Capítulo I
Hermione suspirou alto e massageou o pescoço. Aquele tinha sido um dia terrível. De olhos fechados ela ia soltando leves gemidos de prazer, ao mexer a cabeça para lá e para cá, tentando aliviar a tensão depois de tantas horas de trabalho árduo.
Já de manhã, fora acordada, um pouco antes do amanhecer, pelo ferreiro local, que tinha feito uma queimadura muito séria, quando, num momento de distração, ao invés de pegar no cabo da espada que ele fazia, pegara na lâmina recém saída da forja. Além do cheiro insuportável, dos gritos agonizantes do próprio ferreiro, e dos gritos histéricos da esposa dele, Hermione teve que lidar com um ferimento muito grave. Se tudo tivesse dado certo e ela tivesse acertado na quantia de pele e carne morta tirada, ele manteria as funções motoras da mão. Se não, o pobre ferreiro não poderia mais trabalhar.
Passara a maior parte da manhã nisso, substituindo as larvas, que retirariam a carne putrefata da mão e deixaria apenas material vivo e saudável. Não poderia deixar nenhum destes animais morrer sobre o ferimento por causa do risco de infecção. Por fim, utilizou quase todo o ungüento para queimadura e recomposição que tinha.
Mal passara por isso e iniciava o preparo de mais ungüentos e elixires, quando auxiliara uma criança que havia partido o braço ao cair de cima de uma árvore. Novos gritos e choros.
Almoçou rapidamente, pão e carne seca com uma grande caneca de água.
Mal terminava de secar o prato e já era chamada na soleira da choupana por uma menina de cinco anos porque a mãe estava prestes a dar a luz.
Eu possuo apenas dezesseis anos, pensou Hermione suspirando novamente, e já tenha responsabilidade sobre a vida e a saúde de toda uma comunidade. Ela sorriu ao lembrar o que irmão Alvo sempre lhe dizia:
— “Um curandeiro não possui apenas uma vida. Ele possui todas as vidas que o cercam. É sua responsabilidade garantir a saúde e a rápida recuperação. Mas um curandeiro não possui a morte ou as escolhas daqueles que estão sob sua proteção”.
Ela repetia este pequeno mantra sempre que queria comandar a vida de um de seus pacientes. Ele funcionava muito bem, e Hermione dedicava-se a curar e a aconselhar. O resto estava nas mãos de Deus.
Perdida nestes pensamentos e lembranças, a morena sobressaltou-se ao ouvir um ruído característico de roçar de asas. Abriu os olhos imediatamente e encontrou um pombo cinzento pousando no poleiro próprio. Franziu o cenho ao vê-lo e deu dois passos em direção à ave, dentro da pequena cozinha que também servia de sala e dormitório.
A choupana que herdara do antigo curandeiro era pequena e pouco espaçosa, mas lhe servia perfeitamente, uma vez que era sozinha e o fogão mantinha o ambiente muito bem aquecido no inverno.
Hermione desenrolou o pergaminho que a ave trazia junto ao pé e franziu ainda mais as sobrancelhas enquanto o lia. Rapidamente pegou sua trouxa e tocou para dentro muitos potes e vasilhas contendo elixires e ungüentos poderosos. Demorou um pouco na operação, porque queria ter certeza de que todos estavam bem acomodados. Com habilidade pendurou a trouxa no ombro e cobriu-se com a grande capa azulada que havia ganhado de presente de sua melhor amiga, seu único luxo, em verdade.
Fechou a porta atrás de si e a trancou com a tramela, depois de enganchar um pequeno cordão no qual deu três nós. A cozinheira que a criara como filha, sempre lhe dissera que dar três nós na porta de entrada de uma casa a protegeria dos infortúnios e dos ladrões. Mesmo depois de cinco anos de relacionamento com Frei Alvo, Hermione ainda conservava esta superstição.
Ainda bem que já estava escurecendo, pensou a curandeira enquanto seguia pelos cantos mais sombrios da aldeia e entrava no palácio imperial sem ser vista.
A morena conhecia várias formas de entrar incógnita no castelo. Isso foi necessário assim que a Rainha Luna ficou grávida e começou a correr risco de morte com a gestação. O próprio Rei Ronald mostrou uma a uma das passagens. Os segredos delas eram passados de pai para filho, assim como a coroa. Depois do Rei a única pessoa que saberia andar pelas passagens sem se perder seria Hermione.
Sabia que, naquele horário específico do dia, teria que usar uma passagem longe do campo de treinamento.
Todos os soldados estariam lá, fazendo coisas de soldados, pensava Hermione rindo.
Com cuidado entrou na floresta que cercava o castelo em um dos lados e usou outra passagem que a levaria para o corredor da sala do trono.
Fosse pela ironia, fosse pelo destino, o corredor da sala do trono era um dos mais vigiados e haviam duas amplas janelas que davam exatamente para o campo de treinamento. Hermione teria que se esgueirar por debaixo das janelas torcendo para que os soldados que faziam a ronda naquele corredor estivessem longe quando ela estivesse percorrendo-o.
Enquanto andava nos labirintos sob a terra e depois sob as pedras do palácio, Hermione orava baixinho pedindo pela força de Luna, e pela sua própria força. Levou exatos dez minutos para chegar ao fim da passagem, uma velha tapeçaria.
Com extremo cuidado ela a afastou e espiou pelo corredor.
Suspirou aliviada, quando viu que estava tudo vazio. Saiu, lépida, de seu esconderijo e começou a avançar em direção à Torre Leste, onde ficavam os aposentos reais. Mantinha-se muito alerta, pois o corredor era largo e possuía poucos e esparsos esconderijos onde poderia ir caso algum soldado resolvesse passar por ali.
Quando chegava à bifurcação que lhe garantiria acesso à outra passagem entre as paredes até o corredor dos aposentos reais, ela ouviu o som de vozes vindo do ponto oposto do corredor. Nervosa, Hermione começou a caminhar muito ligeira e a procurar um local onde pudesse meter-se e evitar o encontro. Porém já havia passado por todos os nichos que haviam por ali.
A curandeira começou a entrar em desespero. Ela estava sem saída, ou quase.
Acima de si existiam dois archotes de metal grandes, de meio metro aproximadamente. Ela pensou rápido e tirou a capa além de amarrar as saias e saias que usava nas pernas a fim de não pegar fogo. Com um impulso pegou na base de um archote e suspendeu o corpo, erguendo-o até que alcançasse o próximo com as pernas. Literalmente, guindou-se para cima.
Foi bem a tempo. Os dois soldados discutiam ferozmente e nem se lembraram de olhar para as paredes ou para cima. Hermione susteve o fôlego enquanto ouvia:
—Eu já disse, Colin, a Ana irá sair comigo neste final de semana. Eu disse que a conquistaria ante de você. Também quem iria querer sair com um babaca como você se pode sair comigo—alardeou o mais alto de cabelos crespos e cadência rude e arrogante.
—Cala a boca Cormáco! Aposto que a Ana só sairá com você porque você ameaçou o irmão dela mais cedo nos estábulos. Se ela fosse preferir alguém seria eu e não um idiota gabola como tu—retrucou o mais baixo, porém mais forte e de cabelos louro platinados.
Os dois soldados continuaram esta infrutífera discussão quando desapareceram na bifurcação de corredores.
Hermione soltou a respiração que estava prendendo até então e tratou de descer de seu esconderijo nada secreto.
Ela teve alguma dificuldade. Subir, repentinamente lhe pareceu muito mais fácil. Depois de duas tentativas frustradas pelo medo de cair e quebrar todos os potes de cerâmica que tinha em sua trouxa, Hermione decidiu apenas soltar-se e cair como um saco.
Surpreendeu-se, entretanto, ao cair de pé com os joelhos levemente flexionados.
Sem pensar mais nisso, tratou de entrar na passagem assim que chegou de fato na bifurcação e subiu as escadas com uma rapidez surpreendente. Esta passagem terminava atrás de um quadro e ela espiou por um buraco ao lado para ver se o corredor estava vazio. Feliz, reparou que finalmente a sorte estava ao lado dela.
Ela saiu da passagem e ia confiante até a grande porta de madeira, quando alguém a puxou pelo braço e lhe atirou com violência no chão.
Com um reflexo rápido, protegeu a trouxa com seus ungüentos com o corpo, e caiu de bunda aos pés do homem, com tal força que a touca se soltou de seus cabelos revoltos, liberando a maça ondulante e volumosa que brilhava sob a chama das tochas.
Indignada, ergueu os olhos faiscantes e deparou com um par de pernas poderosas, depois um peito forte e musculoso, ombros largos que desciam e subiam... O homem era realmente grande! E estava zangado. Muito zangado, concluiu com um gemido de desgosto ao ver os maxilares contraídos como duas pedras.
Harry sentia-se bem ao entrar pelos portões do palácio e desmontar de seu garanhão negro, Ares. Mas logo a sensação o abandonou quando ele lembrou-se do que o aguardava dentro das paredes do castelo.
Dezenas de mocinhas casadoiras, lançando seus olharzinhos pretensamente pudicos e ao mesmo tempo erroneamente sedutores, que o deixavam a beira de um ataque de fúria. E nem suas respostas pouco educadas, nem seus olhares irritados dispersavam aquele levante de saias ou suas acompanhantes, que pareciam ainda mais ávidas.
Também, pudera. O príncipe Harry era de longe o partido mais cobiçado de Atalaia. Com quase trinta anos, era detentor de um musculoso e elástico corpo de mais de um metro e noventa de altura, ombros largos e pernas bem proporcionais. Os cabelos negros não estavam curtos como o costume romano militar que ainda vigia entre eles, mas mais compridos e caíam de qualquer forma sobre o rosto de ângulos retos e queixo forte, que denotava a teimosia típica masculina. Os olhos verdes eram brilhantes e sagazes, a boca era bem feita, mas raramente se curvava em um sorriso. Ele era bem quisto pelo povo de Atalaia, pois era um grande guerreiro, honrado e corajoso.
Assim que o príncipe entregou os arreios ao cavalariço, ele seguiu, com suas costumeiras passadas largas e rápidas até o jarro de água. Ele passara as últimas três horas cavalgando entre os postos de vigia. Precisava manter todos os soldados em alerta por causa da ameaça iminente de Voldemort ao reino de seu irmão.
A irritação que passara com o exercício voltou com força total quando o nosso guerreiro lembrou disso.
Ao chegar perto da jarra, com gestos bruscos tirou o elmo, libertando os cabelos daquela coisa quente e incômoda, e atraindo os olhares cobiçosos de duas criadas que passavam por ali.
Sem se importar com isso, Harry serviu-se de uma caneca de água e bebeu a goles vigorosos, fazendo uma pequena gota do líquido escapar e escorrer pelo seu queixo, pescoço e infiltrar-se por dentro da armadura. As criadas chegaram a parar para ver a cena.
Ao perceber isso, Harry sentiu-se tentado a provocá-las mais um pouco e estava a ponto de derramar o resto da água sobre o rosto quando o capitão da guarda se aproximou dizendo:
—Príncipe Harry, precisamos da ajuda de Vossa Alteza no pátio de treinamentos.
Aquilo serviu para espantar as duas mulheres que se apressaram a adentrar no castelo, e para fazer o príncipe dar um meio sorriso irônico. As mulheres eram tão imbecis.
Harry seguiu o Capitão Thomas pelo pátio, enquanto observava o lento entardecer. Ele não tinha bons pressentimentos àquela noite.
Claro que um pouco era por causa daquela festa sem cabimento que sua adorável cunhada queria lhe oferecer. Oras, ele ficara muito satisfeito em passar sete meses fora do palácio só porque estava afastado daquelas reuniões sociais tão detestáveis.
Mas muito, muito da sua preocupação vinha por causa dos incidentes com o Reino de Penedo. Voldemort não estava brincando. As mortes e os desaparecimentos na região da fronteira se intensificaram de forma alarmante, e Harry mal tivera tempo de organizar as defesas.
A tudo isso se somava a preocupação com o estado de saúde da Rainha.
Harry não lidava muito bem com o sexo frágil. Apreciava-o sim, para satisfazer seus desejos na cama e para lhe preparar uma boa comida, mas não como companhia. As mulheres que ele conhecera eram idiotas e não tinham um cérebro, importando-se apenas com a aparência e com coisas superficiais. Pelo menos até encontrar-se com a cunhada pela primeira vez.
Luna era gentil e amorosa, e tinha um senso de humor invejável. Harry prontamente simpatizou com a esposa de seu irmão, e, secretamente, o invejou por ter encontrado uma companheira a altura, ainda que, no início, tenha sido contra a consumação daquele casamento arranjado. Entretanto, Luna era uma pessoa maravilhosa e conquistara seu lugar na família real.
Agora Luna corria risco de morte. E não apenas ela, como seu bebê também, o herdeiro do reino. Harry só ficara sabendo disso há poucos dias, quando voltara da fronteira, e agora não passava um só minuto sem que se angustiasse com uma complicação que poderia levar a vida da rainha e do herdeiro não nascido.
Eram aqueles os negros pensamentos do príncipe enquanto ele conversava com o capitão:
—E então, Dino, qual é o problema?
O capitão sorriu maroto e respondeu:
—Fora o fato de que eu queria permitir que as pobres criadas voltassem a respirar?— Dino deu uma sonora gargalhada antes de completar:— Eu queria rever a estratégia de proteção do castelo. Eu sei que quer que os arqueiros se posicionem mais ao sul e a leste, mas ainda acho que o castelo fica mais desprotegido ao norte, onde fazemos a divisa e...
Harry o interrompeu com um gesto.
—Voldemort é mais esperto que isso. Se ele resolver atacar, ele nos atacará pelo sul. Eu tenho certeza disso. — Ele franziu o cenho e indagou: —Mas o que é que aqueles dois estão fazendo lá?
Dino Thomas olhou na direção que Harry apontava e viu dois soldados altos que dançavam com o boneco utilizado nos treinos com lanças, enquanto os demais riam e aplaudiam.
—Droga, os gêmeos em ação de novo!—Exclamou ele indo à direção dos dois.
Harry, ainda de semblante fechado, seguiu o Capitão. Não queria brincadeiras durante o treinamento. O perigo que os sondava era sério demais, iminente demais para que se desperdiçassem aqueles minutos numa bobagem daquelas.
Alheios a tudo, os gêmeos riam e Fred dizia:
—Vejam, caros senhores, como esta formosa donzela derrete em meus braços, vou chamá-la de Fredete.
Jorge tomou o boneco dos braços do irmão e retorquiu:
—Ela é muito linda pra isso, o nome deveria ser Jorgete!
—Ei, eu também quero dançar com a Jorgete—disse um rapazola num canto.
—Calma, Simas, já vai chegar a tua vez...
As risadas lentamente diminuíram, mas os gêmeos não perceberam a razão até que ouviram uma voz forte e cheia de comando dizendo:
—Quando chegará a nossa vez?
Pálidos, os dois largaram o boneco prontamente e viraram-se para observar as figuras assustadoras do Capitão da Guarda real, Dino Thomas, e do Chefe da Guarda Real, príncipe Harry de Atalaia, ambos com uma postura agressiva, as pernas afastadas e os baços cruzados sobre o peito.
—Capitão, Vossa Alteza, que honra—começou Fred meio gaguejando.
Harry e Dino trocaram um olhar sombrio e Dino falou:
—Honra ou não, os dois têm cinco minutos para colocar o boneco no lugar, mais cinco minutos para recolher todas as armas, e hoje, ficarão de guarda na frente dos estábulos, como castigo por esta brincadeira.
—Mas, senhor...—tentou Jorge.
—Mas nada, Weasley—trovejou a voz de Harry.—Será que tenho que lembrá-los qual a obrigação de vocês? Nós estamos à beira da maior batalha que Atalaia já presenciou. Este não é o momento apropriado para estas brincadeiras tolas. Entenderam?
Ante aquela voz de barítono todos os soldados tiveram a decência de mostrarem-se arrependidos. É claro que todos sabiam que Rei Voldemort planejava atacar Atalaia, ou mais precisamente, planejava atacar o castelo e a família real. E é claro que todos protegeriam o rei e a rainha com a própria vida se fosse preciso.
—Sim senhor—responderam todos com a voz baixa.
—Dispensados, menos os senhores, senhores Weasley, lembrem-se: cinco minutos—completou Dino.
Os gêmeos gemeram, pois já estavam saindo de mansinho. Com um aceno eles pegaram o boneco e se dirigiram ao ponto onde ele costumava ficar fixado, preparados para montá-lo de novo. Por mais brincalhões que fossem os dois, vindos de uma família numerosa e soldadesca, levavam muito a sério a segurança do palácio.
Seu pai, o Conde Weasley, fora um proeminente cavaleiro, e seu irmão mais velho, Guilherme, mantinha um posto alto no exército do reino, e comandava toda a defesa da parte leste de Atalaia. Outros dois irmãos, Carlos e Percival, estavam destacados na força que defendia a parte norte. Eles eram os mais novos e também queriam levar glória e honra ao nome da família.
Harry olhou os dois irmãos e sorriu, pensando nas brincadeiras que ele e o rei faziam quando eram mais novos e ainda não tinham as obrigações que atualmente lhes pesavam. Suspirou pensando na rainha e o sorriso morreu.
Viu dois soldados aos empurrões num canto perto do poço e reclamou:
— Creevey, Mclaggen, ao invés d ficarem brigando, por que os dois não estão indo cumprir a obrigação de sentinelas nos corredores do castelo? Ou vocês preferem passar o dia limpando os estábulos?
Ambos caminharam imediatamente para o castelo, em silêncio, antes que o príncipe os obrigasse a cumprir tal tarefa, que ficava bem aos servos, mas não aos soldados.
Dino riu.
— Harry, você tem que relaxar um pouco. Por mais que haja perigo, nós estamos bem preparados. Amedrontar todos os soldados disponíveis não é uma boa tática, sabe.
Apesar de Dino Thomas ser um amigo de infância, Harry não recebeu com muita facilidade aquele sutil pedido de calma. Lançou um olhar duro ao capitão e voltou-se para entrar no castelo também, enquanto dizia:
—Se nossos soldados se assustam com uma ordem de seu superior, então realmente preciso me preocupar.
Dino ficou abismado enquanto o observava se afastar. Harry sempre fora ríspido, mas nos últimos dias estava mais ditador que nunca. Ele estava era precisando de uma boa mulher.
O príncipe resmungava ainda quando entrou no castelo, e já se encontrava na porta do salão principal quando Miss Vector o interceptou com um olhar assustado:
—Vossa Alteza, sua Majestade o chama em seus aposentos.
O príncipe a olhou com desconfiança. Luna jamais o chamava em seus aposentos. Miss Vector, percebendo que Harry lhe lançava um olhar gelado, tratou de completar:
—Sua Majestade, o rei.
Harry dirigiu-se então ao corredor que o levaria a torre leste e ouviu a voz fina da criada:
—Acho que o bebê irá nascer, Vossa Alteza.
O príncipe, então, praticamente correu escadaria acima, com o coração aos pulos. O herdeiro só deveria nascer dali a duas semanas. Será que já haviam avisado ao misterioso curandeiro que cuidava da saúde da Rainha? Ele começava a se exasperar com todo o segredo que seu irmão e sua cunhada faziam sobre a identidade deste curandeiro. Será que seria uma pessoa de confiança? Seria alguém com experiência?
A preocupação sobrepujou ainda mais uma vez a irritação. Como Luna estaria? E seu sobrinho? E seu irmão?
Em cinco minutos ele já estava à frente da porta do quarto do rei.
Ele já havia ouvido os soldados Mclaggen e Creevey, num corredor abaixo, discutindo por causa de uma das criadas. Pelo menos os corredores estavam bem vigiados, pensou ele, pois os dois, apesar desta discussão sem fundamento, eram bons soldados e muito alertas.
Quando erguia o braço e estava a ponto de bater na porta de madeira, ele ouviu um pequeno barulho vindo de uma das passagens. Harry franziu o cenho e todo o seu corpo, treinado nas inúmeras batalhas, ficou em alerta. Ele escondeu-se rapidamente atrás de uma das tapeçarias, pronto para atacar quem quer que estivesse usando a passagem para chegar até ali incógnito.
Foi quando ele a viu.
Um pé pequeno envolto numa sapatilha rústica desceu pelo buraco. Seguido de um vestido cor de chumbo, horroroso, uma trouxa e enfim uma cabeça coberta por uma touca branca típica de criadas. A diferença é que esta pequena criada usava uma capa de tecido nobre e brilhante, bonita e cara demais para alguém tão pobre quanto suas roupas podiam delatar.
Viu a pequena mulher olhar com cautela à volta e então seguir com passos muito rápidos até a porta do quarto da rainha.
Num salto ele saiu do esconderijo e puxou-a pelo braço. Calculou mal a força, e como ela era muito leve, ele acabou a atirando no chão.
Altivo, Harry recuou um passo e observou a intrusa com fúria contida. Seus olhos verdes vaguearam pela perna nua que as saias descobriam. Sorriu irônico, quase gargalhando, quando a jovem tratou de tapar-se sem ao menos perceber que ele já vira o suficiente. Seu olhar, então, caiu sobre a vasta cabeleira acastanhada, que parecia seduzi-lo ou tentá-lo a puxar aqueles cachos perfeitos.
Ante este pensamento impróprio, voltou a franzir o cenho. Quem seria aquela mulher estranha que planejava entrar no quarto de sua cunhada?
— Seu animal selvagem! — Hermione sussurrou entre dentes enquanto se erguia.
Harry ergueu uma sobrancelha. Quem, afinal, era aquela louca?
— Louco insano! — Hermione continuou resmungando baixinho, caminhando de novo até a porta, para ser barrada novamente pelo corpo férreo.
Tentou empurrar aquilo, sem qualquer efeito. O homem se detinha como uma estátua. Duro como mármore. Impregnou mais força, e sentiu a musculatura do abdômen do gingante se contrair. Ao erguer os olhos viu que ele continha uma risada. Hermione mudou de tática e, praticamente, passou a lhe dar pontapés.
Harry olhava divertido aquela mulher miúda que tentava enfrentá-lo como uma gata selvagem. Os olhos castanhos brilhavam com indignação, circundados por pestanas longas e mais escuras que as sobrancelhas, dando um ar misterioso ao olhar daquela mulher. A pele era branca como leite e as maçãs do rosto levemente rubras, talvez fosse de raiva. A boca vermelha era bem desenhada e carnuda, o queixo altivo e pequeno. Harry a encarou por um longo tempo, chocado ante aquela beleza extraordinária. Por fim, se moveu e agarrou nos braços esbeltos, apertando-os com força tirando-a da frente do quarto da rainha.
Hermione entrou em pânico quando ele começou a arrastá-la na direção oposta da porta.
—Senhor! Pare imediatamente!— ela gritou alarmada.
— Cale-se, sua louca —ele resmungou entre dentes.
—Mas eu preciso ir...
O príncipe já perdia a escassa paciência e falou com uma voz fria:
— Se você não se calar, juro que vou açoitar seu belo traseiro!
Hermione o encarou perplexa. Nunca, em toda a sua vida, encontrara homem tão bruto e insuportável! Frisa-se que ela havia encontrado muitos homens intratáveis ao logo dos anos, mas nenhum igual aquele brutamontes crescido que a arrastava para longe de sua amiga.
Irritada e com todos seus instintos de auto preservação em alerta, a curandeira virou o rosto com precisão e mordeu com vontade o braço firme do algoz. O que o fez largar-lhe um dos braços. Sacudindo-se com violência, Hermione livrou-se dele e lançou-se em direção da porta como uma bólide.
Harry ficou pasmado por apenas um segundo ante a audácia daquela louca de belos cabelos castanhos. E este segundo fora o suficiente para perdê-la. Com um passo ele a agarrou pelos cabelos e pela cintura fina. Ainda que tomado pela ira, ele sentiu um calor pouco comum tomando conta de si ao comprimir a jovem revoltada em seu corpo. Ignorando esta sensação estranha ele falou:
—Sua bruxa. Fique quieta e te darei uma morte rápida.
—Seu idiota, brutamontes, patife de uma figa!—Ela murmurava e se contorcia—Solte-me imediatamente.
Harry a apertou com mais força, mas ter aquele corpo macio e feminino roçando contra si acordou outros instintos nele. Aquela mulher desprendia um cheiro incomum de hortelã e camomila. Ele tinha que calar aquela maluca e pensou seriamente em beijá-la até que ficasse quieta. Aquela boca pequena e carnuda parecia implorar por isso.
Ele sacudiu a cabeça ante aqueles pensamentos incomuns. Onde estava toda a sua disciplina? Aquela mulher era uma espiã, ou coisa pior!
—Garota, eu estou perdendo a minha paciência—disse ele com uma voz de gelar o sangue.
Se fosse qualquer outra pessoa, até mesmo o rei, teria percebido que aquela atitude do príncipe significava que ele estava prestes a perder a calma e a se tornar um inimigo poderoso. Mas Hermione não conhecia o príncipe, não sabia de nada disso. Ela só se importava em libertar-se do gigante e chegar até a amiga e auxiliá-la no parto.
Ela sentia a dureza do corpo ao qual era comprimido e a força do braço que a segurava, o que a fazia perceber o quanto era vulnerável. E isso não era nem um pouco agradável. Num último esforço ela pisou com tanta força no pé encapado com uma bota, que chegou a machucar o próprio calcanhar, mas pelo palavrão que o gigante dera, ela o machucara também.
Aproveitando-se daquele meio segundo, ela sacudiu-se até se libertar correndo com desespero a porta do quarto de Luna. Se entrasse lá estaria a salvo do homem doido.
Mas não chegou a dar dois passos antes que o gigante a pegasse de novo e, sem nenhum constrangimento, a lançasse sobre o ombro e se afastasse da porta salvadora.
—Eu a avisei, sua diaba! Vamos ser como se portará depois de um ou dois dias nas masmorras, pendurada pelos pulsos.
Hermione estava tão desesperada que estava quase chorando. Mas ela não podia entregar-se a derrota, Luna precisava dela. Naquele exato momento sua amiga contava apenas com ela. Sem saber mais o que fazer, Hermione voltou a gritar com todas as forças:
—Solte-me! Solte-me, seu bandido! Solte-me!
—Bandido? Eu?! Ora se eu...
Naquele exato, interrompendo Harry, a porta do quarto da rainha se abriu e o Rei Ronald saiu pálido e nervoso. Quando ele fixou os belos olhos azuis na cena, suas feições ficaram chocadas e irritadas. E sua voz saiu perigosamente furiosa quando ele indagou:
—Mas que infernos está acontecendo aqui?!
N/A Carla Ligia: Oi... Será que agora vocês me perdoam???OO??? Eu fui uma boa menina, atualizei e tudo, bem como o prometido e tal.... Tudo bem que demoru mais do que a gente esperava, mas foi do coração... Um capítulo bem bonitinho... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Meus queridos o que acharam???*+*??? O Harry não é um pedaço de mau caminho???*+*??? Ele está louco para desvirtuar as jovenzinhas desavisadas... Nã... Ele não agüenta mais as jovenzinhas desavisadas, ele quer uma mulher que o entenda e que tenha conteúdo. Coitado ele é perseguido pelas mulheres solteiras como um pernil é perseguido por um bando de cachorros... ahsuashuashaushuashaush. E, infelizmente, ele acabou de atacar a única mulher decente, ele não anda com muita sorte mesmo... ahsuashuashuashaus. Nem a Mione coitada... Vocês viram como ela trabalha duro??oO?? Nossa, queimaduras, fraturas, partos... de tudo um pouco, hehehehehe. E o que acharam dos soldados???oO??? E das criadas taradas que ficaram secando o Harry??? (Simmmmmmm morte a todas... ahsuashaushaushuash). E a entrada providencial do Rei??OO?? Ele chegou na hora certa, né??? Ahsuhasuhasuhas. Bem, espero que o capítulo tenha valido a espera. Mas temos uma notíca meio triste a dar a todos. A Jan vai explicar melhor na N/A dela. Por isso, leiam a N/A!!!!! Kkkkkkkkk. Beijocas estreladas a todos os maravilhosos seres que comentam. Beijinhos aos nossos mudinhos, que pelo menos passam aqui para nos visitar. Até o capítulo 2.
Nuna Potter: Poxa, nós ficamos tri felizes em saber que gostastes do primeiro capítulo. A Jan é louca mesmo...(Calma aí Chefinha)... Mas ela é maravilhosa e multifuncional, por isso consegue ter tantas fics maravilhosas, espero que o primeiro capítulo tenha agradado. Beijocas estreladas.PS: A capa é lindona mesmo..kkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
Jessy Potter: Pois é Flor, depois de nos atormentar finalmente tens o capítulo um. Que bom que gostastes do prólogo. Ah.. o Harry é ótimo, espere pra ver ele durante a fic. A gente se fala no msn. Beijocas estreladas. PS: tua capa faz muito sucesso..kkkkkkkkkkkkkkkkk.
Diany Paula: Amada, todas as beijocas estreladas e beijos especiais pra ti que comentas sempre.. ahsuahsuashuahsuash. A imaginação???oO?? Bem ela fica em qualquer lugar, né?? Nós apenas unimos nossas mentes geniais.. ahsuahsuashuashaush. Ta certo que é meio intercontinental... Mas o msn é uma ponte bem eficiente... kkkkkkkkkkkkkkkkk. Coitado do teu vovô... ahsuahsuahsuashuah. Ainda não sei, talvez coloquemos um bigode no Voldinho em tua homenagem, que tal???*+*??? Fico tri feliz que gostastes do nosso prólogo, a idéia era essa, que todos vocês se sentissem parte da nossa história. Ainda bem que o msn não tava te atrapalhando..kkkkkkkkkkkk. E sou MD sempre, pelo menos é o que a Jan diz. Se gostastes tanto da prévia espero que tenhas amado o capítulo um?? Valeu a pena a demora?? Eu te empresto um pouco da minha imaginação mediante pagamento, que tal oito sapos de chocolate por semana??oO?? ahsuhaushaushaushau. Beijocas estreladas.
Katrina: que bom que gostastes do prólogo.. Nossa dizer que parece uma adaptação deixou-nos extremamente felizes. Desculpe a demora...;].. Eu sei que merecemos aquele comentário enraivecido e não desistimos, né?? hasuhaushausha. Valeu a pena esperar?? A àgua na boca foi satisfeita??*+*?? O encontro dos dois não foi muito gentil né?? Haushaushausha. Concordo que a Mione mordendo ele e caindo de bunda no chão foi muito engraçado... ahshasuhasuhasuhaush. Só espere para ver os próximos capítulos. Beijocas estreladas.
Alais: E aí? Faiscou o bastante??oO?? ahsuhaushaushaushaush. Espero que tenhas curtido o capítulo. Beijocas estreladas.
***Sarinhaaa***: Que bom que gostastes do prólogo, espero que o primeiro capítulo tenha valido a pena. Beijocas estreladas.
Bruna: Não é adaptação não... É a nossa mente mesmo, ahsuhauahsuahsuahsaush. Espero que tenhas gostado do primeiro capítulo. Beijocas estreladas.
Teresa: Obrigada pelo desejo de inspiração colorida e por achar tão bom o nosso prólogo..*+*.. Mas não é adaptação, não.. ahsuahsuashaush. Se amastes a prévia, então deves ter amado o capítulo um. E aí? Sonhastes com o abdômem tanquinho do Harry???OO??? kkkkkkkkkkkkkkk. Demorou muito o capítulo??*+*?? Não, né??*+*?? Beijocas estreladas.
Bia: Não ficou lá um capítulo muito grande, né? Mas valeu a pena??? Espero que o capítulo tenha suprido um pouquinho da tua curiosidade... ahshaushasuhaushaus. Beijocas estreladas.
Melanie: Que bom que gostastes. Espero que o capítulo um também tenha te deixado de olhinhos brilhantes...*+*... Beijocas estreladas.
Rhaissa: Que bom que te agradastes da prévia, deu um trabalhão pra fazer..kkkkkkkkk. nós também amamos H/H. Bom a Jan só escreve e só lê H/H. Nós até tentamos atualizar antes, mas a Jan ta com muitos projetos, vamos tentar ser mais rápidas de agora em diante. E não juntamos o Draco com a Gina porque eu adoro a Pansy.. ahsuhasuahsuahsuahsuas E tem toda uma história por trás disso que não quero falar agora. Ainda não sabemos se a Gina vai aparecer, mas se aparecer não será uma das principais não te preocupes. Ficamos muito felizes que tenhas amado a fic e a tenhas favoritado, tu, como autora, sabes que isso nos deixa hiper mega felizes... *+*... O meu e-mail da floreios não é meu msn. Se quiseres me adicionar é carlaligia_jus@hotmail.com. Ok. Espero que o capítulo tenha valido a pena. Beijocas estreladas. PS: podes encher de comentários mesmo assim. ahshuashaushaushaushaushasuh.
Ok… Acabaram-se as estrelas e estrelinhas estreladas... rsrs
Capítulo magnífico, não é? E eu só escrevi uns paragrafozinhos que apareceram na prévia… Tudo o resto mérito de CaLi. (quantos apelidos eu já dei a você??) Ela fez um ótimo trabalho, ótimos momentos… Eu ri muito com o “Quando chegará a nossa vez?” Oh, ótimo, ótimo… Um Harry que, sem dúvida, é duro de roer. Ah, mas tem pontos fracos… “Harry a apertou com mais força, mas ter aquele corpo macio e feminino roçando contra si acordou outros instintos nele.” Outros instintos, hein?
Lindo, lindo, lindo…
Aqui é Jan falando, pra quem não percebeu ainda. rsrsrs Bem, I have a note for you. You, you, and you. (Tô pensando seriamente em escrever tudo em inglês… rsrs) Well, me, Janete, Jan Potter, deixou de escrever essa linda fic, passando o projeto pra Carla. Então, agora quem está escrevendo é somente ela, ok? E, quando a criatividade dela falhar, eu a ajudarei com minha mente perversa… rsrs Também dou uma revisada nos capítulos… Mas o mais importante agora é mesmo isto: é a CaLi que passa todas idéias para o papel, yes?
Bem, mas não se preocupem. A fic tá entregue nas mãos certas, ok? A CaLi é maravilhosa, e tenho certeza que ela vos encherá com muitas surpresas, momentos magníficos, NC's bem picantes (eu mesma infestarei a cabeça dela quando o momento crucial chegar) e, infelizmente, uma pitada de drama (ela é meio tarada por morte).
Obrigada por tudo, sim? Obrigada por todos os vossos lindos comentários. Eles são únicos e muito especiais para qualquer autora, nunca tenham dúvida disso, por mínima que ela seja. O vosso apoio nos faz muito bem. E como vocês podem apoiar uma autora? Comentando com sinceridade… ok, não tanta. rsrs Portanto, apóiem a CaLi e todas as vossas maravilhosas autoras que escrevem pra vocês. *-*
Obrigada também à minha TD que virou a escritora oficial, aqui, em Batalhas e Honras. Tenho certeza que ela fará muito sucesso… Já tá fazendo até… Vai ficar mais famosa que eu! rsrs
A fic continuará a ser atualizada por aqui…
Beijinhos especiais pra todos. E até a próxima.
PS: em breve, a Wild Family (4 damas meio loucas) trará uma surpresinha pra todos os fãs H/Hr...
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