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15. Uma noite para amigos e longos


Fic: Obsessão Por Você - AVISO POSTADO!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/A:Cap dedicado a Lana, Mô, Ju e Thati...Amigas que estão sempre aí! Obrigado, meninas!!!

CADÊ A MACHARADA QUE LÊ ESSA FIC?????

Cap.14: Uma noite para amigos e longos desabafos

Harry e Rony estavam sentados no salão comunal tentando escrever uma redação enorme de Transfiguração antes do jantar. Os dois estavam adiantando os deveres, pois perceberam que sem Hermione eles ficariam bem mais difíceis e ela não os ajudaria a entregar na data. Rony ainda nem escrevera o título e batia com a pena furiosamente na mesa.

- Quer parar com isso?-perguntou Harry irritado.-Você já detonou toda a pena, cara!
- O que?-perguntou o ruivo, confuso.-Ah, a pena...Droga! Era a última que eu tinha!-reclamou o ruivo, jogando a pena longe e acertando bem na cabeça de Lilá, que se encaminhava para as escadas do dormitório feminino.
- É, você fez a mesma coisa com as outras...Rony, é sério, quer parar de viver no mundo da lua?-perguntou Harry, colocando a própria redação de lado.-Tem que parar com isso!
- Não dá, Harry! Não dá! Eu não consigo parar de pensar na Hermione com o Malfoy! Isso fica me remoendo, sabe?
- Você vai ficar paranóico desse jeito!
- Ele já está paranóico, Harry!-disse uma voz suave, mas brava atrás de Harry. Era Gina.
- Não estou, não.-retrucou Rony, emburrado, enquanto a irmã sentava no divã em que Harry estava e dava um tchauzinho pra Parvati que ia pro dormitório.
- Ah, Rony, admita! Pelo amor de Merlin, é natural gostarmos de uma pessoa e ficarmos com vergonha de dizer isso, mas...Criatura, se Malfoy sente a mesma coisa e foi mais rápido que você não podemos fazer nada!-disse a ruiva, mexendo as mãos.
- Eu não gosto da Mione!-retrucou Rony alto o suficiente pra Parvati, que agora descia as escadas correndo ouvir e lhe lançar um olhar de censura.
- Ah, qual é, cara! Você não gosta da Mione e eu sou apaixonado pelo Snape!-retrucou Harry, levantando as mãos pro céu.-E se você quer saber, sua irmã está certa.
- Ah, você também vai ficar contra mim?-perguntou Rony, apontando pra si mesmo em tom incrédulo.
- Não é questão de estar contra você ou não, Ronald! E obrigada por perceber que estou certa, Harry.-disse Gina.-Rony, você tem que entender que não pode ficar assim...Parte pra outra! Você é goleiro no time de quadribol e é um dos garotos mais cobiçados do colégio...Por que raios ficar se martirizando desse jeito?
- Eu não quero partir pra outra, ta legal? Eu só quero que a Mione largue aquele cara e volte a andar com a gente...Será que vocês dois não conseguem entender isso?-perguntou Rony, visivelmente desesperado.-E preste atenção em mim!-reclamou o ruivo ao ver que a irmã agora observava uma Lilá desembestada saindo pela passagem.

Gina suspirou nervosa.

- Não adianta! Ele não entende! Ô cabeça-dura!-reclamou Gina, ficando de pé.-Ronal...
- Lá vai ela!-disse o ruivo, cortando-a.

Harry e Gina se viraram pra olhar Hermione, que corria tão apressada como Lilá, tentando inutilmente prender os cabelos. Logo, ela passou pela passagem também.

- Hermione!-choramingou Rony, fazendo a atenção voltar a ele.-Aposto que ela está indo se encontrar com o loiro de farmácia de novo! Ah, por que isso, Hermione?
- Rony...-murmurou Gina, com pena do irmão, e o abraçando na poltrona.-Escute-me, por favor, não quero ver você assim!
- Não dá, Gina! Não tenho vontade nem de jantar.-respondeu Rony se afastando da irmã.-Vou dormir...Ou tentar dormir!-murmurou o garoto e caminhou tristemente até sumir nas escadas do dormitório masculino.
- Ah, Merlin!-suspirou Gina, se deixando cair no sofá novamente.-Harry, o que vamos fazer com ele?
- Eu não sei. Na verdade, não faço a mínima idéia.-respondeu Harry.-Ele está realmente chateado com toda essa coisa da Mione e do Malfoy. O pior é que nem conseguimos falar com ela depois daquele ataque da cobra hoje de manhã. A Mione simplesmente sumiu depois que Hagrid os levou pro escritório de Dumbledore e ela só apareceu nas aulas da tarde. E agora...
- Agora ela deve ter ido se encontrar com o Malfoy pela correria. DROGA! Sabe, eu gosto muito da Mione e tudo o mais, mas ela podia fazer o favor de voltar a falar com nós dois. Afinal, quem a seguiu naquela noite foi Rony e não a gente.-reclamou Gina, se levantando.-Quer dizer, a culpa não é nossa pra ela estar nos tratando desse jeito.
- Você sabe com a Hermione é, Ginny. Tão orgulhosa e cabeça-dura quanto o Rony. E quando ela mete alguma coisa na cabeça e tem certeza que está certa, ninguém tira isso dela.
- É, mas eu não tenho nada a ver com isso. Sabe, estou chateada com o fato dela estar me tratando desse jeito, mas fico muito mais chateada com o fato dela estar tratando o Rony mal. Coitado, ela sabe que ele gosta dela...Não seria mais fácil ela simplesmente sentar junto dele e terem uma conversa amigável?-perguntou Gina.
- Seria bem mais fácil, mas eu acho difícil isso acontecer, se você quer saber.-respondeu Harry, também se levantando e se espreguiçando.-Agora que o Rony subiu, vou ter que jantar sozinho...Não quer ir comigo?
- Acabei de jantar, Harry.Mas se você estiver com fome eu desço com você e espero você jantar.-disse Gina, com um belo sorriso no rsoto.
- Não precisa, Gina....-disse Harry, desviando o olhar envergonhado.-Na verdade, eu não estou com fome.
- Então vamos dar uma volta lá no jardim?-perguntou Gina, se animando.
- No jardim? Mas está tão frio.-reclamou ele.
- Ah, rapidinho, Harry!-pediu a ruiva-Só uma voltinha no lago, vai!
- Ah, ta bom! Eu não vou conseguir terminar a redação do Snape mesmo!
- Ótimo! Então, vamos!-disse Gina, puxando o garoto pela mão para fora do salão comunal.

Os dois caminharam pelo castelo comentando apenas poucos acontecimentos do dia. Pareciam não querer se prender nem em Hermione, nem em Rony e muito menos em Malfoy, portanto ficaram dizendo pequenas coisas.

- Puxa, está mesmo frio!-disse Gina, puxando a capa pra mais perto do corpo assim que saíram do castelo.
- É.-respondeu Harry, imitando-a.
- Então, Harry...-começou Gina, tirando os cabelos ruivos do rosto.-Vamos esquecer os problemas amorosos daqueles dois e nos concentrarmos em nós. Como está sendo o seu ano?-perguntou ela, parecendo realmente interessada.
- Bem, as aulas andam um saco e Snape está me enchendo o saco mais do que nunca. Não temos nenhuma notícia do paradeiro de Voldemort ou dos Comensais da Morte que não foram presos no ano passado...Ah sim, Hermione e Ron estão brigados de novo (o que não é grande novidade) e pra completar, cara, ta fazendo um frio muito desgraçado!-reclamou Harry no final, fazendo Gina rir.-Como vê, está tudo bem normal.
- Se isso é normal, então não quero saber como seria um ano anormal pra você.-disse ela, ainda rindo.-Bom, meu ano não está sendo diferente além do fato de eu estar me preparando pros NOMS. Esses exames vão me dar nos nervos, quer dizer, eu sou uma boa aluna, coisa e tal, mas...É muita coisa e estou começando a achar que não estou aprendendo nada e que já esqueci tudo o que aprendi. É uma sensação horrível!-desabafou ela.-Acho que vou ficar totalmente paranóica até o final do ano...
- Não se preocupe!-tranqüilizou Harry, enquanto ia se sentar debaixo do carvalho junto de Gina.-Ano passado eu também estudei pra pacas, não lembro de nada que decorei e fui bem nos NOMS. Consegui notas suficientes pra poder me tornar um auror.
- É, pra você é fácil porque já fez os exames...Faltam meses pros meus e eu nem sei o que vou fazer até lá.-disse Gina, colocando os dedos entre os cabelos.-E outra, Harry, você é quase um especialista em todas as matérias que precisa pra se tornar um auror...Mas, a questão é: EU não quero ser uma auror.
- E o que você quer ser?-perguntou Harry, agora com cara de interessado.
- Bem...Curandeira!
- Curandeira?-perguntou o moreno, surpreso.-Nunca soube que você queria ser curandeira...Mas, combina com você, Gina.
- Acha mesmo?-perguntou Gina, animada.
- Acho, quer dizer, você tem essa coisa de estar sempre preocupada com todo mundo, querendo ajudar quem precisa...É, realmente combina com você!-disse Harry, imaginando Gina toda de branco no St.Mungus.

Ela ficava bonita de branco. Harry imaginou Gina andando pra ele, toda de brando com o cabelo preso num coque, mas com alguns fios vermelhos caindo sobre seu rosto delicado, se destacando de uma forma linda. E ela tinha um sorriso lindo no rosto, combinando com seus olhos azuis brilhantes...Puxa vida, ela realmente ficava bonita de branco. Inconscientemente, Harry deu um sorriso bobo.

- Hey, Harry? Harry!-disse Gina, balançando a mão no rosto do moreno.-HARRY!
- Hã...O que foi?-perguntou Harry, despertando de seu sonho.
- Em que planeta você estava, hem?-perguntou Gina, rindo da cara confusa dele.-Aposto que não ouviu nada do que eu estava dizendo!
- Desculpe!-disse ele, ficando vermelho.
- Não precisa ficar envergonhado, seu tonto!-disse Gina, ainda mais divertida.-Não tem problema, não tinha importância...Mas, o que era tão importante pra você estar com aquela cara de bobo, hem?-perguntou Gina.
- Hã...Não era nada!-respondeu Harry, depressa.-Nada de importante...
- Aposto que era importante! Anda, me conta!-pediu Gina.
- Não, é que...É que, eu me lembrei de umas coisas, mas deixa pra lá! Então, do que você estava falando?
- Hum, você vai ver só, Sr. Potter! Vou descobrir no que você estava pensando.-disse Gina, com um brilho esperto no olhar.-Agora, do que eu estava falando mesmo?-ela fez uma cara de quem se lembrava de alguma coisa.-Ah, é, eu estava tentando fazer você olhar pra cima pra ver se você reparava que tem umas estrelas aparecendo entre as nuvens de neve! Olha lá!-então a ruiva apontou pra cima e Harry acompanhou a mão dela com os olhos.

Gina tinha razão. Dava pra se ver algumas poucas estrelas entre as nuvens de neve. Via-se a constelação de Órion, algumas estrelas das constelações dos meses e estações. Ele as olhou e até tentou se lembrar do nome de algumas, mas era impossível. “Devia ter prestado mais atenção nas aulas de Astronomia. Como era o nome daquela mesmo?”pensou Harry, intrigado.

- Por que essa cara?-perguntou Gina.
- Não, é que não consigo lembrar de nome nenhum. Aquelas estrelas são de Junho?-perguntou Harry, apontando para uma das constelações.
- Não, Harry! Está doido? Aquelas estrelas estão em Abril!-negou Gina, inconformada.
- É que eu não me lembro! Aquelas três, por exemplo, em formato de V, formam o Leão maior ou o menor?-perguntou Harry, apontando.
- Aquelas são o Leão menor. O acima é Leão. Olha, olhando da esquerda pra direita, vemos Regulus que é a maior estrela em Leão. Então, á sua direita é Denebola e á sua esquerda está Zosma. Continue á esquerda e vai ver Algeiba e abaixo dela, Adhaferea. E então, suba de novo e vai voltar á Regulus. Viu é fácil! Lembra-se agora?-perguntou Gina, tirando seus olhos do céu e colocando-os em Harry.
- É...Mais ou menos.-respondeu Harry, meio confuso com aquele monte de nomes. Tinha mesmo aprendido tudo aquilo um dia?
- Pelo amor de Merlin, Harry Potter! Devia saber pelo menos essas, já que Leão é seu signo! Você deve ter ido muito mal nos NOMS de Astronomia!-riu Gina dele.
- Pior é que eu fui mesmo!-riu Harry em resposta.- Mas eu sei que aquela estrela ali...-começou ele, apontando para uma delas.
- ...É na verdade o planeta Vênus!-completou Gina, sorrindo.-Ou então, a estrela da manhã. É linda, não é? Não é á toa que Vênus é a deusa do amor e da beleza!
- É, realmente!-disse Harry, devagar imaginando Gina vestida como a Deusa. Balançou cabeça, afastando aquele pensamento.
- Mas isso todo mundo sabe!-disse Gina.
- Não sabe, não!-retrucou Harry, indignado.
- Sabe sim! Todo mundo sabe que aquilo não é uma estrela, e sim Vênus! Até mesmo você, Sr. Potter!
- Oras, srta. Weasley, quer parar de se sentir? Você pode ser boa em Astronomia, mas eu sou bom em Defesa contra as Artes das Trevas e Quadribol!-reclamou Harry.
- Sou boa em Quadribol também!-disse Gina.-Não se sinta por causa disso!
- Não estou me sentindo!-retrucou Harry, fechando a cara.

Gina olhou pra ele e desatou a rir.

- Háháhá!
- Não ria, Gina!-reclamou Harry, jogando um pouco de neve nos cabelos ruivos da garota, mas a menina não parou.-Gina! Gina, pare! GINEVRA WEASLEY, PARE DE RIR!
- Não me chame assim!-reclamou a ruiva, parando de rir na hora.
- Ah, Ginevra-a, Ginevra-a!!!!-cantarolou Harry, rindo da cara vermelha de Gina.
- Ah, cale a boca!-disse ela, enchendo a mão de neve e colocando na boca do moreno.
- Hey...-reclamou Harry, cuspindo a neve fora.-Você me pega, Gina!
- Quero ver se o senhor Potter consegue me pegar!-riu Gina, se levantando e saindo correndo na direção do castelo.

Harry correu atrás dela, e por ser mais rápido e ter o físico melhor pelos anos de quadribol logo a alcançou, pulando sobre suas costas. Gina caiu na neve fofa com Harry junto, que dizia em quanto esfregava neve no rosto dela.

- Ah, vamos ver quem come neve agora!
- Não, Harry...Não, para!-ria Gina, tentando se desviar das mãos do garoto.-Para, é sério...Eu preciso respirar!
- Ai, eu também!-disse Harry, se deitando ao lado de Gina.

Os dois ficaram rindo juntos, cheios de neve pelo corpo todo. Após alguns minutos, Gina silenciou e Harry resolveu ficar quieto junto dela. Passaram mais longos minutos apenas contemplando o céu e as estrelas que se mostravam.

- Vênus é realmente lindo! Acho que é o planeta mais lindo que existe!-murmurou Gina, de repente, com a voz baixa.
- Não...A Terra é o planeta mais bonito!-discordou Harry.
- E por quê?-perguntou Gina, se apoiando a cabeça em um dos braços de forma a ver o rosto de Harry.
- Porque todas as coisas belas estão aqui.-respondeu Harry, de forma simples.
- Acho que tem razão, sabia?-disse Gina, lhe dando mais um dos maravilhosos sorrisos que tinha.

Harry sorriu e desviou os olhos, sentindo seu rosto queimar. O que estava acontecendo com ele? O que estava acontecendo com Gina? Ela estava tão diferente...

- Ai, acho melhor nos entrarmos. Vamos acabar congelando se continuarmos aqui!-disse Gina, se espreguiçando e levantando.-Vamos, burrinho!-disse Gina, estendendo a mão pra Harry.
- Vamos, Ginevra!-disse Harry, aceitando a mão de Gina e se levantando.

Gina mostrou a língua pra ele, e foi andando na frente.

- Hey, seu cabelo está cheio de neve.-disse Harry, olhando-a por trás.
- Ah, não tem problema!-respondeu Gina, balançando a cabeça e jogando neve pra tudo que era lado.-Viu?-perguntou ela, mostrando os cabelos.

Os dois continuaram andando e entraram no castelo. Iam rindo e conversando sobre quadribol, sendo uns dos poucos alunos que ainda andavam pelo castelo alguns minutos antes do toque de recolher. Quando finalmente chegaram na Torre da Grifinória, Harry se virou pra Gina e disse:

- Bom, boa n...
- Não, Harry, espera.-disse Gina, impedindo o garoto de continuar a falar.
- O que foi?-perguntou Harry, meio nervoso.
- Olha, eu sei que disse que era pra esquecermos sobre a Mione e o Rony, mas...Olha, nós dois somos grande amigos da Hermione, mas eu...Escute, será que você não pode conversar com ela sobre isso?-perguntou Gina, rápida.
- O que? Mas, Gina, você sabe, a Mione...Ela é uma menina e...Você também é. -Gina riu do embaraço dele.-Não seria mais fácil se você conversasse com ela sobre essa coisa de namoro e tudo mais do que eu?
- Seria, mas...Ah, Harry, por favor!-pediu Gina.-Não agüento mais ver esses dois desse jeito e eu sei que a Mione ia se abrir até mais com você do que comigo. Fale com ela, sim? É que eu sinto que a Mione está realmente precisando de ajuda agora. Apesar dela estar com o Malfoy e tudo mais, eu sinto que a Mione está distante...Como se ela tivesse um grande problema ou segredo que não pode dividir com ninguém, sabe? E essa coisa de segredo sempre foi mais presente na sua amizade com ela do que na minha! Acho que Mione preferiria contar essas coisas ou pra você ou pro Rony, mas já que eles estão brigados...-explicou Gina.
- Restei eu, né?
- É!-respondeu ela, sorrindo.-Você vai falar com ela ou não?
- Vou, vou sim. Acho que você tem razão sobre a Mione. Ela ta escondendo alguma coisa da gente.-disse Harry, pensando.
- Mesmo? Ah, obrigada Harry!-agradeceu Gina, abraçando o garoto de forma inesperada.-Sabe, eu realmente sinto falta da Mione.- completou ela, com um sorriso triste.-Gosto muito dela. Ela não deve ter chegado ainda então acho melhor esperá-la, ta? Bom, então boa noite, Harry.-disse ela se animando de novo, e dando um beijo estalado na bochecha do moreno.
- Boa noite.-respondeu Harry, meio sem graça.

Ele observou Gina subir correndo pro dormitório feminino, e deu outro sorriso bobo. Ela estava realmente muito diferente. Tinha deixado de ser aquela menina envergonhada que era...”Também, sua besta, ela também não tem mais doze anos, né?” disse uma voz na cabeça de Harry.

- É, ela tem quinze.-respondeu Harry, em voz alta sentando no divã mais próximo da lareira.

Ainda ficou um bom tempo pensando em Gina e naquele pedacinho de noite que tinha passado com a ruiva. Esperava que pudesse ter outros momentos daqueles com ela, e se possível, momentos mais longos. Passados longos minutos, Harry começou a sentir sono e estava quase dormindo quando ouviu o barulho do quadro abrindo.
Endireitou-se no divã e observou Hermione entrar. Estava na hora.

“Vamos lá!” pensou Harry, respirando fundo, e enquanto observava a amiga que parecia meio desnorteada começar a subir as escadas do dormitório feminino, Harry a chamou:

- Hermione? Será que dá pra gente conversar?

Ele viu a menina respirar fundo e se virar pra ele, e se assustou com o que viu.

*


- Parece que você finalmente terminou o assunto.-disse Hermione, enquanto saía da sala recém-descoberta.

Draco não teve coragem de responder e caiu novamente na poltrona, totalmente derrotado. Sabia que tinha machucado Hermione mais uma vez com o que tinha falado. Mas o que raios ele poderia fazer? Aquele era o jeito dele ser e claro, ele estava ficando impaciente. Por que não podiam ficar juntos, afinal? Por que a garota dificultava tanto as coisas? Por que tudo tinha que ser tão difícil?

Respirou fundo, enfiando as mãos nos cabelos loiros. Fechou os olhos e aos poucos, foi se lembrando de cada detalhe daquela noite. Cada detalhe do beijo. Parecia até que Hermione ainda estava ali, deixando-o completamente doido com aquele cheiro de canela misturado com essência de almíscar. Com aquele gosto quente e estranho na boca...Ah, como aquilo era bom. O loiro abriu os olhos e se viu sozinho.

- Droga!-reclamou o loiro, frustrado.-Ah, Granger, Granger! Como é que você pode me deixar desse jeito? Por que você se tornou tão importante pra mim? O que é que você tem que me deixa tão...Tão...Tão maluco desse jeito?-perguntou Draco, como se a garota estivesse ali, pronta pra responder suas perguntas.-Não adianta ficar falando sozinho...Você não está aqui mesmo pra responder.

Ele se levantou e apagou a lareira com um gesto da varinha. Saiu do aposento, passou pela saleta e pelo corredor estreito e escuro, até ultrapassar a tapeçaria velha e respirar aquele ar frio das masmorras. Deu alguns passos, disse a senha e entrou dentro da grande masmorra sonserina. Se não estivesse tão alienado e chateado teria percebido que os sonserinos estavam dando mais uma festa de arromba no salão comunal. Na verdade, era uma perfeita farra. E o loiro adorava essas festas! Era a grande sensação masculina da maioria delas, e foi realmente estranho quando muitos o chamaram e o loiro simplesmente os ignorou e subiu as escadas que levavam para o dormitório masculino. Mas um par de olhos azuis-escuros foi o único que percebeu a expressão cansada do garoto e resolveu investigar o que estava acontecendo.

*


- Hermione, mas o que aconteceu?-perguntou Harry.-Por que está com essa cara? Andou chorando, é?
- Não, eu...Eu acho que peguei um resfriado.-respondeu Hermione, enquanto esfregava os olhos vermelhos novamente.-O que foi, Harry? Olha, eu estou muito cansada, ok? Não estou a fim de conversar, ta?
- É, mas você vai me explicar o que está acontecendo, sim, querendo ou não.-disse o garoto com firmeza.-Anda, vem aqui, senta e desembucha.- Hermione nem se mexeu.-Mione, sou seu amigo, não sou? Vamos conversar, por favor. Estou preocupado com você. Quero saber o que está acontecendo.
- Tá certo, Harry.-respondeu Hermione, se aproximando e sentando do lado do garoto.-O que você quer saber?
- Primeiro, o que foi que deu em você? Por que está me tratando desse jeito?-perguntou Harry, parecendo chateado.
- Desculpe-me. -pediu Hermione, virando pro amigo e lhe pegando as mãos.-É que, você sabe, eu fiquei nervosa com toda essa coisa do Rony e acabei descontando em você, não é?
- Em mim e em Gina.-completou Harry.
- Ah, é mesmo! Tinha me esquecido da Gina.-murmurou Hermione, olhando pra baixo.
- É, nenhum de nós dois tínhamos culpa de nada, Hermione. Naquela noite, Rony nos disse que ia vir pra cá, mas, ao invés disso, ele foi atrás de você no jardim. Quando eu e Gina voltamos pra cá, depois do jantar, soubemos pelo Neville que ele tinha saído do castelo e nós logo percebemos que ele tinha ido atrás de você. Você não sabe como ele voltou furioso, Mione! Dizendo coisas sem nexo e te acusando de estar com o Malfoy...Sério, nunca vi o Rony tão nervoso como naquele dia! E então você apareceu e...
- E aquela besta ruiva veio querer tirar satisfações pra cima de mim!-completou a garota, fechando a cara.
- Não chame o Rony assim só porque está brigada com ele!-repreendeu Harry.-Parece até o Malfoy falando desse jeito!

Ao pensar naquilo, Hermione sorriu, e não passou despercebida por Harry.

- Por que está sorrindo?
- Achei engraçado o que você disse...Que pareço o Malfoy falando.
- Ultimamente você tem parecido muito com ele.-respondeu Harry.-Quando não está com ele, anda com uma cara fechada de dar medo e tem sido ignorante com quem não devia ser. Além, é claro, dessas coisas estranhas que estão acontecendo com você.-disse Harry, instigando Hermione a falar.
- O que quer dizer com isso?-perguntou Hermione, olhando diretamente para os olhos de Harry.
- Quero dizer, Mione, que acho que tem alguma coisa muita errada acontecendo com você...Aquela coisa que você disse a mim e a Rony sobre sonhos, e então você começa a ficar com o Malfoy e vive pelos jardins com ele, cochichando e conversando...O que anda acontecendo, Mione?
- Não é nada, Harry. É coisa minha, está bem?-disse Hermione, disse ela com um sorriso para convencê-lo.
- Hermione, nós somos amigos há anos...Não acha que vou me convencer com esse sorriso enquanto estou vendo que você está triste por dentro, não é?-perguntou Harry, com outro sorriso.-Ande, me conte...Por exemplo, será que você pode me explicar o que era aquela cobra que veio naquela cesta?
- Não dá pra te enganar, não é?-perguntou Hermione, com outro sorriso, agora sincero e verdadeiro.
- Não mesmo. Aprendi isso com você. Ande, responda a minha pergunta.
- Certo...Bom, aquilo não era uma cobra e sim, um feitiço de magia negra destinado a...
- Matar alguém.-completou Harry. Hermione assentiu com a cabeça.-Imaginei que fosse isso. Mas, por que, Hermione? Ande, no que você anda se metendo? Quer dizer, que eu saiba magia negra só pode ser feita quando alguém realmente quer prejudicar outra pessoa e...Aquele feitiço era pra você?-perguntou Harry, meio espantado.
- Não posso te dizer isso.
- Por que não? Vamos, Hermione, confie em mim.
- Mas eu confio!-retrucou Hermione, pegando nas mãos dele de novo.-Escute, Harry, a questão é que não posso te contar nada pro seu próprio bem.
- Gina tem razão...Você está com sérios problemas.-disse Harry, sem pensar.
- Por que diz isso?-perguntou Hermione, sorrindo de repente.-Foi Gina quem pediu pra você conversar comigo? Andaram conversando sozinhos, é, Harry?

Harry olhou pra ela, ficando totalmente vermelho. Hermione riu com vontade dele, enquanto o moreno tentava se explicar:

- Não! Não! Quer dizer, é! Quer dizer, não. Quer dizer, nós demos uma volta no lago hoje á noite e ela me pediu pra conversar com você.
- Por que ela mesma não resolveu fazer isso?-perguntou Mione, interessada.
- Ela é tão orgulhosa quanto o Rony é. Tenho a impressão que todos os Weasleys são assim. E também achou que você pudesse se abrir mais comigo do que com ela, considerando tudo o que já passamos juntos.-explicou Harry, dando de ombros.
- Gina é uma ótima amiga. Sinto muita falta dela.Eu fui injusta com ela, não fui?
- Pior que foi.
- Ah, eu devia saber que a Gina não fazia parte de toda aquela confusão que Rony armou. Ela nunca viria me acusando sobre algo que fiz ou deixei de fazer...-foi dizendo Hermione, mas foi cortada por Harry.
- Ei, eu também não tinha nada a ver com nada!
- Eu sei que não, mas também sei que você e Rony adorariam xeretar a minha vida se quer saber!
- Isso não é verdade, Mione!-reclamou Harry pra ela- Tá bom, é um pouquinho de verdade sim!-Hermione riu em resposta.-Mas eu acho que perguntaria primeiro antes de xeretar a sua vida.
- Eu sei, já o Ronald...-começou Hermione, fechando a cara.
- Você sabe que Rony não fez por mal, Hermione. Ele só ficou preocupado que o Malfoy talvez fizesse alguma coisa com você!-justificou Harry.
- Ah, é? Aposto que você também pensou nisso, mas ao invés dele, não foi atrás de mim.
- Eu não fui atrás de você porque sabia que você saberia se virar se Malfoy te fizesse alguma coisa, só isso.-disse o moreno simplesmente.
- Rony também sabe disso!-retrucou Hermione.-Mas mesmo assim ele foi atrás de mim. Ele foi saber o que raios eu estava fazendo!
- Só que Rony tem um motivo forte pra ignorar a sua capacidade de se defender sozinha, Hermione.-disse Harry, sério.-E você sabe o que é.
- Não, eu não sei porque ele nunca me disse.-retrucou ela, cruzando os braços.
- Qual é, Mione! Você sabe muito bem que Rony é doido por você e sente um ciúme terrível. Você não tem idéia de como ele está acabado com essa história de você estar com o Malfoy! Ele já quebrou todas as penas só de te imaginar de mãos dadas com o cara.
- E o que você quer que eu faça, Harry?-perguntou Hermione, meio desesperada- Puxa, eu nunca dei esperanças pro Rony...
- Deu sim, Hermione!-retrucou Harry.-Por Merlin, todo mundo apostava que cedo ou tarde vocês iam ficar juntos de alguma maneira. Quer dizer, vejamos a nossa relação. Eu e você somos como irmãos. Você sempre soube como lidar comigo nos momentos difíceis, esteve sempre do meu lado quando eu precisava, sabe, como irmãos mesmo! Você consegue até adivinhar o que eu estou pensando e todo o resto!
- Você também faz isso comigo!-disse Hermione, sorrindo para o amigo.
- Então...Agora, a sua relação com Rony nunca foi assim, certo?
- É, certo. É que eu e Rony sempre...-dizia Hermione, tentando achar uma palavra que encaixasse.
- Você e Rony estavam sempre brigando. Uma vida de tapas e beijos, não é?-completou Harry.-Só que na verdade só tinha tapas. Todo mundo achava que vocês iam passar para os beijos em pouco tempo, Mione.
- E o que eu tenho a ver com tudo isso?-perguntou Hermione.-Eu e Rony sempre fomos o tipo de amigos que pareciam ser feitos um pro outro, mas a verdade é que nós não somos!
- Mas você gostava de Rony antes do Malfoy aparecer!-insistiu o moreno.
- Harry, você tem noção de quantos anos eu tinha quando eu “gostava” do Rony?-perguntou Hermione.-Por Merlin, eu tinha vergonha de abraçar Rony quanto tinha...DOZE ANOS! Isso faz muito tempo!
- Mas e no nosso quarto ano? Com toda aquela coisa de vocês ficarem brigando por causa do Krum e todo o resto?-perguntou Harry, insistente.
- OK, Harry, naquela época eu gostava do Rony. Na verdade, talvez eu realmente nem estivesse apaixonada por ele de verdade. Eu estava crescendo e estava começando a...-Hermione parou, fiando ligeiramente vermelha.
- A o quê?-perguntou Harry.
- A...Oras, Harry, você sabe...Eu estava mudando, a minha cabeça estava mudando! Eu queria ser notada, sabe? Eu queria receber carinho de alguém que gostasse de mim...Eu estava me preparando pra ter um relacionamento porque era a minha hora, entende? Então o Vitor apareceu e ele mexeu comigo...Ele era mais velho, era carinhoso, gentil, cavalheiro...Era tudo o que eu queria na hora! Era tudo o que eu estava idealizando pra mim! Eu era notada, eu era vista e eu me sentia bem com isso! Eu gostava de ser tão importante para alguém que também se tornara muito importante pra mim! Vitor...Vitor era o homem que eu queria naquele momento. Ele era uma espécie de príncipe encantado!-disse Hermione, já olhando pra frente e se lembrando do famoso apanhador.-Enfim...-começou ela, olhando de volta pra Harry-Vitor Krum era tudo que Rony não era naquele momento.E se quer saber, Harry, ele nunca chegou a ser.
- Então, foi isso que aconteceu? Você sentia algo diferente pelo Rony na época, mas estava apaixonada pelo Krum?-perguntou Harry, meio desapontado.
- Acho que foi exatamente isso que aconteceu.-concordou Hermione, com um sorriso triste.
- Mas e depois? E esse sentimento que você sentia pelo Rony? O que aconteceu com ele?-perguntou Harry, querendo dar continuidade á história.
- Bom, acho que ficou meio adormecido, sabe? Afinal das contas, nós não tivemos tempo pra esse tipo de coisa no ano passado, Harry, você sabe disso.
- Realmente, não tivemos mesmo.-concordou o amigo, com um olhar triste. Na certa, lembrava-se de Sirius.
- Agora você entende? Talvez se Rony tivesse tomado uma iniciativa, se ele tivesse dito alguma coisa...Puxa vida, Harry! Eu não poderia passar o resto da vida esperando o Ronald crescer e perceber que eu estava aqui!-reclamou Hermione, batendo as mãos nos joelhos.-Você entende, hem?
- Entendo, Mi, entendo.-disse Harry.-Então quer dizer que você e o Rony são caso perdido?
- Se é o que você acha....-respondeu ela, dando de ombros.
- E agora que você está ficando com o Malfoy, não dá mesmo pra ter qualquer coisa com Rony.
- Eu não estou ficando com o Malfoy.-respondeu Hermione, categórica.
- Ah, claro, vocês estão namorando.-disse o moreno, corrigindo-se.
- Bem...Também não estamos namorando...-disse Hermione, devagar.
- Como não? Você afirmou hoje de manhã que estavam!
- Eu sei, mas...Na verdade, eu só disse aquilo pra irritar o Rony, sabe?-disse Hermione, ficando vermelha.-EU sabia que só ia atingi-lo bem lá no fundo desse jeito.
- Então você e o Malfoy têm o quê?-perguntou Harry, confuso.
- Digamos que nós estamos enrolados.-disse Hermione, dando de ombros.
- Quer dizer que vocês não estão realmente juntos?-perguntou Harry.
- Bem, não é isso. É que as coisas não estão exatamente como as pessoas acham que estão. Quer dizer, nós estamos juntos, mas ao mesmo tempo, somos apenas parceiros e andamos dividindo um problema e tanto!-tentou explicar Hermione, mas não conseguiu.
- Olha, eu não entendi nada. O que quer dizer com essa confusão toda? Como alguém pode estar com alguém e, ao mesmo tempo, não estar?-perguntou Harry, realmente confuso.-O que quer dizer com essa coisa de parceiros dividindo um problema?
- É que, bom, eu e Draco estamos, sim, tendo um relacionamento por mais estranho que pareça! Mas, além disso, eu e ele estamos...Hum, estamos enfrentando um certo problema, sabe? E estamos tentando resolvê-lo e é por isso que não somos realmente namorados.-disse Hermione.
- Ta, mas uma coisa não tem nada a ver com outra.-disse Harry, sem dar por vencido.
- Eu sei que não tem, mas...-Hermione respirou fundo e desistiu daquela enrolação toda-O problema é que eu não posso te contar.
- Não pode me contar o que você e o Malfoy têm?-perguntou ele, confuso.
- Exatamente. E não me force a dizer, ta legal? Eu já te disse, é tudo pro seu próprio bem.-repetiu Hermione, firme.
- Tudo bem, eu não insisto...Mas, Hermione, posso fazer uma pergunta?-Hermione assentiu com a cabeça.- Eu sei que eu não tenho nada a ver com isso, mas...Você gosta mesmo do Malfoy? Quer dizer, você está apaixonada por ele ou não?-perguntou Harry, ansioso pela resposta.
- Eu não sei.-respondeu ela, totalmente sincera.
- Como assim não sabe?
- Não sabendo. Sabe, na verdade, eu estou muito confusa. Sabe, eu não sei se você já sentiu isso antes, Harry, mas eu fico num estado completamente beta quando estou com ele. Eu sinto que tenho uma ligação muito forte com ele, algo que passa de um simples paixão e...Bom, isso me assusta.
- Assusta? Mas, por quê? O Malfoy não te trata como devia tratar?-perguntou Harry, sem entender.
- Não, não é isso. O Draco é ótimo, sabe? Ele é atencioso e se preocupa comigo.Do jeito dele, é claro, mas se preocupa. E eu acho que ele até sente um pouco de ciúmes de mim.-disse Hermione, sorrindo.-Não é ele que me assusta. É que esse envolvimento que nós temos não era pra acontecer. Quer dizer, ele é Draco Malfoy. É inacreditável nós estarmos juntos. E somando esse grande problema que estamos enfrentando, bom...Fica tudo muito confuso, sabe? Eu sempre soube lidar com os meus sentimentos, mas, quando estou junto do Draco, eu simplesmente perco o controle de tudo. E isso me assusta também. Por não saber o que sinto por ele, por ter medo do que posso estar sentindo e por não ter controle sobre isso.-desabafou a garota, olhando pro moreno.
- É, da´pra perceber que você está muito confusa.-concordou Harry, estranhando ver a amiga daquele jeito.
- E o pior não é isso. Sabe, hoje de manhã, eu e Draco discutimos muito feio. Foi horrível e eu fiquei muito mal. Durante o almoço, ele me pediu desculpas, mas eu não o tratei normalmente, sabe? Eu tinha resolvido que o trataria o mais friamente possível. E foi o que eu fiz. Então, agora de noite, eu tive que descer pra vê-lo...
- Ah, é! Rony, Gina e eu a vimos sair correndo pelo buraco do quadro umas horas atrás.-concordou Harry, a cortando.
- Então, eu estava indo me encontrar com ele. Bom, pra encurtar a história, nós discutimos de novo. E então, bem na hora em que já estávamos berrando um com o outro, nós...-então ela parou, olhando apreensiva para o amigo.
- Vocês o quê?-perguntou Harry, adivinhando o que viria a seguir.
- Nós nos beijamos.-disse Hermione, vendo a cara de nojo que o moreno fez em seguida.-Harry!
- Desculpa, não dá pra evitar! Imaginar você beijando aquela cobra é nojento!
- Ta, não tem importância. A questão principal é que não foi um beijo normal...Foi diferente, foi meio desesperado. Ah, Harry, desfaça essa cara!
- Desculpe.-disse ele, sorrindo.-Tá, um beijo desesperado...Mas, por quê?
- É aí que entra o problema! Foi como se nós tivéssemos medo de perder um ao outro. Foi tão cheio de sentimento. Eu sei que parece estranho, mas eu nunca pensei que poderia ter tanto medo de perder alguém assim. Agora que eu estou com o Draco, não sei se saberia viver se acontecesse alguma coisa com ele, sabe? Eu tenho muito medo de perdê-lo!
- Sabe de uma coisa, Mione?-perguntou Harry, sorrindo, enquanto olhava nos olhos da amiga.-Eu não sei o que o Malfoy fez pra te conquistar, mas, de uma coisa eu tenho certeza.
- E o que é?-perguntou Hermione, sorrindo também.
- Você está mais caidinha por ele do que já esteve por qualquer um, até mesmo pelo Krum.
- Ah, Harry!-repreendeu Mione, ficando vermelha, mas sorrindo depois.
- E mais, já que dá pra ver que você ta mesmo gostando desse cara, eu vou te apoiar.
- Mesmo?-perguntou Hermione, ficando feliz pela primeira vez naquela noite.
- É, afinal das contas, você não vai largar ele, vai? Então, eu vou te apoiar! Mas, se o Malfoy não cuidar direitinho de você eu vou fazer picadinho dele!-ameaçou Harry, fazendo-a aumentar os sorriso.
- Não precisa fazer isso, acho que o Rony seria mais rápido.
- Bem, e voltando ao Ron...Você vai fazer as pazes com ele, não vai?-perguntou Harry, esperançoso.
- Não.-respondeu ela, fechando a cara.
- Mas, Mione...
- Eu já disse que não, Harry. Não agora! Não dá pra conversar com o Rony sabendo que ele vai me atacar e me encher de perguntas. Não vou fazer as pazes com ele e ponto final!-disse ela, firme.
- Bom, não sou eu quem vai insistir.-suspirou ele, dando de ombros.-Mas, e a Gina? Ela sente a sua falta.
- Vou falar com ela assim que puder. Também sinto muita falta dela, é a única amiga que tenho.-respondeu Hermione, dando um sorriso tristonho.
- É, ela gosta muito de você.
- Eu também gosto muito dela. E você também gosta, não é?-perguntou Hermione, sorrindo.
- Ah, não! Quer dizer...Hermione, não me faça uma pergunta assim!-reclamou Harry, vermelho e um tanto confuso.
- Vocês ficariam lindos juntos.-continuou Hermione, observando o amigo ficar escarlate.-Não precisa ficar vermelho, Harry! E quer saber de uma coisa? Se vocês dois se acertarem, eu vou ser a primeira a apoiar.
- Hum...obrigado.-respondeu ele, baixinho, bastante desconcertado.-Então, hum, vamos dormir? Aproveitar o resto de madrugada que nos resta...
- Certo.-respondeu Mione, se levantando do divã junto com ele.

Caminharam até suas respectivas escadas desejando boa noite um para o outro, mas, no meio da escada, Hermione voltou atrás:

- Harry?-chamou ela, descendo os degraus da escada.
- O que foi?-perguntou ele, também descendo as escadas a fim de saber o que a amiga queria.
- Obrigada.-disse Hermione, se jogando nos braços do moreno.-Obrigada mesmo, Harry, por tudo!
- Que isso, Mione! Somos praticamente irmãos, não somos?-perguntou ele, com carinho, enquanto devolvia o abraço.
- Obrigada por estar do meu lado. Não sei o que eu faria se não tivesse um amigo como você.-disse ela, se afastando pra olhá-lo.

Tinha o rosto vermelho e respirava fundo, não querendo chorar. Harry sentiu uma pontada de tristeza ao ver a amiga tão frágil daquele jeito. Hermione não se deixava fraquejar nunca, por mais difíceis que estivesse a situação. E mesmo que estivesse chateada, era muito orgulhosa a ponto de deixar as pessoas perceberem isso. Estava sempre se fazendo de forte e passando força para quem precisasse. Vê-la daquele jeito realmente doía.

- Ah, Mione, não precisa agradecer por nada. Só estou devolvendo todos os anos em que você me agüentou com os meus problemas e as minhas fraquezas.-respondeu Harry, sorrindo pra ela, enquanto secava uma lágrima que tinha escorrido por seu rosto.-Não quero ver você assim, ok? E, pode ter certeza, pode contar comigo pra qualquer coisa.
- Obrigada.-respondeu Mione, o abraçando mais uma vez.Então, o soltou.-Agora vai dormir, Harry. Por minha culpa você vai estar cheio de olheiras amanha e não vai conseguir prestar atenção nas aulas. Ande, vá logo pra cama. Já está tarde.
- Você não muda, não é? Ok, boa noite, Mione!-riu Harry, obedecendo-a.

Ela observou o amigo sumir pela curva da escada e respirou fundo, agradecendo mentalmente por ter um amigo como Harry. Sorriu pro vazio e subiu as escadas pra dormir o resto de noite que lhe sobrara.

*


Draco fechou a torneira do chuveiro e abriu o boxe, enquanto se enrolava na toalha. O banheiro estava envolto numa espessa nuvem de vapor e o espelho estava todo embaçado. Impaciente, o loiro passou a mão no espelho e se encarou. Estava com a pele um pouco vermelha por causa da água quente, e nada mais. Nem mesmo o banho tinha tirado aquela expressão de que o mundo iria acabar a qualquer momento. Encarou o próprio reflexo e disse:

- Você é um idiota.

Pegou outra toalha e abriu a porta do banheiro enquanto começava a secar o cabelo.

- Puxa, finalmente! Pensei que você queria cozinhar aí dentro.-disse uma voz feminina, assustando-o.
- Ah!-gritou Draco, tirando o cabelo molhado dos olhos e encarando Agatha Ryme.-Caramba, garota, você me assustou.

A morena apenas deu um sorriso cínico. Estava sentada na cama de Crabbe, que ficava ao lado da de Draco.

- Será possível que você ainda não se acostumou comigo?-perguntou ela, se fazendo de indignada.
- Claro que não! Você adora aparecer nos momentos mais inconvenientes. O que você quer?-perguntou o loiro, um pouco irritado, enquanto se sentava na própria cama e encarava a menina á sua frente.
- Eu? O que acha?-perguntou Agatha, se levantando e indo se sentar ao lado dele.-Quero saber o que está acontecendo com você, Draco Malfoy.
- Não está acontecendo nada comigo.-respondeu ele, ríspido, e se levantando em direção ao armário.
- É mesmo? Dizer mentiras é feio, Draco, você não sabia?-perguntou Agatha, deitando-se na cama do loiro.
- Hum, olha quem fala.-resmungou o loiro, pegando o pijama e uma cueca. Voltou-se para ela e continuou.- Eu vou ao banheiro colocar o meu pijama e quando sair de lá, não quero ver você aqui, entendeu?

Agatha deu de ombros, ainda com seu sorriso cínico. O loiro balançou a cabeça em desaprovação e entrou no banheiro fechando a porta. Poucos minutos depois, ele abriu a porta enquanto vestia a camisa do pijama e encarou a morena, que não tinha movido um só músculo.

- Você ainda está aí?-perguntou ele, nervoso.
- É, estou.-respondeu ela, divertida.-E não vou embora até você me dizer o que está acontecendo.
- Por Merlin! Você não desiste, não é?-perguntou Draco, cansado, percebendo que não se livraria de Agatha tão cedo.
- Sou uma sonserina. Desistir do que quero não é uma das minhas características.-respondeu Agatha, sentando-se na cama, séria.-Sei que está com problemas, Draco. Eu te conheço muito bem, não vai conseguir me convencer que está tudo bem se sei que não está.
- Você parece minha mãe falando desse jeito.-respondeu o loiro, sentando na cama e encarando aqueles belos olhos azuis.

Agatha continuou a encará-lo, sem responder. Draco também não disse mais nada. Na verdade, já estava acostumado com aquela garota estranha e misteriosa. Ela costumava invadir o quarto dele várias vezes no ano ou assusta-lo em algum corredor deserto desde quando tinham se conhecido no primeiro ano. Não era uma amiga, na verdade, era mais uma...

- Confidente.-disse Agatha, acordando-o de seus pensamentos.
- E enxerida. Não gosto que fique passeando na minha mente, sabia?-perguntou Draco, ficando um pouco nervoso.
- Então trate de treinar essa sua Oclumência porque não está nada boa.-repreendeu ela, voltando a se deitar na cama do loiro com as mãos atrás da cabeça.-Agora, o que você tem, hem? Qual é o seu problema?
- Como sabe que eu estou com problemas?-perguntou Draco, desistindo de negar qualquer coisa a garota.
- Eu sou observadora. Sei quando está com problemas.
- Isso não é uma virtude sonserina.
- Mas vem a calhar quando se precisa dela. Então, vai me dizer ou não?-perguntou Agatha, ficando impaciente.
- Não acho que vai conseguir me ajudar nesse.
- Não? Pois eu acho que é muito mais fácil resolver um problema de namoro do que aqueles que você tinha em casa.-alfinetou Agatha, com um sorriso esperto no rosto.
- Nem vou perguntar como você sabe do que se trata o meu problema. Sabe, nem é exatamente um problema.-disse Draco, empurrando-a um pouco pro lado e dividindo o espaço do travesseiro com ela.
- Mesmo? Zambine estava dizendo lá embaixo que encontrou você e a Granger enquanto ele saía com aquela quintanista da tapeçaria. E pelo o que ele estava dizendo, ela não parecia muito satisfeita com alguma coisa.-foi dizendo a morena, devagar, enquanto encarava o teto de pedra.-E então, você chegou, não falou com ninguém e subiu direto. Sabe, tudo isso é muito estranho.
- Por quê? Agora eu sou obrigado a participar de todas as festinhas que dão aqui?-perguntou o loiro, olhando para ela.
- Não. O estranho é que você e a Granger pareciam tão felizes uns dias atrás e agora...
- Estamos com alguns problemas.-disse Draco, voltando sua atenção para o teto.
- Você gosta dela, Draco?-perguntou Agatha, baixinho e se virou pro loiro.
- Eu...acho que sim. Quer dizer, eu não sei exatamente. Ah, Agatha, você não faz idéia do quanto as coisas andam difíceis.
- Mas vocês não estão juntos? Não são...Namorados?-perguntou ela, talvez com um pouco de cinismo na voz.
- Não exatamente.-respondeu o loiro, respirando fundo.
- São como nós somos?-perguntou Agatha, sorrindo.
- Também não. Nós somos bem mais fáceis.-Agatha assentiu com a cabeça-Sabe, eu e Hermione temos alguma coisa, sei lá, alguma ligação muito forte. Não dá pra explicar o que eu sinto quando estou com ela. Ela me deixa fora do ar, mais que o normal. E nós brigamos também, e brigamos muito! Falamos besteiras um pro outro e...Quer saber de um exemplo? Hoje, depois daquele ataque da cobra, nós discutimos feio. Eu estava nervoso e acabei descontando tudo em cima dela.
- Típico de um Malfoy.-concordou Agatha, voltando a olhar pro teto.
- É, eu sei.-concordou o loiro, passando os dedos entre os cabelos loiros ainda úmidos.-Eu fiquei mal a manhã inteira. Sei que pode parecer estranho, mas...Não sei, foi como se, no momento em que ela virou as costas e saiu andando depois da nossa briga, eu a tivesse perdido pra sempre. Depois nós meio que fizemos as pazes na hora do almoço, mas, mesmo assim, eu senti como a tinha ferido. Hermione estava tão distante...Então, eu fui buscá-la para jantar e agora pouco já estávamos discutindo de novo. Só que dessa vez, nós perdemos o controle e, bom, acabamos nos beijando.
- Isso não é nenhuma novidade pra você, ou é?-perguntou Agatha, um pouco maldosa.
- Sei que é estranho, Agatha, mas quando beijo Hermione...Ah, não dá pra descrever, sabe? Quer dizer, eu nunca me entreguei tanto a uma garota do jeito que eu me entrego a ela. Não dá pra evitar. Ultimamente, tudo o que eu faço é pensando nela. Eu só me preocupo com ela. E eu perco todo o controle quando estou junto com ela, mesmo não demonstrando. Eu fico com medo só de pensar que daqui poucos minutos nós podemos não estar mais juntos, mesmo que isso não seja um fato. Eu....Ah, eu nunca estive tão confuso em toda a minha vida!-terminou ele, se sentando na cama e colocando a cabeça entre os joelhos.
- Percebe-se.-disse Agatha, sentando-se também e fazendo o loiro rir.
- Não zoe, Agatha. E sabe, mesmo com toda esta confusão, todas essas brigas e discussões...Parece tudo tão certo, tudo tão perfeito. Tão perfeito que até me assusta. Não dá pra acreditar que eu posso ter tanta certeza disso e não ter certeza sobre mais nada.-disse Draco, quase sussurrando, como se compartilhasse um segredo com a morena.
- Eu...Eu chego quase a ficar feliz com isso.-disse Agatha, afastando uma mecha loira que havia caído nos olhos dele e fazendo-o sorrir novamente.
- Mesmo?
- Não, acho que eu realmente fico feliz. Fico feliz por saber que apesar de tudo o que você passou nos últimos tempos, alguém tenha conseguido te deixar assim “fora do ar”. E se quer saber, eu quero conhecer essa Hermione Granger.
- O quê?-perguntou Draco, assustado.-Não está pensando que eu vou te apresentar a ela, não é?
- Claro que não. Seria mesmo muito estranho se nós dois chegássemos á Granger e você dissesse: “Querida, quero te apresentar a minha alguma coisa Agatha Ryme. Ela é meio estranha, mas beija muito bem.”-disse Agatha, um pouco divertida.- Não precisa me apresentar a ela. Eu tenho meus meios e antes que você perceba, já vou ter me tornado uma grande amiga da sua nova alguma coisa.
- Ela não é minha nova alguma coisa.-retrucou Draco, recebendo um sorriso da sonserina.-E, afinal, por que o interesse em conhecer Hermione?
- Eu admito que estou curiosa em conhecê-la.-respondeu Agatha, com um carinho na voz que só aparecia para o loiro.-Quero conhecer a garota que fez os seus olhos brilharem de novo depois de tanto tempo. A mesma garota que roubou o seu coração e te deixou assim, feito um patinho apaixonado.
- Eu não pareço um patinho apaixonado!-reclamou o loiro, fazendo sorrir ainda mais.
- Ué? Onde está o Draco Malfoy realista?-perguntou a morena, divertida.
- Ele foi dar uma volta enquanto o Draco Malfoy ofendido veio te fazer uma visita amigável.-brincou o loiro, empurrando a morena pra fora de sua cama.-E é o mesmo Malfoy que vai te expulsar do quarto dele pra que este possa dormir.
- Ah, eu acho que não.-disse a morena, deitando novamente na cama do garoto.-Não vou deixar você terminar o assunto.

Draco olhou espantado pra ela, que deu um de seus sorrisos espertos reservados pra Draco. Ele balançou a cabeça afastando a imagem de Hermione lhe dizendo que ele finalmente encerrara o assunto, pois aquilo lhe doía. Voltou sua atenção pra Agatha, que olhava pra ele com uma cara de quem estava se divertindo muito.

- O que foi? Tenho cara de palhaço?-perguntou Draco, ao vê-la daquele jeito.

Agatha revirou os grandes olhos azuis sem tirar o sorriso do rosto.

- Você não muda. Continua com a mesma carinha de deslocado esnobe que tinha no nosso primeiro ano.
- É, e você continua tão maluca e enigmática que sempre foi. A diferença é que de uns anos pra cá resolveu me fazer visitas noturnas e não me deixar dormir na minha própria cama.-terminou ele, cínico.
- Quem começou com essa mania foi você, se não se lembra. Adorava me expulsar da cama e descer até o salão pra conversar comigo de madrugada.
- Conversar? Eu não queria conversar, quem não fechava a matraca pra fazer coisas mais interessantes era você.-reclamou Draco.
- Era engraçado ver você daquele jeito. Não ser o homem da relação te deixava doido.-riu a morena.
- Por isso que não demos certo. Você não me deixava ser o Malfoy que eu queria ser.
- Errado. Primeiro, nós damos certo. E segundo, se eu tivesse deixado você ser mais Malfoy do que era não seria eu e sim, Pansy Parkinson.-discordou Agatha, revirando os olhos novamente.
- Então que bom que eu estou errado. Pansy é uma tortura, não me deixa em paz um único minuto.-suspirou o loiro, se deitando do lado dela novamente.
- Draco, ela não tem cérebro! Não é á toa que não te deixe em paz.
- E você é uma amiga muito fiel, hem? Falando desse jeito eu quase acredito que você gosta dela.
- Não é questão de gostar ou não. A questão é que ela é muito lerda pra uma sonserina. Talvez se desse melhor na Grifinória, quem pode saber? E eu também não sou amiga dela. Eu não tenho amigos, Draco Malfoy. Achei que já soubesse disso.-disse ela, ficando levemente séria.
- É por isso que também não somos amigos.-concordou Draco.
- Exato. Nós somos algo mais, e ao mesmo tempo, não somos nada um do outro.-disse Agatha, levantando da cama e pegando uma piranha de dentro do bolso da capa.
- Lá vai você com suas frases enigmáticas.-reclamou Draco, enquanto a observava prender o cabelo negro num coque.
- E apesar de realmente não sermos nada um do outro, podemos compreender todos os sentimentos na nossa relação.-completou Agatha, como se não tivesse ouvido a reclamação do loiro.-Adeus.

Ela se virou, disposta a ir embora, mas Draco a puxou pelo braço com força fazendo Agatha cair de volta á cama, e rolou por cima dela.

- Não me diga adeus.-disse ele, encarando-a enquanto segurava seus braços e a prendia na cama com o corpo.
- Não se preocupe. Você sabe que eu não vou te deixar pra sempre, não é, Draquinho?-perguntou Agatha, se fazendo de melosa no final, apesar de tentar se soltar do loiro.
- Claro, bonequinha de porcelana!-respondeu Draco, apenas pra revidar o Draquinho dela.
- Não brinque com fogo se não quiser se queimar, Draco Malfoy.-respondeu Agatha, parando de se mexer.

Draco sorriu safado para a morena e soltou seus braços. A resposta foi rápida: Agatha o jogou com força para o lado e subiu em cima de seu abdômen, que não estava todo coberto pela camisa do pijama.

- É mesmo? Então por que não segue seu conselho...-começou Draco, erguendo o tronco de forma a ficar sentado na cama, com Agatha em seu colo.-...E pára de ficar me tentando?
- Você não é tão perigoso quanto parece, sabia?-alfinetou a morena, olhando nos fundo dos olhos de Draco, enquanto suas mãos se perdiam no cabelo loiro do garoto.

Draco apenas sorriu em resposta e se foi, devagar, roçando sua boca pelo rosto da garota. Ele parou perto da boca de Agatha, que ainda sorria, e continuou, subindo pelo pescoço dela até chegar ao lóbulo de sua orelha, onde sussurrou:

- Ah, não? E você entende muito de perigo, não é?-e com um gesto rápido, soltou os cabelos de Agatha, talvez até arrancando alguns fios negros e jogou a piranha longe.
- O suficiente pra lidar com Malfoys como você.-sussurrou a sonserina, e empurrando o loiro de volta pra cama, enquanto deitava em cima dele.
- Então você está entendida do assunto.-disse Draco, rindo, enquanto sentia os cabelos negros de Agatha sobre seu rosto.
- Mas é lógico...Esqueceu com quem está falando, Draco Malfoy?-perguntou ela, enquanto descia uma das mãos frias pelo tórax do garoto e acariciava o rosto dele com a outra.
- Não, mas acho que eu já não sei qual é o seu gosto...E estou disposto a me lembrar.-acrescentou Draco, erguendo o rosto para beijá-la.
- É?-perguntou Agatha, pondo o dedo indicador na boca do loiro e fazendo-o voltar ao travesseiro.-Mas eu não.-disse ela, simplesmente, antes de sacar a varinha de sua capa e apontar para o pescoço de Draco.
- Hei! Mas o que foi? Ficou mais doida que o normal?-perguntou Draco, espantado com aquilo.
- Escute, Malfoy, porque eu só vou dizer uma única vez. Não seja idiota a ponto de perder a Granger se realmente gosta dela. E seja fiel. Não é bom ser traída, mesmo se sendo apenas alguma coisa e disso, EU tenho certeza.-disse ela, nervosa, voltando a se sentar no abdômen do loiro enquanto pressionava firme a varinha contra o pescoço dele.
- Ok, ok, tire esse negócio do meu pescoço.
- Idiota!-praguejou ela, saindo de cima dele e andando decidida para a porta.
- Isso não é um adeus, é?-perguntou Draco, enquanto a observava abrir a porta do dormitório e deixar o som alto invadir o quarto.
- Eu vago pelas sombras do seu coração. Eu olhos nos seus olhos e posso ver seus amores e seus medos. Eu me dedico a infernizar a sua existência, pois sem mim você não pode existir. Eu vago pelas sombras do seu coração...Quem sou eu?-perguntou Agatha, com mais um de seus enigmas.
- É você mesma, Agatha Ryme.-respondeu Draco, sem ver outra resposta possível.
- Resposta errada.-disse a morena como uma sentença e bateu a porta atrás de si, cessando o barulho e deixando Draco sozinho.

O loiro respirou fundo, enquanto balançava a cabeça negativamente. Incrível como Agatha era estranha. Devagar, foi se lembrando de cada detalhe da sua relação com a morena. E era mesmo uma relação estranha, vista de qualquer ângulo. Tinha-na conhecido logo no seu primeiro ano. A primeira vez que reparara na garota foi porque Zambine chamara sua atenção. Lembrava-se bem de como ela era naquela época. Uma menina baixinha, mais branca do que ele, com grandes olhos negros e uma boca mais vermelha que o normal. Os cabelos eram bem maiores do que eram atualmente, e ela os usava presos em um rabo-de-cavalo impecável.

E claro, era completamente muda. Muito inteligente também, mas não o suficiente pra se destacar como Hermione fizera. Agatha era o tipo de garota que não ligava muito em aparecer. Vivia sempre pelos corredores escuros das masmorras, se esgueirando pelas sombras e se misturando com elas. Muitos sonserinos diziam que ela era louca. Nas aulas, só falava pra responder a chamada. Punha-se a fazer seus deveres em silêncio e saía sozinha pra a próxima aula. Fazia suas refeições sozinha. E, na verdade, foi aquele total silêncio da morena que chamara a atenção de Draco ao longo do tempo. Aos poucos, ele começou a flagrar Agatha olhando-o várias vezes. Mas, ao contrário de uma menina tímida, ela sustentava o olhar arrogante do pequeno Malfoy e no final, era sempre ele que desviava os olhos primeiro. Lembrava-se bem da primeira vez que ela falara com ele. Talvez fosse também o primeiro aluno a trocar mais que duas palavras com ela. Estava ele e mais uma rodinha de sonserinos jogando conversa fora na Sonserina quando a morena apareceu pela parede falsa. Na época, ela já era chamada de bonequinha de porcelana. Draco já observara que a garota costumava examinar todos que estavam no salão antes de subir para o seu quarto. Mas, naquele dia, foi diferente. Agatha entrou decidida e se encaminhou diretamente para o grupinho em que ele estava. Empurrou quem estava no caminho e aproximou o rosto do dele, dizendo decidida:

- Escute, Malfoy, porque eu só vou falar uma vez. Encontre-me no salão após o jantar e não falte.

E então saiu andando. Draco sorriu ao se lembrar daquilo. Agatha já era atrevida desde pequena. Ele se lembrava de ter ido ao encontro curioso pra saber o que a menina queria. Sorriu novamente ao se lembrar de que Agatha apenas lhe estendera um pedaço de pergaminho e saíra andando novamente. No pergaminho havia o primeiro enigma. Draco não se lembrava de qual era, mas sabia que a resposta era coruja. Depois daquele enigma, vieram outros. Draco os encontrava entre livros, em sua cama e recebia alguns via coruja. Lembrava-se também que respondia quase todos e quando dava uma resposta errada, Agatha passava semanas sem entregar-lhe outro enigma. E isso se passou pelo primeiro e segundo anos inteiros do loiro.

Somente no terceiro ano é que os dois começaram a conversar de verdade. Também fora iniciativa de Agatha. Ela passara a lhe dar sustos nas masmorras ou então, como naquela noite, invadia seu dormitório quando sabia que ele estava sozinho. Era quase como uma sombra. Antes que Draco percebesse, ela já estava lá e logo depois sumia novamente. E foi desse jeito que a relação deles começar a se firmar. Aos poucos, um se abria com o outro. Conversavam, ás vezes, até altas horas da madrugada. Outras, Agatha o arrancava da cama e o obrigava a dar uma volta com ela pelo jardim no meio da noite. Mas, até ali, eles não tinham nada. Eram confidentes e só. Mas, claro, o loiro começara a crescer e chamar atenção das garotas e Agatha, dos garotos. Ela também tinha se tornado mais simpática e já conversava com as pessoas, apesar de selecioná-las muito bem. E, no quarto ano, foi que aquela estranha relação realmente começou. Draco se lembrava muito bem que já tinha tido alguns casos com garotas e a se vangloriar por causa disso. Foi aí que Agatha entrou no jogo. Ou melhor, saiu. Ela se afastou completamente do loiro e passou a ignorá-lo sempre que ele se aproximava. E, quando ele simplesmente já tinha se enchido dela, a morena o encurralou em um corredor escuro e deserto. Era quase junho.

- Oi, Malfoy.-disse a morena, seus olhos azuis brilhando no escuro.
- Agatha? Puxa, você me assustou.-reclamou o loiro, cruzando os braços.
- Acho que você nunca vai perceber quando estou por perto, mas...Tudo bem.-disse ela, devagar, dando de ombros.
- O que você quer? Não quero papo com você!-disse o loiro, ríspido, desviando dela.
- É mesmo, e quem disse que eu me importo?-perguntou Agatha, entrando na frente do loiro novamente.
- Agatha, é sério, o que você quer?-perguntou Draco, cansado daquele joguinho idiota.
- Quero que você me beije.-disse a morena, simplesmente.
- O quê?-perguntou Draco, espantado com aquilo.-Você é doida?
- Tudo bem. Então eu beijo.-respondeu Agatha ignorando a pergunta.

Um minuto e ela estava falando, no outro, já estava com os lábios colados nos do loiro. Draco riu ao se lembrar de como se assustou com aquela atitude. “É, mas dois minutos depois e você já tinha soltado o cabelo dela e a prensado contra a parede” disse uma voz no fundo de sua cabeça, fazendo-o sorrir. Considerara aquele beijo o melhor de sua vida até ter beijado Hermione e mudado de idéia. Foi ali, de certa forma, que tudo tinha começado. Pouco tempo depois e aqueles amassos no escuro já haviam se tornado freqüentes. No quinto ano, a coisa começou a ficar mais quente. Eles se encontravam a qualquer hora, em qualquer lugar, sem se importar se poderiam ser pegos ou não. Agatha já não tinha os cabelos longos como antes e agora os usava soltos. Mas, de provocação, ela sempre os prendia para Draco ter o prazer de soltá-los. Não era amor que Draco sentia, mas uma atração forte. Aquela garota simplesmente aprendera como enfeitiçá-lo com seus enigmas e segredos. Enigmas que ela recitava sempre que interrompia uma longa sessão de beijos para ir embora, deixando-o totalmente frustrado. Realmente, Agatha não deixava Draco ser um Malfoy de jeito nenhum, apesar de algumas vezes se deixar agarrar por ele. Tudo estava indo muito bem quando o loiro resolvera se divertir um pouquinho com uma corvinal, furando um encontro que tinha com a morena. Dois dias depois, e Agatha terminou aquela qualquer coisa que os dois tinham. Foi a partir daquele momento que ela passara a se autodenominar de alguma coisa. Ficara vários dias brigada com ele. Então, estranha como sempre, voltou a tratá-lo como se nada tivesse acontecido entre os dois. Acabaram voltando a se tornar confidentes novamente. E era assim que estavam até hoje.

Draco suspirou, um pouco decepcionado com as últimas lembranças. Algumas vezes, tudo o que o loiro desejava era encurralar a morena em algum corredor e fazer dela o que bem entendesse. Chegara a tentar aquilo algumas vezes, mas nunca conseguira. Mas aquele não era o momento certo pra ser nostálgico com relação á Agatha. Era momento de pensar em Hermione. E, novamente, seu pensamento se voltou para sua tentação sonserina. Tinha acabado de entender o que Agatha queria com ele. Como perfeita sonserina, Agatha tinha o defeito de só se interessar por coisas que pudesse tirar proveito no final. E era isso que ela tinha ido fazer mais uma vez. Draco sabia, apenas pelo comportamento da morena, que ela gostava dele. A falta de amor que Draco tinha por ela era recompensada por ela mesma. Mas Agatha não era o tipo de garota que corria trás de garoto nenhum se este não tivesse algo para oferecer-lhe. Claro que Draco não fazia a mínima idéia do porquê de ter sido escolhido pela garota logo em seu primeiro ano. Por que ela tinha começado com aquele jogo? Pergunta sem resposta. E mesmo que ele perguntasse, a morena se recusaria a responder ou simplesmente sairia andando como se não o tivesse visto ali. Era do feitio dela fazer essas coisas. E era isso o que ela tinha ido fazer no seu quarto aquela noite. Tinha ido saber porque o loiro andava tão distante e principalmente, se ele gostava da tal nova namorada. Não teria perguntado aquilo pra ele se não estivesse realmente interessada em saber. E se Agatha, tão segura de si, tinha feito aquilo era porque o loiro estava realmente mostrando pra todos que gostava da grifinória sabe-tudo. E como gostava...

O loiro fechou os olhos cinzentos, voltando a reviver cada momento em que passara com Hermione. Lembrou-se do que dissera pra ela e como ela estaria se sentindo naquele momento. Como ela o trataria na manhã seguinte? Não gostava da idéia de ser ignorado por Hermione, e isso não tinha nada a ver com seu orgulho sonserino. Tinha algo a ver com aquele sentimento que sentia por Hermione. A ver com aquela ligação tão forte que ele tinha com ela. A ver com o grande medo de perdê-la...Aos poucos, Draco foi criando uma fantasia em sua cabeça. De olhos fechados, ele imaginou ouvir a porta do dormitório se abrir lentamente e se fechar logo depois. Imaginou ouvir passos lentos e quase silenciosos até a sua cama. Sentiu um corpo subir devagar na cama e se deitar sobre o dele. Um corpo que emanava um cheiro doce e quente de canela e almíscar. Levantou uma de suas mãos devagar, tocando o vazio onde sabia estar os seus cabelos rebeldes. Sentiu lentamente, lábios quentes se encostarem aos seus e aprofundarem um beijo carinhoso. Imaginou, imaginou e logo já estava sonhando com ela, Hermione Granger.

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