Londres, três meses depois.
A cama era grande demais para uma mulher sozinha. Mas era macia e a roupa de cama era fresca. Gina se esticou como uma gatinha alimentada com creme. Ela dormira com uma camisola de algodão macio. Uma fileira de fita de seda decorava o decote. Nunca antes ela sentira seda contra a pele. Um fogo queimava na lareira, lançando um brilho quente ao redor do amplo quarto de dormir. Ela se sentia segura e satisfeita pela primeira vez na vida.
No quarto próximo ao dela, seu filho choramingava suavemente. Gina quase se levantou instintivamente para caminhar ao quarto ao lado, mas então se lembrou que a ama-de-leite cuidaria das necessidades de James. O leite de Gina havia secado com pouco mais de um mês de vida de seu filho, ajudando-a na corajosa decisão que havia tomado tão logo chegara a Londres.
Num piscar de olhos, ela deixou de uma bruxa pobre sem sobrenome para ser uma grande dama. Gina deitou de costas nos lençóis e novamente suspirou de satisfação. Seu filho estava quieto agora, sem dúvida mamando nos grandes peitos de Martha. Hawkins, o mordomo da casa, havia encontrado a mulher para Gina. Agora ela não tinha com o que se preocupar... Pelo menos até os proprietários da residência voltarem para Londres.
Mas Gina não queria pensar sobre isso. Esses três meses tinham sido o céu na terra. Ela tinha um bom teto sobre a cabeça, comida no estômago, e roupas para usar que eram as mais magníficas que ela já possuíra. Hawkins lhe assegurara que Lady Potter não se importaria se Gina emprestasse qualquer coisa de que necessitasse enquanto a mulher estivesse ausente. Gina se perguntava se a mulher estava perambulando pela propriedade de campo, Wulfglen – onde, Gina soube, o lorde e a lady haviam viajado em lua de mel – nua.
Certamente nenhuma mulher precisaria de tanta roupa quanto Gina havia encontrado abandonada no guarda-roupa da mulher. Colocando-se esses confortos de lado, Gina estava mais agradecida pelo fato de seu filho estar seguro dos perigos e não estar passando fome nas ruas.
Lorde Malfoy nunca pensaria em procurá-la aqui. Ela supunha que já havia fofoca sobre ela correndo em Londres, pois os criados são conhecidos por falar, mas Gina já estava acostumada a ser objeto de fofocas. Não, ela não abandonaria esse local um momento antes de ser obrigada, e ela não queria pensar sobre o que aconteceria quando os seus chamados parentes retornassem e soubessem da morte de Harry Potter e sobre a mulher e filho do falecido.
Gina Potter. Pela primeira vez ela tinha um sobrenome, mesmo que ela o houvesse roubado, ao invés de ser dela de direito. Mas ela não se sentiria culpada com o que fizera. O que mais poderia ter feito? Harry admitira que planejava matá-la – tinha prometido que cuidaria de James. E estava cuidando, por assim dizer.
Tranqüilizada pelo barulho do fogo e pelo sentimento de que pelo menos uma vez tudo estava certo em seu mundo, Gina se aprofundou debaixo das cobertas e voltou a dormir.
movimento do colchão há despertou pouco tempo depois. Ela não teve tempo de acordar completamente antes de um corpo quente se pressionar contra ela. Gina ficou tensa no mesmo instante que o corpo ao lado dela. Era o corpo de um homem. Um homem atrevidamente nu. Ela gritou bem alto.
- Que diabos está acontecendo?
A porta se abriu abruptamente. Gina escorregou para fora da cama. O fogo noturno tinha se apagado e ela tinha dificuldade em ver as feições do lunático que invadira a casa, invadira sua cama.
- Mova-se e será um homem morto!
- Hawkins.
Ela soltou um suspiro de alivio e correu para o lado do criado. Ele segurava uma pistola.
- Vagarosamente saia da cama e chegue perto da luz onde possa vê-lo. – Hawkins instruiu.
Ouviu-se o som de lençol sendo afastado; então, como fora ordenado, o homem se levantou, uma sombra escura no sombrio quarto de dormir. Bem devagar, o homem se dirigiu a luz do pequeno fogo que queimava na lareira. Seu rosto ainda estava escondido nas sombras, mas a luz do fogo brilhava em sua pele nua e dourada, e Gina não podia evitar olhar. Bom Deus, quem quer que seja ele, tem um lindo corpo.
Uma memória foi despertada nas profundezas de sua mente. Não teria ela visto antes esse homem nu? A resposta chegou há ela segundos antes dele se aproximar do fogo e a fraca luz conseguir iluminar suas belas feições.
- Lorde Harry – Hawkins disse em sua voz sem emoção. – Pensamos que estava morto.
Gina nunca havia desmaiado na vida, mas agora estava seriamente perto disso. Seus joelhos quase cederam. Ali na frente dela, parado em todo seu esplendor nu, estava o homem que ela havia deixado para morrer. O homem cujo nome ela roubara. O homem que queria matá-la. O homem que era mais do que um homem... O homem que havia se transformado em lobo bem diante de seus olhos.
- Nós, Hawkins?
O criado indicou Gina.
– Sua adorável jovem esposa e eu.
- Minha esposa?
O mundo seguro de Gina começou a desmoronar ao redor dela. Mas se ela era uma bruxa e uma paria, ela havia aprendido a defender-se por si mesma nesse mundo. Ela fez a única coisa que conseguiu pensar dadas as circunstâncias. Com um dissimulado grito de alegria, ela correu para o lado de Harry e jogou os braços ao redor dele.
- Você está vivo! – ela exclamou a favor de Hawkins – Não consigo acreditar nisso!
A luz do fogo dançou nos olhos de Harry quando ele olhou para ela.
– Nem eu consigo acreditar que, depois de passar três meses procurando por você, eu finalmente desistiria e voltaria para casa apenas para encontrá-la esperando por mim em minha cama.
A pele nua dele a queimava através do fino tecido de sua camisola. Ele era terrivelmente ameaçador, mesmo se a pessoa não soubesse o que ele realmente era. Gina tentou se afastar dele, mas ele passou o braço ao redor de sua cintura e a manteve pressionada contra ele.
- Você parece bem melhor do que da última vez que a vi – ele disse, a secura de seu tom irritando os nervos já abalados dela.
Os olhos dela procuraram o ombro dele, onde na luz do fogo ela viu a pele enrugada onde ele havia recebido o tiro. Ela imaginou se ele ainda tinha o buraco da facada que ela havia dado nele.
- Assim como você – ela completou. – De fato, você está completamente diferente de quando o vi pela última vez.
Os olhos dele se encontraram e se confrontaram.
Hawkins limpou a garganta.
– Vou deixá-los com seu reencontro. – ele anunciou. – Estou feliz de que o senhor esteja, de fato, vivo Lorde Harry.
Se o homem estava feliz, nada em sua voz ou em sua expressão afável o denunciou. Gina viu Hawkins demonstrar sinal de vida apenas na presença de seu filho. Fora isso, ele era terrivelmente ridículo com relação a todas as coisas. A porta foi fechada e ela não teve escolha a não ser enfrentar o que nunca esperara encarar. Seu marido.
- Precisamos conversar – disse Harry
- Você não pode me matar – ela afirmou, olhando desafiadoramente para ele. – Londres inteira acredita que sou sua esposa.
Ele revirou os olhos.
– Eles não esperam nada mais do que eu a mate. Os Potter’s não se casam. Nenhuma mulher em seu juízo perfeito aceitaria um de nós.
- Seu irmão Rony se casou – ela apontou. – Ele e a esposa, Hermione, estão aproveitando a lua de mel na propriedade de campo. Hawkins me contou.
Ele franziu a testa.
– Sim, ele está casado, e se ainda não entregou seu coração a Hermione, logo o fará. Então a maldição cairá sobre ele. Tinha esperança de acabar com ela antes de arruinar a vida dele, mas agora pode ser tarde demais.
- Por que seu coração?
Ela estava curiosa, mesmo que debaixo da camisola suas pernas estivessem tremendo. Melhor manter Harry falando do que estimular qualquer ação que pudesse resultar em sua morte.
- A maldição – ele a relembrou. – Para um Potter entregar seu coração, ele deve sacrificar sua humanidade. O nome de família. Potter. Ele se torna a fera que nos assombra.
O que significava que, se Harry Potter já estava amaldiçoado, ele havia entregado seu coração a uma mulher. Ela sabia que ele não tinha esposa. Onde estava a mulher que ele amava? Quem era ela? E por que Gina sentiu uma súbita pontada de ciúmes ao saber disso?
- Não creio que haja algo de fora do comum na propriedade de campo. – ela contou para ele. – Hermione mandou uma carta para Hawkins informando-o de que a única razão de não terem retornado é porque Brian parece estar desaparecido, e eles suspeitam que se ele reaparecer, lá será o primeiro lugar para onde irá.
- Então talvez ainda exista uma chance para salvar Rony. – Harry considerou, e seu olhar a percorreu. – Você certamente conseguiu se instalar em minha vida em pouco tempo.
Ela havia dito muita coisa a ele – o relembrou de que ele havia planejado matá-la e possivelmente ainda planejava. Gina não o havia ajudado a desenvolver qualquer outra opinião sobre ela a não ser a má. É claro, sua opinião sobre ele não era melhor. Exceto considerando-se sua aparência exterior, pelo menos.
Ela não conseguia manter os olhos no rosto dele. Ele ainda a segurava perto, e ela estava desconfortavelmente ciente da nudez dele.
– Você poderia se vestir? – ela perguntou. – Posso não ser uma dama bem nascida, mas sua vulgaridade me ofende da mesma forma.
- É mesmo? – ele ondulou uma sobrancelha mais escura do que seu cabelo cor de mel. – Se você se sente ofendida, sugiro que pare de olhar a cada chance que tem.
O calor explodiu no rosto dela. Ela lutou para se libertar dos braços dele.
– Não estou olhando – assegurou a ele. – E nada me irrita mais do que olhar para você. Tinha certeza de que os aldeões tinham matado você.
- Sinto desapontá-la – ele disse. – Um animal se sai melhor naquelas circunstâncias do que um homem, ou assim parece, já que como pode ver, estou bem vivo.
Não havia nada que desapontasse em Harry Potter... Bem, pelo menos não em sua aparência externa. Gina nunca havia visto um homem mais abençoado... E em todo o lugar. Para que não se sentisse tentada a baixar os olhos e dar mais uma espiada, ela voltou às costas para ele.
- Não tive escolha a não ser fazer isso que fiz. Não tinha para onde ir, nada. Meu bebê, eu tinha que pensar nele e na promessa que me fez em relação a ele. No começo, simplesmente esperei que seus irmãos pudessem me pagar por trazer informações sobre sua morte... Mas, bem, nenhum deles estava aqui, apenas os criados.
- Então você mentiu para Hawkins. Você invadiu a casa de minha família como uma ladra, e tudo isso depois que me deixou para morrer.
Ele fazia com que soasse tão pior do que ela havia racionalizado quando tomara sua decisão.
– Você disse que pretendia me matar – ela o relembrou.
- Sim. – ele concordou calmamente. – E ainda devo.
Ela se virou para encará-lo. Ele havia vestido as calças enquanto ela estava de costas. As sombras do quarto agora escondiam suas feições dela.
- Mas antes de fazer qualquer coisa, pretendo ficar bom e embriagado. – Ele andou até uma mesa de canto onde ela tinha visto uma garrafa e copos. – Sugiro que você aproveite esse tempo para fugir. Talvez eu nunca a encontre.
Fugir? Para onde? E o filho dela? Ela não podia mais alimentá-lo, embora ela pensasse que ele já tivesse idade suficiente para comer mingau. Assim mesmo, que tipo de vida poderia dar a ele?
- E o meu filho? – ela perguntou a Harry.
Suas costas largas estavam voltadas para ela enquanto servia uma bebida para si. Os músculos ondularam quando ele deu de ombros.
– Eu lhe fiz uma promessa; eu a manterei. Deixe-o aqui. Ele será muito bem cuidado.
O coração dela parecia que ia se partir no meio. Parte dela sabia que nunca suportaria abandonar James; a outra parte, a parte racional, dizia que ele estaria melhor sem ela. Gina subitamente desejou que Harry estivesse morto. Sua vida seria bem menos complicada sem ele.
Talvez ele pudesse sofrer um acidente ainda nessa noite. Talvez entorpecido pela bebida ele pudesse cair da escada na escuridão e quebrasse o pescoço.
- Você planeja compartilhar minha cama essa noite?
A pergunta dele a assustou. Ela o olhou para o outro lado do quarto. Ele agora estava recostado com seus quadris apoiado contra a mesa, bebericando seu drink e olhando para ela de modo estranho.
- Dificilmente o farei. – ela respondeu friamente.
- Seria estranho. – ele concordou. – Nós dois planejando matar um ao outro e tudo o mais. Ao mesmo tempo, poderia ser excitante. O perigo. A incerteza. Não saber se o outro quer acariciar ou estrangular. Beijar ou matar.
Ele teria lido seus pensamentos? Teria ele poderes maiores do que o dom de mudar de forma?
- Devo dormir no quarto ao lado com meu filho. – ela disse, e se dirigiu para a porta. Harry se moveu tão rapidamente que atravessou o quatro num instante, barrando sua fuga.
- Se você fosse esperta, você não dormiria essa noite. – ele disse. – Você fugiria enquanto pode. - Seus estranhos olhos se suavizaram sobre ela por um momento. – Se fizer diferença, eu não aprecio o pensamento de matar você. Somente o faço para minha própria proteção, e por meus irmãos e o futuro deles.
- E se você estiver errado? – ela perguntou. – E se me matar não mudar nada para você?
Ele franziu a testa e bebeu.
– Aí é que está a dificuldade. Só saberei depois de fazê-lo. - Subitamente ele se afastou dela e voltou para a mesa para se servir de outra bebida. – Sugiro que parta a toda velocidade. Adeus... Eu nem mesmo sei o seu nome.
- Gina. – ela o informou.
- Gina. – ele repetiu, e ela gostou do som na voz dele. – Adeus, Gina. Espero que nossos caminhos não se cruzem novamente. Será o melhor para a manutenção de sua saúde se isso acontecer.
- Ou talvez da sua, também. – ela se sentiu inclinada a acrescentar. Ele não estava lidando com uma dama, e Gina, embora gostasse muito do papel, se recusava a mostrar qualquer fraqueza, qualquer medo. Foi como conseguir sobreviver nos últimos vinte anos. Sua mãe, agora falecida, uma vez lhe disse que ela era uma velha com apenas dez anos.
Harry levantou o copo para ela.
– Fomos ambos advertidos. Nunca mais darei minhas costas a você novamente. Embora o gosto de seus doces lábios seja quase digno disso.
Ela o odiou por relembrá-la do beijo que um dia trocaram. Ela se odiava mais porque durante os meses que se seguiram ao primeiro encontro dramático deles ela frequentemente pensava sobre aquele beijo. Seu rosto estava queimando novamente, e não querendo que ele visse o efeito que causava nela, ela abriu a porta e se apressou pelo corredor.
A ama de leite, Martha, tinha adormecido numa poltrona perto do fogo. Gina se aproximou bem quietinha do grande berço que Hawkins tinha tirado do sótão. Ela olhou para o filho. Seu pequeno rosto era rechonchudo e rosado. Ele fez um movimento de sucção com sua boca enquanto dormia. Às vezes, ela ainda não acreditava que ele era dela. Tal presente vindo de algo tão horrível... Horrível de pensar, pelo menos, pois Gina não se lembrava de nada do ataque à sua pessoa.
Ela tinha ido à mansão de campo de Lorde Malfoy para ajudar a esposa dele no nascimento do terceiro filho. A condessa tinha tido um longo trabalho de parto, e preocupado que a esposa pudesse vir a morrer antes de lhe dar outro herdeiro, o conde mandou buscar Gina. Ele quase esperara demais, mas Gina preparou para a mulher uma bebida fortificante, e a criança, uma filha, nasceu tarde da noite.
Lady Malfoy estava exausta, e muito preocupada, Gina pediu a permissão do conde para lhe dar uma bebida para dormir, uma que permitisse que a dama dormisse mesmo se colocassem a criança em seu peito para mamar. Lorde Malfoy concordou, e Gina pegou a poção em suas coisas. Depois de dar a beberagem para a mulher, Gina voltou e recolocou o frasco no lugar. Lorde Malfoy a estava observando, mas ele sempre a observava.
Ela devia ter suspeitado de que ele estava aprontando alguma coisa, pois quando finalmente saiu do quarto da esposa dele o encontrou lhe servindo uma xícara de chá quente. Agradecida ela bebeu o chá, preparando-se para o longo caminho de volta para a vila. Mas quando acordou pela manhã, ela não se lembrava da longa caminhada até sua cabana.
Gina não se lembrava de nada a não ser de ter bebido o chá, o tempo todo o conde ficou olhando para ela, sorrindo como se soubesse de algo engraçado que ela não soubesse. A primeira coisa que notou quando acordou em sua cabana era a dor nos seios e, quando se moveu, lá embaixo... A dor lá. Nesse instante ela suspeitou que fizeram algo com ela e suspeitou também quem o tinha feito. Havia vestígio de sangue em suas coxas.
Depois de dois meses sem menstruação, Gina soube que estava grávida. O conde a drogara, a desvirginara, e então seguira com sua vida como se não tivesse feito nada repreensível. Ela o confrontou. Sem medo, Gina não permitiria que ele cometesse um crime contra ela e fingisse ignorância sobre o que havia feito.
A princípio, Lorde Malfoy negou haver tocado nela. Mas como todo homem que gosta de cometer crimes, no final ele tinha que se gabar para ela. Ele tinha de contar o que havia feito com ela enquanto ela jazia inconsciente. Então o asqueroso tentou fazê-la sentir como se fosse tudo culpa dela. Se ela não o tivesse tentado, se ela não o tivesse provocado, ele não teria sentido a necessidade de possuí-la, por qualquer meio que fosse. Gina contou a ele sobre a criança em uma onda de raiva, não que ele não pudesse já ter notado.
Seu temperamento era algo contra o qual ela lutara por toda a vida. O cabelo vermelho, a única coisa que o pai lhe dera. Gina fez ameaças contra o conde. Disse a ele que teria a criança, um menino, e que algum dia seu filho exigiria tudo o que o conde possuía. Tinha sido um erro.
Uma semana depois os homens de Lorde Malfoy foram atrás dela. Gina, que algumas vezes possuía do dom de saber das coisas antes delas acontecerem, já havia juntado uns poucos pertences e se refugiado na floresta. Mais tarde soube que o Conde havia posto sua cabeça a prêmio. Por roubo, ele dissera. Mas Gina sabia que o homem estava começando a se preocupar que sua esposa soubesse de sua infidelidade e sobre o bebê, que um dia poderia ameaçar o trono da Inglaterra se possuísse a marca de seu pai.
James se mexeu e trouxe Gina de volta do passado. Ele parecia tão feliz, tão quente, tão bem, tão seguro. Ela não conseguia suportar o pensamento tirá-la dessa vida, de dormir nas ruas e ter de fazer o necessário para que ele pudesse se alimentar. Lágrimas, aquelas estranhas gotas humanas de alegria e tristeza, raramente eram sua companheira, mas a visitaram agora.
Ela piscou para afastá-las e caminhou até a cama onde Martha geralmente dormia. Embora duvidasse que o sono viesse até ela, Gina se deitou sobre o colchão macio. Ela devia estar fazendo as malas, e o mais rápido possível. Ela devia fugir para a noite, ir a algum lugar onde Harry nunca a encontrasse. Mas novamente ela estava dividida.
Por que ele tinha de ter voltado dos mortos? Ostentando aquelas covinhas inocentes, expondo aquela pele musculosa e dourada, ficando nu na frente dela como se não tivesse que se envergonhar de nada, nenhum misero defeito físico que ele tivesse de esconder dela? Porque não havia nenhum defeito físico, ela respondeu a sua própria pergunta. Mas ele tinha uma fraqueza. A bebida. Seu orgulhoso próprio senso de valor. Sua maldição.
Você planeja compartilhar minha cama essa noite? Provavelmente tinha sido a primeira vez que uma mulher dissera não a ele. E ele tinha de relembrar Gina sobre o beijo que compartilharam quando se conheceram. Ele dissera que seus lábios eram doces. Gina inconscientemente traçou o formato de seus lábios. Aquele ali, ela imaginava, diria qualquer coisa para levar uma mulher para a cama. Essa era uma fraqueza, também. Especificamente aquele grande pedaço de carne que balançava entre as pernas dele.
Se fosse necessário, Gina achava que poderia se oferecer a ele em troca dele não matá-la, permitindo que ela ficasse com a criança. Mas certamente sua maldição significava mais para ele do que ficar com uma mulher desejosa. Teria de haver algo mais entre eles. Teria de haver... Amor.
Ela se sentou abruptamente. Por que isso não ocorreu a ela antes? Bem, simplesmente porque Gina não havia pensado que se encontraria nessa situação com Harry. Era tão simples. Tudo o que tinha de fazer era conseguir que o homem se apaixonasse por ela. Se tornasse seu escravo. Cair profundamente em seu encantamento. Mas teria de se apressar, pois os irmãos dele poderiam voltar logo e acabar com os planos dela.
Gina se levantou e saiu do quarto. Ela parou na porta do quarto onde dormia anteriormente e escutou. Um sorriso curvou seus lábios quando ouviu os roncos bêbados dele. De forma cuidadosa ela abriu a porta e entrou. Ele estava deitado esparramado sobre a cama. Ela parou para estudá-lo. Bom Deus, que perfeição. Que total masculinidade. Uma pena que fosse um alcoólatra e futuro homicida.
Agarrando sua cesta de costura, Gina pegou uma tesoura. Ela foi para a cama e se inclinou sobre ele. Um pequeno corte e ela conseguiu o que queria. Um cacho do lindo cabelo preto dele. Ela começaria o ritual essa noite. Pela manhã, Harry já estaria meio apaixonado por ela.
Sem tempo de comentar. Um ótimo carnaval a vocês, agora só posto depois do feriado pq vo viajar.
Bjus
02-02-2008 |