CAP-3 – Mortes misteriosas
CAP-5 - Lina Marnoto
Rio de janeiro.
Lina Marnoto caminhava sem muita pressa pelas ruas da cidade, era uma jovem mulher de 23 anos, tinha os cabelos castanhos com um corte bem curto, a pele branca com o rosto coberto por sardas seus olhos eram castanhos como os cabelos o nariz pequeno e achatado e a pele muito branca para quem vive nos trópicos, media por volta 1,70m, era magra, usava sempre roupas largas. Era preciso prestar muita atenção nela (o que quase ninguém fazia) para se perceber sua delicada beleza.
Era uma pessoa discreta de poucos amigos, sempre foi assim desde criança, muito dedicada aos estudos, não era nem um pouco popular na escola, para dizer a verdade passava quase despercebida por todos, menos pelos professores que sempre a elogiavam muito. Sempre foi muito determinada e séria com relação a seus objetivos e sabia se impor quando era necessário.
No Ministério era conhecida como menina de gelo, muitos a consideravam antipática, mas na verdade ninguém tinha muito o que dizer a seu respeito.
Mais uma vez ela fazia aquele mesmo percurso a pé em direção ao hospital de trouxas onde estava seu avô, Já tinha se desacostumado à maneira trouxa de fazer as coisas. A partir dos 11 anos foi educada como bruxa, na verdade viveu entre os dois mundos, mas nos últimos anos o único contato com o mundo trouxa era o avô. Entrou pela porta da frente ficou numa pequena fila e se identificou com a recepcionista quando chegou sua vez, tomou o elevador até o quarto onde estava internado seu avô.
Sentou-se ao seu lado como fazia todas as manhãs, para sua surpresa seu avô abriu os olhos, e lhe sorriu da maneira que era possível para alguém naquelas condições.
- Lina minha querida - disse o enfermo senhor estendendo a mão com extrema dificuldade na direção de Lina.
- Oi vovô - respondeu Lina lhe beijando a face.
- Você é meu maior orgulho, minha querida... Minha neta quem diria uma bruxa... Uma auror do ministério.
- Fale baixo vovô, não podemos despertar curiosidade nos trouxas. Não fique dizendo essas coisas por ai.
O velho deu uma risada que se confundiu com um acesso de tosse que teve em seguida - É devemos manter segredo, os trouxas não devem saber a respeito do nosso povo.
Lina o olhou profundamente comovida, sabia o que significava para ele o fato dela ser uma bruxa, o orgulho que ele tivera quando ela aos oito anos fez o gato da vizinha mudar de cor, ou quando ela fez o vidro de remédio, que se recusava a tomar, explodir quando tinha nove anos.
Ela se lembra de como ficava confusa e assustada com esses fatos estranhos que aconteceram durante toda a sua infância, e se lembra do olhar de expectativa e orgulho de seu avô.
A expectativa dele se confirmou quando ela tinha onze anos e seu avô recebeu uma carta do Ministério da Magia do Brasil, era uma carta padrão enviada para todos os trouxas que eram pais de jovens bruxos, pedindo que eles comparecessem ao ministério para serem esclarecidos sobre a condição de seus filhos e da maneira como deveriam lidar com a situação. Matriculas em escolas bruxas, sobre as questões legais do uso da magia por menores de idade, entre outras coisas.
A carta não esclarecia muito, apenas pedia que os trouxas comparecessem a um determinado local onde tudo seria explicado, mas seu avô já sabia do que se tratava e ficou felicíssimo com a carta, saiu pulando pela casa comemorando e dizendo que sua netinha era uma bruxa... Lina se lembra de ter ficado chocada e até ofendida em ser chamada de bruxa pelo avô, mas logo percebeu que isso o deixava muito feliz e que para ele ser um bruxo era uma honra.
Só aos 15 anos Lina viria a saber o porque da empolgação do seu avô em relação ao fato dela ser uma bruxa. Ele resolveu lhe contar sua história. Ele revelou a ela que era um aborto, um filho de bruxos que não possuía poderes mágicos. Isso foi uma verdadeira vergonha para sua família, ele contou a ela sobre sua infância infeliz, discriminado pela sociedade bruxa, sendo alvo de gozação das outras crianças inclusive seus irmãos, até mesmo seus pais tinham vergonha dele, ele lhe contou sobre o sofrimento de estudar em escolas para trouxas e ser descriminado por eles também, por seu jeito estranho de se vestir e de não conhecer as coisas comuns do mundo.
Aos dezoito anos Afonso Marnoto, seu avô, deixou a casa dos pais, resolveu partir de Portugal e emigrar para o Brasil, decidiu abandonar a Europa e vir reconstruir sua vida como um trouxa comum, na América do Sul. Conheceu sua avó casou teve um filho, seu pai.
Quando Lina tinha apenas seis anos de idade seus pais morreram num acidente de carro, o foi seu avô que a criou desde então, sendo pai e mãe para ela.
Lina passou a mão carinhosamente sobre a cabeça de seu avô, O velho então tornou novamente a abrir os olhos ¿ E o seu trabalho minha filha como vai? - Perguntou enquanto se ajeitava na cama.
- Estou investigando um caso muito importante vovô ¿ disse Lina, e o velho Afonso sorriu cheio de orgulho - Mas dependo de algumas informações do Ministério da Magia Britânico, e eles estão demorando para me enviar respostas, mas ainda essa manhã vão chegar dois ingleses que trabalham no ministério deles, talvez eu consiga com eles a informação de que preciso. Com ou sem essa informação hoje eu pego o trouxa que estou procurando tive uma dica quente de onde ele vai estar esta noite.
- Minha menininha, minha bruxinha, auror do ministério, que orgulho - disse Afonso em meio a muitas tosses. - E quanto a meu irmão? - Perguntou ele - Conseguiu noticias dele?
Lina teve um leve tremor, tinha sim encontrado seu tio-avô, na verdade foi a busca por ele que a tinha jogado de cabeça nesse caso complexo de bruxos das trevas e assassinatos, mas como contar a seu avô que uma das vítimas desses bruxos era o seu irmão?
- Ainda não encontrei não vovô, ele parece ter sumido do mundo - Mentiu e as lágrimas começaram a deslizar por sua face branca.
O velho resmungou e tossiu. A enfermeira entrou no quarto com a medicação, Lina se despediu do avô que já perdia novamente a consciência, beijou-lhe a testa e partiu.
Lina deixou o hospital caminhou algumas quadras, parou em frente a um sobrado bastante antigo de aspecto bem precário, uma pequena placa sobre a alta porta dizia: "MMB", Lina empurrou a porta e entrou estava escuro no interior, no fundo da pequena sala, havia um balcão de madeira muito velho iluminado por um candelabro de velas, atrás do balcão estava um velho que parecia ter a mesma idade que o edifício, barba comprida e carrancudo. Lina o cumprimentou com a cabeça ele lhe estendeu um folha de pergaminho e uma pena, Lina pegou a pena e escreveu a senha sobre o pergaminho. Automaticamente uma fresta se abriu na parede a direita do balcão, um filete de luz forte penetrou na sala por ela, o filete foi se alargando junto com a fresta até se tornar um grande quadro de luz e a fresta uma passagem bastante larga, Lina se dirigiu para a passagem que irradiava uma luz tão forte que era impossível ver o que tinha do outro lado.
- Dificilmente um auror utiliza esta entrada - Resmungou o velho - Na verdade quase nenhum bruxo utiliza, só os que não podem aparatar.
- Hoje eu estava perto - Respondeu Lina não querendo prolongar a conversa - E resolvi caminhar um pouco - Deu as costas ao velho e entrou pela porta mágica.
Chegou então no Hall principal do Ministério da magia do Brasil, era um espaço amplo, com um piso de mármore branco extremamente brilhante, era quase um espelho, as paredes eram decoradas com muitas pinturas e esculturas de bruxos ilustres, essas esculturas seguravam bolas de luz nas mãos que iluminavam todo o ambiente, e na parede de fundo de frente para porta na qual Lina tinha acabado de entrar, estava escrito em letras enormes e douradas Ministério da Magia do Brasil, um longo balcão de madeira polida e mármore se estendia por toda essa parede cinco bruxas vestidas de azul atendiam as pessoas que buscavam informações.
Lina olhou para o teto e viu uma enorme pintura surrealista de uma batalha, com cavalos, dragões, e outras criaturas mágicas. Todas as figuras se moviam, num verdadeiro show de cores e movimento, Lina nunca tinha visto aquele teto decorado assim.
- Parece que o ministro quer impressionar nossos ilustres visitantes - Disse uma voz atrás dela, era Virgílio Matoso.
Virgílio, também era auror no ministério na verdade era o melhor auror que o ministério tinha desde de que o velho Matias Ferraz tinha se aposentado cinco anos atrás. Ele era alto tinha 1,85m de altura de porte atlético a pele era morena escura, os cabelos volumosos e cacheados ficavam na altura dos ombros os olhos eram puxados e negros. Era muito sério com o trabalho, mas também uma pessoa bem humorada.
Sendo jovem com apenas 31 anos, bonito e de uma família respeitada, Virgílio era muito admirado por todos, vivia recebendo elogios, e era realmente muito competente, havia prendido muitos bruxos das trevas nos últimos anos, estava sempre a frente das principias ações no seu departamento. A única coisa que seus chefes não gostavam nele era o fato de gostar de trabalhar sozinho, (o que tinha em comum com Lina) mas os resultados de suas ações sempre deixavam seu chefes satisfeitos, então poucas vezes isso criou problemas para ele.
- Olá Virgílio - Disse Lina - É.. realmente parece que o Ministro quer mesmo impressionar esse tal de Harry Potter.
- De certa maneira ele está certo, apesar de muito jovem, acho que ele é um pouco mais novo do que você, esse Potter derrotou duas vezes Voldemort, o Lorde das trevas que levou a Europa a uma guerra mágica. Fico realmente impressionado com o feito desse rapaz - falou Virgílio - Voldemort era um bruxo muito poderoso, talvez seja o bruxo que tenha adquirido o maior conhecimento sobre arte das trevas no nosso tempo.
- Você conhece bem essa estória não é mesmo? - Perguntou Lina - Algumas pessoal preferem esquece-la, não gostam nem de pronunciar o nome desse buxo.
- Lógico, foi o fato mais relevante do nosso tempo, pesquisei muito isso, sempre me interesso por defesa contra artes das trevas, precisamos conhecer bem o que vamos enfrentar. E não há mal nenhum em se pronunciar o nome do lorde das trevas.
- Precisava conseguir falar com Potter - Comentou Lina de maneira desanimada.
- Você e muitos no Ministério, principalmente os bajuladores do Ministro. Vai ser difícil você conseguir.
- Mas acho que ele pode me dar alguma informação sobre o caso que estou investigando.
- A mortes no beco das garrafas? O que Potter poderia saber sobre isso?
- Ah... só te digo se o chefe passar realmente o caso para você, enquanto ele for meu, eu resolvo.
- Você realmente é convencida menina - Provocou Virgílio - Mas vou te ajudar mesmo assim, eu fui convidado para o jantar que o Ministro vai oferecer para os Ingleses, vou te levar comigo e coloca-la em contato com o Potter... Mas você vai dividir as informações comigo, eu convenço o chefe a te manter no caso sob minha supervisão. - Virgílio falava transbordando autoconfiança - Você sabe como estou há tempos na cola do Iaguara, e essas marcas de mordidas de onça nos corpos dos trouxas são evidencias da participação dele e dos seus seguidores nas mortes que você está investigando.
Lina ficou calada, o Iaguara, sabia que ele estava realmente envolvido, nem tinha pensado muito nisso, será que ela conseguiria encara-lo sozinha? Ela ficou se perguntando.
Nesse instante a conversa entre os dois foi interrompida, por que a chagada dos visitantes, chamou a atenção da pequena multidão que os aguardava no Hall do Ministério.
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