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12. Sem Fôlego


Fic: Amuleto e Espada - por Georgea - Aviso: CONVITE


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 12
Sem Fôlego

“ Love, love is a verb
Love is a doing word
Fearless on my breath”

Massive attack


Tinham terminado o último treino antes do jogo final contra slytherin e a temperatura quente não impediu os quatro gryffindors de visitarem a cabana de Hagrid para uma quantidade maciça de chá. Já fazia tempo que não batiam um bom papo com o amigo.
- Querem um bolinho pra acompanhar? – Hagrid ofereceu aos garotos uma lata cheia com algo parecido com pequenos pedregulhos embatumados. Ele parou esperançoso diante de Celina. – Você gostou tanto da última vez...
Celina cuspiu um pouco do chá forte antes que Harry agradecesse, respondendo que estavam sem fome. Lembrar do quanto gostara fez a garota se engasgar.
- Calma com o chá. – Hagrid deu tapas nas costas dela que, de olhos bem arregalados, teve o corpo lançado em direção à mesa sucessivamente.
- Tudo... bem, Hagrid. – ela recuperou o fôlego enfiando a cabeça debaixo da mesa.
- O que foi? – o meio gigante perguntou sem entender a reação da moça.
- Eu perdi meu... sabe... – a voz da garota soou entrecortada por soluços que lembravam muito risadas.
- O quê? – ele perguntou.
- Os pulmões. – Ron murmurou apertando o maxilar, fazendo Hermione pisar com força em seu pé.
- A varinha. – Harry mordeu um lábio não deixando a risada escapar. – Ela está sempre perdendo a varinha.
- Oh, tenha mais cuidado, Celina. – Hagrid falou, tornando a encher o balde, ou xícara, da garota. – Podia te mostrar um feitiço adesivo, - os olhos de besouro pousaram de relance num guarda chuva rosa próximo à porta. – mas é melhor fazer você mesma, não acho prudente arriscar.
Celina emergiu da mesa com uma expressão plácida de serenidade, embora o efeito pacífico fosse prejudicado por um forte rubor.
- Já encontrei, mas é uma boa idéia, Hagrid. Vou pedir ajuda a Hermione. – ela observou significativamente os amigos do outro lado da mesa. – Ela sabe bem como se grudar em alguma coisa.
Os colegas, até então de mãos dadas embaixo da mesa, as retiraram vexados.
Desde que os dois tinham se entendido, tornaram-se o principal alvo da alegria e das troças de Harry e Celina, além de atraírem a curiosidade de toda a Gryffindor. Tentaram ser discretos, mas não tinha ajudado em nada o fato de Lavender os pegar aos beijos dia destes, tarde da noite no salão comunal. A garota acordara a torre inteira com seus berros exigindo uma explicação, o que além de constrangedor, deu uma visibilidade exagerada ao novo casal, tornando aquele início de relacionamento extremamente público.
- Ah, Merlin. - Mione consultou o relógio de pulso. – Temos que acabar aquele dever de História da Magia, Ronald.
- História da Magia? – Celina fitou a amiga marotamente. – Não seria sobre manutenção e drenagem de fontes?
Hagrid apenas seguiu o diálogo sem entender a alusão, mas compreendendo o sentido.
- Não, Celina, ao contrário de certas pessoas, - ela fitou Harry, o incluindo na indireta. – levo muito a sério coisas como deveres, aulas e toques de recolher.
- Tenho certeza que sim. – o sorriso da garota só fez crescer em malícia. – Mione sempre leva as coisas muito a sério... – Celina se voltou para Hagrid. - Principalmente os deveres de interação entre a monitoria. Pelo menos é o que dizem todas as minhas, ah... “fontes”.
Com um último olhar maligno, Hermione se despediu de Hagrid e arrastou Ron, que estava um tanto cheio de si, se divertindo mais que o necessário com o duelo de palavras entre elas.
- Então nossa Hermione e Ronald finalmente se entenderam. – Hagrid suspirou para a porta de saída.
Os dois gryffindors assentiram, já não era segredo mesmo.
- Hum, estive me perguntando quando ia acontecer. – os cantos da boca do gigante tremeram. – Ron está parecendo muito feliz. Tal como você, Harry.
O rapaz largou a xícara e ergueu as sobrancelhas.
- Você acha mesmo que Harry parece feliz, Hagrid? – Celina olhava para o rapaz com um sorriso condescendente.
- Mas é claro. – o Professor alargou um sorriso satisfeito. – Nunca o vi tão bem.
- Pronto, você conseguiu. – Harry disse ao Professor. – Agora é que ela vai ficar insuportável.
- De certo modo vocês me lembram muito Sirius e Florência. Com personalidades trocadas, é claro. Era engraçado como duas pessoas tão diferentes podiam dar tão certo.
- Não somos tão diferentes. – Celina abaixou o olhar, estranhamente incomodada. Não tinha sido uma boa comparação. Sirius e Florência tinham uma história bonita mas não muito feliz.
- Talvez não, mas é como se tivesse algo em vocês que me lembra o namoro deles.
- Não vamos acabar como eles. – A voz de Harry saiu baixinha.
- Não foi o que quis dizer. – se apressou Hagrid. – É só que assim como eles, é muito bonito ver vocês. Não me admiraria se acabasse em casamento.
Harry e Celina se olharam rapidamente antes de enfiarem os narizes encabulados nas respectivas xícaras.
Hagrid dizia cada coisa...

XXX

A notícia do namoro de Ron e Hermione havia se espalhado como pólvora seca pelo castelo e até mesmo na biblioteca eram alvo de cochichos ruidosos. E Madame Pince, mal humorada, os olhava como se a culpa do burburinho fosse deles.
- Bom, já era de se esperar. – Ron falou baixo para Hermione. – Depois do escândalo daquela louca...
- Não reclama. Harry e Celina toleram coisa bem pior. Agora é nossa vez. É só ter paciência até a próxima fofoca surgir.
- Pra você é fácil falar, não tem que agüentar todos os colegas de dormitório tirando com a sua cara.
Hermione levantou uma sobrancelha.
- Ok, retiro o que disse. – Ron sorriu sem graça. – No seu quarto deve ser pior.
- Se você está se referindo à Lavender, saiba que a culpa é toda sua. – Mione o fuzilou com o olhar. – Ela não teria feito aquele escândalo se você tivesse conversado direito, sem deixar qualquer esperança.
- Hei! – Ron se indignou. – Estava tudo mais que acabado, não tenho culpa se ela é uma psicótica.
- Bom, parece que pra ela ainda não estava acabado, não é mesmo? Do contrário não teria dado aquele espetáculo pra toda torre ver. E outra coisa, quanto a agüentar indiretas dos seus amigos, pode ficar conformado, Ronald, no meio das cobras do meu quarto até minha melhor amiga tira onda com a minha cara o tempo todo. Não viu agora a pouco, no Hagrid? Minha vida virou de ponta cabeça e não fico o tempo todo choraming...
Suas palavras foram subitamente interrompidas pelo ruivo, que segurou seu rosto com as mãos lhe dando um delicado beijo. Com o namoro Ron descobrira uma maneira bem eficaz de silenciar a garota. Sem precisar de esforço algum ele transformava aquela “onça” em gata manhosa.
Uma mesa de alunas da Ravenclaw explodiu em risadinhas logo atrás dos dois. Eles se soltaram e Ron disse com as orelhas muito vermelhas:
- Não é possível que num castelo tão grande não se possa ter um minuto de sossego.
- Talvez possa... – se ele não tivesse conhecido a Mione “da fonte” não teria acreditado no brilho maroto daquele olhar.
Quilômetros de labirintos revestidos de livros tinham um imenso valor, mas naquele momento este valor não se restringia a conhecimento.
Ron imprensou Hermione no corredor 209, perto de uma pequena janela que iluminava a penumbra e trazia o cheiro fresco de mato que o jardim exalava. Estavam grudados e o rapaz a beijava vorazmente na boca, levantando sua saia pregueada sem pudor.
- Ron... – ela se desviava molemente da boca dele. – Aqui não.
- É só uma biblioteca, Mione, não uma igreja. – as mãos do ruivo pararam bem na curva entre as coxas e nádegas. – E a idéia foi sua.
Hermione pôde fazer pouco mais que resmungar. A idéia tinha sido dela mas não pensava que as coisas pudessem esquentar àquele ponto.
Ela se abandonou ao beijo esperando secretamente que isso incentivasse o próximo movimento do deus ruivo que a estava ensandecendo.
- Quer que eu continue? Quer? – ele esfregou o rosto com um indício de barba pela face corada dela. As mãos acariciando a curva no mesmo lugar. Mal tocando sua pele com a ponta dos dedos.
Arrepios subiram violentamente deixando a monitora certinha com um calor que não tinha nada haver com o dia de sol lá fora.
- Huuuum... – ela gemeu se queixando.
Ron a analisou com um sorriso malicioso nos lábios.
- Ron... – ela gemeu junto ao ouvido do rapaz, tendo certeza que o deixaria extremamente excitado. Quando sentiu os dedos tremerem de antecipação ronronou o nome dele outra vez.
- O quê, Hermione? – ele murmurou de um jeito tenso e torturado. Bastava ela dizer seu nome daquela forma que ele entrava em combustão. Ele estava sofrendo, estava claro.
Foi a vez da garota sorrir vitoriosa.
- Diz meu nome de novo? – ela pediu dengosa.
- Hermione, Hermione... – ele continuou até ela também pegar fogo.
- Sobre suas mãos continuarem... – ela se esfregou mais um pouco nele adiando o desfecho. - Acho que vou querer experimentar...
Ela gemeu dentro da boca do ruivo quando ele a apertou por trás, trazendo seus quadris avidamente para si.
Quando Mione abriu os primeiros botões da camisa dele, uma lembrança surpreendente a assaltou. Pergaminho, grama recém cortada e Ron Weasley. Cheiro de perdição.

XXX

Sem estranhar a ausência dos amigos, “Todo mundo tem o direito de namorar em paz”, Harry e Celina se ocupavam com deveres e outras tarefas no salão comunal.
Harry lançou o vigésimo olhar para a moça, que estava escrevendo a um bom tempo, aparentemente se esquecendo de sua presença.
- O que você está fazendo tão concentrada neste pergaminho?
- Uma carta. – Celina respondeu sem desviar a atenção do papel. – Mamãe tem me achado distante, então achei melhor contar o óbvio motivo de cabelos espetados que anda me distraindo.
Harry coçou o pescoço, incomodado. Por um momento achou que seria uma carta para Phillys. Harry adorava ler as cartas de Phelícia (após passarem pelo pente-fino e censura de Celina, naturalmente), e adorava os trechos que a garota escrevia especialmente para si, sempre divertidos, o mandando se precaver contra a loucura de sua “irmã” e se referindo a ele carinhosamente como “cunhadinho”. Agora carta para os McGregor... Não ficou muito animado com a idéia.
- Está contando sobre a gente? – falou sério.
- Arrã... – ela lhe lançou um rápido olhar, curvando os cantos da boca. – Que foi? Você parece preocupado.
- Não, só estou me perguntando o que ela vai dizer. – ele mudou de lugar, se sentando ao lado da garota.
Na verdade já se perguntara muitas vezes se apesar da estima que lhe demonstraram, Florência e Gabriel não a impediriam de se relacionar com alguém tão complicado, de destino tão incerto e potencialmente perigoso como ele. Não sabia se fariam isso, mas era melhor nem cogitar a possibilidade.
- Eu te adianto o que ela vai dizer. – Celina girou os olhos para o teto com uma expressão pacífica nada sua. – “Eu sempre soube querida, desde suas primeiras cartas falando sobre o menino de Lily. É como se fosse destino.”– imitou a mãe, falando de modo sério e pausado, fazendo Harry rir.
- Não imagino sua mãe acreditando em destino.
- Em nosso caso sim. Nesses tempos difíceis não creio que ela propriamente vá sapatear de alegria, mas vai entender melhor que ninguém, afinal ela teve Sirius. – então Celina se lembrou de algo que a fez sorrir de lado. - Claro que com meu pai a coisa não vai ser tão simples.
Harry, que ainda sorria, afrouxou o rosto imediatamente.
- Ele... o que quer dizer? – ele tentou fazer a voz soar o mais normal que podia. – visões desagradáveis de Gabriel McGregor furioso se formaram céleres em sua mente.
- Não precisa esperar interrogatório ou tortura, - ela segurou o riso vendo o temor estampado no rosto bonito do bruxo. – nem pegar um Testrálio pra lua. Você apenas vai ter que lidar com um ciúme paterno normal e razoável. Pra sua sorte os McGregor costumam ser diplomáticos.
- Ah, sim. – Harry suspirou nitidamente aliviado. – É muito bom saber disso.
- Sabe de uma coisa, Potter? – ela pôs a pena de lado e lacrou a carta, colocando os cotovelos sobre a mesa e apoiando a cabeça nas mãos. – Estou achando que suas intenções comigo não são lá muito sérias. Bruxos morreriam por isso. – ela exagerou bem a última frase.
- Qual parte? – ele entrou na brincadeira. – A do pai enfurecido?
Celina o chamou com um dedo.
- Hum-hum, esta parte. – ela o puxou pela gravata e o beijou de leve.
Harry chegou mais perto e afastou os cabelos mel do pescoço da moça.
- Tenho que concordar. – ele disse pousando os lábios no pescoço dela. – E também com esta parte. – e começou a beijar delicadamente toda a curva do pescoço, que sentiu arquear se oferecendo melhor à boca dele.
Nada era melhor do que sentir as reações de Celina com o que lhe provocava. E era ainda melhor quando ela cooperava, provocando aquelas mesmas reações nele próprio. Não que ela precisasse mover um dedo para isso, mas ia ser incrível sentir as mãos dela sobre sua pele naquele exato momento.
- Pára com isso. – ela falou baixinho, afastando o corpo, tentando ignorar os arrepios que ouriçavam sua pele. – É um lugar público, sabe? Com dezenas de olhinhos inocentes.
- Eu sou inocente. – ele falou notando que era verdade, dezenas de olhos curiosos estavam voltados para eles. Mas o que podia fazer? Quando estavam juntos eram como dois fios desencapados. Desde o dia do carro estava se sentindo meio fora de controle. Ela não precisava fazer nada, algumas vezes bastava um selinho para ele se comportar como um completo depravado.
- Se você é inocente eu sou uma fadinha. – ela retrucou risonha.
- Não, mas é artilheira do time.
- E o que tem haver? – ela tornou sem entender a alusão.
- Temos um treino de emergência... – ele consultou o relógio. - exatamente agora.
- Treino... Achei que o último tinha sido hoje. – ela arqueou as sobrancelhas.
- Temos mais um. De última hora.
- À noite. Andando pelo campo deserto com você. Eu acho que não.
- Eu sou o capitão, Lux. Vai ignorar um aviso de treino? Neste caso, uma ordem?
- Eu nem sonharia... Mas, só por curiosidade, por acaso este “treino” seria particular?
- Com particular você quer dizer um treino de natureza íntima e privada entre duas pessoas?
- Basicamente.
- Garota esperta.
- Não que você não esteja sendo muito claro, mas neste caso essas duas pessoas... – ela apontou de si mesma para o rapaz. – seríamos nós?
- Não vejo mais ninguém na minha frente... nem nada. – ele disse analisando sua boca de maneira displicente. – Como capitão tenho todo o direito de treinar intensivamente os meus jogadores.
- Você treina Ron Weasley do mesmo jeito?
- Digamos que seu treino seja... especial. Novas estratégias... – ele avançou novamente para seu pescoço.
- O poder corrompe. – ela se esquivou e o fixou sacudindo a cabeça em sinal de desaprovação. - Vovó sempre me falou a respeito e agora estou vendo acontecer bem na minha frente. E o mundo mágico perde sua última alma pura e intocada. – ela disse com dissimulada tristeza.
- É você quem anda me corrompendo.
- Seja mais específico. – ela se fez de desentendida.
- Um dia chuvoso, um carro. – ele falou num murmúrio baixo bem junto a seu ouvido, provocando calafrios. – Você, eu, poucas peças de roupa.
- Hum, já visualizei. – ela semi-cerrou os olhos começando a se sentir mole e sem defesas. - E eu suponho que então o garotinho inocente não fez nada.
- Ele fez. Esse é o problema, ele fez e precisa de mais. – uma mão se insinuou por baixo da mesa, afagando a parte interna do joelho dela. - O garotinho inocente precisa ser corrompido de novo.
- Você é um demônio. – ela sussurrou de encontro a ele. “De onde vinha aquele poder que ele tinha sobre ela? Mais uma palavra, outro movimento daquela mão, e subiria em cima dele em plena sala comunal. Azar de quem estivesse ali.”
Ele assentiu sorrindo de lado.
- Pra todos os outros sou um santo, Lux. Demônio... única e exclusivamente pra você.
Celina relanceou um olhar para o rapaz. Então ele queria levá-la para uma sessão extenuante de amassos... Quem em sã consciência poderia negar?
Harry já estava se levantando com a garota quando Colin Creevey praticamente se jogou sobre ele com um pergaminho nas mãos.
- Harry, me pediram pra te entregar! – o garoto abriu um sorriso de orelha a orelha, sem notar o ar extremamente alheio do colega ao pegar o bilhete.
- Obrigada, Colin. – Celina agradeceu pelo namorado, que no momento estava num mundo muito distante para prestar atenção ao elétrico colega. Um mundo quente e colorido chamado Celina.
O garoto ainda ficou olhando para os dois como se esperasse alguma coisa.
- Que foi? – ela perguntou com um leve sorriso.
- Ah, queria saber se não posso tirar uma foto de vocês. – o garoto mostrou a câmera que estava pendurada nas costas. – Ia ficar muito legal.
- Agora? – Celina ia negando quando viu o rosto desapontado do rapazinho. Colin parecia mais novo que sua idade, mais desamparado também. – Ah, tudo bem.
O colega se rasgou num sorriso esfuziante. Celina sacudiu o braço de Harry até ele se dar conta do que acontecia. Sem entender muito bem o que se passava, perdido nos olhos dela, ele deixou a namorada o abraçar e piscou com o flash.
Colin e Celina agradeceram ao mesmo tempo e depois riram. Ela pediu uma cópia e o garoto ainda ficou mais um tempo olhando para os dois, até que percebeu que já tinha cumprido sua missão e saiu relutante dali.
- Dumbledore. – Harry abriu o pergaminho e disse sem emoção.
- Outro encontro?
O rapaz assentiu com a cabeça.
- Agora mesmo. – ele a olhou dividido.
- E o que você está esperando? – Celina sorriu o empurrando para o buraco do retrato.- Não dá pra ter tudo.
- Quer apostar quanto? – ele fez menção de beijá-la.
- Potter! – Celina o acordou do devaneio o despachando para fora.
Antes mesmo de ganhar o corredor as palavras “O fim do sexto ano está chegando, está chegando”, começaram a se repetir em sua cabeça. Um certo assunto causador de uma enorme quantidade de banhos frios, seria resolvido, então. Era só ter mais um pouco de paciência.
Naquela noite ele descobriu que estavam muito próximos da descoberta de um dos Horcruxes e obteve a promessa de seguir com Dumbledore em sua captura. O círculo estava apertando. A caçada iria de fato começar.

XXXXXXX

O dia estava ensolarado, com poucas nuvens no céu. Condições ideais para quadribol. O jogo corria apertado e Harry nunca recebera tantas tentativas de balaço. “Graças à Deus pelos batedores”.Uma surda impotência o acompanhava desde que soube que Malfoy dera uma desculpa qualquer para não participar do jogo. Por Merlin, era uma final! Por que mais o slytherin teria se afastado, se não fosse para agir em favor dos Comensais?
- Katie Bell não fica uma graça naquela roupa? Sério, uniformes são afrodisíacos.
Uma voz conhecida e amplificada fez Harry apertar os olhos em direção ao palanque. Benjamin Travis acabara de receber um puxão de orelha da McGonagall. O rapaz narrava o jogo mas não o fazia sozinho.
- Não sei se é pelo uniforme, mas se Blaise Zabini continuar virando a cabeça para Celina McGregor, o pomo pode dançar uma rumba em sua frente que ele não vai ver. – Luna Lovegood se alternou na narração fazendo Zabini frear a vassoura estupefato.
- Ele não devia. Conheço o namorado da garota... Boa azaração de direita. – Benjamin massageou o ombro numa boa imitação de dor.
Os torcedores riram, McGonagall abanou a cabeça derrotada, e Harry não pôde conter um sorriso lateral. Quantos caras fariam graça por serem estuporados? Ainda mais pelo bruxo que roubara a garota desejada bem debaixo do seu nariz? O irlandês era tão maluco quanto pintavam, mas precisava admitir, tinha um grande senso de humor.
O rapaz procurou se desligar dos comentários cada vez mais esdrúxulos. “Não bastava Luna, quem tinha sido o doido de colocá-la com o Travis pra narrar?”.
- Ele agora está nos encarando... – Luna se referiu sonhadora à Blaise, que prometia aos dois uma morte dolorosa com o olhar.
- Tem razão. Está olhando pra cá de um jeito intenso, eu diria até que passional. – Ben analisou o slyterin, levemente interessado. – Mas espero que isso tudo seja pra você, loira. Sabe, mesmo com este uniforme, Zabini não faz muito o meu tipo.
Uma nova onda de risadas fez Harry sacudir a cabeça desviando a atenção do palanque. Melhor se concentrar, tinha um jogo para ganhar.
Celina entrou no vestiário rindo muito, depois da vitória, da taça erguida no ar, a melhor parte do jogo foi a narração feita por Luna e Benjamin. Fora a mais insana, engraçada, inverossímil, da história do quadribol. Se um dia os dois se entendessem do jeito que narravam, teriam problemas mas se divertiriam sem parar.
A garota se esbarrou em Katie e Demelza, que saíam apressadas para continuar a comemoração. “Anda logo, McGregor, tem um monte de garotas em volta do Harry”, Katie brincou.
- Pena que ele só quer uma! – ela gritou em resposta fazendo a colega se voltar.
- Não diga. E eu não vi o beijo pós jogo? Juro por Deus, tem gente se abanado até agora. Você devia avisar pra ele vir pra cá. Aproveitar aquele fogo todo sozinhos. – Katie piscou cumplicemente.
- E já que é tão segura não se importaria em demorar mais um pouco e ajeitar essa bagunça pra gente? – Demelza fez cara de cachorro sem dono. – Algumas de nós ainda precisam encontrar o príncipe encantado...
- E tempo é galeão. – Katie terminou reforçando o argumento da amiga.
Celina fez uma careta para as toalhas e uniformes espalhados pelos bancos e chão. Como apenas duas garotas conseguiam fazer tamanha anarquia? “Pelos Elfos...”, ela pensou no F.A.L.E. e suspirou resignada.
- Tudo bem, que hoje eu estou boazinha. Mas não se acostumem, seus diabretes. – ela ameaçou.
As garotas sorriram, “Você é um anjo”, Demelza lhe mandou um beijo batendo a porta ao sair.
Celina tornou a rir e puxou as luvas com os dentes de forma agressiva, se livrando rapidamente das mesmas e, com igual precisão, dos demais apetrechos de proteção que usava. Tinha pressa de terminar logo e se encontrar com Harry. Tirou a parte de cima do uniforme, ficando com uma regata e a calça vermelha de quadribol, chutou os tênis e quando se preparava para tirar a calça sentiu um formigamento peculiar na nuca. Estava sendo vigiada.
- Diabretes? – ela disse se voltando para a entrada e não vendo ninguém.
Mas seus instintos diziam o contrário.
- É você Harry? – ela perguntou automaticamente, pensando se não seria alguma arte do namorado.
Não ouve som algum como resposta.
- Ok, sei que tem alguém aqui. – ela girou os olhos pelo vestiário silencioso. – A brincadeira acabou.
Ninguém respondeu mas a sensação de outra pessoa era inconfundível. Tinha mais alguém com ela e por algum motivo não queria se mostrar. Celina começou a ficar preocupada.
- Harry, se for você, saiba que não tem a menor graça. – ela virou o corpo na direção dos armários, nada. Roupeiros, nada. Então girou em direção aos boxes dando de cara com Draco Malfoy. A dez centímetros de distância.
Celina se assustou de verdade, dando passos desengonçados para trás e indo cair estatelada de costas no chão.
- Não, não é o Harry. – Draco arrastou o nome do rapaz. – Mais uma vez você insiste em nos confundir.
Malfoy andou até ela, fazendo Celina se arrastar de costas, escorregando por causa das meias, tentando inutilmente se levantar, se afastar, até suas costas encontrarem a barreira da parede. Assombrada, tinha perdido a voz. Era muita audácia invadir o vestiário feminino e lhe assustar daquele jeito. Mais que isso, um brilho de loucura chispava pelos olhos de Malfoy.
- O quê... que significa... – ela tentou se recuperar, enquanto via o rapaz caminhar tranqüilo até ela.
- Vim te fazer uma visitinha, mas pode continuar o que estava fazendo. - ele apontou para as peças largadas no chão. – Não se incomode com minha presença.
- Sai agora daqui! – sua voz voltara depressa e seus instintos também. Não gostava nada da posição diametralmente frágil em que se encontrava.
- Você não está em condições de exigir nada. – o corpo do slytherin fez sombra sobre o dela. – Só vou sair quando tiver acabado o que vim fazer.
Ele nunca parecera tão perigoso e Celina pensou que deveria ter levado mais a sério suas ameaças antigas. Estava sozinha, sem varinha, num lugar afastado, sendo intimidada por um provável Comensal da Morte. Contava com o amuleto mas não podia saber até que ponto ele seria uma vantagem. Nenhuma se Malfoy descobrisse sua existência.
- Temos certas contas a acertar. – ele tirou a varinha do bolso e a encarou ameaçadoramente. – Primeira coisa, nunca mais me provoque desfilando por aí com quem quer seja. Não vou mais ser paciente.
- Se veio aqui pra me fazer rir, está quase conseguindo. – ela disse com os olhos esgazeados.
- Isso parece uma piada? – a varinha espocou faíscas vermelhas, denunciando o estado interno do rapaz. – Espero que não pareça, por que vai descobrir que não é.
Celina olhou para os lados procurando por uma saída inexistente. Estava encurralada. Uma onda de ira a fez responder sem pensar.
- A piada é você, Malfoy. Sempre você.
- Não. Brinque. Comigo. Posso ser pior do que imagina. – houve um espocar mais forte e a garota, com um sobressalto, procurou se erguer.
- Fique bem aí, Celina. Quietinha. – ele disse em voz baixa, apontando para o chão.
Ela deslizou o corpo novamente pela parede, seu cérebro trabalhando rapidamente. Não estava em posição de discutir ou enfrentar, também não podia fugir. Ela mesma tinha pedido à Harry para esperá-la no salão comunal. Estavam todos comemorando a vitória. Ninguém daria por sua falta por um longo tempo.
- Seus pensamentos estão tão claros, minha linda... – Draco sorriu ironicamente para ela.- Seu precioso Potter está bem longe, comemorando a vitoriazinha patética com seus amigos traidores e sangues-ruins.
- E o que você está fazendo aqui com a maior traidora de todas? - ela não conteve a raiva de ter sido pega tão desprevenida. Não bastava estar caída e em evidente desvantagem física e mágica, ainda não controlava bem o amuleto, ainda tinha que deixar sua mente aberta para o inimigo.
- É. Você é mesmo a grande traidora do sangue, não é? A de sangue antigo e puro que se deixou sujar. Ninguém é perfeito, não é mesmo? – ele devorou seu corpo, os olhos se detendo atrevidamente na calça colada. – Embora você quase consiga me fazer acreditar no contrário.
Os olhos metálicos do rapaz se escureceram em ameaça.
- Você se mancha de livre vontade, se envolve com a ralé. Deixa o Potter fazer... – ele apontou para seu corpo com a varinha. – Se espojar em você. Enquanto é prometida para mim. Você é destinada a mim! – ele enfatizou quase gritando, fazendo Celina instintivamente se encolher mais de encontro à parede de pedra.
- Eu sou livre. Não sou um objeto, não pertenço a ninguém. – ela falou num tom grave e baixo. Tinha algo muito errado com Malfoy. Ele não parecia estar apenas ameaçando, parecia estar descontrolado. – Sei que pensa o contrário mas meu pai nunca me deixaria envolver com você.
- Seu pai não tem a menor importância na ordem das coisas. – seu rosto se transformou de raiva em sarcasmo. - Você foi prometida a mim, bruxinha ingênua, por bruxos muito mais poderosos.
- O que mais essa sua mente mimada está te fazendo acreditar?- ela agitou as mãos frustrada. - Cai na real, Malfoy, você pode ter vendido sua alma para o Voldemort, mas eu não! Não existe nenhuma possibilidade, nenhum meio... – Celina se engasgou diante da impotência de fazer com que aquele cego enxergasse o que era claro como água. Sua garganta se contraiu de pura raiva enquanto encarava o rapaz. – Nem com uma maldição Impérius... Nunca.
- Nunca diga nunca. Eu não estava apenas provocando naquele dia. Você ainda vai ser minha. Vai ver. – o rapaz falou soturnamente, se referindo à noite em que quase brigara com Harry.
Draco se agachou de um modo ameaçador e se inclinou juntamente com a varinha, ficando a milímetros dela.
- Vai tentar me violentar? – ela se ouviu dizer friamente, tentando ignorar as mãos tremendo, o coração acelerado. - Por que seria o único jeito. Mas ainda que tentasse não ia conseguir. Não me importa com que tipo de maldições pode me ameaçar, eu prefiro morrer mil mortes a me deixar encostar em você.
Draco tombou a cabeça franzindo as feições, deixando os cabelos sedosos formarem uma cortina sobre os olhos.
- Não pretendo chegar a tanto. Eu gosto de você, se lembra? – ele recuou um pouco, vigiando o rosto dela enquanto brincava de girar a varinha, num gesto muito típico seu.– Embora ver você se despindo de forma tão selvagem tenha me despertado certas fantasias. Mas ainda não. Você vai ser minha, sim, mas com seu consentimento. – ele desceu a varinha quase tocando seu colo.
- Nem em um milhão de anos. – ela rosnou com ódio no olhar.
- Não vai demorar tanto. – ele sorriu com ironia. – Quando o poder trocar de mãos você vai se surpreender com o que é capaz de fazer. Principalmente pra proteger aqueles que ama.
Ela começou a tremer de raiva.
- O que você acha que vai me impedir ir correndo até Dumbledore e contar sobre suas ameaças?
Ele apenas riu.
- Você não vai fazer isso. Não vai querer tornar público. Não vai querer o Potter se desviando do que quer que ele e aquele velho senil andem tramando. – ele atirou no escuro e alargou o sorriso vendo que acertara em mais do que vira. – Deixe o Potter fora disso, minha linda, pode acreditar em mim quando digo que ele já tem problemas demais.
E sem qualquer outra palavra ou gesto ele se levantou, saindo do vestiário tão rápido que parecia ter desaparatado.
Celina se levantou o mais rápido que pôde, escorregando enquanto tentava alcançar seu armário e a segurança de sua varinha. Seu corpo tremia de cólera, de susto, de medo daquelas palavras ameaçadoras. Agarrou a varinha pensando na família, nos Weasley, em Hermione, em Harry. Ninguém faria mal a eles. Ela não conseguia imaginar de outro modo. Eles precisavam ficar bem.
Suas pernas estavam tremendo tanto que ela se sentou no banco largo de madeira e enterrou o rosto nos braços. Mais uma vez aquele desgraçado tirava o seu chão. Ele estava certo, ela não podia falar nada. Afinal foram apenas mais palavras. Seria mais prejudicial falar que se calar.
Precisava se acalmar, mas estava difícil. Nunca em sua vida pensou que fosse odiar tanto uma pessoa quanto Malfoy.

XXX

Harry a encontrou do mesmo jeito algum tempo depois.
- Lyn... – ele se aproximou sem parecer ser ouvido. – Celina.
Ela já o tinha escutado entrando e quando levantou a cabeça viu Harry ainda vestido em seu uniforme de capitão. Ele nunca parecera mais caro, nem mais importante para si. Ela se lançou sobre ele, os vinte e cinco centímetros do salgueiro da varinha caindo com estrépito no chão. Apertou os braços em torno do pescoço e afundou o rosto nele sem se controlar.
- O que aconteceu com você? – ele disse estático, indo ver o motivo da demora e percebendo que tinha acontecido alguma coisa séria com a garota.
- Nada. – ela falou abafado. – Só preciso de um abraço.
- Nada uma ova. O que está acontecendo aqui? Você não está bem, dá pra ver a um quilômetro de distância. – ele a puxou olhando em seus olhos. O que viu o deixou ainda mais apreensivo. Havia neles um traço de desespero.
- Por favor, Harry, apenas me abrace... – ela murmurou de um jeito que o faria matar dragões por ela. – Apenas me abrace e eu vou ficar bem.
Ele a puxou de volta, apertando suas costas, afagando seus cabelos, deixando que ela respirasse pesado de encontro a sua garganta e tremesse de encontro a si.
- Está tudo bem, - ele falava como se ela fosse uma garotinha. – eu estou aqui. Não vou te soltar. Nunca mais. Não vou deixar nada de mau te acontecer.
Mas não era aquilo, o desespero não era por sua segurança. Era pela consciência do mal rondando a vida das pessoas que mais amava.
Ficaram por muito tempo daquele jeito. Ele a acalentando e ela sabendo que ele iria querer respostas que ela não estaria disposta a dar. Não iria passar suas inseguranças para ele, seu papel era de ser forte para apoiá-lo e não a causa de novos problemas. Ter Harry empenhado numa luta feroz com Malfoy lhe podia até parecer prazeroso. A ponta de princesa indefesa sendo protegida, que toda mulher tem. Mas se Malfoy fosse mesmo um comensal, e ela acreditava que sim, as conseqüências dessa fraqueza iriam longe e seriam nocivas demais. Malfoy era um problema dela.
- Vai me dizer o que houve? – Harry tinha percebido que ela estava mais descontraída em seus braços. – Está me preocupando, Lyn.
- Um medo bobo. - ela o apertou novamente com medo que ele lesse a mentira nos seus olhos. – Estou tão feliz que têm horas que tenho medo de ser um sonho. Tenho medo que aconteça qualquer coisa que me deixe sozinha de novo.
Mas ele fez o que ela temia e segurou seu queixo, a forçando a encará-lo.
- Que estória é essa? – os olhos verdes perscrutavam os seus, desconfiados.
Ela manteve aquele olhar devastador a duras penas.
- Eu disse que era bobagem. – ela tentou sorrir mas a boca apenas tremeu, ainda era cedo demais.
Mas Harry não engoliu tão facilmente.
- Tem algo mais. – ele levantou novamente o rosto que ela teimava em abaixar e acariciou sua face com a outra mão. – Você não confia mais em mim? – uma ponta de mágoa sobressaiu em sua voz.
“Já estive no leito de morte de mais de uma pessoa querida. Sobrevivi a massacres, doenças e funerais. Sinto como se eu sempre fosse deixada. Por favor, você não. Não posso mais perder ninguém.”
Era sua dor, seu segredo mais profundo, mas pelo bem dele ela não devia contar.
- Gosto de você mais do que já gostei de qualquer pessoa na minha vida, Harry. Qualquer uma. Algumas vezes é tão forte que mal consigo respirar. – ela também deslizou a mão pelo rosto preocupado dele. – É simples assim... Estou apaixonada por você e não posso te perder.
Apesar de não dizer diretamente o que ele perguntara ela nunca fora tão sincera.
- Você é a pessoa mais importante no meu mundo, Celina. Acho que você se tornou meu mundo. – ele disse com a voz pesada. – Já te disse que sou louco por você. Cada vez mais. E um dia, quando conseguir me libertar desse pesadelo, se conseguir, quero te dizer muitas outras coisas que você me faz sentir. Enquanto isso tenha certeza que só a morte pode me tirar de você. E mesmo assim eu não vou sem lutar.
Ele sorriu enquanto ela se entregava a seus lábios. Ela sabia que ficaria bem se fosse tocada, se sentisse o calor dele.
Até então era o beijo mais cúmplice que trocavam. Havia nele mais que carinho, mais que paixão, havia a necessidade real de uma alma pela outra. Um sentimento que crescia, os levava para outra dimensão e ao mesmo tempo ia se tornando mais terreno, quente e carnal. De calmo que começara já se tornara profundo e ela se surpreendeu ao sentir que fogo podia nascer mesmo dentro de tanta apreensão.
Suas mãos se insinuaram por dentro da camisa dele, levantando a barra, forçando-a a ser tirada. Precisava sentir como ele era, sentir o coração batendo forte. Se soltou da boca dele e colocou a mão espalmada sobre peito nu do bruxo, prestando atenção no ritmo rápido e grave do batimento. Ele estava vivo e naquele momento era somente dela. Não se importou em absoluto que ele interrompesse seu momento de contemplação, segurando sua nuca e entrando em sua boca novamente, chupando sua língua lascivamente e acordando seus sentidos para outras partes daquele corpo masculino que agora ardia e gritava por sua atenção.
Harry cambaleou com ela até o canto, toda ternura perdida, transformada em puro desejo. Ele prendeu Celina contra a parede tentando sentir todas as suas formas, se possível se fundindo nela. Mãos que queriam se multiplicar descendo, subindo, apertando todo aquele corpo. Reconhecendo sua anatomia, já sabendo o que a fazia gemer. Estava com saudade demais de ficar assim com ela. Tão intenso que nem tinha certeza se era sonho ou acontecia de verdade.
- Lyn, eu quero... eu te... toda você. Tudo. – ele se desesperou com as palavras que não podia dizer, então demonstrou o que sentia com toda a força e ousadia de sua juventude apaixonada. – Não estou conseguindo esperar... Está me deixando louco, Lyn.
Prensada na parede, Celina sentiu Harry se enrijecer junto a ela, mãos massageando seus seios, provando que ele dizia a verdade.
- Só mais um pouco... Não me solte agora, vamos só ficar assim... a gente se controla. – ela dizia o impossível.
Quando as mãos dela deslizaram por suas costas o apertando por baixo, Harry soube que era apenas questão de continuarem.
Celina ofegava ao mesmo tempo em que tentava clarear a mente. Com tudo que tinha passado naquele dia não conseguiria desligar seu pensamento totalmente. Queria se entregar a ele, queria demais, mas no momento certo, pelos motivos certos. “Então que diabos estava fazendo se esfregando nele daquele jeito?”
Querendo Celina nua, dele, sem mais barreiras, Harry continuou descendo ao inferno em espirais vertiginosas. Querendo deitar sobre seu corpo macio, ficar dentro dela, possuí-la até estar esgotado, trêmulo e insanamente feliz.
A calça da garota foi abaixada e jogada para longe, a regata repuxada acima dos seios, ele próprio semi-despido, sentindo que podia gozar só de continuar a beijá-la. Já tinha baixado sua calcinha pela metade quando ela se retraiu e ele viu o que estava fazendo.
Harry empurrou a garota que pareceu igualmente perceber o ponto onde tinham chegado. Celina corou fortemente, ajeitando a calcinha e procurando se cobrir melhor com a blusa.
Os dois se olharam como dois animais enjaulados.
- Desculpa. – ela percebeu que tinha deixado as coisas chegarem longe demais. Fazê-lo continuar sem poder terminar era o mesmo que tortura-lo.
Harry desviou seu rosto dela, saindo de perto enquanto havia tempo. Ele se movimentou furioso consigo mesmo e com a situação, praguejando baixo, passando a mão enraivecidamente pelos cabelos negros. Ele andava em círculos numa energia que poderia estourar vidros e faiscar de eletricidade. Quando finalmente parou, mal conseguiu olha-la sem avançar.
- Celina, acho melhor que saia.
Ela piscou os olhos tentando clarear a visão.
- Este vestiário é feminino, Harry. – ela tentou ignorar a vergonha, soltando seu habitual bom humor.
- Não brinque, Lyn. Não agora. – ele mordeu os lábios procurando se focar. – Não tenho a mínima condição de sair neste momento, mas você precisa. Agora mesmo.
- Por quê? – ela não resistiu. Nunca resistia a provocá-lo, mesmo, ou principalmente, quando estava tão perigoso.
Harry contraiu o semblante vendo olhos de mormaço o fitando entre mechas caídas sobre o rosto. Ela era anjo ou diabo?
- Por que se ficar mais um segundo, vou fazer tudo o que você está vendo na minha mente. Sem chance de parar. – o olhar dele não deixou dúvidas.
Ela pensou em se virar, em recolher suas roupas e se afastar, mas se surpreendeu quando seus pés resolveram saber mais que sua mente e se adiantaram em passos definitivos.
Harry estacou balançando a cabeça negativamente.
- O que você pensa que está fazendo?
Ela imitou seu gesto e também meneou a cabeça confusamente, a boca entreaberta.
- Eu não sei, mas meus pés parecem saber. Estou aqui e eles não querem obedecer... e agora?
E tal como os pés de Celina, Harry só teve uma alternativa. Ele avançou em um movimento rápido e capturou a boca dela, juntando seus corpos sôfregos e a obrigando a se deitar sobre as toalhas espalhadas num dos bancos de madeira.
Celina sentiu o peso dele sobre si e soube que Harry não teria clemência. “Adeus virgindade”, ela estava louca, não conseguia raciocinar, só gostar. A realidade era Harry quase despido em cima dela, com a boca e a língua gostosa lhe beijando como se não houvesse um amanhã.
Um ruído forte e repetido não os despertou, apenas se desgrudaram quando ouviram uma voz aguda e conhecida.
- Celina?! Ah, meu Deus... – uma juba castanha se agitou desnorteada, não querendo ver, não querendo estar ali, mas não conseguindo nem mesmo abrir a porta por onde entrara.- Eu bati. Juro que bati. Ah, droga! A porta não quer abrir...
Os dois se levantaram sem saber como agir, vendo a amiga tampar os olhos e tatear até ficar com o rosto voltado para o canto da parede. Parecia uma garotinha de castigo.
- Eu , ah... tudo bem. – Celina se enrolou numa toalha, jogando outra para Harry, que parecia capaz de cometer assassinato com o olhar.
- Mas... o que você veio fazer aqui! – não era uma pergunta, Celina exclamou de repente se dando conta de sua própria frustração.
- Você não voltava... – a amiga disse numa voz sumida. – Eu bati na porta! – se defendeu de novo.
Celina mordeu os lábios para não rir. Queria que o chão se abrisse mas ao mesmo tempo era muito hilário.
- Ok... estou saindo. – Harry enfiou as calças de qualquer jeito. – Posso querer matar Hermione se ficar mais um momento. Na verdade não sei se mato ou dou um beijo. – por um nano segundo ele pensou até em agradecer. A amiga evitara que se precipitassem e se arrependessem mais tarde.
- Não! – a voz fina da garota soou alarmada. – Beijo não! Deus me livre de você perto de mim.
Harry sorriu contrafeito indo dar um selinho na namorada. “Péssima idéia”, ele mudou de idéia ao sentir seu calor e ver Celina recuar fazendo que não.
- Até mais tarde. Ou até daqui há dez anos... O tempo que vai passar até eu esfriar. – Harry resmungou tomando o rumo do vestiário masculino.
Com um arranco mais forte a porta desemperrou e quando Harry a fechou, Hermione se virou lentamente com os olhos sumidos de tão apertados.
- Depravada...
- Olha só quem fala... – Celina baixou a cabeça e começou a rir, corada. – Miss Biblioteca em pessoa. O cheiro de pergaminho funciona mesmo com você.
- Ah, cale a boca antes que eu te dê uma surra de toalha molhada. – Hermione olhou à volta fazendo uma nota mental de parar de fazer confidências à garota. O lugar parecia um pandemônio de bagunça. – E toalhas não faltam por aqui. Foram vocês...?
- Ah não... uma traça de livros interrompeu antes disso.
Hermione visualizou os amigos juntos e tremeu com um súbito arrepio.
- Nem quero imaginar... já basta o que vi. É quase como pegar os pais da gente...
- Iiiu! – Celina exclamou de nojo. – Agora você conseguiu mesmo me desligar.
- Bom pra você, provavelmente vou ter pesadelos a noite toda.
- Pesadelos, é? Estou achando que vão ser sonhos muito cabeludos com o Ronald.
Mione tentou acertar uma toalha em Celina, que se esquivou entrando no box, rindo descontrolada e ainda vermelha, como um autêntico tomate maduro. Nem que fosse apenas pelo resto daquela noite, Malfoy seria esquecido.
Ao abrir o chuveiro e deixar a água escorrer sobre si, ela deixou o riso morrer e pensou se seria normal se sentir assim. O corpo tão quente que aquecia a própria água fria. Os pensamentos tão excitáveis que só de pensar em Harry, no que quase tinham feito, sua respiração se descompassava. Celina imaginou que a água era ele, que a encharcava e inundava. Queria que estivesse com ela agora.
Do outro lado da parede, no vestiário masculino, Harry também ofegava debaixo do chuveiro, mas fazendo coisa bem menos inocente que imaginar.


Love, love is a verb
(Amor, amor é um verbo)
Love is a doing word
(Amor é uma palavra em movimento)
Fearless on my breath
(Destemido em minha respiração)
Gentle impulsion
(Gentil impulsão)
Shakes me makes me lighter
(Mexe comigo, me deixa mais leve)
Fearless on my breath
(Destemido em minha respiração)

Teardrop on the fire
(Lágrima no fogo)
Fearless on my breath
(Destemida em minha respiração)

Night, night of matter
(Noite, noite da matéria)
Black flowers blossom
(Flores negras desabrocham)
Fearless on my breath
(Destemidas em minha respiração)
Black flowers blossom
(Flores negras desabrocham)
Fearless on my breath
(Destemidas em minha respiração)

Teardrop on the fire
(Lágrima no fogo)
Fearless on my breath
(Destemida em minha respiração)

Water is my eye
(A água é meu olho)
Most faithful mirror
(Espelho mais fiel)
Fearless on my breath
(Destemido em minha respiração)
Teardrop on the fire of a confession
(Lágrima no fogo da confissão)
Fearless on my breath
(Destemida em minha respiração)
Most faithful mirror
(Espelho mais fiel)
Fearless on my breath
(Destemido em minha respiração)

Teardrop on the fire
(Lágrima no fogo)
Fearless on my breath
(Destemida em minha respiração)

You're stumbling a little
(Você está tropeçando um pouco)

XXXXXXX

N/A: A música é Teardrop do Massive Attack, de-li-ci-o-sa.
Pessoas, as coisas estão ficando mais calientes, não é mesmo? Estou exagerando? Acenem com uma mão se concordarem. Não? Acenem com duas. Em todo caso, ESCREVAM UM REVIEW! Êita povo preguiçoso! Vou começar a fazer greve de NC. Aguardem...
As coisas também vão ficar mais sérias, e agora vamos ter um ou outro capítulo de transição, depois mudança. Acho que vão gostar.

Sobre o capítulo, quando a Celina se refere a ter estado junto a mais de um leito de morte ela fala sobre o avô materno. Pode parecer loucura mas tenho todas as informações imagináveis sobre minha querida OC (POzinha da mamãe) e muita coisa não cabe na narrativa. Tia Georgea viajando na batatinha.

Lívia: E viva a interação entre os povos! Boca à boca, mão nisso e naquilo. A propósito amei fazer a Mione embolachar o Ron. Nem só de flores vivem meus meninos.
Macah Potter: Eba! A Macah leu e gostou. Fica tranqüila miguxa, está tudo lindo e maravilhoso mas os ventos já estão mudando (credo como somos ruins!). Bjão.

A todos os outros mudos e traidores do sangue, ops! Da fic: “Enfia logo a faca no peito!” (mostra o coração em frangalhos). Vou jogar uma praga... dedinhos vão ficar duros, não vão mais conseguir teclar... (torce os bigodes maquiavelicamente).

Beijos ternos e “sofridos”(estou tão filme B), Georgea.

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