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4. Friu


Fic: O SEGREDO - UA - NC-Adapt Por Tonks Butterfly - Ela tinha um segredo, que jamais revelaria a ele...


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CAP 4 - Friu





Não podia esperar sair de cima do cavalo. Gina sabia que nesses momentos não estava pensando como uma pessoa razoável. A comprida e interminável viagem a tinha esgotado tanto que sua mente se converteu em mingau. Admitia que tinha reagido de maneira excessiva ante as duras palavras do Harry Parecia que não podia encontrar sentido a nada porque seus sentimentos sempre se interpunham no meio. Supunha que ainda estava sentindo o aguilhão do rechaço.
-Gina, vêem conhecer o Teddy - chamou Simas.
Todos se voltaram para olhá-la. Gina correu a situar-se de pé frente a seu anfitrião. Fez uma rápida reverência e sorriu forçadamente. Era uma situação difícil, porque Teddy a estava olhando com rudeza como se Gina acabasse de converter-se em um demônio... ou em algo pior. A expressão do rosto do Teddy não deixava nenhuma dúvida com respeito ao que estava pensando. Aparentemente estava consternado ante a mera existência do Gina.
Deus, realmente não tinha a fortalecido para suportar essa tolice. Deixou escapar um pequeno suspiro.
-Que tenham boa noite, senhor - disse a seguir.
-É inglesa.
Teddy rugiu essa declaração de feitos com tanta força que lhe marcaram as veias da frente. Gina tinha falado em um gaélico perfeito, mas não tinha podido ocultar seu acento inglês. É obvio, as roupas eram outra indicação sobre sua origem. Embora Gina compreendesse muito bem a vergonhosa desconfiança que existia entre os escoceses e os ingleses, a hostilidade do Teddy era tão irracional e tão cheia de ódio que a atemorizou. Instintivamente deu um passo para trás em um intento de proteger-se da ira de Teddy.
Chocou-se contra Harry Tentou ficar a um lado, mas ele abordou essa intenção quando lhe colocou as mãos sobre os ombros. Aferrou-a com força e a atraiu para trás até que Gina ficou esmagada contra ele.
Harry não disse nada durante um comprido minuto. Simas se adiantou até situar-se junto ao chefe. Logo Dudley se aproximou até ficar de pé no lado oposto. Sirius foi o último em mover-se. Olhou com fixidez ao Harry, esperando sua permissão, e quando finalmente o chefe apartou o olhar do Teddy e se voltou para fazer um gesto de assentimento com a cabeça, Sirius caminhou até ficar de pé diretamente frente a Gina.
Estava literalmente esmagada entre os dois soldados. Tentou esquadrinhar por detrás das costas de Sirius, mas Harry Sustentou-a com tanta intensidade que não se pôde mover absolutamente.
-Já nos demos conta de que é inglesa, Teddy - disse Sirius em voz baixa e entretanto impressionante-. Agora eu gostaria que você te desse conta de que Lady Gina está sob nosso amparo. A levamos para casa conosco.
O homem maior pareceu sacudir-se a si mesmo o estupor.
Sim, é obvio - gaguejou em voz alta-. foi só a surpresa, já sabem, ouvir sua... Voz e todo isso.
Teddy não gostou do olhar nos olhos do chefe Maitland. Resolveu que seria melhor paliar essa violação de maneiras o mais rápido possível. Deu um passo à esquerda para poder olhar diretamente à inglesa ao apresentar suas desculpas.
Sirius se moveu com ele e eficazmente lhe bloqueou o intento.
-Somos todos bem-vindos aqui?
-É obvio que sim -replicou Teddy. Entrelaçava os dedos em seu cabelo branco em um gesto nervoso e desejava que o chefe não notasse como lhe tremia a mão. . Quão último desejava era ofender a um homem tão poderoso e desumano... e se tinha ofendido ao Harry, sabia que provavelmente seria quão último faria neste mundo.
Teddy reprimiu o quase entristecedor impulso de fazê-la sinal da cruz. Não pôde sustentar durante muito tempo o duro e fixo olhar do Harry e concentrou toda sua atenção em Sirius. Limpo a garganta.

-Desde o dia em que seu irmão se casou com minha única filha, você e cada um dos membros do clã Maitland são bem-vindos aqui -disse-. A mulher do chefe Maitland também, é obvio. -Logo girou pela metade e gritou a sua esposa:- Andrômeda ponha o jantar sobre a mesa para nossos convidados.
Gina se tinha perguntado por que Harry Não havia dito nada, mas quando Teddy mencionou que o irmão do Sirius estava casado com a filha, entendeu por que Harry tinha encarregado Sirius a tarefa de esclarecer aquela incômoda situação.
Teddy fez gestos a todos de que entrassem. Gina estendeu a mão e agarrou a parte posterior do tartán do Sirius. Este se voltou imediatamente.
-Obrigado por me defender - sussurro.
-Não precisa me dar as obrigado, Gina. -Sua voz era áspera devido à confusão.
-Sim, devo fazê-lo - afirmou-. Sirius, por favor, quer lhe explicar a seu parente que não sou a mulher do Harry? Parece havê-lo interpretado mal.
Sirius a olhou fixamente durante compridos instantes sem dizer nenhuma palavra e logo levantou o olhar para jogar uma rápida olhada ao Harry.
-Só te estou pedindo que corrija o mal-entendido -disse.
-Não.
-Não? -perguntou-. por que não, em nome do céu?
Em realidade, Sirius não sorriu, mas as comissuras dos olhos lhe enrugaram ao uníssono no que Gina decidiu que era regozijo.
-Porque sim é a mulher do Harry -disse Sirius arrastando as palavras.
Gina negou com a cabeça.
-De onde tiraste essa idéia tão ridícula? Só sou hóspede...
Deixou as explicações quando Sirius se voltou e entrou na cabana. Observou como se afastava, o muito obstinado. Simas e Dudley o seguiram, eles sorriam amplamente.
Gina permaneceu onde estava. Por fim Harry a soltou e lhe deu um pequeno empurrão.
Não se moveu. Harry Apartou-se para ficar de pé a seu lado. Tinha a cabeça inclinada para Gina.
-Já pode entrar.
-Por que não disse nada quando Teddy me chamou sua mulher?
Harry encolheu os ombros.
-Não senti desejos de fazê-lo.
É obvio, não estava dizendo a verdade. Teddy se tinha equivocado Gina não era sua mulher, mas lhe ouvi-lo tinha agradado muito para pôr objeções. Senhor, estava cansado de ter pensamentos tão tolos.
-Entra - ordenou-lhe de novo Harry, com voz um pouco mais áspera do que tivesse querido.
Gina moveu a cabeça em um gesto negativo e voltou o olhar ao chão.
-O que acontece? -quis saber Harry Obrigou-a a levantar a cabeça pondo o reverso da mão debaixo do queixo.
-Não quero entrar.
O tom de voz tinha parecido triste.
-Por que não? -perguntou.
Gina se encolheu de ombros. Harry Apertou-lhe brandamente a mandíbula. Gina sabia que não a ia deixar até que não lhe desse uma resposta adequada.
-Simplesmente não quero ir aonde não me querem - sussurrou. Harry sorriu com carinho de repente Gina sentiu desejos de chorar. Os olhos já lhe estavam empanando-. Estou completamente exausta esta noite - desculpo-se.
-Mas essa não é a razão pela que desejas ficar aqui fora, não é assim?
-Acabo-o de explicar... Humilharam-me - disse impulsivamente-. Sei que não deveria tomar o desgosto de Teddy como algo pessoal. Todos os Highlanders odeiam aos ingleses e a maioria dos ingleses odeia aos escoceses, inclusive aos da fronteira... e eu odeio todo esse ódio. É... Ignorância, Harry.
Harry assentiu para demonstrar sua conformidade. Parte da cólera abandonou Gina. Resultava difícil seguir sentindo-se ultrajada quando Harry não estava discutindo com ela.
-Atemorizou-te?
-Sua ira sim - admitiu-. Foi muito irracional. Ou estou reagindo em excesso outra vez? Estou muito esgotada para sabê-lo.
Estava exausta. Harry não tinha emprestado a suficiente atenção, ou certamente teria notado antes as escuras manchas debaixo dos olhos do Gina. Havia-lhe segurado mão quando admitiu que se havia sentido humilhada e ainda não a tinha solto.
Sim, Gina parecia cansada, e também derrotada e absolutamente formosa para Harry.
De repente, Gina endireitou os ombros.
-Deve entrar. Não tenho inconveniente em esperar aqui.
Harry.sorriu enquanto apartava a mão dela.
-Mas eu vou sentir me melhor se entrar comigo -anunciou.
Harry já tinha terminado de falar do tema. Lançou o braço por cima dos ombros do Gina, deu-lhe um pequeno apertão e logo a arrastou junto a ele para a soleira da porta.
-Há dito que talvez estivesse reagindo em excesso de novo-comentou enquanto soltava delicadamente a mão dele. Ela parecia ter voltado a si, e tratou de arrumar a postura indireitando os ombros. Nenhuma outra mulher se mostrou nunca irritada com ele, mas Gina era muito distinta a todas as mulheres que tinha conhecido no passado. Olhava-o furiosa cada dois minutos, ou ao menos isso parecia. Harry encontrava que essas reações eram refrescantemente sinceras. Não tinha que tentar impressioná-lo e, indubitavelmente, tampouco formava parte de sua personalidade encolher-se de medo ante ele. Era estranho, mas essa conduta desinibida o libertava, com Gina não tinha que comportar-se como o chefe com um súdito submisso. O fato de que fora uma forasteira parecia romper com as ataduras das tradições que lhe impunham como líder de seu clã.
Harry teve que obrigar-se a voltar para a pergunta que o rondava.
-Quando foi a primeira vez que reagiu em excesso? -perguntou.
-Quando me beijou.
Tinham chegado à porta quando Gina sussurrou essa concessão. Harry deteve-se por completo e a agarrou.
-Não o entendo -disse- Como reagiu em excesso?
Gina sentia que lhe acalorava o rosto. Encolheu o ombro para afastar o braço de Harry.
-Era indubitável que estava furioso comigo... Depois, e isso também me enfureceu. Não teria que me haver importado - acrescentou com um vigoroso gesto afirmativo.
Não esperou a ver a reação de Harry ante sua sinceridade. Entrou apressadamente. A mulher maior que tinha visto entre as sombras saiu a saudá-la. Seu sorriso pareceu genuíno para Gina e parte da tensão lhe desapareceu dos ombros quando sorriu a sua vez.
Andrômeda era uma bonita mulher. As rugas que o rodeavam as sobrancelhas e o contorno da boca não lhe subtraíam atrativo. Tinha uns encantadores olhos verdes com pontos dourados e espesso cabelo castanho rajado por fios cinza. Embora era uns centímetros mais alta que Gina, esta não se sentiu intimidada: a mulher irradiava amabilidade.
-Obrigado por me permitir entrar em sua casa - disse Gina depois de completar uma reverência.
Antes de lhe devolver a reverência, Andrômeda se secou as mãos no avental branco que levava ao redor da cintura.
-Se quiser, pode ocupar seu lugar na mesa, vou terminar de preparar o jantar.
Gina não desejava sentar-se com os homens. Harry já tinha se unido ao grupo e Teddy se inclinava sobre a mesa para lhe servir uma taça cheia de vinho. O estômago do Gina se esticou imediatamente. Respirou com rapidez para tranqüilizar-se. Uma só taça de vinho não ia converter Harry em uma pessoa desagradável... ou sim? Disse a si mesma que essa reação era absolutamente ridícula. E incontrolável. O estômago lhe doía como se tivesse tragado fogo. Harry não era absolutamente parecido com Bilius. Não se voltaria desagradável. Não o faria.
Por acaso, Harry levantou o olhar. Com uma só olhada para Gina soube que algo andava muito mal. A cor lhe tinha abandonado o rosto. Tinha aspecto de sentir pânico de algo. Estava a ponto de levantar-se da mesa para averiguar o que a estava preocupando quando se deu conta de que Gina tinha o olhar cravado na jarra de vinho.
Em nome de Deus, o que lhe tinha passado?
-Gina? Desejas beber pouco de...
Gina sacudiu a cabeça com veemência.
-A água não seria mais... Refrescante depois de um dia de viagem tão longa?
Harry reclinou-se na cadeira. O que bebessem parecia ser muito importante para ela. Não tinha a mais mínima idéia de por que, e adivinhou que em realidade isso não importava. Era óbvio que estava perturbada. Se ela desejava que bebessem água, então beberiam água.
-Sim -concordou- A água seria mais refrescante.
Sirius também notou a reação do Gina.
-Nos vamos levantar cedo, Teddy - disse, embora tinha o olhar entrelaçado com a do Gina -. Não vamos beber vinho até que cheguemos a casa.
Andrômeda também tinha ouvido a conversação. Apressou-se a ir à mesa com um cântaro cheio de fresca água do manancial. Gina levou mais taças.
-Sente-se e descanse – disse-lhe Andrômeda.
-Preferiria te ajudar - replicou Gina.
Andrômeda assentiu.
-Toma esse banquinho e sente-se junto à chaminé. Pode mexer o guisado enquanto me ocupo de cortar o pão.
Gina se sentiu aliviada. Nesses momentos os homens estavam falando e, pelos sobrecenhos franzidos que tinham, supôs que seria um tema importante. Não desejava interrompê-los. O que era ainda mais importante, não desejava sentar-se junto a Teddy, e o único banquinho livre estava ao final da mesa, à esquerda dele.
Gina levou o banquinho que estava contra a parede para a chaminé, seguindo as instruções da Andrômeda. Notou que a mulher seguia lhe dirigindo olhadas dissimuladas. Era óbvio que desejava lhe falar, mas devia se preocupar com a reação de seu marido. Olhava continuamente para a mesa para ver se Teddy estava presando atenção.
-Não é freqüente que tenhamos companhia - sussurrou Andrômeda.
Gina assentiu. Observou como Andrômeda lançava de novo um rápido olhar a seu marido e logo se voltava para ela.
-Tenho curiosidade por saber por que desejas ir ao lar dos Maitland - sussurrou a seguir. Gina sorriu.
-Minha amiga se casou com um Maitland e me pediu que fora para o nascimento de seu primeiro filho - respondeu e manteve a voz em um sussurro tão suave como o de Andrômeda quando fez a pergunta.
-Como se conheceram? -quis saber Andrômeda.
-No festival da fronteira.
Andrômeda assentiu.
-Temos os mesmos festivais nas Highlands, embora em outono, não na primavera.
-assististe alguma vez?
-Quando Nimphadora ainda vivia conosco, íamos - respondeu Andrômeda-. Após, Teddy sempre está muito ocupado para ir - acrescentou e se encolheu de ombros-. Sempre me divertia muito.
-Entendo que Nimphadora está casada com o irmão do Sirius - disse Gina-. As bodas foram recentes?
-Não, faz mais de quatro anos - respondeu Andrômeda.
A tristeza na voz da Andrômeda era muito evidente. Gina deixou de revolver o guisado de carne e se recostou contra a chaminé para poder prestar toda a sua atenção nela. Era curioso, mas embora eram quase estranhas, sentia um impulso por consolar a aquela mulher. Parecia estar terrivelmente sozinha, e Gina entendia perfeitamente bem essa sensação.
-Não tiveste tempo de ir visitar sua filha?
-Nem sequer vi uma só vez minha Dora desde que se casou - confessou Andrômeda-. Os Maitland não visitam muito os outros. Não gostam dos forasteiros.
Gina não podia acreditar o que estava ouvindo.
-Mas você não é uma forasteira - protestou.
-Agora Nimphadora pertence a Remus. Não seria correto pedir que viesse nos visitar e tampouco seria correto pedir ir a sua casa.
Gina sacudiu a cabeça. Nunca tinha ouvido nada tão ridículo.
-Ela te envia alguma mensagem?
-Quem a traria?
Passou um comprido minuto de silêncio.
-Eu - sussurrou Gina.
Andrômeda olhou a seu marido e logo voltou o olhar ao Gina.
-Faria isso por mim?
-É obvio.
-Temo que não seja correto - disse Andrômeda.
-É obvio que seria correto - respondeu Gina-. Tampouco seria difícil, Andrômeda. Se tiver alguma mensagem que você gostaria de enviar para Dora, prometo-te que a encontrarei. Logo, no caminho de volta a Inglaterra, darei-te as mensagens dela. Talvez inclusive haja um convite para uma visita - acrescentou.
-Vamos fora a ver uma coisa sobre os cavalos, esposa - anuncio Teddy com voz ressonante-. Não demoraremos. O jantar está quase preparado?
-Sim, Teddy - respondeu Andrômeda-. Estará sobre a mesa quando retornarem.
Os homens abandonaram a cabana. Teddy fechou a porta detrás deles.
-Seu marido parecia zangado - comentou Gina.
-Não, não está zangado - apressou-se a dizer Andrômeda-. Entretanto, está um pouco nervoso. É uma grande honra ter ao chefe Maitland em nossa casa. Teddy vai alardear disso durante um ou dois meses.
Andrômeda deixou as terrinas de madeira sobre a mesa e logo adicionou outra jarra de água. O pão estava talhado em partes. Gina ajudou a Andrômeda a derrubar o guisado dentro de um grande recipiente de madeira e o pôs no centro da larga mesa.
-Talvez, durante o jantar, poderia perguntar ao Sirius como vai Nimphadora -sugeriu Gina.
Andrômeda parecia estar consternada.
-Seria um insulto por minha parte o perguntar-lhe - explicou-. Se perguntasse se Dora é feliz, então estaria sugerindo que Remus não a faz feliz. Vê como é complicado?
Não era complicado, era ridículo, na opinião de Gina. Sentia que se zangava em nome da Andrômeda. Os Maitland eram cruéis com essa atitude. Nenhum deles tinha compaixão por parentes tais como pais e mães?
Não sabia o que faria se alguém lhe dissesse que nunca poderia voltar a ver sua tia Muriel. Seus olhos se enchiam de lagrimas só em pensar.
-Se o perguntasse você... - Andrômeda sorriu para Gina enquanto esperava que esta compreendesse.
Gina assentiu.
-Sirius talvez pensaria que porque sou inglesa não conheço seus costumes.
-Sim.
-Perguntarei com muito prazer, Andrômeda -prometeu Gina-. Todos os clãs das Highlands são como os Maitland? Todos se isolam dos forasteiros?
-Os Dunbar e os Maclean sim - respondeu Andrômeda-. Quando não estão lutando entre si, se isolam muito -explicou-. O território dos Dunbar está situado entre o dos Maitland e o dos Maclean, e Teddy me diz que brigam constantemente pelos direitos das terras. Nenhum deles vai jamais aos festivais, mas todos outros clãs sim. Todos os ingleses são como você?
Gina tentou concentrar-se no que Andrômeda lhe estava perguntando. Era uma tarefa difícil, já que ainda estava aturdida pelo comentário natural da mulher a respeito de que os Maclean eram inimigos dos Maitland.
-Pequena? -perguntou Andrômeda-. Esta tudo bem?
-OH, sinto-me muito bem - replicou Gina-. Você me perguntou se todos os ingleses são como eu?
-Sim - replicou Andrômeda e franziu o sobrecenho quando notou que a face de sua hóspede se tornou muito pálida.
-Não sei se for como outros ou não - respondeu Gina-. O fato é que levo uma vida muito afastada, vivo com meu tio. – ela respondeu -Andrômeda, como em nome do céu fazem os homens para encontrar companheiras se alguma vez se mesclarem com outros clãs?
-Ah, têm suas maneiras - respondeu Andrômeda-. Remus veio aqui para fazer uma troca por uma égua salpicada. Conheceu Nimphadora e gostou muito dela em seguida. Eu me opunha à união porque sábia que nunca voltaria a ver minha filha, mas Teddy não quis me escutar. Além disso, não lhe diz que não a um Maitland; ao menos, nunca se soube de alguem que o fizesse, e Dora lhe ansiava casar-se com o Remus.
-Remus se parece com o Sirius?
-Sim. Embora seja muito mais calado.
Gina se pôs-se a rir.
-Então deve estar morto - comentou-. Sirius apenas disse uma palavra.
Andromeda não pôde evitar rir entre dentes.
-São uma raça estranha, os Maitland, mas em sua defesa te vou dizer que se alguma vez Teddy fora atacado ou necessitasse ajuda de verdade, só teria que lhe mandar uma mensagem ao chefe Harry.
“Antes do casamento de Nimphadora de vez em quando desaparecia um par de ovelhas. Os roubos cessaram assim que se soube que nossa Nimphadora se casou com um membro do clã Maitland. Teddy também ganhou uma nova respeitabilidade. É obvio sua reação inicial ao te conhecer ti poderia ter trocado esse status.”
-Refere a sua surpresa ao descobrir que eu era inglesa?
-Sim, ficou surpreso, sem dúvida.
As duas mulheres se olharam a uma à outra e de repente puseram-se a rir justo quando os homens retornavam à cabana. Harry foi o primeiro a entrar. Fez um gesto com a cabeça a Andromeda e logo se deteve para franzir o sobrecenho para Gina. Gina supôs que ele não acreditava que seu regozijo fora uma conduta apropriada. Essa possibilidade a fez rir ainda mais.
-Vá ocupar seu lugar na mesa -ordenou-lhe Andromeda.
-Não une a nós?
-Primeiro vou servir e logo irei sentar-me.
Embora talvez sem dar-se conta disso, acabava de dar ao Gina uma desculpa para não sentar-se junto a Teddy. Todos os homens tinham ocupado os mesmos sítios. Gina tomou o banquinho que havia perto do lar e o levou para o outro lado da mesa. Logo, com uns pequenos empurrões, fez seu lugar entre Harry e Sirius.
Se os guerreiros ficaram surpreendidos ante sua audácia, não o demonstraram. Inclusive Sirius se moveu para que não ficasse tão apertada.
Comeram em silêncio. Gina esperou que os homens terminassem antes de tirar o tema do bem-estar de Nimphadora.
Decidiu facilitar a conversação.
- Andromeda, foi um guisado magnífico.
-Obrigado- replicou Andromeda com um leve rubor.
Gina- voltou-se para o Sirius.
- Vê seu irmão com freqüencia?
O soldado lhe dirigiu um rápido olhar e logo se encolheu de ombros.
-Vê sua esposa, Nimphadora?- aguilhoou-o Gina.
Sirius se encolheu de ombros outra vez. Gina lhe deu um empurrão por debaixo da mesa com o pé. Sirius levantou uma sobrancelha ante aquela temeridade.
-Acaba-me de dar uma patada?
Suficiente quanto a tentar ser sutil, pensou Gina.
-Sim, sim te dei uma patada.
-por que?
Harry fez essa pergunta. Gina se voltou para lhe sorrir.
-Não queria que Sirius se encolhesse de ombros outra vez. Quero que fale do Nimphadora.
-Mas nem sequer a conhece -recordou-lhe Harry.
-Quero saber coisas dela -sustentou Gina.
Harry tinha aspecto de estar pensando que Gina tinha perdido o julgamento. Gina deixou escapar um suspiro. Logo começou a repicar os dedos contra a superfície da mesa.
-Me fale da Dora, por favor -pediu- uma vez mais para Sirius.
Este a ignorou.
Deixou escapar outro suspiro.
-Sirius, por favor poderia vir fora comigo só um minuto? Desejo te dizer algo terrivelmente importante em privado.
-Não.
Não pôde conter-se. Deu-lhe outra patada. Logo se voltou para o Harry Não pôde ver o rápido sorriso do Sirius.
-Harry, por favor, lhe ordene ao Sirius que saia fora comigo.
-Não.
Outra vez fez repicar os dedos contra a mesa enquanto estudava a próxima manobra. Levantou o olhar, pôde ver a lastimosa expressão da Andromeda e decidiu nesse mesmo momento que embora fizesse o ridículo se sairia com a sua.
-Bom, muito bem, então - anunciou-. Simplesmente vou ter que falar com o Sirius amanhã, durante a viagem. Vou montar contigo - acrescentou com um sorriso inocente-. Também é provável que fale da saída do sol até o entardecer, Sirius, assim é melhor que descanse bem esta noite.
A ameaça era substanciosa. Sirius se levantou da mesa com um empurrão e ficou de pé. O sobrecenho franzido de seu rosto era mordaz. Todos puderam ver claramente que estava zangado.
Gina não estava zangada. Estava furiosa. Não podia esperar a levar fora a aquele insensível simplório. Sorriu forçadamente e inclusive conseguiu fazer uma leve reverencia a seu anfitrião antes de dar-se volta e dirigir-se para a porta. Também continuava sorrindo quando girou e fechou a porta detrás de si.
Em sua pressa por repreender ao Sirius se esqueceu das duas janelas a cada lado da porta.
Andromeda e Dudley estavam sentados com as costas para a porta, mas Harry e Simas tinham uma clara visão da zona fora das janelas.
Sem lugar a dúvidas, tinham estimulado a curiosidade de todos. Dudley deu meia volta no banquinho para ver o que estava acontecendo.
Harry manteve a atenção sobre o Sirius. O guerreiro permanecia frente a ele. Estava de pé com as pernas separadas e as mãos detrás das costas. Tampouco tentava ocultar sua irritação para Gina. Sirius tinha um caráter violento. Harry sabia que o guerreiro não tocaria em Gina, por muito furioso que esta o pusesse, mas podia feri-la com uns poucos comentários cruéis.
Harry esperou a ver se precisava intervir. Quão último necessitava essa noite era uma mulher chorosa entre mãos, e Sirius era quase tão bom como ele quanto a táticas intimidadoras.
Um súbito sorriso tomou por surpresa. Não podia acreditar o que estava vendo. Tampouco Simas.
-Quer ver isso? -perguntou.
-Estou olhando -respondeu Dudley -. Não posso acreditar. É esse nosso Sirius, retrocedendo e afastando-se? -Lançou um assobio divertido.- Nunca antes lhe tinha visto essa expressão na face. O que criem que lhe está dizendo?
Harry decidiu que o estava criticando duramente. Gina tinha as mãos sobre os quadris, e quando começou a avançar sobre o adversário, não se deteve. Sirius estava literalmente retrocedendo ante ela. Também parecia... pasmado.
A voz do Gina estava afogada pelo vento e a distância, mas Harry sabia que não estava sussurrando. Não, estava-lhe gritando, sem dúvida nenhuma, e de fato, de vez em quando Sirius se tornava para trás.
Harry se voltou para olhar a Andromeda. As mãos lhe cobriam a boca e quando se deu conta de que Harry a estava observando, imediatamente devolveu o olhar à mesa. Não foi o suficientemente rápida. Harry pôde captar o olhar de preocupação em seus olhos e soube de algum jeito que estava envolta.
A porta se abriu. Gina sorriu forçadamente e se apressou a retornar à mesa. Sentou-se, entrelaçou as mãos sobre o colo e deixou escapar um suspiro. Sirius tomou seu tempo em segui-la. Quando outra vez esteve sentado no banquinho, toda a atenção se voltou para ele. Gina se sentiu o suficientemente segura para fazer um gesto com a cabeça a Andromeda. Também lhe piscou um Olho.
Harry captou esse ato. Sua curiosidade aumentou.
Sirius se esclareceu garganta.
-Nimphadora e Remus têm uma cabana de quase este tamanho. -Balbuciou o comentário.
-Bom, é magnífico ouvir isso - replicou Teddy.
Sirius assentiu. Parecia estar terrivelmente incômodo.
-Tem data para ter a seu bebê em qualquer momento.
Andromeda deixou escapar um fôlego de felicidade. Os olhos lhe encheram de lágrimas. Estendeu a mão e tomou a de seu marido.
- Vamos ter um neto -sussurrou.
Teddy assentiu. Gina notou que os olhos também lhe estavam brilhantes. Teddy fitou a sua taça.
Finalmente Harry entendeu qual tinha sido o jogo do Gina. Tinha tido um manha de criança e também se pôs a si mesmo em uma situação violenta, e tudo porque desejava ajudar a Andromeda a averiguar como ia a sua filha. Gina era toda uma mulher. A ele nunca lhe tinha ocorrido pensar que os pais de Dora gostariam de ter notícias de sua filha, mas uma forasteira tinha visto o que era óbvio e se pôs a ajudar.
-Têm alguma pergunta concreta que queiram fazer a respeito de sua filha? -perguntou Sirius.
Andromeda não tinha só uma pergunta. Tinha centenas. Simas e Dudley inclusive responderam algumas delas.
Gina não poderia ter estado mais satisfeita. Sim a irritava saber que a única razão pela qual Sirius estava cooperando era porque lhe tinha ameaçado ir montada com ele. A idéia de ter que tocá-la era mais repulsiva que o falar de privados temas familiares. Mas, o que importavam seus próprios sentimentos? O olhar de alegria no rosto de Andromeda era suficiente compensação pela arruda atitude do Sirius.
A cabana estava maravilhosamente aquecida; era quase abrasadora. Gina tentou emprestar atenção à conversação, mas seu esgotamento fazia que fosse uma tarefa difícil. Notou que Teddy tinha tentado encher a taça do Sirius com mais água, mas a jarra estava vazia.
Gina colocou o banquinho no que tinha estado sentada de novo contra a parede perto da chaminé e levou outra jarra de água à mesa. Teddy lhe fez um gesto de agradecimento com a cabeça.
Senhor estava exausta. Os homens se tragaram o espaço que tinha ocupado e, de todos os modos, as costas lhe doía muito para sentar-se ali.
Dirigiu-se ao banquinho junto a lareira, sentou-se e apoiou os ombros contra a frasca parede de pedra. Fechou os olhos e em menos de um minuto ficou profundamente dormida.
Harry não podia apartar o olhar dela. Era tão encantadora. Parecia um anjo. Fixou o olhar nela durante comprido momento, até que se deu conta de que Gina se estava caindo do banquinho.
Fez um gesto para Sirius para que continuasse com a história que estava relatando e logo foi junto a Gina. Apoiou-se de pé contra a parede, cruzou os braços sobre o apeito em uma atitude de descanso e escutou o relato que Sirius narrava a respeito de Nimphadora e Remus. Andromeda e Teddy estavam fixados de cada uma de suas palavras. Ambos sorriram quando Sirius mencionou que Nimphadora era excessivamente generosa.
Gina perdeu o equilíbrio teria se cansado para frente se Harry não se inclinou para sujeitá-la. Recostou-a de novo contra a parede e logo, com um pequeno empurrão, aproximou a cabeça dela para si. O rosto do Gina descansava contra a porção inferior da coxa de Harry.
Passou uma boa hora antes de que Harry pusesse fim à conversação.
-Partiremos com a primeira luz do dia, Teddy. Ainda temos dois dias inteiros por diante antes de chegar a casa.
-Sua mulher pode usar nossa cama - sugeriu Teddy. A voz começou sendo forte, mas logo se voltou e viu que Gina estava dormindo, e baixou a voz até convertê-la em um sussurro.
-Vai dormir fora conosco -replicou Harry Suavizou a negação. -Gina não iria querer que renunciassem a sua cama por ela.
Nem Andromeda nem Teddy discutiram a decisão do chefe. Harry se inclinou, tomou ao Gina em seus braços e logo se endireitou.
-A moça está completamente dormida - comentou Simas com um sorriso.
-Vocês gostariam de ter algumas mantas extras? O vento é cortante esta noite - advertiu Andromeda.
Dudley abriu a porta para Harry.
-Temos tudo o que necessitamos.
Harry levou Gina através da soleira e logo se deteve subitamente.
-Obrigado pelo jantar, Andromeda. Foi uma comida magnífica.
O cumprimento lhe soou estranho, mas Andromeda parecia estar agradada. Seu rubor era tão brilhante como o fogo da chaminé. Teddy se comportava como se ele também tivesse recebido uma adulação. O elogio lhe inflamou até que correu perigo de explorar.
Harry continuou avançando para as árvores frente ao celeiro. A folhagem os protegeria do vento e também lhes daria privacidade. Sustentou Gina enquanto Simas preparava um refúgio para ela logo se ajoelhou e a colocou sobre o tartán que Dudley tinha estendido sob as arvores.
-Prometi à moça que esta noite teria uma cama quente baixo teto - comentou Simas.
Harry moveu negativamente a cabeça.
-Fica conosco -anúncio.
Ninguém discutiu essa declaração. Os homens se voltaram e se apartaram enquanto Harry cobria ao Gina com um segundo tartán. Gina não abriu os olhos em nenhum momento. O dorso da mão do Harry lhe roçou deliberadamente a bochecha.
-O que vou fazer contigo? -sussurrou.
Não tinha esperado nenhuma resposta e não recebeu nenhuma. Gina se aconchegou debaixo das mantas e deixou escapar um pequeno gemido.
Harry era relutante a deixá-la. Obrigou-se a ficar de pé e, enquanto se dirigia à árvore mais próxima, agarrou um tartán que Simas lhe oferecia. Arranhou-se as costas contra a casca, sentou-se, recostou-se para trás e fechou os olhos.
Um som que nunca tinha ouvido antes despertou em meio da noite. Outros homens também o ouviram.
-O que é esse ruído, em nome de Deus? -murmurou Sirius.
Gina estava fazendo todo aquele alvoroço. Estava completamente acordada e também era completamente desventurada. Pensava que estava em perigo de morrer congelada. Não podia deixar de tremer. Os dentes lhe tocavam castanholas e esse era o ruído que ouviam os homens.
-Não era minha intenção despertar, Sirius -disse em voz alta. A voz lhe tremia literalmente com cada palavra-. Estava gemendo pelo frio.
-Realmente tem frio, moça? -perguntou Simas. A surpresa de sua voz era evidente.
-Acabo de dizer que sim -respondeu.
-Vêem aqui - ordenou-lhe Harry, que parecia algo áspero. Gina lhe respondeu da mesma maneira.
-Não.
Harry sorriu na escuridão.
-Então vou ter que ir eu por ti.
-te afaste de mim, Harry Maitland - ordenou-lhe Gina-. E se pensa me ordenar que vá o frio, advirto-lhe isso... não vai funcionar.
Harry caminhou até ficar de pé frente à tenda. Gina só podia ver a ponta das botas até que Harry empurrou a um lado as peles. Destroçou o refúgio em segundos.
-Isso foi que grande ajuda - murmurou Gina. Sentou-se para poder olhá-lo furiosa.
Harry a empurrou para trás e se estendeu no chão junto a ela. Estava de lado e lhe dava calor com as costas.
De repente, Sirius apareceu pelo outro lado estendeu-se de lado com as costas para o Gina. Instintivamente Gina se aproximou ao Harry, Sirius a seguiu, até que teve as costas contra a dela.
Agora era indubitável que tinha suficiente calor. O calor que irradiavam os gigantes guerreiros era surpreendente.
Sentia-se de maneira maravilhosa.
-Parece um bloco de gelo - comentou Sirius.
Gina começou a rir. O som fez que tanto Harry como Sirius Sorirem.
-Sirius?
-O que acontece?
Outra vez parecia desagradável. Gina não deixou que isso a incomodasse. Finalmente estava captando sua maneira de ser e sabia que essa bravata era só aparência. debaixo desse exterior áspero pulsava um coração generoso.
-Obrigado.
- Por quê?
-Por tomar tempo para falar sobre Nimphadora. O guerreiro grunhiu. Gina voltou a rir.
- Gina?
Aconchegou-se ainda mais contra as costas do Harry antes de lhe responder.
-Sim, Harry.
-Deixa de te retorcer e durma.
Gina sentiu desejos de lhe obedecer. Dormiu quase imediatamente. Passou comprido momento antes de que Sirius voltasse a falar. Queria assegurar-se de que Gina estivesse verdadeiramente dormida e de que não pudesse escutar o que ia dizer.
-Cada vez que pode escolher, volta-se para ti.
-Como é isso, Sirius?
-Agora está pega contra suas costas, não a minha. Também prefere cavalgar contigo. Não notou a triste expressão de seu rosto quando a fez montar com o Simas hoje? Parecia desolada.
Harry sorriu.
-Notei - admitiu-. Mas se me prefere, é só porque sou o irmão de Ronald.
-É muito mais que isso.
Harry não respondeu a esse comentário.
Passaram vários minutos antes que Sirius voltasse a falar.
-Faça-me saber, Harry.
-Te fazer saber o que?
-Se for ficar com ela ou não.
-E se é que não?
-Então eu sim.



NA: Oieeeeeeeeeeeeeee!!!!!
brigada pelos comentarios hehe
beijao tonks

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