Capitulo I
Que tal começarmos por esse amor arrebatador que foi bruscamente separado por uma persuasão sem fundamentos.
Snape era na época apenas um professor de poções, com um passado duvidoso de ex comensal da morte, lutou na guerra provando o seu verdadeiro lado, sendo figura importante na derrocada de Voldemort.
Mesmo sendo taciturno e anti-social, ele possuía muito mais segredos por baixo daquela sua roupa preta, como por exemplo, uma paixão incandescente por alguns valores da vida como a coragem e a lealdade, não tinha uma beleza padronizada, mas tinha algo no olhar, um mistério que nem por decreto ele se deixaria revelar com facilidade e também algo em seu modo de caminhar que impunha respeito de um charme irresistível que a idade só veio acentuar.
Hermione não diferenciava muito disto, sempre introspectiva, pouco se sabia sobre seus verdadeiros sentimentos e para ela amor, talvez naquele momento fosse algo absurdo de se pensar, seu sorriso era mais terno do que o primeiro dia de primavera e sua beleza era delicada, em compensação tinha um senso de honra, justiça e coragem evidentes.
Nunca se cogitaria no mundo mágico um amor tão sem nexo como um amor entre Granger e Snape, mas quando o mundo bruxo precisou ser reconstruído após a guerra, com esperanças no amanha, até o mais absurdo dos relacionamentos pode acontecer e assim o foi.
O cenário para essa tórrida história de amor foi Hogwarts, com suas paisagens deslumbrantes, seus corredores escuros e sua masmorra sombria e gélida.
As coisas iam voltando aos poucos ao normal e com elas as aulas na escola de magia e bruxaria de Hogwarts também eram retomadas, com algumas baixas presentes como a sentida morte do diretor, sendo nomeada a então melhor amiga da Srta. Granger. Minerva McGonagall, o Sr. Snape voltou a lecionar Poções mesmo com a oportunidade de ser professor de DCAT, já que lhe foi oferecido. Mas não. Preferiu lecionar aquilo que o realmente fazia feliz, se é que um homem com o passado dele podia ser considerado feliz.
A Srta. Granger, a mais nova de três amigos, tentava retomar a sua vida cotidiana, mesmo com tudo o que havia passado, desde a morte da sua mãe, a qual foi consolada por sua amiga McGonagall, que ela já tem como sua mãe e seu guia, seu afastamento de seus livros sua primeira e para ela, única paixão e as novas mudanças que surgiram em sua mente.
Nas aulas aquele homem já não era tão rude e insensível, ele até se compadecia de alguns alunos que perderam tudo na guerra, mas o ar melancólico, a tristeza no olhar, e a seriedade, essas não lhe abandonaram. O primeiro dia que se reencontraram, agora separados pela hierarquia de professor e aluna, as coisas eram diferentes. Claro que sutilmente.
Na ordem eles eram companheiros de batalha, um protegia o outro, um ajudava o outro, tudo pelo bem da causa e em momentos de sofrimento, se arriscavam até, em um consolar o outro. Mas é notório que não durou muito, as aparências voltaram a prevalecer. Mas, se prestássemos bastante atenção, olhares significativos podiam ser notados, palavras não ditas pairavam no ar, e tudo trazia para aquela garota, ate então, inexperiente, motivos para refletir em seus sentimentos mais ocultos.
Não que ele tenha mudado sua forma de tratamento para com ela, não podia ser diferente, não conseguia mudar antigos hábitos, mas já sabia reconhecer seus talentos e sua maestria no preparo de poções, que chegava a poder ser comparado com os dele.
Em uma tarde de outono, após uma aula de poções para o sétimo ano, Hermione se distância de seus dois amigos e permanece em sala terminando de engarrafar a sua poção, sem perceber que o professor a fitava de forma terna, desprendendo uma preocupação intrigante.
A princípio a Srta. Granger em nada percebeu, mas aquele comportamento se repetiu inúmeras vezes, chegando ao ponto da jovem indagar o porquê ao mestre de poções.
- Perdoe a impertinência professor Snape, mas é de meu inteiro interesse saber em quê desperto tamanha atenção, ao ponto de um homem como o Sr. Se prender em mim ao término de todas as aulas, creio que nossa relação não era de forma alguma, intima, para que tenha alguma preocupação na forma com a qual preparo as poções propostas em sala, ou estou errada?
Ela já não era a mesma, mesmo com apenas 19 anos, já mostrava uma maturidade além do comum pra jovens de sua idade, e aquilo trazia certa angústia para Snape, saber que alguém na flor de sua idade, já passou por tantas provações quanto ele.
Mas só fazia com que seus sentimentos se fortificassem e começassem a aflorar em sua mente, deixando-o confuso. Não era um homem dado a sentimentos, a guerra, a dor e as provações o fizeram assim.
- Perdoe-me Srta. Granger se minha atenção em demasiado lhe incomoda, zelarei para que não mais o faça, não era de minha intenção constrangê-la, mas observá-la se tornou meu hobe pessoal, tenho a perfeita ciência de que és uma exímia preparadora de poções e que em nada devo me preocupar, exceto talvez, na expressão que vem tendo desde o fim da guerra, em quanto os outros festejam, a Srta. Sempre tem sombras no olhar, sei que não temos relação alguma a não ser Professor e aluna, mas me preocupa, essa sua perda de encantos e a privação de seus sorrisos.
Surpresa seria pouco para descrever o que Hermione sentiu, ao ouvir tamanhas palavras vindas de um homem, até então, tanto introspectivo quanto ela. E o pior é saber que ele sempre a observou e que sabe tudo que se passa em seu intimo.
- É lisonjeira sua preocupação Sr. Mesmo que me surpreenda vinda de quem vem, mas talvez a perda de uma mãe, de amigos queridos, de um lar estruturado e a pressão na qual vivo desde então, seja o causador de minhas enfermidades emocionais. Com tudo, o Sr. Não é o único a perceber mudanças, também venho lhe observando e creio que mudou sutilmente sua forma de agir, mas não abandonando as velhas máscaras não é? O que me leva a crer que nós dois perdemos o viço da juventude e nos deparamos com a realidade nua e crua, enquanto a nossa relação, mudaria se nos permitíssemos nos conhecer melhor, sou jovem, mas não sou mais criança, nem tão pouco uma sabe-tudo é notório que ainda tenho muito que aprender, e se o Sr. Quiser me ensinar...
Snape permitiu-se sorrir, há anos não travava uma conversa sem insultos, hipocrisia ou cinismo com uma mulher e algo dentro de si estava o levando a crer que aquela não seria a única.
O tempo foi passando, e Snape foi percebendo o quanto delicada e sábia aquela jovem podia ser, sempre tentando auxiliar os colegas, mas não com o intuito de se mostrar como ele, no passado, julgava, mas sim, com a plena generosidade de sentimentos .
E Hermione vinha tentando de forma sutil desvendar os mistérios contidos naqueles olhos negros, que muitas vezes ousavam lhe observar de um canto da sala ou mesmo da mesa dos professores nas refeições, nada lhe passava despercebido e ela estava lhe dando cada vez mais abertura, claro que de forma moderada.
Trabalhando juntos, estudando juntos altas horas da madrugada, Hermione e o Professor Snape travavam conhecimento de igual para igual, de todos os assuntos que fossem propostos, menos os ligados ao coração, não que ela não quisesse, mas ele fugia de tais assuntos, lhe incomodava se expor .
Mas do amor nem o mais inteligente dos sábios e nem o mais tolo dos burros, pode resistir e isso ele aprendeu logo, ela já se permitia sorrir, se tornando muito mais bela e assim conquistando o velho coração de pedra.
Cada sorriso, cada palavra de carinho e atenção, cada gesto singelo, fazia com que aquele homem viesse a conhecer novamente o significado de estar apaixonado por alguém. Em sua masmorra refletia com sigo mesmo o que estava sentindo.
-Aqueles olhos, me passam a idéia da pureza cálida do orvalho, seus gestos mansos e delicados mostram-me a pureza de seus sentimentos, será isso amor?
Querer estar junto mesmo estando perto, querer se perder no borbulhante sorriso, que se assemelha ao delicioso frescor de uma brisa numa manha de primavera. Um doce perfume das mais deliciosas especiarias, ver tudo ao seu redor se calar ao ouvir suas palavras, será isso amor? Se o for quero me apaixonar, se esse amor for um pecado quero ser o mais vil dos pecadores, mas se não for correspondido, sim, serei o mais desgraçado dos sofredores.
Sentou-se de forma pesada em sua poltrona defronte a lareira e refletiu sobre aquele emaranhado de sentimentos, sendo acompanhado de uma boa taça de vinho.
O mesmo acontecia ali próximo na torre oeste, onde Hermione refletia a velocidade com que tudo estava acontecendo.
- Certamente ele não é o homem mais indicado para alguém com eu, o que tenho para lhe oferecer, ele sendo muito mais vivido, muito mais integro do que eu, mas como ele pode me fascinar tanto, por Merlin!
O natal estava próximo, e com ele a alegria e o sentimento de compaixão tomavam conta da atmosfera do castelo, olhares e pequenos gestos diziam mais do que realmente palavras poderiam expressar.
Foi proposto por Minerva um Baile de comemoração ao fim da guerra, seria um momento nostálgico, para se lembrar dos que se foram e dos que ainda permaneciam ali, Ronald Weasley convidou pela primeira vez A Srta Granger para o baile, mas a jovem recusou prontamente, nada pessoal é claro, mas não queria se ver envolvida em algo que daria esperanças ao Sr. Weasley, sendo que não era seu intuito.
O professor Snape, não era um homem dado a essas frivolidades, se sentia muito melancólico, não tinha, aquilo que se pode dizer uma ótima infância e aquelas datas o remetiam a situações desagradáveis, mas resolveu que naquela data em especial faria uma concessão, e se permitiria ir ao baile, afinal, bailes são ótimas formas de se manter uma relação amigável, se é que alguém gostaria de manter uma relação amigável com alguém como ele, pensava!
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