- MAS QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI? – bradou Harry, ao lado de uma Isabelle totalmente surpresa.
Lyra não sabia para onde olhar. Simplesmente não podia nem sequer lançar um rápido olhar à Draco, pensando que iria piorar a situação, mas também não conseguia encarar Harry nos olhos.
Nunca pensou que aquele momento fosse chegar tão rápido, na verdade, nunca pensou que fosse ser flagrada, e logo pelo melhor amigo.
- Harry. – chamou Lyra, com um fio de voz. Ela estava com medo, não de que mais alguém descobrira seu segredo, mas sim da reação do amigo. Conhecia muito bem aquela expressão de surpresa e raiva no rosto de Harry para saber que as coisas não acabariam bem.
- O que está fazendo com ele, Lyra? Malfoy, UM MALFOY! – Harry apertou os olhos ao se dirigir ao sonserino à sua frente.
- Harry, acalme-se. – Isabelle agarrou o braço do moreno, tentando tranqüilizá-lo, mas nada adiantava, ele continuava ofegante e as vezes até tremia a mão.
- Ora Potter, se você não pôde dar à Lyra o que ela queria, não faça escândalo por ela ter procurado algo melhor. – disse Draco, num tom debochado.
- Draco! – Lyra o olhou incrédula, e logo depois a mesma visão se transformara em Harry acertando o loiro em cheio no nariz.
Isabelle e Lyra afastaram Harry, que ainda tentava ir para cima de Draco com muita persistência. O sangue de Draco escorrendo em seus dedos dava-lhe uma sensação recompensadora, ao menos, um pouco depois daquele choque. Essa sensação não durou muito, logo após estar fora de alcance, Draco abriu um sorriso escárnio por baixo do sangue e da dor. Aquele sorriso vitorioso que Harry tanto odiava.
Tentou ir para cima dele novamente, mas Lyra se pôs à frente.
- Pare com isso, Harry! – exclamou a garota empurrando o peito de Harry para trás. – Está agindo como se tivesse doze anos!
- Agora vai ficar defendendo esse miserável? Tudo bem. É bom saber que dezessete anos de amizade não valem nada para você. – ele pegou a caixa que deixara cair, ou melhor, atirara no chão e saiu andando à passos largos pelo corredor.
Lyra sentiu seu coração ficar apertado ao ver Harry se distanciando ainda mais. Encarou a Draco, que continuava no chão, sendo ajudado por Isabelle.
- Vá atrás dele agora, eu dou um jeito aqui. – disse Isabelle, tirando a varinha de dentro das vestes. Iria consertar o nariz quebrado do loiro naquele exato memento.
Ela assentiu e saiu correndo atrás do amigo. Ao vê-lo, chamou-o pelo nome, mas Harry nem ao menos se dava o trabalho de olhar para trás, apenas continuava a caminhar a passos largos.
Lyra aumentou os passos e conseguiu alcançá-lo e quando o fez, segurou o garoto pelo braço o fazendo parar e forçando, pela primeira vez depois daquela confusão, um frio contato visual.
- Harry! O que está fazendo? Isso não está certo. – Lyra começou um uma voz firme, mas ela ir falhando à medida que terminava a frase. Temia que caíssem algumas lágrimas no momento em que não tivesse mais palavras a dizer, o que estava muito próximo de acontecer.
- O que EU estou fazendo? – ele apontou para o seu próprio peito depois invertei a direção para a garota à sua frente. – O que VOCÊ está fazendo?!
Ela baixou os olhos. Não sabia o que responder naquele momento. Era muito fácil dizer que amava Draco, mas não sabia como diria isso à ele com aquele tom de voz reprovador.
- Ele representa tudo o que mais desprezamos. Não tem um pingo de consideração pelos outros, é desprezível com os nascidos trouxas e provavelmente deve estar seguindo as pegadas do pai, se tornando alguém como aqueles que estão assassinando trouxas lá fora.
Foi naquele memento que Lyra tomou coragem e o encarou no fundo dos olhos, dessa vez, sem um pingo de arrependimento ou temor. Ele não tinha aquele direito de julgar Draco por sua família.
- Vai olhar o passado, é? Então, atire em mim a primeira pedra, Harry. – ela levantou a voz e logo sentiu o gosto salgado de uma fina lágrima escorrendo quase sobre o canto de seu lábio. - Está se esquecendo que sou uma Black? O desprezo que meus avós tinham por trouxas e qualquer outro tipo de criatura?
- O seu caso é diferente, você não é como ele.
- E como sabe se Draco não é como eu?
- Eu apenas sei. Conheço muito bem esse tipo de gente e ...
- Não. – ela o cortou friamente. – Você não conhece porque nunca teve caráter para tal feito. A situação acaba de se inverter, Harry. É você quem o está julgando-o, desprezando-o sem ao menos nunca terem trocado um bom diálogo.
Aquelas palavras soaram como uma ofensa nos ouvidos de Harry. Ele não ficaria ali para ouvir a melhor amiga igualá-lo à um Malfoy.
- Vamos, Harry. - ela tocou levemente no braço direito do rapaz, tentando fazê-lo compreender sua situação. – Tenho dezessete anos, sei me cuidar. Se eu estiver errada sobre Draco, ao menos não vou me arrepender de ter tentado.
Harry respirou fundo, segurando mais forte a caixa contra seu peito.
- É, você tem dezessete anos, sabe o que está fazendo, mas eu não estarei aqui quando você perceber que isso é um erro.
Aquelas palavras soaram tão frias que Lyra até estremeceu. Seus olhos se encheram ainda mais de lágrimas, desta vez, não conseguindo controlá-las.
Harry se pôs a andar novamente e logo não se podia vê-lo mais. Não hesitara nem uma vez sequer, não olhou para trás também. Ele estava decidido a levar em frente aquela decisão.
Ela ficou mais algum tempo olhando para a escuridão que havia engolido Harry, na esperança dele voltar. A cada lágrima que escorria por seu rosto, pensava se aquilo tudo estava valendo a pena, imaginava se aquelas duras palavras eram verdadeiras. Mas naquele exato momento, não conseguia responder àquelas perguntas que martelavam em sua cabeça.
Deixou uma última lagrima cair no chão, depois disso secou o rosto com a manga do casaco, embora sabendo que Draco e Isabelle notariam facilmente seu estado. Lançou um rápido olhar ao fim do corredor por onde Harry tinha passado agora a pouco e começou a caminhar de volta a onde tudo acontecera, aonde aquele pesadelo deu início.
Ao voltar, a primeira coisa que vira era um filete brilhante amarelado sair da varinha de Isabelle e colidindo com o nariz, agora torto, de Draco.
- Pronto. – Isabelle abriu um pequeno sorriso ao olhar para Lyra. – Então? Como foi?
Lyra nada disse, apenas deu de ombros. Isabelle compreendeu o recado e tocou no ombro da menina, passando uma sensação de amparo.
- Dê um tempo à ele, Lyra. – disse Isabelle. – Bom, vou indo. Depois nos falamos.
Lyra continuava de pé, com um olhar perdido. Parecia estar em qualquer outro lugar menos ali. Draco não se atreveu a dizer uma palavra sequer, temia que piorasse aquela situação. Não sabia ao certo que estava se passando na cabeça de Lyra, mas algo bom que não era.
Ela suspirou fundo e abaixou-se para ver como ele estava. Nunca pensou que um soco de Harry fosse causar tanto estrago, a camisa branca de Draco agora estava manchada com algumas gotas de sangue, juntamente com seu rosto.
- Você bem que podia ter ficado de boca fechada, sabe? – disse Lyra, tocando no rosto dele, ignorando as caretas de dor que Draco fazia. – Podia ter prevenido tudo isso.
- Agora a culpa é minha se aquele seu amiguinho imbecil é cabeça dura?
- Não comece, Draco. – ela apontou o dedo indicador para dele de forma ameaçadora. – Agora não.
- Quer saber? – ele a encarou nos olhos. – Agora sim! Você precisa ouvir algumas verdades, e o Potter também. Você controla sua vida, não ele! Por Merlin, aceite esse fato, você não precisa de aprovação nenhuma. Já é maior de idade, nem do seu pai também.
- Então quer dizer que você pode fazer qualquer coisa e seus pais não farão nada? Não seja tolo, garoto. Você não passa de uma sombra do seu pai, vive às custas dele, vive da aprovação dele, ou vai dizer que é mentira?
- Cala boca! – gritou Draco.
Suas vozes ecoaram pelo corredor por algum tempo, isso os fez calar, mas não tirou os olhares frios que lançavam um para o outro. Pela primeira vez, Lyra teve vontade de virar a mão no rosto de Draco com toda a força que tinha. Já tinha brigado com o melhor amigo, não precisava de mais discussões.
- Você não sabe nada da minha vida para alegar isso, então não o faça. – sua voz saiu num tom quase gélido, muito parecido como quando Knox o pressionava.
- Então me conte, oras! Estamos juntos há quase um mês e eu não sei nada sobre você, não sei o que se passa na sua cabeça. É por isso que Harry...
Draco não a deixou terminar. Ergueu o corpo numa velocidade que quase a derrubou, mas conseguiu interrompê-la. A olhou de viés com raiva, raiva do motivo daquela briga. Não conseguia compreender o porquê deles estaresm discutindo aquilo, ou como deixaram chegar naquele ponto.
- Sabe, Draco. – agora Lyra estava de pé também. Olhou no fundo daqueles olhos acinzentados que ela tanto gostava, e reparou como eles se pareciam com os de Lucius Malfoy. Não a cor, que era herança de Narcissa, mas a expressão de indiferença misturada com arrogância. – Talvez isso tenha sido um erro, você não é quem eu pensava que fosse.
- É. – ele passou a mão no queixo, sempre o fazia quando estava nervoso. – Pensei que fosse mais forte. Que não fosse uma simples e patética grifinória, mas me enganei. Você é como seu pai, vive às custas da atenção de um Potter.
Foi naquele momento que fez algo que nunca pensou que o faria. Sua mão latejava e o rosto de Draco começava a se avermelhar. Ele abriu um sorrisinho cínico e abriu a boca para dizer algo, mas ela não o deixou que fizesse.
- Você é muito pior, Draco. Acredite. – dizendo isso, passou por ele sem olhá-lo. Deu alguns passos e sem perceber estava correndo e com os olhos marejados. Não chorava fácil, na verdade, era difícil as pessoas conseguirem vê-la com lagrimas nos olhos, mas aquelas palavras doíam demais. Aquelas palavras provavam que estava errada e que todos estavam certos, provavam que Draco não era aquele garoto carinhoso e ao mesmo tempo sagaz com que sempre podia contar. Agora Lyra sabia, Draco Malfoy era um autentico sonserino.
Não compreendia o porquê de se apaixonar logo por ele. Eram tantos garotos naquela escola e tinha que ser logo para aquele maldito sonserino que entregara seu coração. Não estava certo.
Sentia-se de certa forma enganada. Será que ele estava fingindo ser alguém que não era? Será que foi somente hoje, numa situação como aquela que finalmente revelara como era o verdadeiro Draco Malfoy. Isso Lyra não sabia responder, mas ficou imaginando respostas o resto do trajeto até a Torre.
Draco entrou na sala comunal da Sonserina pisando forte. Alguns até levantaram o olhar para ver o que estava acontecendo, mas logo voltavam aos seus afazeres quando Draco lançou-lhes um ilhar gélido. Somente duas pessoas naquela sala ainda continuavam a observá-lo, agora, sentando em uma das poltronas perto da lareira.
- Ora, ora, o que temos aqui? Mas já de volta tão cedo? Por acaso brigou com a namorada? – Draco ouvir uma voz de deboche atrás de si.
- O que você está insinuando, Knox? – Draco o seguia com o olhar até que o outro se sentasse na poltrona à sua frente.
- Eu? Nada. – o moreno abriu um sorriso escárnio e passou-lhe um pedaço de pergaminho. – Só para lembrar que haverá reunião na terça à noite. O mestre está ansioso pela iniciação do pessoal daqui, pela sua também. Ele está ficando sem paciência.
- E por que você acha que eu vou à isso aqui? – indagou Draco, apontando exatamente para as iniciais de seu nome escritas naquela letra extremamente borrada.
- Não sei. – respondeu Knox com ar de desentendido. – Talvez seu pai lhe responda. Foi ele quem me pediu pessoalmente para lhe entregar isso.
Draco apertou os olhos. Sabia que ele tinha mencionado o pai de propósito, e também sabia que aquela mensagem não era de seu pai. Se fosse, Lucius Malfoy iria pessoalmente entregar-lhe aquilo e não mandar por qualquer um.
- Quem sabe você pode levar sua namoradinha para nossa festinha particular. – disse Knox num falso tom amigável que logo se converteu para um irônico para terminar a fala. – Oh, me esqueci. Vocês estão brigados. Sinto muito, que descuido o meu.
De início, Draco ignorou o comentário, mas quando compreendeu o que estava por trás do que o garoto disse, não demorou muito para partir para cima do colega de casa. Sentiu deu punho acertar com força a boca de Knox e ainda algumas gotas daquele liquido vermelho escorrer pela sua mão. Mesmo assim, continuou a bater no sonserino, até que vieram alguns garotos do sexto e sétimo ano para separá-los. O que não conseguia compreender era porquê Knox não reagia e apenas fitava com aquele olhar indiferente de sempre. Aquilo dava ainda mais vontade de socá-lo.
Tristan segurou os braços de Draco e outros dois garotos ajudavam Knox a levantar. Àquelas alturas já havia um círculo formado ao redor eles, esperando qualquer reação de ambas as partes.
- Isso vai ter volta. Guarde o que eu estou dizendo. – Draco apontou o dedo indicador de forma ameaçadora para Knox, que nada fez além de alargar o sorriso cínico.
- Vamos sair daqui. – Tristan ajudou a Draco a caminhar até a saída da sala comunal seguidos por vários olhares da sala.
- Estarei esperando. – disse Knox para si.
Do lado de fora Tristan conjurou um lenço e o passou para Draco enrolar sobre a mão.
- O que deu em você, Malfoy? – perguntou Tristan analisando o loiro. – Nunca o vi bater daquele jeito em alguém.
- Aquele filho da mãe do Knox. – Draco até tremia de raiva. – Eu juro que vou matá-lo.
- Não vou te impedir que o faça, tanto é que lhe dou até cobertura, mas antes fale logo o que aconteceu.
Draco enrolou o lenço na mão que logo ficou manchado de sangue, tanto dele como de Knox. A única coisa boa daquilo era a sensação de ter quase quebrado os dentes de Knox, isso era quase como um anestésico para dor.
- O desgraçado acabou comigo. Ele... ele... – Draco engoliu em seco. – Eu e Lyra terminamos, pelo menos é o que eu acho que aconteceu.
- Hum, certo. – Tristan ergueu a sobrancelha. – E isso tem haver com o Knox porque...
- Ele fez o Potter nós pegar no flagra. O Potter e a Wine.
- A Black acabou tudo só porque o Potter viu vocês? Isso é idiotice!
- Obrigado. Foi o que eu disse.
- Malfoy, desembucha. A Black não é assim tão estúpida para fazer algo assim. Certo, ela vive da aprovação do Potter, mas também não é assim. O que você fez?
Draco passou a mão pelos cabelos nervosamente antes de contar a versão completa. Quando acabou, Tristan deu um leve soco em seu braço.
- Vocês são burros! Os dois! – exclamou o moreno. – Agora se manda daqui e vá dar um jeito nisso aí que vocês chamam de “relação”. Porque não vai ser eu quem ficará escutando você chorar a noite toda.
- Cala boca, Grey. – riu Draco e com um aceno com a cabeça, despediu-se e se pôs a correr pelo corredor das masmorras. – Te encontro mais tarde.
- Se encontrar o Potter por aí, tente não ser atingido dessa vez!
Draco não respondeu, apesar de ter uma boa resposta na ponta da língua. Ele corria o máximo que suas pernas agüentavam, enquanto isso, ia pensando em como faria para falar com Lyra. Não podia simplesmente derrubar a porta e invadir a sala comunal da Grifinória. Precisaria de ajuda, de ajuda de alguém lá de dentro, o problema seria encontrar esse alguém.
Ele pensara em voar até a janela, mas veio em mente a “pequena” possibilidade de mais uma menina vê-lo entrando no dormitório feminino e ainda da grifinória. Fora o fato dela não estar no quarto também.
Só entrara lá uma única vez, quando ainda não era monitor-chefe. Se lembrara muito bem, foi em um Natal em que passara na escola e Lyra e Potter ainda não tinham ido para casa. Ele estava acompanhando a professora Lennox, que havia parado lá para resolver um problema com os gêmeos Weasley, que mais uma vez estavam armando algo. Era um lugar bem diferente da sala da Sonserina, provavelmente porque não era nas masmorras. Aparentava ser um lugar mais acolhedor.
Parou de pensar por um momento em um plano, achou melhor resolver as coisas quando chegasse lá.
Subiu as escadas sempre pulando dois degraus, uma hora quase caiu. Só não rolou escada a baixo porque se segurou em um quadro na parede.
- Cuidado aí, rapaz! – disse o cavaleiro do quadro.
- Que seja. - e continuou subindo.
Sentiu um imenso alívio ao ver o quadro de uma mulher gorda com vestido rosa. Era ali a entrada. Aproximou-se, tentando formular uma pergunta. Seria fácil entrar ali, aliás, era monitor, o pior seria atravessar aquela sala cercada por grifinórios estúpidos e ainda enfrentar a possibilidade de encontrar Potter ali dentro.
Ele se aproximou devagar e parou em frente ao quadro. A mulher apenas o fitava-o, divertida. Ria do nervosismo do garoto.
- Rabo de Vixtor. – falou ele um pouco hesitante.
Ela deu passagem e Draco deu um passou, depois recuou ao ver quem encarava.
- Granger? – ele recuou mais alguns passos, um pouco ofegante.
- O que esta fazendo aqui? – ela ergueu a sobrancelha. – Você não tem permissão para entrar aqui.
- Mas é claro que tenho, sangue-ruim. – ele se recompôs e abriu um pequeno sorriso cínico. - Sou monitor tanto como você.
- O pequeno detalhe é que não sou quem sai invadindo a sala comunal dos outros. – Hermione fez sinal para a mulher gorda fechar a passagem. – O que está fazendo aqui?
- O que você acha? Vim falar com Lyra.
- Uma pena, pois perdeu seu tempo. Ela não vai falar com você. – disse Hermione entre os dentes. Queria socar aquele nariz fino de Malfoy como fizera no terceiro ano, foi de dar dó o estado que a amiga chegou após a discussão com o namorado.
- Vai se arrepender se não sair da frente.
- Você não se atreveria a nada, garoto. Não com a Grifinória inteira atrás desta parede. É covarde demais para isso.
- Como se você me conhecesse. – ele pegou a varinha e Hermione fez o mesmo. – Agora saia da frente.
Hermione foi mais rápida e quando ele acabou de falar a última palavra, lançou um feitiço, desarmando-o.
- Já pensou em dar meia volta e ir embora?
Draco suspirou. Nunca pensou que fosse ser vencido logo por ela, alguém que ele fosse tão inferior.
- Chame-a. – pediu ele, com os olhos abaixados. – Sabe que será melhor para ela resolver isso.
- Pelo que Lyra me contou, já está resolvido. E acho que você sabe muito bem o que isso quer dizer. – ela ia se virando para voltar para dentro quando Draco a segurou.
- Por... favor. – ele disse quase num sussurro. Não queria que ninguém o escutasse pedir algo à Granger.
A garota parou e o fitou por alguns segundos. Parecia analisá-lo.
- Certo. – ela se livros das mãos dele. – Juro que se fizer algo à Lyra, vou fazer muito mais do que apenas desarmá-lo.
Ela disse a senha novamente e entrou local. Draco pôde ouvir algumas vozes, mas nenhuma conhecida. Ele saiu de perto da entrado e se recostou na parede de pedra. Não havia mais o que fazer além de estar ali e torcer para que Lyra concordasse em recebê-lo.
Olhou no relógio e viu que havia se passado um minuto. Aquela espera o estava deixando louco, nunca fora uma pessoa muito impaciente, mas algumas circunstancia eram diferentes.
Durante os minutos que ficou ali esperando, pensou no que havia tido para ela. Eram palavras cruéis, e por fim, nem sabia se tinha razão quando disse aquilo. Por um lado, estava certo; Lyra não devia deixar-se controlar pelos outros. Mas por outro, ela tinha o direito de reagir daquela maneira.
Quando a passagem se abriu novamente, ele viu Lyra caminhar para fora. Ela tinha as feições sérias, e os olhos vermelhos, mas mantinha um olhar magoado.
- O que você quer? – agora estava apenas à alguns passos de Draco.
- Bom... – Draco procurava várias palavras para iniciar aquele diálogo, mas apenas uma veio em sua mente. – Desculpa. Não devia ter falado daquele jeito, mas é que eu não sup...
- Olha. – Lyra o cortou. Sua voz saiu seca, ela realmente sabia ser fria quando queria. – Você veio pedir desculpas, e eu posso até aceitá-las. Esta foi nossa primeira briga para valer e eu me sinto insegura sobre você. Se cada vez que tivermos um problema, você agir como uma criança ao invés de me ajudar a resolver as coisas, isso não irá funcionar.
Draco assentiu, apesar que queria dizer algo. Não agiu feito criança, na verdade, isso foi Lyra que o fez. Mas não iria discutir, sabia que ela ainda estava chateada, respeitava isso, e talvez qualquer coisa que dissesse, poderia aborrecê-la ainda mais. Este era um daqueles momentos que o melhor a fazer era ficar de boca fechada.
Ela continuou a falar mais algumas coisas, porém Draco não ouvia uma palavra sequer. Preferia focar sua atenção nos traços dela. Nunca tinha reparado no quanto Lyra parecia com Bellatrix quando estava brava ou concentrada em algo. Era uma certa ironia, já que Sirius Black e Bellatrix Lestrange eram as pessoas mais opostas que conhecia, apesar do parentesco. Talvez aquela fosse a famosa essência dos Black, não importa o quão distante ou o número de gerações que se passou, sempre havia uma característica da família.
Lyra parou de falar por um instante e riu ao perceber que ele não prestava atenção em uma palavra que dissera.
- No que está pensando? – ela perguntou.
- Em como você fica linda quando está brava. – ele sussurrou aquelas palavras no ouvido dela, fazendo cócegas.
- Seu conquistador barato. – Lyra revirou os olhos. – Agora dê o fora rápido, antes que alguém te veja.
- O Potter já descobriu, se os outros virem não haverá problema. – disse Draco, puxando-a para perto.
- É, mas acho que você não é a pessoa mais popular entre os grifinórios. – ela fugiu do beijo dele e o guiou até a escada.
Draco desceu dois degraus e se virou para ver Lyra. Ela pousou seus lábios nos dele, dando um beijo rápido de despedida.
- Espera! O que foi isso na sua mão? Não vai me dizer que você andou brigando com...
- Não se preocupe. – Draco abriu um sorriso, satisfeito. – O nariz do Potter ainda está intacto.
- Então? Quem foi o felizardo?
- Digamos alguém que merecia. Nós vemos depois.
Draco desceu as escadas quase correndo e Lyra esperou que ele desaparece antes de entrar. Olhou em voltar e respirou aliviada, parecia que ninguém escutou aquela conversa. Às vezes chegava a pensar se aquelas paredes tinham realmente ouvidos, pois era quase impossível esconder alguma coisa na escola. Não importa o que seja, alguém sempre acabava descobrindo.
- Deu tudo certo? – perguntou Hermione atrás de Lyra.
- Não ouvi você chegar. – sorriu Lyra. – É, parece que sim.
- Nunca pensei que fosse dizer isso, mas parece que o Malfoy realmente gosta de você. Ele não voltaria atrás se fosse por outra pessoa.
- Draco tem um gênio difícil, mas é só saber lidar com isso. Agora o problema é saber o que fazer para o Harry me escutar.
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