Harry sentiu o perigo antes de conseguir clarear a mente o suficiente para reagir. A lâmina penetrou em sua pele, mas com sua súbita retomada de ar a mulher hesitou. Sua hesitação evitou que infligisse um dano significativo. Harry libertou-se dos braços dela. Tirou a faca de sua mão e a arremessou do outro lado da sala.
- Você ia me matar! – ele acusou surpreso por ter dificuldade de respirar normalmente quando tudo que tinha feito fora beijá-la.
- Você disse que ia me matar! – ela gritou em resposta, e, ela também estava sem ar.
- Mas fingir que me desejava isso foi baixo!
Ela levantou o queixo.
– Não mais baixo do que matar uma mulher que acabou de ter seu primeiro filho!
Ela tinha um argumento válido. Mas não havia tempo para ficar comparando pecados. A pele dele já estava começando a coçar. Era o pêlo que estava se formando por debaixo da carne. O pêlo que se espalharia por seu corpo, cobrindo-o como a pele de um animal – um lobo. Ele levantou-se rapidamente, tirando suas roupas. Quando as garras saíssem das pontas de seus dedos, ele arruinaria suas roupas no desespero da fera de removê-las.
- O que está fazendo? – a mulher sussurrou.
- Preparando-me para a mudança. – ele respondeu. – Pegue o bebê e saia. Terei de matá-la um outro dia.
Ela nada disse por um momento. Então deu uma bufada bem pouco feminina.
– Pegar e bebê e fugir? Pensa que tenho força para sair correndo pelo bosque? Acabei de dar a luz!
Harry se ajoelhou ao lado dela. Ele aproximou o rosto do dela.
– Se quer viver, se quer que seu filho viva você a encontrará, e a encontrará rapidamente!
Ela estava prestes a continuar a discussão, mas a dor subitamente atingiu o estômago dele e fez com que ele se dobrasse no meio.
- O que aconteceu com você? – ela perguntou.
Balançando para frente e para trás por causa da dor, ele respondeu.
– Você quer dizer além da bala de mosquete que fez um buraco em meu ombro e agora a facada em minhas costas? Eu estou me transformando – ele disse de modo mais sério. – Saia enquanto ainda pode.
Harry sabia que não faltava muito para que fosse ao chão porque a dor se tornou excruciante. Ele experimentaria quase a mesma dor que ela experimentara. Um nascimento. O nascimento do lobo. Enquanto ainda conseguia pensar, ele se abaixou e removeu as botas. Como não era tímido, ele nem pensou na hora de tirar as calças. Se ele conseguisse sobreviver essa noite, ele gostaria de ter roupas para usar quando a manhã o encontrasse nu e confuso.
A mulher continuava deitada no colchão de palha, agora agarrada ao bebê e olhando para Harry, sua boca inchada pelos beijos ligeiramente entreabertas.
- Mova-se! – ele ordenou. – E feche a porta quando sair. Talvez eu consiga distraí-los tempo suficiente para que você fuja.
Ela piscou para ele.
– Você quer me salvar? Primeiro você quer me matar, e agora quer me salvar?
Manter uma conversação normal estava se tornando difícil. Harry sentia as presas crescendo em sua boca. Talvez ela precisasse vê-las para sair do estupor e sair correndo.
– Não posso permitir que outra pessoa a mate – ele explicou. – A tarefa é minha. - A dor o rasgou novamente, mandando-o de quatro ao chão. – Vá – ele rosnou. – Fuja enquanto pode!
Foi à visão dos dentes dele, as presas que brilharam no interior mal iluminado da cabana que fez com que Gina se levantasse e fugisse dele. Ela temia não ter forças para se levantar do colchão, mas ela o fez sem pensar em suas limitações.
Suas pernas estavam trêmulas debaixo do vestido. Ela precisava desesperadamente de um banho, mas agora não era hora de pensar em luxos. Agora era hora de pensar na sobrevivência. Agora era a hora de pensar em seu filho, dado a ela sem que tivesse escolha, sem nem mesmo à recordação de como o recebera.
Ela se afastou do homem que tinha caído de quatro no chão. Muitos se esqueceram de que o mundo é um lugar de milagres brancos e magia negra. Os aldeões ainda eram ligados às velhas superstições. Gina os ajudara a pensar assim, sendo uma bruxa como era. A visão de um homem com presas e pêlo crescendo por debaixo da pele certamente a enervava, mas não a surpreendia.
Embora fosse de natureza curiosa, Gina gostaria de ficar para ver a transformação se completar, porém ela sabia que demorar-se poderia custa à vida dela e a de seu filho. Ela se inclinou e agarrou a cesta que continha tudo o que possuía. Cautelosamente, enquanto Harry continuava a mudar da forma de homem para a de um animal, ela se apoiou na apodrecida parede da cabana em direção à porta.
Ela parou na entrada. Um olhar por cima dos ombros quase extraiu um grito de sua garganta. Ele estava em pé agora, de quatro, o homem completamente desaparecido, um lobo em seu lugar. Os olhos dele brilhavam no interior escurecido da cabana, e estavam seriamente focalizados nela. Se ele a matasse enquanto estivesse na forma do lobo, poderia a maldição dele ser, de fato, quebrada?
Ou as afirmações dele eram desprovidas de sentido? Como ela podia ser o maior inimigo dele se nunca tinham se encontrado antes de hoje? Gina não havia feito mal algum a ele, não lançara feitiços contra ele. Mas ele havia salvado a vida dela, a vida de seu bebê, então ela poderia em sã consciência abandonar Harry para os aldeões?
O bebê em seus braços deixou escapar um leve choro, o que a ajudou a tomar a decisão. Ela tinha outra vida em que pensar agora, não apenas na dela. Esse homem-fera – o que quer que fosse – poderia vir atrás dela se sobrevivesse. Os homens nunca foram uma parte agradável em sua vida. Ela nunca conheceu o próprio pai. Gina não tinha sobrenome, nem seu pobre bebê teria. Num momento de fraqueza o estranho a ajudara; ela não podia demonstrar fraqueza em troca.
Gina rapidamente escapou da cabana e fechou a porta recoberta com palha. À distância, ela ouviu gritos de homens numa caçada. A noite havia caído, mas ela conhecia bem o bosque durante os últimos meses que passara escondida nele. Ela se apressou na direção contrária à da vila, a direção de onde os caçadores se aproximavam. Suas pernas ainda tremiam. Ela reuniu a vontade de continuar, a força de colocar um pé na frente do outro e colocar a maior distância possível entre ela e a cabana.
Atrás dela, um uivo soou. Arrepios percorreram sua espinha. Lutando com o bebê em seus braços e a cesta com o pouco que possuía, ela continuou em frente. Sua cabana na vila era muito mais agradável. Ela tinha coisas compradas com as moedas daqueles que queriam bons encantamentos e partos de bebês. Mas então sua própria maldição arruinara tudo pelo que tanto trabalhara. Seu belo rosto atraiu a atenção do grande senhor. Quando Gina se recusou a sentir bajulada pelos interesses de um homem casado, ele se viu inclinado a usar sua própria poção contra ela.
Gina deveria certamente odiar a todos os homens. Eles causaram a ela nada mais do que problemas, e ainda assim ela hesitava no bosque, virando-se para olhar na direção da cabana. Ela ouviu os sons de gritos, depois os mosquetes foram disparados. O barulho fez com que se encolhesse. Muito pior foi o súbito cheiro de fumaça no ar. À distância, chamas saltavam aos céus. Os aldeões tinham posto fogo na cabana de palha.
Em algum lugar bem no fundo, ela sentiu um momento de perda. Quase pesar. Por que, ela não sabia dizer, nem tinha tempo de examinar. Harry, o demônio lindo que era, tinha a intenção de matá-la, ele mesmo o admitira. Sua morte devia ser um alivio para ela. Ele não a seguiria. Ele não a ameaçaria novamente.
Piscando para afastar as lágrimas traiçoeiras, Gina se voltou da visão do céu noturno brilhando com luz amarela na distância. Ocorreu-lhe que não tinha para onde ir, nenhum teto sobre a cabeça de seu pequenino bebê. Harry havia prometido que cuidaria da criança. Ele havia assumido a responsabilidade, pelo menos com palavras; ela não tinha como saber se ele as manteria com ações também.
Ele tinha família. Os irmãos Potter’s eram uma lenda.
E se eram parias entre a sociedade, eles eram ricos. Deveria ir até eles? Contar sobre a morte do irmão deles? Talvez eles ficassem agradecidos a ela. Talvez a pagassem por ter trazido a noticia... Ou talvez eles a matassem
Que bom que vcs gostaram dess adaptação. O instinto materno falou mais alto na Gina. Essa fic é um tanto quanto diferente, Harry tem irmãos. Bom agora deixa-me ir. Mas um capitulo e espero que gostem.
bjokas
29-01-2008 |