Cap2
Naquela agradável manhã de verão as ruas do beco diagonal estavam repletas de pessoas indo e vindo. Entrando e saindo das lojas, dos bares e das hospedarias. Porém essas não eram pessoas comuns e nem o beco diagonal é um lugar comum, escondido em algum ponto de Londres, só é possivel chegar a este local por meio de magia, passagens secretas ou outras coisas que são apenas lendas e folclore para maioria das pessoas.
Da janela de seu quarto Harry observava o vai e vem dos bruxos lá embaixo, enquanto tomava uma xícara de café. Morava num apartamento que ele dividia com seu amigo Rony Weasley, no segundo andar de uma loja de artigos para poções. Era um pequeno apartamento por fora mas razoavelmente espaçoso por dentro. Possuia dois quartos, uma grande sala e uma pequena cozinha, além de uma banheiro. Era um apartamento de dois jovens solteiros, então estava quase sempre com um aspecto desarrumado. Apesar dos esforços de Doby, o elfo doméstico que uma vez por semana, passava por lá para ajuda-los.
Harry e Rony, estavam em treinamento para se tornar aurores – caçadores de bruxos das trevas, iriam começar o segundo ano de treinamento. E havia apenas dois anos também que tinham deixado a escola.
O quarto de Harry possuia uma cama com dossel, uma escrivaninha ao lado, uma poltrona, uma grande estante de livros que ocupava toda parede oposta à cama, na parede leste estava a gaiola de Edwiges a coruja de estimação de Harry, sua vassoura mágica pendurada na parede e a porta.
Enquanto observava um grupo de jovens bruxos que resolveram parar bem em baixo da sua janela, Harry ouviu um estalo no quarto ao lado. Com um largo sorriso no rosto teve certeza que o barulho era Hermione aparatando no quarto de Rony, Harry sorriu porque sabia que Rony odiava quando ela fazia isso, já imaginava ele acordando sobressaltado com os olhos esbugalhados e depois os dois começariam a discutir. Aguçou os ouvidos para ouvir a divertida (para ele) discursão entre seus dois melhores amigos.
Harry, Rony e Hermione, eram amigos desde o primeiro ano em que entraram na escola de magia e bruxaria de Hogwarts, formavam um trio que ficou famoso na escola por suas aventuras, quase sempre muito perigosas. Há dois meses atrás, Hermione se tornou noiva de Rony, depois de alguns anos de um namoro cheio de brigas e confusões.
Hermione vivia criticando o noivo e Rony vivia reclamando de Hermione, porém Harry sabia que um não queria realmente que o outro mudasse, Sabia que se amavam muito. Ninguém conhece os dois como Harry e a reciproca é verdadeira. Eles eram a familia dele, já que Harry não possui parentes vivos, tinha os tios trouxas, mas passara a infância com eles e sabia muito bem que jamais poderia contar com eles, e ele também não desejava isso de forma alguma.
Já tinha passado quase um minuto e nenhum som vinha do quarto ao lado, Harry já se sentia envergonhado imaginando se não estava invadindo a privacidade dos amigos, quando ouviu um grito agudo. Era Hermione, depois os urros de Rony, outros barulhos acompanhavam os gritos, sons de coisas se quebrando, gritos e choro de Hermione, berros de Rony.
Harry nunca tinha visto os dois brigarem daquele jeito, e a quebradeira continuava, ele resolveu então intervir. Correu pela porta do seu quarto virou pelo estreito corredor, bateu fortemente na porta do quarto de Rony. Estava trancada e os berros continuavam, puxou a varinha do bolso – Alorromora - disse em voz alta, ao som do feitiço, ouviu em meio aos gritos o "clique" da porta se destrancando, pegou a maçaneta e abriu a porta com força.
Uma explosão de luz saiu pela porta do quarto Harry caiu sentado no chão com as costas na parede do corredor, o reflexo do treinamento de auror e de passar a vida toda como alvo de bruxos das trevas o fez levantar automaticamente a varinha na altura do peito e pronunciar um feitiço de proteção. Meio segundo após a explosão de luz veio som de várias vozes ao mesmo tempo aumentadas através do feitiço sonorus – FELIZ ANIVERSÁRIO HARRY.
Balões e papéis picados coloridos surgiam do nada despencando do teto, cobrindo como uma montanha o corpo estático, ainda sob impacto da surpresa, do aniversariante.
Depois de passados o susto e o efeito da luz ofuscante nos olhos, Harry reconheceu apertados no quarto em meio a muitas risadas, Rony e Hermione abraçados, Fred e Jorge Weasley, Lino Jordan, Ninphadora Tonks, Dino Thomas, Mundungo e Doby o elfo domestico.
- Você precisa ver a sua cara – disse Jorge estendendo a mão para ajudar Harry a se levantar.
Harry tinha um sorriso meio constrangido no rosto, estava de pijamas, não esperava uma festa surpresa pela manhã.
Todos cumprimentaram Harry, que estava até comovido com a surpresa, meio encabulado mas feliz – Isso só pode ser coisa de Fred e Jorge – disse ele.
- Eu fui contra – rebateu Hermione – Mas tenho que admitir que acabei achando bem divertido – e caiu em mais risadas.
Todos caminharam para a sala, Doby estalou os dedos e da cozinha veio uma mesa flutuando coberta por um suntuoso café da manhã, com vários tipos de bolo, panquecas, sucos e outras coisas muito saborosas, que Doby preparara durante a madrugada. Harry ficou admirado, nunca comera tão bem em sua própria casa antes. Agradeceu muito a Doby e disse que ele não precisava ter tido tanto trabalho, se esquecendo que isso era quase um insulto para um elfo doméstico.
- Harry Potter, se quiser agradar Doby deve comer tuto, tudinho, Harry Potter è amigo de Doby e sempre foi muito bom para ele, é o dever de Doby cuidar muito bem de Harry Potter– disse Doby demonstrando estar contrariado (o quanto um elfo domestico consegue demosntrar) pelo comentário de Harry.
Dino, perguntou com a boca cheia de bolo e a mente carregada de ironia – Não tem nada a dizer Hermione?
- Não a esse respeito – disse Hermione, e completou – Eu aprendi a respeitar o modo de pensar dos elfos, Dino. Só o tempo que vai faze-los se acostumar com a ideia de liberdade, não posso força-los a pensar como nos humanos nem desejar que se voltem contra sua natureza, a luta do F.A.L.E. é contra os maus tratos e os abusos de poder contra os elfos, porém a liberdade deve ser um desejo deles, só podemos ajudar os que querem ser ajudados, devemos dar informação a eles e esperar que eles mesmos queiram mudar a sua situação. Acho Doby um exemplo a ser seguido pelos outros elfos.
- Infelizmente Gina não pode vir ela tinha treino de Quadribol hoje, quem diria que ela ia se tornar uma jogadora profissional – comentou Fred, mudando o assunto, pois sabia como Hermione podia ser chata quando começava seus discurssos, e definitivamente não era hora para isso.
- Ela está apenas em testes – rebateu Rony.
Ela tem muito talento, deixa de ser invejoso Ronyzinho – caçoou Fred.
Tonks deu uma risada abafada e seu nariz mudou de cor. – Minha amiga Gina foi a melhor artilheira da liga estudantil Inglesa é lógico que ela vai conseguir a vaga.
- Você também poderia tentar ser profissional Harry, é um apanhador formidavél, - falou Lino, e Dino concordava veementemente com acenos de cabeça, a boca ainda muito ocupada com a comida.
- Não ia dar pra conciliar com o treinamento de auror, e não sei se quero passar a vida correndo atrás de um pomo de ouro – respondeu Harry
- Sem dúvida é mais divertido do que passar a vida caçando bruxos das trevas - comentou Jorge.
Rony virou um copo de suco de amoras - a vida não é só diversão.
- Vejam só como ele está ficando parecido com a noivinha – caçoou novamente Fred.
Rony e Hermione coraram.
- Gina garantiu que vai estar no jantar que a Sra. Weasley vai preparar hoje, lá na Toca, para comemorar o seu aniversário, Harry – Disse Tonks desviando novamente o rumo da conversa.
- Moly nunca me convida para esses eventos – Reclamou Mundungo, que como sempre estava meio embriagado e mal vestido.
- Pode aparecer lá – disse Jorge – a gente diz que foi o Harry que convidou, a mamãe não vai negar um pedido dele, principalmente no dia do seu aniversário.
Mundungo dirigiu um olhar carente e pidão para Harry, que se viu obrigado a concordar com um aceno positvo da cabeça. Hermione também sacudiu a cabeça, mas em sinal de reprovação.
Mundungo se despediu muito satisfeito, com a promessa de um bom jantar aquela noite, sabia também que haveria muita bebida, fez questão de agradecer Harry várias vezes naquela manhã, mas em fim partiu. Logo depois dele partiram Dino e Tonks.
- Harry, também temos que ir – disse Jorge
- A loja de Logros dá muito trabalho – Falou Fred
- Sucesso no mundo todo – exagerou Lino Jordan
- Mas antes de partimos temos um presente para você - Jorge tinha um brilho malicioso nos olhos quando disse isso.
- Metade do presente a segunda parte só mais tarde lá na Toca – corrigiu Fred .
- Está ali em cima da cama do Rony, agora temos que sair, thau Mione e Ronizinho - e assim os três desaparataram.
Era por volta das 11:00 da manhã, e só restavam na casa Harry, Rony, Hermione e Doby, esse último começou a retirar a mesa.
- Vou me trocar disse Harry, para irmos para Hogsmeade, Hagrid está nos esperando para o almoço.
- Nem acredito que conseguimos convence-lo a almoçar no Três Vassouras, ele insistia em preparar o seu almoço Harry, lembra de como foi no ano passado? Aquela gororoba que ele serviu ficou uma semana se mexendo no meu estomago – Rony fez uma careta quando falou a última parte.
- Realmente culinária não é um dos talentos de Hagrid, se a comida dele fosse tão boa quanto os seus sentimentos ele poderia ter o melhor restaurante do mundo. – Disse Hermione enquanto catava duas meias sujas atrás da poltrona, com uma careta as deu a Rony. Rony Pegou as meias também com nojo – Não são minhas - e as jogou para Harry, que as pegou e foi para seu quarto se trocar.
Enquanto se trocava Harry ia imaginando como aquele dia ia ser maravilhoso, aquela surpresa adorável no café da manhã, Visitar hagrid em Hogwarts, rever sua cabana e os terrenos da escola, almoçar em Hogsmeade, e depois o jantar na Toca onde estarão reunidos todos os seus grandes amigos, sentiu uma ponta de ao pensar em seus pais, Sírius seu padrinho e todos os outrtos que não estarão com ele essa noite.
Voutou a sala e encontrrou Rony varrendo o chão com uma cara de poucos amigos, e reclamou para Hermione - você nunca obriga o Harry a arrumar as coisas.
Doby entrou na sala e foi logo tomando a vassoura das mãos de Rony, que ficou muito satisfeito e deu um sorriso cínico para Hermione. Harry sorriu por dentro, mas não se atreveu a dizer mais nada.
- Podemos ir? – Perguntou Hermione.
- Claro – respondeu Harry.
Doby parou de varrer e perguntou – Harry Potter não vai abrir presente bonito que ganhou dos gêmeos?
Os três se olharam e Hermione disse – Deve ser alguma brincadeira de mau gosto para variar. Esses dois nunca vão crescer, ainda parecem garotos de escola, saindo por aí e pregando peças nos outros.
- E eles ainda conseguem ganhar a vida assim. Acho que você deve abrir, estou curioso para saber o que eles aprontaram.
- Não sei... – respondeu à Rony
Os três caminharam para o quarto de Rony, Doby hesitou mas depois foi atrás.
Encontraram, sobre os lençois bagunçados da cama de Rony, uma pequena caixa na cor laranja com uma fita vermelha, tinha a forma de um pequeno cubo. Harry o apanhou, desconfiado, com uma das mãos. Era bem leve como se não tivesse nada dentro, sacudiu e não fez barulho algum, também não sentiu nenhum movimento no seu interior – Muito estranho – disse baixinho – Acho que vou abrir mais tarde.
Mas naquele momento, o segurou com as duas mão ao mesmo tempo: Puf, a caixa estourou transformando-se numa nuvem laranja, Harry viu suas mãos cobertas por um pó laranja e a fita da caixa caindo levemente até a chão. Doby, Rony e Hermione se assustaram. Se aproximaram de Harry preocupados.
As mãos dele esquentaram muito e depois rapidamente se resfriaram. Harry reconheceu os efeitos de algum tipo de transfiguração... poucos segundos depois suas mão começaram a mudar de forma e de cor.
A partr da altura dos pulsos sua pele foi ficando dura e alaranjada, seus dedos iam se unindo. Tudo aconteceu muito rápido, quando percebeu Harry estava com duas pinças de lagosta no lugar da mãos.
A primeira reação de Harry foi de desespero, sacudindo as pinças e fechando as garras de maneira esbaforida. Rony achou muito engraçada a cena, mas se esforçou para não rir, Hermione sacudia negativamente a cabeça.
- Que droga! – esbravejou Harry – Sabia que devia ter ignorado o presente.
- Agora é tarde, temos que ver se conseguimos consertar – Falou Hermione enquanto começava a procurar por algum livro na estante de Rony.
- Para de rir Rony!
- Foi mal cara, mas a sua reação foi muito engraçada.
- Acho que posso tentar alguns feitiços de transfiguração para tentar reverter o processo, apesar dessa transformação ter sido causada, muito provavelmente, por algum tipo de poção – Sugeriu Hermione.
Harry foi coçar o nariz, e quase o cortou fora, Rony explodiu em gargalhadas. Harry deu um beliscão na perna dele com suas novas garras, e ele deixou de rir rapidamente.
Foi Doby quem recolheu a fita vermelha do chão, preocupado com a limpeza, e encontrou alguma coisa escrita ao longo dela.
- Harry Potter, acho que tem um recado aqui na fita para você.
Harry tentou pegar a fita mas ela escorregava pelas garras, Harry ficava ainda mais furioso. Rony achava divertido. Hermione foi ajuda-lo pegando a fita e começando a ler em voz alta:
"Caro Harry, se essas letras se tornaram visíveis é porque o presente foi aberto, espero que tenha gostado do Mãos de Lagosta, está em fase de testes ainda, mas entrará em breve em nossa linha de produtos para pregar peças em pessoas curiosas, teremos também o Mãos de Sapo, Mãos de foca, Patas de Burro, entre outros. Não se preocupe amigo, o efeito deve passar em três horas, se não passar a noite te daremos o creme que funciona como antídoto, a segunda parte do presente. Feliz aniversário Harry. Fred e Jorge."
- Três horas? Como vou almoçar assim? Como vou pegar os talheres?
- Isso se o efeito passar realmente em três horas – Advertiu Hermione – Ainda podemos tentar achar alguma maneira de reverter isso. Podemos aproveitar que vamos visitar o Hagrid e passar na biblioteca da escola ... – Foi interrompida bruscamente por Rony – Acho que o Harry prefere passar três horas com mãos de lagosta a passar o aniversário dele dentro de uma biblioteca. Hermione abriu a boca para responder, mas foi interrompida por uma coruja que entrou voando pela janela.
Era uma coruja estranha, diferente das corujas da Grã-Bretanha, que estavam acostumados a ver. Era enorme devia ter uns 60cm gorda, pesada, penas pardas olhos amarelos. Trazia um embrulho em forma de cone feito com um papel muito amassado e de aspecto rústico, amarrado com barbantes escuros.
Harry tentou desamarrar o embrulho, mas não conseguiu, e a coruja piava e se debatia em reclamação as beliscadas das garras de Harry.
- Deixa que eu pego Harry – disse Hermione caminhando na direção da coruja que havia fugido para o outro canto do quarto.
- Deve ser de alguém de longe nunca vi uma coruja dessas – falopu rony enquanto deeixava o corpo cair sobre a cama.
Hermione alcançou a coruja, soltou a carga dela, tinha um cartão feito do mesmo papel do embrulho, Hermione leu o que tinha escrito nele:
"De Neville Longbotton.
Para: Harry Potter.
Beco Diagonal n° 34 A – Londres."
- Neville lembrou do seu aniversário! - Disse Rony em tom de deboche – E pensar que na escola ele não lembrava de nada, era um grande desmemoriado.
- Não fique zombando, nos sabemos dos problemas que Neville teve que passar durante a infância – retorquiu Hermione, enquanto rasgava o papel do embrulho.
Um odor forte e adocicado ia tomando conta do quarto enquanto o embrulho ia sendo desmontado, Rony ofereceu biscoitos e água à coruja que comeu e bebeu vorazmente, dando um pio de alegria no fim.
Por fim foi revelado o conteúdo do estranho pacote, era uma grande flor, de pétalas brancas, em forma de cálice, presa num caule robusto de um verde muito escuro, duas folhas largas brotavam a meia altura do caule, elas iam se afinado enquanto subiam dobrando levemente para baixo nas pontas, as folhas estavam com um aspecto ruim meio amassadas por conta da viagem, mas a flor, estava surpreendentemente fresca e linda, exalando aquele odor doce. O vaso era pequeno em relação a flor, era feito de uma cerâmica rústica e mal acabada, viam-se as marcas dos dedos que o moldaram, dentro dele estava uma terra escura e bastante umedecida, onde o caule terminava e provavelmente começavam as raizes.
- Que beleza – disse quase num suspiro Hermione.
- Bonita mas muito estranha , Neville sempre gostou de herbologia. – Lembrou Rony.
Nesse mesmo instante, a flor se mexeu, Hermione tremeu de leve com o susto. A flor girou de um lado para um outro como se fosse uma cabeça e o caule um forte pescoço. A flor levantou com se encarasse Hermione, A ponta das pétalas tomaram a forma de um largo sorriso, Hermione sorriu de volta encantada, as pétalas então tomaram a forma de lábios preparados para um beijo, e então assopraram sobre o rosto de hermione o odor mais agradável que ela já havia sentido.
Rony e harry levantaran da cana onde tinha sentando num pulo, ao verem o gás verde claro saindo da "boca" da flor (novamente o treinamento de auror) Porem antes que dessem dois, dos quatro passos necessários para alcansarem Hermione, ela deixou o vaso cair se espatifando no chão.
Foi Rony quem chegou primeiro até ela, segurando-a, antes que ela desabasse no chão, já estava desacordada quando caiu nos braços dele. O rosto, com um leve sorriso nos lábios, estava esverdeado e essa cor já se espalhava pelo pescoço.
- Harry, ela está gelada! – falou Rony com a voz embarga – Hermione está morrendo!