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6. Parte 6 – Su


Fic: Além de um Conto de Inverno


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Parte 6 – Su


Severo Snape...

Então era isso... então era ele...

Esteve seis longos anos em Hogwarts, vira tantos meninos se transformarem em rapazes, vira seu próprio corpo mudar, sentira seus próprios hormônios transbordarem, beijara Krum, McLagen, Ron só para perceber que nenhum deles era quem esperava: o homem que chegaria na hora certa e que juntos viveriam uma história de amor digna de literatura, como a de Hermione e Leontes.

E ele estava o tempo todo lá, próximo demais e distante mais ainda.

Severo... O homem que fez suas pernas bambearem quando a beijou. Um homem que não chegou na hora certa, foi simplesmente jogado num chão sujo e estava tão ferido que até sua alma fora maculada pela dor da guerra.

Mas foi ele quem a fez perder a cabeça e contar mentiras para abandonar seus amigos e depois chorar de saudade deles. Ele tirou seu sono, sua paz, sua identidade.

Mas nesses dois dias em que estiveram no hospital, ele lhe sorriu, e esse singelo gesto fez seu coração derreter. E se quando tudo isso terminasse alguém a acusasse de mentirosa, mesmo assim, ela faria tudo novamente, apenas para ver aqueles olhos de obsidiana brilharem de prazer em estar junto dela. E foi nesse momento que ela se deu conta que o amava.

Uma mão quente pousou em seu ombro, e Severo se juntou a ela, observando o céu escuro da noite australiana. Um longo tempo se passou sem que nenhum deles dissesse algo, mas naquele momento palavras não eram bem vindas.

Um longo tempo depois, Hermione se despediu dele e saiu do hospital. Os olhos de Leontes acompanharam-na até que sumisse pelo corredor, e ele se levantou da cama, voltando ao lugar onde estiveram junto à janela, para vê-la sair na direção contrária a dos carros e desaparecer dobrando a esquina.


ooOo0oOoo


Era uma cobra enorme, e havia também um homem de rosto ofídico e olhos vermelhos cruéis que lhe dizia alguma coisa sobre uma varinha e sobre seu mestre, seu verdadeiro mestre.

Mas seus olhos não saíam da cobra. Ela o assustava, sentia-se um inútil junto daquele bicho traiçoeiro. Ela o espreitava, mostrava-lhe a língua como se o estivesse saboreando, e sem que pudesse se defender, ela o atacara.


Leontes abriu os olhos. Havia mesmo olhos lhe fitando, mas eles eram verdes e estavam acompanhados de um belo sorriso.

– Acaba de receber alta! – A moça sacudiu um papel à sua frente, e Leontes se ajeitou na cama. – Melhore essa cara; sua esposa já está lá fora lhe esperando. Precisa se arrumar; ela trouxe roupas.

A medibruxa apontou o pequeno biombo no canto do quarto e em seguida a porta do banheiro. Despediu-se e saiu do quarto, dando-lhe privacidade para aprontar-se.

Demorou um tempo longo demais para se arrumar e, quando finalmente abriu a porta do quarto, pôde ouviu os últimos agradecimentos de Hermione.

Ela sorriu quando o viu, mas ele não retribui. Uma pequena ruga se formou na testa dela, e ela perguntou-lhe se estava realmente bem.

– Estou ótimo e louco para ficar a sós com você, querida. – Sorriu forçosamente.

A medibruxa que havia o acordado deu um risinho e foi cutucada pelo colega ao seu lado. Hermione o olhou estranhamente e sorriu sem graça para os dois, saindo em seguida com ele ao seu lado.

O caminho todo preenchido pelo silêncio.

Ela o conduziu na aparatação, e eles reaparecem em frente ao que parecia um chalé no meio de árvores, ou uma casinha de árvore gigante. Olhando ao redor, Severo notou várias delas e concluiu que deveriam estar em algum tipo de hotel campestre.

O interior da cabana era aconchegante. Enquanto Leontes se demorava observando o lugar, Hermione se sentou no sofá que preenchia um dos lados da sala. Ele apanhou um copo sobre o balcão da apertada cozinha e encheu-o com água até a metade, tomando-o de um gole e caminhando até onde ela estava.

Olharam-se por segundos, e ela tentou falar alguma coisa, desistindo em seguida. Repetiu o gesto por três vezes e, somente após respirar fundo, tomou coragem.

– Eu preciso lhe contar algo agora que estamos longe do hospital e sua saúde está boa, Leontes.

– Não acho que precisa ser agora... – Leontes subiu uma de suas mãos, acariciando-a no rosto, e Hermione tremeu sob seu toque – que estamos finalmente a sós, precisa?

A voz dele estava perigosamente baixa, e a mão que a acariciava desceu de seu rosto por seu ombro e alcançou a sua, apertando-a com força.

– Si-mm – Sua voz saiu falha quando ela sentiu a outra mão dele pousar em sua coxa esquerda.

– Mas agora não me interessa mais nada – A mão dele subiu mais um pouco em sua perna. – Agora eu só quero o que é meu...

Hermione engasgou, tentou empurrá-lo para longe de si, mas ele a segurou fortemente.

– Somos casados e eu estive longos dias naquele hospital; mereço um tratamento especial da sua parte, não acha, Sra. Evans?

Leontes deslizou a língua por seu pescoço e mordeu-a com força na base do ombro. Hermione segurou um grito de terror e tentou novamente se desvencilhar dos braços dele, mas ele novamente a segurou sem nenhum carinho.

– Não me deseja, Hermione? – ele perguntou enquanto ocupava-se de desabotoar os primeiros botões da blusa dela.

– Você está louco, Leontes. Por favor, nós precisamos conversar antes de...

– Antes de quê? – Leontes elevou mais a voz. – Por acaso não é de direito do marido possuir a esposa? Eu quero você agora e vou tê-la.

Com agressividade, Leontes largou-a no sofá, e Hermione arregalou os olhos de horror quando o viu retirar a camisa e jogá-la no chão. Tentou levantar do sofá e correr, mas ele a puxou violentamente pelo braço e arrastou-a até a mesa.

Com uma braçada estúpida, limpou a superfície da madeira, estilhaçando a louça no chão, e empurrou-a contra ele.

– Por favor, Leontes... – Hermione não pôde evitar que o desespero a atingisse e suplicava em meio as lágrimas que ele desistisse da idéia. – Por favor, Leontes, não. Não faça isso, por favor, me escute.

– Calada! – Leontes agressivamente a virou de costas e jogou-a na mesa com o rosto colado no tampo, posicionando-se em suas costas.

Hermione sentiu o membro duro dele por sobre suas roupas encostando em sua pele, e seu sangue lhe fugiu da face. Um grito seco saiu de sua garganta quando ouviu o barulho dos botões da calça dele serem desabotoados.

– Sou seu marido, Evans! Não pode me negar seu corpo.

Leontes se deitou em suas costas, e Hermione sentiu agora seu membro duro espremido entre os dois. Ele a puxou pelos cabelos com força.

– Está sentindo? Responda! – ele gritou.

– Sii-m-m – Hermione respondeu em meio ao choro.

Leontes lhe puxou com mais força pelos cabelos e virou-a de frente a ele.

Seus olhos faiscavam em sua direção, e quando falou, sua voz já não continha lascívia, mas um desprezo tão grande que o efeito dela cortou o coração de Hermione ao meio.

– Então podemos terminar o teatrinho, Srta. Granger.


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