Escada
Autora - Ubiquirk
Tradução - Clau Snape
Beta reader – Fer Porcel
19: Degrau nove - Dela
30 de Junho, 08:05 da noite
Eu levanto a mão para secar as lágrimas e sinto o metal deslizar pela minha face.
O anel!
Abaixando minha mão esquerda para a minha direita, eu agarro o anel e o deslizo para fora.
O rubi parece quase preto no crepúsculo prematuro. O ouro irradia o resto do calor tirado do meu corpo, frio senão pela parte onde meus dedos o agarram.
Parece algo tão pequeno numa rua vazia ao anoitecer. Como pode significar tanto?
Ah, Rony…
Nós nunca deveríamos ter nos envolvido. Eu ainda o teria como um amigo. Se apenas…
Movimento em minha visão periférica me lembra que eu estou em uma rua aberta. Agarrando o anel com a mão esquerda, eu deslizo minha varinha para a direita, arqueando-a ao longo do interior do meu antebraço caso seja um trouxa.
Mantendo a cabeça abaixada para esconder meu rosto manchado de lágrimas, sigo a pessoa secretamente. Pés e pernas vestidos em preto param defronte a mim.
– Profª. Granger.
A voz dele é tão familiar que meus olhos pestanejam de alívio.
– Hermione.
Ele me chamou de Hermione?
Meus olhos abrem bruscamente enquanto levanto minha cabeça.
Ele tem um olhar estranhamente hesitante no rosto. Uma mão levanta para limpar delicadamente uma lágrima do meu rosto.
Desta vez, ele sussurra:
– Hermione.
Não chore, não chore, não chore…
Mantra interno de lado, eu sinto lágrimas brotarem em meus olhos e meu rosto contorcer.
De repente, eu sou envolvida, e meu estômago retorce com a desorientação da aparatação acompanhada.
Meus braços se levantam para agarrar frouxamente a cintura dele para me firmar, mas eu os deixo ali enquanto permito que meu corpo relaxe de encontro ao calor do dele. Esfregando meu rosto contra a lã pinicante da sobrecasaca dele, percebo que não consigo sentir seu aroma familiar.
Eu realmente preciso assoar meu nariz.
Minha risada infeliz faz os braços dele ficarem mais firmes em torno de mim.
E eu devo estar horrível.
Ele não diz nada, e isso é mais ajuda do que eu jamais poderia imaginar. Posso me recompor um pouco após mais alguns minutos.
Quando eu finalmente me afasto, os braços dele me deixam ir sem protesto.
Guardando minha varinha no bolso, giro para esconder meu rosto, mas ele recaptura minha atenção com um adejo de branco – um lenço.
– Obrigada – eu murmuro pelo nariz obstruído. Pegando-o, enxugo meu rosto e o esfrego no meu nariz, tentando remover a maior quantidade de líquido possível com o menor som.
– Posso pegar-lhe uma bebida?
Meu estômago retorce com a idéia de álcool.
– Na verdade, um pouco de água seria adorável.
Finalmente observando meus arredores, sou confrontada por livros por todos os lados. O cheiro de papel é forte o bastante para se imprimir em meu nariz parcialmente limpo. Sua coleção de livros de Poções é naturalmente impressionante, mas o que prende minha atenção é o que parece ser uma primeira edição de Incerteza Aritmântica de Evatra Collison.
Preciso voltar aqui.
Eu me assento no sofá e guardo o lenço no bolso enquanto ele termina o que está fazendo no aparador e junta-se a mim. O copo descansa sólido em minha mão, a água gelada e sem sabor em minha língua.
– Hermione…
– Eu prefiriria não falar sobre isso.
Divertimento colore o tom dele.
– Nós não precisamos falar.
De repente, nossos copos descansam numa mesa de canto. Os dedos dele deslizam pela minha bochecha e roçam minha orelha. Enquanto continuam descendo pelo meu pescoço, uma trilha de fogo queima ao longo do trajeto antes de correr adiante para enrijecer meus mamilos.
Logo após, a boca dele se junta a mão, e ele corre sua língua do pescoço à minha boca. Este beijo é macio e delicado – um movimento de lábios – nada mais.
É perfeito.
Quando ele se afasta, minhas mãos se lançam para descansar levemente nos ombros dele, e uma parte da minha mente deseja que ele remova a sobrecasaca.
– Hermione. – O timbre rouco de sua voz é tão erótico quanto em encontros passados, mas está emoldurada com algo que eu não consigo determinar.
Eu quero dizer o nome dele, o primeiro nome, mas quando abro a minha boca, ele se inclina outra vez. Encontrando-se no meio do caminho, nossas línguas dançam ligeiramente uma contra a outra. Minhas mãos deslizam para emaranharem-se no cabelo dele enquanto as dele se movem para o meu pescoço e a minha cintura. O formigamento que começou com os dedos dele cresce e espalha-se para envolver o meu centro.
Logo, a boca dele desliza para a minha garganta, onde o arranhar tenro de dentes e a umidade quente da língua combinam para fazer meu clitóris pulsar.
Deuses!
A tamanha intensidade disso me traz surpreendentemente de volta ao presente.
Merda! Eu fiz a mesma coisa com o Rony – não posso fazer isso outra vez!
Um choque de ansiedade me percorre, e eu tiro minhas mãos dele.
– Severo.
O assalto constante em meu pescoço causa outro espasmo, que é parte prazer, parte de pânico, tiritar através de mim.
Ah – como eu posso pensar deste jeito?
– Severo, pare. Eu não posso fazer isso. Não…
Ele se afasta, o rosto duramente inexpressivo. Após alguns momentos, ele pergunta:
– Não agora ou não nunca?
– Eu… eu não sei ao certo. Mas pelo menos não agora.
Uma outra pausa. – Quando você acha que poderá saber, Hermione? – A voz dele é grave.
– Saber?
– Saber se nós somos, de fato, algo mais do que colegas.
Circe! Como eu posso tomar uma decisão dessas hoje à noite?
– Você tem que me dar tempo, Severo. Eu preciso de tempo. – Eu pauso para
tomar um fôlego trêmulo. – Eu apenas… esta noite… e… isto é muito repentino.
– Outro ofego inquieto cruza meus lábios. – É apenas cedo demais.
O movimento dele do sofá até a estante através da sala é tão repentino quanto contido.
Não tendo nenhuma idéia do que mais dizer, eu me concentro em respirar calmamente.
Quando ele se vira para me encarar, suas palavras são surpreendentemente suaves. – Me perdoe. Eu fui um tanto… precipitado em meus galanteios. – Ele pausa, o rosto neutro. – Eu esperei um ano. Suponho que seja possível persistir nisso por mais algum tempo.
Deuses, um ano!
De repente, ele gira para longe de mim.
Levantando lentamente, eu vou até ele e coloco minha mão esquerda em cima de seu ombro correspondente. Ele está tremendo.
– Severo - eu sussurro. – Severo, por favor tente compreender.
A resposta dele é colocar a mão sobre a minha, e nós ficamos assim por um bom tempo. Os tremores fracos cessam.
Eu odeio deixar as coisas deste jeito.
Mas não posso ficar.
Eu aperto o ombro dele e afasto minha mão delicadamente.
– Eu tenho que ir. Eu… eu o verei em breve.
Ele não responde, não se move.
Severo – eu espero que você compreenda.
Eu não quero jamais que você seja um erro.
Com um último olhar para ele, eu aparato na familiar sala de estar, onde eu permaneço parada e tento me recuperar. A casa escura respira em torno de mim, cheia de sons da infância.
Eu subo ao primeiro andar quietamente, habilmente evitando o terceiro e sétimo degraus rangentes.
Uma réstia de luz prateada brilha por debaixo da porta do quarto dos meus pais, então eu bato suavemente, chamando:
– Mãe. Pai. Sou eu.
A porta abre com um ímpeto, e mamãe dá um rápido olhar em meu rosto antes de me puxar para ela.
Papai me observa por sobre o ombro de mamãe.
– Hermione, amor. O que aconteceu?
Eu levanto a minha mão esquerda; a mão que já não carrega uma aliança. – É o Rony. Eu… – E eu não consigo mais fazer isso, não consigo segurar. Meus soluços soam excessivamente ásperos no pequeno corredor.
– Calma, calma, querida. – A voz da mamãe é calmante. – Calma, calma. Tudo vai se resolver.
Eu sou segura firmemente no abraço deles.
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