Cap. 5 E agora?
A sua cabeça doía, o corpo doía, a consciência doía... Draco estava deitado, tentava descansar, ou pelo menos entender o que o levou a fazer aquilo. Bem ele estava indo falar com Potter, então ele já havia decidido por isso. Quando entrou naquele vestiário ele já sabia que era um caminho sem volta independente do que fosse acontecer. O que ele temia não era o arrependimento de tomar esse caminho, mas sim não querer voltar dele.
Tentou pensar no que teria acontecido se ele não tivesse agido assim, nesse impulso. Não conseguiu visualizar nada. Não tinha como imaginar ele vendo Potter, tomando banho, e ficar paciente esperando-o para conversar. Aconteceu, e foi meio que por culpa ou graças à ele. E agora? Potter estava o provocando fazia dias, mas Draco não tinha a real certeza que ele queria algo, sério. O loiro não tinha idéia do que iria acontecer, o que iria fazer, e isso o deixava perturbado, irritado. O último ele também sabe que é porque ninguém conseguirá substituir, ou superar o beijo de Potter.
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Harry se trocou, a chuva havia parado. Foi andando meio tonto em direção a sua sala comunal. Sua boca ainda sentia o sabor da de Draco, sua língua estava dormente pela tal maneira que foi atacada. O perfume de Draco tinha se misturado ao seu, levemente, com o vapor da água, inebriando-o. Entre todas as informações que bombardeavam sua cabeça, uma se sobrepunha mais: O beijo, tal como o próprio, de Draco era delicioso. E de todas as necessidades e vontades do momento, a que mais prevalecia era: Draco, aqui.
Fazia tempo que ele tinha deixado o medo de lado. Ele estava se arriscando desde a primeira provocação. Não sabia até onde deveria ou queria chegar, mas foi só ter Draco à apenas alguns centímetros de distância, que ele teve certeza. E agora aquele loiro, dera o doce à ele, roubando impiedosamente depois. Tudo bem, ele deveria estar confuso, com medo e tudo mais. Harry também estava, mas hora foi ele quem o agarrou! Porque tinha que ir embora daquele jeito? Mas... – sorriso malicioso – Ele confiava no próprio talento, modéstia parte, sabia que o loiro não conseguiria ficar muito tempo sem o seu beijo.
Bem, ele não esperaria pela crise de abstinência daquele sonserino imbecil. Harry tinha colocado na cabeça, e estava disposto a fazer isso. Mostraria, da maneira mais... Sutil possível, que Draco não viveria sem ele. E disso ele tinha certeza, conseguiu-a hoje.
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É ele estava o evitando, normal, obviamente. Draco não iria olhá-lo tão cedo depois daquilo. Deve estar se recriminando até agora, mas Harry via cada hora que virava em direção à mesa do outro lado do salão, a impaciência e a vontade do loiro de olhar para ele. Não tinha nada demais estar com vergonha, talvez se ele tivesse agarrado seu “pior inimigo” na noite anterior, ele também estaria assim. Pensando bem, não estaria. Enfim, isso é o que menos importa. Draco não ficaria ignorando-o por muito tempo. A próxima aula da grifinória era com a sonserina, que pena, e bem, os dois se encontrariam no caminho certo?
Ah, para tudo dar certo, Draco tinha que seguir por um caminho “menos movimentado”. E assim o fez, andava olhando para o chão, como se em cada rachadura ali encontrada, existisse um universo particularmente interessante. Nunca gostava de se juntar com a “massa”, sempre escolhia esse caminho, mais tranqüilo. E tranqüilidade é uma coisa que estava bastante necessitado ultimamente. Estava tão distraído nos próprios passos que não percebeu a aproximação de certo alguém, quando parou de andar o tal alguém já estava muito próximo a ele, próximo demais se me permitem.
- Porque está me evitando? – e a pergunta saiu como um sussurro, e percorreu livre, provocante, por todo o pescoço do loiro, arrepiando-o como uma brisa gelada. Ele sabia com o som daquela voz, ou somente pelo compasso daquela respiração de quem se tratava. Draco nem pode responder, pois tinha sido prensado na parede, com as mãos presas junto ao corpo, impossibilitado de se mexer.
- Nã-ão estou. – gaguejou, ainda não tinha reparado, mas começara a respirar com dificuldade. E Potter estava cada vez mais perto, sentia seu corpo ir se esquentando, aquela situação estava perigosa. – Saia! – não formulava frases muito complexas, não conseguia, e temia o que poderia sair no lugar das palavras. A ordem não teve um pingo sequer de ira, raiva, ou ao menos repulsa, qualquer coisa que mostrasse aversão, e não medo.
- Você não quer que eu saia... Não seja mentiroso. – disse ele novamente em um sussurro. Realmente Draco não queria, e se Potter ficasse muito tempo nisso, ele realmente ia ceder. Até então Draco não tinha encarado-o nos olhos. Quando o fez, achou suas pernas não sustentariam seu peso. Foi uma intensa troca de olhares, Draco nunca se lembrou de se sentir tão bem, ele tinha certeza também, que nunca desejou tanto algo, alguém.
- O... O que você vai fazer? – disse ele devagar, tentando controlar a respiração. Harry não disse nada, apenas se aproximou do pescoço do sonserino, roçando sua boca de leve no local. Sentiu Draco se contorcer, exasperado.
- Digamos que é uma pequena vingança. – disse quando sua boca se encontrava, perigosamente, no lóbulo do loiro. O tom foi malicioso, assim como o gesto a seguir. Mordiscou a orelha do sonserino, e beijou de leve a região. Sentia a respiração pesada por parte do loiro, e voltou a encará-lo. O brilho e o desejo explícito naquelas íris acinzentadas deram a certeza que faltava para Harry.
- Então vá em frente... – Ele se assustou. Malfoy tinha realmente dito isso? O loiro percebendo o assombro sorriu provocante, em resposta. Draco Malfoy realmente não tinha o direito de esconder aquele sorriso do mundo. Se bem que Harry agora o queria, só para ele. Draco tinha vidrado naquelas esmeraldas, e com o corpo todo palpitando pedindo pelo de Harry, ele não tinha mais como evitar.
Harry aproximou lentamente da boca de Draco. Estava fazendo tudo muito calma e lentamente querendo tirar proveito de cada segundo. Roçou a sua boca na de Draco, provocando-o. Ambos sabiam que se a eternidade pudesse ser vivida assim, ela seria perfeita. Finalmente as bocas se juntaram, embaladas em uma sintonia perfeita. Não só se conheciam mais se amavam. Com carinho e atenção a cada minúcia, a cada gesto.
A mão do moreno, foi deslizando, passando por todo o corpo do sonserino. Escorregava por cada curva suntuosa, sem pressa, sem exageros. Draco com as mãos livres levou-as ao cabelo de Harry, despenteando-o ainda mais, fazendo-o se aproximar, aprofundar o beijo. Nunca nada antes, para nenhum deles, tinha sido simplesmente, completo. Nada ali faltava, o vital já era presente. Quem precisa de oxigênio?
O fato é o seguinte: Eles esqueceram que estavam em ambiente público. E sequer ouviram um susto, de alguém que passava por ali. Esse alguém tinha marcado essa imagem na mente, quase como um trauma. Foi realmente difícil sair dali, quando o fez, correu. Seus olhos simplesmente não acreditavam no que tinham visto, e sua cabeça realmente não sabia o que iria fazer com aquela informação. Draco Malfoy e Harry Potter? Realmente não pode ser... Não faz sentido.
Sentido? É realmente não faz, ou faz? Não importa, uma dose de loucura é sempre bom para apimentar a vida da gente, os dois que o digam.
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