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1. Some Trust


Fic: Black and White - This Is Just The Beginning - by LyraWhite - AVISO


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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OBS: CAPITULO REVISADO

Capítulo I - Some Trust


Alguns Acreditam


               Muitos dizem que o melhor remédio para curar dores do coração é o tempo, mas Sirius Black não acreditava muito nisso. Para ele, o tempo apenas amenizava a dor, jamais a curava. E era verdade, dezessete anos se passaram, e ele continuava sentindo aquela ferida aberta em seu peito, mas não ardia tanto como antigamente.


               Aqueles dezessete anos mudaram muita coisa, como sua moradia, por exemplo. Havia vendido seu apartamento no centro de Londres e comprado uma casa nos arredores da cidade. Era verdade que estava morando no largo Grimmauld com Elizabeth, antes de Lyra nascer, mas achava que aquele lugar não seria o ideal para criar uma criança, nunca foi bom para ele na infância. Então, quando a filha completou um mês de idade, mudaram-se para a nova casa, e deixou a mansão para Bellatrix, o que significou um choque para Andrômeda. O único motivo para Sirius não ter passado a antiga casa dos Black para Andrômeda era que a prima detestava aquele lugar tanto quanto ele. Foi mais fácil passá-la para a prima mais velha, ainda mais quando se tinha algumas surpresas esperando por ela.        


               Fora promovido duas vezes, por ter ajudado com alguns serviços úteis para o pessoal do Ministério. Outra coisa que não costumava fazer era ler o Profeta Diário, mas pegou o costume de uns tempos para cá de ler o maldito jornal matinal. Sempre detestou aquele pedaço de papel cinzento, talvez por este só trazer fofocas e desgraças. Mas, realmente, o que mais mudara em Sirius Black era o fato dele não cuidar somente dele mesmo, mas também de uma mocinha um tanto difícil.


               Avaliar Lyra Black não era uma tarefa fácil. Não se tratava de uma daquelas adolescentes rebeldes ou complicadas, porém, era uma jovem um tanto diferente. Possuía um juízo enorme para sua idade, claro, só quando precisava, e um conhecimento bastante favorável também. Entretanto, o que realmente a diferenciava dos outros era sua habilidade de viajar pela mente das pessoas, herança da mãe. Ao se concentrar, é claro, se a pessoa em questão abrisse sua mente, Lyra conseguia invadi-la, descobrir segredos que nunca sairiam pela boca de quem os guarda. Isso era muito útil quando se estudava em uma escola como Hogwarts.


               Ser pai não era uma tarefa fácil, tinha horas que desejava ter dado Lyra de presente para os Potter, mas também havia seus momentos recompensadores. O mais difícil desse trabalho era a enorme semelhança que Lyra tinha com Sirius, não fisicamente, pois ela era a cara da mãe, mas os gostos, os gestos, as manias e os defeitos eram os mesmos do pai, o que não é nada bom. Certamente, um dos maiores defeitos da garota era a pequena dificuldade de se levantar de manhã cedo.


               - Lyra Elizabeth Black! Por Merlin, levante-se dessa cama agora! – bradou Sirius, batendo na porta ferozmente. Tentava fazer o maior barulho possível, na esperança dela acordar mais rápido.


               - Pai, só mais cinco minutinhos. – sua voz saiu abafada por causa do travesseiro, que não deixava a luz do sol encontrar com seus olhos azuis.


               Sirius conhecia muito bem aqueles famosos “cinco minutinhos”. De cinco minutinhos virava uma hora, de uma hora viravam três horas, e isso seria tempo suficiente para perder Expresso Hogwarts novamente.


               - Vamos, apresse-se, ou irá perder o trem DE NOVO! – ele fez questão de salientar as duas últimas palavras.


               Era verdade, uma única vez, Lyra não chegou a tempo de embarcar no trem, culpa  daqueles malditos cinco minutinhos. Para resolver o problema foi uma tamanha correria. Sirius escreveu uma carta às pressas à Dumbledore, que mandou enviá-la via pó-de-flú. Em questão de segundos, a menina estava de pé em frente ao bom velhinho, naquele conhecido escritório circular. Os dois jogaram xadrez e passearam pelo castelo até os outros alunos chegarem.


               - Ora, pai, foi bastante educativo. Aprendi muitas jogadas de xadrez, droga, como o tio Dumby é bom! Fiquei devendo uma revanche, esse é o dia perfeito para pagar essa dívida. – Lyra ainda continuava com os olhos fechados.


               - Você terá muito tempo para pagar essa dívida, mas hoje não. – Sirius respirou fundo e entrou no quarto. O quarto se encontrava em um completo caos, roupas no chão, livros espalhados, o tinteiro caído sobre a mesa, derramando tinta no carpete. – Bem, responda-me uma perguntinha: fomos assaltados e eu não fiquei sabendo?


               - Não achava minha correntinha ontem, aí tive que procurar. Não se preocupe, já achei, estava na dentro da gaveta.


               Sirius rolou os olhos. Já estava esperando algo do gênero.


               - Certo. Agora, levanta!


               - Daqui a pouco eu vou.


               - Não tem nada de daqui a pouco. – ele aproximou-se da cama e puxou as cobertas, fazendo-as cair no chão. Não deu muita importância para a cara de indignação da filha, apenas sorriu e voltou até à porta. – Vá lavar o rosto, enquanto eu arrumo essa baderna.


               Lyra suspirou, dando-se por vencida. Conhecendo Sirius Black com conhecia, ele não iria sair daquele quarto até que ela descesse as escadas, indo na direção ao hall de entrada, e rumarem para a estação. Não havia como enrolar mais, o jeito seria dormir no trem.


               Ela espreguiçou-se e levantou da cama, ainda sentia as pernas fraquejarem de cansaço. Sabia que não devia ter ido dormir tão tarde na noite anterior. Beijou o pai na bochecha esquerda, como sempre fazia de manhã e pegou as roupas que havia deixado separadas no outro dia e depois caminhou lentamente até o banheiro.


               - Ainda dá tempo de tomar banho? – perguntou ela, antes de abrir a torneira do chuveiro.  


               - Se for rápida, sim. – ele pegou a varinha e com pequenos acenos, as coisas espalhadas pelo chão começaram a voltar para seus devidos lugares. A maioria voava para dentro do enorme malão da escola, mas algumas Sirius tinha certeza que ficariam em casa naquele ano. – Quanto as roupas, levará quais?


               - Apenas as da parte esquerda do guarda-roupa, acho que esse será um ano bastante frio.


               O guarda-roupa, ao contrário do resto do quarto, estava até organizado. Nenhuma roupa amassada ou jogada no fundo, e alguns objetos que ela guardava ali estavam em seus devidos lugares. Não foi muito difícil encontrar as roupas as quais ela falou.


               Cerca de vinte minutos depois, o quarto estava impecavelmente limpo e arrumado, o malão se encontrava perto da porta, e Sirius matava tempo folheando uma revista. A porta destrancou-se e Lyra voltou ao quarto. O cansaço de seu rosto havia sumido, junto com algumas olheiras. Ela vestia um jeans comum com uma blusa azul de mangas três quartos pretas e um par de botas de cano alto negra por cima do jeans. Embora nunca fosse muito simpatizante de botas, não podia negar que aquelas eram, além de confortáveis, bastante quentes.


                - Está boa a roupa, pai? – ela deu uma pequena girada.


                - Ly, você fica linda de qualquer jeito. Agora, vamos.


                - Uma vez na vida, você poderia fazer um comentário mais profundo, não? Homens. – a morena meneou a cabeça em negativa, parecia não ter se conformado que o gênero masculino não nasceu para opinar sobre moda e roupas. Olhou para o lado e estranhou a ausência da coruja negra na gaiola.


                - Está lá embaixo. Eu a coloquei na gaiola antiga. – ele tirou uma pequena maçã do bolso. – Tome. Aqui está o seu café da manhã. 


                - Só isso!?


                - Não fui eu que enrolei a manhã inteira na cama. Pegou tudo? – perguntou Sirius, olhando ao redor, checando se não esquecera nada. – Não está esquecendo-se de nada? Eu realmente estou cansado de ficar mandando caixas tão grande todo início de semestre.


                - Bom que a Alioth trabalha bem os músculos das asas. E a resposta é não, eu não me esqueci de nada. Pai – Lyra virou-se para Sirius, depois apontou para a mochila no canto do quarto. - o senhor pode minimizar essa bolsa? - Detestava ter de levá-la, mas era um mal necessário, assim não teria de abrir o malão para pegar o uniforme.


                Os dois saíram do quarto e desceram as escadas, observando tudo cuidadosamente, checando se nada importante ficava para trás. Estava tudo em ordem, nada faltava, isso foi motivo suficiente para se apressarem em pegar a coruja e entrarem no táxi parado na frente da casa.


                Ben, o costumeiro motorista de táxi que sempre os levavam aonde fosse preciso, pôs a bagagem de Lyra no porta-malas com um pouco de dificuldade. Parecia que Lyra havia exagerado um pouco na quantidade de roupas e apetrechos naquele ano.


               - Então, Srta. Black, feliz pela volta às aulas? – perguntou o bom velhinho.


               - Na maior parte do tempo, sim. – sorriu ela. Adorava a escola, a convivência prolongada com os amigos, mas sentia falta de casa também. Apesar de não aturar muito as marotices do pai, sentia saudades.


               - Mas aproveite seu tempo de escola, menina. É quando ele acaba que os verdadeiros problemas começam a surgir.


               Isso ela já imaginava. Era engraçado, porque à medida que ia crescendo, as coisas ficavam mais complicadas. Quando se é criança não tem de se preocupar com nada além de não quebrar as coisas.


               O trânsito estava bom naquele dia, o que era um milagre, por isso, em quinze minutos já estavam parando em frente à estação. As pessoas corriam de um lado para o outro, apressadas, umas estavam atrasadas para pegar o trem, outras corriam apenas porque queriam chegar logo ao seu destino.


               Lyra desceu do carro e foi pegar um carrinho para carregar a enorme mala, enquanto o pai ajudava Ben a tirar a bagagem do porta-malas.


               - O senhor quer que eu lhe espere? – perguntou Ben a Sirius.


               - Ahh, não. Obrigado, vou para o trabalho a pé mesmo. – Sirius entregou algumas libras ao motorista. – Fique com o troco. Até a próxima.


               - Vamos? – e abraçou Lyra, enquanto esta empurrava o carrinho.


               Estava realmente difícil de achar alguém conhecido naquela multidão. Crianças corriam de um lado para o outro e os pais gritando atrás. Os trouxas nem reparavam que haviam bruxos ali, a correria não os deixava perceber, e alguns dos feitiços impostos pelo ministério também ajudavam bastante.


               - Pode ir na frente. – disse Sirius, pegando o carrinho.


               Lyra assentiu e atravessou a barreira. Do outro lado estava tão cheio quanto o trouxa, talvez até pior. Eram quase onze horas, ela sabia que tinha de acabar com a mania de chegar em cima da hora a todos os lugares.


               Logo em seguida, Sirius apareceu, trazendo o carrinho. Ele esticava o pescoço à procura do amigo de óculos. Isso o distraiu por alguns segundos e por descuido, colidiu o carrinho ao de outra pessoa, de uma mulher de longos cabelos negros, olhos cor de mel, a qual ele conhecia muito bem.


               Rachel Davis estava parada diante dele, com a cara fechada. Sirius já a conhecia do Ministério. Rachel era auror, com especialização em Feitiços. Trabalhara com Sirius durante uns meses, mas logo foi transferida para outro departamento.


               Sirius estava surpreso em ver aquela mulher, já fazia um bom tempo desde que a última vez que a viu. Ela estava exatamente igual, o mesmo cabelo, o mesmo pavio curto e o mesmo olhar de fúria que sempre lhe lançava desde que o conheceu.


               - Mas que surpresa agradável, Rachel! – sorriu ele marotamente, apoiando-se no carrinho.


               - Céus! Acho que Merlin está me fazendo pagar pelos os erros das minhas vidas passadas. – Rachel abriu um sorriso sarcástico. – Lyra! Como está crescida! – sua feição mudou completamente ao se virar para a garota ao lado do ex-colega de trabalho. Apesar de não simpatizar muito com o pai, gostava da menina.  


                - Olá, Sra. Davis. – cumprimentou Lyra. Às vezes a encontrava no Ministério quando ia falar com o pai no trabalho ou até mesmo nas festas promovidas pelo Ministro da magia, nunca chegaram a conversar bastante, mas pelo pouco que a conhecia julgava-a uma boa pessoa, além de ser uma das poucos que conseguia lidar com Sirius Black.


                Houve um tempo que Lyra tinha o pressentimento que o pai era sozinho, especialmente depois de ela começar à freqüentar Horgwars. Isso lhe trouxe idéia de arrumar uma nova namorada para o pai, e havia chegado a considerar Rachel para suprir o cargo. Mas acabou deixando a causa de lado, pois, primeiramente, a morena à sua frente o mataria antes do fim do primeiro encontro; segundo, sabia das galinhagens do pai e que provavelmente ele nunca iria mudar. Sua madrinha dizia que Sirius mudou uma vez e acabou com o coração em pedaços. Ele não iria o fazer novamente.


               Atrás da mulher, estavam dois garotos. Um era alto, cabelos loiros acastanhados, com os olhos mais azuis que Lyra já viu. Ryan Davis era do sexto ano da Corvinal e era o sonho de consumo da maioria da tropa feminina de Hogwarts. Timidez, beleza e educação eram suas principais qualidades. Ele era um dos motivos por Lyra querer tanto que Rachel fosse sua madrasta, assim veria aquele encanto de garoto todos os dias, e se bobear, até sem camisa. O outro garoto Lyra nunca vira, era baixo para sua idade, muito pequenino, os cabelos negros caíam sobre olhos do mesmo tom que o do irmão, dando a impressão que não enxergava muito bem. Os traços eram os mesmo dos de Ryan, o mesmo olhar distraído, o mesmo sorriso, apenas com alguns dentes a menos.


               - Hey, Lyra. – Ryan acenou discretamente. – Thatcher estava atrás de você.


               - Valeu. Bem, esta é minha deixa, pai. – deu um beijo estalado na bochecha esquerda do pai. – Até o Natal. Vou sentir saudades.


               - Tente não arrumar encrencas, moça. - Sirius abriu um pequeno sorriso.


               - Olha só quem fala.


               Ela já estava se afastando, quando se virou e começou a abrir a boca para completar o que faltava.


             - Eu despacho a bagagem. – e com um último aceno, ela desapareceu na multidão. Depois de observá-la sumir, virou-se para Rachel novamente. – Mandando o caçula?


              Bem, não se pode segurá-los para sempre, não é mesmo? – sorriu ela um tanto tristonha. – Ryan, fique de olho no Charlie. Vou tentar achar Dana e seu tio Taylor. – Rachel soltou o carrinho por alguns instantes enquanto pousava um beijo na bochecha de cada um dos meninos. – Escreverei em breve.


               Agora eram os dois que se perdiam na multidão. Rachel olhou-os da mesma maneira que Sirius olhava quando Lyra havia sumido.


               - É difícil, não acha? – Sirius encarou a mulher, um tanto consternado.


               - Ás vezes até demais. Vou indo Black, tenho trabalho a fazer. – apontou para o carrinho com as malas. – Até outra hora.


               - Até.


               Sem muitos rodeios, Sirius despachou o malão. Não foi uma tarefa muito fácil, estava muito cheio, e ele tinha a pequena impressão de que todos, inclusive ele, deixaram a bagagem por último.


               Quando estava quase aparatando, ouviu alguém chamar seu nome e, logo, algo pulou sobre seus ombros. Era uma pessoa pequenina, com cabelos negros e profundos olhos cinzentos.


               - Sirius! – bradou Nathaniel Potter alegremente se equilibrando em suas costas. – Estava lhe procurando.


               - Verdade? – sorriu Sirius ao caçula dos Potter. – E para que essa alegria toda?


               O menino abriu um sorriso maroto e respondeu:


               - Estamos em plena temporada de quadribol, então preciso de um acompanhante. Papai não tem tempo e mamãe não saí do hospital.


               - Veremos essa possibilidade. Por onde anda seu pai?


               - Está logo ali na frente, com mamãe. – disse a criança, depois apontou a direção.


               Andou um pouco até conseguir ver duas cabeleiras ruivas muito conhecidas. Junto delas, estavam um homem de óculos e com rebeldes cabelos negros, e ao seu lado um rapaz moreno se distraía com um pomo de brinquedo. Lá estava o resto da família Potter.


              - Por onde andou, Almofadinhas? – perguntou James, enquanto pegava o filho mais novo no colo.


              - Trombei com Rachel agora a pouco. – explicou Sirius.


              - E ela não te azarou dessa vez? – brincou James, enquanto bagunçava os cabelos do filho com a mão livre.


              Sirius o olhou de viés. Não deu muita importância ao comentário do amigo e foi cumprimentar as duas ruivas.


              - Você precisa dar um jeito na boca de seu marido, Lily. Ninguém agüenta mais. – comentou ele sarcástico.


              - E você acha que eu já não tentei? – Lily abraçou o amigo. – Esse aí é um caso perdido.


              Depois virou-se para a ruiva mais jovem.


             - Vicky, está mais bonita do que o normal. – Sirius deu uma piscadela para a menina. – É, amigos, agora vão sentir na pele o que é ficar espantando trasgos.


             - Bom revê-lo também, Sirius. Uma pena não ter ido conosco para a casa no lago.


               - É, deixa para o próximo verão. – e por fim, cumprimentou o Potter restante. - Então, como anda o meu afilhado cabeça de vento? –disse enquanto abraçava o rapaz.


               Uma expressão de dor tomou conta do rosto do rapaz quando o padrinho o abraçou. Ainda não contara para a mãe que machucou as costelas no dia anterior enquanto jogava quadribol com os vizinhos, coisa que ela o tinha proibido de fazer para cuidar do irmão mais novo. Deixou o irmão brincado com uma espécie de vídeo game portátil e foi jogar. Com apenas vinte minutos de jogo, um dos vizinhos mandou-lhe um balaço, que acertou em cheio as costelas e o fez cair no chão. Felizmente, ninguém descobriu, então achou melhor deixar a enfermeira da escola tratar do ferimento, já que ela nunca perguntava como aconteceu o incidente, ao contrário da mãe, que fazia um interrogatório pior que de polícia.


               - Até um abraço não quer mais? – brincou Sirius, ainda observando o garoto atentamente. – Não me diga que voltou para aquela fase rebelde de novo?


               Harry revirou os olhos. Sirius adorava provocá-lo com recordações de seus doze ou treze anos, tempo que ainda definia sua personalidade.


               - Caí da cama – a mãe já ia abrir a boca quando ele completou: - Não foi nada.


               Eles tiveram mais alguns minutos antes do trem dar o último apito. Nesse meio tempo, Sirius não viu nem sinal da filha, de certo já estava a bordo.


               Victoria e Harry subiram a bordo do trem logo após se despedirem dos demais. Mas antes que Harry o fizesse, Sirius o segurou por alguns segundos.


    - Quadribol, e fica de bico fechado. – Harry respondeu num sussurro quase inaudível e Sirius meneava a cabeça em sinal negativo, ainda rindo.


               As portas do expresso vermelho se fecharam e com um último apito, o trem começou a locomover-se. Os pais fitavam a locomotiva vermelha desaparecer na última curva com um olhar saudoso. As férias passavam tão rápido, mal dava tempo de matar as saudades. Sirius sentia isso. Não viajara naquele verão, teve de trabalhar. Por sorte, conseguiu passar um bom tempo com Lyra, mas parecia não ter sido suficiente. Sentia falta de quando ela era pequena, dos tempos que não freqüentava a escola e estava lá todos os dias esperando-o chegar do trabalho.


               O trem desapareceu, junto com vários dos presentes ali, até chegar a um ponto de sobrarem apenas quatro pessoas.


               - O tempo passou rápido, é difícil de acreditar que no ano que vem não terei de trazê-lo aqui. – Lily sorriu fracamente.


               - A situação de vocês ainda é melhor do que a minha. Ainda têm Nathan para salvar a pátria, a única coisa que me resta é rezar para que Lyra não entre na onda do Remus. – disse Sirius.


               - Que onda do Remus? Dessa eu não fiquei sabendo. – perguntou James, descendo Nathan até o chão.


               - Ahh, não te contei? – Sirius abriu um sorriso forçado. – Ela está indo na conversa do Aluado, de ir viajar com ele atrás daquelas pesquisas doidas. Sabem aonde ela está pensando em morar? Nova York, Estados Unidos, céus! O que lá tem que aqui não tem?


               Os dois amigos riram da cara mal-humorada de Sirius. Soltar um filho no mundo nunca era fácil, mas soltar Lyra no mundo, para Sirius, aquilo era o fim.


               Lily olhou no relógio duas vezes antes de pegar Nathan no colo. Decerto, estava atrasada novamente para o hospital. Nos últimos meses, ela tivera alguns problemas por causa do filho mais novo. Não havia ninguém que pudesse olhá-lo enquanto ela trabalhava. Tentou babás, mas nenhuma ficava muito tempo. Os poderes mágicos de Nathan estavam começando a aparecer, e ele adorava testá-los nas babás. A solução era levá-lo para o hospital e rezar para que não causasse muitos estragos.


               - Vamos, querido, temos que ir para o hospital. Certeza mesmo que nenhum dos dois pode olhá-lo hoje? – Sirius e James menearam a cabeça, negando, para o desgosto da ruiva. – Certo, mas amanhã é você quem vai levá-lo para o trabalho, James. – e no segundo seguinte ela havia sumido.


               - Esse menino foi o mais parecido conosco, não é mesmo? – Sirius virou-se para o amigo, sorrindo.


               - Pode apostar que sim. Agora estou sentindo na pele o que minha mãe falava.


               Sirius olhou para o céu. Eram onze horas da manhã e ainda não havia vestígios do sol, somente uma cor acinzentada e várias nuvens, dando a impressão de chuva. Aquilo era incomum para aquela época do ano, estavam no final do verão, mas não era tempo de chuvas.


               - Então, já contou para a Lily? – Sirius encarou a James, seriamente. Aquele era um daqueles assuntos que não gostava de tocar, mas era inevitável, porque no final sempre acabavam falando nele.


               - Não. Estava esperando os meninos voltaram para a escola. Você sabe como a Lily fica com esses assuntos. Nathan não repara, mas Victoria e Harry é outra história. – James suspirou profundamente. Tentou adiar o máximo possível, mas terá de ser hoje à noite.


               - É complicado. O que Dumbledore diz disso tudo?


               - Não sei, não tenho falado com o barbudo. Fiquei lá na casa de campo sem saber de nada do que estava acontecendo aqui. E você conversou com a Lyra?


               - Vou adiar essa conversa mais um pouco. No Natal eu conto, mas tenho certeza de que ela já sabe que algo está errado. – Sirius voltou a fitar o horizonte, as montanhas em especial, por onde o trem logo passaria.


               - Eles sempre sabem. Venha jantar lá em casa, acho que Dumbledore vai nos acompanhar está noite.


               - Humm, se eu conseguir me livrar, vou sim. Você vai para o escritório agora?


               - É o jeito, Fuller já está uma fera comigo. Essa crise toda por aí e eu de férias. – James sorriu ao lembrar da cara avermelhada do chefe quando o encontrar mais tarde. – Vou indo, depois tomamos uns drinques mais tarde. – e no segundo seguinte, James não estava mais ali.


               Era engraçado como ali se esvaziava rápido. Minutos se passaram e não havia mais ninguém, claro, além dele mesmo. Não estava reclamando, era até bom ficar sozinho, mas era estranho pensar como tanto a plataforma quanto muitos outros lugares se esvaziavam facilmente, apesar das pessoas ainda não saberem de nada.


               Suspirou. Aquele sentimento se saudade estava batendo em seu peito novamente. Adorava quando a garota voltava para casa, ela dava uma certa vida ao casarão. Teria que ir se acostumando com aquele vazio no peito, pois conhecendo-a como ele conhecia, Lyra não iria apagar suas idéia de mudança tão facilmente.










              - Então, vai comigo ou prefere ficar zanzando por aí? – indagou Harry á irmã caçula.


              - Tenho mais o que fazer, meu querido mano. Se vir Robert, diga que estou na cabine de sempre, com os meninos. – ela beijou-o rapidamente no rosto e seguiu para o lado esquerdo do trem.


               Harry olhou em volta, procurando por Lyra, mas não havia nem sinal dela. A garota simplesmente tinha o dom de desaparecer quando alguém a procurava. Vendo que não tinha mais que fazer ali, seguiu para o lado oposto ao da irmã. Precisava encontrar uma cabine para descansar, as costelas quebradas estavam matando-o de dor.


              A cada cabine que passava, corria os olhos rapidamente dentro dela, mas não havia sinal algum da garota ou dos outros. Já estava começado a se cansar daquela brincadeira de esconde-esconde.


              Entrou na última cabine daquele vagão, aproveitando que estava completamente vazia. Seria bom ficar naquela cabine, com sorte, se sentasse um pouco, a dor cessaria. Mas lembrou-se que precisava encontrar Austin, prometera antes do verão que jogariam junto com os outros garotos uma partida de pôquer.“Maldita promessa”, pensou ele.


               Suspirou em seguida começou a andar lentamente até a saída. Mas assim que atravessou a porta, sentiu algo colidir com seu corpo. De repente, viu-se no chão e olhando fixamente para o causador da queda. 


               - Mil vezes, desculpa, Harry.


               Aquela era Isabelle Wine, do sétimo ano da Corvinal e capitã do time de quadribol da casa. Os cabelos castanho-claro escorriam até a metade das costas, e grande parte do tempo a franja era presa para trás, deixando sempre à mostra os profundos olhos azuis herdados do pai. Tinha uma pequena cicatriz no lado direito da clavícula, conseqüência de uma brincadeira de infância má sucedida. 


               Ela ajoelhou-se até Harry, com o olhar um tanto preocupado. Sempre ficava com um pouco de remorso quando machucava alguém por acidente, o que acabava acontecendo com freqüência por prestas pouca atenção ao seu redor.


               Harry meneou a cabeça. Já conhecia aquele olhar muito bem, por ser batedora, quase sempre acertava um balaço no apanhador da Grifinória. Ele apoiou a mão esquerda no chão e fez força para levantar, mas a queda pareceu piorar a situação das costelas.


               - Céus, não me diga que eu quebrei algum osso seu! – exclamou Isabelle com uma ponta de desespero na voz.


               - Não, não, acho que quebrei as costelas – os olhos de Isabelle arregalaram-se e Harry apressou-se para completar a frase. – jogando quadribol ontem.


               - Você está desde ontem com as costelas quebradas? Porque não pediu para sua mãe ajeitá-las? Sei muito bem que ela é uma curandeira.


               - Bem, eu até contaria para ela, mas como era para eu ficar vigiando meu irmão, e não ficar jogando quadribol, então, não me parece uma boa idéia. – ele sorriu fracamente.


               - Que bonito, senhor Potter. Fugindo das responsabilidades. – brincou ela, logo em seguida  levantou-se e estendeu a mão para ajudar o moreno a sair do chão. – Vamos, eu conserto isso. Você vai pirar se continuar desse jeito o resto da viagem, ainda mais depois dessa queda.


               Ela o ajudou a cruzar a cabine vazia. Harry se sentou em um dos assentos, enquanto Isabelle pegava a varinha no bolso.


               - Você tem certeza do que está fazendo? Isso não me parece...


               - Shii! – ela o interrompeu sorrindo. Meneou a cabeça, não dando atenção a cara de indignação do grifinório.


               Ela fez uma cara pensativa, parecia tentar encontrar o feitiço mais eficaz. Harry engoliu em seco quando a garota deu uma estalada nos dedos e apontou-lhe a varinha.


               Harry não ouviu o nome do feitiço, apenas viu uma luz alaranjada sair da ponta da varinha. A dor não passou, além do que, uma repentina queimação começou na região onde doía. Por um momento, ele pensou ter entrado numa fria. Tinha a pequena impressão que aquilo não iria curar suas costelas e, sim, piorar sua situação.


               - É normal sentir essa queimação. Logo, logo, a dor vai começar a cessar. – ela deu uma piscadela. – Ou não confia em mim?


               - Do jeito que está, acho que fico com a segunda opção. – Harry comentou quase num sussurro.


               - Eu ouvi isso, sr. Potter. – ela olhou no relógio do pulso, depois voltou-se para Harry novamente. – Me diga agora como está.


               Harry calou-se por um momento. Ela parecia estar certa, a queimação começara a passar, junto com a dor. Aquela sensação era de um imenso alívio. Não doía mais cada vez que enchia o pulmão de ar.


               - Como está agora? – Isabelle perguntou.


               - Quase não sinto mais nada. Obrigado. – ele a encarou agradecido. – Você já pensou em ser curandeira?


               - Já, mas esses pacientes de hoje em dia dão muito trabalho. – Isabelle sorriu matreira. – Acho que isso não é para mim, eu só sei algumas coisas porque um dia Filch me pegou passeando pelo castelo depois do toque de recolher, e me deu uma detenção. Tive de ajudar a limpar a ala hospitalar á noite durante dias. Assim, aprendi algumas coisinhas.


               - Essa detenção me parece melhor do que as que eu pego com aquele doido varrido do Schmid. - comentou Harry, fingindo uma pequena indignação.


               - Você devia ter mais respeito pelo professor de Feitiços. Não é a toa que o homem vive querendo te dar uma detenção. – falou ela. – Fique de olhos abertos, qualquer dia ele te dá de almoço para a lula do lago.


               Desde o terceiro ano, quando Harry, acidentalmente, derramou uma poção no professor de Feitiços, quando fazia um favor à professora de Poções e carregava alguns frascos até a ala hospitalar, o homem não fazia nada além de querer ver o rapaz mais lascado do que qualquer outro aluno da escola. O problema não era Harry ter jogado a poção, mas, sim, que Schmid era alérgico àquela poção, então, uma reação alérgica se apossou de seu rosto e de seu braço direito. O homem teve que passar quatro dias na ala hospitalar para as bolhas de sangue pararem de crescer.


               Harry revirou os olhos, mas riu do comentário.


               - Hum, você viu Lyra por ai? – ele perguntou.


               - Eu a vi no vagão anterior. Ele tava fula da vida, procurando pelo Smith.


               - E você? O que estava fazendo, vagando por aqui? Não vi nenhuma das meninas do sétimo ano.


               - Estava atrás do...


               - Richard?


               Ela baixou os olhos por alguns momentos, depois voltou a encará-lo. Já não estava mais com um sorriso no rosto e Harry desejou não ter feito aquela última pergunta. Mas como ele ia saber que aquilo ia deixá-la chateada? Afinal, o Lufa-Lufa era seu namorado até antes do verão.


                - Err, não, não. Não estou procurando o Richard, não. Não o vejo desde que terminamos. – Isabelle sorriu fracamente. – Queria saber aonde se meteu a Joane. Ela ficou me buzinando o verão inteiro porque queria me contar da viagem ao oriente.


               - Entendo.


               - Bem, já vou indo. Daqui a pouco ela passa histérica por aqui. – ela levantou-se e foi até a porta. – Se cuida. E não pense que eu vou facilitar as coisas para você nesse ano, garoto grifinório.


               - E quem disse que eu preciso de vantagens? – ele a encarou matreiro. – Não precisei de nenhuma vantagem no ano passado e também não precisarei nesse.


               Pouco segundos se passaram e ele ouviu um conhecido grito histérico vindo do corredor. Parecia que Isabelle havia encontrado a amiga.


               Continuou sentando, observando a paisagem verde passar rapidamente. Não estava com ânimo para procurar por Lyra ou qualquer pessoa. Estava cansado de brincar de esconde-esconde, agora era a vez deles o procurarem.








              Há uma cabine de onde Harry estava, Lyra andava rapidamente por entre cada cabine. Naquele momento ela tinha vontade de matar Thatcher, primeiro ele manda avisar que queria encontrá-la, mas não se lembrou de falar onde.


              Deixou um pouco de lado suas idéia de torturar o namorado quando viu um pouco á frente seus dois monitores favoritos. O loiro de olhos acinzentados estava encostado na parede, conversando com um rapaz moreno, alto, de olhos verde escuro. Lá estavam Draco Malfoy e Tristan Grey, ambos sonserinos, ambos monitores e ambos Lyra adorava tirar-lhes a paciência.


              Ela foi se aproximando, como quem não quisesse nada. Os dois garotos nem a notaram, continuaram conversando com um certo entusiasmo sobre algo que Lyra não tinha muita certeza, mas era evidente que atraiu a atenção dos dois.


              - Olha só o quem eu encontro aqui. – ela sorriu e abraçou o loiro, que pareceu não apreciar muito a idéia. – Minhas companhias de detenção prediletas.


             Tristan revirou os olhos, mas sorriu em seguida, ao ver a cara de desgosto do outro.


             - Vejo que você chegou ao ponto que até seus amiguinhos grifinórios estão fugindo de você – disse o garoto Malfoy, tentando se livrar dos braços de Lyra.


             - Bem lembrado! Vocês viram o Smith passar por aqui? – se referia ao namorado pelo sobrenome quanto falava com os sonserinos. Embora Lyra achasse que eles soubesse o primeiro nome de Thatcher, nunca o chamariam assim.


             - E você acha que eu ia reparar se seu namoradinho passasse por aqui?


             - Você está muito rabugento hoje, Draco.


             Tristan levou a mão à testa, já vendo a pouca paciência que tinha lhe deixar.


             - Ok, Black. Se eu responder a pergunta, você dá o fora? – indagou ele, chamando a atenção da garota.


             - Evidentemente, meu caro Tristan. – ela deu as costas para o loiro e encarou o outro rapaz.


             - Eu o vi agora a pouco no vagão da frente, na cabine do Baldwin. Está o maior estardalhaço lá, não entendi direito o que estava acontecendo, mas parece ter algo haver com o jogo de sábado. – Tristan olhou de viés a porta do vagão, dando a deixa para Lyra sumir dali.


            - Obrigada, meu querido. – ela agradeceu a Tristan, em seguida, virou-se para Draco com um olhar de indiferença. – Mal educado.


           O loiro não deu atenção ao comentário e voltou á conversar com o colega de casa. Lyra sabia que não havia mais o que fazer ali, ambos os garotos não queriam papo com ela naquele momento. Em certas horas, ela até conseguia arrancar algumas palavras dos dois  sem àquela arrogância, mas hoje não seria um dia para aquilo.


           Ela foi embora, deixando os dois sonserinos para trás. Draco continuava olhando para a porta pela qual Lyra havia saído. Ela continuava igual, não mudara nada desde o último dia de aula. Continuava intrometida e pentelha, mas foi bom revê-la, ainda mais quando Lyra Black era considerada a maior perdedora de pontos da Grifinória. Ela simplesmente tinha o dom de estar no lugar errado e na hora errada, então, sempre acabava em detenção, e era justamente ele quem tinha de monitorá-la durante os castigos. Os professores tinham uma regra para piorar as detenções: monitores sonserinos aplicavam as detenções à grifinórios e vice e versa. As outras duas casas não era necessárias se submeterem à essa regra.


            - Então, Malfoy, vai aceitar a oferta de Knox? – perguntou Tristan.


            Draco encarou Tristan seriamente, depois, voltou seu olhar para as árvores que passavam rapidamente do lado de fora. Aquele não era um assunto fácil a ser tratado. Tentava fugir dele quando estava em casa, mas o pai não lhe dava descanso. Agora teria de agüentar a mesma história na escola.


            - Ainda não sei. – respondeu ele. – E você?


            - Jamais! Nem que me paguem um mil galeões eu me meto em coisa desse tipo. É como meu pai sempre diz “Antes ser um morto livre, do que um vivo escravizado.”


            - Eles me deram até a formatura para decidir. Ainda tenho muito o que pensar.


    Aquela última frase de Tristan tinha um fundo verdadeiro. Se Draco desse às costas, mandando aquilo para os infernos, seria um homem morto; mas se aceitasse, todos os seus planos, os poucos que tinha, iriam por água abaixo. Aquele tipo de trabalho tinha de se dedicar inteiramente, entrar de corpo e alma. Ao menos teria ainda alguns meses restantes antes da sua iniciação.








            Lyra entrou na cabine a qual Tristan mencionara. Estava o maior estardalhaço ali. Vários meninos tanto do sétimo quanto do primeiro ano conversavam alto, quase gritando, e quando um pedaço de papel passava por suas mãos a bagunça piorava.


            Ela correu os olhos rapidamente, procurando pelos olhos negros de Thatcher. Ele não estava naquela cabine, e mesmo que estivesse, ela não conseguiria vê-lo. Sendo assim, não havia o que fazer ali. Deu meia volta e saiu pela porta afora xingando-o baixinho. Detestava ter de ficar procurando os outros, preferia mil vez que os outros que a achassem.      


            O que não sabia é que quando menos se espera, o que está procurando acaba aparecendo. No momento em que pisou fora da cabine, alguém colidiu com Lyra, e se esse alguém não a tivesse segurado, era certeza que teria ido parar no chão.


           - Lyra! Até que enfim! – Thatcher sorriu ao ver a garota.


           Ela abriu um pequeno sorriso ao ver o garoto alto, de cabelos negros e arrepiados, e em seguida acertou o braço de Thatcher com o punho direito. O rapaz a fitou com um olhar de desentendido enquanto massageava o lugar da batida. Ela tinha mais força do que aparentava.


             - O que foi isso, mulher?! Está doida? Quase três meses sem nos vermos e você ainda me recebe assim? – perguntou ele num tom brincalhão.


            - Primeiro você manda me chamar, depois eu fico igual a uma barata tonta te procurando, e você ainda pergunta se eu enlouqueci? – ela fechou a cara e ficou de costas para o namorado. Adorava fazer um doce quando passavam muito tempo sem se verem.


           - Hey, hey, desculpa, ok? Eu estava vendo o autógrafo do novo apanhado da seleção...


           - Sei, sei, porque homem gosta tanto de esportes? – ela o interrompeu.


           - Por que as mulheres gostam tanto de revista de fofoca? – rebateu ele, rindo.


           - Pelo simples fato de nos deixarem informadas, além do mais, como eu iria saber o que está acontecendo com “The Princely”?


           Ele revirou os olhos. Era melhor parar por ali mesmo, não adiantaria nada continuar com aquilo. O melhor jeito de acalmar com a fera era agradando-a, e era exatamente o que iria fazer. Tirou do bolso um pequeno embrulho e o entregou á Lyra.


           Pegou o pequeno embrulho e começou a rasgar o papel vermelho, logo, só restava apenas uma caixinha preta em suas mãos. Uma pitada de curiosidade bateu em Lyra; ela não havia comentado com Thatcher que queria algo, e ele só comprava presentes os quais ela já havia tocado no assunto.


            - Vamos! Senão eu que vou abrir isso. – ele sorriu.


            Lyra abriu a pequena caixinha, depois encarou o namorado em um olhar terno. Aquilo era sinal que ele já estava perdoado. Dentro da caixinha, havia um pingente, uma estrela de ouro muito pequenina. Ele acertou em cheio, ela adorava estrelas.


           - Bem, eu não sabia o que trazer para você da Rússia, ainda mais porque você não comentou nada, mas achei que esse pingente você fosse gostar. – explicou o garoto. - Pode usar na mesma corrente em que você sempre usa.


             Lyra o beijou ternamente, não somente pelo fato que ela adorou o presente, mas por ele a conhecer tão bem. Ele era sempre tão atencioso.  


            Thatcher a ajudou a colocar o pingente na corrente em que ela usava.


            - Então? Ficou bom? – ela virou-se para o moreno, perguntando.


            - Modéstia a parte, eu sou muito bom para escolher presentes. – ele riu, e Lyra revirou os olhos. – Então, conte-me, como foi o verão. Algo novo?


            Ela o puxou pela mão, queria achar uma cabine, na verdade, uma cabine vazia. Encontrar Harry podia esperar mais um pouco.


            - Acho que tem algo para fazermos bem melhor do que conversar. – ela sorriu maliciosa e deu uma piscadela para o rapaz.








            Harry continuou naquela mesma cabine durante um tempo, até ouvir uma voz conhecida vinda do corredor. No final do corredor estavam três garotos da sua casa, um sétimo ano e dois do quinto. O do sétimo ano era exatamente quem ele estava procurando: Austin Williams. O amigo estava um pouco mais corado do que o normal, em seu braço esquerdo estava enfaixado, fora isso, nada mudara no rapaz. Continuava alto, com os mesmos cabelos loiros ondulados e os mesmos olhos azuis esverdeados. Tinha o tom de pelo muito branco e com qualquer sol conseguia aquela coloração rosada. Sempre que viajava com os primos no verão, voltava naquele estava, com um machucado ou outro e a pele queimada. Os primos trouxas ensinaram Austin à adorar tanto como eles , os esportes trouxas, de preferência os mais perigosos, e isso acabou rendendo-lhe um físico excelente para a temporada de quadribol.


            - Olha só quem resolveu aparecer! – Austin sorriu. – O pessoal está te esperando, a Lyra quase pulou no meu pescoço quando eu disse que não sabia nada de você.


            - Então? Aquela partida de pôquer ainda está de pé? – perguntou Harry ao rapaz loiro.


           - Você vai perder muito dinheiro hoje, meu caro Potter. – Austin estava um pouco confiante demais para aquela partida de pôquer.


           - Não fique confiante desse jeito. Já sabemos como você rouba. – Harry revirou os olhos e o amigo fingiu uma cara de decepção. – Não terá seu truque na manga desta vez.


           - Veremos. – o loiro gargalhou. – Sabe que ninguém me vence nas cartas. Eu simplesmente nasci com esse talento. – ele fez uma cara pensativa, seguida por um sorriso matreiro. – Eu devia morar em Las Vegas.


            - E levar seus pais à falência. – completou Harry, arrancando risos dos dois garotos que acompanhavam Austin. – Como foi as férias? Para onde foi dessa vez?


           - Essas férias eu passei no paraíso. – seus olhos até brilharam quando falou aquilo. – E esse paraíso se chama Nova Zelândia. Já vou começar a arrumar as malas para mudar para lá depois da formatura.


           - Se continuar assim, você vai mudar para metade do mundo. – Harry sorriu ao lembrar-se dos anos passados. Todas as vezes que Austin voltava de viagem, ele queria morar em um lugar novo. – Última vez foi Brasil. E tem Marrocos, México, Austrália, Holanda. Sério, é bom você se decidir, entende?


            - Oh, cala a boca. – Austin deu um empurrão em brincadeira em Harry, que pensou que quase fosse cair para trás. Às vezes, Austin não tinha noção da força que tinha.      


            Austin abriu a porta para passar para o vagão da frente, e olhou para trás, encarando os dois garotos que vinham lhe acompanhando há alguns minutos.


           - Verei o que posso fazer sobre a questão da vaga de artilheiro, mas não prometo nada. – Austin respondeu a pergunta que o estava deixando-o louco o verão inteiro. Todos queriam aquela última vaga no time, e os pedidos iam e vinham em cartas direto para a casa dele. E aqueles eram os ossos do ofício de ser capitão do time.


          Harry foi seguindo Austin até onde o resto do pessoal estava. Enquanto não chegavam lá, os dois iam conversando sobre o jogo de quadribol que aconteceu no sábado e sobre a temporada que estava para começar. Austin contou um pouco mais de suas férias e relatou com detalhes todas as vezes que sofria algum acidente.


         Talvez esse entusiasmo todo pelos esportes trouxas tenha a ver com o fato de Austin ter um pai sem uma gota sequer de sangue mágico. Todos na escola já deveriam ter ouvido falar de sua mãe. Regina Williams era simplesmente uma das melhores curandeiras de parte estética da Grã Bretanha. Caso as pessoas não gostem de seus rostos, do nariz, das suas orelhas, até do seu dedão do pé, era só marcar uma consulta, e saíam como novos. Mulheres com muito dinheiro iam até ela, principalmente, com a finalidade do um tratamento para o envelhecimento, e não era apenas uma poção com o efeito de poucas horas, mas algo que fazia as rugas desaparecerem. Porém, eram pouquíssimos que já ouvido falar do pai de Austin: Alexander Williams. Ele era um homem como outro qualquer, trabalhava em um escritório de advocacia no leste de Londres, perto da residência onde a família morava. Essa era a família de Austin, nada associado á surf ou MotoCross, exceto pelos sobrinhos de Alexander.


            Austin também contou que descobriu, através de algumas garotas da Corvinal, que Dumbledore promoverá o famoso baile de máscaras na noite de Halloween. Esse era um baile tradicional na escola, todo ano tinha um baile na noite de Halloween, geralmente, era a fantasia, mas aquele seria veste de gala com máscaras. Harry achara melhor, no ano anterior Lyra quase o forçara a ir de ovelha, para complementar sua fantasia de pastora. No último momento, arranjou uma fantasia de cavaleiro com os outros meninos do sexto ano. Lyra não agradou muito com a idéia, mas acabou cedendo e transformou seu travesseiro em um cordeirinho de pelúcia flutuante.


            - Então, como eu estava lhe falando, esse baile vai ser o melhor. Parece que... – Austin foi interrompido um conhecido grito de excitação.


            Lyra correu até o moreno, e o abraçou com força. Sua sutileza era de tal tamanho que saiu atropelando Austin, este estava andando á frente de Harry, e quase foi derrubado. Ela estava com saudade. Geralmente passavam os verões juntos, mas àquele complicou-se devido ao trabalho de Sirius.


            Ele sorriu para a amiga. Era bom vê-la de novo, em dias comuns, os dois se encontravam todos os dias, até mesmo nas férias. Ele sentiu falta das saídas ao Centro que sempre davam nas férias. Costumavam ir ao cinema, teatro, feiras, coisas de trouxas. No último verão, foram à um show acústico num bar na zona leste da cidade. A música era muito boa, o problema foi que ela queria porque queria experimentar tequila, e Lyra é muito fraca para bebida. Em poucos goles, ela já estava chamando todos ali de John. Nem seus pais, tampouco Sirius, ficaram satisfeitos com aquilo, mas era uma boa lembrança. Seria interessante repeti-la outro dia, fora que era cômico quando a amiga ficava embriagada.


           - Quanta delicadeza. – Austin comentou sarcástico, enquanto se acomodava no assento, ao lado da prima, Reese Sedley.


           Reese revirou os olhos, já conhecia aquela cena. Ela abraçou-o, tentando fazer com que ele esquecesse o assunto.


          - Fresco. – Lyra respondeu mostrando a língua.


           Antes que Austin começasse a falar novamente, Reese tapou sua boca com a mão.


           Ela era do sexto ano, mas aparentava ser mais velha. Seus cabelos eram loiros, iguais aos do primo, mas cacheados, combinavam com os olhos esverdeados. Tinha um físico bonito, pernas longas, busto que irritava ao primo e ao irmão, já formado, quando usava blusas justas, e lábios muito finos. Tinha-se de admitir que ela tinha algo especial.


           - Onde estão Ron e Hermione? – perguntou Harry, olhando em volta da cabine.


           - Estão em reunião, aquelas coisas de monitores. É um saco, agora a Hermione só fica no pé da Stuart, ninguém merece aquela gralha. – comentou Austin, maldosamente. Ele simplesmente odiava Leslie Stuart, e até hoje ninguém sabia o porquê disso. Tubo bem que, caso alguém contasse alguma coisa para ela, viraria fofoca no dia seguinte, mas isso não era motivo, senão Harry já teria esganado a irmã e Lyra há muito tempo.


           - Até hoje eu nunca entendi como a McGonagall escolher o Rony para ser monitor.


           - Simples, minha cara Lyra: não tinha mais ninguém no mercado. – falou Austin, livrando-se das mãos da prima.


           - Céus! Austin, você está impossível hoje. – Reese o encarou com um olhar repreendedor


           - Harry, o que acha de um passeio? – sussurrou Lyra ao pé do ouvido do amigo. Ela aproveitou que Austin estava distraído para levar Harry para fora do vagão. Queria conversar com o amigo à sós, sem aquela confusão toda. E ela sabia muito bem que se Harry sentasse lá e começasse a jogar com o resto dos rapazes, eles só sairiam dali quando o trem chegasse na escola.


           Os dois saíram de fininho, aproveitando que Austin estava entretido procurando por algo em sua mochila. Apenas Reese viu, que deu uma piscadela para eles. Começaram a andar pelo corredor barulhento, até chegar em um cantoonde o barulho foi cessando e a exaltação vinda das cabines também. Ali poderiam conversar com mais tranqüilidade.


            - Então, onde está Thatcher? – perguntou Harry, pondo um chiclete na boca. – Quer?


           - Não, obrigada. – ela negou balançando a cabeça. – Ele está lá com os amigos. Você sabe como ele fica deslocado perto dos rapazes. Mas antes dele ir para o outro vagão, nós matamos a saudade. – seu sorriso tornou-se mordaz.


           - É bom que você dê a liberdade para ficar com os amigos. Ás vezes, até eu acho que Austin vai muito além da conta com as brincadeiras.  


           - É justamente isso que eu penso. – Lyra suspirou. - Eu gosto dele, ele é uma graça, mas não sei, acho que estamos perdendo a química.


           - Quer saber a verdade? Acho que vocês dois nunca tiveram química nenhuma. Parecem mais dois amigos, a diferença é que tem benefícios essa amizade de vocês.


           - Ahh, tenha dó, Harry! Nem é assim! – aquele assunto sempre acabava enfurecendo-a. Não era a primeira vez que falavam aquilo.  – Eu e o Thatcher temos um ótimo relacionamento, só não ficamos nos agarrando em público.


          Ele revirou os olhos, era sempre a mesma desculpa. Desde o início, Harry nunca achara que aquilo iria durar por muito tempo, mas já vinha se arrastando há quase um ano. Talvez estivesse errado sobre Thatcher.


           - Mudando de assunto. Você ficou fazendo o que as férias inteiras? – perguntou Harry, mudando de assunto.


            - Fiquei com meu pai. Coitado, ele tinha que casar. Se ele não tiver outra mulher, sabe no pé de quem ele fica? Eu! Isso mesmo, era toda santa manhã me tirando da cama às oito. – ela bufou irritada, detestava acordar cedo, especialmente em férias. – Claro que, quando ele saía para trabalhar, eu voltava para a cama. .


            Harry gargalhou.


           - Sério, eu não estou brincando, não. Sabe aquela Rachel do ministério? – perguntou.


           - Sei. Ela trabalhou com meu pai e o teu por um tempo, não foi?


           - Essa mesmo. Cara, como eu queria que ele casasse com ela. Nossa, ela é o máximo. Bonita, bem sucedida, sabe xingar em espanhol e, o melhor, tem a réplica de um deus grego como filho.


            - E ainda diz que ama o namorado que tem.


            - Eu amo o Thatcher, mas olhar não arranca pedaço. – ela riu ao ver o amigo revirar os olhos, sorrindo.


            - Sem comentários. Agora chega de fofoca...


            - Mas foi você quem começou o assunto – ela o interrompeu.


            - Não importa. – Harry ficou sério de repente. – Você tem lido os jornais?


            - Claro.


            - Não acha estranho aqueles aurores terem sumido do mapa? – indagou ele, com a sobrancelha erguida. Seu pai sempre dizia que ele era muito desconfiado, mas sempre tinha uma boa razão para tal feito. Sete homens desaparecerem misteriosamente do mapa é algo muito incomum, ainda mais sendo aurores.


            - Demais. Eu tentei até falar com papai sobre isso, mas ele ficava mudando de assunto. Tem algo nisso aí.


            - É, e deve ser algo muito grande. – disse Harry, olhando através da janela a chuva fina que caía.


            Lyra e Harry ficaram ali conversando por pelo menos uma hora, depois voltaram á cabine para aproveitar o resto da viagem com o resto do pessoal, agora Ron e Hermione os acompanhavam.


            Aquela tarde passou rápida, era difícil de acreditar que aquela seria a última vez que estaria viajando a bordo daquele expresso vermelho. Só de pensarem nisso, já batia a saudade. Dali a um ano estariam cada um para cada canto, seguindo os caminhos que escolheram para o futuro.


            Foi uma viagem agradável, gastaram o tempo conversando, jogando, falando besteira, coisas de adolescente. Nem haviam se dado conta que chegaram à escola, só começaram a se organizar quando o trem parou. Os que tinham de se trocar o fizeram rapidamente, e logo a multidão de alunos começou a descer do trem.


            Lá estava Hogwarts mais uma vez. Ela não parecia ter mudado em nada, mas nenhum aluno ali, em especial os do sétimo ano, sabia o quanto aquele ano iria ser diferente. Um ano pode fazer muito mais diferença do que eles imaginam.








            Eram onze da noite quando Sirius aparatou na casa de James. Caminhou pelo corredor do hall até à sala de estar, aonde estavam todos. Dumbledore já estava lá, juntamente com Rachel, Remus, Nicholas Chase, Christopher e Anabeth Wine, e, por fim, Gabriel Crawley. Todos rostos conhecidos. Mas ainda faltavam vários membros, a reunião oficial seria apenas em alguns dias.


           - Noite. – Sirius fez um pequeno aceno com a cabeça e sentou-se ao lado de Rachel. – Muito atrasado?


           - Não, Sirius. Você chegou bem na hora. – Dumbledore levantou-se da poltrona em que estava sentado, e tirou a varinha de dentro do bolso. – Estamos com um assunto de grande importância para tratar, creio eu. O desaparecimento de sete aurores não é algo muito discreto. Christopher, por favor.


           Um homem alto, de cabelos castanhos com manchas grisalhas e profundos olhos azuis levantou-se. Ele mantinha o semblante sério, mas não escondia o seu costumeiro sorriso tranqüilo. Aquele era o pai de Isabelle Wine, e a mulher ao lado dele era sua mãe. Ela tinha traços parecidos com os da filha e olhos eram quase da mesma cor, apenas mudava a cor dos cabelos, que eram ruivos, não tão vermelhos como os de Lily, mas um ruivo acastanhado.


          - Sim, claro. – ele limpou a garganta, depois retornou à falar. – É uma situação delicada, o ministério não quer alarmar as pessoas, mas muitas já estão começando a se queixar quanto à segurança.


           - Você pensou na proposta que eu lhe fiz, Christopher? – perguntou Dumbledore.


           O homem assentiu e respondeu:


           - Claro, podemos ir, sim, para os Estados Unidos. Até já conhecemos Washington.


           - Excelente. Isso nós ajudará bastante à manter a ordem no continente americano. Há alguns dos nossos lá, e está se tornando cada vez mais complicado viajar para lá. – disse o velho diretor. E era verdade, viajar com freqüência poderia botar a escola em segundo plano, e isso nunca poderia acontecer. Há alunos que estão muito patentes em relação ao que está acontecendo.


             - Mas o senhor acha que a situação pode se agravar em um período de quanto tempo?


             - Vou ser franco com você, Rachel. A cada dia que passa, o poder aumenta. E o mínimo que podemos fazer é estarmos preparados para o que quer que seja. – um sorriso apareceu por entre a longa barba prateada. – Uma maneira de fazer isso, é cuidarmos dos jovens de Hogwarts. Muitos deles já estão começando a optar pelas escolhas erradas.


            - Você já tem algum suspeito?


            - Não, receio que não, Sirius. Só vi os estudantes hoje, durante o jantar. No entanto, há alguns que podem começar a se meter em encrencas.


            - Tenho certeza que esses vêm da mesa dos verdinhos. – comentou Sirius, ríspido.


            Agora, foi a vez de um homem jovem, com os cabelos loiros arrepiados e olhos azul-escuro falar. Aquele era Nicholas Chase, professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Mais os menos no dia em que completaria vinte e oito anos, completaria dois que trabalhava naquela escola.


           - Calma lá, Sirius. Isso é preconceito. Tem muito garoto bom naquela casa. – ele revirou os olhos. – Certo, sempre há aqueles que a gente quer matar, mas não é a casa inteira.


           Lily olhou em volta, todos estavam com caras preocupadas e pareciam bastantes estressados. Ela não estava assim, na verdade, ela ainda estava em estado de choque, a informação parecia ainda não ter sido digerida. Nem acreditou quando o marido contou o que estava acontecendo, e que iria ter a reunião naquela noite, ali na casa. De início ela ficou brava, esperava que James tivesse contado há mais tempo, porem, não havia mais o que fazer. Ela já estava envolvida de um jeito ou de outro.


          Por um momento, pensou ter visto um par de olhos acinzentados perto da escada. Sorriu, e cutucou o marido de leve.


           - Nathan! Apareça. – ela falou, com a voz firme.


           Foi uma questão de segundos até o garotinho descer as escadas correndo e parar em frente à porta para o corredor. Ele vestia um pijama azul de foguetes e escorregava por causa das meias.


           James foi até o filho e o pegou no colo.


           - Papai, estou sem sono. – ele disse, depois de um bocejo.


           - Sei. – James riu. – Agora dê boa noite aos amigos da mamãe e do papai, e eu vou para o quarto com você.


           - Boa noite. – sua voz de criança saiu fininha, ele estava cansado, mas não queria dormir, não com tanta gente em casa.


           James subiu com Nathan para o andar dos quartos, deixando os outros conversando.


           - Ele está tão crescido, Lily. – comentou Anabeth. – Quantos anos?


           - Seis. Fez no mês passado. – a ruiva sorriu.


           - Voltando ao assunto, o que faremos em relação ao seqüestro? – perguntou Crawley. Ele parecia estar impaciente, mais do que de costume. – Pode haver mais, não acha Dumbledore?


            - Talvez sim, Gabriel. Mas ele não quer mostrar o que planeja nesse momento. – disse Dumbledore. 


            - E esse “ele”? É uma pessoa? Tem nome? – perguntou Rachel.


            - É isso que queremos descobrir. Eu já tenho minhas suspeitas, mas só irei mostrá-las aos senhores quando estas forem mais concretas.


            - E pode demorar? – questionou Remus.


            - Isso depende de Andrômeda agora. – ele voltou-se para Sirius. – Não teve notícias de sua prima, Sirius?


            - Não, senhor. Ela e a filha não fazem contato comigo há algum tempo. Acho que será em breve.


            - Ótimo. Mais algum assunto a tratar essa noite? – perguntou Dumbledore aos presentes na sala. Todos negaram com a cabeça. – Bem, então os vejo na próxima reunião, que será na escola, em duas semanas.


             - Mas tão próximas? – indagou Anabeth com uma certa aflição.


             - É, Ana. Até lá já devo ter algo a passar para à todos. – ele voltou-se para a ruiva, sentada perto dele. – Obrigado pela hospitalidade, Lily. Mas devo retornar à escola agora.


             Dumbledore saiu em direção ao corredor, somente no hall que se pode aparatar, e ele ainda tinha que passar no vilarejo. Após Dumbledore sair da sala, o restante saiu, deixando Sirius, Rachel, Lily e Remus na sala, sozinhos.


            - Lily, eu também deveria ir andando. Amanhã é noite de lua-cheia, e ainda não peguei a poção da casa do Jones. – ela abraçou a amiga, e acabou de se despedir dos outros, depois sumiu na escuridão do corredor, como os outros fizeram.


            - Será que o James ainda demora? – perguntou Sirius.


            - Acho que não. Nathan aparentava estar com sono, é certeza que ele vai dormir em poucos minutos. Esperem um pouco antes de irem. – ela olhou o amigo. – Sirius, eu te conheço, e sei que você está com fome. Vamos até a cozinha, deixei seu prato no fogão.


            - Você leu meus pensamentos, ruiva. – ele sorriu, e começou a seguí-la até a cozinha. – Você não vem? – perguntou à Rachel, que ainda continuava sentada no sofá. – Sei que você não comeu também, pois saiu quase na mesma hora que eu. Te vi passar pela meu escritório.


            - Daqui a pouco eu vou. Pode ir na frente, Black. – ela respondeu.


            Agora só restava ela ali na sala. Milhares de pensamentos invadiam a sua cabeça naquele momento. Não parava de se perguntar o que fazer, qual decisão era a melhor. Ela sabia que eles acabariam descobrindo de um jeito ou de outro, afinal, eram a lendária Ordem da Fênix. Mas será que sabia daquilo? Será se sabiam algo sobre o que estava escrito naquele pedaço de papel tão velho, escrito com a letra de Gary?


“Meu Merlin, me ajude. O que devo fazer?”


 


 


 


Alguns acreditam que o passado pode voltar


Alguns acreditam que não exista destino


Alguns acreditam que nada é por acaso


Alguns acreditam que a verdade será revelada


Alguns acreditam que os segredos ficarão ocultos


Alguns acreditam que a realidade é cruel


Alguns acreditam que a fantasia é um sonho


Alguns acreditam que o futuro está próximo


Alguns acreditam que o amanhã nunca chegará


Alguns acreditam que a esperança nunca acaba


Alguns acreditam que não há mais porquê lutar


Alguns acreditam que o errado é o certo


Alguns acreditam que o certo é o errado  


E alguns... apenas acreditam


 


 N/Autora: Some Trust – The Fray


http://www.yehplay.com/musics/The-Fray-Some-Trust/5580/


Devido à nova formatação, eu não posso postar mais imagens e músicas, porém deixarei os links nos capítudos para quem quiser conferir. Lembrando  que as imagens dos capítudos não as prévias do próximo.


E perdão pelos grandes espaços entre um parágrafo e outro. A nova formatação é uma bosta ¬¬'

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