concorda, reparando que Rony fechara a cara.
-Ele estava era com ciúmes! E se fosse eu no lugar do Harry, teria lançado uma bela azaração nele! –fala mal humorado.
-E teria sido expulso! Um aluno não pode agredir um professor seja lá por que motivo for. –fala categórica.
-Mas bem que o Snape merecia! –Harry fala se juntando aos três. –Me tirou 55 pontos, me deu uma detenção e ainda aplicou um teste surpresa por ciúmes! –fala irritado, mas abraçando a namorada carinhosamente.
-Não se preocupe, a Mione fez ele mudar de idéia quanto ao teste! Precisava ver a cara de babaca dele! –Rony fala rindo, enquanto entravam na sala.
-Dele e de todos os garotos, com exceção de mim, porque até o Hellsing tava babando pela sanguessuga com cara de anjinho . –fala se afastando depois de acenar, mas Harry nem chegara a reparar.
-Você não fez o que eu estou pensando que fez, não é? –Harry fala a encarando duramente.
-Não foi como se eu tivesse cantado ele ou coisa assim, só falei que por causa do jogo os sonserinos não deviam ter estudado nada e o teste prejudicaria mais os sonserinos que os outros. –Hermione fala tentando parecer tranqüila.
-E como você falou isso? –Harry pergunta já sabendo a resposta, pela reação de Rony, que ficou vermelho e fingiu ler algo no livro.
-Harry, eu só queria te ajudar, não era justo que Snape fizesse aquilo e depois pra anular um teste seria difícil, mesmo se a professora McGonagall nos desse razão. –Hermione tenta se explicar, mas Harry não parece nada confortável com a idéia.
-Depois a gente conversa. –Harry fala reparando que a professora acabara de entrar.
-Bom dia alunos! –Lana fala animada e todos respondem educadamente. –Hoje eu tenho dois avisos importantes pra dar a vocês. O primeiro é sobre o teste trimestral, que será do fim desse mês a primeira metade do mês que vem, a data correta vai depender dos acertos que eu fizer com Minerva e o ministério. De todo jeito, quero que vocês já escolham seus grupos pra que no dia do teste já estejam bastante integrados e adaptados ao estilo um do outro.
Eu os dividi em três grupos de acordo com o nível e principalmente de acordo com a experiência prática de cada um. Vocês podem escolher seus grupos como quiserem dentro do seu grupo principal, sendo grupos de quatro pro nível 3, grupos de três pro nível 2 e o nível 1, como só tem quatro integrantes, já tem grupo formado, duas listas iguais vão ficar afixadas aqui e vocês podem ler depois da aula. –ela faz os dois pergaminhos flutuarem e se afixarem em paredes opostas.
Agora vamos falar sobre o grupo 1, ele será formado por Logan, que como nascido lobisomem tem habilidades sobre-humanas além de ter experiência em combate; nele também estará Granger, que como meia-vampira tem habilidades sobre-humanas, além de todos sabermos que ela tem bastante experiência prática; junto aos dois também estará Hellsing que tem sangue de caçador e portanto mais habilidades sobre-humanas, além de treinamento pra combate de “criaturas” como lobisomens e vampiros; e pra vigiar os trio Dark e super-poderoso teremos Harry Potter. Espero poder contar contigo pra por ordem nessa bagunça, ok? –pergunta a Harry, usando um tom levemente divertido.
-Claro professora! Pode deixar que eu vou garantir que eles não se matem e cooperem uns com os outros. –fala estufando o peito, assumindo uma postura de autoridade.
-Obrigada querido, sabia que poderia contar com você pra capitão! –fala sorrindo e dando uma piscadela simpática pra ele. –Ah, todos vocês são maiores não é? Porque o teste pode ser um tanto mortal e vocês precisarão assinar um documento, burocracia! –fala revirando os olhos com a formalidade, fazendo os quatro apenas assentirem com um movimento de cabeça tímido. –Maravilha! É por isso que adoro o sétimo ano, não preciso ficar me segurando muito, limitando as minhas aulas... vocês não concordam que é uma grande vantagem? –pergunta aos alunos que murmuram algo enquanto ela se virava pra escrever algo no quadro negro.
-Ela é maluca! Não vai sossegar enquanto nos matar, forma um belo par com Hagrid! –Rony fala pálido, ao que os amigos só concordam. –Aliás, ela não sabe o que é medo, por que aquela piscadinha que ela deu pra você... -Rony falava empolgado pra Harry, mas interrompe ao ver o olhar assassino que Hermione lhe dirige.
-Você é muito engraçado Weasley. –fala aborrecida, mas Harry ignora, prestando atenção no que a professora fazia aparecer no quadro negro.
-Hoje nós iremos estudar as Acromântulas, mas praticaremos apenas em uma aranha falsa. –suspiros aliviados são ouvidos. –Mas, não precisam ficar tristinhos, quinta feira nós trocaremos a aula de manhã pra uma aula à noite, pra visitarmos um ninho de Acromântulas que há na floresta proibida! –ela fala parecendo excitada e deixando todos pálidos. –Ah, e pra quem voltar sem ferimentos graves, vou dar dois pontos na média do trimestre! –fala animada, mas conseguindo os assustar ainda mais. –Agora vamos à aula, todos se levantem pra que eu afaste as carteiras.
A aula segue bem, com uma boa parte dos alunos conseguindo realizar o feitiço durante a aula, motivados pela perspectiva de ter que sobreviver a uma aranha não só real, mas também ainda maior e mais ameaçadora que a falsa, animada magicamente, pra treinarem o feitiço.
Ao soar o sinal indicando o fim da aula, todos começam a recolher o material e sair, com exceção de Harry, que deixa a mochila em cima de uma das mesas.
-Podem ir almoçar, eu encontro vocês depois. –Harry fala aos amigos, já se virando pra ir até a mesa da professora.
-Espera, o que você vai falar com ela? –Hermione pergunta não gostando da idéia. Depois do comentário de Rony, passou a reparar em como Lana era simpática com Harry.
-Só quero tirar umas dúvidas sobre o teste. –Harry fala voltando a andar e Hermione o segura pelo braço.
-Isso é uma tentativa de me dar o troco, por causa do que você acha que fiz com Snape? –pergunta sentindo-se insegura.
-Eu não acredito que você acha que eu seja tão infantil assim. –fala ressentido e se desvencilhando pra ir até a mesa da professora.
Hermione apenas fica o observando, esperando sozinha ele conversar com a professora, já que Rony saíra sem que ela percebesse. Os dois estavam de pé e Harry de costas pra Hermione, que via como Lana sorria simpaticamente pra ele, parecendo ser gentil e concordando com seja lá o que Harry falava com ela.
Após a conversa, Harry voltou olhando seriamente pra Hermione, pegando sua mochila e saindo em silêncio, seguido por ela.
-Me desculpa? –ela pergunta andando lado a lado com ele, que pára e respira fundo antes de se voltar pra ela.
-Promete que não faz mais o que você fez? –Harry pergunta tentando esquecer o que houve.
-Prometo, nunca mais vou usar o brilho das trevas no Snape. –garante a ele mais aliviada.
-Com ninguém. –fala olhando-a fixa e seriamente.
-Certo, prometo que não uso mais o meu brilho das trevas. –ela faz a promessa e Harry sorri, logo depois selando a reconciliação com um terno e longo beijo.
-Sei que posso parecer possessivo e ciumento, mas guarda essa natureza vampírica sedutora e provocante pra mim, certo? –Harry fala sem se afastar muito dela, apenas o suficiente pra olhá-la nos olhos.
-Como quiser, capitão. –Hermione sussurra de modo provocante rente a boca de Harry, terminando com uma leve mordida no lábio inferior.
Harry, imediatamente a puxa pra si tomando seus lábios com paixão. Esquecendo-se completamente de onde estavam, ambos se beijam de forma voraz, puxando um ao outro com urgência, as mãos se movendo e perdendo no corpo do outro.
-Crianças! –uma voz fala de atrás deles fazendo-os soltarem-se num pulo.
-Tonks! Quer nos matar de susto? –Harry pergunta ainda assustado.
-Vocês tem é que ficar felizes por ser eu e não Minerva, não? –pergunta com um sorriso maroto pros dois que coram.
-Nós podemos explicar, Tonks. –Hermione começa, mas Tonks faz um sinal pra que pare.
-Eu adoraria ouvir essas desculpas esfarrapadas, mas tenho que ir almoçar. Mas da próxima vez que quiserem, “namorar”, procurem um lugar mais distante dos olhares de terceiros, certo, Monitora Granger? –Tonks fala com um sorriso cúmplice e depois se afasta deixando-os totalmente sem jeito.
-Acho que é melhor irmos almoçar. –Harry fala se recuperando.
-Sim, eu estou mesmo com fome, não pudemos demorar muito no café da manhã. –fala se deixando abraçar e andando com Harry pro salão comunal.
Um pouco depois do almoço, Harry segue pros fundos do jardim, onde Logan havia marcado um encontro com ele a sós, pra tratarem de um assunto importante, mas que Harry ainda desconhecia.
-Oi, fiquei curioso com o seu recado. –Harry fala ao se aproximar, percebendo logo o jeito sério do amigo.
-Eu imagino que sim. Sente-se. –Logan fala voltando a se sentar, sendo acompanhado por Harry. –Eu não quero que me julgue mal, nem que tire conclusões precipitadas, mas quero conversar com você, sobre seu namoro com Hermione.
-Certo, pelo menos sei que não está com crise de ciúmes. –brinca tentando aliviar o clima tenso.
-Hermione é linda, inteligente, realmente uma garoto incrível, mas eu não estava exagerando quando disse que ela... cheira mal. Sabe, eu realmente tenho que me esforçar pra ignorar isso, quando estou com ela. –Logan fala em tom confidente, ao que Harry apenas ri.
-Mas se não é concorrência, do que se trata a conversa? –pergunta intrigado, apesar de imaginar que ouviria uma série de avisos.
-Sei que por eu ser um lobisomem minha opinião não será muito bem vinda, mas eu tenho que lhe advertir. Hermione é minha amiga e eu sei que ela o ama, ela me fez confidências sobre isso, por isso eu em parte fico feliz por saber que realmente estão felizes, mas também tenho que dizer onde, exatamente, você está se metendo.
-Eu sei onde estou entrando, acompanhei todo o tratamento dela, conversei com o médico, li muito sobre o assunto e ainda posso lhe dizer, que foram incontáveis as vezes que ela tentou me morder.
-Sabe quais os dias críticos dos vampiros? –pergunta seriamente, ao que Harry pára um instante antes de responder.
-Fala da lua cheia, quando os poderes se descontrolam um pouco? –arrisca um pouco incerto.
-Na lua cheia ela tem seus poderes atiçados pela “inimizade” natural com os Lobisomens, nas noites sem lua, os vampiros mostram sua verdadeira face, geralmente nessas noites eles ficam mais cruéis e frios, é também o período em que costumam ocorrer as guerras entre clãs. Está entendendo o que estou dizendo? –pergunta cautelosamente.
-Que eu corro tanto risco nas noites claras quanto nas escuras? –fala ironicamente –Desculpe, mas estou plenamente ciente que corro risco todas as noites e todos os dias. –fala voltando ao tom normal, sorrindo compreensivamente.
-Você sabe que na idade média havia uma “brincadeira” entre os homens que dizia: “Não há melhor lugar pra descansar que nos braços de uma vampira.” Isso fazia referência ao costume que as vampiras tinham de seduzir os homens, leva-los pra seus castelos e lá, compartilha-los com suas “irmãs”, depois de uma noite prazerosa. Você me entende?
-Claro, sei bem que Hermione tende a deixar a besta dominá-la quando fica excitada. –Harry fala um pouco corado e encarando a grama.
-Já tentaram algo? –pergunta surpreso, se deixando dominar pela curiosidade.
-Não, quer dizer, na primeira noite de lua cheia depois da meia transformação, nós descobrimos que a lua afeta não só os poderes dela, como outras coisas também. –fala ficando completamente vermelho.
-E até onde vocês foram? –agora o tom era cúmplice, como dois amigos trocando confidências.
-Quando estávamos começando a passar dos amassos, ela se transformou e me empurrou, saiu correndo. –fala deixando um pouco de frustração transparecer em sua voz.
-Que banho frio! –fala fazendo uma careta em solidariedade ao amigo.
-Como ser atirado num lago congelado. –fala um pouco distante, depois soltando um suspiro longo antes de se deitar na grama, olhando as nuvens. –Mas eu sei que apesar de ter sido a primeira vez, não será a última. Estou pronto pra viver sem a ter completamente. –fala tentando convencer a si mesmo daquilo.
-Realmente, seria impossível do jeito tradicional. –Logan fala se deitando ao lado do amigo.
-Tradicional? –Harry pergunta sem entender, olhando Logan ao inclinar a cabeça pro lado.
-Bom, sempre há a opção de algemá-la com correntes reforçadas de prata e amordaçá-la com uma grossa mordaça de couro de dragão. –Logan fala sorrindo maliciosamente.
-Você é doente! –Harry fala rindo do amigo e voltando a encarar as nuvens.
-Eu gostaria realmente de acreditar que hermione é forte pra suportar, mas se ponha no lugar dela Harry. Ela verá Gina se formar, casar, engravidar e ter filhos, além de ter um trabalho que a dará prazer e satisfação pessoal, sendo ela bem sucedida ou não. No entanto, Hermione não poderá trabalhar em nada do que ela gostaria, mesmo tendo talento e capacidade pra isso, e não falo só de atividades de campo que possam envolver sangue, falo também de cargos de pesquisa ou inteligência, até mesmo um cargo de alta confiança em um escritório seria difícil, já que ninguém confiaria numa vampira, se ela procurar o mundo trouxa, pode obter um pouco mais de sucesso, mas ainda será infeliz, porque estará negando sua natureza, seus sonhos... mesmo estando com você, um homem que a ama e que de certa forma a completa, ainda não poderá ter uma família, coisa que ela sabe que é um grande desejo seu...
-Eu já disse a ela que não me importo de não ter filhos, que o importante é que eu amo. Sei que parece difícil de acreditar que eu possa fazer tantas concessões em nome de uma relação que não será tão estável, mas eu acredito que meu amor por ela pode equilibrar isso. Você me entende?
-Sim, na verdade eu te considero um homem muito forte, o problema é Hermione. O que eu estava querendo dizer, é que ela entrará em depressão frequentemente, que se sentirá mais e mais tentada não só pela força da besta que só tende a aumentar, mas também pela “liberdade” que a transformação completa lhe daria. Ela teria bem ou mal uma família, um meio onde todos lhe seriam iguais, um lugar onde ela seria respeitada conforme seu valor, como em uma sociedade normal, um lugar onde ela poderia encontrar toda uma estrutura de vida em “comunidade”. Sei que você pode achar que estou sendo pessimista, mas eu falo isso porque eu sou um lobisomem e não sou tratado muito diferente, por isso meus pais e eu gostamos de viver em uma comunidade de iguais, onde nenhum garotinho iria sair correndo quando eu o chamasse ou me faria um favor por medo que eu pudesse fazer algo contra ele, você me entende? –pergunta mostrando um pouco de mágoa em relação ao mundo bruxo.
-Sim, eu te entendo. Eu me sinto assim quando saio do mundo trouxa e venho pro mundo bruxo, por mais que haja riscos e que eu não goste do assédio e da fama que a cicatriz me traz, eu me sinto muito bem aqui, como nunca me senti no mundo trouxa. –Harry fala pensando sobre sua própria vida com seus tios.
-Então, você não poderá esperar que ela vá agüentar viver muito tempo em mundo em que quase ninguém a quer. –fala o encarando seriamente.
-Se ela realmente não resistir, eu vou com ela pra onde ela for, porque sem ela eu não conseguiria viver. –Harry se levanta e olha pra Logan sentindo-se bem pela conversa que tiveram. –Eu agradeço por se preocupar, mas eu sou teimoso e vou tentar de tudo pra fazê-la feliz e se isso pedir que nos isolemos do mundo ou que mergulhemos na noite, eu farei, mesmo sabendo que isso afetará muito meu círculo de amizades. Sabe, eu não faço isso por culpa, mas também não posso fingir que tudo isso que está acontecendo não é por minha causa, então eu simplesmente assumirei minhas responsabilidades como homem que sou.
-Eu respeito seu modo de ver a situação e agir diante da dificuldade, por isso saiba que eu estarei por perto pra ajuda-lo sempre que precisar. –Logan fala se levantando e oferecendo a mão a Harry, que a aperta firmemente.
-Obrigado, é sempre bom ter mais um amigo lobisomem! –Harry brinca com Logan que sorri, feliz por ter conhecido um bruxo que não só o tratava, mas também o via como um igual.
Os dois caminharam pelos jardins e trocaram pequenas confidências, riram um pouco das histórias do outro e passaram um bom tempo discutindo a relação de Logan com Gina, até que Harry disse que iria encontrar com Hermione que devia estar saindo de sua aula. Subiu as escadas tranquilamente até encontrar hermione lendo um pergaminho entregue por um garoto da corvinal.
-O que é? –pergunta se aproximando dela, que se surpreende.
-Minerva quer nos ver. –fala já esperando o interrogatório sobre sua relação com Harry. –Mas e você, veio me buscar? –pergunta sorrindo pra ele que retribui o sorriso.
-Eu estava com saudades. –fala pegando os livros da mão dela e depois a abraçando.
Hermione apenas corresponde o abraço, mas um som chama sua atenção, era uma pulsação forte, que vinha de Harry, sentiu o calor da pele dele chamando a sua, então seu nariz tocou o pescoço dele, que depois foi acariciado com os lábios entreabertos dela. Não sabia como era possível sentir o sangue dele correndo sob a pele, era quase como se pudesse sentir o cheiro e o gosto do sangue.
-Não. –sussurra se afastando dele e correndo até um corredor à frente, apoiando-se contra a parede, arfante como se houvesse feito um grande esforço, como correr uma grande distância ou erguer algo muito pesado.
Sabendo o que devia ter acontecido, Harry se aproxima lentamente, dando tempo a ela. Depois tocando suavemente o ombro dela, virando-o pra ele, que estava à direita dela.
-Me deixa, Harry. Eu preciso ficar sozinha. –fala escondendo o rosto dele, que põe os livros que segurava no chão.
-Está tudo bem, eu não tenho medo ou receio de te olhar assim. –fala virando o rosto dela pra ele, que não altera sua expressão diante do que vê. –Do mesmo jeito que amo suas qualidades e defeitos por serem parte de você, também tenho que gostar disso, porque também é você. –fala passando um dedo pelas presas dela, olhando fixa e ternamente os olhos em forma de fenda.
-Eu só que ria poder ao menos te abraçar sem sentir essa coisa querer me dominar. –fala baixando os olhos, ao que ele a faz o encarar novamente.
-Nós temos que esperar, aprender com cada gesto, cada beijo, cada carinho, cada abraço, como todos aprendem em todos os relacionamentos, claro que pode demorar um pouco mais, há mais detalhes, mas não é nada com o qual não possamos nos acostumar. –ao falar isso ele a beija brevemente, mesmo com as presas, conseguindo não se cortar com elas.
-Isso foi uma tentativa ou uma roleta russa? –pergunta sem saber se gostou ou não do gesto dele.
-Foi só um jeito de mostrar que pra tudo há um jeito, por mais que não tenha sido o melhor beijo que já demos, foi promissor e pode melhorar com o tempo. –fala sorrindo marotamente.
-Devo encarar isso como um fetiche? –pergunta rindo do que ele falara e fizera.
-Quem sabe, afinal eu sou uma pessoa acostumada a viver perigosamente. –fala a abraçando e tentando mais um beijo.
N/A: Oi, este cap ainda não tem muita ação, mas acho que vocês viram que a Lana não é de brincar e está preparando um grande desafio pra eles!
N/A²: Fiquei muito contente por vocês estarem gostando da família que eu criei pra Hermione, podem aguardar que eles ainda aprontaram algumas, inclusive no próximo cap será a vez de Marcus visitar a irmãzinha.
N/A³: Bom, tentei fazer algo engraçadinho na parte do Snape, mas sei que não sou boa em comédia, mas prometo me esforçar, a não ser que eu seja tão terrivel que vocês achem que eu não levo jeito, aí é só falar que eu nem arrisco de novo.
Próxima atualização: Sitra Achra