CAP-4 – Médi-bruxos e Micro-fadas
CAP-4 – Médi-bruxos e Micro-fadas
Londres.
Uma hora da tarde. Harry observou no relógio na parede acima da sua cabeça, estava sentado numa confortável poltrona do hospital St. Mungus para acidentes mágicos, no centro de Londres.
Suas mãos estavam enfaixadas até os cotovelos e por baixo das faixas cobertas de uma pasta mal cheirosa que a enfermeira havia aplicado para devolve-las ao estado normal.
Estava ali a pelo menos uma hora, já podia sentir por baixo das faixas de gaze que já possuía cinco dedos de novo, começou então a retira-las apressadamente, tinha urgência em receber noticias de Hermione que estava no mesmo hospital na ala de intoxicação por plantas mágicas.
Conseguiu se livrara das faixas e saiu veloz pelo corredor do hospital, chegou até os elevadores, mas estavam demorando demais, resolveu ir pelas escadas, as mãos ainda estavam quentes e os dedos enrijecidos , chegou suado ao andar onde estava Hermione, nem precisou procurar pela enfermaria, viu logo a Sra. Weasley encostada num corredor em frente a porta. Correu até ela, não precisou dizer nada, A Sra. Weasley estava com os olhos cheios de lágrimas, e foi logo dizendo:
- Ôoohh Harry querido, o que fizeram com nossa Mione... Os médicos não deixam ninguém entrar, ainda não sabem o que aconteceu com ela, eles têm medo de ser contagioso, somente Rony conseguiu entrar. Os pobres dos pais dela estão viajando na Suíça, como não podemos utilizar de mágica para contata-los estamos sem saber o que fazer, Tonks ia tentar encontra-los sendo ela filha de um trouxa fica mais fácil lidar com os aparelhos complicados deles.
Harry encostou a cabeça na porta olhando pelo visor transparente, enxergou Rony, sentado sobre um leito com uma espécie de escudo amarelado em volta. Sabia que naquele leito com o escudo estava Hermione, desejou muito estar com eles, sentiu uma raiva fulminante de si mesmo, porque nesse instante percebeu que a carta e a flor eram para ele, era ele quem deveria estar ali naquele leito e não Hermione.
Olho-tonto Mody o havia alertado sobre isso, "Você sempre será alvo de bruxos das trevas rancorosos, ou de algum maluco qualquer, esteja sempre alerta Sr. Potter". Lembrou-se das palavras de Olho-Tonto, um dos aurores mais experientes que tinha conhecido, meio paranóico, mas agora parecia bastante consciente das coisas.
O Treinamento de auror também ensinava a se tomar certas precauções com objetos, plantas ou animais desconhecidos... Mas o pacote tinha uma origem conhecida... Neville, isso os desarmou. Hermione conhecia a letra de Neville ela não achou nada estranho a principio, ela mesma tão cuidadosa.
Harry foi retirado de seus pensamentos pelo som de passos no corredor, era Tonks que se aproximava.
Com o rosto numa expressão grave cumprimentou a Sra. Weasley com um abraço e se dirigiu para Harry: – Fui a casa de Neville como você me pediu, a avó dele reconheceu a letra na carta, e mais, disse que ele está no Brasil pesquisando plantas mágicas.
Harry ficou surpreso, tinha quase certeza que o pacote não poderia ter sido enviado por Neville, era amigo dele, por que lhe mandaria uma planta venenosa?
- Ela disse ainda – continuou Tonks – Que não tem noticias dele à uma semana, tem tentado contato com o Ministério da magia do Brasil, mas ninguém soube informa-la sobre ele. A última noticia foi de que ele tinha partido numa expedição para a floresta amazônica atrás de plantas exóticas e espécies ainda desconhecidas.
- Neville vai me pagar – Foi Rony quem disse isso – surpreendendo Harry por ter chegado tão devagar, Os olhos dele estavam vermelhos cheios de lágrimas.
Harry olhou para ele sem saber muito bem o que dizer, ainda não acreditava que Neville fosse o responsável.
- Talvez Neville não soubesse que a planta era tão perigosa – falou a Sra. Weasley tentando acalmar Rony.
- Ele é um especialista em plantas mamãe, sabia muito bem o que estava enviando para o Harry – Rony enfatizou bem a última parte da frase deixando claro que de certa maneira também culpava Harry pelo ocorrido com sua noiva.
Harry entendeu o recado, conhecia Rony muito bem, e o pior é que concordava com ele. Era, em parte, realmente culpa sua.
- Talvez alguém tenha obrigado Neville a assinar a carta, ainda não temos certeza só quando o encontrarmos, disse Tonks.
- Quem ia estar no interior de uma floresta na América do Sul, e ia querer me matar? E ainda encontrar Neville, saber que ele é meu amigo e o obrigar de alguma forma a escrever a carta? Muito difícil isso acontecer Tonks – respondeu Harry.
Nesse instante chegou uma medi-bruxa acompanhada de uma outra mulher bastante alta.
- Essa é a Sra. Wynn – disse a medi-bruxa apresentando a sua companheira, - Ela é especialista em herbologia e poções e parece ter identificado a planta que envenenou a Srta. Granger.
- Boa tarde – cumprimentou-os a Sra. Wynn – Vocês fizeram muito bem em trazer os restos da planta para cá, junto com a paciente. Me parece que essa é uma planta raríssima, seria um exemplar da Ekoporanga Iuka, uma planta mortal original das florestas mágicas da América do Sul e que só se conhece através de relatos antigos. Para vocês terem uma idéia o relato mais recente dessa planta é do ano 1560, quando os pajés sul-americanos presentearam uma comissão de bruxos europeus, que negociavam a imigração de trouxas europeus para a América, todos os Bruxos entraram em coma e os pajés, então forçaram um acordo favorável a eles em troca do antídoto.
- Então existe um antídoto? – Perguntou Rony.
- Bom existe a chance de prepararmos um. Não existe a receita de uma poção que acabe com os efeitos da planta, mas acho que o antídoto provavelmente é uma poção que reverte as propriedades mágicas do veneno, isso é muito comum em plantas mágicas sendo que o próprio veneno, preparado com outros ingredientes diferentes numa poção, pode se tornar o antídoto. Mas teríamos que conseguir outra planta dessa espécie, esta está morta. E mesmo se conseguirmos não temos certeza se conseguiremos preparar um antídoto eficiente. O pior de tudo é que a paciente piora a cada minuto, conseguimos retardar ao máximo a ação do veneno, mesmo assim eu diria que ela tem apenas alguns dias de vida.
- Bom acho então que temos que conseguir a planta – disse Harry um pouco mais animado - E é mais provável conseguirmos se formos atrás de Neville.
Isso animou Rony, ele poderia fazer algo e não só acompanhar impotente a ação dos medi-bruxos – É... Vamos atrás desse canalha, ele vai nos dizer onde conseguiu a planta, por bem ou por mal.
Eram quatro horas da tarde, Harry e Rony estavam no Ministério da Magia Britânico, sentados na sala do Sr. Weasley, esperando ansiosos, fazia quase uma hora que ele tinha os deixado lá. Foi então que ele entrou correndo pela sala.
- Conseguimos, vocês vão para o Brasil amanhã pela manhã através de uma chave de portal que vai ligar os dois ministérios, foi um grande trabalho de diplomacia, conseguir isso em tão pouco tempo. Facilitou um pouco as coisas a vontade do Ministro brasileiro em conhecer Harry. A fama abre muitas portas, você vai ter que ter paciência Harry, ele quer que você participe de um evento, um jantar.
- Não temos tempo para isso pai – reclamou Rony – cada minuto que perdemos é precioso para a vida de Hermione.
- Sei disso filho, mas perderíamos muito mais tempo se fossemos percorrer todo o processo burocrático necessário à expedição de vocês, Em troca desse jantar além de já partirem amanhã, Osmar Fernandes, o ministro brasileiro ainda vai montar uma equipe para acompanhar vocês na busca por Neville. Entendam que precisamos ser um pouco políticos nessa questão.
- Seu pai está certo Rony, você sabe que ninguém gosta menos do que eu dessas bajulações. Mas se isso vai nos ajudar eu concordo com tudo.
- Vocês vão precisar se preparar, é uma outra cultura apesar de serem bruxos como nós os brasileiros tem suas particularidades, por isso tentem se mostrar solícitos e tentem não fazer nada que possa ofende-los, eles não gostam muito de estrangeiros se metendo nos seus assuntos. Lembrem-se que eles estão fazendo um favor a vocês, porém Harry você pode utilizar sua influencia com o Ministro para conseguir informações e ajuda, se for pela vida de Hermione não hesite em usar essa influencia – disse de forma bastante séria o Sr. Weasley.
- Infelizmente não conseguimos ninguém que pudesse acompanha-los, estamos todos tão ocupados consertando as coisas desde a batalha de derrotou "você-sabe-quem", e ainda temos os problemas com os trouxas. Mas uma ajuda eu consegui para vocês. Resolvi o problema da comunicação. No Brasil eles falam o Português, apesar de muitos deles falarem inglês, vocês não sabem nada de português, por isso consegui aqui no Ministério duas fadas tradutoras, Essas criaturas são muito raras, por isso mesmo, muito cuidado com elas, são muito valiosas para o ministério.
- Fadas tradutoras? Que coisa estranha? Nunca ouvi falar delas.
- Já disse que são muito raras, Rony, as pessoas não gostam de utiliza-las pois tem que enfia-las no ouvido, elas traduzem simultaneamente o que você ouve, mas não ajudam quando é você quem fala, têm que torcer para os outros entenderem inglês. Só as coloquem no ouvido quando for necessário, Os ministros e diplomatas as utilizam para não serem enganados em reuniões importantes com pessoas que possuem línguas que eles não compreendem. No dia a dia ninguém se utiliza delas. Elas causam um certo desconforto toda vez que são introduzidas nos ouvidos, mas depois a sensação desaparece.
O Sr. Weasley retirou do bolso duas caixinhas de vidro com duas microfadinhas dentro, a base da caixa era alcochoada e as duas estavam dormindo.
- Elas são treinadas e não vão fugir a não ser que se assustem muito, se fugirem vão sempre tentar retornar para a caixa onde tem o alimento que elas gostam, por isso mantenham sempre as caixas nos bolsos. Para utiliza-las é só abrir a caixa próximo as orelhas elas mesmas seguirão para dentro do ouvido. Para retira-las basta apenas abrir a caixa novamente perto da orelha que elas voltarão para lá, atraidas pelos odores da caixa.
Harry e Rony se despediram do Sr. Weasley, e foram para o hall principal do ministério de onde poderiam desaparatar para casa e arrumar as malas, queriam deixar tudo pronto, porque Rony desejava ainda passar a noite no hospital para se despedir de Hermione.
Chegaram em casa por volta das 5 horas da tarde cada um foi para o seu quarto sem falar muito, duas horas depois Rony bateu na porta do quarto de Harry.
- Estou indo para o hospital disse Rony, Os pais da Mione já estão a caminho, devem chegar nessa madrugada, quero estar lá para recebe-los e explicar o que aconteceu. – disse Rony.
- Tudo bem, quer que eu vá com você?
- Não acho melhor você ficar por aqui, se o meu pai tiver alguma novidade sobre a viagem, ele sabe que você está em casa. Que pena que seu aniversário foi estragado por conta disso, ia ser uma festa bacana lá na toca hoje.
- Não estou preocupado com festas agora, Rony. Só quero dormir para chegar logo amanhã e irmos atrás de Neville, conseguir a maldita planta e salvar Hermione.
- Vai ser uma viagem complicada, mas não quero nem pensar nisso, vou fazer de tudo para achar essa planta e salvar Mione... Não me importa o quão difícil seja. Desculpe se estou mau humorado, fico feliz de você ir comigo amanhã.
- Que Isso cara, Eu nunca deixaria vocês na mão, mesmo que não fosse culpa minha o que aconteceu.
- Eu sei amigo, mas não se culpe se tem algum culpado é o Neville. Ou quem quer tenha enviado a planta no nome dele.
Rony apertou firmemente a mão de Harry, os dois desejaram se abraçar, mas ficaram constrangidos. Rony se despediu e desaparatou.