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8. Sometimes You Can’t Make It On


Fic: Black and White - This Is Just The Beginning - by LyraWhite - AVISO


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 8 – Sometimes You Can’t Make It On Your Own

Às Vezes Você Não Pode Fazer Isso Sozinho



Cap 8



U2 - Sometimes You Can't Make It On Your Own



Fazia frio naquele dia e lá estavam eles, Sirius e James esperando que algo acontecesse no porto em Brighton. Ventava muito e o fato de serem quatro e meia da manhã e o sol não ter aparecido contava para os leves tremores de ambos.
Se olhasse à volta, veriam mais de dez homens e duas mulheres. Era o esquadrão A2 da sessão de aurores do Ministério da Magia. Eles seriam responsáveis pela chegada dos homens da LOOP na Inglaterra e pela sua entrada em Hogwarts também. Enfim, se algo de errado acontecesse, eles seriam os culpados, e não Fuller, chefe e coordenador do Departamento de Aurores. Para inicio de conversa, Fuller não aprovava aquilo. Henning Schulat era simplesmente um dos melhores agentes de operações do mundo bruxo, mas havia algo nele fora do comum. Era um homem corpulento, alto, com os cabelos loiros quase raspados, a pele extremamente branca, transmitindo uma aparência um tanto doentia. Essas eram as características que qualquer um podia possuir, mas o que lhe diferenciava das multidões era simplesmente seu olhar. Um olhar gélido e cínico, como se não temesse ou se surpreendesse com nada, um olhar que conseguia estremecer até os mais fortes. E fora justamente esse olhar a primeira coisa que viram no escuro se aproximando.
Um vento forte passou por eles e levou consigo parte a névoa que os envolvia, dando uma breve visão do que estava parado no perto. Era um barco velho, aparentando ser de pescaria e com um letreiro desgastado escrito “Rainha do Mar”, mas claro que não era. Provavelmente seria um enorme navio, aquilo era só um pequeno feitiço para enganar os trouxas.
Um homem vinha se aproximando, Sirius logo o reconheceu e apertou a varinha dentro das vestes. Era Schulat. Não esquecia aquele sorriso escárnio nunca na vida.
- Agente Schulat. - ele disse num tom seco. Fez um breve aceno com as mãos e logo aparecerem mais seis indivíduos encapuzados em frente ao barco. Aquele era o esquadrão especial da LOOP. Provavelmente alguns de seus melhores homens estava ali presentes. Schulat sempre fora muito exigente ao montar uma equipe. – Então?
- Nosso pessoal levará as bagagens até Hogwarts e as colocarão em seus aposentos. – disse Kerry Avnet, uma auror que trabalhava com James e Sirius. – Os senhores percorrerão com caminho até a escola através de carruagens com corcéis voadores.
- Sim, sim. – ele fez sinal de indiferença, apenas retribuía o olhar venenoso de Sirius. – Ora, ora, se não é o senhor Black aqui.
Sirius olhou para James. Estava prestes socar o alemão. O amigo lançou-lhe um olhar reprovador. Estava certo. Precisava se acalmar.
- Você poderia estar no meu lugar agora, Black. – Schulat deu um passo à frente, ficando quase cara a cara com Sirius. Qualquer um podia sentir a tensão vinda de ambos, especialmente de Sirius. – Mas preferiu a profissão de trocar fraudas. É uma pena, você daria um bom agente.
O moreno sentiu seu sangue ferver. Como ele ousava dizer aquilo? Na época em que a LOOP lhe fez a proposta, tinha acabado de perdeu sua esposa, fora o fato que nunca deixaria Lyra sozinha. Mas há dezessete anos Schulat ainda lhe esfregava isso na cara toda vez que se encontravam. Aquela vaga era dele, não do maldito à sua frente.
- E você deveria estar beijando minha bunda, Schulat. Se eu tivesse aceitava, provavelmente você estaria na rua da amargura neste momento.
- Saiba de uma coisa, Black! – Schulat apontou-lhe o dedo, de forma ameaçadora. – Eu consigo emprego em qualquer lugar. Por que será que seu governo me chamou? Simplesmente porque vocês foram incom...
- OK! – James pôs-se entre os dois. Já estava conseguindo até ver aonde aquilo ia chegar. – Avnet leve estes senhores até as carruagens. Vamos! Mecham-se! – James batia palmas, apressando o grupo de homens ao seu lado, que parecia mais dormindo do que acordado.
Schulat assentiu, mas antes de desaparecer seguindo Avnet, lançou mais um olhar à Sirius, que nada disse, porém fez um gesto um tanto obsceno.
Agora só restavam os dois ali. James certificou-se que não havia ninguém ouvindo e voltou a encarar Sirius, não muito contente.
- Mas que diabos está fazendo?! – James gritou. Aquilo o deixava nervoso, não era a primeira vez que o amigo arrumava confusão só por não gostar do sujeito. Além do fato de estar exausto, fazia quase duas noites que não dormia, trabalhou igual um louco naquela última semana só para receber aquele bastardo filho da mãe. Também o detestava, mas não demonstrava tanto quanto Sirius.
- Você viu o que ele fez! O cara estava me provocando, e sabe que não levo desaforo para casa!
- Pois devia aprender. – James passou as mãos pelos cabelos, tirando-os dos olhos. – Droga, Sirius, sabe que nosso filme já não é dos melhores. Fuller...
- Não me fale daquele infeliz do Fuller. Enquanto estamos aqui aturando aqueles vermes, ele está na casa dele, dormindo ao lado da mulher ou fazendo coisa melhor.
- Olha, amigo. – James pousou sua mão no ombro de Sirius. – Tente se controlar. Pense nos meninos, pense em Lyra.
- Ora, James! Não me venha com essa psicologia barata! – bufou Sirius, com raiva. – Estar com Schulat é a mesma coisa que estar na companhia de uma basilisco ou até pior.
- JÁ CHEGA, SIRIUS! – berrou James. Não se sentia bem falando daquela forma com Sirius, mas ele merecia. Precisar levar um rala agora, para parar de causar problemas. Não sabiam quando a LOOP iria embora, ou seja, seriam freqüentes os encontros entre Sirius e Schulat. E James já estava imaginado o inferno que seria cada vez que os dois se encontrassem, não demoraria muito saírem no tapa. – Eu estou cansado, faz noites que não durmo, não vejo meu filho ou minha mulher, e você não está facilitando as coisas aqui.
- Agora é tudo sobre você, não é senhor Potter? – perguntou Sirius, num tom sarcástico.
- Você precisa se controlar, homem. Foi assim desde a época da escola, com Malfoy e os outros. – ele suspirou. – Temos responsabilidades agora, e uma tarefa a cumprir. Hey! Aonde você vai? Não me deixe aqui falando sozinho! Sirius!
Já era tarde, Sirius já tinha adentrado na neblina. Mas antes que desaparecesse totalmente de vista, disse sua última fala:
- Irei cuidar da segurança da minha filha do MEU jeito.
Ao ouvir isso, James meneou a cabeça. Estava imaginando em que tipo de situação Sirius iria se meter agora. Suspirou bem fundo, aproveitando um último momento de paz. Fora tão corrida aquela semana que até sentia falta do silencio, de um lugar sem gritos ou discussões. Voltou sua mente a realidade, depois aparatou no vilarejo de Hogsmead. Iria esperar o resto do esquadrão ali mesmo.
Não muito longe dali, um homem gorducho, um tanto calvo, com longos e pontudos dentes espionava o que acabara de acontecer com um sorriso sinistro no rosto.
- Mestre ficará contente em saber que nossos visitantes chegaram. – riu ele para si mesmo.
Logo depois o homem desaparecera e só havia um rato correndo pelo beco sujo e coberto de neve.


A centenas de quilômetros de Brighton, um pequeno garoto acordava eufórico em seu quarto. Nathan olhava para os lados, procurando por qualquer movimento no quarto. Tudo foi apenas um sonho, na verdade, um terrível pesadelo.
- Mamãe?
Lily abriu os olhos com um pouco de dificuldade. Sua primeira visão foi do filho à sua um tanto abatido e no fundo um enorme breu fora da janela. Lançou um rápido olhar para o relógio na cabeceira ao lado da cama. Ainda não eram nem cinco horas.
- O que foi, querido? – ela sentou-se, ficando quase da mesma altura que o menino.
- Onde está o papai? – perguntou ele.
O outro lado da cama estava vazio e a porta do closet estava entreaberta. Bem que ela também queria saber onde James se metera àquela hora da madrugada. Algo bom não há de ser.
- Perguntaremos para o seu pai assim que ele chegar, certo? – Lily forçou um sorriso. Naquele momento, queria matar James. Fazia tempo que não passava algum tempo em casa, com ela ou com Nate. Sabia que ele tinha que cumprir seu dever, mas aquilo era demais. Embora a situação não fosse favorável, havia milhares de aurores por todo o ministério e tinha sempre de ser justo James a ir resolver os problemas. Isso a fazia se perguntar se era o marido quem se candidatava.
- Certo. – ele se virou, indo na direção da porta.
- Hey, espera um minuto, mocinho. – Lily o chamou com o dedo, e o menino se aproximou da cama. – Aconteceu alguma coisa?
- Eu tive um pesadelo.
- E somente seu pai pode resolver isso? – indagou ela, fingindo uma ponta de ciúmes.
- Não queria preocupar a senhora.
Lily sorriu e puxou o filho para junto de si, fazendo-o sentar em seu colo. Envolveu-o em um abraça acolhedor, tentando transmitir uma sensação de segurança, como James sempre fazia quando Nathan se assustava com algo. Sempre foi assim desde que era um bebê.
- Nathan, você pode me procurar na hora que quiser. Está bem? – disse ela, beijando-o na testa. – Agora, conte-me o que aconteceu.
No momento em que Nathan levantou os olhos, Lily pôde ver medo naqueles olhos cinzentos. Não tinha sido qualquer pesado, esse fora realmente ruim. Só o vira daquela for somente duas vezes: quando presenciou uma briga do pai no ministério e quando estava no hospital com a mãe e vira a dolorosa morte de um desconhecido. Nathan tinha alguns problemas ao lidar com a morte.
- Eu não me lembro, mamãe. – disse ele com um fio de voz. – Mas era algo ruim e que vai acontecer à alguém
- Acontecer à quem, amor?
- A todos. – disse ele, bastante sério.
Lily afagou os cabelos de Nathan. Queria garantir que tudo estava bem, mas sabia que não era verdade. Desejava contar o que estava acontecendo à todos os filhos, omitir a verdade era um crime. Só não sabia se era pior do que acabar com a inocência e a infância de uma criança de seis anos, pois no momento que contasse o que estava acontecendo aos filhos, eles deixarão de ser crianças, qualquer um deles. Receava em dizer que há algo ruim no mundo aos três, mas em especial à Nathan.
Estava decidido. Os outros iriam saber logo, mas não Nathan. O menino merecia ter uma infância descente, completa. E ele teria, nem que ela tivesse de mentir para isso acontecer.
- Não acontecerá nada à ninguém, Nathan. Todos temos pesadelos, até eu e seu pai temos.
- Mas sonhos não são algum tipo de aviso, mamãe? – ele se lembrava do que a professora de Adivinhação de Hogwarts dissera num dia em que se encontraram na escola, enquanto visitavam Harry, que tinha se machucado em um jogo de quadribol.
- Não. Eles são frutos da nossa imaginação. Você tem uma mente bastante fértil, sabia?
- Sim. Vou tentar dormir agora de novo. – ele escorregou dos braços de Lily e ficou de pé no chão. Estava se encaminhando de volta para seu quarto quando se virou e abriu um pequeno sorriso maroto. – Mãe?
- Diga, querido.
- Estou com fome. Será se hoje a gente não pode tomar café mais cedo?
Lily sorriu. Estava começando a achar que o filho passava tempo demais com Sirius. Até o apetite do amigo estava pegando.
- Só se você me ajudar, mocinho. – ela deu uma piscadela para o pequeno.
Vestiu seu robe que estava sobre a cadeira e calçou os chinelos. Em seguida pegou o filho no colo. O chão estava frio demais para os pés dele, ainda mais em temporada de gripe.
- Isso. Para onde vamos?
- Pegar sua pantufa no quarto. Não quer ficar doente, ou quer?
- Não mesmo. Detesto injeções. – ele fez uma careta, e Lily riu.
Ela desceu as estadas com Nathan atrás, mas aquele sentimento se insegurança ainda tomava conta do menino. Ele sabia de alguma forma que aquele sonho não fora somente sua imaginação. Era muito mais real do que imaginava.


- Ly, vamos?
- Temos mesmo? – Lyra lançou um olhar de clemência, queria ficar mais um tempo lá fora, mesmo que não estivesse suportando o frio.
Draco abaixou-se e a beijou nos lábios, em seguida a puxou para cima, que a muito contra gosto, ficou de pé.
- Não sei quanto a você, mas eu não tenho a intenção de ficar doente, sabe? – ele a abraçou.
- Bom. – começou Lyra. – Não seria uma idéia tão ruim. Daqui há algumas horas eu tenho aula de Poções, na verdade, NÓS temos aula de Poções no primeiro horário.
- Nossa! Estava me esquecendo disso, agüentar o Potter de novo. – disse ele em tom sarcástico, depois soltou uma leve risada. – É melhor me atirar no lago agora mesmo.
Lyra meneou a cabeça. Não conseguia entender a rivalidade daqueles dois, e esta fugia muito além somente do quadribol. Tudo eles olhavam feio, desde que se conhecia por gente as coisas eram daquela maneira. Cada um para um lado.
Isso de certa maneira acabava afetando-a. Sempre ficava dividida entre o melhor amigo e o “namorado”. Ainda não se acostumara com aquela palavra, namorada, namorada de Draco Malfoy ainda por cima. Por mais que tentasse estabelecer um equilibro entre os dois, nunca dava certo. Sempre acabava mentindo para um dos dois, especialmente para Harry.
Nunca pensara que aquela relação fosse tão complicada. Estavam juntos há quase três semanas contando com o primeiro beijo na noite do baile, e até agora a única pessoa que estava desconfiada era Victoria, que a pegou de surpresa um dia saindo às escondidas. Lyra prometeu a Vick que contaria tudo no tempo certo, mas a amiga não cessava. Todos os dias era o mesmo questionário. Se as coisas continuassem do jeito que estavam, acabaria abrindo a boca de uma vez, mas temia que as informações caíssem nos ouvidos errados.
- Deixa disso, Draco. Isso só complica mais as coisas.
- Complica? – ele ergueu a sobrancelha. – A vida é sua, Lyra, e somente sua. O Potter que vá cuidar da vida dele.
- Sim, a vida é minha. Mas não se esqueça que há pessoas que amo muito envolvidas nisso tudo. Meu pai, por exemplo. Estou preparando terreno para contar para ele.
- E quando pretende fazer isso? – Draco perguntou, torcendo para demorar. Gostava de como as coisas estavam. Certo, queria pode beijá-la na frente dos outros, ou andar como estavam naquele momento, como um casal qualquer.
- Algum dia. – ela sorriu amarelo. Estava esperando o momento certo para isso, sabia como Sirius Black era estourado e cabeça dura, como ela mesma. Porém, ele conseguia ser ainda pior, Lyra ainda era flexível à coisas novas, já o pai, se não agradasse, era “não” na certa. – Estou brincando. Acho que antes de voltar das férias, assim ele explode e eu volto para a escola.
Como Draco queria que as coisas fossem daquele jeito para seu lado. Por mais que fugisse do pai, das exigências do pai, sempre tinha o inseto do Knox atrás dele, fazendo perguntas, às vezes, até alguma leve ameaça. Estava começando a ficar sem tempo.
- Você já contou para alguém? Sobre nós?
- Bom... não. As pessoas são fofoqueiras demais, melhor que fiquem ocupadas com a vida de outro. Especialmente Amanda Ames.
- Especialmente Amanda Ames. – repetiu Lyra.
Draco estava coberto de razão. Sempre haverá fofocas correndo por aquelas paredes de pedras, mas o problemas era quando essas informações chegavam aos ouvidos de Ames. A garota era a editora chefe de um pequeno jornal que circulava pelo colégio. Nele havia algumas notícias até interessantes, mas a grande maioria era fofoca dos outros colegas. Quem estava com quem, indivíduo que falou algo indesejável, coisas dessa margem. Lyra não tinha a menor paciência com isso, não se importava com a vida dos outros e queria que ninguém fuçasse na sua como se fosse um livro aberto.
- Sério agora, Lyra. Vamos entrar, está um frio do cão aqui fora. – Draco lançou um olhar pedinte, que fez a garota rir. Adorava aquele olhar de menino querendo doce.
Ela assentiu e ambos começaram a caminhada para o castelo. Não estavam muito longe, tinham escolhido um lugar para ficarem a sós perto da casa de Hadrid, na orla da floresta. Era um bom lugar aquele, tinha alguns tocos de arvores onde se sentavam, às vezes o professor Steavens fazia a aula de Trato de Criaturas Mágicas ali.
Por um tempo, Lyra só conseguia ouvir o barulho das pisadas na neve, mas logo tinha algo a mais pairando no ar. Um barulho conhecido, um latido conhecido. Ela olhou para os lados procurando aquele cachorrão preto com o coração aos pulos. Estava se perguntando se ele estaria observando-os de algum lugar.
- Está tudo bem? – perguntou Draco, analisando-a.
- Espero que sim. – disse Lyra lacônica. – Só quero verificar uma coisa.
Dizendo isso, ela soltou-se de Draco e começou a andar de volta para onde estavam, tentando acompanhar o som. Draco a chamava, mas Lyra não olhou para trás, apenas continuou caminhando.
Assim que entrou na floresta, percebeu que não eram somente latidos, havia vozes, várias vozes conhecidas. Adentrou um pouco mais na floresta, custando a andar na neve que encobria tudo. Xingou baixinho quando tropeçou pela quarta vez na raiz de uma árvore.
Alguns metros de onde ela estava, os professores Chase e Stevens discutiam entre si alguma coisa que ela não conseguia ouvir. Mas o que a deixou mais intrigada era a presença de um certo cão preto, andando de um lado para o outro.
- Por céus, Sirius! Fique quieto! – bradou Stevens, nervoso.
O cão lançou um rosnado ao velho e deitou-se perto de uma árvore.
Lyra deu mais alguns passos, queria ouvir o que eles diziam ali. Seu pai nunca contaria o que estava fazendo ali no meio da noite, na Floresta Proibida, e ainda em sua forma de animago.
Ia dar outro passo quando sentiu um forte puxão no braço, quase fazendo-a cair no chão.
- Você está louca? – perguntou Draco, ofegante. Tivera que correr praticamente para alcançá-la.
- Vou descobrir o que está acontecendo ali. – ela apontou com o dedo indicador para onde os homens estavam.
- Repetindo: Você é louca!? Se nos pegam aqui, provavelmente passaremos o resto da vida cumprindo detenção. Certo, você já está acostumada, mas eu ainda tenho meu histórico escolar limpo.
- Deixa de ser frouxo, Draco. – ela disse num sussurro. – Acho que você está com medo de conhecer meu pai.
Ele revirou os olhos.
- Vamos dar o fora daqui. Agora é sério. – Draco puxou a mão dela, mas Lyra nem se mexeu. Continuava a fitá-lo com uma certa determinação. Por que fora arranjar uma namorada tão cabeça-dura e metida a detetive? – E seu pai não está aqui.
- Olha ali! Tem mais gente chegando. – Lyra apontou para um grupo de pessoas que chegavam, a maioria encapuzada, ignorando o que Draco dissera. Ainda não contara que o pai era um animago. – O cachorro, Draco. O cachorro. Meu pai é um animago.
Ele passou a observar o cão por uns instantes com o olhar desconfiado, mas logo focou-se nos vultos que chegavam.
A primeira pessoa que ela distinguiu na multidão fora o padrinho. Reconhecia aqueles cabelos arrepiados e os óculos de armação preta a distância. Também havia uma ou outra pessoa que já vira no ministério, mas os outros eram completos desconhecidos.
Ela ajoelhou-se atrás de alguns arbustos com Draco ao seu lado. Agora parecia que algo interessante estava para acontecer.
- E por que exatamente temos que nos encontrar aqui?- perguntou um homem loiro, grosseiramente para James.
- Simples, Schulat. Não queremos que os alunos os vejam. – disse James, seco.
O homem soltou uma risada cínica e olhou para os dois professores à frente, que já haviam parado de discutir entre si.
- A famosa falsa segurança. – ele meneou a cabeça. – Querem que os alunos pensem que Hogwarts é um lugar seguro, não? Ou melhor, vocês querem que os pais pensem isso, ou estou enganado?
- Dobre a língua quando falar da escola, Schulat. – advertiu Stevens. – Estamos prevenindo, caso algo aconteça.
- Então admitem que algo possa acontecer?
- Pare com isso Schulat! Todos sabem o que está acontecendo! – Stevens fez sinal para os aurores que estavam presentes. – Levem nossos convidados para seus aposentos. Dumbledores não poderá recebê-los hoje.
- Certo. – disse o alemão não muito convencido. Ele olhou para os lados, com a sobrancelha erguida. Fez um breve sinal com a mão e dois homens encapuzados se aproximaram e cochicharam alguma coisa entre si.
Logo Schulat lançou um olhar onde Lyra e Draco e começou a andar na direção onde os dois garotos estavam. Sem pensar, Draco levantou-se num pulo, fazendo sinal para ela apressar. O que eles não esperavam era que o pé Lyra ficou preso uma daquelas malditas raízes, fazendo com que ela não conseguisse se levantar. Draco estava preste a voltar para ajudá-la quando ela fez sinal para que ele desaparecesse, como o fez. Foi segundos até Schulat aparecer e puxá-la pelo braço, machucando seu pé.
- Ai! – exclamou ela, tentando soltar da mão dele.
Todos olhavam o que estava acontecendo. Stevens lançou um olhar a Chase e instantaneamente olharam para Sirius, que não demorou a avançar no homem segurando a filha.
Sirius latiu alto, rosnando.
- Sai daqui, Black. Isso é assunto meu e dos professores. – Schulat sacou a varinha e apontou para Sirius, que mesmo assim, não recuou.
Não havia mais um cão preto ali e sim um homem alto e moreno com a varinha nas mãos também.
- Isso seria verdade, se ela não fosse minha filha. – Sirius abriu um sorriso escárnio, gesticulando para que a soltasse. – Anda, solte-a. Isso é entre mim e os professores da escola agora.
A muito contra gosto, o loiro foi aliviando a pressão no braço de Lyra. Quando a soltou, ela correu para trás do pai, sem dizer nada.
- Dê um jeito nessa garota, Black. Não vamos querer que ela se machuque, ou vamos?
- Vá dormir, Schulat. Leve seu pessoal daqui e vá encher outro.
O outro passou esbarrando em Sirius e começou a andar até onde os vultos da LOOP estavam. James assentiu para Kerry, a mesma que os tinha trazido até ali, e a mulher adentrou na floresta, seguida pelo grupo recém-chegado.
Sirius esperou que todos se fossem até voltar a encarar a filha com um olhar bastante bravo.
- Mas que diabos você está fazendo aqui? Está louca por acaso? Não pode ficar saindo e entrando no castelo quando bem entender, está me escutando? – ele guardou a varinha e andava de um lado para o outro. Lyra já estava ficando tonta de seguí-lo com o olhar.
- Eu tinha vindo correr um pouco, pai. – ela falava calmante, tentando passar essa calma para o pai. – Insônia é uma verdadeira praga.
- Não quero saber, menina! Próxima vez, tome um banho, vá a ala hospitalar, vire a noite se quiser, mas não saia do castelo, entendeu?
Ela assentou pedindo um socorro silencioso ao padrinho. E como sempre, lhe foi atendido.
- Olhe pelo lado bom, Sirius. Nada aconteceu. – disse James, pondo a mão no ombro de Lyra.
- Mas poderia. - o moreno olhou para os professores ali perto. – O que farão com ela? Detenção até o resto do ano letivo.
- Acho que ela aprendeu a lição Sirius, topar com Schulat pela primeira vez não é fácil. – disse Chase. – Não concorda, professor Stevens?
- Completamente, professor Chase. – ele deu uma rápida piscadela para Lyra. – Acho melhor eu levá-la para dentro. Daqui a pouco as aulas começam.
- É uma boa idéia, Bernard. – ele agradeceu ao mais velho deles. – Faça ela me esperar nas escadas. Ainda vamos ter uma conversa séria, moça.
- Certo, pai. – Lyra deu um abraço em James e em Sirius depois começou a caminhar na direção do castelo seguindo o professore de Trato de Criaturas Mágicas.
Vendo que os dois já tinham sumido de vista, Sirius virou-se para os dois homens à sua frente, com um olhar cansado.
- E eu que pensava que antes era pior. – suspirou ele. – Daqui a pouco vou prendê-la no porão.
- Se funcionar avisa, porque eu já estou começando a me preparar psicologicamente para quando Kathy tiver essa idade. – riu Chase, lembrando da filha pequena.
- Ai, Sirius, que horror vocês dois. – James meneou a cabeça.
- Vocês acham que isso vai dar certo? Schulat, LOOP? – perguntou Chase. Ele não tinha opinião formada para aquilo ainda. Achava que os alunos precisavam de uma certa proteção, mas conhecia a fama de Schulat muito bem. Vira bem como o alemão tratara Lyra, e provavelmente seria assim com qualquer aluno.
- Não sei, Nicholas. Simplesmente não sei. – James advertiu Sirius com o dedo, que já ia pronunciar alguma coisa. – Calado, Sirius. Você tem aversão ao Schulat, não tem como dar sua opinião aqui. Esse mundo está muito louco, os meninos não podem ficar sozinhos, mas acho que se o ministério se organizasse, acho que conseguiríamos mandar alguns aurores para cá.
- Com a escassez que está lá dentro, Jim? – Sirius começou a contar nos dedos que ainda conseguia trabalhar devidamente. Tinham muitos machucados.
- É. O desgraçado que está fazendo esses ataques está acabando com os aurores. Toda vez que conseguimos alguma pista de onde procurar, alguém vai lá e estraga tudo.
- Já houve alguma morte? Estou desatualizado.
- De aurores, não. Mas ele está matando trouxas. – disse Sirius, sério.
- O cara deve ser algum tipo de maníaco. Nunca constou um número tão grande de mortes trouxas causadas por bruxos. – completou James.
- Mas como vocês sabem que é ele quem mata? – perguntou Chase.
- Ele tem sua marca. – disse Sirius. - Uma cobra verde saindo pela boca de uma caveira prateada. Toda vez é isso.
- Dumbledore já sabe disso?
- Sim, junto com o pessoal do jornal. Mas o ministro fez um acordo para que eles não publicassem nada até que tivessem autorização do ministério, coisa que vai demorar. – James soltou um longo suspiro. Essa era a razão pela qual trabalhava tanto naqueles últimos dias. Toda vez que algo acontecia, tinha que sair no meio da noite para ver o que aconteceu de errado e tentar consertar, junto com os outros. Lily não ficava nada satisfeita com aquilo. – Ele vai falar disso na próxima reunião da Ordem, ai discutiremos outros assuntos também ligados à isso.
- Parece que tudo está ligado à isso, James.
- É. Bom, rapazes, eu tenho ir dar um sermão. – ele abriu um sorriso maldoso. – Vai para casa, Jim?
- Com certeza. Se der sorte ainda pego a Lily dormindo. Vocês não sabem o que é ter mulher brava, não é fácil não.
Sirius riu. Ele teve há algum tempo atrás.
- Escute, Pontas. Hoje é a minha folga, quer que eu fique com o Nathan?
- Jura? – James abriu um sorriso aliviado. – Pegue-o às duas então.
- Certo. – Sirius cutucou Chase, fazendo-o voltar a realidade. Estava perdido em pensamentos, mas fora muita informação de uma vez só. – Você me acompanha, Nick?
- Não, não. – o loiro passou a mão na testa, tirando os cabelos dos olhos. Estava cansado, não dormira naquela noite também, e agora tinha que começar a trabalhar. – Vou pegar umas coisas aqui perto para uma aula.
- Ok, então. – Sirius deus as costa para os outros e começou a percorrer o mesmo trajeto que Stevens e Lyra haviam feito.
- Uma coisa. – os dois viraram-se para Chase, que continuava parado no mesmo lugar, ao contrário dos outros dois. – Como ele se chama.
- Lord Voldemort. – disserem James e Sirius em uníssono.



Já fazia alguns minutos que Lyra e o professor Stevens tinham chegado ao castelo. Ele estava sentado na escada, enquanto ela andava pelo saguão, olhando os quadros, tentando se distrair. Fazia algum tempo que estavam sem dizer nada, até que o professor quebrou o gelo.
- O que estava fazendo lá, Lyra?
Ela estava abrindo a boca para responder, quando o professor a interrompeu.
- Não minta para mim, menina. – sorriu ele. – Por acaso o Senhor Malfoy estava junto?
Lyra xingou baixinho. Detestava quando ele a confrontava daquela maneira. Simplesmente, não conseguia mentir.
- Bom, digamos que sim. – disse ela baixinho, temendo o que ele dissesse.
- Não faça mais isso, Lyra. Arrume outro lugar para se encontrar com o menino Malfoy. – ele deu uma piscadela. – Ao menos faça isso durante o dia e não quase todas as noites.
- Mas como? Como o senhor sabe? – ela corou um pouco.
- Bom, primeiro esse cansaço repentino, as olheiras, os bocejos. É tudo um pacote só, minha querida. E não se preocupe, você irá contar para o seu pai das suas aventurar. Seja hoje ou nunca.
Lyra sorriu aliviada. Bem que ela queria escolher o “nunca”. Parecia ser uma saída tão mais fácil.
- Obrigada. No tempo certo, eu contarei. Assim como para o resto da escola. – Lyra soltou um longo suspiro. – As pessoas conseguem ser muito maldosas quando querem.
- Claro que conseguem, mas nós temos de ser mais fortes e não nos intimidarmos. – ele se aproximou dela, ficando os dois lado a lado em frente a um quadro com dois centauros acenando dando coices. – O mundo está coberto de maldade, mas os poucos bons que conseguem realmente fazer a diferença. Não se importe com o que os outros façam ou digam, viva sua vida normalmente e se alguém lhe perturbar, ache uma resposta a altura.
Estava coberta de razão aquela fala Algumas vezes pensava se realmente deveria estar na Grifinória, faltava-lhe tanta coragem, especialmente nas horas que mais precisava.
Ouviram um barulho e quando se viraram, apareceu Sirius entrando um pouco molhado.
- Desgraça de árvore! – praguejou ele. – Só me falta pegar uma gripe. Estou avisando, Lyra, daqui a pouco nós vamos mudar para um país quente, muito QUENTE. Bem na linha do Equador.
Lyra não pôde deixar de rir. Apesar o pai sempre ter morado na Inglaterra, detestava aquele clima frio de inverno.
- Bom, menina. Como já está em boas mãos, vou me retirar. Pense no que lhe falei. – o velho professor passou por Sirius, dando alguns tapinhas nas costas deste e rumou para as masmorras, fazendo Lyra se perguntar o que iria fazer lá.
- Bom, pai. Acho melhor eu subir, sabe? – ela soltou um riso nervoso e engoliu em seco. - Daqui a pouco tem aula e...
Sirius a segurou pelo braço antes dela subir o terceiro degrau. Ele meneou a cabeça em negativa e fez sinal para ela se calar.
- O você estava fazendo, àquela hora, na floresta proibida? – perguntou Sirius batendo o pé impacientemente no chão.
- Como já disse, estava correndo um pouco. – ela gesticulava nervosamente. Sirius não tirava seus olhos dos dela, isso a deixava de uma forma bastante difícil, dificultando inventar uma pequena mentira convincente.
Sirius suspirou. Da maneira que ela falara, sabia que não iria abrir o jogo. Ele teria de jogar a toalha e tentar amenizar a situação à sua maneira.
- Lyra – ele a puxou para perto de si, abraçando-a com carinho. – Não faça mais isso, por favor.
- Mas por que, pai? – ela olhou para cima, encontrando com os olhos preocupados dele. – Você fazia isso, junto com o padrinho e Remus e aquele seu outro amigo.
- Eram tempos diferentes.
Muito diferentes.
- Me diga um motivo então para eu parar de ir lá fora. – disse Lyra.
- Por eu disse, talvez? Vamos, Lyra, deixe de ser criança! Faça o que estou pedindo, só isso.
- Tudo bem. – ela abriu um sorriso sarcástico e apertou os olhos. Não era um bom sinal. – Farei isso quando você me der um bom motivo.
Lyra virou-se e começou a subir as escadas com fortes pisadas. Ela não estava brava pelo fato do pai não querer que ela saísse, mas sim por ele não querer lhe contar o que estava acontecendo. Sirius sempre dizia para ela crescer, mas naquele momento ela pensava estar totalmente com o razão. Não era mais criança, por isso mesmo que tinha o direito de saber o que estava acontecendo.
- No Natal. – falou Sirius, um tanto temeroso. Sabia que ela iria cobrar. – Até lá, não quero nem saber da senhorita saindo às escondidas para “correr”. – ele fez o sinal de aspas para a última palavra da frase. Estava claro que ela não estava correndo àquela hora, naquele frio, mas desejava que fosse exatamente aquilo.
- Ok. – ela virou-se para o pai e o encarou. – Temos um trato. Melhor que seja bom!
Dizendo isso, Lyra acabou de subir as escadas principais e virou, fazendo Sirius perdê-la de vista. Ainda conseguiu ouvir seus passos por alguns instantes, mas logo estes cessaram, dando lugar à um estranho silencio.
- Pode deixar, menina. – ele meneou a cabeça. Ainda tinha esperanças dela ser menos cabeça-dura algumas vezes. – É algo grande.




Lyra correu direto para a torre da Grifinória com o máximo de velocidade que suas pernas conseguiam agüentar. Sua cabeça estava a mil, queria falar com Draco, queria falar com qualquer um, mas naquele momento o que mais queria era chegar ao dormitório sem que ninguém tenha reparado na sua saída.
Disse a senha quase num sussurro e o quadro deu passagem. Ao entrar na sala, seu coração gelou. Perto da janela estava Harry despachando uma carta pela coruja de Vick. Ele a olhou confuso e caminhou até onde Lyra estava, já que está não conseguia nem se mover.
- Lyra? – ele chegou mais perto e pegou em sua mão, totalmente gelada. – Você está bem? Por onde andou?
Ela procurava uma saída lógica, mas sem mentir. Detestava mentir para Harry, já era suficiente sua omissão em relação ao relacionamento com Draco. Iria dizer a verdade, não toda, mas algumas partes, as principais.
- Harry, acho melhor você se sentar. – Lyra o guiou para sentar-se no sofá. – Acho que acabei de descobrir o que está acontecendo.
Contou tudo que ouvira, desde a conversa entre Chase e Stevens até a péssima despedida com o pai. O garoto, como ela, estava ainda um pouco chocado. Nunca imaginara que realmente havia alguém por trás de tudo isso, desejava que fossem apenas boatos o de bruxos matando trouxas.
- Isso está errado! – exclamou Harry. – Ninguém tem esse direito! Matar trouxas? É loucura o que está acontecendo.
- E eu não sei? O pior é que não podemos fazer absolutamente nada. – Lyra suspirou. – Será se isso tem alguma coisa haver com o sumiço do filho do Ministro da Magia da Itália?
- Com certeza. Temos que falar com Julian, contar o que descobrimos. – disse Harry. Ele pegou um pedaço de pergaminho no bolso, agora só faltava achar uma pena.
- Não, Harry. – Lyra o impediu de se levantar. – Nós ainda não sabemos como as coisas estão lá fora, alguém pode interceptar a carta. Além do mais, estamos tirando conclusões precipitadas, às vezes as duas coisas não tem nexo algum. Precisamos de mais tempo, lembre-se que meu pai falará algo no Natal.
- Eu tenho certeza que a teoria está certa, mas não temos como confirmar. – ele levantou-se do sofá, mesmo que Lyra ainda o estivesse impedindo. – Vou escrever para Isabelle, marcando um encontro hoje. Às vezes a irmã dela conseguiu alguma coisa também.
Lyra foi atrás dele, com um sorriso maroto estampado no rosto. Ela pegou uma caneta trouxa dentro do bolso e entregou à Harry, mas antes de soltá-la, soltou um pequeno comentário:
- Isabelle? – Lyra deu uma rápida piscadela. – Vocês tem andado muito juntos ultimamente, não?
- Oh, sinto muito, querida amiga. – ele puxou a caneta, mas ela não a soltou. – Estas com ciúmes?
- De você? Tenho mais o que fazer da vida, Harry. – riu Lyra. – Então, tem algo acontecendo que eu não estou sabendo?
Ela deu um puxão forte na caneta, quase fazendo Harry desequilibrar-se.
- Talvez. Agora solta isso!
- Não até você me dar os detalhes.
- Por acaso você tem sete anos?
Lyra deu um puxão e ela soltou a caneta. Ela fez uma cara de indiferença, mas depois voltou a perguntar novamente. Estava tão envolvida com Draco nos últimos dias, que não dera tanta atenção à Harry. Na verdade, não dera nenhuma atenção à Harry. Geralmente, conseguia obter as informações dos relacionamentos de Harry apenas observando, mas dessa vez teria que arrancar de sua própria boca o que queria.
- Desembucha.
- Semana passada, no passeio à Hogwarts eu a beijei. Pronto! Satisfeita? – ele emburrou um pouco e tomou a caneta da mão da amiga.
- Totalmente. Harry! Isabelle Wine?! Mandou bem! Preciso contar para o Austin!
- Ai, céus. – ele sentou-se na cadeira para escrever o bilhete, depois iria ao corujal mandá-lo. Na aula de Poções era muito tumultuado, provavelmente não conseguiria falar com a garota direito.
Lyra deu um rápido beijo da bochecha de Harry e rumou para o dormitório. Sempre soube que ele tinha uma queda pela corvinal, desde que eram pequenos. Torcia para que desse certo, Isabelle era uma boa pessoa baseando-se no que Lyra conhecia dela. Ela manteria Harry ocupado, dando mais tempo até contar sobre Draco.



- Muito bem, classe. – a professora Lennox levantou-se e foi para o centro da sala. – Abaixem as mãos, não quero ver ninguém mexendo m nada. Avaliarei o desempenho da poção agora.
Fora um pouco diferente aquela alta, uma espécie de competição. A dupla que conseguisse fazer a melhor poção ganharia vinte pontos para sua casa e ainda não teria de fazer o relatório de oitenta centímetros para a próxima semana. A segunda condição, especialmente a segunda, foi suficiente para fazer a turma inteira trabalhar como nunca tinham trabalhado antes.
Ao acabar suas anotações , Lyra passou a observar a sala. Todos, sem exceção mantinham feições nervosas voltadas aos calderões, menos uma redação já era algo grande, já que não havia só Poções. Os outros professores também costumavam passar muita tarefa para casa, especialmente a professora McGonagall, que na última aula deu para todos nada menos do que setenta centímetros e ainda voltar para a aula dando contar de executar a transformação de rato para coruja e em seguida ara gato. Quase ninguém conseguira na última aula, a não ser Hermione, Lyra e um garoto da Lufa-Lufa. Era mais difícil transformar coisas vivas.
Ela lançou um olhar para a bancada que Draco e Harry estavam. Era uma cena engraçada, nenhum dos dois se encaravam, mas pareciam praguejar algo um para o outro. Na bancada à frente, Isabelle e Austin jogavam jogo da velha, tinham terminada tudo há alguns minutos.
- Pare de fuçar na vida dos outros e se concentre aqui. – disse Tristan.
- Deixe de ser chato. – riu Lyra. – Isso terapia, sabe? Você anda muito tenso nesses dias, devia tentar.
- Claro que eu ando tenso, corro risco de morte trabalhando com você.
- Que pessoa perigosa sou eu. Será se devo ficar com medo de mim mesma? – brincou ela.
- Não vou nem responder. – ele se aproximou do ouvido de Lyra, pronunciou algumas palavras quase inaudíveis. – Você devia pedir aula particular para o Malfoy.
Lyra pensou que até que seria uma boa idéia, mas depois viu o sorriso estampado no rosto do garoto e arregalou os olhos.
- Como?! Como você sabe? – ela gesticulava nervosamente. Eles tinham tomado tanto cuidado para ninguém desconfiar.
- Fale baixo, garota. Os outros estão olhando. – Tristan balançou a mão para ela abaixar o tom de voz. – O Malfoy é um pateta. Não verifica se todos estão dormindo antes das escapulidas noturnas dele.
Lyra meneou a cabeça em negativa enquanto fitava o loiro. Não demoraria muito para os outros começarem a desconfiar.
- Não se preocupe. – disse ele, despreocupado. – Não vou abrir o bico. Ao contrário de outras pessoas, eu prefiro cuidar da minha própria vida. Já tenho problemas demais, e ainda entrar na confusão que vocês estão se metendo? Não mesmo.
- Obrigada. – ela sorriu, agradecendo. – Mas por que confusão? Certo, não será todo mundo que gostará disso, mas não é tão ruim assim.
- Será mesmo? – Tristan ergueu a sobrancelha. Tinha certeza que se Lyra soubesse da história completa, do que acontecia por trás das paredes sombrias das masmorras, com certeza pensaria duas vezes antes de se envolver com sonserinos, especialmente Draco. – Você é quem sabe.
A professora parou na frente de Lyra e Tristan.
- Vamos ver essa. – ela pegou um pequeno vidro incolor no bolso e pegou uma amostra da poção, em seguida passou a analisá-la atentamente.
Lyra e Tristan permaneciam calados, não conseguiam nem ouvir as conversas alheiras dos colegas. Tinham feito tudo perfeitamente como mandava o livro e a professora, não tinha como a poção estar errada.
- Bom, meninos, sinto muito, mas acho que consigo identificar um excesso de óleo de visgo do diabo aqui. – ela sorriu. – Mas está melhorando. Talvez na próxima vez. Pensem positivo, ao menos não nada explodiu dessa vez. – ela deu uma piscadela para os dois. – Cinco pontos para a Grifinória e Sonserina pelo avanço. Não espalhem.
O sinal tocou e todos levantaram com as mochilas nas costas, mas ninguém saiu da sala. Esperavam pela resposta, para saber quem ganhara o desafio.
- É, parece-me que o Sr. Williams e a Srta. Wine não terão tarefa hoje. Quanto ao resto, eu quero oitenta centímetros na minha mesa semana que vem. – ela deu um sorriso ao ouvir vários murmúrios e lamentações.
Lyra sorriu ao ver Harry dando um rápido selinho em Isabelle no outro lado da sala. Eles conversaram rapidamente sobre algo, em seguida, Harry veio juntar-se a Lyra para irem para a próxima aula.
- Grey. – Harry deu um leve aceno com a cabeça, cumprimentando o rapaz, que ainda guardava os materiais.
- Potter. – Tristan fez o mesmo, depois saiu da sala. Ia encontrar Draco e outros garotos do lado de fora, como sempre. Na maioria das vezes, era a último a arruma os matérias, e quando o fazia era de forma lenta e cuidadosa. – Até a próxima aula, Black.
- Até. – Lyra sorriu, virando-se para Harry. – Vejo que pensou em tornar seu rolo com a Wine público, não?
Harry meneou a cabeça. Achava que Lyra já tinha esquecido daquele assunto, mas esses ela não esquece. Não se lembrava do nome de todas as plantas da família Magnoliophyta, mas sempre se lembrava do que os outros lhe contavam.
- É tolice ficar escondendo isso, ainda mais sendo Isabelle Wine. – ele sorriu marotamente. – Ainda estou pensando em como vai ser quando a temporada de quadribol chegar. Vai pegar fogo.
- Só quero ver isso. E numa briga, acho que ela ganha, viu? Cuidado, nunca subestime a força de uma mulher, meu querido. Ainda mais em uma briga.
- Você já é bem entendida do assunto, não é Lyra?
- Oh, sim. Pode ter certeza. – ela correu os olhos pela sala, e notou que só haviam eles ali. A professora tinha ido para a sala três, dar aula para o primeiro ano, e todos os alunos já haviam saído. – Onde está Austin? Nem o vi hoje.
- Ah, ele foi à frente, carregando os livros de uma garota que eu não me lembro qual. São tantas. – suspirou Harry. – Vamos indo, porque, sabe, temos aula agora.
- Pois é. Eu tenho que parar de matar aula, definitivamente tenho. Não dá para colar nas provas. – Lyra deu de ombros, fazendo Harry rir. Ela sempre tinha uma solução muito simples para tudo, menos para as coisas que se tratavam de estudos. Lyra era o tipo de pessoa que queria fazer apenas o que gostava, isso se aplicava nos estudos também. Estudava somente as matérias que gostava, depois copiava os deveres de Hermione do resto. – Qual vai ser a desculpa de hoje? Chase está começando a ficar esperto.
- A gente diz que você passou mal.
- Por que sou sempre eu quem é o doente ou acidentado? – Lyra parou de caminhar, soltando a mochila no chão e pondo as mãos da cintura. Ela estava bastante parecida com Lily naquele momento. – Por que você não é o doente? A essas alturas, os professores vão querer me internar num hospital.
- Para de reclamar e vamos. – Harry meneou a cabeça e continuou andando. – Ah, estava me esquecendo. A irmã de Isabelle, Nicollet, entrou em contato com Julian pessoalmente.
- Ótimo. Mas eu tenho certeza que é isso! Só pode ser. – ela entregou alguns livros para Harry segurar. – Obrigada, estava muito pesado. Quando vamos nos encontrar com Nicollet novamente?
- Falei com Belle hoje, acho que ela irá falar com a irmã, mas ainda não tem muita certeza. – Harry parou um instante, para equilibrar os livros de Lyra. – Sério, você tem que achar alguém para carregar isso. Eu não sou burro de carga.
- Oh, que pena. – ela fez uma cara de desapontamento. – Porque parece. Mas não se preocupe, estou trabalhando nisso. – e realmente estava.



Já se passavam das seis da tarde quando Sirius entrou naquele casarão velho e empoeirado. Ele sorriu fracamente ao ver alguns arranhões no chão enquanto caminhava pelo corredor. Havia também algumas gotas de sangue perto da porta a qual ele atravessou, entrando em outro cômodo.
- Olá, Sirius. – Remus abriu um cansado sorriso, acenando com a mão. Mas ele não se levantou, não tinha forças para o fazer. – Sente-se. Tem chá em cima da mesa e alguns biscoitos que Lily fez.
Sirius concordou e sentou-se diante do amigo. Passou a analisá-lo por alguns instantes. Dos quatro marotos, Remus parecia ter sido o que mais envelhecera durante os anos. Não era para menos, a cada transformação uma parte de Remus parecia morrer, a parte da juventude e ingenuidade, deixando sempre aquela serenidade.
- Noite difícil? – perguntou Sirius, degustando do chá.
- Não foi das piores. – Remus forjou um sorriso, que depois veio com expressão de dor ao tentar pegar o copo de água ao seu lado.
- Eu pego. – Sirius entregou o copo à Remus, depois voltou ao seu lugar.
- Então, o que te traz a Lincoln? – indagou Remus. Ele sabia que Sirius não vivia de tão longe por nada, já que haviam se encontrado na semana anterior na casa de James.
- Bom, estou numa situação um tanto delicada, Aluado.
- O que você fez agora, Sirius? Não vai me dizer que tem haver com a Rachel de novo, porque eu não vou lá tentar acalmar os ânimos dela. Essa mulher é pior que a Lily em dias de crise, acredite.
- Não, não dessa vez. – Sirius abriu um sorriso maroto, fazendo Remus revirar os olhos. – Apesar de que não seria uma má idéia pregar uma peça na minha amada colega de trabalho. Mas voltando ao assunto: Eles chegaram.
Sirius não precisou dizer mais nada, Remus entendera o recado. Sabia da rivalidade de Schulat e Sirius há muito tempo, desde à época da academia de auror, que os dois cursaram juntos. Não foram poucas vezes que tanto Schulat como Sirius foram parar no St. Mungus por causa de alguma desavença. Mas a história não se resumia apenas isso, todos sabiam que o alemão sempre jogava olhares voluptuosos à Elizabeth, e Sirius quase o matara por isso uma vez.
- E você já foi caçar confusão com Schulat? Sirius! Isso já faz mais de vinte anos. É hora de deixar para lá.
- Não é tão fácil assim, Remus. – disse Sirius, sério. – Não tenho um pingo de confiança naquele miserável, mas o pior não é isso. É Lyra.
- O que tem ela?
- Não acho que ela deve ficar exporta à ele. Deus lá sabe o que Schulat pode fazer.
- O que ele poderia fazer, Sirius? Eles estão em uma escola, não acho que Schulat fosse capaz de fazer algum mal à Lyra. Ainda mais com Dumbledore por perto.
- Claro que pode. Você não conhece Schulat como eu conheço, Remus. Foram quatro anos, quatro anos que pude analisá-lo. Certo, ele e eu nunca fomos os melhores amigos, mas ele é vingativo, e muito.
- Preciso dizer que faz mais de vinte anos? – Remus tentou se levantar, mas a dor na perna era maior. Ele apontou para um pequeno frasco perto da escrivaninha, que Sirius logo o pegou e entregou-lhe. Era uma pequena poção para a dor, o faria dormir durante horas.
- Você não viu o olhar dele no porto. Tem alguma coisa nisso tudo, e não deixarei Lyra sofrer as conseqüências disso.
- Ok. Mas o que você quer que eu faça? Morda ele? Porque isso eu consigo fazer muito bem. – riu Remus.
- Deixe de brincadeiras, Remus. Isso é sério. – Sirius levantou-se da poltrona, ficando de costas para o amigo. – Você bem que poderia passar uns tempos na escola, sabe? Verificando se tudo está bem.
Remus quase engasgou-se com o chá ao ouvir aquilo. Só podia ser brincadeira.
- Você bebeu!? – ele exclamou. – Como eu vou para Hogwarts? Nas minha condições, eu sou um perigo muito maior do que Schulat ou qualquer outra coisa. Eu posso morder um aluno, ou pior.
- Deu certo uma vez, pode dar de novo. É só falar com Dumbledore, ele sempre diz que as portas de Hogwarts estão abertas para qualquer um que quiser voltar.
- Não para um lobisomem.
- Só peço isso a você, Remus. É um favor. – Sirius o encarou com um olhar de compaixão, fazendo Remus praguejar.
- Você é louco, Sirius!Louco! – estava começando a ficar sem ar, então, se recompôs. Bebeu um gole de água e continuou – Não tenho condições para ficar em Hogwarts.
- Mas é claro que tem. – Sirius pousou sua mão sobre o ombro de Remus. – Vamos, se não for por mim, seu melhor amigo, faça por Lizzi.
Remus remexeu os ombros para que Sirius tirasse sua mão. Era jogo sujo colocar Elizabeth no meio, mas ele sabia que sempre funcionava. Como detestava que Sirius o conhecesse tão bem.
- Você não presta, Sirius Black. – Remus meneou a cabeça. Em negativa. – Estou começando a concordar com Rachel.
- Ótimo. – o moreno abriu um largo sorriso, queria abraçar Remus, mas sabia que isso só pioraria as coisas. - Quer que eu faça suas malas?
- Fora! – Remus lançou um olhar de viés. – Preciso pensar.
- Tente não demorar, certo? Eu ajudo com a mudança. – ele deu uma rápida piscadela para o amigo. – Obrigado. Volto mais tarde para ver como você está. Trago o jantar também.
Aquela foi a última coisa que Sirius disse antes de sair do cômodo. Remus ainda ouviu algumas pisadas no corredor, mas logo tudo ficara em silencio novamente, exceto pelas chamas da lareira.
Remus olhou à sua volta. Aquele ambiente lhe trazia uma certa tristeza, o lembrava muito dos pais, toda àquela casa, na verdade. Não fora fácil crescer ali dentro, por isso nunca imaginara que voltaria para ali.
- É, talvez alguns dias fora daqui não seriam de todo o mal. – disse ele para si mesmo. Sorriu e bebeu mais um gole do chá, agora frio. Detestava aquele inverno, ainda mais quando seu aquecedor estava quebrado.




Lyra pegou seu casaco sobre a cama, seguida pelos olhares de Hermione, que mantinha a mesma pose desde que começara a se arrumar.
- Se quiser eu posso te dar uma foto, Mione. – riu Lyra, indo na direção da porta.
- Você anda dando muitos passeios lá fora, não é Lyra? – perguntou a amiga, erguendo as sobrancelhas.
- Ar puro não faz mal a ninguém, além do mais, ainda são oito horas. Posso trafegar pelo castelo sem ter monitores me perseguindo.
Hermione ignorou a indireta e continuou bloqueando a porta. Não era a primeira noite que Lyra saía, e apesar de estar sempre deitada, Hermione sempre conseguia escutar os passos de Lyra passando pela porta. Pela primeira vez, seu sono leve fora útil de alguma forma.
- Lyra, você anda estranha nessas últimas semanas. Sempre distante, não presta atenção nas aulas, saí as escondidas. – Hermione a encarava com um olhar preocupado, mais do que o normal. – O que está havendo? Pode me contar, você sabe disso.
Lyra suspirou. Sabia que a amiga estava certa, aquele relacionamento com Draco ficava cada vez mais complicado. Queria estar sempre junto dele, beijá-lo, até mesmo segurar sua mão, mas só o podia fazer quase se encontravam às escondidas, e na maioria das vezes, à noite. Não conseguia manter-se longe do sonserino, porém, aquilo a estava deixando exausta e afundando seu rendimento escolar. Seria bem mais fácil acabar com aquela brincadeira de esconde-esconde com o resto da escola, abrir o jogo com os outros, especialmente com os amigos.
Ela olhou para a foto perto da cabeceira. Sorria ao lado de Harry. Qualquer decisão que fizesse a respeito de Draco poderia mudar aquela imagem drasticamente. Esse era seu maior medo, abrir-se com o melhor amigo, e ele não compreender.
- Pode confiar, Lyra. – Hermione a guiou para a cama, onde se sentaram uma de frente para a outra. – Você sabe que pode.
É, ela sabia que podia.
- Eu estou saindo com um cara. – disse ela, procurando algo para olhar por todo o quarto, menos os olhos de Hermione. Torcia para que ela não quisesse saber de mais nada, entretanto, a curiosidade feminina conseguia ser uma verdadeira praga.
- Que bom. – sorriu ela. – É bom ver que está seguindo em frente, sem o Thatcher, quero dizer.
- Pois é. – Lyra forçou um breve sorriso.
- Então...
- Então nada. – Lyra deu de ombros. – Já lhe disse o que estava acontecendo, o que está de bom tamanho.
- Tenha dó! Isso eu já imaginava, mas pode ir abrindo o bico. Quem é o indivíduo causador dessa confusão toda? Eu o conheço?
- De vista, provavelmente.
- Bom, já que você está sendo criança, vamos brincar. Fale como ele é e eu tento adivinhar. – Hermione a advertiu quando ia abrir a boca para contradizer. – Ótimo, comece.
Lyra meneou a cabeça. Era a coisa mais fácil do mundo descrever Draco Malfoy, só bastava dizer que o tal indivíduo era um tanto sádico, sagaz, mau-humorado e lacônico. Também sabia ser bastante cruel às vezes. Esse era o Draco Malfoy que os outros conheciam, não o garoto que a beijava docemente ou que com apenas um olhar, dizia tudo o que precisava ouvir. O pequeno detalhe, era sobre qual Draco iria descrever.
- Ele joga quadribol. – isso já entregava bastante.
- Já é algo. De que casa ele é? – Hermione contava nos dedos em voz baixa os jogadores masculinos da escola, por sorte, era a maioria.
- Digamos que ele seja de uma casa não muito bem vista.
Passou-se um momento de silencio quando Hermione arregalou os olhos.
- Não! – exclamou ela, gesticulando nervosamente. – Oh meus Deus! Você está saindo com Draco Malfoy.
Lyra tampou a boca de Hermione e fez sinal para que ela fizesse silencio. Esperou a amiga acalmar um pouco e a soltou.
- Mas como? Eu só lhe dei algumas informações. – perguntou Lyra, pensativa. – Você já viu o tanto de jogador que tem?
- Não seja tola, Lyra. – riu Hermione, com a mão o peito, tentando conter a respiração esbaforida. – Só tinha como ser o Malfoy. Casa não muito bem vista? Sonserina. Jogar de Quadribol? Só o Malfoy e Knox do sétimo ano, e sei como você detesta sair com caras mais novos. Bom, já que você odeia o Knox, só sobra o loiro.
- Droga, Hermione! Às vezes queria que você parecesse mais com os meninos, alienados e lerdos.
- Pois é. – Hermione parecia ainda tentar assimilar a recente informação. Era difícil acreditar que Lyra estivesse saindo com o imbecil do Malfoy. – Sério? O Malfoy?
- E é por isso que eu não queria contar! – Lyra revirou os olhos e levantou-se da cama, querendo sair daquele quarto.
Hermione correu a segurou pelo braço, pouco antes de conseguir atravessar o dormitório.
- Desculpa, mas isso é meio chocante, sabe? Tantos garotos na escola e logo o Malfoy?
- É, logo o Malfoy. – respondeu Lyra irritada. – Não julgue, Hermione. Nem pense nisso.
- Sabe que não faço isso. Mas me responda o porque de ser logo ele?
- E eu lá vou saber? – Lyra passou a mão pelos cabelos, tirando alguns fios do rosto. – Um dia era uma conversa casual, no outro, eu simplesmente queria agarrá-lo.
- Não é somente atração? Algum rápido caso, coisa momentânea? – perguntou à Lyra, torcendo por uma resposta positiva.
- Eu queria que fosse. – suspirou Lyra. As coisas seriam muito mais fáceis se aquilo fosse apenas um rápido caso, mas ela sabia que era muito mais. – Nunca senti o que sinto por ele, nem com Thatcher foi assim. Draco consegue fazer meu coração saltar pela boca, me deixar sem uma resposta cortante quando me confronta, e ainda me faz estremecer com apenas um olhar.
- Você o ama? – Hermione abriu um sorriso sincero, agora estava compreendendo toda a situação. Não foi algo planejado, simplesmente aconteceu.
- É, parece que sim. – Lyra engoliu em seco. Nunca tinha admitido aquilo, nem para si mesma.
- E desde quando isso vem acontecendo? Não foi durante o seu namoro com Thatcher, ou foi?
- Hermione! Tenha dó! Eu nunca trairia Thatcher, qualquer um sabe disso. – disse Lyra, indignada. – E respondendo a pergunta: umas três semanas. Desde a noite do baile, na verdade.
- Droga! Victoria estava certa. Você esteve com alguém naquela noite! – bufou Hermione. – Agora vou ter que fazer duas tarefas dela.
- Hermione! Vocês estavam apostando às minhas custa? Mas que coisa feia. – riu Lyra.
- É, pena. E por último: o que vai fazer agora?
- Neste exato momento, vou me encontrar com Draco. - Lyra deu uma piscadela, e Hermione revirou os olhos. – Ok. Eu não sei ainda. Só você sabe, e o professor Stevens, só.
- E quando você está pensando em comentar com o Harry? – indagou Hermione. Ela sabia que era ali o ponto mais crítico.
- Depois do Natal, espero. Quero que ele saiba da minha boca, e não de fofocas alheiras.
- Só tenha cuidado, ok? – Hermione abraçou Lyra. – Se ficar assim, vai dar bandeira. Muita gente já reparou no seu comportamento. Tente ficar menos desligada.
- Vou tentar. – Lyra correu para porta, mas antes desaparecer no corredor, sorriu agradecida para a amiga. Tinha tirado um grande peso das costas. – Obrigada, Mione. Vai me encobrir dessa vez, certo?
- Claro, fazer o que, não? Agora vá logo, antes que fique tarde. – Hermione fez sinal para que ela sumisse dali, como logo o fez.
Lyra desceu as escadas pulando alguns degraus, precisava sair o quanto antes da sala comunal, antes que alguém a visse e recomeçasse o interrogatório. Porém, alguém lhe chamou a atenção, e ela não pôde fazer nada mais do que se virar.
- Hey! Lyra! – Austin acenou para que ela se aproximasse. – Para que tanta pressa? Se for pegar comida de novo na cozinha, me traga um bolinho, por favor.
Ela revirou os olhos, sorrindo.
- Vou à biblioteca, esqueci um livro lá ontem à tarde. – mentiu Lyra. Fazia séculos que não entrava naquela biblioteca. – O que vocês estão fazendo?
- Eu estou dando uma surra no Austin. – disse Rony, sorridente. – Cara, você é péssimo em xadrez.
- Obrigado pela parte que me toca. – Austin virou para o ruivo apertando os olhos. – Biblioteca? Sério mesmo? Está pegando a doença da Hermione, por acaso?
- Deixe de ser besta, Austin. Vá treinar no xadrez, sim? – ela olhou em volta, mas não havia sinal de Harry, o que era estranho, já que ele sempre estava ali naquele horário. – Onde está Harry?
- Pedi para ele marcar o treino de quadribol, que, aliás, vai ser depois de amanhã, às cinco. – Austin xingou baixinho ao ver que Rony havia conseguido outro cheque-mate. – Ou pode estar numa reunião particular com a capitã da Corvinal, se é que me entende.
Lyra sorriu. Sabia que Harry teria de agüentar aquilo por um longo tempo, constando a última vez que estivera em um relacionamento sério. O pior era que Austin não o deixaria em paz até achar outro pobre ser para encher o saco.
- Você é mau, Austin. – Lyra deu um rápido beijo na bochecha de cada um. – Até depois.
Ela cumprimentou rapidamente alguns conhecidos que passavam com um simples aceno e saiu da sala comunal. Olhou para o relógio, estava quinze minutos atrasada.
Seus passos apressados ecoavam pelo chão de pedra, esse era o único barulho que podia ouvir, além de sua respiração ofegante. Aquele vento de inverno fazia doer nos pulmões a cada puxão de ar. Mas não se importava, precisava falar com Draco sobre a conversa que tivera com Hermione. A amiga estava certa, tinham que ter mais cuidado pois estavam dando muita bandeira.
Ao virar o corredor do quarto andar e descer mais um lance de escada, finalmente pôde ver o rosto pálido de Draco. Ele andava impaciente de um lado para o outro, olhando o relógio. Ao vê-la se aproximar, cruzou os braços, pedindo uma explicação.
- Onde você se meteu? Pensei que tinha sido pega por Filch. – indagou Draco.
- Desculpa, mas não deu para sair antes. – ela deu rápido beijo nos lábio do rapaz. – Hoje não poderemos demorar, ok?
- Está insatisfeita com os meus serviços, senhorita Black? – Draco abriu um sorriso malicioso, abraçando-a. – Porque se for isso, acho que podemos dar um jeito.
Lyra se afastou um pouco, e Draco estranhou. Ela nunca havia se esquivado dele, não durante aquelas três semanas. Havia algo errado.
- Lyra, o que está acontecendo? – perguntou ele, fitando-a.
- Draco, isso está se complicando para o meu lado. – ela pegou na mão dele. Estava gelada. – As pessoas estão começando a desconfiar.
- Pessoas? Você quer dizer o Potter, não? – Draco usara novamente aquele tom sarcástico dele.
- Quer parar? – Lyra o puxou pelo braço. Agora podia encará-lo diretamente nos olhos. – Não estou falando do Harry, poxa! Hermione já sabe.
- O que? – indagou Draco exasperado. – Como assim a sangue-ruim da Granger sabe? Como?
- Draco, respeito. – ela fez sinal para ele se calar. – Ela descobriu praticamente sozinha, apenas contei que era você. E sabe como ela descobriu?
Não houve resposta.
- As saídas à noite, voltando sempre tarde da noite. – continuou. – As pessoas percebem mudanças, Draco. Isso é fato.
- Jura? E por que ninguém da minha casa comentou nada?
- Porque eles são frios demais para perceber qualquer coisa!
- Então quer dizer que eu sou frio também?
- Você sabe que é. – Lyra tocou no rosto de Draco, mas ele continuava com a feição aborrecida. – Essa é uma de suas características mais marcantes, Draco. E eu gosto de você pelo que você é.
Draco bufou. Não tinha argumentos naquele momento, tudo por causa daquela maldita última frase. Ele acariciou a mão dela, fazendo-a abrir um pequeno sorriso.
- Então? O que faremos agora? Desfilamos em praça pública? – e o sarcasmo ele não havia desaparecido.
- Vamos tentar ir com mais calma, ok? Diminuir as saídas à noite.
Ele assentiu, a contra gosto.
- Eu mesma quero contar para os outros que estamos juntos, que meu namorado se chama Draco Mafoy.
- Sinto-me lisonjeado.
- Agora já deu. – Lyra apontou o dedo de forma ameaçadora. – Guarde esse seu mau-humor para seus colegas de quarto.
- Mas sem o meu mau-humor... o que sobra? – perguntou Draco, um tanto galanteador.
- Isso. – Lyra o puxou bruscamente, fazendo-os colidir na parede.
Ele a puxou mais ainda para junto de si, beijando-a com fervura. Não conseguia ficar nem um dia longe daquela boca. Deslizava uma mão pelas costas de Lyra e a outra acariciava os cabelos. Lyra ficara sem reação, na verdade, em todo beijo dele, seus sentidos pereciam desligar, apenas acompanhava-o, afagando seus cabelos.
Não ouviam mais nada, mas quando um alto estardalhaço ecoou pelo corredor, os dois se separam, totalmente ofegantes.
- MAS QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI? – bradou Harry, ao lado de uma Isabelle totalmente surpresa.





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