FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

2. Detention Night


Fic: Black and White - This Is Just The Beginning - by LyraWhite - AVISO


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

                                                                         CAPÍTULO  REVISADO


                                                                     Capítulo 2 - Detention Night


                                                                               Noite de Detenção


                                                              


            Havia certas vantagens de se estar no sétimo ano. Como ter mais horários vagos e poder escolher as matérias, de acordo com a profissão que designou no quinto ano, mas sempre há aquele “porém”.
            - Eu não acredito! Como assim os horários são separados? – Lyra olhou incrédula para o pedaço de papel em sua mão. – Agora, sem a Hermione, de quem que eu vou colar nos deveres de Poções?
            - O Harry não está na mesma classe que você? – indagou o ruivo antes de encher a boca de bolo de abóbora.
            - Que beleza. – respondeu ela com uma pitada de desdém.
            - Quanta consideração. – Harry meneou a cabeça sem se importar. Em parte era verdade, Poções não era sua melhor matéria, muito menos a de Lyra.
            - Mas aqui tem uma vantagem, tem dois horários vagos no período da tarde. – comentou Rony olhando para o papel que lhe foi pela professora de Transfiguração.
            - Só se for a sua, pois a minha tarde vai ser do cão. – Lyra soltou um muxoxo.  Estudos não foi seu forte, mas horário duplo de Herbologia era de matar. Ela queria mexer com Defesa Contra as Artes das Trevas, Feitiços, ou algo relacionado à isso, não ficar tirando e botando planta na jarra. O que lhe alegrava era que muitas de suas aulas batiam com as de Harry.
            - Lyra, vamos andando. – Harry levantou-se do banco e pegou a mochila embaixo deste. – A primeira aula é nas masmorras.


            - Quando eu pensava que minha manhã não podia ficar mais agradável, você solta uma dessas. – a garota suspirou e fez o mesmo que Harry, exceto que sua mochila estava nas mãos do amigo.
            - Como você é um amor de pessoa durante a manhã. – riu Harry, depois virou-se para Ron. – E aonde estão Austin e Hermione?
            - Hermione, vocês conhecem, está torrando a McGonagall. E Austin... não o vejo desde ontem. – respondeu o garoto ruivo.
            - Valeu, Ron. Então, a madame já terminou o desjejum? – ele voltou-se para Lyra, que tornou a sentar no banco e agora passava calmamente manteiga no último pedaço de torrada de seu prato.  – Cuidado, senão daqui a pouco o banco quebra.
            Lyra arregalou os olhos, depois o encarou com uma pequena fúria nos olhos. Era maldade falar aquilo, ainda mais depois das férias, as quais ela passou a maioria do tempo comendo e dormindo. Nunca tivera problema com peso, mas a consciência pós-férias pesava.
            - Por acaso você está me chamando de gorda? – Lyra soergueu a sobrancelha direita, depois lançou um olhar frio à Ron que ria da conversa.  


            - Não, estou dizendo que você pode ficar. Por isso, deixa isso para lá e vamos! – ele pegou sua mochila e a dela.


           - Até mais, Ron. – disse Harry, dando um cutucão em Lyra para se apressar.
           Lyra despediu do resto do pessoal e começou a seguir Harry, que já estava no meio do salão. Ela andava devagar, mas seus olhos corriam rapidamente por entre as mesas, procurando por Thatcher. Não o encontrou, mas seus olhos acabaram se encontrando com um par de olhos acinzentados que ela conhecia muito bem.
            Ele aparentava ter tido uma noite muito mal dormida. Havia algumas olheiras abaixo dos olhos, e o cabelo estava um tanto bagunçado, mas não chegando nem aos pés do de Harry. O mais estranho nele era seu olhar, ele observava o salão com um olhar vago, não havia um sinal de preocupação ou qualquer coisa, estava apenas vago. Isso era anormal para Draco Malfoy, que sempre chegava impecável todas as manhãs e atento à tudo a sua volta.
            - Lyra, é para hoje, sabe? – Harry já estava parado do lado de fora do Salão Principal.
           Balançou a cabeça, tirando tanto Draco quanto Thatcher da cabeça, e começou a acelerar o passo na direção da porta principal.
           Harry a estava apressando, apesar de terem ainda algum tempo antes do sinal tocar. Queria contar sobre a carta que recebera na noite anterior, de Julian, filho do Vice-Ministro da Magia italiano. Conhecera o rapaz em um dos jantares do Ministério, há alguns anos atrás, e apesar do amigo italiano não ter retornado à Inglaterra desde então, os dois se comunicavam com freqüência através de cartas. Tanto ele quanto Lyra.
           A carta tratava de um assunto delicado, e aquela não era a hora de mostrar aos outros, somente à Lyra, que já estava a par da situação. Ele conhecia muito bem as reações dos amigos. Hermione ficaria a beira de um ataque nervoso, Ron passaria alguns minutos falando sem parar sobre o assunto, sem chegar ao ponto da conversa; e Austin, embora entendesse do assunto, não mantinha sua boca calada, e o conteúdo da carta poderia, “acidentalmente”, se espalhar por todo o castelo como um epidemia de gripe. Por fim, Lyra era a que mais podia contar com aquilo.
          Ao entrar na sala número quatro, e ver que não havia sequer um aluno ali, Lyra viu o quanto estavam adiantados. Somente naquele momento, depois de meses, percebeu que foi uma má idéia ter dado seu relógio para Nathan brincar. O resultado foi o que esperava, o relógio ficou despedaçado, e faltando peças. Ao menos aprendeu uma lição com aquilo: nunca emprestar algo à Nathan para brincar de mágico. Poderia ter comprado outro, mas nunca fora muito fã de coisas presas ao seu pulso. Agora, definitivamente, precisava comprar outro, caso contrário, Harry continuaria a manipular seus horários até a formatura.
            - Muito bem, qual é a razão para você não me deixar acabar meu café da manhã, e chegar exatamente – ela pegou o pulso de Harry sem um pingo de delicadeza e olhou que horas eram. – vinte minutos mais cedo?
           - Dá uma olhada nisso. – Harry tirou o envelope amarelado de dentro do bolso e o entregou a Lyra.
           Ela correu os olhos rapidamente pela letra garranchosa de Julian. Quando acabou de ler a última palavra da carta, encarou Harry, pasma.
           - Mas que diabos! – ela exclamou.
           - Pois é, mas o que eu queria saber é como que o filho do Ministro da Magia da Itália some da face da Terra, e nada saiu no jornal.
           - Também gostaria de descobrir isso, pois quando a mulher dele quebra uma unha já vira notícia de primeira página. Eles sabem e não contam nada. – Lyra se lembrou de algo que ouviu o pai conversando nas férias com um homem, o qual era nunca vira, no hall de sua casa às onze e meia da noite. – Meu pai sabe, e tenho certeza que o seu também. Mas por que exatamente eles não nos contam nada, e porquê ninguém sabe nada á respeito?
           - Como eu queria ter a resposta para isso. Não faz sentido, meu pai conta sobre tudo que está acontecendo no Ministério, e...
           Harry não teve a chance de terminar a frase porque alguém havia entrado na sala. Era Austin que chegava e sua cara não era das mais animadoras. Os dois foram rápidos e mudaram de assunto quando o loiro se aproximou da mesa onde estavam sentados.
            - Hey, que cara é essa? – Lyra perguntou, fitando o amigo que sentou ao seu lado.
            Ele suspirou e encarou o teto. Estava procurando a melhor resposta para aquela pergunta.
            - Recebi uma carta dos meus pais hoje, parece que eles estão querendo me transferir para aquela escola que eu te falei, na França.
           Fazia alguns meses quando Austin trouxe o assunto da transferência a tona, mas nunca fizeram nada de mais. Ninguém mudava o filho no último ano de escola. Agora estavam tanto Harry quanto Lyra calado, sem saber o que dizer.
            - Mas por que? – Harry quebrou o gelo.
            - Eles estão achando que a Inglaterra não é um bom lugar para se viver, essas coisas, e acham que Paris é melhor. – ele repousou a cabeça sobre os braços e soltou um muxoxo desanimado.
            - Ora! – Lyra elevou a voz. – Eu tenho certeza que há lugares melhores do a Inglaterra, mas não neste momento. Agora, isso aqui é sua casa, falta um ano para nos formarmos, e você tem que ficar.
            - Eu sei. Já falei com eles, mas nenhum dos dois me escuta. Já estão tratando minha transferência. Querem que eu parta antes de outubro.
           - Austin, você não é assim, você não aceita as coisas tão facilmente. – Harry pôs a mão sobre o ombro do amigo, que apenas sorriu tristemente.
           - Eu sei, mas com eles é diferente. Posso contrariar a todos, menos eles.
           - Escuta, legalmente, pelas leis bruxas, você já é maior de idade, já tem dezessete anos. Claro que você pode contrariá-los.
          - É verdade Austin, fale isso com eles. Lyra, peça para Sirius falar com o senhor Williams, ele é bom para essas coisas. – Harry virou-se para Lyra rapidamente, depois voltou a atenção ao loiro ao seu lado. – Eu falo com meus pais. Você pode ficar lá em casa até a poeira abaixar. Tem sempre um quarto sobrando.


          Austin sorriu fracamente. Aquele apoio dos amigos era justamente o que ele precisava naquele momento. Sempre bancava uma pessoa forte, que confrontava os outros sem medo, mas quando se tratava de família, tudo mudava. As aparências enganam quando se trata da família Williams, ele era a prova disso. Apesar de demonstrarem não terem qualquer tipo de problema, além do fato do pai trouxa ser casado com uma das bruxas mais prestigiadas da Grã Bretanha, na casa aonde Austin crescera era um verdadeiro caos. O senhor Williams sempre passava longas noites trabalhando em casos complicados de seus clientes, e a senhora Williams ocupada com o trabalho no hospital, ambos sempre se confrontando quando o assunto era o único filho. Como não passavam muito tempo em casa, tentavam ao máximo educar de Austin, cada um a sua maneira, e, muitas vezes, isso afetava ao rapaz, pois ele não tinha sua opinião. Para uma criança crescer em uma casa como aquela não era fácil, ainda mais quando se tem dezessete anos.
           Ninguém sabia do problema de Austin, nem mesmo Harry, que era seu melhor amigo. Todos não entendiam a fascinação de Austin pelos esportes trouxas, mas isso havia começado por causa da situação em casa. Quando estava saltando de um penhasco com uma corda amarrada nos pés, sentia-se livre, com se fosse o dono do mundo. Tinha aquela sensação de liberdade, a sensação que ele mais desejava em todo o mundo. Agradeceria eternamente aos primos por terem lhe introduzido à esse mundo maravilhoso.
          - Vamos ver se isso se resolve logo, não é mesmo? – o loiro sorriu fracamente. – É melhor não comentarmos isso com ninguém, pelo menos não ainda.
           Lyra lançou um conhecido olhar para Harry. O tipo de olhar que sempre tinha quando queria fazer algo e não sabia como. Precisava ajudar Austin a resolver aquela situação toda, não era justo. Sete anos unidos e não se formarem juntos.
           - Austin, se seus pais querem ir para a França, deixe eles irem. – Lyra levantou e começou a andar de um lado para o outro. – Vamos por as idéias em prática. Tenho certeza que meus padrinhos irão adorar tê-lo em casa.
           - Não vai afetar em nada. – garantiu Harry. – Temos o quarto de hospedes para esse tipo de coisa.


           - Eu estou realmente grato pela ajuda, mas vocês se esqueceram de um pequeno detalhe: eles estão se mudando por minha causa. Acha mesmo que depois de todo esse transtorno de mudança, eles vão simplesmente me deixar para trás? – Austin voltou a encarar Harry e Lyra. – Olha, vamos esquecer esse assunto, depois eu resolvo isso.
            Os dois assentiram em silencio e a contra gosto. Aquele assunto não estava encerrado. Não ainda.
            Alguns minutos se passaram e a sala começou a encher-se de gente, e logo depois que o sinal tocou, a professora Lennox adentrou pela sala e a turma calou-se. Ela sorriu como sempre para a classe e desejou boas vindas. Não havia mudado nada, continuava com os cabelos negros presos num rabo de cavalo miúdo, os olhos turquesa brilhantes, e a pele muito branca. Quando sorria parecia uma boneca de porcelana. Aparentava ser mais nova que o professor Chase, o educador mais jovem de Hogwarts, apesar de ser quatro anos mais velha.
            - Então, meninos? Espero que as férias tenham sido boas, porque esse ano vai ser tumultuado, por isso tratem de pegar seu Manual Avançado de Poções nº 2 e vamos ao trabalho. – ela tirou um livro muito grosso da prateleira perto da escrivaninha e o abriu. – Esse ano será especial, sabem? Não porque será o último ano de vocês, mas sim porque vou dividi-los em duplas, da maneira que eu quiser.
             Aquela notificação gerou um certo pânico entre os ali presentes. Não era uma reação para alguém do sétimo ano, mas ninguém queria submeter-se ao experimento satírico da professora de Poções. Poderiam estar juntos há sete anos, porém se não se uniram até agora, uma nova dupla forçada certamente não irá.
            - Bem, Potter, vá sentar-se à mesa de Malfoy. – ordenou a professora de maneira calma.
            Aquela pequena frase era o que faltava para calar completamente a sala. Tanto Harry quanto Draco encaravam com indignação a professora.
            - Grey, vá e sente-se ao lado da Srta. Black. Williams faça o mesmo que Grey, mas sente-se com a Wine. Newman com Sawyer, Knox com Lamontagne e Milles com Shawn. Vamos! Não temos o dia inteiro! – ela falou, escondendo um riso dos alunos.
             Os garotos começaram se dirigir aos lugares denominados pela professora, e logo estavam todos sentados com os livros abertos sobre a mesa. Quando o barulho de cadeiras mexendo e pisadas foi cessando, podia-se ouvir as imprecações vindas dos jovens.
              - Se eu soubesse que o resultado era esse, teria feito isso há mais tempo, ao invés se ficar gastando minha voz chamando por silencio. – riu ela.
             Harry olhava a professora com uma certa fúria. Aquilo estava longe de ser justo, tantas pessoas ali e era logo com Draco Malfoy que faria parceria naquela matéria até o final do ano. Era o universo conspirando contra ele e o restante da sala.
             A professora passou um leve resumo sobre a poção que iriam preparar, e logo todos estavam pegando os ingredientes e caldeirões.
            - Olha aqui, Potter. Sei muito bem da sua deficiência mental para Poções, mas se estragar isso aqui, juro que eu mesmo enfio o resultado pela sua garganta. – o loiro lançou um olhar ameaçador ao grifinório, que retribuiu com um pequeno gesto obsceno quando o outro se abaixou para pegar a pena que caíra no chão.
            Harry pegou uma faca e uma tábua para começar a picar raiz de aviráz. Enquanto cortava aquela raiz em minúsculos pedaços, desejava que aquela raiz fosse ou a cabeça da professora ou a de Malfoy. Somente com o pensamento já lhe deu um pouco de alegria. Eram pensamentos perversos, mas nada se comparava a perversidade da professora Lennox de deixá-lo preso à Malfoy o ano letivo inteiro.  
             - Potter! Acorda! Pica isso direito, em pedaços longo e finos, não em triângulos. Já sabia que era cego, mas não que era tão estúpido. – disse Draco, ríspido.
             - Oras, Malfoy. Já que se acha tão bom, porque não o faz você mesmo? – Harry largou a faca e a colocou na frente de Draco.
            - Não seja burro, Potter. Se eu pudesse fazer essa poção sozinho, pode ter certeza que eu faria, mas um horário é pouco tempo, então pare de chorar e faça o corte direito! – ele mandou a faca novamente à Harry.
            - Potter e Malfoy! Por acaso os senhores querem começar esse ano com detenção? – perguntou a professora, com a sobrancelha direita erguida.
            Harry bufou enraivecido e voltou a picar as raízes, enquanto Draco preparava a balança e outros ingredientes.
            No ouro extremo da sala, Lyra xingava baixinho. Detestava cortar aquelas coisas. Na verdade, detestava qualquer coisa relacionada a Poções.
             - Se continuar assim, daqui a pouco nem desinfetante limpa a sua boca. – disse Tristan, com um sorriso de meia boca.
            - Eu odeio isso aqui. – ela choramingou.
            - Foi você quem escolheu isso, Black. – ele apontou para os intestinos picados e quase fez com que Lyra botasse para fora seu café da manhã. - Era a raiz ou as tripas de besouro.
            - Eu odeio Poções! – exclamou a menina, baixinho.
            - Você acha que todos aqui nessa sala gostam de mexer com tripas de besouro? – ele riu da cara desiludida que Lyra fez. – Pense nos resultados, na poção que terá em mãos.
            - Terá em mãos vírgula, ela sempre fica com todas as poções. – Lyra lançou um olhar feio à mulher que transitava por entre as mesas. – A única pessoa que parece estar gostando dessa meleca é Draco. Olha a cara de satisfeito dele mexendo naquelas tripas.
            Tristan visualizou o companheiro de casa. Era verdade, ali na sala, ele parecia ser o único que não xingava a Lennox por causa das tripas de besouro.
            - Todos temos gostos diferentes. – ele palpitou.
            - Graças a Merlin. Mas só louco para gostar dessa matéria maldita! – Lyra fez uma careta.
             - Não é a questão dos ingredientes, Malfoy gosta é do poder que as poções possuem. Com tão diversas substâncias, pode-se se criar algo útil.
            - Eu resumo isso em uma palavra: louco. – ela comentou mal humorada.
            - Black, eu desisto. Estava tentando lhe ensinar a relaxar em uma aula de Poção, mas pode continuar a sujar a sua boca. – ele não disse mais nada depois daquilo.
            Os minutos foram se passando, os ponteiros do relógio se movendo. Alguns pareciam ter apreciado a troca, como Austin e Isabelle, por exemplo, ou Andrea Sawyer e Peter Newman. Outros apenas aceitavam sem pestanejar, e ainda havia aqueles que tinham certeza que aquele seria um longo ano para Poções.
            - Cala boca, Malfoy! Vá jogar suas pragas em outro, ok? – disse Harry, com os nervos a flor da pele. Tinha sua paciência testada como nunca antes. O que lhe alegrou naquele momento foi olhar para o relógio e se dar conta que o sinal já estava para bater e a poção quase pronta.
            - Potter, acredite, se eu ficasse calado durante esta aula, era certeza que você explodiria esse caldeirão. – Draco riu com desdém. Apesar de não aprovar totalmente a escolha da professora, conseguiu tirar algum proveito daquela situação desgraçada. Torturar Harry Potter por cinqüenta minutos não era de todo o mal.
             Harry não teve tempo de responder, pois o barulho do sinal eclodiu pela sala.
             - Por Merlin! Estava demorando.  – ele levantou-se, pegando a mochila e indo na direção da mesa de Lyra.
            - Ótimo, pessoal, larguem tudo que estiverem em mãos e andem para a próxima aula. – disse a Prof. Lennox. – De tarefa, tragam só um apenas um relatório, um completo e detalhado relatório. E nada de cópia, compreenderam?
             Ela sabia perfeitamente que dizer aquela última frase era o mesmo que falar para o vento parar de soprar. Não aprovava cópias, mas também não tinha como evitar. Tinha pena de dar zero aos meninos, mas isso não queria dizer que não podia dar uma nota um tanto baixa também.
            - Muito bem Black, agora, por último tampe o pó de kricle. – Tristan disse a garota pacientemente, apesar de já estar sem um pingo de paciência. Tinha conhecimento que Poções não era seu forte, mas não sabia que ela era tão ruim assim.
            - Certo. – ela assentiu e pegou o pequeno pote sobre a mesa e começou a procurar pela tampa.
            Muitas vezes acidentes acontecem, por mais que pareçam ser de propósito. Quando Lyra conseguiu achar a tampa do pote, acabou derramando um pouco do pó do caldeirão, que logo começou a tomar uma cor roxa, e era para ficar alaranjada. A espuma começou a subir, quase derramando do caldeirão.
            - Black! – gritaram Tristan e a professora ao mesmo tempo.
            O resto da turma abaixou-se bem a tempo do caldeirão explodir. Era exatamente aquele tipo de cuidado que Tristan falara para Lyra ter.
            Quando a substancia roxa parou de borbulhar, todos ali na sala saíram para sua próxima aula, menos Tristan e Lyra, os únicos que Lennox segurara.
            - Santo Merlin! Black! – ela andava de um lado para o outro, vendo a bagunça espalhada pela sala inteira. – Não há uma aula em que você não cause confusão?
            A garota continuava com o olhar no sapato. Odiava quando aquilo acontecia, e como acontecia. Queria descartar Poções desde o sexto ano, mas os melhores estágios na área que procurava exigiam o conhecimento em Poções. Sendo assim, teria de agüentar aquilo por mais um ano.
            - Você também, Sr. Grey. Eu resolvi mudar de estratégia esse ano para ver se há alguma melhora. É para vocês se ajudarem e tomarem conta um do outro.
            - Eu não sou babá de ninguém. – disse o garoto, olhando de viés a Lyra.
            - Calado, eu estou falando. – ela o interrompeu. – O segredo das boas parcerias não é serem bons amigos nem nada, mas é pensar no que estão fazendo a cima de tudo, deixando suas diferenças de lado, um ajudando o outro.
            A professora encarou o quadro negro a sua frente e depois voltou o olhar aos dois alunos. Respirou fundo, precisava recuperar a paciência, e depressa.
            - Detenção para os dois. – ela falou por fim.
            - O que!? – Tristan encarou a mulher, incrédulo.
            - Você me ouviu, Grey. Ela fez o erro, mas você não ficou de olho para impedi-la, então, detenção para ambos. Você cumprirá na sexta à noite e Black no sábado. Arranjaremos algo para vocês, agora sumam daqui antes que lhes dê mais um dia de castigo.
            Os dois recolheram o material e correram para fora da sala, sabiam muito bem que Lennox nunca fazia brincadeiras. E se ela dissera que aumentaria o número de dias, certamente o faria.
            - Black, como você consegue colar nos testes? – Tristan virou-se para ela, de cara fechada.
            - O que? Está louco, é? – ela o encarou, sem entender.
            - Bem, para você estar aqui hoje, só através de cola.
            - Ah, não amola. – a garota revirou os olhos, tentando ignorar a carranca que Tristan fazia.
            Eles continuaram caminhando até o saguão de entrada. Lyra parou de andar e encarou o garoto, que ainda continuava enfurecido.
            - Grey, aprenda a desencanar das coisas, pois essa cara feia sua já está irritando.      


            - Jura? Então funcionou? – ele abriu um pequeno sorriso sarcástico.
            - Vou ignorar isso. Eu tenho Trato de Criaturas Mágicas, vou descer. E você vai subir? – ela apontou para as escadas.
            - Acho que eu nunca fiquei tão feliz em ter aula de Feitiços. – ele riu irônico. – Bem, até o próximo martírio. Veja se não explode nenhum animal. – e depois começou a subir as escadas rapidamente, estava atrasada e o professor Schmid não era tão compreensivo quanto o professor de Trato de Criaturas Mágicas.
           Lyra jogou um último olhar as escadas e começou a correr para os jardins. O dia estava nublado, mas bonito também. Hagrid cuidava daquele jardim como ninguém. Apesar de estarem entrando no outono, época que não restaria uma folha nas árvores, o jardim ainda continuava belo.
            Ela atravessou o gramado correndo, tanto que chegou ao local da aula bastante ofegante. A turma já havia começado a trabalhar e o professor Stevens apenas observava de longe o resultando de cada grupo.
            Aquele era o professor preferido de Lyra. Era um senhor de pouco mais de sessenta anos, com os cabelos grisalhos e a barba bem feita. Ela adorava seus olhos. Aquele tom de azul esverdeado belíssimo, que sempre estavam a espreita com a maior tranqüilidade do mundo. Ele sempre estava usando um chapéu trouxa meio surrado e poderia dizer-se que era da década de cinqüenta pelo modelo. Geralmente era com aquele professor que Lyra conversava e pedia conselhos quando fazia seus passeios noturnos pelos jardins. Sempre o encontrava no meio do caminho quando retornava para o castelo.
            Discretamente, caminhou até onde o professor estava. Quando ela abriu a boca para explicar o ocorrido, o professor ainda sem se virar para trás, falou calmamente:
           - Tente não explodir nenhum de meus animais, menina. – riu ele ao ver o tom rosado se apoderar das maças do rosto da garota.
          - Não é a primeira vez que ouço isso. – ela lembrou-se do pequeno comentário do parceiro de Poções logo antes dos dois tomarem rumos diferentes. - Então o senhor já soube do meu pequeno incidente da aula de Poções. – ela disse um pouco sem-graça.
          - As notícias correm rápido por aqui. Vá até aquele grupo de Corvinais ali, eles são apenas dois. – com a mão um pouco trêmula, apontou para um canto onde havia apenas dois garotos, apenas um, Lamontagne, estava na aula de Poções, e o outro era McLachlan. – Primeira aula, então resolvi ser bondoso. São worklafes.
           Lyra não pôde deixar de sorrir. Estava feliz por não ser um verme, como foi na primeira aula do ano anterior. Caminhou por entre as árvores até onde os dois garotos estavam com o animal.
           - Hey. – ela acenou. – Como estão indo as coisas por aqui?
           - Oi, Lyra. – Blake Lamontagne disse, e tentava a muito custo esconder o riso. – Quantos dias de detenção?
           - Acho que foi só um mesmo. Sábado. – ela respondeu revirando os olhos. Um dia de detenção não era de todo o mal, porém detenção na primeira semana era irritante.
           - A Lennox foi boa demais com você. – Cameron McLachlan tirou os olhos do animal e encarou Lyra, tão risonho quanto Blake.  – Geralmente você ganha uns quatro.
           - Verdade.  Acredito que ela está começando a sentir pena de mim. – Lyra riu ao lembrar da cara furiosa da professora de Poções. – O Grey acabou pegando um dia também, só que a detenção dele é na sexta. Coitado. Mas pelo menos eu não fui para o buraco sozinha.
           Lyra simpatizava bastante com aqueles dois. Embora não falassem muito, os achava ótimos. Blake era muito alto, com os cabelos negros e arrepiados, não tanto como os de Harry, olhos da mesma coisa dos cabelos, e uma pequena cicatriz em cima da sobrancelha direita, ganha numa briga no ano passado. Ele era exatamente como os outros dois irmãos, ela se lembrava muito bem disso no jantar que teve durante as férias, para comemorar o aniversário do senhor Lamontgne, avô dele. Sirius conhecia bastante a família do garoto, estudara com o pai de Blake.
           Quanto à Cameron, não o conhecia muito bem. Ele continuava o mesmo de sempre, os cabelos acaju, com corte de tigela, os olhos verde escuro meio puxados e o nariz que mais parecia uma batata. O que mudara naquele ano foi que havia uma pequena argola presa no topo da orelha direita do rapaz.
           - Cameron, isso é um brinco? – Lyra aproximou-se um pouco, para uma melhor visão. Aquilo definitivamente era um brinco.
           - Ahan. Fiz nas férias. Ia colocar na sobrancelha, mas minha mãe não deixou. – ele dizia aquilo com uma simplicidade assombrosa. Cameron era nascido trouxa e sempre tinha algumas inovações um tanto incomuns, até para os alunos de Hogwarts.  
           O pequeno worklafe chegou mais perto de Lyra e com o focinho rosado, cheirava e procurava ao mesmo tempo comida na mão de Lyra. Aquele era um animal engraçadinho, traiçoeiro, mas engraçadinho. Parecia uma raposa do ártico, mas tinha os olhos muito grandes para confundir com uma raposa, e sua cauda era bem menor. Antigamente era muito utilizado para procurar pedras preciosas, mas quando vários grupos de proteção aos animas mágicos começaram a se manifestar, uma lei foi lançada e assim foi proibida o uso de worlafes para trabalho.  
           - Uma pequena pergunta: É para fazer o que com isso? – Blake apontou para o animalzinho.
          - Sorte de vocês que eu estou aqui.- Lyra riu quando os dois garotos reviraram os olhos.
           Aquela não era uma turma muito grande, talvez fosse a menor de todas do sétimo ano. Poucos precisavam cursar Trato de Criaturas Mágicas, e o número caía ainda mais quando se tratava dos que queriam fazer a matéria porque gostavam. Daquela pequena turma, Lyra pertencia ao segundo grupo. Ela amava mexer com os animais, não todos, porém a grande maioria. Simplesmente, adorava as aulas do professor Stevens, e o melhor de tudo era que ele dava pouco dever de casa, então não prejudicava muito na hora de juntar com as tarefas das outras matérias.
           Era espantoso como o tempo voava naquela aula, e mais ainda como aquele dia inteiro passou num piscar de olhos. Era apenas Poções que não suportava, quanto ao resto, Lyra gostava de todas, umas mais, outras menos.
           Ela estava surpresa com a velocidade com que aquele dia transcorreu, parecia que só porque era seu último ano, tudo estava indo mais rápido. Era uma das poucos que não tinha precisava cursar tantas matérias. Em seu horário havia apenas Trato de Criaturas Mágicas, Poções, Feitiços, Transfiguração e Defesa Contra as Artes das Trevas. E de todas essas matérias, a única que lhe causava problemas por ser avançada era Defesa Contra as Artes das Trevas II. O resto não era de todo o mal.


           Não gostava muito daquela subdivisão, I e II. Aquilo acabou distanciando um pouco dos amigos, que antes passavam o dia inteiro com as mesmas aulas. Harry lhe acompanhava em Poções e Defesa Contra as Artes das Trevas, Austin somente em Feitiços, assim como Ron; Hermione apenas em Defesa Contra as Artes das Trevas – ela cursava quase todas as matérias II. Acabou que só se viam praticamente no final do dia ou em horários livres.
           Já era tarde quando acabaram de fazer os deveres. Austin, como sempre, fez mais rápido do que qualquer um, e ninguém sabia como. O amigo loiro lembrava um pouco Sirius e James, pois quase nunca estudavam e sempre tinham as melhores notas no exames finais. Ron adormecera sobre o livro de Feitiços há dez minutos e Hermione, desesperada como sempre para acabar duas redações que eram para semana que vem. Ao contrário de Lyra, que deixou o relatório de Poções para outro dia, Harry tentava a todo custo finalizá-lo. Como só teria aula de Poções mais para o fim da semana, Lyra preferiu adiar um pouco mais aquele suplício.
           - Austin, você falou com Reese hoje? Nem a vi sequer não almoço. – disse Lyra, que continuava a escrever uma carta ao pai. Sempre, desde o primeiro ano, ela escrevia ao pai contando como fora o primeiro dia de aula. E pela primeira vez Sirius teria a surpresa de saber que Lyra ganhara detenção na primeira aula. E, sinceramente, ela não sabia se isso o deixaria orgulhoso ou transtornado.
           O loiro bufou e fechou a cara. Lyra olhou para os outros, confusa, não compreendendo aquela reação do amigo.
           - Ele está bravo porque pegou a Reese beijando um garoto da Lufa-Lufa em um corredor qualquer. – disse Ron ainda com os olhos fechados. Ele era o único que não achava tanta graça da situação. Era tão ciumento quanto Austin quando se tratava da irmã caçula.
           - Vai rindo, Rony. Ano que vem você não vai estar aqui para salvar a pequena Ginny dos urubus que a rondam, apesar de não valer muita coisa os ataques que você dá cada vez que ela chega perto de um cara. – Austin abriu um pequeno sorriso sarcástico, e não deu a mínima ao gesto obsceno que Ron fez.
           - E quem é o felizardo? – Harry entrou na conversa, mas sem abaixar a pena. – Nós conhecemos?
          - Não. É um paspalho qualquer. – ele fez uma careta de desaprovação.
          - Aust, lembre-se que Reese é excelente em Feitiço. Ela dará um trato no sujeito se este precisar. – Harry pousou a pena ao lado do pergaminho escrito pela metade. Seguiria o exemplo de Lyra e deixaria aquela tarefa para outro dia. – Tente relaxar.
          - Jura? E vai me dizer que você é o ser mais relaxado quando o assunto é Victoria. – ele olhou de relance para a ruiva que conversava com algumas meninas do outro lado da sala.  
           - Ao menos Reese pensa antes de qualquer coisa. – ele riu e olhou para irmã. – Vic é cabeça de vento. É meu dever interferir.  


           Lyra ria daquele papo. Não tinha irmão mais velho, mas sofria o tanto que Reese, Ginny ou Vic sofriam por conta disso. Harry foi sempre como um irmão para ela e Austin começou a seguir o mesmo caminho também. Lembrava que demorou semanas até que os dois parassem de implicar com Thatcher.
           - Eu vou até o corujal, despachar esta carta. Alguém vêm? – Lyra deu uma boa espreguiçada e levantou da cadeira.
- Desculpa, mas tenho que acabar isso, Lyra. – Hermione nem a encarou, seu olho continuava vidrado no pedaço de pergaminho.
           Ron também negou, alegando que a preguiça era grande demais para o fazer subir tantas escadas. Então restaram Harry e Austin.
           - Vamos, Austin, você está á toa. – ela pegou o enorme braço o garoto e começou a puxá-lo, sem quase o fazer mover-se.
          - Nem. Subir aquele tanto de escada? Nessa eu estou com o Ron. – ele abriu a boca para dar um longo bocejo.
           - Imprestável. – ela revirou os olhos, já conhecia aquela voz de preguiça. Vendo que Austin não iria nem amarrado, virou-se para Harry com um sorriso inocente. – Que tal dar um passeio, Harry? Você não vai mais mexer com o relatório mesmo.
           Ele ponderou por alguns segundos e acabou cedendo. Fechou o livro de Poções e o guardou na mochila, de onde tirou um pedaço de papel amarelado.
           - Eu também tenho que despachar uma carta. – disse ele pondo-se de pé.
           - Oh, que gracinha. – Austin falou com voz de deboche. – Uma carta de amor para sua amada secreta.
Harry lançou um olhar mortal à Austin e puxou Lyra pelo braço, indo na direção da saída.
           - Amada secreta? – ela desvencilhou-se das mãos de Harry e parou quando estavam do lado de fora da entrada, em frente ao quadro da mulher gorda.
           - Você o conhece e sabe como ele gosta de brincar. – explicou Harry, na tentativa de tirar aquele grande olhar questionador dos olhos de Lyra.
           Ele meneou a cabeça. Iria matar o amigo quando voltasse. Austin e sua boca grande que nunca ficava fechada. Harry não tinha nenhuma amada secreta, mas tivera um sonho com uma garota que ele não sabia identificar na noite anterior. Não se lembrava de nada, mas, segundo Austin, o sonho estava indo muito bem, pois Harry não parou de sorrir até o loiro jogar um copo de água gelada para despertá-lo para a aula.
           Os dois correram o mais rápido que suas pernas agüentavam, e bastante discretos também. Tinham de ter cuidado com Filch, Lyra já pegou uma detenção naquele dia, não ia pegar outra. Seria mais fácil usar o mapa do maroto, mas Harry não iria ao dormitório para pegar o pergaminho apenas para uma rápida ida ao corujal.
           Os corredores estavam desertos, não havia nenhum aluno passando por ali. Já fazia meia hora desde que começou o toque de recolher, mas sempre havia algum engraçadinho perambulando por aí tarde da noite. Harry às vezes saía para ir aos jardins ou à cozinha com Austin, mas suas saídas não eram tão freqüentes quanto as de Lyra.
           O corujal estava silencioso. Lyra correu até onde Alioth estava. A coruja estava toda encolhida num cantinho, parecia estar com frio, mas Lyra sabia muito bem que aquilo era para chamar atenção. Tinha de admitir que sua coruja era um tanto carente.  
           Quando cutucou a coruja, ela não pareceu estar muito satisfeita em voar naquela hora, ainda mais com o vento que estava soprando do lado de fora.
           - Vamos, Ali. Preciso que entregue isso ao papai. – ela amarrou o papel à perna da ave e a pegou no colo. – Terá uma surpresa quando voltar, agora vá.
           A coruja preta deu um pequeno pio de levantou vôo. Saiu por uma das grandes janelas e logo desapareceu na escuridão.
           Harry caminhava lentamente, olhando vago para as aves. Lyra já devia saber que ele estava mentindo quando disse que ia mandar uma carta também. Talvez fosse devido á longa convivência ou qualquer coisa do gênero, mas Lyra era quase como um detector de mentiras quanto se tratava de Harry. Costumava acertar quase todas as vezes que ele escondia algo, mas naquela noite passou despercebido.


           - Então? O que exatamente você veio fazer aqui? - ela perguntou soerguendo a sobrancelha direita e se aproximando para encará-lo na luminosidade da fraca lanterna de fogo na parede.
           - Não terminamos de falar sobre o que Julian contou na carta.
           - Harry, eu também achei a situação toda muito estranha, mas não creio que não tenha muito o que possamos fazer no momento, sabe? Meu pai virá aqui dentro de três semanas, para falar com Dumbledore sobre sei lá o que, então eu vejo se consigo arrancar alguma coisa dele.
           - Eu não me conformo, não tem sentido isso. Não sair nada no jornal...
           - A mídia pode ser manipulado por órgãos maiores, Harry.


           E mais uma vez, eles foram interrompidos por alguém. Só que desta vez não era Austin, era uma pessoa mais baixa, de cabelo castanho-claro e com profundos olhos azuis e acima de tudo uma corvinal.
          - Err, oi. – a garota acenou discretamente. – Desculpa, interrompi algo, não é?
          - Que nada, Isabelle, eu só estava contando para o Harry da minha mais nova detenção. – Lyra sorriu para a corvinal, disfarçando o clima tenso que se aglomerou do lugar. – Eu vou para o dormitório antes que esse passeio me renda mais uma detenção. Tchau para os dois.  
          Lyra deu uma piscadela para Harry e começou a descer as escadas, sem dar a mínima chance para o amigo dizer qualquer coisa.
          - Bem, deixa-me enviar logo isso. – Isabelle pegou o pedaço de pergaminho no bolso e se encaminhou para perto de uma coruja pequena e castanha, com pequenas pintas brancas ao redor da cabeça.
          Harry deu passagem para ela chegar ao outro estremo do local. A torre era um tanto estreita devido à tantos ninhos e gaiolas para as aves. Ao menos a demanda de alunos nunca era alta para chegar a incomodar quem estava ali ou até mesmo as aves.
          - Como foi o primeiro dia de aula? – ele perguntou com a voz baixa, tentando quebrar o gelo.
          - Normal, apesar de que eu acho que matei umas das plantas da professora de Herbologia. – ela deu de ombros. – E você?
          - O usual e quilômetros de pergaminhos como tarefa de casa. McGonagall realmente deveria adquirir um novo hobby ao invés de nos matar com tanta tarefa de casa. – Harry riu levemente, e acabou arrancando um pequeno sorriso da garota.
           - E quando vocês vão começar os treinos de quadribol? – depois de libertar a ave para vôo, Isabelle começou a se dirigir à saída, e Harry a seguiu.
           - Acho que semana que vem, Austin tem que escolher o novo batedor. – conto o moreno, já sentindo o cansaço antecipado dos testes chegando. Era extremamente entediante os testes, embora muitos fossem cômicos. Um ou outro era digno da vaga, mas a grande maioria dos mal sabia montar em uma vassoura.
           - Verdade. Jack não fará muita falta para mim, mas com certeza para vocês ele vai. – Jack Wallace era o batedor do time da Grifinória até o jogo final da última temporada, porém ele se formou e agora precisavam achar outro batedor. Jack sempre ficava na cola de Isabelle, os dois disputavam quem nocauteava mais jogadores por jogo.
           Eles passaram a caminhar silenciosos pelos corredores. Ambos estavam longe das duas salas comunais, e teriam um longo caminho até os dormitórios. Tinham de atravessar o castelo, e ainda por cima, sem serem vistos por Filch.
           - Você parece calma demais. – sussurrou Harry.
          Ela riu tranquilamente, e meneou a cabeça em negativa.
          - Filch está tirando um cochilo em sua sala. - ela comentou, com simplicidade.
          - Apenas uma pequena pergunta: Foi você quem fez ele tirar esse cochilo? – o garoto parou de andar e a encarou com um olhar divertido.
          - Não, não. – ela negou. – Só sei que foi com especiarias dos irmãos do seu amigo ruivo.
           Agora Harry se lembrara que Fred e George estavam trabalhando com os utensílios que criavam. Aquilo era bom para eles, os dois tinham talento para a coisa, e era ótimo para os compradores, pois a mercadoria era de primeira. Uma pequena empresa os patrocinava e assim conseguiram montar uma pequena loja nos arredores de Londres, que só crescia de vento em polpa.
           - E quanto aos professores? Não há nenhum fazendo a ronda hoje? – ele estava decidido a não pegar uma detenção naquela noite, não na primeira noite na escola.
           - Acho que não. A maioria deles está bolando aulas ou algo parecido.
           O silencio voltou a pairar ali. Harry nunca fora muito íntimo de Isabelle na escola, embora sempre se encontrassem durante a infância. Ele conhecia a maioria dos filhos dos que trabalhavam no Ministério. O pai de Isabelle foi colega no departamento de seu pai e Sirius. Tinha o conhecimento que ela tinha três irmãs mais velhas: Juliet, Violet e Nicolet. Harry só chegou a conhecer Juliet, ela era um ano mais velha que Isabelle e estudou em Hogwarts até antes do verão. Não se lembrava muito bem das outras duas. Possuía memórias vagas de Nicollet, mas de Violet não se recordava, só sabia que ela estava casada e morava na Itália.
           - Hum, acho que você vai achar estranho, mas agora que eu me toquei de uma coisa. – Harry enrugou a testa. E era verdade, só juntou as peças naquele momento. – Por que os nomes das suas irmãs têm as mesmas terminações e o seu é diferente?
           A garota riu. Todos faziam aquela pergunta.
           - Meus pais tinham um trato. Cada menina que nascesse minha mãe escolheria o nome que quisesse e meu pai aos meninos. – ela riu, ao se lembrar do pai explicando aquilo para ela, quando ainda era pequena. – Talvez se ele tivesse prestado mais atenção nas aulas de adivinhação, certos acordos poderiam ter sido evitados.


           - Quando eu nasci – continuou. - minha mãe ficou com dó e deixou meu pai escolher meu nome, embora ela já tinha Margaret em mente.
          - E você preferia Margaret ou Isabelle?
           - Por Merlin, Isabelle. Graças a Morgana que consegui escapar dessa. – ela murchou. – Não totalmente, meu nome do meio é Margaret.
           Harry riu novamente e em seguida o silencio voltou mais uma vez. Aquilo já estava irritando Harry. Detestava ficar sem assunto, o que estava acontecendo muito freqüentemente naquela noite.
           - Hum, certo. Melhor ir direto ao assunto. – Isabelle parou de caminhar novamente e segurou Harry pelo braço, fazendo-o parar também.
           Ele a encarou, confuso.
           - Você também recebeu uma carta do Julian, não é?
           A ficha demorou um pouco a cair. Como exatamente ela sabia de Julian e da carta? Mas compreendeu quando ela acrescentou o “também” à frase. Parecia que não era somente ele quem recebera notícias do amigo estrangeiro.
           A reação de Harry foi a resposta que ela esperava para a pergunta que não saía de sua cabeça desde que recebeu a carta, naquela manhã.
           - Como isso não saiu no jornal? – ela indagou, fazendo a pose que sempre fazia quando tinha algo martelando em sua cabeça. Tinha a testa enrugada e os braços cruzados.
           - Eu venho me perguntando a mesma coisa desde que essa carta chegou às minhas mãos. – disse Harry. – Não sabia que você conhecia o Julian.
           - Ele é um velho amigo. Eu o conheço desde pequena. Alguém mais sabe dessa história do desaparecimento do rapaz?
           - Apenas Lyra.
           - Ótimo! – ela sabia muito bem como as coisas funcionavam em Hogwarts, em menos de um dia, todos no castelo ficavam sabendo o que saiu da boca de apenas uma pessoa. – É melhor continuar assim. – olhou rapidamente no relógio em seu pulso, depois voltou a atenção ao garoto ao seu lado. – Melhor eu ir andando, você tem que subir e eu ir para a direita.
           - Certo, avise-me de qualquer coisa. Isso foi totalmente estranho.
           - O que mais tem acontecido nesse mundo louco é estranheza. – ela riu. Os jornais não mostravam muita coisa, mas ela sabia do que acontecia. Era útil ter uma irmã trabalhando no Profeta Diário. – Olha, minha irmã vai me fazer uma visita no primeiro fim de semana em Hogsmead, venha com Lyra. Nicky tem algumas cartas na manga que não pode mostrar ao público, mas isso não significa que nós não podemos ficar sabendo o que é.
           Harry assentiu muito grato. Então estava marcado, na primeira visita ao vilarejo eles iriam se reunir. Quando estiver mais perto do encontro, iria especificar o lugar e a hora.
           - Bem, então a gente se vê por aí. – ela abriu um pequeno sorriso e postou um leve beijo na bochecha de Harry, e depois desceu as escadas. Sua sala comunal ficava um andar abaixo.
           Harry fez o possível para não corar, e ainda sentiu as maças do rosto magro arderem. Rolou os olhou e meneou a cabeça. Fazia tempo que não corava assim com um leve beijo na bochecha.


           Estava muito grato pelo convite. Talvez aquilo resolvesse e acabasse com as dúvidas que rondavam em sua cabeça desde o início da manhã.
           O que mais deixou Harry intrigado foi o fato dela ser amiga de Julian. Muitos em Hogwarts o conheciam, mas não eram íntimos para compartilhar aquele tipo de segredo. Ele pensava que conhecia um pouco sobre aquela corvinal, mas a verdade era que sabia tanto como qualquer um da escola. Agora entendia o que o pai sempre falava sobre as aparências, e como o enganavam. Nunca poderia imaginar que Julian havia mandado uma carta à Isabelle. Agora se perguntava se havia mais alguém que tinha conhecimento daquele assunto.
           Voltou rapidamente á torre. Ao passar pela porta, viu que a sala estava totalmente vazia, exceto por uma certa pessoa sentada em um dos sofás, alguém que Harry tinha vontade de esganar naquele momento. Ela o encarava com um sorriso divertido.
           - O que foi aquilo lá em cima? – ele perguntou, sentando ao lado de Lyra.
           - Nada. Achei que você quisesse apreciar uma outra companhia feminina. – Lyra disse, com um ar cândido.
           - Certo. – Harry ignorou a falsidade daquela última frase e foi direto ao assunto. – Você não vai acreditar no que aconteceu.
           - Já sei! – ela pulou para o tapete, gargalhando ao ver que Harry corara levemente. Pela segunda vez naquela noite. – Eu sabia que vocês iam dar uns malhos se os deixasse sozinhos.
           Ele ignorou a última frase e explicou com todos os detalhes o que Isabelle tinha lhe falado naquela noite. Quando acabou de falar, Lyra estava mais ou menos com a mesma expressão quando Harry recebera a notícia alguns minutos atrás.
           - Puta que... – ela o encarou. – Desculpa, mas isso merece um palavrão. Por essa eu não esperava.
           - Absolutamente ninguém esperava por essa.
           - Então, agora temos compromisso quando formos à Hogsmead?
           - Isso mesmo. – Harry confirmou.
           Ela levantou-se do chão e sentou ao lado de Harry novamente.
           - E quando vai ser isso mais ou menos? – ela levou a unha à boca, como sempre fazia quando estava pensativa.
           - Tira o dedo da boca! – Harry riu e puxou o braço dela para baixo, deixando-a um pouco brava. – Em duas semanas, creio eu.
           - Melhor eu começar a pensar numa boa desculpa para dispensar o Thatcher. – disse ela, fitando a escuridão lá fora e começando a aceitar o sono que vinha lhe perseguindo há alguns minutos.



           Sirius acordou cedo naquele sábado de manhã. Era um verdadeiro milagre, e a contra gosto estava de pé às sete da manhã em um final de semana. Mas tinha compromisso, não deixaria o garoto na mão, e caso o fizesse, arcaria com as com as conseqüências depois.
           Estava cansado. Aquela semana foi pesada, Lyra longe, o Ministério em pleno caos com os repentinos desaparecimentos dos aurores e de bruxos de outros departamentos, e a partida de Christopher Wine que já fora anunciada. Ele tinha de admitir que aquele lugar não seria o mesmo sem ele.
           Olhou pelo quarto, a procura da camisa sem manga que estava vestindo na noite anterior. Não a viu sobre a cadeira ou jogada dentro do guarda-roupa, então se abaixou e lá estava embaixo da cama. Vestiu a camisa se perguntando como fora parar ali, tinha a mais absoluta certeza que a tinha deixado sob a cadeira.
           Saiu do quarto descalço, apesar do tempo estar fechado e o chão frio. Ficou a semana inteira com aquele sapato apertado, agora queria um pouco de paz.
           Bateu uma tristeza quando passou pelo quarto de Lyra. Estava totalmente vazio. Sentia falta de tê-la em casa. Eram boas as lembranças de quando a menina ficava em casa por tempo integral, antes de ir para Hogwarts.
           A cozinha estava uma bagunça. Esqueceu-se de arrumar tudo depois do jantar. Agora estava com mais preguiça que noite anterior. Ia arrumar quando voltasse.
           Rapidamente, pegou um par de tênis no armário, uma calça jeans e uma camiseta branca, para pôr por cima da regata que estava embaixo da cama. Não se importava se saísse de casa parecendo um trouxa, mas em hipótese nenhuma iria vestis as pesadas vestes  bruxas naquele dia.  
           Depois de pronto, deu uma rápida checada na casa, para ver se tudo estava certo, e em fim aparatou no hall e entrada daquela conhecida casa.
           - Sirius! – exclamou alguém atrás dele, que logo pulou sobre os ombros de Sirius.
           - Então, garoto, pronto para um grande dia? – perguntou ao garotinho pendurado em suas costas.
           - Sim! A principal liga inglesa contra a principal liga francesa, essa será uma grande partida! – ele estava excitado com aquilo. Esperava por aquele jogo desde o início do verão. Adorava os jogadores franceses, apesar de torcer pela Inglaterra, claro.
           - Ótimo. Vou tomar um café e você acaba de se arrumar. – disse Sirius pondo Nathan no chão.
           Na cozinha estava um cheiro bom, algo acabara de sair do forno e logo Sirius sentiu o estômago roncar.
           - Como sempre chego na boa hora. – ele atravessou a cozinha e cumprimentou Lily.
           A ruiva estava com um ar de preocupação que a seguia por dias. Tudo havia se acumulado em sua cabeça. As confusões do Ministério e ainda o excesso de trabalho no hospital, fora que ainda não resolveu a questão de onde deixar Nathan quando estivesse no trabalho. Aquilo de levá-lo para o St.Mungos não estava funcionando, ele irritava a maioria dos pacientes com suas traquinagens e tinha o risco de contrair alguma doença. A última coisa que Lily precisava era de ter mais um doente para cuidar, e este dentro de casa.
           Ela não sabia como agradecer a Sirius por ficar com o menino naquele sábado. Tinha de dar um plantão de última hora e James, por causa das férias prolongadas, estava cumprindo hora extra, para deixar tudo em dia.
           - Lil, licença, mas eu estou com fome. - ele sentou-se à mesa, acompanhado por Nathan, que ainda não acabara de comer o cereal.
           - Fique a vontade, Sirius. E, mais uma vez, obrigada. – ela o beijou rapidamente na bochecha e depois foi se despedir do filho. Passou rapidamente as regras de sempre. Se comportar, não fazer bagunça e não desgrudar de Sirius nem por um minuto se quer.
           Quando Sirius acabou de comer, Nathan já o esperava, impaciente. Não queria se atrasar, embora soubesse que o jogo não estaria muito cheio, pois a temporada de férias já havia terminado. Saiu na direção do jardim, seguido por Nathan, que saltitava logo atrás. Tinha colocado a chave e portal ali, para facilitar a locomoção até o campo.
           O jardim era enorme e ele não estava se lembrando de onde havia deixado a chave de portal. Recordava-se de ser uma ferramenta trouxa para molhar as plantas, a qual não sabia o nome.
            Sorte o tal apetrecho era algo chamativo, um vermelho berrante. Segurou firme na mão do menino antes de tocar na mangueira, tinha de certificar-se de que nada iria acontecer a Nathan, caso contrário, Lily comeria seus rins.
           Ao tocar no objeto vermelho, sentiu como se estivesse saído do chão e logo aquele mal estar voltou ao seu estômago. Agora estava arrependido de ter comido tanto no café da manhã.
           Em questão de segundos, os dois estavam diante de um gigantesco estádio de quadribol, todo decorado com as cores dos times que jogariam naquele dia. Como já previra, o lugar não estava cheio, apenas com vários fanáticos por quadribol.
           Sirius procurou, mas não achou nenhum conhecido, a maioria estava trabalhando ou descansando em casa. Aquilo era bom, sempre que encontrava alguém do ministério, significava que tinham mais trabalho e que teria de voltar ao escritório. Talvez em qualquer outro dia, Sirius não se importaria, mas hoje era diferente, hoje Nathan era sua prioridade, igual quando Lyra era pequena.
           - Você já tem os ingressos, Sirius? – perguntou Nathan.
           - Tenho. – ele sorriu para o pequeno. – Agora só temos de começar a subir e procurar nossos lugares. – respirou fundo, ia ser uma longa subida. Pegara os melhores lugares de todo o estádio, logo no topo da escadaria.
            Sirius começou a subir os degraus, com Nathan pulando à sua frente. Tentou fazer o menino andar ao seu lado, mas ele não queria de jeito nenhum, corria para chegar ao topo. Naquelas horas, Sirius desejava ter uma daquelas coleiras ou coletes que chamavam para prender na criança, impedindo que esta fosse muito longe.
            - Calma, Nate. – Sirius gritou, quando começou a perder Nathan de vista. Ele acelerou o passo, mas parecia que o menino estava muito longe.
           A primeira coisa que sentiu ao ver que não achava o garoto foi a decepção de Lily. Ela confiou nele para cuidar de uma criança de seis anos somente durante um dia. Depois que o desespero veio.
           - Bosta, bosta, bosta, BOSTA! – ele passava a mão na testa, tirando a franja do olho. Aquilo nunca aconteceu com ele. Como foi deixar aquilo acontecer?
           Tentou agir rápido, tirou a carteira do bolso e pegou uma foto onde estavam Lyra e Nathan na casa de Andrômeda e começou a mostrar para as pessoas à sua volta, perguntando se viram aquela criança. A cada pessoa, a casa sinal de negação, foi ficando cada vez mais aflito.
           Continuou subindo. Sabia que Nathan era esperto, tinha certeza que ele já achara o lugar e estava lá, sentado, esperando por ele. Ao menos, era o que Sirius queria acreditar naquele momento.
           Dava para ver o campo inteiro dali, milhares de pessoas, mas a única coisa que não conseguia ver era o menino de seis anos que procurava. Sabia aqueles tempos não eram bons para se descuidar de uma criança, ainda mais este sendo filho de James Potter.
           Estava tão desorientado que conseguia até ouvir a voz de Nathan. Parou por um instante, correu os olhos rapidamente à sua volta, olhando atentamente para os que desciam e os que subiam. Nada de Nathan.
           - SIRIUS!
           Ele levantou mais uma vez a cabeça. Agora tinha certeza que alguém havia falado seu nome. Apertou os olhos na direção de onde tinha vindo a voz. No fundo, atrás de um tanto de torcedores franceses, estava Nathan, em cima da cadeira, acenando. O que o deixou intrigado era a pessoa que estava ao seu lado.
           Correu rapidamente até onde o garoto estava em pé. Quando chegou perto, Nathan pulou sobre Sirius, quase levando os dois para o chão. Deu uma boa olhada na criança, procurando por qualquer tipo de problema ou arranhão, e, felizmente, não encontrou nenhum. Riu levemente, ainda sentindo o coração pulsar acelerado. Estava com as neuroses de Lily, e isso não era bom.


           - Rachel? O que está fazendo aqui? Em horário de trabalho ainda por cima. – ele indagou, pondo Nathan de volta sobre a cadeira.
           Ela abriu um sorriso sarcástico quando Sirius sentou-se ao seu lado, e meneou a cabeça, em sinal negativo.
           Nathan levantou-se da cadeira novamente, e parecia que iria começar a correr novamente, quando Sirius o apreendeu.
           - Epa, rapaz, aonde é o incêndio? – indagou Sirius, segurando o menino pelo capuz.
           - Ali – Nathan apontou com sua pequena mão há algumas cadeiras dali onde estavam. Lá estava uma garotinha de cabelos acaju, ao lado de um rapaz moreno, com a barba mal feita. – Jenny veio ao jogo com o irmão, Michael. Não vou demorar. Prometo.
           Sirius olhou para o céu, não podia olhar para aqueles olhos acinzentados, senão iria ceder sem pensar. Tarde demais, ele baixou o olhar, encontrando com os de Nathan.
           - Certo, mas não saia de lá, entendeu? – Sirius o soltou e o menino correu até onde a amiga estava.
           Ele voltou-se a sentar no lugar, ao lado de Rachel. Ela assobiava, como quem não queria nada, mas não tardou a fitá-lo de maneira divertida.
           - Isso não é bom. – disse Sirius, ainda com sem encará-la. – Minha beleza cansa, sabe?
           - Estou vivendo um dilema, sabe, Black? – ela deu pequenos tapinhas nas costas de Sirius. – Será se conto ou não para a Lily que o querido amigo dela quase perdeu seu caçula numa multidão de quanto? Ah, dez mil pessoas!
           - Ei! Mas ele está bem!
           - Claro, porque eu o chamei para sentar aqui comigo, Já sabia que o senhor  Irresponsabilidade ia trazê-lo.
           - Irresponsável? – Sirius a encarou, com um pingo de raiva na voz. – Tenha dó! Sinceramente, Rachel, o que eu te fiz, mulher? Você é louca, sabe? L-O-U-C-A!
           - Black, eu conheço muito bem o seu tipo. Apesar que não fomos do mesmo ano na escola, eu me lembro de você perfeitamente. Você não leva nada a sério.
           - Céus, já faz mais de vinte anos que eu me formei. As pessoas mudam. Eu admito, não era o sujeito mais sensível ou coisa do tipo aos dezessete, mas...
           - E você é agora esse sujeito? – ela o cortou.
           - Bem, não. Mas...
           - Era exatamente nesse ponto que eu queria chegar.
           - Mas... – e mais uma vez Sirius foi cortado durante a conversa.
           - Entenda, não da para enrolar. Aceita.
           - Quer fazer o favor de parar de falar? – ele perguntou, sem paciência.
           - Não, e...
           Agora foi a vez Sirus interrompê-la, ao modo ele. A puxou para perto de seu corpo, até o momento em que estavam cara a cara, e quando isso aconteceu, Rachel não teve tempo de fazer mais nada, pois Sirius já movia seus lábios sobre os dela.
           Não era a primeira vez que isso acontecia. Há alguns anos, que ele havia descoberto aquele truque para calar Rachel. E funcionava perfeitamente.
           Por algum tempo, ela se rebelou, mas logo cedeu. Embora pestanejasse, Sirius tinha certeza que ela estava gostando pelo menos um pouco, senão já o teria empurrado para longe.
           Eles não reagiam a nada à sua volta, nem aquela gritaria ou os empurrões que as pessoas davam quando passavam pela fileira estreita, mas quando alguém coçou a garganta à frente deles, aquilo foi a deixa para se separarem.
           Nathan estava ali, parado, de braços cruzados, com a sobrancelha erguida, e parecia estar prendendo o riso.
           - Papai disse que isso poderia acontecer, e que, Sirius, você não pode dar tequila para a Rachel, porque isso pode resultar num irmãozinho para a Lyra. – o menino coçou a cabeça, com uma cara confusa. – Eu não entendi muito bem o que isso que dizer, mas, enfim, não é para dar tequila para a Rachel.
           Sirius e Rachel olhavam para o menino um tanto em choque, e compartilhavam o mesmo sentimento: amaldiçoar James.
           - Olha o respeito, seu pestinha. – Sirius puxou Nathan para seu colo, e começou a fazer cócegas em sua barriga.
           - Vou ali, despedir da Jenny e já volto. – ele desvencilhou dos braços de Sirius e saiu correndo novamente, sem esperar uma resposta dos outros dois.
           - Você é um homem morto, Black. – Rachel disse, entre os dentes, enquanto tentava arrumar o batom vermelho borrado.


           - Admita, você estava no céu.
           - Céu? – ela riu, sarcástica. – No inferno, só se for. Toma. – tirou um lenço da bolsa e o atirou à Sirius. – Tire essa mancha de batom da boca antes que alguém veja e pense o que não deve.


           Ele pegou o lenço esverdeado e passou pela boca. E não era pouco batom, não.


           Aquela foi uma boa manhã. Sirius estava entre duas pessoas que realmente gostavam de quadribol, gritavam tanto que ele não fazia idéia como ainda não tinham perdido a voz. Teve que repreender os dois algumas vez, Rachel xingava os jogadores e Nathan deixou escapar alguns palavrões. Aquela realmente foi uma boa manhã. Fazia tempo que não se divertia daquela maneira.
           O jogo não foi muito longo nem muito curto, o apanhador da França agarrou o pomo com duas horas de jogo, mas o time inglês fez trinta pontos a mais, dando-lhe a vitória. Um jogo bastante árduo fora aquele.
           Eles deixaram esvaziar um pouco as arquibancadas para saírem com mais facilidade. Enquanto isso, Nathan pulava de um lado para o outro. O menino sentia alguma simpatia pelos franceses, e ficou bastante satisfeitos deles acabarem com o pomo no final da partida.
           Quando já estavam para descer, um senhor de cabelos grisalhos, um pouco calvo, vestido com uma capa negra vinha se aproximando deles. Sirius jogou um olhar para Rachel, que tocou na varinha dentro do bolso, assim como ele fazia.
           O velho parecia ter percebido que os dois estavam armados, mas ao invés de fugir abriu um cargo sorriso e disse:
- Ora, guardem essas varinhas, por Merlin! – ele deu um pequeno aceno a Rachel e Sirius, mas focou sua atenção em Nathan. Se ajoelhou, para ficar mais ou menos da altura do menino. – Nathaniel Potter, você tem um bom olho, criança.
           - Obrigado. – ele abriu um sorriso orgulhoso.
           O homem tirou uma bolsinha de moedas e entregou ao menino, depois apertou sua mão.
           - Foi bom fazer negócio com você, garoto. – e logo e desapareceu.
           Sirius continuou sem dizer nada, queria ver no que aquilo ia dar, assim como Rachel.
           Nathan abriu a bolsinha e contou cinco galeões, e encarou os acompanhantes, ainda sem entender as caras de espanto.
           - Que foi? – ele perguntou, ingenuamente.
           - O que exatamente foi isso, Nathan?
           - Bem, nos jogos, eu dou as dicas para o velho Rubens e ele me dá dez por cento dos lucros, quando as apostas são ganhas.
            Rachel e Sirius se entreolhavam perplexos.
           - Seu pai sabe que você se mete nessas coisas? – indagou Rachel.
           - Não, por isso que eu peço ao Sirius para me trazer aos jogos.
           - Black! E você ainda está metido nisso. – ela levantou a mão e bateu levemente o punho no braço de Sirius.
           - Eu sou a vítima aqui. – ele massageou o lugar atingido, e forjou um olhar ressentido. - Assim me sinto usado.
           - Como papai diz, isso foi um belo investimento. – Nathan abriu um sorriso e bateu os dedos na bolsa de moedas, produzindo um barulho irritante. Olhou para os dois à duas frente, depois se pôs entre eles. Estava pronto para ir embora. – Sirius, se eu pagar o almoço, você não se sentirá mais usado?


            - Outro dia a conta será sua. – ele afagou o cabelo do menino, deixando-o mais espetado que antes. – Façamos o seguinte: você não menciona para a sua mãe que nos desencontramos por alguns segundos aqui no estádio, e eu não conto o que você anda aprontando. – Sirius aproximou-se do rosto de Rachel, quando Nathan estava desatendo. - Não sei de quem ele puxou isso, James era tão burrinho na idade dele.
           - Black, como você é mal.
           Eles passearam por Londres e antes do almoço, deram uma passada rápido no Gringotes, para Nathan trocar um pouco do dinheiro por libras. Sirius não entendia porque ele gostava de ter dinheiro trouxa nos bolsos. Depois que saíram do Beco Diagonal, dirigiram-se a uma lanchonete trouxa, preferência de Nathan.
           - Guardar? Eu uso isso para comprar os quadrinhos de heróis. – ele explicou, dando de ombros. – Mamãe não quer comprar porque diz que não são para a minha idade. Ela não entende.  
           - Você tem as raízes de sua mãe, Nathan. – disse Sirius, afagando os cabelos negros da criança. – E desde quando você sabe ler?


           - Desde que minha mãe ensinou? – ele


           - Nathan, você é evoluído demais para a sua idade. – Rachel repetiu o gesto de Sirius, e deslizou os dedos pelos fios arrepiados da cabeleira de Nathan. – Acho que está no hora de irmos.
           - Ok. – Nathan levantou da cadeira, e correu para fora da lanchonete.
           - Como ele gosta de correr, para que tanta pressa? – comentou Sirius. Aquilo lembrava um pouco Lyra. Assim como o pequeno Potter, Lyra foi muito ativa, até demais para seu gosto.
           Continuaram ali pelo centro de Londres boa parte do dia e no final da tarde, Sirius levou Nathan para o parque. O garoto ficou brincando por um bom tempo num PlayGround, enquanto ele e Rachel ficaram sentados em um banco, observando-o saudosos aquele época que pareceu passar tão rápido nos seus filhos. Tinham de aproveitar aquele raro dia claro, sem chuva e vento.
            Nathan, depois de pular e brincar com outras crianças, voltou suado e vermelho para perto de Sirius.
            - Cansou? – perguntou Sirius, observando o estado de sujeira do menino. Lily não ficaria satisfeita com aquilo.
           - Não. – tirou o casaco e o entregou a Sirius. – Só vim tirar o casaco. Está quente.
           - Céus. – Sirius riu. Parecia que aquela pequena bateria não acabaria nunca. Arrependeu-se de deixá-lo comer tanto açúcar naquela tarde.
           - Bem, Nathan, você não cansou, mas eu sim. – Rachel se levantou e o beijou de leve na bochecha rosada do menino.
           - Mas, já? Ainda está cedo. – ele ia começar a fazer aquele olhar que Sirius conhecia muito bem. O olhar de cão na chuva que ele ensinou a Nathan.
           - Não, não está. Me diverti bastante hoje, depois repetiremos a dose, sim?
           - Eu vou cobrar isso. – disse Nathan, sorrindo.
           - Até segunda, Black. – ela acenou e começou a tomar distância dali.
           - Humm, Sirius?
           - Diga, Nate.
            - Por que você não casa com a Rachel? – ele sentou no colo de Sirius.
            - Pergunte isso a sua mãe, sim? Ela tem respostas melhores que eu. E por falar nela, já deve estar com saudades de você. – Sirius pegou o casaco de Nathan e o fez vesti-lo novamente, a contra gosto.
           - Certeza? – um pequeno beicinho formou nos lábios de Nathan.
          - Sim, senhor! – Sirius o pegou no colo e pôs sobre os ombros. – Está na hora de ir para casa.
_-_-_-_-_


 


            Ventava bastante naquela noite. Era uma daquelas noites que Lyra adorava deitar cedo, ficar debaixo das cobertas quentes e macias. Ao invés disso, iria para uma sala fria cumprir a detenção da professora de Poções com Deus lá sabe quem. Apenas pedia para que não fosse Filch.


           Pegou seu casaco que estava sobre a cama e deixou o dormitório às pressas. Como sempre, estava atrasada para a detenção. Lá embaixo, Austin jogava xadrez com Ginny e Hermione dava uma breve explicação de Herbologia a Harry e Ron. Eram quase nove horas e alguns deles davam pequenos bocejos, A primeira semana sempre era a mais árdua.
           Hermione parou de falar quando Lyra aproximou-se deles, e, curiosa por vê-la pronta para sair, perguntou:
           - Aonde vai, Lyra? Já passou do toque de recolher.
           - Detenção, minha cara. – Lyra suspirou fundo e deu um pequeno aceno com a mão. – Vejo vocês amanhã. Tchau.
           Quando já estava fora da torre da Grifinória, abriu o papel que a professora lhe entregara. O local da detenção seria no quarto andar, na sala onde a professora Lennox fez sua própria biblioteca particular, ou seja, alunos não chegavam nem perto, a não ser no caso de punições, como o dela.
           Foi descendo as escadas, e xingando-as também. Já estava atrasada e as escadas pareciam estar brincando com ela, não paravam de trocar de lugar. Lyra demorou um pouco para chegar ao quarto andar, mas depois que estava nele foi fácil achar a sala. Era a última daquele corredor.
           A porta estava aberta, naturalmente, mas parecia não haver mais ninguém na sala. Lyra adentrou um pouco mais e o desânimo tomou conta dela. Havia uma pilha enorme de livros sobre a mesa e a maioria aparentava estar sujos de pó e teias de aranha. Ao ver aquilo, já sabia qual seria a sua punição.
           - Você tem que aprender a chegar na hora marcada. – uma voz disse logo atrás dela, fazendo Lyra pular para o lado.
           - Draco Malfoy! – ela falou, tentando se recompor, mas ainda respirando com dificuldade. – Mas que inferno você ficar aparecendo sem avisar.
           O loiro meneou a cabeça e apontou com o indicador a um balde e um pano que estavam perto da porta.
          - A professora Lennox disse para você passar um pano nas capas dos livros, tirando a poeira e algumas teias de aranha. E com BASTANTE cuidado para não cair água nas páginas dos livros. – ele fez questão de enfatizar a palavra.
          - Ok, ok. – ela tirou o casaco e o pôs sobre uma cadeira logo ali. Deu uma pequena alongada na coluna, depois pegou o balde vazio e o trouxe mais para perto da mesa. Assim que baixou o balde de madeira no chão, Draco o encheu de água com a varinha.
          Ela arregaçou as mangas da blusa negra que estava usando e meteu o pano dentro do recipiente circular de madeira, iniciando aquela detenção maldita.
          Draco pegou um dos livros na estante e começou a correr os olhos por aquela leitura complicada. Aqueles eram livros de Poções extremamente avançadas, poções que só se aprendiam depois de formados e com especialização na área. Ele levantou a cabeça e passou a observar Lyra trabalhando e xingando baixo ao mesmo tempo. Após alguns segundos focando sua atenção nela, foi até onde a garota estava sentada com um enorme livro no colo, enquanto passava o pano úmido na capa deste. Ele foi se aproximando devagar, até estarem muito próximos. Podia até sentir o perfume vindo dos cabelos dela, era um cheiro interessante, de alguma flor a qual não sabia identificar. Ajoelhou-se junto à ela, ficando lado a lado.
           Ela continuava olhando para o livro, embora Draco estivesse observando-a fixamente.  
          - Deixe de ser estranho e diga o que quer. – ela demandou, ainda sem olhá-lo nos olhos.
          Discretamente, aproximou sua mão direita do corpo dela, até estar muito perto da coxa da garota.
          - Isso fica comigo. – disse ele, puxando a varinha do bolso da calça de Lyra.
          - Merda! – Lyra passou a xingar Draco e não mais a professora.
          - Eu te conheço, garota. Você não me engana. – levantou-se do chão gelado e fechou a porta, o vento parecia estar vindo lá de fora. . – Anda, levante do chão.


          - Eu posso saber o por quê? – ela baixou a mão que segurava o pano até o chão e o encarou, soerguendo a sobrancelha direita.
          - Se há cadeiras livres, sentar no chão gelado é indício à burrice. – ele gesticulava com a mão direita, enquanto explicava. – Apresse-se.
          - Era realmente não sei se fico lisonjeada com a preocupação ou irritada com a insinuação à minha inteligência. – ela rolou os olhos.
          - Boca fechada, Black.
          Ela tirou o livro do colo e o pôs ao lado da pilha à sua frente, depois levantou do chão também e passou a encarar o rapaz com os braços cruzados, reproduzindo a pose desde. Somente agora ela observara que ele vestia as os costumeiros trajes bruxos, não as que ela costumava ver, sempre capas grossas e sobretudos negros. Ele usava uma calça azul marinho, com uma camisa negra por baixo de outra no mesmo tom. Talvez fosse porque não reparasse, mas tinha certeza que era a primeira que o via vestido daquela maneira, simples e um tanto trouxa.
          - Agora eu sou Black, ao invés de Lyra? – ela indagou, olhando-o com ingenuidade.
          - Vá trabalhar, porque eu, não sei quanto a você, quero dormir essa noite.
          - Pensando bem, - ela começou a se aproximar do garoto, que permaneceu imóvel. – eu também queria estar na cama nesse momento. Aquela cama vazia, fria.
           Ele coçou rapidamente a cabeça. Já conhecia aquele jogo, e também sabia como jogá-lo.
          - Vazia, fria? – ele não moveu um dedo, foi deixando ela se aproximar. – Com tanto grifinórios, nenhum de dispôs lhe fazer companhia?
          - Bem, - enfim, ela o encarava frente a frente, com as faces muito próximas. – ninguém interessante, entende?
          - Entendo. – ele balançou a cabeça em sinal afirmativo. – E o que seria exatamente interessante?
          Ela deu mais alguns passos, rodeando-o. Atrás, estava a porta e á sua frente as costas de Draco. Ele a espiava com o canto dos olhos, e sorria enviesado.
          - Por que você não tenta adivinhar?
          - Eu creio que... – ele virou-se para Lyra, voltando a encarar os olhos azuis, agora negros com a má iluminação. Aproximou-se se rosto do dela, e desviou para a direita, seguindo o rumo de seu pescoço. Parou de mover a cabeça e pronunciou as palavras que poriam um fim àquele jogo. – esteja na hora que parar com a brincadeira e voltar ao trabalho. Você enrola demais, garota.
           - Você é um bom jogador, Malfoy. – ela meneou a cabeça sorrindo. Não costumava seduzir monitores, para encurtar as detenções, com muita freqüência, mas tinha de admitir que Draco fora o que mais suportou o jogo. Lufa-Lufa eram os primeiros a ceder. Aprendera aquele truque com Lyla, a antiga goleira da grifinória, que se formou há dois anos. E tinha de concordar com a ex-colega de time, garotos não tinham o menor autocontrole.


          Quando ia voltar ao seu posto para recomeçar o trabalho, Lyra ouviu passos de aproximando. E logo vozes começaram a surgir.


          Andou até à porta e grudou o ouvido à porta.Prestou um pouco mais de atenção e viu que elas pertenciam ao diretor e à professora McGonagall.
          - Ninguém nunca lhe ensinou que ouvir atrás da porta é feio? – ele sorriu de escárnio.
          Lyra lhe lançou um olhar mortífero e o puxou para mais perto, a fim de que ouvisse também.
          - Se é errado, por que todos o fazem? – indagou num sussurro que Draco mal ouviu.
          Ele encostou a orelha esquerda sobre a porta, assim como ela fizera.
         - Problemas à vista. – Draco chegou àquela conclusão com apenas alguns segundos ouvindo aquela conversa.  
          As vozes no corredor cessaram repentinamente, fazendo os dois garotos gelarem do outro lado da porta.


          - Droga! Eles estão indo.
          Draco correu os olhos ao redor da sala e avistou um armário parcialmente vazio a alguns passos da porta. Ele a segurou pelo braço e a puxou com uma certa violência até o armário velho.


          Ele abriu a porta e entrou, puxando-a novamente.
          Foi uma questão de segundos para Dumbledore e a professora de Transfiguração entrarem pela porta da sala.
         - Oras. – o velho diretor riu. – Pensei ter ouvido alguma coisa vindo daqui.
         - Não acha melhor vasculhar a sala, Albus? – sugeriu a mulher, em tom apreensivo.
        - Não, creio que não será necessário. Lennox vem tendo problemas com ratos, e provavelmente que seja apenas os roedores andando por aqui. – ele riu novamente, depois tossiu por um momento. – Vamos andando, Minerva, não há nada aqui. Preciso lhe passar aqueles documentos, e eles estão no meu gabinete. Por que não me acompanha?
         - Como quiser. – o tom da professora não era convincente.


         Os dois saíram da sala logo em seguida, deixando Lyra e Draco sozinhos na sala novamente. O armário era apertado, Lyra se segurava firmemente nas vestes de Draco para não cair para fora, que se segurava no suporte de madeira. Além de estreito, não era muito alto, e Draco mantinha-se curvado, apoiando a lateral do rosto direito no topo da cabeça de Lyra.


          Draco estava atento. Ainda conseguia ouvir as vozes do lado de fora, os dois professores estavam parados em frente a porta. Suspirou irritado. A posição era desconfortável e fazia suas costas doerem, além da situação constrangedora, obviamente. Nunca, durante todos os anos que se conheceram, esteve tão perto dela, não daquela maneira. Sentia a respiração ofegante dela em seu peito, o inspirar e expirar do ar nos pulmões dela tão rápidos quanto o seu.
           Continuaram naquela posição por mais um tempo, até terem certeza absoluta que estavam sozinhos. Lyra abriu a porta, quase caindo para fora, e saiu de dentro do armário. Depois foi a vez de Draco.
          Eles continuaram sem falar nada por alguns instantes. Ainda não tinham se recuperado completamente. Draco olhou à sua volta. Ainda havia muitos livros a ser limpos, muito trabalho pela frente. Ele tirou a varinha dela do bolso esquerdo e entregou para Lyra.
           - Você terá muitas outras noites para fazer isso, disso eu tenho certeza. – sua voz era séria e apressada.
          Deu um passo à frente, com sua varinha entre os dedos. Pronunciou algumas palavras quase como um murmúrio, e os livros estavam impecáveis de limpos, em seguida conjurou outro feitiço, e num piscar de olhos, todos os livros espalhados pela sala agora se encontravam em seus devidos lugares nas prateleiras.
          Lyra sorria por dentro. Ao menos aquela não seria mais sua detenção.


          - Mas isso não seria anti-ético da sua parte? – ela perguntou, já sabendo da resposta.
          - Está reclamando? Eu posso voltar tudo ao que era antes. – ele negou com a cabeça. Foi até a porta e a abriu cuidadosamente, não havia mais ninguém ali, somente eles. – Vamos.
           Ela pegou o casaco sob a cadeira e o seguiu. Ele andava a passos largos, dificultando para acompanhá-lo.
         - Por que Dumbledore está reforçando a segurança da escola? – ela indagou baixo para si mesma.


           - Muitos têm questionado sobre a segurança da escola. Alguns dizem que a Inglaterra não é mais segura.
           - Por que?
         Draco parou de repente.
           - Por acaso você me vê com uma bola de cristal? – ele riu, nervoso.
           - Algo me diz que você sabe de algo. – ela o tocou no ombro, fazendo-o encará-la novamente. Durante aqueles minutos que ouviam a conversa, Draco não se mostrou surpreso, não como ela estava.
           - Pois você está enganada. Eu não sei de nada.Como nada aparece no Profeta Diário, eu não tenho como saber.


          - Por que a professora McGonagall achou ser uma má idéia o esquadro alemão? É melhor que dementadores.
          - Há alguns anos, houve um pequeno conflito entre a Inglaterra e a Alemanha, alguns dizem que teve haver com a 2ª Guerra Mundial trouxa, outros dizem que não. Os países são aliados devido à União Européia, comércio e benefícios de fronteiras, entretanto, nunca mais voltaram a ser aliados como costumavam ser, não a parte bruxa. O esquadrão terá problemas para conseguir permissão para pisar em território inglês.
           - Compreendo. – ela continuava absorvendo as novas informações. – E como sabe disso?
           Ele riu baixinho antes de responder.


          - Abrir um livro de vez quando faz bem, e não vale apenas ver as figuras. – quando ela ia retornar a andar, Draco segurou seu braço, impedindo-a de continuar. – O que ouvimos hoje ficará entre nós, entendido?
          - Embora eu deteste esse seu tom autoritário, devo admitir que seja melhor. – Lyra puxou o braço com força, fazendo-o soltá-la.
          - Você sobe para a torre e eu desço para as masmorras.  – ele deu alguns passos para trás, começando a tomar distância dela. – É hora de nos separarmos.
          - É. – ela encarava o chão, e ele o teto. Como detestava aquele tipo de situação, não haviam mais palavras em sua boca, muito menos na dele.
         - Sei que não vai demorar muito para você fazer besteira novamente na aula de Poções, então, até a próxima. – Draco deu alguns mais alguns passos para trás, indo na direção da escada. – Boa noite, Lyra. – assim que se calou, começou a descer as escadas, até se perder na penumbra.
          - Adeus, Draco. – segredou, ainda fitando onde ele havia sumindo de vista. Deu de ombros e suspirou. Ainda tinha uma pequena caminhada pela frente, a torre estava distante e ela cansada.
_ -_-_-_-_


           Draco disse a senha e entrou na sala comunal. Estava vazia, ou quase. Havia apenas mais uma pessoa naquela sala, e justamente a última pessoa com quem ele queria encontrar naquele momento.
           - Malfoy? – o rapaz moreno levantou do sofá onde estava sentado e encarava Draco fixamente com seus olhos negros. – Aonde você estava?
           - Aplicando detenção, Knox. – respondeu Draco, seco.
          O outro garoto deu pequenas voltas ao redor de Draco, sem deixar de encará-lo. Draco detestava aquilo. E só não tomava providências porque sabia que sua punição seria maior do que a ótima sensação de estuporar Knox.
           - E posso saber em quem? – Noah Knox abriu um sorriso sarcástico e parou de andar. Agora estava à frente de Draco. – Deixe-me adivinhar... Black, como de costume.
           Draco não respondeu, apenas o encarava, sério.
          - Bingo. E como vai sua adorada priminha? – seus olhos faiscavam, mas não faziam efeito algum em Draco.
          - Isso já não é dá sua conta. Agora, me dê licença que já está tarde. – Draco passou tão próximo de Knox que quase trombaram.
           - Não tem nada que queira me contar não, Malfoy? – Knox continuava com o olhar fixo em Draco, deixando-o mais enfurecido.
           - Não, Knox, não hoje. – e continuou subindo até chegar à porta de seu dormitório e deixando o colega de casa sozinho na sala.
           Draco atravessou o dormitório até a última cama da fileira, ao lado da de Tristan. Todos estavam dormindo, podia-se de longe ouvir os altos roncos de Goyle. Ele começou a desabotoar a camisa, deixando-a sobre a cama, logo depois foi a de baixo. Repousou as costas nuas na coberta macia. Não ia pegar no sono tão facilmente, sabia disso, então deixaria que o sono viesse ao seu encontro.  
           Tristan mexeu um pouco na cama ao lado e não tardou a abrir os olhos. Draco já sabia que ele não estava dormindo.
           - Então? – Tristan sentou-se na cama, ainda enrolado nos lençóis. – Como foi a detenção? Você voltou cedo.
          Draco suspirou, continuando deitado. Mesmo com a luz fraca Tristan conseguiu ver um pequeno sorriso estampado nos lábios do loiro.
           - Digamos que foi interessante. – era exatamente aquela palavra que ele procurava para descrever aquela noite.

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.