Harry se impacientava cada vez mais ao ver que Gina não retornava imediatamente ao torreão. Escutou o relatório do Erin em relação à possibilidade de uma aliança entre os Dunbar e os Maclean, mas sua mente não estava nisso. Erin lhe estava dizendo o que já sabia, e só repetia o relatório por Dumbledore. O líder do conselho não tinha acreditado que tal união fora possível, já que tanto o latifundiário Dunbar como o chefe Maclean eram muito anciões e muito apegados a seus hábitos para ceder poder ante outro clã. Agora, ao escutar o relato de Erin da reunião que ele em realidade tinha presenciado, Dumbledore ficou totalmente convencido.
E Gina ainda não tinha retornado. O instinto do Harry lhe dizia que algo mau estava acontecendo. Disse a si mesmo que simplesmente Gina teria perdido a noção do tempo. Provavelmente estava sentada à mesa de Hermione, absorta na discussão de algum tema, e não se deu conta do passado do tempo. Entretanto, a razão não matou a preocupação.
Já não pôde ficasse quieto. Não anunciou sua intenção de deixar a mesa. Simplesmente ficou de pé e se dirigiu à entrada.
-Aonde vai, Harry? -perguntou Dumbledore-. Temos que formar um plano agora.
-Não vou demorar muito - respondeu Harry-. Vou procurar Gina. Já deveria ter retornado.
-Provavelmente perdeu a noção do tempo - sugeriu Sirius.
-Não.
-Então, está-te provocando? -perguntou o guerreiro, sorrindo ante aquela possibilidade-. Essa mulher é obstinada, Harry. Talvez não gostou de sua ordem.
Harry fez um gesto com a cabeça. A negativa foi veemente.
-Não me desafiaria.
Sirius ficou de pé bruscamente. Inclinou-se ante o Dumbledore e logo correu depois do chefe. Harry tomou o atalho para a cabana de seu irmão. Sirius montou seu cavalo e tomou o caminho mais largo, rodeando as árvores.
Harry a encontrou primeiro. Estava desabada sobre o chão, deitada de lado e a única parte visível de seu rosto estava coberta de sangue.
Não sabia se estava morta ou viva. E nesses segundos que demorou para chegar junto a ela, esteve consumido pelo terror. Foi incapaz de raciocinar nada. Só um pensamento lhe corria pela mente. Não podia perdê-la. Não agora, não quando acabava de entrar em sua sombria vida.
Seu rugido de angústia se ouviu pelas colinas. Os homens chegaram correndo, com as espadas na mão, preparados. Ronald acabava de sair pela porta da cabana com sua esposa quando ouviu o arrepiante som. Empurrou para dentro Hermione, ordenou-lhe que jogasse o ferrolho à porta, girou e subiu correndo a colina.
Harry não se deu conta de que tinha gritado. Ajoelhou-se junto a Gina e a voltou com suavidade até que ficou de costas. Gina deixou escapar um suave gemido. Foi o som mais doce que Harry tinha escutado em sua vida. Não a tinham matado. Começou a respirar outra vez.
Os homens se reuniram em um semicírculo a seu redor. Observaram como o chefe lentamente revisava Gina para saber se tinha algum osso quebrado.
Sirius rompeu o silêncio.
-Que diabos aconteceu?
-Por que não abre os olhos? -perguntou Dudley ao mesmo tempo.
Ronald abriu passo a empurrões através da multidão e se ajoelhou junto a seu irmão.
-Vai se recuperar?
Harry assentiu. Ainda não se animava a falar. Chamou-lhe a atenção a inflamação da têmpora de Gina. Afastou o cabelo com delicadeza para ter uma melhor visão.
-Bom Deus - sussurrou Ronald quando viu a ferida-. Poderia ter morrido com a queda.
-Não se caiu. -Harry fez essa declaração com a voz, tremendo de fúria.
Ronald estava aturdido. Se não havia caido, o que lhe tinha acontecido?
Sirius respondeu à pergunta antes que Ronald tivesse tempo de fazê-la.
-Alguém lhe fez isto - disse. Ajoelhou-se ao outro lado de Gina e brandamente começou a lhe limpar o sangue da bochecha com o bordo do tartán -. Olhe as pedras, Ronald. Há sangre nelas. Isto não foi um acidente.
Harry necessitou cada grama de disciplina que tinha para que não deixasse a ira o dominar. Gina vinha primeiro. A vingança podia esperar. Terminou de revisar Gina para assegurar-se de que os ossos das pernas e tornozelos estavam ainda intactos e logo girou para tomá-la entre os braços. Ronald o ajudou.
Os dois irmãos ficaram de pé ao mesmo tempo. O olhar de Harry se posou em Sirius. A angústia que o guerreiro viu nos olhos de seu chefe era delatadora.
Harry não queria a Gina só em sua cama. Estava apaixonado por ela.
Gina estava encolhida contra o peito de Harry. Harry começou a subir a colina e de repente se deteve. Voltou-se para Sirius.
-Encontra a esse canalha. -Não esperou a que Sirius aceitasse a ordem. -Ronald, vá procurar Hermione. Gina a quererá a seu lado quando despertar.
A vibração da voz de Harry despertou Gina. Abriu os olhos e tentou entender onde estava. Tudo dava voltas a seu redor, fazendo que seu estômago sentisse náuseas e a cabeça lhe pulsasse com violência. Fechou os olhos de novo e deixou que Harry se ocupasse dela.
Não voltou a despertar até que Harry a deixou no centro da cama. Apenas Harry a soltou, Gina tratou de sentar-se. Imediatamente a habitação começou a girar. Aferrou-se ao braço de seu marido e se sustentou com força até que voltou a ver tudo com claridade.
Doía-lhe todo o corpo. Sentia que ardia as costas. Harry deixou de tratar de obrigá-la a deitar-se quando Gina se queixou dessa dor. Dumbledore entrou correndo à habitação com uma vasilha tão cheia de água que transbordava pelos lados com cada passo que dava. Hagrid o seguia com uma pilha de panos de linho.
-Fique a um lado, Harry. Deixe-me chegar até ela -ordenou Dumbledore.
-A pobre moça teve uma queda importante, verdade?-comentou Hagrid-. Sempre é assim de torpe?
-Não, não o é - respondeu Gina.
Hagrid sorriu. Harry não queria soltar a sua esposa.
-Eu me ocuparei dela - disse a Dumbledore-. É minha maldita seja.
-É obvio que sim - concordou Dumbledore, tentando aplacar Harry.
Gina levantou o olhar e olhou fixamente a seu marido. Estava furioso. Harry a machucava ao sustentá-la com tanta força.
-Minhas feridas não são importantes - anunciou Gina, desejando sinceramente ter razão na avaliação-. Harry, por favor, me solte o braço. Já tenho machucados o suficiente.
Harry fez o que lhe pedia. Dumbledore colocou a terrina sobre o arca. Hagrid empapou um dos quadrados de linho e o entregou a Harry.
Harry não falou enquanto limpava o sangue do rosto. Era extremamente suave. A ferida era profunda, mas Harry não acreditou que teria que costurá-la até que se curasse.
Gina ficou aliviada para ouvir aquilo. Não lhe agradava a idéia de que ninguém, nem sequer seu marido, pusesse-lhe uma agulha na pele.
Harry parecia estar acalmando-se. Logo, Hagrid o voltou a pôr de mau humor sem dar-se conta.
-É um milagre que não se ficou cega. Poderia haver-se arrancado o olho. Sim, é muito possível.
-Mas não o fiz - disse Gina quando viu que a expressão fria retornava aos olhos do Harry. Acariciou o braço de seu marido-. Está tudo bem - disse-lhe com um tom de voz tranqüilizador-. Já me sinto muito melhor.
Estava tratando de consolá-lo. Harry estava exasperado com ela.
-Vais se sentir melhor depois que colocar um pouco de bálsamo nas feridas. Tire a roupa. Quero olhar as costas.
Harry lhe deu essa ordem justa quando Dumbledore se inclinava para frente para colocar um pano molhado com água fria na inflamação da têmpora.
-Isto sustente com força contra o inchaço, Gina. Ajudará a tirar a dor.
-Obrigado, Dumbledore. Harry, não vou tirar a roupa.
-O golpe no flanco da cabeça a poderia ter matado - comentou Hagrid-. Sim, tem sorte de que não a tenha matado.
-Sim, vais tirar a roupa - disse Harry.
-Hagrid, por favor, poderia deixar de irritar ao Harry? Sei que não é sua intenção, mas o que poderia ter acontecido não aconteceu. Estou bem, sério.
-É obvio que está bem - concordou Hagrid-. Será melhor que a observemos de perto, Dumbledore. Poderia estar confusa durante um ou dois dias.
-Hagrid, por favor, disse Gina com um gemido-. E realmente não vou tirar a roupa -explicou pela segunda vez.
-Sim, o vais fazer.
Gina fez um gesto para Harry para que se aproximasse. Hagrid se aproximou com o Harry;
-Harry, temos... companhia.
Harry sorriu pela primeira vez. A modéstia de Gina era refrescante e o sobrecenho franzido que lhe dedicava lhe provocava vontades de rir. Realmente ficaria bem. Não teria estado tão zangada se a ferida na cabeça tivesse sido seria.
-Nós não somos companhias - disse-lhe Dumbledore-. Vivemos aqui, recorda?
-Sim, é obvio, mas...
-Vê as coisas em dobro, Gina? -perguntou Hagrid-. Recorda ao Victor, Dumbledore? Antes de cair via tudo em dobro.
-Pelo amor de... -começou Gina.
-Vamos, Hagrid. A moça está a ponto de estalar de rubor. Não ira tirar a roupa até que nos partamos.
Gina esperou até que a porta se fechou depois dos dois anciões antes de voltar-se de novo para Harry.
-Não posso acreditar que esperasse que tirasse a roupa em frente a Dumbledore e Hagrid. O que está fazendo agora?
-Estou-te tirando a roupa por ti - explicou com paciência.
A bravata de ira de Gina se desvaneceu. Foi o sorriso de Harry, é obvio. Teve que tomare seu tempo para notar que o sorriso o fazia ainda mais bonito, e logo foi muito tarde para discutir. Tinha-lhe tirado a camisa e se estava inclinando sobre ela, aguilhoando o machucado no centro das costas, antes que Gina tivesse tempo de lhe ordenar que se detivera.
-As costas estão bem – disse -. A pele não sofreu dano.
Os dedos de Harry marcaram uma linha ao longo da coluna. Sorriu ao notar os calafrios que causavam ao Gina as carícias.
-É tão suave e Lisa - sussurrou.
Inclinou-se e lhe beijou o ombro.
-Provavelmente Hermione esteja esperando abaixo para verte. Vou dizer ao Ronald que a faça subir.
-Harry, já estou completamente recuperada. Não necessito...
-Não discuta comigo.
A determinação de sua mandíbula e o tom de sua voz disseram a Gina que seria inútil brigar com ele. Pos a camisola porque Harry insistiu. Sentia-se ridícula usando a roupa de noite durante o dia, mas nesses momentos Harry precisava aplacar-se. Ainda parecia preocupado.
Hermione chegou uns minutos mais tarde. Dirigiu um olhar de fúria a Ronald para que saísse da habitação, já que a tinha levado nos braços escada acima e se queixou ruidosamente pelo peso que tinha ganho.
Hagrid e Dumbledore lhe serviram o jantar. Gina não estava acostumada que a mimassem. Entretanto, não teve nenhum problema em desfrutar de toda aquela atenção. Logo chegou Nimphadora para ver como ia e, quando Harry retornou, Gina estava exausta de tanta companhia.
Harry fez que todos partissem. Gina protestou pela metade. Ficou dormida minutos mais tarde.
Despertou uns poucos minutos antes do amanhecer. Harry estava dormindo de barriga para baixo. Tentou ser o mais silenciosa possível ao sair da cama. Tirou uma perna...
-Ainda te dói a cabeça?
Voltou-se para olhá-lo. Harry estava apoiado sobre um cotovelo e a olhava fixamente. Tinha os olhos um pouco fechados, o cabelo alvoroçados e tinha um aspecto rudemente atrativo.
Voltou a meter-se na cama e lhe deu um pequeno empurrão para que se deitasse e assim pode inclinar-se sobre ele. Beijou-lhe o sobrecenho franzido na frente e logo lhe mordiscou a orelha.
Harry não estava de humor para brincar. Grunhiu roucamente, envolveu-a com os braços e lhe capturou a boca para lhe dar um verdadeiro beijo.
A resposta de Gina o enlouqueceu. O beijo se voltou ardente, úmido e embriagador. A língua entrou com violência na doce boca de Gina para acoplar-se a dela, e quando finalmente Harry terminou com o erótico jogo de amor, Gina se desabou contra seu peito.
-Carinho, me responda. Ainda te dói a cabeça?
A preocupação estava ali, em sua voz, e realmente ainda lhe doía um pouco, mas não desejava que ele deixasse de beijá-la.
-Te beijar em realidade faz eu me sentir melhor -sussurrou.
Harry sorriu. O comentário era ridículo, é obvio. Entretanto, agradava-lhe. Estendeu-se e sfregou o nariz contra o flanco do pescoço.
-Excita-me - disse.
Gina deixou escapar um pequeno suspiro de prazer.
-Deseja-me, Gina?
Não sabia se devia atuar com acanhamento ou audácia. Aos maridos agradava que as esposas fossem tímidas ou audazes? Decidiu não preocupar-se com isso. Já tinha começado sendo audaz e a Harry não tinha parecido lhe incomodar.
-Desejo-te... um pouco.
Era tudo o que Harry precisava ouvir. Separou-se dela, ficou de pé e puxou Gina até que ficou junto a ele. Empurrou-lhe o rosto para cima para que o olhasse aos olhos.
-Vou fazer que me deseje tanto como eu desejo a ti -disse.
-Fará? Harry, já me deseja... agora?
Gina não entendia. Senhor era tão inocente. Tudo o que tinha que fazer era lhe jogar um bom olhar e não tivesse tido nenhuma dívida com respeito a seu desejo para ela. Entretanto, Gina não queria olhar. A vergonha não permitia. Harry decidiu mostrar-lhe Tomou a mão e a pôs sobre a firme ereção. Gina reagiu como se acabasse de queimar com fogo. Afastou-a com a velocidade de um raio. No rosto pôs da cor do carmim. Harry soltou um suspiro. Sua pequena e doce esposa ainda não estava pronta para liberar-se do acanhamento. Não ia insistir.
Era um homem paciente. Podia esperar. Beijou-a na parte superior da cabeça e logo a ajudou a tirar a camisola. Gina manteve a cabeça baixa até que Harry voltou a empurrá-la a seus braços.
Logo Harry começou a atraente tarefa de ajudá-la a livrar-se do acanhamento. Gina não respondeu da maneira que Harry tivesse querido quando lhe esfregou brandamente os ombros, os braços e as costas, mas quando começou a lhe acariciar com ternura as suaves nádegas, Gina deixou escapar um pequeno gemido de prazer, lhe fazendo saber sem palavras que ali era sensível às carícias.
Finalmente Gina começou a lhe explorar o corpo com a ponta dos dedos. Levou-lhe comprido momento chegar até a parte frontal. Harry já estava chiando os dentes com antecipação.
A agonia valeu a pena. A mão do Gina chegou à parte mais baixa do estômago. Vacilou e logo se moveu mais abaixo, até que esteve tocando a excitação dele.
A reação de Harry voltou mais audaz para Gina. Harry grunhiu roucamente do fundo da garganta e se aferrou com maior intensidade aos ombros dela. Gina lhe beijou no peito e tentou mover-se mais abaixo para poder lhe beijar o plano estômago. Não havia nem um grama de godura naquele corpo. Era tudo firmes músculos. encurvou-se quando Gina lhe beijou o umbigo. Teve que voltar a beijá-lo ali, só para voltá-lo louco.
Harry a deixou fazer até que chegou à virilha. Então a afastou e lhe beijou a doce boca. Foi um beijo comprido, firme e apaixonado. Entretanto, Gina ainda não o tinha abordado.
-Harry, quero...
-Não.
Sua voz era áspera. Não pôde evitá-lo. O solo pensar no que Gina desejava lhe fazer lhe dava ânsias de estar dentro dela. Entretanto, não estava disposto a encontrar primeiro a própria satisfação, e sabia com certeza que assim seria se Gina o tomava com sua boca.
-Sim - sussurrou.
-Gina, não o entende - começou, com a voz dissonante.
Os olhos dela estavam nublados de paixão. Aquilo aturdiu Harry. Gina estava se excitando só em tocando-lo? Não teve tempo para pensar nisso.
-Entendo que é meu turno - sussurrou ela. Endireitou-se e o beijou só para obter seu silêncio. A língua do Gina empurrou dentro da boca do Harry antes que este pudesse tomar o mando-. Permita-me - isso rogou.
Venceu. Respirou profunda e temporariamente e se esqueceu de soltar o ar. Gina era inocentemente torpe, maravilhosamente inexperiente e tão encantadoramente carinhosa que sentiu que havia morrido e ido para o céu.
Não pôde agüentar muito o doce tortura. Não tinha nem idéia de como tinham chegado à cama. Talvez ele a empurrou. Estava tão completamente fora de controle que não podia pensar em nada mais que agradá-la até que estivesse pronta para ele.
Os dedos dele empurraram dentro da estreiteza de Gina, e quando sentiu a líquida excitação, desapareceu sua compostura. Moveu-se entre as coxas dela lançando um rouco grunhido de pura exigência masculina.
E, contudo, antes de mover-se para fazê-la completamente dela, vacilou.
-Carinho?
Estava-lhe pedindo permissão. Essa idéia penetrou na confusão de paixão do Gina e lhe encheram os olhos de lágrimas. Deus querido, como amava a aquele homem.
-Vem - gritou sabendo que certamente morreria se Harry não entrasse nela naquele momento.
Harry ainda tentou ser suave, mas Gina não estava de humor para permiti-lo. Ao princípio Harry se moveu com lentidão, até que Gina levantou os quadris para encontrá-lo. Gina se aferrou às coxas dele para aproximá-lo , lhe delineando a pele com as unhas.
As bocas não se separaram enquanto o ritual de amor tomava o controle. A cama chiava com os firmes empurrões de Harry. Os grunhidos se mesclaram com os gemidos de prazer. Nesses momentos nenhum pôde formar um pensamento coerente, e quando Harry soube que estava a ponto de derramar sua semente em Gina, moveu a mão entre os dois corpos unidos para ajudá-la a conseguir primeiro sua satisfação.
O fogo da paixão o consumia. Seu próprio prazer o debilitou e o fez invencível ao mesmo tempo. Desabou contra Gina com um rouco grunhido de pura satisfação.
Amava o perfume dela. Inalou a delicada fragrância feminina e pensou que certamente acabava de visitar o céu. Ainda sentia o coração como se estivesse a ponto de lhe explodir, e pensou que não lhe importaria que isso acontecesse. Estava muito satisfeito para incomodar-se com algo naqueles momentos.
Tampouco Gina se recuperou ainda. O dar-se conta disso lhe agradou de maneira arrogante. Agradava-lhe poder ser capaz de lhe fazer perder por completo as inibições e o controle. Beijou-a na base do pescoço onde lhe pulsava loucamente o pulso, e sorriu ante a maneira em que as carícias a faziam ficar sem fôlego na garganta.
Tentou encontrar a força para afastar-se dela. Sabia que provavelmente a estava esmagando, mas, maldição, não queria que terminasse essa sorte. Nunca tinha experiente essa classe de satisfação com nenhuma outra mulher. Sim, sempre tinha sido capaz de reter uma parte de si mesmo. Mas não tinha podido proteger-se de Gina. A idéia o deixou pasmado e de repente se sentiu muito vulnerável.
-Amo-te, Harry.
Uma declaração tão singela e, entretanto tão libertadora. Gina lhe tinha tirado a preocupação antes que tivesse tempo de deixar que o controlasse.
Harry bocejou contra a orelha de Gina e logo se incorporou sobre os cotovelos para beijá-la. Esqueceu-se de suas intenções quando viu o rude corte e a inflamação sob o olho.
Gina estava sorrindo até que Harry começou a franzir o sobrecenho.
-O que acontece, Harry? Não te agradei?
-É obvio que me agradaste - replicou.
-Então, por que...
-Poderia ter perdido o olho.
-Ai, Senhor, está-te parecendo com o Hagrid - comentou.
Estava tratando de brincar com ele e fazer que desaparecesse seu sobrecenho franzido, mas não funcionou.
-Teve muita sorte, Gina. Poderia haver...
Pôs a mão sobre a boca.
-Você também me agradou - sussurrou.
Harry não compreendeu. Atraiu sua atenção com a seguinte pergunta.
-Quando te caiu, viu por acaso a algum homem... ou mulher de pé ali perto?
Gina pensou na pergunta durante uns instantes antes de tomar a decisão de não lhe falar do menino pequeno que tinha visto. O menino era muito jovem para que o arrastassem à presença do chefe. Seria aterrador para ele, por não falar da vergonha e humilhação que causaria a sua família. Não, não podia deixar que isso acontecesse. Além disso, estava segura de que ela mesma podia se encarregar do assunto. Primeiro teria que encontrar o pequeno patife e, quando o fizesse, teria uma boa, larga e dura conversação com ele. Se não estava adequadamente arrependido, talvez pediria ajuda a Harry. Ou pelo menos ameaçaria pedindo-lhe Mas isso seria como último recurso. E se o menino era o suficientemente maior (embora realmente não acreditava que tivesse nem sete anos) pegaria ele e o levaria até o pai Bones para que confessasse seu pecado.
-Gina? -perguntou Harry.
-Não, Harry. Não vi nenhum homem ou mulher de pé por ali perto.
Harry assentiu. Realmente não acreditava que Gina tivesse visto alguém, já que duvidava de que nem sequer se deu conta de que tinha sido atacada. Provavelmente a primeira pedra a fez perder o sentido, e simplesmente tinha uma mente muito inocente para pensar na possibilidade de uma traição.
Inclinou-se e a beijou antes de sair da cama.
-Já amanheceu. Tenho obrigações que cumprir comentou.
-Eu tenho obrigações? -perguntou Gina enquanto se cobria com as mantas.
-É obvio que sim - respondo-. Gina, por que me oculta seu corpo?
Ela começou a ruborizar-se. Harry riu. Gina empurrou as mantas com os pés e ficou de pé para olhar de frente a Harry. Ele parou para observá-la. Gina tinha o olhar fixo no suporte da chaminé.
-Está bem que me você olhe - disse Harry arrastando as palavras.
O regozijo na voz do Harry fez Gina sorrir.
-Está desfrutando de minha vergonha, não é assim, marido?
Não lhe respondeu. Por fim Gina o olhou. Harry estava... pasmado. É que seu corpo não lhe agradava? Alcançou as mantas para ocultar-se dele.
O próximo comentário do Harry a deteve.
-Acaba de me chamar de marido. Eu gosto. - Deixou que a manta caísse de novo à cama.
-Você gosta de mim?
Harry sorriu.
-Às vezes.
Gina riu enquanto corria a jogar-se nos braços dele. Harry a levantou do chão e a beijou.
-Faz-me me esquecer de minhas obrigações.
A Gina não importou. Gostava que seus beijos pudessem tirar a concentração dele. Retornou à cama e se sentou para observá-lo enquanto se vestia.
Pareceu a Gina que com cada peça que colocava se voltava cada vez mais o líder do clã, e cada vez menos o tenro amante que tinha conhecido momentos atrás. Uma vez colocado o cinturão, era o chefe em todos os aspectos, e a tratava como seu vassalo.
Explicou que sua obrigação era dirigir aos criados nas tarefas. Não tinham uma cozinheira que trabalhasse toda a jornada no torreão. As mulheres do clã se ocupavam dessa tarefa por turnos. Se desejava fazer cargo disso, poderia fazê-lo.
Gina era responsável da manutenção do interior do torreão. Já que Dumbledore e Hagrid iriaam seguir vivendo com eles, também se supunha que devia fazer-se carrego das necessidades dos dois.
Gina não estava preocupada. Desde temprana idade tinha dirigido aos criados nas terras do tio Bilius. Não pensava que houvesse nenhum problema que não pudesse dirigir.
Harry parecia preocupado. Gina era muito jovem para ter tantas obrigações sobre os ombros. Fez esse comentário e lhe ordenou que fosse a ele se necessitava mais ajuda.
Gina não se sentiu insultada pela falta de confiança em sua habilidade. Era impossível que ele pudesse saber o que ela era capaz de fazer. Teria que lhe ensinar que podia dar conta das responsabilidades que conduzia ser da esposa do chefe. Só então deixaria de preocupar-se.
Estava ansiosa por começar.
-Vou descer e começar em seguida -anunciou. Harry sacudiu a cabeça.
-Ainda não te recuperaste da ferida. Deve descansar.
Antes que pudesse discutir com ele, a colodou de pé, beijou-lhe a frente e logo foi para a porta.
-Ponha meu tartán, esposa.
Gina se esqueceu de sua nudez e correu para ele.
-Tenho uma coisa que te pedir.
-O que é?
-Por favor, poderia reunir a todas as mulheres e meninos? Eu gostaria que me apresentasse a eles.
-por quê?
Gina não se explicou.
-Por favor.
Harry soltou um suspiro.
-Quando quer que o faça?
-Esta tarde estará bem.
-Pensava reunir meus guerreiros para lhes dar a notícia de nosso casamento e eles informariam a suas esposas, mas se está decidida...
-OH, sim.
-Está bem, então - concedeu.
Finalmente, Gina lhe permitiu abandonar a habitação. Não se apressou a vestir-se. O ato amoroso com Harry a tinha esgotado. Voltou a meter-se na cama, envolveu-se com as mantas no lado de Harry na cama para assim sentir-se mais perto dele e fechou os olhos.
A pequena sesta durou três horas. Não esteve preparada para abandonar a habitação até o começo da tarde. Sentia-se culpada por perder o tempo, mas isso não a fez apressar-se. Vestiu-se com a mesma roupa interior branca porque ainda não havia trazido suas coisas da casa do Hermione. Tentou acomodar o tartán de Harry, mas ficou feita um desastre, e finalmente foi procurar a um dos anciões para que a ajudasse.
Hagrid foi em sua ajuda. Escoltou-a pelas escadas.
Harry estava esperando no grande salão com Dumbledore. Ambos sorriram quando a viram.
Então Sirius entrou no salão com grandes pernadas e atraiu sua atenção. Gina se voltou para lhe sorrir.
Sirius se inclinou ante ela.
-Estão-lhe esperando, Harry.Gina, poderia ter perdido esse olho. É muito afortunada.
-Sim, o é - interveio Hagrid-. Não entendo por que o chefe deseja falar diretamente com as mulheres - acrescentou então.
Desejava uma explicação, é obvio. Gina não ia dar e Sorriu ao ancião e se dirigiu seu marido. Segurou sua mão e caminhou para a porta.
-Harry, confia em mim, verdade? -perguntou.
Harry ficou surpreso ante a pergunta.
-Sim - respondeu-. Por que me pergunta isso agora, Gina?
-Porque há uma.... Situação especial, e antes de atuar quero me assegurar de que confia o suficiente em mim para não interferir.
-O vamos falar esta noite - disse-lhe Harry.
-Ah, então já estará resolvido.
Manteve a porta aberta para Gina e a seguiu para fora. Gina começou a descer os degraus. Harry a deteve o lhe pôr o braço ao redor dos ombros e estreitá-la contra si.
Continuando, Harry se dirigiu à congregação. As mulheres, tantas que Gina nem sequer pôde começar a contar, permaneciam à frente com os meninos aos lados. O pátio estava cheio, e as colinas debaixo.
Gina apenas prestou atenção ao que seu marido estava dizendo ao grupo. Gina abandonou as esperanças de encontrar alguma vez ao menino em tal aglomeração de pessoas, mas estava decidida a tentá-lo. Encontrou Hermione e lhe agradou ver que Nimphadora estava de pé junto a sua amiga.
Harry se deteve.
-Segue falando - sussurrou-lhe Gina.
Inclinou-se para ela.
-Já terminei.
-Harry, por favor. Ainda não o encontrei. E não me olhe assim. Vão pensar que acredita que sou tola.
-Sim que acredito que é tola - murmurou.
Deu-lhe um pequeno empurrão no flanco para fazer que cooperasse. Começou a falar outra vez. Gina esteve a ponto de render-se quando lhe chamou a atenção uma das parteiras; recordou que era a que se chamava Narcisa. A parteira parecia sentir-se indisposta, e também atemorizada. A atenção de Gina permaneceu sobre aquela mulher um pouco mais do necessário enquanto se perguntava por que estaria tão visivelmente irritada ante a notícia das bodas. Enquanto a observava, Narcisa deu meia volta e olhou para baixo, atrás de si. Então Gina viu o pequeno. Estava tentando obedientemente ocultar-se atrás das saias de sua mãe.
Outra vez deu um pequeno empurrão em Harry.
-Já pode deixar de falar.
Harry fez exatamente isso. O clã demorou uns instantes em dar-se conta de que tinha terminado. Logo, lançaram vivas ante o anúncio. Quão soldados estavam de pé junto ao torreão se adiantaram para felicitar ao chefe.
-É o discurso mais comprido que te ouvi dizer comentou um.
-É o único discurso que lhe ouviste dizer - interferiu Ronald.
Gina não estava prestando atenção aos homens. Queria agarrar ao moço antes que sua mãe o levasse.
-Por favor, desculpem-me - pediu.
Foi antes que Harry pudesse perceber. Fez um gesto com a mão a Hermione quando passou junto a ela e se apressou a atravessar a multidão. Várias mulheres jovens a detiveram para lhe oferecer suas felicitações. Pareciam sinceras. Gina respondeu com um convite para subir ao torreão a visitá-la.
Narcisa estava segurando a mão de seu filho. Quanto mais Gina se aproximava, mais aterrorizada se mostrava.
Era óbvio que o menino tinha confessado o pecado a sua mãe. Gina continuou avançando até que chegou à parteira.
-Boa tarde, Narcisa - começou.
-Vamos falar com o chefe - soltou apressadamente Narcisa-. Logo nos chegou o anúncio de que tínhamos que nos reunir no pátio e eu...
A voz lhe quebrou com um soluço. Várias mulheres estavam observando, e Gina não queria que soubessem o que estava acontecendo.
-Narcisa - começou com um sussurro-. Tenho um assunto importante que falar com seu filho. Pode me emprestar ele uns poucos minutos?
Os olhos de Narcisa se nublaram de lágrimas.
-Draco e eu estávamos a ponto de dizer ao chefe....
Gina a interrompeu com um gesto negativo da cabeça.
-Este assunto é entre seu filho e eu - insistiu-. O chefe não tem por que intervir. Meu marido é um homem muito ocupado, Narcisa. Se o assunto que queria falar com ele tem que ver com umas pedras que se jogaram, então acredito que deveríamos mantê-lo entre nós três.
Por fim Narcisa entendeu. Seu alívio foi tão grande, que parecia estar a ponto de deprimir-se. Assentiu energicamente.
-Querem que espere aqui?
-por que não retorna a sua casa? vou mandar Draco de volta quando terminemos com nosso bate-papo.
Narcisa piscou para afastar as lágrimas.
-Obrigado - sussurrou.
Harry não tinha afastado a atenção de sua esposa. Perguntou-se do que estaria falando com a Narcisa. Narcisa parecia desventurada, mas o rosto de Gina não estava voltado para ele e não sabia se estava turvado ou não.
Sirius e Ronald estavam tentando ganhar sua atenção. Esteve a ponto de voltar-se para os guerreiros quando Gina chamou sua atenção outra vez. Harry observou como tratava de tomar ao menino de Narcisa. O pequeno não cooperava. Gina não se intimidou. Arrastou-o para frente, logo girou e caminhou para a costa, arrastando ao menino que gemia detrás dela.
-Onde vai Gina? -perguntou Ronald.
Harry não respondeu com suficiente rapidez para agradar Sirius.
-Devo segui-la? Gina não deveria ficar só até que se encontre ao culpado. Não é seguro.
Quando seu amigo fez essa pergunta, Harry entendeu por fim o que estava acontecendo.
-Meu irmão pode ocupar-se de sua esposa, Sirius. Não precisa te pôr tão furioso por ela - disse-lhe Ronald.
Por fim Harry voltou-se para seu irmão e seu amigo.
-Não há nenhuma necessidade de ir detrás o Gina. Sei quem jogou as pedras. Gina está a salvo.
-Quem demônios o fez? -perguntou Sirius.
-O filho da Narcisa. Ambos os guerreiros estavam pasmados.
-Mas está com ele agora - disse Ronald. Harry assentiu.
-Deve-o ter visto. Viram a maneira com que o arrastava? Ah, sabe, sem dúvida. Provavelmente agora o esteja repreendendo com severidade.
Harry tinha razão. Gina o estava repreendendo com severidade. O sermão não durou muito. Draco estava tão arrependido e tão terrivelmente atemorizado com ela, que Gina terminou consolando-o. Acabava de cumprir os sete anos. Era grande e também forte para tão curta idade, mas ainda era só um menino.
Nesses momentos estava chorando sobre o tartán de Gina, rogando que o perdoasse. Não tinha tido intenção de lhe fazer danifico. Não, seu objetivo era atemorizaria para que retornasse a Inglaterra.
Gina estava disposta a lhe pedir perdão por não abandonar as Highlands quando o pequeno soluçou suas razões.
-Fez chorar a minha mama.
Gina não sabia por que tinha feito chorar a Narcisa, e Draco não se explicava o suficiente para lhe dar uma explicação adequada. Decidiu que teria que falar com a Narcisa para fazer que se solucionasse o problema.
Sentou-se em uma pedra baixa com o menino choroso no colo. Estava agradada de que estivesse realmente arrependido. Como já tinha confessado a travessura a sua mãe, Gina lhe disse que não acreditava que precisasse incomodar ao chefe com esse assunto.
-O que pensa seu pai de sua conduta? -perguntou Gina.
-Papai morreu o verão passado - disse-lhe Draco-. Agora eu cuido de mamãe.
O coração do Gina voou para o menino.
-Draco, deste-me sua palavra de que não vais meter em mais problemas, e acredito que o diz é a sério. Agora o assunto já está arrumado.
-Mas tenho que dizer ao chefe que o sinto.
Pensou que aquilo era muito nobre por parte do menino. Também valente.
-Está preocupado por ter que falar com o chefe?
Draco assentiu.
-Você gostaria que dissesse eu por ti? -perguntou. Draco escondeu o rosto no ombro do Gina.
-O diria agora? -sussurrou.
-Muito bem - aceitou-. Vamos retornar eu...
-Está aqui - sussurrou Draco com a voz tremente pelo medo.
Gina se voltou e descobriu a seu marido de pé diretamente detrás dela. Estava recostado contra uma árvore com os braços cruzados sobre o peito.
Não era de sentir saudades que Draco tentasse ocultar-se sob o tartán de Gina. Sentiu que o menino tremia. Decidiu não prolongar aquela temida e dura prova. Teve que afastar-lo de si e obrigá-lo a ficar de pé. Logo segurou sua mão e o levou até Harry.
Draco levava a cabeça baixa. Harry devia parecer um gigante ante os olhos do menino. Gina sorriu a seu marido e logo apertou a mão de Draco.
-O chefe está esperando ouvir o que tem que lhe dizer - instruiu-lhe. Draco olhou para cima às escondidas. Estava aterrorizado. As sardas que lhe cobriam o rosto eram mais brancas que marrons, e seus olhos cinzas estavam cheios de lágrimas sem derramar.
-Eu atirei as pedras - soltou Draco apressadamente-. Não queria fazer mal a sua dama, só atemorizaria para que se voltasse para sua casa. Então mamãe não choraria mais. -depois de dizer esse discurso, baixou outra vez a cabeça até que o queixo ficou apertado contra o assumo.- Sinto muito –adicionou.
Harry não disse nada durante um comprido momento. Gina não podia suportar ver sofrer assim ao menino. Estava a ponto de dar sua própria defesa da conduta do menino quando Harry levantou uma mão e fez um gesto com a cabeça.
Estava de pé diretamente em frente a Draco.
-Não deve te desculpar ante seus pés - anunciou-. Deve te desculpar ante mim.
Gina não esteve de acordo com aquelas palavras. Ela era a que tinha sido ferida, e Draco já tinha devotado suas desculpas. Por que tinha que lhe dizer que o sentia ao chefe?
Entretanto, não pensou que aquele fora um bom momento para discutir com o Harry. Talvez Harry acreditasse que estava tentando escavar sua autoridade.
Draco voltou a olhar ao chefe. Apertou ainda mais a mão de Gina. Será que Harry não podia ver que estava atemorizando ao pequeno?
-Sinto ter feito mal a sua dama.
Harry assentiu. Tomou as mãos por detrás das costas e cravou o olhar em Draco durante uns instantes. Gina pensou que estava dilatando a tortura deliberadamente.
-Vêm passear comigo - ordenou-. Gina espere aqui.
Não lhe deu tempo para discutir com ele, mas sim começou a caminhar pelo atalho. Draco soltou a mão do Gina e correu depois do chefe.
Estiveram ausentes comprido momento. Quando retornaram, Harry ainda tinha as mãos tomadas por detrás das costas. Draco caminhava a seu lado. Gina sorriu quando viu como o menino imitava ao chefe. Também tinha as mãos tomadas por detrás das costas e seu rebolado era exatamente tão arrogante como o de Harry. Estava falando e de vez em quando Harry assentia.
Draco se comportava como se lhe acabassem de tirar um grande peso dos ombros. Harry lhe deu permissão para retirar-se e esperou a que estivesse o suficientemente longe para não ouvir nada.
-Perguntei-te se tinha visto alguém, Gina - disse logo-. Incomodar-te-ia me explicar por que não me deu uma resposta adequada?
-Em realidade me perguntou se vi um homem ou a uma mulher de pé por ali perto - recordou-lhe Gina-. Não te menti. Vi um menino, não a um homem nem a uma mulher.
-Não use essa lógica retorcida comigo - opôs-se Harry-. Sabia o que te estava perguntando. Agora eu gostaria de saber por que não me disse isso.
Gina deixou escapar um suspiro.
-Porque o assunto era entre o menino e eu - explicou-. Não vi a necessidade de te incomodar com isso.
-Sou seu marido - recordou-lhe-. A que diabos te refere com que não viu a necessidade de me incomodar com isso?
-Harry, estava segura de que podia me ocupar disso.
-Não te correspondia tomar essa decisão.
Não estava zangado. Simplesmente indicava a Gina a maneira adequada de dirigir os problemas.
Gina estava tentando não irritar-se por aquele assunto, e fracassava infelizmente. Cruzou os braços pela cintura e franziu o sobrecenho.
-É que alguma vez tenho algum poder de decisão?
-Minha obrigação é me ocupar de ti.
-E também te encarregar de meus problemas?
-É obvio.
-Isso me converte em um pouco parecida a um menino. Realmente, não acredito que me agrade muito estar casada. Tinha mais liberdade quando vivia na Inglaterra.
Harry soltou um suspiro. Gina estava dizendo as coisas mais atrozes e se estava comportando como se acabasse de dar-se conta de qual era sua sorte na vida como mulher.
-Gina, ninguém é completamente livre.
-Você sim.
Harry negou com a cabeça.
-Como chefe, tenho muitas mais restrições que os guerreiros estão por debaixo de mim. Cada uma de minhas ações se explicam ante ao conselho. Aqui, todo mundo tem um lugar, e também responsabilidades. Esposa, não me agrada te ouvir dizer que você não gosta de estar casada comigo.
-Não hei dito que eu não gostasse de estar casada contigo, marido; hei dito que eu não gostava de muito o estar casada. É muito restritivo. Há uma diferença.
A expressão no rosto de Harry indicava que não estava de acordo. Atraiu-a para seus braços e a beijou.
-Te vai agradar estar casada comigo, Gina. Ordeno-lhe isso.
Era uma ordem ridícula. Gina se afastou e levantou o olhar para ele. Estava segura de que estava brincando, e que encontraria sinais disso ali, em sua expressão.
Entretanto, Harry não estava brincando. Mas bem parecia... Preocupado e também vulnerável. Surpreendeu-se ao notá-lo, e se sentiu muito agradada. Retornou aos braços do Harry.
-Amo-te - sussurrou-. Naturalmente que me agrada estar casada contigo.
Harry a estreitou com força.
-E, portanto, te vai agradar me dar seus problemas para que resolva - anúncio.
-Às vezes sim - disse Gina, negando-se a concordar por completo com ele-. E, às vezes, resolverei eu mesma.
-Gina...
Interrompeu-o.
-Hermione me disse que foi mais um pai para o Ronald que um irmão maior. Cresceu resolvendo todos os problemas, não é assim?
-Talvez, quando fomos mais jovens - admitiu. Agora que ambos somos adultos, decidiremos juntos o que se deve fazer cada vez que surgir um problema. Conto com ele tanto como ele conta comigo. Me diga, o que tem que ver meu irmão com esta conversação? Quer que me ocupe de ti, verdade?
-Sim, é obvio que sim - respondeu-. Simplesmente, não quero ser uma carga. Quero ser capaz de compartilhar meus problemas contigo e não lhe passar isso compreende? Quero ser o suficientemente importante para ti como para que deseje compartilhar suas preocupações comigo. Poderia aprender a me tratar com a mesma consideração que dá ao Ronald?
Harry não sabia o que lhe dizer.
-Devo pensar nisto - anunciou.
Recostou-se contra ele para que não pudesse vê-la sorrir.
-Isso é tudo o que te peço.
-Tento ser aberto a idéias novas, Gina.
-Sim, é obvio que sim.
Gina o beijou no queixo. Harry se inclinou e lhe apanhou a boca para lhe dar um comprido beijo. Era relutante a deixar de acariciá-la, mas finalmente se obrigou a afastar-se.
Gina vislumbrou Draco de pé a uma distância considerável deles.
Harry não se voltou quando o chamou.
-Está preparado, Draco?
-Sim, chefe - respondeu.
-Como sabia que estava de pé ali?
-Ouvi-o.
-Eu não.
-Você não precisa ouvir - explicou.
Aquele comentário não tinha sentido. Parecia terrivelmente arrogante.
-Aonde o leva? -perguntou com um sussurro, para que o menino não pudesse ouvi-la.
-Aos estábulos - respondeu Harry-. Vai ajudar à moço de quadra.
-É um castigo? Harry, não crie que...
-Falaremos disso esta noite disse.
Gina assentiu. Estava tão agradada de que não lhe tivesse ordenado que se mantivera totalmente fora do assunto que sentiu desejos de sorrir.
-Como quer - disse-lhe.
-Quero que retorne ao torreão.
Assentiu. Inclinou a cabeça ante seu marido e começou a subir a colina.
-Esta tarde vais descansar - disse Harry.
-Sim, Harry.
-Digo-o a sério, Gina.
Gina se deu conta de que Harry esperava que lhe discutisse a ordem. Já que não o tinha feito, Harry supôs que não o ia obedecer. Gina tratou de não rir. Seu marido estava começando a entendê-la.
Manteve sua promessa. Primeiro, recebeu uma agradável visita de Hermione, e depois que Ronald acompanhasse a sua esposa colina abaixo a retornar a sua cabana para a sesta vespertina, Gina subiu a seu quarto. Tinha a mente concentrada na sempre presente preocupação pelo parto de Hermione, e acreditou que por fim tinha dado com a solução. Gina não acreditava estar o suficientemente bem informada para saber o que fazer se o parto se complicasse, mas Narcisa certamente teria suficiente experiência para saber o que fazer. Verdade? Gina pensou que agora a mãe do Draco teria que suavizar sua atitude para ela, e talvez se utilizasse o enfoque adequado, poderia ganhar a cooperação da parteira sem ter que envolver Belatriz.
Era provável que Hermione desse um ataque. Gina teria que convencer-la de que Narcisa seria uma ajuda e não um obstáculo.
Ficou dormida rogando para que isso fosse verdade.
na. pois é depois de ler os comenatrios eu nao resisti e puz a cara no capitulo - o merlin - culpa de voces meninas!!!
Mas agora é serio so segunda , passo o final de semana na praia e vou levar meu PC assim quem sabe termino a fic e posso trabalhar em paz depois hehehe!!
beijao otimo find |