Gina dormiu a noite toda. Quando despertou, Harry já havia saído. Gina recordou que devia apressar-se para começar o dia. Viu as bolsas empilhadas em um canto e supôs que Harry as tinha buscado na cabana de Hermione.
Depois de guardar suas coisas na cômoda menor e de ordenar, dirigiu-se ao salão.
Hagrid estava sentado à mesa com Aberforth, comendo a comida matinal. Ambos os anciões começaram a ficar de pé quando Gina entrou na habitação, mas esta lhes fez um gesto com a mão para que retornassem às cadeiras.
-Não vais se unir a nós, moça? -perguntou Hagrid.
-Não, obrigado, só vou levar esta maçã. Tenho que terminar uma importante tarefa.
-Ficas muito bem levando nosso tartán - murmurou Aberforth. Franziu o sobrecenho enquanto a elogiava e se comportou como se adulá-la fosse uma tarefa dolorosa.
Gina não riu. Entretanto, sorriu. Decidiu que Aberforth era muito parecido ao Hagrid. Era todo bravata no exterior, mas estavam cheios de tenros sentimentos por dentro.
-O rosto ainda esta terrível - comentou Hagrid-. Poderia ter arrancado um olho, Aberforth - adicionou com um gesto da cabeça.
-Se, é verdade - concordou Aberforth.
Gina ocultou sua exasperação.
-Hagrid, havia algo que queria que fizesse antes que eu saia?
Sacudiu a cabeça.
-Viu o Dumbledore esta manhã? -perguntou Gina-. Talvez queira que faça algo e eu gostaria de organizar as tarefas na mente antes de começar o dia.
-Dumbledore foi caçar com o Ronald e alguns outros -explicou Hagrid-. Deveria retornar para a comida do meio-dia. Foram ao amanhecer.
-Harry se foi com eles?
Aberforth respondeu essa pergunta.
-O chefe e seus homens foram em direção oposta para falar uma ou duas palavras com os Macpherson. Limitam conosco para o oeste.
Gina pescou a vacilação na voz do Aberforth.
-Não acredito isto de "falar uma ou duas palavras", Aberforth. Também somos inimigos dos Macpherson?
O ancião assentiu.
-Não há necessidade de que se preocupar. É só uma inimizade pela metade. O latifundiário Macpherson é tão inepto que não vale a pena brigar com eles. Não vai haver derramamento de sangue.
-Esta seguro disso, Aberforth?
-Estou - respondeu-. Não vai haver uma batalha.
-Sim, é mais moléstia que diversão para Harry - explicou Hagrid.
-Seu marido não vai retornar até que caia a noite - acrescentou Aberforth.
-Obrigado por me dizer isso replicou Gina. Fez uma reverência, logo girou e se apressou a sair do salão.
Gina estava na metade do caminho colina abaixo quando se deu conta de que não sabia onde vivia Narcisa. Não estava disposta a pedir a Hermione que lhe indicasse o caminho. Sua amiga lhe exigiria imediatamente uma explicação de por que queria falar com a parteira. Gina estava decidida a falar primeiro com a Narcisa antes de falar sobre o tema com sua amiga.
Dirigiu-se à cabana de Nimphadora. Ao recordar o alarde de Belatriz durante a horrível inquisição de que tanto ela como Narcisa viviam o suficientemente perto para ter ouvido os gritos durante o parto, Gina estava segura de que Nimphadora seria capaz de lhe ensinar o caminho.
Ao avistar ao pai Bones que subia a costa, agitou a mão e se apressou a reunir-se com ele.
-Já pôs ao Merlín na terra? -perguntou-lhe.
O Pai sorriu.
-sim –respondeu -. Agora estou de retorno para dar uma bênção adequada ao filho de Nimphadora.
-Sempre tem tanta pressa, Pai?
-A verdade é que sim - respondeu. Tomou a mão de Gina entre as suas- Tem um feliz aspecto de casada. Harry te está tratando bem, não é verdade?
-Sim, Pai - replicou-. Queira compartilhar a comida conosco esta noite?
-Adoraria. E tem tempo agora para ir comigo para saudar Nimphadora?
-É obvio – respondeu -. Mas primeiro gostaria de conversar com uma das parteiras explicou. Saberia por acaso onde vive Narcisa?
O sacerdote assentiu. Foi o suficientemente amável para escoltar Gina até ali. Bateu na porta por ela. Narcisa se sobressaltou bastante ao ver tanto ao sacerdote como à esposa do latifundiário esperando no pórtico. A mão lhe voou para o peito.
Gina notou quão preocupada se via e imediatamente tentou tranqüilizá-la.
-Bom dia Narcisa - começou-. O pai Bones foi o suficientemente amável para me indicar o caminho a sua casa. Ia benzer o menino da Nimphadora - adicionou-. E desejava falar contigo de um assunto privado, tem tempo? Poderia retornar mais tarde se o desejar.
Narcisa saiu da entrada e graciosamente convido-s a entrar.
O aroma de pão recém assado enchia o ar. O pai Bones fez um gesto ao Gina para que entrasse primeiro e logo a seguiu.
A pequena cabana estava imaculada. Os pisos de madeira tinham sido esfregados para que estivessem limpos, as fitas de seda pareciam ter brilho.
Gina se sentou à mesa, mas o sacerdote se dirigiu à lareira e se inclinou sobre a panela de ferro que estava pendurada em uma vara sobre o fogo.
-O que temos aqui? -perguntou.
-Guisado de carneiro - replicou Narcisa, com a voz em um sussurro. Sustentava o avental entre as mãos com tanta força que os nódulos ficaram brancos.
-Está pronto, Narcisa? -perguntou o pai Bones.
A indireta não foi sutil. Alimentar ao sacerdote tranqüilizou Narcisa. Guiou-o até a mesa e logo lhe serviu um prato com uma grande porção de guisado. Gina ficou surpreendida ante o apetite do sacerdote. Era tão magro, como uma folha e, entretanto comia por dois homens adultos.
Narcisa perdeu a maior parte da expressão preocupada enquanto servia ao sacerdote. Era óbvio para Gina que estava desfrutando dos elogios que lhe dizia o sacerdote. Gina adicionou uns poucos próprios depois que comeu duas grosas fatias do pão negro cobertas por uma suculenta geléia.
Entretanto, Narcisa não quis sentar-se. O pai Bones terminou a comida, agradeceu à parteira sua hospitalidade e logo partiu para dirigir-se à cabana de Nimphadora. Gina ficou. Esperou até que a porta se fechou depois do sacerdote e logo pediu a Narcisa que se sentasse à mesa com ela.
-Agradeceria outra vez... -começou Narcisa.
Gina a interrompeu.
-Não vim aqui para obter suas desculpas. Já resolveu o problema e Draco aprendeu a lição.
-Desde que seu pai faleceu, o menino esteve... Apegado a mim. Pensa que deve estar meu lado todo o tempo para me proteger.
-Talvez se preocupe em seu interior por que você talvez também morra e então fique sozinho - sugeriu Gina.
Narcisa assentiu.
-Somos só nós dois. É difícil para ele.
-Há algum tio ou primos que...
Interrompeu a pergunta quando Narcisa sacudiu a cabeça.
-Estamos muito sozinhos, lady Gina.
-Não, não é assim - disse-. São parte deste clã. Seu filho vai crescer e converter-se em um guerreiro Maitland. Se não houver tios ou primos que guiem ao Draco, então o assunto se deveria ser mencionado ao Harry. Narcisa sabe o quanto importante é para um menino acreditar que é importante. -deteve-se para lhe sorrir à parteira antes de prosseguir. - Também é importante para as mulheres verdade?
-Sim, é verdade – concordou -. Viver aqui foi difícil. Eu venho da família MacDougall. Tenho oito irmãs e dois irmãos - adiciono com um gesto da cabeça-. Não faz falta dizê-lo, sempre havia alguém com quem falar e sempre havia tempo para uma visita amistosa. Aqui é diferente. As mulheres trabalham do amanhecer até pôr-do-sol. Os domingos são exatamente iguais. E, contudo, as invejo. Têm maridos para cuidar.
Com o estímulo de Gina, Narcisa seguiu falando a respeito de sua vida durante uma hora. Casou-se tarde na vida e esteve tão agradecida a Lucius, seu marido, por havê-la salvado de ser uma solteirona, que passou cada minuto de sua vida tentando manter o lar o mais perfeito possível.
Admitiu que, depois de que Lucius morreu, em realidade não desfrutou mais esfregar os pisos todos os dias, mas o aborrecimento logo a alcançou. Riu e confessou que nesses momentos esfregava e limpava exatamente com a mesma freqüência com que o fazia antes que seu marido morrer.
Gina ficou surpreendida quando Narcisa confessou que sentia saudades preparar refeições especiais para seu marido. Adorava criar novos pratos e jurava que sabia pelo menos cem maneiras de preparar carneiro.
-Agrada-te ser parteira? -perguntou Gina.
-Não.
A resposta foi rápida e enfática.
-Já tinha ajudado com pelo menos vinte partos antes de chegar aqui - explicou-. E pensei depois que Lucius morreu, que minha experiência poderia ser uma maneira de... me encaixar aqui. Já não vou seguir ajudando.Depois da confrontação pelo parto da Nimphadora, decidi que preferiria encontrar outra maneira de...
Não terminou.
-Narcisa, pensa que uma mulher deve sofrer horrivelmente para agradar a seu Deus?
-A igreja...
-Estou-te perguntando o que você crê - interrompeu Gina.
-Todos os partos têm um pouco de dor - replicou narcisa- Mas não posso acreditar que Deus culpe a todas as mulheres pelos pecados da Eva.
Via-se preocupada depois de fazer essa sussurrada concessão. Gina se apressou a acalmar seus temores.
-Não vou dizer ao pai Bones. Eu também acredito que Deus é mais misericordioso do que a igreja quer que acreditemos. Tento não questionar a sabedoria de nossas líderes, Narcisa, mas não posso evitar sacudir a cabeça ante algumas regras confusas.
-Para falar a verdade - concordou Narcisa - não podemos fazer nada em relação a estes ditados ou nos vamos encontrar com que nos excomungaram.
-Separei-me do tema – disse então Gina-. Eu gostaria de falar contigo sobre minha amiga, Hermione, e te pedir ajuda.
-O que quer que faça? Gina se explicou.
-Sei que acaba de me dizer que decidiu não ajudar mais com nenhum parto, Narcisa, mas não tenho ninguém mais a quem recorrer e estou muito preocupada com minha amiga. Se ficar complicado, não sei o que vou fazer.
Narcisa não podia rechaçar esse pedido, não depois da delicada maneira com que Gina se encarregou de Draco.
-Hermione te tem medo - explicou Gina-. vamos ter que convencer-la de que não está sendo cruel. Também vamos ter que nos calar com respeito a isto. Não quero que Belatriz interfira.
-Vai tentar interferir - anunciou Narcisa-. Vai ter que fazê-lo-adicionou com um gesto da cabeça-. Não lhe vai servir de nada falar com ela. Belatriz está muito apegada a seus hábitos. Também está muito furiosa com você por lhe haver arrebatado o marido da filha.
Gina sacudiu a cabeça.
-Harry não estava casado com Cho - comentou-. E Hermione me disse que Harry não tinha nenhuma intenção de pedir a ela.
Narcisa encolheu os ombros.
-Belatriz está espalhando rumores - sussurrou-. Está dizendo que se casou com você para proteger sua honra.
Os olhos do Gina se aumentaram.
-Quer dizer que está dizendo que Harry e eu... que eu...?
Não pôde seguir. Narcisa assentiu.
-Está dizendo, sem dúvidas. Está sugerindo que está grávida. Que Deus a ajude se o latifundiário se inteira das maliciosas intrigas.
-Espero que não os ouça - replicou Gina-. O irritaria.
Narcisa concordou com o Gina. Então Gina tentou partir, mas Narcisa mencionou que era a primeira companhia que tinha tido em, mas de três meses. Imediatamente, Gina se voltou a sentar.
A visita continuou durante outra hora antes que Gina ficasse de pé para partir.
-Desfrutei de nosso bate-papo, Narcisa - disse-. Vou falar com o Hermione esta noite e te agradeceria que manhã você fosse comigo vê-la. Juntas, estou segura de que poderemos acabar com todos os seus temores.
Gina estava quase na soleira, mas de repente se deteve. Deu-se volta para a Narcisa
-Sabia que as mulheres se alternam para lhes preparar as refeições para Harry e os dois anciões que vivem no torreão?
-Sim - respondeu Narcisa-. Simplesmente é a maneira em que sempre se fez. Ofereci-me a ajudar, mas Lucius adoeceu então não houve tempo.
-É uma tarefa pesada para as mulheres?
-Ah, Meu deus, sim - replicou-. Especialmente nos meses de inverno. Sabe, há sete mulheres, uma para cada dia da semana, e com as próprias famílias para cuidar é muito difícil.
-Mas você adora cozinhar - recordou-lhe Gina.
-Sim.
-De onde consegue a comida que prepara?
-Os soldados me abastecem -explicou- E algumas das mulheres me dão as sobras
Gina franziu o sobrecenho. O que Narcisa acabava de explicar soava a caridade.
-Não sei cozinhar - comentou Gina.
-É a esposa do latifundiário. Não precisa saber cozinhar.
-Draco necessita a guia de um homem tanto como a de uma mulher, não é vede?
-Sim, assim é - concordou Narcisa, perguntando-se por que Gina estava saltando de um tema a outro.
-E você adora cozinhar , Sim, essa é a resposta. Então está tudo arrumado, Narcisa, a não ser, é obvio, que não o deseje -soltou apressadamente Gina-. Não é um favor o que te estou pedindo nem tampouco te estou dando uma ordem e eu pensaria com cuidado e tempo antes de decidir algo. Se decidir que não aceita a sugestão, o vou entender.
-Que sugestão, milady?
-De te converter em governanta - explicou Gina-. Poderia dirigir às moças que serve ou e cozinham as refeições. Vais ter toda a ajuda que deseje, é obvio, mas você estaria ao mando. Penso que é um plano sensato. Draco e você fariam todas as refeições no torreão e ele estaria muito tempo com o Hagrid, Dumbledore e Harry também, é obvio, embora provavelmente não com tanta freqüência. Os anciões necessitam a alguém que os consinta e me parece que você precisa consentir a alguém além do Draco.
-Faria isso por mim?
-Não o entende - replicou Gina-. Precisamos de você muito mais do que você nos necessita . Entretanto, acredito que pode ter seu próprio espaço no torreão. Provavelmente seria mais fácil que vivesse ali. Não queria te apressar nessa decisão. Deixaríamos que Draco se acostumasse ao acerto de ter a sua mãe no torreão todo o dia e logo tiraríamos o tema da mudança. Há uma grande habitação com uma bonita janela detrás da despensa.
Gina se deu conta de que se estava adiantando aos fatos e se deteve imediatamente.
-Quereria pensar nesta sugestão?
-Estaria honrada de me ocupar desta tarefa - disse apressadamente Narcisa.
Tudo estava arrumado de maneira agradável. Gina abandonou a cabana de muito bom humor. Sentia-se como se acabasse de fazer uma mudança importante, uma mudança positiva que beneficiaria a Narcisa e a seu filho tanto como a seu próprio lar.
Essa noite, na comida, explicou o pedido que tinha solicitado. Esperava um pouco de protestos de parte do Hagrid já que Gina tinha decidido que de todos o anciões era o que mais odiava qualquer tipo de mudança, mas não lhe discutiu absolutamente nada.
Harry entrou no grande salão em meio da conversação. Tomou seu lugar na cabeceira da mesa, fez um gesto com a cabeça em direção do Dumbledore e Hagrid e logo se estendeu e virou para Gina para lhe dar um rápido e sério beijo.
Hagrid lhe explicou a decisão do Gina. Harry não disse nada quando o ancião terminou. Simplesmente assentiu.
-O que pensa da idéia? -perguntou Gina.
Harry tomou a taça que Gina tinha colocado frente a ele e bebeu um comprido gole de água fresca.
-Por mim está bem - comentou.
-Estou pensando que vai ser uma mudança agradável - anuncio Dumbledore-. Já não vamos ter que agüentar mais os jantares do Lilá. Senhor, como terminei odiando as quartas-feiras.
-Narcisa é boa cozinheira? -perguntou Hagrid.
-É excepcional - explicou Gina. Voltou-se para o Dumbledore-. Falando de mudanças, há outro que eu gostaria de fazer, mas vou necessitar sua ajuda... e a do Harry também.
Dumbledore franziu o sobrecenho.
- É um assunto para o conselho?
-Não - replicou Gina. Voltou-se para seu marido-. Estou segura de que vais considerar o uma mudança menor e indigna da atenção do conselho.
-Qual é essa mudança que está sugerindo de maneira indireta? -perguntou Hagrid.
Gina respirou profundamente.
-Quero os domingos.
Ronald entrou em grande salão justo quando Gina fez apressadamente seu pedido.
-Bem poderia lhe dar Harry - disse.
-O que quer dizer a moça com que deseja os domingos? -perguntou - Hagrid a Dumbledore.
-Acredito que não ouvimos bem - disse Dumbledore-. Não pôde haver dito...
Hagrid o interrompeu.
-Se a moça aprendesse a pronunciar as palavras sonoramente como nós, entenderíamos melhor.
Então, Aberforth entrou pavoneando-se ao salão, seguido do Diggle e Horácio. Gina se inclinou mais perto do Harry.
-Esta noite vai haver uma reunião?
Harry assentiu.
-Entretanto, não vamos começar até que tenha explicado o estranho pedido dos domingos - disse.
Gina sacudiu a cabeça. Harry levantou uma sobrancelha. Gina se inclinou ainda mais, até que esteve pendurando do bordo da cadeira.
-Não desejo falar deste assunto frente ao conselho inteiro - disse-lhe com um sob sussurro.
-Por que não? -perguntou. Estendeu-se e lhe penteou uma mecha de cabelo para trás, por sobre o ombro.
Gina colocou a mão sobre a de Harry.
-Porque é um assunto privado que primeiro deve aceitar apoiar-explicou.
-Dumbledore e Hagrid estavam aqui quando você...
Interrompeu-o.
-Agora são parte da família, Harry. Este assunto privado deve ser conversado com eles.
-Ouviu isso, Dumbledore? -bramou Hagrid-. Está-nos chamando sua família.
Gina deu volta para olhar com irritação ao ancião por escutar com deliberação a sussurrada conversação com o Harry. Em resposta, Hagrid Sorriu.
Voltou-se para o Harry.
-Vou estar feliz de lhe explicar isso em nossa antecâmara se pode me dispensar uns poucos minutos.
Harry desejava rir. Não se atreveu, é obvio, já que os tenros sentimentos de sua esposa resultariam feridos se nesses momentos demonstrava um pouco de diversão. Via-se muito preocupada e de mau humor. Contudo, um leve rubor lhe cobria as bochechas. O assunto que desejava conversar era alguma vergonha de algum tipo? Harry soltou um suspiro. Sábia que se a levasse acima para falar do problema, não haveria tempo para um bate-papo. Em troca a levaria a cama e, embora encontrasse grande prazer em tocar a sua esposa também perderia a reunião. Já que tinha chamado ao conselho para falar uma vez mais da possibilidade de uma aliança, não podia deixá-los.
Os anciões estavam ocupando os lugares na mesa. Um jovem guerreiro que Gina não tinha visto antes levou uma jarra de vinho e começou a encher as taças de todos os anciões. Harry lhe fez um gesto com a mão ao escudeiro quando este chegou até sua taça. Gina não, deu-se conta de que tinha estado contendo o fôlego. Deixou-o escapar quando seu marido rechaçou a bebida.
Horácio deu conta da negativa do Harry.
-Que é isto? Tem que brindar por seu matrimônio, filho - anunciou-. Esta é nossa primeira reunião contigo, um homem casado, nos aconselhando.
-por que Harry os aconselha?
Gina não se deu conta de que tinha pronunciado o pensamento em voz alta até que foi muito tarde. Indubitavelmente ganhou a atenção de todos. Os anciões cravaram o olhar nela com expressão perplexa.
-Que tipo de pergunta é essa? -perguntou Horácio.
-É o latifundiário - recordou-lhe Diggle-. É seu dever nos aconselhar.
-Aqui está tudo ao reverso - comentou Gina com um gesto da cabeça.
-Explica o que quer dizer, moça - sugeriu Dumbledore.
Gina desejou não ter começado com o tema e Deus, como odiava ser o centro de atenção de todos. Podia sentir que o rosto lhe acalorava pelo rubor. Aferrou-se ainda mais à mão do Harry.
-O latifundiário é jovem e não tem sua sabedoria - disse logo-. Parece-me que vocês, os anciões, deveriam dar os conselhos. Isso é tudo o que quis dizer.
-Assim é como sempre foi aquí-replicou Hagrid.
Outros anciões assentiram para demonstrar conformidade. Gina notou que o escudeiro, com o estímulo do Horácio, adiantou-se e estava agora enchendo a taça do Harry com escuro vinho tinto. Entretanto, a mente do Gina se concentrou em fazer outra pergunta ao Hagrid e se obrigou a não reagir muito ante a visão de seu marido bebendo um ou dois goles.
-Hagrid, por favor, não acredite que sou insolente por te fazer esta pergunta - começou-. Mas me estava perguntando se não te teria apegado tanto a seus hábitos que não pode nem pensar em fazer alguma mudança, até se isso beneficia a todo o clã.
Foi uma pergunta audaz. Gina se preocupou com a reação do Hagrid. Hagrid esfregou a mandíbula enquanto considerava o assunto e logo encolheu os ombros.
-Estou vivendo em uma casa com uma mulher inglesa - anunciou o ancião-. E penso que isso é uma mudança, sem dúvidas. Não devo ser muito apegado a meus hábitos, Gina.
Harry supôs que Gina esteve satisfeita para ouvir isso quando sentiu que deixava de lhe espremer tanto a mão.
-Façamos o brinde agora e logo à esposa do latifundiário nos vai poder dar suas explicações sobre os domingos - anunciou Dumbledore.
-Ouviu isso, Horácio? Nossa moça deseja os domingos - disse-lhe Hagrid a seu amigo com um forte sussurro.
-Não pode ter isso, verdade? -perguntou Diggle-. Não se pode ter todo um dia para um. Pertence a todos.
-É estranha - murmurou Aberforth.
-É inglesa - recordou-lhe pensativamente Diggle a seus companheiros.
-Está dizendo que é atrasada? -perguntou Horácio.
-Não é atrasada - defendeu-a Hagrid.
A conversação se estava voltando fora de controle. Harry tratava de não sorrir. Gina tratava de não irritar-se. Sorriu ao Hagrid por defendê-la, agradada de que se desse conta de que não era atrasada absolutamente.
Entretanto, Hagrid arruinou a boa opinião que Gina tinha dele com o seguinte comentário.
-Só é ilógica. Acredito que não o pode evitar. E você, Horácio?
Gina olhou com fúria ao Harry em uma mensagem silenciosa de que realmente devia defendê-la nesse momento. Harry lhe piscou os olhos um olho.
-Bom, bom - soltou apressadamente Dumbledore para obter a atenção de todos. Ficou de pé, levantou a taça no ar e logo fez um verboso brinde pela noiva e o noivo.
Todos, incluindo Harry, esvaziaram o conteúdo das taças. Imediatamente, o escudeiro se apressou uma vez mais a verter mais vinho em cada taça.
Gina jogou a cadeira para trás, longe da mesa. Era um hábito instintivo, nascido fazia muitos anos, e apenas nao dava conta de que o estava fazendo.
Harry o notou. Também notou que, com cada sorvo que tirava da Taça, Gina se afastava um pouco mais.
A atenção do Gina estava centrada em Dumbledore. O líder do conselho nesses momentos estava dando a bem-vinda oficial para Gina ao clã.
Então, Hermione, pendurada do forte braço de Simas, entrou em salão. Ronald pareceu estar tanto surpreso como irritado ao ver sua esposa.
Hermione soltou o sermão antes que Ronald pudesse começá-lo.
-Desejava tomar um pouco de ar fresco e visitar minha querida amiga. Ela também vive aqui, Ronald, assim pode deixar de me franzir o sobrecenho. Simas não permitiu que me caísse.
-ia fazer que cavalgasse em minhas arreios, mas...
-Não sabia onde me levantar - explicou Hermione. Passou a mão sobre a barriga e sorriu a seu marido.
-Vêem te unir a nós - disse-lhe Gina-. Dumbledore logo terminou de fazer um encantador brinde para me dar às boas vindas à família.
Sua amiga assentiu. Levantou o olhar para Simas.
-Vê? Disse-te que não havia nenhuma reunião. Gina não estaria aqui.
-por que eu não estaria aqui? -perguntou Gina.
Hermione se dirigiu para a mesa, sentou-se junto a seu marido e tomou a mão para que Ronald deixasse de franzir o sobrecenho. Sorriu para Gina enquanto beliscava a seu marido.
Ronald supôs que lhe estava dizendo que se comportasse. Encontrou-se sorrindo ante a ultrajante conduta de sua esposa. Nem bem estivessem a sós, estava decidido a lhe dizer que, quando lhe dava uma ordem, queria que se levasse o cabo. Recordava especificamente lhe haver dito que essa noite ficasse na cabana. A idéia de que seu amor tivesse uma queda o aterrorizava. Pensou para si que só tinha em mente a segurança de sua esposa. Se algo lhe acontecia, não sábia o que faria.
Estava-se irritando só ao pensar nessa escura possibilidade. Então sua esposa voltou sua atenção para ele. Hermione apertou a mão e se recostou contra ele. Ronald deixou escapar um suspiro. Não lhe importava que fora ou não apropriado. Colocou o braço ao redor de sua esposa e a empurrou ainda mais perto de si.
Hermione pediu timidamente a Dumbledore que repetisse o brinde para que pudesse ouvi-lo. O ancião esteve feliz de agradá-la. Imediatamente, todos consumiram outra taça de vinho.
Outra vez Gina jogou a cadeira outro pouco mais longe. Podia sentir que lhe formava o conhecido nó no estômago. Harry lhe tinha prometido que não se embriagaria em sua presença, mas o que passaria se por acidente se embriagava um pouco? Sua conduta se voltaria tão arisca e desagradável como a do tio Bilius?
Obrigou-se a deixar de lado o pânico. Hagrid lhe estava reclamando a atenção.
-nos diga por que desejas os domingos - ordenou.
-Em nome do céu, o que está fazendo nessa esquina, Gina?
-perguntou Dumbledore, quando notou subitamente como se afastou da reunião.
-Ela mesma se moveu com rapidez - explicou Horácio.
Gina podia sentir que se ruborizava. Respirou profundamente e ficou de pé.
-supõe-se que os domingos são dias de descanso - anunciou. Diz a Igreja. Na Inglaterra obedecemos a essa regra.
-Nós também - disse Dumbledore-. Descansamos, não é assim, Hagrid?
-Todos os homens o fazem.
Hermione fez esse comentário. Tinha o olhar centrado sobre Gina.
-Isso é ao que te refere, não é assim?
Gina assentiu.
-Notei que as mulheres nunca têm um dia para descansar - explicou. No domingo é como qualquer outro dia para elas.
-Está pensando em criticar as nossas mulheres? -perguntou Aberforth.
-Não - respondeu Gina-. Estou criticando aos homens.
Harry se recostou na cadeira e sorriu. Gina lhe tinha advertido que desejava fazer algumas mudanças e supôs que esse era um deles. Demônios, ele tinha sido o que lhe sugeriu que trocasse o que não lhe agradava. Recordava a conversação que tinham tido frente ao cemitério. Sim, sem dúvidas, lhe tinha dado essa sugestão.
-Quer que ordenemos às mulheres que não trabalhem nos domingos? -perguntou Dumbledore.
-Não, é obvio que não. Se o ordenam, converte-se em outra obrigação.
-Crie que maltratamos às mulheres? -perguntou Aberforth.
Outra vez Gina sacudiu a cabeça.
-Ai, não - disse-. Como magníficos guerreiros, abastecem bem às esposas. Respeitam-nas e as protegem. Em troca, elas mantêm o lar cômodo e se ocupam de suas necessidades.
-Disso se trata o matrimônio - anunciou Dumbledore.
-Então, está-se opondo ao matrimônio? -perguntou Horácio, tentando compreender.
Hagrid sacudiu a cabeça.
-São as pedras. Confundiram-lhe a mente - decidiu-. A que quase lhe arranca o olho.
Gina sentia desejos de gritar sua frustração. Não o fez, é obvio, e tentou uma vez mais utilizar a lógica para fazer que os homens compreendessem. Voltou a emprestar atenção ao Harry.
-Quando têm tempo as mulheres de divertir-se? -perguntou-. O clã alguma vez assiste aos festivais, verdade? Alguma vez viu que uma mulher levasse fora a comida do meio-dia para assim poder desfrutar de do sol enquanto conversa com outras mulheres? Eu não - terminou com um gesto da cabeça.
A seguir se voltou para o Dumbledore.
-Alguma mulher possui cavalos? Alguma vez as viu cavalgar em uma caçada por diversão? –Não lhe deu tempo a responder. -Só pediria que pensassem o reservar os domingos para algum tipo de diversão. Isso é tudo o que desejava dizer.
Gina se sentou na cadeira de novo. Estava decidida a manter a boca fechada. Daria lhes tempo a que pensassem no tema antes de voltar a expô-lo.
-Valoramos a todos os membros deste clã - anunciou Hagrid.
-Estou pensando que é hora de que comecemos com a reunião –intercedeu Aberforth-. Se as mulheres partem poderemos começar.
Gina voltou a saltar da cadeira.
-As mulheres não são parte deste clã, porque se fossem, lhes permitiria trazer seus problemas ante o conselho.
-Vamos, Gina, isso não é verdade - contradisse-se Horácio.-. Faz só uns poucos meses permitimos que Hermione chegasse ante nós.
-Sim, assim foi - concordou Hermione-. Queriam me convencer a não ir buscar você.
-Façamos outro brinde e deixemos de lado esta conversação por agora - sugeriu Diggle-. Harry vai ser melhor que tenha um bate-papo com sua mulher a respeito de seus pensamentos ilógicos. Vai fazer que obedeçamos às mulheres se a deixamos sair-se com a sua.
Os ombros do Gina se afundaram - Não ia obter a aprovação do conselho depois de tudo.
Então Harry atraiu sua atenção. Sacudia a cabeça ante o Diggle.
-Não posso me opor a minha esposa - anunciou-. Porque apóio o que te está dizendo.
Gina esteve tão contente com o comentário que desejou correr para ele. Harry estendeu a mão para a taça e bebeu um comprido trago. Em vez de correr, Gina se sentou na cadeira.
-O que está dizendo, Harry? -perguntou Dumbledore.
-Gina era uma forasteira quando chegou a nós - explicou Harry- Nosso estilo de vida era novo para ela e foi capaz de ver coisas que nós tínhamos passado por cima... ou aceito sem questionar através dos anos. Não vejo nenhuma razão pela que não possamos insistir em que nossas mulheres descansem os domingos.
Os anciões assentiram. Dumbledore desejava que o latifundiário fora mais específico.
-Aconselha-nos que ordenemos às mulheres que tomem esse dia como tempo livre?
-Não -replicou Harry-. Como logo disse Gina, uma ordem se converte em uma obrigação. Sugerimos, Dumbledore, e estimulamos. Vê a diferença?
Dumbledore sorriu. voltou-se para o Gina.
-Agora entende por que é latifundiário? Dá-nos conselhos sensatos, Gina
Gina estava muito feliz ante a defesa de seu marido de seu pedido para discutir
-E agora, talvez, entenda por que me casei com ele - replicou. Nunca me casaria com um homem irracional.
-moveu-se com rapidez a si mesmo e à cadeira dentro da despensa-comentou Hagrid com um forte sussurro-. E não o entendo absolutamente.
-Gina - chamou Harry-. Ordenei ao Sirius e ao Dudley que esperassem fora até que começasse a reunião. Quereria ir pedir que entrem agora?
Era um estranho pedido para lhe fazer considerando o fato de que o escudeiro estava de pé exatamente junto ao Harry. O menino guerreiro se via como se queria ocupar-se da diligência, mas quando abriu a boca para oferecer ajuda, Harry levantou a mão.
-Estaria feliz de ir buscá-los - disse Gina. Estava tão contente pela maneira em que Harry tinha pronunciado a ordem que não podia deixar de sorrir.
Harry observou como partia. Nem bem a porta se fechou atrás dela, voltou-se para o Hermione.
-Foi uma diligência falsa a que dei a Gina -explicou em voz baixa-. Desejava te perguntar algo.
-Sim? -replicou Hermione, tentando não preocupar-se com o sobrecenho franzido na frente de seu cunhado.
Harry fez um gesto com a mão em direção da cadeira do Gina na esquina.
-por quê? -perguntou logo.
Estava-lhe perguntando por que Gina se afastou da mesa.
-O vinho - replicou a sua vez em um sussurro baixo.
Harry sacudiu a cabeça. Ainda não entendia. Hermione respirou profundamente.
-É algo que sempre fez desde que era muito pequena... e aprendeu a proteger-se a si mesmo. Estava acostumada a fazer o mesmo diante do meu pai, ate que ele finalmente entendeu o porquê e decidiu não beber mais diante dela. Duvido que ela se de conta, ela aprendeu essa lição.
-Eu gostaria de entender - objetou Harry-. E não vou me sentir insultado - prometeu-. Agora me diga por que movia o banquinho cada vez que eu bebia um sorvo. Qual é essa lição que aprendeu?
-Gina se moveu para se localizar-se... -Harry esperou pacientemente. Hermione não pôde sustentar seu olhar. Dedicou-se a fixar a atenção na mesa.-... o suficientemente longe como para que não a golpeassem.
Harry não tinha esperado essa resposta. Recostou-se na cadeira para pensar na explicação de Hermione.
Passou um comprido minuto em silêncio.
-Houve momentos que não se pôde escapar? -pergunto logo.
-Ah, sim - respondeu Hermione-. Muitas, muitas vezes.
Outros anciões tinham ouvido cada palavra, é obvio. Hagrid deixou escapar um comprido suspiro. Dumbledore sacudiu a cabeça.
-por que teria que acreditar que a golpearia? -perguntou Horácio. Até esse minuto, Harry não se deu conta do muito que odiava a falta de privacidade em sua vida.
-Este é um assunto familiar - anunciou.
Desejava que a conversação terminasse antes que seguisse ainda mais. Entretanto, Hermione não captou a indireta. Voltou-se para o Horácio para lhe responder a pergunta.
-Não acredita que Harry a golpearia - explicou-. Não teria se casado com ele se acreditasse que poderia machucá-la.
-Então, por que... -começou Horácio.
-Se Gina desejar que conheçam seu meio ambiente, os vai contar-disse Harry. A voz era dura e resolvida. Ficou de pé-. A reunião vai se realizar amanhã - anunciou.
Não deu tempo para que alguém discutisse com ele, mas sim girou e saiu do salão.
Gina estava no centro do pátio. Deu a volta quando ouviu que se fechava a porta atrás dela e inclusive conseguiu sorrir a seu marido.
-Ainda não chegaram Harry - disse-. Vou assegurar de que entrem nem bem cheguem.
Harry desceu os degraus e se dirigiu para Gina. Gina retrocedeu, embora não pôde evitar notar que seu marido não parecia estar atordoado. Tampouco a estava olhando com ira. Entretanto, Gina tinha contado e Harry havia feito três taças cheias de vinho... ou só haveria feito sorvos da beberagem? Não podia estar segura. Harry não parecia ébrio Contudo, não ia arriscar-se. Deu outro passo para trás.
Harry se deteve. Gina também.
-Gina?
-Sim?
-Quando tinha quinze anos me embebedei como um louco. Recordo-o como se tivesse sido ontem.
Os olhos do Gina se abriram muito. Harry deu outro passo para ela.
-Foi uma lição dolorosa - adicionou com outro passo em direção do Gina-. Nunca vou me esquecer de como me senti ao dia seguinte.
-Esteve doente?
Harry riu.
-Muito doente - disse-lhe. Agora estava a só uns poucos centímetros do Gina. Se quisesse, poderia agarrá-la. Não o fez. Desejava que Gina fosse para ele-. Dumbledore me deu a cerveja e me cuidou de dia seguinte. Estava-me dando uma importante lição, mas eu era muito jovem para me dar conta disso nesse momento.
A curiosidade do Gina superou a preocupação. Quando Harry deu outro passo para ela, não retrocedeu.
-Qual foi essa lição? -perguntou.
-Que um guerreiro que renuncia a controlar a bebida é um maldito idiota. O vinho o volta vulnerável e também perigoso para outros.
Gina assentiu para demonstrar conformidade.
-A verdade é que assim é - disse-. Alguns homens inclusive fariam coisas que não recordariam no dia seguinte. Talvez machuquem a alguém e não o recordem. Outros têm que estar em constante alerta contra os ataques. Não se pode confiar nos ébrios.
O que Gina lhe estava contando com tanta inocência fazia que lhe doesse o coração. Cuidou de manter uma expressão contida.
-E quem te deu essa lição? -perguntou-lhe com a voz doce e tranqüilizadora.
-O tio Bilius -replicou. Esfregou os braços enquanto lhe explicava a respeito das feridas e de como estava acostumada a utilizar o vinho para mitigar a dor. Gina tremia ante as lembranças-. depois de um tempo... o vinho lhe converteu a mente em purê. Então, nunca se pude voltar a confiar nele.
-Confia em mim?
-Ah, sim.
-Então vêem a mim.
Abriu os braços. Gina vacilou só por um segundo e logo se lançou para eles. Harry a envolveu com os braços e a abraçou com força.
-Prometi que nunca me embriagaria, Gina, e realmente me insulta pensando que eu romperia minha promessa.
-Não quis te insultar - sussurrou Gina contra o peito do Harry-. Sei que não romperia sua promessa de maneira deliberada. Mas vai haver ocasiões, como esta noite, quando deve beber com outros e se a celebração requerer...
-Não importam quais fossem as razões - interrompeu Harry. Esfregou o queixo contra a parte superior da cabeça do Gina, desfrutando da sensação do sedoso cabelo contra a pele. Inalou a fragrância feminina e se encontrou sorrindo de prazer.
-Marido, vais perder sua importante reunião -sussurro.
-Sim concordou. Soltou-a. Esperou que Gina o olhasse e, quando o fez, inclinou-se e lhe beijou a doce boca.
Segurou sua mão e a levou dentro outra vez. Entretanto, não se dirigiu ao grande salão, mas sim começou a subir as escadas, arrastando a sua esposa atrás de si.
-Aonde vamos? -perguntou-lhe Gina em um sussurro.
-A nossa antecâmara.
-Mas a reunião...
-vamos ter nossa própria reunião.
Gina não entendia. Harry abriu a porta da antecâmara, lhe piscou os olhos o olhou a sua esposa e logo lhe deu um pequeno e suave empurrão para fazê-la entrar.
-Qual é o objetivo desta reunião?
Harry fechou a porta, pôs a chave e voltou à atenção para o Gina.
-Satisfação - anunciou-. Tira as roupas e te vou explicar em detalhe a que me refiro.
O súbito rubor lhe disse que Gina tinha entendido o jogo. Gina riu, com uma risada profunda e sonora que fez que os batimentos do coração de Harry acelerassem. Recostou-se contra a porta e observou como Gina lutava contra a vergonha.
Nem sequer a havia notado, já havia se sentido contente antes, Até que Gina não entrou em sua vida. Harry se deu conta da fria e desolada existência que estava vivendo. Era como se moveu em uma névoa de obrigações e responsabilidades durante toda a vida e nunca se permitiu o tempo de pensar no que se estava perdendo.
É obvio, Gina tinha trocado sua vida por completo. Encontrava tanta sorte só em estar com ela. Agora tomava seu tempo para fazer coisas sem importância, como brincar com o Gina para obter sua sempre refrescante reação. Também lhe agradava tocá-la. Ai, Senhor, como lhe agradava a sensação do suave corpo pressionado contra o seu. Agradava-lhe a maneira em que se ruborizava ante as coisas mais insignificantes, a maneira em que timidamente tentava lhe dar ordens.
Gina era uma encantadora confusão para Harry. Sabia que tinha sido difícil para ela pedir pelas mulheres do clã e contudo não tinha permitido que o acanhamento evitasse que advogasse pela causa de um melhor trato.
Gina tinha uma forte vontade, era valente e extremamente bondosa.
E estava apaixonado por ela.
Que o Senhor o ajudasse agora, pensou para si mesmo. Gina lhe tinha capturado o coração. Não sabia se rir ou rugir. Gina se deteve na tarefa de tirá-las roupas para olhá-lo. Agora, só levava a camisa e estava estendendo para a corrente que sustentava o anel de seu pai quando pescou a sombria expressão do Harry.
-Passa algo mau? -perguntou.
-Pedi-te que não levasse esse anel - recordou-lhe Harry.
-Pediu-me que não o levasse na cama - objetou Gina-. E alguma vez o fiz, ou sim?
O sobrecenho franzido do Harry se intensificou.
-por que o leva durante o dia? Tem um vínculo especial com o anel?
-Não.
-Então por que demônios o leva?
Gina não podia entender por que Harry se estava chateando tanto com ela.
-Porque Janet e Bridget agora entram na habitação para limpar e não queria que nenhuma o encontrasse e perguntasse algo a respeito dele. –encolheu os ombros delicadamente. - O anel se converteu em uma moléstia. Acredito que eu gostaria de me desfazer dele.
Agora provavelmente seria o momento perfeito para lhe dizer a quem pertencia o anel e por que estava tão preocupada de que alguém chegasse a reconhecer o característico desenho e adivinhasse que era o do latifundiário Maclean.
Colocou o anel e a corrente outra vez na cômoda de noite e fechou a tampa. Logo se deu volta para olhar ao Harry. Diria agora.
-Recorda, à noite antes que nos casamos que me disse que passado não importava?
Harry assentiu.
-Recordo-o - replicou.
-Dizia a sério?
-Nunca digo algo que não seja a sério.
-Não tem por que me falar com tanta brutalidade - sussurrou. Começou a retorcê-las mãos. Se Harry a amava, a verdade que estava a ponto de lhe dizer não destroçaria seu amor... ou sim?
-Ama-me?
Harry se separou da porta. O sobrecenho franzido era o suficientemente intenso para arder.
-Não vai dar ordens, Gina.
Ficou surpreendida ante essa ordem.
-É obvio que não - concordou-. Mas te perguntei...
-Não vou me converter em... vai ser melhor que entenda isso neste preciso momento.
-Entendo - replicou-o-. Não desejo trocar nada com respeito a ti.
O louvor do Gina não diminuiu o sobrecenho franzido.
-Não sou um adoentado e não vão fazer que me comporte como um.
A conversação tinha dado um estranho giro. Harry estava se irritando. Gina estava segura, em seu coração, de que a amava, e com toda sua reação a uma singela pergunta foi tão confusa para ela que começou a se preocupar.
Observou-o enquanto tirava uma bota e a jogava no piso. A outra a seguiu.
-Minha pergunta te perturbou? -perguntou, sentindo comichão ante a mera possibilidade.
-Os guerreiros não se perturbam. As mulheres sim.
Gina endireitou os ombros.
-Não estou perturbada.
-Sim que o está - replicou-. Está-te retorcendo as mãos
Gina se deteve imediatamente.
-Você é o que me está olhando com ira e o sobrecenho franzido -disse.
Harry encolheu os ombros.
-Estava... Pensando.
-No que?
-Nas chamas do purgatório.
Teve que sentar-se. Agora Harry não tinha nenhum sentido.
-O que quer dizer isso? -perguntou.
-Ronald me disse que, se tinha que fazê-lo, caminharia pelas chamas do purgatório para agradar sua esposa.
Gina se dirigiu à cama e se sentou.
-E? -disse quando Harry não continuou.
Tirou a roupa e caminhou para Gina. Pos ela de pé e cravou o olhar nela.
-E recém me acabo de dar conta de que faria o mesmo por ti.
Na.: Pos hoje é so pessoal - ja to fazeno muito oooo - heheh
acostumei voces mal e agora reclamo neh - desculpa mesmo, se vcs leram o aviso vao entender - ateh amanha , talvez, feliz anivessario carol!!!
E sobre a fic ultimo dragao - quem a acompanha...eu estou escrvendo o cap, ja tem 11 paginas escritas, e agora o claudio ta me ajudando, nao ta facil este cap, e imaginei que teria amis tempo nas ferias mas me enganei, agora esotu trabalhando a noite tamb, e mal tenho tempo para o Lupin quando estou em casa, entao -vai mal - hehe
mas um dia eu atualizo hehe
Beijao
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