CAP-8 – O Vice Ministro
CAP-8 – O Vice Ministro
Rio de janeiro.
Harry, Rony, O ministro e os cinco anões chegaram até o gabinete do dele, era uma sala grande, toda revestida em madeira com vários quadros na parede e estantes de livros. Tinha duas portas: Uma por onde eles haviam entrado, através de uma ante sala (não era possível aparatar dentro do gabinete). E outra na parede oeste.
O ministro se sentou atras de sua mesa. Com um movimento de varinha a Sra. Bertoia conjurou cadeiras para todos. Mal se sentaram e o Sr. Ferraz entrou. Cumprimentou à todos e procurou seu lugar.
- Acho que é melhor passarmos para a sala de reunião – disse o Ministro – está ficando bastante apertado aqui.
- Não será necessário - Disse uma voz grave, falando em português, e pela primeira vez desde que chegaram, Harry e Rony perceberam as fadas nos seus ouvidos.
O dono da voz entrou pela porta da parede oeste.
Era um homem baixo e corpulento, media 1,65m seu aspecto deixou Harry impressionado. Tinha a aparência de um índio idoso, com os cabelos cortados na altura das orelhas e raspado abaixo. uma faixa vermelha pintada no rosto na altura dos olhos ligava as duas orelhas, delas pendiam brincos com penas, tinha um pedaço de madeira atravessando o nariz. Vestia uma comprida túnica de couro marrom, com bordados nas mangas, alguns colares de ossos no pescoço. Se apoiava num cajado mais alto do que ele, feito de madeira rústica com alguns símbolos entalhados, tinha penas e ossos na ponta superior.
- Esse é Ubiratan Tingué, vice ministro da magia – Apresentou o Ministro.
O Homem olhou para os dois visitantes e acenou a cabeça levemente, Ele exalava poder e sabedoria, Harry se lembrou de Dumbledore, também era assim, era só olhar para ele para saber como era poderoso.
Os olhos de Harry se encontraram com os de Ubiratan Tingué, eram negros e profundos, ele tratou rapidamente de fechar a mente, sentiu que o velho poderia estar tentando le-la, tal era a firmeza do seu olhar. Ficou preocupado com Rony que não era tão bom em oclumancia quanto ele.
- Acho que os senhores podem nos deixar agora – disse o vice ministro se referindo aos acessores. – menos você Sr. Vaques, sua presença pode ajudar.
Os anões ficaram indignados, menos o Sr. Vaques, que ficou muito orgulhoso. A Sra. Bertoia deu um olhar inquisitivo para o Ministro que consentiu com um aceno de cabeça, e os quatro se retiraram resmungando.
Após a porta se fechar o ministro perguntou – Era mesmo necessário trata-los assim?
- Não havia nada para eles fazerem aqui, e quanto menos pessoas souberem da viagem dos nossos visitantes melhor. Foi imprudente toda a atenção que você chamou para a chegada deles ao nosso país.
- Só queria demonstrar que somos bons anfitriões, já que são visitantes ilustres.
- Sr. Ministro, eles não estão aqui à passeio, têm uma missão, e a missão deles vai de encontro a um grande problema nosso, ou o Sr. Deseja que todos fiquem sabendo do incidente com os Curupiras?
O Ministro ficou calado visivelmente contrariado, se ele parecia fútil e tolo, aos olhos de Harry, o Vice ministro era justamente o contrário, parecia ter grande respeito e reverencia de todos inclusive do próprio ministro.
- Entre Srta. Marcondes. – disse o Vice Ministro surpreendendo à todos, inclusive a própria Srta. Marcondes que havia acabado de aparatar na ante-sala.
A porta se abriu e entrou uma das mulheres mais belas que Harry já tinha conhecido. Trajava um longo vestido de seda azul usava um colar de flores amarelas extremamente vibrantes, Tinha os cabelos negros, ondulados e compridos que caiam sobre as costas, uma franja que quase tapavam os lindos olhos verdes amendoados, a pele era dourada, com o bronzeado do sol dos trópicos. Era jovem e tinha um sorriso lindo.
- Essa é a Srta. Miranda Marcondes. Especialista em ervas e plantas mágicas. Disse o Ministro – Pode se sentar minha querida.
A mulher sorriu para todos num gesto de comprimento depois sentou-se ao lado de Harry, seu perfume era doce e delicado, e havia causado um certo desconforto nele, já não se sentia mais tão a vontade.
- Vamos aos fatos – voltou a falar o Vice Ministro.
O Sr. Potter recebeu via correio-coruja uma Ekoporanga Iuka, uma planta muito rara e venenosa, que deixou uma jovem inglesa em grave risco de vida, a planta parece ter sido enviada, pelo Sr. Longbotton que esteve aqui mês passado, pedindo requerimento para entrada na reserva mágica do vale do Xingu. Ele junto com a Prof. Amanda Bruni, organizaram uma expedição a floresta Guarapaka, centro da reserva e território dos curupiras.
- O que são curupiras? – interrompeu Rony.
Curupiras, Sr. Weasley, são criaturas mágicas que vivem nas florestas sul-americanas, são os guardiões da floresta, protegem toda a mata, eles não gostam de humanos sejam eles trouxas ou bruxos, nunca gostaram. A relação deles conosco sempre foi complicada e cheia de conflitos, depois de muitas discussões, delimitamos territórios para eles, áreas de floresta mágica onde habitam e são soberanos. Essas florestas ficaram muito tempo longe do contato humano, tornando-se muito perigosas, as criaturas mágicas se proliferaram nelas, tudo que aceita a proteção dos curupiras encontra abrigo nessas florestas.
Muitos bruxos, são contra as reservas acham que devemos enquadrar os curupiras nas nossas normas e que temos que manter um controle mais rígido sobre eles. Porém esses bruxos não sabem que o curupiras são importantes, não são criaturas malignas, apenas precisam da mata virgem para sobreviver, sem ela desapareceriam, por isso a defendem tanto.
Seus poderes mágicos são grandes dentro da mata onde nasceram, mas quanto mais se afastam dela mais fracos ficam, chegando até a morte. E quanto mais forte e saudável é a mata mais poderosos e numerosos eles ficam. Defender a floresta é como defender a própria vida para eles.
Mas como Neville consegui entrar nessa floresta? – Perguntou Harry.
- A prof. Amanda Bruni sempre teve uma boa relação com os curupiras, ela já havia feito uma outra expedição nessa floresta há vinte anos atrás, eles confiavam nela – Disse Miranda – Eu sou sua assistente principal, o Sr. Longbotton, nos procurou, contou-nos sobre seus planos, rapidamente a professora se apaixonou pela idéia dele e em uma semana partiram com mais cinco pesquisadores e um guia local.
- Mas algo saiu errado – voltou a falar o vice ministro, os curupiras se revoltaram seqüestraram o grupo alegando que eles levaram pessoas ruins para a floresta. Na verdade ficamos sabendo mais tarde que duas pessoas se juntaram ao grupo antes que eles entrassem na floresta.
- Ainda não identificamos os dois, pois os nomes que deram eram falsos – Quem falava agora era o diretor Ferraz - Estamos em negociação com os curupiras para que nos entreguem todos os que estão cativos na floresta.
- Não sabemos o que aconteceu lá, mas eles concordaram em receber uma nova expedição na sua aldeia para resgatar os prisioneiros – O vice ministro parou um pouco de falar, bebeu um gole d’água e continuou – Como eu disse não são criaturas malignas, eles respeitam a vida, apenas atacam aqueles que desrespeitam a floresta. Porém essa equipe de resgate vai ser testada, eles vão fazer de tudo para tornar a mata o mais hostil possível, aos viajantes. É um teste para saber se serão dignos de resgatar seus semelhantes. Tentarão fazer vocês se perderem, entrar em conflito com as criaturas da floresta. Vai ser uma expedição complicada e perigosa, mas se conseguirem chegar á aldeia deles, terão o respeito dos curupiras.
- Estamos aqui para conseguir uma planta, Sr. Vice ministro e não para uma missão de resgate. – Lembrou Rony.
- É uma questão de interesses em comum Sr. Weasley, a única maneira de se conseguir essa planta é com os curupiras, então acho que terão que se unir a equipe de resgate.
Harry percebeu que a busca seria muito mais complicada do que esperava, e que não estava tão certo se conseguiriam atingir seu objetivo, pensou em Hermione no hospital e tratou de esquecer esses pensamentos. Decidiu que entraria naquela floresta de qualquer maneira, até sozinho se fosse necessário.
O vice ministro voltou a falar: - A equipe será formada por vocês dois, mais a Srta. Marcondes aqui, dois guias locais, dois aurores do ministério e o Sr. Vaques.
O Sr. Vaques deu um pulo da cadeira. – Eu? - Perguntou assustado.
- Sim, afinal o Senhor não é especialista em trato com criaturas mágicas?
- Sim... Mas, veja bem senhor vice ministro, o ministro precisa de mim aqui, sou um importante assessor no ministério – dirigiu um olhar aflito para o ministro.
- Não podemos achar outro especialista? – perguntou o Ministro.
- Um de confiança em tão pouco tempo, acho difícil, a expedição parte amanhã de manhã. Agora devo me retirar, sou velho e estou cansado. Infelizmente não estarei no jantar desta noite Sr. Potter, então desejo boa sorte a todos vocês – O vice ministro se levantou com ajuda do cajado e saiu pela porta em silencio.
- O diretor Ferraz se levantou e se dirigiu ao Ministro, vou destacar dois aurores para a expedição.
- Espero que sejam os melhores – Disse o ministro, adquirindo novamente sua autoridade depois da saída do vice – O Sr. Potter merece.
Enquanto Ferraz se retirava, o Sr. Vaques estava encolhido na sua cadeira calado e despontado.
- Ânimo homem! Tentou anima-lo o Ministro, uma boa aventura vai fazer seu sangue circular melhor na veias. Tire o resto do dia de folga para se preparar.
Ele saiu sem dizer uma palavra, a cabeça baixa como um condenado à morte.
- É um bom homem, e conhece muito sobre criaturas mágicas, não vai falhar com vocês.
Harry e Rony, não ficaram muito seguros disso.
- Agora vocês devem ir para o hotel descansar, o jantar será no restaurante do próprio hotel, às sete horas. Amanhã ás nove da manhã vocês partirão para o Xingu, nos veremos a noite então.
Harry olhou mais uma vez para Miranda, ela sorria linda, não parecia nem um pouco abalada com o fato de estar na expedição.
- Estou ansiosa para ir para a floresta, a prof. Bruni sempre falou das maravilhas daquela mata. Espero encontra-lo hoje à noite no jantar senhor Potter.
- Você vai estar lá? – perguntou Harry e se arrependendo logo depois, se achando um idiota.
- Vou sim - Disse ela rindo.
- Então nos veremos lá. E pode me chamar Harry.
- Até mais tarde Harry - Miranda se despediu do Ministro e se foi.
Logo depois ele prtiu com Rony também, deixando o ministro pensativo em seu gabinete.