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7. Quando Alguém é Nosso Destino


Fic: Amuleto e Espada - por Georgea - Aviso: CONVITE


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 7


O ano passou veloz entre os estudos para os NOM’s, namoro, partidas de quadribol e trapalhadas fenomenais do Ministério da Magia e da “adorável” Profª Umbridge. A AD fora descoberta e dissolvida, o Diretor Dumbledore foi obrigado a se tornar um fugitivo e o teto da escola parecia cair nas cabeças dos alunos. Celina, agora como titular, treinava com o time para o jogo final contra Slytherin. Alicia Spinnet tinha sido azarada e estava internada com as sobrancelhas cobrindo todo o rosto. Outra ausência sentida era dos gêmeos Weasley que tinham feito uma espetacular fuga da escola montados em suas vassouras Cleansweeps 7.
Celina acenou para Joshua do outro lado do campo. Seu namoro atingira um estágio que ela entendia como confortável. Sem sustos. Eles brincavam como duas crianças, descendo pelos corrimãos das escadas, dando cambalhotas no gramado do jardim. Ele competia com ela ponto a ponto no quesito maluquice. “São os loucos que inventaram o amor!”, ele gritava voando alucinado com ela na vassoura. “E os hematomas também!”, ela respondia rindo incontrolavelmente. Aprendeu a conhecê-lo, sabia que quando ele massageava a própria nuca era sinal de que estava com algum problema, mas mesmo assim não deixava de ter um sorriso no rosto. Também sabia que era quase impossível tirá-lo do sério. Ele era pura alegria, descomplicação, era o beijo roubado dado na frente da McGonagall (Celina se lembrava muito bem da boca apertada da professora), era a mania de jogá-la nas costas como um saco de batatas (não importando o quanto ela pudesse protestar). Já tinha amado antes, sabia como eram os sintomas, e a tristeza era que Joshua sempre seria o namorado ideal, engraçado e carinhoso, pelo qual ela jamais se apaixonaria. Ela sabia demais o que esperar dele, o quanto ele gostava dela, por isso se esforçava para ser duplamente afetuosa e doce quando estavam juntos. Era uma forma de compensar, uma imitação de amor, mas era a única coisa que podia oferecer.
- Bom treino, fadinha. – Joshua sentou-se ao lado dela no gramado.
Celina estava descansando juntamente com Ron e Harry. Hermione também tinha assistido a prática e já estava com os amigos.
- Espionando, Josh? – ela deixou que ele envolvesse sua cintura, os olhos apertados pelo apelido que detestava. Forçou o rosto a se desanuviar, usando o conhecimento que aprendeu na convivência com centenas de adolescentes: “Não importa o quanto você odeie um apelido, se deixar que saibam vai ser pior”.
- Sem chance. Espero que vocês arrasem com a Slytherin. – ele ainda não tinha esquecido a amarga derrota nem os insultos trocados entre texugos e cobras no jogo que eliminara Hufflepuff do campeonato das casas. Draco Malfoy tinha sido particularmente malévolo, insultando Joshua como “sangue ruim” e até coisas piores durante todo jogo. Um fato que tinha deixado Celina muito mais irritada do que ele.
- Arrasar Slytherin... Estamos tentando. – Ron fitava o céu desanimado. Não havia sido um bom treino.
- E vamos conseguir, estamos cada vez melhor. – Harry incentivou o amigo com um tapa no ombro.
- Se você diz... – Ron torceu a boca.
- Você precisa ser mais autoconfiante. – Hermione disse fazendo Ron revirar os olhos e retrucar aborrecido.
- É, falou a grande conhecedora de quadribol.
- Confiança vai bem em qualquer situação, Ronald, não só em quadribol. Você não concorda, Harry? – ela se virou procurando por apoio.
Mas Harry não tinha escutado. Seu campo de visão estava focado no casal a sua frente. Joshua tinha o rosto de Celina entre as mãos e a beijava como se não existisse mais ninguém a sua volta. Alguma coisa ali estava terrivelmente errada. Os dois já namoravam a algum tempo, mas essa era a primeira vez que Harry os via se beijando. Foi como se uma lâmina fria estivesse trespassando seu coração e um sentimento surdo de raiva fosse sendo destilado em suas veias. Separar os dois violentamente lhe pareceu uma idéia maravilhosa. Arrastá-la para longe dele, uma idéia melhor ainda. Harry desviou o olhar com dificuldade daquela cena “obscena” e percebeu que Hermione o estivera observando com sua costumeira atenção enquanto Ron arrancava tufos de grama.
Ela não precisou de uma palavra para entender tudo.
- Tenho que me encontrar com a Cho. – Harry se levantou veloz. – Vejo vocês mais tarde.
Ele saiu ventando para o castelo, o cabo da Firebolt apertado na mão. As agulhadas no peito pareciam não querer diminuir, dando a impressão de estarem cadenciadas com seus passos. Tinha realmente combinado de se encontrar com a namorada, mas isso seria impossível naquele momento. Estava possesso. Estava irado. “Impossível se encontrar com uma garota quando se está pensando em outra...” Um flash de tudo que já tinha vivido com Celina passou por seus olhos.
Ela caída sobre ele no Nôitibus.
Descendo as escadas para o Baile de Inverno.
Eles escondidos num armário de vassouras, rindo juntos quando os fogos dos gêmeos se espalharam por toda Hogwarts.
Ela dividindo seu mais importante segredo com ele.
O amuleto de Ísis brilhando em suas mãos.
O balaço acidental que ela lhe acertara enquanto imitava Fred Weasley.
Ela debruçada sobre ele querendo saber se estava vivo.
Seus cabelos compridos sacudidos pelo vento frio de inverno, ou pela brisa quente do verão.
Seus olhos sobre ele.
Então ele soube.
Harry congelou o pensamento no mesmo instante em que deteve os passos. Um raio não o teria fulminado tão forte.
“Como é que a gente sabe que uma pessoa é nosso destino?”, sua própria voz tinha dito um dia.
“Isso é uma coisa que você vai ter que descobrir sozinho.”, a voz dela respondera então.
- Aah não... não. – ele sentiu o ar faltar quando a realidade o atingiu como um soco no estômago. Ele descobriu sozinho, e do pior jeito que poderia.
Ele gostava de Celina.
Queria estar no lugar de Joshua beijando Celina.
Queria que Joshua deixasse de existir e que fosse ele a apertar nos braços aquela menina-mulher.
Apertar sua fragrância irreverente.
Provar o gosto ardido-doce-salgado-doído que adivinhava em sua boca.
O mesmo gosto que a vida devia ter.
Aquilo devia ser amor...
Ele tinha se apaixonado pela amiga e soube numa compreensão instantânea, como se aquilo estivesse gravado em seus ossos, que não teria mais paz enquanto não a tivesse para si.
Harry se voltou para trás enxergando a garota nos braços do namorado. Era inegável o quanto os dois se davam bem, inegável a maneira delicada de Celina acariciar o pescoço do rapaz. Uma confissão insuportável de amor.
- Vai ser um longo inferno. – ele murmurou baixinho enquanto descobria o que era ser picado pelos ferrões amargos do ciúme.


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O quê você faz quando está apaixonado por alguém? Como se porta diante dessa pessoa? E como você faz quando essa pessoa é sua amiga? E tem namorado? Como faz para ela não perceber? Dá para ver ela abraçada com outro e fingir que está feliz? Tem como ela se encostar em seu braço quando se joga no sofá sem você sentir seu corpo todo se arrepiar? E quando ela apoia o rosto nas mãos, o dever de casa esquecido, e viaja sonhadora por um mundo particular? Como se controlar para não colocá-la no colo e a trazer de volta para você? Tem modo de olhar civilizadamente para ela ao dizer bom dia quando teve os sonhos mais loucos e perfeitos durante toda a noite? Sonhos vivos demais? E, finalmente, como fazer de conta que está tudo bem quando sua própria namorada segura sua mão e pergunta por que vocês quase nem se beijam mais?
Harry não sabia como responder a essas perguntas, mas sabia que já devia ter terminado com Cho. Só que ela, de alguma forma, sempre conseguia fugir desse assunto. Era esperta demais para não ter notado seu estado mental totalmente distante. Por isso sua pergunta o pegara tão de surpresa. Tinha permanecido calado pensando se havia um jeito de dizer o que precisava sem magoá-la.
- Nós dois... não está mais dando certo, Cho. – ele falou devagar.
Ela o soltou bruscamente dando dois passos para trás. Seu rosto pareceu se endurecer e modificar bem na frente de Harry.
- Estranho ouvir isso de alguém que até outro dia se arrastava atrás de mim querendo uma chance. – ela disse entre chocada e sarcástica.
Ele percebeu que ela o atacava por se sentir ofendida. Achou melhor se manter de boca fechada.
- Roger Davies gosta de mim até hoje, você sabia? - ela se aproximou. – Ainda me chama pra sair. Provavelmente acha que eu estou perdendo meu tempo com você.
- Então você pode ficar feliz por se ver livre de mim. – ele disse calmo. – Você é uma garota legal...
- Eu não preciso que você me diga que eu sou legal, incrível, ou o que quer que seja. Eu já sei de tudo isso. – ela o cortou muito nervosa. – O que eu quero saber é como do dia para a noite você ficou diferente, esfriou.
- Aconteceu. Eu mudei, meus sentimentos mudaram.
- E essa mudança tem algo a ver com Celina McGregor? – ela observou desconfiada Harry mexer nos cabelos, evidentemente incomodado. – Vocês estão tendo alguma coisa?
- É óbvio que não. – ele não a encarava. - Ela tem namorado e até agora eu estava com você. Eu nunca te traí.
- Ah meu Deus... – ela começou a rir. – Como você é patético. Não me traiu por que sua amiguinha nem sabe que você existe. Do contrário era capaz dela manter os dois. Parker como namorado, você como... - sua expressão se tornou mais venenosa. - O que você seria? Divertimento? Seria bem típico dela.
- Deixe Celina fora disso. Isso é entre nós dois. – ele a interrompeu num tom baixo mas muito sério. – Você realmente é bonita Cho, mas para um relacionamento dar certo isso não é o suficiente.
- Eu deveria tomar lições com sua namoradinha de faz de conta? O que ela poderia me ensinar?
- Aprender a ter compaixão pelos outros, a ver que o mundo não gira em torno do seu umbigo, e que beleza, no final das contas, não é tão importante. – ele de repente descobriu muitas coisas que não gostava nela. - É, você poderia aprender algumas coisas com Celina.
Ele piscou com o calor da bofetada. Seu rosto ficou de um intenso tom avermelhado, mais pela raiva do que pela marca do tapa em sua face.
- Não se aproxime de mim novamente. – ela disse com a voz trêmula.
- Então se retire, por favor. O mais rápido que puder. – se ela não saísse logo ele não sabia o que podia fazer.

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- Tem certeza que está tudo bem? – era a terceira vez que Hermione insistia.
- Eu só terminei um namoro, não estou morrendo. – ele respondeu mal humorado se afundando na poltrona da sala comunal. – Por que a insistência, pelo amor de Deus?
- Você tem marcas de dedos no rosto. – ela sorriu sem graça.
- Está tão forte assim? – ele esfregou a mão na face marcada.
- Oooh, como ficou o outro cara? – Celina chegou por detrás da poltrona, acompanhada por Neville, e fez uma careta ao olhar para o rosto do amigo.
- Cho provavelmente está muito bem, – ele largou os braços pelos lados da poltrona, não tinha mais como esconder mesmo. – a mão um pouco inchada, talvez.
- Com licença, tenho um... ah, dever. – Neville se afastou discretamente tendo entendido a situação delicada do colega.
- A coisa deve ter sido feia. Vocês terminaram? – Celina perguntou tranqüila enquanto ele fazia que sim. – Achei que estava tudo bem entre vocês... O que aconteceu?
- Isso deve ser pessoal... Tem alguma coisa que a gente possa fazer? Qualquer coisa? – Hermione interrompeu tendo a impressão que era melhor não aprofundarem os motivos que levaram o casal ao rompimento. Ao menos o óbvio motivo principal, que amarrava os cabelos descuidadamente naquele momento, reflexos dourados faiscando com a agitação, sem fazer a menor conta dos olhos verdes melancólicos que seguiam seus movimentos.
- Na verdade está tudo bem. – ele não podia propriamente dizer que estava deprimido por outra razão. A razão de pernas torneadas e arzinho entediado na sua frente.
- Não vou dizer que lamento. – Celina colocou seus grandes olhos sobre ele. – Ela nunca foi muito simpática. Provavelmente tinha outros atrativos. – ela apertou os olhos significativamente. - Mas se meu amigo está triste acho que posso dar um jeito de pelo menos ajudá-lo a afogar as mágoas. Afogar literalmente. – um sorrisinho se insinuou no canto de sua boca.
- O que você quer dizer? – Hermione a interpelou, desconfiada.
- Você vai saber logo, logo. Vamos acabar com Slytherin no jogo de amanhã e depois vocês dois estão convidados, junto com Ron, para o que eu chamo de entorpecimento provisório e imediato de problemas emocionais. À propósito, vamos precisar do mapa do maroto e da capa da invisibilidade.
- São todos seus. – Harry encolheu os ombros.
- Não vou fazer nada ilícito! – Mione protestou.
- Ah, vai sim! Quem foi que perguntou ao Harry se podia ajudar em alguma coisa? Qualquer coisa? – Celina debochou.
- Harry não me pediu isso.
- Hermione... – o bruxo lançou um olhar maroto de cumplicidade à Celina. – na verdade seria muito importante pra mim poder contar com seu apoio.
- Estou vendo que você foi totalmente corrompido por essa aí. – ela percebeu os dois mordendo os lábios para não rir.
- Não sei do que você está falando. – Harry fez uma cara intrigada.
- Nem eu. Todo mundo sabe que eu sou uma fonte límpida de inspiração a ser seguida.– Celina forçou uma expressão virtuosa no rosto.
- Se eu perder meu distintivo... – Hermione resmungou tomando o rumo do dormitório, fazendo os dois amigos soltarem boas risadas.
- Te curar vai ser sopa. – Celina o perscrutou. - Você nem parece que está sofrendo por amor.
- Você nem faz idéia... – ele deu um sorrisinho enigmático. – Mas aceito qualquer alívio alternativo que você puder oferecer.

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O jogo contra Slytherin estava sendo dez vezes mais difícil do que Celina tinha imaginado, dois balaços já a haviam atingido, um de raspão nas costas, outro doloroso no quadril esquerdo. Os novos batedores gryffindors não chegavam aos pés de Fred e George. Os gêmeos estavam mesmo fazendo falta. Estavam apenas dez pontos na frente da serpente, e com Ron tendo machucado o braço, o jogo se tornara mais desesperado e caótico. Harry passou voando veloz por ela:
- Cuidado com as costas! – ele gritou, fazendo com que ela se abaixasse bem a tempo, outro balaço passou zunindo por seu ouvido.
- Onde estão os batedores, droga? – ela praguejou para si mesma, conseguindo se emparelhar com o artilheiro da Slytherin e roubar a goles bem debaixo do nariz dele.
Redemoinhos de vento jogavam sua vassoura como pipa de papel, e com a goles debaixo do braço ela só desejava ter força suficiente para passar pelo goleiro em forma de armário e arremessar contra o gol adversário. Só mais um pouquinho...
- Gol da Gryffindor! – uma garota loura de aspecto avoado anunciou alegre no alto-falante. – A artilheira é Celina McGregor, ótima garota, me convidou para alguma coisa secreta depois do jogo. Tenho certeza que vai ser ótimo.
Celina mordeu o lábio inferior apertado, a última coisa que precisava agora era de uma maldita crise de risos. Tomou uma nota mental de no futuro explicar à Luna o significado da palavra secreto.
A torcida deu um imenso suspiro naquele momento. Ron acabara de realizar uma esplêndida defesa, fazendo a goles voar dezenas de metros acima, bem próximo à outra artilheira da Gryffindor. Se aproveitando da oportunidade, Katie Bell agarrou a goles e a jogou para Celina. A garota se preparava para lançá-la a um dos aros quando recebeu uma violenta trombada de outro jogador. Draco Malfoy a empurrou com força, ombro a ombro. A goles se soltou no ar durante o impacto.
- Sai do caminho, McGregor! – Draco gritou inutilmente, a garota não se moveu um centímetro para longe.
- Sabe, quando os garotos crescem... eles geralmente param de empurrar as garotas que gostam... e começam a mandar flores. – ela disse ofegante com o esforço de não cair da vassoura. Tinha acabado de ver o pomo esvoaçando muito perto, precisava ganhar tempo.
- Continue falando enquanto cai. Quando chegar ao chão me diga se é macio. – ele a empurrou mais brutalmente, fazendo com que ficasse cada vez mais difícil para a garota se manter na vassoura. Ela já não enxergava o pomo.
Pelo canto do olho Celina viu Harry se dirigindo à toda para a outra extremidade do campo, um brilho amarelo se fazendo visível à distância. Será...
- Adivinha só, eu sei o quanto sou importante pra você, mas pra sua informação o pomo de ouro não sou eu, – ela caçoou. – mas aquele ali com o Harry.
Deu resultado, ele a deixou imediatamente, seguindo à toda para o local onde Harry estava. Nem precisava ter se dado ao trabalho, na sua ânsia de importunar Celina tinha deixado de aproveitar a chance de dar uma vitória inédita em seis anos para sua casa.
Antes que conseguisse enxergar o que acontecia ela ouviu os berros da multidão. Harry voava para o chão, tinha o braço levantado, a minúscula bolinha dourada se agitando em sua mão. Ela deixou que um sorriso cansado se abrisse em seu rosto. Tinha vencido seu primeiro jogo de quadribol.
Ela conseguiu pousar no momento em que Harry se soltou dos colegas e correu em sua direção, a colhendo num abraço apertado.
- Você conseguiu. – ela murmurou baixinho em seu ouvido, ainda zonza pela mistura de cansaço com adrenalina.
- Não, nós conseguimos! – ele disse radiante, tirando os pés dela do chão.
Celina envolveu o pescoço dele feliz, no abraço mais gostoso que se lembrava de ter dado em toda sua vida. Fechou os olhos, por ela, poderia ter ficado assim para sempre.
- McGregor!!! – um grito retumbante a fez tirar seus braços do amigo. Joshua vinha correndo com um sorriso de pura satisfação. – Eu sabia! Esta é minha garota! Você conseguiu! – ele praticamente a tomou dos braços de Harry, a levantando no ar, fazendo com que girassem vertiginosamente.
Harry deu as costas de imediato, uma forte sensação de vazio nos braços. Deixou que os colegas que invadiam o campo o cumprimentassem enlouquecidos. Gryffindor ergueria a taça em alguns momentos, mas para ele a alegria da vitória tinha como que perdido o brilho. Caminhou para o palanque tomando o cuidado de não se virar para trás. Não estava disposto a ver Celina sendo beijada e esmagada por outro. Jamais estaria.

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Já era a milésima palmada que recebia no ombro, mais um pouco precisaria procurar por Madame Pomfrey. A bruxa tinha curado a luxação do braço de Ron com um simples toque de varinha. De seu estratégico lugar, mais ao canto do salão, Harry olhou para o ruivo. Ron tinha conversado um pouco com uma risonha Lavender e agora contava uma interminável versão sobre sua última defesa para uma Hermione que sorria complacente. Harry riu largo quando a garota o olhou de viés. Seu sorriso congelou no rosto ao ver Celina abrir caminho entre os agitados colegas, recusando dez garrafas de cerveja amanteigada ao mesmo tempo. Tinha trocado o uniforme por jeans e camiseta, os cabelos estavam úmidos, devia ter acabado de sair do chuveiro. Ele gostaria profundamente de segurá-la em outro abraço. O último não tinha sido o suficiente, nem perto disso. Ela parou bem na frente dele, a cabeça inclinada de lado.
- Parabéns, apanhador. – um meio sorriso brincava em sua boca. – Boa partida.
- Mesmo? – um sorriso zombeteiro se insinuou pelo rosto dele.
- Você sabe que sim. – ela de repente riu se pendurando em seu pescoço.
- Você é legilimente? – ele sussurrou enquanto envolvia sua cintura com os braços.
- Não agora. – ela apoiou o queixo em seu ombro. – Por quê? Estava tão necessitado assim de um abraço?
- Seu namorado atrapalhou o último. – ele tentou dar leveza à voz, como se aquilo não o tivesse incomodado de verdade.
- Ele estava só cumprindo o papel dele. – ela começou a deslizar os braços com a intenção de se soltar, mas se intrigou sentindo que Harry não a deixava sair do abraço.
- E qual seria esse papel? – ele falou em sua orelha.
- Ãh, de namorado atencioso, suponho. – ela voltou a apoiar o queixo no rapaz, sentindo os braços dele a cingirem com mais força. Ele devia estar sentindo muita falta da ex-namorada.
Harry respirava a fragrância fresca da pele dela, queria que o tempo parasse naquele momento, onde ela era só dele. Os dedos longos acariciando os cabelos dele com suavidade. Será possível que ela não sentia os violentos arrepios de seu corpo? Não sentia o sangue dele ferver? Ele tinha os lábios à milímetros do pescoço dela, numa vontade insana de provar seu gosto. Bastaria que aquele lugar estivesse um pouco mais vazio... um pouco mais escuro... Deu um passo instintivo para trás, trazendo a garota para uma parte menos iluminada.
- Vamos lá, seu menininho carente. – ela se desprendeu dele suavemente, mas com decisão, suas mãos o empurrando delicadamente para trás. – Eu te prometi algo ontem, se lembra? – ela olhou em seus olhos, fazendo que ele a soltasse relutantemente. - Me dê só um minuto. – ela sumiu pela escada do dormitório, voltando logo depois com uma mochila nas mãos. Pelo volume, a mochila continha bem mais do que capa e mapa. – Podemos ir.
Com um sinal combinado, Ron começou a puxar uma emburrada Hermione para fora da sala. Com o tumulto, não foi difícil saírem de certa forma desapercebidos.
Já do lado de fora, Celina fez com que os amigos parassem.
- O que foi agora? Esqueceu as bombas de fabricação caseira? – Mione tinha os braços cruzados, se recusando a encarar a amiga. Como de costume Ron as fitava com cara de paisagem, era sempre assim quando elas começavam a conversar usando termos “trouxas”.
- Está faltando alguém. – Celina disse escondendo o sorriso.
- Algum terrorista? – Hermione insistiu.
- Só se for o terrorista mais doce e inofensivo do mundo.
O corpo de Neville Longbottom passou desajeitadamente pelo buraco do retrato.
- Oi, gente. – ele encarava os próprios pés com atenção, fingindo ignorar as caras de interrogação a seu redor.
Enquanto caminhavam, Neville emparelhou com Celina, cochichando muito audivelmente.
- Não vamos esperar por... você sabe. – ele viu o pescoço espichado de Ron e não completou a frase.
- Já vai estar esperando por nós. – ela falou meio em código, fazendo Hermione bufar.
- Isso não está me cheirando bem. – Mione fingiu não ver os olhares divertidos dos outros. – Definitivamente nada bem.
Eles subiram intermináveis lances de escada, no que Hermione reconheceu o caminho.
- Você não está nos levando para a torre de astronomia, está?
- Eu estou levando vocês para a torre de astronomia, estou! – Celina a imitou.
- Escute aqui, - Hermione empacou bruscamente, fazendo Ron trombar em suas costas.- até cego já percebeu o que você quer fazer...
- O que ela quer fazer? – Ron perguntou para a garota, que o ignorou.
- Mas nos trazer para um lugar onde o Filch pode chegar em um minuto...
- Sério, o que ela quer fazer? – Ron insistiu sendo novamente ignorado.
- O Filch não vai aparecer. – Celina parecia muito segura.
- Alguém aqui sabe o que ela quer fazer? – Ron olhou exasperado para Harry e Neville, que assentiram um para o outro.
- Todos. – disse Harry, encolhendo os ombros.
- Dãh... e não vão me dizer? – Ron bateu na testa com a mão fechada.
- Ãh... Não. – Harry se voltou para as amigas, não conseguindo deixar que um sorriso de lado surgisse em seu rosto enquanto Ron se avermelhava como um rabanete.
- Como você pode saber que o Filch não vai aparecer?– insistiu Hermione apertando os olhos miudinho para Celina.
- Por que... – ela olhou de relance para Neville e os dois sorriram coniventes.
- Filch vai estar ocupado esta noite. – Neville disse olhando para o relógio de pulso.
O trio olhou intrigado para Neville e Celina.
- Na verdade ele recebeu outro bilhete de amor... – o sorriso dela cresceu.
- E Madame Pince um outro idêntico esta tarde, de modo que... – Neville sorriu encabulado.
- Fiquem bem longe da biblioteca hoje à noite. – Celina piscou maliciosamente.
- Ooh, não façam isso comigo... Daria qualquer coisa pra ver a cena. – Ron se esqueceu da afronta dos amigos, fazendo um ruído alto de riso com o nariz, enquanto Hermione se limitava a abrir a boca com descrença. - As duas múmias apaixonadas. – os ombros do ruivo se sacudiam em risadas silenciosas.
Harry se colocou ombro a ombro com Celina, dizendo baixo:
- Ah meu Deus, você corrompeu Neville! – ele tinha uma expressão meio incrédula, meio deliciada. - Neville, Celina!
- Todo mundo tem seu preço. – ela suspirou satisfeita, finalmente abrindo a porta da torre de astronomia. – E todo mundo quer viver um pouco, então...
Quando entraram Harry soube o que ela quis dizer. Parada junto a uma janela, com um ar extremamente sossegado, estava Luna Lovegood. A julgar pelas bochechas púrpuras de Neville, os outros também não demorariam a entender.

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- Eu não vou beber isso! – Hermione ignorava pela terceira vez o copo que Ron lhe estendia. – Francamente... embebedar os colegas com fire whiskey. – o comentário foi dirigido à Celina.
Os colegas estavam sentados no chão, tendo apenas um pequeno archote como iluminação. Uma precaução extra, caso o encontro de Filch se tornasse um perfeito desastre. Coisa que, intimamente, achavam ter uma boa possibilidade de acontecer.
- Ninguém é obrigado a beber, muito menos se embriagar. – a garota se defendeu. – E não é simplesmente fire whiskey, Mione. – Celina apontou para a garrafa teatralmente.– É um legítimo fire whiskey Jones. O que significa que esta linda garrafa foi “trabalhada” por Phyllis.
- Trabalhada como? – Ron bebericou seu copo provando o sabor. – Não tem gosto diferente.
- A diferença se dá no dia seguinte. – Celina explicou. – Nada de ressaca.
- Sua prima inventou um feitiço anti-ressaca? – Hermione entreabriu a boca estupefata.- Que tipo de bruxa faz uma coisa dessas?
- Uma muito inteligente, que gosta muito de infringir algumas regras e sabe bem as conseqüências. – Celina sentiu uma cutucada significativa de Harry.
- Beber não é pra qualquer um. – disse o bruxo. - Coisa que nossa Mione evidentemente não teria controle suficiente pra fazer. – Harry bateu seu copo no de Celina. Tinha tocado a nota certa para desafiar Hermione.
- Um brinde à Phillys, a quem não conheço mas aprecio enormemente a coragem. – finalizou o bruxo fazendo os demais colegas erguerem seus copos alegremente.
Hermione franziu os olhos e tirou o copo da mão de Ron virando seu conteúdo boca abaixo sem pestanejar.

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Neville e Luna estavam sentados em cima da única mesa da torre. A garota tinha as duas pernas cruzadas em posição de lótus e fitava compenetrada seu copo de whiskey. Neville já tinha ensaiado por várias vezes iniciar um diálogo, mas sempre que abria a boca os olhos azuis da colega tiravam sua coragem.
- Você percebeu que só vieram casais pra cá? – Luna falou de repente fazendo o garoto arregalar os olhos.
- Três casais. - ela tornou. – Você acha que Celina planejou isso?
- Heim? Não, claro que não. – ele se atrapalhou na resposta. – Coincidência.
Luna voltou os olhos para o colega que se escondeu enfiando o nariz dentro do copo.
- É a primeira vez que me convidam pra algo assim. Quer dizer, já me chamaram uma vez para um clube do suicídio, mas acho que foi só uma brincadeira de mau gosto. Nunca antes colegas tão populares me convidaram pra beber fire whiskey, nem fazer nada do tipo.
- Te convidaram para um clube do suicídio? – Neville estava boquiaberto. Por mais que algumas vezes se sentisse excluído, jamais um colega fora tão cruel.
- Umas garotas bem desagradáveis da Slytherin. – ela pareceu não dar a menor importância para tal maldade. – Queria ver a cara delas se soubessem que estou com vocês.
- Você está enganada. – ele abaixou a cabeça apontando com o copo para os demais. – Eles é que são populares. Eu nem ando com eles normalmente.
- Você teve coragem pra participar da AD. Também já te vi com a Celina algumas vezes e ela sempre diz que você é melhor do que até você mesmo sabe. – ela insistiu. – Eles gostam de você.
Neville sentiu o pescoço ficar quente com o comentário.
- Luna... você tem, ãh... saído com alguém?
- Só com vocês, hoje à noite. – a garota não entendeu o alcance da pergunta.
- Mas, acha alguém interessante na escola? Só como hipótese. – ele se precipitou mais vermelho ainda.
Luna pareceu pensar por um minuto.
- Ah, você está falando de rapazes. – ela girou os olhos para o teto matutando. – Bom, tem com certeza alguns, mas eu acho que não adianta ter só beleza, as pessoas precisam ser legais. – ela começou a contar nos dedos. – Deixa ver... Tem os gêmeos Weasley, Fred e George.
- Eles fugiram de Hogwarts, – Neville falou depressa. - então não contam.
- Christian Kane, da Hufflepuff.
- É o capitão do time, namora com a goleira.
- Joshua Parker.
- Namorado da Celina.
- O Harry, é claro.
- Ah... ele namorava com a Cho Chang até outro dia.
- É, mas acho que não acabou bem. Pelo menos ela tem parecido muito furiosa com ele.
- Se eles se gostarem, bem, tem sempre a possibilidade de reatarem. – Neville disse esperançoso.
- Acho difícil. – Luna tinha os olhos sonhadores fixados em algum ponto. – Não enquanto ele for apaixonado pela Celina.
- Quê? – Neville teve a impressão de que tinha perdido alguma coisa.
- É só olhar pra ele.
Neville seguiu a direção do olhar da garota. Viu apenas os dois colegas conversando no chão, nada mais.
- É mesmo? – ele disse incerto. Luna era a pessoa mais diferente que já tinha conhecido. E tinha cada idéia...
Ela deu de ombros vendo que ele não acreditava.
- Também tem o Benjamin.
- Que Benjamin? – Neville franziu os olhos.
- Benjamin Travis da minha casa. – Luna sorriu imperceptivelmente. – Do sexto ano. Você sabe quem é. Todo mundo sabe...
- Ah, este Benjamin. – o garoto falou com enfado. Estava farto de escutar garotas dando risadinhas quando o viam passar. – Vocês são amigos?
- Não sei, mas ele me trata bem.
- Ele não é um pouco... volúvel demais? Já ouvi muita coisa.
- Teve uma briga de tapas outro dia na sala comunal, duas garotas do sétimo ano, cada uma se dizendo a namorada dele. Você está querendo saber se ele é galinha? – Luna aumentou o sorriso. – Definitivamente é. E penso que um pouco impetuoso demais. Mas é um cara legal, interessante.
Neville pareceu amuado com a resposta, se perguntando se havia coelho naquele mato.
- Bom, e você? – Luna o fitou depois de provar sua bebida. – Acha alguma garota interessante?
- Talvez. – ele a olhou por um segundo. – Acho.
- Quem? – ela tinha desfilado uma lista de rapazes e agora esperava uma resposta mais satisfatória do que “acho”.
- Algumas... – ele se remexeu inquieto. O frio na barriga roubando sua capacidade de falar a verdade.
- Estou esperando um nome. – ela aproximou a cabeça confidencialmente.
- Celina. – “Droga!” o nome saiu antes que ele pudesse pensar. De onde tinha tirado aquilo? Agora Luna iria pensar que ele gostava da colega.
- Mesmo? – Luna recuou para a mesma posição de antes. – Bom, não é que eu esteja surpresa, você deve imaginar o que eu escuto dos rapazes que conheço. Tem horas que parece que só existe uma garota em toda a escola... – ela tombou a cabeça de lado sem o menor sinal de ressentimento. - Mas eu imaginava que você seria diferente... mais original.
Neville teve vontade de se atirar do alto da torre.
- Pode me servir novamente? Estou ficando um pouco alegre, mas é bom fazer uma travessura de vez em quando. - ela estendeu seu copo para o garoto com um largo sorriso.
“Neville, você é um idiota. Idiota, idiota, idiota...”
Ele fez o que ela pediu se amaldiçoando sem parar. Luna era uma garota excêntrica, sincera e atraente, de um jeito pouco convencional, é verdade, mas que decididamente tinha algo de exclusivo. Ele pensou sobre isso tendo a incômoda sensação de que tinha desperdiçado uma grande chance aquela noite. O clube do suicídio até que parecia uma boa idéia agora.

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Ron riu camufladamente vendo as tentativas de Hermione de aparentar uma sobriedade que já não existia faz tempo. Ela podia ser uma leoa quando se tratava de inteligência e conhecimento, mas para coisas corriqueiras da vida, como bebida alcoólica, não passava de uma gatinha dengosa.
“Quem manda bancar a fodona?”
Estavam encostados numa das janelas, a brisa da noite remexendo seus cabelos. Ela estava corada, como se estivesse com febre, os olhos muito brilhantes e os cabelos um pouco mais desalinhados que o normal. Mas ele tinha que admitir, estava muito bonita. Sem aquela postura rígida, certinha, ela ficava menos intimidante, se parecendo como uma garota devia ser, na sua opinião. Despreocupada, charmosa, até sensual. Hermione podia tirar o fôlego. Ele parou de sorrir achando meio errado pensar na amiga daquele jeito. E Deus sabe que não era a primeira vez.
- Você sabe, Ronald, esse whiskey Johneson não tem nada de forte. – ela falou com a voz meio arrastada. – A prima de Celina não tem nada de especial por enfeitiçar ele, por ter “coragem” de beber ele. – ela desdenhou. - Estou me sentindo completamente normal.
- Claro que está, Mione. Nunca te vi tão bem. – ele voltou a controlar o riso pelo duplo sentido da última frase.
Tinham colocado água no copo da colega quando ela pedira a terceira dose. Quando perceberam que estava rindo um pouco demais. O que se mostrou muito correto por que Hermione virava os copos d’água um atrás do outro sem perceber que não tinham gosto e que foram enfeitiçados para ficar da cor âmbar.
- Hogwarts não é o lugar mais bonito que você já viu na vida? – ela respirou profundamente.
Ron concordou olhando a paisagem noturna coroada por uma imensa lua cheia.
- É tão romântico... – ela tinha fechado os olhos e Ron abriu muito os seus. – Dá vontade de se apaixonar.
“Desde quando Hermione fala coisas assim?”
- O Victor costumava dizer que era o lugar mais perfeito do mundo.
- É mesmo? E o que mais o Vitinho dizia? – Ron tinha fechado a cara automaticamente. Um efeito que o nome do Búlgaro sempre provocava.
“Não que eu queira alguma coisa com Hermione”, Ron se justificou consigo mesmo, mas era muita cara de pau dela ficar falando do Krum enquanto estava com ele.
- Ele dizia que eu era uma garota fascinante. – ela disse baixinho. – Você acha que ele estava mentindo?
- O quê? – ele se espantou com a pergunta direta. – Como diabos eu vou saber?
- Não, acho que não era mentira. Dava pra perceber pelo jeito dele me olhar. – ela o fitou. - O que você acha de mim?
Os olhos dela tinha nocauteado o bruxo, que ficou sem fala.
- Você também não sabe, Ronald? – ela tinha os olhos pesados pelo efeito do whiskey, mas ele podia jurar que a pergunta tinha sido feita deliberadamente para provocá-lo.
- O que eu sei é que você não está no seu estado normal, e amanhã vai estar achando essa conversa muito absurda.
- Você acha Lavender Brown mais interessante do que eu?
- O quanto você bebeu? - ele sacudiu a cabeça perplexo. “Tomara que o efeito passe logo.”
- Vi vocês conversando mais cedo. Ela era toda dentes. – Hermione se equilibrou segurando o parapeito da janela. – Vocês se amam?
- Quem é você, e o que fez com Hermione? – Ron se afastou ligeiramente. - Acho melhor te levar para o dormitório. Antes que você decida me casar com Lavender, ou coisa assim.
Ron pegou a capa e o mapa dizendo a Harry que já voltava.
- Não prefere que eu vá? – perguntou Celina. – A idéia do fire whiskey foi minha afinal.
- Nah, tudo bem. – Ron dispensou a ajuda com um aceno de mão. – Ela está bem estranha, mas ainda não é perigosa.
Ele olhou para o mapa. “Barra limpa.” Não pôde evitar um olhar furtivo para a biblioteca, constatando impressionado que haviam dois pares de pegadas ali, bem juntinhas. Ele assobiou baixinho. “Quem diria...”
Hermione se deixou levar até um certo tempo ao que começou a se mostrar inquieta.
- Aonde você está me levando? Não quero ir dormir!
- Fala baixo. – ele sussurrou por baixo da capa. – E fica quieta, Mione, está dando pra ver seus pés.
- Eu quero saber! – ela puxou a capa de cima dos dois.
- Ah, por Merlin, tudo bem. Vou te levar pra ver a lua. – ele mentiu tentando cobrir os dois novamente.
- Ver a lua? – ela se afastou tropeçando. - Devia levar a sua namorada.
Ron girou os olhos para o teto.
- Lavender não é minha namorada! – ele tentou falar baixo.
- E o que ela é? – Hermione tinha a típica insistência dos bêbados. Não iria se cansar até ouvir o que queria.
- Não é minha esposa, noiva, nem prometida! – ele respondeu já ficando furioso com a teimosia da garota. – Volte pra cá, antes que eu te pegue à força!
Ela o olhou com as mãos na cintura, com aquela expressão de “quero ver você tentar”. Ron bufou reconhecendo que se não quisesse “drama” teria que satisfazer o capricho da garota.
- Ok, nós nos beijamos uma vez se você quer tanto saber. E até onde eu conheço as leis bruxas não tem nenhum crime nisso. Agora venha já aqui!
- Não vou. – ela bateu de costas numa armadura fazendo o som ecoar pelo corredor.
Ron fez uma careta e olhou depressa para o pergaminho. Suspirando de alívio o colocou de novo no bolso das vestes. Era muita sorte o Filch estar tão ocupado.
- Não vou a nenhum lugar com você, por que você é um cego, Ronald. – ela se virou brava, dando as costas para o ruivo e saindo desabalada. – Um idiota cego!
- Eu juro que hoje te estuporo, Hermione. – ele falou baixo, trincando os dentes e correndo em seu encalço.
Ela conseguiu dar dez passos incertos e acelerados antes de ser atropelada por Ron. Na confusão os dois caíram embolados no chão. Ele ficou por cima da garota e precisou de vários segundos preciosos para notar a posição insólita em que estavam. Notar e gostar. Gostar muito. Evitou a tentação se desvencilhando rapidamente da colega, fazendo com que ela ficasse rapidamente de pé. Hermione procurou se equilibrar jogando os braços no pescoço do bruxo, sem nem ter entendido como tinha ido parar ali.
Quando ela apoiou seu corpo no dele, Ron sentiu um profundo arrepio eriçar seus pêlos; braços, pernas, pescoço. Se esqueceu da pressa, deixando a capa da invisibilidade deslizar abandonada para o chão.
“Ela só pode estar curtindo com a minha cara.”
Já tinha imaginado os dois exatamente daquele jeito. E expulsado o pensamento com toda energia em todas as vezes. Pensamento caprichoso, que teimava em voltar e se transformar em realidade.
E a realidade eram os olhos castanhos de Hermione, sua pele corada, sua submissão e especialmente sua boca entreaberta. Precisava ser de ferro para se segurar. E ele não era...
Varrendo todo o bom senso da mente, Ron apertou o corpo da garota contra o seu e colou sua boca na dela com a vontade acumulada de muitos anos de espera. Sentiu imediatamente o gosto de whiskey e depois apenas... Hermione.
Hermione com seus braços apertando seu pescoço. Hermione com sua languidez inocente, sensual. Hermione que retribuía seu beijo com a boca de mel. Hermione que...
“PLAFF!!!”
Ron cambaleou com a força da bofetada, a lateral de seu rosto parecendo explodir.
- Eu não sou Lavender. – ela tinha os olhos semi cerrados e expressão ofendida. - Eu não sou mais uma... de suas conquistas.
Hermione se afastou ainda dizendo de costas.
- Cresça, seu idiota.
Ron esfregou o rosto chocado, não pelo tapa em si, nem pela reação exagerada da colega. Estava assombrado com o que tinha acontecido, com suas sensações, e sobretudo com a vontade de continuar beijando-a. Não importava o quanto pudesse estar furioso, o quanto tivesse vontade de estrangular seu pescoço.

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Com as horas correndo e Ron parecendo ter se esquecido de voltar, Luna resolveu que mesmo sem capa e mapa, já era hora de dormir. Quando ela se foi, Neville olhou para os outros dois amigos pensando no que Luna tinha dito, e, resolvendo dar um voto de confiança para a loira, também decidiu se retirar.
A garrafa de fire whiskey descansava inocentemente no chão, seu líquido ardente perto do fim, sem ter a menor noção dos efeitos que provocara naquela noite. Nem dos que ainda iria provocar.
Ao contrário de se zangar, Harry estava pouco se importando com o sumisso do amigo. Na verdade era como se Ron tivesse tido um súbito lampejo de inspiração.
- À propósito, Joshua não veio... – Harry perguntou à Celina num tom vagamente interessado. – Algum problema?
- Nah, ele teve que estudar para os NIEM’s. – ela se ajeitou melhor ao lado dele.
- Que pena. – falou satisfeito tomando mais um gole do líquido âmbar.
- Harry... – ela o chamou com a voz incerta. – Você não gosta do Josh, né?
Ele se engasgou com a bebida fazendo força para não tossir.
- De onde você tirou isso? – limpou o queixo na manga.
- Você quase não fala com ele, sempre sai de perto quando ele chega... não sei.
- Você está confundindo as coisas, Celina. Eu não tenho intimidade com ele, só isso. – o bruxo se forçou a encarar a amiga.
- Josh é um cara muito legal, muito mesmo. – ela não tinha engolido. – Ia gostar de ter um amigo como você.
- Eu tenho certeza que ele é boa pessoa, - impossível ficar amigo do rival, daria outro nó em sua cabeça. – talvez só não seja a pessoa certa pra você.
Harry se sentiu meio chocado com o que tinha acabado de dizer, a bebida soltando sua língua perigosamente.
Celina deixou seus olhos pesarem tentando se concentrar no que tinha ouvido.
- Não consigo pensar num único motivo pra você dizer uma coisa dessas.
- Você está gostando dele? De verdade? – ele jogou verde. – Por que às vezes parece só amizade.
Celina não respondeu. Ela abraçou as pernas deitando o rosto de lado sobre os joelhos e fitou Harry por um longo tempo.
- Essa noite era pra te deixar alegre, mas está indo para um lado muito sério. – desconversou. – Daqui a pouco você vai estar querendo fazer confidências sobre a Cho.
- Não estou minimamente preocupado com a Cho. No que me diz respeito já é passado. E agora, você pode responder minha pergunta? – ele insistiu tocando os cachos de cabelo que desciam pelos joelhos dela.
Celina não sabia por que, mas não se sentiu muito confortável em discutir sua vida sentimental com o amigo. Resquícios do antigo hábito de se resguardar. E também a intuição indefinida de que aquela não era uma simples pergunta. Harry parecia diferente.
- Eu gosto do Josh tanto quanto poderia gostar de alguma pessoa. – disse numa meia verdade.
- Como do Dimitri?
“Bingo!”
O antigo vazio no peito se manifestou junto com o efeito do whiskey. Uma combinação desastrosa.
- Se você não mudar de assunto acho que vou ter que ir embora. – ela tinha se endireitado e deixado de olhar para ele.
- Me desculpe, Celina, por favor. – Harry percebeu que tinha ultrapassado uma linha proibida. – É só... preocupação de amigo, não estou querendo me meter na sua vida.
- Ah, Harry, sinto muito. – ela voltou a olhar para ele, as bochechas coradas. – Eu estou sendo uma chata. Isso sempre acontece quando alguém fala o nome “dele” de surpresa. Você deve saber já que também perdeu gente que amava.
- Provavelmente sua sensação é diferente. Não conheci meus pais. – foi a vez de Harry voltar os olhos para a janela ao lado, virando outra dose de whiskey.
“Droga!” Celina revirou os olhos ainda mais envergonhada. “Eu e a minha boca grande.”
- Se você puder perdoar a pessoa mais estabanada e sem tato que você já conheceu na vida, e se puder dar só um sorrisinho, eu te prometo responder qualquer pergunta que quiser. – ela pousou a mão no braço dele. – Mesmo que for a mais cabeluda que você conseguir imaginar.
Harry riu para seu copo vazio, sacudindo a varinha e voltando a enchê-lo juntamente como o da garota.
- Você não tem segredos cabeludos. – ele lhe lançou um olhar enviesado.
- E você nunca deve subestimar uma garota. – Celina sorriu para sua bebida.
- Este é um bom conselho. – ele guardou a varinha e segurou a mão que ela apoiava no seu braço. – Vou me lembrar dele no futuro.
- Vamos ver... – começou a garota com o ar mais sério. – Joshua é incrível, de verdade. Muito talentoso em magia, muito engraçado, é claro. Tem o dom de deixar os outros felizes, mas...
- Mas... – ele a fitou interessado.
Celina abriu e fechou a boca algumas vezes antes de se decidir como continuar.
- Ele não é... eu não... – ela se virou para Harry. - Ah, Merlim, por favor, não me faz responder isso.
- Você não iria estar traindo ele só por dizer que não está apaixonada. – Harry lançou a isca e pescou um cintilante peixe colorido quando Celina se entregou olhando embaraçada para os pés.
- Imagino que não. – ela disse sem ver o olhar intenso do bruxo. Harry entrelaçou seus dedos nos dela lhe dando força para continuar. – Daqui a pouco o ano acaba e ele se forma... não sei se dá pra continuar um namoro desse jeito. Claro, ele já disse que vem me ver sempre que puder, e nos fins de semana em Hogsmead, mas não acho que isso vá dar certo.
- Você já conversou com ele sobre isso?
- Não tinha conversado nem comigo sobre isso. – ela se sentou mais próxima do amigo, colocando a cabeça no seu ombro, o cansaço do jogo estava começando a dominá-la. – Só sei que não quero que ele fique machucado. Ele gosta de mim, sabe.
- Provavelmente há mais pessoas que gostam de você também. – Harry disse aspirando o perfume dos cabelos dela. Desde que o jogo acabara tivera mais contato com o corpo dela do que em toda sua vida. Estava ficando dependente.
- Eu não gosto de ninguém, Harry. – ela fechou os olhos quando ele beijou o topo de sua cabeça. - Não consigo evitar.
E assim Celina se abandonou ao início de um pesado sono.
- Vou fazer você gostar. De qualquer jeito. Eu prometo. – ele murmurou apaixonado puxando-a adormecida para seus braços.


“Os meus olhos vidram ao te ver
São dois fãs um par
Pus nos olhos vidros pra poder melhor te enxergar
Luz dos olhos para anoitecer, é só você se afastar
Pinta os lábios para escrever, a tua boca em mim
Que a nossa música eu fiz agora
Lá fora a lua irradia a glória

E eu te chamo
Eu te peço, vem
Diga que você me quer
Por que eu te quero também”

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N/A: Até que enfim! Este deu trabalho. Principalmente por que eu tenho a mania de escrever o cap enquanto tb escrevo coisas que ainda vão demorar a acontecer na Fic. Já tenho toda a estória na cabeça, mas de repente surge a idéia de como fazer e acho melhor aproveitar. Até agora valeu.
Estou ansiosa pra postar os próximos caps, mas eles ainda têm que ser muito trabalhados, por isso vamos devagar com o andor.
O trecho acima é da música Luz dos Olhos da Cássia Eller.
Mary: ainda bem que v está gostando, escrever dá um trabalho danado, mas é danado de bom. Especialmente qdo a gente recebe apoio. Beijo, beijo, beijo, beijo.
Ticha: oi menina, q delícia v. ainda estar aí. É verdade, não quis apressar as coisas com o casal. As coisas ficam + gostosas qdo a gente espera. Beijos mil.
E pra vocês que não escrevem mas lêem: beijos também, que eu hoje estou boazinha.
PS: Continuem a postos pq tia Georgea promete esquentar as coisas daqui pra frente.

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