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30. DCAT


Fic: Severus - A partir de Agora (Snape/OC) NC17!! - Indicada para o Multifaceted na categoria Dark


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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J.K. é a dona, só estou me divertindo. E não estou ganhando dinheiro com isso.
Por favor, não me processe, eu não tenho nada.
Agradeço a todos os bons autores que li. Com certeza muito influenciaram.
E como disse um deles, se você reconhecer algo, não é meu.
 
 
Capítulo 30 DCAT.
Meus sonhos se realizaram, por causa de você  
 
Boatos. Vários deles. Com partes de verdade.
Eles tinham pensado que ela tentara impedir os três grifinórios de ir. E quando não conseguiu.
Não quis deixar que fossem sozinhos. Quase riu. Fora exatamente o contrário.
E quanto à chave de portal. O ministério tinha “desconsiderado” o pequeno... deslize. Com certeza havia um dedo de Dumbledore em tudo. Já que nem mesmo seria divulgado.
Imaginou que só os três alunos, ela, Snape e Dumbledore sabiam a verdade.
Mesmo que desconfiasse de que poderia incluir Gina, Neville e Luna.
E é claro: Draco.
Embora ela soubesse que tinha havido uma conversa. Entre o diretor, ele e o chefe da Sonserina.
E provavelmente alguma também com Crabbe e Goyle filhos.
Não sabia como explicaram o fato de Goyle ter ido parar em Askaban.
Mas estava no profeta diário. Ao lado de um novo ataque.
Junto com outras manchetes. Em que Arthur anunciava grandes mudanças.
Enquanto entrava em contato com os outros povos mágicos. Celebrando alianças. Ou tentando.
Divulgando intensamente a volta de Você-Sabe-Quem. Reestruturando o Ministério.
Apesar de alguns protestos no mundo bruxo. Que ela imaginou eram de simpatizantes de Voldmort.
Fortificando Askaban. Distribuindo mais material com informações sobre os dementadores.
Fazendo reuniões com os duendes. Elfos. E outros representantes do mundo da magia.
Abrindo mais vagas para aurores. Que seriam minuciosamente testados. E depois treinados.
Ela imaginou que eles não passariam sem o aval de Severus.
Arthur não iria se arriscar a ter comensais infiltrados.
A menor dúvida. E seriam intensamente investigados.
Também havia alguma coisa sobre mudanças no Saint´ Mugos.
Parece que ele realmente estava se preparando para uma guerra iminente.
O apoio de Dumbledore às ações do Ministro estava bastante claro.
Mas a Ordem não era citada. Provavelmente eles a queriam assim. Na obscuridade. O último reduto.
Não ignorava que Arthur tinha mantido Percy em um cargo no ministério quando assumiu.
Aparentemente as coisas estavam melhorando entre os Weasley’s. Tinham conseguido manter todos os filhos na Inglaterra.
E os gêmeos estavam ficando mais e mais conhecidos com sua loja.
Mesmo que isso não agradasse exatamente à Srª. Weasley.
Ela tinha sabido por Hermione. Através de murmúrios no corredor depois do café.
Antes que fosse puxada por Rony. Enquanto Harry aguardava mais adiante.
Que a Armada de Dumbledore continuava a pleno vapor. E que estava bem maior.
Não disse nada. Mas teve certeza de Dumbledore sabia. Sem interferir.
Todos comentavam. Em todo o lugar. A tensão já fazendo parte de suas vidas.
A Guerra.
 
****
 
Ela suspirou.
Ele a tinha chamado. Por uma coruja. Em plena segunda-feira!
Finalmente. Havia calma. E intimidade. Alguma coisa tinha se quebrado. Mudado.
Eles estavam recostados. No sofá. Ele estava deitado. Olhando o fogo.
Ela meio debruçada em seu peito. Na curva de seu braço. Quieta.
Sentiu-se segura o suficiente para falar.
- Quando você estava lá. – começou – No cemitério. – ele retesou-se um pouco – Eu o vi... ficar mais cansado. – parou – Como é fazer um feitiço? Olhou-a. Por um tempo.
- O que quer saber?
- Você... perde energia?
Ele parecia relutante.
- Sim. – falou – Todo feitiço precisa da energia de um bruxo para ser realizado. - Mais energia. Maior o poder.
- Sim. – respondia a contragosto. - Não é só técnica.
- Não. – respirou, sério – Concentração. Técnica. Vontade. – falou devagar – E você tem energia. - E poder. – ela murmurou. Ele franziu a testa. Observando-a.
- Por que quer saber sobre isso?
- Poder ruim. De energia ruim. – divagou baixinho – De vontade má. Ou sentimento ruim. Ou da falta de qualquer sentimento bom. Ele ficou quieto. Ela continuou.
- Mas ainda poder. – olhou-o – Bruxos bons ou ruins. Com poder. – colocou a cabeça para trás, no peito dele – Por isso Dumbledore é poderoso. Sua sabedoria. Sua bondade. É nisso que reside seu poder. Não só conhecimento. E Voldmort... - Não diga o nome dele. – advertiu duro, contrariado. Ela o olhou.
- Eu não tenho medo dele. – encarou-o – Do que ele faz a você, talvez. Do que ele pode fazer ao Harry. E a tantos outros. Mas não dele. Então não sei porque não posso dizer o nome. Ele não respondeu. As sobrancelhas juntas. Como se vê-la falando assim o incomodasse. Muito.
Ela continuou pensando. Considerando. Os olhos nos botões dele. Abrindo-os sem sentir.
- Você diz um feitiço. – voltou a falar, devagar – Usa palavras. A maioria em latim. Não sei porquê. Mas você ordena que algo aconteça. E acontece. Então as palavras têm poder. – olhou-o de novo, a testa franzida – É por isso que não posso dizer o nome dele? O poder da palavra? – esperou – O que pode acontecer? Continuou quieto. Mas virou o rosto para ela. Olhando-a. A testa franzida.
- Por que está tão interessada em tudo isso? – perguntou tenso. Ela suspirou.
Pretos. Mordeu o lábio.
- Porque eu não sei o que fazer. – falou baixo, lentamente – Não sei como agir. Se algo acontecer. – os olhos foram aos botões dele de novo – Como posso me proteger. Ou a quem estiver comigo. – olhou-o triste – Ou pelo menos não atrapalhar. Não sei o que uma tro... Os dedos dele tocaram seus lábios. Interrompendo-a. A mão quente em seu rosto.
Ela suspirou. Ao ver uma sombra em pretos. Que ela não entendeu.
- Você não vai precisar. – murmurou depois. - Porquê?
- Porque nada vai te acontecer.
Ela riu. Sem alegria.
- De novo?
Lembrou de como ele a advertira. Antes. Muito sério. Duro. Quase bravo. Sobre Lucius.
Sabendo que ele tinha razão. Ao mandar que ela parasse de se colocar em perigo.
Evitando discutir sobre o que tinha dito para ele em seu quarto.
Querendo só... Não lembrar. Dos lábios de Lucius. Nos seus.
Ele olhou-a sério. A sombra lá.
- Eu vou estar aqui. Se você precisar.
Ela sentiu o ar faltar. O rubor subir. Ficou imóvel.
Os olhos se encheram de lágrimas. Ainda em Pretos.
O lábio inferior tremeu. Não soube o que fazer. Ou o que dizer.
‘Eu amo você.’ Mas não falou. Ele não estava preparado.
Nem ela.
Inclinou-se para colocar seus lábios nos dele.
Suavemente.
Enquanto pensava... Sobre o bebê.
Precisava contar. Sua barriga já estava diferente.
Não ia poder adiar por muito tempo mais. Ele ia notar.
Separou-se de seus lábios. Hesitando.
Olhou-o.
Impediu-se de dizer.
Não era o momento.
Mesmo que isso fosse importante.
Voltou a tocar seus lábios.
Mas ela contaria. Arranjaria coragem. E contaria.
Havia um frio na barriga. A respiração se acelerando com a resolução nova.
Sentiu a mão que a acariciava.
‘Essa semana.’  
***
 
Terça-feira.
Encontrou com Hermione ao sair do café.
- Hermione! – sorriu nela. Ela pareceu suspirar. Aborrecida.
- Olá. – viu como ela tentou sorrir. Franziu a testa.
- Aconteceu alguma coisa?
Ela bufou.
- Professor Snape!
Sacudiu a cabeça olhando o teto. E depois Hermione de novo. Que parecia irada.
- Ele nos advertiu! Ameaçou nos dar detenções! – ela parecia brava – Por termos saído do castelo e sermos pegos. Por termos usado a taça. Fez parecer que a coisa toda era nossa culpa! E não disse uma palavra ao Malfoy!! Suspirou. Sentindo-se culpada.
- Eu...
- Esqueça. – ela interrompeu contrariada – Em alguma coisa ele tem razão. – resmungou. Não soube o que dizer. Imaginando que tinha sido bem pior do que Hermione estava contando.
- Hermione...
- Você está melhor? – ela a interrompeu de novo, mais suave. Tentou sorrir. Ainda incomodada com o que tinha ouvido. Percebendo que ela queria mudar de assunto.
- Sim. Nós estamos melhor. – murmurou colocando a mão em seu ventre, discretamente. Hermione sorriu realmente. Os olhos brilharam.
- Eu consegui algo para você!
Sabia o que era. Livros. Alguns sobre poções.
Sorriu de verdade agora. Ouvindo-a.
Mesmo assim tinha ficado brava.
Ele precisava realmente ter feito isso?
 
**
 
- Oi!
Desviou os olhos. Luna a olhava. O rosto foi apoiado nas mãos. Os cotovelos em sua mesa.
- Oi. – sorriu. Luna não disse mais nada. Suspirou.
Achou o jeito dela muito engraçado.
- Aconteceu alguma coisa?
A garota suspirou de novo.
- Aconteceu. Eu vou ser chamada para depor no Ministério. – mas não parecia infeliz ou afetada por isso. Conseguiu não rir. Aparentemente era um assunto sério. Embora a face mostrasse seu divertimento.
- E porquê?
- Porquê uma trouxa quer publicar um livro com as histórias que eu lhe contei.
O sorriso sumiu. Estava atenta.
- Do quê você está falando?
Ela suspirou.
- Eu a encontrei em King´s Cross. Minha mãe tinha morrido. Meu pai estava meio perdido. – imaginou se o pai era como ela – Foi olhar para uns jornais trouxas numa banca. E tinha me deixado com uma tia, irmã da minha mãe. Você sabe, ela é meio estranha e não dizia uma palavra. – Nina reprimiu o impulso de levantar uma sobrancelha. Ela parou de novo. Esperou. Impaciente.
- Ficamos na estação do lado trouxa esperando o horário do trem. Aí a trouxa apareceu. Sentou-se perto de mim. Nós conversamos. Disse que a mão dela também estava doente. Eu me distraí. E contei pra ela algumas coisas. – imaginou que tipo de coisas – Isso é proibido, sabe? Mas ela parecia não acreditar muito. Nina tentou esperar pacientemente. Ela parar de olhar a mão. E continuar. Mas não conseguiu.
- E então?
Ela a olhou de repente. Como se estivesse tentando se lembrar do que falava.
- Bem, nós nos encontramos de novo em dezembro. Meu pai não estava comigo desta vez. Só minha tia. Ela me contou que a mãe dela tinha morrido. Igual a minha. Eu fiquei com pena dela. Parecia muito triste. – deu de ombros – Ela perguntou como a minha morreu. Eu contei. - Luna! – era obviamente um risco contar a uma trouxa. - Bem, eu não pensei que ela fosse ficar tão interessada. Quase divertida. Ela parecia não acreditar muito. E o rosto não estava mais tão triste. Eu sei como é perder uma mãe. – respirou - Ninguém nunca falou do nosso mundo para trouxas antes. Mas agora você está aqui, não é? Nem pensou em entender sua lógica.
- Qual era o nome dela? – precisava ter certeza. - Joan R-qualquer-coisa. – sentiu um baque – E depois ela me deu um número que eu apertava numa caixa e falava com ela num negócio nojento que tem que colocar no ouvido e na boca e não dá pra ver a pessoa, só escutar. - Telefone. – disse tensa. - É. Algo assim. E a gente tomava sorvete e conversava. Eu nunca tinha tido uma amiga trouxa. Eu vim para cá. E aí o Harry também veio. Eu contei pra ela nas férias. O que ele fazia. Ela adorou. Fazendo muitas perguntas. Um dia quando voltei do passeio, minha tia perguntou quem ela era. Eu respondi. Ela tinha ficado meio esquisita desde a morte de minha mãe. Falou um monte de coisas estranhas. E pediu para marcar outro sorvete, que ela iria comigo. Quando nos encontramos de novo, minha tia tentou usar obliviate nela. – deu de ombros – Mas parece que não funcionou muito. E agora ela quer publicar um livro. Meu pai ficou bravo quando descobriu. - Como ele descobriu? – estava ficando nervosa. - Eu contei para ele. – disse simplesmente – Bem, ele disse que tinha que contar pro ministério. E eles me chamaram para saber como eu a encontro. - Eles querem encontrá-la? – sua mente trabalhava à toda. - É. – olhou a mão de novo – Acho que vão usar obliviate. - Quando você tem que ir lá?
- Ah, hoje.
‘Cristo!’ - Que horas?
- De tarde. Às Quatro. Papai vai mandar uma coruja para Dumbledore me deixar ir. Com uma chave de portal, você sabe. Ele vai me esperar no ministério.
Tentou sufocar a agitação. Estava quase na hora do almoço. Precisava agir rápido.
- Não se preocupe. Vai dar tudo certo. – quis realmente acreditar nisso – Porque não vamos almoçar? Luna deu de ombros.
- Está bem.
Durante o percurso, ela se assegurou de que Luna voltaria assim que pudesse.
Para lhe contar o que tinha acontecido.
 
*
 
Dumbledore estava na mesa. Ignorou Severus. A fisionomia tensa.
Não tinha esquecido de Hermione. Mas havia algo mais sério por agora.
Inclinou-se para falar no ouvido do diretor. Ele franziu a testa. Pediu licença e se levantou.
Ela evitou olhos escuros. Enquanto seguia Dumbledore.
- Ela irá hoje e nós...
- Não aqui. – falou suave. Esperou. Acompanhando o andar rápido dele. Até a gárgula.
Subiram. Ela fechou a porta. Ele fez sinal para que se sentasse.
- Muito bem.
Respirou fundo.
- Eu já lhe falei dos livros sobre o Harry. – percebeu que falava rápido, mas estava nervosa – Bem eles foram escritos por uma inglesa chamada Joan Rowling. Aparentemente Luna a encontrou na estação e contou sobre o mundo bruxo. Agora ela quer publicar o primeiro livro. E o ministério quer usar obliviate. Ele a olhou.
- Comece do início.
Suspirou. Contou tudo de novo. Mais devagar.
 
*
 
Ele tinha as mãos juntas na frente do rosto.
Ela molhou os lábios secos.
- Se os livros não forem publicados eu não...
Não conseguiu continuar. Os olhos falando por ela. O coração disparado.
Talvez ele não a achasse importante o suficiente para interferir.
Apesar de sua bondade e sabedoria... Ele era acima de tudo, um bruxo.
E o mundo bruxo e sua segurança eram mais importantes em qualquer circunstância.
Suspirou. Ansiosa. Sem ter certeza pelo quê exatamente tinha medo.
Se ela não viesse. Teria sua família. Sua vida de volta! Todo um futuro.
Sem Severus.
Mordeu a parte interna da bochecha. Os olhos angustiados. Sem querer pensar nisso.
“Che sàra, sàra.” O que tiver que ser. Será.
A mente estava inquieta...
Ela não era importante. Não mudara nada de significativo.
Exceto por Severus.
Mas isso não contava. Isso SE ela tivesse realmente feito alguma diferença.
O coração apertou mais. Percebendo que ela não tinha certeza. Se era importante. Pra qualquer um.
Mesmo que ele parecesse se preocupar. Pensou se sentiria falta dela. Ou de seu corpo.
Não. Se ele não houvesse do que lembrar. Sacudiu a cabeça. Não era hora.
Olhou para os olhos fechados à sua frente. Em profunda concentração.
Tentando controlar a apreensão em si.
- Nós precisamos falar com Arthur. – ele disse finalmente. Respirou aliviada. Mordeu o lábio que tremia.
Vendo de novo. O apreço em que o diretor tinha seu professor de poções.
Não importava que ela fosse uma trouxa. Se alguém o queria tanto quanto ela.
Parecia merecer uma chance.
- Eu irei pessoalmente. – ele levantou – Mas antes vou enviar algumas corujas. – falou devagar – E você deve voltar e almoçar. Olhou para ela. Vendo uma lágrima que rolava.
- Obrigada. – murmurou para o diretor. Ele sorriu. Parecendo ler em sua alma.
E havia muito em seus olhos.
Além de compreensão. E respeito.
Mútuos.
 
*
 
Tinha voltado para almoçar. Sem se permitir olhar em pretos.
Comeu pouco. Ainda preocupada.
Imersa em pensamentos tristes. De que talvez não importasse pra ninguém.
Deslizou a mão para o ventre.
Levantou, saindo dali.
 
*
 
Perambulou por algum tempo pelo castelo.
Não se importou em voltar rápido ao trabalho.
Poderia não haver um trabalho após tudo.
Suspirou. Andando a esmo. Vendo alunos que corriam.
Ouvindo partes das explicações de um ou outro professor.
Evitando as masmorras.
Retornou para sua sala. Mas saiu mais cedo. E andou de novo.
Finalmente voltando ao quarto quando escureceu.
Para tomar um banho.
 
*
 
Chegou cedo para o jantar. Pensando em sair antes que ele viesse.
Percebendo que o diretor não estava.
Olhou para Minerva. Recebeu um sorriso em retorno.
Aparentemente não tinha se importado por ela tirar algumas horas de folga. Ou talvez não soubesse.
Continuou jantando. E quando ele veio. Ela pediu licença.
Olhou para Hermione ao sair. Não quis saber o que ele pensou.
 
*
 
Ele a olhou levantar. Viu sua troca de olhares com Hermione.
Sua expressão se fechou.
Ela ainda não tinha entendido!
Parecia não considerar realmente o perigo. E não ter o menor respeito por comensais.
Agindo como uma... trouxa do inferno!
Completamente inconsciente de que...
‘Maldição.’ E ainda se achava no direito de evitá-lo!
Lembrou do que tinha acontecido no cemitério. E de sua decisão ao vê-la lá.
Lucius não sairia dali para contar sobre ela. Não importa o que tivesse que fazer.
Simplesmente não podia deixar que os outros soubessem.
Tinham uma idéia “diferente” de diversão com trouxas. E se pensassem que ele... Não podia arriscar. Aquela inconseqüente... Tinha ido sozinha. Com três alunos grifinórios. AQUELES grifinórios!
Atrás de comensais!! Sem avisar ninguém. Sem ninguém da Ordem ou mesmo um Auror!
Ele tinha se controlado para não machucá-la.
Escutando Dumbledore por muito tempo. Até que prometeu se acalmar.
E deixar que o diretor conversasse com ela antes de procurá-la.
E então quando fora ao seu quarto... Ela lhe parecera tão... perdida.
E depois dissera...
Não era o momento de pensar nisso. Estava com raiva. Controlou a irritação.
Tinha percebido. Algo diferente havia acontecido.
Ela falara com Dumbledore no almoço. E depois o diretor desaparecera.
E agora o estava evitando. Levantou-se da mesa. Deixando o salão.
Andando. Em direção ao terceiro andar.
 
*
 
Ficou olhando para o lago. Um bom tempo.
Talvez ele desistisse se demorasse o suficiente. Suspirou.
Quem estava tentando enganar?
Voltou a andar.
Foi segura pelo braço. E impedida de gritar por uma mão na sua boca.
Enquanto era puxada. A outra mão em seu braço. Um corpo alto às suas costas.
Até que ele percorreu o resto do caminho até seu quarto.
Entrando e selando-os.
- Quero saber o que está acontecendo. – não era um pedido. - Como infernos você me assusta assim?!
Ele chegou mais perto. Pretos faiscando.
- O quê. Está. Acontecendo? – rugiu. Suspirou. Desviou os seus.
- Luna teve um problema. Eu pedi Dumbledore que a ajudasse.
Ele estreitou os olhos. Não. Não era tudo.
- E o quê isso tem a ver com você me evitar?
Não ia ser fácil. Nunca era. Mas podia...
- Bom, talvez você tenha que se acostumar com isso afinal.
Ele a virou para ele.
- Do quê está falando?
Encarou pretos. Emoção começando em castanhos.
- Talvez eu não esteja mais aqui. Talvez você se esqueça de que me conheceu um dia. Talvez nunca exista uma trouxa em Hogwarts! – a expressão de desafio; e pesar. Ele se fechou. O coração disparando. Amaldiçoou-se por isso.
Não importou o quanto ela o perscrutou. Não havia nada em seu rosto ou olhos agora.
- Explique. – ordenou seco. Ela desviou castanhos. Tentando não se sentir decepcionada. Virou-se.
Ele a agarrou sem delicadeza pelos braços puxando-a até ele novamente.
- Agora!
- Não grite comigo! – a tensão a estava deixando com raiva – Não sou um de seus alunos! Não pode me ameaçar ou me dar detenções! – ainda estava brava por Hermione. - NINA. – o aviso era forte demais para ser ignorado. - Está bem! – respirou controlando-se – Os livros. – encarou pretos – Aqueles em que você não acreditou. – quase acusou – O motivo para eu estar aqui. O primeiro deveria ser publicado ano que vem. Os olhos escuros não deixaram seu rosto. A impaciência neles.
- E...?
- E pode ser que não aconteça. – não desviou os olhos desta vez. Prestou atenção à reação dele. Houve silêncio por um instante. A máscara impassível lá.
O único sinal de que ele tinha ouvido eram as batidas rápidas que ela sentia sob os dedos.
- Porquê? – perguntou simplesmente. Ela desistiu. Suspirou. Mas não ia se perder em explicações. Ele que fosse para o inferno!
- Porquê a mulher que os escreveu é uma trouxa! E o ministério quer usar obliviate nela.
Uma trouxa. Que sabia tudo sobre...
Dumbledore tinha lhe dito alguma coisa. Tinha usado algo daquelas informações.
‘ “... deveria ser publicado ano que vem.” ’ Ele absorveu. As implicações. Para ele. Para a Ordem. Para ela.
Um músculo latejou em seu queixo. Não disse nada. Abriu a porta.
- Eu já falei com Dumbledore. – ela resmungou. Ele a ignorou.
Saindo.
 
*****
 
Ele não tinha voltado.
E não estava no café no dia seguinte. Ou no almoço.
Dumbledore lhe sorriu quando ela chegou para almoçar. Mas não disse nada.
Luna foi procurá-la à tarde. Comendo uma maçã.
E não registrando como Nina parecia tensa.
Dizendo que a entrevista no ministério não fora tão ruim.
Franzindo a testa intrigada, ao contar que o próprio ministro e até o diretor Dumbledore estavam lá.
Muito atentos ao que ela contava. Deu de ombros. Depois continuou.
Um repórter do The Quibble ia vigiar a trouxa.
Seu pai aparentemente estava muito feliz com o arranjo.
Já que sua filha não ia receber nenhuma punição.
Nina não suprimiu um suspirou aliviado.
Sorrindo abertamente.
E se concentrou de novo em Luna.
Enchendo-a de perguntas.
 
**
 
Ele foi jantar.
Os olhos se cruzaram. Desviou. Comendo em silêncio.
Dumbledore tinha falado com ela ao entrar. Que tudo estava sendo resolvido.
Snape se levantou antes dela. Saindo sem se despedir.
Não demorou muito mais.
Pensando em como esta semana estava sendo agitada.
E no que ainda tinha que fazer... Contar... Sobre...
Sacudiu a cabeça.
 
*
 
Fechou a porta. Não se passou muito tempo.
Havia uma batida.
Pretos.
Ela se afastou da porta. Ele entrou.
- Imagino que não a tenha assustado dessa vez. – a voz tinha um leve tom irônico. Levantou os olhos para ele. Pensou se ele lhe diria algo. Desviou.
- Ainda está pensando naqueles... grifinórios. – não era uma pergunta. Não respondeu. Ele resmungou.
- Eu tenho que protegê-los! – quase rosnou – Não preciso gostar deles. Ou lhes ser agradável. Voltou a encarar pretos.
- E não gostou que eles o tivessem... – suprimiu o “salvo” ao ver sua expressão – me ajudado. Ela viu a raiva. Dando-se conta de novo. De como ele era orgulhoso. E vingativo.
Não falou mais nada. Movendo-se pelo quarto. Acendendo a lareira.
Olhando o fogo. Levantando a mão para colocar o cabelo atrás da orelha.
Algo dentro dele pareceu relaxar ao ver seu gesto.
- Você já deve saber que Dumbledore está... cuidando de tudo.
Suspirou. Olhou-o. Ele tinha ficado lá. Parado. Todo o tempo. Apoiado na lareira. Assistindo-a.
- Sim.
Perdeu-se em pretos.
Ele deu um passo. Olhando-a. A mão foi ao seu rosto.
- Nina...
Então ele puxou o braço de repente. Segurando o outro com a mão.
Sentiu seu coração disparar ao vê-lo dobrar o corpo. Medo começando.
- Severus. – a voz atormentada. Levantou o rosto para ela. Mais pálido que sempre. A respiração rápida.
- Avise Dumbledore.
Virou-se. E se foi.
Ela conseguiu se mover. O coração disparado.
Não o viu mais quando saiu.
Correu.
 
*
 
Tinha ido ao Salão ver se Dumbledore ainda estava jantando.
Não estava. Continuou rápido através do caminho. E encontrou-o quando estava na gárgula.
Não falaram muito. Vendo como ele franziu a testa depois de escutá-la. Se apressando.
Retornou ao seu quarto. Angustiada.
Imaginando quanto tempo teria que esperar dessa vez.
Foi até a lareira. Olhou em volta. Meio perdida. Andando pelo quarto.
Procurando por algum chocolate. Rezando. O coração apertado. Dolorido.
Pegando alguns livros. Para deixá-los em seguida com um suspiro fundo.
Pensando se o chamado teria alguma coisa a ver com o que tinha acontecido no cemitério.
Se haveria alguma punição... Estremeceu. Sacudindo a cabeça. Para afastar o pensamento funesto.
E as imagens. Do que podia estar acontecendo. A ele.
Sentindo a dor em seu peito. Querendo saber se estava bem.
E o quanto Voldmort ia roubar dele desta vez. O quanto ia exigir de sua alma.
Respirou. Mordendo o lábio. Para impedir as lágrimas de descerem.
*
Perdeu-se olhando o fogo. Sem deixar de murmurar sua oração.
Prometendo a si mesma que contaria. E agüentaria. Qualquer reação dele.
Não importa o quanto sua raiva fosse enorme. Ele merecia saber.
Mas não hoje. Não agora. Sexta-feira, decidiu. À noite. Se ele viesse.
Ou no sábado. Suprimiu um gemido. Olhou o fogo de novo.
Faria qualquer coisa. Para acalmá-lo. Se ele voltasse bem. Fechou os olhos.
Abrindo-os. Quando alguém bateu em sua porta.
Foi à porta rápida. Estava surpresa ao ver pretos.
Afastou-se para deixá-lo entrar. O coração aos pulos. Fechando a porta.
Esforçando-se para não abraçá-lo.
- Você está bem? – o tom ansioso. - Sim. – ele meneou a vara. Esperou. Ele não disse mais nada. Olhando-a.
- O que aconteceu? – estava nervosa. Ele não tinha demorado tanto dessa vez. E não parecia mal. Menos pelos olhos.
Alguma coisa neles a estava deixando desassossegada.
- Um chamado.
Ficou impaciente. Pensando em tudo que tinha sentido. Em sua resolução.
- Severus!
- Não vou discutir com você sobre reuniões de comensais! – quase rosnou. Sentiu um baque.
- Você não confia em mim. – murmurou. Ele respirou impaciente.
- Não é esse o ponto. – chegou mais perto – Quanto menos você souber, mais segura ficará. A mão estava em seu rosto. Mas ela percebeu no fundo dos olhos escuros.
Ele estava preocupado. Muito. E inquieto.
Puxou-a para perto.
- Preciso ir. – pretos mergulharam em castanhos. – Eu a verei amanhã. ‘Ou mais tarde.’ Ela teve certeza. Havia algo. Franziu a testa. Afastando o rosto quando ele tentou beijá-la.
Intuiu. Ficando apreensiva.
- Você vai sair do castelo, não vai? – encarou-o aflita – Vai fazer alguma coisa para a Ordem. Ele a olhou. Pretos brilhando.
- Você teria dado uma boa bruxa. – murmurou em resposta. Desceu a boca. Abraçando-a.
Ela o apertou a si. Ansiosa. Enquanto o beijo continuava.
Pensando que ele ia se arriscar de novo. Para ajudar outros. Ousando ser pego.
Ele afastou os lábios. Devagar. Quase a contragosto.
Estendeu a mão para a porta. Ela segurou seu braço.
- Tome cuidado. – sussurrou – E venha aqui quando voltar. Ela viu o brilho em pretos. Ele tocou seus lábios com os dedos.
- Não me espere. – moveu a mão numa carícia, amenizando a ordem. Abriu a porta. Saindo em seguida.
Ela o ouviu.
Soube que ele tinha colocado proteções.
Suspirou.
 
*
 
Tinha conseguido dormir. Depois de muito tempo. De ansiedade. Angústia. E espera.
E não foi acordada. Teve pesadelos. Mas não se lembrou deles na manhã seguinte.
Acordou. De roupa e tudo. Sobre a cama. Agitada.
Apressou-se para o café. Sem conseguir ter certeza sobre a sensação ruim. Em seu peito.
Percebendo que tinha chegado cedo. Ao ver o Salão quase vazio.
Talvez devesse ter ido às masmorras.
Não.
Ele não gostaria.
Esperou. Demorando o máximo que pôde.
Vendo o salão se encher. Então o viu. Entrando com Dumbledore e Minerva.
A expressão pior que o normal. Mais... distante. Dura.
E ela teve a impressão. De que cumpria uma obrigação. Desagradável. Muito desagradável.
Suspirou. Percebendo como estivera ansiosa.
Sem conseguir desviar os olhos dele. Até que o viu franzir a testa.
Olhou para seu prato. Respirando. Vendo como sua mão tremia.
Cumprimentou o diretor e Minerva. Percebendo que algo não estava bem.
Respirou. Sentiu em seu coração. A sensação ruim. Incomodando.
Tinha visto na expressão fechada. Séria. E no rosto muito pálido. Onde ela notou os vestígios.
Da noite passada em claro. Que ele estava descontente. Reservado.
As coisas pareciam não ter saído da melhor forma. Para nenhum dos três.
E ele não estava tomando seu café. Viu pelo canto do olho. Tinha bebido de sua xícara. Uma vez.
Percebeu que Dumbledore e Minerva pareciam querer disfarçar. Mexendo com a comida.
Como se esperassem. Algo.
Houve um rebuliço. Olhou para cima.
Corujas.
Negras.
E outras. Com o Profeta diário. Cheio de manchetes. Sangrentas.
Gritos.
Moveu castanhos. Percebendo assustada. Vinham da mesa da Sonserina!
O coração disparou. Castanhos voaram para ele.
Que estava se levantando.
Os olhos cansados. Duros. Antes de assumirem a expressão vazia.
Que ela conhecia. O rosto em pedra.
Estremeceu.
Virando-se para Dumbledore. Que relanceou azuis a seu mestre de poções. Silencioso.
Como uma Minerva consternada.
Ao contrário dos outros professores. Que estavam agitados.
Enquanto os comentários aumentavam de volume. Multiplicando-se.
Em rebuliço. Por toda parte.
Fechou os olhos.
*
Conseguiu se controlar. Levantando-se dali.
E indo até Hermione. Em meio ao alvoroço. Pedindo que a encontrasse em sua sala.
Vendo quando ela assentiu. A expressão preocupada. Quase assustada.
 
*
 
- Foram os pais da Emília Bulstrode da Sonserina!
- Não é possível! – disse nervosa. Pensando no que aquilo podia significar.
Hermione apoiou seu material na mesa. A expressão ansiosa.
- Nina. – começou incerta – Há mais uma coisa. Tinha sabido. Todo o tempo. Esperou. Hermione mordeu o lábio.
- Dizem que foi uma poção.
‘Deus!’ Fechou os olhos. Sentindo-se ficar pálida. Respirando.
Segurando na borda da mesa. Lembrando da expressão dele.
Hermione lembrou do que tinha lido no Profeta Diário. E dos comentários.
Ficou contente de não ter contado o resto. Ficou preocupada. Ao ver a expressão de Nina.
- Você está bem?
Nina acenou com a cabeça. Sem conseguir falar.
- Vamos ter uma reunião do A.D. hoje à tarde. – murmurou – Eu volto depois. Hermione ainda parecia incerta.
- Obrigada. – conseguiu sussurrar. Ela se foi. Depois de olhar para trás mais uma vez.
Respirou de novo. Controlando-se. Apertando as mãos.
Sabia que não ia poder vê-lo. Não enquanto fosse dia.
Quase gemeu.
 
**
 
Foi ao salão para almoçar. Mesmo que o estômago estivesse dando voltas.
Na esperança de vê-lo.
Mas ele não foi. E o salão parecia um pouco mais vazio.
Apesar da agitação. Enquanto todos mais falavam que comiam.
Trocando informações. E boatos.
Até que ela saiu. Angustiada.
 
**
 
Esperou ansiosa. Sem conseguir se concentrar.
Algumas vezes andando de um lado para outro. Quase tinha ido até Minerva. Ou Dumbledore.
Mas se segurou. Eles deviam estar ocupados. E haveria pouco que pudessem fazer por ela.
Hermione chegou finalmente. Cinco minutos após as cinco.
Segurando seu material. E respirando rápido pela pressa com que tinha vindo.
- Hermione. – começou ansiosa. - Agora não. – ela conseguiu dizer. – Feche a porta primeiro. Fechou. Vendo-a colocar feitiços. Como ele.
Hermione virou-se. Suspirando ao ver sua expressão.
- Comece Hermione. – pediu angustiada – A espera está me fazendo mais mal que bem. Ela a olhou nervosa. E mordeu o lábio antes de começar.
- Um dos nossos vigiava Draco quando o ouviu comentar com Nott sobre a situação. E a poção que foi encontrada no resto de um copo. – olhou-a testando – Eles nem se preocuparam em esconder. Respirou.
- E Severus? – perguntou ansiosa – Acha que poderá haver alguma... repercussão? Parecia desconfortável ao responder.
- Não sei.
Mordeu a unha. Esperando. O coração apertado.
A expressão dela pareceu ficar mais preocupada. Quase indecisa. Antes de suspirar de novo.
- Alguém descobriu que a mãe de Emília tinha deixado escapar seu... descontentamento dentro de casa. Ela estava grávida de nove meses. – sentiu-se ficar pálida – E alguém disse também que o pai dela hesitou em “eliminar trouxas” numa maternidade ontem. – parecia, brava e muito consternada ao mesmo tempo – Eu não posso acreditar! Eles foram mortos por causa de boatos! – estava pasma, revoltada. ‘Senhor!’ Tudo escureceu.
- Nina!
Respirou. Várias vezes. Abaixando a cabeça entre as pernas. Muito trêmula.
Enquanto Hermione a ajudava. Resmungando brava consigo mesma. Por ter contado.
- Eu sinto muito. Não devia ter contado assim. – falava rápido, preocupada – Eu pensei que você devia saber. Me desculpe. – estava aflita – É melhor chamar Madame Pomfrey. - Não. – conseguiu articular, os lábios sem cor, respirando – Eu vou melhorar. Mas não conseguiu parar de pensar na menina. Em seu pai. Na maternidade. Em Severus.
E na mãe gráv...
Sentiu tudo ficar escuro de novo. Ouvindo um grito.
- Nina, pelo amor de Merlin! – ela estava quase chorando – Por favor, acorde... Abriu os olhos. Sentindo o chão frio. Vendo a expressão de Hermione. E suas lágrimas.
- Eu não pude deixá-la sozinha para chamar alguém. – murmurou incerta, limpando o rosto – Você está bem? Esforçou-se. Respirou. Foi levantando devagar.
- Sim.
Mas sentia alguma coisa. Em seu ventre. E no coração que se apertava de novo. Em angústia. Por ele.
Sentiu medo. Não queria correr o risco de perder seu bebê. Não agora.
- Hermione. – começou devagar – Talvez seja melhor você chamar Pomfrey. Viu os olhos dela.
- Eu e minha boca! – estava preocupada e muito assustada. - Está tudo bem. – tentou acalmá-la – Eu irei para meu quarto e... - De jeito nenhum! – reclamou – Você ficará aqui ou eu a levarei até a enfermaria! - Não! – precisava que ela entendesse – Eu só quero falar com Pomfrey. Não é nada realmente. – levantou devagar – Eu só não quero correr nenhum risco. Eu posso procurá-la depois. Estou me sentindo bem melhor. Mas não era verdade. O coração aos pulos. A aflição tomando conta.
A sensação ruim de volta.
- Não. – sacudiu a cabeça teimosa – Eu vou buscar Madame Pomfrey. - Hermione. – segurou sua mão – Ninguém pode saber. – disse ansiosa. Hermione a olhou. Suspirou. Preocupada.
- Está bem.
- Eu vou para meu quarto.
- Então eu a acompanharei primeiro.
Ela segurou seu braço. Não ia discutir. Não ia adiantar. E estava mesmo precisando.
Aceitou a ajuda.
 
*
 
Pomfrey a procurou. Ela estava saindo do banho.
Ficou brava. Perguntando se não podia ter esperado por ela antes de se esforçar.
Resmungando sobre os acontecimentos. Mandando que ficasse de repouso.
E que providenciaria seu jantar. Não escutando quando ela protestou.
Ansiosa para ver Severus. Os olhos aflitos. Antes que ela os desviou.
A bruxa foi taxativa. Ou ela concordava. Ou colocaria feitiços.
E ela teria que esperar até que viesse retirá-los de manhã.
Acenou aceitando. Um peso no coração.
Achou melhor não falar para ele essa semana. Tinha acontecido muita coisa.
Podiam conversar na semana seguinte.
Mas não adiaria mais. Prometeu-se.
Ele saberia. Antes de quarta-feira. Ele saberia.
 
*
 
Bateram na porta.
- Entre.
Ele entrou. Trazendo seu jantar numa bandeja. Respirou ao vê-lo.
A mesma expressão do café. A fisionomia fechada. Ainda dura. Snape.
Mais distante...
- Dumbledore pediu que lhe trouxesse o jantar. – estreitou os olhos – Disse que eram ordens de Pomfrey. – mas ela viu, junto com o cansaço, e a distância, estava preocupado – O que aconteceu? Não deixou de olhá-la. Enquanto andava até a mesa e apoiava a bandeja.
- Nada demais. Eu... tropecei em minha sala. E Pomfrey exagerou um pouco.
Ele franziu a testa. Sentando-se, encarando-a.
- E quem a avisou?
Ele não perdia nada. Hesitou só um segundo.
- Hermione.
Não ia adiantar mentir. Bastaria ele perguntar à Pomfrey.
Esperou que fosse o bastante.
Não foi. Ele cruzou os braços.
- Então a Srtª Granjer também “exagerou”. – havia ironia. Suspirou. Ajeitando a coberta. Nervosa. Como sempre ficava. Com o Snape.
- Ela foi me visitar. E quando eu caí ficou preocupada e foi até a enfermaria. Foi só isso.
Viu-o levantar uma sobrancelha. Como se não acreditasse muito. Mas não discutiu.
- Você precisa descansar. – fez menção de levantar-se. - Não! – segurou o braço dele. Estava preocupada com ele. Angustiada. Desapontada por ele querer sair tão rápido.
Mesmo que ainda fosse o Snape. Sabendo que algo deveria ter acontecido. Naquelas horas.
Na Sonserina. Com Emília. E os outros. E que ela não podia ajudar.
- Não vai ficar?
- Aparentemente ainda me esperam para o jantar. – falou impaciente, contrariado. Imaginou que havia um dedo de Dumbledore. Como de manhã. Sentiu a tristeza.
- Vai passar aqui depois? – perguntou esperançosa. - Não. – foi duro. Suspirou. O coração doendo. Querendo seu Severus de volta. Acenou finalmente.
Mas a atenção dele parecia ter sido desviada para outro detalhe. Estreitou os olhos.
- Você não me perguntou sobre que aconteceu. – a voz estava perigosa, macia. Sentiu-se pega em flagrante. Sob o olhar inquiridor. Concentrado.
Desconversou. Sem conseguir desviar de pretos.
- Eu ia perguntar quando voltasse.
Ele a olhava intensamente.
- Não, não ia. – percebeu o início da raiva. Abriu os olhos em surpresa. Depois lembrou. Ficou séria. Uma suspeita em seu coração.
- Você usou legillimens em mim?
Ele moveu a cabeça. Os olhos duros. Snape.
- Não preciso de uma varinha para saber quando mentem para mim. – rosnou devagar, num aviso. Mas ele era um dos poucos que podia fazer esse feitiço sem usar uma vara.
Não disse nada. Olhando-o. O coração disparado. Não tinha nada a esconder. Ou quase.
- Desde que não perca o contato com os olhos. – enfrentou-o – Eu me lembro. – levantou a cabeça, piscou, tomando uma decisão, a tristeza tomando conta – Muito bem. Eu não ia perguntar. – moveu os olhos para seu colarinho – Eu já sei. Podia impressioná-lo um pouco. Mostrar que não estava tão desinformada.
E que sua recusa em contar não ia protegê-la como pensava.
Mostrar o quanto estava magoada por ele não procurá-la. Não querer sua companhia.
Continuar tão distante. Como antes. Deixando-a de fora.
Mesmo sabendo que sua raiva era realmente para... o Senhor das Trevas.
- Sobre os pais de Emília Bulstrode. – não permitiu que seus olhos se desviassem do colarinho – Sua mãe grávida de nove meses... – continuou, impedindo-se de pensar – Sobre alguém ter informado que ela “deixou escapar” seu descontentamento... dentro de sua própria casa. – não suprimiu a revolta – E o que disseram sobre seu pai quase hesitar ao “eliminar trouxas”. – arriscando um olhar rápido, viu a expressão fechada, dura – Também sei sobre a poção. – terminou baixo. Ainda não desviou os olhos. Mantendo-os em seus botões do pescoço. Respirando.
Não ia deixar que ele não soubesse sobre a Armada. Mesmo que seu coração estivesse doendo.
- Como vê. – falou mais devagar – Não vai me proteger não me contando. – arriscou-se um olhar em pretos – Nem vai ser melhor se você se mantiver longe. – murmurou querendo que ele entendesse. Ouviu o suspiro frustrado. E sentiu a raiva que emanava dele. Voltou a olhar o colarinho.
- Eu penso que...
- Você pensa demais! – era quase um rugido – Concordo que sabe mais do que eu imaginava. – falava devagar, a voz perigosa – E posso imaginar como... – ele se aproximou dela, sentiu o hálito em seu rosto, teve que ser forte para não olhar em pretos – Mas isso, não é tudo. Há muito mais. – rosnou nela – Sempre há. Nunca é o que parece com comensais. – percebeu como estava tenso, furioso – Nunca é tão simples. Nunca é seguro acreditar só nos FATOS! – ele se moveu, segurando seus braços, controlando-se – E eu espero sinceramente que você considere minhas palavras! – ouviu-o respirar – E não se esqueça. Este foi mais um de meus feitos. – o hálito mais perto – EU SOU um deles!! – vociferou – E você estará mais segura longe! Moveu os olhos quando ele se levantou. Ainda sob o impacto das palavras dele.
O coração disparado. Doído. Ele ventou do quarto.
- Isso não é verdade!
Sem lhe dar tempo de rebater.
 
****
 
Não o viu no dia seguinte. Controlando a angústia.
E a mágoa.
Decidiu que não ia deixar assim. Esperando ansiosamente pelo fim do dia.
Que demorou mais que os outros para passar.
 
*
Teve que esperar. A ansiedade roendo-a por dentro.
Forçou-se a ir jantar. Controlando o nervosismo. Não demorou muito lá. Sem conseguir comer.
Respondeu a Madame Pomfrey, quando lhe perguntou baixo, se estava melhor.
Ele não tinha comparecido.
Andou de um lado para outro no quarto. Esperando o tempo passar.
Até que pudesse ir às masmorras.
Dez horas. Saiu. Andando rápido. Envolta em seu capuz.
Falou com a porta. Entrando devagar.
Vendo a pouca luz que vinha do quarto.
Empurrando a outra porta suavemente. O nome dele em seus lábios.
Gritou quando foi pressionada nela. Uma vara em seu pescoço.
Respirando muito rápido. Apavorada.
- Maldição! – ouviu o rosnado – O que você está fazendo aqui? Ela tentava conter a respiração. Recuperando-se do susto.
Vendo na pouca luz. Que ele realmente não parecia surpreso. Só com raiva.
- Você fez de propósito! – acusou-o, magoada. - Eu te avisei. – disse frio – Sobre o que sou. – guardou a vara, os olhos maus – É melhor você ir. – ordenou duro. Sentiu a raiva subir. Enquanto ele se distanciava dela.
- PARE COM ISSO! – virou-o jogando-se nele, empurrando-o na parede – Pare agora mesmo com isso! – ele bateu com as costas, segurando-a pelos pulsos – Você NÃO VAI me convencer de que é menos do que eu sei que é! – gritou nele – Nem vai conseguir me afastar assim, está ouvindo? Ele a viu em sua fúria. Empurrando-o. Quase insignificante diante da força dele.
Mas corajosa. Brava. Respirando alto. Os olhos brilhantes. Afrouxou as mãos.
Então ela pulou em seu pescoço. Seu peso puxando-o enquanto encostava os lábios nos seus.
As mãos firmemente presas atrás de sua nuca. A boca movendo-se na sua. A língua tentando entrar.
Sentiu o corpo quente pressionando o seu. O cheiro de violetas. Abriu os lábios. Abraçando-a.
Não quis pensar. Ou discutir aquela fé nele.
Principalmente não agora. Só quis... esquecer.
Enfiou a mão nos cabelos macios. Inebriando-se do cheiro de violetas.
Deixou escapar um som de sua garganta.
O corpo ansioso por sua presença.
Seu toque.
E conforto.
 
 
****
 
Terça-feira.
Luna estava indo com ela até sua sala. Distraída. Falante. Viu-o. Andando até elas.
Ele avisou num resmungo que precisa de um dos livros. Não teve tempo de confirmar se era verdade.
Luna se despediu rápida. Enquanto ele entrava no arquivo. O rosto fechado.
Ouviu Hermione e Longbottom no corredor. Que chegaram logo depois. Impedindo-a de segui-lo.
- Não vai dar certo. – ouviu Hermione. - Como você sabe? – Neville parecia impaciente. - Porquê não funciona! Você precisa de algo diferente para estabilizá-la.
Eles falavam sobre uma poção. Que parecia importante para Longbottom.
- Oi, Nina. – parecia atenta. - Olá Hermione. Neville. – cumprimentou-os. - Você está melhor?
- Estou. – sorriu do rosto preocupado – Bem melhor, obrigada. Neville resmungou alguma coisa. Hermione suspirou, exasperada.
- Não. Vai. Funcionar!
Eles continuaram a discutir.
Não avisou que Severus estava no arquivo. Principalmente por causa do assunto da discussão.
Esperou que ele não aparecesse de repente. Criando uma situação difícil.
Continuou ouvindo-os. Falando sobre alguns ingredientes. Suas funções.
Imersos na discussão. Abriu o livro de registros em que estava trabalhando. Pegando a pena.
Um quase sorriso se formando. Ao vê-los tão concentrados.
Hermione abriu um de seus livros.
- Veja. – apontou – Não podemos usar mais ou ela pode explodir. – argumentou brava. Tinha prestado atenção. Lembrando do que tinha lido.
Ficou indecisa. Olhou para a porta do arquivo.
E depois para Hermione e Neville. Pensando. Se devia... Ou não.
Se dissesse alguma besteira eles a desculpariam por ser uma trouxa.
Mesmo assim não soube se quis arriscar o respeito que tinham por ela.
Por fim suspirou. Decidindo-se. Vendo-os continuar a discutir.
Sem parecer próximos de uma solução. Parou a pena.
- Por que vocês não experimentam pó de escamas de dragão? – falou baixinho. Havia silêncio. E dois pares de olhos nela. Surpresos. Controlou o rubor.
- Nós já tentamos. – Hermione disse suavemente, como se não quisesse magoá-la. Mordeu o lábio. Respirou.   Resolveu continuar.
- Mas não podem colocar um pouco mais? – tentou num murmúrio – Antes desse último ingrediente que vocês estão experimentando? – continuou incerta – Podem equilibrar com um pouco mais de asfódelo. Assim a quantidade a mais de pó de escamas não vai interferir no resultado. E o asfódelo ainda podia intensificar a reação do ingrediente. – viu o silêncio espantado, mordeu o canto do lábio – Não podia? Eles ficaram olhando-a. Em silêncio. Não conseguiu controlar o rubor dessa vez.
- Bem, foi só uma idéia. – desculpou-se, abaixando a cabeça. Fingiu ler os registros no livro à sua frente.
Hermione começou a murmurar consigo. Os olhos perdidos.
- Talvez se ao invés de asfódelo... sim... e se colocarmos... – Nina levantou a cabeça, Hermione virou-se para Neville – É! – tinha os olhos brilhantes – Pode dar certo. – continuou. Ele olhou-a espantado. Perdido.
- Se você me explicar eu vou poder entender.
Mas ela o ignorou. Olhando para Nina. Um sorriso em seu rosto.
- Onde você aprendeu tanto sobre poções? – mas havia um brilho maroto em seus olhos. Ficou escarlate com a brincadeira. Era Hermione quem lhe arranjara a maioria dos livros.
Pensou que poderia desafiá-la dizendo: com Severus. Mas não seria verdade.
Encolheu os ombros como resposta. Contrariada.
Recebendo olhares desconfiados. E algo de divertidos.
- Vamos! – Hermione agarrou a manga de Neville e saiu andando, puxando-o. Falando rápido.
Ela ficou olhando para onde eles estiveram.
Depois abaixou os olhos para seu livro. Um pequeno sorriso se formando. Lentamente.
Não seria uma trouxa completamente “idiota” afinal. Tentou finalmente se concentrar. Até que seu coração disparou quando percebeu a sombra em seu livro.
E pretos quando levantou a cabeça. Gelou. Com a expressão que viu neles.
- Você não respondeu à pergunta da Srtª Granger. – o tom sério. O olhar. Interessado. Acusador. Sua expressão se fechou ao responder.
Não queria que ele pensasse que estava se valendo da proximidade com ele. Para qualquer coisa.
- Não creio ter dito qualquer besteira. – levantou-se chateada, tentando se afastar. Ele segurou seu braço.
- Não foi o que eu disse. – falou devagar, o rosto perto. Os olhos inquiriam. Persistentes.
Soube que ele não ia desistir. Suspirou.
- Eu li. – falou simplesmente. Pretos brilharam.
- Onde? – insistiu. Encolheu os ombros de novo.
- Em alguns livros.
Ele ficou olhando-a. A expressão indecifrável. Soltou-a.
- Então você lê. – levantou uma sobrancelha – Sobre poções. Percebeu o tom dele. Enfrentou-o. Aborrecida. Quase desafiante.
- Algum problema? – encarou-o. Carvão.
Ele se inclinou. E beijou seus lábios. Suavemente.
- Não.
E se foi.
Ela tocou os lábios.
Esta noite...
Sentiu uma contração no estômago em antecipação.
Seria esta noite.
 
***
 
Cinco horas. Estava indo para seu quarto.
Quando ouviu os rumores.
Seguiu os alunos até a entrada.
- Ela é linda!
Havia alguém ao lado de Dumbledore. Ela abaixou a capa. Nina a viu.
Eles tinham razão. A mulher ao lado dele era linda. Principalmente sorrindo. Viu os cabelos cor de prata.
E o modo como a maioria não conseguia desviar os olhos dela. Exceto Dumbledore.
- Deve ser parente de Veela!
- Você viu os olhos dela? – ele parecia encantado. - Ela vai dar DCAT?
O choque a fez parar. Escutou os murmúrios dos alunos vindo de longe. O coração aos pulos.
‘Não. Agora não...’Demorou um tempo até perceber que estava parada enquanto os alunos passavam por ela. Os olhos não conseguiam se desviar da figura esguia e bela se afastando com Dumbledore.
Encostou-se a uma parede. Olhando sem ver. Seus temores se concretizando.
Ficando sozinha à medida que todos seguiam Dumbledore e a linda mulher ao lado dele.
Virou-se e voltou ao seu quarto. Precisava pensar. Se acalmar. Se preparar. E tentar não chorar.
 
****
 
Não tinha nenhuma desculpa para ela não ir ao jantar. E quanto mais cedo fossem apresentadas, melhor.
Havia outro motivo. Ela queria ver a reação de Severus. Sentiu um aperto no peito.
Viu-se no espelho. Olhos quase desesperados lhe devolveram o olhar. Era melhor se controlar.
Tentou arrumar-se um pouco mais. Depois desistiu.
‘Che sàra, sàra.’O que será. Será.  
****
 
Sentou-se. Cumprimentou a todos. Tentando controlar o tremor.
- Nina. – Doumbledore a chamou – Esta é Elizabeth Parker. Nossa nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas. Srtª. Cristina Ventur. A hora tinha chegado. Ela levantou os olhos. Dois olhos muito azuis a observavam.
- Como vai Srtª. Parker?
- Bem, obrigada. – sorriu simpática, não teve certeza se chegavam aos olhos – O diretor me falou de suas aventuras ao chegar. Tentou sorrir em resposta. Não se sentia capaz de falar.
Percebeu de repetente como vários alunos não conseguiam desviar os olhos dela.
- De onde vem Srtª. Parker? – Flitwick sorriu para ela. - Durmstrang. – ela sorriu de volta – Eu queria voltar para a Inglaterra. Fiquei feliz ao saber que precisavam de uma professora aqui. - Nosso antigo professor foi trabalhar para o Ministério. – os olhos de Dumbledore estavam sérios apesar do sorriso – Auror. - Oh, Bem. Que sorte a nossa não é? – ela sorriu para ele – E obrigada pelo que disse aos alunos diretor. Nina quase gemeu. Ela tinha perdido a apresentação.
Provavelmente Dumbledore havia se lembrado do que ela tinha dito há muito tempo. Dos rumores.
Ela o viu chegar. Viu seus olhos irem até Elizabeth. Depois pousarem nela.
- Esse é nosso professor de Poções. Severus Snape.
Viu-o inclinar-se num cumprimento antes de sentar. Porque ele tinha que parecer tão... perfeito hoje?
- Esta é Elizabeth Parker. Ficará com as aulas de Lupin.
- Srtª. Parker.
Nina viu o sorriso da outra chegar aos olhos, que cintilaram. Desviou os seus. O coração pequeno.
- Ela veio de Durmstrang. – Flitwick informou sorrindo, enquanto Elizabeth não deixava de olhar para Severus. - Excelente escola. – foi o comentário quase seco. - Sim, é. Já esteve lá professor Snape? – a voz da outra pareceu mais insinuante aos seus ouvidos. Resolveu que não ia prestar atenção.
Não conseguiu.
- Sim. Já estive.
Parker parecia esperar que ele continuasse.
- Já tinha estado em Hogwarts antes Srtª. Parker? – Flitwick perguntou. - Sim. Mas faz muito tempo.Uma visita curta. Com meu pai.
Ela não prestou mais atenção. A garganta doendo no esforço de engolir a batata que colocara na boca.
Eles continuaram a conversar. Ela confirmou rindo que tinha parte veela na família.
Em dado momento levantou os olhos até Severus.
Ele olhava para Elizabeth que respondia alguma coisa. A expressão estranha.
Não conseguiu comer mais nada.
 
*****
 
Cinco horas.
Já tinha organizado tudo. Levantou-se. Pegou a chave.
Encontrou pretos. Sérios.
Sentiu um aperto no peito. Tentou falar normalmente.
- Olá, Severus.
Ele franziu a testa.
- Há alguma coisa que eu não sei?
O coração deu um pequeno salto.
‘Sim. Duas.’Uma ela podia contar. Mesmo que não quisesse. Mas não agora. A outra... Controlou-se. Tentando não deixar a voz tremer.
- Porquê? – desconversou. - Porque você está me evitando.
Não era uma pergunta.
Ela suspirou. Ela o tinha evitado. Realmente.
Sabia que ele tinha estado fora do Castelo. E que não era um chamado. Talvez para a ordem.
Mas não o tinha procurado. E voltado tarde para dormir. Ficando com Minerva.
- Eu estou cansada. Quero fechar aqui e ir para o meu quarto. – fingiu não entender. Ele não retrucou. Mas ela sabia que era só o começo.
- Eu espero.
- Talvez seja melhor não. – olhou-o. Eles tinham passado por tanta coisa. Juntos.
Ma agora... Havia aquela distância. Junto com a dor em seu coração.
Desviou os olhos. Tentando se controlar.
Ele cruzou os braços. Decidido.
- Eu deixarei que você escolha a hora e o lugar.
- Para quê? – falou desanimada. - Para que possa me explicar o que está acontecendo. – a voz não admitia réplicas. - E se eu disser que não há nada? – não olhou para ele. ‘Que tudo está bem. Que esta... Elizabeth não está aqui. Que...’- Você vai estar mentindo. – a voz dura. Ela percebeu que ele não estava gostando. E que não desistiria. Parou. A cabeça baixa.
Suspirou de novo.
- Nove horas. No meu quarto.
Passou por ele. Não tinha como adiar mais.
 
*****
 
Marina (Floreios e Borrões) – Obrigada pelas palavras. E sim. Eu vou atualizar logo. Pretendo acabar esta fic mais rápido do que todos esperam. Caileach – (Site AnaNinaSnape) - Espero que você tenha mais tempo livre. Só trabalho sem diversão não adianta. Risos. Viviane Valar; Sett (minha Beta/autora de fic); Granger (amiga e criadora do Grupo Severus_a_partir_de_agora) adoro nossos papos por telefone; Lessa Phenix (Floreios e Borrões e Grupo SaPdA);Ju Oliveira; Amanda Dumbledore (Poções Tropicais e Grupo SaPdA); Angellore DeLynx Snape; Suu-chan; JuLiAnA LoVeGoOd(Um amor para sempre – Poterish); Babi Snape(Chronos-fanfiction); Malú (a quem sou muito agradecida pela tradução para o inglês); Centaura; Miru Himura; Fênix (tá tudo ok); Rita; Cláudia Barros, e para você que lê sem revisar.  
MUITO OBRIGADA!!!!!!!!!!!!!!!
 
Obrigada mesmo para aquelas que inclusive revisam mais de uma vez.
Desta vez eu não vou comentar cada resposta. Mas podem ter certeza: EU AMEI TODAS!!
Estou fazendo o melhor possível para terminar a fic ESTE MÊS!!
Um grande abraço.
Nina.
 
P.S.: Já conhecem?
 
http://br.groups.yahoo.com/group/Severus_a_partir_de_agora/
Severus_a_partir_de_agora@yahoogrupo.com.br
 
Valeu Granger (Patrícia para os íntimos).
E desculpe ter te abandonado Sett. Eu sei que você continua fiel. Parabéns pela fic nova!
Ela é ÓTIMA mesmo! Não precisa se preocupar.
 
http://www.fanfiction.net/read.php?storyid=1891603
 
Ananinasnape@yahoo.com.br
 
 

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