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4. Goodnight


Fic: Black and White - This Is Just The Beginning - by LyraWhite - AVISO


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 4 – Goodnight

Boa Noite



Cap 4



La Rocca - Goodnight



Era início de outubro, e lá estava ele, Austin, andando de um lado para o outro do lado de fora da sala de Dumbledore. Eles estavam lá dentro há algum tempo, e o pior era que a cada minuto que passava, sentia um nó no estômago. Por mais persuasivo que Dumbledore fosse, seus pais, em especial a mãe, conseguiam ser mais.
Era noite, quase onze, na verdade. Preferiu estar sozinho naquela hora, nem chegou a avisar os amigos da visita dos pais à escola. Eles o olhariam com aquele olhar de pena que conhecia, e não queria que fosse daquele jeito. Já estava conformado, além do mais, seria menos de um ano na França.
De repente, ouviu um barulho de cadeiras se arrastando no chão. Chegou a hora de saber o veredicto, mesmo que este não lhe agradasse.
A porta se abriu e as três pessoas apareceram. Sua mãe aparentava uma certa irritação, de certo aquela recusa dele e a insistência de deixá-lo causaram-na uma exasperação tremenda. Seu pai já não aparentava nada de diferente, sempre foi assim, sua mãe gostava do controle, tanto do rapaz quanto do marido, apesar de não conseguir sempre isso vindo do segundo. E por fim Dumbledore, em seu semblante aparecia um minúsculo sorriso. Austin reconhecia aquilo: era sinal de fracasso.
- Austin, vá arrumar suas coisas. – disse a mãe num tom autoritário. – Partiremos ainda esta manhã.
O pai apenas concordou com a cabeça.
- Você tem certeza que quer fazer isso, Regina? – indagou Dumbledore, que agora estava ao lado de Austin. – Essa mudança repentina pode afetá-lo de muitas maneiras, em especial nas acadêmicas, conforme já falamos anteriormente.
- Dumbledore, tenho a mais absoluta certeza do que estou fazendo. – a mulher o encarou de forma desafiadora, embora não fez nenhum efeito no diretor. – Não quero filho meu vivendo nesse caos, convivendo com delinqüentes que possam levá-lo para o caminho errado.
- Minha cara, o que está acontecendo aqui na Inglaterra está infestando o mundo inteiro. A França está lidando com os mesmos problemas que nós, a diferença é que o início de tudo foi aqui. – disse Dumbledore, repetindo mais uma vez o que falara há poucos minutos, dentro do escritório.
- Não irei voltar atrás. – Regina apertou o olhar, já estava começando a ficar sem paciência. Virou-se novamente para o filho e fez sinal para ele a obedecesse. – Vamos, querido, não demore. Temos de voltar à Londres logo.
Austin lançou mais um olhar de desespero à Dumbledore, mas este apenas sorriu. O garoto ficou se perguntando se o diretor estava enlouquecendo, a situação era série e ele apenas sorria. Pôs-se a andar na direção da torre, sabia que não adiantaria discutir com os pais, aquela decisão já estava tomada.
Desacelerou o passo quando percebeu que os pais ou Dumbledore podiam vê-lo. Era difícil assimilar aquela idéia de que não iria forma-se ali, com os amigos que o acompanharam durante longos anos, que talvez fossem mais sua família do que os próprios pais. Passava mais tempo naquela escola do que em casa, então, aquele castelo acabou virando seu lar há muito tempo.
Caminhava bastante disperso, queria relembrar os bons momentos que passou ali. Sua cabeça estava tão longe que nem prestou atenção quando virou em um corredor, e colidiu com alguém. Era alguém conhecido, com uma cabeleira loira e segurava alguns livros debaixo do braço.
- Você está bem, garoto? – perguntou Nicholas Chase. Ele percebeu o quão disperso estava o aluno, e o conhecia muito bem para saber que isso não era costumeiro.
- Estou, sim, professor. – Austin ia recomeçar a andar quando o homem o segurou pelo ombro.
- Eu já ouvi mentiras melhores suas quando tentava me enrolar sobre os deveres. – ele sentou-se na escada e fez sinal para Austin fazer o mesmo. – Primeiro, que diabos você estava fazendo aqui, perambulando a está hora da noite?
- Meus pais estavam em reunião com Dumbledore. Aí, me mandaram arrumar minhas coisas. – Austin abaixou a cabeça e começou a fitar os degraus da escada.
- Posso até ver a sua animação quanto a isso. – comentou o professor, enquanto observava o semblante de Austin. – Para onde vai, então?
- França. – Austin suspirou. – Decisão deles.
- E você quer isso com eles? – indagou Nicholas, como se já não soubesse a resposta.
Austin nada disse, levantou um pouco a cabeça até seu olhar ficar à vista. Não precisou dizer absolutamente nada para Nicholas entender o que estava se passando.
- Garoto, eu te conhece já faz um tempo. Você não é assim aqui na escola, então, por que tem de agir dessa maneira na presença dos seus pais?
- Porque eu tenho medo, droga! – Austin ficou de pé novamente, e virou-se para a parede, deixando apenas suas costa à visto do outro. Ele sabia como era difícil enfrentar aos pais, e sabia também que era mais difícil ainda admitir aquilo para alguém. Não queria ser chamado de fraco.
- Eu também tenho medo de várias coisas, sabe? – Nicholas continuou sentado, estava difícil ficar de pé quando tinha a perna mordida por um dos bichos de Hagrid. – Quando eu era menino, meu irmão e eu pegamos a varinha de papai e fomos brincar no porão. O que não imaginávamos era que lá embaixo tinha um bicho-papão e quando ele apareceu, Carter correu para saída e me deixou para trás, eu e a varinha.
- E no que exatamente ele se transformou? – Austin sempre quis saber o que Nicholas temia. Ele sempre mexia com todo tipo de criatura, magia das trevas, entre outras coisas, e quase nunca hesitava.
- Você vai rir. – ele passou a mão nos cabelos, deixando-os um pouco mais arrepiados do que o normal. – O bicho-papão virou um grande sapo, mas muito grande mesmo.
E realmente Austin riu. Ele imaginava um dragão, ou troll, mas nunca um sapo.
- Pois é, e como eu morria de medo de sapos. Por um momento eu pensei, tinha duas saídas: deixar o sapo me comer ou dar um jeito naquilo tudo. – ele abriu um pequeno sorriso, fazia tempo que não viajava nas suas memórias. – Peguei a varinha no chão e joguei um ridiculus. O engraçado foi que funcionou, a língua do sapo começou a amarrar o corpo inteiro dele e no segundo seguinte aquela coisa grande e verde havia sumido.
- Mas, no caso, meus pais não são nenhum sapo que é preciso jogar um feitiço. – Austin deu um breve adeus e recomeçou a andar.
Quando deus quatro passos, o professor se pôs à sua frente, de braços cruzados e com a sobrancelha erguida.
- O que eu estou tentando dizer é que se o medo interfere em nossas vidas, chegando até a atrapalhar, talvez seja um teste. Um teste de coragem para saber se você pode ou não lidar com os empecilhos que surgem ao longo da vida. Deus lá sabe o que teria acontecido se eu não tivesse coragem para ter enfrentado aquele bicho-papão. – Nicholas enfiou a mão no bolso e tirou a carteira de dentro. Abriu-a e lá tinha uma foto uma criança loira, com as bochechas muito rosadas e os braços entrelaçados na corda no balanço. – Se eu não tivesse tido coragem suficiente para dizer à minha colega de turma que eu a amava, talvez Kathy não estivesse aqui hoje.
Austin apertou os olhos e leu a data na borda da foto. Era do ano passado. Depois fitou a menina sorrindo enquanto se balançava. Ela realmente era muito parecida com o professor, tinha exatamente os mesmos olhos.
- Não sabia que tinha uma filha. – disse Austin, ainda olhando para a foto.
- É, mas ela mora na Austrália com a mãe. Apesar de estar longe e tudo o mais, agradeço todos os dias por ela existir. – ele sorriu e recolheu a carteira, pondo-a novamente dentro do bolso. – Então, você acha que esse medo de enfrentá-los está impedindo-o de continuar seu caminho? Pense nisso, garoto. Você é esperto, tomará a decisão certa.
Depois de dizer aquelas últimas palavras, subiu as escadas com um pouco de dificuldade, e continuou caminhando até estar longe o bastante, onde seus passos não podiam ser mais ouvidos.
Aquela pequena pergunta que o professor fez deixou uma certa incógnita na cabeça de Austin. Mas era claro que toda a autoridade e autonomia dos pais traziam problemas, chegava ao ponto de atrapalhar sua vida, sim. Mas o que mais martelava em sua cabeça era saber o que viria a seguir, caso ele decidisse enfrentá-los.
- Pelo jeito, vou ter que descobrir sozinho. – disse consigo mesmo.
Deu meia volta e pôs-se a correr pelo caminho que vinha, a medida que ia se aproximando do escritório de Dumbledore, as vozes da mãe e do diretor ficavam mais nítidas a cada passo. Quando virou o corredor, viu os pais e Dumbledore ainda diante da porta, conversando ou discutindo sobre algo.
A mãe foi a primeira que se deu conta da presença de Austin. Ela virou-se para encarar o filho, com os braços cruzados e não com uma das melhores caras.
- Austin! Não falei para arrumar as suas coisas? Ainda temos muito o que fazer em Londres. – disse ela, aproximando-se do garoto.
Ele nada disse, permaneceu calado até a mãe acabar de falar. Mas no momento que esta pronunciou a última palavra, ele pôs as cartas na mesa.
- Não vou. – disse com a maior calma do mundo, entretanto, parece que não foi suficiente, pois os olhos da mãe se arregalaram e em seguida ela os serrou.
- O que você está dizendo? Que não vai para a França? – ela gesticulava de forma dramática com as mãos. – Estamos fazendo isso por você! Pelo seu bem estar!
- E agradeço, mas não vou. – ele tentava permanecer com a mesma serenidade, porém, tinha a sensação de estar menor, como se seu corpo estivesse diminuindo a cada palavra da mãe. – Tenho dezessete, e pela lei, tenho autonomia suficiente para decidir o que quero fazer. Então, sendo assim, terminarei o ano aqui na Inglaterra.
- Não seja ingrato! – ela parecia estar cedendo depois das palavras do filho, ou era apenas o choque de algo que ela nunca tinha presenciado. – Se você quiser ficar nesse país de assassinos, tudo bem! Mas depois não me venha choramingar quando não tiver mais saída.
- Não se preocupe, não irei. – ele abriu um fino sorriso nos lábios, muito discreto, para a mãe não perceber sua satisfação.
- Alex, vamos. – ela deu meia volta e saiu pisando forte. Uma coisa que Regina Williams não gostava era de ser contrariada, ou seja, o que acabara de acontecer.
O homem ao lado de Dumbledore deu alguns passos até ficar diante do garoto. Ele abriu um sorriso e deu uma piscadela.
- Deixarei suas coisas na casa dos Potter. Não hesite em nos chamar se criar problemas, você sabe como ela fica sob estresse. – abraçou o garoto com uma leve dificuldade, afinal, Austin dava quase dois do pai. Em seguida, saiu andando com passos acelerados, para alcançar a mulher. Mas antes de virar o corredor, olhou para trás e disse: - Você se saiu bem.
O barulho de passos foi cessando e somente quando havia silencio absoluto, Dumbledore quebrou o gelo.
- Devo dar-te os parabéns, Austin. – ele sorriu. – Foi preciso muito mais do que coragem para fazer o que acabou de fazer.
- É estranho, temia esse momento há tanto tempo, e no final nem foi tão difícil.
- O simples fato de ter tomado a decisão de contraria aos que amamos, isso é considerado a conquista, talvez seja até mais importante do que o resultado. – o velho diretor pôs a mão no ombro de Austin e sorriu. – Agora vá dormir, já é tarde.
Austin assentiu e rumou para a torre da Grifinória. Durante o percurso, foi caindo a ficha do que fizera. Ele simplesmente conquistou sua liberdade, cortou os laços que o prendia à mãe e ao pai, agora andava por si só.
Ao entrar na sala comunal da Grifinória avistou somente duas pessoas, não era de se esperar a sala estar vazia como estava, já que se passava da meia noite. Ele caminhou até o sofá e ficou na indecisão se acordava ou não Lyra e Harry, que haviam adormecido um no ombro do outro, com um livro de quadribol em suas mãos.
Não agüentou, era uma notícia boa demais para esperar até o amanhecer.
Gentilmente, ele fez um pouco de cócegas no pescoço de Lyra, esta logo despertou. A garota o encarou com um olhar confuso, que ficou mais confuso ainda ao ver o enorme sorriso no rosto de alguém que estava preste a se mudar para longe. Tratou logo de meter um não delicado soco no ombro de Harry, que sem escolha, abriu os olhos e fez a mesma cara confusa que Lyra.
- Sabe, Austin, você está me assustando. – riu Lyra, se espreguiçando. – O que você andou aprontando para estar com uma cara dessas? Não vai me dizer que inundou o escritório do Filch de novo, porque essa já é velha.
- Minha cara Lyra, a felicidade não gira entorno somente da desgraça alheira, mas sim quando nós não mudamos de país de repente. – disse Austin, aumentando seu sorriso.
Demorou alguns segundos até os dois amigos digerirem a informação e quando caiu a ficha, veio o bombardeio de perguntas. O loiro não sabia o que responder primeiro, nem ele mesmo acreditava no que estava acontecendo. Até que Harry tocou no ponto dorsal da situação.
- Mas como você conseguiu convencer seus pais a te deixarem ficar? – indagou Harry.
- Um dia eu precisaria tomar coragem para poder seguir em frente, talvez isso tenha sido um teste. Algo que tinha se vir para que o inevitável acontecesse. – ele respirou fundo. – E também o professor Nicholas deu um empurrãozinho.
- E o que exatamente ele disse? – Lyra não conseguia deixar nada vago, era curiosa demais.
- Oras, pergunte para ele. – riu o loiro, que começou a se distanciar e a subir as escadas, aquela conversa tinha sido longa. Uma boa noite de sono era o que precisava para aturar o horário de aulas do dia seguinte.
- Não me venha com essa! Harry, levanta! – Lyra puxou o amigo e correu para o segundo andar, junto com Harry.
No fim, Lyra foi para seu quarto ainda com aquela pulga atrás da orelha, e Harry, que persuadiu um pouco mais, foi deitar também. Austin, por mais incrível que pareça, não soltou nenhuma informação.



- É a sua vez. – disse Reese arrastando sobre a mesa o pedaço de papel até ficar à frente de Ryan. – Qual é o placar, Vick?
- Ele está ganhando de cinco. – riu a ruiva muito baixo para não chamar a atenção do professor.
Os quatro garotos tinham total conhecimento de que deveriam estar prestando atenção na aula, entretanto, ninguém conseguia passar os cinqüenta minutos inteiros escutando o que o professor Bill dizia. E era assim que começava o ciclo, eles deixavam acumular e quando chegava à época dos exames, ficavam correndo atrás, para ver se pegavam à matéria em poucos dias antes do teste. Bem, se funcionou até ali, mais um ano não faria diferença.
Reese jogava “jogo da velha” com Ryan, enquanto Vick contava os pontos. Tinha de ser ela mesma, pois depois da nona partida, nem Reese nem Ryan sabiam quem estava ganhando, ou se continuavam se importando com isso. Ginny parecia ser a única concentrada em algo, ela escrevia algo em um pedaço de pergaminho. Algumas vezes, fazia uma pausa, pensava em algo e punha no papel.
- Sério, nós temos que começar a providenciar outra coisa para fazer. Eu estou começando a enjoar disso aqui. – riu Ryan marcando um pequeno circulo no papel e deixando Reese sem saída novamente.
- Mas é claro que você está enjoado disso. – Victoria deu alguns tapinhas nas costas do garoto. – Fazemos isso há quase três anos.
- Nós podemos jogar um jogo de cartas. – sugeriu Reese. – Certeza que meu primo trouxe o baralho dele para a escola. Peço para Harry ou Ron pegá-lo.
- Não é mais fácil você pedir para Austin e ele mesmo lhe emprestar? – indagou Ryan.
- Claro, mas meu primo anda um pé no saco esses dias, ainda mais com o Baile de Máscaras chegando. Ele não superou até hoje em me ver beijando aquele menino da Lufa-Lufa.
- Nem eu te perdôo por isso. – Victoria visualizou o tal garoto a umas três bancadas a frente. – Tanta coisa melhor no mercado e você vai logo naquele ali? Pelo menos você não vai com ele para o baile, ou vai?
- Nem morta. – Reese sorriu marota. – Vou com Grey.
- Grey? O Grey do sétimo ano? – Victoria quase engasgou quando a amiga disse aquilo. Conhecia o garoto de vista, mas nunca imaginou que Reese foi com ele. Tristan Grey costumava ser frio, até mal-humorado, em suma, totalmente ao contrário de Reese.
- É! O Grey do sétimo ano. Além disso, ele é uma graça. – ela já antecipou a pergunta de Ryan. – Eu mesma o convidei, Ryan. Estávamos na sala comunal, jogando conversa fiada, aí veio o assunto do baile. Perguntei se ele ia com alguém, e como disse não, eu o chamei. Vocês ficam falando de mim, então, quem serão seus acompanhantes?
- Essa pergunta foi para mim, não é? – Ryan rolou os olhos. Elas estavam curiosas para saber quem ele iria levar, já que tinha sérios problemas em chamar alguém para sair. Mas a verdade era que não tinha a menor idéia de quem iria chamar, já tinha algumas candidatas, mas ninguém certo. – Já que Victoria tem namorado.
- Já que você tocou no assunto, é. – sorriu a loira. – Gin? Você está viva?
- Ryan? Vai com alguém? – perguntou Ginny e ele negou. – Ótimo, vamos juntos?
- Essa foi rápida. – riu Ryan. – Você salvou minha pele, sabia Ginny?
- Sei. Mas você um dia vai ter que chamar alguém para ir com você.
- E quando esse dia chegar eu dou um jeito. Não vamos antecipar os problemas, certo? – ele fez uma cara de espanto, fazendo as três meninas rirem. – Olha só que coisa, é minha vez!
- Engraçado, Ryan, pensei que você fosse com a Isabelle mesmo. – comentou Reese.
- Não, não. Eu sou quem julga os que prestam e os que não prestam. – ele gesticulou algo, trazendo um pouco de drama à sua fala. – Hoje mesmo já botei uns quatro para correr.
- Que herói. – Victoria revirou os olhos.
- Vou dar um jeito de arranjar alguém para ir com ela.
- Você fala isso como se fosse difícil.
- Mas é, Reese. Só tem garoto lerdo nessa escola, excerto eu claro. – ele olhou de viés para Victoria, tinha acabado de ter uma idéia. – O que acha do seu irmão, Vic?
- Aquele hipogrifo ambulante? Isabelle não iria querer, acredite. Mas não custa tentar, não? – ela deu de ombros. - E é por isso que eu digo que vou para o céu. Não vêem como eu sou uma santa?
- Ela aceita, estou dizendo. Eu falo com ela hoje a noite, perguntando se hipoteticamente falando, ela iria com seu irmão. Se tudo der certo, você fala com ele amanhã.
- Combinado. – Victoria deu um leve tapa na mão do rapaz. – Você sabe com quem seu irmão vai, Ginny? Ou o pessoal do sétimo ano?
- Nem sei, Vick. – Ginny meneou a cabeça. – Rony é o pior de todos para isso, já vi que vou ter de mexer uns pauzinhos. Os do sétimo ano? Pelo menos da Grifinória eu sei mais ou menos. Austin não tem o menor problema; se tudo der certo, Harry com Isabelle, Lyra é mais do que óbvio que vai com o namorado, Hermione, creio eu, vai com Blake Lamontagne, da Corvinal.
- Será que vai ser boa a banda desse ano? – perguntou Reese. Ela torcia para que fosse, a do ano passado foi péssima, doía-lhe os ouvidos cada vez que escutava os benditos tocando na rádio.
- Vai. – respondeu Ryan animado. Queria contar para as amigas que iria tocar algumas músicas com Isabelle e a banda convidada, mas achou melhor fazer surpresa. Por conta disso, já sabia há tempos qual banta seria. – The Princely.
- Já estou até vendo quando Lyra souber disso. – sorriu Victoria. Ela gostava das músicas, achava um bom som para dançar, mas Lyra era simplesmente apaixonada por eles. Sabia praticamente todas as músicas de cor.
- E quanto às roupas? Vocês já têm idéia do que vão vestir? – perguntou Ginny, rindo da cara de desânimo que Ryan fez.
- Esse assunto eu estou fora. – disse ele, revirando os olhos e baixando a cabeça sobre os braços. – Me acorde quando o sinal tocar.
Elas soltaram um risinho e começaram a falar entusiasmadas sobre os trajes do baile. Aquela, possivelmente, era uma das partes que mais gostavam. Mas de uma coisa elas sabiam, aquele seria um dos melhores bailes, em todos os aspectos.





- Vocês querem andar mais rápido?
Apesar daquilo ter soado como pergunta, na verdade era uma ordem. Sirius e James conheciam muito bem a diferença quando se tratava de Rachel. Ela estava a uns cinco passos à frente deles, Sirius não tinha a menor idéia de como a mulher conseguia passar ilesa no meio de tanta gente num corredor tão estreito. Até agora ela não derrubou sequer um café das pessoas que estavam passando por ali, já Sirius mandou três para o chão.
- Desculpa, Hark. Amanhã te pago outro. – desculpou-se Sirius, sem parar de andar. – Eu vou quebrar de tanto café que vou ter de pagar amanhã.
James nada disse, apenas riu. Ele apontou para Rachel, que estava parada em frente á porta de um dos escritórios. Assim que ela os viu, fez final para que se apressassem e adentrou pela porta. James também não demorou, mas Sirius parou em frente à porta.

Departamento de Relações Internacionais Britânico (DRIB)


Já passara por ali diversas vezes, mas nunca chegou a entrar. Conhecia alguns dos funcionários em ocasiões festivas, e, claro, também sabia qual tipo de trabalho que eles realizavam lá.
Ali estavam alguns dos cargos que mais ganhavam bem de todo o Ministério. O salário bom era sinal de o que ou quem procuravam era escasso. Pelo que ele ouvira dizer, a condição mínima era falar quatro idiomas.
Como já ouviu dizer, ali era muita areia para seu caminhãozinho, não dava a mínima para o quanto pagavam. Gostava de ser auror.
- Anda, Black!
Ele ouviu Rachel chamá-lo com aquela delicadeza que só ela tinha. Balançou a cabeça, tirando aquelas idéias da mente e deu o primeiro passo na enorme sala diante dele. A medida que ia andando, via mais gente correndo com papéis na mão e dizendo coisas que ele não conseguia compreender. Tirando todo aquele pandemônio, a sala não era ruim, tinha uma decoração leve, as paredes claras e alguns sofás de estofado bege. As pinturas eram somente de paisagens, a maioria de lagos ou montanhas.
- O senhor Norris irá recebê-los dentro de alguns minutos. – a secretária fez sinal que se sentassem. – Aceitam algo? Chá? Água?
- Não, obrigada. Estamos bem. – sorriu Rachel, que em seguida, sentou-se na ponta de um dos sofás da sala.
- Obrigado por responder por mim, Rachel. Eu estava com sede. – brincou Sirius.
- E vai continuar com sede. Não temos tempo para isso.
- Mas a mulher não disse para esperar aqui? Dava tempo de beber alguma coisa. – persistiu Sirius.
- Chega! Os dois! – James se pôs entre os dois colegas, temia que caso não o fizesse, a discussão seria ouvida até do lado de fora do prédio. – Por Merlin! Vocês se comportam como meus dois filhos, quando eles ainda eram crianças.
- Foi mal, papai. – sorriu Sirius sarcástico. Certo, ele adorava irritá-la. Era tão fácil tirá-la do sério, talvez fosse por isso que persistia com as brincadeiras.
- Senhores? – a moça levantou-se de sua cadeira atrás da mesa de mármore e fez sinal para que a acompanhassem – O Senhor Norris já pode recebê-los. Por favor, me acompanhem.
Os três começaram a seguir a jovem mulher pelo corredor. Eles puderam observar o quão grande ali era, o corredor parecia não ter fim, fora as milhares de portas com pequenas placas penduradas.
- Então é para cá que vem o dinheiro dos meus impostos. – pensou Sirius ao ver as maçanetas de ouro. Não seria exagero dizer que aquele era o departamento mais bonito de todo o ministério, o mais fino, para ser mais exato.
A moça parou diante da última porta do corredor. Uma porta enorme, e a que mais se destacava dentre todas ali. Ela uma mistura de arte gótica com arcaica, madeira de vidro, ouro e prata. Sirius ficou imaginando que tipo de pessoa estaria esperando-os atrás daquela porta, não seria qualquer homem, aquele tipo de trabalho não era para qualquer um.
- Podem entrar. – ela abriu a porta e deu sinal para que entrassem.
Depois que os três já estavam dentro da sala, a porta fechou-se atrás dele com um pequeno estrondo. Somente depois disso que eles passaram a observar a sala. Era uma sala grande, mas não tão decorada como a de espera. Possuía algumas pinturas de rostos desconhecidos, uma pequena escultura de um unicórnio sobre a mesa central, e a maioria das paredes cobertas de livros.
- Black, Davis e Potter, a que devo a honra desta visita? – uma voz saiu do fundo da sala, mas não havia nem sinal de seu dono.
- Senhor, viemos a mando de Dumbledore. – Rachel de um passo a frente. Ela ainda continuava com os olhos fixos no fundo da sala, na tentativa de ver alguém. - Não sei se o senhor já está informado do assunto...
- Oh, sim. Sobre a LOOP, o velho Alvo já me mandou uma carta sobre o assunto. – um homem de físico muito pequeno apareceu carregando alguns livros. Ele não possuía a melhor das fisionomias, tinha o nariz muito redondo, olhos negros muito grandes por trás dos finos aros de prata dos óculos e uma barba meio mal feita. – Vamos, sentem-se.
James lançou um olhar a Sirius. Parecia que o amigo tinha os mesmo pensamentos sobre Galle Norris que Sirius tinha.
- Bem, irei falar mais uma vez que não há como fazer com que vinte alemães atravessem a fronteira legalmente até meados de outubro. – parecia haver um pequeno tom de raiva em sua voz. Dumbledore deve tê-lo enviado muitas cartas antes daquele encontro.
- Senhor, mas deixar os garotos desprotegidos também não é certo. – disse Rachel, com um pequeno tom de desdém.
- Sei que estão preocupados com seus filhos e parentes, eu também estaria, mas sinto dizer que não há nada que possa fazer.
- O senhor pode simplesmente nos das o passe livre dos alemães. – alfinetou Sirius.
- Não irei repetir o que disse milhares de vezes a Dumbledore! – Norris lançou um olhar na direção da porta. – Creio que não há nada que possa ser discutido. Tenham uma boa manhã.
Os três se entreolharam e James deu uma leve tossida, chamando a atenção de Norris.
- Bem, senhor Norris, não sei se o senhor se lembra de meu pai. – James deu um breve sorriso. – Nate Potter?
- Não, o conhecia só de longe. – Norris mantinha seu olhar em James, e não parecia estar muito satisfeito com aquele assunto.
- Meu pai falava muito do senhor, sabe? De seus trabalhos, de seus feitos, inclusive de um grande feito do senhor no Equador. Um trabalho, que se não me engano, foi feito junto a Allison Brian.
Àquela altura, Norris já comia na mão de James. Não seria muito bom para a imagem de um dos mais poderosos homens do Ministério Britânico se a mídia soubesse de algum deslize. Como um pequeno caso, na América Central, enquanto sua mulher fazia compras em Milão.
James nunca pensou o quão útil era saber dos podres dos outros. Seu pai sempre lhe dizia para pegar o que queria por baixo e não por cima, como todos. Era bom estudar a vida dos adversários, pegá-los desprevenidos. Partir para a luta durante a noite, onde sua sombra não era vista. Nate Potter realmente tinha as estratégias formadas para sobreviver naquele mundo coberto de poder e política, uma pena que um grande homem não viveu o suficiente para passar para frente todos os seus truques.
- Sim, sim. – Norris roçava a mão na barba nervosamente, aquele assunto de certo o deixava incomodado. – Allison é uma mulher brilhante.
- Acredito que seja. Mas será se a mídia chegou a conhecê-la o suficiente, conseguiu detalhes da rotina de trabalhos que o senhor e essa moça se prontificaram a ter num país tão distante como o Equador?
Norris fechou a cara, estava começando a ficar com um tom avermelhado. Sua mão tamborilava na mesa, e o barulho produzido era o único que soava naquele momento.
- Você se acha esperto, Potter, e creio que seja. - Norris o encarou, sério. – Mas lembre-se que eu sou apenas um peão nesse jogo. Posso ceder agora mesmo o que está pedindo, mas não venha com esse truque baixo para os de alto escalão, pois, posso lhe assegurar que você irá cair, cair de muito mais alto do que seus tombos no quadribol.
Rachel aproximou-se de Sirius, enquanto James ia pegar o papel o qual Norris estava assinando. Ele percebeu um olhar preocupado vindo dela.
- Acho que James está brincando com fogo. – sussurrou ela, vendo o outro pegar o papel deixado sobre a mesa.
- Não se preocupe. Ele sabe usar artilharia pesada. – Sirius sabia que ela tinha uma ponta de razão. James estava se expondo muito e, por mais que a causa fosse boa, talvez aquilo não valesse a pena.
- E muito obrigada, Senhor Norris. – James sorriu com um certo cinismo. – Mande minhas lembranças à Senhora Norris.
- Lembre-se do que eu falei. Você nada em águas com tubarões. Não falo do ocorrido de hoje, mas sei que deve lembrar-se do que estou falando. Tenham uma boa manhã, senhores.
James deus as costas a Norris e começou a andar na direção da porta, seguido por Sirius e Rachel. Já do lado de fora, as perguntas começaram a surgir.
- James, meu velho, sempre soube que tinha uma carta na manga. – sorriu Sirius.
- Não gostei do tom dele. – ela continuava a fitar a porta. – Algo não está certo, simplesmente não se encaixa.
- Pare de procurar erros e comemore. O que não se encaixa? O fato dele não ter para onde correr? Pessoas como Galle Norris só tem imagem, certo, ele é inteligente, mas a imagem também conta. Qualquer coisa que a mídia souber dele, é uma estrela a menos em sua carreira.
- Você é quem sabe, James. Mas fique de olhos bem abertos.
- Agora, vamos? Eu estou morto de fome! – Sirius começou a puxar James e Rachel para o início do corredor.
- Mas tem um pequeno detalhe. Os alemães só chegam em novembro, nesse mês ainda estamos ilesos. A escola ainda está ilesa.
- Sabia que tinha algo nisso. – Rachel revirou os olhos. - Então? Algum plano em mente? Porque eu não quero nenhum de meus filhos na lista de algum maníaco que está solto por ai.
- Rachel tem um ponto. Temo por Lyra. Ela não é daquele tipo de ficar trancada no castelo. Sei muito bem de suas saídas, e isso a torna um alvo.
- Verdade. Creio que todos lá sejam um. O menino italiano não tinha nada, absolutamente nada que possa levar a esse seqüestro, e vocês viram no que deu. – disse James, guardando o pergaminho com a assinatura de Norris em seu bolso.
- Não está esquecendo de quem ele é filho? – indagou Sirius.
- Oras! Vamos parar com isso! – Rachel estalou os dedos em frente ao rosto de James. – Melhor pararmos de criar teorias sem sentindo e focar no que importa. Eles só chegarão em novembro e não há nada que possamos fazer.
Sirius viu que ela estava com a razão. Não havia o que fazer, mas ainda havia algo que eles podiam tentar. Para ele, pareceu ser uma boa idéia, e, ainda por cima, iria rever um velho amigo.
- Remus! É isso! – Sirius abriu um largo sorriso como sempre fazia quando lhe surgia algo em mente. – Por que não pedir para Remus passar uns tempos por lá?
- Sirius, isso já abuso. – James o encarou meneando a cabeça. – E ainda por cima ele deve estar trabalhando em pesquisas.
- Mas é justamente isso! – ele parecia animado com a idéia. Tinha a esperança dos outros aceitá-la quando a ouvisse melhor. Não era o melhor plano do mundo, mas era algo. Remus poderia ficar de olho em tudo por tempo integral e ainda teria tempo para suas pesquisas. – Irei falar com ele agora mesmo!
- Sirius, isso é idiotice. – James meneava a cabeça em sinal de negação, mas nada adiantou. Sirius já andava em direção da porta a passos largos.
Quando Sirius cruzou aquela bonita porta, Rachel suspirou. Estava cansada daquilo. Cansada daquelas idéias sem nexo, cansada de agüentar a infantilidade daquele homem. As pessoas perguntavam o porquê dela sempre se dirigir à Sirius com raiva, e aquela era a resposta. Odiava pessoas que pareciam não ter crescido, o que era o caso de Sirius. Um homem de quarenta e poucos, bem sucedido e ainda se comportava como uma criança, não escutando aos outros ou seguindo ordens postas, e ainda tendo uma filha adolescente que aparentava ter mais juízo do que ele próprio era irreal.
- Ao menos ele tenta. – James deu de ombros, ainda olhando para a porta.
- Ele nunca ouve ninguém!
- Essa não é a questão, Rach. – James abriu um pequeno sorriso. – Ele estava com essa idéia enfurnada na cabeça por um simples motivo.
- E qual seria esse motivo? – ela perguntou como se não quisesse nada.
- Lyra. Ela está lá, na escola. E o fato dela correr qualquer risco, mesmo que pequeno, o deixa louco. Ele jurou no dia que Elizabeth morreu protegê-la, e creio que ainda leva essa promessa muito a sério. Mas vamos esperar e ver no que dá.
Aquelas últimas palavras de James a deixaram com um pouco de remorso sobre sua opinião, mas não iria mudar de opinião sobre Sirius Black tão facilmente. Talvez não por enquanto.


- Oras, Knox, vá para os infernos! – Isabelle apontava seu dedo indicador de forma ameaçadora para o Sonserino à sua frente. – Foi o trato!
- Trato? – ele fez uma cara de desentendido, apesar de lembrar-se muito bem do ocorrido. – Não me lembro de nenhum trato. Creio que você esteja recebendo muitos balaços na cabeça, Wine.
- O campo é nosso! – ela gritou, mas apenas fez com que o rapaz estendesse o sorriso cínico em seu rosto. – O primeiro treino era para ser da Corvinal.
- Isso eu posso concordar, Wine. – Knox deu uma rápida piscadela. – Era, tempo passado. Nós iremos trinar hoje.
Há vinte minutos que se estendia aquela discussão. Isabelle estava quase partindo para cima de Knox. E dessa vez ela estava com a razão, há duas semanas atrás, ela foi pessoalmente falar com o capitão de cada time, perguntando se não haveria problemas se sua casa fosse a primeira a utilizar o campo. Todos concordaram Austin, Finn e Draco Malfoy.
Ela não sabia exatamente o porquê de Knox estar ali parado, discutindo com ela, se era Draco o capitão.
- Quero falar com o seu capitão. – disse ela, encarando-o seriamente.
Knox fez uma pequena encenação de como se estivesse procurando por Draco, depois parou em frente à Isabelle e entregou um pedaço de pergaminho.
- É uma pena, pois ele não está aqui. E está é a autorização do diretor da Sonserina, concedendo a nós o campo hoje.
Lyra, que estava sentada junto à Ryan na arquibancada, observava a discussão desde que esta começou. Gostava se sentar-se ali para ler um livro, o tempo não ajudava muito, mas ela não se importava com o vento gelado que tornava a bater em seu rosto, fazendo com que seu nariz e bochechas se avermelhassem.
- Conhecendo Isabelle como eu conheço, não falta muito para ela estourar. – disse Ryan, oferecendo chicletes à Lyra. – Isso não vai ser nada bom.
- Não vai ser mesmo. – riu ela, lembrando-se de um ocorrido no ano passado. – Lembro quando ela azarou aquele garoto, não me lembro o nome. O cara deve estar dando graças a Deus de ter formado. Ela está com a varinha?
- Pode apostar que sim. Ela não pisa fora da sala comunal da Corvinal sem essa bendita.
- Mas que coisa. Esse Knox é mesmo um infeliz, só serve para criar caso. Ele é quem faz a má fama da casa. – Lyra tinha a mais plena razão do que estava falando. Conhecia pessoas da Sonserina muito bem, e elas certamente não eram como ele.
- Sei não, viu? Há ainda muitas flores que não se cheiram dentro daquelas masmorras. - Mas por onde aquele Malfoy anda? – indagou Ryan. Ele notou a algum tempo que não havia nem sinal do capitão ali.
- Era o que eu estava pensando. - Apesar dos dois negarem isso com todas as forças, Harry e Draco tem uma coisa em comum. Eles amam tanto esse jogo estúpido que chega até doer. Draco não iria matar um treino à toa, só se alguma coisa aconteceu.
Ryan apontou para o outro lado do campo e mostrou que alguém se aproximava da confusão.
- É o que vamos descobrir agora.
Draco andava apressado e possesso. Sua mão chegava a tremer de raiva, e essa raiva estava completamente concentrada em Noah Knox. Ele estava em uma reunião com o diretor na Sonserina quando ficou sabendo do que estava acontecendo. Claro que eles tinham autorização para treinar, o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas tinha lhe dado há tempos, muito antes de Isabelle Wine falar com ele. Como sabia que não teria diferença alguma treinar um dia antes ou depois, concordou que a Corvinal poderia treinar primeiro. Pelo visto, fora apenas ele quem concordou com isso.
- Mas que diabos esta acontecendo aqui? – Draco não tirava os olhos do companheiro de casa.
- Pergunte isso ao seu querido batedor, Malfoy. – disse Isabelle sarcástica
Draco cortou o circulo que se formava com os jogadores dos dois times e puxou Knox para longe dos ouvidos alheiros.
- O que você está fazendo? – Draco mantinha o tom de voz baixo, mas à distância podia-se perceber o quão exaltado estava.
- Nós temos a autorização! O direito de treinar. – disse Knox, entre os dentes. Ele não ousava olhar para baixo, ao invés disso, encarava a Draco de forma audaciosa.
- Aquilo – o loiro apontou para o pedaço de papel que Isabelle segurava. – Não vale nada. Seu valor é insignificante comparado à palavra que demos à Wine.
- Me parece que você está amolecendo, Malfoy. – Knox abriu um meio sorriso, que Draco não o socou por muito pouco.
- Amolecer é muito diferente de ser ético, Knox. Vejo que talvez nem sabe o significado de ética, e dou uma dica: Procure no dicionário e verá que o que estou fazendo neste exato momento é ser ético. Não iremos trinar hoje.
Knox não teve nem o trabalho de responder, virou as costas e saiu rumo ao castelo, pisando forte. Draco tinha a ligeira impressão que escutou alguns palavrões saindo de sua boca.
Ele caminhou até onde os outros estavam. Antes de voltar ao círculo de jogadores, muitos cochichavam coisas difíceis de se compreender, mas quando Draco andou até o centro, todos se calaram.
- O campo é todo seu, Wine. – Draco pegou a autorização da mãe de Isabelle e a guardou no bolso. Ele lançou um olhar aos jogadores da Sonserina. – Que fique claro que o capitão do time sou eu, e não Knox. Talvez isso deixe as coisas mais claras antes se sair seguindo Knox.
- Foi idéia do Knox. Ele disse que foi você quem marcou o treino hoje. – disse uma das artilheiras.
- Ok, a partir de agora, sempre quando tiver treino agendado, terá um aviso com a minha assinatura no painel. Estão dispensados por hoje.
O time começou a se afastar e não havia mais nenhum jogador da corvinal no solo. Apesar de ter certeza do que acabara de fazer era o certo, ainda tinha dúvidas. Não estava mudando. Era o mesmo Draco Malfoy que sempre foi. Talvez a explicação mais lógica para aquele comportamento, o que não o faria a alguns anos atrás, era porque queria perder aquela fama da Sonserina ser a ovelha negra de Hogwarts. Certo, gostava daquele poder de meter medo em alguns, mas queria ser reconhecido pelos seus próprios atos e não pela fama de sua casa. Iria ser diferente de seu pai.
Enfiou a mão no bolso e pegou o pedaço de pergaminho. Ficou algum tempo encarando-o depois o rasgou em vários pedaços menores e soltou-os. Não chegaram a tocar no chão, o vento forte os levou para longe.
Quando estava voltando para o castelo, ouviu alguém chamá-lo. Olhou para os lados e não avistou ninguém. Deu de ombros e continuou andando, mas algo o fez parar. Algo o atingiu na cabeça. Olhou para o chão, viu uma bota de aspecto feminino. Massageando a cabeça, pegou o sapato, e olhando para cima, viu nada mais que Lyra, fazendo sinal para que ele subisse.
Draco meneou a cabeça. Certamente aquela garota possuía alguns neurônios a menos, como alguém joga um sapato na cabeça das pessoas? Poderia até causar traumatismo craniano, isso seria dramático demais, mas que iria dar um grande galo, isso ia.
- Você é louca, sabia? – disse ele, entregando a bota à garota. – Davis.
- Malfoy. – Ryan se levantou. – Bem, Lyra, já que você tem companhia, meu trabalho está completo. Depois nos falamos.
- Certo, Ry. Até depois. – ela bateu no banco, fazendo sinal para que ele se sentasse.
Draco sentou-se no lugar que Ryan estava e ainda massageava a cabeça.
- Você podia ter me matado, sabe? – indagou ele.
- Quem manda ser surdo?
- Você tem idéia da altura que você me chamava? Nem um morcego ouviria. – riu ele. – Então, o que quer?
- Que confusão foi aquela? – ela até já sabia, mas estava curiosa para saber da versão de Draco.
- O idiota do Knox fazendo o que não deve. Tudo se resume à isso.
- Nunca pensei que você fosse abrir mão de um treino de quadribol. – disse Lyra, e ela nunca pensava mesmo.
- Eu tenho vida, Lyra. Não sou igual ao Potter.
- Jura? Então o que você faz mais da vida além do quadribol?
- Bem, - ele brincou como se estivesse contando nos dedos. – estou aqui com você, minha cara.
- E que fique claro que essa é a parte mais importante, ouviu?
- Não vou nem comentar. – ele notou um livro sobre o colo dela. Pegou para ver mais de perto, nunca tinha ouvido falar. – Sherlock Holmes? Isso é trouxa, não?
- Sim, o melhor livro policial da história. Você devia ler.
Ele meneou a cabeça. Não iria ler um livro trouxa, detestava qualquer material vindo de povos não bruxos.
- Deixe de ser tolo, Draco. É um excelente livro, aposto que irá gostar. – ela alargou seu sorriso. Iria fazer aquilo ficar interessante. – Por que não fazemos uma aposta?
- Isso é bobagem, garota. Eu não vou gastar meu tempo com uma leitura sangue-ruim de baixa categoria.
- Está com medo, Draco? – ela ergueu a sobrancelha.
- Não. Tanto que vou ler essa droga de livro. Ele pegou o objeto novamente das mãos de Lyra. – Enquanto eu leio, penso no que você terá de me pagar.
- Ótimo, eu faço o mesmo.
Draco olhou no relógio. Tinha que voltar para a biblioteca ou iria perder sua mesa.
- Já vai? – indagou Lyra.
- Vou acabar uns deveres. Tchau.
Ele estava quase no quarto degrau quando escutou Lyra chamando-o.
- Draco?
- Sim?
- Vê se não demora muito. Eu quero saber o final.
Ele nada disse, abriu um leve sorriso e foi descendo as escadas, imaginando que tipo de coisa faria quando ganhasse aquela aposta.



Lyra estava sentada em um degrau da escada do sexto andar quando alguém a cutucou no ombro. Ela virou-se e viu que era Zach, um dos garotos com quem Thatcher dividia o quarto. O garoto era alto, tanto que ela teve de se esquivar um pouco para por encará-lo nos olhos, o que quase a fez sair rolando escada abaixo.
- Olá, Black. – ele sorriu. – Tenho um recado do Thatcher para você. – o garoto depositou um pedaço de pergaminho em sua mão.
- Obrigada, Jones. – ela agradeceu, embora ele já estivesse quase no final da escada. – Mande lembranças à sua irmã.
- Mandarei. – depois disso, ela o perdeu de vista.
Estava um pouco curiosa para saber do que aquilo se tratava. Thatcher não era de mandar bilhetes, na verdade, ele detestava mandar bilhetes. Aquilo não parecia bom sinal, andava preocupada com o rumo que aquela relação estava tomando. Há alguns dias atrás, se perguntava se estava tudo bem, porém, não sabia responder essa pergunta; não brigava uma vez sequer com o namorado, mas também não ia atrás para saber das coisas. Fazia mais de uma semana que não se viam direito, apenas trocavam um rápido beijo e curtas palavras como “Alguma novidade?” ou “Qual a sua próxima aula?”.
Mas o pior não era esse distanciamento, mas sim o fato de que ela não estava sentindo a falta dele. Se falasse o que está acontecendo para Hermione, seria bem capaz dela achar que Lyra era uma pessoa insensível. Como era possível não querer estar próximo do próprio namorado?
Lyra deu uma sacudida na cabeça, tentando tirar aquelas idéias que não paravam de atormentá-la da mente. Continuava repetindo que tudo estava bem, apesar de não sentir isso.
Abriu o pequeno pedaço de pergaminho. Quase não reconheceu a letra do namorado. Geralmente ela era bonita, bem desenhada, mas ali estavam escritas palavras ao oposto daquilo, borradas e com alguns riscos.

Lyra precisamos conversar. Encontre-me na árvore de sempre, perto do lago, às onze e meia. Beijos, Thatcher

Ela leu várias vezes, mas nada adiantou. Olhou no relógio no pulso, eram dez para as onze, e não tinha a menor idéia de como Filch ainda não a tinha pegado.
- Aonde a senhorita pensa que vai a uma hora dessas? – ela reconhecia aquela voz sarcástica.
- Sinto lhe dizer, Draco, mas isso não lhe diz respeito. – colocou o pedaço de papel no bolso antes de encarar o rapaz loiro à sua frente.
- Você sabe que posso lhe dar uma detenção, não sabe? – ele cruzou os braços, não parecia ter gostado muito da resposta dela.
- E você sabe que não vai fazer isso, não é? – Lyra devolveu o mesmo sorrisinho sarcástico. Não estava a fim de conversar ou de nada mais, apenas queria conversar com o namorado.
- Talvez sim, talvez não. – Draco balançou a cabeça de um lado para o outro, como se estivesse enfrentando um grande dilema. – Ao menos me diga para onde vai.
- E por que eu deveria fazer isso?
- O problema é seu, garota. Mas depois não venha choramingar se acontecer qualquer coisa.
- E o que poderia exatamente acontecer, Draco?
- Como disse, isso é problema seu. Não quis me contar no início, agora também não quero ouvir. – ele começou a andar pelo corredor, mas antes de virar, encarou-a novamente e deu uma piscadela. – Boa noite.
- Boa noite, Draco. – ela disse quase num sussurro. – Ai, droga. Vou me atrasar.
Lyra desceu cerca de dois andares pelas escadas, depois pegou uma das passagens secretas do castelo que a levou em poucos minutos ao ponto de encontro. Conhecia aquela passagem desde o primeiro ano, quando Sirius contou para ela. De início, não tinha tanta finalidade, mas com o passar dos anos, ganhou uma certa utilidade, em especial quando precisava tomar um ar ou caminhar pelos jardins à noite.
Ela andava a passos rápidos, só os diminui quando avistou Thatcher jogando algumas pedras no lago. O garoto vestia um sobretudo preto e botas de cano alto também da mesma cor. Estava fazendo frio sim, mas não para aquele tanto de roupa que ele usava, mas o mais estranho era o fato de Thatcher ser uma pessoa extremamente calorenta e estar usando um sobretudo que de longe já parecia ser quente.
- Hey. – ela foi chegando de fininho. – Desculpa o atraso.
- Sem problemas. – ele sorriu. – Então, como estão as coisas? Não temos nos visto muito, não é?
- Vamos, Thatcher. – ela se aproximou mais dele, estavam cara a cara agora. – Você não pediu ao Jones para me entregar aquele bilhete pelo simples fato de não ter notícias minhas.
Ele suspirou e uma fina fumaça branca saiu de seu nariz. Foi naquele momento que Lyra percebeu que Thatcher parecia abatido, e até um pouco mais magro do que de costume.
- Thatch, me conte o que está acontecendo. – ela elevou sua mão até o rosto dele e afagou como sempre fazia.
Um pequeno sorriso se abriu nos lábio dele. Era um sorriso, mas com uma certa preocupação. Não era o de sempre, aquele que Lyra tanto gostava.
- Você sabe que isso não está funcionando. – ele começou a andar e foi guiando-a pela mão.
- Mas nos damos um jeito. Deve ser porque nossos horários não estão batendo, muito dever ou qualquer coisa parecida. – disse ela, um pouco atrás dele. – Mas qualquer relacionamento tem problemas, e nós podemos arrumar isso. Posso desistir de algumas matérias.
Por mais que ela tentasse, não conseguia acreditar no que acabara de dizer. Queria acreditar que aquilo fosse verdade, mais ainda, queira que aquilo fosse verdade.
Ele a abraçou, o que quase a fez chorar. Sabia exatamente aonde aquilo iria chegar. Não queria que acabasse, poderia haver mais lembranças a serem formadas e mais momentos a serem vividos.
- Você é esperta, Ly. Sabe que alguma coisa está errada, eu também sinto isso. – ele a abraçou com um pouco mais de força. – Apenas esfriou.
- Não! – ela continuava se recusando a aceitar. – Eu ainda te amo muito, droga.
- Eu também te amo. – ele parou de andar alguns instantes e ficou cara a cara com a garota. Via que os olhos de Lyra começavam a tomar um tom avermelhado e ela tremia um pouco os lábios, quando queria falar, mas não sabia absolutamente nada o que dizer. – Acredito que você foi a minha grande paixão até agora.
Ela olhou para o céu estrelado, procurando desviar o olhar. Sentiu uma certa pontada naquela última frase de Thatcher. O “foi”, tempo passado. Nunca pensou que ouvir o passado sendo substituir o presente fosse tão difícil.
- O problema é que existe uma grande diferença entre amor, paixão e afeto. – continuou ele. – Agora é saber se o que sentimos é afetou ou amor.
Um silencio bateu entre eles. Ela refletia sobre aquela última frase dele, e o próprio Thatcher parecia apenas esperar uma resposta de Lyra.
- Mas por que agora, Thatcher? Você sabe que já faz um tempo que isso vem ocorrendo. – disse Lyra baixinho.
- Vou te mostrar o motivo. – ele pegou a mão dela novamente e começou a andar pela trilha que ia a Hogsmead.
Não muito longe dali, apertando os olhos, Lyra viu uma carruagem puxada por dois cavalos alados. O que mais a intrigou foi o fato de que na porta estava escrito LOOP. Ela não sabia muito sobre a LOOP, mas sabia que era difícil eles virem à Inglaterra. Ficou imaginando por algum tempo o motivo pelo qual aquela carruagem estava ali.
- Então, vai me contar o motivo? – Indagou ela, pressionando um pouco a mão dele.
- Você está olhando para ele. – Thatcher soltou um risinho tímido.
- Como assim? LOOP?
- Eles me aceitaram desde o início das aulas. Como tenho cidadania alemã por parte de pai, foi mais fácil. – ele deu de ombros. Disso ela não sabia.
- Mas por que? Sei que quer ser auror, mas a LOOP? Para que isso?
- Nunca se imaginou fazendo algo que é boa? E, além disso, que pode ajudar os outros? – ele mostrou a Lyra o título de uma matéria do jornal daquele dia. Um corpo foi achado sem vida nos esgotos de Londres. – Temos de estar preparados, Ly, estão vindo ventos negros. Não sente que algo está errado? Pois eu sinto, e quando acontecer uma explosão de caos, quero estar preparado.
- Thatcher, o que você está dizendo? – ela o encarou assustada. – O que está acontecendo.
- É isso que pretendo descobrir.
- Mas como...como? – ela gaguejava, ela informação demais. – E o sétimo ano?
- Eles concordarem em me deixar fazer lá.
- E seus pais?
- Me visitarão nas férias de Natal.
- Mas... – ela respirou fundo e foi soltando o ar de vagar. Agora estava mais calma, podia raciocinar com mais clareza, e isso não a levou a algo bom. – Então quer dizer que mais nada o prende aqui?
- Bem... – agora era ele quem fugia com o olhar. – Você. Não partirei enquanto ter certeza que está tudo bem entre nós.
Era difícil fazer o que Thatcher pedia, deixá-lo ir. Nunca foi muito boa em deixar as pessoas que gostava irem embora.
- Então você não tem motivos para ficar. – uma fina lágrima caiu dos olhos de Lyra, mas ela continuava com um pequeno sorriso nos lábios.
- Você tem certeza? – ele indagou, abraçando-a.
Ela apenas acenou com a cabeça, parecia que as palavras tinham fugido de sua boca.
- Então, está acabado? – indagou ele meio triste.
- Creio que sim. – ela não conteve, começou a chorar arduamente, por mais que não quisesse. Ela o abraçou com força. – Boa sorte, e que tudo dê certo para você na LOOP.
- Você vai se sair bem, Lyra. Não se preocupe. – ele se distanciou um pouco, ia começar a andar na direção da carruagem que o esperava. – E acredite, ele gosta de você. Até um sego consegue ver isso.
Lyra o encarou confusa.
- Ele? Do que está falando.
- Malfoy. Ele não é assim com todos, apenas com você. Nem mesmo com Grey.
- Draco é um amigo, acho. – àquelas alturas do campeonato, ela nem sabia o que era de Draco. Um dia estava tudo bem, no outro ele nem lhe dirigia à palavra.
- Você é quem sabe. – riu Thatcher. – Até um dia, Lyra Black. – e depois subiu na carruagem, o cocheiro a fechou e preparou os cavalos para começar a viagem.
Os animais começaram a ganhar velocidade e logo estavam no ar. Algumas lágrimas ainda teimavam em cair, estava triste pelo rompimento. Foram bons momentos juntos, Thatcher foi companheiro, amigo, amoroso, ele era perfeito. Mas talvez não para ela.
Começou a caminhar de volta para o castelo. Suas pernas tremiam tanto que preferiu esperar um tempo antes de retornar. Se alguém a visse com aquela cara de choro, ia perguntar o que aconteceu e simplesmente não estava a fim de conversar com ninguém sobre aquilo, ao menos por agora.
Sentou na grama, num lugar perto do lago e abraçou as pernas, como sempre fazia quando ficava chateada. Abaixou a cabeça até seu queixo tocar no joelho, sentia algumas lágrimas escorrerem pela calça jeans, mas não se importava. Naquele momento, não se importava com nada.
Sentiu o coração acelerar quando ouviu alguns passos se aproximando. Seria ele voltando?
Os passos cessaram, mas havia alguém atrás dela. Podia ouvir sua respiração ofegante, não era Thatcher.
- Olá, Draco. – disse ela, com um pingo de voz. – O que faz aqui? Não ia voltar para as masmorras?
- A curiosidade bateu mais forte. – ele disse. Sem fazer uma pergunta sequer, sentou-se ao lado de Lyra. Percebeu que ela andava chorando, mas permaneceu em silencio.
- Você... você – ela gaguejava um pouco. – Devia ir. Está tarde.
Não agüentou. Não queria chorar na frente de ninguém, muito menos na frente de Draco Malfoy. Chorar sempre dava a impressão de fragilidade, algo que ela não acreditava que tinha. Tentou segurar, mas parecia que quanto mais tentava, ficava cada vez pior.
Draco continuava calado, poucas vezes lançava um olhar a ela, mas na maior parte do tempo, encarava apenas a escuridão do lago.
Mas houve um momento, apenas um em que ele fez algo. Tirou a capa preta e a pôs sobre os ombros de Lyra, que repousou a cabeça no ombro dele, dando alguns soluços, mas nenhuma palavra ainda.
Os dois ficaram ali por mais algum tempo, até o relógio de Lyra apitar e avisar que era meia noite. Nunca pensou que aquele simples momento fosse algo tão grande. Draco não mencionou ou perguntou nada, apenas ficou lá, de certa forma, consolando-a. Naquele momento, Lyra começou a pensar no que Thatcher havia dito, mas não sabia diferencia se aquilo se tratava de afeto ou algo mais.


You can close your eyes to things you don't
(Você pode fechar seus olhos para coisas que não)
want to see, but you can't close your heart to
(quer ver, mas você não pode fechar seu coração para)
the things you don't want to feel.
(as coisas que não quer sentir).-
Lisa Brooks





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