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13. Everything'll Be Alright


Fic: Black and White - This Is Just The Beginning - by LyraWhite - AVISO


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Capítulo 13 - Everything'll Be Alright
Tudo Ficará Bem


cap 13









Lyra olhou para a enorme casa à sua frente. Estava toda decorada com enfeites de Natal, tudo parecia perfeito, afinal, aquela era uma das lendárias festas da família Wine.
Ouviu um barulho e logo o pai apareceu ao seu lado. Lançou-lhe um sorriso e fez sinal para entrarem.
- Eles capricharam nesse ano. – comentou Lyra, brincando com as pequenas fadas que iluminavam o corrimão da escada de pedra.
- Mas é claro. – Sirius esticou o pescoço, tentando encontrar um rosto conhecido entre as pessoas que estavam na porta. – Esta é uma festa de Anabeth Wine, e creio que a última delas.
- Havia me esquecido que eles vão se mudar. Draco... – Lyra não se importou com a feição contrariada do pai e continuou a frase. – comentou sobre isso.
- Moleque fofoqueiro. – o moreno bufou. – Devia cuidar da própria vida.
- Ok. – Lyra parou de andar após subir o último degrau e segurou o pai pelo braço. – Quer parar com isso? Provavelmente os Malfoy estarão aqui também e veja se não arranja confusão.
- Eu disse que estou quase na fase da aceitação. – deu uma rápida piscadela. – E não fique pelos cantos com ele, tem muita gente aqui.
- Como se Hogwarts fosse uma praia deserta. – disse ela em tom sarcástico.
- Em Hogwarts já é problema seu, se alguém do Ministério vir essa coisa de vocês, vai ser a mim que eles vão procurar com as perguntas. “Mas que belo casamento você arranjou para sua filha” ou “Um Malfoy? Você perdeu a cabeça?”. – e para cada imitação seguinte, ele fazia uma careta diferente.
Lyra apenas ria. O pai só falava assim porque conhecia bem a história de casamento arranjado, pelo histórico da família, mais precisamente, pelas primas Bellatrix e Narcisa, ambas de casamentos arranjados pelos pais.
- Vamos entrar. – ela passou a mão pelo braço do pai e ambos entraram pela porta principal.
Logo na entrada, estavam os anfitriões da festa cumprimentando quem chegava. O casal sorriu ao ver Sirius se aproximando, acompanhado da filha.
- Sirius! Que bom que veio! – Christopher apertou a mão de Sirius de forma calorosa. – E trouxe sua menina, maravilha! Isabelle ficará feliz em vê-la, senhorita Black.
- Lindíssima festa, Ana. Como sempre.
- Obrigada, Sirius. – respondeu a mulher. – Mas esse ano eu tive ajuda das quatro filhas, não dei folga para ninguém. – ela virou-se para Lyra e sorriu. – Deixe essa conversa de adultos para lá, vou levá-la até onde as meninas estão.
- Ficaria grata. – deu um rápido beijo na face do pai. – Até mais tarde, Senhor Wine.
Anabeth a guiou pela multidão de pessoal. O salão já era enorme, e provavelmente, recebera uma grande dose de feitiços para ficar ainda maior e acomodar a todos os convidados. No centro um espaço vago, sem as mesas redondas, era a pista de dança onde vários casais já apreciavam a música da orquestra que tocava mais ao fundo. O resto do aposento era preenchido por mesas redondas onde cabiam seis pessoas e por algumas poltronas perto das janelas, preferenciais para os homens que fumavam os charutos e cigarros. Estava tudo belíssimo.
Lyra ia conversando com Anabeth sobre assuntos banais durante o trajeto. Poucas vezes parava e cumprimentava algum conhecido, mas logo voltavam a andar.
Há alguns passos de onde estava, uma mulher de longos cabelos loiros, e vestes azul-marinho cobrindo até os pés, fez um breve aceno à garota. Lyra retribuiu da mesma forma, e revirou os olhos quando a voz do pai ecoou pela sua cabeça, dizendo o quão ruim e manipuladora era Narcisa Malfoy. O pouco que a tinha visto dava para perceber que era uma mulher preocupada com as aparências, mas por hora, não tinha nada contra.
A sala onde Anabeth a levou era um pouco afastada do barulho da festa, parecia uma sala de estudo ou biblioteca. Algumas estantes cobertas de livros, uma enorme mesa de reuniões no centro, dois ou três sofás junto à lareira acesa. A porta de vidro se camuflava entre as enormes janelas que davam vista para o jardim totalmente branco, além de ser a única passagem para a varanda do lado de fora.
Correu o olhar rapidamente pelo recinto, procurando um rosto conhecido. Perto da lareira, uma garota de cabelos castanhos levemente amarrados em um coque, bebericava uma taça de vinho. Não era Isabelle, mas certamente se parecia muito com a corvinal, exceto por alguns traços e a cor dos olhos, que eram acinzentados e se destacavam ainda mais com o vestido azul claro que trajava.
Mais ao fundo, três crianças corriam alegremente em volta de duas poltronas. As duas meninas pareciam ser gêmeas, julgando pelas semelhanças, mas a terceira era um rosto extremamente conhecido. Nathan brincava distraído com as outras crianças e não percebeu que Lyra acabara de entrar no recinto.
Lyra sorriu. Nathan sempre ficava uma graça com roupa social, e todo o esforço de Lily para manter aquela cabeleira negra abaixada fora em vão, pois o cabelo já estava pontudo e bagunçado.
- Lyra! – ele finalmente tinha se dado conta da presença dela. Correu e abraçou Lyra, depois ia voltando apressado para a brincadeira, mas ela o segurou.
- Calma, seu pestinha. – riu ela. – Onde está o resto da família?
- Não sei. – deu de ombros e virou a cabeça para Anabeth. - A senhora Wine me trouxe para cá.
- Bom, todos deveriam estar por aqui. – a mulher sorriu. – Isabelle deve estar com o senhor Potter. E quanto à senhorita Potter, eu a vi seguindo um rapaz de cabelos negros no meio da multidão.
- Obrigada. – Lyra agradeceu.
A anfitriã fez um pequeno aceno com a cabeça e se retirou. Lyra esperou até que não houvesse mais ninguém os escutando e voltou a atenção ao menino ao seu lado.
- Como o Harry está?
- Bem, eu acho. – Nathan ergueu uma das sobrancelhas e cruzou os braços. Ele ficava bastante engraçado naquela posição. – Vocês ainda estão brigados?
- Bem... – Lyra gesticulava, procurando palavras, mas era extremamente difícil tapear Nathan. Nem James conseguia tal feito, e o padrinho tinha a arte da embromação. – Mais ou menos.
- Eu não vou me meter, só sei que você tem um namorado novo. – ele sorriu matreiro. – E por fontes confiáveis, eu sei que é aquele moço ali na varanda. – apontou com o dedo indicar para o lado de fora.
- E você pode me dizer como chegou à essa conclusão? – Lyra pôs as mãos na cintura, ficando muito parecida com Lily quando questionava os outros.
- Sirius falou para o papai lá no escritório que você estava namorando um garoto loiro, mal encarado, falso e mais algumas palavras, mas ele me mandou tampar os ouvidos. – Nathan falava com tanta simplicidade que Lyra tinha de segurar o riso. – Quem não percebesse que era Draco Malfoy de quem eles falavam é extremamente burro.
- Realmente. – Lyra sorriu um pouco temerosa. – E o padrinho conversou sobre isso com mais alguém?
- Mas é claro! Papai é fofoqueiro demais da conta. – Nathan enfatizou as três últimas palavras, divertido. - Ele contou para a mamãe, e provavelmente foi tentar pegar algum detalhe com Victoria ou Harry.
- Ok. – já não sabia se era boa ou má notícia os outros estarem sabendo sobre Draco, mas estava sentindo o coração bem mais leve. Torcia para que Lily ou Victoria, que eram bem mais compreensivas, tivesse conversado com Harry, e botado naquela cabeça dura do amigo que o novo namorado dela não era a pior coisa do mundo. – Mais alguma novidade?
- Que eu saiba, não. – o menino deu um rápido beijo na bochecha de Lyra e se preparava para voltar à brincadeira. – As pessoas cochicham muito lá em casa, sabe?
- Então devia comprar aqueles ampliadores de sons dos gêmeos Weasley. Deve ajudar bastante, Nate. – lançou um olhar à porta pela qual passaria daqui a pouco e afagou os cabelos do garoto. – Agora volte para a brincadeira, seus amigos estão te esperando.
- Até mais. – e saiu correndo para o canto da sala, onde as duas outras crianças o esperavam com rostos curiosos.
Sorriu. Pensava se era uma boa idéia começar com aquela história de “namoro em público” agora, ali mesmo, na casa dos Wine. Com aquele pensamento receoso que rondava sua mente, só tornariam o relacionamento público daqui há alguns anos, por isso tinha que ter coragem naquele momento. Finalmente entendera o complexo universo da escola, quanto mais se adia para estudar, pior fica. Devia ter pensado naquilo antes de quase “bombar” em Poções no ano anterior.
Caminhou lentamente pela sala até a porta de vidro. Passou pela garota tomando vinho e deu um breve aceno, por educação, e tomou cuidado para não levar um encontrão com as crianças que corriam desnorteadas com a brincadeira.
Abriu a porta com um certo cuidado para não derrubar o enfeite natalino pregado no vidro, apesar de ter a sensação de que aquilo não iria cair por causa dos possíveis feitiços postos nele para evitar a queda. Sentiu o chão um pouco escorregadio devido à quantidade de gelo que cobria o piso de pedra, por isso foi andando com cautela até onde o jovem loiro estava.
- Olá. – disse ao lado dele, depois de chegar discretamente por trás.
- Não vi você chegar. – Draco sorriu e a puxou para um beijo rápido.
- Era a intenção. – sorriu. – Boas notícias.
- Seu pai se mudou.
- Deixa disso, Draco. Eu conversei com ele, e disse para parar de ser engraçadinho. – fez uma pausa e alargou o sorriso. – Acho que hoje já podemos tornar as coisas públicas. O que acha?
- Eu nunca criei caso com isso, e provavelmente nunca irei criar. É uma pena. – envolveu Lyra num abraço terno, e disse aos cochichos: - Porque eu vou morrer de saudades das nossas escapulidas à noite.
- Não torne as coisas mais difíceis. – afastou o rosto e fugiu dos lábios dele. Adorava se fazer de difícil. – Esse ano eu prometi que ia dar um jeito de passar em Poções, e dormir a noite inteira é um bom começo.
- Eu já falei que eu te ensino.
- Acredite Draco, a gente vai fazer qualquer coisa menos estudar. – sorriu ladina e deu uma piscadela. – Você acha que eu ia ficar prestando atenção em tripa de troll enquanto eu posso fazer coisa bem melhor com essa boca. – e deu uma pequena mordiscada nos lábios do rapaz.
- É verdade, isso dificulta tanto seu aprendizado. Mas não se preocupe, eu peço ao Grey para te ensinar e continuamos com nossos encontros noturnos.
- Grey? Doce ilusão. – quase gargalhou. Imaginou a cena de Draco pedindo a Grey para lecioná-la. Mal conseguia aturá-la nas aulas de Poções, imagina em horas extras. – Faça isso e ganhe uma azaração de volta.
- Então pare de dar detenção para o coitado, oras. Toda vez que ele sai de uma, vocês ganham outra! – Draco deu dois passos para trás e desviou do leve tapa de Lyra. – É a mais pura verdade.
- Não é verdade. Teve uma vez que ele cortou a coisa nojenta errada, e a Lennox deu detenção para a gente. – sua voz saiu muito parecida com a de Hermione quando corrigia alguém.
- Ah sim, uma em um milhão não conta muito, entende? – riu sarcástico.
- Olha que eu te deixo aqui falando sozinho. – Draco ia começar a falar, mas ela o cortou. – E pare de zoar a minha deficiência em Poções! É quase que uma doença.
- Então a coisa ‘tá braba. Será que devo te levar ao St. Mungus?
- Deixe de ser mau, Draco. Eu já vi você apanhando muitas vezes em Trato de Criaturas Mágicas. Se me lembro bem, uma vez você...
- Ok, vamos parando por aqui. – ele meneou a cabeça, ainda sorrindo. – Sempre com uma carta na manga, não é mesmo, senhorita Black?
- Sempre, meu querido, sempre.
Lyra se calou por um momento e ficou deslumbrando a vista à sua frente. Realmente, Isabelle morava muito bem. O jardim era enorme, e estava todo branco. Belíssimo. Sentiu Draco cingir sua cintura com os braços, juntando seus corpos. Sorriu, mas não o olhou, continuou a fitar a eterna vista branca.



- Isabelle Wine! Eu não quero mais ouvir isso, assunto encerrado! – Harry bateu o pé, fazendo a namorada revirar os olhos.
- Pelo amor de Deus, você é pior que um hipogrifo orgulhoso! – a garota tinha vontade de gritar, mas se conteve. As três crianças corriam pela sala, a prima conversava com Ryan e Victoria. Era gente demais para assistir aquele escândalo que queria dar. – Você mesmo viu! Deixe de ser implicante, oras!
- Implicante? Olha onde ele está tocando! – saiu de perto da janela onde espiavam o casal, com Isabelle aos seus calcanhares. – Já chega, eu vou chamar o Sirius.
- Tente fazer isso que eu te estuporo aqui mesmo. Você está pior que irmão pentelho. – ela o segurou pelo braço, fazendo-o parar de andar. Encarou aqueles olhos esverdeados e cheios de ódio e completou, sorrindo. – O lugar onde o Malfoy estava tocando se chama cintura, e é isso que namorados fazem, Harry.
- Isso é o fim do mundo.
- Não é, não. Até o pai dela sabe, só falta você aceitar os fatos, amor. – Isabelle o puxou para um abraço terno. Sentia o peito do garoto subir e descer rapidamente, além da respiração acelerada perto do pescoço. – Desencana disso, Harry. Eu lhe asseguro que se o Malfoy fizer algo ruim à Lyra, você será o primeiro da lista para socar aquela cara branca dele.
Ele riu.
- Mas por hora, acho que é melhor deixar as coisas acontecerem. – ela deu uma piscadela. – Ademais, nós temos coisas melhores para fazer.
- Jura? Como o que? – o mau humor dele parecia ter passado, dando lugar a um belo sorriso matreiro.
- Pôquer! Austin me ensinou a jogar durante as aulas de Poções. – ela desfez o abraço e começou a andar até onde a prima e os amigos estavam, puxando Harry pela mão. - Jor! Pegou o baralho?
- Mas é claro, prima. – sorriu a outra morena. – Aposta?
- Desafios. – Belle sorriu de forma enigmática a Ryan, que meneou a cabeça em negativa. – E você ainda está em dívida, senhor Davis.
Os fios loiros de Ryan ficaram ainda mais arrepiados depois de ele passar a mão nervosamente pelos cabelos. O garoto lançou um olhar suplicante à amiga, que apenas riu.
- Mas Belle! Você já viu o número de irmãos que ela tem? Eu vou acabar sem dentes depois de beijá-la! – choramingou o loiro.
- Espera aí! – exclamou Victoria. – Muitos irmãos? Vocês estão falando da Ginny?
- Não. – Ryan respondeu.
- Mas é claro, Vick. – Isabelle sentou ao lado de Harry no tapete, tendo uma pequena visão da varanda. Lyra continuava com Draco, e provavelmente ficariam um pouco mais por lá. – Ginny vai ter uma pequena surpresa quando voltar à escola depois das festas.
Ryan soltou um muxoxo derrotado. Se arrependia amargamente de ter entrado naquela façanha, era péssimo para jogos, especialmente dos que precisavam de sorte ou saber roubar bem. Bendito dia que fora inventar de jogar com os amigos.
- Pare de choramingar, Ry. – riu Jordana. – Você quis entrar no jogo porque quis, se você joga mal aí é outra história.
- Exatamente, Jor. – Isabelle abriu um sorriso enviesado para o amigo. – Vai entrar nessa, ou não? Ainda vai demorar até servirem o jantar.
Harry e Victoria trocavam olhares cúmplices, rindo da situação. Alargaram ainda mais o sorriso quando Ryan disse que iria se aventurar novamente no mundo das cartas. Conheciam muito bem aonde aquilo iria parar, e ele ainda nem tinha pagado o primeiro desafio.
Os cinco passaram algum tempo jogando cartas animadamente, tanto é que nem viram quando Lyra e Draco entraram discretamente e seguiram para o salão principal, onde estavam os adultos. Era realmente divertido apostar desafios, Ryan já adicionara mais alguns à sua lista, e Isabelle teve de atravessar o salão, até a entrada com “Perdedora” escrito em sua bochecha esquerda. Todos acabaram ganhando desafios, mas na última rodada que viera o maior.
- Eu te desafio, Harry, – Isabelle mostrou as cartas vencedoras e apertou os olhos, como forma de intimidação. – a conversar com a Lyra, agora.
Ninguém ali esperava por aquilo. O clima alegre e descontraído de repente se tornara tenso, e foi piorando quando o moreno decidiu argumentar.
- Você não está falando sério.
- Oh, Harry, pode apostar que eu estou. – disse Belle, sarcástica. – Este é seu desafio, vai abandonar?
- Isso não vale. – argumentou o moreno.
- Tecnicamente. – Jordana deu leves tapas nas costa do garoto e se levantou. Queria estar longe dali quando a confusão estourasse, talvez não tão longe para ver o show. – Ela pode pedir qualquer coisa.
Os outros seguiram o exemplo de Jordana e levantaram-se também, estando a um passo de distancia da mesa onde jogavam. Victoria meneou a cabeça já prevendo o que ia acontecer e cochichou no ouvido de Ryan o resumo da história toda. Afinal, todos já estavam sabendo mesmo, um a mais não faria diferença.
- Draco Malfoy! – exclamou o garoto totalmente surpreso, e agora sendo o centro das atenções.
- Sua ‘discreteza’ me toca, Ryan. – disse Victoria, ignorando os olhares de Harry e Isabelle.
- Qual é! Todo mundo já sabe mesmo.
- Viu Isabelle? Até o Ryan ficou chocado. – Harry levantou do chão, mas continuava retribuindo o olhar desafiador da namorada. – Quer saber? Eu vou cumprir esse desafio estúpido e depois vocês vão ver como eu estava certo.
- Ótimo! – Belle lançou um olhar significativo à prima, que foi retribuído com uma piscadela discreta.
Harry saiu pisando forte, deixando quatro jovens sorridentes para trás. Quando viu que ele se fora, Ryan virou-se para as três meninas, com um sorriso galanteador.
- Vamos, podem falar. Eu sou ou não sou um ótimo ator?
- Nem tanto, você nem teve que fingir que estava perdendo, já o fazia inconscientemente. – zoou Victoria. – Foi até fácil, não é?
- Demais. Homens... são tão lerdos. – Isabelle abraçou Ryan depois de este ter feito uma cara de indignado. – Excelente idéia, Jordana.
- Eu disse que iria funcionar. - a prima fez uma pausa, e continuou a fitar a porta por onde Harry acabara de sair. – Meio esquentadinho o seu namorado, não?
- Você não faz idéia do quanto. – responderam Victoria e Isabelle em uníssono, depois caindo na risada.
- Agora eu já não sei se ele fica assim por causa da Lyra ou se é porque a Lyra está com Draco Malfoy. – comentou Isabelle. – Victoria, você o conhece melhor, responda nossas dúvidas.
A ruiva abriu um pequeno sorriso.
- Eu não tenho certeza, acho que as duas coisas. Harry tem aquela idéia de proteção de irmão mais velho, e ele tem isso em excesso. – revirou os olhos. – Eu tenho que agüentar isso, e Lyra também. O pequeno detalhe é que eu não namoro com Draco Malfoy.
- Graças a Merlin, cunhadinha. – Isabelle passou o braço pelos ombros da ruiva, sinalizando camaradagem. – Ele anda tão insuportável esses dias, imagina se descobrisse que você também tem um caso com o loiro sonserino.
- Nem me lembre disso.
- Olhem pelo lado bom: pelo menos ele é gato. Vale alguma coisa essa confusão toda. – Jordana piscou para as duas meninas.
- Muito gato. – concordou Isabelle.
- Muito mesmo. – disse Victoria em seguida.
Ryan meneou a cabeça e sentou-se no sofá, servindo-se do vinho sobre à mesa ao lado.
- Vocês falam isso tendo namorado, imagina solteiras. – tragou o primeiro gole com uma careta. Era um dos fortes.
- Olhar não arranca pedaço, Ryan. – Isabelle sentou ao lado do amigo, e as outras duas o acompanharam, espremendo o garoto. – Estou muito satisfeito com meu namorado, mas coisas belas devem ser apreciadas.
- Concordo plenamente, Belle. – Jordana olhou maldosa para o loiro emburrado. – Sabe aquele tal de Eric do Ministério? Ele é uma graça.
- Oh, prima. Você tem tanta sorte de ser formada. – riu a outra morena.
- OK! – Ryan levantou num pulo, quase derramando vinho nas garotas. – Melhor sair daqui antes que eu comece a pegar uma bandeira de arco-íris.
- Deixe de ser bobo, Ryan. Volta aqui.
- Nem morto, Vick. – ele negou. – Melhor passar frio do que ouvir vocês fofocando de homem.
Dizendo isso, saiu de perto das garotas, indo para o lugar onde Lyra e Draco estavam à pouco tempo atrás.
Isabelle sorriu, não escutando o que as duas outras meninas discutiam entre si. Estava curiosa para saber no que tinha dado a conversa de Harry e Lyra, torcia para aquilo acabar logo, pois já estava enjoada do ciúme ambulante que era Harry.



Lyra ficou na ponta dos pés, já fazia alguns minutos que tentava encontrar o pai ou os padrinhos no meio daquela multidão. Lançou um olhar ao canto do salão e viu Draco conversando com o pai e mais alguém que não conhecia.
Suspirou cansada. Estava começando a pensar que os padrinhos não estavam ali, geralmente avistava de longe os cabelos avermelhados de Lily.
- Não reconhece mais os amigos, Lyra? – perguntou uma voz grave atrás dela.
A menos de dois passos de distância, um rapaz moreno de olhos amendoados sorria para ela.
- Julian! Meu Deus! – Lyra correu para abraçar o amigo italiano. – Quanto tempo!
E realmente fazia muito tempo que não se viam, anos na verdade. Ele estava mudado, e para melhor. Crescera pelo menos uns dois palmos de altura, os cabelos antes longos estavam curtos e arrumados com gel. Costumava ser como Harry, extremamente magro, mas pelo que viu, Lyra deduziu que a posição de batedor que ele ocupava no time juvenil fizera muito mais do que apenas diverti-lo. E a melhor mudança era a falta do aparelho dentário que a mãe o forçou a usar durante quase dois anos, e embora na época fosse extremamente estranho, valeu a pena, pois seu sorriso estava maravilhoso.
- Quando chegou à Inglaterra? – indagou Lyra, puxando o garoto para perto das pequenas poltronas douradas, onde cada um ocupou uma.
- Faz uns dois dias. Meu pai tinha algumas coisas para resolver com o ministro de vocês antes da festa. – ele olhou ao redor, procurando por algo. – Onde está Harry? Eu não o vi por aqui.
- Ele estava jogando pôquer com o pessoal em outra sala. Quer que eu te leve lá? – perguntou Lyra, embora não quisesse voltar para lá naquele momento.
- Depois. – ele abriu um sorriso malicioso, olhando de viés ao loiro de cara fechada que o secava. – Eu não sabia que você estava saindo com Draco Malfoy.
Lyra sentiu as bochechar arderem, estava totalmente corada.
Aquela era uma das qualidades que mais prezava no amigo, e também uma das mais odiadas. Ele era observador além da conta, percebia coisas ao redor que ela ficava horas para enxergar.
- Essa é uma longa história...
- Que bom, porque eu tenho tempo sobrando.
- Mas como? Você nos viu juntos?
Ele negou com a cabeça. Olhou para Draco, que ainda continuava vigiando qualquer movimento que fizesse.
- O garoto não tirou os olhos de você desde que foi para aquele canto, e, claro, além do fato dele provavelmente querer me dar uma surra na saída. Ciumento esse Malfoy, hein?
- Ai, Julian, você não faz idéia da confusão que me meti. – Lyra meneou a cabeça em negativa, deixando a mostra um sorriso matreiro. – Mas vale tanto a pena.
Fez um breve resumo da história completa, contando apenas os fatos principais, especialmente o soco que Harry deu em Draco quando os viu juntos pela primeira vez. Julian se mostrou surpreso com a reação de Harry sobre o relacionamento dela com o sonserino, e acabou concordando com Lyra sobre a reação exagerada de Harry.
- E até hoje ele está te dando um gelo? Só por isso? – revirou os olhos ao ver Lyra concordando. – Certo, você podia ter arranjado coisa melhor, mas, enfim, isso não é motivo.
- Julian! – deu um tapa de leve no braço do garoto, que desviou por pouco. – Vou ignorar esse último comentário, mas agradeço por me dar a razão, é tão raro isso acontecer.
- Disponha. – ele fez uma reverencia exagerada, quase caindo da poltrona. – E seu pai? Aceitou bem?
- É um processo longo e doloroso esse da aceitação, mas ele chega lá um dia. – riu ao lembrar-se do escândalo que Sirius fez ao ver Draco na sala de estar. – Espero.
- Lyra, eu preciso falar com você.
Lyra não espera por aquilo. À sua frente, Harry e Draco se encaravam com horror, ainda mais, por terem dito a mesma frase ao mesmo tempo. Ela olhou para Julian, que apenas mantinha um sorriso sem graça no rosto. Não ia se meter naquela confusão.
- Se manda, Malfoy. – disse Harry, ríspido.
- E lá vamos nós de novo. – Lyra falou baixinho, soltando um muxoxo. Apenas Julian a ouviu.
- Quem não foi convidado aqui foi você, Potter. – respondeu Draco no mesmo tom.
- E quem disse que você foi? – os dois garotos estavam cada vez mais próximos, faltando só cuspirem veneno um no outro.
Ela não sabia se olhava para o melhor amigou ou o namorado, e no desespero, pediu ajuda para Julian, que soube exatamente o que fazer.
- Olá. – levantou da cadeira e deu um passo a frente, ficando entre os garotos. Cumprimentou rapidamente Harry, depois virou-se para o loiro ao seu lado. – Julian. Prazer. – e apertou a mão de Draco calorosamente, deixando o outro um tanto confuso.
- Já foi à Itália? – perguntou Julian à Draco, que fez que sim. – Ótimo! Temos tanto em comum.
Julian começou a afastar-se, levando Draco consigo, quase arrastado. Aquele garoto realmente sabia enrolar as pessoas quando queria.
- Ele sempre foi meio estranho, não? – riu Harry, apontando para o italiano já longe.
- Bastante.
Lyra mantinha-se séria, também não dissera mais nada. Harry veio procurá-la, portanto, deveria vir dele a primeira iniciativa. Conhecia o moreno muito bem, e podia-se dizer que o tempo que deu a ele para espairecer parecia ter funcionado. Ele não estava com a cara fechada como das últimas vezes que se encontraram, parecia calmo, e ao mesmo tempo, nervoso.
- Como está Sirius? – perguntou Harry sentando-se no lugar que há poucos minutos era ocupado por Julian.
- Harry, você não veio aqui só para perguntar sobre o seu padrinho.
- É verdade, eu não vim por isso. – ele mantinha o olhar fixo nos movimentos nervosos dos dedos, coisa que sempre fazia quando estava um pouco ansioso. – Você tem certeza do que está fazendo?
Lyra pensou bem antes de falar, não por dúvida sobre seus sentimentos por Draco, mas para analisar bem o amigo. A voz dele saiu calma, então ela soube que não estava ali para brigar, mas ainda tinha de ser meticulosa com suas palavras.
- Você sabe que sim. – fez uma breve pausa antes de terminar a fala. – Sempre tenho.
- Que bom então. – ele respirou fundo, e pela primeira vez desde que sentara ali, encarou a amiga nos olhos. – Ah, por Merlin, pareço que estou falando com uma estranha, e não com minha melhor amiga. Eu fui um babaca.
- Sim, você foi. – Lyra abriu um pequeno sorriso, e ele retribuiu com um igual.
- A vida é sua, e eu não devia ter me metido no meio. Você nunca fez isso, nem quando eu estava saindo com a Karen, embora quisesse pular no pescoço dela toda vez que a via.
- Exatamente. Ela era um porre, e ainda bem que você descobriu isso. Antes tarde do que nunca. – ela sentiu Harry pôr a mão sobre a dela, e não pôde deixar de sentir uma onde de felicidade. Ficaram brigados por muito tempo, o período mais longo que passaram sem se falar, e isso a deixava angustiada. Namorado não pode substituir o melhor amigo, nunca. – O que te fez vir aqui, agora?
- Consciência? – disse Harry com simplicidade.
- Foi a Isabelle, não foi? – riu Lyra.
- Sem dúvidas. Acho que sou o único que tem uma consciência com nome.
- Não se preocupe, eu tenho uma também. – Lyra meneou a cabeça em negativa, lembrando dos escândalos da companheira de quarto quando fazia algo errado. – Eu tenho a Hermione.
- É verdade. – Harry se levantou e olhou para os dois garotos ali perto. Julian fez um breve aceno, e o loiro ao seu lado estava escorado na parede com um cara de poucos amigos, como diria Austin. – Estamos bem?
- Isso é você quem vai responder, Harry. – Lyra se apoiou no braço de Harry para tomar impulso e ficar de pé também. – Fale para a Isabelle que ela está fazendo um belo trabalho com você.
- Por que diz isso? – Harry perguntou, cruzando os braços.
- Se isso tivesse acontecido há um tempo, você não iria voltar atrás, como fez hoje. – ela deu um rápido beijo na bochecha de Harry e começou a se afastar. – Ela te mudou, e para melhor. Bom, agora eu vou lá resgatar o Draco e você pode conversar com o Julian. Não se esqueça de me contar cada detalhe depois, ok?
- Com certeza. – disse sorrindo.
Lyra aproximou-se dos dois meninos logo ali, trocou algumas palavras com Julian, depois saiu, levando o namorado consigo. Harry já tinha voltado a sentar no mesmo lugar de antes, e esperou Julian vir ao seu encontro.
- Acho que eu sou um santo, porque é só eu pisar na Inglaterra, que o conflito de vocês some. – riu o italiano.
- Parece que com o tempo, seu egotismo só se fez aumentar. – riu Harry. – O que você ficou conversando com o loiro azedo?
- Bom. – parou de falar por um instante, buscando uma resposta na memória. – Nada. O cara é mais fechado do que tudo. Você me conhece, eu tentei puxar assunto, mas ele só respondia “sim”, “não”, só faltava o “talvez” para fazer o conjunto completo.
- Julian, só você mesmo, cara. – Harry deu alguns tapinhas nas costas do amigo. – Vai ficar até quando?
- Até semana que vem, creio eu. Amanhã, estamos partindo para o norte, meu pai tem alguns assuntos para tratar com um sujeito aí, depois retornamos à Londres para ficar poucos dias. Podemos nos encontrar.
- Justamente o que eu tinha em mente. – Harry levou a mão até o rosto, consertando os óculos que estavam quase na ponta do nariz. Lançou um rápido olhar ao seu redor, depois continuou a falar quase num sussurro. – Sobre a carta...
- Eu não posso dar detalhes aqui, tem muita gente. – Julian o cortou, fazendo sinal para se calarem. – A única coisa que posso afirmar é que o filho do ministro foi encontrado morto por alguns trouxas, perto de Roma.
Harry não esperava por aquela informação. Na verdade, desde a briga com Lyra, ele não pensava muito na carta que Julian mandou no início do ano letivo. Às vezes trocava algumas informações ou teorias com Isabelle, mas nunca prolongavam as conversas.
- Não adianta esse olhar de pidão porque eu não vou ficar falando dessas coisas aqui, Harry. – ele olhou ao redor novamente, e ao ver que ninguém estava prestando atenção nos dois, continuou. – Seu pai é auror, ele deve saber mais do que eu. A única coisa que eu lhe digo é para tomar cuidado aonde pisa, tem muita gente que vende informações fácil.
- Eles descobririam porque pegaram o garoto? – perguntou Harry.
- Não. – negou Julian. – Isso é o que mais me intriga. Ele não tinha nada de especial, apenas era filho do ministro da magia. E cá entre nós, é bem melhor seqüestrar os filhos de outro ministro, porque o nosso é o maior “pau-mandado”.
Harry riu. Achava engraçada a maneira que Julian falava de política e governo, dizia o que pensava, gostando os outros ou não.
- Eles têm alguma suspeita de quem está por trás disso?
- Olha, Harry, eu costumo pegar as conversas pela metade. Semana passada, ouvi meu pai conversar com o chefe do esquadrão principal de aurores, e eles disseram que é alguém daqui da Inglaterra. – fez uma pausa ao falar, engolindo em seco. – Um sujeito chamado Lord Voldemort.
- Lord? Você está brincando, não? – Harry parou de rir ao ver que Julian continuava sério. – O que sabe sobre esse sujeito?
- Bom... nada. – Julian soltou uma risadinha nervosa, enquanto alisava os cabelos. – Só sei que esse cara não é brincadeira, está dando uma dor de cabeça danada para os aurores. – o olhar de Julian se encontrou com o do pai, há alguns passos dali, fazendo-o se calar. – É melhor pararmos por aqui, não acha?
- Certo.
- Harry, essa confusão toda ainda vai dar muito no que falar.
E aquela foi a última coisa a ser dita antes dos dois deixarem o salão ao encontro de Isabelle, na sala ao lado.



Sirius olhou para o lado e avistou a loira. Era a primeira vez naquela noite que a vira sem o marido ao lado, sinalizando caminho aberto para uma velha conversa.
- Você devia manter ser filho numa coleira, não acha? – indagou Sirius, chegando por trás da mulher.
- Que eu saiba, cachorros são quem precisam de coleiras, não acha, Almofadinhas? – respondeu Narcisa, enfatizando muito bem o apelido do primo.
- Ou para filhos muito atirados. – Sirius ancorou na parede, ficando ao lado da prima, dando visão total ao casal ali perto. Iria vigiar aqueles dois de perto, com Lyra gostando ou não.
- Sirius, Sirius, você está pagando pelos seus pecados de escola, meu querido. – Narcisa jogou-lhe um sorriso de escárnio. – Arrependido?
Sirius não respondeu, apenas revirou os olhos e continuou a fitar a filha com o “genro”. Estava quase indo até lá dar umas boas lições naquele fedelho sem vergonha, era só ele continuar descendo a mão, que com certeza eles iriam ver o que é bom para a tosse.
- Você fala com se fosse o fim do mundo esses dois estarem juntos. – disse a loira, rolando os olhos. – Não se lembra daquele verão em que você e a Bella...
- E você passou o resto do ano comentando sobre isso. – disse Sirius, com uma leve pitada de sarcasmo na voz. – Podia fazer o mesmo, contando para o Rodolphus. Ele já gosta tanto de mim, imagina se descobrir que eu tive um caso com a mulher dele na adolescência?
- Ainda prezo por sua saúde, querido primo. – riu Narcisa. – Ele te faz virar pó.
- Obrigada pela confiança que põe em mim.
- Disponha. – Narcisa deu alguns passos e começou a se afastar. – Não se preocupe, logo, logo eles vão perceber que possuem interesses diferentes. É só um caso, Sirius. É só um caso.
Sirius não ia falar o que Lyra disse no outro dia. Que envolvia amor. Ele acreditava nisso, que Lyra o amava. De todos os namorados que ela tivera, apenas disse aquelas três palavrinhas ao se referir ao atual e ao último namorado. Por isso tinha tanto medo daquela relação, de ela se envolver demais com os Malfoy. A prova viva desta catástrofe estava parada à sua frente.
- E se não for? – ele encarou a loira, que não tinha um pingo de preocupação aparente.
- Acostume-se com a idéia de ter netos loiros. – e saiu andando pelo salão, até parar e ficar entre um grupo de mulheres que conversavam animadamente.
- Olhe pelo lado bom, Sirius. Seus netos têm cinqüenta por cento de chances de puxar a beleza da Lyra. – James deu alguns tapinhas no ombro de Sirius. – E cinqüenta por cento de genes albinos pomposos.
- Eu dispenso comentários, Pontas. – Sirius olhou para o amigo de viés.
- Mas eu insisto. – James alargou o sorriso. – Eu não sabia que você e a Bella...
- Não começa, Jimmy. – Sirius meneou a cabeça. E essa era uma daquelas horas que desejava que James fosse mudo. – A gente era criança praticamente.
- Danadinho. – gargalhou o de óculos.
- Você sabe que eu estou com a varinha nos dedos, não sabe? – indagou Sirius, lançando um olhar à mão direita, que estava dentro do bolso da calça.
- Sim, eu sei.
- Ótimo. Só para conferir. – ele fitou a filha ali perto. Soltou um muxoxo cansado, ela parecia tão feliz conversando com aquele loiro intragável. Ria gostosamente de algo, e o garoto apenas meneava a cabeça. – Merda! Olha só para ela, James. Lyra parece tão feliz. Eu não posso me intrometer na felicidade dela.
- Ela iria ficar um bom tempo zangada se você o fizesse. – falou James. – Acho melhor você fazer o que a Narcisa disse. Deve dar um bebezinho bonitinho, não acha?
- Bate na madeira quando incluir Lyra e bebês na mesma frase. – disse Sirius, pegando a mão do amigo e batendo-a de leve contra a pilastra de madeira ao lado. – Você devia mostrar um pouco de preocupação com sua afilhada. Péssimo padrinho é o que você é.
- Sirius, eu também estou chocado com a escolha da minha afilhada. – disse James calmamente. – Mas tente se conformar, amigo. Cedo ou tarde ela vai dar um pé na bunda dele, não se preocupe. Agora nós temos que focar em outras coisas.
Sirius virou-se para James e o amigo deu uma rápida piscadela com o olho direito. Desde a época de escola eles faziam aquilo, a piscadela com o olho direito, sinalizando algo importante e que não poderia ser dito naquele momento. Já sabia perfeitamente do que se tratava aquilo.
- Boas notícias?
- Não. – negou James. – Morto.
- Dumbledore tem algo em mente?
- Não faço idéia. – James olhou para o casal anfitrião conversando com alguns convidados. – A primogênita deve saber de algo, ela e o marido.
- Sem dúvida. – Sirius tinha o mesmo foque de James. – Eles vão deixar saudades.
- Se vão. – riu James. – Christopher era o único que conseguia colocar algo na cabeça oca do Fuller. Agora não sei o que vai ser de nós para aturar aquela anta do nosso chefe.
- Lily ainda está muito brava? – perguntou Sirius, segurando o riso. Já fazia algumas semanas que James estava tendo problemas em casa, Lily achava um absurdo o excesso de trabalho e a ausência do marido. James tentava compensar cuidando de Nathan, ou pedindo para o compadre olhar o filho caçula, para livrar um pouco a esposa.
- Bastante. – rolou os olhos. Amava a mulher, mas tinha hora que Lily passava da conta. – Agora com os meninos em casa, ela dá uma folga. Só quero ver quando eles voltarem para a escola.
- Você estará perdido. – riu Sirius.
- Com certeza, amigo. – James olhou no relógio no pulso. Não demoraria muito para que o jantar fosse servido, e para ir embora. Estava cansado, precisava descansar. Lily provavelmente também não iria querer ficar até tarde, estava de plantão até aquela manhã. – Vai viajar de novo? Dumbledore me mandou uma carta, e acabou comentando sobre isso.
- Sim, mas vou sozinho dessa vez. Dumbledore disse que Rachel precisa ficar com a família. – disse sarcástico. – Como se eu não tivesse uma filha. Velho picareta.
- Para onde vai dessa vez? – perguntou James.
- Argentina. Parto depois de amanhã. – respondeu o outro.
- Longe, não? – James riu.
- É, e dessa vez eu não vou ganhar um beijo da Rachel. – Sirius forjou uma cara desolada, e começou a se afastar a passos vagarosos. – E sem o acompanhamento de um belo tapa no final.
- O que?! – James até acordou quando o amigo dissera aquilo. – Sirius Black! Volte já aqui! Eu quero saber dessa história. – e foi atrás de Sirius, que apenas sorria.



A festa transcorreu tranquilamente. Todos riam, dançaram, jantaram, aproveitaram e até se comoveram um pouco com o discurso de despedida e agradecimento de Christopher na hora do jantar, ele, sim, era um homem de palavras. Já se passava da uma quando James, com o filho caçula adormecido no colo, esperava à porta o resto da família. Sirius também estava lá, ao seu lado, e Lily conversava algo com Anabeth, e a conversa parecia estar boa, pois a duas riam gostosamente.
- Pelas barbas de Merlin! Elas não ficam sem assunto! – resmungou James, ajeitando a cabeça de Nathan sobre seu ombro.
- Nem me fale. – Sirius acenou para alguns conhecidos que passaram, e chamou a atenção de um que passava ali. – Christopher!
- Se divertiram? – perguntou o homem.
- Excelente festa, meu caro. – sorriu James. – Você viu o resto da minha trupe por aí?
- Estão se despedindo ali. – apontou para um grupo de garotos ali perto. – Quer que eu os chame?
- Por favor. – sorriu James para Christopher, que deu as costas e já caminhava até o grupo de garotos. – E Lyra?
- Adivinha. – Sirius fechou a cara e lançou um olhar aos jardins. – Lyra! Anda logo, menina!
- Já vou! Espera um pouco. – a voz de Lyra apareceu um pouco abafada devido ao vento e a distancia que estava.
Lyra revirou os olhos ao responder a mesma coisa pela terceira vez, e ainda ter de interromper um beijo.
- Eu tenho de ir agora, meus pais já devem estar se perguntando porquê eu ainda não estou em casa. – Draco sorriu. – E a sua geniosa resposta de “Eu me perdi, desculpa” não vai colar dessa vez.
- Uma pena. – Lyra deu mais um rápido selinho no rapaz, e soltou as mãos das dele. – Meu pai também já está me chamando. Está combinado para a gente se encontrar?
- Confirmado. Na Lowndes Square, esquina com a Motcomb? Porque lá? Não podia ser num lugar mais longe, não? – ironizou Draco.
- Porque eu vou ver uma coisa com a Isabelle lá, e é pertinho para mim. Deixa de ser preguiçoso, é só aparatar.
- Digo o mesmo para você.
- LYRA! – escutou o pai chamá-la novamente.
- Suba logo, e eu vou indo. – Draco a puxou para um rápido beijo e logo já não o via mais. Ele aparatara.
Lyra subiu as escadas e antes do último degrau, já conseguia ver o rosto bravo do pai à sua espera. Juntou-se aos outros e começou a despedir-se dos donos da casa.
- Uma linda festa, senhora Wine. – sorriu Lyra para a ruiva ao lado de Isabelle, depois virou-se para a corvinal. – Está tudo certo para depois de amanhã?
- Tudo certo. Você vai, Harry? – perguntou Isabelle ao namorado.
- Vou. Acho que...
- Ok! Vamos encerrar as coisas por aqui mesmo senão ficaremos assim a noite inteira. – James o cortou. – Christopher, Ana, boa viagem. Que dê tudo certo no novo continente.
- Obrigada, James. – Anabeth acenava, junto ao marido e a filha, e via o grupo se afastando. – Vocês vão fazer o que, filha? Passear?
- Algo desse tipo. – respondeu Isabelle, concisa.






N/Autora: Hola! Desculpa a demora, minhas aulas começaram, então não sobra muito tempo para escrever. A principio, o capítulo ia ser bem maior, mas eu acabei cortando algumas partes, senão ia demorar demais para atualiza. O beijo que o Sirius fala aconteceu e está na song CHASING CARS, já postada. E um pessoal veio me cobrar as fics novas, rsrs, mas elas são apenas projetos em andamento, logo, logo estarão postadas. Muito obrigada pelos comentários e votos, e confiram a previa e música do próximo cap. Beijos

N/Beta: /histérica/ AI MEU DEUS! Vces me viram lá? Isso mesmo euzinha estava no capitulo! Sabe a morena prima da Isabelle, a Jordana? Exatamente, Jordana Maia a.k.a. Xuh Black =D Amei o capitulo, e vocês? Aposto q sim, pqe não experimentam comentar entao? muahsuahsuhas e aproveitem pra conferir a Chasing Cars, okays?
atélogoeatémais ;*

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