No meio de muita dor, Draco sentiu seu anjo a seu lado. Sua voz delicada inundava sua mente e seu coração, era reconfortante. Draco tinha um consolo ali, perdido em algum lugar do mundo bruxo: o vínculo mágico que os unia. Ele sentia que Angel lhe enviava energia e sua doçura também. Como viver sem ela se tudo que ela sentia se espelhava nele? E isso o preenchia!
Mune no oku toji kometa
Dentro do meu peito guardei
Tooi hi no taisetsu na
Valiosamente os dias distantes
Angel's tale
Contos de anjosEien no koi o shita
Um amor eterno
Tame iki mo azayaka na omoi o...
Desperta suspiros em meus pensamentos...
O medo se fora, ele ainda tinha sua morte ali naquele buraco como certa, mas a presença de Angel lhe dava forças para aceitar.
Iki o tomete mitorete ita
Perco alento ao reconhecer
Afureru youna kagayaki
A paz que vem de você
Ano furi sosogu yuki no verru
Ahh, Rodeado por um véu de neve
Sono mukou ni anata o mita
Te vejo do lado oposto
“Estou bem anjo... Não se preocupe comigo fique bem...” Pensou através do vínculo. Sentia-se leve, encharcado com os pensamentos dela...
Masshiro na machi nami ni
Surgindo nas ruas puras
Maiorita tenshi no youna egao
Lembro-me do seu sorriso angelical
Moshi kanau nara himeta omoi
Separe meus sentimentos de você
Uchi akete ita deshou
Pobre de meu interior
Naze kono ude wa hane janai?
Porque não tenho asas?
Anata o tada miageru dake
Não faria outra coisa a não ser te olhar
Olhou ao redor e viu Harry desacordado. “Se aquele Harry-Salvo-Todo-Mundo- Potter não tivesse interferido, nós não estaríamos aqui na sucursal do inferno! Isso é culpa sua seu filhote de trasgo! E o Malfoy aqui ainda é acusado de irresponsabilidade!” Draco estava irritado sim, mas, muito preocupado. Harry estava jogado a um canto e de onde estava não podia ver se respirava ou não. A contragosto se arrastou e foi até onde ele estava. Tocou-lhe o pescoço. Ficou aliviado quando sentiu a pulsação fraca do rapaz, era melhor que nada. Afastou-se. “Pensa Malfoy, como você vai sair dessa?”
Aa, konna furi sosogu yuki no hi wa
haa, Nesses dias rodeados de neve
Atsuku tomoru setsu nai shiikuretto
Sua palidez se reaviva en segredo
Mune no oku toji kometa
Dentro do meu peito guardei
Tooi hi no taisetsu na
Valiosamente os dias distantes
Angel's tale
Contos de anjos
Angel's tale
Contos de anjos
Angel's tale
Contos de anjos
O frio adentrava a alma do garoto. A dor que sentia não era nada comparada ao sentimento de abandono e vazio que o atingia. Não podia imaginar que fosse sentir a falta de alguém tão intensamente, tão profundamente. Angel havia atingido um posto muito importante dentro do seu negro coração.
Além de remoer um plano para a fuga dos dois, Malfoy agora se concentrava em um sentimento quente que lhe enchia alma, a presença de Angel através do vínculo. Ele tinha que admitir, sentia muita falta da garota. Ela era sempre uma presença suave. “Pensa Malfoy, pensa! ” Ele não queria morrer agora, não agora.
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Planos traçados. Godric’s Hollow muito bem vigiada, para saber como os comensais agiam. Snape não confiava muito no plano, mas era tudo que tinham: Uma dose de coragem e três de estupidez. O grupo isca liderados por Snape sobrevoou o local atacando os Comensais num vôo rasante e vertiginoso. Voltaram novamente para mais uma carga e dessa vez, os Comensais pegaram suas vassouras e caíram na armadilha, eram doze, apenas dois ficaram de guarda. Com um feitiço certeiro Carlinhos e Angel estuporaram esses dois.
Rapidamente foram ao canteiro de amores-perfeitos, era a única planta que florescia naquele lugar que ficou estéril depois da passagem do Lorde das Trevas por ali. Os Comensais já haviam usado todo o tipo de feitiço para acabar com as florezinhas em vão, pois eram arrancadas hoje, no dia seguinte amanheciam intactas. Tonks conjurou um feitiço.
“Finite Incantatem”
As flores sumiram dando lugar a uma escada, como Tonks conseguiu? Era a pergunta de todos ali. A única explicação é que o canteiro teria sido enfeitiçado por algum bruxo da luz muito poderoso. Um túnel levava a uma adega, exatamente como Dumbledore descreveu. No meio do aposento um pedestal. Com a Taça de Helga Hufflepuff. Simples demais...
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Rony agora procurava com mais fé e afinco o objeto, o que deixou Ginny desconfiada com a mudança repentina, mas a garota agradeceu a Merlin por isso. Rony era um chato, reclamando então...
Duas semanas depois da chamada de Molly, estavam sentados em um café local, tomando um refresco, quando Ginny olhou para o lado e ficou hipnotizada com alguma coisa que brilhava do outro lado da rua. Um vendedor ambulante, com várias correntes presas a um pedaço de madeira roliço. Saiu correndo atravessando a rua, com Rony em sua cola, não entendendo bem o que se passava com a garota. Ela quase atropelou o vendedor.
“Senhor posso ver sua mercadoria?”
“Senhorita comprar?”
“Sim. Rony compra tudo, paga ele.”
Rony, ainda sem entender, barganhou com o vendedor, que saiu sorrindo dali, entregando tudo para Ginny, que tratou de voltar o mais rápido possível para a casa de Moadibh. A garota tinha pressa. Quando chegou, jogou tudo no chão da sala de visitas e com uma ânsia que mal cabia em seu peito procurou o que consumia o seu sono. Sim, estava ali. Não sabia explicar como, mas estava ali. As lágrimas caíram dos olhos da garota, que abraçou o irmão com força.
“Intuição Feminina. Bolas!” resmungou Rony, já com falta de ar, preso ao abraço da irmã.
“O mundo é das mulheres, jovem senhor! Somente delas!”
Disse sabiamente Moadibh, se retirando da sala. Ele sabia que não tinha idade para entrar em contato com uma magia negra tão poderosa. Assim que saiu, seus empregados conjuraram um escudo que envolveu os aposentos em que Rony e Ginny estavam. Era necessário conter os resíduos dela. E agora que Angel e Hermione mostraram o caminho da destruição, era tudo mais fácil.
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Assim que Carlinhos colocou os pés dentro da adega uma porção de diabretes apareceu, com pequenos punhais com certeza envenenados. Um deles acertou Carlinhos que voltou para traz segurando o braço, sentindo-se enfraquecer. Noxon agiu rapidamente.
“EPISKEY!” Logo depois tirou um pequeno frasco do interior das vestes e estendeu ao garoto.
“É sangue de dragão, cura qualquer coisa. Beba um gole só.”
Carlinhos obedeceu e naquele mesmo instante sentiu uma energia forte percorrendo seu corpo. Nunca tinha provado, apesar de trabalhar com eles por muito tempo. “Tenho a sensação de poder voar pela imensidão do céu como um deles.” Podia sentir a natureza mágica dos enormes seres que tanto amava percorrendo suas entranhas e lhe dando uma visão das coisas que nunca tivera antes.
“Como vamos entrar sem morrer?” Perguntou Tonks.
“Assim...” Angel levantou a mão e pronunciou:
“Forças da Terra e do Fogo,
Forças da Água e do Vento,
Protejam,
Protejam os guerreiros da verdade. ”
Um escudo envolveuTonks e CarlinhosEos dois entraram na adega. Os diabretes caiam pelo chão ao tentar tocá-los. Lançaram o feitiço revelador e uma fumaça negra foi saindo da Taça, do lado de fora Angel se concentrava no escudo de Tonks e Carlinhos. De mãos dadas lançaram o feitiço final.
“REDUCTO!”
Lançaram o feitiço com tanta força, que o impacto deste com a magia negra da Horcrux foi grande demais, suplantando o escudo de Angel. Lupin rapidamente puxou Angel para traz e unindo sua magia com a dela reforçou o escudo de proteção, bloqueando a entrada da adega. Então retiraram os outros integrantes do Esquadrão Fênix que estavam no túnel, e assim que a energia da magia negra se dissipou, Angel e Lupin entraram novamente e ajudaram Carlinhos e Tonks a se levantarem. Ainda estavam zonzos, o sangue de dragão e o feitiço Protego que ambos conjuraram foi o que salvou os dois.
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Rony meio sufocado pela irmã tentou se desvencilhar do abraço. Ginny estava eufórica. Finalmente destruíram mais uma. Os Guerreiros da Luz venciam uma batalha de cada vez. Avançando cada vez mais para o inevitável.
“Largue-me e faça logo o feitiço, irmãzinha, e iremos embora.” Ambos sacaram as varinhas.
“Revelare!” O medalhão refulgiu. “Reducto!” E transformaram o medalhão em pó.
A mesma onda que atingiu Angel e Hermione alcançou os dois irmãos deixando-os desacordados. Era o fim de mais um artefato do Lorde das Trevas. A batalha finalmente estava ficando mais equilibrada. Agora poderiam se preocupar com inimigos mortais. Mais uma, só mais uma e tudo poderia terminar.
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No quartel general do “mal que nunca dorme” a destruição de duas horcruxes ao mesmo tempo foi sentida. Um urro insano de dor corroia as entranhas daquele ser das trevas. Sangue escorria pelos olhos e pela sua fenda nasal. Foi exatamente isso que deu a Draco tempo de tomar medidas extremas, pois todos os comensais correram para atender seu mestre. Draco arrancou um dos botões de sua veste e aproximou-se de Harry.
“Potter, acorde, olha pra mim! Potter, por favor, acorde seu cara de cicatriz, olha pra mim.”
“Malfoy...”
“Segura isso. É uma chave de portal, vai te levar de volta para a mansão.”
“Você vem também...” Harry lançou um olhar que mais parecia uma ordem. Seus olhos faiscaram, quando entendeu o que o Slytherin queria lhe dizer. Draco olhou tristemente para seu tornozelo preso a corrente e disse:
“Desculpa cicatriz, é bilhete unitário. Diga a Angel...”.
“CALA A BOCA MALFOY! Eu não vou dizer nada você vai dizer pessoalmente.”
“NÃO HÁ TEMPO, eu estou preso aqui e não consigo me soltar... Sou descartável no momento. Você é o eleito, lembra? É você que vai salvar o nosso mundo, não para mim, mas para a minha Angel. Diga a ela que eu a amo. Agora vai!”
“N-Não se atreva a morrer. Eu vou voltar para buscar você!” Disse Harry entendendo o que se passava. O moreno tinha seu coração dilacerado quando concordou. Não podia perder mais ninguém por sua causa. Nem mesmo o Malfoy. Doía ter que deixar o loiro ali sozinho. Podia imaginar o que iria acontecer com ele quando descobrissem sua fuga.
Draco colocou o botão nas mãos de Harry e se afastou. As defesas do quartel general tinham caído naquela hora, por isso foi possível que Harry saísse das masmorras e aterrissasse pesadamente bem em cima da mesa de jantar.
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Todos na casa correram para a sala de varinhas em punho e descobriram um Harry Potter num estado deplorável. Molly foi rápida, levitando o garoto para os seus aposentos. Ela tinha treinamento de primeiros socorros.
As duas equipes que atacaram Godric’s Hollow voltaram uma hora depois e foram recebidos por uma sorridente Molly que lhes deu a boa notícia.
“Que bom que chegaram. Harry conseguiu escapar, está um pouco machucado, mas tenho certeza que a Doutora Noxon vai tirá-lo dessa.”
“E Draco, Senhora Weasley?”
O sorriso morreu nos lábios de Molly, sentiu-se constrangida. Não se lembrou de Draco. Viu o brilho nos olhos de Angel se apagar. Pelo menos a garota sabia que Draco ainda estava vivo.
“Harry veio sozinho. Sinto muito querida.”
“Tudo bem... ele ainda vive.”
“Onde está Harry, ele está bem?” Perguntou Noxon muito preocupada.
“Venha querida eu a levarei até o quarto dele.”
“Pode me ajudar professor? Acho que vou precisar de algumas poções.”
“Por certo que sim.”
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Angel entrou em seu quarto e se colocou de frente a janela, uma chuva fina começava a cair lá fora. Suas lágrimas revelando a sua saudade. Olhou para a sua cama que pareceu grande demais. Sentiu o perfume de Draco que predominava no ambiente. O quarto lhe pareceu sufocante. Saiu dali, correndo pelos corredores da mansão. Passou por Hermione na sala de jantar e continuou correndo. Hermione a seguiu, parando no arco da porta que se abria para o jardim.
“Angie volte saia da chuva!”
As lágrimas da jovem bruxa se misturavam a chuva quando estacou ainda de costas para Hermione. Um nó na garganta, uma dor que consumia sua alma. Então se virou.
“Mione por quê? Faz quase uma semana...”.
“Calma, vamos achar o Malfoy. Assim que Harry acordar. Saia da chuva, por favor!”
“Por que tem que ser tudo tão difícil? E essa dor? Não entendo...”.
“Como não entende? Olhe para dentro, para dentro do seu coração. Como ele se tornou tão importante para você, a ponto de consumir sua razão? Por Merlin garota saia da Chuva!”
“Mione eu estou... com medo...”.
“Venha, vamos conversar lá dentro!”
Angel tinha os lábios trêmulos e levemente arroxeados, logo chegaria inverno, a chuva estava gelada e encharcara sua roupa e sua alma... Deixou-se guiar para o seu quarto. Hermione preparou-lhe um banho, a água quente com certeza faria bem para a amiga. Colocou-a na banheira, Angel tinha um corte feio no braço, seu cabelo estava sujo, suas vestes arruinadas, como sempre. Hermione fez um feitiço de cura e começou a lavar os longos cabelos de Angel, que nem se mexia, tinha o olhar perdido no vazio. O rosto pálido e os olhos fundos denunciando algumas noites mal dormidas.
“Angie tudo ficará bem. Precisamos de você mais que nunca para encontrar o Malfoy”, precisa reagir. “Agora você vai direto para a cama. Durma um pouco.”
“Sim Mione...”
Hermione ajudou Angel com a roupa e a levou para a cama. A temperatura da garota tinha voltado ao normal, mas seu olhar ainda estava perdido em algum lugar.
“Fecha os olhos e descanse. Eu volto para te acordar com boas novidades. Tenha fé.”
Angel não respondeu, mas obedeceu. Mergulhou no sono, em um mundo que nunca estivera antes. A velha senhora novamente a recebeu. Estava em um lugar repleto de luz. Tudo parecia calmo e não sentia mais dor nem desespero.
“Quem é a senhora? Que lugar é esse? Sei que já estive aqui, há muito tempo, ainda era criança...”.
“Tem certeza que não sabe quem sou eu? Abrande seu coração. Procure-me dentro de você. Eu ainda estou aí.” Nesse momento a velha senhora levantou graciosamente a mão e pousou em seu coração fazendo cair os véus que encobriam sua imagem. Seu verdadeiro eu apareceu diante de Angel.
“Avó? É a senhora...” Lágrimas corriam dos olhos da garota. Lembrou-se da caixinha de música da visão anterior. Como não a reconheceu de imediato?
“A dor, a raiva, a tristeza, todos esses sentimentos negativos turvam a sua visão. Você tem que aprender a serenar seu coração. Eu nunca a deixei minha criança. Você descende de uma linhagem de sensitivas que sempre ajudaram os bruxos quando as trevas ameaçavam invadir o mundo deles. Nenhuma de nós teve poderes como você. Você é a primeira e terá um papel importante nesse mundo.”
“Mamãe sabia disso?”
“Não querida, ela não recebeu o dom. Bem, tudo começou quando Merlin puniu uma antepassada nossa. Seu nome era Katrina. Ela matou um bruxo acidentalmente enquanto treinava magia negra. Ela ainda era aprendiz quando tudo aconteceu. O erro dela foi tão grave que Merlin a condenou a viver no mundo trouxa sem sua magia, apenas com os poderes de sensitiva. Esses poderes eram como uma maldição fora do mundo mágico. Muitos foram para a fogueira por muito menos que isso. Esse poder se manifestaria uma geração sim outra não. Katrina era muito bela e logo se casou. Morreu após o nascimento de sua filha que recebeu o nome de Liz. Após sua morte Merlin achou que tinha sido duro demais, condenando uma linhagem inteira, então decidiu que se suas descendentes se mantivessem no caminho da luz, um dia as portas do mundo bruxo se abririam para nós novamente. E esse dia chegou. Quando você nasceu eu vi um sinal em seu ombro esquerdo era um pentagrama. Formado por várias pintinhas. É o sinal da bruxa. Só as sensitivas podem ver. Eu sabia naquele momento que você era a garota da profecia.”
“Mas eu estou aqui graças a Malfoy...”.
“Sim, outra profecia ele seria o responsável por acordar uma Slib. Você.”
“Como posso me consumir assim por alguém que mal conheço?”
“O feitiço que o seu Dragão usou é complexo demais. Nossa magia é tão ínfima que só um feitiço feito por alguém predestinado poderia nos achar. E vocês foram predestinados. Ele realmente precisa de você, tanto quanto você precisa dele. Nada, nenhuma magia é tão poderosa quanto o amor. Vocês vão descobrir isso juntos.”
Angel ficou um pouco corada quando sua avó chamou Draco de ‘seu’ Dragão. Estavam sentadas em um terraço sombreado por uma enorme árvore. Quando a brisa a tocava, minúsculas flores brancas caíam ao redor. O mármore branco do chão e das colunas contrastava com o móvel de ferro batido que compunha o ambiente. Tudo ali era cercado de paz e Angel sentia que poderia ficar ali para sempre...
“É hora de ir minha querida. Ele precisa de você. Não se esqueça: mantenha seu coração sereno para que não perca sua visão. Estarei sempre com você... Vá Angel, desperte.”
Angel não queria despertar, mas aos poucos foi voltando ao seu quarto. Acordou com Dobby chamando-a com delicadeza.
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Na sala de Moadibh, os Weasley recobravam a consciência depois do choque. Imediatamente Rony tomou consciência de tudo, agradeceu ao seu anfitrião e puxou Ginny, que não entendeu nada. Tocaram na chave de portal e apareceram na mansão Black. Molly os recebeu com um semblante entre alívio e preocupação.
“Notícias de Harry?” Perguntou Rony aflito.
“Como assim notic...” A garota já havia entendido o que estava acontecendo, ou quase.
“Ele está aqui, aterrissou na mesa de jantar a umas quatro horas. Está dormindo. Hermione está com ele.”
Correram para o quarto. Ginny fez menção de abraçar o garoto, mas foi impedida por Molly que explicou que ele estava com algumas costelas quebradas.
“Você sabia, seu trasgo! Por que não me contou?”
“Teria me deixado sozinho lá!”
Harry ficou desacordado por dois dias, Noxon dedicou-se a colocá-lo de pé o mais rápido possível, sabia que a vida de Draco dependia disso.
“Ele precisa acordar logo. Temos que saber onde está Malfoy...”
“Não sei o que tanto vocês querem salvar essa doninha.”
“Rony agora ele é um de nós não se lembra? Acha mesmo que Harry vai deixá-lo para trás?”
“Deveria!”
“Rony!”
“Parem de brigar por Merlin!”
“Harry!” Voltaram-se todos atônitos para o garoto que sobreviveu.
“Onde está o Malfoy?” perguntou Harry tentando se levantar.
“Você veio sozinho.” Disse Hermione tristemente.
“Reúnam todos, agora!”
“Você tem que descansar.” Argumentou a Sra. Weasley.
Harry fechou os olhos, reuniu suas forças, sentou-se na cama e repetiu.
“Chamem todos! Dobby!” Num estalo forte o elfo apareceu todo feliz por Harry tê-lo chamado.
“Mestre Harry precisa de Dobby?”
“Sim Dobby. Peça a todos do Esquadrão Fênix que estiverem na casa, que me esperem na sala de reuniões!”
“Sim Dobby faz. Dobby obedece!”
Aos poucos os integrantes foram chegando. Remo e Tonks que estavam por perto foram para lá também. A ansiedade e o nervosismo reinavam no aposento. Todos se perguntavam qual era o real estado do garoto que sobreviveu.
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“Harry o que pretende?” Perguntou Hermione muito preocupada.
“Sair, daqui à uma hora. Vamos buscar o Malfoy.”
“A doninha deve estar morta. Se tivermos sorte!”
“Ronald Billyus Weasley!” Hermione que estava ao seu lado deu-lhe um beliscão!
“Ai! Mione!”
“Posso saber, em nome de Merlin, como você ’vai sair’ daqui à uma hora?” Perguntou friamente Snape que acabara de entrar no quarto com Noxon.
“Com as poções que ’vocês’ vão me dar. Poções com as quais conseguirei voar e lutar ‘até’ por três dias.” Apontou-os com o dedo, displicentemente.
“Nós?” Snape olhou contrariado para Harry e depois para Dryade. Ela virou os olhos, lhe fazendo um sinal, significando que eles não tinham outra saída a não ser fazer o que o moreno queria. Por mais imprudente que parecesse.
“Não temos escolha, sou a melhor opção de Malfoy nesse momento.”
“Então ele está morto.”
“Não seja tão pessimista, nós vamos trazer o Malfoy de volta. O Esquadrão não deixa ninguém para trás. Lembra?”
Severus se rendeu, afinal preocupava-se com Draco e se alguém podia trazê-lo de volta esse alguém era Harry. Saiu do quarto acompanhado da medibruxa, dirigindo-se ao seu laboratório.
“O que tem em mente?” Perguntou a bruxa ao seu lado se esforçando para acompanhar as rápidas passadas de Severus.
“Uma poção reanimadora e contra dor. Tenho que pensar em algo melhor. Nossas chances diminuem a cada hora.”
“Tenho uma idéia para aquela sua poção especial que envia ao Saint Mungus.”
“Como sabe disso?” Indagou, fechando as sobrancelhas.
“Uma poção tão eficiente? Tá brincando? Levei um mês para repetir a fórmula. Só poderia ser sua. Perfeita!”
“Conseguiu reproduzi-la?” E seu olhar foi de espanto.
“Sim, mas não foi nada fácil. E descobri que se acrescentarmos cinco gotas de sangue de Dragão, ela fica ainda melhor. Apelidaram de levanta defunto.”
Snape ficou com a boca aberta olhando para a Jovem a sua frente, incapaz de articular palavra. Ela era muito inteligente. E petulante, melhorar a sua formula, mesmo sabendo que era dele? Como era ousada! Chegaram ao laboratório. Lá misturou várias substâncias e colocou em quatro pequenos vidros. Em outro recipiente aqueceu um liquido viscoso, mal cheiroso e amargo. Voltando ao quarto de Potter, entregou a caneca fumegante ao moreno.
“Beba tudo.”
Harry bebeu sem reclamar, se concentrando para não vomitar aquela coisa que parecia ter saído das entranhas de um trasgo. Uma dor horrível o assaltou e ele se contorceu.
“Controle o que está sentindo. Pode ser que precise de outra dose em pleno vôo.”
“O que tinha aqui?” Em seu rosto uma expressão horrorizada.
“Acredite Harry não vai querer saber. É uma formula especial da Poção Revigorante, melhorada com sangue de dragão. E nesses frascos coloquei sangue de dragão puro, tome cuidado. Tome somente se sentir fraqueza. Agradeça a Noxon pelo sangue de Dragão contrabandeado do estoque especial do Saint Mungus!” Informou Snape passando os frascos a Ginny.
Harry respirou fundo e relaxou. A dor passou quase imediatamente, em poucos minutos já estava de pé. Avistou sua varinha no criado-mudo ao lado da cama, pegou-a, transfigurou suas roupas no uniforme do Esquadrão Fênix e parou a porta.
”Vocês não vêm?”
As garotas e Rony se levantaram apressados indo aos seus quartos, saindo de lá com seus uniformes e varinhas.
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Draco olhou para a cara dos comensais que voltavam para mais uma sessão amena de perguntas. O loiro sabia que com Harry fora dali, iria morrer ou enlouquecer com tantos cruciatos que iria sofrer. Seria o seu fim, mas estranhamente não estava com medo, a sensação da presença doce de Angel não o abandonava.
“ONDE DIABOS ESTÁ O PORTTER?”
“Foi dar uma voltinha. O serviço daqui é péssimo!”
A resposta foi um chute que pegou Malfoy em cheio e o atirou para o outro lado da sala. Nott adorava praticar alguns golpes nos prisioneiros, como os lutadores de boxe trouxa. Amarrou as mãos de Malfoy e o colocou dependurado em um gancho no teto. Os pulsos delicados com certeza ficariam com sérios hematomas, ficou na ponta dos pés para não colocar o peso do corpo nos pulsos. Estava apavorado, Nott era um sádico e não o pouparia, ele seria seu saco de pancada por um longo tempo, na opinião de Draco. Então a presença de Angel o inundou e ele enviou um apelo sofrido, porém mais calmo, através do vínculo.
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Na sala de reuniões Harry foi recebido com alegria por todos.
“Harry, fico feliz que tenha acordado.” Disse Angel, muito pálida.
“Oi, Angel. Ainda sente o Malfoy?”
“Sua assinatura mágica é muito fraca, mas sim, eu sinto.”
“Isso significa que não temos muito tempo. Pode localizá-lo, Angel?”
“Não sei como, mas irei tentar mesmo assim.” Respondeu entendendo as intenções de Harry.
“Acho que vi o diretor de Durmstrang, o Karkaroff, em visita à minha cela, então podemos imaginar que eles devem estar lá. Pela fama da escola, é um bom lugar para começar a procurar.” Dizia Harry quando as bruxas entraram na sala.
“Vamos invadir aquele covil? Acaso ele está em algum mapa agora?” Perguntou Rony, sabendo que Durmstrang era imapeável.
“Sinto Potter, mas segundo meus informantes eles já saíram de lá, o lugar ficou vulnerável depois da destruição simultânea do medalhão pelos seus amigos Weasleys aqui e da Taça por Tonks e Carlinhos.” Informou Snape.
“Simultânea?”
“Sim, foi o que quebrou as defesas do lugar e deu a Draco o tempo necessário para enviar você. Por que ele não veio junto?” Disse Snape num tom inquisidor.
“Tinha uma corrente no tornozelo.” Os olhos de Harry encontraram os de Angel. Eles emanavam profunda tristeza. “Angel nos levará até Malfoy.”
“Posso colocar um feitiço localizador nela, isso aumentará o poder da percepção do vínculo mágico.” Disse Lupin, que ouvia tudo em um canto da sala.
“Se bem conheço Voldemort, a essa hora está bem seguro, mas acredito que o Senhor Malfoy, que era o único prisioneiro, deve ter sido levado para um outro local, para ser usado mais tarde, quando o Lorde se recuperar, o que deve levar alguns dias. Ele deve estar em algum lugar improvável, com algum bruxo medíocre, que nem deve saber a importância do garoto.” Informou Severus.
Nesse momento Dumbledore chegou do Ministério da Magia. Trazia notícias ruins, não havia conseguido que formassem um grupo de busca para o resgate do garoto.
“A palavra foi ‘descartável’. Eles disseram que nenhum auror com juízo salvaria um Malfoy.” Disse Dumbledore, tristemente.
“Nesse momento sou uma auror insana e vou com você, Harry Potter.” Disse Tonks mudando seu cabelo para violeta berrante.
“Estou pronta, professor Lupin.” Disse Angel, passando confiança a todos na sala.
Olho Tonto que entrava na casa naquele momento, já sabendo do caso, também se juntou ao grupo. Nem todos se importavam com a vida de Malfoy, Angel sentiu isso. Mas não foram capazes de dizer não a Harry ou a Angel.
“Qual é o plano de vocês?” Perguntou Dumbledore, com um olhar indecifrável.
“Achar, entrar, roubar e sair. Velocidade.” Disse um Rony muito orgulhoso.
“O lema do Esquadrão Fênix não é exatamente um plano, senhores.” Rebateu Dumbledore.
“Mais serve bem aos nossos propósitos.” Apoiou Angel.
“Vão, meus bravos guerreiros. Que Merlin os acompanhe!” Disse finalmente o diretor orgulhoso do melhor Esquadrão Aéreo do mundo bruxo.
A chuva fina ainda persistia lá fora, um véu de tristeza caiu sobre eles, por um momento todos se entreolharam ainda se perguntando se aquela ação seria a certa. E se valia a pena salvar Malfoy. Mas, os olhares cruzaram o de Angel e ali viram a certeza. A garota sofria por ele, então, por ela, valia a pena. A dama do outono havia cativado o Esquadrão de tal forma que não era mais necessário saber sua origem ou detalhes do seu passado. Eles a amavam. E isso bastava.
Lupin fez o feitiço antes de saírem.
“Actum Pari Passu”
Angel sentiu uma confusão de pensamentos em sua mente. Lembrou-se de sua avó. Serenou seu coração e a confusão sumiu. Sentia-se estranha, mas convocou sua vassoura, atitude seguida pelo restante do esquadrão. Ganharam o céu e a chuva logo se dissipou dando lugar a um céu cinzento e triste. A noite era calma. Angel sob a ação do feitiço sentia Draco mais intensamente. Não havia muito tempo ela queria estar longe dele e agora ela o buscava desesperadamente.
O tempo se esgotava...
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N/A: Agradecendo aos meus queridos leitores.
A Innis mais uma vez pelo presente de natal, a capa maravilhosa da fic. Obrigada Lindinha da Titia!
A música, foi um presente da Samie, Angel's Tale - Hyde. Me apaixonei por ela no momento em que escutei pela primeira vez!
A todos que leram e por algum motivo não deixaram seu post, espero que estejam gostando.
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Layout: Carmem Cardoso Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License. Based on a work at potterish.com.