N/Autora: A viagem que o Sirius e Rachel fazem é o tema da song CHASING CARS, que já está postada.
Pela primeira vez em dias parara de nevar, e o frio parecia ter diminuído um pouco, ocasião perfeita para Lyra sair de casa. O inverno sempre lhe deixava um pouco mole para passeios, preferia permanecer em casa, sentada perto da lareira com um cobertor e um cálice de vinho do lado.
Lyra caminhava pelas pedras cobertas de neve, tomando bastante cuidado para não escorregar. Não lembrava Wiltshire, na verdade, talvez nunca tivesse estado ali. Aparatou a alguns passos do portão principal, não era louca o suficiente para vir até ali por vias trouxas, demoraria horas de trem, e seu pai acabaria notando sua ausência, apesar de passar o dia fora.
A casa não se localizava exatamente no vilarejo, era um pouco afastada, dando um pouco mais de privacidade. Do portão já conseguia ver a enorme mansão de pedras e o emblema da família numa fonte do jardim.
Deu um passo à frente e passou alguns segundos encarando o portão. Estava se sentindo um pouco estranha de estar ali, sabia que não teria problemas com aquela visita, entretanto, aquele era um novo território.
- Estou aqui para me encontrar com o senhor Draco Malfoy. – disse ela, tentando manter a voz firme. Achava engraçado se dirigir à Draco como senhor.
Por um momento, pensou que nada fosse acontecer, mas logo o portão negro abriu-se, dando passagem para ela adentrar no lugar.
Não podia negar que era uma belíssima casa, na verdade, um belíssimo castelo. Não era tão grande como o de Hogwarts, e certamente aparentava ser um ambiente infinitamente menos acolhedor que a escola. Não podia reclamar, afinal, aquela fora a residência da família Malfoy durante anos, não seria para menos que fosse de um aspecto tão fantasmagórico.
Esperou alguns segundos em frente à porta de madeira antes de bater. Sabia que não seria Draco quem a abriria, afinal, tinha empregados para isso, e mesmo que não tivesse, ela sabia que o loiro não o faria. E estava certa, uma criaturinha com orelhas de morcego e enormes olhos esverdeados apareceu por trás da porta com um olhar um tanto curioso.
- Em que posso ajudá-la? – perguntou o elfo.
- Vim fazer uma visita ao senhor Malfoy. – disse ela e logo se apressou a completar. – Filho.
- Ohh, sim. O menino Draco. Entre, entre. – o elfo abriu ainda mais a porta e fez sinal para que Lyra entrasse. – Sou Dobby. Queira me acompanhar até a sala de recepção, senhorita...
- Black. Lyra Black.
Foi seguindo o elfo até uma enorme sala com vários sofás e quadros à espreita. Continha também alguns símbolos da sonserina sobre a lareira, além de vários porta-retratos da família. Ela sorriu ao ver a foto de um menininho loiro acenando com a cara meio emburrada.
- A senhorita gostaria de algo? Chá? Suco? – perguntou Dobby, um pouco ansioso.
- Não, estou bem. Obrigada. - negou ela. Tinha tomado café da manhã há poucos minutos. Acordou tarde naquele dia.
- Perfeitamente. – o elfo recuou alguns passos, indo na direção da porta por onde entraram. – O senhor Malfoy se encontra em seus aposentos. Irei chamá-lo.
Lyra não notou quando Dobby saiu, estava entretida com um dos porta-retratos. Na foto estavam cinco jovens. Quatro deles com cabelos escuros e uma com fios tão prateados que seriam confundidos com os de uma veela. O garoto da ponta era alto e bonito, ostentava um sorriso maroto e teimava em cutucar a morena ao seu lado, que o fuzilava com o olhar. No outro extremo da foto, um menino muito parecido com o garoto impertinente observava a cena atento, ao lado da outra garota morena, que prendia o riso. E no centro, uma loirinha revirava os olhos ou bufava das gracinhas do garoto da ponta.
- Seu pai nunca gostou muito de tirar fotos.
Lyra se assustou. Não percebeu que havia mais alguém naquele aposento. Atrás dela, uma mulher loira, de postura elegante e com os mesmos olhos cinzentos de Draco, a encarava.
- Lyra, não é mesmo? – perguntou ela e a garota assentiu, atônita. – Não a vejo há muitos anos, desde o velório de sua avó. Você se parece com minha irmã, Bellatrix.
Lyra não sabia o que dizer, apenas balançava a cabeça com um pequeno sorriso no rosto. Não se lembrava de Bellatrix, mas ao olhar para a foto e ver a garota que o pai incomodava viu que Narcisa tinha razão. Ela lembrava um pouco à Bellatrix, os cabelos negros lisos, o formato da boca e do rosto, apesar disso ainda era a cara da mãe.
- Algum recado de meu primo? – perguntou a senhora novamente e Lyra negou com a cabeça. – Então à que devo essa visita?
Lyra mostrou o pacote que carregava.
- Uma pequena lembrança em agradecimento aos serviços de Draco. – disse ela, um tanto séria. Tinha a impressão de que Narcisa a avaliava, cada palavra, cada movimento. – Ele foi meu tutor de Poções este ano.
- Draco sempre teve facilidade com Poções, desde menino. – sorriu ela. – Ele deve estar na biblioteca, irei chamá-lo.
- Obrigada. – Lyra esperou Narcisa sair da sala e voltou a observar a foto. Era incrível como Sirius Black não mudara, envelheceu um pouco, claro, mas mantinha o mesmo sorriso que o da foto e as mesmas feições marotas.
- Draco?
O loiro fechou o livro e encarou a mulher perto da entrada.
- Sim, mãe.
- Tem uma jovem à sua espera na sala de visitas. – disse ela, com a sobrancelha direita erguida.
Draco depositou o livro sobre a mesa na frente da poltrona onde estava sentado e se levantou. Sorria ao ver o olhar curioso da mãe, até ele mesmo estava curioso. Então era aquilo que o elfo dissera, tinha que começar a ouvir o que aquela criaturinha repugnante dizia.
- Antes de ir, apenas me diga o que a filha do meu primo está fazendo aqui. – ela não tirava os olhos do garoto, esse era um jeito de forçá-lo a dizer a verdade. Queria ouvir a versão dele, pois aquela visita era bastante incomum. – Porque isso não acontece com muita freqüência.
- Bom... – Draco passou por ela, indo na direção do corredor, e Narcisa se virou imediatamente e o acompanhou. – Vou descobrir falando com ela, mãe. Estou chocado também.
Narcisa meneou a cabeça. Draco conseguia fugir dela exatamente como Lucius fazia. Tantas coisas para puxar do pai e logo aquela maldita qualidade.
- Não se preocupe, mãe. – ele parou e depositou um leve beijo na bochecha sem cor da mãe. – Não deve haver problemas.
- Cuidado, Draco. Você sabe aonde seu pai quer sua dedicação.
- E mais uma vez: não deve ser nada. – ele fez um pequeno aceno com a cabeça, mas mantinha-se apático na presença da mãe. Sabia que ela contaria qualquer coisa para o pai, e o que menos precisava naquele momento era de Lucius Malfoy pressionando-o ainda mais.
Draco deixou Narcisa para trás e continuou andando até a sala de visitas. Claro que estava curioso, tinha falado com a namorada para se encontrarem durante as férias, mas não na mansão ou cinco dias depois de terem deixado a escola.
Parou por um instante. Lá estava ela, curiosa como sempre, vendo algumas fotos da família. Embora o tempo tivesse melhorado um pouco, Lyra ainda vestia um grosso sobretudo e botas de cano longo. Tinha os cabelos soltos, exceto pela franja, que estava para trás presa em uma borboleta azulada. Estava bela como sempre.
- E você não pára de fuçar nas coisas, não é mesmo? – disse Draco, entrando no aposento.
Ela assustou-se novamente. Não entendia aquela mania da família de chegar de fininho.
- Ora, meu querido. Está com medo de que eu descubra uma foto sua fazendo besteiras quando era criança? – Lyra sorriu, escondia o livro. Queria fazer uma surpresa.
- Como se eu fosse esse tipo de pessoa. – ele ergueu a sobrancelha, igual a mãe tinha feito a alguns minutos atrás, e se aproximou dela.
- Certo. – Lyra meneou a cabeça. Ele certamente não foi uma criança normal, parecia um pequeno robô. Lembrava da primeira vez que o vira, foi quando a avó estava doente, e queria conhecer a única neta, além de ver a família reunida. Sirius não pôde deixar de cumprir esse desejo da mãe, muito à contra gosto, claro. Estavam todos lá, e apenas uma única criança, uma pessoinha ranzinza e albina sentada na cadeira perto da janela. Ela até tentou puxar conversa, afinal, a prima Ninfadora não estava presente, mas ele sempre a cortara. Talvez Draco nunca fora realmente criança, era apenas um jovem adulto, mesmo na infância. – Eu me lembro de como nos conhecemos. Era Agosto de 1985, a gente tinha uns quatro ou cinco anos, acho.
Draco riu. Certamente ele havia se lembrado também.
- E céus! Você já era impertinente naquela época. – ele se aproximou um pouco mais, ficando apenas a um passo de distância um do outro.
- Sinto muito se eu era uma linda e inocente criança e você um ser estranho e sociopata. – olhou para uma das fotos dele sobre a mesa de pedra e sorriu, aquela foto provavelmente foi tirada na época em que se conheceram.
- Certo. – Draco se deu por vencido, sabia que poderiam passar horas daquele jeito, conversando, ou melhor, debatendo sobre um assunto sem importância. – Então? O que lhe traz à Wiltshire?
Mostrou o livro mal embrulhado de laço vermelho e o entregou à Draco, logo o beijou na bochecha, fazendo-o corar um pouco.
- Provavelmente só iremos nos encontrar na festa dos Wine. – ela fazia movimentos nos dedos, contava nos dedos quantos dias ainda faltavam. – Cinco dias, e eu não iria lhe dar isso lá, então, Feliz Natal.
Draco recebeu o presente. Sabia que iriam trocar presentes, mas não tão cedo. Contudo, já tinha o presente perfeito guardado no quarto, pensava nele desde antes das férias. Ela iria gostar.
- Vamos, abra! – Lyra fez sinal para ele se apressar.
Ao rasgar o papel e ver a capa do livro, Draco quase teve que se sentar. Aquele livro era raríssimo, nunca o encontrou para comprar, e já o procurara por um bom tempo, e não só em Londres ou na Inglaterra. Era uma capa desgastada e marrom, também estava um pouco maltratado, possivelmente devido aos longos anos.
Lyra adorou ver a expressão de surpresa e choque de Draco. Achou aquele livro nas coisas de sua mãe há algum tempo atrás, nem ela nem Sirius usariam aquilo, detestavam Poções abertamente. Era melhor que ficasse com alguém que faria bom uso dele.
- Gostou? – Lyra abriu um largo sorriso.
- Que pergunta! Claro que eu gostei, você tem noção de que livro é esse? – ele não sabia se olhava para o presente ou para a namorada. Era bom demais para ser verdade.
- E isso importa?
- Responda você, oras. Onde, onde você o encontrou? – Draco o folheava com tanto cuidado como se o livro fosse se desmanchar, e pelo seu estado, não seria um choque se acontecesse.
- Estava lá em casa, nas coisas da minha mãe. Como ela arrumou isso, eu não faço idéia. Nem meu pai mexe com isso. – fez uma pausa. – Achei que você gostaria de tê-lo.
Draco parou de folhear por um instante e olhou para Lyra. Ela estava descontraída, não parecia ser pesaroso se desfazer do livro, embora pertencesse à mãe.
Na primeira página, próximo ao título, estava escrito “Elizabeth Ângela White” em letras caprichosas e desenhadas. Ele passou o dedo pelo papel antigo e voltou a encarar Lyra.
- Você tem certeza? – perguntou.
- Mas é claro, eu mal uso os livros de Poções da escola. Até parece que eu vou usar esse aí. – Lyra sorriu. Ela sabia que ele estava temeroso em aceitar, mas aquele objeto não era uma lembrança ou recordação de sua mãe, já tinha muitas fotos em casa, e alguns pertences que Elizabeth realmente usava. O livro possivelmente era do avô, e a mãe o pegara, por acidente, quando se casou.
- Draco, eu tenho coisa muito mais útil em casa. – Lyra tocou no rosto dele. Estava pálido e frio, como de costume. – Além do mais, toda vez que eu olho isso aí me dá uma depressão pelas minhas notas em Poções.
O loiro sorriu e a beijou ternamente na bochecha. Aquela sala não era lugar para um devido agradecimento, os quadros eram extremamente fofoqueiros, e assim que o pai retornasse do Ministério, dariam com a língua nos dentes.
- Está bem, senhorita Black. Agradeço o presente e será de muita utilidade.
- Pelo menos para alguém. – Lyra sorriu e olhou no relógio. – Acho que eu vou indo. Nos encontramos semana que vem. – ela inclinou o corpo para despedir-se, mas o namorado deu um passo para trás.
- Aonde você pensa que vai? Eu também tenho uma coisa para você. – Draco segurou sua mão e começou a guiá-la pela sala, até o corredor.
- E o que será? – perguntou Lyra, seguindo-o.
- Surpresa. – ele deu uma rápida piscadela e continuou adentrando a casa.
No final do corredor havia uma espécie de hall com um luxuoso lustre de cristal pendurado no teto. O hall dava acesso para a cozinha, biblioteca e para as escadas. Draco subia pulando de dois em dois degraus, afinal, suas pernas eram mais longas e ele não tivera que caminhar pela neve.
Se depararam com outro corredor, agora com várias portas. Ali eram os vários quartos da mansão, o que era irônico, pois os Malfoy nunca recebiam hóspedes.
Draco parou diante de uma enorme porta verde-mogno, esperava Lyra alcançá-lo. Ele abriu a porta e eles entraram juntos no novo cômodo.
Era enorme, dava uns três do dela, que já era grande. A mobília fora escolhida a dedo, claro, as paredes eram esverdeadas e o chão de madeira escura. A cama era de casal e ficava perto da janela, aonde os primeiros raios de sol batiam durante o verão. A escrivaninha de época colonial ficava no outro extremo do quarto, ao lado da porta. Havia alguns pedaços de papéis amassados e o tinteiro aberto. Em uma das pontas, duas poltronas negras faziam ângulo com a parede e no espaço vazio que se formava entre elas, uma mesinha de centro carregava alguns livros. Era um quarto grande e espaçoso, e Lyra não conseguia se imaginar dormindo ali todas as noites.
Lyra deu mais alguns passos no cômodo e Draco foi até o outro extremo e fitou por alguns instantes o enorme armário. Pegou a varinha e fez pequenos movimentos, nada aconteceu no princípio, mas a última porta do móvel abriu e de dentro saiu uma caixa flutuando até as mãos de Draco. Ele fez mais um aceno com a varinha e a porta que acabara de abrir se fechou.
- Isso vai ser útil, ainda mais com mulher que adora fuçar na coisa dos outros. – ele sentou-se na cama e Lyra o acompanhou.
Ela olhava curiosa para o pequeno objeto no colo do loiro. Ele pegou uma chave dentro da cômoda do lado da cama e abriu a pequena caixa. Estava vazia. Deu uma outra espiada e nada acontecia, era sim uma linda caixa de jóias, mas não conseguiu nenhuma conexão com a última fala de Draco.
- É uma caixa feita por duendes. – explicou ele. – Coloque qualquer coisa aqui e só você poderá abri-la, nem magia, nem arrombamentos brutos a fará abrir. E por favor, não perca a chave, porque se você perder, a caixa perde a utilidade e você perde o que tem aqui dentro.
Lyra sorriu. Draco sabia que ela tinha a péssima mania de “esquecer” as coisas. Puxou Draco e o beijou de forma terna, adorara o presente. E ele estava certo, a caixinha seria de grande utilidade para alguém que divide o quarto com meninas extremamente curiosas.
Pegou o objeto e o observou mais de perto. Dentro era forrada com um cetim rosado e perto do tranco estava gravado em letras douradas Lyra B. Ela sorriu, pelo visto o presente tinha sido encomendado especialmente para ela.
Draco parecia observá-la. Estava com a cara de quem estudava suas feições, esperava uma resposta, ansioso, embora não demonstrasse um pingo de ansiedade.
- Então, o que achou? – perguntou ele, pegando na mão de Lyra e entrelaçando-a com a dele.
- É linda, Draco. E, realmente, vai ser muito útil em Hogwarts. – Lyra o beijou novamente, mas dessa vez com um pouco mais de paixão. Estava com saudade daqueles lábios finos, nos últimos dias quase não tiveram tempo de se encontrar, a última semana de aula fora extremamente corrida, cheia de tarefas e relatórios e compromissos de monitores.
- Eu disse. – ele abriu um sorriso galanteador. Era sinal de um comentário sádico. – Ainda não entendo como os dormitórios femininos ainda estão de pé, pelo que eu sei é um completo pandemônio.
- Olha só quem fala. – Lyra gargalhou. Lembrou-se da vez que entrara no dormitório de Harry em uma das férias de Natal. Estava uma bagunça, ele e Austin tinham tacado o terror junto com Ron e Neville, outro menino do sétimo ano. Tinha pena dos elfos que iriam limpá-lo. – E você? Gostou do livro?
- Foi de muito bom grado, garota. – ele lançou um olhar ao presente sobre a mesa e voltou sua atenção à Lyra. – Você não tem a menor idéia do que esse livro é, não é mesmo?
- Nenhuma, para mim é só tralha. Eu vi o nome Poções e já descartei. – riu ela.
- Bom para mim.
Ela olhou para o presente que dera e sorriu. Acabou de ter uma idéia que iria agradar o namorado e ainda tiraria mais tralha de casa.
- Acho que esse é só o volume um. – disse Lyra, apontando para o livro. – Acredito que tenha mais dois ou três.
- E você disse isso só para me passar vontade, ou estou errado.
- Não sou tão perversa assim, meu caro. – Lyra abriu um meio sorriso e deu uma piscadela. – Sou muito pior, mas para seu governo, hoje estou de bom humor e com um espírito caridoso.
- Claro. Aproveite esse seu espírito porque creio que não acontece todos os dias.
- Deixe de ser engraçadinho. – ela estendeu o dedo indicador, advertindo-o por graça. – Passe lá em casa mais tarde e será muito bem recompensado.
- Recompensado em que aspecto? – ele sorriu de forma maliciosa e puxou Lyra para um beijo, mas esta escorregou de suas mãos e quando Draco viu, ela já se encaminhava para a porta carregando a caixa e a chaves.
Lyra olhou para trás e deu uma piscadela.
- Te vejo às seis. – e saiu pelo corredor.
Draco passou os dedos nos lábios, limpando o batom vermelho que borrou. Ele sorriu e olhou para a mão vazia.
- Mas como ela pegou a chave? – perguntou para si mesmo. – Parece que Lyra Black tem seus truques também.
No outro extremo do país, Isabelle subia as escadas íngremes de uma casa mediana no centro de Londres. Apertou a campainha as pressas, e uma figura morena e sorridente apareceu.
- Isabelle! Que surpresa, entre, entre. – disse Rachel, entreabrindo a porta para a garota passar. – Ryan comentou que você podia vir hoje. Ficará para o almoço?
- Temo que não, senhora Davis. – a garota pendurou o grosso casaco rosado no armário perto da porta. – Vou resolver umas coisas pela cidade, nem sei se vai dar tempo de almoçar.
- Que pena, pensei que fosse fazer companhia aos meninos. Já estou de saída para o Ministério. – Rachel olhou em volta, procurando por algo e voltou-se para Isabelle. – Acomode-se na sala, Charlie está lá. Ryan deve estar no andar de cima, vou chamá-lo.
Enquanto Rachel subia as escadas apressada, Isabelle adentrou no cômodo ao lado. A sala continuava a mesma, exceto pelo novo aparelho de televisão sobre a mesa perto do sofá, o qual Charlie assistia entediado.
- Olá, Charlie. – sorriu ela para o menino. – Se rendendo aos encantos trouxas?
- Oi, Belle. – ele arregaçou as enormes mangas da blusa, provavelmente do irmão mais velho. – Com a neve lá fora, não tem muita coisa para fazer.
- Entendo. Eu estaria fazendo a mesma coisa. – e aquela era uma grande mentira. Adorava o inverno, a neve, tudo.
- Até que enfim deu as caras por aqui! – a voz de Ryan ecoou pela sala. Ele parecia estar usando As calças do pijama com uma camisa muita parecida com a que Charlie usava.
Isabelle levantou-se e abraçou o amigo. Riu ao ver as meias vermelhas dele se sujarem no chão, Ryan nunca lembrava de calçar os sapatos, ou preferia não se lembrar.
- Bom, até mais tarde, garotos. – Rachel estava com um pé dentro e outro fora de casa. – Ryan, o almoço está no forno, é só esquentar. Amo vocês, até mais tarde. – e a porta se fechou.
- Vamos subir. – disse ele para a amiga. – Estava olhando umas coisas lá no sótão.
Subiram as escadas até o segundo andar. Ryan puxou uma cordinha presa no teto e uma pequena escada se formou. O amigo subiu rapidamente, e Isabelle o acompanhou.
Como todo sótão, aquele lugar era uma bagunça e coberto de poeira. Havia caixas para todos os lados, algumas escritas outras rasgadas. Perto da janela, havia uma aberta e ao seu redor, milhares de pastas, papéis, fotos e outros objetos espalhados.
- Estava dando uma olhada nos materiais do meu pai, vendo se conseguia achar alguma coisa para aquele maldito trabalho de História da Magia.
- Alguma sorte? – indagou a garota, remexendo em uma das caixas. – Por Merlin, que tipo de brincadeira você fazia quando criança? – mostrou o urso de pelúcia com metade da cara caída aos pedaços.
- Para sua informação, isso foi culpa do cachorro.
- Você não tem cachorro. – retrucou Isabelle.
- Eu não, mas o vizinho tinha. – Ryan pegou o brinquedo e o fitou com a sobrancelha erguida. – Nem sei o que isso está fazendo aqui, pensei que minha mãe tivesse se livrado ainda quando morávamos na Argentina. Foi meu pai quem me deu, se não me engano.
- Faz quanto tempo que vocês mudaram para cá? Nem lembro mais.
- Deixe me ver. – ele fez alguns movimentos com os dedos, parecia estar contanto mentalmente. – Meu pai morreu quando eu tinha uns sete e a gente se mudou logo depois, então faz uns oito ou nove anos.
- Você gostava de lá? – Isabelle pegou outra caixa para olhar. Nunca tinha entrado naquele sótão, eram tantas coisas novas que não sabia a respeito do amigo. Ele quase não tocava no assunto sobre sua vida no outro continente, apenas se lhe perguntassem.
- Criança gosta de tudo, não é? Minha mãe ficava em casa, e meu pai passava horas na universidade trouxa mexendo com documentos antigos. Não me pergunte o porquê, eu não tenho a menor idéia. Ele era historiador, mas se não me engano, bruxo, né?
- Que vergonha, Ryan. – riu Isabelle. – Seu pai era especializado em História da Magia e você quase bombando.
- Bombando não, custando a passar. É diferente. – Ryan abriu uma pasta lacrada e começou a olhá-la. – A quem eu estou enganando, é uma verdadeira vergonha.
- Eu disse. – ela espichou o pescoço para ver o que ele folheava. – O que tem aí?
Ryan não respondeu. Continuou lendo, e pelo visto era algo interessante, pois não atirara para dentro da caixa, como fez com outras pastas.
- Ry? – chamou Isabelle. – RYAN!
- O que! – ele encarou-a com o olhar surpreso. – Isso, isso foi o último trabalho do meu pai. – ele passou a mão pelos pergaminhos amarelados com cuidado. – Pelas barbas de Merlin, você não tem idéia do que é isso.
- Então me deixa ver, oras. – a garota sentou-se ao lado do loiro e leu o título do primeiro pergaminho. Arregalou os olhos e ficou com a mesma expressão pasma que Ryan. – Isso é lenda, só pode ser.
- Jura? Tem até uma pequena árvore genealógica aqui. – ele apontou para um desenho em um dos pergaminhos. – Será mesmo que existe esse tal herdeiro?
Isabelle já ouvira aquela lenda do avô materno. Que havia um herdeiro bastardo, um herdeiro dos quatro ancestrais de Hogwarts. Este teria característica das quatro casas, sagaz como a Sonserina, corajoso como a Grifinória, intelectual como a Corvinal e companheiro como a Lufa-Lufa. Essa era uma das histórias que o avô contava para ela e as irmãs na hora de dormir.
- Tem dados aqui, Belle. Olha! – ele descia o dedo pelo desenho, que dava nomes e datas. – A página está cortada, droga. Por volta de 1900 não há mais registros. É como se tivesse desaparecido.
- Você não está acreditando nisso, não é Ryan? – indagou Isabelle, pegando o pergaminho com a árvore genealógica. – Eu sei que isso aqui era trabalho do seu pai, mas isso lenda, eu já disse. Eu ouvi essas histórias várias vezes antes quando ainda era menina.
- Há dados e provas. – ele teimava em insistir. – O último que fala aqui é Ledger Knivert que casou-se com Margaret Bishop, a página foi rasgada. Será mesmo que isso seria invenção?
- Ryan, querido, colega. – Isabelle falava pausadamente, sempre quando queria colocar uma idéia na cabeça de outro indivíduo. – Vamos por a mão na consciência. Eu sei que você adora essas coisas de histórias fantásticas e mistérios, mas isso aqui eu acho que é viagem. – ela pegou novamente o pergaminho das mãos dele e apertou os olhos para ler as pequenas letras no topo da página. – O filho caçula de Godric Gryffindor simplesmente teve um caso com a neta de Helga Hufflepuff, e disso saí uma criança bastarda, que cinco gerações depois o neto, bisneto, sei lá que neto, se casa com um herdeiro de Rowena Ravenclaw e gerações depois outro herdeiro simplesmente se encontra com um de Salazar Slytherin? É meio viajado, você não acha? Essas pessoas se encontraram por acaso durante as gerações?
- Poderia ter acontecido. – Ryan suspirou. Ele adorava aquelas idéias um tanto viajadas, parecia que a vida saía da rotina.
- Digamos que aconteceu. Como seu pai conseguiu esses dados? Porque essas coisas não se acham perguntando para a vida alheia.
- Eu lá sei! Ele morreu quando eu tinha sete, não sabia dessas pesquisas dele. – o garoto guardou aquela pasta específica com todos os pergaminhos que a compunham em uma caixa ao seu lado. – Bom, você não acredita e eu não tenho tempo para pensar nisso agora.
- Até que enfim, chegou aonde eu queria. – riu Isabelle. Ela sabia que se continuassem a discutir sobre aquilo acabariam brigando, porque Ryan nunca desistia de algo, e isso realmente a irritava. – No Natal você vai lá para casa, não é?
- Mas é claro que vou, aqui é que eu não fico. Imagina que depressão eu, minha mãe e a tampa do Charlie. Quando íamos para a casa dos meus tios em Yorkshire ainda valia a pena, mas só nós dá um desânimo danado.
- Que pessoa familiar você é. – brincou ela.
- Eu amo minha mãe, mas por Merlin, ela anda difícil nesses dias. Estressada até a morte, e o grito dela é como um barulho sinistro explodindo os meus tímpanos.
- Deixa de ser exagerado, garoto. – meneou a cabeça, sorrindo.
- Queria ver você dizer isso se estivesse aqui ontem para vê-la brigando com um cara do ministério pela lareira. Esse infeliz deve ter ido direto para o St.Mungus com o ouvido sangrando. – riu Ryan.
Isabelle olhou no relógio. Já estava na hora de ir andando, tinha compromisso marcado dali a vinte minutos, e ainda tinha que achar o lugar.
- Ryan, tenho que ir andando. – Isabelle levantou-se, e bateu a mão na calça para tirar a poeira.
- Eu sabia que não tinha vindo até Londres só para me ver. – Ryan ergueu-se, ficando na mesma altura que a garota. – Aonde vai agora?
- Pena que você tem de ficar de babá para o Charlie, senão eu te levava. – tirou um pedaço de papel do bolso e mostrou o endereço para o amigo. – Um amigo do meu pai pôs esse apartamento para alugar, e eu vou dar uma olhada.
- Certo. – ele fez uma pausa. – Você já tem casa e vai procurar um apartamento porque...
- Meus pais estão de mudança pra Washington, não comentei com você sobre isso? – vendo a cara de choque do amigo, percebeu que não. – Meu pai vai trabalhar lá, então eu vou atrás de apartamento.
- Seus pais vão bancar esse apartamento seu? Porque a gente não cai no ouro depois da escola, não, viu?
- Herança, meu querido. Herança. – Isabelle alargou o sorriso. – Vovô deixou uma boa quantia para cada neto, e como eu sou maior de idade, posso acessar meu cofre facilmente.
- Estou chocado. – e realmente estava. – E Juliet? Vai com eles?
- Que nada. Pelo que mamãe disse, ela vai passar umas temporadas com Madame Helter na casa de campo.
- E você não faz a mesma coisa porque...
- Eu adoro a Madame Helter, mas viver sobre o comando dela novamente nem amarrada.
- Bom, espero que dê tudo certo. – Ryan a abraçou, congratulando a amiga. – Que seja um lugar de muitas futuras festas.
- Merlin te ouça. – riu a garota. – Vou pegando o rumo.
- Droga! Eu queria ir com você ver o lugar. Maldito irmão caçula. – imprecou Ryan. – Me dê os detalhes na festa, ok?
- Darei. – sorriu Isabelle. Abraçou Ryan mais uma vez e foi embora, não iria fazê-lo descer, o amigo já havia encontrado outra caixa para se entreter. Pegou seu casaco e deixou a casa dos Davis.
Ryan abriu novamente a pasta que havia guardado e tirou de lá o pergaminho com a árvore genealógica. Ficou estudando-o por alguns minutos, até que um barulho vindo das escadas o fez acordar. Era Charlie indo para o quarto.
- Será mesmo verdade, pai? – indagou, olhando para a foto do pai acenando à sua frente.
- Dumbledore está me testando, só pode! – Rachel andava de um lado para o outro no escritório, seguida pelos olhares de Nathan, James e Sirius.
- Pois é, odeio aquele velho barbudo também! – disse Sirius, rindo.
- Estou lhe avisando, Black. Estou lhe avisando! – ela apontou o dedo de forma ameaçadora para o moreno que ria até saírem lágrimas dos olhos.
- Estou vendo. – Sirius afastou o dedo dela e levantou-se da mesa onde estava sentado. Pegou Nathan no colo, que ria gostosamente da situação. – Pare de incentivar a violência, amor. Há pessoas inocentes no recinto.
- Eu não sou inocente! – protestou o menino agarrado ao pescoço de Sirius.
- Eu não estava falando de você. – Sirius virou-se para o outro extremo na sala, onde James observava a cena. – Falava do James!
Nathan riu junto com Sirius, enquanto Rachel e James o fuzilavam com o olhar. Desde que Lyra voltara para casa, ele andava mais engraçadinho do que o normal. Com toda aquela tensão pelo departamento, as pessoas estavam começando a ficar sem paciência para as piadas de Sirius.
- Ora, Rachel. Pare de reclamar de barriga cheia, mulher! – Sirius aproximou-se dela, que recuou quase de imediato. Rachel temia que se ficasse muito perto daquele homem acabaria cometendo um homicídio. – Eu, você e Viena. O que há de errado?
- Talvez a primeira coisa que você citou nessa última frase. – ela olhou para James, pedindo ajuda.
- E o que vocês vão fazer lá? – perguntou James, tentando mudar o assunto ou, pelo menos, desviar a atenção de Rachel em matar o colega de trabalho.
- Falar com um tal de Newman sobre alguma coisa que Dumbledore nos dirá essa tarde.
- Eu não acredito que vou ter de deixar os meus dois filhos por isso. – Rachel meneou a cabeça em negativa. Jurava que se visse Dumbledore naquele momento, acabaria com aquele sorriso bondoso por baixo da barba branca.
- Deixa de ser grudenta. A Lyra vai ficar sozinha também e eu não estou aqui choramingando. – ele se aproximou de James e cochichou algo no ouvido do amigo que somente ele e Nathan escutaram. – À noite você dá uma olhada nela para mim, né?
James concordou com um discreto aceno. Já esperava aquela pergunta.
- E a mudança dos Wine está de pé? – Sirius mudou de assunto ao ver o rosto de Rachel ficar mais avermelhado do que o normal. Ela sempre corava nos seus diálogos, entretanto, esta vez superou as anteriores facilmente.
- Christopher disse que está tudo encaminhado. A filha caçula volta à escola e eles deixam a casa. – disse James. – Ainda bem que a garota vai ficar, senão alguém lá em casa iria passar o resto da vida reclamando.
- O Harry está de namorada nova. – riu Nathan. Ele passara boa parte do dia anterior atazanando o irmão mais velho com aquilo. Se fosse alguns anos maior, acabaria apanhando, mas por ser pequeno, sempre corria para a mãe e Harry ou Victoria não podiam fazer nada.
- É mesmo. Lyra comentou que Harry estava com a caçula dos Wine. – Sirius botou Nathan no chão e sentou-se atrás da sua mesa. – Coitado do garoto.
- Por que? – indagou Rachel. - É uma ótima menina.
- Claro que é uma ótima menina, a mais bonita com quem ele saiu. – Rachel revirou os olhos, mas Sirius a ignorou. – Porém, ter Christopher como sogro não é fácil. Ele é ciumento demais.
James e Rachel lançaram olhares cúmplices, mas fora Nathan quem lançara o comentário crucial.
- Mas Sirius, não foi você quem quase viajava a Lyra nos encontros.
Os adultos riram do comentário, exceto Sirius, claro. Ele fizera aquilo uma única vez para ver o que o tal do Smith faria, e no final nem precisara afugentar o rapaz, ele já estava muito longe.
- Foi só uma vez que eu precisei fazer isso. Aquele Smith era um santo-do-pau-oco, isso sim. Aquela conversa lenga-lenga para boi dormir não me engana. – Sirius abriu um sorriso malicioso.- Ele não é mais problema meu agora.
- É verdade, o Smith foi aceito na LOOP. – as feições de James ficaram sérias de repente. Sempre que tocava no assunto da organização aquilo acontecia, se lembrava que Henning Schulat patrulhava a escola. E tanto ódio que Sirius tinha do sujeito, acabara pegando uma antipatia pelo alemão. – Tem notícias deles em Hogwarts?
- Encontrei com Remus no Três Vassouras alguns dias atrás. – disse Sirius. – Ele disse que está tudo bem, Schulat continua sendo um porco, mas fora isso, está tudo em ordem.
- Acho que a essas alturas, Schulat já deve ter percebido que Lupin está de olho nele. Fora os outros professores, Chase, Stevens, McGonagall. – comentou Rachel.
- Isso é mais do que óbvio. – Sirius abriu um sorriso maldoso e olhou para James. – Bem que o Aluado podia jantar o Schulat em alguma lua cheia. Seria ótimo para todo mundo.
- Black, como você é mau. – riu Rachel. – Se bem que não seria uma má idéia.
- Viram? Eu fiz Rachel Davis concordar comigo! Cadê o champanhe? – brincou o moreno. – Nos encontramos às quatro no escritório de Dumbledore.
- Certo. – a morena pegou seu café na mesa de James e abriu, tinha reunião em dez minutos. – Estou atrasada. Até mais.
Os três restantes observaram a mulher sair do recinto. Sirius deu uma piscadela para o amigo.
- Ela já está bastante nervosa, Sirius. – disse James. – Tente não infernizá-la muito nessa viagem.
- Quem disse que eu a infernizo? – Sirius forjou uma cara de ofendido, fazendo Nathan rir.
- Lembre-se de que eu não estarei lá para impedir que ela te esgane até a morte. – ele fez uma pausa e olhou para o filho. – Pode ficar com Nate até a hora do almoço? Lily está atolada no hospital e eu vou resolver alguns assuntos do Fuller.
Sirius sabia muito bem que assuntos eram aqueles. Provavelmente acharam outro corpo e tinham de mandar aurores para o local. Já fora nesses “assuntos” duas vezes, e podia dizer que não era fácil. James estava lidando com coisas demais naquele momento, na maioria das vezes, era ele quem Fuller chamava.
- Claro. – Sirius estendeu a mão e Nathan bateu, fazendo um grande estalo. – Eu e Nate vamos paqueras algumas estagiárias no andar de baixo, não é mesmo, campeão?
- É! – o menino pegou a mochila sobre a cadeira do pai e correu para a porta. – Mas Sirius, elas estão ficando bravas porque você não retorna os seus recados.
- E é aí que você entra, rapazinho. – Sirius alargou o seu sorriso e James revirou os olhos. Ele não fazia a mesma coisa com Lyra porque a menina sempre dava com a língua nos dentes e alertava as pretendentes do pai. – As pessoas ficam bravas, mas olham para o Nathan e a raiva passa. É um golpe de mestre, meu caro.
- Estou vendo. – riu James. – Veja se não transforma meu filho em um mini libertino.
- O que é um libertino, papai? – perguntou o menino.
- Quando tiver dezoito, eu te conto. Agora chispem, eu tenho que trabalhar.
Os dois saíram, deixando James sozinho no recinto. Pegou uma ficha dentro da gaveta e deu uma rápida checada.
- É, mais um essa semana. – James foi até a porta e chamou a atenção da secretária. – Paula, contate a assistente social, por favor. A criança está sob os cuidados do curandeiro Ernest, no St.Mungus.
- Perfeitamente, senhor Potter. – a jovem moça saiu do aposento carregando o pergaminho em que acabou de escrever.
- Eu disse que não demorariam a matar bruxos – James soltou um suspiro e fechou a porta atrás de si.
Draco desceu as escadas correndo, quase escorregou no tapete e atropelou o elfo quando passou correndo pelo corredor. Estava atrasado para se encontrar com Lyra, e não tinha algo que detestasse mais do que atrasos, tanto da parte dele quanto de outros.
- Draco? – ouviu uma voz feminina chamá-lo.
- Estou de saída, mãe. – ele vestiu a jaqueta de couro e encarou a senhora à sua frente.
- Vai se encontrar com a senhorita Black, Draco? – Narcisa estendeu a varinha de Draco, que estava sobre a mesa, e ele a pegou e guardou no bolso da jaqueta.
- Isso é um problema? – ele ergueu a sobrancelha direita.
- Não sei, é um problema? – a mulher fez o mesmo que o filho, e continuava encarando-o com um olhar sério.
- Eu já falei para a senhora não se preocupar, mãe. Lyra...
- Lyra? – ela o interrompeu. – Draco, eu não posso reclamar, essa menina carrega o nome Black, mas saiba aonde você está se metendo. Eu conheço meu primo, Sirius Black não é nada fácil de lidar.
- Eu não estou saindo com Sirius Black, mãe. – ele olhou no relógio. Se Lyra não o matasse, ele mesmo o faria. Já estava mais de vinte minutos atrasado, e a mãe não facilitava as coisas. – Bom, como eu já falei, estou de saída. Volto na hora do jantar.
- Draco Lucius Malfoy! Não me deixe falando sozinha! – Narcisa fez um pequeno aceno e a porta do aposentou fechou-se com um estrondo. – Agora está melhor.
- Mãe! Por Merlin, fale logo porque eu estou atrasado! – exclamou o garoto, contrariado. Detestava quando a mãe fazia aquilo.
- Agora está melhor. – ela abriu um sorriso sarcástico. – Só digo para você tomar cuidado, querido. Eles não têm o mesmo pensamento que nós sobre o que está acontecendo. Você acha que ela iria te receber de braços abertos se descobrisse que seu pai é um comensal?
- Meu pai pode até ser um comensal, mas eu não sou. – Draco deu uma pausa, depois completou, contrariado. – Ainda. Todos nós temos segredos, provavelmente ela também deve ter.
- Eu não vou lhe dizer o que você deve ou não fazer, tanto é que não contarei essas suas aventuras. – como Draco, ela também fez uma pausa. – Ainda. Pense bem, querido, pense bem antes de envolver essa jovem na sua vida, por que depois não tem volta.
- Obrigado. – ele agradeceu. – Lido com meu pai depois.
- Assim espero. – Narcisa fez outro aceno com a varinha e a porta tornou-se a abrir. – Não se atrase para o jantar.
Draco deu um rápido beijo na mãe e correu para o lado de fora da mansão, não podia aparatar na casa. Fechou os olhos e quando os abriu, não havia mais a mansão Malfoy e sim uma casa de aspecto londrino à sua frente.
A rua estava deserta, ninguém o vira aparatar, mas da próxima vez, teria de ser mais cuidadoso. Detestava aquelas áreas sem feitiços anti-trouxas.
- É aqui. – Draco bateu na porta e ficou olhando para o chão. Nunca estive ali, sentia-se um estranho naquela casa, um estranho em terras desconhecidas.
Ouviu barulho do lado de dentro e logo Lyra pareceu na porta. Ela sorriu ao vê-lo e deu passagem para que Draco passasse.
- Pensei que ia me dar o cano. – Lyra guardou a jaqueta dele no armário ao lado da porta onde ficavam os sobretudos.
- Por pouco eu não o fiz. – o que, tecnicamente, não era mentira.
- Ainda bem, porque senão o senhor sofreria as conseqüências. – ela apertou os olhos ao olhar para o namorado à sua frente. – Não repare na bagunça, meu pai dispensou a faxineira. Neura dele.
- E vocês não têm um elfo porque...
- Porque ele detesta. Eu nem me incomodo. – deu de ombros. – O da sua casa é tão educadinho.
- Educadinho? Aquele elfo é estranho, isso sim.
- Deixe de ser do contra. – ela sorriu e o guiou até o cômodo ao lado, a sala.
Certamente, ali era bem diferente da mansão Malfoy. Para começar, a casa estava uma verdadeira zona. Havia pratos sujos sobre a mesa perto de um aparelho trouxa, algumas revistas estavam esparramadas pelo tapete, junto ao sofá vinho, e fora o fato do chão estar imundo, provavelmente, Lyra teria polido a vassouras mais cedo.
- Pare de olhar com essa cara de quem julga, eu estava entediada. – a briga com Harry acabou prendendo-a em casa, não havia para onde ir. Hermione viajou com os pais, Austin foi para a França, Ron e Ginny estavam com a família na Romênia, passando as férias com um dos irmãos mais velhos; e tinha a casa dos Potter, que estava fora de questão. No pouco que ficara lá, já sentia-se desconfortável com os olhares gelados de Harry. Restava ficar em casa e arranjar algo à moda trouxa para fazer.
- E desde quando isso é sinal para destruir a casa? – riu Draco.
- Vou fingir que não escutei isso.
- Você fica aqui sozinha o dia inteiro? – indagou ele, observando a sala.
- Na maioria das vezes, sim. Meu pai tem que trabalhar esses dias, e como é somente eu e ele... – ela deu de ombros novamente. Não se importava mais com aquilo, às vezes achava até bom aquele silêncio que ficava quando o pai batia a porta da frente e saía para trabalhar. – Tentamos arrumar um gato uma vez, mas não deu muito certo. Não gosto muito deles, prefiro cachorros.
- Não consigo imaginar um motivo para isso. – disse Draco, um pouco sarcástico.
- Nem é por causa da forma animaga do meu pai. – ela pensou por alguns segundos e depois completou. – Ok, é sim.
- Eu disse.
Lyra esticou o pescoço, procurava por algo. Só depois de passar o olho pela sala, que se lembrou de ter deixado os três livros sobre a cama.
- São quatro volumes ao todo, os três restantes estão lá em cima. – Lyra fez sinal para eles irem.
Algo que ela não esperava aconteceu. Ouviu a porta do hall abrir e duas vozes conhecidas ecoarem pela casa.
- Fique a vontade, Rachel. Eu vou só avisar a Lyra e pegar os papeis. – disse Sirius.
Draco arregalou os olhos, e Lyra mantinha a expressão surpresa. Não tinha se preparado psicologicamente para aquele encontro dos três. Mas nada mais adiantava naquele momento, apenas que a verdade seria dita.
Sirius deu a primeira pisada na sala em que os garotos estavam e parou subitamente ao ver a figura loira ao lado da filha. Ao ver o choque do colega de trabalho, Rachel foi ver o que estava havendo.
- OK, pai. Respira. – Lyra forçou um sorriso para descontrair, mas não ajudou muito. Sirius não dizia nada, parecia estar assimilando a situação em que se encontrava. – E agora diga alguma coisa.
- O que ele faz aqui? – sua voz saiu gelada, e olhava fixamente para o garoto. – Responda, Lyra Elizabeth!
Lyra passou a mão pelos cabelos, tentando pensar no que falar em seguida. Ele estava bravo, não gritava, mas estava bravo. Quando usava seu nome do meio era sinal de que vinha bronca.
- Uma visita...?
- Se você não me responde direito, ele irá. – apontou o dedo para Draco. – O que está fazendo na minha casa, garoto? Com certeza não é para dar notícias da família, porque se fosse isso, Narcisa mesmo o faria.
Draco lançou um rápido olhar à Lyra, que engoliu em seco. Havia muita gente ali naquele ambiente, queria que o pai recebesse a notícia com calma, depois de uma garrafa de vinho e de preferência sem ser no flagra.
- Black. – Rachel o cutucou no ombro, mas ele não deu atenção. – É melhor vocês conversarem a sós.
- Obrigada. Tirou as palavras da minha boca. – Lyra sorriu timidamente para Rachel, que retribuiu com piscadela.
- No escritório. Agora! – Sirius apontou para a porta do outro lado do hall. Virou-se para Rachel, e suas feições ainda não tinham melhorado. – Fique de olho nesse... nesse sujeito.
Lyra apertou o braço de Draco, tentando tranqüilizar o garoto. Passou por Sirius e por Rachel, e esperou pelo pai em frente à porta do escritório. O moreno trocava algumas palavras com a mulher e logo foi ao encontro da filha.
Sirius fechou a porta do escritório e olhou para Lyra, que andava de um lado para o outro.
- Você perdeu o juízo?! – Sirius estava exasperado, não deixaria a história de sua prima se repetir com a filha.
- Já que você perguntou com tanta delicadeza, - suas palavras saíam cobertas de sarcasmo. – não, eu ainda tenho consciência.
- Então por que aquele sujeito albino está na minha sala!? – e agora ele gritava um pouco.
- Porque eu o convidei. – ela tentava manter a calma. Se explodisse, logo os dois estariam gritando a plenos pulmões e não chegariam a lugar algum.
- Verdade? Então porque não convidou logo a metade dos trasgos da Grã Bretanha? Assim a festa estaria completa.
- Porque eles não fazem o meu tipo.
- Lyra.
- Pai.
- Pelas barbas de Dumbledore, o que deu em você? Ele é um Malfoy! UM MALFOY! - Sirius passava as mãos pelo rosto nervosamente. Quando saiu do escritório do diretor em Hogwarts não esperava encontrar o filho de Lucius Malfoy na sua sala, de mãos dadas com a SUA filha.
- Eu ouvi da primeira vez. – ela gesticulava com as mãos, na esperança de desviar a atenção do efeito que as próximas palavras fariam. – Vou direto ao assunto. Aquele sujeito, como o senhor mesmo disse, é seu novo genro. Felicidades.
Sirius abria a boca várias vezes, mas não emitia nenhum som. Estava em choque, e Lyra segurava o riso para não rir da cena. Ele nunca imaginou que fosse sentir falta do antigo namorado de Lyra, porque depois daquela notícia trágica, daria valor ao ditado que ouvira tantas vezes. ”Era feliz e não sabia.”
- VOCÊ ENLOUQUECEU? – e os berros voltaram. – ELE NÃO PODE SER MEU GENRO, VOCÊS...VOCÊS...
- Eu disse que teria sido melhor mandar os convites do casamento. – brincou Lyra, e Sirius arregalou ainda mais os olhos. Ela logo apressou-se em dizer: - Foi uma piada.
- Não banque a engraçadinha, moçinha! – ele fazia algumas caretas, como se estivesse comendo algo repugnante. – Eu juro que vou te internar no St. Mungus alegando insanidade, porque você só pode estar louca! UM MALFOY!
- Pare de fazer escândalos, pai. – Lyra elevou o tom de voz e deu um passo á frente, tomando aquilo tudo como um desafio. – Por Merlin! Ele é um Malfoy mesmo, não gosta? Arraste-o até o cartório mais próximo e o batize de Elefante Colorido, se quiser. Porque pelo que vejo, isso é uma questão de nome, não é mesmo?
- Não é uma questão de nome. – Sirius não sabia se olhava para porta ou para Lyra, tinha vontade de deixá-la de castigo e dar uma boa surra no moleque na sala ao lado. – É uma questão de caráter!
- Caráter! Por favor, conte outra. – riu Lyra, com sagacidade. – Você nem o conhece!
- E pretendo não conhecer.
- Se minha mãe estivesse aqui, ela ficaria do meu lado! – aquela era uma de suas cartas mais preciosas. Mencionar a mãe em discussões com o pai era como achar ouro na rua.
- Não me venha com essa, Lyra! Eu...eu – ele fez uma pausa, estava completamente sem palavras. – lhe proíbo de ver esse garoto! Pronto! Assunto encerrado!
Lyra revirou os olhos. Não estava acreditando nisso, pensou que apenas Harry fosse ter atitudes infantis, mas o pai resolvera se juntar ao clube também.
- Eu sabia! Eu sabia! – exclamou a garota. – Aquela carta que o senhor me deu no meu aniversário de DEZESSETE anos era pura embromação! – ela fez o favor de ressaltar a idade.
- Claro que não! É a mais pura e verdadeira...
- Então o que é isso tudo? – Lyra deu um baque na mesa com o punho fechado. – Um teatro?
- Você...
- Eu – ela o cortou. – sou maior de idade, e tomo as decisões que quero. Na carta você dizia que me apoiaria no que der e vier, mas pelo visto não passaram de palavras jogadas ao vento.
Sirius já ia rebater aquela fala, mas se conteve. Ele meneou a cabeça e olhava para o teto, buscando alguma saída. Soltou um muxoxo cansado. Não havia nenhuma saída, apenas admitir que ela estava certa.
- Você está certa. – ele disse com um pingo de voz.
- Como? Não escutei? – Lyra brincou, pondo a mão atrás da orelha e estendendo a cabeça para frente. Sirius apertou os olhos e ela voltou a posição normal. – Certo.
- Se você quiser ficar com esse... infeliz, eu não vou contestar. – Sirius usava cuidadosamente as palavras para não insultar o garoto, apesar de que em sua mente os palavrões corriam soltos. – Mas coloque a mão na consciência e pense se o que está fazendo é certo.
- Eu não estou cometendo nenhum homicídio, pai. – Lyra foi se aproximando devagar de Sirius. – Não escolhemos para quem entregar nossos corações, pai.
- Entregar corações?! – Sirius elevou mais uma vez a voz. – É mais sério do que eu pensava. Não é apenas uma queda, uma aventura. Você está...
- Apaixonada por ele? – Lyra fechou os olhos e depois que os abriu, sua voz saiu mais forte. – Sim, estou. E ele também gosta de mim da maneira dele, pai.
- Você tem certeza disso, Lyra? – Sirius agora fitava a porta com raiva. – Porque se esse loiro albino estiver brincando com a minha filha eu juro que...
- Deixa disso, Sirius Black! – Lyra estava cara a cara com o pai. – Conforme-se!
- Não está vendo que eu estou tentando?! – Sirius encarou Lyra diretamente nos olhos, ela nem piscava.
- Ótimo!
- Ótimo! – Sirius puxou Lyra para um abraço. – Mas eu estou avisando, se esse ser branquelo fizer alguma coisa de ruim á você, eu juro que o caço até nos infernos, se for preciso!
Lyra riu, e não duvidada de que o pai cumpriria o que dissera. Finalmente conseguia respirar aliviada, sentia as batidas do coração diminuírem e voltarem ao ritmo normal. Tudo ficaria bem.
Sirius se separou e foi até a porta, abriu-a e mudou de aposento. Lyra fez o mesmo logo em seguida.
O moreno falava alguma coisa para Draco, que estava sentado no sofá em frente à Rachel. Ela era a única que parecia se divertir com a situação.
- ... eu te caço até nos infernos, entendeu? – Sirius falava bravo, quase cuspia em Draco.
- Black, pare de assustar o garoto! – Rachel o puxou pelo braço, e ele se afastou de Draco. – Estamos sem tempo, sabe? Faça o que tem de fazer, e vamos logo!
- Pára de reclamar, mulher! Não vê que eu estou no meio de uma ameaça?
- Pai, a senhora Davis em razão. Você devia parar com isso. – Lyra se aproximou de Draco. Riu ao ver que o garoto a olhava um pouco apavorado.
- Eu não vou a lugar nenhum! Você não vai ficar sozinha com ele! – Sirius lançou um olhar venenoso à Draco.
- Deixe disso, pai. Em Hogwarts, o senhor não vai poder ficar me monitorando vinte e quatro horas por dia. – pelo menos, ela esperava que não. – Estamos saindo há quase dois meses.
- DOIS MESES?! – exclamou Sirius.
- BLACK! PEGUE A DROGA DO PAPEL E VAMOS CAIR FORA, AGORA! – Rachel arrastou Sirius até a porta e o empurrou para o hall. – Se não sairmos dessa casa em três minutos, eu juro que você não vai viver para ver esse romance.
Lyra olhou divertida para Draco, mas ele parecia tão aturdido quanto Sirius. Foram ameaças bem feias as de Sirius Black.
Como o planejado, cinco minutos depois Sirius e Rachel se encontravam no hall de entrada prontos para sair. Sirius estava mais do que contrariado, ia viajar quase a força, o que era irônico, já que mais cedo era Rachel que estava à beira de um colapso.
- Anda, Black. – Rachel o puxou com força para fora da casa. – Vamos perder o portal.
- OK! – Sirius virou-se para a filha e Draco e apertou os olhos. – Seu padrinho está de olho, ouviu? E você – ele focou no garoto, e Lyra revirou os olhos.
- Já sabemos, pai. Você o caçará até nos infernos. – ela beijou o pai na bochecha e o abraçou. – Boa viagem. – acenou para a morena impaciente. – Foi boa a visita, senhora Davis.
- Querida, depois do que eu vi aqui, me chame de Rachel. – ela deu mais um puxão em Sirius, e dessa vez quase o levando para o chão. – Eu não vou falar de novo, Black.
- Deixe de ser inconveniente, criatura. – Sirius meneou a cabeça e começou a seguir Rachel, que já andava na calçada. – Juízo, ouviu?
Os dois adultos desapareceram pelas ruas, deixando apenas uma risonha Lyra e um Draco meio transtornado.
- Bom, até que não foi tão ruim. – sorriu ela.
- Seu pai é meio... homicida, não? – Draco nunca tinha passado por uma situação daquela. A maioria das namoradas que tivera eram conhecidas dos pais, ou freqüentavam o mesmo clube, o mesmo lugar, as mães eram amigas, entre outras formalidades. Mas aquela vez em particular, em que os pais eram parentes, foi a mais assustadora de todas.
- Ele te assustou para valer, não é? – Lyra estava se divertindo com aquela situação. O clima não estava mais tenso, e depois que o pai descobrira sobre Draco, as coisas pareciam ter ficado mais fáceis.
- O que? – o loiro revirou os olhos, como se não desse muita importância àquilo tudo. – Não! Só estou dizendo que vou passar um bom tempo sem visitá-la aqui novamente.
- Deixa de ser fresco. – Lyra gargalhou. Ela abriu a porta e entrou na casa, Draco fez o mesmo. – Olhe pelo lado bom, não precisamos esconder de mais ninguém.
- É. – ele concordou. – Na escola, podemos mandar todos para os infernos.
- Perfeitamente. – Lyra deu uma piscadela. – Agora vamos lá em cima pegar o resto do seu presente de Natal.
- Mas antes disso, venha aqui. – ele a puxou para si, fazendo seus lábios se encontrarem. Foi um beijo rápido, mas uns dos melhores já tiveram. Não havia mais insegurança, ou medo de que alguém os visse, era um livro aberto, exceto por alguns detalhes. – Tenho a impressão de que algumas coisas irão mudar daqui para a frente.
- Começando com passar uma noite inteira sem dar escapulidas do quarto. – Lyra sorriu, continuando abraçada ao namorado.
- Também. – Draco olhou para a janela, a neve voltara a cair. Ele tinha o pressentimento de que aquele não era o último desafio que eles teriam de enfrentar, haveriam outros, e bem piores.
N/Autora: Hey pessoal! Então? E podem se dar por satisfeitos, porque o cap tem 20 pags 20! E o meus comentários? A fic acabo de volta e só teve isso... nem devia postar cap novo, mas enfim, eu posto, ne? rsrs Pois é, gente, eu ia por o nome inteiro do Heath Ledger, mas cabou indo só o último mesmo, uma pena, ele era um grande ator. Adorei escrever esse cap, e claro que eu não ia deixa o Sirius ficar que nem o Harry, a Lyra sempre tem um jeito de dobrar o pai, rsrs. Ele saiu rapidinho, porque eu fiquei inspirada ontem, lembrei da primeira fic que eu li "Dilema das Casas", e cara, isso me deu um ânimo, rsrs, ela tem aqui na F&B, mas ta completa no ff.net, vale a pena dar uma olhada, pena que a autora n escreve mais..
E agora acho que posso dizer que a nossa história começa por aqui, os caps anteriores eram apenas para explicação, a partir de agora... entraremos fundo em B&W, e vocês verão que não é apenas um romance. Bom, obrigada pelos comentários e votos e é por causa de vocês, leitores queridos e fiéis, que eu a fic ainda continua no top 20, agradeço imensamente. Tenham todos uma boa semana e confiram a capa e música do próximo cap.
N/Beta: okay eu tinha q me meter aki pra dize q o cap ficou óóótemo =Dadorei a parte da briga! mostro beem como filhas conseguem dobrar os pais. nem eh experiencia propria... magina u.u muahuahuahau
So people do meu Brasil, comentem pra Tia Lena ficar feliz e postra mais =D
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