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38. A Carta


Fic: Severus - A partir de Agora (Snape/OC) NC17!! - Indicada para o Multifaceted na categoria Dark


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________







Este capítulo é dedicado a Lud






Este capítulo é
dedicado a Lud, Lessa, Sett, Granger, Maki, Shey e a todas vocês.



 



J.K. é a dona, só estou
me divertindo. E não estou ganhando dinheiro com isso.



Por favor, não me
processe, eu não tenho nada.



Agradeço a todos os
bons autores que li. Com certeza muito influenciaram.



E como disse um deles,
se você reconhecer algo, não é meu.



 



Capítulo 38              A
Carta.



         
                       Eu te amarei, eu prometo...
           



 


FROM THIS MOMENT ON  (A
partir deste momento)  
– SHANIA TWAIN – 1998



 



FROM THIS
MOMENT, LIFE HAS BEGUN



A partir deste momento, a
vida começou



FROM THIS
MOMENT, YOU ARE THE ONE



A partir deste momento, você
é o único



RIGHT BESIDE YOU
IS WHERE I BELONG



Ao seu lado, é o lugar a que
pertenço



FROM THIS MOMENT
ON



A partir deste
momento



FROM THIS
MOMENT, I HAVE BEEN BLESSED



A partir deste momento, estou
abençoada



I LIVE ONLY…  
FOR YOUR HAPPINESS



E vivo apenas ... para a sua
felicidade



AND FOR YOUR
LOVE I'D GIVE MY LAST BREATH



E para o seu amor eu lhe
darei meu último suspiro



FROM THIS MOMENT
ON



A partir deste
momento



I GIVE MY HAND
TO YOU WITH ALL MY HEART



Eu lhe estendo a mão com todo
o meu coração



I CAN'T WAIT TO
LIVE MY LIFE WITH YOU, I CAN'T WAIT TO START



Mal posso esperar para viver
minha vida com você ...



Mal posso esperar para
começar



YOU AND I WILL NEVER BE APART



Você e eu jamais estaremos
separados




MY DREAMS 
CAME TRUE  BECAUSE OF YOU



Meus sonhos, se realizaram,
por sua causa



FROM THIS
MOMENT, AS LONG AS I LIVE



A partir deste momento,
enquanto eu viver



I WILL LOVE
YOU, I PROMISE YOU THIS



Eu te amarei, eu prometo...



THERE IS
NOTHING I WOULDN'T GIVE



Não há nada que eu não
daria



FROM THIS
MOMENT ON



A partir deste
momento



YOU'RE THE
REASON I BELIEVE IN LOVE



Você é a razão pela qual
acredito no amor



AND YOU'RE THE
ANSWER TO MY PRAYERS FROM UP ABOVE



E você é a resposta das
minhas preces aos céus



ALL WE NEADIS
JUST THE TWO OF US



Tudo que nós precisamos é
apenas nós dois ...



MY DREAMS  
CAME TRUE   BECAUSE OF YOU



Meus sonhos se realizaram
por causa de você



FROM THIS
MOMENT,  AS LONG AS I LIVE



A partir deste momento,
enquanto eu viver



I WILL LOVE
YOU,  I PROMISE YOU THIS



Eu te amarei, eu lhe
prometo ...



THERE IS
NOTHING, I WOULDN'T GIVE


Não há nada, 
que eu não daria



FROM THIS
MOMENT   I WILL LOVE YOU



A partir deste momento  eu
te amarei



AS LONG AS I LIVE



Enquanto eu viver



FROM THIS
MOMENT ON



A partir deste
momento...



 



~ ~ * ~ ~



 



Não tinha sido realmente
fácil no início.



Ele não parecia estar...
acostumado à afeição física constante. Ou à presença dela e de Anna.



Anna, que chorava, dormia,
tomava banho, sujava fraldas e suas roupas de bebê.



E quando ele tinha franzido a
sobrancelha ao ver algumas roupas em sua cama, ela tinha procurado deixar as
coisas de Anna no quarto da pequena, com Winky.



Minerva e Pomfrey tinham
ajudado. Ensinando-a como fazer com que Anna arrotasse, ensinando-a a amamentar
corretamente, a cuidar de si e do bebê. Que tinham ajudado quando o umbigo caiu
ou quando ela tivera dor de barriga. E chás. E poções. Cristo! Às vezes pensava
que havia poções demais para um bebê tão pequeno.



Estavam se adaptando.
Acostumando-se com a presença constante um do outro.



Ele estava se ajustando às
suas coisas que não estavam exatamente no lugar em que tinha deixado.



Roupas junto das dele, ou que
eram guardadas sem ele perceber. Coisas ao lado das suas.



Coisas femininas. Maquiagem,
produtos de banho.



Mas havia a guerra. E muito a
ser feito.



Muito em sua mente.



 



~ * ~



 



Verificava os arredores.
Conhecendo seus novos... aposentos.



Passeando a mão de leve pelos
livros. Um lembrete em sua mente que poderiam não ser exatamente... livros.
Então lembrou-se.



Virou-se, andando devagar até
a estante. Estendeu a mão. O livro tinha um pouco de poeira.



Tirou-o. Não precisou de
muito para perceber a carta ainda lá. Dentro do livro. Fechada.



Hesitou.



Pensando se era melhor...



Devolveu o livro à estante.



Voltando para o quarto.



~ ~ * ~ ~



 



A vida no castelo estava
normal, na medida do possível, pelos próximos dias.



Enquanto havia raros
professores. Todos ocupados, executando o que era planejado pela Ordem.



Trocando informações, ativos,
sem descanso.  



Eles estavam casados. Ainda
assim. Não estavam juntos sempre.     Havia a guerra.



Um mês. Mais.



Sua recuperação estava sendo
incrível. Muito mais rápida do que, ela sabia, as mulheres trouxas tinham. Ainda
via Pomfrey na enfermaria, embora a bruxa arranjasse invariavelmente uma
desculpa para ir até ela, até Anna. Conversava com Minerva, trocava corujas com
Hermione, mas via Hagrid e os outros raramente. Comendo algumas vezes em seus
quartos novos, cuidando de Anna.



Anna. Que a absorvia. Nunca
imaginou que saberia tanto sobre fraldas. Feliz que o balde no quarto as fariam
desaparecer após um segundo, impedindo o cheiro de se espalhar por mais tempo.
Mas tinha rido sozinha quando uma coruja tinha chegado com fraldas descartáveis,
presente de Hermione. Mostrara a Winky que não pareceu entender completamente
qual a vantagem de algo que se usava e não podia ser reaproveitado. Conversava
com ela enquanto dava banho em Anna.



E apesar de tudo, havia as
noites.



Deu um pequeno sorriso.



Mesmo que ele se afastasse
quando ela percebia os pesadelos. Indo dormir no sofá.



Entristecendo-a.



Ou quando o via pela porta
entreaberta andando em seu escritório, como se estivesse... acuado. Livros
espalhados por todo lado. Ou mesmo quando ele se enfurnava naquele seu
laboratório, sumindo por horas.



Uma fuga. Que ela respeitava,
entendendo que ele precisava de seu “espaço”. Sem elas.



Suspirou.



 



~~*~~



 



Não podia.    Não ia
conseguir.



Tirou Anna de seu peito.
Agradecendo aos céus por ter conseguido alimentá-la.



A pequena começou a reclamar.
Pela primeira vez, aquilo não fez com que agisse normalmente.



‘Cristo!’
 –  mordeu o lábio em dor.



– Winky!



Quando a elfo apareceu,
entregou-lhe Anna para que cuidasse dela sem uma palavra, engolindo em seco.
Winky pareceu perceber sua agitação. Pegou Anna, que reclamava em seus braços e
a levou sem uma pergunta para o outro quarto.



Fechou os olhos. Ainda podia
ouvir os resmungos de Anna.



O aumento da dor a fez
dobrar-se sobre si mesma. A respiração rápida; gotas de suor apareceram em sua
testa. Mordeu o lábio com mais força, sentindo o gosto de sangue, enquanto
permitiu que um pequeno gemido escapasse deles.



Pouco depois a dor diminuiu.
Levantou o corpo trêmulo, a respiração voltando lentamente ao normal.



Passou a mão pela testa para
secá-la.



Talvez devesse ter pedido uma
poção. Se ao menos tivesse se lembrado de como era tão intensa!



Não que fosse agradável pedir
algo a ele. Não enquanto estava se comportando como um... bastardo.



Fechou os olhos respirando
profundamente. A irritação aumentando.



Devia ter percebido o que
era. Tinha estado irritada nos dois últimos dias.



Ouviu um barulho. Sequer se
incomodou em olhar.



Deu alguns passos lentos em
direção à lareira. Esperou que o fogo a esquentasse.



Que afastasse o frio. E
acalmasse sua irritação.



‘Masmorras amaldiçoadas.”



Sentiu a presença no quarto.
Não se moveu.



Ele franziu a testa,
olhando-a. E então seus olhos se dirigiram para a porta do quarto de Anna.



De onde os resmungos que
chegavam até eles, finalmente cessaram.



Nina soltou a respiração em
alívio. E então outra onda de dor começou. Voltou a morder o lábio.



– Nina.



Nenhuma resposta.



Raiva começou a tomá-lo. Ele
tinha tentado. Procurado ignorar quando ela tinha manifestado uma irritação não
comum. Pensou que podia ser reflexo de sua própria irritação por ter seu espaço
invadido. Apesar das... compensações.



Adaptação. Não era assim que
chamavam? Não sabia. Não tinha nenhuma experiência com esse tipo de situação.
Nunca tinha pensado que precisaria ter.    Então tinha tentado.



E agora... Agora a raiva o
dominava.



Então era assim que sua
esposa nova se comportava quando ele era obrigado a se demorar?



Por um simples jantar
perdido?



Em dois passos estava nela.



– O que infernos está
acontecendo? – a voz fria foi acompanhada pelo aperto de aço em seu braço.



– NADA! – respondeu irada,
voltando-se, enquanto se livrava dele com um safanão. – Nada!



Ele a segurou de novo, com
força. A irritação que aumenta continuamente.



Então era a hora de
esclarecer algumas coisas.



– Bom! – vociferou – Porque
casado ou não, eu tenho responsabilidades! Dentro e fora desse Castelo! E sendo
meus estudantes uma delas, eu não terei hora para ir ou vir quando meus
sonserinos precisarem de mim. – Respirou. – Eu me fiz entender? – terminou num
rosnado baixo.



‘Como você ousa?’



Sentiu a fúria dominá-la.
Encarou-o. Raiva era bom. Ajudava a controlar a dor que a fazia tremer.



– Pois você pode ir para o
inferno com esses seus estudantes sangrentos! – rosnou, como ele havia feito –
Já que é um tolo tão arrogante que precisa me insultar com algo, que se eu já
não soubesse, não seria difícil supor. – respirou enraivecida, soltando-se
novamente ao levantar o braço – Posso ser uma trouxa, mas não sou uma imbecil! –
atirou brava – Então, não me trate como uma!



Mas seu discurso perdeu um
pouco da força quando foi forçada a se contrair com a dor, enquanto fechava os
olhos.



Ele perdeu a paciência.



– O que maldição está
acontecendo?



Ela respirava depressa. Mas
ainda levantou a cabeça para enfrentá-lo.



– NADA! – gritou nele;
respirou de novo para adquirir controle enquanto o encarava com olhos brilhantes
– Você, homem irritante, pode voltar a se enfurnar naquele seu... laboratório
amaldiçoado e me ignorar! Ou pode deitar-se neste sofá infernal, sem nem
precisar esperar pelo meio da noite! – respirou mais uma vez, mergulhando em
pretos, a raiva suplantando a dor – Acha mesmo, Severus, que eu não vi seus
pesadelos? Que eu não sei quando você não consegue dormir? O que maldição você
pensa que eu sou? Uma imbecil que...



Um gemido escapou de seus
lábios, enquanto ela se dobrou sobre si mesma. A dor forte demais dessa vez.
Bateu a cabeça em algo duro. Percebeu, de longe, que era no peito dele quando
dois braços a rodearam, impedindo-a de cair.



– Nina?



Não respondeu, os olhos ainda
fechados. Sentindo que ia desmaiar.



‘Cristo! Dói muito...’



Flutuou. Vagamente sentiu que
era colocada na cama. Enrolou-se numa posição fetal, mordendo os lábios,
tremendo.  O suor que desce, enquanto apertava o ventre.



– Nina, você tem que me dizer
o que está acontecendo. – mandou.



Ele estava preocupado?



Bem feito!



Outro gemido escapou de seus
lábios. A respiração entrecortada.



‘Oh, Deus...’




Eu não agüento mais. – gemeu mantendo os olhos fechados.



– Diga-me o que houve! –
rugiu.



– Dor! – rosnou de volta,
apertando o ventre – Não reconhece?



Não havia motivos para estar
envergonhada.  Ele não ia fazê-la sentir-se assim!



Percebeu, de repente, que ele
estava imóvel.     E então ele se afastou.



Podia ouvir seus passos
saindo rápido do quarto.



Lutou contra a sensação de
abandono.



“Vá, bastardo.’



Mas não conseguiu lutar
contra as lágrimas.



Outra onda de dor a envolveu.
Gemeu alto, encolhendo-se, tentando respirar.



Mordeu a colcha que cobria a
cama para não gritar.



Se continuasse assim, ia
realmente desmaiar.   E isso seria bem-vindo se a deixasse longe da dor.



Só se deu conta de que ele
estava de volta quando levantou sua cabeça colocando um vidro em seus lábios.



– Beba.



Nem mesmo abriu os olhos. O
líquido frio e doce-amargo passando por seus lábios secos.



Em abençoados segundos, a dor
começou a retroceder.



Respirou com mais facilidade,
devagar soltando o corpo.



Ainda com medo que a agonia
voltasse.



Virou a cabeça, abrindo os
olhos. Encontrando pretos a poucos centímetros, por entre o cabelo escuro.



– Obrigada. – sussurrou.



Pretos. Mais calmos. Ainda
observando-a. Profundos.



Encarando-a.



– Eu não soube que podia ser
assim. – ele disse baixo.



Pensou que podia haver mais
de um sentido em suas palavras.



Talvez em reposta a seu
desabafo dirigido pela dor.



Suspirou desviando os olhos.



– Às vezes, o que menos
esperamos, acontece. – murmurou.



Que ele entendesse como
quisesse.



Fechou os olhos.



Nem mesmo sentiu quando
dormiu.



Ou viu o homem que a olhou
por um bom tempo, deitado ao seu lado, antes de se levantar.



~~*~~



Quando ela acordou já era
noite alta.



Sentia-se como se tivesse
feito muito exercício. O corpo cansado.



Levantou-se para tomar um
banho. Imobilizou-se; vendo, surpresa, que ele estava deitado a seu lado.



Não houve como ter certeza em
meio à escuridão, se ele dormia.



Foi para o banheiro.



Talvez algo bom viesse de
tudo aquilo.



Suspirou, tirando a roupa;
pensando no homem em sua cama que não tinha se movido quando levantou.



Ou talvez não.



 



~~*~~



 



De alguma forma, ele pareceu
ter entendido.  Mesmo não tendo dito uma palavra, mesmo continuando a se demorar
no laboratório, não dormiu mais no sofá. Ainda que se levantasse, após acordar
de um pesadelo, indo direto para seus armários beber de seus vidros, antes de
voltar silenciosamente para a cama.



 



~~*~~



Continuou pelos corredores
escuros. Seus passos ecoando no vazio. A reunião no escritório de Dumbledore
impressa em sua mente.



Esta noite tinha sido
inferno. A Ordem tinha notícias de mais atrocidades. Um massacre.



E desta vez ele não estivera
lá para avisar. Ignorou o fato de não o olharem nos olhos. Não se importou.



Não fazendo questão de ver
acusação neles. Ou de ter que esconder o que havia no fundo de negros.



Mas o que recordava agora
tinha vindo depois da reunião. Em meio às palavras aparentemente inocentes, de
um Albus sério, que o encarava por sobre os óculos de meia-lua.



Esta noite, ainda seria
inferno. Precisava...  Respirou pesado. Não importa o que acontecesse depois.



Ou o que poderia ver em
castanhos, quando soubesse.



Já estava em frente à lareira
e nem mesmo tinha percebido como chegara até ali.



Encarando o fogo. Esperando
por ela.



~ * ~



Entrou.



Ele estava parado em frente à
lareira. As mãos para trás.



Quieto.



Tinha certeza de que a tinha
ouvido entrar. No entanto não tinha se movido.



Franziu a testa.



– Severus? – tentou suave.



Estava tentando decidir se
ele estava tão distraído que não a tinha ouvido, quando o viu voltar-se para
ela.                          A fisionomia séria a preocupou.



– Há algo que você precisa
saber.



A voz firme, contínua, fez
seu coração disparar. Não haveria nada bom dali.



Aproximou-se. Observando as
sombras em seu rosto.



Esperou. Viu-o respirar.
Profundamente.



– Não que realmente vá...
mudar... – sua apreensão aumentou diante dessas palavras, da expressão cínica; e
de seu olhar... estranho – No entanto... penso que você precisa saber.



Percebeu o que a incomodou.
Ele não só estava tenso.



Mas surpreendentemente, tinha
deixado que parte dessa tensão transparecesse em sua voz.



Sentiu medo. Ele parecia
concentrado em observá-la.



Como se estivesse monitorando
seus sentimentos.  Procurando. Lendo em seu rosto. Em seus olhos.     Ficou
nervosa. A voz rouca, tensa.



– Severus. – não tinha
certeza sobre o que ia dizer, só queria que ele falasse logo – Seja o que for é
melhor você colocá-lo para fora de uma vez.



Viu-o endurecer-se,
ligeiramente. Só o bastante para que tivesse certeza de que havia uma couraça.



Protegendo-o.



Dela?



Tentou controlar as batidas
de seu coração.       Ele finalmente aproximou-se um pouco mais. Duro.



– Antes eu quero lembrá-la –
pausou – de que você casou-se comigo. Um casamento bruxo. Completo. Sem.
 Retorno
.  Então não há uma... possibilidade de que possa fazer qualquer
coisa... estúpida.



Não sabia o que pensar. O que
ele tinha querido dizer com seu pequeno discurso?



Ele estava distante.
Resguardando-se.    As possibilidades ameaçavam deixá-la louca.



A apreensão juntou-se ao
princípio de raiva. Ao nervosismo. À tensão da antecipação.



– Maldição! – O medo a estava
fazendo perder a paciência. – Fale o que infernos você tem para dizer de uma
vez!



Pretos brilharam. Duros.



– Muito bem. – a voz fria –
Eu lhe disse antes que você... sabia quem eu sou. – elevou ligeiramente a
cabeça – E o quê eu sou. – pausou – Isso não é... exatamente verdade. –
encarou-a – Não espere de mim revelações sobre meu passado. 



– Eu não...



– Mas há coisas – ele a
interrompeu – que, como minha... esposa, você tem... a obrigação,
para não dizer a possível... necessidade, de saber. – pausou novamente – Eu fui
um Comensal da Morte. – estava bem perto agora, intimidando-a com sua altura,
frio... diferente – Com tudo o que isso significa. – a voz abaixou um tom – E
uma vez dentro você nunca sai. Nunca esquece. Não realmente. – encarou-a – Nem
eles.



À sua grande surpresa,
imaginou o que ele queria lhe contar sobre... Entendeu a tensão.



Alívio. E uma tensão
diferente. Mais leve.



– Severus, você não
precisa...



– Como eu dizia, – as mãos
continuavam para trás, longe dela – antes de ser interrompido, – estava duro,
distante – Há a possível necessidade de que você saiba o que realmente eu
fui.



Suspeitou que essa conversa
não tinha sido idéia dele quando o viu respirar de novo, encarando-a, voltando a
monitorá-la



– A partir de agora,
desconfie sempre. De qualquer um. De qualquer coisa. – respirou, precisava
fazê-la entender, por mais difícil que fosse – Você estava certa. Eu estuprei.
Matei. Torturei. – estava tenso, mas também frio; e vigilante – No entanto, fiz
muito mais que isso. – expirou – Essa marca tem que ser... merecida. – olhou-a,
a expressão dura – E quando...



– Chega! – tinha entendido; e
era o bastante – Pare, agora mesmo! Eu não quero saber.  – continuou decidida –
Não pense que só você tem segredos. – olhou-o para que entendesse,
vendo-o estreitar os olhos – Que só você fez coisas ruins. Não é privilégio seu.
Nunca conheci alguém que não os tenha.



Viu que ele endureceu mais,
imaginou por quê, ia acabar com qualquer possível má interpretação de suas
palavras:



– EU os tenho.  E um dia nós
poderemos dizer-nos. – pausou, sem desviar de pretos – Se e quando
quisermos. Você não é alguém que precise de piedade. E não a terá de mim. –
chegou bem perto, o hálito dele em seu rosto – Também não tenho medo de saber o
que você poderia ter para me contar. – disse séria – Só não me importa.
deixou que ele visse a verdade em seus olhos – Não faz a mínima diferença. Tenho
certeza de que você não é um santo. – encarou-o – É o que basta.



Pretos. Em castanhos.



Ele pareceu considerar.
 Ainda tenso. Decidindo. Ela afastou um pouco o rosto. Deixando claro por sua
expressão e em seus olhos, que não ia permitir que ele lhe dissesse. Não
importavam as conseqüências. Não ia fazê-lo passar por isso. Não hoje. Ele
diria, quando e se quisesse. Não por imposição. De Albus ou de qualquer
um.         Demorou.



Então, um assentimento curto.



Relaxou ligeiramente.
Voltando a olhá-lo. Vendo pretos brilharem. E disse séria.



– Você tem razão, eu casei
com você. Pacote completo. Tudo que há de bom e de ruim. – levou a mão ao rosto
dele – Você é meu marido, pai de minha filha. E por isso você tem o meu
respeito. – acariciou-o – O resto não importa. – murmurou.



Aproximou o rosto do dele de
novo, devagar, intencionalmente. Colocou lábios sobre lábios.



‘Mas importa. Importará se
souber o que eu fiz. E as vidas que...’



Vidas a quem ele devia.
Horrores e dor de que ele era a causa. Coisas que ela não imaginava...



Foi um momento, antes que
braços a rodeassem e ele começasse a corresponder.



Duro. Intensamente. Ansioso.



E então ele se afastou.
Contrariada, ela deixou. Lembrando que iam sair para o jantar.



Mas ele a encarou,
segurando-a pelos braços, apertando.



– Você não deve, nunca, sair
sozinha. – disse urgente – Nunca abrir qualquer correspondência ou encomenda
enviada a nós, a mim ou a você sem minha presença. Não deve se afastar do
castelo e mesmo aqui dentro, procurar estar sempre com alguém de confiança, um
membro da ordem ou mesmo um de seus pequenos... grifinórios. – conseguiu quase
transformar a palavra num insulto.



Ela continuou olhando-o.
Percebendo a urgência e a seriedade do que dizia. Tentando ignorar o tom
arrogante com que foi dito.



Arrastou-a para o canto da
parede.



– Preste atenção. – seguiu o
olhar dele para a parede – Se qualquer coisa de diferente acontecer, se eu, por
qualquer motivo não lhe der notícias...



– Severus... – interrompeu-o
com um arrepio.



– Se qualquer coisa acontecer
– ele continuou quase irritado com a interrupção – Você deve vir aqui... –
segurou sua mão, levando-a até a parede, colocando a dele por cima, murmurando
algo – e mandar que se abra. – continuou a murmurar.



Ela ficou quieta, sentindo a
energia que corria pela mão morna sobre a sua, até a parede.



– Diga! – ele a incitou, em
meio aos murmúrios.



– Abra. – murmurou.



A parede se desfez. Teria
caído se ele não a tivesse segurado.



Era um quarto escuro, grande.
Algumas tochas se acenderam quando o ar pareceu entrar pela abertura.



Deu um passo, percebendo que
havia três degraus.



– Você e Anna estarão seguras
aqui. – ele a ajudou a entrar completamente – Eu e Dumbledore poderemos
resgatá-las.



Continuou explicando que o
quarto era auto-suficiente. O alimento viria. Havia um banheiro ao fundo.



Havia livros. Duas camas, um
delas de casal. E uma grande janela vários metros acima do chão deixava entrar
luz e ar.



– E se algo acontecer a mim
ou ao diretor, – continuou, enquanto ela inspecionava o quarto, passando a mão
sobre a escrivaninha ao lado da cômoda – alguns elfos da casa de Snape
aparecerão para servi-la.



Virou o rosto para ele, de
repente preocupada, a respiração mais rápida. Sem que sua mente tivesse
registrado completamente a informação sobre elfos e casa de Snape.



– Severus...



– Eles saberão quando a porta
for fechada. – continuou – Você deve colocar sua mão sobre o canto da parede e
mandar que se feche. Ninguém entrará sem permissão. E se algo acontecer que nos
impeça de vir, os elfos saberão. Você será a nova senhora deles. Eles têm ordem
expressa de servir à família Snape.



Mordeu o lábio. Vendo pela
expressão em seus olhos, que apenas não era a hora de pedir explicações.



Ele fez um gesto com a mão
convidando-a a sair. Ainda quis ficar e fazer perguntas, discutir.



Mas já o conhecia o
suficiente para adiar o momento.



Apenas não ainda.



Passou por ele.



Ainda foi um segundo olhando
em volta, antes que ele se movesse para fora do quarto, seguindo-a.



 



~~ * ~~



 



Ele estava tendo outro de
seus sonhos.



Como sempre, seu coração se
doeu pelo homem que dividia sua cama. Por tudo o que ele já tinha passado. Cujo
resultado eram esses pesadelos horríveis.



Estendeu a mão, tocando-o
suavemente. Procurando não se lembrar da única vez em que tinha tentado tal
coisa. E de olhos negros luzindo em raiva nela, antes de se levantar e sumir até
a manhã seguinte.



Chegou mais perto, encostando
o corpo no dele; sussurrando seu nome baixinho. Colocou o rosto em suas costas,
sentindo a pele morna, dizendo palavras suaves de consolo e carinho. E devagar,
ele pareceu acordar. Ouviu um suspiro. Continuou sussurrando, sem se importar se
ele ouvia as palavras. Repetindo suas promessas do casamento e frases de sua
oração.



Logo ele se virou, enterrando
o rosto em seu pescoço.



Finalmente, permitindo-se ser
consolado... cuidado.



Beijou os cabelos pretos,
acariciando-os.         Sentiu os lábios dele tocando seu pescoço.



E então não houve mais
necessidade de palavras.



 



~~*~~



 



Foi algum tempo antes que
adquirisse coragem suficiente para abrir a porta de seu laboratório,
encostando-se nela, olhando-o. Ele tinha se imobilizado por um momento; depois
continuado o que fazia.  Afastou-se depois, fechando a porta suavemente. Esta
tinha sido a primeira vez.



Depois disso, voltou. Os
olhos não perdendo nada. Viu-o cortar e amassar. Como sua mãe fazia quando
estava cozinhando. A lembrança trazendo lágrimas que ela não deixou cair. Viu-o
medir e pesar, com os mais variados instrumentos, antes de colocar os
ingredientes nos caldeirões. Poucas vezes usando a vara. O modo como misturou,
duas, às vezes mais vezes, o conteúdo do caldeirão, em sentido horário ou
anti-horário, antes de esperar e depois voltar a fazer tudo de novo. Juntando os
mais variados conteúdos. Alguns bem nojentos. Misturando tudo.



Um bruxo.    Exercendo sua
arte.    Fazendo algo que parecia amar. 



Trazendo um sorriso
disfarçado aos seus lábios. E conforto ao seu coração enquanto o observava.



Uma ou outra vez reconhecendo
ingredientes. Reconhecendo procedimentos pelo que tinha lido.



Na maior parte das vezes sem
entender absolutamente nada do que ele fazia. Mas sentindo no ar a magia, a
energia. Vendo a concentração e a graça com que ele executava cada movimento.
Sem cansar.       Poucas, muito poucas palavras começaram a ser trocadas. Sobre
tudo. Sobre qualquer coisa. Sobre Anna. Um banco tinha aparecido para ela perto
da porta em uma das vezes. Ele estava lá quando se aproximou. Não perguntou.
Sentou-se encostando a cabeça na porta. Feliz só por estar lá. Descansando,
quando Anna não exigia sua presença, para as fraldas, ou a dor de barriga, ou
amamentar ou dar banho. Absorvendo seu tempo, mesmo com a ajuda de Winky ou as
visitas ocasionais de Minerva, que não a deixara sozinha, nas poucas vezes em
que Severus tivera que “ir”.



E hoje, tinha observado dois
caldeirões de onde saía fumaça. Num deles, o menor, a fumaça era roxa. No outro,
era só emanações de calor, mas ele parecia tomar mais cuidado com este. Já era
tarde. Logo Anna acordaria. Mas não deixaria esse tempo com ele. Distraiu-se
observando os caldeirões. De repente percebeu que olhos negros estavam sobre
ela. Não soube quanto tempo estiveram se olhando. Perdendo-se um no outro. Mas
então ele desviou os seus. Pouco depois ele guardava tudo, jogando algum feitiço
sobre o caldeirão com sua varinha, e vinha em direção à ela, pegando sua mão sem
uma palavra e levando-a para o quarto. 



A lareira foi acesa.



Um livro sendo lido, enquanto
ela descansava o rosto nem seu peito, as mãos acariciando-o suavemente. Tentando
inutilmente não fechar os olhos.



Ou o sono a roubaria dele.



 



~*~



 



Dois dias e ele ainda não
tinha voltado ao laboratório. Indo para Dumbledore após o jantar.



Se arriscando fora de
Hogwarts. Fazendo-a rezar por ele. Mesmo que não demorasse muito.



No terceiro ela franziu a
testa, perdida em pensamentos; deixando que Anna segurasse seu dedo enquanto a
alimentava. Imaginando se ele não estava evitando o laboratório por causa de
suas visitas.



Suspirou.



Que seja. Que o homem
amaldiçoado se enfurnasse onde quisesse!



Mesmo no inferno!



Anna reclamou. Removeu-a do
peito, passando ao outro.



Ela não iria. Ele teria sua
maldita solidão de volta.



 



Cumpriu. Pelos próximos três
dias, em que ele quase não ficou no castelo antes do jantar.



Andando pelo quarto. Ora
pegando um livro, ora outro. Até que a impaciência fosse controlada e
conseguisse se sentar para ler. Mas então o sono já estava lá e tudo o que podia
fazer era se estabelecer debaixo da coberta. E se ele chegasse e não estivesse
dormindo, fingiria. Até que Anna a requisitasse.



Não que tivesse conseguido se
esquivar dele quando a abraçou e a puxou para si no terceiro.



Suspirou desistindo. Incapaz
de resistir às carícias mornas. Ou aos lábios insistentes.



Como se tivesse percebido de
repente que quase não se falavam há quatro dias.



Como se tivesse... sentido
sua falta.



 



Na noite seguinte, voltava do
quarto de Anna quando o viu. Parado, perto da porta do escritório.



Então ele lhe estendeu a mão.
                   Olhou em pretos.



Foi até ele; segurou-a. Ele
andou, ainda segurando sua mão.



Até que percebeu... para onde
iam.  



Deu um pequeno sorriso. Que
ele não viu. Ocupado em ir organizar o que usaria hoje.



Sentou-se na cadeira mais
confortável, que estava lá ao invés do banco.



Reclinou-se para apreciar seu
marido.



Pensando se era hora de pedir
que ele melhorasse o gosto da poção contraceptiva que a dera.



 



Foi numa dessas noites que as
palavras voltaram a surgir. Nascendo do conforto de suas presenças.



Uma pergunta pequena dela
sobre a Ordem. Específica.



Pretos se desviaram para ela
por um segundo, antes de responder.



As pequenas conversas inábeis
a princípio, foram crescendo. E depois melhor.



E em meio a tudo. Ele parecia
finalmente estar percebendo o quanto ela tinha lido. O que ela sabia sobre
poções; suas pequenas noções erradas do mundo bruxo, e as dele sobre os trouxas.
E o quanto ambos ainda sabiam pouco um do outro. E de seus mundos.



Também os livros sobre Harry
tinham surgido. As palavras hesitantes, ponderadas.



Pensando que mesmo Dumbledore
entenderia que ele era seu marido.



E que havia muito que poderia
contar, sem comprometer qualquer coisa.



Mesmo que o percebesse
atento, alerta, avaliando as informações que recebia. Pesando-as.



Algumas das reações dele
tinham provocado sorrisos. Ele não tinha escondido seu desagrado às coisas que
ela contara sobre Harry. E ela tinha gargalhado no som que ele tinha feito
quando descrevera o duelo entre ele e Lockhart, até não poder mais.



Sem ter certeza, se pretos
brilharam mais, quando finalmente conseguiu se controlar, os olhos ainda
molhados pelo riso.



 



~ * ~



 



Voltava do escritório de
Dumbledore. Outra reunião. Desta vez sem coisas terríveis.



Pelo menos por enquanto.



Os olhos no corredor escuro.



Só planos.  O que fariam com
os primeiros e segundos anos se o castelo estivesse em perigo.



O que todos fariam. Suas
posições. Quais professores seriam responsáveis pelo quê. Quem chamaria os
aurores. E acionaria a Ordem. Quais as passagens e meios seriam usados.  



Levou a mão à testa. A dor de
cabeça suave começando.



Como em outras vezes, quando
tinha que lidar com sua irritação extrema por estar ali e não ativo na guerra.
Mesmo que se arrisca-se fora de Hogwarts; ignorando as palavras de Dumbledore
admoestando-o para ter cuidado. Tentando conviver com o fato, e negando as
emoções desencontradas, de não precisar agir mais como um comensal. Ao mesmo
tempo em que tinha certeza de ter perdido seu valor como espião e informante
para a Ordem. Abrindo brechas para mais matança.



Abrindo brechas para a culpa.



Respirou. As mãos massageando
a testa. Enquanto tentava concentrar-se no agora.



Sobre como deveria agir. O
que mais precisava resolver.



Em seus... próprios planos.



Sobre Nina. E Lucius. E o que
faria diante de cada opção. Caso...



Apertou os lábios.



Sabia que o caçariam. 



O senhor escuro não esquecia.
Ou perdoava.



Ele seria uma prioridade;
mesmo em meio à batalha.



Respirou andando mais rápido
pelos corredores escuros.



Lembrando de uma outra
reunião que tivera com Albus. Na noite em que acusara de roubar sua vida.



De sua raiva e mágoa,
demonstrada eficazmente no modo como destruíra quase o escritório do diretor.



Nas palavras de Albus. No
modo como se sentira. As atrocidades futuras que ele não poderia impedir pesando
em sua consciência. E o conhecimento repentino de que tinha apenas perdido o
controle na frente do diretor. Em mais uma de suas “primeiras vezes” depois
de... Nina.



Sacudiu esses pensamentos.
Voltando a se concentrar no agora.



No que era necessário fazer.
Na pouca pesquisa e nos planos que ainda não tinha discutido com Albus.



E no modo como sua marca
voltara a queimar. Mesmo que escondesse de Nina.



Continuou a ouvir seus passos
ecoarem. Vendo as tochas que se acendiam quando passava.



A escada. E finalmente seus
aposentos.



Entrou.        Ouviu sons.
Delas.



Atravessou a porta, passando
por elas.  Vendo-a amamentar Anna, segurando a pequena mão.



Observando-as. Enquanto
pegava suas roupas, para um banho.



Entrou no banheiro fechando a
porta. Parou.



Imóvel.      Olhando o
inocente sutiã. Uma peça preta. Rendada, dependurada. Em seu banheiro.



Fazendo-o perceber, de
repente. Que havia uma mulher nas masmorras.   Em seu quarto.



E que era sua
mulher.           Uma mulher que tinha lhe dado uma filha.



E que ainda fazia seu sangue
ferver. A cada noite.



Respirou.   Tentando
acreditar.



Ele.   Severus Snape. 
Casado.  Com uma filha.



Fechou os olhos.  Algo
percorrendo-o.



Era real.



Ele as tinha.  As duas.



Eram suas.



Inalou.  O coração disparado.



 



~~ * ~~



 



Ela suspirou. Olhando
novamente à sua volta.



Mesmo com o espaço em seus
aposentos parecendo maior. Com o quarto novo de bebê e seu acesso ao laboratório
e a todos os livros de Severus. Com Anna que lhe tomava boa parte do tempo...
Suspirou novamente. Ainda se sentia... presa. Uma sensação que persistira apesar
de seu passeio.



Não. Queria mais ar do que o
que havia em volta daquele castelo maravilhoso.



Bem, era melhor admitir para
si mesma. Na verdade o que queria não era ir a Hogsmeade.



O que queria era ir para
casa. Queria sua mãe, seu pai, queria toda sua família de volta.



Queria que sua mãe conhecesse
Anna. Olhou-a. Sentiu lágrimas nos olhos, limpou-as dizendo a si mesma que era
uma tola. Resmungou de volta para Anna. Murmurando enquanto ela quase dormia.



– Durma, pequena. Tia Minerva
virá buscá-la mais tarde. E mamãe tem que mandar uma coruja para tio Harry. –
olhou em volta só para conferir – É aniversário dele. – sorriu.



Minerva ou Pomfrey ou Sprout.
Sempre havia alguém disputando a atenção de Anna com ela.



Pelo menos não teria falta de
babás, sorriu. Mesmo Dumbledore ia...



O sorriso apagou. Mas não
hoje. Hoje haveria uma reunião da Ordem.



Hoje eles discutiriam sobre
Harry e o último ataque próximo à casa dos tios dele.



Suspirou. Queria saber mais.
Dessa vez se arrependeu realmente de não ter prestado mais atenção naqueles
livros. Talvez houvesse um indício, um detalhe, qualquer coisa, que pudesse
ajudá-los.



Mordeu o lábio. Pelo menos
eles devem ter ganho, consolou-se, ou não estaria aqui.



Alguma coisa teria vazado
para o mundo trouxa. Não teria? Mesmo se houvesse... perdas.



Estremeceu. Sacudiu a cabeça,
afastando essa linha de pensamento. Não era produtivo.



Deitou-se ao lado de sua
filha.



Talvez pudesse ir até Hagrid
para espairecer. Não, suspirou de novo, ele provavelmente estava envolvido em
mais algum dos “desaparecimentos” ocasionais que parecia acometer às pessoas do
castelo. Anna resmungou baixinho. Olhou-a. Os cabelos muito escuros. O rostinho
claro.



Tocou-o. Sorriu. Anna. Cada
vez mais parecida com Severus.



Seu Severus. Seu marido.
Fechou os olhos.



‘Proteja-o, Senhor. Por
favor, não deixe que nada aconteça a ele.’



Suspirou.



 



Ele estava demorando.



Tinha saído de manhã e já era
noite.



Minerva tinha levado Anna,
tinha aproveitado para acompanhá-la por parte do caminho e continuar até o
corujal, de onde enviou o cartão e o pequeno presente para Harry.



Voltara para as masmorras e
já tinha organizado tudo; suas coisas, as coisas de Anna e mesmo as de Severus.
Pegara não sabia quantas vezes nos livros e os largara depois de algum tempo.
Continuando a andar entre os cômodos. Inquieta. Levou a mão sobre a mesa.
Tocando os objetos. Segurou um.



Ele estava demorando demais. 
Suspirou. Sabia que estava verificando algo para a Ordem como Minerva deixara
“escapar”, mas... Não. Minerva não tinha estado tão tranqüila quando fora pegar
Anna. Alimentara Anna enquanto conversavam. E tinha percebido... a tensão.
Disfarçada, suave. Mas estava lá.



Anna dormira. E acabara
deixando-a lá com Minerva. Saindo para andar a esmo fora do castelo, sem se
afastar demais, evitando a floresta. Arrepiando-se por um momento quando olhou
para as árvores, lembrando que lá havia centauros, animais estranhos e pelo
menos um gigante. Olhou para a floresta. Pensando em como pudera ter sido tão
tola em ir até lá. No mínimo devia ter se lembrado de Grwap. Estremeceu.



 



Quando voltou, ainda não
havia nenhuma notícia.



Anna já estava dormindo.
Winky vira como estava inquieta e a levara.



Deixando-a andando de um lado
para outro. Nervosa, ansiosa, sozinha.



Segurou com força a tampa do
tinteiro que estava sobre a mesa. A preocupação oprimindo.



Decidiu.



Em um segundo estava saindo.
Os pés velozes.



Alguém ia ter que lhe dizer
porque seu marido tinha ficado mais de doze horas sem aparecer.



Alguém ia ter que lhe dar
alguma explicação.



Qualquer uma.



 



Ela estava certa.



Não encontrara Minerva e
tinha resolvido ir atrás de Pomfrey, quando o viu. Seu coração disparou,
erguendo uma prece de agradecimento aos céus, ainda trêmula.



Ele estava descendo; o andar
não tão rápido. Tinha estado na enfermaria. A roupa suja; rasgada. Correu até
ele. O coração disparado. Ajudando-o apesar do olhar que recebeu. Examinando-o,
procurando indícios de como ele estava realmente. Bebendo da vista dele; seguro;
aqui. Enquanto ele recusava-se a falar qualquer coisa, ou a responder sua
pergunta murmurada. Suspirou irritada. Esperando até que eles chegassem às
masmorras.



Ajudando-o através dos
corredores. Que pareciam longos demais. Finalmente chegaram.



– Severus... – começou.



Mas ele erguera uma mão,
continuando para o quarto, e de lá para o banheiro.



Ficara furiosa, mas em
silêncio. O coração ainda batendo rápido, em medo pelo que ele podia ter
passado; sem saber o que tinha acontecido. Verificando as roupas dele. E o
sangue. Novamente.



Mordeu o lábio, dando um
jeito na roupa. Tirando-a do alcance de seus olhos.



Pensando. Erguendo uma nova
prece em agradecimento, enquanto suplicava proteção.



Olhou-o quando saiu do banho.
Ele desviou, indo em direção à cama. Foi até ele, o olhar bravo.



Mas ele a impedira de
perguntar, dizendo-lhe muito pouco, enquanto se deitava.



Tinha se sentido magoada.
Fora deixada de fora novamente.



Afastara-se em direção a
lareira, mordendo o lábio.    Ele não dissera.



No entanto ela sabia.



Comensais. 



Eles estavam lá fora. À
espreita. Virou o rosto para olhá-lo. Ele estava acordado e a observava.



Mordeu o lábio com mais
força. Sem saber se o abraçava ou se batia nele, tantas eram suas emoções.
Aproximou-se da cama. Olhou em negros, meio ressentida por ele não ter-lhe
contado.



Ele estendeu a mão, segurando
a dela.



– Nina, – disse sério – Não
vai fazer diferença.



– Fará, para mim.



Ele olhou-a, pesando.



Não. Não lhe faria nenhum bem
saber o que tinha acontecido.



Saber sobre a carta
endereçada a ela; que ele interceptara no corredor das masmorras, de uma coruja
desconhecida. Uma carta que ele mal tivera tempo de jogar longe antes de
explodir. Uma carta que fizera seu sangue ferver em fúria. Ao imaginar o que
teria acontecido se Nina a tivesse pego primeiro.



E então a segunda coruja,
conhecida. Para ele. Com a assinatura mágica de Lucius.



Fora então que procurara uma
lareira para sair do castelo. Sendo interceptado por Albus no corredor.



Albus do inferno. Que apesar
de ler o pergaminho onde dizia que tinha que ir sozinho, ainda queria o impedir
de sair sem algum membro da ordem! Atrasando-o. Aumentando sua fúria ao
obrigá-lo a dizer aonde ia para se ver livre.



E quando finalmente usara flú.
E aparatara longe, não havia ninguém no local onde pensara encontrar o bastardo
louro. Sabia que deveria ser uma armadilha.



E não se importara.



Desde que pudesse rasgar
Lucius em partes pequenas. Antes que ele atingisse Nina ou Anna.



Em sua fúria, tinha jurado.
Ele pagaria. Por tudo o que fizera ou tentara fazer até agora. E por mais.



Fora então que começara. Os
feitiços. As vozes. Malfoy bastardo e seus planos infernais.



O astuto, mas arrogante
Malfoy buscando sua própria glória pessoal. Provavelmente não tinha contado ao
Mestre Escuro. Ou haveria mais comensais e ele não teria sobrevivido. Mesmo que
tivesse tomando precauções ao ir.



Ela estava errada. Não faria
nenhum bem a ela saber que no fim, estivera sozinho contra eles. Shacklebolt que
tinha chegado em seguida, caído. Nenhum bem em saber que ele provavelmente
matara um deles enquanto escapava com o auror desacordado. Saber que... Sacudiu
a cabeça; puxando-a pela mão, fazendo com que se inclinasse na cama para não
cair; levando a outra mão para atraí-la para si, fazendo com que deitasse sobre
seu peito, sem se importar se estava dolorido ainda.



Podia nunca mais tê-la visto.



– Não. – murmurou diferente,
encarando-a sem mais uma palavra, a mão deslizando pelo seu rosto.



Até que ela fechou os olhos e
encostou a testa em seu rosto.



Mas estava entre eles.



Era a Guerra.



E então os lábios dele
estavam sobre os dela. Tocando suavemente. Puxando-a para perto com as mãos.



As mãos dele percorrendo-a.
Fazendo-a render-se.  



Não devia tê-lo perdoado tão
fácil, pensou.  



Os lábios ainda nos dele.



A suspeita de retaliação por
parte dos comensais em seu coração.



Ela saberia, disse a si
mesma.



Havia outros meios.



Deslocou-se para mais perto.



Podia tê-lo perdido, pensou.
Ele podia não ter voltado.



Ergueu uma prece em
agradecimento.



Tocou-o com ânsia. Ele se
moveu para cima dela.



~~~~~. ~.~~~*~~~.~.~~~~~



~~~~~. ~.~~~*~~~.~.~~~~~



 



Levantou mais um vidro,
conferindo seu conteúdo, anotando a quantidade que teria que adquirir.



Respirou desgostoso.  Franziu
a testa.



Ah, sim.  
Torceu os lábios em desagrado.  Alunos. E professores. Aulas.  Segunda-feira.



Deviam estar chegando agora.
Em plena sexta-feira. Intempestivamente.



Perambulando por todo o
castelo.  Trazendo outras ameaças.        Apertou mais os lábios. 



Largou o que fazia irritado.



Foi até a porta do quarto.
Apoiou a mão no portal.



Olhando Nina brincando com
Anna na cama. A voz baixa e os resmungos da resposta chegando até ele.



Inspirou ar. 



Um mês...           Que tinha
passado... Rápido demais.



Amanhã teriam que enfrentar
os pequenos bastardos.



E o perigo próximo.  A
expressão ficou mais séria.



Um outro resmungo distraiu-o
de sua tensão. Olhou-as.



Percebeu de repente.



Tinha se acostumado.  Mais
rápido e fácil do que pensou a princípio.



À presença dela; ao choro
ocasional de Anna.



Às coisas misturadas às suas.
À presença em sua cama...



À sua pequena... rotina.



Nina se virou sorrindo para
ele.



Respirou mais forte.



 



~~ * ~~



 



E então já era a Cerimônia de
classificação.



Nina sentiu seu estômago
tinha torcido em antecipação. Preocupações esdrúxulas. Como que roupa usaria, o
que faria com... Muitas recomendações à Winky. Passou todo o dia tensa.



Fechou a porta do quarto,
levantando os olhos.



Ele a esperava na porta.



– Vamos. – o rosto sério.



Tinha ido até ele.



Algo dentro dela esperando
que ele lhe segurasse a mão mesmo pelos corredores.



Mas não.          Este era
Severus Snape. O professor.



Cada passo que ecoava
gelando-a por dentro.  Até que ficou brava consigo mesma.



Ela o faria.



Tinha estado frente a frente
com comensais, não tinha?     Vivia com um. Ergueu a cabeça.



Se ele percebeu alguma coisa,
não comentou. Abrindo a porta para ela. Entrando juntos.



Tudo veio ao mesmo tempo. O
Salão cheio. Barulhento. Brilhante. Estupendo.



Piscou. Era o mesmo. E não
era.   Aproximou-se da mesa.



Olhou discretamente para os
outros. Os professores estavam lá. Respondeu quando a cumprimentaram. Sentou-se
entre Severus e Minerva, tensa. Um dos grandes motivos de seu desconforto ainda
ausente.



Olhou de relance para as
mesas onde estavam os alunos.



Hermione acenou-lhe. Sorriu,
vendo o trio junto novamente. Não se importou com o som que ouviu ao seu lado,
acenou de volta. Os olhos escorregando discretamente para a mesa da sonserina.



Draco. O rosto muito mais
sério que sempre. Observando-a junto a Severus. Duro.



Desviou castanhos. Percebeu
pelo canto do olho que Severus tinha acompanhado tudo.



Suspirou.    Dumbledore
sorriu-lhe. Como se lhe dissesse que tudo ficaria bem. Retribuiu.



E então... havia barulho.



E Elisabeth.    



Voltou a ficar tensa. Ergueu
o rosto.



Ela estava tão linda quanto
sempre. Os olhos azuis tão brilhantes quanto os cabelos. Apesar da forma como
sua boca se torceu quando virou-se em sua direção. Olhou Severus, que tinha a
expressão inescrutável. Evitou um suspiro. Escutando os cumprimentos calorosos
que ela recebia dos outros professores, aos quais respondia, charmosa.



– Professor, Snape. –
ronronou ao sentar-se após Minerva, sem obter resposta, antes de voltar seu
rosto para ela.



– Srtª Ventur, que surpresa!
– disse elevando uma sobrancelha, irônica.



Segurou-se, apertando os
lábios.    Ela saberia.



– Srtª Parker. – cumprimentou
de volta, sem corrigi-la.



A última vez em que a vira
fora antes das férias, na enfermaria. Quando estendera a mão a Severus.



Evitou um suspiro. Tinha sido
há anos luz. Não parecia que as coisas tinham mudado tanto.



– É senhora Snape agora,
querida. – Minerva tinha dito, tentando disfarçar a satisfação.



Um dos professores tossiu,
outro bateu em suas costas. Silêncio.  Descrença. Admiração.



Apesar da maioria olhar para
Severus, alguns a encaravam estupefatos. Severus devolvia; todo Snape.



– Snape? – a voz esganiçada
de Sibila parecia estrangulada.



Engoliu, erguendo
ligeiramente a cabeça.



– Sim.



Azuis envoltos por cabelos
claros se voltaram para ela. Pensou que morreria, se ódio matasse.



– Ora, ora. – Sinistra sorriu
– Eu penso que cumprimentos estão em ordem!



E então começou. Os
cumprimentos. As brincadeiras meio hesitantes. Olhou de relance para a face
séria de seu marido.   Elisabeth tinha se sentado, imóvel, absorvendo.



Permitiu-se fechar os olhos
por um segundo.



A preocupação repentina e
insana com Anna acalmada ao saber que estava com Winky.



Sentiu uma mão sobre a sua
por baixo da mesa, num contato momentâneo.



Pelo canto do olho, percebeu
que ele ostentava a mesma expressão de desdém.



Suspirou olhando Minerva se
levantar para buscar os primeiros anos.



Elisabeth era de novo o
centro das atenções, conversando com os outros.



Completamente encantadora.



Tornou a suspirar.



 



**



 



O jantar finalmente estava
acabando.



Prestava atenção à Sprout
narrar uma situação engraçada pela qual passara nas férias, quando sentiu que
alguém tocava seu braço. Voltou-se, Severus fazia-lhe sinal para que saíssem.
Levantou-se a contragosto. Teria gostado de saber como terminara a história.



Eles não pareceram notar
quando passaram pela porta.



Dumbledore se voltou, ainda
rindo com os outros do que Sprout dissera.



Percebeu a ausência de
Severus e Nina. Virou-se para Minerva que também tinha percebido.



– Não cheguei a dizer a
Severus que você queria falar-lhe após o jantar, Albus. – disse culpada.



– Não tem importância,
Minerva. Eu mandarei um elfo...



– Não se preocupe diretor, eu
darei o recado. – Elisabeth tinha se levantado.



– Não... – Minerva começou.



– Nenhum problema. – disse já
se dirigindo para a saída.



– Diga-lhe para deixar Nina
primeiro! – Minerva ainda falou.



Elisabeth fechou a porta.



Olhou para Albus.



– Não se preocupe, Minerva,
Severus saberá o que fazer. – disse baixo.



Resolveu verbalizar o que a
incomodava.



– Eu não confio nela, Albus.
– murmurou consternada.



Albus olhou mais uma vez para
a porta fechada.



 



~~ * ~~



 



– Professor Snape!



Ela se retesou. Severus ainda
deu um passo, depois virou-se impaciente. Provavelmente teria continuado se Nina
não tivesse parado.



– Severus, – Elisabeth
chegava perto, ignorando o brilho de aviso em pretos, quando a ouviu dizer seu
nome – O diretor pediu-me para dar um recado.



– Ele poderia ter-me falado
pessoalmente, há apenas alguns minutos. – retorquiu duro, fazendo menção de
continuar.



– Sim, mas Minerva
esqueceu-se de dizê-lo. – deu um passo à frente – Ele quer vê-lo para uma
reunião importante. – os olhos se desviaram para Nina.



Severus apertou os lábios.



– Muito bem, – ele quase
rosnou dessa vez – Já deu seu recado. – virou-se para continuar.



– Ele disse “agora”. – ela
completou doce.



Voltou-se novamente. Então
agora ela era menina de recados. Que seja.



– Diga ao diretor que irei
após... – começou sarcástico.



– Não. – Nina interrompeu-o –
Pode ir, Severus. Eu sei o caminho. E também sei me cuidar. – não tinha perdido
a expressão de desafio da outra.



– Não se preocupe, professor
– Elisabeth sorriu – Afinal, o que poderia acontecer aqui? Ou pretende que ela
fique presa todo o tempo? – ironizou levantando uma sobrancelha.



– Pode ir, Severus. – Nina
repetiu, antes que ele a puxasse, ou fizesse qualquer outra coisa; um aviso em
castanhos.



Ele estreitou os olhos. Muito
bem. Então ela pensava que podia...



Olhou Elisabeth. Talvez
pudesse resolver dois problemas de uma só vez.



Deu um curto assentimento
para Nina e mudou seu rumo.



Elisabeth o seguiu, uma
expressão de triunfo em seus olhos. Que Nina vira.



Ergueu a cabeça antes de
continuar para as masmorras.



Ele tinha dado dois passos
quando disse, sem se virar.



– Seu recado foi dado, Srtª.
Parker. – ironizou – Eu penso que está dispensada.



Não deixou que nada
transparecesse em seu rosto; sabia que a cadela trouxa tinha escutado.



– É claro. – sorriu – Por
isso estava indo para meus aposentos. – ronronou, doce.



Ele continuou a andar, sem
responder.



Ela desviou em um dos
corredores.



 



Nina deu um sorriso. Tinha
ouvido o que Severus dissera e principalmente, o tom de irritação contida com
que o fizera. Embora não tivesse escutado a resposta de Elisabeth.



Escutou seus próprios passos
na pedra fria. Apressou o passo.



Apesar do que dissera, não
faria mal tomar cuidado.



Imaginou o que Dumbledore
teria para discutir com Severus que fosse tão... urgente.



Suspirou.



Não acreditou que Elisabeth
mentiria, mas se o fizesse, não queria estar na pele dela quando Severus
descobrisse.



Escutou um barulho.  



Parou.



Nada.           Apertou ainda
mais o passo. Pensando em Anna.



Um vulto apareceu de repente
à sua frente de um corredor. Reconheceu o vestido.



E o olhar gelado na pouca
luz.



– Então, trouxa, o que
você fez para convencê-lo a casar-se com você? Chantageou-o com o bastardo?



Nina não respondeu, fazendo
menção de continuar a andar. Elisabeth se deslocou, impedindo-a.



– Oh, como pude esquecer! É
a bastarda. – encarou-a – Você não pensa realmente que ele se casaria se
não fosse por isso, não é? – ergueu uma sobrancelha, sardônica.



Nina engoliu. Não importa o
que fosse verdade. Não ia deixar que aquelazinha soubesse. Ergueu a cabeça,
enfrentando-a.



– Bem, se, como você diz,
esse fosse o único motivo, ainda assim é comigo que ele vive, é comigo que ele
está em seu tempo livre,  – ‘e posso tentar fazê-lo me amar’ – é comigo –
saboreou as palavras – que ele se deita cada noite – um brilho maquiavélico
apareceu em castanhos – e é em meus braços que ele se satisfaz.



Viu o semblante da outra
mudar. Uma raiva feroz nos olhos.



– Não por muito tempo. –
falou baixo – Ele não pode se contentar com um arremedo de mulher. Ele logo irá
procurar, alguém que realmente o complete! Alguém que seja igual a ele. Não uma
cadela que não tem onde cair morta. Uma trouxa do inferno!



– É Senhora SNAPE pra você! –
vociferou de volta.



Viu-a ficar possessa e tirar
a varinha.



– Agora você vai me pagar, –
sussurrou – sua...



– Nina?



Elas imobilizaram-se.
Elisabeth guardou a varinha discretamente.



Nina voltou-se. Não soube de
onde ele surgira. Mas era muito bem vindo.



– O que dizia senhorita
Parker? – perguntou frio.



Ele não poderia ter ouvido,
pensou. A maioria tinha sido dito em tom baixo e zangado.



– Eu pretendia escoltá-la –
essa cadela trouxa – até as masmorras. Afinal, – completou gelada – nunca
se sabe o que pode acontecer num castelo velho como esse.



Nina viu a expressão de
Severus endurecer e seus olhos se estreitarem. Deu um passo à frente.



– Eu lhe asseguro, srtª.
Parker
, – conseguiu dizer por entre os dentes cerrados – que este castelo
não é tão velho que não tenha quem proteja aqueles que estão aqui. E que
qualquer coisa
que venha a acontecer a quem vive nele, – disse perigoso –
trará com certeza, terríveis conseqüências para quem as... fez. – havia
um aviso velado e inequívoco em suas palavras – Não importa quanto tempo
leve. – completou gélido e intencional.



– É claro. – Elisabeth
conseguiu dizer.



Nina se assustou com o tom e
com o olhar em negros. Passou a língua pelos lábios secos.



– Está tudo bem, Severus. Já
falou com Dumbledore?



Ele não desviou os olhos de
uma Elisabeth Parker furiosa, mas silenciosa.



– Eu a levarei primeiro.



Não tinha dito que não
chegara a ver Dumbledore.



O diretor podia esperar; ele
entenderia.



– Vamos. – disse para Nina,
ignorando completamente Elisabeth, mas sem tirar os olhos dela.



Nina passou na sua frente.
Seguiu-a. Mantendo as passadas firmes, ainda atento. Elisabeth deu meia volta e
se foi. Mas ele continuou alerta. Tinha aprendido há muito tempo a não dar
completamente as costas a nenhum possível inimigo.



Depois de virarem em um
corredor, pensou sobre o que ouvira.



Elisabeth não tinha feito
menção ao incidente que acontecera com Nina no início das férias.



E para Nina, nada tinha
ocorrido de diferente. Tinha discutido com Minerva que ela não precisava de mais
uma coisa ruim em suas lembranças do mundo bruxo. E de que podiam protegê-la.
Tinha ganhado um som de descrença a essa afirmação. Mas fora o argumento de que
ela não estava bem o suficiente para escutar o que tinha acontecido, que a
convencera no final.



Pensou que o encontro servira
ao menos para alguma coisa, como imaginara. Não confirmara suas suspeitas, mas
deixara algumas coisas claras.



Olhou a mulher ao seu lado.



Talvez agora essa
voluntariosa o escutasse.



 



~~ * ~~



 



Dumbledore demorara a entrar
no assunto.



Oferecendo aqueles seus doces
amaldiçoados. Depois perguntando o que tinha acontecido com o recado. Tirando
dele o que ocorrera, escutando-o. E quando finalmente entrara no assunto, ele
entendera por quê.



Uma discussão se seguiu. A
voz calma de Dumbledore contrastando com a sua.



E então o argumento final.



Saíra de lá furioso.



Mas o diretor tinha ganhado.
E sabia.



Nunca imaginou que a
segurança de Anna e Nina fosse tão importante para ele até aquele momento.



Até que fosse forçado a fazer
o que ia fazer.



Rosnou.



Seus passos se desviaram no
corredor escuro.



Compondo sua mente.



Andando. Em direção às salas
de DCAT.



Em direção à Elisabeth.



 



~~*~~



 



Ela abriu a porta.



Uma leve expressão irônica
apareceu em seu rosto ao vê-lo.



– Mas que surpresa! – elevou
uma sobrancelha – Quer alguma coisa, – pausou – professor Snape?



Ele evitou o que realmente
quis dizer e fazer.  Era um sonserino. E esta era só mais uma batalha.



A expressão em seu rosto
tornou-se quase... agradável.



– Somente... – olhou em
azuis, uma sobrancelha erguendo-se lentamente, como a dela – Conversar.



Não pediu para entrar. As
mãos juntas atrás.



Ela não pôde suprimir o
princípio de um sorriso.



Então ele não tinha vindo
para continuar suas... ameaças.



A expressão confiante que
surgiu, chegou em azuis.



– Muito bem. – ronronou,
afastando-se da porta – Entre.



Os aposentos eram amplos,
percebeu. Apertou os lábios. Os aposentos que deveriam ser seus.



Ela fechou a porta atrás
dele. Vendo-o olhar em volta.



Estava contente de ter mudado
em sua camisola preta que aparecia pelo decote do robe. Contente com o contraste
que fazia com seus cabelos. Passou as mãos pelo corpete discretamente, fazendo
com que mais de seu busto aparecesse.



Severus virou-se.
    Encontrando azuis. E o meio sorriso sabendo.



Negros desceram lentamente ao
decote. Um dos cantos da boca da veela tremeram em prazer.



Ela se aproximou.



– Deseja... alguma coisa, – a
voz era sugestiva – professor Snape?



Ele encarou azuis.



– Nem todos os nossos...
desejos, srtª Parker – falou baixo – Podem ser... – voltou a olhar o decote –
satisfeitos.



O sorriso depravado que
surgiu no rosto feminino demonstrou seu contentamento.



– Isso... depende de quais
são os seus desejos, Severus. – ronronou – Talvez se... surpreenda, –
aproximou-se dele, o hálito quase em seu rosto – ao descobrir que outros podem
compartilhar deles com você. – terminou num sussurro insinuante, a boca
próxima.



Olhou para os lábios à sua
frente. Simulou um suspiro.



– Infelizmente, temos um
diretor muito... – os olhos correram pelo rosto perfeito – zeloso de sua
posição. – afastou-se ligeiramente – E que orgulha-se de saber tudo o que
acontece entre essas paredes.



Um brilho perigoso passou por
azuis. Quase tudo. Mas não ia contestar.



E então o sorriso surgiu
novamente, insinuante, sensual.



– Este assunto não
precisa ser discutido dentro das paredes do castelo. – aproximou-se; sabendo que
o calor de seu corpo e seu perfume chegavam até ele – Há muitos lugares onde
podemos realizar essa... conversa e saciar nossos desejos. –
sussurrou devassa, a boca quase na sua.



Sentiu o encanto veela agindo
sobre ele. Sobre seu corpo. Fazendo o anel em seu dedo queimar.



Lembrando-o
desnecessariamente de porque não poderia aceitar esse impetuoso convite.



Simulou outro suspiro. O
rosto demonstrando um pesar que não sentia.



– Ás vezes somos obrigados
pelas circunstâncias a seguir caminhos diferentes do que – observou o colo
branco e a camisola preta – planejamos – olhou em azuis – ou esperamos.



Afastou-se um pouco.
Combatendo as reações de seu corpo e mente à magia sensual que ela usava como
uma droga, influenciando-o. Ela voltou a se aproximar. Evitou recuar, deixando
os olhos passearem sobre ela.



– E não posso me dar ao luxo
de perder o respeito de meu... benfeitor atual. – elevou a mão, um dedo
percorrendo, sem tocar, o contorno do rosto feminino – não importa o quão...
tentador possa ser.



Abaixou a mão. Ela se moveu.
Sentiu os contornos femininos impressos nos seus. Vendo o sorriso debochado
quando ela percebeu a reação de seu corpo a ela. O anel queimando. Tentando
focalizar na tarefa a realizar.



– Se o lado em que agora me
encontro vencer, – disse rouco, olhando-a – talvez as coisas possam ser
diferentes.



Viu-a franzir a testa
enquanto se afastava ligeiramente. Agradeceu a proximidade interrompida.



Fora o melhor que pudera
fazer... dadas as circunstâncias.



– Correndo o risco de
contrariá-lo... Não seria mais fácil se o outro lado vencesse?



Pretos ficaram sombrios.



– Não mais.



Entendeu. Lembrou do que
Lucius dissera, sobre as reuniões a que faltara. O desagrado do Lord.



Que fora descontado nos
outros comensais. Provocando raiva. O preço que fora pedido por sua cabeça.
Nenhuma dúvida que seria morto quando colocassem os olhos nele. Não importa
quando. Mesmo em meio à batalha. Era uma porta que se fechava. Se o
quisesse realmente.   E queria.



Mas não conseguia vislumbrar
nenhuma saída.   



‘Por enquanto.
– prometeu-se.



Sua boca diluiu-se numa linha
fina. Tudo por causa daquela...  cadela.



A maldita trouxa com sua
bastarda
. E ainda havia o casamento.



Um fulgor raivoso passou por
azuis.



– Parece estar se adaptado
bem a ele. – ironizou – Até mesmo se casou com uma... trouxa. – disse com
desprezo.



Havia um traço de dureza em
sua voz quando respondeu.



– Fazemos o que temos que
fazer. Quando somos exigidos em nossa honra. – ergueu uma sobrancelha, voltando
a olhá-la – Nem sempre importam nossas preferências pessoais. – completou
devagar, com intenção.



Foi um momento antes que um
pequeno sorriso surgiu.



– É claro. – a voz estava de
novo lasciva – Um bruxo não é ninguém sem a honra que ostenta para os outros.



Havia a sombra de um sorriso
cínico de concordância nos lábios masculinos. Antes que o rosto ficasse um tanto
sério, contrariado; quando ela voltou a se aproximar.



– Mesmo que seja obrigado a
realizar um casamento completo com uma trouxa. E agora, como você viu, tenho que
protegê-la, ainda que seja só um... divertimento.



Ela perdeu a respiração por
um momento.  Fixada em duas palavras. A fúria se insinuando.



– Um casamento completo?



Olhou-a. A expressão em
desagrado, descontente. Dura.



– Sim. Dumbledore é
completamente... – apertou os lábios, nenhuma sombra de mentira no que dizia –
convincente quando acha que algo precisa ser feito. – a voz fria, encarou-a –
Mesmo esta pequena... conversa foi idéia dele.



Ele viu a raiva e alguma
curiosidade ser redirecionada no diretor. Seu rosto não demonstrou sua
satisfação.   Que Albus recebesse algo do que tivera que passar.



Ela ergueu uma sobrancelha
numa pergunta muda.



– É muito... protetor –
cuspiu a palavra – quando se trata daqueles que vivem aqui. – explicou.



Nenhuma necessidade de citar
sua pequena “interação” com Nina mais cedo.



– E como ele ficou sabendo?



Um dos cantos de sua boca se
ergueu. Os olhos voltaram a se direcionar para o decote.



– Como eu disse antes, ele
sabe... bastante do que acontece entre estas paredes. – azuis.



Não perdeu a escolha das
palavras. Pequenos sorrisos sonserinos foram trocados.



‘Tem razão. Não tudo.’



Ergueu a cabeça. Uma sombra
de pesar em seu rosto.



– Embora um casamento bruxo
não deixe muito a acontecer.



A raiva voltou. Os lábios
femininos apertados. Fogo quente em seu peito.



Um casamento bruxo!



Como ele pudera? Como
permitira?



Anéis ou feitiços que
avisassem quando um traísse o outro.



‘Maldita trouxa!’



Mais uma razão para fazê-la
pagar. Azuis luziram, maus.



Sim. Temporariamente
ela tinha Severus. Em sua cama.



Estreitou os olhos com fúria.
A cadela trouxa podia tentar seduzi-lo. Tentar fazer com que se interessasse por
ela. Como se algum bruxo que se prezasse fosse respeitar ou querer uma...
trouxa.



Muito menos um que tinha sido
um Comensal.



Além disso... Ele estava
aqui, não estava?



Evitou um sorriso frio. Os
pensamentos voltando a um outro comensal.



Nenhuma trouxa conseguiria o
que ela conseguira com Lucius. O modo como o seduzira; como vencera sua...
resistência. Mesmo que ele pensasse que um relacionamento entre eles não
atenderia a seus propósitos. Lembrou de como dividira prazerosamente sua cama.
Como iguais. Bruxos.



Isso seria impossível para
qualquer outra. Não bastaria ser uma bruxa.



Não. Sorriu satisfeita
consigo mesma. Fora necessário ser uma veela.



E agora eram amantes. A
expressão se suavizou. Talvez pudesse usar isso em seu benefício.



E havia... vantagens a
considerar.



Tocou com a ponta dos dedos a
linda pulseira antiga, com feitiços de proteção, que fora presente dele.



Além disso, Lucius era
excelente em sua arte com uma mulher. Os olhos desviaram para o homem que a
olhava. Como possivelmente o atraente bruxo à sua frente deveria ser.  Sorriu
sedutora.



Até que se lembrou que não
poderiam se tornar amantes. Não antes que ele a rejeitasse, prerrogativa de um
casamento bruxo.



Ou que ela...



Contemplou pretos.



‘Apenas por enquanto.’



Então o sorriso voltou.
Malévolo. Quase inconsciente.



Severus não perdeu as emoções
que passaram por seus olhos; mesmo que o rosto não demonstrasse muito. Tentou
não esboçar nenhum
a reação. Tinha procurado usar o que poderia de
legilimência sem alertá-la. Também não perdera o gesto pequeno quando ela tocara
uma pulseira. E o eco de seus pensamentos de Lucius.



Havia algo, teve certeza.



– Eu saberei... esperar. –
ela sussurrou, voltando a aproximar-se dele; muito perto.



Evitou franzir a testa em
resposta. Ao pensar nas implicações do que ouvira. Do que sentira nela há pouco.
E de seu gesto. Não era a hora. Tornou a erguer o dedo para tocar a face
feminina.



Ignorando o calor do anel.



Saberemos. – disse
baixo, pretos em azuis, prometedores.



Ela sorriu.



~~*~~



Fechou a porta ao sair pouco
depois. Virando-se para o corredor escuro.



Uma expressão sarcástica.



Agora sua outra doce
tarefa.



Os sonserinos.



Andou.



 



**~**



 



Já eram dez horas. E ele
ainda não tinha chegado. Suspirou.



Estava ansiosa. Vira os
olhares dos sonserinos.



Talvez eles descobrissem.
Essa noite.



Talvez Severus fosse aquele a
contar.



Fechou os olhos. Esperando
que tudo desse certo.



Amamentara Anna, cuidando
dela e a fizera dormir.



Agora o aguardava. Olhando o
fogo que ela acendera, mesmo que não estivesse frio.



Querendo que ele voltasse. E
a abraçasse.



Fizesse amor com ela. E mesmo
sem dizer as palavras, a deixasse sentir que tudo ficaria bem.



Sabia que ele não diria
nada.  Um pedaço de informação aqui e ali. Só sobre o que fosse importante.



Tinham chegado a algum tipo
de acordo. Ele não a deixaria de fora. Não completamente.



Exceto pelo dia em que ele
demorara.



Mas ela soubera.



De uma forma ou de outra ela
sempre saberia.



Minerva, Pomfrey, o trio,
Lupin, Diana, Tonks. Todos e qualquer um. Mesmo que não completamente. Mesmo que
não com todos os detalhes. Mesmo que tivesse que suprimir a raiva e não
confrontá-lo sobre o que não tinha dito. Não ia mudar uma coisa. Consolou-se ao
pensar que ele não a quis preocupada. Mesmo que talvez não fosse a verdade.



Olhou por um momento para a
aliança que de repente tinha parecido muito quente momentos antes.



Tinha-a soprado para esfriar,
considerando colocar a mão sob a água corrente. Vendo como parecia brilhar.
Fazendo-a ficar preocupada. Pensando se não era algum tipo de sinal. Enquanto
ela continuava morna por um tempo. Mas não tinha voltado a queimar. E agora
estava pensando se não tinha sido sua imaginação.



Voltou a encarar o fogo. 



Vendo as chamas dançarem.



~*~



Entrou. Ela estava parada
perto da lareira acesa.



Virou-se para olhá-lo.
Sorriu. – Albus realmente o fez demorar dessa vez. – brincou.



O fogo emoldurava os cabelos
soltos.



Aproximou-se. Observando
castanhos. E o sorriso doce.    Para ele.



Parou perto. Levantou a mão
para seu rosto. Sem tocá-la. Só sentindo o calor da pele. Olhando-a.



O rosto sério.



Ela nunca imaginaria o que
fizera esta noite.   



Nunca desconfiaria dele.



Ela franziu a testa, pensando
que havia um brilho estranho em pretos. Intenso.



Observou-a mudar a
expressão. 



Lembrou-se de Elisabeth. De
suas palavras com duplo sentido. De...



A boca se estreitou. Viu o
fogo refletido em castanhos.



Tocou seu rosto.



Elas eram tão diferentes...



– Está tudo bem, Severus? –
escutou-a.



Olhou-a, sentindo o coração
pequeno.



– Sim. – mergulhou em
castanhos.



Fechou os olhos e enterrou o
rosto em seu pescoço, abraçando-a com força.



Sentiu os braços dela que o
envolviam. Escutou o suspiro satisfeito.



Jurou.             Nunca a
trairia.



Nem mesmo Albus amaldiçoado o
faria trair alguém que...



Moveu o rosto; olhou em seus
olhos.



Viu-a franzir a testa
novamente, preocupada, sem entender sua expressão.



Procurou seus lábios com
fome.



Impedindo-a de fazer
perguntas que ele não podia responder.



As mãos ansiosas tentando
trazê-la mais perto.



Foi só um segundo, antes que
ela correspondesse.



 



~~~.*.~~~



 



Os cabelos prata brilharam
enquanto ela se movia.



Tinha sido chamada pelo
diretor.



Sorriu. Depois de ontem à
noite, nada mais importava. Poderia com isso.



Levou a mão para bater.



– Entre, Srtª Parker.



Estreitou os olhos. Como o
velho fazia isso?



Havia outras coisas que ele
fazia e a intrigavam... Severus tinha razão. Pouco escapava ao diretor.



Entrou.



– Diretor. – cumprimentou-o –
Mandou me chamar?



Ele andou até sua cadeira e
se sentou.



– Sim, Srtª. Parker. Por
favor, sente-se. – apontou para a cadeira.



Ela se acomodou. Olhou-o,
esperando.  Tentando não deixar, que seus pensamentos vagueassem de novo à noite
anterior. E a Severus. Evitou um sorriso.



Severus, que apreciava este
diretor. Ou, como todo bom sonserino, o tolerava apenas porque precisava dele.
Então, se realmente o queria. E queria. Deveria cair nas boas graças de
Dumbledore.



Tentou sorrir, imaginando o
que ele tinha a lhe dizer.



– Chegou ao meu conhecimento
que houve um... incidente, envolvendo a Srª. Snape. – seus lábios se apertaram
ao escutar o nome.



Uma expressão calculadora
apareceu por um instante em seus olhos.



Talvez tivesse chegado a
hora. Reverter tudo, afinal. Fazer a balança pender.



Fazer tudo isso trabalhar a
seu favor.



– Apenas uma conversa
entre... pessoas com interessem em comum, diretor. – deu um pequeno sorriso.



Lembrou de seu “interesse
comum” em seu quarto na noite anterior.



O diretor se recostou.



– Percebo.  – sorriu –
Detestaria saber que alguma coisa possa ameaçar alguém que se encontra dentro
dessas paredes. Principalmente se a ameaça vier pelas mãos de um membro da
equipe de funcionários.



A brecha que precisava.



– É claro, diretor. Eu...



Foram interrompidos por
batidas na porta.



– Entre, Severus, e sente-se.



Ficou tensa. Não esperou que
tivesse que falar na frente dele.



– Mesmo porque, nenhuma...
ação... ficaria impune dentro dessas paredes. – o diretor continuou.



Por um momento sentiu a
rebeldia. Olhou o dono dos olhos negros. E de seus pensamentos.



‘Você não tem idéia do que
diz, homem velho.’ –

ela pensou. Se soubesse o que tinha feito...



Então sua expressão mudou,
para ofendida, como se estivesse se dando conta finalmente do que ele dissera.



– Diretor, o senhor não está
insinuando... – começou indignada, levantando-se.



Severus estava na sala, em
silêncio. O diretor cumpria uma parte do que tinham acordado.



– Não, Srtª. Parker. – ele
levantou uma mão – Estou apenas dizendo que todos os funcionários dessa escola
serão protegidos. – sorriu e encontrou seus olhos – Sem exceção.



Ela pensou que ele parecia
realmente querer dizer isso. Como se estivesse oferecendo sua proteção também a
ela. E de qualquer forma, ele provavelmente já sabia de quase tudo o que
fizera, ou não estaria aqui. O que diria não seria nenhuma novidade. E precisava
da confiança dele. Tinha algo a oferecer em troca. No fim era uma guerra. Havia
dois lados. E ela estaria do lado que vencesse. Suprimiu um sorriso. E com
alguma sorte, com Severus ao seu lado. Era a hora que estava esperando. Ela
demonstrou seriedade.



– É um alívio, Diretor. –
falou devagar, encarando-o, e depois olhando de soslaio para Severus – Assim, –
continuou lentamente, o lábio trêmulo – talvez eu possa finalmente dizer o que
me tem pesado no coração há muito tempo. – suspirou, parecendo insegura, elevou
azuis – Eu... bem... – mordeu o lábio inferior, olhando para os retratos e para
Severus.



Ele sorriu para ela.



– Esteja tranqüila, Srtª
Parker. Este é um dos lugares mais seguros de Hogwarts, senão o mais seguro. –
disse com bondade, apontando as paredes – E estes são antigos diretores. Seu
conselho é de grande ajuda a um homem velho. – olhou-a de novo – Isso é claro a
menos que a presença do professor Snape a incomode. Embora tenha pensado que
eram... bons amigos, posso pedir para que saia. Severus, ...



– Não! – interrompeu-o,
mordeu o lábio de novo – Eu confio em Severus – elevou os olhos para ele.



Suspirou, como se juntasse
coragem. A expressão cansada, triste. A voz baixa.



– Bem, o que vou dizer,
carreguei sozinha por todo este tempo. – disse triste – Há um bom tempo, meu pai
foi seqüestrado por comensais. – seu lábio tremeu, os olhos marejados – Eles me
disseram para vir até aqui e me oferecer para o cargo de professora de DCAT.
Disseram que arranjariam para que eu fosse aprovada. E que eu deveria dizer a
eles tudo o que acontecesse aqui. – soluçou – Contar a eles quem entra, quem
sai, o que fazem, e principalmente sobre Harry. – hesitou – Pobre Harry. –
murmurou.



Um lenço apareceu em sua
frente. Levantou os olhos. Severus o estendia a ela.



– Obrigada. – disse baixinho,
pegando-o – E desde então eu tenho regularmente dito a eles tudo que sei,
respondido a todas as perguntas que fazem, enfim, – soluçou de novo – traindo
todos. – completou baixinho, consternada; engoliu – Eu quero deixar claro que
não o fazia de livre vontade. – completou como se desesperada para que eles
acreditassem nela, olhando com azuis marejados para eles, deixando o encanto
veela agir sobre ambos – Eles só manteriam meu pai vivo se eu os ajudasse! E meu
pai é minha única família. – um lágrima desceu.



Severus piscou. Percebendo
que o encanto veela agia de novo. Olhou Albus que consolava Elisabeth. Qualquer
outro poderia ter acreditado.



Qualquer um que não
desconfiasse de seu papel no ataque à Nina. Seus lábios se estreitaram. Que não
a tivesse escutado na noite anterior. Que não fosse um espião.



Ela soluçou de novo.



– Há mais. – levantou azuis
para negros de novo – Eu também deveria... bem... seduzir o professor Snape.
Eles me disseram que... ele precisava ser... controlado. Que eu deveria fazer...
qualquer coisa. – olhou-o.



‘É uma excelente atriz.’
– pensou com asco.



– Mas foi aí que minhas
intenções mudaram. – e isso era parte verdade – Eu não poderia prejudicá-lo. –
limpou o nariz com o lenço, sua fragrância entrando por suas narinas – E... –
soluçou – Eu não sou a única. Há mais informantes no castelo. Mesmo alunos. Que
confirmavam o que eu dizia. Mesmo que eu tivesse mais liberdade e acesso como
professora. – mais lágrimas desceram – Eles sempre me mostravam uma prova de que
meu pai vivia depois de cada informação. – olhou para negros – Quando lhes
contei sobre a tr... – azuis imploravam – Nina em Londres eles me deixaram mesmo
vê-lo. – não era exatamente verdade; soluçou – E Severus, me desculpe,
mas depois que voltou, eu precisei... Eu tive que...



Ele apertou os dentes, no
esforço para conter-se.



– Não se preocupe, Srtª
Parker. – Dumbledore, deu-lhe pequenos tapinhas em sua mão, chamando a atenção
sobre si, fazendo com que ela olhasse para ele, dando tempo ao mestre em poções
– Tenha certeza de que tanto eu quanto o professor Snape entendemos em que
situação difícil a senhorita estava.



Ela voltou a olhar para
negros. Os soluços ficaram maiores.



Dumbledore o encarou.



Respirou.



– É claro. – concordou, a voz
mais ácida do que ele queria – Também sei o que é... sofrer pressão. –
completou, desviando os olhos por um segundo intencional para o diretor.



Os soluços acalmaram um
pouco.



Ela recomeçou.



~*~



Severus tinha agüentado o
bastante. Estava tendo que se conter a cada momento.



Em tudo o que foi dito. E
principalmente no que NÃO foi dito.



Evitava dar sorrisos
sarcásticos. Apertava os dentes para não deixar escapar nenhum comentário ácido.



Foi completamente uma
lembrança do porquê tinha sido um espião. E de que era um sonserino.



A expressão não deixando
nenhum de seus pensamentos transparecer. Ou sua raiva.



Intervindo na hora certa com
poucas palavras de simpatia ou concordância. Nada demasiado.



Pouca informação realmente
importante sendo dita.



Diferente do que podia ser
lido em sua mente, uma vez que estava distraída, aberta, tentando convencê-los
de sua verdade. Conhecimento que podia ser usado.  Em pró deles.



Tinham voltado ao assunto
“Nina”.



– E apesar de não parecer, –
limpou o nariz, chorosa – minhas boas intenções foram – soluçou de novo –
mal-interpretadas, diretor. E eu espero que nada aconteça a... – recusou-se a
dizer o nome – qualquer funcionário de Hogwarts.



Azuis foram a negros por um
momento antes de encará-la, sorrindo.



– Também espero, Srtª Parker.



Ela tentou retornar seu
sorriso.



~~*~~



Respirou finalmente ao ver-se
livre.



Os lábios apertados. A dor de
cabeça de volta.



A raiva pulsando. O
pensamento nos planos que precisariam ser levemente refeitos



 



~~*~~



 



Percebeu a mudança no
tratamento da professora Parker.



Dumbledore. E mesmo
Minerva... Pareciam mais gentis.



Severus tentou mesmo ser
educado, quando ela lhe pediu ervilhas.



Ele tinha passado, sem
reclamar. Mesmo que tivesse percebido os lábios estreitos. Em contrariedade.



Franziu a testa, desviando os
olhos.



 



~~*~~



 



Sábado.



Ele estava organizando os
ingredientes para a aula que começaria.



A porta foi aberta
intempestivamente. Pretos olharam irritados. O vidro foi colocado na estante com
força. Voltou-se, sentando-se. Vendo Draco Malfoy que vinha até ele.
Determinação em sua face.



– É verdade? – perguntou
arrogante.



Apertou os lábios.  O olhar e
a voz fria responderam mais que as palavras.



– Devo adverti-lo, Sr. Malfoy
– usou de sarcasmo frio – para o modo como invade minha sala. – moveu a cabeça –
Seus colegas não ficarão felizes em saber que já perdeu cinco pontos para a
Sonserina. – os olhos duros – E agora...  – cruzou os braços – Exatamente o que
você quer saber se é verdade, Sr. Malfoy? – rosnou baixo.



Draco enfrentou-o. Raiva e
mágoa que o impelem.



Fazendo mesmo com que não
percebesse o som da porta, para onde os olhos de Severus se desviaram.



– Você casou-se com ela? –
perguntou numa acusação.



Nina parou. Inconscientemente
fazendo barulho.



Draco se virou. A face que é
tomada por raiva. Não tinha podido acreditar. Mas lá no fundo, tinha sabido que
era verdade. Não deu nome ao que sentia. Traição. Ciúme.



– Eu voltarei depois, Severus.
– balbuciou, fazendo menção de sair.



– Fique! – ele rosnou,
endireitando-se.



Draco virou-se para ele, a
face arrogante. 



– Então é verdade! E até uma
filha! – cinzas estavam nele, uma emoção que ele reconheceu, lá no fundo – Com
uma... trouxa! – cuspiu as palavras com desprezo.



Snape levantou-se. A face em
pedra.



– Cuidado, Sr. Malfoy. –
avisou macio, frio – Não se esqueça... – apoiou as mãos na mesa, inclinando-se
em direção aos olhos dos Malfoy, encarando-os – Ela é uma Snape agora. – rosnou
numa ameaça velada.



Nina se aproximou devagar.
Tinha visto a face de Draco. Mas pensava saber o que realmente ele sentia.



– Sr. Malfoy, eu...



– Não se dirija a mim! – ele
voltou-se para ela.



– Mais respeito, Draco! –
Severus rugiu – Ela é minha esposa. – disse duro – E funcionária de Hogwarts.
Você a tratará com o devido respeito.



Ele não respondeu. Ainda
olhando-a, acusador. A respiração rápida. Os lábios apertados para não falar.



Nina levantou a cabeça,
aproximando-se mais. Precisava botar um ponto final naquilo. Agora.



– Em respeito à alta
consideração que meu marido tem por você, Sr. Malfoy,  – disse com dignidade,
mas conciliadora – eu não levarei em conta suas palavras. – desviou os olhos
para Severus por um segundo – Assim como sei que ele não levará. – deu mais um
passo, falando baixo, de forma lenta – Nós devemos deixar o passado para trás. –
encarou cinzas, ainda vendo revolta lá, enquanto ele apertava os lábios, como se
estivesse se contendo – Sei que Severus lhe quer bem. E não espero que me
responda agora, mas é por ele, que é importante para ambos, que eu darei o
primeiro passo. – olhou-o, firme – Eu te ofereço minha confiança. – disse séria
– E a vida de minha filha. Eu a darei a você.  – queria que ele percebesse que
sabia o que isso significava para os bruxos – Para ser seu guardião. –
pausou – E seu padrinho.



Enfrentou cinzas.



Esperando que Severus
entendesse. Mesmo que não lhe tivesse consultado antes.



Draco ainda a encarou, antes
de sair sem responder.



Os passos bravos ecoando na
pedra.



Desviou os olhos para negros,
dando um suspiro.



O dia não estava começando
bem.



 



~~*~~



 



Quando foram almoçar, ela
percebeu.



Um silêncio repentino. Os
olhares neles. Severus os encarou.



E então os murmúrios
recomeçaram.



Tinha começado.



 



~~*~~



 



Deitou-se.



Olhando o teto. Quieto.



– Esqueça-o. – Nina lhe disse
baixo – É só um adolescente que tem que lidar com pressão demais. Vai acabar
decidindo o melhor.



Ele apertou os lábios.



– Não espere demais. – disse
muito baixo.



Resolveu ignorar seu
comentário, queria distraí-lo. Inclinou-se sobre ele.



– Além disso... – sussurrou,
tocando-o – Está chovendo.



Ele a olhou, levantando uma
sobrancelha, zombeteiro. Esperando até onde ia o raciocínio esdrúxulo.



Mas ela o beijou, suavemente.
Deslizando o rosto pelo dele. Sentindo a mão em seus cabelos.



– Um dia,  –  continuou
murmurando – nós teremos que fazer amor na chuva. – passeou os lábios pelos dele
de novo – Ver como seria... o contato de nossos corpos molhados, o cheiro da
terra...



– É claro.  O frio, a lama...



– Ora, cale-se. – resmungou
antes de beijá-lo.



O som que ouviu enquanto se
beijavam, pareceu por um segundo maravilhoso, uma risada suprimida.



 



~~ * ~~



 



Entraram em uma rotina.



Tomavam o café da manhã no
quarto. Ela amamentava Anna e trabalhava por duas horas no arquivo, às vezes a
tarde, outras de manhã. Ficava sozinha o resto do tempo. Jantavam no salão
grande.



Tentou ajudá-lo com pergaminhos. Mas ele não tinha permitido. Alegando que
poderia auxiliá-lo quando realmente necessitasse ou depois que Anna estivesse um
pouco maior.



Tinha pensado que em dois 
meses teria que voltar a trabalhar toda a manhã no arquivo.



Talvez pudesse sair para
amamentar Anna se necessário.  Ou Winky poderia levá-la lá?



Resolveu não se preocupar.
Tudo se resolveria. Havia uns assuntos mais importantes.



 



O primeiro dia de aulas
parecera extremamente longo. Winky a ajudou com Anna.



Depois foram se ajustando
devagar.



Os olhares dos sonserinos nos
corredores ainda cheios de acusação.



Hermione a visitara numa
tarde. Completamente encantada com Anna.



Tinham conversado,
discretamente, sobre Gina e seu... interesse em um certo rapaz.



Não pela primeira vez falaram
da guerra. E do AD.



Sempre havia mais de um jeito
de se conseguir algumas informações.



 



~~*~~



Alguns dias se passaram antes
que resolveu dar o segundo passo com Draco. 



Colocou Anna no berço.



– Winky. – chamou macia para
não acordar Anna, dirigindo-se para a porta.



– Winky aqui, senhora. –
respondeu saindo do quarto.



Nina fechou a porta,
voltando-se.



– Eu preciso de um favor.



Winky arregalou os olhos.
Aquilo parecia que era algo que o marido da senhora não deveria saber. Sentiu um
leve receio do professor Snape.



– Winky faz, Senhora. – disse
lenta.



Entendia a hesitação da elfo.
Severus não era alguém a ser ignorado.



– Eu preciso que chame o Sr.
Malfoy. Draco Malfoy. – não quis dúvidas – Peça que venha até aqui, mas não lhe
diga que eu o estou chamando. Diga apenas para vir.



 



Draco Malfoy bateu na porta.



Não se ignorava um chamado do
diretor de sua casa. Quer você estivesse furioso ou não.



Quando a porta se abriu, era
ela. Sua expressão se fechou. Ela se afastou para deixá-lo entrar.



– Onde está o professor Snape?
– perguntou com maus modos.



Nina apertou os lábios.
Pensou no quanto aquele encontro era importante. Por Severus. E mesmo que o
bastardinho não merecesse, por Draco. Afinal, involuntariamente ou não, ele o
tinha ajudado quando precisara. Tinha tido certeza então, como tinha agora. O
menino gostava de Severus. Apesar de seu pai.



– Entre, Sr. Malfoy.



Ele hesitou por dois
segundos. Virou-se para ir embora.



– Sr. Malfoy! – chamou-o – Se
realmente gosta de Severus como eu sei que ele gosta de você... – ele
parou – entrará. – Eu tenho algo a lhe mostrar. – ele se virou.



Draco hesitava.



Numa coisa a trouxa estava
certa. Era importante ter a confiança de Severus Snape.



Desde que era pequeno era o
único que o tratara com respeito. Estava sempre ao seu lado. Ajudara-lhe.
Estivera lá mais vezes que... seu pai.



Lembrou-se da Mansão Malfoy.
Suprimiu um suspiro.



As coisas não tinham sido
boas com seu pai nas férias. Na verdade tinham sido péssimas.



Ainda tinha as marcas para
provar.



Apesar do que o professor
Snape fizera, seu pai o culpara por não ter conseguido Potter.



E andara pensando muito.
Sobre os comensais e a marca escura. E o modo como seu pai era tratado. E a
única pessoa a quem talvez pudesse confiar sobre isso, era o professor
Snape. E estava ficando sem tempo. Pela primeira vez em sua vida, tivera
dúvidas. E em algum momento teria que escolher.



Olhou-a na porta. A expressão
arrogante. Moveu-se.



Passou ventando por ela. Não
viu o pequeno suspiro que deu ao fechar a porta.



– Você tem 3 minutos. – disse
altivo, os olhos desafiadores, ela começou a se dirigir para a porta do quarto –
E é melhor que seja realmente importante.



Ela parou um instante ao
ouvir o “trouxa” sussurrado no fim da frase.



Resolveu ignorar.



Voltou pouco depois.



Anna em seus braços.



Chegou perto. Olhou para o
sonserino. Vendo os lábios apertados. E a expressão fechada.



Preparara-se mentalmente. Mas
agora...



Foi então que lembrou... Ela
o faria. Por Severus.



Ergueu a cabeça.



– Esta é Anna, Sr. Malfoy. –
não deixou que ele falasse – Estamos numa guerra. E em toda guerra há mortes. –
isso pareceu silenciá-lo, os olhos insolentes nela, as sobrancelhas erguidas,
como se perguntasse onde ela queria chegar – Tempos difíceis. Onde precisamos...
confiar. – encarou-o, não ia deixar que a intimidasse –  E eu gostaria de
oferecer a você, Anna. – havia um brilho diferente em seus olhos agora –  Para
que seja seu... guardião. – respirou, olhando-o, seriedade em suas
palavras e em sua expressão – Eu confiarei a você a vida de minha filha. –
engoliu – Se qualquer um de nós... – não completou – Você será seu guardião, mas
também será seu padrinho. – E isto não será retirado em nenhum tempo.



Quis que ele soubesse que
conhecia o significado do que estava fazendo.



Que sabia o quê era um
guardião no mundo bruxo. E que era mais que um padrinho.



Quis que ele soubesse que
confiava nele. Em sua essência. Em suas decisões e em seu caráter.



Não pensou que estava indo
longe demais.



Algumas conversas com
Hermione; e mesmo com Gina, tinham acabado com suas dúvidas.



Ele era bom. Lutaria pelo
lado da luz. Tinha certeza. Só ele não sabia ainda.



Draco a encarava.
Dissimulando o que realmente pensava. Quase... atônito.



Sem entender.   Não era
possível que essa... trouxa, confiasse nele.



Olhou-a, vendo-a parada, o
bebê nas mãos, séria, encarando-o de volta. Aumentando sua confusão.



Mas era o que parecia! Não
conseguia entender. Ela...



Ele podia fazer qualquer
coisa! Podia dá-la ao Senhor Escuro para que permitisse que Snape volte.
Podia... fazer qualquer coisa com aquela... olhou o bebê. Vendo-o resmungar,
mordendo a pequena mão, babando, os sons ora altos, ora baixos, distraída com a
luz no escritório.



Ela desviou os olhos para
ele, resmungando mais alto, antes de dar algo parecido com um sorriso.



Alguma coisa se remexeu
dentro dele. Vendo os olhos escuros. Tão parecida com professor Snape.



Ele respirou.



Nina deixou-o digerir.
Deixou-o observar Anna, o quanto quisesse.



Esperando. Em silêncio. Só os
resmungos de seu bebê ecoando.



Foi nesse momento que a porta
se abriu.



Ela fez um sinal discreto de
silêncio.



Mas Draco já o tinha visto,
sua expressão se fechando.



– Você é uma tola. – disse
indo para a porta – Não espere demais. – murmurou.



Passando apressado por
Severus.



– Até mais. – disse baixinho,
a voz diferente.



Ela ficou olhando para onde
ele saíra.



Sem saber se ficava contente
ou não.



Ele tinha apenas se despedido
de Anna?



Severus aproximou-se, a testa
franzida, olhando-a. Encarou-o.



Não parecia que precisaria
explicar o que tinha acontecido.



Talvez ele estivesse do lado
de fora antes. Ou talvez não quisesse saber.



Ele continuou andando para o
laboratório, sem uma palavra, segurando alguma coisa.



Ela se dirigiu para o quarto.



– A mamãe não sabe se isso
foi bom ou ruim. – falou baixo para Anna, que resmungou de volta – Nem uma
palavra. – alguma tristeza indo para sua voz, segurando a mão da filha.



Mas ele tinha a avisado. “Não
espere demais.”



 



~~*~~



Foi alguns dias depois que
ela o encontrou sozinho no corredor das masmorras.



Ele a tinha cumprimentado com
um aceno.



Evitou um sorriso.



Draco seria o guardião.



Não conseguiu suprimir a
alegria.



Decidindo se diria a Severus.



Talvez não ainda.



 



Os alunos comentavam. Nas
outras casas.



Mas era os sonserinos que
surpreendiam.



Ninguém devia ofender a “Srª.
Snape”



 



~~ .*. ~~



 



E então já era o aniversário
de Hermione. Uma festa surpresa foi organizada no salão comunal da Grifinória.



Rony e Harry tinham-na
chamado no arquivo.



No Natal tinha ganhado uma
camisola rendada, negra. Devolveu o favor.



Hermione tinha ficado
vermelha. Olhando seu sorriso cínico. E tinha murmurado algo como “convivência”.
Riu.



Infelizmente não pudera
trazer Anna. Severus naturalmente.  E ainda tinha imposto que um dos...
“resmungo”... do trio dourado teria que levá-la e trazê-la pelo castelo.



Harry estivera estranho. Num
canto, longe do barulho.



Olhou discretamente, vendo
quando esfregou a cicatriz. Prendeu a respiração.



Um aperto no peito. Foi até
ele.



– Harry...



Ele parou de esfregá-la,
tentando sorrir.



– Você tem que dizer a
Dumbledore.



Seu rosto endureceu.



– Não tenho NADA a dizer a
Dumbledore.



– Harry... – era Hermione que
tinha se aproximado.



Ele sorriu.



– Está tudo bem, Mione.
Gostou de meu presente?



Ela sorriu em resposta, mas
os olhos ainda estavam preocupados.



Nina ainda sentia o aperto no
peito.



Deixou-os conversando. Foi
até Neville e perguntou em seu ouvido se ele poderia acompanhá-la até as
masmorras. Viu quando ele engoliu, antes de acenar com a cabeça concordando.



Tinha evitado um sorriso,
apesar da preocupação. Pobre Neville.



– Ele não morde, sabe. –
tentou brincar enquanto andavam pelos corredores, o passo rápido.



– Eu sei. – respondeu – Mas
sabe enganar muito bem. – completou baixo.



Sacudiu a cabeça.



 



Agradeceu enquanto entrava.
Olhando voltar correndo pelo corredor.



Fechou a porta. Andando
rápido. A preocupação voltando.



– Severus... – chamou da
porta do quarto.



Ele estava no sofá. Os braços
cruzados, aparentemente olhando o fogo.



Mas ela soube melhor. Chegou
perto.



– Minerva resolveu acabar com
a festa mais cedo?



Sua voz confirmou sua
desconfiança.



– Não. – sentou-se – Você
está bem?



Ele a olhou, elevando uma
sobrancelha em resposta. Castanhos se desviaram para seu braço.



E voltaram ao rosto, a tempo
de ver a boca sendo estreitada. Levantou as mãos, tocando-o devagar.



Sem dizer nada ela o puxou
para si, tentando fazer com que ele se inclinasse em seu peito.



– Por favor. – pediu, quando
ele resistiu.



Abraçou-o. Ouvindo um silvo,
numa onda mais forte de dor.



Teria que conversar com
Hermione na manhã.



A cicatriz de Harry tinha
estado vermelha e pulsando. Parecendo estar viva.



Exatamente como a marca de
Severus.



 



~~. * .~~



 



Hermione comentara que o AD
estava crescendo, quando tinham conversado no dia seguinte ao seu aniversário.  
E se preparando.  Reclamando que Harry parecia obcecado.



Contou-lhe sobre a marca.



Ficou brava por ele não ir ao
diretor. Mas depois pareceu compreender. 



Harry não queria mais ser um
peão no jogo entre Voldmort e Dumbledore. Ainda assim, argumentou que era o
único que podia jogar alguma luz sobre o que estava acontecendo. E sobre a
mudança no comportamento de Harry. Estranho e determinado ao mesmo tempo.
Exigindo de si e de todos.



Lembrando-os sempre da
guerra. Ao mesmo tempo em que se afastava das pessoas.



A primeira morte do mês foi
anunciada, horas depois, no almoço.



Jogando um sombra sobre tudo.



Lembrando-os... Estavam em
uma guerra.



Uma guerra horrível e
sangrenta.



Ao invés de desanimá-los,
isso pareceu fazer com que redobrassem seus esforços.



Ninguém reclamou quando
anunciaram que as aulas extras recomeçariam.



 



O castelo voltou à rotina.



Assim como o clube de duelos.



E o AD.



 



 



~~*~~



 



Ela abriu os olhos. Sem
conseguir dormir.



Sentou-se.



Quase onze horas.



Ele estava lá fora.
Corrigindo pergaminhos.   De novo.



Suspirou.



Tinha-o visto esfregar o
pescoço à tarde. Antes do banho. Cansado.



Levantou-se resolvida. Só
precisava... tirar... uma coisa, antes.



 



Ele viu quando a porta se
abriu. Continuou escrevendo.



Ela se aproximou por trás.
Suspirou.



Colocou a mão em seus ombros.
Massageando. Devagar.



Ele parou um pouco. Pegou
outro pergaminho.



Ela se inclinou.



– Não se preocupe comigo. –
sussurrou no ouvido dele.



Respirou o cheiro dele.
Madeira. Beijou a nuca. Suave.



Desceu pelo pescoço.
Lentamente. Ele parou de novo.



– Continue. – murmurou – eu
não quero atrapalhar.



Ele hesitou. Viu-o voltar a
mexer no pergaminho.



Sorriu. Descendo as mãos pelo
corpo dele. Devagar.



– Finja que não estou aqui. –
falou baixinho.



Enquanto suas mãos paravam
entre as pernas dele. Acariciando. Ele ficou imóvel.



– De quem é... esse... hum,
pergaminho? – sussurrou passando os lábios pelo pescoço, a nuca, sem parar.



As mãos abriam a calça.
Completamente. Ouviu-o respirar forte.



– Não vai me responder?



– Frank. – resmungou.



– Frank? – o rosto da menina
passou por sua mente – Hã.- não parou de movimentar as mãos, tocando-o, a boca
no ouvido dele – E, hum, é ele ou ela? – brincou.



Ele largou a pena que ainda
estava em suas mãos. Exasperado.



– Vamos. Não pare. –
sussurrou na garganta dele – Quem é?



– Ela. – rosnou.



Sorriu. Do tom rouco. Abriu o
roupão. Passou uma perna sobre as dele.



Acomodando-o nela. Ele gemeu.
Enquanto ela se sentava, fazendo-o entrar, devagar. E a abraçou.



Descendo os lábios pelo
pescoço. Sedento.



– E ela tem nome? – segurou a
cabeça dele, buscando sua boca, um meio sorriso provocador.



As mãos dele a apertaram.



– Por Merlin, mulher! –
rosnou – Cale-se!



Ela riu. Enquanto seus lábios
se encontravam.



Ansiosos.



 



~~ * ~~



 



Estavam se dirigindo para o
jantar.



Um sorriso veio aos seus
lábios, ao pensar no que poderiam fazer assim que chegassem às masmorras.



Sentia-se... estranhamente 
excitada. A perspectiva de estar com ele, trazendo-lhe imagens agradáveis à
mente. Olhou-o. O cabelo preto, a roupa. Snape. Ele se virou, encarando-a.
Sorriu, pensando se ele leria o que pensava. Ele franziu a testa. Seu sorriso se
alargou ao ver.



Continuaram. As tochas se
iluminando quando passavam.



Num dos corredores, viu um
andar conhecido.



Lupin.



– Remus! – sorriu – Que bom
vê-lo. – ele ainda se aproximava deles.



Parou. Um meneio de cabeça
foi o cumprimento a Severus.



– É bom vê-la também. –
sorriu de volta.



Não se atreveram a abraçar.
Snape tinha levantado uma sobrancelha, como se o desafiasse a fazê-lo.



– Estamos indo jantar. – ela
disse, antes que o silêncio ficasse tenso – Nos acompanha?



Ele olhou por um momento para
Snape, e sua expressão levemente irônica.



– Vim falar com Dumbledore –
encarou-a – E saber de você.



Sentiu a tensão no homem a
seu lado.



Lupin sorriu.



– Parece que há uma...
novidade. – completou.



Olhou-a. Era uma trouxa num
mundo de bruxos, em meio a uma guerra.



Mas se alguém podia
protegê-la, este alguém era Snape.



Tentava realmente ficar feliz
por eles. Lembrando do que sofreram quando separados.



Dela, grávida e tudo por que
passara. E dele, em seu escritório.



Ele também já não estava mais
sozinho.



Esperou sinceramente que
desse certo entre eles.



E que houvesse alguma
felicidade para aquele homem em suas masmorras.



Estendeu a mão.



– Eu penso que cumprimentos
estão em ordem.



Ela ignorou a mão estendida.
Abraçou-o. Mal registrou seu anel ficar morno.



– Eu desejo sinceramente que
você seja feliz, Nina. – disse baixo, retribuindo o abraço – E você sempre sabe
onde me encontrar, se precisar. – sussurrou só para que ela ouvisse.



– Obrigada. – disse no
retorno, separando-se dele.



Snape, o anel morno em sua
mão, manteve a mesma expressão em seu rosto, quando Nina voltou a ficar em seu
lado.



-      
Eu presumo. – falou com um esgar imitando um sorriso – Que sejam dois
num casamento. – uma sobrancelha se ergueu.



Lupin hesitou um segundo.
Estendeu a mão.



– Parabéns, Snape. –
murmurou.



Snape olhou-a, como se
estivesse indeciso sobre apanhá-la ou não. Finalmente segurou-a.



– Cuide bem dela. – Remus
disse sério.



– Pode ter certeza de que
zelarei por minha esposa. – respondeu baixo, duro; apertando mais que o
necessário a mão na sua, dizendo mais que as palavras, marcando seu território.



Soltou a mão do homem-lobo.
Os olhos frios.



– Remus! – Héstia Jones
estava no fim do corredor, chamando-o; cumprimentou-os com a cabeça.



Lupin se despediu.
Afastando-se, rápido.



Nina voltou-se para Severus. Um olhar irritado em seu rosto.



Que foi respondido apenas com
um erguer de sobrancelhas enquanto voltavam a andar.



 



A presença de Elisabeth no jantar, a gentileza com que a tratavam, não fez nada
para melhorar seu humor. Muito menos quando ela falou assim doce a Severus.
Insinuante.



Ora pedindo coisas que ele passava a ela; ora fazendo perguntas a que ele
respondia.



Não agüentou por muito tempo.



~*~



Andava célere pelos
corredores. Ansiosa.



Tinha finalmente chegado.
Atravessou a porta antes mesmo que ela estivesse completamente aberta.



– Nina. – chamou-a pela
segunda vez, fechando a porta do quarto.



Ela tinha saído do jantar.
Andando rápido em sua frente. Quase correndo. Direto para as masmorras.



– Nina! – perdeu a paciência.



Ela se virou para ele de
repente.



– O que é? – perguntou com
maus modos.



Ele a segurou pelos ombros.



– O que maldição está
acontecendo? – rosnou.



Explodiu.



– Elisabeth!!



Não entendeu. Elisabeth tinha
sido irritante, mas educada. Não os provocara.



– O que infernos ela tem a
ver com seu mau humor?



– Tudo!



Estreitou os olhos,
levantando a cabeça. Encarando-a.



– Ou talvez você quisesse
dizer Lupin. – a voz lenta, perigosa.



Foi então que ela perdeu de
vez a paciência. Agarrando-o pelo colarinho, a boca procurando a sua.



Elisabeth. Lupin. Que fossem
para o inferno!



As mãos se desfazendo dos
botões. Ora abrindo-os. Ora arrancando-os. Até tocar a pele. E continuando.



– Eu o quero... – murmurou,
descendo a boca pelo peito exposto entre a roupa meio aberta – Quero você.
– deixou claro, descendo uma das mãos, tocando-o; confirmando que ele a queria
com a mesma intensidade.



– Quer? – as mãos corriam por
seu corpo, devagar.



– Sim. – abriu mais a roupa
dele – Agora...



Beijou seu pescoço. Ele
parou, imobilizando-a em seguida. Seus pulsos seguros entre as mãos dele.



– Por quê? – olhava-a
insistente.



Ela devolveu. A boca bem
perto da dele. As mãos ainda presas, se esticando para tocá-lo.



– Não para provar qualquer
coisa. Não por Elisabeth. Não por Lupin. – mergulhou em pretos – Mas porque... –
conseguiu mover um pouco a mão, correu um dedo por ele, respirando, a boca perto
– eu estou em fogo... – sussurrou sensual.



Viu-o arfar.  Não precisou de
um segundo convite.



Sorriu enquanto ele a agarrava. Forte. A boca inquieta por ela.



Ardente.



 



~~~~~. ~.~~~*~~~.~.~~~~~



 



Quase cinco horas. Suas duas
horas no arquivo tinham acabado. Estava indo para seus aposentos, queria ficar
com Anna e tomar um banho com calma antes de Severus chegar e tomar seu próprio
banho para irem jantar.



Virou um corredor. Olhos
azuis a encararam. E um sorriso frio.



Um aluno passou por perto.



- Como vai? – apesar da voz
fria, tentava ser educada.



- Bem, eu suponho. – sorriu
falsamente  – E você? Adaptando-se?



Ergueu a cabeça.



- Esta fase já passou. – o
sorriso começou a tornar-se cínico – Tanto de adaptação a Hogwarts e a Severus,
quanto à presença de nossa filha.



Azuis estavam estranhos; e
zombeteiros.



- É claro. – quase rosnou – A
bastarda.



Castanhos, perigosos.



- Não é uma bastarda. – não
conseguiu se impedir de reagir à provocação – E sim, já nos adaptamos bem a...
dividir a mesma cama. – disse com intenção, sabendo que isso a irritaria.



Elisabeth estava irritada.
Até que um brilho mau estabeleceu-se em azuis. Junto ao sorriso perverso.



- Pois não foi o que pareceu.
– falou gentil, erguendo uma sobrancelha.



Tentou não franzir a testa.
Não cairia na armadilha. Não perguntaria, disse a si mesma.



- É mesmo? Deve estar
enganada.



Elisabeth sorriu. Não se
importou mesmo com o que Severus diria. Afinal, era um modo tão bom como
qualquer outro, de fazê-lo vir a ela novamente. A expressão de prazer aumentou.
Apenas mais um...benefício ocasional.



- Dificilmente. – continuou,
o sorriso se alargando – Ou Severus não sentiria... a necessidade de ir a
meus quartos – destilou lenta, doce – em busca de mais que... palavras.



Nina respirou. O coração
rápido. Mas não conseguiu se impedir de ficar pálida.



Fingindo não sentir a dor em
seu peito. Tentando se controlar.



Os olhos irônicos da outra
sobre si. Apreciando cada segundo.



Apertou os lábios. Brava.



- Parece ser afeiçoada da
mentira, srtª Parker. – falou dura.



Ela riu, cínica.



- Porque você não pergunta ao
seu marido, querida?



Gargalhou, continuando pelo
corredor.



 



~~ * ~~



Tinha conseguido tomar seu
banho e alimentar Anna. Mas não teve disposição para brincar com ela.



Ouviu quando entrou. Ainda
tentando controlar a raiva. Tentando agarrar-se à esperança tênue de que
Elisabeth mentira. Escutou-o andar.



Se fosse para o laboratório
esta noite ela apenas...



Estava na porta do quarto,
olhando-a.



Não disse nada. Buscando em
seu rosto. O coração aos saltos.



Tentando imaginar se ele
seria capaz...



Percebeu que ela não agia
normalmente. As mãos apertadas.



Franziu a testa diante de sua
expressão. Séria. Inquisitiva.



Olhou-a, enquanto se
aproximava. Respirou cansado. Parando na frente dela.



Os braços cruzados sobre o
peito.



- É melhor colocar para fora.
– falou seco.



Apertou os lábios.



- Você esteve nos aposentos
de Elisabeth?



Não piscou.



- Quem lhe disse?



Seu lábio tremeu. Respirou.
Castanhos em pretos.



‘Não negou...’



A resposta de um sonserino.
Mordeu o lábio. O bastardo não tinha negado.



- Você... esteve. – disse num
fio de voz, baixando os olhos, tentando respirar.



Ele se aproximou mais. Ela
tentou se afastar. Ele a segurou pelos braços.



- Quem lhe disse? –
voltou a perguntar, duro.



Engoliu, com raiva. E pesar.



- Elisabeth! – enfrentou-o. –
E estava muito feliz por me contar.



‘Maldição!’



Podia matá-la por sua língua
grande.



Olhou para a mulher à sua
frente. A expressão em castanhos estava dura. E magoada.



Os lábios trêmulos. Viu-a
engolir.



- Foi idéia de Dumbledore. –
falou baixo, soltando-a.



Não estava acostumado a
explicar-se.



- O quê? – não podia
acreditar.



Viu-o respirar, os lábios
apertados; contrariado.



- Me pediu para... “conversar”
com a Srtª. Parker.



Não podia acreditar. Pasma.
Os olhos se desviaram de negros.



Pensando. No que não havia
sido dito. Os lábios se apertaram.



Ele o tinha usado de novo. 
Um espião. Um peão.



Harry estava certo, afinal.
Era só um jogo amaldiçoado.



‘Aquele...’



Começou a xingar. Enquanto se
dirigia para a porta.



Severus pegou-se de repente
em meio a um pequeno sorriso.



- Aquele bastardo filho de
uma... -
a voz
baixou – vai me escutar!



Continuou escutando enquanto
ela andava.



‘Temos uma língua suja
afinal.’

refletiu irônico.



O mais leve que ela tinha
dito do bem amado diretor era: “velho devasso manipulador e caduco”.



Escutou a porta de fora bater
com força.



‘Merlin tenha piedade de
Albus.’ –
pensou
divertido – ‘Ou não.’ – a parte sonserina acrescentou com um esgar
maldoso.



 



Dumbledore tinha tentado
acalmá-la, quase divertido. Enquanto ela andava de um lado para outro,
controlando-se para não fazer ou dizer algo de que se arrependesse mais tarde.
Esperando sinceramente que Albus tivesse uma explicação realmente MUITO BOA para
tudo aquilo.



- Não posso acreditar que
você tenha feito isso! – quase rosnou furiosa. – Eu confiava em você!



Resmungou impropérios. Sem se
importar muito se o diretor escutava.



- Acalme-se, Nina. – ele
pediu movendo a mão direita – Exatamente o quê eu fiz?



Não podia acreditar! Ele não
podia estar fingindo não compreendê-la!



- Elisabeth! – repetiu brava
– Você mandou Severus a Elisabeth! – continuou, exasperada – para...
para... – não conseguiu, furiosa demais para dizer; pensando se o diretor estava
caduco ou se estava se divertindo em fazê-la dizer com todas as palavras
novamente.



Os olhos tinham cintilado
mais então.



- Nada aconteceu e nada
aconteceria sempre, sem que você soubesse.



Não podia acreditar na
desfaçatez. Mesmo que fosse verdade... Engoliu os insultos na ponta da língua.
Controlando-se a custo.



- Essa não é a questão! –
quase gritou, gesticulando brava – Você não pode simplesmente manipular as
pessoas dessa forma! Não pode...



- Vocês estão sobre a magia
do casamento. – ele a interrompeu –  Nada precisa realmente acontecer.
–olhou-a – E há os anéis. Nada acontecerá sem que você saiba. – repetiu.



Isso a tinha parado em meio
ao argumento. Olhando-o, espantada. E depois desconfiada.



Ele parecia dizer mais que as
palavras. Como sempre. Respirou. Ainda irada.



Mas este fora o argumento que
ganhara sua atenção: Os anéis.



Sem saber direito se era um
truque daquele velho senil que mantivera uma expressão calma e divertida durante
todo o tempo.  Estreitara os olhos, deixando-o falar, enquanto se sentava.
Aprendendo.



Prometendo a si mesma que
pesquisaria mais.



E que faria perguntas
discretas a Hermione na manhã seguinte.



 



Durante seu caminho de volta
para as masmorras, pensou no que acontecera.



Dumbledore fora calmo e
tolerante com ela. O maior bruxo vivo. O único que Voldmort temia.



E ela praticamente o
desafiara. Suspirou; a ira ainda não totalmente extinta.



Pensando nas implicações. Se
realmente Severus tivesse que...



Não conseguiu completar o
pensamento.  A raiva voltou. Não o perdoaria.



Podia ser uma trouxa, mas era
sua esposa!



Mas no fundo, ela sabia.  No
fim a verdadeira decisão seria de Severus.



A angústia que estiver
escondida pela raiva durante todo o tempo fez-se conhecer.



Um gemido pequeno quase
escapou.



Controlou-se. Preferia a
raiva. E culpar alguém. Os olhos resplandeceram.



Tudo por causa daquele velho
manipulador. Que lhe dissera coisas interessantes sobre a magia do casamento e o
poder contido em seus anéis. Levantou a mão, olhando-o. Pensando no quanto ele
estivera morno no primeiro dia. Quando ela pensara que ele estava com o diretor
e os sonserinos. Lembrando do que acontecera depois. Isso, de alguma forma,
acalmando-a um pouco.



Tentando fazer a conexão
entre o que ouvira e o que poderia ter acontecido naquela noite.



Reforçando sua idéia de falar
com Hermione assim que pudesse.



O mais rápido possível.



 



Tinha retornado.



Levantou o rosto dos
pergaminhos que corrigia para vê-la entrar.



A expressão ainda denotando
tempestade.



Mas não parecia que ele era o
alvo agora. Olhou-a. Havia... algo mais.



Passou por ele sem uma
palavra. Indo direto para o quarto.



Franziu a testa.



 



~~.*.~~



 



Era de tarde. A conversa com
Hermione estava se estendendo.



A bruxa tinha franzido a
testa diante de suas perguntas de manhã. Fingindo não perceber a ansiedade de
Nina. Não acreditando completamente quando dissera que estava querendo saber
mais sobre os laços que aceitara. Principalmente quando não ficara completamente
satisfeita com o que ela sabia. Tivera mesmo que ir à biblioteca e pesquisar
algumas coisas.



E agora estava ali. No
arquivo. Depois das aulas.



Tentando ignorar seu
estômago.



A suspeita de algo mais e a
vontade de ajudar, fazendo-a continuar.



 



~~~.*.~~~



 



Resmungou, jogando a pena
para o lado.



Não ia conseguir terminar de
corrigir esses pergaminhos infernais. Ficariam atrasados para o jantar.



Levantou-se, andando em
direção à porta do quarto. Abriu-a.



Vazio.



– Nina.



Sem resposta.



Dirigiu-se ao quarto de Anna.



Nina não estava. Nem Winky.



Só Anna.



Olhou o pequeno ser dormindo
no berço.



Foi mais forte que ele.
Aproximou-se.



Não entendeu porque ela
sempre dormia com os pequenos braços levantados, as mãos ao lado da face.



Viu a boca de Nina. Mas com
certeza aqueles cabelos não eram dela.



Levou a mão ao rosto
minúsculo.  Uma miniatura mista dele e de Nina.



O bebê suspirou ao sentir seu
toque.



Havia algo morno dentro dele.
Como se a visse realmente pela primeira vez.



Então percebeu...   Era pai.
 A mão tremeu; afastou-a um pouco.  Não deixou a emoção aflorar.



Apesar de tudo, não conseguiu
se impedir de sorrir quando Anna segurou seu dedo com força.



 



~~~~~. ~.~~~*~~~.~.~~~~~



 



Bateram na porta.



Ela franziu a testa.



Dirigiu-se ao escritório.
Abriu-a.



– Lupin! – sorriu feliz,
abraçando-o – Quando chegou?



– Agora há pouco.



Foi então que ela viu. A
fisionomia desfeita. O rosto sério.



– Aconteceu alguma coisa?



Franziu a testa.



Severus tinha ido dar aulas.
E já era de tarde. Não podia ser nada com ele.



– Sim. – ele murmurou.



O olhar doce tinha sumido. Só
havia preocupação. E... Dor? Desespero?



– Entre. – ela abriu mais a
porta.



– Não. – sacudiu a cabeça,
hesitando – Você pode... sair?



Era sério. Ela ficou
preocupada.



– É claro. Espere um momento.



Foi falar com Winky.



– Onde você quer ir? –
perguntou pegando um agasalho – Ao lago?



– Não. – ele a olhou – Talvez
um pouco mais longe? Hogsmeade? – perguntou devagar.



Ela estacou. O olhar dele
quase implorava.



– É claro.



Desviou de um aluno correndo.
Esperou que ele não tivesse percebido a pequena hesitação.



Mas ela ia fazer algumas
perguntas antes.



Viver com Severus deixou-a
mais... cautelosa. E havia a poção polissuco.



Ela não ia se arriscar.



 



~~. * .~~



 



Eles estavam em Hogsmeade.
Era o Lupin. Ela tinha certeza.



Tomou mais um pouco de sua
cerveja amanteigada. Ouvindo o que ele dizia.



Enquanto ele não tocava na
dele. Tonks e Diana tinham sumido.



Ela o ouviu toda a tarde.
Pelo caminho. Ele não se atreveu a falar abertamente.



Principalmente não perto de
qualquer um. Mas ela tinha entendido.



Viu os olhos perdidos. Seu
coração se apertou. Segurou a mão dele. Ele apertou a sua. Sentiu seu anel
levemente morno.



– Não se preocupe. Elas são
bruxas boas. – murmurou.



Ele só meneou a cabeça. A mão
ainda entre as suas. Sem soltá-la.



 



~~ * ~~



 



Ele jogou a pena para o lado.



Sete horas.



‘Sete horas!’



Ouviu Winky conversar com
Anna.



Apertou os lábios.
Impaciente.



Tinha sentido o anel ficar
morno em um momento.



A raiva o fez ranger os
dentes.



Raiva.



Fechou os olhos. Só raiva.
Não... qualquer outra coisa.



Controlou-se. Não ficaria
irritado!



A porta se abriu.



Ela viu os olhos furiosos do
homem sentado na escrivaninha.



Ouviu Anna. Andou rápido para
o quarto.



Ele segurou seu pulso quando
passou por ele. Com força.



– Depois. – murmurou.



Anna resmungou de novo. Foi
um momento e um aperto mais doloroso.



Antes que soltou o pulso
dela.



~.*.~



Ela amamentou Anna. E tomou
um banho.



Sabendo que ele a esperava.



Suspirou. Estava com fome. E
esse era o menor de seus problemas.



Ele não estava no quarto.
Respirou.



Quando abriu a porta ele
estava de pé. As mãos juntas nas costas.



Parou. Viu na expressão dele.
Não ia ser fácil.



‘Maldição, eu não fiz nada
de errado!’




Estou esperando. – voz dura.



‘Eu vou saber. Mesmo se
tiver que usar legillimens!’




Eu tive que ir a Hogsmeade.
Lupin veio aqui hoje à tarde e...



‘Lupin.’



Sempre Lupin!




E você nem mesmo se preocupou
em avisar! – ele quase gritou – Indo a Hogsmeade! – deu um passo à frente, as
mãos fechadas ao lado do corpo – Se arriscando de novo! – vociferou para ela.



– Eu não estava me
arriscando! – tentou se acalmar – Estava com um auror. Um membro da Ordem. – ele
torceu os lábios a isso, sem mudar a expressão – Que precisava de um amigo.



– E ele não tem mais ninguém!
– ironizou – Nem Potter. Ou Granger. Ou Dumbledore! – ela viu como estava
ficando vermelho – Só a sua antiga...



– Severus! – ela o
interrompeu, os olhos brilhantes.



Ele não tinha o direito.



Havia pretos. Perfurando-a.
Sentiu sua mente estranha. Por um momento. Encarou-o.



Viu a expressão ficar ainda
mais dura. Enquanto ele apertava os lábios. Tentando se controlar.



Ela respirou.



– Eu não fiz nada de errado.
– continuou – Tonks e Diana sumiram.  – suspirou – E você sabe o que ele sente
por...



‘por você!’



– Eu não sei de nada! –
rosnou dando mais um passo – O que eu sei é que você saiu sem sequer avisar
aonde ia! Sem se importar com sua filha. – ela o viu apertar as mãos ainda mais
– Ou com sua própria vida!!



‘Eu só fui a Hogsmeade...’



Mas resolveu mudar sua linha
de argumentação. Ele estava certo.



Nem ela nem Lupin tinha
pensado no perigo.



– Me desculpe. – tentou
acalmá-lo – Você está certo. Eu não voltei para avisar Winky quando eu soube
para onde íamos. – suspirou – Também não imaginei que ia demorar tanto. E eu
estava mais preocupada em me certificar de que o Lupin era o Lupin. – olhou o
rosto de pedra – Você me ensinou bem. Eu não sairia daqui sem checar se não era
uma armadilha.



– Não.  Me. Lisonjeie! –
rugiu por entre os dentes, ameaçador.



Abordagem errada. Ele estava
ainda mais furioso.



– Não estou. Só quero que
saiba que me cuidei. – deu um passo atrás discretamente. – Ou tentei. –
completou ao ver a expressão dele – Ele está apaixonado, Severus. – tentou mais
suave – Imagine o que ia sentir se... – parou.



Desviou os olhos. Alguma
coisa em seu peito...



– Isso não é desculpa! – ele
respirava forte, deu um passo em sua direção.



Irado. Tentando ignorar... o
incômodo. Que ele não quis nomear; mas sentiu. Ameaça. Posse.



A lembrança do anel levemente
morno. E o que isso significava, enfurecendo-o.



Ele não ia entender. Ela
percebeu isso nos olhos dele.



– Você saiu. – ele foi
chegando perto, devagar –  Sem avisar. – falou baixo, a voz rouca, dura – Sem se
importar. – ele fechou a porta – Se arriscando. – ela ficou com medo – Por
ele!!



Ele segurou seus ombros. As
mãos machucando. Puxou-a para si.



– Severus, você não
entende... – ela tentou, o coração disparado.



– Não! Eu não entendo! –
rugiu ainda mais furioso, insano – Mas você vai entender.



Ela era sua mulher!
                 Ele a pegou no colo.




Severus...



– Cale-se!



– Pare com isso! – medo
começou – Escute...



Eu disse: cale-se!!



Ela resolveu obedecer.
Assustada. Os olhos em sua expressão.



Ele a deitou na cama. Os
lábios nos seus. Tocando-a.



Ela levou a mão, tentou
empurrá-lo.



Segurou seus braços acima da
cabeça. Sem machucar. Sem gentileza.



Pegou a varinha.



– Evanesce!



Ela estava nua.



Severus! – quase
implorou.



Ele a ignorou.



– Evanesce!



Ele deixou a varinha. Descendo a mão por ela. A respiração ruidosa. Tocando-a.
Com intimidade.



A boca em seu pescoço.
Exigindo. E conseguindo, habilmente, que seu corpo reagisse.



Sem sua alma.



– Por favor...



– Talvez você preferisse
Avery agora! Ou McNair! – a mão tocou mais duro – Ou LUCIUS!



Não houve compaixão.



Mesmo sem maltratá-la, ele a
estava insultando.



Até que ela gemeu.



Ele voltou aos seus lábios.
Sem ferir seu corpo uma só vez. Sem delicadeza.



Conseguindo todas as
respostas. Fazendo seu rosto queimar, ao entrar nela.



Enquanto ela se sentia usada.
Uma coisa. Como nunca tinha sido antes.



Quando acabou, ela sentiu seu
coração doer. Virou o rosto, segurando as lágrimas; os lábios trêmulos.



Ele soltou suas mãos. O rosto
em seu pescoço, em meio aos cabelos. A respiração rápida.



Antes que ele se afastasse
dela, virando-se de costas,olhando o teto.



Uma única lágrima rolou. Não
permitiu que ele visse.



Ela se encolheu, devagar,
trêmula. E levantou-se; indo para o banheiro, trancando-o.



Escorregando para o chão.
 Chorando.  



A mão na boca, para impedi-la
de soluçar.



~.*.~



Muito tempo depois, ela
conseguiu se acalmar.



Ignorou os murmúrios do
espelho. Cobriu-o.



Tomou outro banho, demorado.
Que não ajudou.



E vestiu seu robe.



Suspirou, antes de abrir a
porta.



Passou direto para o quarto
de Anna, fechando a porta.



 



~~. * .~~



 



Quatro dias.



Ela o evitou.



Não houve palavras.



Ele ficou no laboratório a
maior parte do tempo. Ou corrigindo pergaminhos.



Deitando-se tarde. E
levantando antes dela acordar.



Não o deixou vê-la derramar
uma única lágrima.



Se ele se atrevesse a
tocá-la...     Deixaria de ter uma esposa.   Jurou a si mesma.



Quatro malditos dias.



 



~~. * .~~



 



– Nina?



Ela voltou à realidade.
Largou a pena.



– Você está bem? – Hermione
franziu a testa.



Tentou sorrir.



– E você? – desconversou.



Deixou passar a “resposta”,
olhando-a.



– Estou.



Ela diria se precisasse.



– Tonks e Diana apareceram? –
perguntou devagar.



– Sim.



Suspirou. Sem querer
lembrar-se.



– Que bom. Lupin estava muito
preocupado.



Hermione sorriu.



– Parece que ele está
realmente gostando dela.



– É. Tomara que dê certo.



Desviou os olhos.



– Nina. Eu preciso falar com
você.



Olhou-a. Esperando. Hermione
olhou para aos lados.



– Não aqui. Você pode me
encontrar depois do almoço?



Nina franziu a testa.



– Está bem.



Desviou os olhos.



Não quis se lembrar do que
tinha acontecido da última vez que pediram para falar com ela.



 



~~. * .~~



 



– E é isso.



Ela tinha a testa franzida.



– Não tem nenhum outro jeito?



O coração apertado. Receoso.



– Não. Eu já tentei, mas...



Deu de ombros, os olhos
esperançosos.



Nina tentou não se preocupar.
Conter a apreensão.



– Teremos que falar primeiro
com...



– É eu sei. – Hermione
respondeu.



Suspirou.



 



~~ * ~~



 



Mais de seis horas.  Ele
apertou os lábios.



Ela não estava quando ele
chegou.



Winky tinha deixado “escapar”
que estava com Dumbledore.



Levantou-se.



Isso tinha sido há mais de
uma hora.



Ouviu um barulho.



Ela abriu a porta.



Pretos. 



Viu-a desviar os olhos,
passando por ele, sem falar, até o quarto.



Voltou mais tarde. Sem
olhá-lo, parada. Esperando.



Para acompanhá-lo, se ele
fosse ao jantar.



Conforme seu acordo
silencioso.



Ele hesitou só um segundo.
Antes de abrir a porta.



E deixar que ela o
precedesse.



 



~~ * ~~



 



Sábado.



Ele bateu os dedos na mesa.
Impaciente.



Três horas.



Ela estava demorando. De
novo.



Mesmo depois... do que tinha
acontecido...



Moveu-se.   Sem querer
lembrar.



Tinha sumido durante todo o
dia.           Sem explicações.



Deixando leite para Anna numa
“coisa” trouxa.  Que Anna sugou. Faminta.



‘Inferno sangrento!’



Bateu na mesa.



Vai ouvir!’



Levantou-se, agitado.
Tentando controlar a raiva começada. Não ia se deixar levar pela irritação ou
ira.



Sempre se orgulhou de se
controlar. Quando queria.



Seus olhos pararam sobre um
dos ingredientes da poção mata-cão.



Rosnou.   Tocando com o
polegar no anel. Deu dois passos.



Colocou as mãos para trás.



Andando...  A esmo.  Olhando
os vidros. As estantes.



Irrequieto.



Foi até uma delas. Atrás da
escrivaninha.



Pegou um dos livros. Andou.



Abriu-o. Passando os olhos
por ele. Sem ver.



Fechou-o com um barulho. Os
lábios apertados.



Voltou.



Ia colocá-lo no lugar. Mas
algo chamou sua atenção. Franziu a testa.



Havia a ponta de um papel,
com poeira, saindo de um deles. Levou a mão. Puxou-o.



Colocou o outro no lugar com
a outra mão. Abriu. Era um envelope. Fechado.



Ele reconheceu a letra que
tinha escrito seu nome. E a data.



 



~~*~~



 



“Severus,



 



Você está errado.



Por pensar que eu
acreditaria em tudo o que me disse.



Eu te conheço. Eu sei quem
você é.



Há mais tempo do que você
pode imaginar.



Eu te disse uma vez. Eu
não fugiria de você pelo seu passado.



Eu não escolhi... querer
você.   



Se eu pudesse.   Teria
preferido Remus.



Mas eu não pude.



Como não pude permanecer.



Elizabeth não é realmente
o problema.



Ela talvez seja parte da
solução.



Você se fez longe demais
de qualquer um. E de mim. Por opção.



Eu estou indo porque você
não pode estar “realmente” com ninguém.



Mas talvez ela possa
conviver com isso.



Por que eu não posso.



Eu sempre tive a
desconfiança de que você se atira a essa guerra com ânsia demais.



Não procura a morte.
Ainda. Busca correção. Penitência. Sacrificando o coração enquanto isso.



E seus sentimentos.
    Fingindo não ligar. Quando tem que fazer o que você abomina.



Fingindo não se importar.
E engolindo em seco.  Mantendo todos longe. Afastando-os.



É mais fácil.  Ninguém a
amar. Significa ninguém a perder. 



E você faz isso de forma
muito... árdua. Tenta demais.



Talvez tenha perdido o
real significado, de como é estar com alguém. De como é...



Confiar. De verdade. E ter
alguém que confia em você. Que divide.



Eu nunca duvidei de você.
Não importa quão duro você tornou isso.



Eu sempre voltava sobre
meus passos.   E admitia a verdade.



Que você é alguém em quem
acredito. Em quem confio.



E que vale a pena. Cada
parte de você.



Mas você não me quis.  Não
conseguiu. 



Está tudo bem afinal.



Não tem culpa disso.   
    Só de não ter tentado.



Como eu não tenho culpa do
meu segredo. E de te querer tanto.



Elizabeth é o melhor para
você. Porque ela não exigirá sua alma.



Não exigirá receber tanto
quanto te der. Não exigirá dividir tudo.



Só seu corpo. Seu  nome. E
algo de sua mente.



Não é o suficiente pra
mim, eu sinto muito.



E você nunca me dará o que
eu quero.



Então não precisa de mim.
Você tentou muito.  Parabéns.  Conseguiu.



Eu vou te deixar.



Não pelo que você disse.
Ou por qualquer coisa que tenha feito.



Mas porque é o seu 
último  e verdadeiro pedido. O mais caro. E eu entendi.



Que era a desculpa que
você estava esperando. Para me afastar de você.



Por medo...  
                 Muito bem.  Será como você quer.  Eu irei.



E se eu não conseguir.
  Vou te esquecer. E viver.



Longe de você.



O meu “segredo”.  O que eu
não te contei.  Me dará forças.



Mesmo porquê...



Eu penso que sei o que
você planejou para si.



Ao final dessa guerra
estúpida, quando não houver mais o que fazer.



Eu quis muito que fosse
verdade.  O que você disse. Lembra-se? “Eu viveria por você.”



Não importa qual lado
ganhe. Você não quer estar aqui.



Não vai ficar.  Acha que
seu tempo terá acabado.



Eu penso que você vai se
deixar... ir. Em meio à batalha.



E isso dói demais.
                         Eu te disse. Você não tem esperança.



Nada.    Nem ninguém.
    Importam.



Eu te ofereci uma
alternativa.  Mas você declinou.



Que seja.



Você não precisava ter ido
tão longe. Bastava pedir.  Eu teria ido.   (Talvez...)



Você, seu tolo!



Acha mesmo que eu
acreditei quando disse que “gostou” do que fez?



Nem em seus sonhos mais
loucos de poder, você teria apreciado o que quer que tenha acontecido.



Eu o tive em minha cama.
Eu sei. Você nunca se satisfaria em possuir alguém envolto em medo e dor.



Que não te correspondesse.
 Sua ânsia por poder não chega tão longe.



A ponto de apreciar
dominar para ter prazer próprio.



Você não infligiria dor
por prazer. Não é de sua natureza. Nenhum tipo de dor.



Nunca foi assim. Não
comigo.    E você teve escolha. Várias vezes.



Então não pense que pode
me enganar.    Você não “gostou”.



Mesmo que tivesse
acontecido alguma vez no passado. Uma sequer. Não era você. 



Mas o que Voldmort fez de
você.



E eu sei que você se
arrepende. De tudo.



E isso me basta.



Maldição!   Uma escolha
errada. E você ainda paga o preço.



Cada maldita porção dele.



Por isso não pense que
pode me enganar.



Você não vai conseguir me
fazer acreditar que é pior do que eu sei que é. E eu... Não.



Isso está se pondo longo
demais. E confuso. E repetitivo.



Talvez eu não esteja
pensando tão bem quanto eu imaginei que faria.



Não enquanto tento não
chorar...



Não é culpa sua.



A culpa é minha.  Fui eu
que te quis.  Não você.



Fui eu que sonhei com
você. Antes de Hogwarts.



Deus! De uma forma
impossível.



E então eu te encontrei. O
impossível se tornou... realidade.



Tudo era tão...
inacreditável. Duro. Diferente. Mas surpreendente. Especial.



Por isso nunca duvidei.
Por isso não consegui me afastar.



Por isso nunca me
preocupei em esconder o que eu sentia.



Se o destino tinha
permitido que eu estivesse perto de você.



Ele também me daria o
resto.



Eu rio agora.  De tanta
tolice.



E eu sei, maldito seja,
que você teria preferido ficar longe.



Teria preferido que eu não
tivesse ido a Hogwarts.



Teria realmente escolhido
que nada tivesse acontecido.



Eu podia dizer que sinto
muito. Por tudo o que aconteceu. Mas não sinto.



E eu faria tudo de novo.



Só  não estou
conseguindo...  deixar de pedir.



Se algum dia, você sentiu
qualquer coisa. Qualquer maldita coisa! 



Por favor não morra.
       Por favor tente ficar bem.



Não deixe que Voldmort
ganhe mais de você.



Não lhe dê sua vida. Nem
agora. Nem depois.



Você pode.  Mesmo que não
acredite nisso.



Eu acredito.



E ainda confio em você.



Como sempre.



 



 



“Sua”



 



 



Nina.



 



 



Ainda não.. Não é o
bastante..



 Não importa o que
aconteça. Nada vai me tirar o que eu já tenho.



Eu posso me concentrar no
escuro  e ver você. Sempre. Quantas vezes eu quiser.



De todas as formas. Em
todos os momentos.



Algumas vezes,  eu pensava
ver em seus olhos...  o mesmo que eu quis.



Mas talvez fosse só a
paixão que nós dividimos.



E agora. Quando eu fecho
os meus.  São só os seus que eu vejo.



Eu te encontrei. E no fim.



Não fez diferença.



Eu não tive escolha. Não
pude dizer nada quanto ao assunto.



Mas ainda tenho as
lembranças.



Posso deixar que elas
venham. E me dominem. E façam de mim o que quiserem.



E então... quando passar a
dor. Eu vou te ter. Pra sempre.



E nisso.



Você
 não tem
escolha!



 



 



Então é:



 



 



 “Sua”



Enquanto eu viver.



 



 



Nina.”



 



~.*.~



 



Em alguma parte de tudo
aquilo. Do tumulto. Ele tinha se sentado.



Percebeu o papel enrugado. No
lugar onde tinha havido lágrimas.



Dela.



Ele estava atrasado...   Viu
a data. Surpreso ao perceber que suas mãos tremiam.



Lendo. Mais que uma vez.
           Guardou-a, devagar. Sem notar.   



E se recostou. Imóvel.
Pensando. As mãos juntas, os indicadores na boca.



Os olhos perdidos. E houve
sombras. Até que ele os fechou. A testa franzida.



‘Que não te
correspondesse...’



Para perceber que estava
escurecendo, quando finalmente voltou a abri-los.



Muito tempo depois.



~*~



Levantou-se. E saiu pela
porta. Resoluto.



 



~~ * ~~



 



Seus passos diminuíram, apreensivos, quando o viu.



Vinha em sua direção, no grande corredor.  Mordeu o lábio, ao ver Elisabeth.



Que chegou primeiro até ele. Viu o olhar insinuante que a veela deu ao seu
marido.



‘Inferno!’



Não ia perdoá-lo, se dissesse ou fizesse qualquer coisa, na frente daquela...
bruxa.



Tentou não deixar que sua expressão revelasse nada ao ouvi-la.



– Ora, ora. Se não é o grande
casal. – ironizou – Separados hoje?



Ele estreitou os olhos. Sem
responder. Neste momento, queria que Dumbledore e seus planos amaldiçoados
fossem ao inferno.



Sentiu negros nela.  
Diferentes...   



Não entendeu. Mas sua atenção
foi desviada, quando Elizabeth se moveu um pouco mais para perto dele.
   Percebeu que olhava para sua roupa ainda suja de fuligem do flú.



– Você sabe onde sua...
esposa... – disse com desprezo – Estava até essa hora?



Nina olhou para ele. Tentando
não deixar transparecer. Inquietação.



Viu quando ele franziu a
testa. Suas mãos suaram. Com raiva de Elisabeth. E receio...



Apesar... de tudo o que tinha
acontecido entre eles. Ansiosa.



Ele moveu a cabeça,
arrogante, encarando a bruxa. Depois controlaria perdas. Não agora. Agora...



– Isso, Srtª. Parker. –
rosnou baixo – Não é da sua conta. – e então, pretos brilharam para Nina –
Contudo... – ele falava, enquanto dava passos vagarosos em sua direção –
Minha... esposa. – a era voz firme, num tom que ela não reconheceu – Goza de
minha... – levantou uma sobrancelha ao voltar-se para Elisabeth – confiança.



Sorriu ironicamente para
Elizabeth. Que disfarçou a ira, uma promessa nos olhos estreitos, de que não
faria as coisas fáceis para ele se fosse se desculpar. Ah, não ia mesmo!



Nina o olhou surpresa por um
segundo.  A boca aberta.  Fechou-a. Recuperando-se.



– E isso – ele
enfatizou, agora com os olhos em castanhos, até que virou-se para Elizabeth, e
estendeu a Nina sua mão, repetindo o gesto que ela fizera na enfermaria uma vez
– Não é oferecido... – olhou-a – a qualquer um.



Não conseguiu tirar os olhos dele. Tentando não se deixar levar.  A mão fria.
Trêmula.



‘Seu... sonserino!’



Pegou a mão estendida. Que
segurou a sua com firmeza.



Ele ainda tinha conseguido
que ela o tocasse. Sentiu a mão quente na sua.



Elizabeth deu-lhes um olhar
furioso.



– Meus parabéns. – ironizou –
Confiança é algo importante. Esperemos que seja merecida.



E se foi.



Nina voltou-se para
olhá-lo.   Respirou.         Soltou a mão.    E passou por ele. Depressa.



Sem saber o que dizer. Ou
como sentir.



O coração disparado.



~.*.~



Tomou um banho rápido. Antes
de pegar Anna.



Levando-a até sua cama, para
alimentá-la e brincar com ela.



Enquanto falava com Winky.



Ele tinha voltado.



Escutou-o pela porta
entreaberta, movendo-se na outra sala.  Viu sua sombra.



Tentou não ficar tensa. Não
se preocupar. O que tivesse que ser, seria.



Pensou no encontro com
Elizabeth. Lembrando...



Sacudiu a cabeça. Não podia
ficar confusa. Não agora.



~.*.~



Tinha acabado de acomodar
Anna e voltado para perto da lareira. Ouvindo quando bateram lá fora.



Suspirou. Indo até a porta do
quarto. E vendo-o parado em frente à mesa.



– Entre. – ouviu-o falar.



A porta foi aberta devagar.
Uma enorme cabeça apareceu.



– Olá! – o elfo entrou;
olhou-a – Diretor Dumbledore pediu Dobby para vir aqui. – sorriu – Precisa ir.
Para escritório do diretor. Com Dobby.



Ele torceu os lábios.



– Diga ao diretor que eu já
vou. – a voz seca.



– Oh, não o senhor. – Dobby
sacudiu a cabeça, olhando para ele – Não é professor Snape. – e depois para ela
– É a Srª  Snape.



Viu quando os olhos escuros foram até ela. Forçou-se a andar.



Tentando não pensar no que havia ali.



~.*.~



Meia hora tinha se passado.
Ele tinha as mãos apoiadas na mesa.



Havia outra batida na porta.
Ele se virou, indo até lá.



Dois olhos enormes o
encaravam.



– Diretor Dumbledore quer
falar com professor Snape agora, senhor. – ele moveu a cabeça, contente.



Snape fechou a porta atrás de
si.



~.*.~



Encontrou com Minerva se
dirigindo para o escritório do diretor. Séria.



– Lupin, Podmore e os outros
já chegaram. – ela informou – Odeio essas... reuniões inesperadas de Albus.



Ele franziu a testa. Uma
reunião da Ordem?



– Torta de maçã. – ouviu-a
dizer, sem responder.



Eles subiram pela gárgula.



Abriu a porta. Vários membros
estavam lá.



E...   Nina.



Ela desviou os olhos. Parecia
ter ficado tensa.



Dumbledore olhou-os. Desviou
azuis para Minerva.



– Sentem-se. – estendeu a mão
apontando as cadeiras extras – Estávamos esperando por vocês.



Minerva se sentou. Severus
ficou em pé perto da entrada. O diretor não discutiu.



Nina evitou virar-se. Sentada
em frente à Dumbledore.



– Bem. Estamos aqui porque
temos excelentes informações sobre o novo esconderijo. – ele sorria.



Eles sabiam do que estava
sendo falado. Mas havia hesitação. Como se esperassem que ela saísse.



Severus olhou para o diretor.
A boca estreita, a expressão dura.



Alguém limpou a garganta, no
silêncio.



– Diretor, – Kingsley
Shacklebolt falou – Bem... – ele parecia desconfortável, olhando para Nina – Nós
podemos falar abertamente...



– Sim, Kingsley. – ele sorriu
– Será meio difícil fazer essa reunião. – olhou por sobre os óculos – Sem a
pessoa que as conseguiu.



Houve surpresa, logo
disfarçada.



– Senhores, – ele parecia
divertido – eu gostaria de lhes apresentar a Senhora Snape.



Não havia como disfarçá-la
agora. Eles olhavam para ela. E para Snape. Rígido.



Ela estava furiosa por não
conseguir controlar o rubor. Dumbledore virou-se para ela.



– E esses são: Dédalo Diggle
– ela olhou o homem à sua direita, ele fez um cumprimento com a cabeça – Hestia
Jones, Elphias Doge,  Kingsley Shacklebolt e Sturgis Podmore... Não estão todos
aqui é claro.



– É um prazer senhores,
senhora. – cumprimentou-os, sentindo-se nervosa.



Evitando olhar em pretos.



– O prazer é nosso, Srª
Snape
. – o bruxo negro falou, hesitando um milésimo antes do nome – Eu não
sabia de seu... envolvimento na ordem.



– Quase ninguém sabia
Kingsley. – Dumbledore os olhou.



Ela sentiu um arrepio.



‘Quase ninguém
mesmo.’




Bom. – o que Albus
apresentara como Podmore se manifestou – Seja bem-vinda.



– Obrigada.



Dumbledore sorriu.



– E agora, a Srª Snape poderá
lhes informar. – ele os olhou – Tudo o que ela conseguiu.



Os olhares voltaram-se para
ela. Respirou.



– Eles estão no terceiro
andar. – começou sem demora, tentando controlar o nervosismo – É um condomínio
fechado. Só existe uma entrada. Para pessoas e veículos. – abriu um papel – Este
é um esboço do local. – o papel foi passado para eles – Tem o endereço. O número
do apartamento. E como é por dentro. Há o elevador. Que eles não usam, de acordo
com a Srª Stuart. Uma escada do lado direito. E uma de emergência. No fim do
corredor. E suas suspeitas estavam certas. – ela se virou para Dumbledore – A
entrada tem feitiços para detectar bruxos. Os vizinhos pensam que é um detector
de metais com defeito. Só faz um barulho estranho quando um deles passa pela
entrada.



Não conseguiu olhar em
pretos. Inquieta.



– Não sabia que os trouxas
tinham isso. – ouviu a voz feminina falar baixo.



Não respondeu.



– A senhora Stuart mora ao
lado do apartamento deles. Estava ansiosa para contar tudo o que eles fazem. Eu
tinha dito a ela que queria alugar um apartamento. Depois de algum tempo ela me
convidou para entrar. Ela é sozinha. Nós conversamos. – falou simplesmente – De
acordo com ela, eles vestem roupas estranhas e bizarras. – quase sorriu
ao lembrar o horror no rosto da velha senhora – E fazem muito pouco barulho.
Levando-se em consideração a quantidade de gente que vai até lá. Principalmente
às sextas-feiras à noite. Mais ou menos oito horas pelo que ela lembra. Ela não
conseguia entender como conseguiam dormir tantos num só lugar. Nunca os viu sair
à noite. Mas não era madrugadora. – a velha senhora parecia ter ficado vigiando
– Eu penso que é isso. – terminou – Se vocês tiverem perguntas...



Silêncio. Sentiu-se
desconfortável. Olhou para Minerva. A bruxa parecia divertida.



Talvez eles não aparatassem
para fugir aos detectores de energia de Arthur.



Provavelmente eles saíam por
onde entravam, concluiu.



– Aproximadamente quantos,
você acha que estão lá? – um deles lhe perguntou.



– Eu contei oito entrando de
uma só vez. A Senhora Stuart me chamou à janela. Queria que eu ouvisse o
estranho barulho do qual tinha falado. Como um assovio. Cada vez que um deles
entrava.



Suprimiu o fato da senhora
Stuart ter pensado que o “detector de metais” não estava com defeito. E
de como estava apavorada pensando que eles estavam armados.



– Pareciam jovens,
inexperientes. Nenhum deles se preocupou comigo. Ou estranhou minha presença.
Mas eu vi dois... – segurou um tremor – Mais velhos. Diferentes. Que olhavam
para os lados. Andavam devagar. Atentos. Estes realmente me lembraram...
comensais. – sentiu um arrepio ao lembrar, imaginou se Severus tinha ficado
tenso – Os outros parecem... aspirantes. Mais uma coisa... – ela lembrou – Há
pelo menos três deles guardando a entrada. Um estava escondido na vegetação. Eu
o vi “aparecer” entre a folhagem, quando vieram substituí-los. Eram mais ou
menos quatro horas. – informou. – Então... – pensou um pouco – lembrando do que
ela me disse... Eu só posso supor, desculpe. – moveu a cabeça – Entre vinte e
trinta. Não mais que isso.



Ouviu um assobio baixo.



Alguém limpou a garganta. 
Dumbledore sorria. O nervoso voltou.



Ela se arriscou a olhar em
pretos.



Brilhantes.  Indecifráveis. 
E duros.



‘Oh, inferno.’




Um trabalho bem feito Srª.
Snape.



– Parabéns, Nina. –
Dumbledore olhou por sobre os óculos – E obrigada. Eu sei, que mesmo com Lupin,
Tonks e Diana por ali para protegê-la,  – falou devagar – você se arriscou.



Ela ficou vermelha de novo.
Dumbledore parecia divertido. Olhou para ele brava.



Não encontrou o que dizer.



– Eu penso que é o
suficiente. – os olhos risonhos enfrentaram-na – Nós conversaremos agora. E eu
tenho certeza de que você não quer perder o assado de hoje.



Ela murmurou algo. Eles a
olharam sair. Alguns murmuraram despedidas.



Ela evitou lagos escuros.
Trêmula.



+.*+-



Ele demorou. Era tarde.



Ela estava voltando do quarto
de Anna, quando viu pretos.



Aliviada deles não estarem
furiosos.  Ia agradecer a Dumbledore depois.



Mas ela estava muito cansada.
Foi em direção à cama.



– Nina... –  a voz baixa.



Ele tinha falado com ela.  
Tinha finalmente falado com ela. Parou.



– Boa noite, Severus. –
murmurou, deitando-se.



Hoje não.   Ainda estava
recente demais.



 



~~.*.~~



 



Obrigada a todos que
reviram. Eles são tão... maravilhosos!



E me fazem muito feliz. Me
alimentam.



Me fazem continuar...



Falta pouco agora.



Mais cinco ou seis
capítulos e tudo... terminará.



Mas não esperem demais...



É uma grande
responsabilidade manter o mesmo nível e eu não sei se estarei... à altura.



O melhor a todas vocês.



Continuem escrevendo.    Fic´s.



E reviews!



 





Ananinasnape@yahoo.com.br



 



Shey Lopes – Tô
emocionada. Seus reviews são... incríveis!



Yasmin Luiza Faoro Baron –
Seja bem-vinda ao clube!



Lele Potter Black –
Obrigada por revisar. Isso sempre me "alimenta" e incentiva a continuar.



Nicolle Snape – Obrigada,
obrigada. Não precisa ficar de coração apertado. Eu espero sinceramente, que
apesar de tudo que acontece, sejam sempre... satisfatórias as conclusões.



Mariana – Eu não quero
matar vocês! Falo sério! Risos. E não se esqueça que a curiosidade matou o gato.
Mas acredito que você vai ser poupada. Risos. Não vai dar tempo, já que o cap.
sai antes. E depois... você não é um gato, é? Risos.



Shey Lopes – Você me
comoveu muito com este e-mail enoorme. Amei. De verdade. No dia que o recebi
consegui escrever um montão. E meu corujal está sempre aberto a pergaminhos de
qualquer tamanho. srsr. Uma parte de seu e-mail até me deu algumas... idéias
para uma parte da fic. Espero que você reconheça. Eu também amei escrever o
casamento. Fiquei em dúvida sobre o pedido, se estava "à altura" do nosso Sev.
Nada muito romântico ou "não-Sev". Como eu disse antes, qualquer parte em que
ele não pareça ele mesmo, por favor me indiquem, eu vou mudar. Não quero correr
o risco de descaracterizá-lo. Outra coisa, eu percebi relendo os cap. anteriores
que tinha uns que estavam todos cortados por pontos. Nossa! Estava horrível de
ler. Estou mudando. Quem quiser os cap. reformulados é só me escrever. O que eu
mais detesto é o do Crucio. Já tentei dar uma melhorada, mas ainda não
republiquei no ff.net.  Ainda vou melhorá-lo. Está HORRÍVEL. Tem uma parte que
volta a citar o "detalhe" da mesa. Espero que você aprecie. E valeu
por "ressaltar" algumas/montes de partes. Risos. O ego quase explodiu.



Lud, Sett, Granger.
Obrigada.



M@ki, Nielle, Nicole,
Rita, Juliana Horta, Amanda Dumbledore, Nicolle, Bellatrix L., Janaína Rocha,
Lívia Mantovani, Lilibeth, Sheyla Lopes, Angel, Marie S., Cinxia, Caileach, Miru,
Miria, Denise, Bruna, Mariana, Daniela, Ruivinha Malfoy, Tainá,  Karine, Su,
Vetrita, Tina, GaBy Black,   Bruno Potter (!) e tantas(os) outras(os).



Lessa – sinto sua falta.



Vivi – Parabéns pela Gi.



Ludmila Souza – Estou
muito agradecida. E sem palavras.  De verdade.



Um grande abraço a todas.
Ops! Todos.



 



 



Se você leu, perca trinta
segundos para me deixar saber o que você pensa.



 



 





http://geocities.yahoo.com.br/ananinasnape/






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