J
J.K. é a dona, só estou me divertindo. E não estou ganhando dinheiro com isso.
Por favor, não me processe, eu não tenho nada.
Agradeço a todos os bons autores que li. Com certeza muito influenciaram.
E como disse um deles, se você reconhecer algo, não é meu.
Capítulo 34 Volta à Hogwarts.
Tudo que nós precisamos é apenas nós dois...
De 33 - Londres
“Elisabeth voltou o rosto. Chegando perto. Ele controlou para não recuar.
-
Continuaremos em outra... ocasião. – falou insinuante. – Boa noite. – ronronou nele.
Moveu-se para a porta.
Não se dignou a responder. Enquanto ela saía.
Travou a porta. Com feitiços.
Voltou-se para o Barão.
Agradecido.
Mas o Barão estava sério. Encarando-o. Franziu a testa.
-
Algum... problema?
-
Talvez. – levantou a cabeça – Aquela trouxa...
Sua expressão se fechou. Olhando o Barão.
-
Eu não penso... – começou por entre os dentes.
-
Tem razão. – continuou arrogante – Você NÃO PENSA. Esteve perto dela. E não percebeu.
Não estava gostando do rumo da conversa. E do tom da voz.
-
Não percebi o quê Barão? – pediu perigoso.
-
Que ela era uma mulher. Que esteve com você. Que não era uma bruxa. E mesmo assim. Sabia quando você era Chamado. – pairou mais perto – Sentia isso. Dentro de si!
Esperou que ele absorvesse.
Snape estreitou os olhos. Muita coisa passando por sua mente. Num relance.
Até que...
‘Não...
Simplesmente não é possível.’
Mas era.
Sentou-se. Pálido.
Era o suficiente. O Barão estava atravessando a parede.
Quando ouviu o rugido.”
¬¬
Ficou muito tempo lá.
Completamente esquecido da veela.
A cabeça entre as mãos.
Tentando entender.
Aceitar.
Agitado.
Depois de pensar.
Várias e várias vezes.
Lembrando.
Levantou-se. Perplexo.
Ainda tentando pensar.
Abalado.
Enfurecido.
Uma vontade insana de quebrar mais de seus vidros. Mesmo que estivesse cansado de usar “reparo”.
Ele...
Pai?!
Não tinha sido consultado absolutamente sobre o assunto!
‘Aquela...’
Como se atrevera a não lhe contar?! Como tivera a audácia de...
Buscou controle. Respirando.
‘Trouxa do inferno!!’
Ele a mataria. Com suas próprias mãos.
A cadeira foi violentamente jogada ao chão.
Andou.
Tinha havido muitos indícios.
Amaldiçoou-se por não ter percebido antes.
Sem ter certeza... Se na verdade não queria ver, acusou-se irritado.
Ela nunca tinha tido problemas femininos. Nunca tinha...
As mudanças. No humor. Em seu corpo.
Parou.
O “segredo”!!
‘Inferno Sangrento!’
Socou a mesa.
¬¬¬
Tinha voltado ao quarto. Olhando sem ver.
O fogo se apagou.
A manhã veio.
Ele ainda estava lá. Agitado.
Pensando.
Inquieto.
Furioso.
¬
Não devia ter escutado Dumbledore!
Cada vez que ele quisera...
Devia ter ido buscá-la. E a trago de volta. Como ele queria!
Apertou mais os lábios tensos.
Mesmo se o diretor não o ajudasse. Devia ter revirado a cidade para encontrá-la.
Ter usado “seus” meios.
Ter matado Lupin se preciso!
Rosnou.
¬¬¬
Lupin foi jogado de encontro à parede.
-
Onde ela está?!
Três aurores levantaram suas varas. Não se importou.
Lupin fez um gesto. Impedindo-os. Eles não abaixaram suas varinhas. Ainda atentos. Tensos.
-
Tenho certeza que Dumbledore lhe diria... – levantou-se.
-
ONDE. ELA. ESTÁ?! – sibilou num rosnado ameaçador.
Lupin suspirou. Olhando o homem irado à sua frente. Mesmo não gostando. Ele entendia.
Sentiu-se impotente. Percebendo de repente. Que é o modo como Snape devia estar se sentindo.
-
Sinto muito meu velho. – sacudiu a cabeça com pesar.
Ainda avançou para Lupin. Furioso. Possesso.
Os olhos negros fuzilando. Três varas apontadas para ele.
Parou. E então se virou. Repentinamente.
Saindo dali.
¬¬
Sentiu-se um animal.
Enjaulado.
Enfurecido.
Vendo o modo como os trouxas olhavam para ele. Com medo.
Uma raiva insana.
Imensa.
Explodindo.
Impotente.
¬¬
Não falou com Dumbledore.
Não adiantaria.
O velho demente já devia saber.
Todo o tempo!
Evitou um rugido.
Fora um tolo.
O grande mestre!
Quase riu de si mesmo.
Levando outra garrafa aos lábios.
Amargo.
Furioso.
Sem querer ser razoável. Ou aceitar... O que estava acontecendo.
E que Dumbledore provavelmente tinha razão no que fizera. Afastando-a.
Tentando evitar pensar...
Que seus irmãos comensais o torturariam.
E no quê fariam.
Ao filho de uma trouxa.
E à ela...
Se soubessem.
Estremeceu no pensamento de que eles a matariam.
Depois.
E ao bebê.
Fazendo-o assistir. Ou pior...
Fechou os olhos. Fugindo das imagens. E dos gritos.
Vertendo o resto da garrafa por seus lábios.
‘Trouxa maldita.’
Não ia ser razoável.
Não ia... aceitar.
Ela não tinha o direito de colocá-lo nesta situação.
‘Trouxa do inferno!’
A garrafa se espatifou.
¬¬
Não tinha saído do quarto. Olhando as chamas.
Ignorando quando bateram na porta.
Colocando proteções.
¬¬
Domingo.
Não se importaria.
Não mais.
Um ruído escapou de seus lábios.
Controlou a fúria.
Bebeu as últimas gotas. Olhou a garrafa vazia.
Como ele.
Ela não tinha lhe dito.
Talvez não fosse dele.
Não era com ele. Não tinha nada a ver com ele.
Jogou a garrafa no fogo. Vendo-o aumentar.
Pensando amargo, que tinha sido uma decisão ruim.
A poção do sono não faria efeito com todo aquele álcool.
Lembrou do reflexo do fogo em castanhos.
Percebeu em desgosto.
Que tinha se perdido. Nas chamas. E nas lembranças. De novo.
‘Não.’
Deitou a cabeça para trás, fechando os olhos por um instante.
Decidindo.
Finalmente.
Ergueu a cabeça.
Jurando.
Que não deixaria.
Que não daria.
Esse poder sobre ele.
A ninguém.
Nunca mais!
Levantou-se.
¬¬
Ela olhou sem ver.
Sem saber porquê não conseguia parar de pensar.
Sentindo no peito, imensa, a saudade. E a angústia. Como se algo a estivesse rasgando ao meio.
Controlando as lágrimas. Querendo braços fortes à volta dela. Sua segurança. Seu calor.
Ansiando, com sua alma e seu corpo. Por ele. Sem se importar.
Estendeu a mão, pegando o tinteiro. Virado-o nas mãos.
Lembrou da bruxa que ele lhe tinha dado.
Não pôde se impedir.
Soluçou.
¬¬
Ele tinha andado.
Atravessado a porta.
Indo até sua escrivaninha.
Abriu uma gaveta.
E segurou... A bruxa. Movendo-a em sua mão. Olhando-a. Vendo castanhos.
Fechou os olhos. Ia esquecê-la.
Ela não existia mais para ele.
Não importava.
Nunca tinha acontecido.
A bruxa voou.
Espatifando-se com um barulho.
Olhou para os cacos.
Antes de voltar para o quarto.
Batendo a porta.
¬¬¬¬¬
Quarta-feira.
Não tinha falado. Com ninguém.
Tratando Dumbledore. Com frieza.
Respondendo sempre com grunhidos. E rosnados.
Nas poucas vezes em que aparecera.
O velho Snape. De volta.
Inteiro. Até mais Snape.
O humor terrível.
Intratável.
Tirando pontos. Por qualquer coisa. Completamente sonserino.
Mal tolerando. Tudo. E Elisabeth. Apesar de ser a única. Com quem ele falava. Contrariado.
Mesmo que através de resmungos.
-
Severus.
Apertou os lábios. A cabeça erguida. Os olhos vazios. Como sua expressão.
Brilhou no dono da voz. Esperando. Uma sobrancelha erguida. Arrogante. Irônico.
Albus suspirou.
-
Preciso que vá ao meu escritório. – continuou.
Demorou.
-
É claro. – parou – Diretor.
¬¬
Elisabeth sorriu. Tinha percebido. A mudança.
Mesmo Minerva e Pomfrey não se atreveram a tentar enfrentá-lo.
Lembrou do fio de cabelo. Que ela descobrira em sua roupa.
E que tinha guardado.
Nunca se sabe.
E ainda tinha um vidro. De uma certa poção. Em seus aposentos.
Recordou aquela noite.
Apertou os lábios.
A única. Que tinha acontecido. Entre eles.
Mas ela daria um jeito. Azuis brilharam.
Haveria outras.
E ainda tinha um trunfo. Uma informação. Que ela conseguira.
Sorriu. Com prazer. Saberia barganhar. Com lucro.
O sorriso sumiu.
Depois que a trouxa se fosse.
Suspirou.
Tinha adiado demais o envio de uma certa coruja.
Pensou em seu pai.
Algo a incomodou. Não. Ele ficaria bem. Precisavam dela. Ainda tinha tempo.
E sabia o que fazia. Não era mais só por causa dele. Ou de sua segurança. Mas também por ela.
Lembrou do que sentiu no início. Seu interesse era distante maior do que quando Lucius a contatara.
Nunca teria imaginado. O quanto ia... apreciar... sua tarefa.
E o bruxo de cabelos negros que seria o alvo. De sua sedução. O sorriso surgiu de novo.
O quanto ia... Lutou pouco contra a constatação. Se apaixonar. Pelo que fazia. Era isso.
E teria sido fácil. Fazê-lo corresponder. Fácil.
Tinha sentido a fome de sexo. E de algo mais.
Ela conhecia os sinais. Principalmente em seu sangue veela.
Teria sido realmente fácil. Conquistá-lo.
Se tivesse chegado antes daquela... trouxa idiota. Aquela...
Apertou os lábios. Não ia se aborrecer.
Uma idéia vinha ganhando força em sua cabeça há algum tempo. Só precisava tomar cuidado.
E na pior das hipóteses podia sair de toda aquela situação de uma forma... apropriada.
Conveniente. Perfeita.
Se fosse hábil com suas cartas. Se soubesse jogar. E blefar.
Ainda podia sair com seu pai. Com o bruxo de olhos negros.
E com aquele... Dumbledore lhe devendo. Uma verdadeira heroína do mundo bruxo.
Ou...
De uma forma ou de outra. Ganharia.
O sorriso cresceu.
¬¬
Ele entrou.
Dumbledore o observou por sobre os óculos. Deixou o papel que estivera lendo.
Vendo a distância. Percebendo o silêncio. E tudo o que significava.
Suprimiu um suspiro.
-
Haverá uma reunião. Da Ordem. Esta noite. – falou devagar, cansado.
Ele não se moveu. A expressão vazia. Os olhos duros. Que não encaravam diretamente. Tenso.
Dumbledore continuou a observá-lo. Endireitou o corpo.
-
Não quer... falar, Severus?
Dignou-se a fuzilar o diretor com um olhar rápido.
Fingiu ignorar o sentido da pergunta. Ressentido.
-
Eu estarei lá diretor. – disse frio.
Inclinou a cabeça num cumprimento. Saindo. Sem dar uma chance. Para mais perguntas.
Dumbledore suspirou recostando-se.
Olhando a pena em sua mão. Pensando em quando a tempestade ia amainar.
Se amainasse.
¬¬¬¬
Sexta-feira.
Finalmente. Último dia. De aulas.
Havia suspiros. A tensão se dissipando.
Mas ainda havia. Aula de poções. Para alguns.
Que não suspiravam. Nervosos.
¬¬¬¬¬
Havia aquela sensação estranha. Olhou para trás, franzindo a testa.
Não. Era só impressão.
Ela sabia. Dumbledore tinha Diana. Tonks. E havia a moça. Marília.
Que tomavam conta dela. Revezando-se. Ainda que ela tivesse protestado. Muito. Com Lupin.
Que tinha exigido saber. Quando ela sairia. Sempre. E que tinha conseguido sua promessa. De que diria.
Mesmo assim. A sensação persistiu. Resolveu que tomaria cuidado.
Não ia se arriscar. Não com todo aquele peso. Impedindo-a de se mover direito.
O prédio.
Entrou. Olhou para as escadas. Suspirando desanimada. Oito andares. Oito.
Entrou no elevador.
¬¬
-
Muito bem. Agora vamos ver a mamãe.
Viu as olheiras em sua paciente. Franziu a testa.
-
Senhora Snape talvez fosse melhor conversar com o Sr. Snape. – encarou-a – Seus exames mostram que apesar de ter melhorado. Ainda não está tão bem quanto deveria.
Ela lembrou da noite anterior. E do quanto tinha chorado.
-
O Sr. Snape está fora. – foi difícil dizer o nome – Então doutor, terá que se contentar em falar comigo. – levantou a cabeça, orgulhosa, desviando os olhos.
Ele resmungou. Sobre pais ausentes.
Ela suspirou. Fingindo não entender. O peito apertado.
Ele falou outra vez sobre os cuidados que ela deveria tomar.
Que não só a alimentação e o descanso eram importantes. Mas também o lado emocional.
Ela tinha acenado com a cabeça. Concordando.
A consulta acabou. E ela tinha ido ao banheiro. De novo.
¬¬
Desceu. Saindo para o ar abafado.
A sensação voltou.
Franziu a testa. Ansiosa. E então pensou ter visto algo. Que a fez gelar.
Começou a
andando. Cada vez mais rápido. Desesperada.
E tinha corrido. Muito. Percebendo que havia mais deles.
Quando viu um capuz de relance. Ao virar uma esquina.
Capuz. Preto. Num calor daqueles.
Entrou numa loja. De súbito. Suando. Cansada. Apavorada.
-
Algum problema? -
a vendedora parecia preocupada.
Olhou-a.
-
Sim. – aproximou-se, vagarosa, o medo nos olhos – Eu não tenho certeza – respirou –
se tem um ladrão me seguindo. – falou ofegante, a outra lhe deu um olhar chocado – Parecia só um garoto. – tentou acalmá-la, o lábio trêmulo – Mesmo assim. Eu lhe agradeceria se me indicasse um outro jeito de sair daqui. – os olhos implorando.
A vendedora ficou olhando-a. E depois para sua barriga. Suspirou.
A história não convencia. Mas não era da sua conta. E ela estava grávida. Além de apavorada.
Os modos e a roupa mostrando que não era uma qualquer. O olhar cansado.
Não importa o que estivesse acontecendo. Se ela queria ajuda para escapar. Ela teria.
-
Há uma saída pelos fundos.
-
Obrigada. – respondeu agradecida.
E ela foi. Pelo beco. Preocupada. De repente escorregou. Caindo sentada.
-
Ai! – segurou a barriga.
Respirou. Durante algum tempo. Tentando recuperar o controle.
E levantando. O mais rápido que podia. Mas não tanto quanto gostaria.
Vendo que não havia ninguém por perto. Ainda respirando.
Preocupada. Sentindo a dor. Pensando que voltar ao médico estava fora de questão.
Saiu do beco. Atravessando uma rua. E andando. Quase correndo. De volta para casa.
Viu o prédio conhecido. E não teve certeza. Se era Diana. Do outro lado da rua. Vindo para perto.
Suspirou. Aliviada. Por ter chegado.
Sentiu uma pontada. Muito cansada. Entrando.
-
Calma filha. Mamãe já vai chegar.
Mas Anna parecia não ouvir. E houve outra pontada.
Subiu.
¬¬
Ia chamar a Srª Vincent.
-
Tia Alicia vai nos ajudar. – colocou a mão sobre a barriga, tentando respirar.
Voltar ao consultório estava fora de cogitação.
E perto de seu prédio as coisas pareciam ter estado normais.
Mas sentiu a dor de novo. E sua porta estava mais perto. Custou a se arrastar até o apartamento.
Havia um telefone. Podia ligar de lá.
Entrou. Trancando a porta. Andando vagarosa. Até o telefone. E discando.
Mas ninguém atendeu. Ficou com medo. Puxou o telefone. Sentando-se no sofá.
Lembrou. Alicia chegaria mais tarde. Tinha saído com o Sr. Vincent.
Aproveitando que ela ia a sua consulta.
Quase gemeu. Arrependendo-se de insistir tanto para que a Srª Vincent não a acompanhasse.
Outra pontada.
-
Ai!
- inclinou-se – Anna por favor. – pediu chorosa, quase sem respiração.
Pensou se conseguiria chamar... Não. E podia não ser Diana lá embaixo.
Discou de novo. Quando a dor piorou. E ela não conseguia se levantar. Sem obter resposta.
Fechou os olhos. Respirando. Controlando-se. Sentindo-se molhada.
Olhou para baixo.
-
Oh meu Deus! – os dedos sujos.
Havia sangue. Apesar de pouco. Pegou o telefone de novo. Trêmula. Apavorada.
Discou.
Ninguém.
Grunhiu. Quando sentiu a dor outra vez.
Escutou um barulho.
Moveu os olhos pesados para lá. Lutando contra o torpor. Que estava se apoderando dela.
-
Mina. – respirou – Por favor venha aqui.
A coruja voou até ela.
Puxou um papel. E uma caneta. Da mesa do telefone. Escrevendo. Com mãos incertas. Molhadas.
Colocou na perna da coruja. Entre uma pontada e outra. Trêmula.
-
Rápido Mina. Por favor, muito rápido. Ai! – respirou – Urgente. Para Dumbledore. Vá!
Mina fez um barulho. Entendendo a urgência em sua voz. E voou.
Sentiu outra pontada. Lutou para permanecer lúcida. Pensou em ligar para uma ambulância.
Mas tudo começou a escurecer.
Escorregou para o chão.
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
Ele estava especialmente mal. Com os alunos.
Até que bateram na porta.
Franziu a testa. Descontente. Com a interrupção.
-
Cinco pontos, Sr. Blonsson. Por não abrir a porta.
Blonsson o olhou. Estupefato.
Ele levantou a sobrancelha.
-
Mais cinco pontos Sr. Blonsson?
O garoto correu até a porta.
Havia um elfo. Olhando para os lados. Sem jeito.
-
O que quer? – perguntou rude.
-
Diretor Dumbledore mandou Dobby chamar o professor Snape, senhor.
Estreitou os lábios.
-
Diga que irei após a aula. – voltou os olhos para o quadro – E agora...
-
Err.... – o elfo parecia incomodado – Professor Snape? Senhor? – chamou receoso.
Controlou-se. Virou-se de novo.
-
Saia. – rosnou, ignorando o medo do outro.
-
Diretor Dumbledore disse a Dobby para levar professor Snape. – balançou a cabeça – Dobby sente muito, Senhor. Mas Dobby precisa obedecer, Senhor.
Estava furioso. Nunca fora chamado em meio a uma aula. E não sabia de nada com a Ordem ou o Lord.
Ia repetir que iria depois da aula.
-
Diretor Dumbledore pediu a Dobby para dizer ao professor Snape que era importante. E repetir. Muito importante.
Franziu a testa.
Olhou os alunos.
A expressão mudou para desgosto.
-
Façam uma descrição. Vinte centímetros. Sobre as últimas cinco poções feitas. Seus ingredientes. Sua aplicação. E qual o antídoto. Para cada uma.
Ouve um murmúrio. Eles levariam horas!
-
Agora senhor? – um deles se atreveu a perguntar ainda incrédulo.
-
Dez pontos pela pergunta imbecil. – rosnou nele.
Saindo dali. Ventando. Ignorando Dobby. Que correu atrás dele.
¬
Entrou. O diretor estava parado. Em pé. Um coruja fez um pequeno barulho. Perto dele.
-
Eu estava no meio de uma aula. – disse duro.
Encarou negros. Vendo a postura rígida. Não ia ser fácil.
-
Nina precisa voltar. – olhou-o – Precisa de você.
Ele se fechou.
Levantando a cabeça, lentamente.
-
Se é só isso eu vou voltar... – falou por entre os dentes, começando a se virar.
-
Severus isso é sério. – a voz grave o interrompeu.
-
Pro inferno! – explodiu
– Não faz diferença. – virou-se para a porta – Eu não me importo!
Tentando ignorar o que as palavras do diretor poderiam significar. Andando. Dominando a fúria que subia.
E admitindo com raiva. Havia algo mais a ser controlado: Preocupação.
-
Severus!
Ele parou. Diante do tom do diretor. Respirando. As mãos fechadas.
-
Você precisa buscá-la. Em Londres. – havia um aviso em seu tom.
Respirou de novo. As narinas dilatadas. Controlando-se. Voltou-se. A irritação e a fúria dentro dele.
-
Peça ao Lupin. – rosnou devagar, os olhos em fogo –
Ele
sabe onde ela está.
Azuis o encararam por sobre os óculos. Impacientes. Duros.
-
Ela foi a única que realmente se interessou por você
sem esperar nada em troca! – o diretor perdeu a compostura da expressão do bruxo à sua frente – E espera um filho seu!
-
Eu não quero saber! – andou em direção à mesa, possesso – Teria me contado se fosse meu realmente!
-
Severus!
Poucas vezes ouvira o diretor gritar assim. Como um trovão.
Mas ele não iria. Com grito ou sem grito.
Não quis pensar no que tinha ouvido. Ou que podia estar desrespeitando aquele que o tinha ajudado.
A dor de ser traído pelo único homem em quem tinha confiado sem reservas ainda pungente.
Isso era problema dele! De ninguém mais!
Viu Dumbledore respirar. Estava muito sério.
-
Ela precisa de ajuda. – afirmou, a voz estranha nele, dura, pegou algo em sua mesa – Mas aceitarei sua decisão. – o tom grave, diferente, quase decepcionado; Snape se endireitou – Depois que você ler isso. – estendeu o papel para ele.
Ainda hesitou. Antes de levantar a mão. E pegá-lo. Os olhos reconhecendo a caligrafia.
“
Dumbledore,
Comensais. Não me alcançaram. Estou em casa.
Preciso de ajuda.
Nina.
”
Não foi o texto que fez seu coração disparar. Apesar de seu conteúdo. Ou a escrita irregular. Nervosa.
Mas a marca de uma digital. Imprecisa. Escura.
Vermelha.
Que fez o papel tremer em sua mão.
Apoiou-se no encosto da cadeira.
Olhando em azuis.
-
Isto é...
– respirou.
Precisava ouvir.
-
Sangue.
Quase gemeu na palavra. Soltou o ar. Desviou os olhos, absorvendo.
Abalado.
Apertou mais o encosto da cadeira. Sentindo o chão sumir. Mais pálido que o normal.
Percebeu de repente que o diretor ainda falava.
-... todos estes encantos que coloquei. Eu soube antes que a coruja chegasse.
Medo e raiva se misturando.
Por estar assim vulnerável... Com o terror de imaginá-la...
‘Inferno sangrento!’
Albus observou sua reação. Verificando o resultado.
Pegou um objeto. Colocando-o na mesa. À sua frente.
-
Eu tenho uma chave de portal. Que você só poderá usar daqui a uma hora. É o tempo que levará para Arthur conseguir liberá-la enquanto protegemos o lugar. E o tempo que você tem para encontrá-la. – olhou-o – E trazê-la de volta. Eu avisarei Pomfrey.
Uma hora...
Tempo demais.
Demais!
Virou-se para ele. Fúria que sobe.
-
VOCÊ DISSE que a colocaria sob SUA PROTEÇÃO!! – acusou alucinado, a cadeira que treme sob seu aperto.
-
E eu coloquei. – Dumbledore respondeu com calma, mas parecia cansado – Apesar dos protestos veementes dela. Tonks e Lupin estavam atrás dos comensais que a perseguiram. Protegeram-na. Dione tentou alcançá-la. Mas ela já tinha chegado em casa. Viu-a entrar. Parecia bem. Então ficou vigiando o prédio. Com certeza não sabe que há
problemas. – ele realmente parecia cansado.
Snape respirou. Buscando controle. Lutando. Com raiva. Contra o que estava sentindo. E a preocupação.
Pensando que tinha que agir. JÁ!
Uma grande vontade. De pular no pescoço de seu diretor.
-
Este é o endereço.
– estendeu o pergaminho para ele, procurando pretos.
Leu. Sabia onde ficava. Guardou-o. Dominando-se, a custo. Pegou o objeto
sobre a mesa. Urgente.
-
E Severus. – ele não se dignou a olhar o diretor, guardando-o num bolso, agindo, concentrado – Não use magia perto de trouxas. – enquanto retirava a veste de qualquer jeito e a jogava
Movendo-se para a lareira. Sem uma palavra. Com pressa. Agarrando um punhado de flú ao entrar.
Falando. Sumindo numa chama verde.
Dumbledore suspirou fechando os olhos.
Sentou-se.
¬¬
Ele saiu da lareira no Caldeirão furado. O rosto sem expressão. Pálido.
Andando rápido. Sem ver. Controlando-se para não correr.
Só querendo chegar.
O coração disparado.
Entrou num beco.
-
Que vão todos para o inferno!!
Aparatou.
¬¬
Desaparatou.
Aparecendo do nada.
Assustando dois meninos em suas bicicletas. Que quase caíram. Tentando desviar dele.
E olharam para trás. Sem entender. Espantados.
Voltou a andar. Célere. Preocupado. Ansioso. Procurou o número. Conferindo a rua. Atravessando-a.
Viu Dione. Ignorou o rosto surpreso. Ao abrir a porta com magia. Tentando ser discreto.
E entrando rápido. Atravessando o corredor. Vendo o casal que estava subindo as escadas. Quase no fim.
-
Você queria falar com alguém? –
a mulher perguntou desconfiada.
Tentando disfarçar que estava alarmada. Tinha certeza de ter fechado a porta. Mas ele estava dentro.
Ele ignorou-os.
Subindo as escadas. De dois em dois.
-
Se não responder serei obrigada a chamar a polícia! –
ameaçou, enquanto o marido apertava seu braço.
Controlou-se para não estuporá-los. Eles deviam saber onde ela estava. Tentou não pensar em Imperius.
-
Nina. – rugiu neles, pisando no corredor, procurando a porta.
-
Ah! – a mulher o examinou, tentando não se intimidar
– Deve ser o Sr. Snape.
Olhou-a num relance. Ainda concentrado em encontrar a maldita porta.
-
Você demorou demais, professor. Como marido devia tomar conta melhor de sua esposa. – ela parecia zangada com ele, vendo como ele se deslocava naquelas roupas estranhas – Você a deixou sozinha por quase dois meses! Esperando um filho seu!
Ele se dignou a olhá-los por um momento.
-
Alicia. – o marido fez um gesto para impedi-la, mas olhos lhe diziam que concordava com a esposa – Deve perdoá-la. Está preocupada com Nina.
Ele se dominou. Duro. As mãos apertadas. Seria mais rápido se eles...
-
Ela está com problemas. – quase rosnou.
E eles o estavam fazendo perder tempo. O que ele não tinha!
Alicia se assustou.
-
Ela ligou para você? Oh, meu Deus, – virou-se para o marido, agarrando seu braço – eu sabia que não devíamos ter deixado que fosse ao médico sozinha! – parecia apavorada ao voltar-se, vendo a impaciência nos olhos escuros – É aquela no fim do corredor – apontou – Eu vou buscar a chave! – foi andando na direção contrária
– Querido venha comigo e chame uma ambulância. Vamos! Rápido!
Sumiu no corredor. Seguida pelo marido.
Ele não esperou. Tinha se movido assim que ela falou.
Indo até lá. Estendendo a vara.
A porta se abriu.
Entrou. Com passadas largas.
Ela estava caída. Seu coração disparou.
Ajoelhou-se. Checando a respiração. E o coração.
Examinou-a. Sem se preocupar se a mulher tinha voltado. Fazendo um feitiço com a vara.
Que lhe mostrou que o problema era só no ventre. Que ele via pela primeira vez. Enorme.
Com seu filho.
Controlou-se.
Não podia arriscar. Tentando algum feitiço.
Olhou-a. Vendo o sangue. Que tinha molhado o vestido. As pernas. E o chão.
Não quis pensar. Que ela não o perdoaria. Se usasse magia. Prejudicando o bebê.
Mas pensou de novo em fazê-lo. Ao voltar o rosto. Para a face branca.
Sem conseguir desviar os olhos. Depois de tanto tempo.
Tirou o cabelo do rosto dela. Vendo com irritação sua mão tremer.
E o modo como estava pálida. Sabendo que ainda teriam que esperar.
Dez malditos minutos!
-
Você conseguiu abrir! – a mulher aproximou-se, consternada, a chave na mão – Como ela está?
Trincou os dentes.
-
Perdendo sangue. – quase rugiu, percebendo os lábios sem cor, as olheiras.
A mulher fez um gesto de desalento. Abaixando-se perto dela. Acariciando seu rosto.
-
Que Deus te proteja Nina. – havia lágrimas nos olhos dela quando voltou-se para ele por um instante – Eu já vi isso antes. Não vai acontecer nada com ela ou seu bebê. – limpou a lágrima – Eles vão ficar bem. – não sabia para quem estava falando isso, para ela ou ele, o rosto preocupado, triste.
-
Eu já avisei a ambulância. – o homem chegou – Como ela está?
Snape apertou os lábios.
-
É claro que não está bem! – a mulher disse nervosa; olhou para o homem ajoelhado, pareceu pensar – Vamos para baixo esperar a ambulância. – falou para o marido, levantando-se – Será mais rápido se nós os ajudarmos.
Ele hesitou. Sem entender. Ela fez um gesto discreto mostrando-os no chão. Ele acenou concordando.
Ela limpou o rosto. Indo para a porta. Voltou-se.
-
Você devia tratá-la melhor. – disse numa voz triste – Ela é uma boa pessoa. E o ama muito. E você não devia fazê-la chorar tanto. – falou para ele, muito séria, antes de sair.
Ele se voltou para a mulher deitada no chão.
O coração rápido.
Abaixou a cabeça. Beijando sua testa. Antes de encostar a sua na dela. Os olhos fechados.
Abriu-os. Uma emoção desconhecida passando por ele.
Vendo o quanto ela estava indefesa.
Observando o ventre. Olhando-o.
Sabendo que precisava verificar.
Levando a mão. Lentamente. E tocando-o.
Retirando-a rápido, numa respiração. Quando sentiu algo se mover. Virou-se para o rosto lívido.
Antes de pegar a chave de portal. Percebendo que ainda faltavam três minutos.
Que nunca lhe pareceram tão longos. Enquanto ele a segurava. Apertando-a. De encontro ao peito.
Preocupado em não movê-la demais. Mas não conseguindo se impedir... De querê-la perto.
Lutando contra a vontade de matar. Sem ter certeza se queria fazer isso a ela.
Ou aos que lhe tinham causado isso.
Respirou.
Havia um pequeno movimento. Ficou atento.
Ela resmungou. Em sofrimento. Movendo a cabeça.
-
Ai! – encolheu o corpo.
Percebendo que não estava sozinha. O rosto encostado em algo quente.
Abriu os olhos. Olhando em pretos. Irados. E muito preocupados.
-
Severus... – sussurrou.
O olhar e o rosto se iluminando, apesar da dor. Até que pareceu se lembrar. E mudou.
-
Severus. – quase um lamento agora, enquanto fechava os olhos, o rosto em seu peito.
Pareceu sentir dor de novo. Respirou. Fraca.
- Ai! – gritou.
Ele a observou. Apertando os dentes. Preocupado.
Vendo a respiração rápida.
Enquanto ela gemia. Segurando outro grito.
Verificou a hora.
-
Portus!
Não conseguiu olhar em castanhos. Diante do que estava para fazer.
Murmurou algo. Meneando a vara. E ela dormiu.
Abraçou-a.
Da melhor forma possível. O corpo morno de encontro ao seu.
Quase fazendo-o tremer.
Segurou a chave.
E sumiram.
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N/A: Por favor me deixe saber o que
você pensa. A reação dele foi... satisfatória?
Risos.
Desculpe. Mas já vou avisando. O próximo vai demorar um pouco.
Ele já está maior que esse e ainda falta um monte de coisas para completar!
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Quero deixar bem claro que AMO todos os reviews que recebo. Que a alguns eu consigo responder. Mas a outros não. Por vários motivos... Mas que eu os amo! Todos eles.
É por causa deles que não deixei de terminar a fic por duas vezes.
E peço desculpas por não respondê-los pessoalmente aqui. Vocês sabem o que eu penso.
Muito obrigada.
Amor.
Nina.
ananinasnape@yahoo.com.br