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14. A Message


Fic: Black and White - This Is Just The Beginning - by LyraWhite - AVISO


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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A Message
Uma Mensagem


cap 14



Coldplay - A Message




Lyra caminhava por um pequeno corredor mal iluminado, procurando o número 3B, mas não via sigla em nenhuma das três portas ali.
Escutou um barulho vindo de um dos apartamentos, o do lado esquerdo. Provavelmente seria aquele. Bateu de leve na porta, e ouviu uma voz esganiçada vinda de dentro, pedindo para que entrasse.
O lugar estava uma verdadeira bagunça, os móveis cobertos com lençóis brancos, a mesa suspendida no ar, e três latas de tinta, estando uma delas virada e deixando a tinta escorrer pelo chão de madeira. Harry suspendia a mesa com a varinha, Isabelle xingava a lata derramada e Nathan deixava a marca da mão suja de tinta na parede. Lyra meneou a cabeça para a confusão ali formada, e adentrou no recinto, deixando a bolsa e o casaco em cima do sofá coberto.
- Eu disse que isso não era trabalho para homem. – sorriu Lyra, ignorando a careta que Harry fez em resposta. – Harry, sinto lhe dizer, mas você é péssimo para trabalhos manuais. Falando nisso, por que não pintaram com magia?
- Ora, assim perde a graça. – falou Isabelle, enquanto limpava a tinta do chão. – Não é mesmo, Nate?
- Aham. – o menino disse rapidamente, depois voltou a desenhar na parede. Agora, já no centro do apartamento, Lyra pôde ver os vários desenhos do garoto, ocupando quase a metade da parede perto da sacada.
- Está arrumada demais para esse serviço, não? – alfinetou Harry, observando o decote do vestido azul-marinho.
- Tenho compromisso daqui a pouco. – explicou Lyra. – E você sabe muito bem o que é, antes que comece a fazer perguntas impertinentes.
Harry revirou os olhou. Fez um pequeno aceno com a varinha, e a mesa desceu até o chão, fazendo um pequeno ruído na madeira do chão.
- Aonde o Malfoy vai levá-la? – indagou Isabelle. O macacão da garota já estava coberto de tinta, e iria piorar, pois ainda faltava pintar a sala e a cozinha.
- Ainda não sei. Não tenho muita certeza se é ele quem vai me levar ou eu que vou levá-lo. Conheço Londres melhor que ele. – sorriu Lyra.
- Ok! Vamos mudar de assunto, ‘né? – Harry interrompeu a conversa das garotas. – Belle, você tem certeza que quer roxo? Depois de um mês, você vai enjoar.
- Roxo, não. Lilás.
- Tanto faz. – disse Harry gesticulando com as mãos. – Um mês é muito, te dou uma semana aqui para você mudar a cor do apartamento.
- Deixa de ser chato. Só porque você queria vermelho, fica reclamando que nem velho? – Isabelle sorriu. – Eu pintei o quarto na cor que você pediu.
- O quarto está rosa e eu disse vermelho!
- Sabia que rosa vem do vermelho? Dá no mesmo.
Lyra deixou o casal discutindo sobre cores ou coisa parecida e foi para o canto do aposento, juntar-se a Nathan.
Os desenhos do menino se resumiam à uma casa, um homem de pauzinhos, e uma bola ou buraco, Lyra não sabia exatamente o que representava a última imagem.
- O que você tem aí, Nate? – indagou Lyra, chegando de mansinho. Pegou um pincel na caixa e juntou-se ao menino.
Nathan a encarou, mas nada disse. Apontou para o homem de pauzinhos, em seguida para as três letras ao lado: T.V.R.
Lyra não compreendeu o significado daquilo. Tornou a perguntar novamente o que era e Nathan respondeu:
- É ruim. É muito ruim. – depois dessas palavras, as feições do menino mudaram completamente, parecia mais tranqüilo. Lyra sabia que não era tranqüilidade, ele apenas queria fugir do assunto, e conhecendo-o como conhecia,sabia que Nathan não iria dizer mais nada sobre o assunto. – Vai fazer o que com o seu namorado?
- O que você acha? – Lyra deu uma piscadela.
- Namorar. – Nathan fez uma careta, e Lyra riu. – A Marie me beijou no Natal, e eu não gostei. Achei nojento e molhado.
Lyra arregalou os olhos, já imaginando o pior.
- O que você fez depois?
- Limpei a bochecha com a manga da camisa. – fez o gesto que descrevera, deixando a bochecha esquerda rosada. – E ela ainda queria brincar de boneca! É um absurdo!
- Ah, é? Você não gosta de beijos? – ela o puxou para seu colo, cobrindo o rosto do garoto com beijos estalados.
Ele ria alto, contorcendo-se de cócegas, devido aos dedos de Lyra que corriam por sua barriga. Ela não dava importância a sujeira que sua roupa estava adquirindo, fazia tempo que não se divertia com o “irmão caçula”. Além do mais, era só um pequeno feitiço para limpar tudo.
- Chega! Chega! – disse Nathan, entre pausas. Seu peito descia e subia rapidamente, e ainda mantinha um sorriso nos lábios.
- Mas já cansou? Está muito mole.
- Fazer cócegas não é justo. – ele fez um pequeno beiço. – Só porque você não sente.
- Sentir, eu sinto. – Lyra ameaçou fazer mais cócegas, e sentiu o corpo do menino ficar tenso. – Você que sente em excesso, Nate. O que vai fazer nessa tarde?
- Provavelmente, nada. – Nathan olhou de viés para o irmão e a cunhada ali perto. Haviam parado de discutir sobre cores, mas recomeçaram um caloroso debate sobre o melhor time de quadribol da liga inglesa. – ‘To preso com aqueles dois.
Lyra abriu um pequeno sorriso, sentindo um pouco de pena. Era um verdadeiro martírio para ele, ficar trancado em casa sem nada para fazer. Quando acompanhava os pais no trabalho, ou ficava brincando com Sirius ou estagiários, ou passeava pelo hospital sem a mãe saber.
- Já que você está livre hoje, por que não vem comigo? – falou Lyra, ignorando a imagem do namorado totalmente aborrecido quando descobrisse.
- Harry disse que isso se chama “ficar de vela”, e é coisa de panaca. – lançou um olhar ao irmão novamente.
Ela revirou os olhos ao ouvir aquilo. Harry só ensinava coisa inútil ao irmão caçula, embora aquele conselho fosse bastante útil em Hogwarts.
- Harry tem razão, isso é ficar de vela. – Lyra sorriu matreira. – Mas é melhor ficar de vela e se divertir, do que ficar de vela morgando.
- Olhando por esse lado... – Nathan parecia medir as opções mentalmente.
- Ótimo! – exclamou Lyra. – Pegue a sua mochila e vamos andando.
Deixou Nathan arrumando as coisas, e foi falar com o amigo. Harry palpitava sobre algo que Isabelle fazia com a tinta, e esta apenas revirava os olhos. Havia horas que ela se cansava de discutir com cabeças-duras, já não bastava as irmãs mais velhas, Juliet e Violet.
- Isso não vai dar certo. – falou Harry, ganhando distância da namorada e da varinha dela.
- Deixa de ser intrometido, Harry. – disse Lyra divertida. Fitando apreensiva os potes de tinta que a corvinal segurava, e passou a concordar com Harry. Essa história de misturar várias tintas não ia dar certo mesmo. – Que meleca, hein?
- Você também não, Lyra! – Isabelle meneou a cabeça em negativa. Ignorou os comentários dos dois grifinórios e despejou o pote de tinta roxo no vermelho. – Juliet foi quem deu a dica, e você não calava a boca por causa do lilás, Harry.
- Dou dois dias para ela mudar a cor do apartamento. – cochichou Harry ao pé do ouvido de Lyra, que apenas sorriu em resposta. – Já vai?
- Sim, e vou levar o Nathan comigo. – Lyra fez um pequeno aceno com a varinha e limpou o vestido sujo de tinta. Iria fazer o mesmo com a roupa de Nathan quando estivessem saindo. – Você é pior que um trasgo, Harry. Coitado do garoto, ficar aqui o dia inteiro. Lembre-se que o ouvido dele não é penico, não.
- Você é quem sabe, Ly. – Harry esboçou um sorriso maldoso nos lábios. – Malfoy vai adorar o seu novo acompanhante.
- É bom que goste mesmo. – falou Lyra, fazendo-se de séria. – Faz parte do pacote o amigo babaca, o pai ciumento e o menor abandonado.
Harry gargalhou.
- Correção: o amigo sensato.
- E babaca. – completou Isabelle, risonha.
- Você – ele apontou para a namorada. – volte a misturar essa meleca. E você – voltou-se para Lyra. – tente entregar meu irmão inteiro.
- Tudo bem que eu cuido dele melhor do que você, mas, enfim, vamos Nathan! – Lyra pegou a bolsa e o casaco sobre o sofá, era melhor fazer isso logo, pois sempre acabava esquecendo na última hora.
Nathan veio correndo carregando uma cochila azul com o símbolo de um morcego escrito “Batman”. Despediu-se rapidamente de Harry com um breve abraço, e de Isabelle com um beijo na bochecha dela.
Já no corredor, Lyra parou de andar e sacou a varinha. Não podia deixar o menino sair na rua daquele jeito, estava com tinta até nos cabelos. Olhou para os lados, checando se não havia nenhum trouxa por perto, e lançou o mesmo feitiço que havia limpado suas veste. Foi numa questão de segundos até a tinta sumir do jeans e da camisa branca de Nathan. Lyra sabia perfeitamente que ele iria acabar se sujando novamente, ainda mais porque a camisa era de manga comprida, mas pelo menos ele apareceria mais arrumado quando fossem às ruas.
- Vamos? – assim que chegaram ao térreo, Lyra o pegou no colo com um pouco de dificuldade. Nathan havia crescido demais naquele ano, daqui a pouco não conseguiria carregá-lo mais.
Realmente, levar o menino no colo era trabalhoso, mas era a opção mais rápida para chegar. Nathan tinha a mania de parar e ver tudo que o intrigava, desde um simples pássaro até uma loja de artigos esportivos.
Foram três quarteirões até Lyra conseguir ver a figura do namorado. Ele parecia impaciente, e ao ver Nathan no colo dela, Lyra não soube distinguir se Draco fez uma cara de choque ou horror.
- Desculpe a demora. – falou Lyra, descendo Nathan até o chão. – Atrasamos.
- Não diga. E por favor, diga que o verbo não está no plural. – Draco lançava breves olhares ao garoto, que era a miniatura do irmão mais velho.
- Foi de última hora, eu juro. – ela abriu um pequeno sorriso. – Considere isso como um desafio, querido.
- Aturar o Potter fedelho é um desafio? Eu mal dou conta do outro! – exclamou o loiro.
Lyra o fitou brava, depois abaixou-se e cochichou algo que somente Nathan ouviu. Ele fez que sim com a cabeça e foi dar uma olhada na vitrine de um PetShop ali do lado.
- Você é um insensível, Draco Malfoy! Pobre garoto ouvir uma coisa dessas, antes mesmo de entrar em Hogwarts, já vai saber das rixas que tem lá dentro.
- É melhor começar cedo.
- Olha que eu passo o dia com ele, e te deixo de lado. – falou Lyra num tom levemente ameaçador.
- Vai me trocar por esse nanico?
- Ciúmes, amor?
- Mas é obvio que não! – Draco passou a mão pelos cabelos, tirando a franja dos olhos. Respirou fundo e fitou a namorada, ela não iria dar o braço a torcer, não mesmo. E era melhor conformar-se com isso. – Aonde nós vamos levar o anãozinho?
- Viu? Usar as palavras no plural não é tão ruim. – Lyra olhou para Nathan. Com a companhia do menino, não poderiam ir à qualquer lugar, e de Draco também, o loiro não iria à um lugar típico cheio de trouxas mas nem amarrado. Só havia uma coisa que os dois tinham em comum que ela tinha conhecimento. – Quadribol, é isso.
- Quadribol?
- É! Ele se distrai e a gente passa o tempo – Lyra o fitou maliciosa. – fazendo outras coisas.
- Não é uma idéia tão cabulosa. – Draco sorriu e a puxou para mais perto, para o primeiro beijo do dia.
- Conhece algum campo de aluguel? – perguntou Lyra, separando seus lábios do dele a muito custo.
- Conheço coisa melhor que isso. Chama o pirralho para a gente ir.
- Você não cansa dos apelidos, não? – Lyra meneou a cabeça, já imaginando a resposta.
- Não. – respondeu ele sem vacilar. – É um vício, é só começar para não parar mais.
- E quando você começou com esse seu vício? – embora já soubesse mais ou menos a resposta, Lyra fez a pergunta. Conheceu Draco quando ambos tinham cinco, e na época ele já era um tanto arrogante e com uma enorme boca para xingar.
- Provavelmente com três anos. – falou Draco com simplicidade. – Agora vá chamar o cabeçudo.
- Por Merlin, eu vou precisar de uma grande dose de paciência para agüentar vocês dois. – disse ela, começando a se afastar de Draco.
- Lembre-se que foi você que pediu por isso!
Draco aparatou com os dois em um lugar um pouco afastado de Londres. O gramado estava coberto com um pouco de neve, em menos quantidade que na cidade, havia uma enorme casa de madeira e pedras, no outro extremo um outro alojamento mas menos sofisticado e, por fim, ao logo ali à frente, um campo de quadribol. Aquele lugar era a base de treinamentos do Goldback Bullets, um dos times da liga juvenil da Grã Bretanha.
- Eu disse que conhecia um lugar melhor. – falou Draco enquanto ajeitava as vestes.
- Estou vendo. – Lyra leu o nome do time em uma espécie de placa ao lado da casa maior.
Nathan mantinha-se calado, observava tudo boquiaberto. Não chegava a ser fã do time, afinal, preferia as ligas principais, mas nunca estivera numa base de treinamentos. Deu um puxão na mão de Lyra para que apressassem.
- Vamos. – Draco os guiou até o campo, onde um grupo de jogadores treinava. Um deles ao ver os visitantes, fez sinal para os demais pararem com o jogo, e desceu até o solo ao encontro de Draco.
O jogador não parecia ter mais do que vinte anos. Era moreno dos olhos muito negros e tez um pouco mais clara que a de Draco, embora fosse bastante difícil isso acontecer. Era alto e com ombros largos, provavelmente batedor, dava quase dois do loiro à sua frente.
- Draco, meu rapaz! – falou o moreno abraçando o recém-chegado. – Finalmente aceitou meu convite de se juntar ao time? Ainda tem uma vaga de apanhador lhe esperando.
- Não foi dessa fez, Martin. Estamos só visitando, se não se importa.
- Não diga uma asneira dessas, é mais do que bem-vindo aqui. – Martin virou-se para os outros dois, que ainda não tinham dito nenhuma palavra. – Martin Avery, muito prazer. – e beijou rapidamente a face de Lyra, em seguida apertou a mão de Nathan.
- Esta é Lyra Black. E este é….
- Nathaniel Potter. – respondeu Nathan entusiasmado.
- Vai jogar hoje conosco, Draco? – perguntou Martin.
- Eu passo, mas o fedelho vai. – Draco lançou um olhar significativo à Lyra, como se pedisse permissão para mandar o garoto jogar. Ele estava louco para ficar a sós com a namorada, há tempos que não ficavam somente juntos e sem interrupções, e a presença do menino não estava ajudando. Lyra fez que sim com a cabeça e Draco alargou o sorriso. – Algum problema?
- De maneira alguma. – falou Martin bagunçado os cabelos de Nathan com a mão livre da vassoura. – Você deve ter a idade do meu sobrinho, a vassoura dele deve servir para você.
- Err... Martin? – chamou Lyra, e o moreno parou de caminhar. – Ele tem seis.
- Não se preocupe, nos tomamos cuidado. – Martin olhou para cima, vendo os outros jogadores observarem, curiosos. – O pessoal ainda está meio passado das festas, não vamos pegar pesado hoje. Será apenas uma leve brincadeira.
Draco e Lyra observaram os dois morenos se afastarem. Nathan tagarelava algo entusiasmado, e Martin parecia um tanto surpreso com o que ele dizia.
Ela sentiu o braço de Draco cingir sua cintura, puxando-a para perto do corpo dele.
- Ele vai ficar ótimo. Se um balaço explodir a cabeça dele, a gente arruma outro garoto. Agora o difícil vai ser achar um tão cabeçudo. – assim que acabou de falar, Draco deu dois passos para trás fugindo da mão de Lyra.
- E eu faria picadinhos de você e daria o resto para os cães. – Lyra revirou os olhos, começando a segui-lo. Iam para a casa maior, ali no campo não havia nem lugar para se sentarem, além do fato da grande possibilidade de serem atingidos por um balaço na cabeça.
- Lyra, Lyra, você é muito boazinha para tal feito. – falou Draco, esperando que ela o alcançasse. – Se o fizesse, estaria na Sonserina.
- Fique esperto, pois eu estou com a varinha entre os dedos.
Eles caminharam até a casa, conversando. Aparentemente, Draco conhecia a todos ali, assim que chegaram, uma senhora trouxe-lhes um pouco de chá e biscoitos. Ele trocou algumas palavras com a mulher, e Lyra sentou-se em uma das mesas da varanda. Era uma espécie de sítio, ou fora. Não pôde ver muito bem, mas Lyra observou um pouco o ambiente interno da casa. Havia dois homens conversando sobre quadribol, um elfo carregando uma trouxa de roupas sujas e a mulher que acabara de lhes servir tinha entrado na casa e passava algumas instruções ao elfo.
A varanda estava agradável, não fazia tanto frio como nos outros dias. Lyra olhou para os lados e viu mais três ou quatro mesas como aquela espalhadas e duas pequenas poltronas de couro mais adiante.
- Então, você disse que ia me compensar, senhorita Black. Vai quebrar sua promessa?
- Ainda estou pensando se você merece algo, senhor Malfoy. – Lyra olhou para Nathan, que agora já sobrevoava o campo.
- O anãozinho vai ficar bem, Lyra. Ademais, não é todos os dias que se pode jogar com os Goldback Bullets.
- É bom que fique mesmo, pois se acontecer alguma coisa a ele, eu juro que...
- Se ficar pensando nisso, aí é que as desgraças acontecem. Esquece o moleque. - Draco lançou um olhar de viés ao campo, depois voltou a fitar a namorada.
Lyra meneou a cabeça. Ria de como Draco estava tranqüilo daquele jeito, não tinha o semblante preocupado ou o olhar perdido, a atenção dele estava voltada cem por cento para ela, e isso quase nunca acontecia. Sempre havia algo a mais rondando na mente de Draco Malfoy.
- Eu sei que está com saudades dos meus beijos.

O loiro arqueou a sobrancelha direita, um tanto surpreso. Nunca abaixava a guarda de seus pensamentos, não permitia que mais ninguém viajasse pela sua mente, mas Lyra conseguiu pular a barreira que ele criara. O talento que lhe faltava para Poções, era ganho pela Legilimência, e era uma pena que ela quase não a utilizasse.
- Agora você gosta de Legilimência, é? – Draco bebericou um pouco da bebida. – Pensei que fosse coisa de enxerido.
- Ainda tenho esse pensamento, mas a curiosidade de saber o que mantém Draco Malfoy tão feliz hoje bateu mais forte.
- Isso é muito fácil de responder, mi amore: você.
- Oh, Draco. – Lyra derretera-se completamente com as palavras dele. Chegou seu rosto mais perto do dele, depois o beijou de forma terna, sentindo um leve gosto de menta vindo dos lábios dele. – Você realmente sabe como me fazer dar o braço a torcer, não é?
- Mas é claro. – ele dava leves selinhos a cada palavra pronunciada. – Eu te conheço, garota. Eu te conheço.
Dizendo isso, ele a puxou para mais um beijo apaixonado.

Quando deixaram o campo de quadribol dos Goldback Bullets era quase noite. Nathan estava imundo e com as vestes molhadas, mas não se importava. Tagarelava como o time jogava, ou que ele tinha conseguido pegar o pomo algumas vezes.
Lyra balançava a cabeça, tentando passar a mensagem que compreendia o que o menino dizia. Nathan falava tão rápido e sempre atropelando as palavras, que ela não acompanhava o raciocínio do menino.
- O Martin disse para eu voltar daqui há uns dez ou doze anos para tentar a vaga de apanhador. – contou Nathan, com os olhos brilhantes.
- Meu pai e o padrinho vão ficar felizes em ouvir isso. – Lyra assanhou os cabelos negros do pequeno e lançou um olhar indagador ao namorado. – Já vai voltar para Wiltshire?
- Era o plano. – falou em voz alta, depois chegou ao pé do ouvido de Lyra e cochichou apenas para ela ouvir: - Têm planos melhores?
- Depois eu te conto. Nate? – Lyra chamou pelo menino. – Você vai dormir lá em casa hoje.
- Eu sei. – ele deu de ombros. – Harry me falou hoje cedo quando pôs o meu pijama na mochila.
- Maravilha. – Draco bufou. – Esse seu amigo é um tremendo de um imbecil.
- Concordo plenamente. - Lyra revirou os olhos e começou a imaginar uma pequena retribuição.
- Não se preocupe, Nathan vai levar uma pequena surpresinha dos gêmeos Weasley para casa.
- Um pelúcio também seria interessante. – falou Draco em tom de descaso.
- Só se eu quiser passar vários finais de semana sem almoçar na casa dos meus padrinhos.
Draco acabou optando em ficar por mais algum tempo. Não iria recusar o pedido de Lyra. Ela sempre fazia um pequeno beiço nos lábios, que ele achava simplesmente irresistível. Se já era assim com dezessete anos, tinha medo de pensar em como era sua persuasão quando criança.
A casa dos Black estava mais arrumada que da última vez em que estivera ali. Ouviu Lyra mandar o menino subir e tomar banho, depois virou-se para Draco.
- Meu pai contratou uma nova arrumadeira. – falou ela. Pegou o casado do loiro e o guardou junto ao dela, no armário perto da entrada.
- Eu já imaginava. Você não iria mexer um dedo para estabelecer um pouco de ordem aqui.
- Ainda bem que você me conhece.
Lyra o guiou até a cozinha impecavelmente limpa. Pegou um saco de pão de forma no armário e umas vasilhas na geladeira. Ofereceu um sanduíche a Draco, mas este recusou, então seria somente um para Nathan.
- Mais tarde eu peço comida. Gosta de chinesa? A entrega é rápida.
Draco piscou, sem captar a mensagem.
Lyra sorriu e explicou que os restaurantes trouxas faziam entrega em casa
- Nem morto. Eu comer essa comida imunda de trouxa. – ele fez uma careta. – Por Merlin! Você é a pior dona-de-casa do mundo. – riu o loiro.
- Correção: eu não vou ser uma dona-de-casa. Cozinha me dá arrepios, e eu só olho para uma vassoura em um jogo de quadribol.
Draco meneou a cabeça em negativa. Caminhou pelo ambiente, procurando por algo. Abriu o armário de onde Lyra tirou o pão. Tateou a mão por dentro deste, e pegou uma caixa de macarrão.
- Fique à vontade. Só não se esqueça de ver se isso aí – apontou para a caixa que acabara de pousar sobre a mesa. – não passou da validade, pois eu não mexo muito nos armários. Exceto para pegar pão e cereal.
- Seu pai também tem essa eficiência culinária? – brincou Draco. – Pode ser hereditário.
- Até que não, o problema dele é a preguiça mesmo. Então, geralmente vamos a um restaurante ou à casa dos meus padrinhos.
- Sanguessugas nem um pouco.
- É a lei da sobrevivência, meu caro. – Lyra apenas observava o rapaz fuçar na geladeira. – Pensei que tivesse elfos para fazer suas vontades.
- E tenho, mas isso aqui até o cabeçudo lá em cima consegue fazer.
- Obrigada por me igualar a uma criança de seis anos. – apontou o dedo indicador de forma ameaçadora. – Você não se cansa dos apelidos, não?
- Pensei que gostasse.
- Chamar a Trelawney de antena parabólica pode, mas chamar uma pobre criança de cabeçudo é maldade. – Lyra falou entre risos.
Depois de Lyra explicar o que eram as antenas nos telhados das casas trouxas, Draco as associou imediatamente com a professora de Adivinhação.
- Gosta de um, se acostuma com o resto. É um apelido carinhoso. – falou o loiro, com um tom de cinismo na voz.
- Imagina os que não são.
Lyra observava o rapaz atentamente. Agora compreendia como ele conseguia cozinhar com tanta facilidade, era como preparar poções. Cortar, misturar, ajustar a temperatura, eram quase as mesmas coisas que faziam na aula de Poções, mas com resultados menos defeituosos e menos desastrosos. O máximo que poderia acontecer era a comida ficar ruim, já na aula de Poções, o caldeirão explodiria com o menor dos erros.
Já haviam se passado alguns minutos quando Nathan desceu, vestindo pijamas e pantufas de leão, o que fez Draco revirar os olhos. O menino tinha os cabelos molhados, mas não sentia frio, e as bochechas rosadas. Sentou-se à mesa e começou a devorar o sanduíche com o suco de abóbora.
Draco olhava pela janela, esperando os ingredientes acabarem de cozinhar. Pairou o silêncio no ambiente, Lyra não estava mais lá, tinha ido pegar os pratos no armário da sala. Agora só restavam ele e o garoto ali.
Pensava em uma maneira de escapar da reunião do dia seguinte, mas isso não seria possível com o pai em casa. Lucius o levaria para a mansão Riddle nem que fosse arrastado.
Estava distraído, e não percebeu que o barulho de talher havia parado já fazia algum tempo. Estranhou, ele ainda não tinha acabado de comer.
Nathan tinha o olhar vidrado na janela que Draco fitava, mas não era só isso. Suas íris acinzentadas estavam quase brancas, e o rosto mais alvo do que nunca.
O loiro franziu o cenho e se aproximou.
- Garoto? – falou, estalando os dedos perto do ouvido do menino. – Garoto?
Não houve resposta.
- Ótimo, ela o envenenou e eu vou ser julgado como cúmplice. – revirou os olhos.
Após dizer isso, Nathan virou-se para Draco.
- O herdeiro está por vir.
Draco piscou algumas vezes. Sua imaginação estava ficando real demais para seu gosto.
- A primeira geração com a mistura do sangue dos quatro e de um cavaleiro está por vir. Poderá marcar seu tempo com trevas e luz, mas isso dependerá de escolhas.
- Garoto? O que você cheirou? Por Merlin, não me diga que Martin lhe deu um daqueles cogumelos mexicanos.
- Terá como guardiões a harpa e o dragão.
Aquelas últimas palavras ficaram rondando na cabeça de Draco por um bom tempo. Os olhos de Nathan voltaram à coloração normal, junto com a cor de suas bochechas. O menino parecia ter saído de um transe, ficou tonto no principio, mas agora achava divertida a cara de choque de Draco.
- Por Salazar! – Draco passou a mão pelos cabelos, não tirando os olhos do garoto. Ele comia o sanduíche tranquilamente, era como se nada tivesse acontecido. – Você já fez isso antes, anãozinho?
Nathan pegou o guardanapo e limpou a boca, depois tomou um gole de suco. Aquela lerdeza era uma das coisas que mais irritava Draco, e parecia ser hereditária, pois o irmão mais velho era uma lesma, quase parando.
- Às vezes; aparece mais enquanto eu durmo.
Draco tinha mais perguntas na ponta da língua, mas se conteve. Lyra tinha acabado de entrar na cozinha.
- Draco? O que vocês estão fazendo? – ela depositou os pratos sobre a mesa, e encarou o namorado, com o cenho franzido. – Não vai me dizer que você está assustando-o de novo.
- Quadribol. Ele acha – apontou para Draco, rindo forçadamente, embora Lyra não tenha percebido a farsa. – que os dragões de Liverpool ainda têm chance de vencer o campeonato nacional. Mas eles estão fora da liga!
Lyra riu e afagou os cabelos de Nathan, esse lançou um olhar significativo ao loiro à sua frente. Estava que mais ninguém sabia.
- Mas que péssimo gosto, Draco. – Lyra meneou a cabeça, sorrindo matreira.
Draco sorriu levemente, depois deu a desculpa que tinha de ver o jantar para se afastar deles. As palavras do menino não saíam de sua cabeça, e repetiam-se constantemente. Já tinha ouvido falar daquele tipo de bruxo, que faziam predições, porém nunca conheceu nenhum, era raro encontrar um com o verdadeiro dom.
Sabia que o garoto não estava mentindo, seus olhos diziam a verdade. Além do mais, uma criança de seis anos não saberia fingir tão bem, e mesmo que soubesse, não havia razão para tal feito.
Mesmo que aquela espécie de profecia fosse verdade, nunca fora do tipo de acreditar em predições futurísticas. Precisava de provas ou de algo concreto para concordar com as palavras ditas pelo garoto. Não possuía muitas crenças, e talvez fosse por isso que não levava aquele tipo de coisa a sério.
- Nathan. – Lyra chamou pelo menino. – Já para cima, e cama. Senão amanhã você fica igual à um zumbi e sua mãe me mata.
- Mas está cedo. – falou o menino por entre um bocejo e outro. – Não estou cansado.
- Claro. Vamos, chispa!
- Já vou, já vou. – desceu da cadeira vagarosamente, depois saiu da cozinha. Não subiu para o quarto de imediato, passou na biblioteca e pegou um dos antigos livros infantis de Lyra.
Lyra sorriu e não tirou os olhos de Nathan até sua imagem desaparecer pela escada.
- Você está calado. – Lyra aproximou-se do loiro.
- Eu sou calado, é diferente. – ele tentava disfarçar o semblante intrigado, esboçando um sorriso nos lábios finos. Levou a colher com um pouco de macarrão à boca de Lyra, esperando que isso desviasse o assunto.
- Putz! Quem diria que o mimado Malfoy teria dotes culinários tão bons.
Draco alargou o sorriso. Funcionou.
Passou o dedo ao lado dos lábios de Lyra, limpando um respingo do molho.
- Aonde você...
- França. Passei um verão em Paris, na casa de um amigo. E, bem, ficar quase dois meses na França e sair de lá do mesmo jeito que chegou é meio difícil.
- Tecnicamente...
- Você é um caso à parte. – Draco a cortou, puxando o corpo dela para mais perto. Uniu seus lábios, podendo sentir o gosto do tempero picante do jantar. – Autêntica.
- Sim, eu sou autêntica. – sorriu Lyra, puxando-o pelo colarinho da camisa para mais um beijo.
A noite transcorreu tranqüila, eles jantaram, depois Draco ficou fazendo hora até às oito, quando tinha de voltar para a Mansão.
- Você tem mesmo que ir? – perguntou Lyra, fazendo um pequeno beiço nos lábios.
- Tenho. E não adianta fazer essa cara de hipogrifo sem dono, porque eu não vou voltar atrás.
- Insensível. – Lyra revirou os olhos e ele sorriu. Desafiante, roçou os lábios nos dele, e quando este já estava pronto para aprofundar o beijo, ela virou o rosto, e o beijo saiu na trave.
- Até a volta, Draco. – Lyra o fitou de maneira cândida, depois começou a se afastar para dentro da casa.
- Você foi parar na casa errada, garota. – Draco deu uma rápida piscadela.
A porta fechou-se, e a imagem de Lyra não estava mais lá. Draco respirou fundo, começando a caminhar pela calçada, iria aparatar em um lugar mais isolado. Se um trouxa o visse simplesmente sumir, lhe traria problemas e uma bela dor de cabeça com o Ministério buzinando em seu ouvido.
Logo à frente, havia uma casa com a placa “Vende-se” pendurada no portão entreaberto. Aquele seria o lugar ideal para aparatar.
Passou pelo portão enferrujado, quase deixando a placa cair sobre a neve. Havia um jardim mal cuidado, cheio de moitas e com uma piscina vazia.
Correu os olhos pelo lugar, procurando por algum curioso. Riu com desdém, estava tendo trabalho demais apenas para que os trouxas não o vissem. Teria sido melhor aparatar em frente à casa de Lyra e deixar que o trouxa enxerido que o visse pensar que estava enlouquecendo.
- Eu disse que iria encontrá-lo aqui.
Draco reconheceu a voz de imediato e virou-se para encarar o sorriso irônico que Knox ostentava. Ele estava todo de preto, com a capa negra cobrindo-lhe até os pés. O capuz encobria a cabeça e os cabelos escuros, só deixando à mostra o rosto pálido e ossudo do jovem comensal.
- O que você quer, Knox? – indagou Draco, seco.
- Ora, Malfoy, eu estou apenas fazendo um favor. A reunião foi antecipada para esta noite. – Knox sorriu de escárnio. – Ele faz questão da sua presença hoje.
- Quem mandou você aqui?
- Seu pai, claro. Eu disse que sabia que estava enfurnado na casa da Black. Ops... Lucius não sabia, não é mesmo? E ele não ficou nada satisfeito com a sua nova distração.
Draco apertou a varinha dentro do bolso da calça. Tinha vontade de estourar a cabeça do colega de casa naquele instante, mas haveria outras oportunidades. Era melhor azucriná-lo na escola. Sendo monitor chefe e capitão do time, conseguia dificultar bastante a vida de Knox.
- A reunião começa em vinte minutos. Aparate na Mansão Riddle, quase todos estão lá. – Knox tirou uma espécie de máscara prateada de caveira e a colocou sobre o rosto.
O loiro assentiu a contra gosto. Fechou a cara, e fez discretamente um gesto obsceno com a mão entes de desaparecer.
- Estou à caminho, milorde.
A figura encapuzada de Knox desaparecera, dando lugar à um corvo que voava por entre a escuridão.




N/B.: Ola pessoas =D aqui eh a Jor postando pra Lena /senta na cadera grande e se acha poderosa/ então... assim, eu tenho uma noticia boa e uma terrível pra compartilha u.u
bom , como no geral as pessoas preferem a boa primeiro, eu vo ser do mal e falar a ruim antes =]

Noticia Ruim: vocês não sabem o q aconteceu!! =O~ O pc da lena fudeu intero e foi pro conserto ontem, e tipo ela disse que o cara eh bem lento e que os danos foram enormes, logo pra ela pode começa escreve outro cap soo daki um mês, no mínimo e sendo otimista bagaraio T.T

Noticia Boa: vocês acabaram de ler um ótimo capitulo não eh mesmo? /sorriso com dente quebrado/

Noticia MaisouMenos: a Lena quer ver comentários, afinal a coitada vai passa um mês longe da gentee sem coments ela vai ficar desanimada, oká?

Noticia Propagandonistica: largem de ser preguiçosos, levantem a bunda gorda da cadeira(?) e tratem de ver a preview u.u
eu ate consegui por a musica agora o/
evoluçao sacas? ;D
a Lena vai fica tao orgulhosa qndo ela volta i.i~ eu ja disse q isso eh soh daki um mes? ;~

Creio q por hoje eh só, até logo, e não morram de saudade da Lenoca ;*



N/A1: Ok, certo, a Jor disse para deixa vocês sofrerem mais um tiquinho, mas, porem, todavia, rsrs, eu teno dó do povo, ^^" Meu pc volta em poucos dias, mas eu tenho acesso à net em outro pc, menos mal.

N/A2: Agora vamos ao meu comentário do cap. Ficou meu açucarado e curtinho, não? Escrevi durante às aulas de filosofia, e é meio dificil escrever e ainda prestar atenção nos principios de Maquiavel, rsrs. Agora eu vou att com mais frequencia, pretendo acabar com a fic ainda esse ano, e digamos que estamos na metade da fic, ehhh. Bom, a única pista que eu dou sobre a profecia do Nate é: são detalhes. Prestem atenção nos detalhes que vocês vão sacar rapidinho o que está acontecendo. Espero que tenham gostado do cap e não esqueçam de ver a prévia do proximo cap, pq a coisa está começandoa a esquentar. Beijos e até a próxima.

Right-O!
o/
[só pra descontrai o ambiente n.n]

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