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6. More Than A Love Song


Fic: Black and White - This Is Just The Beginning - by LyraWhite - AVISO


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 6 – More Than a Love Song
(Mais Do Que Uma Música Romântica)



...



 Augustana - More Than A Love Song



Lá estavam Hermione, Ginny e Victoria à frente dela, esperando, esperançosas, alguma resposta. Era aquela noite, a grande noite do Baile de Máscaras, e Lyra continuava sentada na cama vestindo uma calça jeans velha e uma de suas camisas pólo, ao invés do vestido preto com os sapatos prateados que escolhera um mês atrás.
- Olha, gente, eu simplesmente não quero. – ela respirou fundo fitando o teto. Já fazia horas que elas estavam ali, claro, se arrumando, mas também falando em sua cabeça, embora já tenha tomado a decisão há tempos.
- Ly, sei que ainda está chateada porque o Thatcher foi embora, mas isso já faz um mês. – Hermione afagou seus cabelos carinhosamente. – É hora de deixar para trás.
Claro que era hora de deixar para trás, por mais bonito que fora aquele relacionamento, tanto é que já deixara há algum tempo.
Se perguntassem há um mês atrás o que ela estaria fazendo naquela noite, certamente seria se arrumando como as outras, aos gritinhos de empolgação e comentando sobre o que teria à noite, mas as coisas mudam. E certamente mudaram. Ela simplesmente sentiu vontade de não ir mais, tanto que recusou vários convites de diversos garotos nos últimos dias.
- Mesmo que eu quisesse, não estou pronta, não tenho par. – ela deu de ombros. – Duas boas razões, não?
- Bem. – Ginny retrucou. – Você ainda tem tempo, se for rápida. Segundo vivemos em um mundo moderno, não é mesmo? Qual é o problema de ir sozinha? Eu mesma iria se não fosse pelo Ryan. Dar o cano no pobrezinho é um pecado. – ela deu uma rápida piscadela, fazendo a amiga rir levemente.
Lyra levantou-se da cama, dando a impressão que havia cedido. Mas não, ela foi até a porta, onde a abriu e lançou um olhar para o lado de fora. Havia vozes empolgadas ecoando pelo corredor, algumas conhecidas e outras não, mas eram muitas.
- Vamos, os garotos as esperam. – ela lançou novamente o olhar ao lado de fora. – Eu ficarei bem, agora vão!
As três garotas enfim cederam e começaram a andar em direção à saída. Conheciam Lyra o suficiente para saber que aquele era um ponto final.
Duas foram, Ginny e Hermione, mas não Vicky. Ela parou um passo da porta e encarou Lyra nos olhos. Sempre fazia isso quando estava analisando alguém, e o pior era que sempre acertava.
- Oras, te conheço há tempo suficiente para saber que isso não é por causa de Thatcher Smith. – a ruiva ergueu a sobrancelha, intrigada. – A pergunta é: então seria por causa de quem? É bom que ele tenha um bonito bumbum para valer isso que está fazendo.
- Não inventa, Vi. Não inventa. – ela deu um leve empurrão na amiga, que finalmente estava no corredor agora. – Aproveite bastante.
- Não se preocupe. – ela sorriu. – Eu irei. E você não seja tola. Até mais tarde.
Victoria atravessou o corredor até as escadas, onde desceu e encontrou o irmão esperando-a. Iria acompanhar Harry até que ele encontrasse com Isabelle e ela com o namorado.
- Enfim, paz. – disse ela, para si mesma, sentando-se na cama e abraçando o travesseiro.
Não estava ali por causa de Draco Malfoy, não mesmo. Coisa que não faria era se esconder de um garoto qualquer. Mas o mero detalhe era que ele não era um garoto qualquer, era apenas aquele que ela queria trocar ao menos algumas palavras, coisa que naquele momento iria fazer com ninguém.



Draco e Tristan atravessavam vagarosamente as masmorras. Nenhum dos dois estava muito satisfeito em ir àquele evento, mas também não iriam dar o cano já tendo confirmado com as meninas. A situação de Tristan era melhor, Reese Sedley era uma pessoa muito fácil de conviver, não seria um grande problema para ele aquela noite. Já Draco, teria de agüentar Amanda Ames falando em seu ouvido por um bom tempo. Aquilo fora coisa do seu pai, ele tem parceria em negócios com o pai da Corvinal, e o mandou convidá-la para, como se diz, fazer sala.
- Olhe pelo lado bom: pelo menos ela é bonita. – riu Tristan.
- Aquela voz estridente dela também é linda. – disse ele, sarcástico. – Soube que alguém irá levar firewisky. Isso será bom. Eu realmente vou precisar de uma garrafa esta noite.
- Você tem falado com a Black? – indagou o moreno, aguçando a curiosidade de Draco.
- Não, faz algum tempo. Por mais incrível que pareça, ela não tem se metido em encrencas, nada de detenção. Mas mandei um cartão no aniversário.
- Apenas um cartão? – Tristan ergueu a sobrancelha.
- É, apenas um cartão.
- Você mente muito mal, Malfoy.



- Ainda não sei como você me convenceu a isso. – disse Harry para a irmã ao seu lado. Sim, ele estava nervoso, talvez fosse porque não saía com alguém desde sua última namorada, há quatro meses atrás, mas o fato da garota que acompanharia ser Isabelle Wine também contava. Certo, eles eram amigos, não muito íntimos, e tudo o mais, porém, algo que ele não sabia o que era o deixava extremamente nervoso quando perto da Corvinal.
- Não esquenta, irmãozinho. – ela deu um leve beijo na bochecha do garoto e soltou seu braço, logo seguindo para perto da porta do salão principal. – Acabei de ver Rob. Depois nos falamos.
Avistou um garoto alto, com os cabelos penteados para trás, muito diferente dos dele, trajando vestes negras com alguns pequenos detalhes dourados perto da gravata. Vicky o beijou nos lábios e o puxou para dentro do salão quase sem um pingo de delicadeza. Sim, aquela era sua tão amada irmã mais nova.
Vários casais passavam por ali, a maioria conhecidos. Hermione, acompanhada pelo Corvinal Blake Lamontagne. Foi muito fácil localizar os dois, devido a altura do garoto. Certo, Harry não era uma pessoa muito alta, mas Blake era no mínimo uns quinze centímetros mais alto do que Austin, isso já era muito.
- Olá, Blake. – Harry acenou para o gigante garoto à sua frente, que sorriu de volta. – Ela não vem mesmo, não é?
- Não. – Hermione meneou a cabeça em negativa. - Usei todos os argumentos possíveis e nada. Ela simplesmente não quis vir.
- Será se é por causa do Smith?
- Não sei, Harry. Tente conversar com ela depois, talvez ela lhe conte o que está havendo.
- Certo. – ele sorriu para a menina. – Você está bonita. Se encontrar com Austin lá dentro, diga para ele não começar a festa sem mim.
- Direi.
Hermione sorriu e lançou um olhar para o topo da escada, depois foi para o salão.
Harry puxou o ar profundamente, depois o soltou com uma certa rapidez, fazendo-o tossir. Já se passavam das oito, estava começando a se perguntar o por quê de uma garota como Isabelle aceitar ir com ele. Ele era magricela, não muito alto, com um ar até de desengonçado que era reforçado pela grossa armação dos óculos e seu maior talento era jogar quadribol, nem sabia se tinha outro. Já Isabelle, era uma das garotas mais belas que já conhecera, adorava os olhos dela, era uma das melhores da classe em algumas matérias e sem deixar passar, artilheira e capitã do time de quadribol de sua casa. Será que aquilo foi um erro?
- Isso foi um erro.
- Está me abandonando no altar, senhor Potter?
Quando se virou para as escadas viu quem fizera aquele comentário. Isabelle estampava um pequeno sorriso em seus lábios, mas isso não se comparava em como ela estava bonita. Seu vestido azul num tom muito claro, o que destacava seus olhos, os cabelos levemente presos em uma espécie de coque, mas deixando alguns fios caírem ao lado do rosto.
- Er..er. – Harry perdeu a voz por alguns instantes, depois estendeu a mão para ela. – Está muy bonita está noche, senhorita Wine.
- Obrigada. – ela alargou o sorriso. – Vejo que aprendeu algumas palavras em espanhol. Posso saber o porquê disso?
- Muitos dizem que os maiores conquistadores são os espanhóis e eu acho que me encaixo nesse quadro, compreendeste? – ele começou a caminhar na direção da entrada, acompanhando-a. – Além disso, Nathan vive assistindo novelas trouxas mexicanas e devo admitir que ele está ficando muito bom no espanhol.
- Deixe de papo furado, Don Juan. – ela passou seu braço pelo dele antes de darem o primeiro passo no salão todo decorado. A partir daquele momento, ela pôs sobre o rosto sua máscara azul com prata e Harry, a sua cor de vinho.



Realmente nunca houve uma noite como aquela, não enquanto eles estiveram ali. O salão estava todo decorado, algumas velas laranjas e pretas flutuavam pelas laterais e pelo centro do local. Onde ficava a mesa dos professores estava uma espécie de palco de madeira com cortinas vermelhas, em seu centro, estavam os instrumentos, mas apenas o piano emitia algum som.
As quatro mesas das casas foram tiradas, e substituídas por várias pequenas e redondas ao redor do salão, deixando livre o centro do salão para a dança.
Nas paredes, haviam os quatro animais desenhados em cores nítidas, que se mexiam constantemente e não perdiam seu brilho no escuro. Os garçons eram armaduras enfeitiçadas, que por mais desengonçadas que parecessem, não derrubaram nenhuma bebida. E quanto à comida, bastava apenas o indivíduo se sentar diante o prato vazio, escolher o que desejava comer no cardápio no centro da mesa e dizer em voz alta o seu pedido, que automaticamente ele aparecia à sua frente. Daria muito trabalho colocar as armaduras para servirem a comida também, sem contar que muitos preferiam dançar.
Eram poucos os professores ali presentes. O professor Chase era um deles, ele conversava animadamente com a professora de Poções, senhorita Lennox. Ela estava um tanto diferente do normal, trajava vestes claras, que destacavam ainda mais sua pele branca. O cabelo, que normalmente estava preso num miúdo rabo de cavalo, caía-lhe até os ombros.
O diretor também estava lá, com os óculos de meia lua e as vestes douradas, acompanhado da professora McGonagall. Eram somente aqueles os supervisores e provavelmente mais para o fim da noite, apenas os mais jovens ficariam ali.
Stevens, o velho professor de Trato de Criaturas Mágicas que Lyra tanto gostava, não iria àquele baile nem com suborno. Detestava multidões, só o fato de dar aula já era bastante civilização para ele. Provavelmente estaria tomando chá e jogando conversa fora com Hagrid na cabana do gigante ou dando um passeio pelos jardins.
A música parou e Dumbledore subiu as escadas até o pequeno palco, onde parou no centro e fez sinal para que os alunos se calassem por um momento.
- E aqui estamos nós! – Ele sorriu por trás da longa barba branca. – Mas um belíssimo Baile de Máscaras. Esta noite é de vocês, poderão aproveitá-la até meia noite e depois se encaminharão aos seus dormitórios.
Houve alguns murmúrios de desagrado e ele fez sinal de silencio novamente.
- Mas este ano teremos algo novo. Além do fato de dois de nossos alunos tocarem, a banda The Princely estará conosco esta noite, fazendo com que a noite de você seja melhor ainda. – ele fez sinal com a mão direita e logo pareceram Isabelle e Ryan, seguidos por três integrantes da banda. Os outros dois esperariam os dois garotos acabarem sua apresentação atrás da cortina. – Tenham uma boa festa. – e saiu, depois de apertar a mão dos convidados.
Sentado em uma das mesas, Harry sorria para Isabelle. Ela tinha dado a pouco a convincente desculpa de que iria ao banheiro e agora estava em cima do palco, segurando um violão ou uma guitarra, não tinha muita certeza. Ela parecia estar nervosa, corrigindo, ela estava nervosa. Seu olhar estava um pouco amedrontado e sua pele mais branca do que o normal, também mordia constantemente o lábio inferior enquanto aplicava em si mesma um feitiço de amplificador de voz.
Já Ryan, por mais incrível que pareça, ele se dava muito bem com multidões. Sorria enquanto se ajustava no piano. Parece que era ele quem estava no comando, falava algo com o líder da banda, talvez dando instruções. Isso era incomum para Ryan Davis, um Corvinal quieto e tímido, ao menos era isso que Harry conhecia dele.
- Olá, Hogwarts! – Ian Yorn, o líder da banda, se adiantou um pouco à frente do palco, ficando lado a lado com Isabelle e o baixista, Daniel. Ele sorriu e fez sinal para o baterista, Kevin. Parecia estar tudo pronto. – Gostaria de agradecer em nome da banda inteira. Vai ser ótimo tocar aqui esta noite! A primeira música que tocaremos para abrir esta festa é de total autoria da senhorita Wine e do senhor Davis. Eu gostei, tenho certeza que vocês também irão gostar.
Harry reconheceu na hora àquelas primeiras melodias, era a música que ela tocara na noite em que se encontraram nos jardins. Era exatamente a mesma, apenas com alguns instrumentos seguindo o violão.
Vários casais reuniram em volta da pista e começaram a dançar, os que não foram permaneceram em seus lugares, mas aparentavam estar gostando da música também.
- Então quer dizer que nós sobramos aqui.
- Hey, Ginny. – Harry cumprimentou a ruiva, mas não desviou seu olhar do palco. – É parece que sim. Você sabia disso tudo?
A ruiva sentou-se ao seu lado e pôs-se a fazer o mesmo que o garoto fazia. Observar tudo, mas o que ela não sabia era que ele estava observando apenas uma determinada pessoa.
- Não tinha a menor idéia. Eles esconderam tudo muito bem.
Havia muitos casais ali, alguns combinavam muito bem, mas outros já pareciam completamente estranhos. Um exemplo disso era Reese Sedley acompanhada por Tristan Grey. Certo, eram da mesma casa, mas duas pessoas com personalidades água e vinho. Qualquer um, somente com um olhar, poderia dizer isso.
- Por que a Reese veio com o Grey? – perguntou ele à ruiva.
- Porque ela quis e por Merlin, você é igual ao Ron. – ela maneou a cabeça.
- O que? O que eu disse?
- A primeira coisa que fez foi julgar, não foi? O pequeno detalhe é que ela também pertence à Sonserina, sabe?
- Simplesmente, não gosto. Eles são arrogantes, preconceituosos e acham que são os donos do mundo, menos a Reese, claro.
- Não vou nem discutir. Certo, tem alguns Sonserinos que eu não gosto também, assim como gente da Lufa-Lufa e da Corvinal que eu não suporto. – deu algumas batidinhas nas costa de Harry. – Isso ainda vai te trazer problemas algum dia.
- Certo. – respondeu Harry, não muito convencido.
Pela primeira vez naquela noite, Harry avistou Austin. O loiro parecia estar ocupado, na verdade, bastante ocupado. Ele dançava com uma menina que Harry não conhecia, se conhecia, nunca conversara. A garota repousava o a cabeça no peito, enquanto Austin remexia em seus cachos acaju.
Não iria interromper, afinal, o amigo ficaria possesso. Nunca o tinha visto daquela maneira, ele realmente parecia estar gostando daquilo. Em seu rosto, não estava aquela expressão vitoriosa de costume cada vez que saía com uma garota bonita, mas ele parecia estar feliz. Isso não acontecia fazia algum tempo, desde que levou um fora da vizinha. Ela era trouxa, mas isso não foi nem o motivo da rejeição, foi pelo simples fato dela achar que eles não combinavam. Depois disso, Austin tinha alguns problemas para se manter em um relacionamento mais sério. Talvez sua sorte tivesse mudado.
- Gin, quem é aquela com o Austin? – indagou Harry, ainda observando o casal.
- Essa é Dana Larsson. Eu a conheço só de vista mesmo e se não me engano, ela é do quinto ano da Lufa-Lufa. Por que?
- Nada não. Curiosidade.


Já se passavam das onze quando Lyra descia as escadas da ala leste do castelo trajando um vestido tomara que caia negro, com alguns detalhes azul escuro. Era um vestido simples, que ia até metade da canela. O salto da mesma cor a incomodava um pouco, mas ela não dava muita importância para isso. Iria se divertir naquela noite, mesmo não tendo um par.
Quando virou a esquerda viu uma cena que nunca esperava ver. Uma garrafa quase fazia de firewiskey quase no fim, sofre um degrau da escada. Mas o que realmente a surpreendeu foram os donos dela e o que eles estavam fazendo. Reese beijava arduamente Tristan, que retribuía da mesma forma. Os dois estavam sentados no último degrau da escada e dificilmente alguém iria flagrá-los àquela hora.
- Está divertido aí? – Lyra encarou os dois, sorrindo. - Poderia esperar aquilo de Reese, mas de você, Tristan?
Os dois a encararam sem um pingo de susto, mas sim com cara de pessoas com um alto nível de álcool no sangue.
- Que engraçado. – Reese abriu um sorriso bobo. Tentou se levantar, mas desequilibrou-se e caiu em cima do garoto. – Eu estou vendo duas Lyras.
- Acho que eu vejo três. – riu Tristan. Ele pegou a garrafa quase vazia e tragou mais um gole da bebida. Fez uma careta depois voltou a sorrir novamente. – Bebe mais um gole, às vezes passa.
- Oh, vão arrumar um quarto. – Lyra disse, meneado a cabeça em negativa. Já estava imaginando a ressaca daqueles dois no dia seguinte, mas o mais interessante seria contar para Reese aquela pequena aventura dela, caso ela mesma não descobrisse ou acordar ao lado de Tristan pela manhã. – Uma pequena pergunta: essa não é a primeira garrafa, não é mesmo?
Reese olhou para Tristan, que sacudiu a cabeça, negando. Com muita dificuldade, levantou a mão e mostrando três dedos.
- Meus Deus. – Lyra lançou um rápido olhar no corredor para ver se não vinha ninguém, mas só havia eles ali. – Continuem com o que estavam fazendo, nos vemos amanhã. Espero.
Reese inclinou para beijá-lo, mas Tristan fugiu dos lábios da garota. Ele fez sinal para que ela esperasse. Naquele momento, Lyra pensou que ele fosse pedir ajuda ou alguma coisa do tipo, naquele estado esperava por qualquer coisa.
- Malfoy está nos jardins. – ele abriu um sorrisinho malicioso e voltou a beijar a loira ao seu lado.
- Ok... – Lyra deu alguns passos corredor adentro. – É melhor deixar vocês a sós. Vejo que precisam de privacidade e não quero ficar com essas péssimas imagens me atormentando pelo resto da minha vida.
Ela continuou andando pelo corredor cuidadosamente para não tropeçar. Estava escuro e aquele salto que usava também não ajudava muito. Olhou pela janela, estava começando a nevar. Isso era estranho, geralmente demorava mais algumas semanas. Ela deu de ombros, o mundo estava tão louco naqueles dias.
O que ele estava fazendo lá fora? Lyra se perguntava isso, o que ocasionava todo tipo de respostas, algumas que ela nem queria pensar, como na possibilidade dele estar fazendo o mesmo que Reese e Tristan, com Amanda Ames.
Ela fez um careta só de pensar. Detestava aquela garota, tinha vontade socar aquele rosto de boneca. Era um pensamento um tanto perigoso, ao menos não era só ela que tinha aquilo em mente. Amanda Ames conseguia mais inimigos do que Hitler e Stalin juntos. Ela era muito bonita, tinha os cabelos muito escorridos num tom ruivo claro, os olhos castanhos esverdeados e sem falar no corpo com belas curvas. Só o último detalhe já fazia a metade da população masculina da escola ajoelhar-se aos seus pés num único estalo de dedos. Essas qualidades a tornaram uma pessoa um tanto prepotente e arrogante, sem contar com um péssimo caráter. Lyra sabia do caráter dela quando a garota espalhou um boato sobre ela durante o segundo ano. E digamos que naquela época, Lyra não era a pessoa mais extrovertida da escola, ao contrário, possuía uma profunda timidez que agradecia por ela ter ido embora com o tempo.
Mas o que a deixava intrigada não era o fato dela estar com Draco, mas sim Draco estar com ela. O Sonserino não fazia muito o gênero da garota. Geralmente ela procurava meninos mais bobões, com um grande corpo e uma burra mente. E realmente Draco Malfoy não se encaixava naquele quadro, excerto pelo primeiro atributo.
Não tinha nem idéia do por que se importava com aquilo. Certo, tinha uma pequena queda pelo loiro, mas nada de mais. Ele era apenas uma pequena paixonite.
Balançou a cabeça, tentando tirar aqueles pensamentos da cabeça.
Ainda estava longe do Salão Principal quando começou ouvir a música que a banda tocava. Adorava aquela música, a banda também, mas por algum motivo, não estava tão eufórica como costumava ficar quando sabia que eles estavam por perto. Talvez fosse apenas uma fase, já que ela era o tipo de pessoa que viciava nas coisas muito fácil, mas chega uma hora em que enjoa e deixa de lado. Se for realmente isso que estava acontecendo, nunca pensou que fosse chegar tão cedo ou que fosse acontecer.
Passou pela porta do salão e pôde ver como estava a festa. A decoração era impecável, tinha definitivamente um toque da professora Lennox ali. Não pôde deixar de sorrir quando começou a avistar ao pouco os amigos. Ron, sentado ao lado da garota que acompanhava, conversava animadamente com o par de Hermione, provavelmente sobre quadribol, deixando-a não muito feliz. Apertando os olhos e com um pouco de dificuldade, conseguir ver Austin no fundo beijando uma garota que não lhe era estranha. Um pouco no centro, Harry dançava de forma lenta com Isabelle. Os dois pareciam estar se divertindo, transmitiam até uma certa felicidade para quem olhava.
O que ela não sabia dizer era se aquilo em que o moreno de óculos estava se metendo era amizade ou algo mais. Uma das coisas mais difíceis era identificar o que Harry pensava ou sentia em apenas olhares, como conseguia fazer com um bom número de pessoas. Certo, ela conseguia ler os pensamento do amigo, mas parecia não ser ético, todos precisam de um pouco de privacidade.
Olhou no relógio de prata em seu pulso. Eram os quarenta minutos finais daquele baile e por alguma razão, Lyra não sentia nenhum peso por ter perdido aquilo. Passou um rápido olhar pelo salão novamente, só havia dois professores monitorando, Lennox e Chase. Eles conversavam entre si, mas a maneira com que o faziam trazia algumas dúvidas. Chase olhava para os lados antes de abrir a boca para dizer algo, e Lennox apenas ouvia, observando tudo à sua volta.


- É, parece estar tudo bem até agora. – comentou Lennox. – Tem certeza que estão todos aqui?
- Já disse que estão. Os que não estão, provavelmente estão fazendo algo melhor em algum canto escuro do castelo. – ele abriu um sorriso maliciosos, fazendo com que a colega de trabalho lhe desse um pequeno tapa no braço. – O que? Eles são garotos, Anne.
- Isso não justifica o fato de irresponsabilidade, Nicholas. – disse ela, encarando-o com o semblante sério. – Não estamos em tempos para cometer desvios, nem eles.
- Você fala como se fosse o maior crime do mundo. – ele sorriu. - Se fosse assim, eu já devia estar trancafiado em Azkaban.
Ela meneou a cabeça. Eram poucas vezes que Nicholas Chase se descontraia, mas essas vezes podiam ser longas e desconfortáveis.
- Quantas taças exatamente você tomou de vinho antes de vir para cá? – ela ergueu a sobrancelha direita, tentando intimidá-lo.
- Várias. Para agüentar esse rock ruim foram várias taças. – Chase fez uma careta. Detestava aquela barulheira toda, preferia algo mais calmo naquele momento. Está até feliz no início da festa, com apenas o som do piano, mas agora aquela bateria e guitarra estava deixando-o louco.
- Ora. – ela deu de ombros. – Você devia ir se acostumando, sabe? Daqui a pouco sua filha vai começar a gostar dessas coisas. Ah, e provavelmente irá amar o que muitos alunos estão fazendo em algum canto escuro e escondido.
Chase a olhou de viés. Não queria nem pensar naquilo, mas era difícil. Via a menina poucas vezes no ano e cada vez que isso acontecia, ela parecia estar maior e mais diferente. Um dia gostava de algo, no outro já não gostava mais. Às vezes, as mudanças chegam mais rápido do que ele desejava.
- Você é má, sabia? – ele virou a cara. – Kathy só irá saber dessas coisas aos trinta. Você podia me emprestar uma das salas das masmorras para eu trancá-la quando ela for adolescente. Não se preocupe, eu devolvo a chave, mesmo que demore uns quinze anos PI vinte anos.
Não pôde deixar de rir do comentário de Chase. Ele realmente teria problemas daqui a alguns anos com aquele ciúme todo.
- Não serei cúmplice disso. – ela olhava um grupo de garotos sentados em uma das mesas. – Chase, é melhor você olhar o que está havendo ali. Eles trouxeram alguma coisa para cá.
O loiro lançou um rápido olhar para o tal grupo. De uma certa maneira, eles pareciam um tanto alegres demais, mais do que o normal.
- Por que sou eu quem tem de ir? – ele indagou, cruzando os braços. – O problema vai ser deles quando a ressaca bater à porta de manhã cedo. É uma boa lição para o resto da vida.
- Exatamente. Engraçado Dumbledore não ter pensado nisso quando nos mandou ficar de olho nos alunos. – disse ela com uma pontinha de sarcasmo. – É tão mais fácil deixá-los simplesmente tacar o terror na escola.
- Falando em Dumbledore. – ele moveu seu corpo, deixando de se apoiar na parede. – E quanto a próxima reunião da Ordem? Já tem data? Preciso falar com Sirius.
- Deve ser semana que vem, perto da data de chagada do pessoal da LOOP. – respondeu Lennox. – Por que você precisa falar com ele? Algo errado com a garota?
- Isso que eu queria ver. – ele tentava localizar a garota ali, mas não a via desde ontem, na aula. – Ela parece estar distante, distraída. E nessa altura do campeonato, qualquer coisa fora do comum significa algo.
- Não seja tolo. – riu Lennox. Também vinha observando Lyra há algum tempo. Ela não era a melhor aluna em Poções, mas certamente havia algo por trás dessa mudança de comportamento. Fazia algum tempo que não explodia nenhum caldeirão, deixava Grey fazer o trabalho. Ela não arruinava nada, porém parecia não aprender também. – É capaz dela ter alguma queda por alguém ou é a falta do garoto Smith.
- É, você deve ter razão. Mas os pais que eu preciso conversar mesmo são os da Wine. – ele olhou para Isabelle, que dançava com Harry. – Ela está começando a se desenvolver magicamente, e pode ser perigoso. Semana passada, tenho certeza que ela fez algo sem a varinha, talvez um feitiço muito primário, mas é sem a varinha. Fora o fato de ela estar ficando cada vez melhor nos duelos. Essa menina vai longe.
- Isso você tem que falar para Christopher e Anabeth. – disse Lennox, ficando séria. – Ninguém de fora pode saber disso.
- Absolutamente ninguém. – ele voltou a repousar as costas na parede lentamente.
- Chase! – ela deu pequenas empurras para que ele se mexesse, o que realmente aconteceu e de forma rápida. – Você está me enrolando!
Chase lançou um olhar como se o que fosse fazer fosse um verdadeiro martírio. Tinha que ficar de olhos naqueles garotos todos os dias de aula, em um momento cansa, ainda mais sabendo que uma bronca entrariam por um ouvido e sairia pelo outro.
O professor passou rapidamente por Harry e Isabelle, dando rápido aceno com a cabeça. Harry riu ao ver a cena, o professor quase puxando a orelha de um garoto, ate que este lhe entregou um pequeno vidrinho. Provavelmente iria colocar na bebida de alguém.
- Tenho uma pergunta. – encarou Isabelle, risonho.
- É um país livre. Manda.
- Você tem empresário, ou algo assim?
- Empresário? – ela fez uma cara pensativa. – Não, não tenho. A vaga está sobrando.
- Bom saber. – ele sorriu. - Porque depois de hoje, você se tornou a celebridade da escola. Isso é bom, sabe? Eu arranjo os shows, você toca e fica uma porcentagem de sessenta por cento para mim e quarenta para você.
- Que reconfortante. Isso é exploração, sabia?
- Perfeitamente. – Harry abriu um sorriso maroto.
Fazia um bom tempo que não passava um tempo tão bom com Harry. Ele era um bom amigo, sempre foi. Nunca tiveram problemas para relacionar, desde pequenos, mas coisas mudaram depois que entraram em Hogwarts. As amizades mudaram. Mas talvez a situação mude um pouco, pelo menos era isso que Isabelle esperava.
- Uma coisa que eu ia me esquecendo de falar. – ela ficou séria de repente. Aquele não era assunto para se tratar ali, mas não tinha como esperar mais. – Parece que minha irmã, Violet descobriu algo novo, e tem haver com a escola. Ela não detalhou muito na carta, mas quer ter um encontro conosco em breve. Você está dentro?
- Claro. – Harry respondeu sem vacilar. Aquela história ainda o deixava intrigado, e nunca mais recebera nenhuma carta de Julian mandando notícias. Estava começando a ficar preocupado, o amigo nunca passou tanto tempo sem mandar notícias. – Quando?
- Breve. – respondeu, concisa.


Depois que deu uma rápida passada pela festa, Lyra rumou para o lado de fora. Não chegara a entrar no salão, apenas queria ver o que estava acontecendo, como os amigos estavam se saindo. Agora, naquele exato momento, ela se encontrava sentada observando o céu, apesar de não conseguir ver muita coisa devido à neve que teimava a cair.
Sim, estava com frio, muito frio, mas ali parecia o melhor lugar para ficar naquela noite. Era quieto, mas ainda podia ouvir perfeitamente a música vindo de dentro do castelo. Ao menos, passar frio ali era melhor do que ficar se lamentando no quarto.
Por um momento, ela pensou ouvir algo mais do que o som da bateria. Algo familiar, e realmente era. Quando se virou, sorriu ao ver quem era.
- Você tem certeza que vai continuar aqui fora, virando picolé? – o professor Stevens sorriu e se aproximou mais. – Vamos, dê um espaço para esse velho aqui sentar.
Ela se moveu para a beirada do banco, não se importando que aquele movimento fizera molhar ainda mais seu vestido. Já estava bastante sujo de neve mesmo, o que viesse a partir de agora não teria importância. Além do mais, feitiços de limpeza fazem milagres em roupas de festa.
- O que faz aqui fora, menina? Deveria estar lá dentro fazendo o que os outros estão fazendo. – ele depositou sua capa sobre as costas da garota. Não queria que ela ficasse doente, e se continuasse ali, com as costas nuas lutando contra o frio, com certeza iria parar na Ala Hospitalar na manhã seguinte.
- Não estou com muita vontade de ficar lá dentro. Não hoje. – ela abriu um leve sorriso forçado. – Então, o que vamos fazer essa semana? Algum animal raro?
- Oras, por Merlin, Lyra. – ele meneou a cabeça. – Deixe essas coisas de aula para lá! Ainda não me conformo de você estar perdendo uma festa como aquela para ficar do lado de fora, com frio e acompanhada por um velho doido com eu.
- O senhor não é um velho doido. – Lyra sorriu. – É o melhor professor que eu já tive.
- Não vem com essa, mocinha. – brincou Stevens. – Elogios não vão colar para passar de ano.
- Pelo menos eu tentei.
Ele se levantou e estendeu a mão para ela, que negou com a cabeça. Iria permanecer ali por mais algum tempo. Tirou o casaco das cotas e entregou à ele.
- Tem certeza que não vem? Deve ter alguma coisa quente para beber no meu escritório.
- Obrigada, mas vou ficar por aqui mesmo. Não vou demorar.
- Você é quem sabe. – ele começou a andar na direção da entrada principal. – Depois não diga que eu avisei quando estiver gripada. Você e o Malfoy. Enquanto o resto da escola estará de ressaca da festa, vocês dois estarão gripados.
- Malfoy?
- Sim, ele estava perambulando pelos jardins agorinha mesmo. Às vezes vocês se encontram. Boa noite.
Lyra disse boa noite também, mas ele já estava muito longe para ouvir alguma coisa. Agora só restava ela ali.
Conseguia ouvir algumas vozes animadas vindo de dentro, provavelmente os alunos já estavam começando a se dirigir para seus dormitórios. Não era para menos, eram quase meia noite, mas ainda lhe restavam mais alguns minutos.
Já estava começando a imaginar uma desculpa para dar, já que estava vestida com o vestido do baile e tudo o mais, entretanto, ela não dera nem sinal no salão. Já sabia que teria de ser algo bom, pois sabia que Victoria não lhe deixaria em paz. E o pior, ela tem o dom de saber quando as pessoas estão mentido, então, teria se fazer uma encenação bastante convincente.
- O que você está fazendo aqui? – falou alguém atrás dela, tocando seu ombro.
Lyra acabou se assustando. Estava tão longe em seus pensamentos que nem percebera sua presença. Ela virou e deu de cara com um loiro muito pálido.
- Olá, Draco. – ela o cumprimentou, sem levantar. – A pergunta é: o que você está fazendo aqui, ainda mais sozinho? Não deveria estar com a Ames?
- Anda. Chega para lá. – ele fez sinal para ela dar espaço para que sentasse no banco também. Ele abriu um sorriso maldoso, lembrando do que aconteceu com a acompanhante. – De acordo com ela, eu sou um péssimo par, além de ser rude e mal-educado. Ah, sem esquecer que ainda sou uma pessoa intragável e estou condenado em viver na solidão profunda.
Lyra deixou escapar uma leve risada. Draco não era nada seu, mas estava satisfeita das coisas terem acabado daquela maneira entre ele e a Corvinal. Ela já conhecia a fama de Ames, que não era muito boa.
- E o que exatamente você fez para ela chegar nessa amável conclusão? – Lyra o encarou, tentando se manter séria.
- Bem. – ele gesticulou com os dedos, como se estivesse contando. – Eu dei algumas cortadas nela, e ela merecia. Por Merlin! Ela fala mais do que você, o que é muito! Acredite.
- Não, não falo. – ela pensava rapidamente em alguns argumentos. – Apenas falo quando é necessário, ou seja, sempre.
Passaram alguns minutos em silencio. Era estranho aquilo, em raras ocasiões ficava sem assunto para conversar com Draco. Sempre arrumava algo, por mais bobo que seja, mas não hoje. Naquela noite, ficar ali em silencio ao seu lado já era o bastante.
Ele virou-se para ela e passou a observá-la com mais atenção. Nunca a tinha visto tão bela antes, a roupa caia-lhe perfeitamente e os cabelos estavam diferentes, não era o costumeiro rabo de cavalo ou o liso escorrido, continha leves ondas, não cachos, apenas ondas. A pele branca contrastava com os cabelos negros e a cor do vestido, fora os flocos que caía-lhe sobre seu colo e cabeça. Realmente aquele era o efeito preto e branco, a única coisa que se diferenciava ali eram os olhos azuis dela.
Mas o que mais o deixou intrigado era o olhar dela. Estava distante e parecia conter um pouco de preocupação. Coisa que Lyra Black não fazia era se preocupar com nada no mundo, só se a situação estivesse realmente ruim ela se dedicava um pouco mais à esta.
Seus lábios estavam começando a ficar arroxeados, o que fez Draco despir o sobretudo e posar sobre as costas dela.
- Então, você não me respondeu o que veio fazer aqui. – perguntou novamente, enquanto ajustava o casaco que teimava a deslizar pelas costas dela.
- É um bom lugar para pensar.
- Claro. – Draco riu, irônico. – É bem melhor ficar aqui do lado de fora pegando um resfriado do que ficar lá dentro com a banda famosa.
- Você fala como se fosse só eu que estivesse errada. – ela lançou-lhe um olhar de viés. – Afinal, você também está, não está?
- Não tente tirar o corpo fora. – riu ele.
- Não estou tirando o corpo fora, apenas estou levando um companheiro para dentro do buraco. – Lyra falou com simplicidade. – O Tristan é fraco para bebida?
- Creio que não. Por que a pergunta?
- Então quer dizer que ele estava dando um amasso na Reese conscientemente? – Lyra queria ver era o que Reese contaria na manhã seguinte sobre como interessante foi sua noite.
- Sem comentários. – ele meneou a cabeça. – Você adora fofocar, nunca vi!
Mas era claro que ela adorava uma boa fofoca, se não fossem as fofocas, a escola seria um lugar muito sério, parado. Fofocas resultavam em confusões, e como ela adorava aquilo. Tentava ao máximo não se meter, mas isso era um pouco difícil já que detestava ser contrariada, ainda mais quando seu lado da história não era aceito.
- Certamente e pelo visto você também. – ela apontou o dedo indicador para o garoto, como se tivesse acabado de pegá-lo no flagra. – Não sou eu quem sempre fala sobre como o capitão da Lufa-Lufa é ruim e há a possibilidade dele usar anfetaminas.
- Eu não tenho culpa se é a verdade.
Draco começou a sentir a ponta de seus dedos formigarem, provavelmente estavam ficando dormentes por causa do frio. Ele se arrepiava um pouco a cada vento forte que batia em seu rosto, mas não iria pedir seu sobretudo de volta, ela precisava mais do que ele. Sabia o quanto a garota era friorenta, e isso o fazia questionar os motivos dela estar ali fora.
Ficar ali sentado o estava deixando agoniado, mas era bom estar na presença dela. Nunca foi muito chegado aos outros alunos, o máximo que acontecia era algumas conversas com Tristan ou trocas de interesse com colegas de casa. Entretanto, com Lyra era diferente. Ela sabia o que falar no exato momento em que estavam juntos, mesmo que por um período muito curto. E fora o fato dela sempre dar um certo humor à conversa. Ela era uma boa companhia.
Alguns minutos se passaram e aquele silencio parecia que nunca iria acabar. Ele mexia com os dedos, tentando fazer o formigamento passar, porem não havia nenhuma melhora. Até que percebeu que não iria cessar se continuasse ali, essa era a bendita praga genética que herdara do pai: uma péssima circulação.
Levantou-se e sentiu-se bem melhor. Olhou para Lyra, ela continuava a fitar o horizonte negro ou algo parecido. Estava tão pensativa que nem percebera que ele se erguera.
- Ei. – vendo que ela não escutara, estalou os dedos perto do ouvido direito, fazendo-a acordar do transe. – Ei! Levante daí e vamos dar uma volta.
Lyra olhou para o loiro e sorriu, depois negou com a cabeça, apontado para os pés.
- Seria até bom, mas eu passo. Não vou conseguir andar nem meio metro com isso. Deixa para outro dia.
Draco tirou a varinha de dentro do bolso e apontou para os pés dela, mas quando ia pronunciar o feitiço, Lyra o interrompeu.
- Se me deixar manca, eu te mato, ouviu? – ameaçou Lyra, brincando.
- Está me chamando de vesgo? – ele fez um pequeno movimento com a varinha. – Nem pense em responder. Trasformate!
Logo, as sandálias pretas se transformaram em botas da mesma cor. Não havia mais desculpa para Lyra não ir com ele.
- Nossa, você realmente vai ter que me ensinar esse feitiço. – riu Lyra pegando na mão que ele havia estendido para ajudá-la a levantar. – Obrigada.
- De maneia alguma! Esse feitiço na mão de mulher é perigoso. Vamos?
Ela assentiu com a cabeça e começou a seguir as largas passadas de Draco.
- Então? Para onde vamos? – indagou. Agora conseguia acompanhá-lo, Draco diminuiu as passadas.
- Não sei. – ele virou-se para ela. – Vamos apenas dar uma volta
Os dois caminhavam silenciosos. Lyra ainda sentia frio, mas ainda não queria voltar para dentro e enfrentar um interrogatório. Lá estava bom, apesar de quase não trocarem palavras, estava gostado de ficar ali com Draco. Sentia seu coração acelerar a cada olhar que ele lhe lançava, por mais insignificante que era. Era boa aquela sensação de estar perto dele, mas não queria sentir aquilo, ainda achava que era muito cedo para partir para a próxima página. Isso significaria que estava esquecendo Thatcher, coisa que não queria. Durante o namoro, ele sempre foi alguém tão atencioso e amável, sempre sabia o que dizer e fazer. Ele não merecia ser esquecido, embora o próprio Thatcher tenha falado para ela seguir em frente.
Quando já estavam um pouco próximos do lago, Lyra sentiu uma pontada na batata da perna. Deu um passo em falso, quase caindo se Draco não a tivesse segurado.
- O que houve? – ele perguntou, fazendo-a apoiar-se em seu ombro.
- Acho que foi uma cãibra. – disse ela entre pequenos gemidos de dor. – Você sabe algum feitiço para acabar logo com essa maldita dor?
- Deixe-me dar uma olhada. – Draco ajoelhou-se na neve, molhando um pouco a calça, mas não dava importância para isso.
Lyra apoiava-se sobre um pé, tentando se equilibrar. Realmente estava doendo, detestava quando aquilo acontecia.
Ela sentiu um arrepio quando a mão gelada do garoto entrou em contado com sua pele. Ele tocava delicadamente e logo pronunciou algumas palavras que quase não conseguia ouvir devido os ruídos do vento. Um raio alaranjado saiu da varinha dele e em pouco segundos, uma sensação de alívio substituía a dor na perna.
Pensou que ele já tinha acabo o serviço, mas não. Draco apertou o local mais uma vez, porém, com um pouco mais de força, fazendo cócegas nela. Essa pequena sensação foi o bastante para fazer Lyra desequilibrar-se e, por mais que tentasse se segurar acabou caindo e levando Draco junto, já que era nas veste dele que se segurava.
- Quanta coordenação. – disse Draco, irônico, mas ainda sem se levantar.
- Culpa sua. Se você não tivesse dado esse último apertão, eu não teria caído. – ela o encarou, fazendo seus rostos ficarem próximos.
- Não seja ingrata. – ele desviou o olhar, agora mirando os pequenos flocos que caiam sobre ele. – Como você consegue ser do time de quadribol? – brincou. Sabia que ela era uma das melhores batedoras, já foram muitas vezes que desviara por pouco de seus balaços.
- Oh, cala boca. – Lyra se levantou e batia a mão em alguns lugares do corpo, para tirar a neve. Depois estendeu a mão para ajudar Draco a levantar. – Você está perdido no próximo jogo, Senhor Malfoy.
Draco não pôde deixar de sorrir. Realmente consideraria aquele aviso, não iria acabar com quase uma fratura como da última vez que jogaram juntos. Ela tinha uma força dos diabos, apesar de não parecer muito.
Ele pegou a mão da garota e levantou-se do chão também, quase fazendo com que caíssem novamente, já que era maior que ela.
- Não acha melhor entrarmos? – perguntou ele, olhando para o castelo.
- Certeza? – Lyra fez um pequeno beiço, como crianças fazem quando não querem verdura para o almoço. – Ficar aqui fora está tão ruim?
- Deixe-me pensar. – ele pôs a mão no queixo, fazendo uma pose de pensador, o que arrancou alguns risos dela. – Bem, está um frio do cão, se você não percebeu.
Draco estava certo. Fazia muito frio, nem ela sabia como conseguiu ficar todo aquele tempo ali fora, já que com qualquer chuvinha ela já pegava um cobertor extra na hora de dormir. Mas parecia que faltava algo, só não sabia o que era.
- Então, - ela se aproximou dele, deixando seus corpos muitos próximos novamente. – O que me diz de uma última dança?
Draco olhou para ao redor, quase não conseguia ouvir a música que vinha de dentro do castelo.
- Sem música mesmo? – ele ergueu a sobrancelha.
- Use a pouca imaginação que possui, Draco. – Lyra deu mais um passo e depositou sua mão sobre o ombro dele.
Draco assentiu e segurou a mão dela, trazendo-a para junto de si. Agora sim eles estavam próximo, Lyra conseguia escutar a respiração dele, com muita atenção até o coração acelerado. Ele parecia estar nervoso, coisa que não se via todos os dias.
Era bom estar ali com ele, junto daquele loiro que ela teimava em não aceitar. Sentia-se de uma certa maneira protegida, Draco conseguia transmitir uma sensação de que tudo estava bem. Agora, ali tão perto, essa sensação parecia ter triplicado.
Ela mexia na rosa branca pregada no bolso do paletó, era igual a que ele havia lhe dado de aniversário.
- A propósito. – ela começou, sem tirar a cabeça do ombro dele. – Obrigada pela rosa. Não tive a chance de agradecer antes.
- Não há de que.
- Como você sabia que era meu aniversário? – ela perguntou intrigada. Só agora que viera aquela pergunta em sua mente.
- Não sei, apenas parecia que você estava mais madura naquele dia.
Draco dizer que ela estava madura, isto era um elogio. Geralmente ele se irritava com suas brincadeiras e falava para ela crescer.
Mas tinha algo errado. Eles não se encontraram naquele dia, então, como ele poderia dizer algo assim? E não era Adivinhação, pois ele era péssimo naquela matéria, sempre foi.
- Mentiroso. – Lyra sorriu, depois fez um pequeno beiço nos lábios.
O garoto riu. Era claro que ele estava mentindo, só queria ver a reação dela. Reese havia comentado que seria aniversário dela, o que lhe veio a mente a idéia da flor. Sempre soube o quanto Lyra gostava de rosas, para ser mais específico, desde que ele escutou o comentário dela após receber do antigo uma foto de um jardim onde só havia rosas. Após esse fato, conseguia comprovar a sua teoria de que as pessoas poderiam conhecer umas as outras sem trocarem informações entre si.
- Sedley falou algo do gênero naquele dia. – Explicou Draco.
- E posso saber o porquê de tal feito? – perguntou Lyra, querendo saber até onde aquilo iria.
- Porque ela tem uma boca muito grande. Só isso.
- Não se faça de tolo, Draco. – ela ajustou a cabeça até onde poderia encará-lo nos olhos. – Você não me engana, loiro.
O motivo? O motivo era o de sempre. De alguma maneira, se importava com aquela Grifinória e não era somente pelos pais terem algum grau de parentesco, era algo maior. Não tivera uma boa primeira impressão quando crianças, mas depois que vieram para Hogwarts, as coisas pareciam ter mudado. Desde a primeira vez que lhe aplicara uma detenção, as coisas tinham mudado; desde o primeiro passeio pelos jardins juntos.
- Você sabe ser muito impertinente quando quer, Lyra. – ele respondeu num tom um tanto seco. Não iria dar o braço a torcer e dizer o que pensava naquele momento.
- Sim, eu sei. Mas você anda não respondeu a minha pergunta. – ela não tirava o olhar dos olhos cinzentos dele. Aquela era uma maneira que arranjara para fazê-lo contar a verdade. Draco nunca mentia para ela quando estava encarando-o nos olhos.
- Preciso ter um motivo para ser educado? – mentiu ele. Agora sim dissera uma boa mentira.
- Você não é educado. – Lyra parou a dança, escapando sua mão da dele. Ergueu a mão até o rosto branco de Draco o tocou com a ponta dos dedos gelados, atraindo a atenção dele. – Você é grosso com os nascidos trouxas, maltrata os mais novos, discute com as pessoas da sua casa e das outras, especialmente a Grifinória. Não, Draco, você não é uma pessoa muito educada. – embora ela gostasse dele.
Draco bufou. Como ela era mimada, ficava atormentando-o quando não conseguia as respostas que queria. Ele sorriu. Ela realmente era uma Black.
- Você quer saber? – afastou a franja dos seus olhos, para ter total visão do rosto curioso de Lyra. – Porque você é minha prima, oras. Sangue do mesmo sangue.
Ela estava na expectativa de que ele fosse falar outra coisa, mas ele estava mentindo. Riu ao perceber isso. Toda vez que Draco mentia, ele parecia engolir um pouco de saliva. Era sempre assim, sua feição não mudava em nada, tampouco seu olhar, mas aquele movimento com a garganta o entregava.
- Certo, então. – ela suspirou e recostou-se novamente nele. Queria sentir aquele calor vindo do corpo dele novamente.
Draco sabia que ela não acreditara no que acabara de dizer, mas ele tentava loucamente botar em sua cabeça que aquela era a pura e absoluta verdade, apesar de não estar funcionando muito bem.
Os dois ficaram em silencio, os únicos barulhos eram os ruídos do vento e o som dos sapatos pisando na neve. E esse silencio a estava deixando louca.
Lyra estava cansada de ficar ali, esperando que ele fizesse algo. Queria mais do que recostar naquele ombro duro, mas ao mesmo tempo, aconchegante, precisava de algo mais naquele momento. E isso a fez dar o primeiro passo.
Desviou a mão que estava sobre o ombro dele e subiu até o rosto, fazendo a mesma coisa de antes para chamar sua atenção. Quando ele olhou para baixo, ela o beijou.
Foi uma sensação diferente encontrar-se com aqueles lábios finos e gelados, mas fora algo que ela parecia querer fazer a algum tempo.
Ele não esperava por aquilo. Assustou-se um pouco com aquela iniciativa, mas também não queria que aquele beijo acabasse. Ele aprofundou o beijo, estava tomando conta da situação agora, enquanto Lyra afagava seus cabelos.
Quando ela finalmente se separou, ambos estavam ofegantes, mas não desviavam o olhar.
- O que exatamente foi isso, garota? – ele tentava se recompor.
- Não sei. – mentiu, era claro que sabia o que estava fazendo. – Deve ser a música.
Draco apenas riu.
- Acredite. – ele tocou-lhe no pescoço, causando alguns arrepios nela. – Isso é mais do que uma música romântica.



Acredito que escrevemos nossas próprias histórias. Mas a cada vez que achamos que sabemos o final, nos enganamos e descobrimos que não podemos saber tudo, então, uma vez que deixemos as coisas acontecerem, o que tiver que ser, será. – Autor desconhecido


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