Capítulo II
Rei Ronald sempre fora um exemplo de bondade e gentileza. O Rei Ronald jamais levantou a voz para qualquer pessoa, muito comedido em suas ações e em suas atitudes.
Porém, naquela tarde, quando fora chamado por Lady Vector aos aposentos da rainha e a viu sofrendo com as dores do parto, ele não era mais o mesmo.
O rei gritara com cinco, das cinco pessoas que passaram na frente dele, quando praticamente voou até o pombal, escrevendo ele mesmo o bilhete urgente para a curandeira. Ele gritou com as seis pessoas que perguntaram o que estava acontecendo, no caminho de volta até a torre leste. E ficou andando de um lado para o outro dentro do próprio dormitório quando Luna, não agüentando o nervosismo do marido o expulsou do quarto dela.
Ele vira Luna umedecer as roupas de suor, ante a dor excruciante que ela enfrentava e prometeu a si mesmo que nunca mais tocaria nela se a dor passasse... Se tudo acabasse bem e logo!
O bebê não deveria nascer senão dali a três semanas, pelos cálculos de Hermione. Isso, somado a uma gravidez complicada, tornava os gritos de Luna muito mais apavorantes ao Rei, que era um homem muito corajoso. Pelo menos ele achava que era... Agora não tinha muita certeza de nada.
Um novo grito e Ronald olhou pela janela. Já passara mais de vinte minutos desde que enviara a pomba. Hermione devia estar quase chegando. Ele deu mais uma volta dentro do quarto.
Qualquer um que visse a cena, prontamente imaginaria um leão enjaulado. Alto, de compleição física musculosa e andar felino, Ronald era um homem elegantemente grande. Aliás, todos os homens da família real de Atalaia eram quase gigantes, o falecido monarca tivera quase dois metros de altura. Mas aquela majestade do rei, juntada a um pequeno espaço, aumentava a impressão de que um animal feroz fora engaiolado contra a própria vontade.
Na vigésima volta que Ronald deu, ele resolveu que não podia ficar amargando dentro de um lugar fechado, enquanto sua adorada esposa sofria em outro. Ele ajudara, e muito, para a tal situação, e agora o lugar dele era junto da esposa. Não importando o que a Igreja ou o protocolo real dissessem.
Assim, o rei abriu a porta de supetão e avançou até o outro lado do corredor, onde estava o quarto da rainha. Ele sequer bateu. Invadiu o quarto ante os olhares atônitos das aias e um novo grito de Luna.
—Majestade, não deve ficar aqui e...—começou uma das amas.
—Silêncio—interrompeu o rei com uma voz tão autoritária como nervosa.—Não quero uma palavra. Eu ficarei até que tudo esteja terminado. E acho bom que todos saiam! E a senhora, Lady Vector, vá chamar o Harry e mande-o até meu quarto, depois me avise quando ele chegar.
As cinco mulheres entreolharam-se e disseram:
—Sim, majestade.
Nos minutos seguintes um revoar de saias barulhou ao passar pela grande porta de madeira pintada de dourado, enquanto Ronald sentava-se ao lado de Luna.
—Rony querido, isso não é uma hora apropriada para me fazer ficar brava com você—gemeu Luna arfando.
Ele sorriu e disse:
—Então não fica. Respira fundo, como a Hermione lhe ensinou meu amor. Eu vou ficar aqui.
Luna deu um sorriso cansado e tentou respirar o mais fundo possível. Mas a dor logo se apossava dela de novo. Ela não quisera chamar ninguém antes, e estava sentido as contrações desde a manhã. Agora se arrependia, pois se tivesse chamado a amiga mais cedo, talvez tudo já estivesse terminando.
—Estão muito rápidas… eu tenho que começar a fazer força—gemeu ela—não posso mais...
Ronald realmente começou a entrar em pânico. Não sabia o que fazer. Ele nunca ficava junto quando Hermione atendia a esposa. Era um assunto feminino e ele não pretendia aprender como se tirar um bebê de dentro da mãe.
—Querida… mas será que é hora? Não tem um tempo certo para fazer força e...
O resto da frase foi interrompido por um grito ainda mais lancinante de Luna. Ronald, apavorado, sentiu as mãos tremerem quando a segurou firme pelos braços. O que diabos acontecera com Hermione que ainda não chegara???
Depois de mais longos minutos de espera, quando o Rei tentava ajudar a rainha naquela tarefa difícil de trazer o herdeiro à vida, ele ouviu uma pequena comoção do lado de fora do quarto. Porém, não pode dar a devida atenção porque Luna dobrava-se ante mais uma contração irremediável e dolorosa.
Quando Luna voltava lentamente a deitar na sua cama, com os longos cabelos dourados colados na pele de porcelana, que estava coberta de um suor frio, Ronald ouviu gritos de mulher.
Hermione! Pensou ele afastando-se a contra gosto da cama onde estava sua esposa.
Ao abrir a porta, irritado com a demora de Hermione e com os gritos sem sentido, ele viu a cena mais bizarra de toda a sua vida como rei.
Seu irmão mais moço, Harry, carregava Hermione como um saco de batatas enquanto ela gritava contra ele. Harry irritado dizia, no exato momento em que Ronald abriu a porta:
—Bandido? Eu?! Ora se eu...
Se fosse em outra situação Ronald teria achado a cena muito engraçada e teria caçoado do irmão por muito tempo. Entretanto, as vidas de sua mulher e de seu filho estavam em risco, enquanto Harry se divertia em carregar a curandeira no ombro. Por isso interrompeu com uma voz baixa e furiosa:
—Mas que infernos está acontecendo aqui?!
Harry virou-se de supetão, quase fazendo a jovem curandeira cair. Sua expressão era um misto de surpresa, raiva, e algo que muito se assemelhava a desejo. Antes que ele pudesse responder ao irmão, Hermione respondeu com uma voz possessa, tão diferente do timbre musical de sempre:
—Acontece, Majestade, que este ogro está me impedindo de ver a Luna!
—Ogro?! Ora sua pilantra, espiã, safada. Eu estou é evitando que mate alguém!
—Chega!—Ronald interrompeu a altercação, ouvindo o som de mais um gemido de sua mulher— Harry solte Hermione, por favor. Hermione, Luna está em trabalho de parto a mais tempo do que eu supunha. Por favor, faça seu trabalho.
Harry deixou a jovem deslizar de seu ombro e colocou-a no chão, como se não pesasse mais do que uma pluma, mas mantinha o cenho numa expressão feroz.
A curandeira ergueu o nariz numa expressão altiva, deu as costas ao homem que a tratara pior do que uma mulher de campanha, e entrou no quarto imediatamente, numa rapidez invejável.
—Harry, pode me dizer agora porque estava atacando a curandeira?—Indagou o rei ainda furioso.
—Oras, eu não sabia que esta gata selvagem era a curandeira! Eu apenas vi uma mulher esgueirando-se pelas sombras, de uma forma um tanto suspeita e tentando entrar no quarto de Luna. Ela tão pouco se apresentou!
—Por acaso, você deu oportunidade pra isso?—Questionou o Rei com uma sobrancelha arqueada.
Harry não respondeu. Limitou-se a olhar desdenhosamente para o irmão, que o conhecia demais. É claro que ele não ficara perguntando coisas àquela pirralha de língua afiada e modos de bárbara. Ele era um guerreiro. Atacava antes de perguntar. Fora treinado pra isso.
Naquele meio tempo, enquanto os irmãos fitavam-se num reconhecimento mútuo de força e mente, Hermione abriu a porta e pediu:
—Vossa Majestade, eu preciso da ajuda de mais uma ama. Uma que tenha experiência e que seja de total confiança.
—Lady Minerva—sussurrou Harry pensativo.
Ronald concordou:
—Certo, também acho que Lady Minerva será de muita ajuda. Harry vá buscá-la.
Harry assentiu e virou-se em busca de sua antiga babá, Lady Minerva McGonagall.
Devo dizer que Lady Minerva era uma senhora formidável. De longos cabelos negros sempre firmemente trançados, e uma preferência pela cor verde esmeralda que era vista a quilômetros de distância, estava sempre muito séria. Seus olhos pequenos e perspicazes sabiam tudo e conheciam tudo. Ela conseguira manter dois rebeldes rapazinhos firmes nos eixos, e agora ansiava por cuidar do novo bebê.
Enquanto descia as escadas, pulando de três em três degraus com suas longas pernas, Harry pensava no tipo de mulher que a curandeira era. Pelo que vira, era uma moça demasiado jovem e demasiado bela.
Ele sentiu o coração pular quando lembrou daqueles cabelos castanhos entremeados de dourado, caindo em cachos pelas costas esguias da moça, os olhos como âmbar líquido que faiscavam num fogo que ele jamais vira em qualquer das ladys do castelo. E a boca?! Pequena, rubra e voluptuosa, parecia morangos polpudos e doces.
Ele afastou aqueles pensamentos pouco típicos de um guerreiro. Mulheres bonitas só serviam na cama. Fora dela eram apenas dor de cabeça e incômodos eternos.
Mas a garota era bela. E era sozinha... Talvez pudesse apreciar mais aquela beleza indômita. Como seria quando aquela gata selvagem se transformasse numa gata manhosa?
Novamente incomodado com o rumo dos pensamentos, Harry quase arrebentou a porta dos aposentos de Lady Minerva, assustando a pobre senhora.
—O que foi, Alteza?——indagou ela em toda a sua postura régia.—O que é tão importante, para que Vossa Alteza derrube minha porta aos socos?
Aquele tom, cortante e autoritário, quase fez Harry sentir-se um menino que estivesse correndo pelos corredores do palácio. E o príncipe teve de controlar-se para não pedir desculpas humildemente.
Porém, ele não era mais um menino, era um homem feito. Um guerreiro renomado. Assim, ele manteve a postura e disse, numa voz que não era terna ou dura, mas fria, de quem estava acostumado a dar ordens:
—O rei a requisita no dormitório da rainha imediatamente.
Qualquer outra lady teria ficado irritada. Ou ao menos amuada com o tratamento dispensado por Harry. Mas Lady Minerva estava acima dos pobres mortais, ou pelos menos era essa a impressão que o príncipe tinha, enquanto escoltava a dama até o quarto de Luna. Ela sempre parecera acima das intrigas e da inveja da corte. Era, por esse motivo, muito querida pela família real de Atalaia, e fora Lady Minerva quem segurou a mão da Rainha Lílian, quando esta morrera dois anos antes, desconsolada pela morte prematura do Rei James.
Pensando na postura inabalável de sua ex-babá, Harry não pensou mais na jovem curandeira de cabelos luxuriantes.
Hermione esqueceu totalmente o homem forte que a segurara como se fosse uma boneca. Estava mais preocupada com Luna e o parto.
A dilatação estava boa, ainda bem. Hermione temia que a dilatação parasse na metade e que Luna não conseguisse dar a luz ao bebê com naturalidade. Isso poderia custar a vida de ambos.
Concentrada, mal viu quando bateram à porta. Naquele exato momento ela dizia numa voz suave e calmante:
—Só mais um pouco querida, vamos. Empurre! Empurre!... Pronto... Respira... Relaxa... Estamos quase, querida, estamos quase.
Luna deixava-se confortar com o toque nervoso do marido e a voz de sua melhor amiga. Ela não tinha certeza se suportaria muito mais. No entanto, aquelas pessoas a amavam e tentavam ajudá-la como podiam, ela lutaria por eles, e por seu bebê.
Lady Minerva entrou no quarto como uma generala, pronta a desfiar um rosário de ordens. Mas, antes que ela pudesse falar qualquer coisa Hermione disse:
—Lady Minerva. Por favor, mantenha os panos aquecidos. A cabeça já está coroando. Mais alguns empurrões e o bebê terá nascido.
Sem entender o motivo, a velha ama atendeu aos pedidos daquela menina.
Ronald continuou segurando Luna. E quando finalmente a cabeça do bebê surgiu ele sentava-se atrás da esposa e a apoiava contra o corpo, tentando mandar força para ela. Ele viu o rosto do filho e quase chorou sem compreender bem o porque. Era uma sensação de alívio, alegria e amor que ele nunca poderia explicar. E aquele momento ficaria para sempre em seu coração real.
—Querida—disse ele—abra os olhos e veja. Nosso filho é tão lindo!
Luna forçou as pálpebras pesadas e admirou o fato de que alguém saía de dento dela. Era tão... surpreendentemente maravilhoso, que, por um segundo, ela esqueceu da dor. Porém, foi apenas um segundo, porque logo ela estava arquejando novamente.
—Vamos lá, minha irmã—instou Hermione.—Só mais uma... Espera, espera, espera... Agora! Força! Força empurra com tudo que tiver... Vamos!
—Eu não posso mais—gemeu Luna.
—Pode sim! É uma rainha, Luna, vamos! Força!
Ainda desconhecendo as origens daquela nova energia que tomava conta de si, a rainha empurrou junto da contração mais uma vez. E o corpo de seu filho, o príncipe herdeiro de Atalaia, emergiu.
O bebê gritava a plenos pulmões, exigindo saber quem o retirava assim do conforto e do calor de sua mãe. Enquanto Lady Minerva tratava de pegá-lo e Hermione cortava o cordão umbilical, Ronald chorava abraçado a esposa, que estava levemente desfalecida e chorava também. Era difícil saber qual dos dois parecia mais feliz ou mais aliviado.
A placenta foi expelida sem problemas e Hermione não conseguiu se despreocupar antes de tudo estar limpo e ela verificar com atenção a amiga mais de três vezes. Depois de uma gravidez tão difícil o parto foi muito fácil e rápido.
Hermione checou mais uma vez o bebê. O menino estava bem e com uma coloração rosada muito saudável. Lady Minerva realmente sabia o que fazia enquanto limpava o bebê, que agora repousava junto ao seio de Luna.
—Bem, foi mais fácil do que imaginávamos—comentou Hermione começando a sentir os sintomas do cansaço.—Vou sair e avisar que tudo está bem.
Ela conteve o bocejo. Perdera completamente a noção do tempo, mas devia passar muito de sua hora costumeira de dormir. Aliás, ela não se alimentava desde o almoço. Ela teria de comer... Soltou um bocejo... Não, ela teria de dormir. É isso! Ela iria dormir, comeria quando acordasse.
Perdida naqueles pensamentos, ela saiu e fechou a porta. Cerrou os olhos e esticou-se enquanto andava, tentando espreguiçar-se. Meio bamba de sono e de cansaço, a castanha quase caiu quando chocou-se contra uma parede no meio do corredor, porém ela a segurou firmemente antes que despencasse no chão.
Um minuto.
Parede? Parede no meio do corredor? Com braços? Desde quando havia uma parede no meio do corredor com braços?
Presa naquele vendaval de pensamentos Hermione ousou abrir os olhos e soltou um gemido sofrido.
Por que, senhor? Por que, dentre todas as pessoas do mundo, ela tinha que bater justo contra aquele homem das cavernas? Imediatamente afastou-se das mãos solícitas, como se o contato queimasse, e endireitou a coluna enquanto se recompunha.
Harry agitara-se quando, finalmente, abriram-se as portas dos aposentos da rainha. Já eram quase quatro horas da manhã e não tivera notícias. Passara todo o tempo ali, vigiando, esperando ansioso pelo que viria.
Mas o que veio não era exatamente o que ele esperava. Parado no meio do corredor ele viu a moça, que ele julgara ser uma espiã, bocejar deselegantemente e avançar, com passos incertos, pelo corredor em direção a ele, enquanto mantinha os olhos fechados. Na verdade, o príncipe quase gemeu quando a viu se esticando toda, tal como um gato, mostrando, ainda que discretamente, a curva dos seios contra o tecido rústico do vestido.
Aquela mulher só podia representar problemas, pensou ele quando a mesma chocou-se contra ele e teve de a amparar. O corpo era macio demais, o cheiro dela era gostoso demais. Ele sentiu subitamente o coração acelerar quando ela ergueu aqueles olhos como ouro líquido e franziu a boca magnífica de forma desgostosa, praticamente pulando de seus braços para ficar ereta como uma rainha.
Aquela mulher era fantástica! Ele pensou, enquanto franzia o cenho ao ver aqueles belos cabelos escondidos pela touca de criada que ela prendera firmemente sobre a cabeça.
Mais recomposta Hermione falou, com um olhar gélido:
—Seu sobrinho acaba de nascer, Vossa Alteza. Daqui a alguns minutos o Rei lhe abrirá a porta. Agora se me der licença, vou me retirar.
O príncipe teve um sobressalto. Fazia muito tempo que uma mulher em idade de casar o dispensava com tanta frieza. E os olhos dela ainda lhe lançavam chispas de fúria pelo tratamento que recebera antes. Ela era maravilhosa. E ele a desejava, descobriu o guerreiro num átimo. E a teria, decidiu em seguida.
Desculpar-se com certeza não passou pela cabeça do príncipe Harry. Até porque ele considerava que sua atitude fora a mais correta possível, uma vez que não tinha idéia de quem ela era, e jamais suspeitaria que a curandeira fosse tão jovem ou tão bonita. Ao conhecê-la, ele pensaria numa espiã ou numa concubina, e como ele tinha certeza que Ronald era devotado à esposa só sobrava uma opção.
Ainda assim, ao vê-la dar um passo na direção do corredor ele ficou tentado a impedi-la de prosseguir.
Foi quando o destino o ajudou mais uma vez.
Hermione, muito preocupada em sair o mais rápido possível do brutamontes horroroso que lhe tratou como um saco de farelo, não prestou a devida atenção nos tapetes que forravam o corredor e acabou tropeçando na ponta de um deles.
E teria se estatelado no chão se Harry não tivesse os reflexos de um tigre. Ele a pegou um décimo de segundo depois que ela perdera o equilíbrio, dando um passo ao lado e puxando-a contra o peito.
Dessa vez não foi um encontrão desengonçado de corpos. O príncipe de Atalaia a segurava contra si, sentindo a maciez dos seios e o aperto firme que ela lhe dava nos braços ao se apoiar. Ela tinha muita força nas mãos, ele notou.
Hermione ficou sem ar. Primeiro porque, pela primeira vez desde que o vira, percebeu que aquele guerreiro era muito belo. Estava próxima o bastante para sentir seu cheiro de couro e homem, além do hálito de canela. Os olhos verdes tinham um brilho diferente, não era raiva, era algo mais parecido com luxúria e estavam fixos na boca dela, que permanecia meio aberta, para que ela pudesse recuperar o fôlego. Segundo, porque ele a apertava contra si com uma força esmagadora. O primeiro motivo era o mais importante, é claro.
A curandeira quis lhe pedir que a soltasse ou que parasse de olhá-la daquela forma, mas as palavras permaneceram congeladas dentro de sua garganta. E ela sentiu um estranho desejo. Algo que ela não soube porque ou pelo que. Ela não entendia o que queria. Mas não afastou os olhos de seu algoz.
Se antes Harry tinha chegado à conclusão que a desejava mais do que deveria, agora ele não podia afastar os olhos daquela boca perfeita.
—Moça, acho melhor parar de me olhar assim—advertiu ele com a voz rouca.
—Assim?—indagou ela com a voz sumida e confusa.
Ele grunhiu e baixou a cabeça. Iria beijá-la e largá-la. Por um momento, ele até tinha pensado em torná-la sua amante. Mas era muito perigoso. O desejo que ele sentia era muito forte e o deixava vulnerável demais. Entretanto, precisava ao menos saber se aquela boca era tão suave quanto aparentava ser.
Apavorada e com os olhos arregalados, Mione viu o gigante baixar a cabeça e dirigir os lábios aos seus. O príncipe roçou a boca na dela de leve, como um toque de uma pluma, e a castanha sentiu as pernas enfraquecerem e as pálpebras pesarem, ansiando por algo que não compreendia, afinal ela nunca tinha sido beijada. O desejo de algo incompreensível cresceu dentro dela, fazendo-a aumentar a pressão das mãos nos braços musculosos do guerreiro.
O príncipe era um homem experiente, e ansiava por mais que um simples contato, ele queria provar o gosto daquela boca, agora que sabia que a textura era tão macia como ele supunha. Harry preparava-se para beijá-la de verdade quando ouviu os gritos de Colin:
—SOLDADOS! SOLDADOS DE VOLDEMORT!!! PREPARAM-SE PARA INVADIR O CASTELO!!!
Naquele instante, também surgia Rei Ronald com um sorriso bobo na face, querendo compartilhar a alegria de ser pai com seu único irmão.
—Harry venha ver que garotão é o meu filho e...
É óbvio que tudo aquilo aconteceu no mesmo momento, gritos contra palavras sorridentes tendo por expectadores Hermione e Harry, que continuava estreitando a curandeira em seus braços.
Tanto Colin quanto Ronald pararam no ato. Ficaram estáticos como se tivessem sido congelados no tempo, analisando a cena que viam. Jamais o príncipe guerreiro segurara uma mulher com tamanho cuidado.
Harry empurrou a moça delicadamente para que ela se afastasse. Ainda que sua vontade fosse arrancar aquela touca horrorosa e enfiar os dedos por aqueles cabelos tão convidativos e beijá-la até que ambos ficassem sem ar.
Pensamentos perigosos, pensou ele. E se afastou um pouco mais.
Hermione ainda tinha os olhos semicerrados e estava aturdida. E mal conseguia ficar em pé. O calor daquela boca ainda se mantinha em seus lábios. Forçando-se a voltar a raciocinar ela recordou as palavras do soldado Creevey. Estavam atacando o palácio de Atalaia! Isso bastou para que ela se recompusesse.
Tudo isso se passou em meio minuto. No minuto seguinte o rei já pressionava o soldado:
—Quantos? De que direção? Quanto tempo levarão para chegar? Estão evacuando a cidade? O plano de defesa já está em andamento?
—São centenas, Vossa Majestade. Vêm do sul, devem chegar em três ou quatro horas. A cidade já está sendo evacuada e o plano já está em execução—respondeu ele rapidamente.
—Colin, eu quero que se reúna aos demais soldados. Mande a cozinha esquentar o óleo e preparem nossas bolas de fogo—ordenou Harry.—Todas as mulheres e crianças da vila que não conseguirem fugir pelo rio, devem ser enviadas para o castelo. Aqui estarão mais protegidas. Eu desço em três minutos
O soldado fez uma reverência e desceu correndo novamente, a fim de passar as instruções aos outros. Ronald e Harry fitaram-se um longo tempo. Ambos pensavam a mesma coisa: como Voldemort saberia que tanto o Rei como a Rainha não poderiam se deslocar naqueles dias? Havia um espião dentro do castelo!
Hermione aproveitara-se que os três estavam discutindo e esgueirou-se de volta ao quarto da rainha. Dirigiu-se á cama onde verificou que Luna dormia, exausta pelas dores e pelo esforço. Mais a diante, no berço de madeira polida, o príncipe herdeiro dormia também. Parecendo tão saudável e belo quanto qualquer bebê. Mesmo assim, a curandeira temia que qualquer coisa acontecesse a ambos. Sentou, então, no chão, entre a cama e o berço, segurando a mão da rainha.
Foi ali que Harry e Ronald a encontraram, três horas mais tarde. Com o sol iluminando a manhã e a batalha prestes a iniciar.
Ronald falou para o irmão:
—Eu esperava encontrá-la aqui. Mione é fidelíssima a minha adorada esposa.
—Não vejo que ajuda tem uma mulher tão fraca e adormecida—resmungou Harry, abalado com a visão daquele rosto suave e sensual.—Se estivesse acordada...
Ron sorriu e lembrou das duas cenas que presenciara antes de retrucar:
—Ohhh, mas penso que ela é mais perigosa do que se imagina, uma vez que te obrigastes a carregá-la como um fardo de feno, hoje mais cedo, e depois a esmagavas entre os braços quase a fazendo desfalecer...
Harry estava mal humorado e olhou com desagrado para o irmão. Não queria ser lembrado das sensações que aquela mulher indomável causava em seu corpo e em sua mente. Realmente ela era perigosa. Porém, perigosa para ele. Despertava-lhe sentimentos e reações desconhecidas e descontroladas. E ele não gostava de estar sem controle.
Como Harry não respondia a sua provocação Ronald desviou sua atenção para a esposa que acordava naquele instante. Ela sorriu cansada e olhou com carinho para a moça que lhe segurava a mão. Então fez sinal para que não fizessem barulho.
—Há quanto tempo estou dormindo?—sussurrou ela.
—Três horas—respondeu Ronald no mesmo tom e aproximando-se.—Hermione deve ter desmaiado de cansaço aqui.
Luna sorriu.
—Ela me prometeu que jamais me abandonaria. E ela honra com sua palavra. Será que você não podia pedir para alguém carregá-la até o catre, ali perto da janela? Dormir nesta posição não deve ser fácil e se eu conheço Hermione, ela devia estar acordada desde antes do sol nascer de ontem.
O rei concordou e olhou para o irmão, que estava próximo ao berço observando o sobrinho.
Harry estava impressionado com o bebê. Ele era muito pequeno e meio vermelho. Além disso, era enrugado. O príncipe guerreiro franziu a testa ao lembrar do irmão dizendo que seu filho era lindo. Aquela era a criança mais feia que ele já tinha visto. Apesar de que, ele se lembrou, jamais vira outra criança recém nascida para comparar. Estendeu a mão e tocou, com um de seus dedos calejados pelo manejo da espada, a bochecha do sobrinho e ficou encantado com a maciez e o calor morno que o menino desprendia. Aquilo lhe lembrava um outro contato morno e macio... Foi tirado de seus devaneios pela voz do rei:
—Irmão, por favor, carregue a senhorita Hermione até o catre.
Harry assentiu e inclinou-se para pegar a curandeira no colo. Prontamente soube onde mais tinha sentido a maciez e o contato morno. Tinha sido quando ele a estreitara junto a si pela primeira vez, e pela segunda e pela terceira...
Mal havia dado dois passos com a jovem no colo quando ela abriu os olhos, um pouco zonza por causa do sono, e os fixou nele. A surpresa estampada no brilho castanho não se alastrou na voz suave que lhe ordenou:
—Ponha-me imediatamente no chão.
Harry quase riu da audácia daquela mulher em querer ordenar qualquer coisa a ele, o príncipe Harry de Atalaia, o maior guerreiro dos últimos cem anos. No entanto, conteve-se ante a expressão fria de desdém que Hermione lhe dirigia.
—Como quiser, senhorita—assentiu ele largando-a e a fazendo cair de bunda no chão.
—Harry!—Exclamou a rainha Luna, espantada com a atitude pouco cortês de seu cunhado com sua melhor amiga.
O príncipe deu um sorriso convencido à cunhada e ergueu os ombros:
—Só fiz o que a curandeira pediu—retrucou ele.
Hermione ergueu-se num salto, com os olhos flamejantes de fúria, e voltou para junto da cama, sem dar a entender que a queda fora dolorida.
—Vossa Majestade, sente-se bem?— ela indagou com eficiência, enquanto segurava o braço da jovem monarca a fim de saber se a pulsação estava forte.
—Muito bem, embora não saiba quando poderei sentar-me novamente — respondeu sorridente.—Mas você, minha querida, deveria dormir.
—Haverá tempo para dormir mais tarde, Majestade—disse ela enquanto sentia a temperatura da rainha e olhava os olhos azuis da amiga verificando a existência de febre, tão comum em parturientes.
Ronald trocou um olhar preocupado com Harry. Talvez não houvesse tempo, como a curandeira presumia. Este olhar não passou desapercebido por Luna que logo perguntou:
—O que está errado? É o bebê?
Ante o nervosismo da esposa o rei respondeu:
—O bebê está bem. Fique tranqüila e…
—Ronald pare de mentir e diga o que está errado—ordenou num tom que não permitia discussão.
O rei e o príncipe trocaram olhares e Harry assentiu, numa linguagem totalmente deles, então o monarca respondeu:
—Estamos sendo invadidos. Não há tempo para retirar todos do castelo, ficaremos cercados.
Hermione assustou-se e olhou para a amiga que perdera a pouca cor que recuperara no breve descanso. Depois dirigiu o olhar para o berço. Deveria haver uma forma de tirar os dois de lá.
—Majestade, vocês podem fugir pelas passagens—sussurrou ela.
O rei a olhou longamente antes de negar:
—Eu não vou abandonar meu reino como um rato. Ficarei e lutarei. Mas você, Luna e meu filho fugirão.
Luna prontamente negou:
—Tampouco eu tenho vontade de fugir como um ladrão no meio da noite. Aliás, eu nem tenho condições de caminhar. Ficarei aqui.
—Mas Luna...—iniciou o rei.
—Nada de mas. Eu fico, está decidido—interrompeu ela.
—E o bebê?—indagou Harry se manifestando pela primeira vez.
—Só há uma solução—disse Ronald suspirando derrotado.
—Qual?—insistiu o príncipe.
Os três olharam para o rei ansiosos quando o primeiro sino tocou.
O castelo estava sob ataque inimigo.
N/A Carla Ligia: Dessa vez fui mais rápida, né meus amores???*+*??? Eu me esforcei bastante.. ahsuhasuhasuashuashasuhauhauhaasu. E aí?? O que acharam??? Pobre Ronald, um homem tão calmo que ficou tão irritado a ponto de gritar com qualquer um..kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Gostaram da Lady Minerva??oO??? Ela vai ajudar bastante depois, vocês verão... E os pensamentos do Harry???*+*??? Tarado ele né?? Ahsuhasuhasuhsuahsushauashaushaushaushaus. Agora, a cena que eu mais gosto é quando a Mione tropeça num tapete... Eu sou bem assim, tirem os tapetes da minha frente, porque não fica tapete sobre tapete por onde eu passo.. ahsuhasuhsuashuashusahuasaushasuhasuhas. A única diferença é que não tenho nenhum Harry gostosão para me amparar e na maioria das vezes me estatelo no chão mesmo, triste destino o meu...=)... ahsuahsuashushuashuashushaushasuhasuhasush. Nossa, e agora???oO??? O reino foi invadido, estão cercando o castelo... Será que Haverá esperança???OO??? Quem será o espião ou a espiã de Voldemort que está no círculo íntimo dos monarcas???oO??? Porque, supostamente, os riscos da gravidez eram apenas de conhecimento dos mais íntimos. Então quem seria?oO? Não posso contar.. pelo menos ainda não...kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Espero que tenham gostado do capítulo, ele acabou ficando muito maior do que eu esperava, enfim.. levem o tempo que necessitarem para ler, ahsuhasuahsuahuahau, mas comentem, por favor, eu fico tãããããoooooooo felizzzzzzz ao ver os comentários lá..*+*.. A Jan também... Aliás, qualquer um que me conheça sabe que fico feliz sempre que comento também... ahsuahsuashauhauhaushaush. Já até me ofereceram vaga para escritora de N/As..kkkkkkkkkkkkkkkk. Só que estou com a agenda lotada ultimamente, não cabe mais um trabalho independente sabem???*+*??? Então por enquanto é isso! Beijocas estreladas a quem comentou, beijinhos aos mudinhos que apenas vêm dar uma espiada e até o próximo capítulo.
Teresa: Perdão pela demora, eu sei que a gente demorou demais no primeiro capítulo e o segundo também acabou demorando mais do que deveria.. ahsuahsuhasuashuash. Eu sei da Gangue de Leitoras e estou evitando que elas nos ataquem..kkkkkkkkkkk. Que bom que o capítulo primeiro ficou perfeito, espero que este também esteja dentro das expectativas..=). A inspiração colorida foi ótima mesmo... ahsuhasuashuash. Espero conseguir postar o capítulo três antes... Mas tudo depende da minha agenda profissional e da disponibilidade da Jan. Beijocas estreladas.
Dani: Obaa... Leitora nova... hehehehehhhehehe. Adoro leitores novos...*+*... Eles são tão fofos...*+*... Que bom que adorastes o primeiro capítulo. O capítulo dois não veio assim tão rápido, portanto te devolvo o queijo, mas fico com o beijo, sou uma autora carente de comentários...ahsuhasuahsuashuashuashaush=). Beijocas estreladas.
Katrina: hehehehehehehe, aumentamos a água na boca é??? Bom saber..^^.. É, não teve bronca real, mas temos que lembrar que o Ron estava louco de preocupação com a Luna e com o filho que estava prestes a nascer, não é verdade??oO?? Mas, que o Harry ficou irritado com a descoberta ficou, e pior, ele está furioso ao descobrir que a curandeira é uma mulher que desperta muitas coisas nele. Coisas que ele nem sabia que poderia sentir... ahsuhauhasuhasuhsuhashasuhasu. Ela é jovem mesmo, mas é que na baixa idade média, que é quando nós resolvemos ambientar a fic, a idade média de casamento para as mulheres era entre doze e dezessete anos... Ele também está na flor da juventude para a época.. ahsuashuashasuhasuh. Ah, a Hermione é muito experiente, ela estudou mais de quatro anos com um velho sábio, tenha calma que isso aparecerá mais na frente. Beijocas estreladas e obrigada pela criatividade.
Alais: Bom faiscou um pouquinho mais neste capítulo, verdade???;p??? E coitada das criadas, ahsuhaushaushaushaushauh, vai dizer que tu não irias ficar babando com um homem gostoso destes na tua frente, e ainda por cima príncipe??oO??? Mas o Harry não dá muita bola pras mulheres em geral, só as usa... Verás mais pra frente. Não posso falar da Mione, hehehehehe, vai estragar totalmente a surpresa dos próximos capítulos. A diferença de idade é grande sim, mas muito comum na época em que ambientamos a fic, na Baixa Idade Média. Obrigada pelos parabéns... Até fico envergonhada..*+*... Beijocas estreladas.
Diany Paula: É sério, vou fazer o Tio Voldie de bigodes em tua homenagem..*+*... Que bom que ristes bastante com o capítulo passado, espero que este também te traga sorrisos. E não eu não matei ninguém... Ainda...hahahahahahaha..=P... Os gêmeos são o máximo eles aparecerão mais vezes. O Harry é uma tentação mesmo, mas como deu para perceber neste capítulo, a tentação dele tem nome e sobrenome, hihihihihihihihi. A forma como eles se tratam realmente é “carinhosa”, piorará um pouco, depois melhorará, enfim.. ahsuahsuashuashuash. Tens toda a fic para apreciar isso. E quanto às pipocas.. hum.. bem, se forem cobertas de chocolate tudo bem (autora chocólatra em recuperação... ashuashuashuashaushuashas). O Harry tem anseios de coisas que ele ainda não sabe, e que irá descobrir ao longo da fic, por isso a inveja da relação do Rony e da Luna. Por enquanto ele acha que uma vida cheia de batalhas e favores sexuais é perfeita, aos poucos perceberá que faltam muitas coisas para sua vida ser realmente perfeita. A Hermione foi resgatada, duas vezes, hihihihihi, resta saber por quanto tempo ela gostará de ser resgatada..=P... Infelizmente teu vozinho ta invadindo o Reino sim, e já está chegando no castelo. O lado negativo é que ele não te dará o Harry de presente porque o moreno ta comprometido com outra, o lado positivo é que a Luna e o bebê estão bem. Só nos resta saber qual é a saída que o Rei propõe. Obrigada pelos parabéns (autora ruborizada). Beijocas estreladas. PS: é claro que nossos personagens principais tinham que ser lindos, senão não tem graça...;P... hasuhasuhasuhauahuash.
Rhaissa: Não tem perdão!!!òó!!! kkkkkkkkkkkkkkkk. Bem capaz, né Flor...*+*.. Nem te preocupes com isso! Fico super feliz que tenhas adorado o primeiro capítulo e o encontro H/H, espero que o segundo encontro tenha sido bom também..*+* ahsuhasuahsuashaushasu. Assim como teu coment demorou um pouquinho o capítulo dois também. Massss, ele está aqui, rsrsrsrsrsrs. Beijocas estreladas. |