CAP 6 - Medos
6
Hermione deixou escapar um débil ofego. Os olhos lhe abriram pela surpresa. Logo pôs-se a rir e se lançou aos braços de Gina. Recordava como tinha estado tão segura e tão cheia de autoridade quando disse a Gina que uma mulher só podia ficar grávida se bebesse vinho da taça de um homem.
Quase sufocou Gina quando a abraçou. As duas mulheres riam e choravam ao mesmo tempo, e para a multidão que as rodeava, pareciam ter perdido o julgamento.
A tensão e a preocupação desapareceram dos ombros de Ronald. Voltou-se para olhar Harry e assentiu com lentidão. Seu irmão assentiu a sua vez.
Ronald decidiu que a viagem bem havia valido a pena. Jogou-se as mãos à costas e esperou que sua esposa recordasse suas maneiras. A alegria de sua expressão mais que compensava a falta de atenção. E Deus, como tinha sentido falta do som de sua risada. Parte dele também desejava tomar entre os braços aquela mulher inglesa e abraçá-la tão ardentemente como o estava fazendo sua esposa para lhe fazer saber quanto apreciava sua lealdade.
Teve que esperar outros cinco minutos, mais ou menos, antes de que sua esposa recordasse que ele estava ali. As duas mulheres falavam com mesmo tempo, perguntando e respondendo suas próprias perguntas. Criavam um redemoinho de um caos feliz.
Harry estava tão agradado quanto Ronald com o reencontro. Também estava um pouco surpreso, já que até esse mesmo instante não se deu conta de que na verdade as mulheres podiam ser amigas e confiar entre si. A força do laço entre o Gina e Hermione era única. Intrigava-o.
Recordava que Gina lhe tinha contado que se converteram em amigas antes de ser o suficientemente maiores para entender que deveriam ter inimizades e percebeu que admirava muito mais as duas por continuar sendo leais inclusive depois de ter aprendido as lições de indiferença e ódio.
Gina recordou ao público antes que Hermione.
-Temos que nos pôr em dia de muitas coisas -disse-. Mas agora devo dar as graças a Harry e a outros por me haverem trazido até ti.
Hermione a tirou da mão.
-Primeiro devo te apresentar a meu marido disse. Voltou-se para sorrir ao Ronald-. Esta é Gina.
O sorriso do Ronald era uma réplica do de Harry.
-Imaginei isso -disse a sua esposa-. Prazer em conhecê-la, Gina.
Gina teria feito uma reverência se Hermione lhe tivesse solto a mão. Em troca, sorriu.
-Eu estou encantada de estar aqui, Ronald. Obrigado por me convidar.
Voltou sua atenção ao Harry, quem havia feito as rédeas dos arreios e se dirigia para os estábulos. Com um puxão, afastou a mão do Hermione, prometeu retornar em seguida e logo correu atrás de sua escolta.
-Harry, espera, por favor - chamou-. Queria te agradecer.
Ele não parou, mas olhou por cima do ombro. Fez-lhe um brusco gesto com a cabeça e continuou avançando. Gina deu as graças para Simas, Dudley e Sirius quando passaram em fila junto a ela. Reagiram exatamente da mesma maneira: bruscos e distantes.
Gina disse a si mesma que não deveria ter esperado mais que isso. Tinham completado com seu dever e por fim se livraram dela. Deixou de sorrir e se voltou. Enquanto passava junto a um grupo de mulheres, ouviu que uma delas sussurrava às demais:
-Meu deus, estou pensando que é inglesa, mas isso não pode ser, verdade?
Se as roupas do Gina não a tinham delatado, sabia que seu acento sim.
Seguiu caminhando para o Hermione, mas sorriu às mulheres que a olhavam boquiabertas.
-Sim, sou inglesa.
Uma das mulheres realmente ficou com a boca aberta. Gina reprimiu o impulso de rir porque sentiu que seria terrivelmente descortês mostrar regozijo ante a óbvia angústia de uma pessoa.
-Todos parecem encantados de minha companhia - disse quando alcançou a sua amiga.
Hermione riu. Ronald reagiu exatamente da maneira oposta. Era evidente que pensava que Gina tinha falado a sério quando fez esse comentário.
-Gina, não acredito que encantadas seja a palavra adequada. Em realidade, apostaria a que...
Olhou a sua esposa para lhe pedir ajuda para suavizar a verdade. Entretanto, Hermione não lhe pôde dar nenhuma ajuda. Não podia deixar de rir.
Gina sorriu ao Ronald.
-"Consternados" seria uma palavra melhor?
-Não -disse Hermione-. Indignados, desgostados, ou talvez...
-Já basta -interrompeu Ronald com um rouco grunhido. A faísca de seus olhos indicava que em realidade não estava zangado-. Então, foi uma brincadeira quando sugeriste...
Gina assentiu.
-Sim, estava brincando. Sei que não sou bem-vinda aqui. Harry me advertiu isso.
Antes que Ronald pudesse fazer nenhum comentário, chamou-o um guerreiro mais ancião. Inclinou-se para Hermione e Gina e logo se dirigiu para o grupo de homens que estavam de pé perto dos degraus do torreão. Hermione enlaçou seu braço com o de sua amiga e começou a baixar a costa.
-Você vai ficar com o Ronald e comigo -explicou-lhe-. Talvez estejamos um pouco apertados mas te quero perto.
-Há mais de uma habitação na cabana?
-Não. Ronald quer acrescentar outra depois de que nasça o bebê.
Ronald baixou a colina para unir-se a elas. O cenho de seu rosto fez que Gina acreditasse que já tinha tido que defender sua presença ante os guerreiros.
-Ronald, vais ter dificuldades por me haver convidado a vir aqui?
Não lhe deu uma resposta direta.
-Acostumarão-se a te ter por aqui.
Alcançaram a cabana. Era a primeira com o passar do caminho. As flores bordeavan o fronte da casa, algumas de cor rosa, outras vermelhas, e a pedra tinha sido completamente branqueada.
Havia uma ampla janela quadrada a cada lado da porta. O interior era quase tão tentador como o exterior. Uma lareira de pedra ocupava o centro de uma parede. Uma grande cama coberta por um formoso e multicolorido edredom estava situada contra a parede oposta e uma mesa redonda rodeada de seis banquinhos ocupava o resto do espaço. O lavabo estava perto da porta.
-Vamos trazer uma cama de armar antes de que caia a noite -prometeu Hermione.
Ronald mostrou seu consentimento com um gesto da cabeça, mas não parecia muito feliz pelo acerto. Mas bem parecia resignado.
Era um tema delicado, mas precisava esclarecer-se o antes possível. Gina se dirigiu à mesa e se sentou.
-Ronald, por favor, não vá ainda - chamou quando viu que tinha começado a ir para a porta-. Eu gostaria de conversar contigo a respeito da disposição do alojamento.
Ronald girou, recostou-se contra a porta, cruzou os braços sobre o assumo e esperou a que se explicasse. Pensava que Gina ia sugerir que se buscasse outro lugar onde estar enquanto permanecesse ali, e já se estava preparando para a desilusão de sua esposa quando lhe dissesse que não a Gina. Embora agora não fosse possível ter um contato intimo com Hermione, ainda desfrutava abraçando-a pelas noites e Por Deus que não ia renunciar a isso.
A não ser que Hermione ficasse chorosa outra vez, admitiu Ronald. Renunciaria a algo com tal para acalmar sua angústia.
Gina ficou surpreendida ante o intenso sobrecenho franzido que Ronald lhe dedicava. Resultava que o marido do Hermione tinha um caráter tão áspero como o do Harry. Contudo, agradava-lhe, é obvio, e tudo porque pela maneira em que olhava a sua esposa se podia ver que a amava.
Gina cruzou as mãos.
-Não me parece que seja apropriado de minha parte ficar com vós. Devem ter sua intimidade pelas noites - acrescentou apressadamente quando parecia que Hermione ia discutir- Por favor, não se ofendam -disse-. Mas acredito que um marido e uma esposa devem ter um momento a sós. Não há algum lugar no qual eu possa ficar e que esteja perto?
Hermione negava veementemente com a cabeça enquanto Ronald falava.
-A segunda cabana do caminho está vazia. É menor que a nossa, mas estou seguro de que te vai gostar.
-Ronald, quero que fique conosco.
-Acaba de explicar que não quer tal coisa, carinho. Deixa-a que faça o que queira.
Gina estava envergonhada.
-Não é que não queira ficar...
-Aí tem, vê? Sim quer...
-Hermione, eu vou ganhar esta discussão - anunciou Gina. Fez-lhe um gesto com a cabeça a sua amiga quando fez essa predição.
-Por que?
-Porque é meu turno - explicou-. Você pode ganhar a próxima.
-Deus, que obstinada é. Está bem. Pode ficar na cabana do Elmont. Ajudarei a te pôr cômoda.
-Não o fará - intercalou Ronald-. Vais descansar esposa. Eu me encarregarei da comodidade de sua amiga.
Agora Ronald parecia estar muito mais feliz. Gina supôs que estava aliviado de que ela se fora a dormir em outra parte. Inclusive lhe sorriu. Gina lhe devolveu o sorriso.
-Suponho que Elmont já não vive ali e que não lhe incomodará.
-Está morto - disse-lhe Ronald-. Não lhe vai importar absolutamente. Hermione moveu a cabeça em um gesto negativo ante seu marido. Ele piscou um olho e logo abandonou a cabana.
-Meu marido não queria parecer tão insensível, mas Elmont era muito ancião quando faleceu e sua morte foi em paz. Ronald só estava brincando um pouco. Acredito que estais tem cansado , Gina.
-Ama-o muito, não é assim, Hermione?
-Sim - respondeu sua amiga. Sentou-se à mesa e se passou uma boa hora falando de seu marido. Contou a Gina como o tinha conhecido, como ele a tinha rodeado implacavelmente, e terminou mencionando só cem ou duzentas de suas qualidades especiais.
Quão único aquele homem não era capaz de fazer era caminhar sobre a água... Ainda. Gina fez esse comentário quando sua amiga fez uma pausa para tomar ar.
Hermione riu.
-Estou tão feliz de que esteja aqui.
-Não feri seus sentimentos por querer dormir em outro lado?
-Não, é obvio que não. Além disso, vais estar o suficientemente perto para me ouvir gritar se surgir a necessidade. Devo tomar cuidado de não excluir Ronald. Os sentimentos de meu marido sim resultam feridos com muita facilidade se acreditar que não lhe estou emprestando suficiente atenção.
Gina tratou de não rir. Ronald era um homem tão bruto. A idéia de que pudesse ter sentimentos feridos era muito divertida e terrivelmente doce.
-Parece com seu irmão.
-Um pouco, talvez -concordou Hermione-. Entretanto, Ronald é muito mais bonito.
Gina era da opinião que em realidade era o oposto. Harry era muito melhor. Decidiu que na verdade o amor devia trocar a percepção.
-Ronald é incrivelmente doce e carinhoso.
-Harry também - comentou Gina antes de que pudesse deter-se.
Imediatamente, sua amiga quis estar segura sobre esse comentário.
-E como poderia saber se Harry é afetuoso ou não?
-Beijou-me. - Sussurrou a confissão, sentiu que se ruborizava e imediatamente baixou o olhar. - Duas vezes.
Hermione estava pasma.
-E você lhe devolveu o beijo... Duas vezes?
-Sim.
-Entendo.
Gina moveu negativamente a cabeça.
-Não, não entende nada - replicou-. Sentimo-nos atraídos o um pelo outro. Não estou do todo segura de por que, mas isso não importa, em realidade. A atração já se terminou. Sério - acrescentou quando viu a reação de sua amiga.
Hermione não acreditava. Estava negando com a cabeça.
-Sei por que se sentia atraído para ti - disse.
-por quê?
Hermione elevou os olhos para o céu.
-Sinceramente, não tem nada de vaidade dentro de ti. Alguma vez te olha no espelho? É formosa, Gina. -deteve-se para soltar um dramático suspiro.- Ninguém se há feito o tempo de lhe dizer isso
-Isso não é verdade - Muriel e Herbert me deram muitos cumprimentos. Fizeram-me saber o muito que me amavam.
-Sei - aceitou Hermione-. Mas a pessoa de que mais necessitava aceitação te voltou as costas.
-Não comece Hermione - advertiu-lhe Gina-. Minha mãe não pode evitar ser da maneira que é.
Hermione suspirou.
-Bilius ainda se embebeda formidavelmente todas as noites?
Gina assentiu.
-Agora também bebe durante o dia.
-O que supõe que te teria acontecido se não tivesse tido a sua tia Muriel e a seu tio Herbert para te proteger quando era tão pequena e vulnerável? Penso nessas coisas agora que estou esperando a meu filho.
Gina não sabia o que dizer ante aqueles comentários. Seu silêncio disse a sua amiga que se tranqüilizasse.
-Teve problemas para partir? -perguntou Hermione - Me preocupei porque sabia que provavelmente estaria nas terras do Bilius. Sempre tem que estar com ele durante seis meses, e não podia recordar exatamente quando te mudaria de volta. Estive bastante inquieta por isso.
-Estava com Bilius, mas não tive nenhum problema em partir - replicou Gina-. Minha mãe já se foi a Londres, a corte do rei.
-E Bilius ?
-Estava bêbado quando lhe disse que partiria. Não estou segura de que sequer ira recordar na manhã seguinte. Muriel e Herbert o dirão de novo se houver necessidade disso.
Não desejava falar mais de sua família. Havia tal tristeza nos olhos de Hermione que Gina se propôs averiguar o motivo.
-Sente-se bem? Quando tem que chegar o bebê?
-Sinto-me gorda - respondeu Hermione-. E suponho que ficam oito ou nove semanas mais antes de que chegue a hora.
Gina tomou a mão de sua amiga.
-Me diga o que anda mau.
Não tinha que explicar essa amável ordem. Sua amiga entendeu o que lhe estava perguntando.
-Se não fora pelo Ronald, odiaria isto.
A veemência na voz do Hermione disse a Gina que não estava exagerando sua desdita.
-Sente falta de seu pai e a seus irmãos?
-Sim - respondeu-. Todo o tempo.
-Então peça a Ronald que vá buscá-los para uma larga e agradável visita.
Hermione negou com a cabeça.
-Não posso pedir nada mais - sussurrou-. Tivemos que ir ao conselho para pedir permissão para que pudesse vir.
Com o estimulo de Gina, explicou tudo sobre o poder do conselho. Contou ao Gina como Harry tinha intervindo quando a oligarquia se estava preparando para lhe negar a petição e quão atemorizada tinha estado durante toda aquela dura prova.
-Não entendo por que teve que pedir ao conselho para obter a permissão - comentou Gina-. Embora eu seja inglesa, ainda não entendo a necessidade de ter a aprovação do conselho.
-A maioria dos Maitland têm boas razões para ter aversão aos ingleses - explicou Hermione-. Perderam a familiares e amigos em batalhas contra os ingleses. Também odeiam a seu rei John.
Gina se encolheu de ombros.
-A verdade é que a maioria dos barões da Inglaterra lhe têm aversão ao rei. -Resistiu o impulso de fazê-la sinal da cruz, para não arder no purgatório por difamar a seu rei. - É egoísta e cometeu enganos terríveis; pelo menos, isso é o que me diz o tio Herbert.
-Sabia que o rei estava prometido para casar-se com uma escocesa e logo trocou de opinião?
-Não sabia, mas não me surpreende. Hermione, o que quiseste dizer quando mencionaste que não lhe podia pedir nada mais ao Ronald? Por que não pode ir procurar a seu pai?
-Aos Maitland não agradam os forasteiros -respondeu-. Tampouco lhes agrado eu.
Parecia uma menina quando soltou impulsivamente esse comentário. Gina pensou que talvez seu delicado estado era a razão de sua confusão emocional.
-Estou muito segura de que agrada a todos.
-Não me estou inventando isso - sustentou-. As mulheres pensam que sou uma malcriada e que estou acostumada a me sair com a minha.
-Como sabe?
-Uma das parteiras me disse isso. -As lágrimas começaram a lhe rodar
Pelas bochechas. As enxugou com o dorso da mão. - Tenho tanto medo em meu interior. Também tive medo por ti. Sabia que era egoísmo de minha parte te pedir que viesse.
-Anos atrás te dava minha palavra de que viria -recordou-lhe Gina-. Teria me feito mal sim se não me tivesse chamado. Não diga tolices.
-Mas a promessa que te obriguei a te fazer... isso foi saber que terminaria aqui -gaguejou-. Estas pessoas são tão... frias. Preocupava-me que pudessem te ofender.
Gina sorriu. Quão típico de sua amiga estar tão preocupada com seu bem-estar.
-Hermione, sempre te há sentido assim, ou começou a odiar este lugar depois de descobrir que estava grávida?
Sua amiga teve que estudar a pergunta durante uns instantes.
-Ao princípio estava feliz, mas logo esteve muito claro para mim que não encaixava aqui. Sinto-me como uma estrangeira. Faz mais de três anos que me casei e ainda não me consideram uma Maitland.
-Por quê?
-Talvez porque me criei na fronteira respondeu-. Ao menos isso poderia ser parte de seu raciocínio. Supunha-se que Ronald devia casar-se com outra pessoa. Não tinha pedido sua mão, mas se supunha que o faria. Logo me conheceu.
-Você conversou com Ronald sobre isso?
-O mencionei várias vezes - disse-. Meu marido não pode obrigar às mulheres a gostarem de mim. Não quero morrer aqui. Oxalá Ronald me levasse de retorno à casa de papai antes do parto e me pudesse ficar ali até que tudo termine.
-Não te vais morrer. -Gina quase gritou essa negação. - depois de todas as dificuldades e a vergonha que passei, vai ser melhor que não morra.
Hermione se sentiu consolada pela ira na voz de seu amiga.
-Me conte as dificuldades que passaste -pediu-lhe, com a voz cheia de entusiasmo.
-Nos últimos dois anos falei pelo menos com cinqüenta parteiras, e lhe juro que memorizei cada palavra que me disseram. Muriel estava tão decidida como eu, e fez que os criados percorressem os campos em busca destas mulheres. Não sei o que teria feito sem sua ajuda.
-Muriel é uma mulher muito amável.
-Se, é - concordou Gina-. Manda-te seu carinho, é obvio.
Hermione assentiu.
-Me diga o que aprendeste que essas parteiras.
-Para te ser completamente honesta, ao princípio ouvi tantas opiniões divergentes que quase me desanimei. Alguém me dizia que durante o parto a habitação tinha que estar tão quente como o purgatório e outra apoiava com veemência exatamente o contrário. Sim, foi frustrante, Hermione. Então aconteceu um milagre. Uma manhã, uma parteira chamada Maude entrou no torreão, comportando-se como se aquele lugar lhe pertencesse. Era anciã e parecia terrivelmente frágil, com os ombros cansados e as mãos nodosas. Era um espetáculo, sério. Vou te confessar que imediatamente tive dúvidas quanto a seus conhecimentos. Logo me dava conta de quão tola era essa conclusão. Hermione é uma mulher amabilíssima: Também estava cheia de perspicácia e me disse que a maioria de suas opiniões estavam apoiadas só no sentido comum. É parteira há muitíssimos anos, mas seus métodos são em realidade bastante modernos. Mantém-se a par de todas as mudanças e diz que sempre está interessada em conhecer as técnicas mais novas. É uma parteira totalmente entregue ao seu trabalho. Se não fosse tão velha e frágil, lhe teria rogado que viesse aqui comigo. A viagem teria sido muito para ela.
-As mulheres nunca lhe teriam permitido intervir - disse Hermione-. Não o entende, Gina.
-Então me ajude a compreendê-lo. Falaste com a parteira daqui com respeito a seus temores?
-Meu deus, não - respondeu apressadamente Hermione-. Se lhe disser que tenho medo, isso só pioraria as coisas. Seu nome é Belatriz e não a quero perto quando me chegar à hora. Ela e outra mulher chamada Narcisa são as únicas duas parteiras daqui. As duas se comportam de maneira muito arrogante. Supõe-se que a filha do Belatriz, Cho, vai se casar com o Harry quando este a pedir e acredito que essa é a razão pela que Belatriz sempre vai com ares de presunção. Acredita que vai se converter na sogra do chefe.
Gina sentia o coração como se lhe tivesse cansado até o fundo do estômago. Voltou o olhar à superfície da mesa para que Hermione não notasse quão perturbada se sentia ante aquela notícia.
Seu amiga não o notou. Seguiu com sua explicação.
-As bodas não são seguras mais que na mente do Belatriz, e Ronald não acredita que Harry tenha intenção de pedir a mão da Cho.
-Então, por que Belatriz acredita que sim?
-Sua filha é uma mulher formosa. A verdade é que provavelmente seja a mulher mais bonita de todo o clã. Não é uma razão muito profunda, mas Belatriz acredita que, devido a sua filha é tão atraente, sem duvidas Harry a ira querer. Cho é meio tola e não pode conservar um pensamento muito mais tempo que uma pulga.
Gina fez um gesto negativo com a cabeça.
-Hermione, deveria te envergonhar de dizer coisas tão cruéis a respeito dessa mulher. -Tratou de parecer seria com respeito ao que acabava de dizer, mas arruinou o efeito por completo ao tornar-se a rir.- Uma pulga, Hermione?
Sua amiga assentiu. Logo começou a rir também.
-OH, Gina, estou tão feliz de que esteja aqui.
-Eu estou igualmente feliz de está-lo.
-O que vamos fazer?
A mudança de humor do Hermione ocorreu com tanta rapidez que Gina ficou bastante assombrada. Tinha estado rindo fazia um momento e agora parecia que fora a tornar-se a chorar de novo.
Maude havia dito ao Gina que as mães grávidas eram propensas a ter estalos emocionais. Também lhe havia dito que era necessário um estado mental acalmado e tranqüilo para ter um parto sem complicações. Cada vez que a mãe se transtornava, devia ser tranqüilizada o mais possível.
Gina seguiu esse ditado agora. Acariciou a mão do Hermione e lhe sorriu. Tentou comportar-se com confiança.
-Fazer a respeito do que? Tudo vai sair bem, Hermione.
-Belatriz não te permitirá me ajudar quando começar meu parto. E não quero que essa vil mulher esteja perto de mim. Assim, o que vamos fazer?
-Não mencionaste a outra parteira chamada Narcisa ? O que acontece ela?
-Belatriz lhe ensinou tudo o que sabe - replicou Hermione-. Acredito que tampouco a quero perto de mim.
-Tem que haver mais parteiras aqui - disse Gina-. Pelo número de cabanas e a multidão que pude ver quando chegamos, supus que havia quase quinhentos homens e mulheres vivendo aqui.
-Acredito que o dobro - estimou Hermione-. Não viu todas as cabanas ao longo da parte traseira da montanha. Só se contam os guerreiros e o número deles chega a seiscentos no mínimo.
-Então tem que haver outras parteiras aqui disse de novo Gina.
Hermione negou com a cabeça.
-Belatriz dirige as coisas - explicou-. E como sou a cunhada do chefe do clã, insistirá em trazer para o mundo ao bebê. Se houver outras parteiras, não dirão nada a respeito. Não querem que Belatriz se irrite.
-Entendo.
De repente, Gina se sentiu mal. O pânico estava começando a apoderar-se de seu interior. Por amor de Deus, não estava preparada para enfrentar sozinha a essa tarefa. Sim, tinha recolhido toda a informação a respeito dos últimos métodos de parir, mas nunca lhe tinha permitido observar um parto verdadeiro e se sentia completamente incapaz para fiscalizar com cuidado o de Hermione.
Por que nada era alguma vez fácil? Gina se tinha imaginado enxugando a frente de sua amiga durante os dores e também sustentando a da mão e dizendo "Bom, bom" de vez em quando, enquanto uma parteira com experiência se ocupava das tarefas mais necessárias.
As lágrimas corriam outra vez pelas bochechas do Hermione. Gina deixou escapar um pequeno suspiro.
-Só estou segura de uma coisa - declarou-. Vais ter este bebê. Estou aqui para te ajudar e estou segura de que entre as duas poderemos solucionar qualquer problema, não importa quão impossível pareça.
Aquela forma de falar tão prática tranqüilizou Hermione.
-Sim - concordou.
-É possível conquistar Belatriz ou nos rendemos ante ela?
-Rendemo-nos - respondeu Hermione-. Não vai trocar sua maneira de ser. É cruel, Gina. Cada vez que tem a oportunidade, faz horríveis comentários sobre o dor que vou ter que suportar. Também gosta de contar histórias sobre outros partos difíceis.
-Não deve escutá-la -disse Gina. Sua voz soava agitada pela ira. Nunca tinha ouvido nada tão terrível. Belatriz realmente parecia ser cruel. Gina movia negativamente a cabeça enquanto pensava em toda esta desoladora situação.
-Sei o que está pensando - sussurrou seu amiga-. Está tratando de entender Belatriz, não é verdade? Uma vez que encontre uma razão para seu comportamento, te vais propor trocá-lo. Não me vai importar - adicionou-. Não me importa se converte em um anjo. Não me vai aproximar.
-Não, não estou tratando de entendê-la. Já sei por que se comporta dessa maneira. Busca o poder, Hermione. Utiliza o temor e a vulnerabilidade de uma mulher para obter o que deseja. Alimenta-se de suas fraquezas. Maude me disse que existiam mulheres como ela. Nada do que eu possa fazer vai trocar sua atitude. Não se preocupe. Não vou permitir que te aproxime. Prometo-lhe isso.
Hermione assentiu.
-Já não me sinto tão sozinha - confessou-. Cada vez que tento falar com o Ronald sobre o parto, transtorna-se muito. Teme por mim e sempre termino consolando-o.
-Ama-te - disse Gina-. Por isso está preocupado.
-Não posso imaginar por que me ama. Ultimamente estive tão difícil. Choro todo o tempo.
-Não há nada mau nisso.
Hermione sorriu. Gina sempre tinha sido sua advogada. Sentia-se muito afortunada de tê-la por amiga.
-Já falei muito de meus problemas. Agora quero falar dos teus. Vais tentar ver seu pai enquanto esteja aqui?
Gina se encolheu de ombros.
-Tornou-se um pouco complicado. Primeiro, não me tinha dado conta de quão grandes são estas Highlands - disse-. E segundo, ouvi que os Maclean estão inimizados com os Maitland.
-Como o descobriu?
Gina lhe explicou a respeito da conversação que tinha tido com a mãe da Dora. Hermione estava franzindo o sobrecenho quando terminou.
-O que te disse é verdade. Os Maclean são nossos inimigos.
-Meu pai poderia estar morto.
-Não o está.
-Como sabe?
-Pedi ao Ronald que me contasse como era o chefe dos Maclean, fingindo só uma leve curiosidade, é obvio, e me disse que era um homem ancião que tinha governado o clã durante muitos anos.
-Que mais te disse?
-Nada mais - disse Hermione-. Não quis incomodá-lo. Se tivesse feito muitas perguntas, me teria perguntado por que estava tão interessada pelos Maclean. Prometi-te que nunca contaria a ninguém quem é seu pai e, já que te fiz essa promessa antes de me casar com o Ronald, não o posso contar. Além disso, daria um ataque. Gina, ninguém deve sabê-lo jamais, não enquanto esteja aqui. Seria perigoso para ti.
-Harry me protegeria.
-Não sabe nada do Maclean - sustentou-. Não sei o que faria se soubesse.
-Acredito que ainda me protegeria.
-Parece estar muito segura.
Gina sorriu.
-Estou segura - disse-. Mas não importa, verdade? Harry nunca o averiguará. Nem sequer estou segura de querer conhecer meu pai. Entretanto, tinha esperado vê-lo de longe.
-E o que obteria com isso?
-Minha curiosidade estaria satisfeita.
-Deve falar com ele - insistiu Hermione-. Não sabe se largou a sua mãe ou não. Precisa descobrir a verdade. É indubitável que não pode acreditar na história de sua mãe, depois de todas as mentiras que lhe disseram.
-Sei com segurança que nunca foi a Inglaterra para nos buscar declarou Gina. Instintivamente, sua mão foi para o colo. O anel de seu pai estava protegido entre seus seios pendurado de uma corrente de ouro, debaixo do vestido. Deveria ter deixado o anel em casa, mas não tinha podido fazê-lo. Não podia entender por que. Deus era uma confusão.
Deixou cair a mão de novo sobre a mesa.
-Me prometa que, se não surgir alguma maneira, vais deixar correr tudo isto. De acordo?
Hermione assentiu só para aplacar a sua amiga. Dava-se conta de que era uma conversação dolorosa para o Gina. Decidiu trocar de tema e começou a recordar algumas de suas aventuras nos festivais.
Em muito pouco tempo, ambas as mulheres estavam rindo.
Ronald pôde ouvir o som da risada de sua esposa do exterior. Reagiu com outro sorriso. A amiga já estava ajudando. Sirius caminhava junto a Ronald. Também sorriu.
-Hermione está contente de ter aqui Gina -comentou.
-Sim, assim é - replicou Ronald.
Ainda sorria quando entrou na cabana. Esta vez, sua esposa recordou suas maneiras. Ficou de pé imediatamente e se dirigiu para seu marido. Gina também ficou de pé. Cruzou as mãos e deu sua saudação aos dois guerreiros.
Sirius trazia três bolsas de Gina. Ronald levava outras duas. Os homens deixaram cair à bagagem sobre a cama.
-Exatamente, quanto tempo pensa ficar, moça? -perguntou Ronald.
Parecia preocupado. Gina não pôde evitar lhe fazer uma brincadeira.
-Só um ano ou dois - respondeu. Ronald tratou de não ficar pálido. Gina riu-. Estava brincando - disse-lhe então.
-Sirius, deve ficar para jantar - disse Hermione-. Gina, não brinque com o Ronald. Fez que a cor lhe abandonasse o rosto.
Ambas as mulheres consideravam esse fato como algo muito divertido. Ainda se estavam rindo quando Simas e Dudley apareceram na soleira da porta, que estava aberta. Os dois guerreiros pareciam um pouco tímidos. Imediatamente, Hermione também os convidou para jantar.
Ronald parecia estar surpreso de ter visitas. Gina ajudou a sua amiga a terminar com os preparativos da comida. Hermione tinha preparado um espesso guisado de cordeiro e tinha assado formas redondas de magnífico pão negro.
Os homens se apinharam ao redor da mesa. Gina e Hermione lhes serviram antes de sentar-se apertadamente junto ao Ronald para comer.
Nem Gina nem Hermione tinham muito apetite. Falaram entre si durante tudo o jantar. Ronald notou que Simas olhava com fixidez para Gina em vez de comer, e quando se deu conta de que Dudley tampouco havia mexido na comida, compreendeu a razão daquela espontânea visita.
Ambos estavam gostados muito do Gina. Ronald teve que conter-se para não rir. As damas estavam alheias aos homens. Desculparam-se e saíram da mesa e se dirigiram para a cama. Gina entregou a sua amiga todos os presentes que tinha preparado e se ruborizou de alegria ante a felicidade do Hermione. Todos os presentes eram para o bebê, mas Gina também tinha confeccionado a sua amiga uma formosa camisola branca com rosas azuis e rosadas bordadas com o passar do pescoço. Tinha-lhe levado um mês inteiro para terminá-lo. O trabalho havia valido a pena, já que Hermione pensou que a camisola era linda.
Já que as mulheres não lhes estavam prestando atenção, os homens não acreditaram necessário ocultar seu interesse. Seus olhares se centraram sobre o Gina. Ronald notou que cada vez que ela sorria, os soldados também o faziam. O interesse do Sirius foi o que mais o surpreendeu, já que em geral se arrumava muito bem, para manter suas emoções sob um forte controle.
- Do que te está rendo? Perguntou-lhe de repente Sirius.
-De ti respondeu Ronald.
Antes que Sirius pudesse responder a essa sincera réplica, Gina lhe falou.
-Sirius, esqueci de levar as bolachas doces a Nimphadora.
-Encarregarei de que as receba - disse Sirius. Gina fez um gesto negativo com a cabeça.
-Quero conhecê-la - explicou. Ficou de pé e se aproximou da mesa - tenho umas mensagens para lhe dar de parte de sua mãe.
-Te ensinarei o caminho com prazer -ofereceu-se Simas.
-Farei-o eu - anunciou Dudley com voz muito mais firme.
Sirius negou com a cabeça.
-Nimphadora é minha cunhada - disse com irritação-. Eu ensinarei o caminho para Gina.
Harry tinha aberto a porta e ficou ali de pé escutando a discussão. Tinha dificuldades para acreditar o que estava ouvindo... E vendo. Seus guerreiros estavam se comportando como galãs feridos de amor enquanto discutiam a respeito de quem devia escoltar ao Gina.
Entretanto, Gina não tinha nem idéia dos verdadeiros motivos. Parecia confundida ante toda a atenção que estava recebendo.
Simas chamou a atenção de Harry. Colocou as mãos sobre a mesa e se inclinou para frente para lançar um olhar furioso ao Sirius.
-A cabana da Dora está perto da de meu tio e de todos os modos eu vou passar por ali. Portanto, eu me encarrego da tarefa de ensinar o caminho ao Gina.
Então Ronald riu. Todos pareceram reparar em Harry ao mesmo tempo. A reação do Gina foi a mais delatora, em opinião do Ronald. A alegria de sua expressão era mais que evidente.
Harry parecia irritado. Apenas se dignou olhar para Gina antes de lhe dedicar toda sua atenção a seu irmão.
-Entende agora minhas razões?
Ronald assentiu.
Gina e Hermione intercambiaram um olhar.
-Que razões, chefe Harry? -perguntou Hermione.
-Chefe Harry? -repetiu Gina antes que Harry pudesse responder a pergunta-. Por que não o chama simplesmente Harry?
Hermione cruzou as mãos sobre o colo.
-Porque é nosso chefe - explicou.
-Mesmo assim, é seu irmão - rebateu Gina-. Não deveria ser tão formal com ele.
Sua amiga assentiu. Levou o olhar para o Harry e se obrigou a sorrir. O guerreiro a intimidava e lhe custou um grande esforço olhá-lo diretamente aos olhos. O homem ocupava toda a entrada. Inclinou a cabeça debaixo da saliente da porta e, uma vez que esteve completamente dentro, se. Apoiou contra uma esquina da parede e cruzou os braços sobre o peito, em uma postura de total indiferença.
-Harry - começou Hermione, e fez uma careta ante o tremor de sua voz-. A que razões te refere?
Harry se deu conta de que sua cunhada em realidade lhe temia. Ficou bastante assombrado ante aquela revelação. Obrigou-se a falar com voz suave, em um esforço por tranqüilizar seus temores quando lhe respondesse.
-Ronald me pediu que permitisse que Gina ficasse na cabana vazia. Neguei-me. Seu marido entende minhas razões.
Hermione assentiu imediatamente. Não estava disposta a discutir com seu chefe. Além disso, o acerto lhe convinha muito. Desejava que Gina ficasse com o Ronald e ela.
-Seus convidados partem já - disse-lhe Harry a seu irmão.
Simas, Dudley e Sirius saíram imediatamente em fila da cabana. Harry se separou de seu caminho e logo voltou a situar-se perto da porta. Havia-lhes dito algo aos guerreiros quando passaram a seu lado, mas a voz tinha sido tão baixa que nem Gina nem Hermione puderam ouvi-lo. Entretanto, Ronald sim, e seu súbito sorriso indicou que lhe divertiam os comentários de seu irmão.
-Harry, por favor, posso te falar um minuto em privado? -perguntou Gina.
-Não.
Gina não se intimidou. Havia mais de uma maneira de esfolar um peixe.
-Ronald?
-Sim, Gina.
-Preciso falar em privado com seu chefe. Poderia arrumá-lo, por favor.
Ronald tinha o aspecto de estar pensando que Gina tinha perdido o julgamento. Gina jogou o cabelo para trás lançando um suspiro.
-Estou seguindo a cadeia de mando deste lugar. Supõe-se que eu devo pedir isso a ti e se supõe que você o deve pedir a seu chefe.
Ronald não se atrevia a olhar para Harry. Sabia que seu irmão já estava irritado. A expressão de seus olhos quando tinha visto que Simas, Dudley e Sirius olhavam com a boca aberta para Gina era desconhecida até então para o Ronald. Se não tivesse sabido que estava equivocado, teria pensado que em realidade seu irmão estava ciumento.
-Harry... -começou Ronald.
-Não. -Harry negou bruscamente.
-Senhor, que difícil é - murmurou Gina.
Hermione deixou escapar um som que era metade suspiro e metade fôlego. Ainda estava sentada no bordo da cama. Estirou o braço para tocar o do Gina.
-Não deveria criticar ao chefe Harry - sussurrou.
-Por que não? -sussurrou a sua vez Gina.
-Porque Cedrico diz que Harry é um maldito canalha quando se enfurece - replicou Hermione.
Gina se pôs-se a rir. Voltou-se para olhar outra vez ao Harry e soube imediatamente que tinha ouvido o comentário do Hermione. Entretanto, não estava zangado. Não, o brilho de seus olhos indicava justamente o contrário. Ronald estava bastante consternado ante o comentário de sua esposa sussurrado em voz alta.
-Por amor de Deus, Hermione... -começou Ronald.
-Era um comentário que estava fazendo Cedrico -replicou sua esposa-. Além disso, não se supunha que devia escutá-lo você.
-Quem é Cedrico? -perguntou Gina.
-Um safado incrivelmente bonito - replicou Hermione-. Ronald, não me franza o sobrecenho. Cedrico é de aparência agradável. O vais reconhecer com facilidade, Gina - adicionou com um rápido olhar em direção a sua amiga-. Sempre está rodeado por uma multidão de jovenzinhas. Odeia toda essa atenção, mas, o que pode fazer? Também você gostará.
-Não, não lhe vai gostar.
Harry fez essa predição. Deu um passo para frente.
-Te vais manter se separada dele, Gina. Entende-me?
Gina assentiu. Não gostava nenhum pingo do tom arrogante de sua voz, mas decidiu não ocupar-se disso naquele momento.
-Como mantemos ao Cedrico afastado dela? -quis saber Ronald.
Harry não lhe respondeu. Gina recordou a tarefa que desejava completar antes de que a noite caísse completamente sobre eles e tomou a bolsa da Andrômeda com as bolachas doces.
-Ronald, por favor, pediria ao Harry que me mostrasse o caminho à cabana do Nimphadora? Devo lhe entregar este presente de sua mãe e lhe transmitir umas mensagens.
-Gina, tem-no de pé diante de ti. Por que não o pede a ele? -perguntou Hermione.
-É esta coisa da cadeia de mando - respondeu Gina com um movimento da mão-. Tenho que segui-la.
-Vêem aqui, Gina.
A voz era suave e geada. Gina se obrigou a sorrir com serenidade e se aproximou dele.
-Sim, Harry?
-Está tratando de me provocar deliberadamente?
Esperava uma negação. Também uma desculpa. Não obteve nenhuma das duas.
-Sim, em realidade acredito que estava tratando de te provocar deliberadamente.
A expressão de assombro no rosto do Harry foi trocando lentamente a um feroz sobrecenho franzido. Deu um passo mais para ela. Gina não retrocedeu. Em honra à verdade, aproximou-se dele ainda mais.
Estavam a só um passo de tocar-se. Gina teve que jogar toda a cabeça para trás para poder olhá-lo fixamente aos olhos.
-Com toda franqueza, acredito que deveria assinalar o fato de que você em realidade me provocaste primeiro.
Era sedutora. Harry tinha dificuldades para seguir a explicação. Sua concentração estava fixa na boca do Gina. Sua própria falta de disciplina era mais terrível para ele que a conduta descarada de Gina.
Não podia permanecer afastado dela. A mulher nem sequer se instalou na cabana de seu irmão e já estava visitando-a.
Gina realmente desejava que lhe dissesse algo. A expressão de Harry não lhe dava nenhuma indicação com respeito ao que estava pensando. De repente se sentiu muito nervosa. Disse a si mesma que era só porque Harry era um homem muito grande e parecia tragar-se todo o espaço a seu redor. Estar de pé tão perto dele tampouco aliviava seu mal-estar.
-Pedi-te que por favor me concedesse um momento em privado de seu tempo e foste muito brusco em seu rechaço. Sim, você me provocaste primeiro.
Harry não podia decidir se queria estrangularia ou beijá-la. Então Gina lhe sorriu um sorriso doce e inocente que fez que desejasse rir. Sabia que nunca poderia tocá-la furioso, que nunca levantaria uma mão contra ela.
Gina também sabia.
Desejou poder saber o que estava pensando Harry. Tampouco deveria ter começado esse jogo de provocação. Era perigoso brincar com um lobo de montanha e, para ela, Harry, apesar de seu caráter amável, podia ser inclusive mais perigoso que um animal selvagem. O poder que radiava dele era quase entristecedor.
Voltou o olhar para o chão.
-Estou muito agradecida por tudo o que tem feito por mim, Harry, e te peço desculpas se acredita que estava tentando te irritar.
Pensou que tinha divulgado adequadamente. Quando levantou o olhar para ver a expressão de Harry, surpreendeu-se de encontrá-lo sorrindo.
-Estava tentando me irritar, Gina.
-Sim, assim é - admitiu-. Mas apesar de todo o lamento.
Nesse momento se deu conta de que estava apertando a bolsa entre os braços. Antes de que Harry se desse conta de suas intenções, deu um rodeio e saiu pela soleira.
-Vai chamar a todas as portas do caminho até que alguém lhe diga onde vive Nimphadora. –Hermione fez essa predição. - Ronald, por favor, quereria...
-Eu o farei - murmurou Harry.
Não esperou a uma discussão. Seu suspiro foi tão forte quanto o som da porta quando a fechou detrás de si.
Alcançou Gina justo quando esta começava a baixar a colina. Não lhe disse nenhuma palavra, mas segurou seu braço para dete-la..
-Fiz uma promessa a Andrômeda, Harry, e vou ocupar de levá-la a cabo.
Sua bravata não foi necessária. Harry já estava assentindo para demonstrar sua conformidade.
-Está indo na direção equivocada. A cabana do Remus está no outro lado do pátio.
Tirou-lhe a bolsa e começou a subir pela segunda colina. Gina caminhava a seu lado. Os braços se roçavam entre si, mas nenhum dos dois se afastou.
-Harry, agora que estamos sozinhos...
A risada do Harry deteve sua pergunta.
-por que está tão alegre?
-Não estamos sozinhos -respondeu-. Apostaria a que pelo menos há vinte pessoas de meu clã nos observando.
Gina olhou a seu redor mas não viu nem a uma só pessoa.
-Está seguro?
-Sim -respondeu com voz cortante.
-por que nos estão observando?
-Curiosidade.
-Harry, por que está zangado comigo? Já me desculpei por ter tratado de te provocar.
Gina lhe pareceu transtornada. Deixou escapar um suspiro. Não estava disposto a explicar as razões por que estava zangado. Diabos, sua presença era malditamente perturbadora para sua paz mental. Desejava tocá-la. Tampouco estava disposto a admitir isso.
-Não estou zangado contigo. Concede-te muita importância se acredita que pudesse experimentar outra coisa exceto um sentido do dever para meu irmão quando cuido de ti.
Foi exatamente igual a se a tivesse golpeado. Não soube o que dizer em resposta a esse cruel fragmento de sinceridade. Decidiu que Harry tinha razão. Concedeu-se muita importância para acreditar que estaria preocupado por ela. Uma insignificante atração era uma coisa; a preocupação era outra.
Os olhos lhe encheram de lágrimas. Felizmente, a débil luz do sol ocultava a expressão para Harry. Manteve a cabeça abaixada e deliberadamente se separou de seu lado até que houve suficiente lugar para dois cavalos entre eles dois.
Harry se sentia mais baixo que o estômago de uma serpente. Amaldiçoou-se por ter sido tão rude, inclusive quando desejou que Gina não fora tão sensível.
Começou a desculpar-se e logo descartou a idéia imediatamente. Não só estava seguro de que também arruinaria isso, mas também, os guerreiros não se desculpavam. As mulheres sim.
-Gina..
Não lhe respondeu.
Deixou de tentá-lo em seguida. Nunca lhe havia dito a ninguém, homem ou mulher, que lamentava seus atos, e Por Deus que não ia começar agora.
-Não era minha intenção te ferir.
Não podia acreditar que havia dito essas palavras até que as murmurou. Teve que sacudir a cabeça ante sua própria conduta inexplicável.
Gina não respondeu reconhecendo sua desculpa, e lhe agradeceu a consideração. Pelo estrangulado som de sua voz, ela devia haver adivinhado quão difícil tinha sido para ele.
Mas Gina não acreditou que ele realmente sentisse uma só palavra de desculpa. De todos os modos, disse-se a si mesma, não havia nada que perdoar. Tinha ferido seus sentimentos, sim, mas lhe tinha estado dizendo como se sentia exatamente.
Harry se sentiu muito aliviado quando alcançaram seu destino. Entretanto, vacilou na soleira. Tanto ele como Gina podiam ouvir Nimphadora que chorava. Também ouviram a voz do Remus e, embora as palavras não fossem claras, seu tranqüilizador tom de voz indubitavelmente o era.
Gina pensou que deveriam retornar a manhã seguinte, mas antes de que pudesse sugeri-lo, Harry já tinha batido na porta.
Remus abriu. A expressão de irritação de seu rosto indicava que não gostava daquela interrupção. Entretanto, quando viu Harry, sua áspera expressão desapareceu.
O irmão do Sirius não lhe parecia em nada, salvo na cor dos olhos Eram do mesmo tom intenso de azul. Era mais baixo que Sirius e não tão arrumado. Seu cabelo era de um castanho claro.
Harry explicou as razões da visita, e quando terminou, Remus encolheu de ombros e logo abriu bem a porta para convidá-los a entrar.
A cabana era similar em tamanho a do Ronald, mas estava cheia de objetos desordenados e esparramadas, e de terrinas de madeira esquecidos um em cima do outro sobre a mesa.
Nimphadora não era uma boa dona-de-casa. A bonita moça estava na cama, sustentada por um montículo de travesseiros detrás de si. Tinha os olhos inchados pelo pranto.
Gina pensou que estava doente. O cabelo castanho lhe pendurava murcho pelos ombros e tinha a pele tão pálida como à lua.
-Não desejo te incomodar - começou Gina. Tomou a bolsa das mãos de Harry e estava a base de pô-la sobre a mesa quando se deu conta de que não havia espaço. Dado que os dois banquinhos também estavam talheres de roupas, resolveu deixá-lo no chão.
-Sua mãe te envia um presente, Nimphadora, e também mensagens, mas não tenho inconveniente em voltar quando te encontrar melhor.
-Não está doente - comentou Remus.
-Então, por que está na cama? -perguntou Gina.
Remus pareceu surpreso pela pergunta. Gina pensou que foi porque tinha sido uma pergunta impertinente.
-vai ter o meu filho em qualquer momento -explicou Remus.
Gina se voltou para o Nimphadora. Viu as lágrimas em seus olhos.
-Tem dores de parto agora?
Dora lhe moveu negativamente a cabeça com veemência. Gina franziu o sobrecenho.
-Então, por que está na cama? -perguntou de novo, tratando de entender.
Remus não podia entender por que a inglesa fazia perguntas tão tolas. Obrigou-se a falar com voz paciente.
-Está na cama para conservar suas forças.
À parteira em que Gina tinha tanta fé lhe teria dado um ataque ante essa lógica tão retorcida. Sorriu para Nimphadora antes de voltar-se para olhar de novo a seu marido.
-Então, por que um guerreiro não conserva suas forças antes de entrar em combate?
Remus levantou uma sobrancelha. Harry sorriu.
-Um guerreiro sempre deve treinar-se para a batalha - respondeu Remus-. Se não se treinar constantemente se volta débil e ineficaz.
Gina encolheu os ombros. Sua atenção já tinha trocado, porque tinha vislumbrado o banquinho de partos em um lugar perto da porta. Imediatamente se dirigiu ali para inspecionar melhor o objeto.
Remus observou seu interesse e recordou uma tarefa que tinha que fazer.
-Harry, quereria me ajudar a levar isto fora? É molesto para o Nimphadora - disse com um sussurro suave-. A vou levar de retorno à casa do Belatriz. Pela manhã.
Ao Gina intrigava tanto o desenho como o acabamento. O banquinho de partos era em realidade uma cadeira com forma de ferradura. O respaldo circular era alto e de aspecto robusto. O assento era só um estreito rebordo desenhado para apoiar as coxas de uma mulher. Tanto as asas de madeira como os flancos estavam recobertos de couro, e o artesão tinha utilizado uma ardilosa técnica para desenhar anjos ao longo dos flancos.
Gina tentou ocultar sua curiosidade.
-Você gostaria de ver o que te envia sua mãe, Nimphadora? -perguntou.
-Sim, por favor.
Gina levou a bolsa para a cama. ficou de pé a seu lado, sorrindo ante o prazer de Nimphadora.
-Tanto seu pai como sua mãe estão bem - disse-. Andrômeda queria que te dissesse que sua prima Rebecca vai se casar com um Stuart no outono.
Dora o secou os olhos com um quadrado de linho. Fez uma careta, aferrou-se às mantas com ambas as mãos e deixou escapar um suspiro grave. Contas de suor lhe apareceram na frente. Gina tomou o pano de linho que tinha deixado cair, inclinou-se sobre a cama e lhe secou o suor.
-Não se sente bem, não é assim? -sussurro.
Nimphadora negou com a cabeça.
-Comi muito do jantar de Remus - sussurrou a sua vez-. Era terrível mas tinha muito apetite. Oxalá me deixasse levantar da cama. Por que está aqui?
Perguntara, de maneira tão informal que tomou Gina por surpresa.
-Para te dar os presentes de sua mãe e te contar as novidades de casa.
-Não, quero dizer por que está aqui nas Highlands - explicou.
-Minha amiga, Hermione, pediu-me que viesse -replicou Gina-. Por que está sussurrando?
A moça sorriu. Então Remus, sem dar-se conta, arruinou o florescente bom humor do Nimphadora.
Harry tinha aberto a porta e Remus estava levando o banquinho de partos fora. Imediatamente, Nimphadora voltou a ficar chorosa. Esperou que Harry fechasse a porta.
-Hermione também tem medo, não é assim? -perguntou então.
-Nimphadora, toda mulher tem um pouco de medo antes do parto. A cadeira te perturba?
Nimphadora assentiu.
-Não quero usá-la.
Estava-se excitando tanto como Hermione quando falava sobre o parto. Gina acabara de conhecer Nimphadora, mas se sentia terrivelmente aflita por ela. Seu medo era muito visível.
-A cadeira não se usa como tortura - disse Gina-. Maude diz que as mulheres que dão à luz estão felizes de ter tal comodidade. É afortunada de ter uma.
-Comodidade?
-Sim - replicou Gina-. Diz que a cadeira se usa de maneira tal que as costas e as pernas de uma mulher ficam apoiadas de maneira muito agradável.
-Quem é essa Maude?
-Uma parteira que conheço - respondeu Gina.
-Que mais disse? -perguntou Nimphadora. Deixou de retorcer a parte superior do edredom.
-Maude ficou comigo umas seis semanas - explicou Gina-. Deu-me muitos conselhos para Hermione.
A desordem na cabana estava distraindo ao Gina, e enquanto repetia algumas das sugestões da parteira dobrava algumas das roupas e colocava os objetos em uma ordenada pilha ao pé da cama.
-Deveria estar levantada e caminhando - disse Gina enquanto se voltava para atacar a desordem que havia sobre a mesa -. Ar puro e largos passeios são tão importantes como uma mente tranqüila.
-Remus teme que eu caia -disse Nimphadora.
-Então lhe peça que caminhe contigo - sugeriu Gina-. Estar encerrada todo o dia me voltaria louca, Nimphadora.
O som da risada de Nimphadora encheu a cabana.
-Está me voltando louca também - admitiu. Jogou atrás as mantas e girou as pernas pelo flanco.
-É parteira na Inglaterra?
-Céus, não - respondeu Gina-. Nem sequer estou casada. Só me propus conseguir toda a informação possível de parteiras com experiência para poder ajudar ao Hermione.
-Quer dizer que na Inglaterra uma mulher solteira pode falar abertamente de um tema íntimo?
Nimphadora parecia consternada. Gina riu.
-Não, não se fala absolutamente, e minha mãe seria muito desventurada se soubesse o que estava aprendendo.
-Castigaria-te?
-Sim.
-Arriscou-te muito por sua amiga.
-Ela faria o mesmo por mim - respondeu Gina.
Nimphadora a olhou com fixamente durante uns instantes e logo assentiu com lentidão.
-Não entendo tal amizade entre mulheres, mas invejo a confiança que tem em Hermione. Arriscou-te e me diz que ela faria o mesmo por ti. Sim, invejo tal lealdade.
-Não teve amigas enquanto crescia?
-Só parentes respondeu Nimphadora-. E minha mãe, é obvio. Em ocasiões era como uma amiga para mim, quando fui um pouco maior era mais uma ajuda para ela.
Dora o ficou de pé e se estirou para tomar o tartán. A parte superior de sua cabeça só chegava ao queixo do Gina e seu ventre parecia ter o dobro de tamanho do Hermione.
-Tens amigas aqui?
-Remus é meu amigo mais querido respondeu Dora -. As mulheres são amáveis comigo, mas estão todas ocupadas com seus afazeres e realmente não a tempo de fazer vida social.
Gina observou com assombro como a mulher se envolvia com destreza na estreita franja de pano. Quando terminou, tinha posto o tartán dos ombros até os tornozelos, com pranchas perfeitamente casais que se ampliavam sobre o ventre inchado.
-Resulta muito fácil falar contigo comentou Nimphadora com um tímido sussurro-. Hermione deve estar feliz de ter sua companhia. Necessita a alguém com quem falar além do Ronald - acrescentou-. Acredito que passou por um momento difícil ao estabelecer-se aqui.
-por que supõe isso? -perguntou Gina.
-Algumas das mulheres maiores acreditam que é presumida - disse Dora o.
-por quê?
-Vive afastada - explicou Dora o-. Acredito que sente falta da sua família.
-Você sente falta da sua família?
-Às vezes sim - admitiu Nimphadora-. Mas as tias do Remus foram muito amáveis comigo. Gostaria de me dizer as outras sugestões dessa parteira? Acredita em utilizar a forquilha de parto? -Nimphadora se voltou para estirar as mantas da cama, mas não antes de que Gina pudesse ver o temor em seus olhos.
-Como conhece isso?
-Belatriz me mostrou isso.
-Bom Deus - sussurrou Gina antes de poder deter-se. Aspirou profundamente para livrar-se da ira. Não estava ali para causar problemas e sabia que não seria apropriado criticar os métodos que as parteiras utilizavam ali. - Maude não é partidária de utilizar a forquilha de parto -disse. Manteve um tom de voz neutro, quase agradável-. Diz que é selvagem.
Nimphadora não demonstrou nenhuma reação ante aquela explicação. Continuou fazendo perguntas para Gina. De vez em quando mordia o lábio inferior e o suor começava a lhe brotar sobre as sobrancelhas. Gina pensou que a conversação a estava perturbando.
Remus e Harry não tinham retornado. Quando Gina o mencionou a Nimphadora, esta riu de novo.
-Provavelmente meu marido esteja desfrutando da paz exterior. Ultimamente estive um pouco difícil.
Gina riu.
-Deve ser uma aflição comum, Nimphadora. Hermione me dizia o mesmo faz menos de uma hora.
-Tem medo de Belatriz?
-Sim, e você?
-Sim.
Gina deixou escapar um suspiro cansado. Na verdade, também estava começando a lhe ter medo daquela mulher. Belatriz parecia ser um monstro. Não tinha nada de compaixão no coração?
-Quanto tempo ate que comece o parto?
Nimphadora não quis olhar ao Gina quando respondeu.
-Uma semana ou duas.
-Amanhã vamos voltar a falar disto. Gostaria vir à casa de Hermione? Talvez nos três possamos encontrar uma maneira de resolver esta preocupação a respeito de Belatriz. Nimphadora, eu sou totalmente inexperiente. Nem sequer vi um parto, mas sim sei que quanto mais informação tenha, o medo tem menos probabilidades de apropriar-se de nós. Não é verdade?
-Ajudaria-me?
-É obvio - respondeu Gina-. Por que não saímos agora? O ar fresco te virá bem.
Nimphadora esteve completamente de acordo. Gina estava a dirigindo para a porta quando Remus a abriu. Fez-lhe um gesto com a cabeça para Gina e logo se voltou para franzir o sobrecenho a sua esposa.
-Por que está fora da cama?
-Necessito ar fresco - respondeu-. Já há devolvido a cadeira de parto ao Belatriz?
Remus negou com a cabeça.
-A entreguei pela manhã.
-Por favor, traga-a de novo - pediu-lhe-. Será uma comodidade para mim tê-la perto.
Enquanto lhe dava esta explicação a seu marido sorria para Gina. Remus parecia estar confundido.
-Mas não queria nem vê-la - recordou-lhe-. Disse...
-Troquei que opinião - interrompeu-o Nimphadora-. Também recordei minhas maneiras. Boa noite, chefe Harry - disse em voz alta.
Gina já tinha saído e agora estava de pé perto de Harry. Negou-se a olhá-lo. Fez uma inclinação para Nimphadora e Remus e logo começou a caminhar de novo para a cabana do Hermione.
Harry a alcançou no topo.
-Tanto Remus como Nimphadora querem que saiba que estão agradecidos por ter lhes entregue os presentes de Andrômeda. Limpou a cabana, não é verdade?
-Sim.
-Por quê?
-Necessitava uma limpeza. -Suas palavras eram curtas e frite.
Harry se tomou as mãos por detrás das costas e seguiu caminhando a seu lado.
-Gina, não o faça mais difícil do que já é - disse em um sussurro áspero.
Gina caminhava tão rápido que quase corria.
-Não tenho intenções de fazer nada difícil - replicou-. Vou-me manter afastada de ti e você vais te manter afastado de mim. Já me recuperei que desta atração insignificante, corriqueira e inconseqüente. Nem sequer recordo te haver beijado.
Tinham chegado ao grupo de árvores frente ao pátio que levava a cabana do Hermione quando lhe disse essa mentira atroz.
-Não o esqueceste absolutamente - murmurou. Tirou-a dos ombros e a obrigou a voltar-se. Logo a tirou do queixo e lhe empurrou o rosto para cima.
-O que crês que está fazendo? -perguntou ela.
-Lhe estou recordando isso.
Então a boca do Harry caiu sobre a de Gina e fechou qualquer protesto que ela tivesse querido fazer. E Deus, como a beijou. Sua boca era ardente, faminta, e sua língua empurrava dentro da boca de Gina com uma suave insistência. Os joelhos de Gina vacilaram. Entretanto, não caiu. Recostou-se contra ele; Harry lhe envolveu a cintura com os braços e a aproximou ainda mais contra ele. Sua boca se inclinava sobre a de Gina uma e outra vez e, que Deus o ajudasse, parecia não obter suficiente dela. Gina lhe devolvia o beijo com igual paixão, talvez inclusive com mais paixão, e o último pensamento coerente que teve antes de que o beijo de Harry lhe tirasse a capacidade de raciocínio foi que indubitavelmente Harry sabia como desfazer-se de sua ira.
Ronald abriu a porta e quase deixou escapar uma risada ante a visão de Harry. Harry não prestou atenção em seu irmão e Gina estava alheia a tudo exceto o homem que a estava sustentando com tanta ternura entre os braços.
Finalmente, Harry se separou dela e olhou com arrogante prazer à formosa mulher que estava em seus braços. A boca do Gina estava torcida e também rosada, e tinha os olhos empanados pela paixão. De repente, desejou voltar a beijá-la.
-Entra agora Gina, enquanto ainda tenho suficiente disciplina para deixa-la ir.
Gina não entendeu o que quis dizer com esse comentário. Tampouco entendeu seu sobrecenho franzido.
-Se te desgosta tanto me beijar, por que continua fazendo-o? Parecia completamente descontente. Harry riu.
Gina se incomodou com essa reação.
-Já pode me soltar - ordenou-lhe.
-Já o tenho feito.
Gina se deu conta de que ainda se estava aferrando a ele e se afastou imediatamente. Jogou o cabelo para trás e girou para entrar na cabana. Ao ver Ronald vagabundeando na porta aberta sentiu que o rosto lhe acalorava até ruborizar-se por completo.
-Não deve tirar nenhuma conclusão do que acaba de ver - anunciou-. Harry e eu nem sequer nós gostamos.
-Poderiam me haver enganado - disse Ronald arrastando as palavras.
Tivesse sido descortês de sua parte pegar a seu anfitrião, pensou Gina, assim em troca lhe franziu o sobrecenho quando passou a seu lado.
-Sim, pareceu-me que os dois vocês se gostavam muitíssimo, Gina.
Harry se tinha girado para voltar a subir a colina. Ouviu o comentário do Ronald e se voltou imediatamente.
-Não diga nada mais, Ronald.
-Espera -chamou Ronald-. Tenho que falar contigo -acrescentou enquanto fechava apressadamente a porta atrás de Gina.
Gina agradeceu a privacidade. Hermione já estava profundamente dormida. Sentiu-se até mais agradecida por isso. Sua amiga a teria acossado com perguntas se tivesse estado acordada e a tivesse visto beijando-se com Harry, e simplesmente Gina não era capaz das responder.
Ronald tinha colocado um biombo em um espaço da habitação, detrás da mesa e as cadeiras. Ali havia uma estreita cama com um bonito edredom verde escuro. As bolsas estavam empilhadas contra a parede junto a uma estreita cômoda. Uma jarra de porcelana branca e uma tigela que fazia jogo estavam sobre a cômoda junto a um floreiro de madeira cheio de flores silvestres frescas.
Hermione tinha tido algo que ver com o acerto da improvisada quarto. Ronald nunca pensaria em pôr flores. Tampouco tivesse tirado a escova e o espelho, e ambos estavam perto, na ponta do banquinho que havia no outro lado da cama.
Gina sorriu ante a consideração de sua amiga. Não se deu conta de que ainda lhe tremiam as mãos até que tentou desatar as presilhas da parte superior de seu vestido. Deu-se conta de que o beijo de Harry lhe tinha feito isso e, Deus santo, o que ia fazer respeito dele? Por isso Hermione lhe tinha contado sobre o ódio entre os Maitland e os Maclean, Gina duvidava de que Harry pudesse havê-la beijado se soubesse que ela era a filha de seu inimigo.
Recordou que lhe havia dito a sua amiga que Harry a protegeria. Agora tinha a desesperadora necessidade de proteger-se a si mesma dele. Não desejava amá-lo. Ai, tudo era tão impossível de entender. Desejava chorar, mas sabia que chorar não ia resolver nenhum de seus problemas.
Estava muito exausta por aquele comprido dia e a viagem para pensar no assunto de maneira lógica. De todos os modos, era mais fácil resolver os problemas à luz da manhã, não era verdade?
Entretanto, o sonho a evitou durante um comprido momento. Quando por fim pôde deixar a um lado a preocupação a respeito de sua crescente atração para o Harry, sua mente se voltou imediatamente para a preocupação por Hermione.
Gina seguia vendo o olhar de medo nos olhos do Nimphadora quando mencionou o nome da parteira e, depois de que por fim Gina flutuou no sonho, ficou apanhada em um pesadelo a respeito de forquilhas de parto e gritos.
Despertaram em meio da noite. Quando abriu os olhos, viu que Harry estava ajoelhado a seu lado. Acariciou-lhe a bochecha com a ponta dos dedos e logo fechou os olhos outra vez. Pensou que estava tendo um sonho incrivelmente real.
Harry não podia deixar de sorrir. A próxima vez que abriu os olhos, notou que Ronald também estava na pequena habitação. Estava de pé atrás de Harry. Hermione estava de pé junto a seu marido.
Gina voltou a atenção para o Harry.
-Me vais levar a casa agora?
Pergunta-a não tinha nenhum sentido, mas para o caso sua presença tampouco.
-Remus me pediu que viesse a te buscar - explicou Harry.
Gina se sentou com lentidão.
-Por quê? -perguntou. Desabou-se contra Harry e fechou os olhos de novo.
-Gina, trata de despertar - disse Harry com voz muito mais forte.
-Está exausta. –Hermione mencionou o que era óbvio.
Gina sacudiu a cabeça. Subiu as mantas até o queixo e as manteve ali.
-Harry, isto não é correto - sussurrou-. O que quer Remus?
Harry ficou de pé antes de explicar.
- Dora pede que vá junto a ela. Acaba de entrar em trabalho de parto. Remus disse que tem muito tempo. Os dores ainda não são fortes.
de repente, Gina esteve completamente acordada.
-As parteiras já estão ali? Harry negou com a cabeça.
-Nimphadora não quer que saibam.
-Quer a ti, Gina - explicou Hermione.
-Eu não sou parteira.
O sorriso do Harry era doce.
-Parece que é agora.
NA.: Ultimo cap do dia heheh - bom isso que faz uma pessoa que nao tem nada para afzer no trabalho, e como ja li milhares de romances decidi atualizar um pouco essa fic hehehe - Espero que gostem...do cap...
amo esse livro acho muito lindo hehe - e so estou passando para nossos personagens amados... (segredo? Todos os romances que leio no PC eu mudo os nomes dos personagens principais para harry e gina OOOO hehehe doida neh)
Beijao pessoal! e quero comentarios hehe
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