“Que grande peso é um nome demasiado famoso”
V.
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-“Como criar uma acromântula em seu lar”, por Belly Vernon. – Sirius franze o cenho enquanto lia a lombada de um livro. Ele estava na biblioteca dos Sheppard, com Ava e Remus. Eles tinham acionado a porta no quarto dela, este devidamente trancado. – Quem em sã consciência iria querer isso?
-Soube de um bruxo, amigo de meu pai, que tinha predileção por elas. – comentou Ava, enquanto verificava um outro livro, sentada em uma das mesas. – Uma espécie de Hagrid, em tamanho menor, claro. – Sirius e Remus riram, e ela leu a lombada do livro que segurava. – “Poções de amor: livre-se dos rivais!” Esse eu separo, vai ver que Voldemort lia isso, antes de dormir.
-Ele devia ler esse também. – Remus apontou para um livro com capa azul, em camurça. – “Guia do amor: como conquistar com charme e alguns feitiços”, de Flint Mansfield.
Sirius fez uma careta: - Esses livros deviam ser das moças Sheppard! Eu deveria lançar um livro sobre isso, conquistar era minha especialidade em Hogwarts. – acrescentou com grande sorriso, sendo acertado por um grande livro na testa. – Ei!
-Oh, escapou, Sirius! – disse Ava em fingida inocência.
O bom humor tinha voltado para eles após a bem sucedida missão. Ava sentiu sua esperança renovada e cria firmemente que, entre aqueles livros, haveria uma solução para sua causa. Talvez se permitisse sonhar, sonhos a longo prazo. Olhou para as centenas de exemplares a sua volta: “Após tudo isso acabar, vou doar tudo para Hogwarts”.
-Acho que já é hora do jantar. – avisa Remus, ansioso. – Molly irá nos procurar e não a ouviremos.
Ava e Sirius se entreolham. – Virá alguém em especial, Remus? – pergunta a bruxa, maliciosa.
-Alguém... de cabelos pinks? Ou serão azuis? – questiona Sirius, fingindo pensar.
-Depende. – responde Ava. – Qual a sua cor predileta, Remus?
Os dois caem na risada, vendo Lupin enrubescer. – Às vezes acho que estamos em Hogwarts ainda, tamanha a criancice de vocês. Oras... vamos arrumar essa bagunça...
-Sim, senhor! – Ava bate continência e, ordenando mentalmente, todos os livros vão se encaixando na primeira estante, na parte dos “já verificados”, exceto os que eles tinham separado. – Pronto, Sr. Remus John Lupin, vamos jantar, antes que as visitas fujam. - e piscou para Sirius. Antes de sair da biblioteca, Ava pegou um livro que tinha separado especialmente para ler após o jantar. – Esse é muito interessante, fala de magias antigas não usuais hoje em dia.
Remus atravessou a porta, seguido por Sirius. Ava, ao atravessar a porta por último, sente o livro desaparecer de suas mãos. – O quê?! – ela se vira, procurando com o olhar o livro desaparecido. – Sirius, o livro sumiu! Droga... – a bruxa retorna a mesa, onde havia algumas pilhas de livros. – Oh, ele está aqui, como é possível...
Lupin comenta: - Deve haver algum feitiço, impedindo que esse livro saia... ou qualquer outro. – O bruxo entra novamente na biblioteca, pegando um livro qualquer e tentando sair com o objeto. A mesma cena se repete, agora com ele: o livro desaparece de suas mãos. – Sim, é com todos.
-O Sr. Sheppard não é nada burro. – disse Sirius. – E essa é uma ótima notícia, Ava: seu irmão ou Voldemort não puderam retirar nada daqui, se é que chegaram a localizar a biblioteca oculta.
-Não localizaram, Sirius, - disse a bruxa - senão Edouard teria levado a chave pendurada com ele, para acionar a porta sempre que quisesse. – Ava fez uma pausa. – Isso é fantástico, e ao mesmo tempo frustrante... talvez o que procuramos não esteja aqui, ou seja, não foi nesses livros que Voldemort conheceu o feitiço que me lançou.
-Não penso assim. – discordou Remus. – Essa biblioteca possui um conhecimento valioso, antigo, de uma era que não existe mais, quando existiram os maiores e mais poderosos bruxos. Seus escritos estão aí, guardados para que todas as gerações sejam beneficiadas com tamanha sabedoria. Acho impossível que não haja nada que possamos usar contra Voldemort e contra o feitiço que lançou contra você.
Ava suspirou: - Você tem razão, meu amigo. Não podemos desistir, não posso desistir. – ela sorri. – Vamos jantar... senão vai ficar tarde.
Saíram da biblioteca e a bruxa acionou a chave, fazendo desaparecer a porta. Ela diz: – Agora que percebo que voltei e não tomei um belo banho, estou cansadíssima! Vão indo, me troco bem rápido.
Ao ficar só, Ava chama Kairi, que desaparata no quarto. – Prepare meu banho, Kairi, por favor.
-Sim, Menininha, num segundo ficará pronto, sim, num segundo. – e correu para o banheiro.
Ava abriu sua mala e sorriu: não tinha como organizá-las no guarda-roupa, devido ao feitiço da mãe de Sirius nas roupas de Regulus. “Regulus...” Ela se lembrou do quadro, onde havia um lençol cobrindo-o em toda sua extensão. A bruxa separou algumas peças de roupa, colocando-as na cama, e se dirigiu ao quadro, o descobrindo.
Regulus estava deitado no sofá, roncando levemente, com a boca parcialmente aberta. “Depois conversamos, meu amigo. Talvez antes de dormir...” e a bruxa recoloca o lençol, indo para o banho já preparado por sua elfa.
Quando Ava desceu, vinte minutos depois, viu que à mesa já estavam reunidos os garotos Weasley, Hermione e Harry, em uma conversa animada sobre o campeonato de quadribol daquele ano. Kairi estava próxima a Sra. Weasley, ajudando a preparar o jantar e reservando um prato especial para sua senhora. Remus e Sirius chegam naquele momento: tinham estado na biblioteca dos Black. Ava cumprimenta a todos, em especial Harry, dando-lhe um beijo na testa, o que deixa o garoto corado. Sirius desarruma o cabelo do garoto como cumprimento.
-Quer alguma ajuda, Sra. Weasley? – se oferece Ava.
-Oh, não, não é necessário! Sua elfa doméstica é excelente, fizemos tudo num instante. – disse ela sorridente. – Ah. – acrescentou baixinho. – Pode me chamar de Molly, se quiser, é claro.
Ava sorriu. – Só se me chamar de Ava.
-Então está tudo certo, Ava. Não precisamos de tantas formalidades, não é? Sente-se! – e mostrou a cadeira, ao lado de Sirius. – Já vou servir.
-Como foi hoje, Molly? Alguém da Ordem veio aqui?
-Vieram sim, Ava. Moody esteve três vezes aqui, até almoçou. Professor Snape veio só de manhã pegar uns papéis, o Shacklebolt veio à tarde, procurando pelo Sirius. – ela baixou o tom de voz, somente para a bruxa e Sirius ouvirem. – Eu disse o que vocês estavam fazendo, então ele não quis interromper. Parece que meu Arthur irá falar algo, quando chegar.
Tonks, com cabelos azuis, adentra a sala, seus olhos percorrendo a todos até parar em Lupin. – Olá, tem lugar para mais um?
-Oh, que bom que chegou, Tonks. – diz Molly. – Sente-se aqui, ao lado de Remus. – e apontou para uma cadeira vaga.
Molly e Kairi serviram a todos o jantar, enquanto a matriarca comentava sobre o recebimento da carta de Hogwarts a todos, com a lista de materiais a serem comprados no Beco Diagonal. – Ah, terei que ir amanhã, fazer as compras. Quantas coisas para preparar!
-Você irá amanhã? – pergunta Ava. – Gostaria de ir também, se não se importasse. Preciso passar em Gringotes e também comprar algumas coisas para mim.
-Ótimo, será excelente – concorda Molly. – Desta vez não levarei nenhum dos meninos comigo, ah, eles me deixam maluca com o que eles aprontam, sempre somem da minha vista...
-O Harry irá comigo, se ele quiser e a senhora não se importar – comenta Ava. – Remus, Sirius e Tonks também, claro.
-Eu quero sim! – concorda Harry, muito sorridente, deixando Molly aborrecida.
-Eu não posso, Ava – lamenta Tonks. – Eu tenho trabalho... Mas Remus irá, não é?
Ele balança a cabeça afirmativamente, mas se incomoda com algo: - Ava, Sirius não pode sair... será arriscado alguém desconfiar...
-Que ele é um animago? Oras, Remus, e quem sabe disso além de nós? Como desconfiariam? Você tinha me dito que os aurores que estão na Ordem da Fênix tinham deixado pistas falsas, que ele teria sido visto na Romênia!
-Mesmo assim é arriscado... As pessoas podem juntar um mais um...
-Nada disso, Moony! – intervém Sirius – Irei disfarçado como cachorro da família Weasley! – e piscou para Molly.
Rony engasga sua comida, morrendo de rir, respingando em Hermione, que dá um soco no seu braço. Fred e George comentam um “não me passe pulgas”, Ginny pede para a mãe comprar uma coleira bonita para o animago, com o nome “Snuffles”.
-Ah, não! – protestou Ava. – Meu noivo não terá nome de batatinhas fritas... – disse rindo, dando uma piscadela.
Todos ao mesmo tempo disseram um “Aaaaaaaaah”. “É Ruffles o nome!”, avisa George e Fred já cogitava se o Sirius era crocante. “Não deve ser, mais faz a maior onda...”, completa George. “Do jeito que é magro, é batata palito...”, interrompe Fred, “não”, discorda George, “é batata ‘fogo de’ palha...”... muitas risadas irrompem a mesa.
-Ora, está vendo, Ava? Agora não sou mais Snuffles, e sim Ruffles, o fogo de palha... – queixa-se Sirius, divertido.
-Ok, eu errei... mas que coisa... – disse Ava, rindo, se rendendo as palhaçadas dos gêmeos. – Se não pararem, vou me vingar nas minhas aulas. – ameaça a bruxa ainda rindo.
Fred diz: - Ah, as aulas... sabe, eu e George estamos fazendo um bolão aqui. Quem adivinhar qual será a sua matéria, ganha.
-E em qual matéria o pessoal está apostando mais?
Os gêmeos se entreolham, recomeçando a rir. – Uma aula muito peculiar, digamos que será uma matéria nova em Hogwarts.
Ava arquea as sobrancelhas, se preparando para o que ouviria: - E qual seria?
- Uma profissão muito popular entre os trouxas, segundo Hermione: adestramento de cães.
Tonks chora de rir em sua cadeira da expressão que Sirius fez ao ouvir os gêmeos. Molly repreende os filhos:
-Cheguem dessas brincadeiras! George, Fred, já jantaram? Então deixem os outros comerem sossegados. Rony, chega de repetir o prato...
“Hum.. não sabia que você era adestradora”, comenta Sirius baixinho, somente para sua noiva ouvir. “Isso é uma grande mentira, Sirius.” – diz a bruxa - “Desde quando você é adestrável?”
-...Sim, então amanhã iremos todos! – concluiu Molly, um tanto irritada. – Exceto meus filhos, claro. – e uma algazarra de reclamações encheu o ambiente.
Naquele momento Sr. Weasley aparece, retornando do trabalho no Ministério. Tinha uma expressão cansada e séria ao se sentar à mesa.
-Más notícias, Arthur? – pergunta Sirius.
-Sim... mas não vou estragar o jantar de vocês. Depois quero conversar com você e com Ava.
O animago e a bruxa se entreolharam, apreensivos.
Após o jantar, Sr. Weasley chama os dois para a biblioteca, juntamente com Molly. Ele tinha o Profeta Diário daquele dia nas mãos, e o entrega a Sirius.
-Aí tem umas notícias bem desagradáveis. Sobretudo sobre você, Ava. Mas cita várias vezes, também, o nome de Sirius Black.
Sirius olha a primeira página, que continha a seguinte notícia em destaque: “O retorno da fiel seguidora de Você-Sabe-Quem” e em um quadro menor: “Testemunhas afirmam que a herdeira dos Sheppard tem se encontrado com Sirius Black”. Em outro quadro, outra chamada: “Comprovado: Srta. Sheppard é madrinha do Menino-Que-Sobreviveu”.
Ava analisa as chamadas e franze o cenho: - Hum... provavelmente me viram no Caldeirão Furado e resolveram investigar minha vida... mas isso iria acontecer, mais cedo ou mais tarde.
Sirius lê em voz alta um dos artigos:
“Descobriu-se, há alguns dias, que a famosa herdeira dos Sheppard, Ava Wezen Sheppard, retornou incógnita a Inglaterra após quase 13 anos desaparecida.Cogitou-se, à época do seu desaparecimento, que a herdeira tenha fugido do inquérito do Ministério, visto que se desconfiava da sua ligação com Você-Sabe-Quem. Ainda mais que seu noivo, Sirius Black, havia sido preso por aurores por ter assassinado Peter Petigrew e dezenas de trouxas a mando d´Aquele-que-não-deve-ser-nomeado...”
-O Ministério nunca teve sequer uma prova para que eu merecesse ser tratada como ‘suspeita’. – disse Ava, incomodada. – Devo esperar que, quando assumir meu posto em Hogwarts, o Ministério me chamará para um interrogatório.
“O irmão da Srta. Sheppard, Edouard Alphard Sheppard, continua desaparecido. O Ministério deu-lhe como morto após a queda de Você-Sabe-Quem, porém, com o retorno da irmã, acredita-se que muitas coisas serão reveladas.”
-Estão vendo? Me chamarão, é claro. E tenho certeza que meu irmãozinho continua vivo, servindo lealmente o senhor dele.
Arthur questiona: - Como tem certeza, Ava? Como ter certeza, também, se Pettigrew continua vivo? Você-Sabe-Quem não é piedoso e, se eles não servirem mais para ele, eliminá-los não será problema.
-Edouard sabe ser útil, Sr. Weasley. E Peter é tão covarde, que é sempre útil ter alguém tão medrosamente fiel.
Sirius balança a cabeça: - Harry o viu no verão passado, Peter participou do ritual. Acho que isso não contei a vocês. – disse olhando para Arthur e Molly. – Em uma etapa do ritual, que contou com o sangue do garoto, também deveria ter a carne do servo, no caso o Peter. Ele decepou a sua mão.
Ava fica consternada. – Como Peter pode descer tão baixo? Fico pensando como não tínhamos percebido como ele era, em Hogwarts, e depois.
Sirius tinha uma expressão grave: - Eu quero ser a pessoa que o pegará. E vou pegá-lo. Seria bom para ele morrer antes, pois não serei bondoso.
-Deixe que o Ministério o pegue, Sirius, não se suje por causa daquele maldito. – diz Molly, preocupada.
-Não. – diz o bruxo, resoluto. – Ele vai morrer e por minhas mãos. Devo isso ao James, a Lillian e, agora, ao Harry.
Ava olhava fixamente para ele, com uma olhar indecifrável. – Eu vou te ajudar, Sirius. – e olha friamente para os Weasley. – Não sou piedosa. Peter deve morrer, e também Voldemort. – e fez uma pausa. - E também meu irmão. E quero muito ter participação nisso.
Arthur suspira pesadamente, antes de falar: - Sabe, não os condeno por isso. Vocês tiveram a vida totalmente arrasada por eles. Eu e Molly ficamos é preocupados com as conseqüências. Se os matarem, serão presos, não importa se foi por uma boa causa. Sirius, você é um foragido da justiça! Ava, você será uma professora, dará aulas a crianças!
-Sr. Weasley, - responde a bruxa - estou lá para cuidar de Harry e sim, serei uma boa professora enquanto isso. Mas não teremos sossego enquanto eles viverem, Voldemort e sua corja. Não é apenas porque meus amigos morreram, ou porque eu estou presa indefinidamente aquele bruxo, mas ele destruirá cada vez mais, com sua sede de poder irracional. Eu e Sirius não esperaremos os aurores fazerem o trabalho. Agiremos por conta própria, seja pela Ordem ou não.
-Vá com calma... – aconselhou Molly. – Primeiro ache o contrafeitiço. Depois pense nisso.
-Não temo a morte, Molly. – disse Ava friamente. – Se eu tiver uma oportunidade, eu o matarei.
Arthur, resignado, volta seu olhar para o jornal. – Há mais notícias sobre você no Profeta Diário.
“Ava W. Sheppard era noiva de Sirius Black à época da morte de Você-Sabe-Quem, hoje fugitivo de Azkaban. Especula-se que, atualmente, os dois estejam se encontrando as escondidas. ‘Eles eram muito apaixonados, eu me lembro que, em Hogwarts, era difícil ver Black sem a companhia da Srta. Sheppard.’, conta um ex-aluno, contemporâneo do casal. ‘Black sempre ia para a casa Sonserina, talvez ele tenha se arrependido de ter ido para Grifinória. Como sabem, ele foi o único da família que não era sonserino.’, comenta outro ex-aluno...” E o jornal discorreu sobre as diversas testemunhas do romance.
-Só bobagens. – concluiu Arthur. – Há outra chamada, informando que o Harry é seu afilhado, mas isso não era segredo para ninguém.
-Parece que querem ligar Harry a qualquer coisa obscura. – disse Sirius. – “Antes, era ‘coitadinho, tem um padrinho condenado e uma madrinha desaparecida’ e agora: ‘Harry tem fortes ligações com dois suspeitos’.” Eu realmente detesto esse jornal.
Ava concorda e acrescenta: - Sinto que, com toda essa campanha contra Harry na imprensa, ele sofrerá muito em Hogwarts.
-Imagina, Ava. – discorda Molly. – São apenas crianças, não farão nenhum mal a ele.
A loira sorri tristemente – As crianças tendem a ser tão cruéis quanto os adultos.
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O Beco Diagonal estava cheio, em sua maioria, de pais com seus filhos, listas a mostra, entrando e saindo de cada loja com gaiolas, ou livros, ou vassouras, corujas, ratos, ou qualquer coisa que a escola, ou os garotos, exigiam.
Os Weasley vieram, Sra. Weasley e seus filhos. Eles tinham conseguido convencê-la pelo cansaço e agora Molly tentava certa organização na rua. Porém logo os gêmeos desapareceram, se enfiando em alguma loja da moda, deixando a mãe deles aborrecidíssima.
Ava e Remus caminhavam lado a lado, com certo cão negro no meio, que vez ou outra saltava neles, quase os derrubando.
Harry e seus amigos iam logo atrás, e o garoto observava sua madrinha. Sentia muito orgulho do quanto ela era elegante, de maneiras finas, atitudes firmes, e ao mesmo tempo muito meiga. Rony, sempre que podia, elogiava a madrinha do amigo e dizia o quanto ele era sortudo: - Sim, Harry, e minha mãe disse que ela era muito rica. Cara, você deve estar montado na grana!
-Rony! – repreendeu Hermione. – Você só pensa nisso? Ele tem sorte é por ter uma madrinha muito atenciosa e preocupada.
-Isso você diz porque é filha única, Mione, e tudo é para você. – emburrou o ruivo.
Molly chama a atenção dos meninos: - Dêem-me suas listas, irei comprar os livros para todos de uma vez... Ah, Harry, obrigada, esse dinheiro deve bastar. Hermione, obrigada também, o dinheiro está certo.
Ava intervém: - Oh, Harry, deixa que eu pago suas coisas. Não gaste seu dinheiro com seu material. – ela retira uma bolsinha, cheia de galeões, e separou algumas moedas. – Eis aqui o valor que você deu para Sra. Weasley. Compre sorvete com isso, para você e para seus amigos.
Rony deu um belo sorriso e olhou para Hermione, como se dissesse “Está vendo?”.
-Ava, irei comprar os livros para os meninos – informou Molly. - Quer vir conosco?
-Não posso, tenho que ir a Gringotes primeiro resolver um assunto pendente. Harry, meninos, gostariam de ir comigo e com Remus?
-Ah, e o sorvete? – queixou-se Rony, levando um tapinha de Hermione.
-Podemos ir depois. – disse Harry, querendo passar todo tempo possível com seus padrinhos e com seu ex-professor.
-Creio que será rápido, Rony. – avisou Ava. – E também iremos a um costureiro. Vocês precisam de roupas novas. – disse avaliando de acima abaixo os garotos.
-Anh... – Rony corou. – Não tenho dinheiro, Srta.
Ava sorriu. – Eu sei disso, por isso irei pagar. E Hermione me ajudará com a escolha, não?
-Claro! – disse a garota sorridente.
-Então vamos! – e foram em direção ao banco, com um cachorro negro saltitante.
O trio ficou do lado de fora do banco, visto que alguém teria que ficar com Sirius. Quando o cachorro preto se afastou um pouco, tentando alcançar um pássaro perto de um muro, Hermione disse em voz baixa:
-Harry, eles te falaram o que fizeram ontem?
-Eles nunca me contam nada, essa é a verdade.
Rony opina: - Se não contam, é porque não é para gente saber, Mione.
-Discordo, Rony! –impacienta-se a bruxinha – Tenho certeza que foi missão da Ordem. E a Ordem luta contra Você-Sabe-Quem. Nós somos contra ele também, portanto... estamos do mesmo lado.
-E?
-E temos que saber o que está se passando! Temos experiência na luta contra as trevas. – concluiu orgulhosamente.
Rony sufocou o riso e Harry interveio – Acho que eles têm bem mais que a gente...
-Que viagem, Mione! Nunca vão nem pensar no assunto!
Naquele momento, o cachorro preto reaparece, pulando em cima de Harry e lambendo seu rosto. – Eca! – diz Hermione, se afastando do grupo.
Dentro de Gringotes, no meio do hall, Ava tentava convencer seu amigo a não desistir do que tinham combinado há algum tempo: - Remus, você tinha concordado. Vou transferir um quarto do meu dinheiro para você.
-Ava, vamos desistir dessa loucura. Eu não sei porque acabei concordando... Esse dinheiro é todo seu, e será também de Sirius e de Harry...
A bruxa observara que as roupas do amigo andavam em petição de miséria. Havia muitos casacos remendados, sapatos com solado gasto, gravatas desbotadas. Naquela manhã ele estava com sua melhor roupa e, mesmo assim, era visivelmente gasta. Além do mais, Ava tinha um palpite que ele poderia casar-se em breve com certa moça de cabelos azuis, ou pink, que seja, e ele precisaria de um bom dinheiro para começar a vida de casado.
-É muito dinheiro sim, Remus, mas não será tudo que tenho. Um quarto, apenas. Por favor, não me negue isso. Você é como irmão para mim, você sabe disso. – ela olhou fixamente para ele. – Remus, você não tem emprego, suas economias acabaram, eu sei disso. Não é constrangimento nenhum eu pagar roupas para o meu afilhado, e de quebra para o melhor amigo dele, mas para você vai ser constrangedor. - ele arregala os olhos. – Sim, se você não aceitar, eu começarei a comprar roupas para você, escovas de dente, sapatos, enfim, tudo! Acho que aí a vergonha será infinita, que acha? – ela termina cruzando os braços, em desafio.
-Ah, chantagista... – ele cedeu, já sorrindo. – Você não mudou nada, Ava Sheppard.
-Pelas pessoas que eu amo faço tudo que for possível, Sr. Lupin. – ela sorriu e o abraçou ternamente.
-Está bem. Vamos falar com um dos duendes.
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-Nossa, esse sorvete está ótimo! – disse Rony, com uma taça imensa com sorvete de vários sabores. Tinham ido à Madame Malkin e encomendado diversas roupas para Rony e Harry e Ava aproveitou para encomendar várias pra si mesma, para todas as ocasiões, sob medida. Essas estariam prontas na próxima semana e seriam entregues já em Hogwarts.
Harry também tinha pegado uma taça maior, mas viu que não ia agüentar. Ava ria da expressão dos dois, um ávido por mais, o outro já enjoado. Hermione comia com elegância seu sorvete de dois sabores, observando enjoativamente o rosto de Rony todo melecado.
-Rony, passe do lado esquerdo. – disse Ava, oferecendo um guardanapo. – Isso, agora está limpo. – e piscou para Hermione.
O cachorro negro, que estava sentado no chão ao lado da bruxa, deu um latido, indicando que queria também sorvete. Alguns transeuntes apontavam para ele e achavam engraçado. – Nada disso, Padfoot, – disse Remus baixinho - cachorros não comem sorvete. – o cachorro latiu mais, em protesto, e todos riram.
-Se deu mal, Si... – Rony rapidamente se corrigiu – Snuffles.
Ava, com pena, fez carinho no cachorro, que abanava a cauda.
Ali perto se aproximava da sorveteria um garoto e sua mãe. Ela era de altura média, loura, muito pálida, elegante e com uma expressão no rosto que poderia ser classificada como “enojada”. Seu filho, também louro, mais alto que ela, andava com muita determinação e certa arrogância.
-Ora, se não é o testa rachada e seus amigos: a sangue-ruim e o pobretão. – era Draco Malfoy que tinha se aproximado deles.
Ava observa calmamente o garoto a sua frente e também a mãe deste, que logo alcança o filho. – Como vai, Narcissa? Vejo que não ensinou a seu filho bons modos.
A mulher loura iria responder grosseiramente, mas de repente arregala os olhos, não acreditando no que via. – Ava? Ava Sheppard? Então os jornais não mentiam...
Ava se levanta e aproxima-se da bruxa lentamente. – Sim, sou eu, Narcissa. Retornei do meu exílio.
Narcissa parecia ter perdido a fala e ficara mais pálida que de costume. Draco observava a desconhecida e reconheceu, pelas maneiras dela, que era da ‘nobreza’.
-Ava, ele já sabe?! – questionou a Malfoy em voz baixa.
-Não sei, mas conte assim mesmo – Ava sorriu maldosamente. – Que todos saibam, Narcissa, que eu voltei. E não para ele, e sim contra ele e contra todos que se colocarem no meu caminho.
Narcissa acena discretamente com a cabeça e arrasta seu filho para longe, sob protestos deste.
-O que aconteceu? – questiona Hermione – Quem é ele?
-É Voldemort. – respondeu a bruxa, sem alarde, voltando a se sentar. A garota e Rony estremecem – E é somente isso que responderei, no momento. Terminem os sorvetes, já está ficando tarde. Dumbledore estará em casa daqui a duas horas.
Um grupo de estudantes passa por eles, e um deles cochicha algo para o outro, observando Harry. Todos se afastam rapidamente.
-Bom, de herói nacional a mentiroso nacional – comenta Harry, amargo. – Isso não é fabuloso?
A madrinha de Harry compreendia o afilhado, ainda mais lendo as notícias de ontem. As calúnias e boatos maldosos que o Profeta Diário publicava diariamente sobre seu afilhado se intensificavam, o desacreditando de toda revelação sobre o retorno de Voldemort. Era claro para ela que, mais cedo ou mais tarde, o bruxo das trevas se revelaria, mas poderia ser tarde demais para toda comunidade bruxa. Ter-se-ia que forçar uma revelação o quanto antes, antes de ele reunir forças muito poderosas ao seu redor.
Um bruxo estava encostado a uma loja do lado oposto da sorveteria, lendo um jornal. Remus notou que, vez ou outra, ele olhava por cima das páginas. – Temos um espião, Ava. – comenta ele baixinho. – Não olhe agora, mas é aquele bruxo com jornal, a sua direita.
Disfarçadamente, a bruxa observa o suposto espião. Ele abaixou o olhar para sua leitura, mas sempre que podia espiava a sorveteria. “Hum... provavelmente vigiando Harry... ou a mim... vamos ver o que posso fazer”, pensou. Ela se concentrou em algo como coceiras incontroláveis, e o bruxo “espião” começou a se coçar, primeiro discretamente, mas chegou um momento em que ele teve que largar o jornal e sair correndo, procurando algo para se aliviar.
-Nossa, que bruxo estranho! – comentou Rony, vendo o homem sair correndo. – Se os gêmeos estivessem aqui, eu juraria que eles enfeitiçaram aquele homem.
-Acabou, Rony? – perguntou Ava, se levantando. – Vamos sair, então? Temos que achar a Sra. Weasley, os gêmeos, e aí partiremos.
Não foi difícil localizar Molly, ela estava tendo algumas dificuldades em equilibrar magicamente tantos livros, por causa da multidão de pessoas aglomeradas pelas ruas.
-Molly, reduzir os livros daria um belo jeito – comentou Remus, erguendo a varinha e, sacudindo elegantemente, todos os livros se reduziram minusculamente. – Pronto, agora cabe no bolso.
-Ah, Remus, o que seria de mim sem sua esperteza? Tinha me esquecido completamente disso. – disse Molly felicíssima. – Terá que me ensinar depois, hein? Rony, onde estão os gêmeos? Precisamos ir embora! – berrou a bruxa.
O retorno a Grimmauld Place deu-se tranqüilamente. Logo Ava percebeu uma coruja aguardando na janela, do lado de fora. Quando o animal viu a bruxa, começou a bicar o vidro insistentemente. A mensagem era pra ela.
-O que diz? – perguntou Sirius.
-Que pena – disse a loira, desapontada. – Dumbledore não poderá vir hoje, nem tão cedo. Tem uma missão de última hora, inadiável e urgente. Ele diz que estará de volta, a tempo, para o primeiro dia em Hogwarts. Recomenda que procuremos sozinhos, e com afinco.
-Procurar o quê? - questiona Molly, aproximando-se deles.
-Os livros da biblioteca oculta, Molly – diz Sirius bem baixinho.
-Eu posso ajudá-los, se quiserem. – ofereceu a Weasley.
-Chamaremos, se precisarmos – cortou delicadamente a loira.
Kairi chega neste momento, para ajudá-la a retirar o casaco e levá-lo ao quarto.
-Gostaria que Monstro fosse assim. – resmunga Sirius. – Elfo inútil...
Hermione chega nesse momento e recrimina o bruxo: - Isso é um crime, o tratamento dado a esse elfo, velho e cansado, é desumano...
-Ele não é humano, Mione... – alerta Rony.
-Anh... eu sei! – ela tinha corado – Isso foi força de expressão!
-Teremos que achar uma solução para o Monstro – comentou Ava -, visto que Sirius não o acha conveniente e também o elfo mereceria uma casa e um dono melhor.
-Como assim um dono melhor? - perguntou Sirius.
-Um dono que se importe com ele já seria “um dono melhor”. E ficar o destratando, Sirius, é piorar a situação pra todos – concluiu a loira.- Ele sabe muito de nossas atividades aqui e não há nada que o impeça de nos delatar.
Sirius bufou, segurando-se para não responder agressivamente. – Tudo bem, vamos ver.
Parte daquela tarde e a noite Sirius, Remus e Ava ficaram na biblioteca oculta, separando livros e livros que poderiam conter algo relacionado a feitiços de matrimônio. Os volumes descartados naquela primeira triagem iam para uma estante só para isso, os isolando dos demais. A bruxa observava as prateleiras e tinha notado algo estranho nelas: - Sirius, é impressão minha, ou tem mais livros que ontem?
-Notei isso também. Eles estão se multiplicando, ao que me parece.
-Não. – replicou Remus. – É como se estivessem ocultos e, de alguma forma, estão se revelando aos poucos.
Ava ergue as sobrancelhas. – Isso quer dizer que nunca terminaremos esse serviço. – suspirou profundamente. – Não acredito... cada hora uma novidade diferente – e balançou a cabeça.
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Eram os últimos dias em Grimmauld Place. Logo os adolescentes estariam em Hogwarts por longos meses antes de retornarem para seus lares. Ava também se preparava para sua ida à escola, organizando as lições para os alunos. Mantinha segredo do seu curso até para Harry, mas avisava que seria uma grata surpresa.
A bruxa notava a tristeza crescente de Sirius. Andava resmungando, com mau-humor, queixando-se de qualquer coisa. Ela sabia que ele sofria por antecipação, pois esses longos meses significariam para o bruxo uma profunda solidão. Teve que prometer que todo final de semana estaria em Grimmauld Place, o visitando. Remus continuaria a morar com ele, fazendo companhia.
-Estou com você há tão pouco tempo, e você já deve partir... não acho justo. – queixou-se Sirius. Ele estava deitado com ela, no quarto da bruxa. Lupin com eles, sentado na poltrona, lendo um livro à luz difusa, no incômodo papel daquele que “segura vela”. O quadro de Regulus estava sem o lençol e o garoto observava a todos em silêncio.
-Não será por muito tempo, querido. – disse ela suavemente, enquanto acariciava os cabelos dele. – Se eu não voltar neste próximo fim-de-semana, no outro eu virei com certeza.
Sirius se ergue, aborrecido. – Mas já não vem no fim-de-semana? Droga...
-Eu darei aulas, Sirius. Não sei como será a dinâmica Hogwarts como professora, claro.
O bruxo volta a deitar perto dela, ainda chateado. Ela deposita um beijo na testa dele, com muita ternura. – Eu sei de um feitiço muito bom, que permitirá que a gente se comunique mesmo a distância. - e ela sorriu.
Remus ergueu os olhos do livro curioso.
-Conte-me, então. – disse Sirius, fingindo certo desinteresse.
Ava se ergueu, ficando sentada na cama. Ela levantou sua varinha em direção ao seu noivo – Fique sentado, Sirius, e erga sua varinha e aponte para mim. Isso. – Ava respirou fundo. – Essa magia permitirá que eu fale com você onde eu estiver e você comigo, também onde estiver. E apenas nós ouviremos. Entendeu? – Sirius balançou a cabeça, em concordância. – Isso funciona em pessoas com ligações muito fortes, como os casais. Agora, repita minhas palavras: “Connexio extremus!”. – Ele repetiu.
Uma luz lilás envolveu o casal, circulando em volta deles algumas vezes. E logo desapareceu, o quarto voltando a ficar obscuro novamente.
-Só isso? – questionou Remus.
Ava sorriu – Sim. É bem simples, mas só funciona com as pessoas, como falei, “que tem ligações muito fortes”.
Sirius observava a si próprio, tentando ver algo de diferente. – Não sinto nada de anormal em mim, funcionou mesmo?
Ava rola os olhos, impaciente.
Eles fazem vários testes, se comunicando a distância. Remus, nessa altura, dormia desconfortavelmente na poltrona, o livro já caído no chão. Regulus também se entediou rapidamente e dormia no chão de seu quadro, encolhido, talvez sentindo frio.
“Você é bobo, Sirius. Não sabe nem controlar seus pensamentos...” – queixa-se mentalmente Ava, corada, para Sirius. Ela estava no banheiro, longe da vista dele.
“Não tenho culpa... não ache que eu penso em você inocentemente.” – responde Sirius, sorrindo no corredor, concentrado em ouví-la.
“Desfazer conexão” – pensou Ava e a conexão deles foi interrompida.
-Ei! – protesta Sirius, entrando no quarto. – Eu estava me divertindo!
-Estou cansada, vou dormir. – e apontou a saída. – Boa noite.
Ele suspira cansado. – Boa noite. – dá um beijo em Ava e se direciona a Remus. – Acorda, vamos!
-Boa noite aos dois... – disse a bruxa empurrando suavemente os bruxos para fora.
Ao fechar a porta, suspira suavemente. Amanhã estará em Hogwarts.
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Nota da autora: mais um capítulo... êêê...
Não sei latim, andei pesquisando algumas palavras para formar alguns feitiços. Se estiver errado, me avisem, ok?
Gente, nenhuma nova review????? Ah, vou me suicidar!! *pega uma faquinha para manteiga* snif...
Próximo capítulo: Hogwarts!
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