CAP 5 - Vinho
Levou-lhes dois dias mais chegar ao território Maitland. Passaram a última noite em um formoso bosque chamado Glennden Falls. Os pinheiros e carvalhos eram tão espessos naquela zona que os cavalos apenas se podiam passar pelo estreito atalho. A neblina, mais branca que cinza e que quase chegava até a cintura em alguns lances, flutuava ao redor dos viajantes e lhe dava um ar mágico ao paraíso.
Gina estava encantada. Caminhou entre a névoa até que ficou completamente rodeada por ela. Harry a observava. Gina se voltou, o encontrou com o olhar fixo nela e lhe sussurrou com voz cheia de assombro que com toda aquele segurança era o lugar mais formoso do mundo.
-Assim é como imagino o céu, Harry - disse-lhe.
Harry pareceu surpreender-se e lançou um amplo olhar a seu redor.
-Talvez -disse logo, com sua arrogante maneira.
Era evidente que nunca se havia feito o tempo de apreciar a beleza que o rodeava. Gina assim o disse. Harry lhe lançou um largo olhar que começou na ponta da cabeça e terminou na ponta das botas. moveu-se para frente e lhe tocou com suavidade o rosto.
-Estou-a notando perfeitamente bem - disse então.
Gina podia sentir que se estava ruborizando. Estava-se referindo a ela, é obvio. De verdade ela o encantava? Estava muito envergonhada para perguntar-lhe. Entretanto, Harry fez que sua atenção trocasse com o anúncio de que poderia tomar um verdadeiro banho.
Estava encantada. A água que caía em quebradas pela suave ladeira estava gelada, mas se sentia muito feliz de ter a oportunidade de esfregar-se por completo para preocupar-se com o frio. Inclusive lavou o cabelo. Teve que trançá-lo ainda úmido, mas isso tampouco a incomodou.
Desejava ver-se da melhor maneira possível quando se reencontrasse com sua amiga. Gina sentia-se um pouco apreensiva com respeito a voltar a ver Hermione. Quase tinham se passado quatro anos desde a última visita. Pensaria sua amiga que tinha mudado muito... e se assim for, pensaria que as mudanças tinham sido para melhor ou para pior?
Gina não se permitiu inquietar-se pelo reencontro por muito tempo. Em seu coração sabia que tudo iria muito bem. Seu entusiasmo aumentou assim que se separou dessa tola preocupação, e ao terminar o jantar estava literalmente passeando ao redor do fogo.
-Sabiam que a esposa de Teddy ficou acordada toda a noite cozinhando para nós? - não perguntou a ninguém em particular-. Mandou para Nimphadora suas bolachas e doces preferidas, mas também fez suficientes para nós.
Simas, Dudley e Sirius estavam sentados ao redor do fogo. Harry estava recostado contra um grosso carvalho e a observava. Ninguém respondeu a seus comentários a respeito da Andrômeda.
Não se intimidou. Nada poderia escurecer seu entusiasmo.
-Por que temos uma fogueira esta noite? Antes não tivemos nenhuma - comentou.
Dudley lhe respondeu.
-Agora estamos em território Maitland. Antes não. Gina deixou escapar um ofego.
-Esta maravilhosa terra lhes pertence?
Tanto Simas como Dudley sorriram. Sirius franziu o sobrecenho.
-Poderia deixar de passear, mulher? Dá-me dor de cabeça te observar.
Lançou um sorriso para Sirius quando passou junto a ele.
-Então não olhe - sugeriu-lhe.
Gina desejava lhe provocar um pouco, mas Sirius a surpreendeu com um sorriso.
-por que está caminhando assim? -perguntou Harry.
-Estou muito entusiasmada com respeito a amanhã para ficar quieta. Passou muito tempo da última vez que vi Hermione e tenho muitas coisas que lhe contar. Minha mente está repleta delas. Tanto que não vou poder pregar um olho esta noite.
Secretamente Harry apostou que sim. Ganhou. Gina ficou completamente dormida assim que fechou os olhos.
Quando chegou a manhã, não permitiu que ninguém lhe colocasse pressas. Advertiu-lhes que iam perder seu tempo, e quando retornou ao acampamento no que Harry e outros a esperavam impacientemente montados a cavalo, seu aspecto era tão mágico como os arredores. Levava um brilhante vestido azul que fazia jogo perfeitamente com a expressiva cor de seus olhos. Levava o cabelo solto e os espessos cachos lhe flutuavam por cima dos ombros quando se movia.
Harry sentiu o estomago revirar. Parecia não poder tirar os olhos dela. Sua falta de disciplina o consternava. Sacudiu a cabeça ante sua própria conduta vergonhosa e franziu o cenho para a mulher que o distraía daquela maneira.
Gina alcançou o claro e logo se deteve. Harry não entendia por que vacilava, até que se voltou e observou que todos seus homens tinham estendido a mão para ela. Cada um deles lhe estava fazendo um gesto para que se aproximasse.
-Vai cavalgar comigo.
A voz sugeria que ninguém discutisse com ele. Gina pensou que estava irritado porque essa manhã tinha demorado muito em estar preparada.
Dirigiu-se para ele com lentidão.
-Já te adverti que necessitaria mais tempo hoje, assim realmente não tem por que estar com o sobrecenho franzido.
Harry deixou escapar um suspiro.
-Não é próprio de uma dama me falar nesse tom - explicou. Gina abriu os olhos.
-Em que tom?
-Exigente.
-Não estava exigindo.
-Tampouco deveria discutir comigo, em realidade.
Gina nem sequer tentou ocultar sua exasperação. Apoiou as mãos sobre os quadris.
-Harry, entendo que porque é o chefe está acostumado a dar ordens às pessoas, mas...
Não pôde terminar com a explicação. Harry se inclinou para baixo, agarrou-a pela cintura e a levantou até seu colo. Gina soltou um grito. Entretanto, não lhe tinha feito mal. Não, foi sua assombrosa rapidez o que a tinha pilhado despreparada.
-Você e eu vamos ter que chegar a algum tipo de entendimento - disse Harry com um tom de voz duro e que não admitia tolices. Voltou-se para seus companheiros.
-Vão em frente - ordenou-. Já os alcançaremos.
Enquanto Harry esperava a que seus homens se fossem, Gina tentou dar volta em seu lugar para ficar olhando para ele de frente. Harry lhe apertou a cintura, uma mensagem silenciosa para que ficasse onde estava.
Gina beliscou o braço dele para que a soltasse. Harry observou quando partiram seus homens e a soltou enquanto esperava ter privacidade para poder falar com o Gina sem que ninguém lhes ouvisse. Imediatamente Gina deixou de retorcer-se.
Voltou-se para levantar o olhar para ele. Essa manhã não se barbeou. Tinha um aspecto um pouco desalinhado e muito, muito masculino.
De repente, Harry voltou toda sua atenção para Gina. Olharam-se fixamente nos olhos durante comprido momento. Harry se perguntava que demônios faria para poder ser capaz de deixá-la só quando chegassem em sua casa. Gina se perguntava como ele tinha chegado a ter aquele perfil tão magnífico e imaculado.
Logo prestou atenção a sua boca. Parecia não poder recuperar o fôlego. Que o céu a ajudasse, na verdade desejava que a beijasse.
Ele desejava beijá-la. Respirou profundamente em um esforço por controlar seus pensamentos desencaminhados.
-Gina, esta atração entre nós provavelmente se deva ao feito de que fomos obrigados a tolerar a companhia do outro durante quase uma semana. Tenho certeza...
Gina tomou nota imediatamente da pobre eleição de palavras.
-Sente que lhe obrigaram a tolerar minha companhia?
Não prestou atenção à interrupção.
-Quando chegarmos em casa, tudo vai trocar, é obvio. Há uma cadeia de mando muito concreta, e todos no clã Maitland aderem às mesmas regras.
-Por quê?
-Para que não se produza um caos.
Esperou que Gina assentisse antes de continuar. Estava tratando de não olhar aquela doce boca.
-A regra que todos seguimos... ou a cadeia de mando, deixou-se de um lado durante esta viajem por necessidade, mas uma vez que cheguemos a nosso destino, não vamos ter uma relação tão inestruturada.
Outra vez fez uma pausa. Gina supôs que estava esperando seu consentimento. Obedientemente, assentiu. Harry pareceu aliviado até que Gina fez uma pergunta.
-Por quê?
Soltou um suspiro.
-Porque eu sou o chefe do clã.
-Já sabia que és o chefe - replicou-. E também estou segura de que é um chefe magnífico. Entretanto, pergunto-me o porquê desta conversação. Acredito que já lhe mencionei isso antes, eu não sou um membro de seu clã.
-E eu estou seguro de que te expliquei que, enquanto seja hóspede em minha terra, vais ter que obedecer às mesmas regras que todos outros.
Gina lhe acariciou o braço.
-Ainda está preocupado que eu vá causar problemas, verdade?
De repente, sentiu desejos de estrangulá-la.
-Vou tentar me levar bem com todos -sussurrou-. Não vou causar nenhum problema.
Harry sorriu.
-Não estou seguro de que isso seja possível. Assim que se dêem conta de que é inglesa se voltarão contra ti.
-Isso não é justo, verdade?
Não estava de humor para discutir com ela.
-Não é de justiça do que estamos falando. Simplesmente estou tentando te preparar. Quando todos se recomponham da surpresa inicial...
-Tenta me dizer que ninguém sabe que vou?
-Não me interrompa quando estou falando -ordenou-lhe. Outra vez lhe acariciou o braço.
-Rogo-te que me perdoe - sussurrou.
A Harry não pareceu absolutamente verdade. Suspirou.
-Ronald, Hermione e os membros do conselho sabem que vai. Outros vão se inteirar quando chegarmos. Gina, não quero que tenha uma difícil... Adaptação.
Estava verdadeiramente preocupado por ela. E tentava ocultar sua preocupação com voz áspera e um severo cenho franzido.
-É um homem muito amável - disse Gina, com a voz rouca pela emoção.
Harry reagiu como se aquilo o tivesse insultado.
-Não sou, absolutamente.
Nesse mesmo instante Gina decidiu que nunca o ia entender. afastou o cabelo para trás e deixou escapar um suspiro.
-Por que se preocupa, exatamente? -disse-. Acredita que me vão me tratar como inferior?
-Talvez, ao princípio - começou-. Mas uma vez... Outra vez o interrompeu.
-Essa atitude não me vai incomodar. Já me consideraram inferior antes. Não, não me vai incomodar absolutamente. Não vão ferir meus sentimentos tão facilmente. Deixa de preocupar-se por mim, por favor.
Harry sacudiu a cabeça.
-Sim, vão ferir seus sentimentos - replicou, recordando a expressão de seu rosto quando os homens não se sentaram imediatamente para comer com ela na primeira noite. Fez uma pausa e tentou recordar o que desejava lhe dizer-. Quem demônios te considera inferior? -quase gritou.
-Minha mãe - respondeu sem pensá-lo muito bem-. Não estou de humor para falar de minha família - acrescentou com um firme gesto da cabeça-. Não deveríamos nos pôr em marcha?
-Gina, só trato de te dizer que se tiveres algum problema importante, o diga a Ronald. Meu irmão me encontrar.
-por que simplesmente não lhe posso contar isso a ti? por que devo envolver ao marido do Hermione?
-A cadeia de mando... -O súbito sorriso do Gina fez que se detivera em seco.- O que te diverte tanto?
Ela se encolheu de ombros.
-Agrada-me saber que está preocupado por mim.
-O que eu sinto por ti não tem nada que ver com esta conversação -disse-lhe, com voz francamente desagradável. Era deliberadamente rude porque desejava que Gina compreendesse a importância do que lhe estava dizendo. Maldição estava tentando protegê-la da dor. As mulheres tinham sentimentos tão frágeis, se tinham que tomar em conta os comentários de Ronald, e não desejava perturbar Gina. Desejava que sua adaptação fosse o mais pacífica possível e sabia que, se não se comportava de maneira adequada, os membros do clã a fariam desventurada. Cada um de seus movimentos ia ser observado. Gina tinha razão: esse desagrado imediato não era justo. Quão típico de uma inocente pensar nesses términos. Entretanto, Harry era realista e sabia que a justiça não importava; a sobrevivência sim. Quase o afligia sua necessidade de protege-la de todas as maneiras possíveis e, se isso queria dizer a intimidar para obter que compreendesse sua frágil posição, então Por Deus que a intimidaria.
-Realmente não me preocupa a maneira em que me está franzindo o sobrecenho, Harry. Não tenho feito nada mal.
Fechou os olhos a modo de capitulação. Não podia intimidá-la. Deus sentia desejos de rir.
-O falar contigo é uma experiência verdadeiramente exaustiva - comentou.
-Porque sou uma forasteira ou porque sou uma mulher?
-Ambas, suponho - respondeu-. Não tenho muita experiência em conversar com mulheres.
Os olhos do Gina se abriram com incredulidade.
-por que não?
Harry se encolheu de ombros.
-Não foi necessário - explicou.
Não podia acreditar o que lhe estava dizendo.
-Faz que pareça uma tarefa desagradável. Harry sorriu amplamente.
-E é.
Provavelmente acabava de insultá-la, mas para Gina não importou. O Sorriso tinha suavizado o comentário.
-Não há mulheres em sua casa?
-Esse não é o tema agora - replicou.
Esteve a ponto de retornar ao tema original, mas Gina lhe adiantou.
-Sei, sei - murmurou-. Embora suas regras não se apliquem para mim, prometo tratar de me ajustar a elas enquanto seja hóspede em sua terra. Isso te Tranqüiliza?
-Gina, não vou permitir insolências.
Sua voz era suave e sem nenhuma indicação de ira. Limitou-se a constatar os fatos. Gina respondeu da mesma maneira.
-Não estava sendo insolente - disse-. Pelo menos, não a propósito. Sua sinceridade era muito aparente. Harry assentiu, satisfeito. Logo intento explicar outra vez para Gina sua posição.
-Enquanto esteja em minha terra, vais obedecer minhas ordens porque em última instância eu sou responsável por ti. Entende?
-Entendo que é muito possessivo - replicou-. OH, estou cansada desta conversação.
O sobrecenho franzido do Harry lhe disse que lhe importava muito pouco essa sinceridade. Decidiu trocar de tema.
-Harry, não tem muita companhia, verdade?
Estava sendo impertinente com ele? Acreditava que não.
-Permitem-se muito poucos forasteiros em nossa terra -admitiu.
-Por quê?
Não tinha uma resposta preparada. Em realidade, nem sequer sabia por que não se permitiam os forasteiros. Nunca havia pensaDO nisso.
-Simplesmente, sempre foi assim - assinalou.
-Harry?
-Sim?
-Por que me beijou?
A mudança de tema ganhou toda sua atenção.
-Não tenho nem idéia - replicou.
Um leve rubor coloriu as bochechas do Gina.
-Teria idéia uma vez mais?
Não entendia o que Gina lhe estava pedindo. A expressão de seus olhos assim o dizia. Gina deixou a um lado seu orgulho. Pensava que esse momento de privacidade seria provavelmente o último que compartilhariam, e tinha toda a intenção de aproveitá-lo descaradamente. Estendeu a mão para acariciar a bochecha de Harry com a ponta dos dedos.
-O que está fazendo? -Tomou a mão mas não a afastou.
-Te acariciando -respondeu. Tentou parecer imperturbável e entretanto sabia que não tinha obtido essa façanha. A intensidade da expressão do rosto do Harry fez que seu coração o notasse-. Tinha curiosidade por saber como eram suas costeletas ao tato. -Sorriu. - E agora sei. -Afastou a mão e a deixou cair sobre seu colo.- Fazem cócegas.
Sentia-se como uma idiota. Harry tampouco aliviava seu mal-estar. Parecia que lhe faltavam as palavras. Era indubitável que a audácia dela o tinha surpreendido. Gina deixou escapar um delator suspiro. Provavelmente Harry pensasse que era só uma desavergonhada camponesa sem nenhuma moral. Certamente, estava-se comportando como tal. O que lhe estava acontecendo? PEm geral não era tão agressiva.
Enquanto meditava sobre a provável opinião que Harry teria dela, acariciava-lhe a parte superior do braço com a ponta dos dedos. Nem sequer era consciente de estar acariciando-o. Harry sim era. A doce carícia, suave como a de uma mariposa, estava-o deixando louco.
Gina fixou o olhar no queixo dele quando lhe deu sua indireta desculpa.
-Em geral não sou tão curiosa nem tão agressiva.
-Como sabe?
Sobressaltou-se tanto ante aquela pergunta que seu olhar voou para o de Harry. O regozijo em seus olhos era evidente. Estava brincando com ela?
A expressão de Gina era como se Harry acabasse de lhe esmagar o coração.
-Foi uma pergunta sincera, Gina. -Agora seus dedos acariciaram a bochecha dela. A reação também lhe agradou. Inclinou-se sobre sua mão e instintivamente desejou obter mais, tal como se inclinaria um gatinho para a mão que o acariciava e o esfregava.
-Lembro constantemente a maneira que me beijou e eu gostaria que me voltasse a me beijar. É uma vergonhosa confissão, verdade? Sempre levei uma vida muito...
A boca de Harry deteve sua explicação. O beijo foi muito tenro, nada exigente, até que Gina lhe pôs os braços ao redor do pescoço e se voltou toda suave e desejosa para ele. Harry não pôde controlar-se. O beijo se voltou firme, ardente, abrasador. Maravilhosamente excitante. Gina adorava o sabor de Harry, a sensação daquela língua flutuando a sua, a forma em que aquela boca se inclinava sobre a sua uma e outra vez. Adorava o grave grunhido que lhe chegava do fundo de sua garganta e a suavidade com que ele a estreitava entre seus braços.
Mas odiou a maneira em que a olhou quando se separou dela. Era a mesma expressão que tinha tido a primeira vez que a tinha beijado. Harry estava zangado e provavelmente também aborrecido.
Gina não desejava ver essa expressão. Fechou os olhos e se desabou contra ele. O coração lhe pulsava com violência dentro do peito. A ele também. Podia ouvir o ensurdecedor batimento do coração contra seu ouvido. O beijo o tinha afetado, talvez tanto quanto a ela. Por isso estava zangado? Não desejava que gostasse de acariciá-la.
Gina se entristeceu ante essa possibilidade. Também se envergonhou. De repente, desejou pôr distância entre eles. Voltou-se no colo dele até que suas costas descansaram contra o peito dele. Tentou afastar-se de seu contato. Harry não o permitiu. Apoiou as mãos sobre os quadris dela e a atraiu com rudeza muito perto dele.
-Não te mova assim - ordenou-lhe. Sua voz era áspera e denotava aborrecimento.
Gina pensou que lhe tinha feito mal.
-Sinto muito - replicou. Manteve o olhar baixo-. Não deveria te haver pedido que me beijasse. Não lhe voltarei isso a pedir jamais.
-Não?
Parecia estar a ponto de tornar-se a rir. A espinho dorsal de Gina se endireitou em reação a isso. Harry sentiu como se estivesse abraçando a um bloco de gelo.
-Gina, me diga o que é o que acontece - ordenou-lhe com um sussurro rouco.
Talvez pudesse explicar se Harry não se inclinasse e roçasse sua face com a mandíbula. Os calafrios de prazer lhe correram pelos ombros. Senhor, estava desgostada consigo mesma. Por que não podia controlar sua reação para ele?
-me responda.
-Sei que não é possível um futuro juntos - começou. Tremia-lhe a voz-. Não sou uma idiota, embora me dou conta de que estive comportando como se fosse uma. Minha única desculpa é que me senti segura com esta atração por ti, devido a essa precisa razão. -Não tinha nenhum sentido. Entretanto, estava-se irritando. Retorciam-se as mãos com verdadeira agitação.
-me explique essa "precisa razão" -pediu ele.
-A precisa razão é que eu sou inglesa e você não respondeu-. Não me sinto segura agora.
-Não se sente segura comigo?
Parecia estar consternado.
-Não o entende - sussurrou. Mantinha o olhar baixo para que Harry não pudesse ver sua vergonha-. Pensei que minha atração para ti não entranhava nenhum perigo porque você é o chefe do clã e eu sou inglesa, mas agora cheguei à conclusão de que sim é perigosa. Poderia me romper o coração, Harry Maitland, se lhe permitisse isso. Deve me prometer que te vais manter o mais longe impossível.
O queixo do Harry descansava sobre a cabeça do Gina. Inalou seu doce e ligeiro perfume e tentou não pensar no bem que se sentia ao tê-la entre os braços.
-Não é impossível -balbuciou-. Entretanto, é muito complicado.
Não se deu conta da importância do que estava dizendo até que em realidade expressou a idéia em voz alta. Imediatamente considerou todas as conseqüências. Os problemas eram assombrosos. Decidiu que necessitava tempo e distancia de Gina para poder pensar bem no assunto.
-Acredito que seria mais fácil se simplesmente nos ignorássemos um ao outro - sugeriu Gina-. Quando chegarmos a sua terra, você vai voltar para suas importantes obrigações e eu me vou manter ocupada com o Hermione. Sim, vai ser mais fácil dessa maneira, não é assim, Harry?
O não lhe respondeu. Tomou as rédeas entre as mãos e esporeou os arreios para que partisse para todo galope. Bloqueava os ramos com o braço à medida que se abriam passo pelo estreito atalho. Harry sentiu que Gina tremia e, uma vez que estiveram nos campos de sua casa, tirou a capa de Gina do flanco da cadeira de montar e a cobriu com ela.
Nenhum disse uma palavra durante as seguintes horas. Cavalgaram através de um magnífico campo o sol amarelo era tão brilhante que Gina teve que entreabrir os olhos ante a pura beleza de todo aquilo As cabanas se acumulavam intimamente entre os orgulhosos pinheiros que cobriam as colinas longínquas. Flores de todas as cores do arco íris se esparramavam colina abaixo, rodeadas por um grosso tapete de erva tão verde como a esmeralda.
Cavalgaram através de uma ponte arqueada sobre um arroio de água clara e cintilante, e depois começaram a subir à costa. O ar estava cheio do perfume de verão. O aroma das flores se mesclava com o da terra limpa.
Os escoceses, tanto homens como mulheres, saíram das cabanas para observar a comitiva. Todos os membros do clã levavam as mesmas cores, o tartán idêntico ao de Harry, e por essa razão Gina soube que por fim tinham chegado a sua casa.
De repente, sentiu-se tão entusiasmada pela idéia de ver o Hermione que apenas pôde ficar quieta. Voltou-se para sorrir para Harry. Ele tinha o olhar fixo à frente e a ignorou.
-Vamos diretamente à casa do Hermione?
-Estarão nos esperando no pátio, no topo da costa - respondeu Harry.
Harry nem sequer se dignou olhá-la quando lhe deu aquela explicação. Gina se voltou outra vez. Não ia permitir que o áspero humor do Harry lhe arruinasse o entusiasmo. Estava encantada com a áspera beleza que a rodeava e não podia esperar para encontrar Hermione.
Teve uma boa vista do torreão de Harry. Pareceu-lhe desagradável. A enorme estrutura de pedra estava no topo da costa. Tampouco havia uma parede que rodeasse o edifício. Harry não devia lhe preocupar que o inimigo entrasse em sua casa. Supôs que teria muito tempo para alertar-se, já que o estranho teria uma grande ascensão até alcançar o topo.
O edifício principal tinha forma quadrada, e era tão cinza e deprimente como o céu que estava sobre ele.
O pátio não estava melhor. Tinha mais sujeira que erva, e estava tão gasto como as portas duplas cobertas de cicatrizes que levavam para o interior do torreão.
Gina prestou atenção à multidão que se apinhava diante deles. Os homens faziam um gesto com a cabeça ante o de Harry, mas as mulheres não mostraram nenhuma reação externa ante sua chegada. A maioria permanecia detrás dos homens, em silêncio, observando e esperando.
Gina procurou Hermione. Realmente não se sentia absolutamente inquieta, até que descobriu a sua amiga e pôde jogar uma boa olhada a sua cara.Hermione parecia estar a ponto de chorar. Seu rosto mostrava uma palidez mortal. Gina não entendia o porquê dessa reação, mas a preocupação de sua amiga imediatamente se converteu em sua.
Harry puxou os arreios e então pararam. Dudley , Simas e Sirius fizeram o mesmo. Hermione deu um passo para frente. O homem que estava junto a ela a tirou do braço e a obrigou a ficar onde estava.
Gina prestou atenção em Ronald Maitland. Quase não tinha dúvidas de que era o marido do Hermione. Parecia-se um pouco com Harry , seu sobrecenho franzido era quase tão feroz como o do Harry.
Também parecia estar preocupado. Quando jogou um olhar rápido a sua esposa, Gina se deu conta de que sua preocupação era por Hermione.
Sua amiga estava retorcendo as mãos. Fixou o olhar no de Gina durante uns instantes e logo deu outro vacilante passo para frente. Essa vez Ronald não a deteve.
Era um momento incrivelmente incômodo porque a grande multidão observava com muita atenção.
-por que Hermione está assustada?
Tinha sussurrado a pergunta para Harry. Este se inclinou perto do ouvido do Gina e lhe respondeu a pergunta com uma própria.
-Por que o está você?
Esteve a ponto de negar essa acusação, mas Harry lhe chamou a atenção ao lhe afastar brandamente as mãos de seu braço. Senhor, tinha-o estado agarrando com muita força.
Harry lhe deu um pequeno apertão antes de desmontar. Saudou Ronald com um gesto da cabeça, girou e ajudou Gina a baixar.
Nesse momento, Gina não se dignou a lançar nenhuma olhar. Voltou-se e caminhou lentamente para sua amiga. Deteve-se quando esteve a uns poucos metros.
Não sabia o que dizer para afugentar o temor de Hermione. Ou o seu próprio. Recordou que quando eram pequenas, quando uma chorava, a outra imediatamente lhe abraçava. Essa lembrança levou a outra e de repente soube exatamente o que desejava dizer para saudar sua querida amiga.
O olhar do Gina estava centrado no ventre inchado de Hermione. Deu outro passo para frente e a olhou aos olhos. Falou com um débil sussurro para assegurar-se que ninguém mais alem de sua amiga poderia ouvi-la.
-Lembro claramente que ambas prometemos que nunca beberíamos da taça de vinho de um homem -disse-. Por seu aspecto, Hermione, estou pensando que não cumpriste sua palavra.
NA.: Oieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee - Nossa Tonks tu é ninja hehehehhe -pois é...postei o 4 ontem e hoje o 5 -Por que? Há me empolguei, e ja que nao estou com os arquivos da minha outra fic nesse pc, me sobrou tempo para esse...ebbaaaa!!!!
E ai gostaram??
bobiar ja preparo o proximo heheh...
beijao
e valew pelos comentarios!!! |