Cat estava passando os olhos em uns pergaminhos em cima de uma mesa repleta de pergaminhos bem organizados, estava em um grande salão repleto de estantes cheias de livros organizados e muito bem cuidados. Ela ouve o barulho da porta abrindo e o eco dos passos de alguém entrando no local, então se vira e vê Gabriel entrar com a expressão séria, provavelmente não gostando da “invasão”.
-O que está fazendo aqui, Catherine?-pergunta observando a “bagunça” que a vampira fizera em suas anotações, enquanto caminhava até ela.
-Não fique zangado, só estava esperando você voltar da visita a nossa irmãzinha. Achei até que você estaria de bom humor. –fala olhando-o analiticamente.
-Mas eu estava e a visita foi ótima, Hermione é tudo o que imaginei e ainda mais. –fala com um leve sorriso nos lábios, parando a cerca de um metro a frente de Cat.
-Então você realmente vai tentar seduzi-la? –pergunta intrigada.
-Conquistá-la, você sabe que necessito de uma companhia pra toda minha vida e não pra um caso tórrido, não sou como Marcus e Mikhael. –fala de modo simples e sincero. –Mas você não veio aqui pra ter uma crise de ciúmes, não faz o seu feitio, certo? –pergunta perspicaz.
-Não, eu gosto muito de Hermione não se preocupe. –fala se aproximando dele e tocando seu tronco com as mãos, as deslizando suavemente do abdômen até o tórax. –Aliás, sei que seus objetivos de vida são bem castos, padre. –fala sedutoramente, abrindo os botões da camisa dele bem devagar, enquanto Gabriel se mantinha imóvel.
-O que você quer Cat? –pergunta simplesmente, ainda sem se mover e sem deixar de olhar pro rosto dela.
-Você está muito apressado pra quem tem toda a eternidade. –fala se aproximando, tocando-lhe o tronco já exposto pela camisa aberta, mas Gabriel continua parado, apenas a observando como se sustentasse a pergunta. –Vamos matar as saudades primeiro, depois conversamos. –sussurra com a boca já perto da dele, depois toca-lhe os lábios suavemente, de modo provocante.
-Eu tenho uma pesquisa pra terminar, será que não podemos deixar isso pra depois? –pergunta ainda parado, como se não sentisse as mãos delas se moverem por seu peito e costas, ou ainda sem se importar com os lábios deles juntos aos seus.
-Não está com saudades? –pergunta com um sorriso malicioso que ele retribui, finalmente se movendo e a abraçando levemente. –Agora sim, achei que você estava saindo com outras por aí. –fala com a voz mansa, mas demonstrando um pouco de ciúme.
-Você sabe que é a única que me corrompe, não sabe? –responde a abraçando mais forte e tirando os óculos, pondo-os no bolso da calça.
-Eu adoro esse seu jeitinho puro e inocente, padre. –fala retirando de uma vez o blazer e a camisa dele, deixando-os cair no chão.
-Porque ainda me chama de padre? –pergunta assumindo sua forma vampírica.
-Porque me excita. –responde maliciosamente, fazendo-o rir. – Além do mais, pelo que eu saiba ninguém ainda te excomungou, talvez ainda possa até ouvir confissões. –fala enquanto distribui beijos pelo pescoço dele, também já assumindo sua forma vampírica.
-Não me diga que quer se confessar? –pergunta em tom divertido, tirando o espartilho que Cat usava.
-Me perdoe padre porque pequei! –Cat começa fazendo a cara mais inocente que consegue.
-Sinto muito, mas não estou disposto a passar bons séculos aqui, sentado ouvindo teus pecados. –fala a erguendo e fazendo as pernas fortes dela se prenderem a sua cintura, enquanto se encaminha pra porta de saída.
-Porque não aqui, em cima da mesa? –pergunta com a sobrancelha erguida.
-Porque não quero bagunça nos meus pergaminhos. –fala como se fosse óbvio e depois aparatando ao chegar ao corredor.
-Um dia te convenço a ficar no escritório! –fala em tom divertido enquanto ele a deita em sua grande e confortável cama, forrada com lençóis azul turquesa. O quarto era em estilo clássico e, surpreendentemente, não tinha sinal de livros.
-Não acha mais interessante uma sacristia com direito a batina e tudo? –pergunta em tom malicioso.
-É só marcar! –fala empolgada antes de ser beijada por Gabriel.
Após recolher as presas, Gabriel a beija de modo calmo e explorador, enquanto se dedica a despi-la, do mesmo modo que ela, mais habilmente, começa a se livrar das roupas que ele ainda usava.
Cat se comportava de modo sexy, sensual e provocante, mesclava dor e prazer, cravando suas garras no corpo de Gabriel e depois bebendo o sangue que havia escapado pelos cortes que sempre fecham em frações de segundos. Sua postura era dominadora, assumindo ao mesmo tempo uma aura intimidadora e envolvente, prendendo-o de forma a faze-lo perder a noção de tempo e focar todos os seus sentidos nela e no prazer que juntos podiam alcançar.
Gabriel era delicado e gentil em seus toques, seus beijos eram longos e exploradores, seu corpo se movia em um ritmo constante e suave, tentava interpretar os sinais do corpo dela, era preciso e intenso, suas presas sempre a perfuravam na virilha, seios ou boca. Deixava-se domar e guiar pela mulher, gostava de vê-la, de se adaptar a ela, mas sem perder o jeito carinhoso e quase romântico, pois de uma forma inexplicável, ela conseguia lhe tocar mais fundo que qualquer pessoa já conseguira seja em sua vida mortal ou imortal, era a única que conseguia o fazer esquecer, mesmo que por breves momentos, suas pesquisas e leituras pra se entregar a uma atividade completamente passional.
Na manhã seguinte, o café da manhã foi preenchido por conversas sobre os uivos escutados na noite anterior, alguns até já criavam verdadeiras lendas pra explicar aquele fato incomum, já que estavam longe da próxima lua cheia.
Pra surpresa de Harry, Hermione veio falar normalmente com ele como se nada tivesse acontecido. Harry então preferiu ficar quieto e agir como se nada houvesse acontecido.
Estavam no final de uma aula de transfiguração difícil, em que nem mesmo Hermione obteve sucesso com os feitiços ensinados.
-Bom pessoal, acho que podemos dar a aula de hoje por encerrada, mas peço que estudem bem esses feitiços, que iremos entrar em outra matéria na próxima aula. Iremos trabalhar disfarce que é complemento desta matéria e então faremos um teste prático, mas muito divertido. –Tonks fala animada, mas os alunos quase enlouquecem com a idéia.
-Professora Tonks, esse teste prático será como exatamente? –Hermione pergunta um pouco nervosa, assim como todos, não estava muito à-vontade com a idéia.
-Vai ser bem divertido! –Tonks fala animada como se estivesse louca pra contar a eles. –Vocês vão ficar no corredor e aqui na sala estarão alguns professores, então escolherei um de vocês aleatoriamente e levarei pro meu escritório pela outra porta. Então vocês terão dez minutos pra por uma das roupas que vão estar à disposição na minha sala e fazer todas as transfigurações necessárias para ficarem irreconhecíveis, depois vocês irão até os professores e por uns dez minutos responderão as perguntas deles, enquanto outro estará se arrumando. Cada um será identificado pelo número de entrada e a nota será dada pelo número de acertos dos professores, ou seja, quanto maior o número de professores que descobrirem quem são vocês, menor a nota e vice-versa, eles terão direito a por dois nomes de quem eles acham que são. Depois farei a correção e direi a nota a vocês e a eles, então quem se der bem poderá sair tirando onda, falando que enganou seus professores! –fala animada e alguns sorriem com a idéia, apesar de outros lhe lembrarem que seria muito difícil.
-Eu não acredito nisso! Achei que a Tonks fosse pegar leve com a gente! –Rony fala entre desesperado e decepcionado pondo os materiais na mochila.
-Mas isso será muito bom pra nós, porque irá nos preparar pros NIEM’s! –Hermione fala defendendo a atitude de Tonks, mas não parecendo muito otimista.
-Eles devem fazer esse tipo de coisa no curso pra Aurores. –Harry comenta pensando na utilidade do teste.
-Mas nós ainda estamos na escola e eu não quero ser auror! –Rony esbraveja contrariado.
-É uma pena, com o talento que vocês tem pra confusão! –Tonks fala se aproximando deles, mas com um sorriso simpático, apesar do jeito de Rony. –Não precisa falar nada, eu entendo o nervosismo de vocês, mas depois do teste vocês verão que será legal! Agora, Harry será que você poderia ficar um pouco?
-Claro. Vejo vocês depois. –Harry se despede dos amigos e acompanha Tonks até a mesa, sentando-se em frente a ela.
-Eu, assim como toda a escola, ouvi os uivos ontem e eram seus, não é? –pergunta pra ele que se meche desconfortável na cadeira.
-Imaginei que você fosse querer falar sobre isso. –Harry fala sem jeito.
-Harry, eu sei que deve estar sendo difícil pra você ver toda essa história do Logan com a Gina... –Tonks começa a falar, mas Harry logo a interrompe rindo levemente.
-Eu não acredito que você realmente pensou que eu estava interessado na Gina! –Harry fala entre risos e a deixando confusa.
-Então de que maluca estamos falando? –pergunta sem acreditar que alguma garota com juízo estava dispensando Harry.
-Hermione. –responde simplesmente depois de conseguir parar de rir.
-Mas você também não colabora! –fala pasma e fica um pouco em silêncio como se processasse a informação. –O primeiro passo é ser sincero e contar a ela. –o aconselha, mas Harry apenas suspira balançando a cabeça negativamente.
-Já fiz ontem. –fala cabisbaixo.
-Ah, bom, pelo menos ela não ta mal com você, está tudo bem, assim você tem a chance de tentar conquista-la. –fala otimista.
-Ela disse que gosta de mim, mas não pode namorar comigo, você sabe bem como é isso. –fala fazendo referência ao que ela passou com Lupin.
-E como. –fala se recostando em sua cadeira, parecendo saber exatamente como ele se sentia. –Nesse caso você tem apenas que não desistir, lute com todas as forças e espere. –fala o olhando maternalmente e depois dando a volta na mesa pra abraçá-lo.
Os dois ficam um tempo ali, conversando, Harry aproveitou pra saber mais sobre como as coisas aconteceram entre ela e Lupin, ao mesmo tempo em que Tonks também ficou ansiosa pra saber das coisas entre ele e Hermione.
Harry se encontrou com os amigos na sala de poções e se sentou entre eles, aproveitando que ainda faltavam uns minutos pra começar a aula.
-E aí, cara, o que ela queria? –Rony pergunta baixo pra que só os três ouvissem.
-Falar sobre os uivos de ontem a noite. –ao ouvir isso Hermione estremece.
-Não me diga que o Lupin veio fazer uma visita pra ela? –Rony pergunta em tom malicioso.
-Rony! –Hermione exclama apontando em volta.
-Não, até porque eram uivos de lamento, tristes, não animadinhos. –Harry fala em tom cúmplice.
-Vocês dois não tem noção da onde estão, não? –Hermione pergunta chamando a atenção dos dois. –Além do mais estão falando de uma professora, francamente! –fala com o olhar McGonagall.
-Já entendemos! –Rony fala a acalmando –Agora o que ela queria então, quer dizer, o que você poderia falar dos uivos ontem? –pergunta intrigado.
-Eu sou um lobo, você não lembra? –Harry fala dando um tapinha na cabeça do amigo.
-E foi você? –pergunta entendendo menos ainda, mas lembrando que não vira a hora que Harry voltara pro dormitório.
-Foi, eu tava mal porque a Mione me deu um fora. –fala normalmente, fazendo Hermione arregalar os olhos assustada.
-Eu não acredito que você falou isso! –Hermione fala entre chocada e furiosa, se levantando imediatamente e se sentando umas filas à frente e resmungando algo que Harry preferiu não ouvir.
-O que deu nela? –Harry fala sem entender o que estava acontecendo.
-Não liga, cara. Sabe, eu também já me declarei pra ela e também ouvi essa conversa de que só rola amizade e a famosa desculpa do brilho das trevas. –Rony fala como se entendesse o que Harry estava sentindo.
-Mas ela gosta de mim! –comenta cabisbaixo, vendo Hermione conversar animada com Logan.
-Ela o que? –Rony pergunta achando que ouviu mal.
-Ontem ela disse que também gostava de mim, mas não podíamos ficar juntos. –fala olhando pras próprias mãos que estavam sobre a mesa.
-Mas se vocês se gostam... não entendo! –nesse instante Snape entra batendo a porta e já mandando abrirem os livros. –Depois você me conta melhor. –Rony comenta brevemente abrindo o livro e Harry apenas acena que sim.
Depois da aula, Harry consegue alcançar Hermione, a segurando pelo braço pra que ela parasse pra escutá-lo.
-Porque você ta fugindo? Ainda está chateada? –pergunta sem acreditar na “infantilidade” da amiga.
-O que você acha? –pergunta seriamente –Se você sair por aí comentando isso com todo mundo, pode acreditar que nem a minha amizade você vai ter! Agora me dá licença que eu tenho aula. –fala se desvencilhando dele e partindo pra próxima aula, deixando Harry confuso.
-Ela ainda ta chateada? –Rony pergunta ao chegar onde amigo estava.
-É, não gostou de eu ter contado pra você, mas deu a entender que depois passa. –fala passando a mão nos cabelos nervosamente.
-Não dá pra entender as mulheres, mas me conta isso tudo melhor! –Rony pede a Harry, que assente.
-Mas vamos pro jardim, aqui tem muita gente. –fala já seguindo a frente.
Hermione caminhou apressada até a sala, sentando-se e aproveitando pra esvaziar a mente, enquanto a aula não começava. Estava sendo difícil agir como se nada houvesse acontecido, não precisava de outras pessoas querendo se meter, principalmente porque ninguém conseguiria entende-la, a não ser Logan que estava quase na mesma situação.
-O que foi? Está tristinha porque seu protetor cansou de arriscar o pescocinho e te abandonou? –Hellsing fala com um sorrisinho irônico, que faz Hermione bufar irritada. –Não me diga que está bravinha com isso? –fala em tom debochado, esperando que ela o atacasse na frente de todos.
-Porque todo esse interesse Christian? –pergunta sussurrando no ouvido dele, que estava a seu lado. –Quer assumir o lugar o Harry e por seu pescocinho ao alcance das minhas presas? –fala tocando levemente a perna esquerda dele com sua mão direita.
-Está querendo me provocar? Acha que vou cair de novo no seu joguinho? –pergunta tentando se manter sério, apesar de se sentir arrepiado pelo toque.
-Digamos que eu esteja dando uma chance de você me impressionar, sabe é raro eu dar uma segunda chance a alguém. –sussurra em tom malicioso, descendo a mão pela coxa dele, até ele segurar sua mão.
-É melhor tomar cuidado, afinal quem brinca com fogo...
-Pode se queimar! –Hermione completa fazendo chamas aparecerem nas calças dele, fazendo-o pular da cadeira desesperado, tentando apagar o fogo.
-Mas o que é isso? –a professora pergunta enquanto os alunos se dividem entre os que riem e os que estão assustados.
-Eu disse pra ele parar de girar a varinha nos dedos. –Hermione fala pra professora, apagando o fogo com um gesto de uma das mãos.
Apesar de querer revidar, Christian sai correndo pra enfermaria “avaliar os danos”, enquanto a professora diz que vai começar a aula, diminuindo os comentários. Hermione apenas ri em silêncio, ouvindo o breve aviso da professora sobre brincadeiras com a varinha.
Harry só viu Hermione durante a aula de Herbologia, mas a garota não falou nada que não tivesse relação com a aula, logo depois se afastou dizendo que precisava ir até a sala da monitoria, onde ficou até tarde, não aparecendo nem no jantar.
-Eu estava te esperando, porque não foi jantar? –Harry pergunta a Hermione assim que ela entra no salão comunal.
-Muito trabalho pra fazer, fora os estudos dos NIEM’s, aliás, sei que tínhamos um treino marcado na sala de exercícios, mas hoje eu realmente estou morta, então, amanhã nós conversamos. Boa noite! –Hermione fala de modo esquivo e já se dirigindo as escadas do dormitório feminino.
-Não vai poder fugir sempre! –Harry a avisa, sem querer segui-la e forçar uma conversa, até porque irritado como estava, acabaria sendo uma discussão ou briga.
Harry estava dormindo e tendo um sonho agitado, acabou acordando sobressaltado, suado e ofegante. Agitou a cabeça como se isso fosse afastar aquele sonho indesejável, depois se levantou e se dirigiu até o banheiro silenciosamente, visto que ainda estava bem escuro e não iria querer acordar ninguém.
Molhou a cabeça tentando se acalmar e depois sacudiu os cabelos, passou a mão tentando ao menos organizá-los e então se olhou no espelho.
“Harry Potter, o grande herói do mundo bruxo, está tendo pesadelos por causa de uma garota!” –pensa decepcionado consigo mesmo. –“Como alguém que aos 11 anos enfrenta o espectro de Voldemort, aos 12 um basilisco, aos 13 dezenas de dementadores, aos 14 dragões e outras criaturas, aos 15 comensais e aos 16 inferis, pode estar aos 17 se arrastando no chão e tendo pesadelos com uma garota?” –se pergunta tendo vontade de se esmurrar, aquela situação já estava ficando ridícula. –“Eu definitivamente não sou um homem, porque se o fosse, subiria até o quarto dela, entraria lá e a tomaria nos braços, de modo a deixar bem claro que ela era minha e que não ia aceitar qualquer tipo de frescura! Agora, um garotinho, pode ficar correndo atrás se humilhando e rastejando, ou seja, Harry Potter, você é um homem ou um garotinho?” –se pergunta como se aquele momento fosse decisivo pro resto de sua vida.
- Eu sou um homem! -se decide firme e sem demora transforma-se em lobo, saindo determinado e apressado até o quarto de Hermione.
Assim que chega lá, respira fundo e sem perder a coragem abre a porta com cuidado. Entra silenciosamente e fecha a porta a observando estudar, anotando algo em um pergaminho sobre a escrivaninha.
-Achei que McGonagall a havia proibido de usar sua disposição noturna pra estudar durante a madrugada. Sabe como isto faz mal, inclusive madame Pomfrey lhe repetiu várias vezes o quanto é importante manter seu organismo forte pra superar a besta. –Harry fala cruzando os braços e a fazendo levantar e encara-lo, depois de um breve instante de choque pela presença dele ali.
-E por acaso elas te pediram pra me vigiar? –pergunta irônica e o fitando de braços cruzados. Era incrível o jeito como ela ficava ainda mais linda sob o luar, mesmo quando este entrava timidamente pela janela aberta.
-Você sabe que não, aliás, sabe muito bem o que vim fazer aqui. –fala andando até ela, sem quebrar o contato visual, como se quisesse prendê-la com o olhar.
-Harry, nós já discutimos sobre isso, eu já te ouvi e já disse não com direito a justificativa. –fala firme em sua postura, tentando não demonstrar insegurança pela aproximação.
-E eu pensei muito na sua justificativa, até que finamente a considerei inaceitável. –fala calmamente, depois a puxando pra si e beijando de modo apaixonado e possessivo, como se deixasse claro que ela era dele querendo ou não.
Harry acordou ofegante e seu coração pulava como louco no peito, havia tido o sonho mais real de sua vida. Levantou-se e caminhou em silêncio até o banheiro, não querendo acordar os outros garotos. Lavou o rosto e molhou o cabelo, passando a mão neles e pondo os óculos antes de se olhar no espelho exatamente como no sonho que tivera.
Inevitavelmente se lembrou das conclusões a que chegara, era incrível como a linha de raciocínio ainda estava clara em sua mente.
“Pode ter sido um sonho, mas eu estava completamente certo, não posso ficar agindo como um adolescente apaixonado, porque eu a amo, e o amor é um sentimento maduro, que exige atitudes e responsabilidades que só um homem pode atender, então se a amo tenho que agir como tal!” –conclui ainda perdido entre o sonho e seus pensamentos.
Do mesmo modo que no sonho, se transforma em lobo e vai até o quarto dela. Parado a porta, porém, sente boa parte daquela coragem se dissipar em meio ao nervosismo provocado pelo medo de uma nova rejeição.
Abriu a porta devagar e silenciosamente, surpreendendo-se ao vê-la sentada a escrivaninha escrevendo em um pergaminho. Pensou, ainda a observando, se poderia ter algum parente com o dom da vidência que pudesse ter lhe passado algum talento, mas logo afastou estes pensamentos se concentrando na missão que o levara até ali.
-Achei que McGonagall a havia proibido de usar sua disposição noturna pra estudar durante a madrugada. Sabe como isto faz mal, inclusive madame Pomfrey lhe repetiu várias vezes o quanto é importante manter seu organismo forte pra superar a besta. –Harry fala cruzando os braços e a fazendo levantar e encara-lo, depois de um breve instante de choque pela presença dele ali.
-Eu perdi a hora, sabe que quando me empolgo em algo não sinto o tempo passar, mas prometo que vou me deitar assim que você sair. –fala tentando sutilmente pedir que ele vá embora.
-Muito sutil, mas não vou embora até dizer tudo o que quero. –fala determinado, mas não gostando da realidade ter se afastado de seu sonho.
-Certo, já vi que não vou conseguir te fazer mudar de idéia. –fala suspirando conformada e sentando em sua cama, depois vendo Harry se dirigir até ela e se senta a sua frente. –Então, o que você quer me dizer? –pergunta querendo terminar logo com aquela tortura.
-Conheço seus motivos e, depois de pensar bem neles, vejo que tem razão. –fala calmamente, mas a assustando, não imaginava que ele fosse desistir tão fácil, o que a fazia se sentir muito mal.
-Que bom, fico mais tranqüila sabendo que você desistiu de tentar um relacionamento que certamente não iria dar certo. –fala tentando parecer ao menos bem, já que sua voz ameaçava embargar e seus olhos ardiam, avisando que as lágrimas logo viriam.
-Eu não desisti de nada. –agora além de surpresa, Hermione já não entendia mais nada. –Eu reconheço que ser tão próximo de alguém que não pode dominar inteiramente a si mesma não é prudente, sei que você pode me morder enquanto dormimos, sei que a todo instante teremos que nos policiar pra não “passar dos limites”, assim como sei que com o passar do tempo isso vai ser cada vez mais difícil. Também sei que não seremos eternamente felizes, assim como não vou te prometer que nunca brigaremos, que não iremos sofrer, sei que não poderei impedir que sinta ciúmes de mim e principalmente sei que nossa vida não poderá ser normal... no entanto, entre viver tranquilamente, tendo uma vida estável ao lado de qualquer outra, sem ter maiores problemas, mas sem provar do amor em sua plenitude, sem nunca me sentir completo, e entre amar intensamente, mesmo sabendo que sofrerei tanto ou até mais, eu escolho a segunda opção. –fala emocionado, mas segurando as lágrimas, ao contrário de Hermione, que já as deixava cair.
-No momento em que estivermos mais felizes, nos amando mais intensamente... eu posso te matar. –fala sinceramente, olhando-o nos olhos.
-Não imagino melhor jeito de morrer. –ele fala deixando escapar um sorriso maroto, que a faz sorrir discretamente.
Delicadamente, Harry segura o rosto de Hermione e beija seus olhos, amparando suas tímidas lágrimas e depois tocando seus lábios nos dela suavemente, de modo a iniciar um beijo calmo e carinhoso.
-Dessa vez, aceita namorar? –Harry pergunta um pouco ansioso.
-Se eu disser não você vai aceitar minha decisão? –ela pergunta e o vê acenar negativamente. –Então, desta vez, eu dou o braço a torcer. –fala sorrindo pra ele, que salta sobre ela a beijando intensamente.
-O que foi? –pergunta ao senti-la se afastar de repente –Não me diga que me mudou de idéia!
-Não, eu só achei ter escutado algo, nada demais. –fala o tranqüilizando –Mas agora está na hora do senhor voltar pro seu quarto! –fala se levantando e o puxando pela mão.
-Como assim? Porque eu não posso ficar? –pergunta fazendo a carinha mais inocente que conseguia.
-Porque a professora Mcgonagall me nomeou monitora chefe por confiar em mim, portanto não posso ficar dormindo com meu namorado aqui! –fala como se fosse óbvio.
-Mas nós não vamos fazer nada demais! –fala sem entender onde ela queria chegar.
-Eu sei e você sabe disso, mas ela não vai saber, então evitamos problemas e desconfianças! Até amanhã! –se despede o levando até a porta e o beijando rapidamente antes de deixá-lo do lado de fora e fechar a porta.
“Agora meu assunto é com você Cat!” –pensa se concentrando na “irmã”.
“Parabéns maninha! Até que enfim tomou juízo, apesar de ter praticamente expulsado o gatinho.” –Cat fala em seu tom malicioso.
“Você teve alguma coisa com isso?” –pergunta diretamente, quase em tom acusativo.
“Digamos que eu possibilitei que o coração dele o aconselhasse, mas não precisa me agradecer agora, deixa pra quando vocês fizerem algo mais interessante ” –Cat fala deixando Hermione ruborizada, mesmo sem estar ali.
“Eu já disse pra você não se meter na minha vida, portanto da próxima vez...”
“Você vai me matar? Talvez me ignorar?” –fala em tom debochado. –“Vamos, não seja tão durona, eu fiz uma boa ação! Você devia se orgulhar por isso.” –fala como se estivesse se redimindo.
“Muito abrigada, mas não se meta na minha vida de novo. Agora boa noite, ou talvez, boa caçada.” –Hermione deseja, já se preparando pra dormir.
“Boa noite, querida!” –Cat se despede parecendo feliz e faz Hermione se lembrar de Tonks e Gina, já que as duas a haviam procurado naquele dia pra lhe “aconselhar” sobre Harry.
“Vai ser um dia duro!” –Hermione pensa ao imaginar os efeitos devastadores que a notícia provocaria pela escola. Já imaginava as críticas, as fofocas, a pressão de Gina e Tonks pra saber os detalhes, os olhares invejosos tanto das garotas quanto dos garotos, fora as notícias que sairiam no Profeta Diário em no máximo um dia ou dois. –“tantos garotos no mundo e eu tinha que ‘escolher’ justamente o ‘Escolhido’.” –pensa já imaginando o desgaste que aquilo tudo iria lhe causar, o que com certeza só dificultaria seu domínio sobre si mesma.
Gabriel e Cat estavam deitados de lado e de frente um pro outro, dividindo o mesmo travesseiro. Ambos estavam em sua forma humana, ele acariciava-lhe a face suavemente, enquanto se observavam intensamente sem ao menos piscar.
-Vai me dizer porque veio perturbar minha rotina? –Gabriel pergunta quase que com um sussurro, como se não quisesse quebrar o clima.
-Porque de pelo menos dez em dez anos alguém tem que faze-lo! –fala sorrindo marotamente.
-Então posso marcar na minha agenda uma visita na próxima década? –pergunta também sorrindo.
-Sabe que eu detesto ser previsível. –fala começando a cariciar levemente o braço dele.
-De qualquer forma, creio que essa visita não tinha, originalmente, nada relativo a nós dois na cama. –fala mais seriamente.
-Eu não vou quebrar as regras, portanto não me meterei nos seus assuntos, mas também não quero que interfira nos meus. –fala também seriamente.
-Estão essa visita não tem relação com Hermione e sim com o Potter. –fala pensativo. –Foi o papai quem te mandou? –pergunta ainda pensativo.
-Não, afinal você não é como aqueles dois, deve ter entendido tudo logo de início, não? –ela pergunta e ele apenas faz que sim –Você pode tentar Hermione o quanto quiser, mas jogando limpo, não haja contra o Harry, não o fira ou intimide, você entende? –pergunta seriamente e mesmo sem mudar a expressão serena do rosto, o olha ameaçadoramente.
-Não tocarei no seu protegido, até porque eu tenho a eternidade pra tê-la, não me incomodaria com um mortal. –fala calmamente e se levanta.
-Onde vai? –pergunta sem entender o porquê dele se levantar de repente.
-Tomar banho, já perdi tempo demais com seus desejos e tenho um estudo importante pra concluir. –fala em seu tom normal de voz enquanto veste um roupão e faz seus óculos flutuarem até si.
-Sua mãe estava certa quando te dedicou a vida religiosa, poucas vezes vi um padre com tanta vocação. –fala sorrindo e o seguindo –Você não liga pra comida, pra riqueza, poder, luxúria, na verdade você não se importa com nada fora seus livros, fica uma semana sem sair daquele escritório e sem se alimentar, devia ser um excelente sacerdote. –conclui ao chegar ao banheiro com ele, vendo-o encher a confortável banheira de água.
-É, talvez por isso eu não tenha ido atrás da minha família e a matado. –fala simplesmente, tirando o roupão e entrando na banheira.
-Está querendo me provocar? –pergunta se movendo absurdamente rápido e cravando suas unhas no peito dele, numa posição em que se penetrasse a carne com os dedos e fechasse a mão, poderia lhe arrancar o coração.
-Não estou disposto a perder mais um dia de trabalho. –fala com um sorriso malicioso, que a faz relaxar.
-Pois eu deveria te castigar por ficar me lembrando de coisas desagradáveis. –fala entrando na banheira e sentando-se no colo dele.
-Pois eu achei que queria se confessar e pra todo aquele que confessa seus pecados, há uma punição pra que este seja absolvido e perdoado. –fala charmosamente.
-Então faça com que eu me arrependa de meus pecados, padre. –fala de modo inocente, antes de ser beijada intensamente por Gabriel, que estava em sua forma vampírica.
N/A:Oi, desculpe qualquer erro, mas estou sem beta pra essa fic e não pude reler.
N/A²: Eu acho que alguns ficarão meio confusos com essa relação da Cat com o Gabriel, mas qualquer coisa me perguntem que eu respondo nos comentários.
N/A³: Eu disse que eles se acertavam rápido, mas não esperem que o relacionamento deles seja mais fácil que Logan/Gina, até porque gente pra atrapalhar não falta! rsrsrsrsrs
Próxima atualização: Harmonia