-Põe ali, não, não, isso tem que ficar aqui, assim que a Corvinal terminar a peça será a vez da Lufa-lufa, depois a Sonserina e depois a nossa, então nossas coisas já vão ter que estar aqui. - Laís corria de um lado para o outro ditando ordens, olhou para o outro lado e viu Sirius fazendo o mesmo.
-Laís. - Chamou Deise.
-Ah oi. - Ela respondeu sem nem mesmo olhar para a amiga.
-Olha aqui. - Deise chamou novamente.
-Fala. - Laís virou-se para Deise que lhe apontou uma ruiva perto da cortina do palco.
A loira olhou para a ruiva que tinha o olhar distante, pôde ver o rosto da amiga se contorcer diversas vezes. Laís podia ver que Lilian parecia analisar atentamente dos bastidores a peça da Corvinal que se chamava o “Corcunda de Notridami”.
-Será que ela tá bem? - Deise perguntou fazendo uma careta.
-Não sei. - Laís respondeu caminhando em direção a ruiva.
Calma, calma, calma... não tem nada demais entrar ali... ah não, imagina, são apenas umas milhares de pessoas esperando para tacar uma pedra assim que você errar o texto... ninguém vai tacar pedra se eu errar o texto... não, vão apenas ti vaiar.. ninguém vai me vaiar porque eu não vou errar o texto... não, isso só aconteceria se você estivesse nervosa... mas eu não estou nervosa... ninguém esta dizendo que você está nervosa... Lilian lutava com seus pensamentos, até ouvir alguém lhe chamar.
-Lilian!!!
-Ah, oi. - Lilian respondeu aérea.
-Você tá bem? - Perguntou Deise.
-Tô, tô sim. - A ruiva forçou um sorriso.
-Lilian, olha pra mim, eu não nasci ontem né? - Disse Deise com as mãos na cintura.
Lilian não pôde evitar de sorrir, estava com saudades daquele jeito da amiga, ela era tão autêntica.
-Tá, eu tô um pouco nervosa é só isso.
-Pra falar a verdade eu também tô. - Respondeu Deise.
-Nossa, você sabe como ajudar alguém. - Lilian riu.
-O que eu posso fazer se é verdade. - Deise sacudiu os ombros.
-Tava com saudade de você. - Falou Lilian.
-Eu também. - Deise respondeu abraçando a amiga.
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Tiago ria de Sirius que parecia um louco correndo de um lado para o outro, ele preferia não olhar para a peça da Corvinal, pois ia acabar pirando de tanto nervosismo. Era mais relaxante olhar Sirius se descabelar. Remo estava ao seu lado também rindo.
-É isso ai, podem rir, vão rindo. - Disse Sirius chegando perto dos amigos fazendo eles rirem mais ainda.
-Você não imagina como tá engraçado. - Falou Tiago entre uma gargalhada.
-Pimenta nos olhos dos outros é refresco. - Disse Sirius com um sorriso nos lábios, não conseguia ficar sério. - Até sem querer eu sou o centro das atenções.
-Você é muito convencido mesmo. - Remo afirmou.
-Convencido não Aluado, apenas realista. - Sirius concluiu triunfante.
-Deixando o ego do nosso amigo Almofadinhas de lado. Olhem ali. - Falou Tiago apontando para uma morena e uma ruiva abraçadas.
-Hum... acho que a minha morena finalmente se acertou com a sua ruiva Pontas. - Disse Sirius dando um cutucão no amigo.
-Quem dera. - Falou Tiago.
-Quem dera o que? - Perguntou Remo.
-Quem dera que ela fosse a minha ruiva. - Respondeu Tiago sem tirar os olhos da cena.
-Isso é apenas uma questão de tempo meu caro Pontas. - Disse Sirius colocando a mão nos ombros do amigo.
-Vamos lá com elas. - Falou Remo.
-Vamos. - Disse Sirius arrastando Tiago.
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Laís olhava para as duas e sorria levantando as mãos pro céu.
-Tô ficando com ciúme. - Falou a loira.
-Hum... mas que amiga ciumenta. - Disse Deise puxando-a para o abraço.
Logo as três sentiram mais alguns braços se fechando em torno delas.
-O que é isso? - Perguntou Deise sentindo o perfume conhecido.
-Esse é um abraço só de amigas. - Falou Laís rindo.
-Que é isso meninas? Nós também podemos participar. - Disse Sirius.
-Não sabia que você era nossa amiga. - Deise respondeu rindo, no que os outros também riram.
-Muito engraçadinha. - Sirius falou fazendo uma careta.
-Não como amigas, mas nós somos amigos de vocês também. - Falou Tiago.
-Isso, então temos o direito de participar do abraço coletivo. - Disse Remo.
-Já que não podemos evitar. - Falou Laís sacudindo os ombros.
-Tá bom, já chega. - Disse Deise se separando do abraço e rindo. - Daqui a pouco o cabelo desmancha. - A morena pegou nos cachos e arrumou.
-E já tá todo mundo olhando. - Completou Lilian também rindo e ajeitando o cabelo.
-É só com isso que você se preocupa. - Desabafou Tiago e saiu.
Os cinco ficaram um tempo calados até que Lilian resolveu falar.
-Eu... eu... tava apenas brincando.
-É, mas ele levou bem a sério. - Disse Sirius saindo atrás do amigo, sendo seguido por Remo.
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Corvinal havia terminado de apresentar a sua peça e fora aplaudida com louvor, não houveram muitos erros, apenas uma garota do segundo ano esqueceu uma parte da fala, mas a outra que estava em cena completou o espaço e não ficou tempo vago. Outro erro foi de um dos contra-regras que no decorrer da peça deixou cair um dos sacos que servem como peso para as luzes do palco, então o coitado teve que ficar o resto da peça substituindo o peso que havia derrubado.
O clima nos bastidores continuava o mesmo, uma correria total e não eram mais apenas Laís e Sirius que se descabelavam, todos os alunos procuravam ajudar em alguma coisa, a cada minuto que se passava em que a Lufa-lufa apresentava a sua peça o nervosismo aumentava.
-Pontas ajeita essa cara porque daqui a pouco você vai ter que tá lindinho pra subir no palco. - Disse Sirius usando um feitiço para transportar um dos itens do cenário, usando magia as coisas ficavam bem mais fáceis.
-Não enche Almofadinhas. - Retrucou Tiago que também ajudava na tarefa.
-É melhor calar a boca Sirius, porque se não vai acabar sobrando pra você. - Falou Remo fazendo um feitiço colante na fantasia de Rabicho que havia estourado.
-E você Rabicho, pelo amor de Merlim, controle a sua boca. - Disse Tiago querendo descontar a sua raiva.
-Sempre sobra pra mim, logo eu que não disse nada. - Reclamou o garoto.
-Se fossemos falar com você apenas quando você diz alguma coisa, nunca nos falaríamos. - Falou Sirius rindo.
-Deve ser porque tudo que eu falo vocês reclamam. - Disse Pedro.
-Nossa Rabicho você tá se superando hoje, tá até usando um sarcasmo. Parabéns, você tá se tornando cada vez mais maroto. - Falou Tiago no que os outros riram.
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-Olha tá tudo bem, não precisa vocês ficarem assim. - Disse Laís.
-Não, é claro que não precisa, levando-se em consideração que a Sonserina já tá apresentando a peça deles e depois somos nós. - Retrucou Deise apertando as mãos em um gesto de nervosismo.
-Ai Merlim. - Foi a única coisa que a ruiva ao lado das duas conseguiu dizer.
Deise, Laís e Lilian olhavam dos bastidores a peça da Sonserina que corria a mil maravilhas, isso fazia com que elas ficassem mais nervosas ainda.
Lilian olhava para Lucio Malfoy que fazia o papel de Romeu, ele era bonito, falava o texto com perfeição, mas definitivamente não conseguia passar a emoção que a cena exigia, vê-lo chorar quando encontrou Julieta supostamente morta não fora uma cena que desse vontade chorar ou algo do tipo, fora normal. Depois que ele bebeu o tal do veneno a Marjori Pith que fazia o papel de Julieta, levantou e sem muita emoção bebeu o veneno que estava ao lado dele e morreu logo depois. Uma grande fumaça negra envolveu o fim da peça e todos os personagens apareceram no palco. Lilian não podia negar que a peça fora impecável, não houve um único erro, mas mesmo assim não fora a sua preferida, e não era pela briga que havia entre as casas, era apenas que não houve emoção, amor, faltou um toque, um toque que dificilmente algum aluno da sonserina saberia dar.
-E ai, prontos pra perder? - Perguntou Malfoy assim que desceu do palco.
-Pra você? Nunca. - Respondeu Sirius.
-Que pena, vão sair daqui chorando. - Disse Malfoy com um sorriso desdenhoso.
-SEU IDIOTA!!! - Gritou Tiago, porém o garoto já havia saído, era típico dele, dizer as coisas e depois fugir.
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-Agora a peça que fechara nossa noite será da Grifinória: Sonho de uma noite de verão!!! - Anunciou o professor de estudo dos trouxas.
Remo não podia acreditar na sua sorte, de todos ele era o primeiro a entrar em cena.
-Vai meu amor é você primeiro. - Disse Laís carinhosamente.
-Tá, cadê a Lena Whity? - Perguntou Remo pela garota que entraria em cena junto com ele.
-Tô aqui. - Respondeu ela.
-Então vão logo. - Disse Laís nervosa.
Remo entrou no palco e procurou não olhar para a multidão de pessoas que estavam na platéia, incluindo seus pais, ele sabia que seu rosto devia estar escarlate, pois queimava. Viu quando Lena olhou pra ele, ele devia falar o texto.
-Depressa, bela Hipólita, aproxima-se a hora de nossas núpcias. Quatro dias felizes nos trarão uma outra lua. Mas, para mim, como esta lua velha se extingue lentamente! Ela retarda meus anelos, tal como o faz madrasta ou viúva que retém os bens do herdeiro. - Remo andava pelo palco com ar nobre.
-Mergulharão depressa quatro dias na negra noite; quatro noites, presto, farão escoar o tempo como em sonhos. E então a lua que, como arco argênteo. No céu ora se encurva, verá a noite solene do esposório. - Lena virou-se de costas para ele.
-Convidei todos os atenienses para o festejo das nossas núpcias Hipólita querida. - Falou Remo pegando nas mãos de Lena.
Entram em cena Ricardo Stuart que faria o papel de Egeu, juntamente com Lilian no papel de Hérmia, Tiago no papel de Lisandro e George Gibbs no papel de Demétrio.
Lilian sentiu suas pernas bambearem ao olhar para a platéia, mas no mesmo instante se pôs a encarar as pessoas presentes no palco para que não ficasse ainda mais nervosa.
-Salve, Teseu, nosso famoso duque! - Disse Ricardo levantando as mãos.
-Bom Egeu, obrigado. Que há de novo? - Respondeu Remo aproximando-se dos recém-chegados.
-Cheio de dor, venho fazer-te queixa de minha própria filha, Hérmia querida. Vem para cá, Demétrio. - Ricardo fez aceno com a mão para que George chegasse mais perto. - Nobre lorde, tem este homem o meu consentimento para casar com ela. Agora avança Lisandro. E este o peito de Hérmia traz enfeitiçado. Sim, Lisandro, tu mesmo, com tuas rimas! Prendas de amor com ela tu trocaste. Por tudo isso, meu mui gracioso duque, se ela não quiser casar com Demétrio, eu me reporto à antiga lei de Atenas que confere aos pais direito de dispor dos filhos. É minha filha, posso dispor dela. Ou a entregarei para este cavalheiro, ou para a morte, o que, sem mais delongas, segundo nossa lei, deve ser feito.
Passou-se um tempo em que Remo parecia analisar a situação, então por fim perguntou.
-Hérmia, que respondeis? É Demétrio cavalheiro mui digno.
-E assim Lisandro. - Respondeu Lilian insolente, pôde ouvir sua voz sair trêmula, não sabia se pelo nervosismo ou pelo feitiço de ampliação de voz que eles haviam feito.
-Sim, mas seu pai não o quer para seu esposo, portanto considere o outro. - Argumentou Remo.
-Ah, se meu pai o visse com meus olhos! - Disse Lilian suspirando.
-Por isso mesmo ele prefere Demétrio. - Remo voltou a argumentar, ele podia ver que Lilian tremia um pouco.
-Vossa Graça me perdoe, mas não sei que força oculta me dá tanta ousadia, nem compreendo como a minha modéstia me consente defender minha causa em tal presença. Suplico a Vossa Graça declarar-me o que de pior me tocará por sorte, se eu me negar a desposar Demétrio. - Lilian voltou a defender-se.
-Você sabe o que lhe aguarda: Ou morrer morte crua, ou, para sempre, sair da sociedade. -Determinou Remo.
-Assim crescer prefiro, meu bom lorde. viver e perecer, a ver os sacros privilégios de minha mocidade em poder de um senhor, cujo minha alma do íntimo repele. - Lilian encarou Ricardo.
-Refleti mais um pouco. Na outra lua quando será realizado o meu casamento você dará a sua resposta. - Remo deu a sentença.
-Hérmia, concorda; e tu, Lisandro, deixa da pretensão de opor teus fracos títulos ao meu direito certo e indiscutível. - Disse Ricardo encarando Tiago.
-Do pai de Hérmia, Demétrio, o afeto tendes; casai com ele, então; seja ela minha. - Falou Tiago com um sorriso desdenhoso.
-Lisandro zombador, é bem verdade que o meu amor é dele, e pois vai dar-lhe tudo quanto possuo: Hérmia pertence-me; todo o direito que sobre ela tenho a Demétrio o transfiro. - Disse Ricardo alterando a voz.
-Eu sou, milorde. de família tão nobre quanto a dele; de patrimônio igual somos herdeiros; maior é o meu amor. Quanto aos favores da fortuna, mimoso sou como ele, se não mais. Finalmente, o que é maior que tudo isso: sou amado da irresistível Hérmia. Por que causa não me bater em prol do meu direito? Demétrio – Tiago encarou George firmemente – a filha de Nedar namorou e a alma ganhou-lhe, e ela, coitada, piamente o adora, adora até quase à loucura a este homem volúvel e culpado. - Tiago terminou apontando o dedo para George.
-Sim, já ouvira falar por alto nisso e pretendia conversar com Demétrio a esse respeito; mas por excesso de negócios próprios não me lembrou fazê-lo. Mas, Demétrio, vinde comigo; e vós, também, Egeu. Tenho de vos dizer duas palavras muito em particular. No que respeita vossa pessoa, irresistível Hérmia, fazei esforço para que os caprichos deixeis de acordo com o querer paterno; se não, será forçoso vos dobrardes às leis de Atenas que, de nenhum modo, podemos atenuar: ou morte crua, ou o juramento de viver solteira. - Remo foi em direção a saída acompanhado de Ricardo, George e Lena.
Ficaram em cena apenas Lilian e Tiago. Tiago correu até Lilian e segurou em suas mãos.
-Hérmia, escuta-me: a sete léguas, só, de Atenas mora minha tia, uma viúva muito rica que, por filhos não ter, me considera seu herdeiro exclusivo. Em casa dela, minha Hérmia encantadora, poderemos casar-nos, por ficarmos, então, fora das rigorosas leis dos atenienses. Se me amas, foge da mansão paterna na noite de amanhã. No bosquezinho a uma légua distante da cidade deverás encontrar-me, justamente onde uma vez te vi em companhia de Helena a realizar os sacros ritos de uma manhã de maio.
-Meu bondoso Lisandro... - Lilian passou a mão pelo rosto de Tiago que fechou os olhos. - eu juro pelo mais potente arco do deus Cupido, por sua seta melhor de penas de ouro, pelas meigas pombas de Vênus, pelo que une as almas e confere ao amor virentes palmas, pelas chamas em que se abrasou Dido após abandoná-la o Teucro infido, pelas juras que a todos os instantes violado têm os homens inconstantes, mais do que numerosas, infinitas, do que as que foram por mulheres ditas: amanhã, sem faltar, no grato abrigo de que falamos, estarei contigo. - Disse Lilian olhando ternamente para o garoto.
-Não faltes à palavra. Ai vem Helena. - Tiago rapidamente soltou das mãos de Lilian.
Entra em cena Anne Sheman no papel de Helena.
-Formosa Helena, por que tanta pressa? - Disse Lilian.
-Eu, formosa? Desmente-te depressa. Ama Demétrio a tua formosura; nesses olhos encontra a luz mais pura; acha ele em tua voz mais melodia do que o pastor na doce cotovia. - Falou Anne andando pelo palco.
-Faço-lhe cara feia, ele me adora. - Disse Lilian seguindo a garota com o olhar indignado.
-Tivesse eu risos feios desde agora! - Retrucou Anne parando e encarando Lilian.
-Digo-lhe insultos, e ele amor me vota. - Lilian continuava com ar de incompreensão.
-Quem me dera na voz tão doce nota! - Anne continuou respondendo.
As duas estavam frente a frente duelando com as palavras.
-Caminha junto seu amor com o meu desdém. - Disse Lilian.
-Com o seu desprezo o meu amor também. - Falou Anne.
-De tal loucura a culpa não é minha. - Disse Lilian fazendo um gesto negativo com as mãos.
-É de tua beleza. Fosse a minha! - Disse Anne.
-Coragem! Por mais tempo ele não há de fazer juras com tal tenacidade... - Lilian olhou para os lado e voltou a falar em um tom mais baixo. - ...que eu e Lisandro, há um momento, apenas, resolvemos fugir, sem mais, de Atenas. Para mim era Atenas o paraíso, quando não me encantara o seu sorriso. Como é terrível este fogo interno para, assim, transformar o céu no inferno!
-Não queremos, Helena, ocultar nada: amanhã, quando Febe a luz prateada nas águas refletir, eu e Hérmia combinamos da cidade deixar as portas, rumo à liberdade. - Disse Tiago aproximando-se das duas.
-Naquele bosque eu e Lisandro, que minha alma adora, nos reuniremos ao raiar da aurora. Se em Atenas não temos pouso amigo, alhures acharemos grato abrigo. Reza por nós, minha querida Helena, e com Demétrio encontres vida amena. - Disse Lilian olhando para Anne e logo depois virou-se para Tiago. - Cumpre, Lisandro, agora o prometido por mais que te angustie o dolorido coração: do alimento dos amantes privaremos a vista alguns instantes.
-O voto hei de cumprir, minha Hérmia bela. - Disse Tiago no que Lilian saiu. - Formosa Helena, adeus. Como eu a ela, possa Demétrio ser-te dedicado, transformando em ventura o teu cuidado. - Dizendo isso Tiago também saiu de cena.
No mesmo instante Anne virou-se para a platéia e falou com o olhar triste.
-Como é possível que a felicidade possa reinar em tal desigualdade! Em toda Atenas sou considerada tão formosa quanto Hérmia; mas Demétrio não quer nada comigo. - Anne pensou um pouco e voltou a falar. - Vou contar a ele a fuga de Hérmia e assim pelo menos poderei vê-lo.
Lilian olhava dos bastidores a saída de Anne, até que ela estava fazendo as coisas direitinho, ainda não tinha aprontado nenhuma.
-Vão agora é a cena dos elfos. - Disse Laís, chamando Rabicho e outros garotos, que logo entraram no palco.
-E aí como eu fui? - Perguntou Lilian para as amigas.
-Muito bem. - Falou Deise que pegou nas mãos da amiga. - Nossa, suas mãos estão geladas.
-Deixa você entrar lá pra ver a sensação. - Disse Lilian com um riso nervoso.
-Tiago e Remo fiquem aqui, daqui a pouco vocês vão entrar de novo. - Falou Laís para os marotos que andavam de um lado para o outro. - Cadê o pessoal que ficou responsável de fazer a magia para transformar o palco no bosque?
-Calma eles já estão vindo. - Falou Sirius.
-Deise fica aqui, depois é você. - Disse Laís para amiga que nem fizera menção de sair do lugar.
-Tá bom. - Retrucou Deise.
Logo depois os elfos saíram do palco e Deise preparou-se para entrar.
-Espera, primeiro o feitiço para fazer o bosque. - Disse Laís.
Sirius e outros garotos se prepararam e fizeram surgir árvores e grama por todo o palco.
-Ótimo. - Falou Laís satisfeita.
-Boa-sorte. - Falou Lilian.
Deise apenas sorriu.
Entrou no palco Deise que faria o papel de Titânia a rainha do elfos, sendo seguida por Priscila Hilan que faria papel de sua serva.
Logo depois entram Rodrigo Tamer que faria o papel de Oberon o rei do elfos, sendo seguido por Rupert Olgin que faria o papel de seu servo.
-Orgulhosa Titânia, é mau indício assim nos encontrarmos ao luar. - Disse Rodrigo indo até Deise.
-O ciumento Oberon! Não quero seu leito e companhia. - Falou Deise com ar de superioridade.
-Detém-te, presunçosa; acata as ordens de teu senhor. - Disse Rodrigo mostrando irritação.
-Então, senhora eu sou. Você vive atrás da imperiosa rainha das Amazonas de botas elegantes, vossa guerreira amada, que está a ponto de casar com Teseu. - Falou ela com ciúmes.
-Não te envergonhas, Titânia, de atirar-me esses remoques pelo interesse que eu dedico a Hipólita, se eu não ignoro que amas a Teseu? - Retrucou Rodrigo.
-Tudo isso é o ciúme que a inventar vos leva.
-Você tem o remédio, não peço muito, apenas a criança que tens, para dela fazer meu pajenzinho. - Disse Rodrigo.
-Nem todo o reino das fadas me comprara este menino, eu era amiga da mãe dele, que por ser motal, morreu no parto, e eu o recolhi para criar. - Disse Deise saindo com sua serva.
-Bem; segue o teu caminho; deste bosque não sairás sem que por esta injúria venha a pagar. Vem para perto, meu gentil Puck. - Falou Rodrigo chamando o servo. - Ainda te lembras de quando eu me sentei no alto de uma montanha, a ouvir uma sereia que se achava no dorso de um golfinho e que tão doces melodias cantava. Ainda te lembras?
-Perfeitamente. - Respondeu Rupert.
-Nesse mesmo instante pude ver, o que a ti fora impossível, um Cupido disparou do arco uma flecha amorosa. No entanto a flecha não atingiu ninguém, caiu sobre uma flor. Vai buscar-me essa flor; já de uma feita te mostrei essa planta. Se deitarmos um pouco de seu suco sobre as pálpebras de homem ou de mulher entregue ao sono, eles ficarão apaixonados pela primeira pessoa que verem quando acordarem.
Rupert saiu correndo no mesmo instante.
-De posse desse suco, hei de achar meio de surpreender Titânia adormecida, para nos olhos lhe deitar o líqüido. Ao despertar, o que enxergar primeiro, seja leão ou urso, perseguirá apaixonada, lhe darei o antídoto apenas se ela me der o pajenzinho. Mas quem vem vindo aí? Já que sou invisível, poderei escutar-lhes a conversa. - Disse Rodrigo apurando os ouvidos.
Entram em cena George e Anne.
-Não te dedico amor; não me persigas, onde Lisandro se acha e Hérmia formosa? Quero matá-lo e ser por ela morto. Vai-te! Fora daqui! Não me persigas! - Disse George procurando pelas árvores.
-Coração endurecido, sou por vós atraída, mas de ferro não tenho o coração; como o aço é puro. Cessai de me aliciar e deixarei de seguir-vos. - Falou Anne seguindo George por onde ele andava.
-Alicio-vos? - George soltou uma gargalhada. - Acaso já vos disse galanteios? Ou com franqueza não vos falo sempre que não vos amo nem vos posso amar?
-Por isso mesmo é que vos amo tanto. Vosso cãozinho sou. Demétrio altivo, quanto mais me baterdes, mais afável hei de me revelar.
-Não me forceis a repugnância da alma; sinto-me mal só de vos ver o rosto. - Retrucou George.
-E eu doente fico, quando não vos vejo. - Anne continuava a segui-lo.
George revirou os olhos antes de começar.
-Vou deixar-te, esconder-me pelas brenhas e às feras impiedosas entregar-te.
-Qualquer fera selvagem tem mais brando coração do que vós.
-Não quero discutir contigo; deixa-me. Mas se me acompanhares, fica certa de que no bosque te farei violência. - Falou ele zangado.
-Ofendes-me no templo, na cidade, no campo, em toda parte.
George sai de cena.
-Vou te seguir e um céu fazer do inferno; morta por ti, ganho terei eterno. - Anne sai de cena.
Rodrigo que analisava toda a cena voltou a falar.
-Adeus menina! Este bosque ele não deixa sem amar-te.
Entra em cena Rupert com a flor na mão.
-Eis a flor.
-Agradecido. Titânia dorme em baixo de uma árvore próxima daqui, pôr-lhe-ei nos olhos este suco brando. Toma uma parte dele também, e na floresta te cumpre achar uma ateniense que, desprezada, de paixão se fina por altivo rapaz de alma ferina. Quando o rapaz dormir, derrame nas pálpebras dele um pouco do suco também. Mas cuidado! É indispensável que, ao despertar, tenha ele à vista a amável dama que ora despreza. Muito fácil te será conhecê-lo, que ele apresenta o traje dos atenienses.
-Ficai tranqüilo; saberei achá-lo. - Disse Rupert.
Os dois saem de cena.
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Malfoy andava por entre os bastidores acompanhado de Snape. Os alunos da Grifinória pareciam muito interessados em assistir a peça e não notaram sequer a presença deles ali. Subiram as escadas onde do alto podiam ver Deise e Rodrigo encenando bem de baixo deles.
-Me dá isso aqui. - Falou Malfoy com seu sorriso desdenhoso. - Isso aqui não vai deixar a menor pista, ninguém vai ver que alguém jogou daqui de cima e não vamos ser pegos. - Malfoy abafou um sorriso perverso e continuou. - Vão passar no mínimo umas longas semanas se coçando e com algumas coisinhas não muito bonitas no rosto. Que pena!!! - Acrescentou com sarcasmo. - Acho que não vão poder participar da formatura.
Snape e Malfoy riram. Malfoy estava prestes a derramar o saco com o pó no palco, esperava apenas que Lilian, Tiago e Remo entrassem em cena, dessa forma tudo seria perfeito, não tão perfeito assim porque Sirius e Laís não estavam, mas quanto a isso não adiantava reclamar. Sorriu ao ver Lilian, Tiago e Remo entrarem no palco, agora tudo estava perfeito.
-Senhores o que fazem aqui com uma peça tão linda sendo apresentada?
Malfoy pulou de susto e quase caiu no palco ao ouvir a voz rouca do professor de adivinhação, olhou para trás e viu o saco de pó caído no chão, empurrou um pouco com os pés para que o pó caísse no palco, mas não adiantou, ficou prestes a cair mais nada aconteceu.
-Hum... nada, quer dizer, nós estávamos vendo a peça daqui, porque daqui fica melhor. - Argumentou o loiro.
-Mas é perigoso, vocês pobres crianças podem cair daqui de cima. Vamos descer agora. - Falou o professor.
Malfoy revirou os olhos para a cara de retardado daquele professor, idiota, imbecil. Ele xingava o professor mentalmente. Seguiu o professor até a escada, mas antes olhou para trás e pôde ver o saco de pó tremer prestes a cair no palco, agora restava-lhe apenas torcer para que isso acontecesse até o fim da peça.
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No palco Lilian e Tiago dormem um longe do outro.
Entra Rupert.
-Percorri todo o bosque, sem que ateniense garrido pudesse achar, para que o amor transmudasse com esta flor. Que vejo? Traje ateniense a varejo? Eis o homem de que meu mestre falou, de peito silvestre, que de todo não se agrada da ateniense apaixonada. - Rupert apontou para Tiago que dormia e logo depois virou-se para Lilian que estava deitada longe. - Coitadinha! Está tão longe deste bruto e frio monge! - Dizendo isso Rupert espreme a flor nas pálpebras de Tiago e saiu.
Entram Demétrio e Helena correndo.
-Para! Ainda mesmo que me dês a morte. - Gritou Anne.
-Fora! Não me persigas desta sorte. - Retrucou George.
-Deixai-me neste escuro e vais sozinho? - Perguntou Anne aflita.
-Para trás! Não me cortes o caminho. - Falou George saindo.
-Grosso. - Gritou Anne.
-Ó linda Helena! Sem me importar atirarei-me por ti no próprio fogo. - Disse Tiago acordando e pegando nas mãos de Anne.
-Não, bom Lisandro; não digais tal coisa. Hérmia vos tem amor; ficai contente. - Falou Anne puxando as mãos.
-Com o amor de Hérmia? Não, não sou demente. Como lastimo as horas que ao seu lado passei, cheias de tédio, a meu mau grado! Amo a Helena; a tal Hérmia me era estorvo. - Disse Tiago abraçando Anne.
-Por que nasci para tamanha afronta? Que vos fiz? Essa fala me amedronta, para que vem zombar de mim? Só porque um moço despreza uma donzela, não se conclui que um outro abuse dela. - Anne se soltou dos braços dele furiosa e saiu.
Tiago sai de cena atrás dela.
-Lisandro! Lisandro! Fala! Já te foste embora? Não me respondes? Fala sem demora. - Lilian levantou-se assustada. - Tremo de susto. Onde te ocultas? Onde? Por todos os amores me responde. Sinto que não te encontras ao meu lado; pois vou te achar e dar remate ao fado. - Dizendo isso Lilian sai de cena.
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-Ai Merlim e agora o que falta mais? - Perguntou Lilian a Laís assim que saiu de cena.
-Calma, agora é a vez da Deise acordar, depois você entra de novo. - Respondeu Laís sem tirar os olhos do palco.
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-Que anjo me desperta do meu leito de flores? - Perguntou Deise abrindo os olhos ao ouvir um barulho.
-O pardal, a cotovia, a rolinha, o tentilhão, o cuco a cantar de dia sem que os homens digam "Não", porque, em verdade, quem se poria a raciocinar com um pássaro tão estúpido? - Respondeu Renato Velame que estava fazendo o papel de um elfo chamado Bottom.
-Canta outra vez, gentil mortal, te peço. Tua voz os ouvidos me enamora. - Falou Deise com olhar perdido e saindo logo em seguida sendo acompanhada de Renato.
Entram Rodrigo e Rupert.
-Eu próprio melhor plano não teria podido fazer. Mas a magia da planta no ateniense já puseste, conforme te falei, de peito agreste? - Perguntou Rodrigo.
-A dormir o encontrei, já liquidado ficou também esse negócio. Ao lado dele estava a ateniense desprezada.
Entram em cena George e Lilian.
-Põe-te de lado; eis o ateniense duro. - Disse Rodrigo.
-Ela é a mesma; mas que este é outro eu juro. - Falou Rupert.
-Por que tais expressões gastais comigo? Deixai rigores para o vosso inimigo. - Disse George.
-Vos sumistes com Lisandro. - Gritou Lilian.
-Não sumi com ninguém bela Hérmia. - Disse George chegando mais perto.
-Vou procurar Lisandro. - Disse Lilian saindo.
-Nessa disposição não hei segui-la. Vou esperar que fique mais tranqüila e procurar dormir. - George deita-se e dorme.
-Que fizeste? Houve engano manifesto; foi posto o suco em um amante honesto; deixaste falso um fido namorado, sem que o remisso fosse castigado. - Rodrigo olhou irritado para Rupert. - Percorre a mata, mais veloz que o vento, e acha Helena de Atenas num momento, eu vou espremer a flor nos olhos dele.
-Já vou! Já vou! - Disse Rupert saindo.
Rodrigo espreme a flor nos olhos de George e Rupert volta.
-Helena está vindo para cá juntamente com o jovem que eu errei em espremer a flor. - Disse Rupert.
Entram Anne e Tiago.
-Por que dizes que tudo é só ironia? - Perguntou Tiago seguindo a garota.
-Porque vos amais Hérmia. - Disse Anne irritada.
-Ó Helena, deusa, ninfa sublimada, que há de mais fascinante que a alvorada desses olhos tão lindos? - Falou Demétrio ao acordar.
-Oh dor! Vejo que estais de acordo, acinte, para de mim zombar com tal requinte. Vocês estão brincando comigo. - Anne gritou.
Entra em cena Lilian.
-Lisandro por que me abandonaste tão sozinha? - Perguntou Lilian aborrecida.
-Para ir ver meu amor, minha rainha. - Disse Tiago ignorando-a.
-Que rainha ou amor de mim te aliena? - Perguntou Lilian indignada.
-A bela Helena. - Respondeu Tiago.
-Não dizes o que pensas; é impossível. - Disse Lilian surpresa.
-Hérmia está ao lado deles zombando de mim. - Interrompeu Anne.
-De espanto me enche esse discurso insólito. De vós não zombo; o que suponho certo, é que alvo sou de vossa zombaria. - Retrucou Lilian ofendida.
-Amo-te Helena. - Disse Tiago.
-Maior que o dele é o meu amor. Afirmo-o. - George se colocou na frente de Tiago.
-Vamos a um duelo então? - Propôs Tiago.
-Agora!!! - Aceitou George e ambos saíram.
Hermia e Helena também saem de cena.
-Tudo provém de tua negligência. Sempre te enganas, caso não se trate de alguma brincadeira voluntária. - Falou Rodrigo.
-Ó rei das sombras, podeis crer-me: houve erro. - Disse Rupert visivelmente alegre pela confusão.
-Viste que os dois rivais foram em busca de uma clareira para duelo. Procure os dois e espalhe um manto negro de modo que eles não possam encontrar um ao outro, depois que eles dormirem de tanto cansaço esprema esta outra planta nos olhos de Lisandro, que apresenta a virtuosa propriedade de lhes restituir a claridade. Voltarão, desse modo, para Atenas os dois casais de fidos namorados.
-Vou agora mesmo. - Disse Rupert.
Saem Rodrigo e Rupert.
Entra em cena Tiago.
-Tua fúria, Demétrio, deu em nada? - Gritou o garoto.
-Aqui, vilão! Arranca logo a espada! - Gritou Rupert imitando a voz de George.
-Já vou! Já vou! - Gritou Tiago caindo na armadilha.
-Então, para a clareira me acompanha. - Gritou Rupert novamente.
Tiago saiu seguindo a voz.
Entra George.
-Lisandro onde estais? - Perguntou George.
-Covarde, com as estrelas é tua briga? Ou com as árvores? Mandas que te siga, e te escondes de mim? Bonito duelo! - Gritou Rupert imitando a voz de Tiago.
-Já vais ver. Onde estás? - Gritou George irritado.
-É muito fácil seguir-me a voz tua figura fácil. - Gritou Rupert fazendo George segui-lo.
Saem George e Rupert.
Entra Tiago.
-Não consigo achá-lo, de certo ele fugiu, cansado estou de tanta correria. Vou descansar. - Disse Tiago deitando-se e dormindo.
Entram novamente Rupert e George.
-Olá, covarde! Em que lugar te escondes? - Perguntou Rupert.
-Para, se tens coragem. Não respondes? Por tudo corres, a mudar de posto, sem que jamais eu possa ver-te o rosto. Onde estás? - Perguntou George.
-Aqui mesmo; não me fujas.
-Vamos brigar no claro; só corujas podem ver em tamanha escuridão. Se eu te pegar de dia... Lisandro! Lisandro! De certo ele fugiu, estou cansado, vou dormir. - Disse George deitando e dormindo.
Entra Anne.
-Ó noite tediosa e cansativa, passa depressa! - Disse Anne deitando e dormindo.
-Somente três? Falta gente para que o outro par descontente fique completo. Coitada! Como vem triste e cansada, por Cupido transtornada! - Disse Rupert escondendo-se ao ver Lilian entrar.
Entra em cena Lilian.
-Jamais tal dor senti, tanto cansaço; toda molhada estou, dilacerada; não me é possível dar mais um só passo; os pés não me obedecem quase nada. Aqui esperarei o dia belo;Deus proteja a Lisandro nesse duelo. - Disse Lilian deitando-se e dormindo.
-No solo duro dorme; conjuro de grande efeito transforme o peito também deste namorado. - Rupert espreme a flor nos olhos de Tiago. - Quando acordares com novos ares, tudo voltara ao normal. Quem boa potranca tem, acha que tudo está bem. - Finaliza Rupert rindo e saindo.
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-E então? Quem é agora? - Perguntou Rupert assim que saiu de cena.
-É a cena da Deise com o Rodrigo novamente. - Falou Laís chamando os dois que entraram novamente no palco.
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Logo depois Deise e Rodrigo saíram, sendo substituídos por Remo, Lena e Ricardo.
-Mas, devagar! Que ninfas serão estas? - Perguntou Remo ao deparar-se com Lilian dormindo.
-Esta, milorde, é minha filha; - Falou Ricardo apontando. - dorme profundamente; aquele, ali, é Lisandro; aquele outro, Demétrio; Helena, aquela, Helena, filha de Nedar, o velho. Espanta-me encontrá-los aqui juntos.
-Decerto madrugaram, para os ritos observarem de maio e, tendo ouvido falar de nossas intenções, vieram, para dar maior graça a estes festejos. Mas Egeu, uma coisa eu desejara que me dissesses: hoje não é o dia em que prometeu Hérmia decidir-se sobre a escolha do noivo? - Perguntou Remo olhando para Ricardo.
-Sim, milorde.
-Mandai que os caçadores os despertem com seus toques de trompa.
É ouvido barulho de trombetas e os quatro acordam.
-Então, amigos? Bom dia! Já passou São Valentim; só agora é que estes pássaros se casam?
-Perdão, milorde. - Disse Lisandro ajoelhando-se juntamente com os outros.
-Levantai-vos, peço. Sei que rivais sois ambos e inimigos. Onde se viu no mundo tal concórdia, chegando o ódio a ficar tão sem ciúme, que calmamente durma ao lado do ódio? - Perguntou Remo olhando para Tiago e George.
-Confuso, meu bom lorde, é que vos falo, meio a dormir, ainda, e mal desperto. Não saberei dizer com segurança como vim ter aqui. Mas se não erro, que é meu desejo ser veraz em tudo... Sim, é isso mesmo; agora me recordo, fugi com Hérmia, sendo intenção nossa ir para algum lugar longe de Atenas, por fugirmos às leis dos atenienses. - Confessou Tiago.
-Basta, basta, milorde! É o suficiente. Exijo que sobre ele a lei recaia. Iam fugir. Demétrio, tencionavam a mim e a ti burlar; a ti, privando-te da esposa; a mim, deixando-me em estado de não poder cumprir o prometido. - Protestou Ricardo.
-Milorde, revelou-me a linda Helena que eles iam fugir. Transtornado como me achava, vim no encalço deles. Mas milorde, não sei por que potência, mas que foi algo superior, é certo, toda a paixão que a Hérmia eu dedicava se derreteu qual neve, só restando dela a memória como de um brinquedo que na infância me houvesse deleitado. A alegria exclusiva dos meus olhos, a inabalável fé, minha virtude é Helena, simplesmente. Agora desejo-a, adoro-a e só por ela anseio. - Disse George beijando a mão de Anne.
-Belos amantes, como vos achastes no momento preciso! Com mais calma me contareis o resto dessa história. Egeu, vou contrariar tua vontade: no templo, agora mesmo, estes dois pares vão se unir para sempre. Vamos todos nos casar mais tarde. - Ordenou Remo.
Saem Remo, Lena e Ricardo.
-Tudo quanto passou se me afigura pequenino e indistinto, como ao longe montanhas que com as nuvens se confundem. - Falou George.
-Pareço ter a vista perturbada, todas as coisas enxergando em dobro. - Disse Lilian.
-É o que eu digo, também. Achei Demétrio como jóia que, embora pertencendo-me, parece não ser minha. - Falou Anne.
-Tens certeza de que estamos despertos? Só parece que ainda dormimos, que tudo isto é sonho. O duque não esteve aqui? - Perguntou George.
-Esteve, e junto meu pai também se achava. - Respondeu Lilian.
-E assim Hipólita. - Disse Anne.
-Então tudo é verdade; não estamos dormindo. Vamos falar com seu pai formosa Helena. - Falou George saindo de mãos dadas com Helena.
Tiago ficou sozinho no palco com Lilian e sabia que aquela era a hora, começou a sua fala.
-E você formosa Hérmia? Não estais alegre por podermos no casas? - Perguntou pegando na mão de Lilian.
-Como estaria alegre depois do que fizeste comigo? - Perguntou Lilian puxando as mãos.
-Eu? A que me toma tal ofensa? - Pergutou Tiago indignado.
-Tú mesmo, que estavas atrás de Helena. - Retrucou Lilian.
-Minha cara Hérmia isso não passou de um engano. - Disse Tiago tentando uma nova aproximação.
-Engano este que me faz duvidar de teu amor. - Disse Lilian virando-se e aguardando o desfecho da história.
-Sim talvez. Talvez realmente tenha razão, pois eu não sei classificar o sentimento que tenho. Eu... eu... apenas sinto.
Lilian virou-se imediatamente para encarar o maroto, aquele não era o texto, ele deveria puxá-la e finalizar a peça com um beijo de amor, apenas isso e nada mais.
-Sinto-me um tolo por ter como meus melhores momentos aqueles poucos em que passamos juntos, simplesmente pelo fato de estar com você... - Tiago aproximou-se da ruiva e passou a mão por seu rosto.
-Ti... Lisandro não... - Lilian tentou disfarçar sua surpresa.
-Sinto o meu coração disparar e quase saltar do meu peito apenas quando a vejo, sinto-me extasiado pela mais bela melodia que é o simples som de sua voz, sinto raiva de mim por não conseguir apenas inspirar em sua presença, pois toda vez que seu cheiro entra em meu corpo sou obrigado a coloca-lo para fora, sinto-me em chamas, quase a ponto de explodir quando encontra-se próximo a mim, e quando nos tocamos, nem que seja só a ponta dos nossos dedos, perco o contato com o chão.
Lilian olhava estática para o maroto, não esperava por aquilo, aquele com certeza não era o texto que haviam ensaiado durante semanas, conseguia ser mais sublime e puro que o próprio texto de Shakespeare, porque parecia algo profundamente sincero. Lilian não conseguia desviar do olhar de Tiago.
Tiago olhava para Lilian e podia ver os olhos delas brilharem, como se isso fosse alguma novidade, os olhos delas sempre foram incrivelmente brilhantes, mas estavam diferentes naquele momento. Ele não sabia de onde vinha toda a força para falar de seus sentimentos naquela situação, mas ele sentia que a força vinha de saber que aquela poderia ser sua última chance.
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-Merlim nos ajude. - Disse Sirius que assistia a peça dos bastidores.
-Porque o Tiago tinha que fazer isso lá em cima? Não dava pra esperar a peça acabar? - Perguntava Laís angustiada, as palavras dele com certeza eram lindas, porém Lilian poderia dar um ataque no palco e estragar toda a peça.
-Agora tudo está nas mãos da Lily, só Merlim sabe como nossa peça vai acabar. - Disse Deise com as mãos na cabeça.
-Fiquem calados, vamos ver. - Falou Remo.
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Lilian olhou para os lados e tomou fôlego para falar.
-Isso não faz sentido, eu já disse uma vez e vou repetir, nós somos muito diferentes um do outro e...
Tiago reuniu a coragem que ainda lhe restava e interrompeu a ruiva.
-... quando esta distante, minha vida se esvai. A mais bela paisagem não passa mais que uma imagem distorcida para mim, falta-me o ar, o céu, o sol, o mar, o corpo, a alma... falta-me você... - Ele tornou a passar a mão pelo rosto da ruiva e pôde sentir a fina lágrima que descia por ele. - ... mas realmente, como o disse, não sei classificar um sentimento, já sabes como me sinto, agora encargo a você essa tarefa e dispenso-me para seguir o seu pedido, seu pedido para que eu vá embora. - Tiago fechou os olhos e controlou a voz, voltou a abri-los novamente e prosseguiu - Não vou jurar que não voltarei a perturbá-la com minhas insanidades sentimentais, contudo, tentarei. Não quero vê-la triste ou angustiada com minha causa sem sentido, nem tampouco quero irrita-la novamente. Isso é tudo, apenas um desabafo. Então com sua licença... adeus. - Finalizou Tiago descendo do palco e caminhando por entre o tapete vermelho, ele estava saindo pelo meio da platéia.
Tiago podia sentir o olhar das pessoas sobre si, algumas viravam o pescoço para encará-lo, enquanto outras permaneciam olhando para Lilian que estava no palco.
Lilian sentiu o peso das ultimas palavras do maroto caírem sobre ela, tudo que ele dissera fora inesperado e a deixara sem saber o que fazer, mas agora ela sabia, sabia o que deveria fazer, com tamanha certeza, como a muito tempo não tinha.
-TI... LISANDRO!!! - Lilian gritou.
Tiago virou-se imediatamente em direção ao palco.
-Ainda há tempo de voltar atrás? - Ela perguntou mordendo o lábio inferior.
Tiago examinou Lilian durante algum tempo, olhava para a ruiva de forma surpresa e encantadora.
Lilian podia sentir a tensão do momento, todos na platéia pareciam ter prendido a respiração para não perderem um só instante da cena.
Tiago sorriu, que se dane a platéia, que se dane estar falando de sua vida na frente de todos, que se dane o mundo... se ele entendera bem, Lilian estava pedindo uma outra chance.
-Digamos que podemos conversar sobre o assunto. - Ele falou sorrindo abertamente.
Lilian enxugou as lágrimas rindo e correu em direção ao maroto que não estava muito longe. Assim que chegou próximo a ele, ela passou os braços pelo pescoço de Tiago e o beijou. Era um beijo cheio de saudade.
Tiago enlaçou a ruiva pela cintura e a beijou longamente, sentia ela passar a mão por seu cabelo em desalinho. Apenas depois de um longo tempo ele pôde perceber os aplausos da platéia.
Lilian soltou-se de Tiago e ambos olharam para a platéia onde todos estavam de pé e aplaudiam freneticamente.
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Gente eu sei que demorei muito pra atualizar, não me matem, isso foi pq esse capítulo foi difícil de escrever sabe? Pq eu tive que ler o texto original do sonho de uma noite de verão todinho pra ver o que ia colocar da peça, pq no início tinha pensado em por apenas as partes do Tiago e da Lily, mas depois achei que vcs iam gostar de saber da história da peça, então coloquei as partes principais, espero realmente que tenham gostado!!!! Eu sei que essa peça não é nenhuma Romeu e Julieta de romantismo, mas é legal, olhem, eu mudei algumas coisas do texto original pq se não ia ficar muito grande!!! Bom, já falei demais (viram como eu tô séria hj???) hauahuahauhauahu... vamos aos agradecimentos:
Lai Evans Potter - Obrigada pelo comentário e vê se passa mas por aqui!!!
Aluada Lupin - AMOREEEEEEEEE... viu como ficou lindo??? Obrigada viu??? Vc é m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a BEIJOS NA BUNDA!!!
Amanda Delacourt Black - VC TÁ PROIBIDA DE LER ESSE CAPÍTULO!!!! Isso mesmo que vc ouviu. Sabe pq? PQ VC AINDA NÃO ATUALIZOU A SUA FIC!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! hauhauahuahuahuahu... ai mana tirando esse pequeno detalhe, eu já falei que adoro seus comentários??? Já umas mil vezes, mas tô falando de novo rsssssssssssssss... Adorei os 19 comentários que vc fez hauahauhauahauh... principalmente os que falam do Sirius, eu já falei que amo ele??? Acho que sim tb... hauhauahauha... sua mãe vai te internar no Mungus qualquer dia desses hauahuahauhaua... obrigada pelos comentários beijos na bunda!!!
Julinha Potter - Desculpe ainda não ter passado na sua fic, pq tô muito ocupada, mas já coloquei nos favoritos e vou ler tá??? Obrigada pelos comentários!!! Beijos!!!
Ana Livia - (autora se escondendo) bem...erh... ainda tá de pé aquele negócio que vc falou de me matar se eu demorar a postar??? hauahauhauhauah... desculpa vai??? heim? heim? heim? hauahuahaua... beijos e obrigada pelo comentário ah, e em relação a Deise ela apenas se apaixonou pela pessoa errada isso acontece, são coisas do coração heheheheeh...
Biank - Nossa a sua delicadeza me emociona hauahuahauhauhau... obrigada por estar acompanhando a fic!!!
Priscila - MANAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA... que bom que vc gostou, ficou muito, muito, muito feliz rssssssssss... e como assim a Deise tinha um caso com o Tiago??? hauahuahauhau... vc foi longe rssssssss... BEIJOS NA BUNDA!!!
BLaCk AnGeL - Oi mana!!! Que bom que gostou do capítulo, gostou do Sirius??? Mas ele é meu já ti disse isso, eu te dei o Tiago tá bom??? hauhauahuahauh... e vc sabe que eu amo sua fic, já li o capítulo 2 que vc postou e tô esperando o próximo e não deixe o gato do Sirius sozinho por muito tempo faça a Evelyn voltar logo!!!!! E quanto ao orkut eu já posso entrar pq eu ganhei o Godofredo (meu notebock) do meu amorzinho lindo hauahuahauhau... agora to metida rsssssssssssss... BEIJOS NA BUNDA!!!
Sally Owens - Oi amore!!! Que bom que vc gostou e realmente a Lily desempacou rsssssssssssss... e espere que o Malfoy me aguarda (olhar maquiavélico) heheheheheeh...
gabygentile - Me desculpe por ter demorado tanto tá??? obrigada pelo comentário beijos!!!
Eleonora - Maldade de minha parte colocar o rabicho como elfo??? (autora com olhar de culpada) que é isso??? Me sinto até ofendida hauahauhauahua... beijos e obrigada pelo comentário!!!
Barbara Michele - Obrigada por sempre passar aqui!!! BEIJOS!!!
Nanda Evans Potter - To esperando o comentário tá senhorita??? hauhauahau... beijos!!!
Camyllinha Black - Não chama a Lily assim, talvez ela ouça e fique com raiva de vc rsssssssssssss... obrigada pelo comentário!!!
Grace Black - Obrigada por ler a fic e comentar!!! BEIJOS!!!
Gabi W. - PRIMAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA... (olhar reprovador) muito bonito pra sua cara não comentar nos capítulos da minha fic né??? Isso foi muito, muito, muito feio!!! hauhauahauhauahau... mas eu te perdoo hauahauhauah... BEIJOS PRA VC e vê se não esquece de comentar nesse, espero que a peça tenha ficado do seu agrado!!!
Danny Evans - Obrigada por acompanhar a fic!!!
Bia Black Potter - Obrigada pelos ATUALIZAAAAAAAAAAAAAA...
PonTas - (autora com olhar envergonhado) Poxa obrigada pelos elogios viu??? E por passar por aqui!!!
Gude Potter - (autora pulando de alegria) Nossa obrigada pelo comentário, me empolgou hauahauhauahua... que bom que gostou da Deise, da Laís e das partes de nc rsssssssss... da parte do Siriuszinho e Siriusão hauahuahauhau... que bom que gosta do jeito que eu escrevo, minha intensão é essa eu quero escrever de um jeito que a pessoa realmente entenda, pouco importa usar palavras bonitas, de que adianta se ninguém vai entender??? Isso fica pra pessoas que querem se exibir hauhauahau... acho que falei demais já!!! Beijos pra vc e obrigada!!!
Gihh - Obrigada por comentar!!!
Lia Lupin e Gaby Black - To postando!!! Obrigada pelo comentário!!!
Nicole Evans - PRIMAAAAAAAAAAAAAAA... CHEFINHAAAAAAAAAAAAAAAA... hauhauahauahu... obrigada pelo comentário rsssssssssss... até que enfim leu a minha fic né!!!! Eu tb amo, amo o filme "Don Juan" DO MEU MARIDO JOHNNY DEEP!!! hauahauhaua... beijos na bunda amore!!!
Gaby Granger - Obrigada pelo comentário e assim que der passo na sua fic!!!
Srta Pandora - Desculpe pela demora!!! Beijos!!!
Lola Potter - Que bom que gosta da minha fic!!! BEIJOS!!!
Bruna Mendonca - Obrigada pelo comentário!!! BEIJOS!!!
Danny Evans - Obrigada pelo pequena pressão rssssssssssssssss...
Cah Black - Viu como eu fui uma menina boazinha e fiz o que vc me pediu??? beijos!!!
!*Aninha*! - Obrigada e ve se le mesmo!!! Assim que der eu leio a sua tb!!!
Gabyy - Obrigada novamente pelo comentário!!! BEIJOS!!!
BEM GENTE É ISSO!!! Obrigada a todos que comentam e votam!!!!! UM BEIJO ENORME NA BUNDA DE TODOS!!!! hauahauhauahauha... e aguardem o próximo capítulo que tera muitas emoções, (autora com os olhos brilhando) não pensem que eu acabo a história na melhor parte pq esse negócio de um beijinho e foram felizes para sem pre não rola comigo hauahuahauhauahuah... BEIJOS NA BUNDA NOVAMENTE E AGORA FUI DE VERDADE!!!! hauahuahau...
*OBSERVAÇÃO MUITO IMPORTANTE PARA SE POSTAR O PRÓXIMO CAPÍTULO: VOTEM E COMENTE!!!!
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