As coisas não acabaram bem na noite anterior, mas lá estavam os três, Isabelle, Harry e Lyra, sentados no Três Vassouras, na mesma mesa do último encontro, mas desta vez o bar estava completamente lotado. Não era para menos, aquela seria a última visita à Hogsmead antes do retorno para casa.
- Mas que inferno! – exclamou Nicollet. Apesar de ser jornalista, detestava lugares lotados, não conseguia informações e muito menos entrevistas. – Não entendo como eles gostam tanto daqui. Bom, enfim, vamos acabar logo com isso que eu ainda tenho que trabalhar.
Ela pegou a bolsa pendurada na cadeira e tirou de dentro dela uma pasta bastante desgastada.
Passou algum tempo procurando o que queria, enquanto isso, nenhum dos três dizia uma só palavra. Lyra tentava chamar a atenção de Harry, este nem a encarava, e Isabelle bufava sem paciência sobre aquela situação. Estava na cara que Lyra estava mal pelo flagra, mas Harry era cabeça dura suficiente para ignorar isso.
- Achei! – Nicolle pegou três folhar cobertas com anotações e as pôs no centro da mesa, para que todos tivessem visão. – Bom, não descobri muita coisa desde nosso último encontro, mas isso aqui dá para o gasto.
Eles pegaram as anotações, cada um com uma, depois trocaram entre si. Após acabarem de ler tudo, encararam uma sorridente Nicollet muito surpresos.
- Mas como? Pensei que esse tipo de coisa era confidencial. – Isabelle passou as folhas de volta para a irmã, que as devolveu para a pasta.
- Ora, menina! Esse é o meu trabalho, fuçar na vida dos outros. – riu a loira. – Mas ainda acho isso muito pouco, e vocês bem que podiam ajudar nisso, não?
- Diga o que precisa. – disse Isabelle.
- Ouvi dizer que eles estão começando a “recrutar” alunos da escola. E é claro que Hogwarts deve ter pelo menos uma dúzia, não são poucos que querem sair da escola com uma oferta de trabalho dessas, envolvendo mais poder, pelo menos, do que um estagiário em um departamento qualquer.
- Mas é claro que tem, e eu até já sei por onde começar. – Harry disse entre os dentes, depois lançou um olhar de viés à Lyra.
- Quieto, Harry. Você não o conhece, então não tem o direito de alegar essas coisas. – Lyra apertou os olhos.
- Abra os olhos, Lyra. Abra os olhos. É só ver de quem ele é filho.
- Ok! – Isabelle bateu a mão na mesa, fazendo os dois se calarem e metade do bar. – Harry, pode parar; e Lyra, não dê atenção à ele.
- Agora você está do lado dela?
- Eu não estou do lado de ninguém, mas essa briga boba de vocês está atrapalhando, e temos coisas mais importantes a fazer. – Isabelle acenou para a irmã, para que continuasse.
- Bom, vou ignorar isso aqui. – Nicollet deu um leve sorriso. – O grupo está crescendo, mais ataques estão acontecendo, e se continuar desse jeito, o jornal irá ter que começar a publicar matérias sobre os ocorridos. As pessoas precisam ficar atentas, não sabe até quando serão apenas os trouxas atacados. E o que mais me preocupa são os estudantes daqui, é muita gente que eles podem usar. E se por acaso descobríssemos alguém daqui de dentro que está trabalhando para eles, isso pode ajudar com mais informações. Fora o fato que Dumbledore ainda pode tentar ajudar esse indivíduo incrivelmente estúpido.
- Tem muito aluno que pode estar mexendo com Artes das Trevas, ainda mais porque é tão fácil acessível. – disse Isabelle. – Iremos observar, e no Natal eu te conto o que descobrimos.
- Isso seria bom. – sorriu ela para a irmã caçula.
- Ok, manteremos contato. – disse Harry, depois se levantou da mesa. Beijou rapidamente os lábios de Isabelle. – Obrigada por ter vindo, Nicollet. Até mais.
- Até. – disse ela, sem entender.
- Bom, também vou indo. – disse Lyra. Qualquer um naquela sala conseguiria perceber o desconforto de Lyra, estava ficando muito difícil ficar junto de Harry, ainda mais ele sendo tão estúpido com ela. Isso a magoava demais, nunca haviam brigado daquele jeito, nem quando eram pequenos. – Obrigada.
- Por nada. – Nicollet contou até dez, esse foi o tempo exato para Lyra sair do aposento e lançar novamente um olhar confuso à Isabelle. – Muito bem... o que exatamente foi isso?
- Longa história, Nicky. Longa história, que envolve briga, burrice, e um sonserino gostoso.
- Bom saber. E pensei que você estivesse de namorado novo. – riu a loira.
- Estou, mas olhar não arranca pedaço, não é mesmo? Lyra tirou na sorte grande.
- De quem exatamente estamos falando?
- Malfoy. Draco Malfoy.
Nicollet meneou a cabeça sorrindo. Não se metia naquele tipo de coisa quando tinha dezessete. Ela despediu-se da irmã, pagou a conta e aparatou. Isabelle suspirou, sabia que tinha de sair para acalmar os nervos do namorado. E foi o que ela fez.
Encontrou Harry sentado em um banco perto do Três Vassouras com um olhar um tanto perdido. Ela chegou de fininho e sentou ao seu lado, abraçando-o.
- Isso não está dando certo, Harry. Não é bom para Lyra ou para você. – disse ela, de forma doce.
- Eu sei, mas você viu o que sua irmã acabou de dizer, essas pessoas são más. Malfoy pode ser um deles.
- Pode. – ela fez uma pequena pausa. – Como não pode.
- Você não entende. Lyra não consegue enxergar a verdade bem na frente dela, aquele cara não presta. Não a fará feliz. Ele não a merece.
- Se ele não, então quem, Harry? – ela já estava começando a perder a paciência com aquela história. Como os homens conseguiam ser tão burros?
- Alguém, mas não ele. – Harry cerrou os punhos só de lembrar a cena da noite anterior. – Como isso foi acontecer? Está tudo errado.
- Ora, Harry! O que você pretende fazer? Deixá-la de castigo? Ela já é grande o suficiente para saber o que é certo e o que é errado.
- Isso não vai ficar assim, tenho que fazer alguma coisa.
- Faça o que quiser, mas não vai ser comigo que Lyra ficará fula da vida.
Três semanas haviam se passado desde o encontro com Nicollet, e durante esse tempo Harry e Lyra quase não trocaram palavras. Isso deixava os amigos um tanto confusos já que os dois sempre foram muito apegados. Apenas Hermione sabia o motivo daquele gelo todo, e se for por Lyra, somente ela continuará sabendo.
Por mais incrível que pareça, e apesar de toda a raiva, Harry respeitou a vontade de Lyra. Não contou para ninguém, nem mesmo para Austin, o que vira naquela noite. Isso dava um pouco de esperança à Lyra, esperança de Harry esquecer logo aquilo e voltarem ao normal.
Com o passar do tempo, a coisa foi piorando ao invés de esfriar. Harry fechava a cara cadê vez que via Lyra jogar um olhar à Draco, via isso especialmente nas aulas de Poções. Ele nunca gostou de Poções, e agora que teria que passar o resto do ano letivo ao lado de Draco, simplesmente abominava a matéria agora.
Mas a coisa que mais distanciava os dois era o quadribol. Hoje seria o primeiro jogo da temporada, e no sorteio saíram justamente com a Sonserina. Harry não parava de falar naquilo desde a semana passada, quando ficaram sabendo do adversário.
- Muito bem, pessoal! – Austin disse entusiasmado. Podia-se perceber sua animação à distância. – Hoje é o grande dia, depois de tudo o que treinamos! Quem está pronto para chutar a bunda de alguns sonserinos?
Houve uma grande animação no vestiário. Todos levantavam as vassouras ou batiam a mão nos armários de ferro. Lyra forçou um sorriso amarelo, tentava não mostrar-se desanimada, mas era simplesmente muito difícil. De uns tempos para cá, aquele esporte perdera o significado para ela, não jogava por diversão há muito tempo, desde antes de entrar para o time.
- Você está bem? – perguntou Michelle, uma das artilheiras.
- Sim, sim. É apenas cólica. – mentiu Lyra, e a menina fez uma careta.
- Não quer ir à enfermaria antes do jogo, ainda temos alguns minutos.
- Não precisa, já está cessando. Obrigada, Michelle.
Passaram mais algum tempo no vestiário, repassando as jogadas ou ouvindo os discursos de Austin. Aquele garoto tinha uma grande poder de oratória.
Ouviram o estardalhaço da multidão do lado de fora, o time já Sonserina acabou entrar em campo. Era esse o sinal.
Austin saiu primeiro, seguido pelos artilheiros, Michelle, Vivian e Kevin; e pelo goleiro Sean. Lyra respirou fundo e começou a acompanhá-los, com Harry ao seu lado. O moreno a encarou e disse, numa voz seca:
- Lembre-se que você joga para a Grifinória. – e saiu correndo na direção do campo.
- Não se preocupe. Não esquecerei. – bradou ela com raiva, e também começando a correr para o campo.
Ao ver aquela imensidão de gente nas arquibancadas, gritando, torcendo, esperando, fez o estômago de Lyra dar voltas. Ela não sabia o que iria acontecer naquela partida, sentia-se totalmente dividida. Não sabia se conseguiria mandar um balaço bem na cara do namorado, porém não tinha a intenção de trair o seu time, sua casa. Tinha vontade de largar a vassoura ali mesmo no campo e correr dali, não era o mais nobre a se fazer, entretanto, não seria uma má opção.
Localizou Draco e o time da sonserina logo à frente. Ele segurava a vassoura com um ar de ostentação e exibia um sorriso cínico no rosto. Aquelas atitudes não eram as melhores para atrair as mulheres, certamente não era, mas havia algo mais. Aquele loiro maldito possuía algo que mexia com ela de uma maneira que nenhum outro garoto conseguiu, e não era a adrenalina por ser proibido, nem hormônios. Era algo muito maior do que Lyra podia imaginar.
Ele deu uma rápida piscadela e andou até o meio do campo, onde estava o Professor Chase. Geralmente era a professora de vôo, Madame Hooch, a juíza, entretanto ela teve de sair da escola por alguns dias, por problemas familiares. Nicholas Chase tinha o maior prazer em substituí-la, adorava quadribol, e adorava ainda mais ver aqueles garotos jogarem.
- Capitães, apertem as mãos. – disse Chase sorrindo para garotos, que mais sérios seria impossível.
Draco e Austin deram as mãos e logo as recolheram, voltando as suas posições.
- Lembrem-se, neste jogo o importante é marcar gols. Então Harry, tente atrasar um pouco sua captura, certo? – Harry assentiu junto com os outros. – Ganhar é sempre bom, mas vamos tentar conseguir uns duzentos a trezentos pontos.
Chase fez sinal para que ficassem nas posições, levou o apito à boca e soprou com força, jogando a goles para cima. Os artilheiros se lançaram contra uns aos outros, tentando pegar a bola primeiro. Foram as artilheiras da grifinória quem havia começado a marcar. Dez segundos depois o placar marcava 10 a zero para a grifinória.
Lyra ainda continuava em transe no meio daquilo tudo, vagava pelo campo segurando o bastão. Quase fora atingida por um balaço duas vezes.
- O que está acontecendo com você, Lyra? Está se sentindo bem? – perguntou Austin, chegando por trás.
- Estou bem, Austin.
- Ótimo! Então comece a jogar, os batedores da Sonserina só faltam pegar uma arma e atirar nas garotas. Elas precisam de cobertura para marcar!
- Certo, Austin.
- Ótimo. Você as ajuda e eu pego o Malfoy. Aquele miserável não pode capturar o pomo. Não agora.
Lyra assentiu, engolindo em seco. Não estava gostando daquela idéia de Austin marcar Draco, ele nunca errava um alvo. Virou a vassoura para a direção oposta de onde estava voando, acelerou, levantou o bastão e rebateu um belo balaço para longe da cabeça de Michelle.
- Já estava na hora, garota! – gritou Michelle, dando uma piscadela para ela.
- Antes tarde do que nunca. Façam a jogada do Dragão Louco, eu dou cobertura.
- Certo. – Michelle fez sinal para as duas outras artilheiras, que assentiram e foram atrás da goles, que naquele momento estava na posse da sonserina.
Rebateu outro balaço para longe, dessa vez quase acertando o artilheiro principal da sonserina. Ele não ficou muito satisfeito, Lyra o viu puxar Knox e cochichou algo em seu ouvido. Sabia que coisa boa não há de ser, pois Knox a olhou de forma venenosa e abriu um sorriso coberto de desdém.
Acompanhou mais de perto as jogadas das garotas, mas mantinha o olhar em Knox. Ele a estava marcando, somente a ela. Lyra sabia que aquela marcação não tinha só haver com as ordens do artilheiro, era pessoal. Ele finalmente encontrara uma maneira e atingir Draco, era simplesmente machucá-la. E foi exatamente o que fez.
- E aqui vai mais um para o espaço! – gritou Lyra sorrindo.
- É isso aí garota! Você está pegan... Lyra! Abaixa! – gritou Vivian movendo-se para baixo rapidamente.
Vivia conseguira desviar do balaço, mas Lyra não. Não vira a bola vindo, apenas a sentiu colidindo diretamente com seu braço. Fechou os olhos. Tentava ignorar a dor, mas era insuportável, o maldito quebrara seu braço. Quando se deu conta já estava no chão, Vivian a pegou quando viu que não daria conta de permanecer na vassoura.
- Lyra! Calma, a enfermeira já está vindo. Acho que você devia encerrar por hoje. – disse a morena ao seu lado.
- Mas agora que eu não vou mesmo, Vivi. Aquele infeliz me paga. – ela fechou os olhos com força. – Alguém que fazer o favor de conjurar essa merda de feitiço?!
- Eu faço. – Hermione abriu caminho entre Austin e Michelle, com a varinha em punho.
- Espera um pouco, Hermione. Essa é minha melhor batedora, e já está com o braço quebrado. Melhor esperar pela a enfermeira. – disse Austin, segurando o braço da garota.
- Se você é ruim em Feitiços, o problema é seu. Eu não sou, agora chega para lá. – ela sussurrou algumas palavras e uma luz azulada saiu da ponta de sua varinha, atingindo em cheio o lugar onde o balaço bateu.
Lyra sentiu uma estranha sensação no braço, parecia ter ficado dormente por alguns segundos, seguida por um pouco de formigamento. Foi uma questão de segundos até estar de pé novamente, segurando a vassoura com o braço atingido.
- Nunca mais duvide das minhas habilidades, Senhor Williams. – Hermione sorriu, caminhando de volta para a arquibancada.
- Não senhora. – gritou Austin, depois virou-se para Lyra. – Por favor, diga que dá para continuar.
- Pode apostar o seu traseiro que sim!
- É assim que se fala! Podemos continuar. – ele sinalou com o polegar para Chase, que deu o apito, voltando ao jogo.
Lyra subiu rápido, ficando na altura dos aros. Ela apertou os olhos na direção de Knox, que deu um tchau com a mão, depois virou a vassoura para o outro lado, voando para a direção de uma das artilheiras da grifinória.
- Está tudo bem? – perguntou Draco, fingindo que procurava o pomo.
- Sim, sim. Só me faça um favor. Afogue o Knox quando estiverem no vestiário.
- Eu até o faria, mas aí eu vou ser preso. Você não iria querer isso, não é?
- Um tempo na prisão pode ser bom para formar caráter.
- Cala boca e vá joga. – riu ele, afastando-se dela.
Lyra respirou fundo e voltou ao jogo. Acertou três balaços seguidos e o último quase derrubando Knox.
- Quem sabe da próxima vez eu não acerto a cabeça. – disse ele entre os dentes, quando passou por perto de Lyra.
- Quem sabe dá próxima vez eu não te acerto no meio das pernas! – bradou ela, fazendo os jogadores que estavam por perto rirem. Até Harry que estava mais distante sorriu.
Lyra estava jogando bem, havia se passado uma hora, e ela conseguia acertar qualquer um que quisesse. Já derrubara dois, que logo voltaram à partida sem ferimentos graves. Grifinória estava à frente com quase cem pontos, Austin parecia radiante, seu plano estava funcionando. Agora estavam na reta final, Harry precisava capturar o pomo.
Às vezes o observava procurando pela maldita bola dourada. Ele parecia tão sério e convicto, concentrava-se mais ali do que em qualquer coisa. Talvez se fizesse o mesmo em Poções, acabaria tirando notas melhores nos exames do final do ano.
Estava demorando muito para a captura do pomo, nem Harry nem Draco conseguiam pegar a bola. Talvez fosse o vento cortante ou aquele inverno gelado, mas estava praticamente impossível de ser feito, para o desgosto de Lyra. Já estava cansada de acertar as mesmas pessoas e ficar naquele frio. Conseguia contar nos dedos as vezes que viu Harry e Draco correrem atrás do pomo naquela partida. Se eles não pegassem aquela bola de pingue-pongue dourada, ela mesma a pegaria.
Mas por um momento, ela pensou ver algo brilhante perto de onde estava voando. Sim, era o pomo, e não foi somente ela quem vira aquilo. Draco e Harry corriam naquela direção feito loucos, iam se empurrando, tentando fazer outro perder a velocidade, porém ambos continuavam firmes.
- Acerte-o Lyra! – bradou Austin, apontando para os dois garotos voando alguns metros abaixo dela. – Esse pomo já é do Harry!
E foi nesse momento que ela sentiu se coração apertado. Lá estavam eles, os dois garotos de sua vida, seu melhor amigo e seu namorado. Não era justo ter que fazer aquilo, machucar aquele loiro que ela tanto amava. Quando pisou naquele campo hoje, sabia que algo do tipo poderia acontecer, embora estivesse rezando para que tudo corresse bem.
Austin mandou um dos balaços para ela e quando o acertou sentiu seu coração parar, na verdade, todos pareciam ter congelado naquele momento. O balaço não acertou ninguém além do ar e quando este ia retornando para ela, ouviu a arquibancada da sonserina gritar. Pronto. O jogo estava acabado, e não com o resultado que ela esperava.
Draco voou até o chão, com o pomo entre os dedos e Harry apenas a encarava com um olhar de raiva. Ele tinha mais do que certeza que Lyra tinha errado de propósito, ainda mais depois de ter acertado tantos naquela partida. Era exatamente aquele olhar que fazia Lyra querer se atirar no primeiro buraco que visse, ele estava se sentido traído. E ela se perguntava se realmente havia o havia traído ou feito a coisa certa.
- Não se preocupe. – disse Austin chegando por trás. – Haverá outros jogos, e o resultado não foi anda ruim, marcamos vários pontos.
- É. – ela forçou um sorriso e desviou o olhar para o chão, enquanto pousava.
Caminhava para o vestiário com o olhar cabisbaixo. O que mais doía eram os tapinhas em suas costas e palavras reconfortantes como “Você tentou” ou “Foi um bom jogo” vindos dos amigos. Era horrível aquela sensação porque era não tinha realmente tentado. Havia entregado a vitória de bandeja para o time adversário, mesmo sendo por causa de Draco.
Esperou um pouco do lado de fora antes de entrar no vestiário. Estava com medo de encarar as expressões de derrota nos rosto dos amigos. Talvez tivesse sido melhor entrar de uma vez, assim não enfrentaria a ira de Harry sozinha.
- É disso que eu estava falando desde o início! – ele a puxou pelo braço.
- Me solta. – Lyra puxou seu braço com força. – Eu errei! Sinto lhe dizer, mas errar é humano.
- Errar é humano, mas não errar de propósito. Até um cego perceberia que você acertou o nada de propósito, tudo por causa do seu namoradinho.
- Olha a boca, Harry. Você não sabe o que está dizendo. Até os melhores jogadores erram às vezes.
- Não seja cínica. – disse ele começando a entrar no vestiário. – Está na hora de eu ter uma conversa com o Austin sobre sua vaga no time.
Lyra adiantou-se, passou por ele pisando forte. Estava com raiva de Harry não pelo fato dele dizer aquelas palavras cruéis, afinal, ele estava coberto de razão, mas por ser tão inflexível ao ponto de não aceitá-la vê-la com Draco. Antes de adentrar no lugar completamente, virou-se para Harry e disse:
- Não precisa se preocupar, no próximo jogo não estarei mais aqui. – e dizendo isso, caminhou até onde Austin estava e o puxou para uma difícil conversa.
“A vida consegue ser infinitamente injusta às vezes, nos colocando nos piores dilemas. Nunca é fácil sair deles, mas se não nos decidirmos, não sobrará nada além das dúvidas presas em nossas mentes. É melhor enfrentar as conseqüências do que viver de forma duvidosa, porque é assim que as coisas devem ser.”
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